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Isaac Asimov (Tempo Para Escrever)

– Conheci uma pessoa que era um pouco parecida com você – disse George.

Estávamos almoçando em um pequeno restaurante, em uma mesa perto da janela, e George olhava para fora com ar pensativo.

– Estou surpreso – disse eu. – Pensei que eu fosse único.

– E é. O homem a que me refiro só se parecia um pouco com você. Ninguém mais no mundo possui essa sua capacidade de escrever, escrever, escrever sem colocar nenhuma idéia no papel.

– Acontece que eu uso um processador de texto.

– Usei a palavra “escrever” no sentido figurado. Qualquer escritor de verdade compreenderia isso – declarou, parando de comer a mouse de chocolate para dar um suspiro dramático.

Eu conhecia o sinal.

– Vai me contar mais uma daquelas histórias fantasiosas a respeito de Azazel, não vai, George?

Ele me dirigiu um olhar de desprezo.

– Você vem inventando mentiras há tanto tempo que não sabe mais reconhecer um relato verdadeiro. Mas não tem importância. A história é triste demais para ser contada.

– Mesmo assim, você vai me contar, não vai?

George suspirou de novo.

Foi aquela parada de ônibus lá fora [disse George] que me fez lembrar de Mordecai Sims, que ganhava modestamente a vida produzindo laudas e mais laudas de lixo variado. Não tantas quanto você, nem tão imprestáveis, e é por isso que eu disse que só se parecia um pouco com você. Para ser honesto, às vezes o que ele escrevia chegava a ser razoável. Sem querer ferir seus sentimentos, você jamais chegou a esse ponto. Pelo menos pelo que me contaram, porque ainda não baixei meus padrões a ponto de ler pessoalmente o que você escreve.

Mordecai era diferente de você em outra coisa: era terrivelmente impaciente. Mire-se naquele espelho, se é que não se importa de ser cruelmente lembrado de sua aparência, e veja como está sentado displicentemente, com um braço jogado nas costas da cadeira e o resto do corpo em total abandono. Olhando para você, ninguém diria que está preocupado em entregar a tempo sua cota diária de caracteres digitados ao acaso.

Mordecai não era assim. Vivia preocupado com os prazos, que pareciam estar sempre para vencer. Naquela época, eu almoçava com ele toda terça-feira, mas ele tirava toda a graça da refeição com suas lamúrias.

– Tenho de colocar este artigo no correio amanhã de manhã, o mais tardar – dizia ele -, mas primeiro tenho de rever outro artigo, e simplesmente não vai dar tempo. Quando é que vai chegar a comida? Por que o garçom não aparece? O que eles estão fazendo na cozinha? Batendo papo?

Ele se mostrava particularmente irrequieto na hora de pagar a conta, e mais de uma vez temi que fosse embora, deixando para mim a triste incumbência. A bem da verdade, isso nunca aconteceu, mas a simples possibilidade era suficiente para me estragar o apetite.

Olhe para aquele ponto de ônibus. Estive a observá-lo durante os últimos quinze minutos. Não passou nenhum ônibus, e hoje é um dia frio e ventoso. O que vemos são casacos abotoados, mãos nos bolsos, narizes vermelhos ou arroxeados, pés se arrastando no chão em [1]busca de calor. O que não vemos é nenhum sinal de revolta, nenhum punho cerrado levantado para o céu. As injustiças da vida tornaram aquelas pessoas totalmente passivas.

Mordecai Sims não era assim. Se estivesse naquela fila de ônibus, ficaria no meio da rua para espreitar o horizonte à procura do primeiro sinal de um veículo; estaria resmungando, rosnando e agitando os braços; comandaria uma passeata em direção à prefeitura. Seu sangue, para resumir, estaria carregado de adrenalina.

Mais de uma vez, ele me procurou para se queixar, atraído, como tantos outros, pelo meu ar sereno de competência e compreensão.

– Sou um homem ocupado, George – afirmava, atropelando as palavras. Ele sempre atropelava as palavras. – É uma vergonha, um escândalo e um crime a forma como o mundo conspira contra mim. Tive de passar no hospital para alguns exames de rotina, só Deus sabe por quê. Acho que meu médico resolveu justificar o dinheiro que eu lhe pago. Disseram-me para me apresentar na sala de espera às 9:40.

“Cheguei lá exatamente às 9:40, é claro, e havia um cartaz na parede que dizia: “Aberto a partir das 9:30.” Era exatamente isso que o cartaz dizia, George, para quem quisesse ver. Na mesa da recepcionista, porém, não havia ninguém.

“Consultei o relógio e disse para uma faxineira que passava: “Onde se encontra a funcionária relapsa que devia estar atrás dessa mesa?”

“”Ainda não chegou”, respondeu a faxineira.

“”Aqui diz que o lugar funciona a partir das 9:30.”

“”Mais cedo ou mais tarde, alguém vai aparecer”, observou a faxineira, com irritante indiferença.

“Afinal de contas, eu me encontrava em um hospital. Podia estar à morte. Alguém se importava com isso? Não! Eu tinha prazo para entregar um trabalho importante, que me havia custado muito esforço e me renderia dinheiro suficiente para pagar a conta do médico (supondo que eu não tivesse uma forma melhor de gastá-lo, o que não era provável). Alguém estava se incomodando? Não! A recepcionista só apareceu às 10:04, e quando me aproximei da mesa, aquela maldita retardatária olhou para mim de cara feia e disse: “Vai ter de esperar a sua vez!

Mordecai vivia contando histórias como aquela; falava de edifícios nos quais todos os elevadores estavam subindo ao mesmo tempo, parando em todos os andares, enquanto ele esperava na portaria; de pessoas que almoçavam do meio-dia às 15:30 e começavam o fim de semana na quarta-feira sempre que precisava falar com elas.

Não sei por que alguém se deu o trabalho de inventar o tempo, George – dizia para mim. – Não passa de um artifício para tornar possível a formação de novos métodos de desperdício. Se eu pudesse transformar as horas que passei esperando esses imbecis em tempo de trabalho, minha produção aumentaria de dez a vinte por cento. O que, apesar da sovinice criminosa dos editores, resultaria em um aumento substancial da minha renda… a comida vai chegar ou não?

Eu não podia deixar de pensar que ajudá-lo a aumentar a renda seria uma boa ação, principalmente porque ele tinha o bom gosto de gastar parte dela comigo. Além disso, costumava escolher os melhores restaurantes para jantarmos juntos, o que me deixava comovido… Não, não como este aqui, amigo velho. Coisa muito melhor. O seu gosto deixa muito a desejar, o que combina, pelo que ouço dizer, com o que você escreve.

Comecei, portanto, a dar tratos à bola para encontrar uma maneira de ajudá-lo.

Não me lembrei imediatamente de Azazel. Naquela época, ainda não estava acostumado com ele; afinal de contas, um demônio de dois centímetros de altura é uma coisa relativamente incomum.

Afinal, porém, ocorreu-me que talvez Azazel pudesse fazer qualquer coisa para aumentar o tempo de que meu amigo dispunha para escrever. Não parecia provável e talvez eu o estivesse fazendo perder tempo; para que serve o tempo para uma criatura de outro mundo?

Passei pela rotina de antigos feitiços e encantamentos que uso para invocá-lo, e ele chegou dormindo. Seus olhinhos estavam fechados e emitia um som agudo e desagradável que devia ser o equivalente a um ronco humano.

Eu não sabia ao certo como acordá-lo, e finalmente decidi pingar um pouco de água no seu estômago. Ele tem abdome perfeitamente esférico, você sabe, como se tivesse engolido uma bilha. Não tenho a menor idéia se isso é comum no planeta dele, mas quando falei no assunto, ele fez questão de saber o que era uma bilha. Quando expliquei, disse que estava com vontade de me zapulniclar. Não sei o que é isso, mas pelo seu tom de voz não deve ser nada agradável.

A água realmente o acordou, mas também o deixou muito aborrecido. Disse que eu quase o havia afogado e começou a explicar, com detalhes irrelevantes, como se fazia para acordar alguém no seu mundo. Tinha algo a ver com danças, pétalas de rosa, instrumentos musicais e o toque dos dedos de lindas donzelas. Eu lhe disse que no nosso mundo éramos mais práticos e ele nos chamou de bárbaros ignorantes antes de se acalmar o suficiente para que eu pudesse lhe explicar o que queria.

Contei-lhe o meu problema, convencido de que, na melhor das hipóteses, ele me daria algum conselho trivial antes de ir embora.

Estava enganado. Azazel olhou para mim, muito sério, e disse:

– Escute aqui, você está me pedindo para interferir nas leis das probabilidades?

Fiquei satisfeito por ele ter compreendido tão depressa a questão.

– Exatamente.

– Mais isso não é nada fácil!

– Claro que não. Se fosse fácil eu pediria a você? Se fosse fácil eu mesmo faria. Só quando não é fácil é que tenho de recorrer a um ser superior como você.

Nauseante, é claro, mas essencial quando se está lidando com um demônio que se envergonha do seu tamanho e de sua barriga em forma de bilha.

Ele pareceu gostar do meu argumento e disse:

– Bom, eu não disse que era impossível.

– Ótimo.

– Eu teria de ajustar o contínuo psicalóbico do seu planeta.

– Tirou as palavras da minha boca.

– O que vou fazer é introduzir alguns nós na ligação entre o contínuo e o seu amigo, esse que tem prazos a cumprir. A propósito: que são prazos?

Quando tentei explicar, ele observou, com um suspiro fundo:

– Ah, sim, temos coisas parecidas em nossas demonstrações mais etéreas de afeição. Se você deixa um prazo passar, as adoráveis criaturinhas não o perdoam. Lembro-me de uma vez…

Mas vou poupar-lhe os detalhes sórdidos da vida sexual de Azazel.

– O único problema – disse ele, afinal – é que depois que eu introduzir os nós não poderei mais desfazê-los.

– Por que não?

– É teoricamente impossível – declarou Azazel, em tom deliberadamente casual.

Não acreditei nele. Para mim, aquele demônio incompetente simplesmente não sabia como. Entretanto, já que ele era competente o bastante para tornar a vida impossível para mim, não lhe revelei o que estava pensando, mas disse, simplesmente:

– Você não vai ter de desfazer nada. Mordecai precisa de mais tempo para escrever, e quando o conseguir ficará satisfeito para o resto da vida.

– Nesse caso, vou começar.

Ficou fazendo passes durante muito tempo. Parecia um mágico no palco, exceto pelo fato de que de vez em quando eu tinha a impressão de que suas mãos ficavam invisíveis. Entretanto, eram tão pequenas que às vezes era difícil dizer se estavam ou não visíveis, mesmo em circunstâncias normais.

– Que está fazendo? – perguntei, mas Azazel sacudiu a cabeça e seus lábios se moveram como se estivesse contando.

Depois, ele se apoiou na mesa e suspirou.

– Terminou? – perguntei.

Ele fez que sim com a cabeça e disse:

– Espero que você compreenda que eu tive de reduzir o quociente de entropia do seu amigo de forma mais ou menos permanente.

– Que significa isso?

– Significa que a partir de agora as coisas serão mais regulares nas proximidades do seu amigo do que costumavam ser.

– Não há nada de errado com a regularidade – disse eu. (Você talvez não acredite, amigo velho, mas sempre gostei de organização. Tenho um registro de todo o dinheiro que lhe devo, até o último centavo. As quantias estão anotadas em pedaços de papel, aqui e no meu apartamento. Se quiser, posso mostrar-lhe…)

Azazel disse:

– Claro que não há nada de errado com a regularidade. Só que é impossível violar a segunda lei da termodinâmica. Para manter o equilíbrio, as coisas serão um pouco menos regulares longe do seu amigo.

– De que forma? – perguntei, verificando se o meu zíper estava aberto.

– De várias formas, quase todas difíceis de notar. Espalhei o efeito por todo o sistema solar, de modo que haverá um número um pouco maior de colisões entre asteróides, um número um pouco maior de erupções vulcânicas etc. O maior efeito, porém, será sobre o sol.

– Que vai acontecer com o sol?

– Calculo que ele ficará quente o bastante para tornar a vida impossível na Terra dois milhões e meio de anos mais cedo do que se eu não tivesse introduzido os nós no contínuo.

Dei de ombros. Que importam uns poucos milhões de anos quando é uma questão de arranjar alguém para pagar de boa vontade as minhas refeições?

Só voltei a jantar com Mordecai uma semana depois. Ele parecia muito animado ao entrar no restaurante, e quando chegou à mesa onde eu o esperava pacientemente com o meu drinque, sorriu para mim.

– George, tive uma semana incrível! – exclamou. Estendeu a mão sem olhar e não pareceu nem um pouco surpreso quando alguém lhe passou um cardápio. Logo naquele restaurante, em que os garçons eram tão prepotentes que exigiam um requerimento em três vias, assinado pelo gerente, para entregar um cardápio!

“George, parece que estou no paraíso! Disfarcei um sorriso.

– Verdade?

– Quando entro no banco, há sempre um guichê vazio e um caixa sorridente. Quando entro no correio, há sempre um guichê vazio e… bem, acho que esperar um sorriso de um funcionário dos correios seria demais, mas pelo menos eles registram minhas cartas sem fazer cara feia. Chego no ponto de ônibus e há sempre um à minha espera. Outro dia, na hora de maior movimento, levantei a mão e imediatamente um táxi encostou para me pegar. Quando disse que queria ir para a esquina da Quinta com a Quarenta e Nove, ele me levou até lá pelo caminho mais curto. E falava a minha língua! Que é que você vai querer, George?

Uma consulta rápida ao cardápio foi suficiente. Parecia que tudo estava arranjado para que ninguém pudesse atrasar o meu amigo. Mordecai pôs o cardápio de lado e fez os pedidos para nós dois. Observei que não se deu o trabalho de levantar os olhos para ver se havia um garçom à espera. Já se acostumara a esperar que houvesse.

E havia.

O garçom esfregou as mãos, fez uma mesura e nos atendeu com presteza, cortesia e eficiência.

Eu disse a ele:

– Você parece estar passando por uma fantástica maré de sorte, Mordecai, meu amigo. Como explica isso? (Devo admitir que por um momento tive a tentação de revelar a ele que eu em o responsável. Afinal, se soubesse disso, não teria vontade de me cobrir de ouro, ou, em nossos dias prosaicos, de papel?)

– É muito simples – disse ele, pendurando o guardanapo no pescoço e agarrando a faca e o garfo como se quisesse estrangulá-los, porque Mordecai, com todas as suas qualidades, não é exatamente o que se chamaria de um homem refinado. – Não tem nada a ver com a sorte. É a conseqüência inevitável das leis das probabilidades.

– Das probabilidades? – repeti, com indignação.

– Claro! Passei a vida inteira tendo de suportar a série mais revoltante de atrasos fortuitos que já ocorreu neste planeta. De acordo com as leis das probabilidades, é preciso que esta seqüência infeliz de eventos seja compensada. E o que está acontecendo agora, e espero que continue a ocorrer durante o resto de minha vida. Espero, não, tenho certeza. As coisas têm de se equilibrar. – Inclinou-se na minha direção e espetou o dedo no meu peito. – Acredite nisso. É impossível desafiar as leis das probabilidades.

Passou o resto do jantar discorrendo sobre as leis das probabilidades, a respeito das quais, tenho certeza, conhecia tão pouco quanto você.

Afinal, eu perguntei:

– Agora você não tem mais tempo para escrever?

– Claro que tenho. Calculo que o meu tempo para escrever deve ter aumentado uns vinte por cento.

– E a sua produção aumentou na mesma proporção, imagino.

– Ainda não – disse ele, parecendo meio constrangido. – Ainda não. Naturalmente, preciso me adaptar. Não estou acostumado com tanta facilidade. Fui apanhado de surpresa.

Na verdade, ele não parecia nem um pouquinho surpreso. Levantou a mão e, sem olhar, tirou a conta dos dedos de um garçom que se aproximava cora ela. Examinou-a rapidamente e devolveu-a, com um cartão de crédito, ao garçom, que, para meu espanto, tinha ficado esperando e, ao recebê-la, levou imediatamente à caixa.

O jantar inteiro tinha levado pouco mais de trinta minutos. Não vou esconder de você o fato de que teria preferido um jantar civilizado de duas horas e meia, precedido por champanha, seguido por conhaque, cora um ou dois vinhos finos separando os pratos e uma conversa civilizada preenchendo todos os interstícios. Entretanto, consolei-me com o fato de que Mordecai havia economizado duas horas que poderia passar ganhando dinheiro para si mesmo e, até certo ponto, para mim também.

Depois daquele jantar, passei três semanas sem me encontrar com Mordecai. Não me lembro por quê; acho que nós dois viajamos em semanas diferentes.

Seja como for, certa manhã eu estava saindo de uma lanchonete onde às vezes como um ovo mexido com torrada quando vi Mordecai de pé na esquina, cerca de meio quarteirão de distância.

Tinha acabado de nevar e estava tudo molhado. Era o tipo de dia em que os táxis vazios se aproximam de você apenas para jogar respingos de neve suja nas pernas das suas calças antes de baixarem o sinal de livre e se afastarem rapidamente.

Mordecai estava de costas para mim e acabava de levantar a mão quando um táxi vazio reduziu a marcha e se aproximou dele. Para minha surpresa, Mordecai olhou para outro lado. O motorista esperou um pouco e depois foi embora, desapontado.

Mordecai levantou a mão pela segunda vez e, aparentemente surgido do nada, um segundo táxi apareceu e parou para ele. Meu amigo entrou no carro, mas, como pude ouvir claramente, embora estivesse a uma distância de uns quarenta metros, brindou o motorista com uma torrente de impropérios que fariam corar uma pessoa de respeito, se ainda houvesse alguma em nossa cidade.

Telefonei para ele naquela mesma manha e marquei um encontro para mais tarde em um bar que costumávamos freqüentar, que oferecia uma “Happy Hour” após outra durante o dia inteiro. Eu mal podia esperar pela explicação de Mordecai.

O que eu queria saber era o significado dos palavrões que ele havia usado. Não, amigo velho, não estou me referindo à definição desses vocábulos no dicionário, se é que eles constam de algum dicionário. Estou falando da razão pela qual ele ofendera o motorista de táxi. Pela lógica, deveria agradecer-lhe efusivamente por haver parado.

Quando ele entrou no bar, não parecia muito satisfeito. Na verdade, tinha um ar preocupado.

Disse para mim:

– George, quer chamar a garçonete para mim?

Era um desses bares em que as garçonetes se vestem sem nenhuma preocupação de se manter aquecidas, o que, naturalmente, ajudava a me manter aquecido. Chamei uma delas com todo o prazer, embora soubesse que interpretaria meus gestos simplesmente como representando o desejo de pedir um drinque.

Na verdade, ela não interpretou coisa alguma, pois me ignorou totalmente, mantendo-se de costas para mim.

Eu disse para o meu amigo:

– Mordecai, se você quer ser atendido, é melhor chamá-la pessoalmente. As leis da probabilidade ainda não começaram a agir a meu favor, o que é uma pena, porque já era mais do que tempo de o meu tio rico morrer e deserdar seu único filho, deixando toda a fortuna para mim.

– Você tem um tio rico? – perguntou Mordecai, com uma ponta de interesse.

– Não! O que torna as coisas ainda mais injustas. Peça um drinque para nós, está bem, Mordecai?

– Por que a pressa? Deixe que eles esperem – resmungou Mordecai, de cara feia.

Eu não tinha nenhum interesse em deixá-los esperando, é claro, mas minha curiosidade foi maior que a minha sede.

– Mordecai, você parece infeliz. Hoje de manhã, você não me viu, mas eu o vi. Você ignorou um táxi vazio em um dia em que eles valem seu peso em ouro e depois, quando tomou um segundo táxi, xingou o motorista.

– É mesmo? Acontece que estou farto desses filhos da mãe. Os táxis me perseguem. Eles me seguem em longas filas. Não posso nem olhar para a rua sem que um deles pare. Quando chego a um restaurante, sou cercado por hordas de garçons. Lojas já fechadas são abertas por minha causa. No momento em que entro em um edifício, todos os elevadores estão no térreo. Salto em um andar, e eles esperam pacientemente por mim. Quando marco uma consulta médica, sou atendido imediatamente. Se preciso de um documento em uma repartição pública…

Àquela altura, porém, eu tinha recuperado a voz.

– Mordecai – protestei -, não compreende que isso é ótimo para você? As leis das probabilidades…

O que sugeriu que eu fizesse com as leis das probabilidades é totalmente impossível, é claro, já que elas não passam de abstrações.

– Mordecai – insisti -, tudo isso lhe dá mais tempo para escrever.

– Está muito enganado. Parei de escrever.

– Por quê?

– Porque não tenho mais tempo para pensar.

– Como assim?

– O tempo que eu passava esperando, nas filas de banco, nos pontos de ônibus, nas salas de espera… era esse o tempo que eu usava para pensar, para planejar o que eu iria escrever quando chegasse em casa. Essa preparação era essencial para o meu trabalho.

– Eu não sabia disso.

– Nem eu, mas agora já sei.

– Pensei que você passasse todo o tempo de espera reclamando, xingando e se aborrecendo.

– Parte do tempo eu passava assim. O resto do tempo, passava pensando. E mesmo o tempo que eu passava me queixando das injustiças do universo era útil, porque eu me exaltava, a adrenalina no meu sangue ia lá em cima e quando eu finalmente chegava em casa usava o teclado da máquina de escrever para descarregar todas as minhas frustrações. Meus pensamentos forneciam a motivação intelectual e minha raiva a motivação emocional. Juntos, faziam com que os fogos sombrios e infernais de minha alma despejassem grandes blocos de excelente literatura. E agora? Como vou fazer? Observe!

Estalou os dedos e imediatamente uma garçonete sumariamente vestida estava a seu lado, perguntando:

– Que posso fazer pelo senhor?

Eu podia imaginar várias coisas, mas Mordecai se limitou a pedir drinques para nós dois.

– Pensei que precisava apenas me acostumar com a nova situação, mas agora compreendo que não é tão simples assim.

– Pode se recusar a tirar vantagem das facilidades que os outros oferecem a você.

– Posso mesmo? Você me viu esta manhã. Se recuso um táxi, logo aparece outro. Se eu recusar cinqüenta vezes, haverá um qüinquagésimo primeiro esperando por mim na primeira esquina. Eles me vencem pelo cansaço.

– Nesse caso, por que não reserva uma hora ou duas por dia para pensar, no conforto do seu escritório?

– Exatamente! No conforto do meu escritório! Só consigo pensar direito quando estou roendo as unhas em uma fila de banco, sentado no banco duro de uma sala de espera ou morrendo de fome em uma mesa de restaurante. É a revolta que me dá inspiração para escrever.

– Mas você não está revoltado no momento?

– Não é a mesma coisa. Posso me revoltar com uma injustiça, mas como posso me revoltar com as pessoas que me tratam com tanta consideração? Não, não estou revoltado; estou apenas triste, e quando estou triste não consigo escrever. Acho que nunca passei uma “Happy Hour” tão infeliz como naquele dia.

– Juro para você, George – disse Mordecai -, que tenho a impressão de que fui amaldiçoado. Acho que alguma fada madrinha, aborrecida por não ter sido convidada para o meu batizado, descobriu finalmente alguma coisa pior do que ser forçado a esperar em filas. É a maldição de se poder fazer imediatamente tudo que se deseja.

Ao ouvir aquele triste relato, meus olhos ficaram úmidos, pois me dei conta de que a fada madrinha a que ele se referia era na verdade a minha pessoa, e talvez um dia ele viesse a descobrir esse fato. Se Mordecai soubesse a verdade, poderia muito bem, em um ato de desespero, tirar a própria vida, ou, pior ainda, tirar a minha.

Mas o pior ainda não tinha chegado. Depois de pedir a conta e, naturalmente, recebê-la sem demora, examinou-a sem interesse, passou-a para mim e disse, com voz rouca:

– Tome, pode pagar. Vou para casa.

Paguei. Que remédio? Mas isso me deixou uma ferida que ainda me incomoda quando o tempo está para mudar. Afinal, é justo que eu tenha encurtado a vida do sol em dois milhões e meio de anos e acabe tendo de pagar, não só o meu drinque, mas também o do meu amigo? É justo?

Nunca mais tornei a ver Mordecai. Ouvi dizer que deixou o país e se tornou um vagabundo de praia nos Mares do Sul.

Não sei exatamente o que faz um vagabundo de praia, mas desconfio que eles não ficam ricos. Seja como for, tenho certeza de que se ele estiver na praia e quiser uma onda, ela não demorará a aparecer.

– Então você não vai fazer nada por mim?

– Não.

– Ótimo. Então eu pago a conta.

É o mínimo que você pode fazer – disse George.

Aquela altura, um garçom já havia trazido a conta e a colocara entre nós, enquanto George a ignorava com a desenvoltura de sempre.

– Você não está pensando em pedir a Azazel para fazer alguma coisa por mim, está? – perguntei.

– Acho que não – disse George. – Infelizmente, amigo velho, você não é o tipo de pessoa em que a gente pensa quando sente vontade de fazer boas ações.

Fonte:
ASIMOV, Isaac. Azazel. RJ: Record, 1988

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Isaac Asimov (Versos na Luz)

A última pessoa deste mundo que alguém julgaria um criminoso era a sra. Avis Lardner. Viúva do grande mártir da Astronáutica, era filantropa, colecionadora de arte, uma extraordinária anfitriã e, todos concordavam, um gênio artístico. Acima de tudo, era o mais gentil e bondoso ser humano que se podia imaginar.

O marido, William J. Lardner, morreu, como todos sabemos, devido aos efeitos da radiaçío da luz solar, após ter deliberadamente permanecido no espaço, a fim de que uma espaçonave de passageiros pudesse levar seu veículo espacial em segurança à Estação Espacial n°5.

Por isso a sra. Lardner havia recebido uma generosa pensão, a qual investira bem e com muita sabedoria. Ao fim da meia-idade, estava rica.

Sua casa era uma espécie de exposição permanente, um verdadeiro museu, contendo uma coleção de lindas jóias, pequena, porém de extremo bom-gosto. De uma dúzia de diferentes culturas havia conseguido relíquias de quase toda peça de artesanato concebível que pudessem ser engastadas de jóias para servir à aristocracia daquela mesma cultura. Possuía um dos primeiros relógios de pulso, adornado de pedras preciosas, fabricado na América, uma adaga incrustada de pedras preciosas, procedente do Camboja, um par de óculos, decorado com jóias, vindo da Itália, e assim por diante, interminavelmente.

Tudo estava aberto ao público. As peças de artesanato não estavam no seguro, e não havia nenhuma providência comum no sentido de garanti-las. Não havia a necessidade de nada convencional, porquanto a sra. Lardner mantinha um corpo de auxiliares, constituído de robôs-servos, a cada um dos quais podia se confiar a guarda de cada um dos objetos, tendo eles imperturbável concentração, irrepreensível honestidade e irrevogável eficiência.

Todos sabiam da existência dos robôs e não há registro de ter algum dia ocorrido alguma tentativa de furto.

E havia também, é claro, sua escultura-luz.

Como a sra. Lardner descobriu seu próprio gênio para a arte, nenhum convidado de suas pródigas reuniões conseguia adivinhar. Contudo, em cada ocasião, quando a sra. Lardner abria a casa para os convidados, uma nova sinfonia de luz percorria os aposentos de um lado ao outro; curvas e sólidos tridimensionais, numa mescla de cores, algumas puras, outras difusas, em surpreendentes efeitos cristalinos que mergulhavam no assombro cada convidado, e que se ajustavam por si mesmos, de forma a embelezar os cabelos macios e azulados e o rosto de contornos pouco definidos da sra. Lardner.

Era por causa da escultura-luz, mais do que por qualquer outra coisa, que os convidados apareciam. Nunca era a mesma duas vezes, e nunca deixava de explorar novos enfoques da arte.

Muitas pessoas que podiam comprar consolo-luz preparavam esculturas-luz por diversão, mas ninguém chegava nem de longe a igualar a perícia da sra. Lardner. Nem mesmo aqueles que se consideravam artistas profissionais.

Ela mesma era encantadoramente modesta a respeito disso – Não, não – dizia ela, quando alguém ressudava lirismo. – Eu não a denominaria “poesia na luz”. Isto é ser bondosa demais. No máximo, eu diria que se trata de meros “versos na luz” – e todos sorriam da sutil tirada de espírito.

Embora fosse solicitada freqüentemente a fazê-lo, jamais criava “escultura-luz” em outras ocasiões, salvo em suas próprias festas.

– Seria comercialização – costumava dizer.

Contudo, não objetava à preparação de elaborados hologramas de suas esculturas, de forma que se tornassem permanentes e fossem reproduzidos em todos os museus do mundo. Tampouco nunca cobrou nada pelo uso que pudesse ser feito de suas “esculturas-luz”.

– Eu não teria coragem de cobrar um centavo – dizia ela, abrindo bem os braços. – É de graça para todos. Afinal de contas, eu mesma a uso durante pouco tempo.

Era verdade, ela nunca utilizava duas vezes a mesma “escultura-luz”.

Ela própria cooperava quando eram feitos os hologramas. Observando benignamente cada etapa, estava sempre pronta a mandar que os robôs ajudassem.

– Por favor, Courtney – quer ter a bondade de ajustar a escadinha?

Era o seu estilo. Sempre se dirigia aos robôs com a mais formal das cortesias.

Certa ocasião, há muitos anos, quase fora repreendida por um funcionário federal do “Bureau of Robots and Mechanical Men”:

– Não pode fazer isto – disse ele severamente. – Interfere na eficiência deles. São construídos para cumprir ordens e quanto mais claramente lhes der ordens, mais eficientes as cumprirão. Quando pede com elaborada polidez, compreendem com dificuldade que está sendo dada uma ordem. Reagem mais lentamente.

A sra. Lardner ergueu a aristocrática cabeça:

– Não exijo rapidez e eficiência – disse ela. – Peço boa vontade. Meus robôs me amam.

O funcionário poderia ter explicado que robôs não podem amar, mas murchou sob o olhar ofendido, ainda que meigo, dela.

Era fato conhecido de todos que a sra. Lardner jamais remeteu um robô à fábrica para ajustamentos. Seus cérebros positrônicos eram de enorme complexidade, e quando saem da fábrica, um em dez não está perfeitamente regulado. Às vezes o desajuste não se revela durante um período de tempo, mas sempre que um engano se manifesta, a “U. S. Robots and Mechanical Men Corporation” efetua a correção gratuitamente.

A sra. Lardner sacudiu a cabeça:

– A partir do momento em que o robô está em minha casa – disse – e cumpre com seus deveres, as excentricidades secundárias devem ser toleradas. Não permitirei que seja maltratado.

Era a pior coisa possível tentar explicar que um robô era apenas uma máquina. Ela dizia inflexivamente:

– Nada que seja tão inteligente como um robô pode ser apenas uma máquina. Trato-os como gente.

E pronto!

Ela conservava até mesmo Max, embora fosse quase inútil. Mal se podia compreender o que se esperava dele. Contudo, a sra. Lardner insistia:

– Absolutamente – dizia firmemente – ele é capaz de pegar e guardar chapéus e casacos perfeitamente. Segura objetos para mim. Sabe fazer muitas coisas.

– Mas por que não manda regulá-lo? – perguntou um amigo, certa ocasião.

– Oh, eu não teria coragem. Ele é ele mesmo. É muito amável, sabe? Afinal de contas, um cérebro positrônico é tão complexo que ninguém consegue saber onde está enguiçado. Se fosse ajustado para a perfeita normalidade, não haveria meios de recuperá-lo para a amabilidade que possui agora. E eu não quero desfazer-me dele.

– Mas, se ele está mal regulado – disse o amigo, olhando nervosamente para a sra. Lardner – não poderá ser perigoso?

– Nunca – a sra. Lardner deu uma risada. – Tenho-o há anos. É completamente inofensivo e é um amor.

Na verdade, ele tinha a mesma aparência de todos os outros robôs: liso, metálico, vagamente humano, mas inexpressivo.

Contudo, para a bondosa sra. Lardner, todos eram gente, pessoas, todos meigos, todos adoráveis. Ela era assim.

Como poderia cometer um crime?

A última pessoa que alguém esperaria que fosse assassinado seria John Semper Travis. Introvertido e de modos suaves, estava no mundo, mas não pertencia a ele. Possuía aquele peculiar talento para a Matemática que lhe tornava possível resolver mentalmente o complexo entrelaçamento de uma miríade de circuitos positrônicos cerebrais da mente de um robô.

Era o engenheiro-chefe da “U. S. Robots and Mechanical Men Corporation”.

Mas era também um entusiasmado amador em “escultura-luz”. Havia escrito um livro sobre a matéria, no qual tentava mostrar que o tipo de Matemática que utilizava para resolver problemas de circuitos de cérebros positrônicos poderia ser modificado para servir de guia na produção da estética da “escultura-luz”.

No entanto, sua tentativa de colocar a teoria em prática foi um fracasso desanimador. As esculturas que produziu, segundo seus princípios matemáticos, eram pesadas, mecânicas e sem interesse.

Era a única razão de infelicidade em sua vida tranqüila, introvertida e segura, no entanto era razão suficiente para sentir-se profundamente infeliz. Ele sabia que suas teorias eram corretas, se bem que não conseguisse pô-las em ação. Se não conseguisse produzir uma boa peça de “escultura-luz”…

Naturalmente, estava a par da “escultura-luz” da sra. Lardner. Ela era universalmente aplaudida como um gênio, muito embora Travis soubesse que era incapaz de compreender mesmo o mais simples aspecto da matemática dos robôs. Havia trocado correspondência com ela, mas ela recusava-se obstinadamente a explicar seus métodos, levando-o a perguntar-se se ela possuía mesmo algum. Não seria mera intuição? – mas mesmo a intuição pode ser reduzida à matemática. Finalmente, ele conseguiu receber um convite para uma das festas. Precisava avistar-se com ela a todo custo.

O sr. Travis chegou bem tarde. Havia feito uma última tentativa com uma peça de “escultura-luz”, que resultará num fracasso desa-lentador.

Cumprimentou a sra. Lardner com uma espécie de enigmático respeito e disse:

– Estranho aquele robô que pegou meu chapéu e casaco.

– Aquele é Max – disse a sra. Lardner.

– Está muito desregulado e é um modelo bem antigo. Por que razão não o manda para a fábrica?

– Oh, não – disse a sra. Lardner. – Seria demasiado trabalho.

– De modo nenhum, sra. Lardner – disse Travis. – A sra. ficaria surpresa com a simplicidade do trabalho. De vez que sou da U.S. Robots, tomei a liberdade de ajustá-lo pessoalmente. Não levou tempo e a sra. verá que ele está agora em perfeitas condições de funcionamento.

Uma estranha mudança ocorreu no rosto da sra. Lardner. A fúria estampou-se nele pela primeira vez em sua existência sossegada. Era como se os traços fisionômicos não soubessem qual posição tomar.

– Ajustou-o? – perguntou com voz aguda. – Mas foi ele que criou as minhas “esculturas-luz”. Foi o ajustamento defeituoso, o desajuste, que você jamais conseguirá restaurar… aquele…

Foi uma grande desgraça que ela estivesse mostrando sua coleção naquele momento e que a adaga com cabo cravejado com pedras preciosas, procedente do Camboja, estivesse sobre o tampo de mármore na mesa em frente dela.

A fisionomia de Travis também se distorceu:

– A sra. quer dizer que, se eu tivesse estudado o estranho cérebro positrônico dele, eu poderia ter aprendido…

Ela avançou com a arma com demasiada rapidez para alguém detê-la. Ele não tentou se esquivar ao golpe. Há quem diga que foi ao encontro dele – como se quisesse morrer.
—————————
Conto do livro Nós, Robôs (The Complete Robot). É uma coletânea de 31 contos sobre os robôs publicados entre 1939 a 1977, inclusive as histórias reunidas na primeira coletânea, I, Robot(1950) (Eu, Robô).

Contém todas as histórias com a participação de Susan Calvin, e histórias, como por exemplo, ‘O Homem Bicentenário’, ‘Pobre Robô Perdido’ e ‘Robbie’. ‘Robbie’ é a primeira história de robôs escrita por Asimov.
Os contos são:

Robôs não humanos
O melhor amigo de um garoto – Um garoto tem um robô cachorro
Sally – Um carro robô
Um dia – Um computador contador de Histórias

Robôs Imóveis

Contos com computadores
Ponto de vista
Pense!
Amor verdadeiro

Robôs Metálicos
Robô AL-76 extraviado
Vitória involuntária
Estranho no paraíso
Versos na luz
Segregacionista
Robbie

Robôs humanóides
Vamos nos Unir
Imagem Especular (Uma história com Elias Baley e Daniel)
O incidente do tricentenário

Powell e Donovan
Primeira Lei
Corre-corre
Razão
Pegue aquele coelho

Susan Calvin
Mentiroso
Satisfação garantida
Lenny
Escravo
O robozinho perdido
Risco
Fuga
Evidência
O conflito evitável
Intuição feminina

Dois clímax
…Para que vos ocupeis dele
O homem bicentenário

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Fontes:
ASIMOV, Isaac. Nós, Robôs. SP: Hemus Editora, 1982.
– Sobre o livro = Wikipedia

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Literatura em Luto (Falecimento de Arthur C. Clarke)

ARTHUR CHARLES

CLARKE

( 1917 – 2008)

O escritor e inventor britânico Arthur C. Clarke morreu aos 90 anos, em sua casa em Colombo, capital do Sri Lanka, em 19 de março de 2008, onde será enterrado, sem rito religioso, a seu pedido.

“Ele teve um ataque cardiorrespiratório”, disse Rohan de Silva, secretário pessoal de Clarke, segundo a Reuters.

Sir Arthur Charles Clarke morreu à 1h30 de quarta-feira (18h de Brasília desta terça-feira, 19 de março de 2008) de insuficiência respiratória.

Entre suas obras, “A Sentinela” é um grande destaque. O texto serviu de inspiração para o roteiro do filme “2001 – Uma Odisséia no Espaço” (1968), dirigido por Stanley Kubrick (1928-1999). O roteiro do filme é assinado por Kubrick e Clarke.

Clarke escreveu mais de 80 livros e centenas de contos e artigos durante sua carreira. O escritor mencionou nos anos 40 que o homem chegaria à Lua por volta do ano 2000, algo que especialistas afirmaram ser um absurdo na época.

Quando Neil Armstrong pisou no satélite em 1969, os Estados Unidos divulgaram que Clarke providenciou a direção intelectual que levou o país à Lua.

No último dezembro, Clarke afirmou que gostaria de ver sinais de extraterrestres ainda enquanto estivesse vivo. O escritor nasceu em 16 de dezembro de 1917.

Últimos desejos

Em dezembro de 2007, o escritor listou três desejos para o seu aniversário de 90 anos: que o mundo adotasse fontes de energia limpas, que a paz fosse estabelecida no lugar onde ele vivia, o Sri Lanka, e que fossem apresentadas evidências de seres extraterrestres.

“Eu sempre acreditei que nós não estamos sozinhos no universo”, disse ele na época, em um discurso para um pequeno grupo de cientistas, astronautas e oficiais, na cidade de Colombo, no Sri Lanka. Os humanos estão à espera de que seres extraterrestres “nos chamem ou nos dêem um sinal”, disse o escritor. “Não temos como adivinhar quando isso vai acontecer. Espero que aconteça antes que seja tarde demais.”
Clarke também é creditado como um dos pioneiros no uso do conceito de satélites de comunicação, falando deles em 1945, anos antes de a tecnologia ter sido inventada. Ele se juntou ao jornalista Walter Cronkite como comentarista da expedição lunar da Apollo no final dos anos 60.

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Arthur Charles Clarke (1917 – 2008)

Arthur Charles Clarke nasceu em Minehead em Somerset, Inglaterra em 16 de dezembro de 1917. Em 1936 junto com a família mudou para Londres, onde ingressou na Sociedade Interplanetária Britânica (BIS-British Interplanetary Society), no BIS ele começou seus experimentos com astronáutica e tudo que envolvia o assunto espaço e comunicações, ele também começou a escrever boletins para a Sociedade Interplanetária, tanto científicos como de ficção.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi oficial da RAF (Força Aérea Real), e foi encarregado do primeiro radar de transmissão de rádio , ele tinha o cargo de controlador e era responsável por seu funcionamento, durante os experimentos com esse radar ele desenvolveu paralelamente seu dom de escrever e criou uma tese científica em forma de novela chamada (Glide Path) “Trajeto do Planador”, inspirado nestes anos de trabalho com o radar de comunicação terra-ar.

Em 1945 volta a Londres e ao BIS, onde foi presidente de 1946 a 1947 e depois em 1950 a 1953. Ele publica nesta época (Extraterrestrial Relays), “Reles Extraterrestres”, que fala sobre o papel técnico dos princípios da comunicação de satélites com órbitas geoestacionárias numerosas, ele estudou muito este assunto e foi um dos pioneiros em criações de satélites de comunicação deste tipo esta sua descoberta lhe rendeu várias honras científicas. Hoje a órbita geoestacionária em 42.000 km é nomeada a Órbita de Clarke pela União de Astronômica Internacional.
Cronologia de sua vida:

1927 – Faz seu primeiro vôo com sua mãe em um biplano British Avro 504.
1930 – Construiu um transmissor de ondas junto com seu Tio George.
1931 – Seu pai morre em um hospital em Bristol.
1934 – Entra para o BIS fundado por Phillip E. Cleator e outros em Liverpool.
1941 – Engajado na RAF (Royal Air Force) (Segunda Guerra Mundial)
1945 – Em março deste ano ele escreve “Rescue Party”, que apareceria em maio de 1946 na Astouding Science.
1948 – Obteve honras de primeiro aluno no King’s College em Londrês em sua turma de Física e Matemática , se formando com méritos.
1953 – Casou-se com Marilyn Mayfield em 15 de junho deste ano, para se separar seis meses depois, isso era prova para ele dizer que não era homem de casar.
1954 – Clarke visita pela primeira vez o Sri Lanka conhecendo a capital, Colombo onde vive atualmente.
Neste ano também ele troca sua paixão pelo espaço se entregando ao mar com sessões de mergulho e descobertas submarinas.
1961 – Passa um final de semana em Boston em companhia de Jacques Cousteau. Neste ano também em dezembro recebe a visita de Yury Gagarin em sua casa no Ceilão atual Sri Lanka.
1962 – Escreve (Profiles of the future), “Perfis do Futuro”, neste livro ele descreve suas três leis científicas.
Primeira lei : Quando um distinto e experiente cientísta diz que algo é possível, ele está praticamente certo, quando ele diz que algo é impossível, ele esta muito provavelmente errado.
Segunda lei: O único caminho para desvendar os limites do possível e através do impossível.
Terceira lei : Qualquer avanço tecnologico é indistinguível da mágica.
1964 – Neste ano começa a trabalhar com Stanley Kubric em um filme que revolucionária a Ficção Científica no cinema. 2001: Uma Odisséia no Espaço.
1985 – Publicou a sequência de 2001. 2010 a Odisséia II e trabalhou com Peter Hyams na versão do filme, mas não obteve tanto sucesso quanto 2001.
Clarke é famoso por muitas outras obras de Ficção Científica e também é considerado um dos Grandes Mestres da Ficção Científica junto com Asimov, Heinlein e Herbert. Suas obras mais famosas são “Childhood’s End”, “2001: A Sapce Odyssey” e “The Nine Billion Names of God”. Foi ganhador dos prêmios Hugo em 1956, 1974, 1980 e Nebula em 1972,1973, 1979 e Ganhador do Prêmio Nebula para os Grandes Mestres em 1985.

Bibliografia apenas das obras de Ficção.

1951 – As Areias de Marte.
1952 – Ilhas no Céu.
1953 – O Fim da Infância (Childhood’s End)
1953 – Contra a Sombra da Noite.
1953 – Expedição para a Terra.
1955 – Luz terrestre
1956 – Cidade das Estrelas.
1956 – Ao alcance do amanhã.
1957 – Caminho Profundo.
1958 – O outro lado do céu.
1959 – Através de um mar de Estrelas.
1961 – A queda da poeira lunar.
1962 – Do oceano e das Estrelas.
1962 – Lendas de dez mundos.
1963 – Ilha do Golfinho.
1964 – 2001 : Uma Odisséia no Espaço (Início da obra)
1965 – Prelúdio Marciano (Prelúdio Espacial e As areias de Marte)
1967 – Nove Bilhões de Nomes de Deus.
1972 – O tempo e as Estrelas.
1972 – O Vento do Sol (revisada em 1987)
1973 – Rendezvous com Rama (Hugo e Nebula)
1975 – Terra Imperial
1979 – As fontes do paraíso (Hugo e Nebula)
1982 – 2010: A Odisséia II
1983 – O Sentinela.
1986 – As músicas da Terra Distante.
1988 – Encontro com Medusa.
1988 – 2061: Odisséia III
1990 – Lendas do Planeta Terra.
1991 – O fantasma que vem da grande barreira.
1991 – Mais do que um Universo.
1993 – O Martelo de Deus.
1997 – 3001: A Odisséia Final.

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Arthur C. Clarke (Entrevista para a Revista Veja)

Entrevista com Arthur C. Clarke na Revista Veja de 13/11/96

O Futuro Está Aí
por Fabíola de Oliveira

Aos 78 anos, o inglês Arthur C. Clarke é um dos mais populares autores de ficção científica deste século. Já escreveu cerca de oitenta livros. O mais novo, 3001 – A Odisséia Final, chega às livrarias no começo do ano. É uma seqüência do roteiro do filme 2001 – Uma Odisséia no Espaço, dirigido por Stanley Kubrick, que o tornou mundialmente famoso em 1968. Entre os cientistas, Clarke é respeitado por um outro motivo. Em 1945, com apenas 28 anos, ele escreveu um artigo que é considerado a base teórica para os modernos satélites de comunicação.

Clarke vive no Sri Lanka, antiga colônia britânica ao sul da Índia, para onde se mudou há quarenta anos em busca de sossego. Não conseguiu. Sua casa vive sitiada por turistas. O escritor paga 1000 dólares mensais só de fax recebidos e enviados para o mundo todo. “Sou um recluso fracassado”, diz. Hoje sofre de uma doença conhecida como síndrome de pós-polio, que o obriga a andar em cadeira de rodas. Semanas atrás, ao participar de uma conferência em Pequim, ele falou a VEJA:

Veja – Na época em que o senhor escreveu 2001 – Uma Odisséia no Espaço, parecia que na virada do século as viagens interplanetárias seriam uma rotina. O que deu errado com seu futuro?

Clarke – Em primeiro lugar, eu nunca previ o futuro. Tudo o que fiz foi escrever ficção. Seis de minhas histórias tratam do fim do mundo. Ainda bem que esse futuro não aconteceu, não é? As viagens interplanetárias só não ocorreram até hoje por culpa de eventos como a Guerra do Vietnã, o caso Watergate e tantas outras crises políticas e econômicas que têm destruído o desejo americano de investir mais na exploração do espaço. Além disso, o fim da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, embora tenha sido um acontecimento bom para a humanidade, derrubou um elemento essencial na corrida ao espaço, que era a competição entre as duas potências. É inacreditável que tenhamos chegado à Lua e abandonado esse projeto cinco anos mais tarde.

Veja – A paz é ruim para o avanço da ciência e da tecnologia?

Clarke – Em alguns casos, sim. A I Guerra Mundial tornou a aviação possível e abriu caminho para que em pouco tempo ela se tornasse comercialmente viável. A II Guerra foi a porta de entrada para a conquista espacial. Os foguetes V1 e V2, desenvolvidos pelos alemães para o lançamento de bombas no início dos anos 40, antecederam os foguetes lançadores até hoje utilizados para a colocação de satélites em órbita da Terra. A Guerra Fria trouxe os satélites artificiais, as primeiras viagens de astronautas e cosmonautas e a chegada do homem à Lua.

Veja – O senhor quer dizer que um novo grande conflito mundial seria bom para a retomada das viagens espaciais?

Clarke – Absolutamente não. Agora, é preciso demonstrar que o espaço também pode trazer grandes retornos econômicos. Vôos espaciais custam muito dinheiro Por essa razão, a humanidade precisa ter um bom motivo para viajar para outros planetas. No passado, foi a competição entre as potências. Hoje, pode ser puramente econômico. Atualmente, as atividades que giram em torno dos satélites de aplicação comercial movimentam cerca de 50 bilhões de dólares por ano. É por isso que o mercado de satélites de uso civil cresce cada vez mais, enquanto o de satélites militares tende a ser desativado. No momento em que se descobrir que aplicações práticas podem resultar das viagens e pesquisas em outros planetas, a exploração espacial acontecerá num piscar de olhos.

Veja – Como será a exploração comercial do espaço?

Clarke – As possibilidades são quase infinitas. O problema por enquanto é o custo dos foguetes para a colocação de naves fora do campo gravitacional da Terra. A boa notícia vem da Finlândia e do Instituto Max Plank, da Alemanha, onde alguns cientistas conseguiram, quase por acaso, realizar um experimento que criou um campo antigravitacional. Os fãs da série Jornada nas Estrelas sabem que é essa a fonte de energia usada para deslocar a nave Enterprise. Se isso for confirmado, poderemos estar na trilha de um novo tipo de veículo que, em vez de usar combustível de propulsão, como os foguetes atuais, vença a barreira gravitacional e se desprenda da Terra com grande facilidade e a custos baixíssimos. Aí, tudo vai fluir automaticamente.

Veja – Que tipo de mudanças o senhor prevê?

Clarke – A principal é o advento do turismo espacial, algo inimaginável aos custos atuais. Acredito que isso acontecerá em algum momento do início do próximo século, e então teremos o envolvimento do público em geral com o espaço. Nas viagens espaciais, os foguetes lançadores representarão o mesmo papel que os balões tiveram no início da aviação. Antigamente, especulava-se sobre a possibilidade de levar passageiros em longas viagens com balões. Era comum no século passado as revistas publicarem desenhos malucos de balões enormes carregando centenas de pessoas, mas é claro que os aviões chegaram e acabaram com o sonho do balonismo comercial. Da mesma forma, algum tipo de veículo espacial apropriado para passageiros deverá surgir no início do século XXI, tornando as viagens espaciais acessíveis a quase todo mundo. Marte vai ser um grande destino turístico no próximo século.

Veja – Países em desenvolvimento, como o Brasil, devem investir em atividades espaciais ou deixar esse assunto para as potências mais ricas?

Clarke – Nações em desenvolvimento podem tirar proveitos até maiores da tecnologia espacial do que os países ricos. Investir em atividades espaciais não é só tentar ir à Lua ou a Marte. É também produzir melhorias concretas na vida das pessoas aqui na Terra mesmo. As aplicações espaciais são imprescindíveis nas áreas de comunicação, monitoramento de recursos terrestres e previsões meteorológicas. Os satélites já ajudaram a salvar milhares de pessoas em lugares como Bangladesh e outras regiões da Ásia e da África que sofrem com fenômenos da natureza. No caso das comunicações, sabemos que atualmente cinqüenta países com metade da população do planeta ainda não tem acesso a uma linha de telefone. No mundo de hoje é praticamente impossível o desenvolvimento cultural, educacional e comercial sem um sistema eficiente de comunicações. Para tanto, é preciso ter satélites.

Veja – Em agosto, cientistas da NASA anunciaram ter encontrado sinais de vida bacteriana num meteorito de Marte que caiu na Antártica. Qual sua opinião sobre essa descoberta?

Clarke – Estou levando essa pesquisa muito a sério. Certamente não é uma prova decisiva da existência de vida em Marte, mas é uma possibilidade bastante sugestiva. Se eu tivesse 1 dólar para apostar, colocaria 75 centavos na mesa. Esse índice de probabilidade é mais do que suficiente para que a descoberta seja investigada a fundo. Outra sugestão interessante seria observar os meteoritos oriundos de Europa, uma das luas de Júpiter, que é coberta por uma camada de gelo. A possibilidade de vida nos oceanos de Europa é um dos temas dos meus três livros sobre odisséias no espaço. Fico fascinado com as imagens maravilhosas desse satélite de Júpiter enviadas pelas sondas espaciais Voyager e Galileu.

Veja – Seu próximo livro vai-se chamar 3001 – A Odisséia Final. Por que final?

Clarke – Porque eu não quero continuar nesse assunto. A história se passa em Júpiter e suas luas. Lá encontramos velhos amigos, como o HAL 9000, o computador que, na primeira odisséia, a de 2001, enlouquece e mata os tripulantes da nave espacial Discovery. Na nova história, HAL aparece agora como um herói. Só não vou contar em que circunstâncias para não estragar a surpresa de meus leitores.

Veja – Por que 3001 e não uma outra data qualquer?

Clarke – A idéia original era escrever uma odisséia espacial para o ano 20001. O problema é que, mesmo no campo da ficção científica, fica difícil imaginar como estará o mundo até lá. Mas em 1000 anos acho que algumas coisas poderão ser reconhecidas. Eu me diverti bastante escrevendo esse livro.

Veja – O senhor acha que a ciência um dia será capaz de resolver mistérios como a origem do universo e da vida?

Clarke – No passado havia questões que pareciam jamais ter explicação e hoje estão bem respondidas pela ciência. Um bom exemplo é a forma como a vida evoluiu na Terra. A ciência também consegue explicar quase todos os fenômenos celestes e meteorológicos que antigamente eram considerados mistérios. Ainda assim, acredito que existem questões para as quais a ciência nunca terá respostas. Acho difícil, por exemplo, que um cientista consiga explicar por que o universo está aqui e qual é a razão da vida. Gosto muito de uma frase escrita por J.B.S. Haldane: “O universo não é apenas mais estranho do que imaginamos; ele é mais estranho do que podemos imaginar”.

Veja – O senhor acredita em Deus?

Clarke – De um ponto de vista científico, acreditar em Deus é tão inócuo quanto não acreditar. É questão puramente de fé. O que posso dizer é que não rejeito por completo a idéia de Deus. Uma vez eu disse a um representante do Papa que não acredito em Deus, mas sou muito interessado Nela. Quem garante que Deus não seja uma entidade feminina?

Veja – para o senhor qual é o maior de todos os mistérios?

Clarke – Sem dúvida, os ETs. Não consigo imaginar nada mais desafiador do que investigar a possibilidade de vida extraterrestre. Se de fato nós estivermos sós, significa que não somos apenas os herdeiros do universo. Somos também os seus únicos guardiões. Seria inacreditável. Portanto, as duas possibilidades, a de estarmos sós ou não, são igualmente fascinantes.

Veja – O senhor se preocupa muito com a própria morte?

Clarke – É óbvio que, aos 78 anos, eu tenho pensado mais nesse assunto do que antes. Mas não é minha maior preocupação. Só espero que eu não sofra muito quando a hora chegar. Estou mais preocupado hoje com as pessoas e os animais que amo do que comigo mesmo.

Veja – Pelo que o senhor mais gostaria de ser lembrado?

Clarke – Fico muito feliz ao ver que hoje as pessoas chamam a órbita estacionária dos satélites de “Órbita Clarke”, em razão de um artigo que escrevi em 1945. Para mim, já é mais do que suficiente.

Veja – O artigo a que o senhor se refere enunciava a teoria básica dos atuais satélites de comunicação. O senhor se arrepende de nunca ter patenteado essa idéia, que poderia fazê-lo milionário?

Clarke – Gosto muito de uma frase segundo a qual “uma patente é apenas uma licença para ser processado pela Justiça”. E eu não gostaria de passar a vida correndo atrás de advogados. Além disso, se eu tivesse adquirido a patente, ela provavelmente já estaria caduca no ano em que foi lançado o primeiro satélite de comunicação, no início da década de 60, embora eu deva admitir que não imaginei que isto ocorreria tão cedo.

Veja – Depois dos satélites de comunicação, qual será o próximo grande passo tecnológico da humanidade?

Clarke – Ele já está acontecendo. É o telefone pessoal. O fim do telefone como um instrumento fixo vai provocar uma das maiores revoluções na vida das pessoas neste século. Começou com o celular, mas extrapolará todos os limites com a chegada do telefone que se comunica diretamente com o satélite não importa em que lugar do planeta a pessoa estiver.

Veja – Na semana passada, havia 60000 referências ao seu nome na Internet, a rede mundial dos computadores. Mas o senhor não gosta de divulgar seu endereço eletrônico. Por que?

Clarke – Eu tenho evitado entrar na Internet como se foge de uma praga. É como você tentar beber toda a água das Cataratas de Niágara. Diante de tantas informações e possibilidades, é preciso ser seletivo e controlar a ansiedade.

Veja – Se o senhor tivesse nascido depois da chegada do homem à Lua e fosse hoje um jovem de vinte e poucos anos, o que estaria fazendo?

Clarke – Eu provavelmente estaria ansioso para chegar a Marte. É uma viagem que, na minha idade, eu provavelmente nunca farei. Se tivesse nascido em 1970, talvez tivesse uma chance.

Veja – Na sua opinião, quais são os grandes problemas da humanidade atualmente?

Clarke – O maior de todos é o excesso de população. Já há pessoas demais para os recursos limitados do planeta. O resultado é a poluição e a rápida degradação do meio ambiente. Há bilhões de pessoas vivendo na miséria, sem acesso às mais elementares conquistas da ciência e da tecnologia neste século. Acredito que a população ideal do planeta seja inferior a 1 bilhão de pessoas. Outro problema que muito preocupa é o da educação.

Veja – O que está errado com a educação?

Clarke – No futuro, não muito distante, haverá poucos empregos para pessoas altamente educadas e bem-preparadas. Não haverá chances para todo mundo. A qualidade do ensino é precária no mundo inteiro e isso terá graves conseqüências. Em especial, a educação científica é deplorável. Em quase todo o mundo os professores ainda são mal remunerados e a qualidade do ensino de ciências é muito deficiente. Para mim, este é um dos piores problemas que enfrentamos atualmente, causador de muitas desgraças. No início deste século, o escritor H.G. Wells dizia que “o futuro será uma corrida entre a educação e a catástrofe”. No momento, acho que estamos perdendo a corrida.

Fonte:
http://galaxiabr.vilabol.uol.com.br/

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Arthur C. Clarke (Previsões além de 2001)

NINGUÉM pode ver o futuro. O que tento fazer é esboçar “futuros” possíveis, embora invenções e acontecimentos completamente inesperados possam tornar absurdas as previsões depois de apenas alguns anos. Exemplo clássico é a declaração feita no fim dos anos 40, pelo então presidente da IBM, de o mercado mundial de computadores seria de apenas cinco unidades. Só no meu escritório, tenho mais do que isso.
Talvez eu não esteja em condições de criticar: em 1971, previ o primeiro pouso em Marte para 1994; hoje, será sorte se conseguirmos até 2010. No entanto, em 1951, achei que estava sendo muito otimista ao sugerir uma missão à Lua em 1978. Neil Armstrong e Edwin Aldrin me surpreenderam quase uma década antes. Mas me sinto orgulhoso pelo fato de os satélites comunicações terem sido postos nos locais que sugeri em 1945, e de nome “Órbita Clarke” ser empregado com freqüência (mesmo que apenas por ser mais fácil de dizer do que “órbita geostacionária”). Alguns dos episódios relacionados aqui – as missões espaciais, em particular – já estão programados. Acredito que todos os outros possam acontecer, embora muitos esperam que não.

AS PREVISÕES DE ARTHUR C. CLARKE
2001 – A sonda espacial ‘Cassini’ (lançada em 1977) começa a exploração dos satélites e anéis de Saturno. A sonda Galileu (lançada em 1989 continua as inspeções de Júpiter e suas luas. Parece cada vez mais provável que haja vida nos oceanos cobertos de gelo de uma delas, Europa.
2002 – O primeiro dispositivo comercial que gera energia limpa e segura por meio de reações nucleares de baixa temperatura entra no mercado, anunciando o fim da Era do Combustível Fóssil.
2003 – São concedidos cinco anos para que a indústria motriz substitua todos os instrumentos que queimam combustível pelo novo dispositivo energético. Neste mesmo ano, é lançada a nave Mars Surveyor, da NASA.
2004 – Primeiro clone humano (admitido publicamente).
2005 – Primeira amostra enviada à Terra pela Mars Surveyor.
2006 – Fechada a última mina de carvão.
2008 – Uma cidade num país do Terceiro Mundo é devastada pela explosão acidental de uma bomba atômica em seu arsenal. Após breve discussão na ONU, todas as armas nucleares são destruídas.
2009 – Criados os primeiros geradores de ‘quantum’ (para processar energia espacial). Disponíveis em modelos portáteis e domésticos – a partir de alguns quilowatts -, podem gerar eletricidade sem limite. Estações centrais de energia são fechadas: termina a era das torres de transmissão.
A monitorização eletrônica praticamente elimina da sociedade os criminosos profissionais
2011 – Filmado o maior animal vivo: um polvo de 75 metros, próximo às Ilhas Marianas. Por curiosa coincidência, animais ainda maiores são descobertos quando as primeiras sondas por controle remoto perfuram o gelo da lua Europa.
2012 – Aviões aeroespaciais começam a operar na área comercial.
2013 – O príncipe Harry é o primeiro membro da Família Real britânica a voar no espaço.
2014 – A construção do Hotel Hilton Orbital começa com a adaptação dos gigantescos tanques de combustível abandonados pelos ônibus espaciais – tanques que, originalmente, deveriam cair de volta na Terra.
2015 – Um subproduto inevitável do gerador de quantum é o controle absoluto da matéria no nível atômico. Em poucos anos, por serem mais úteis, o chumbo e o cobre passam a custar duas vezes mais do que o ouro.
2016 – As moedas vigentes são abolidas. O “megawatt-hora” torna-se a unidade de troca.
2017 – Ao completar 100 anos no dia 16 de dezembro, sir Arthur C. Clarke é um dos primeiros hóspedes do Hilton Orbital.
2019 – Ocorre um grande impacto meteórico na calota de gelo do pólo norte. As enormes ondas resultantes causam danos consideráveis nas costas da Groelândia e do Canadá. O tão discutido “Projeto Guarda Espacial”, que serviria para indentificar e desviar cometas e asteróides potencialmente perigosos, é enfim ativado.
2020 – A inteligência artificial chega ao nível humano. De agora em diante, há duas espécies inteligentes na Terra, uma delas evoluindo de modo muito mais acelerado do que a biologia jamais permitiria.
2021 – O homem chega a Marte.
2023 – Fac-símiles de dinossauros são clonados a partir de DNAs criados em computador. Apesar de alguns lamentáveis acidentes iniciais, ferozes minidinossauros começam a substituir os cães de guarda.
2024 – São detectados sinais infravermelhos vindos do centro da Galáxia, produto evidente de uma civilização tecnologicamente avançada. Falham todas as tentativas de decifrá-los.
2025 – Pesquisas no campo neurológico enfim permitem compreender os nossos cinco sentidos, tornando possível a “ligação direta”, que dispensa a intermediação de ouvidos, olhos, pele, etc. O resultado é um capacete metálico, o “chapéu cerebral”. Qualquer pessoa que coloque na cabeça esse apertado capacete pode desfrutar de todo um universo de experiências – reais e imaginárias – e até interagir com outras mentes. O chapéu cerebral é uma dádiva para os médicos, que agora podem vivenciar (apropriadamente atenuados) os sintomas do paciente. Também é um avanço no campo jurídico, pois a mentira deliberada não é mais possível.
2040 – O ‘replicador universal’, baseado na nanotecnologia, é aperfeiçoado: qualquer objeto, por mais complexo que pareça, pode ser criado – desde que se disponha da matéria-prima necessária. Diamantes e delícias culinárias podem ser, literalmente, feitos do barro. Como resultado, a indústria e a agricultura chegam ao fim – assim como o trabalho. Há uma explosão nas artes, no lazer e na educação. Sociedades primitivas, baseadas na caça e na coleta, são recriadas, uma vez que enormes áreas do planeta – agora não mais necessárias para a produção de alimentos – podem retomar seu estado natural.
2045 – A casa móvel totalmente auto-suficiente (imaginada quase um século antes por Buckminster Fuller) é consumada. Qualquer suplemento de carbono necessário para síntese dos alimentos pode ser obtido extraindo-se gás carbônico do ar.
2050 – Entediadas com a vida nesses tempos de tanta paz, milhões de pessoas resolvem usar a preservação criônica com vistas a emigrar para o futuro em busca de aventura. Grandes “hibernáculos” são criados na Antártida e em regiões de noite eterna nos pólos lunares.
2057 – No dia 4 de outubro – centenário do Sputnik 1 -, a aurora da era espacial é comemorada pelo homem na Terra, na Lua, em Marte, Europa, Ganimedes e Titã, além de na órbita de Vênus, Netuno e Plutão.
2061 – O Cometa Halley volta e o homem pousa nele pela primeira vez. A sensacional descoberta de formas de vida tanto ativas quanto latentes comprova a centenária hipótese, de Wickramasinghe e Hoylem, de que existe vida no espaço.
2090 – A queima de combustíveis fósseis realizada em grande escala é retomada, a fim de restituir o gás carbônico extraído do ar e, por intermédio do aquecimento do planeta, tentar retardar a Era Glacial que se aproxima.
2095 – A criação de uma verdadeira ‘força espacial’ – um sistema de propulsão que reage contra a estrutura do espaço-tempo – torna obsoleto o foguete e garante velocidades próximas à da luz. Exploradores terráqueos partem para galáxias vizinhas.
2100 – Começa a História…

Fonte:
© 1999 ARTHUR C. CLARKE. CONDENSADO DE THE DAYLY TELEGRAPH (21 DE FEVEREIRO DE 1999
http://galaxiabr.vilabol.uol.com.br/

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Arthur C. Clarke (Resumo de Alguns Livros)

Expedição para a Terra

Durante a Segunda Guerra Mundial, Arthur C. Clarke trabalhou na operação dos primeiros radares desenvolvidos pelos Aliados e pouco mais tarde escreveu o artigo “Extraterrestrial relays”, que lançaria a idéia por detrás do satélite de comunicações geosincrônico – uma das bases da moderna rede de telecomunicações. Ao mesmo tempo que ajudava ao Aliados a detectar a chegada dos foguetes V-2 do Eixo, ele sonhava com o desenvolvimento da viagem espacial. A mistura de conhecimento tecnológico prático, o sonho de explorar as Estrelas e a percepção aguda da época em que vivia daria origem na década de 50 aos contos que fazem parte de “Expedição para a Terra”. Contos em que o pesadelo da guerra nuclear divide espaço com a esperança e os perigos da exploração espacial.

No primeiro conto, “Second Dawn (Segunda Aurora)”, nós visitamos um mundo alienígena, onde a guerra entre duas raças inteligentes dotadas de grande inteligência e poderes mentais, os Atheleni e os Mithraneans, chegou ao fim com a vitória dos Atheleni… ao custo do desenvolvimento de uma técnica de destruição da mente tão poderosa e ao mesmo tempo tão simples que mais cedo ou mais tarde os antigos inimigos a descobririam e uma guerra definitiva ocorreria… a não ser que algo mudasse suas civilizações tão radicalmente que tornaria a própria guerra absurda. A resposta vêm de uma raça atrasada, os Pheleni, mas dotados de algo que as poderosas mentes dos dois povos não podem ter devido as limitações de seu próprio corpo: habilidade manual e a capacidade de moldar o mundo ao seu redor. Guiados pelos Atheleni, os Pheleni começam a desenvolver uma tecnologia surpreendente… mas será que a mesma capacidade de mudar o mundo para melhor não descobriria algo tão terrível quando a técnica da Loucura: o Poder Atômico?

Um garoto acompanha seu pai em uma peregrinação pela Lua no lírico “If I Forget Thee, Oh Earth …” (Se eu esquece-la, Oh Terra…), quando a lembrança do antigo planeta, agora destruído por uma guerra nuclear, e o desejo de retornar para casa, se tornam a razão da humanidade continuar em frente.

Com uma temática parecida com o futuro “Maelstrom II”, porém com desenvolvimento completamente diferente, “Breaking Strain” (filmado com o titulo de “Acidente Espacial” (Trapped in Space)) narra o duelo psicológico e emocional entre os dois tripulantes da nave Star Queen, o capitão Grant e o engenheiro de bordo McNeil, quando um meteoro atinge os reservatórios de oxigênio da nave, deixando com apenas 20 dias de ar, quando ainda faltam trinta dias para chegar em Vênus. As leis da mecânica celeste não permitem quaisquer mudanças no ritmo da viagem… ambos estarão mortos em vinte dias. Mas espere um pouco, o ar durará vinte dias para *dois* homens, mas se houve apenas *um*… A realização desse fato levará tanto o rigido Grant quanto o hedonistico McNeil a pensarem o impensável… e talvez tentarem o inconcebível.

Em “History Lesson” (Lição de História), Clarke narra o desaparecimento de nossa civilização devido a uma futura Era Glacial e as descobertas feitas por arqueólogos venusianos ao examinar talvez o único registro que eles poderiam entender: um rolo de filme… mas qual filme? Nós descobrimos isso ao final, numa tremenda brincadeira com as nossas tentativas de entender nosso próprio passado.

Um conto de space-opera que critica a lógica da Guerra Fria e a tendência humana de não questionar as conseqüências de suas tecnologias, “Superiority” (Superioridade) é o relato do comandante das forças armadas de um império estelar derrotado, explicando que sua derrota não ocorreu devido as virtudes de seu adversário, mas devido a própria superioridade militar de seu império. Como tal paradoxo é possível? O comandante explica muito bem, terminando com um pedido para Corte, que devido ao relato se torna hilário.

Em “Exile of the Eons”, um ditador tenta fugir de seus inimigos usando a técnica da animação suspensa para restabelecer seu império cem anos no futuro. Porém com uma ajudinha da Lei de Murphy e de um filosofo com poderes telepáticos exilados nos últimos dias do Sistema Solar, a justiça tarda… mas não falha, ironizando a ambição e a sede de poder.

Após uma caçada, um homem começa a contar, em “Hide and Seek” (esconde-esconde) um caso que é rir para não chorar: quando o misterioso agente K.15, em uma roupa espacial, escapa da mais poderosa nave do inimigo, ao brincar uma versão planetária de esconde-esconde…

Cientistas de um império estelar que se destruindo encontram um planeta com seres idênticos a eles mesmos, se bem que em um estado extremamente primitivo. As questões que o contato traz, assim como se esses seres que só agora começam a erguer uma civilização, seram capazes de evitar os erros cometidos por seus visitantes dá a “Expedição para a Terra” um toque lírico e melancólico ao conto.

A civilização marciana percebe que os terráqueos começam a desenvolver a tecnologia espacial e o poder atômico. Preocupados que aqueles seres atrasados poderiam ser uma ameaça para sua civilização, os marcianos lançam um ultimato para que a humanidade abandone a pesquisa espacial… só que eles não contavam com uma brecha legal nas Leis da Fisica em “Loophole” (Fenda).

Em “Inheritance” (Herança), descobre-se a razão da confiança de um piloto de teste num fenômeno que lembra muito uma das peças do enredo de “O Fim da Infância”… só que talvez o piloto não tenha entendido muito bem o que sua visão queria dizer…

Durante as primeiras explorações lunares, um geólogo – ou melhor, um selenogista – encontra algo incrível, um artefato claramente artificial, uma pirâmide protegida por um campo de força. Obra de uma antiga civilização selenita ou de alienígenas bem mais antigos e avançados que nós? O descobridor da pirâmide nos conta as suas próprias idéias sobre a função da pirâmide… parece familiar?

Os contos do livro são claramente inspirados na space-opera que dominava o gênero da Ficção Científica na época, só que ao mesmo tempo, mostram um humor e uma critica sutil à sociedade e as tendências da humanidade, raramente vistas na space-opera de então. São contos escritos em uma época que um homem podia temer o amanhã e ao mesmo sonhar com as Estrelas…

A ESTRELA

A Estrela é um conto de ficção científica de Arthur Charles Clarke datado de 1956, que se desenrola depois de uma expedição em visita de uma estrela transformada em supernova milhares de anos antes.

Após observarem o astro percebem um planeta girando a sua volta numa órbita muito distante o que o teria preservado do pior da explosão, e notam os restos de algumas construções artificiais em sua superfície. Ao analisarem de perto estes restos, os pesquisadores concluem que são os últimos vestígios de uma antiga civilização que existia antes da estrela explodir e que, incapazes de escapar do destino fatal, deixaram no último planeta o máximo de informações possíveis a respeito de sua cultura.

Um padre que vai na expedição, se impressiona com a humanidade dos indivíduos daquela civilização e presume que estes seriam seres pacíficos que tiveram um cruel destino, sua compaixão porém se transforma em desespero quando, após vários cálculos, descobre que a estrela em questão era a estrela de Belém, fazendo com que o anunciamento do messias no qual ele acreditava e devotou a vida fosse um ato de genocídio de toda uma espécie inteligente. O conto foi considerado o melhor de 1956.

O SENTINELA
Publicada em 1951 que inspirou 2001 – Uma odisséia no Espaço.

O livro conta a história de uma estrutura piramidal descoberta na Lua que se revela ser uma espécie de radiotransmissor deixado por uma raça alienígena em tempos remotos, a qual havia percebido a possibilidade de se desenvolver na Terra vida inteligente e civilização. Devido à resistência de seus materiais, os terráqueos são obrigados a destruí-la para poderem analisá-la, o que faz com que ela pare de enviar sinais para seus construtores, revelando para estes a presença de mais uma espécie inteligente no universo: os seres humanos (VEJA O CONTO COMPLETO NA POSTAGEM ABAIXO)

A Muralha das Trevas
Escrito em 1949, que narra uma história passada num estranho universo composto de apenas um sol e um planeta.

Este planeta possui uma face tórrida eternamente voltada para o sol e outra, gelada, eternamente na escuridão, na fronteira entre os dois lados, numa estreita faixa de terra circundando o planeta, o clima possibilita a vida de uma civilização onde habita um homem intrigado desde a juventude com o maior mistério de seu mundo: uma imensa muralha negra que circunda todo o planeta impedindo sequer a visão do seu lado escuro, quanto mais o acesso a ele.

Durante toda sua juventude coletou histórias sobre o que existiria além da mesma e porque foi construída, mas encontrava apenas relatos míticos e lendários, como por exemplo, que lá era onde todos iriam após a morte ou onde ficavam antes de nascer, e ainda que fora feito para encerrar algum horror terrível. Já na idade adulta decide por fim junto com um amigo seu arquiteto, construir uma escadaria que levaria até o topo da muralha permitindo ver o que havia atrás dela. Após o término da construção ele chega ao alto da mesma e controlando o medo começa a caminhar em direção a outra borda, no caminho existe uma névoa que impede de ver além e faz com que com o seu avanço o sol atrás dele vá sumindo também até desaparecer de todo, mas quando isso acontece um outro sol idêntico ao que havia sido deixado para trás aparece na sua frente em meio a neblina e conforme vai andando, este novo astro fica mais nítido até aparecer por completo junto com o outro lado, e o protagonista para sua enorme surpresa descobre que é o mesmo lado de onde havia partido, o seu mundo na verdade é uma superfície de um lado só, mesmo sendo de três dimensões, não havendo portanto um outro lado da muralha, que foi construída para proteger da loucura todos os que fossem até aquele ponto, impedindo de verem diretamente um paradoxo espacial.

As Canções da Terra Distante
Conto onde narra o encontro entre os habitantes de uma isolada colônia terrestre no planeta Thalassa e os passageiros de uma imensa nave espacial que aporta no planeta devido a um defeito técnico.

Na história uma jovem de Thalassa apaixona-se de um dos ocupantes da nave, que promovem um choque cultural, porém seu amor é sem esperança por causa do comprometimento do rapaz com uma mulher que jaz congelada dentro da nave a espera do destino final da viagem, 200 anos-luz de distância.

2001: A Space Odyssey, ou 2001: Uma odisséia no espaço
É para muitos críticos, um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos. Foi realizado em 1968 pelo cineasta Stanley Kubrick, natural dos Estados Unidos da América.
Este filme, com uma duração total de 139 minutos e apenas 40 de diálogo, analisa a evolução do Homem, desde os primeiros hominídeos capazes de usar instrumentos, até à era espacial e para além disso. Foi baseado nas obras de Arthur C. Clarke The Sentinel e 2001: A Space Odyssey, esta última escrita simultaneamente com as filmagens.

Uma das personagens principais do filme é o computador inteligente HAL 9000, uma das máquinas mais famosas da História do Cinema. A crítica viu no nome do computador uma referência velada à IBM, pois as letras da sigla precedem em uma casa a denominação da conhecida empresa estado-unidense do sector informático. Kubrick, no entanto, desmentiu essa tese, dizendo que isso não passou de uma coincidência.

Outros destaques do filme são os seus efeitos especiais pioneiros, e a sua trilha sonora, composta entre outras por obras de Richard Strauss (Assim Falou Zaratustra), e Gyorgy Ligeti (Lux Aeterna), sendo este último repetente nos filmes de Kubrick. Uma curiosidade sobre a trilha sonora do filme: Kubrick solicitou ao seu colaborador em Spartacus, Alex North, que compusesse a trilha sonora para a película. Depois de escutar o resultado, o diretor de “2001…” não ficou satisfeito e optou pela música clássica para dar vida às famosas cenas no espaço. North só soube que sua trilha tinha sido jogada no lixo no dia da estréia do filme, e ficou furioso.

Posteriormente foi lançado o livro “Mundos Perdidos de 2001” (The Lost Worlds of 2001), no qual Clarke conta a história do filme, a do livro e outras inéditas. No Brasil foi lançado pela editora Expressão e Cultura em 1972. Em 1984 foi lançada a sequência 2010: O ano que faremos contato, baseado na obra homônima de Arthur C. Clarke, lançada em 1982.

2010 – Uma Odisséia no Espaço II (2010: Odyssey Two)
Também levado às telas. Com o título de 2010 – O Ano em que faremos contato, Na verdade uma continuação do filme e não do livro. O ambiente para a narração é uma missão binacional (soviéticos e americanos) a bordo da nave espacial Cosmonauta Alexei Leonov que parte em direção a Júpiter, a bordo encontra-se o cientista Heywood Floyd. Propõe-e a responder algumas das questões deixadas em aberto em 2001. Tais como: Quais são os objetivo ocultos por trás do monolito? O que aconteceu com a Discovery e sua tripulação? O que aconteceu em especial a David Bowman? Quem, ou o que, era a criança-estrela do final do filme? O climáx ocorre com a tranformação de Júpiter em um mini-sol e o início de um novo tempo para a Humanidade num mundo sem noite.

2061 – Uma Odisséia no Espaço III (2061: Odyssey Three)
Heywood Floyd, agora com 103 anos, volta a cena. Ele parte numa nave em missão turística ao Cometa de Halley, mas acaba indo parar em Europa, o satélite proibido quando uma nave cai alí com seu neto a bordo. O monolito volta a mostrar seu poder a serviço de uma suprema força alienígena que decidiu que a Humanidade terá que, forçosamente, desempenhar um papel fundamental na evolução da Galáxia.

3001 – A Odisséia Final. (3001 – The Final Odissey)
Lançado em 1997, é aquele que pretende encerrar a saga iniciada em 2001 e dar as respostas finais. Principia com a descoberta do corpo do astronauta Frank Poole, que havia sido abandonado no espaço por uma manobra do computador HAL-9000. Poole é ressuscitado com as técnicas da época, onde a rigor a morte não existe mais.

O fim da Infância (Childhood’s End – 1953)
A chegada de seres alienígidas na Terra é seguida com o próximo passo na evolução humana em direção a “inteligência cósmica”. Esta raça alienígena tem uma incrível semelhança com demônios (vermelhos, chifres, caudas em seta…) e vem para anunciar o fim da infância para a espécie humana.

O Outro Lado do Céu (The other side of the sky – 1958)
Coletânea de contos onde estão incluídos dois dos maiores clássicos em matéria de contos de ficção científica: Os Nove Trilhões de Nomes de Deus e A Estrela.

Os Náufragos do Selene (A Fall of Moondust – 1961)
Selene é uma nave de turismo que, devido a um acidente na poeira lunar, submerge no Mar da Sede. Em seu interior vinte pessoas lutam para sobreviver à custa de todas as possiblidades.

Sobre o Tempo e as Estrelas (Of Time and Stars – 1972)
Coletânea de contos que reune contos publicados entre 1949 e 1962.

Encontro com Rama (Rendez-vous with Rama – 1973)
No final do século XXI após uma tragédia ocorrida com a queda de um meteoro, a Terra cria um sistema de proteção que em 2130 a Terra, detecta uma nave espacial alienígena de 50 quilômetros de extensão penetrando no sistema solar e aproximando-se de nosso planeta. Uma nave é enviada com missão de interceptar e explorar a gigantesca nave e descobrir quais são os desígnios por trás de sua aparição. Serão hostis invasores ou arautos de uma nova era para a espécie humana? Mistério e beleza se fundem neste maravilhoso livro que nos leva a refletir sobre a importância do homem e da espécie humana como um todo na ordem do universo. Um clássico vencedor dos prêmios Hugo e Nebula.

O Enigma de Rama (Rama II)

Continuação de Encontro com Rama, narra as aventuras de uma nova expedição destinada a descobrir qual os propósitos ocultos atrás da segunda aparição de Rama.

O Jardim de Rama (The Garden of Rama)
Dando seguimento a saga de Rama, o livro narra a viagem dos tripulantes da segunda expedição (O Enigma de Rama) que são deixados para trás quando o resto da tripulação abandona Rama às pressas. Parte dos propósitos de Rama é finalmente revelado.

A Revelação de Rama
Último livro da série, aqui finalmente os propósitos dos construtores de Rama é decifrado.

O berço dos Super-Humanos (Cradle – 1988)
Escrito a duas mãos por Arthur C. Clarke e Gentry Lee, narra a história de três aventureiros em busca de um míssil secreto desaparecido encontram uma gruta submarina vigiada por baleias que parecem drogadas. Inicia-se assim uma aventura que o conduzirá pelos mistérios de um planeta com dois sóis, três luas, fantásticas criações e uma assombrosa revelação sobre o destino reservado para a humanidade.

Terra Imperial (Imperial Earth)
A narrativa se passa em Titã uma das luas de Saturno e colônia da terra e conta a história de um homem nascido na era interplanetária. Sua primeira peculiaridade é ter nascido sob um novo processo, já que não teve mãe, apenas pai. Já homem retorna à Terra. A ação de passa no século XXIII e decorre em ambiente cheio de enigmas e mistérios.

A Cidade e as Estrelas (The City and the Stars)
Passaram-se um bilhão de anos, o homem alcançou as estrelas, constituíu um império galático, mas vieram os invasores e o homem foi obrigado a abandonar todas as suas conquistas e refugiar no seu planeta de origem, e assim o homem volta e passa a habitar na última cidade do mundo, Diaspar. Uma sociedade fechada e imutável, com um bilhão de anos.

O Vento Solar
Coletânea de contos. Inclui o premiado conto Encontro com Medusa.
O Terceiro Planeta
Coletânea de artigos e crônicas, que se inicia com um conto bastante interessante e elucidativo quanto aos parâmetros que são adotados pela ciência, intitulado Relatório Sobre o Planeta Três, onde tal documento é encontrado numa expedição arqueológica a Marte, revelando as razões para a não existência de vida na Terra.
As fontes do paraíso
Considerado pelo próprio Arthur Clarke como seu melhor romance.

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Arthur C. Clarke (O Sentinela)

A próxima vez que olhar a Lua encher no alto, para o sul, olhe com atenção o seu rebordo à direita e deixe a seu olho viajar para cima ao longo da curva do disco. Ao redor do dois do relógio, observará um círculo pequeno e escuro. Qualquer com uma visão normal o encontrará com bastante facilidade. Trata-se da grande planície murada, uma das melhores da Lua e que se conhece como Mare Crisium, o Mar das Crises. De uns quinhentos quilômetros de diâmetro e quase rodeada por completo por um anel de magníficas montanhas, não tinha sido nunca explorada até que entramos nela a finais do verão de 1996.

Nossa expedição era bastante importante. Tínhamos dois pesados cargueiros que haviam trazido em vôo nossos fornecimentos e equipe da base lunar principal situada no Mare Serenitatis, a uns oitocentos quilômetros dali. Havia também três pequenos foguetes previstos para transportes de escasso rádio de ação sobre aquelas regiões que nossos veículos de superfície não pudessem cruzar. Por sorte, a maior parte do Mare Crisium é completamente plaina. Não existe nenhuma das grandes gretas tão freqüentes e perigosas em outras partes e são muito poucas as crateras ou montanhas de qualquer tamanho. Por isso, sabíamos, nossos poderosos tratores larva não teriam a menor dificuldade em nos levar aonde quiséssemos.

Eu era geólogo, ou melhor dizendo selenólogo, se deseja ser pedante, ao mando do grupo de exploração da zona sul do Mare. Tínhamos percorrido já, em uma semana, uns cento e cinqüenta quilômetros, bordeando as saias das montanhas ao longo da borda do que em um tempo foi um mar, uns mil e milhões de anos atrás. Quando a vida se iniciava na Terra, aqui já se achava moribunda. As águas se retiravam dos flancos daqueles estupendos penhascos, para o vazio coração da Lua. Pelo território que cruzávamos, aquele oceano sem marés tinha tido um dia mais de trinta quilômetros de profundidade e agora o único vestígio de umidade era a geada que às vezes se encontrava em cavernas nas que a ardente luz do sol não penetrava jamais.

Tínhamos começado nossa viagem a primeira hora do lento amanhecer lunar e faltava ainda uma semana, segundo o tempo da Terra, para que caísse a noite. Meia dúzia de vezes ao dia devíamos abandonar nossos veículos e sair com os trajes espaciais em busca de minerais interessantes, ou a colocar marcas que servissem de guia a futuros viajantes. Tratava-se de uma rotina monótona. Não existe nada perigoso, nem sequer excitante, em uma exploração lunar. Podíamos viver com toda comodidade durante um mês em nossos tratores pressurizados e, se nos enfrentávamos com algum problema, sempre podíamos recorrer ao rádio para pedir ajuda e esperar até que qualquer espaçonave fosse a nos resgatar.

Acabo de dizer que não há nada excitante na exploração lunar; mas, naturalmente, isso não é certo. A gente pode chegar a cansar-se daquelas incríveis montanhas, muito mais escarpadas que as da Terra. Enquanto rodeávamos os cabos e promontórios daquele mar desaparecido, não sabíamos jamais que novos esplendores nos revelariam. Toda a curva sul do Mare Crisium forma um vasto delta onde, em um tempo, uma série de rios abriu caminho para o oceano, alimentados talvez pelas chuvas torrenciais que deveram bater as montanhas na breve era vulcânica quando a Lua era jovem. Cada um daqueles antigos vales era um convite, nos desafiando a subir por eles para as desconhecidas terras altas que se achavam mais à frente. Mas tínhamos que cobrir ainda uns cento e cinqüenta quilômetros e só podíamos olhar com desejo aquelas alturas que outros escalariam.

A bordo do trator, conservávamos o horário da Terra. E, às 22.00 em ponto, tínhamos que enviar a mensagem de rádio à Base e fechar o contato por esse dia. Fora, as rochas arderiam ainda sob um sol quase vertical; entretanto, para nós, seria de noite até que despertássemos de novo oito horas depois. Logo, um dos que estávamos ali prepararia o café da manhã, escutar-se-ia um grande ronronar de barbeadores elétricos e algum conectaria a rádio de onda curta emitida da Terra.

Do mesmo modo, quando o aroma das salsichas fritas começasse a encher a cabine, resultaria difícil acreditar que não nos achávamos de retorno em nosso próprio mundo. Até tal ponto era tudo tão normal e caseiro, se deixávamos de lado a sensação de ter diminuído de peso e a pouco natural lentidão com que caíam os objetos.

Tocava-me preparar o café da manhã no rincão da cabine principal, que fazia as vezes de cozinha. Depois de tantos anos, posso recordar aquele momento de uma forma muito vívida, posto que na rádio acabavam de tocar uma de minhas melodias favoritas, a antiga toada galesa do David na Rocha Branca. Nosso condutor já estava fora, com seu traje espacial, inspecionando nossas bandas. Meu ajudante, Louis Garnett, encontrava diante, na posição de controle, realizando algumas notas no Jornal do dia anterior.

Enquanto me achava de pé ao lado da frigideira, aguardando, como qualquer dona-de-casa terrestre, a que se dourassem as salsichas, deixei que meu olhar errasse ocioso pelas paredes da montanha que cobriam todo o horizonte sul e se estendiam, até perder-se de vista, para o Este e o Oeste, por debaixo da curva da Lua. Pareciam estar a só uns três quilômetros do trator; entretanto, eu sabia que a mais próxima se achava a trinta quilômetros. Naturalmente, na Lua não se perdem os detalhes com a distância, pois não existe nenhuma das quase imperceptíveis neblinas que, na Terra, peneiram e às vezes desfiguram as coisas longínquas.

Aquelas montanhas tinham três mil metros de altura e ascendiam abruptamente da planície, como se umas eras atrás alguma erupção subterrânea as tivesse arrojado para o céu através da fundida casca. Inclusive a base da mais próxima ficava oculta pela curvadíssima superfície da planície, já que a Lua é um mundo muito pequeno e, de onde eu me encontrava, o horizonte se achava a só uns três quilômetros.

Elevei os olhos para os picos aos que não tinha ascendido jamais nenhum homem; umas cúpulas que, antes do princípio da vida terrestre, tinham contemplado os oceanos em retirada afundando-se sombriamente em suas tumbas e levando consigo a esperança e a promessa do amanhã de um mundo. A luz solar se estrelava contra as cúpulas com um esplendor que fazia machuco à vista; só um pouco por cima delas, as estrelas iluminavam com firmeza em um céu mais negro que em qualquer noite invernal da Terra.

Estava já me voltando, quando meu olho captou um reflexo metálico no alto da aresta de um grande promontório que se projetava por volta do mar, uns cinqüenta quilômetros para o Oeste.

Tratava-se de um ponto de luz impreciso, como se uma estrela tivesse sido arrancada do céu por um daqueles cruéis picos; e imaginei que alguma polida superfície rochosa captava a luz solar e fazia as vezes de um heliógrafo diretamente para meus olhos. Coisas deste tipo não eram estranhas. Às vezes, quando a Lua se encontra em seu segundo quarto, os observadores da Terra vêem as grandes cordilheiras do Oceanus Procellarum arder com uma iridiscência de um azul esbranquiçado, pois a luz do Sol cintila desde suas saias e salta de novo de um mundo a outro. Não obstante, tive curiosidade por saber que classe de rocha podia brilhar ali com tanta intensidade. Subi à torre de observação e fiz girar para o Oeste nosso telescópio de dez centímetros; vi o suficiente para ficar tentado. Muito claro e nítido no campo de visão, os picos da montanha pareciam encontrar-se a menos de um quilômetro; Mas aquilo que apanhava a luz solar era muito pequeno para ser captado.

Entretanto, parecia possuir uma simetria elusiva. E a cúpula sobre a que descansava era curiosamente plana. Contemplei aquele resplandecente enigma, forçando durante um bom momento meus olhos para o espaço, até que um aroma de queimado procedente da cozinha me disse que nossas salsichas para o café da manhã tinham efetuado em vão uma viagem de mais de quatrocentos mil quilômetros.

Toda aquela manhã estivemos discutindo durante nosso percurso através do Mare Crisium, enquanto as montanhas orientais se elevavam cada vez mais para o céu. Inclusive quando procurávamos nossos trajes espaciais, a discussão continuou por rádio. Era de todo seguro, argumentavam meus companheiros, que jamais se viu nenhuma forma de vida inteligente na Lua. As únicas coisas viventes que tivessem podido existir ali eram algumas novelos primitivas e seus um pouco menos degenerados antepassados. Sabia tudo aquilo; entretanto, há ocasiões nas que um cientista não deve ter medo a fazer um pouco o ridículo.

– Me escutem – disse-lhes ao fim. – Vou ali, embora só seja para ficar tranqüilo. Essa montanha tem menos de quatro mil metros de altura; quer dizer, só setecentos segundo a gravidade terrestre, e posso fazer o percurso no máximo em vinte horas. Sempre desejei, por outra parte, escalar essas montanhas e isto me proporciona uma desculpa excelente.

– Se não te romper o pescoço – respondeu Garnett – te converterá no bobo da expedição quando retornarmos à Base. E, a partir de agora, essa montanha começa a chamar-se Loucura do Wilson.

– Não me romperei o pescoço – repliquei com firmeza. – Quem foi o primeiro homem que subiu o Pico Helicon?

– Mas não foi bastante mais jovem naquela época? – perguntou Louis em tom amável.

– Isso – repliquei com dignidade – é uma razão tão boa como qualquer outra para desejar ir.

Aquela noite nos deitamos cedo, depois de levar o trator até um quilômetro do promontório. Garnett viria comigo pela manhã. Era um bom alpinista e me tinha acompanhado com freqüência em façanhas daquele tipo. Nosso condutor ficou muito agradado de que o deixássemos ao mando da máquina.

À primeira vista, aqueles escarpados pareciam por completo inescaláveis; entretanto, para qualquer que tenha uma cabeça firme que resista às alturas, é fácil subir em um mundo onde todos os pesos são só de uma sexta parte de seu valor normal. O perigo autêntico no montanhismo lunar radica na excessiva confiança. Uma queda de duzentos metros na Lua, pode te matar exatamente igual a uma de trinta na Terra.

Fizemos nossa primeira parada em um amplo suporte a uns mil e trezentos metros por cima da planície. A ascensão não tinha sido difícil; mas tinha os membros um pouco enrijecidos à causa do desacostumado esforço e me alegrou poder descansar. Ainda víamos o trator como um pequeno inseto metálico, muito afastado ao pé do escarpado e informamos de nosso avanço ao condutor antes de começar a seguinte etapa de ascensão.

No interior de nossos trajes reinava um confortável frescor, posto que as unidades de refrigeração lutavam contra o implacável sol e eliminavam o calor corporal de nosso esforço. Não nos falávamos, exceto para nos passar instruções a respeito da ascensão e para discutir o melhor plano de ascensão. Não sabia o que pensava Garnett. Provavelmente, que aquela era a aventura mais descabelada em que jamais se embarcou. Eu estava mais que pela metade de acordo com ele; mas a alegria da ascensão, saber que nenhum homem tinha pisado aquele caminho antes e o entusiasmo que proporcionava a paisagem ao ampliar-se cada vez mais ante nós, ia concedendo toda a recompensa que desejava.

Não acredito haver sentido uma particular excitação ao ver diante de nós a parede de rocha que tinha inspecionado pela primeira vez com o telescópio de uma distância de cinqüenta quilômetros. Elevava-se a uns vinte metros por cima de nossas cabeças e ali, na meseta, encontrar-se-ia a coisa que me tinha levado até esse lugar por aquelas desoladas paragens. Certamente não se trataria mais que de uma rocha estilhaçada muitíssimos anos atrás pela queda de um meteorito e que conservava seus planos de cisão ainda frescos e brilhantes naquela quietude incorruptível e imutável.

Não havia na parte dianteira da rocha nenhum lugar onde agarrar-se com as mãos e teríamos que empregar um gancho de ferro. Meus cansados braços pareceram recuperar nova força ao fazer girar sobre minha cabeça a âncora metálica tridentada e lançá-la na direção das estrelas. A primeira vez não agarrou e caiu com lentidão ao atirar da corda. Ao terceiro intento, os dentes se cravaram com firmeza e o peso dos dois juntos já não foi capaz de arrancá-los.

Garnett me olhou com ansiedade. Pareceu-me que queria ser o primeiro, mas lhe sorri do cristal de meu casco e meneei a cabeça. Muito devagar, tomando tempo, empreendi a ascensão final. Inclusive com meu traje espacial, aqui só pesava uns vinte quilogramas. Içava-me com uma mão atrás de outra, sem me preocupar de empregar os pés. Ao chegar ao bordo, fiz uma pausa e um gesto a meu companheiro, depois do qual acabei de subir pelo fio. Pus-me de pé e olhei ante mim.

Devem compreender que, até este momento, tinha estado convencido quase por completo de que ali não haveria nada estranho ou fora do corrente. Quase. Mas não por completo. Aquela tentadora dúvida era a que me tinha impulsionado a seguir adiante. Pois agora já não havia dúvida; mas o mistério só acabava de começar.

Achava-me de pé em uma meseta como de uns trinta metros de diâmetro. Em um tempo tinha sido lisa por completo (muito lisa para ser natural); mas as quedas de meteoritos tinham marcado e perfurado sua superfície através de imensuráveis buracos. Tinham-no aplanado para suportar uma estrutura reluzente e mais ou menos piramidal, que dobrava em altura a um homem e que se achava embutida na rocha como uma jóia gigantesca e de múltiplos facetas.

Provavelmente, naqueles primeiros segundos, nenhuma emoção encheu absolutamente minha mente. Logo senti uma euforia imensa e uma alegria estranha e inexpressável. Em realidade, amava a Lua e agora soube que o mofo rasteiro do Aristarco e Erastóstenes não tinha sido a única vida que albergou durante sua juventude. O velho e desacreditado sonho dos primeiros exploradores era certo. A fim de contas, tinha existido uma civilização lunar e eu era o primeiro que a tinha encontrado. Ter chegado talvez com um centenar de milhões de anos de atraso não me turvava o mais mínimo. Era suficiente ter podido chegar.

Minha mente começou a funcionar com normalidade, para analisar e expor perguntas. Tratava-se de um edifício, um santuário, ou algo para o que meu idioma carecia de denominação? Se era um edifício, por que o tinham construído em um lugar tão pouco acessível? Perguntei-me se aquilo seria um templo e imaginei aos adeptos de alguma estranha fé clamando a seus deuses para que os salvassem enquanto a vida da Lua refluía junto com os agonizantes oceanos; e apelando em vão a suas deidades…

Avancei uma dúzia de passos para examinar aquilo desde mais perto. Mas um sentido de precaução me conteve de me aproximar muito. Sabia um pouco de arqueologia e tratei de deduzir o nível cultural da civilização que tinha limado aquela montanha e elevado aquelas superfícies reluzentes de espelho que ainda me deslumbravam os olhos.

Pensei que os egípcios poderiam ter feito algo assim, se seus operários houvessem possuído alguns materiais mais estranhos que os empregados por aqueles arquitetos muito mais antigos. Pelo reduzido daquela coisa, não me ocorreu que pudesse estar contemplando a obra de uma raça muito mais avançada que a minha. A idéia de que na Lua tivesse havido inteligência era muito tremenda para captá-la e meu orgulho não me permitia dar o último e humilhante salto.

Logo precavi-me de algo que me produziu um calafrio na nuca, uma coisa tão corriqueira e tão inocente que muitos jamais se teriam fixado nisso. Já expliquei que a meseta apresentava as cicatrizes produzidas pelos meteoritos; mas estava também revestida de uns centímetros de pó cósmico, algo que sempre se filtra à superfície de qualquer mundo onde não há ventos que o perturbem. Entretanto, o pó e as cicatrizes terminavam de repente em um amplo círculo que rodeava a pequena pirâmide, como se uma parede invisível a protegesse das inclemências do tempo e do lento mas incessante bombardeio do espaço.

Algo gritava em meus auriculares e me dava conta de que Garnett me tinha estado chamando desde fazia momento. Andei vacilante até o bordo do penhasco e lhe fiz sinais para que se reunisse comigo, pois não confiava em mim o suficiente para expressá-lo com palavras. Logo retornei para o círculo no pó. Recolhi um fragmento de rocha estilhaçada e o lancei com suavidade contra o brilhante enigma. Se o calhau se desvanecesse naquela invisível barreira não me tivesse surpreso; mas pareceu alcançar uma superfície semiesférica. E suave deslizou meigamente até o chão.

Soube que estava olhando algo que não podia comparar-se com a antiguidade de minha própria raça. Não era um edifício, a não ser uma máquina, e que se protegia com umas forças que tinham desafiado à eternidade. Aquelas forças, fossem as que fossem, operavam ainda e talvez me tinha aproximado já muito. Pensei em todas as radiações que o homem tinha apanhado e domesticado durante o século passado. Segundo meus conhecimentos, podia muito bem me achar condenado de forma irrevogável, como se tivesse penetrado, sem levar amparo, na aura mortífera de uma pilha atômica.

Lembrança que então me voltei para o Garnett, que se tinha reunido comigo e que se achava de pé e imóvel a meu lado. Parecia como esquecido de mim. Não quis lhe incomodar e me dirigi ao bordo do escarpado, em um esforço por ordenar meus pensamentos. Lá, debaixo de mim, jazia o Mare Crisium (precisamente o Mar das Crises), estranho e esranho para a maioria dos homens; mas familiar e tranqüilizador para mim. Elevei os olhos para o crescente da Terra, que jazia entre seu berço de estrelas e me perguntei o que haviam visto suas nuvens quando aqueles desconhecidos construtores finalizaram sua tarefa. Encontrava-se na selva cheia de vapores do Carbonífero, na desolada costa sobre a qual tinham subido os primeiros anfíbios para conquistar a terra, ou mais cedo ainda, na larga solidão que precedeu à chegada da vida?

Não me perguntem por que não adivinhei antes a verdade, essa verdade que agora me parece tão óbvia. Na primeira excitação de meu descobrimento pensava, é óbvio, sem pô-lo em tecido de julgamento, que aquela aparição cristalina a tinha construído alguma raça pertencente ao passado remoto da Lua. Mas, de repente e com uma força entristecedora, tive a convicção de que se tratava de alguém tão alheio à Lua como eu mesmo.

Durante vinte anos não tinha encontrado o menor traçado de vida exceto algumas novelo degeneradas. Nenhuma civilização lunar, qualquer que tivesse sido seu destino, podia ter deixado algo mais que um simples testemunho de sua existência.
Olhei de novo a reluzente pirâmide, e me pareceu mais remota que qualquer outra coisa que tivesse algo que ver com a Lua. De repente, estremeci-me com uma louca e histérica risada, produto da excitação e do esforço. Tinha-me imaginado que aquela pequena pirâmide me falava e me dizia:

– Sinto muito, mas eu também sou um estranho aqui.

Demoramos vinte anos em quebrantar esse invisível escudo para chegar à máquina que se encontrava dentro daquelas paredes cristalinas. O que não podíamos entender, rompemo-lo ao fim com a força selvagem da energia atômica e agora vi os fragmentos daquela coisa formosa e resplandecente que encontrei no alto da montanha.

Não têm o menor sentido. O mecanismo, se é que se tratava de algum mecanismo, da pirâmide pertence a uma tecnologia que se encontra muito além de nosso horizonte; talvez seja a tecnologia própria das forças parafísicas.

O mistério nos obceca muito mais agora que se chegou aos outros planetas e que sabemos que só a Terra foi o lar da vida inteligente em nosso Universo. Tampouco nenhuma civilização perdida de nosso próprio mundo pôde construir essa máquina, posto que a grossura do pó espacial que havia sobre a meseta nos permitiu calcular sua idade. Depositou-se em cima da montanha antes de que a vida emergisse dos oceanos da Terra.

Quando nosso mundo tinha a metade de sua idade atual, «algo» procedente das estrelas, passou através do sistema solar, deixou aquele sinal de seu passo e seguiu seu caminho. Até que a destruímos, essa máquina seguiu cumprindo a missão de seus construtores. Quanto a qual era essa missão, hei aqui o que conjeturo:

Há perto de cem mil e milhões de estrelas que giram no círculo da Via Láctea e faz muito tempo outras raças nos mundos de outros sóis deveram ter alcançado e superado as alturas que nós alcançamos agora. Pensem nessas civilizações, muito afastadas no tempo, no mortiço resplendor que seguiu à Criação, donos de um Universo tão jovem que a vida só tinha chegado a uns quantos mundos.

Deviam achar-se em uma solidão que não podemos imaginar; a solidão dos deuses que olham através do infinito e que não encontram a ninguém com quem compartilhar seus pensamentos.

Deviam ter estado procurando nos amontoados de estrelas, quão mesmo nós procuramos nos planetas. Em todas as partes existiriam mundos; mas vazios ou povoados de coisas sem mente que se arrastavam. Assim era nossa própria Terra, com a fumaça dos grandes vulcões manchando ainda os céus, quando a primeira nave dos povos do amanhecer se deslizou dos abismos de além de Plutão. Passou os sorventes mundos exteriores, sabendo que a vida não poderia desempenhar nenhum papel em seus destinos. Deteve-se entre os planetas interiores, esquentando-se com o Sol e aguardando que começassem suas histórias.

Aqueles vagabundos deveram olhar para a Terra, que girava a salvo na estreita zona entre o fogo e o gelo, e deveram pensar que era a favorita dos filhos do Sol. Em um futuro distante, haveria ali inteligência; mas tinham ainda incontáveis estrelas ante eles e talvez não voltassem nunca mais por este caminho.

Deixaram, pois, um sentinela, um dos milhões que tinham esparso através do Universo, para que vigiasse todos os mundos nos que havia uma promessa de vida. Era um farol que, através de todas as idades, esteve assinalando em silêncio o fato de que ninguém o tinha descoberto ainda. Talvez entenderão agora por que a pirâmide de cristal se elevou sobre a Lua em lugar de elevar-se sobre a Terra. Seus construtores não se preocupavam das raças que ainda se esforçavam desde seu estado selvagem. De nossa civilização só podia lhes interessar que demonstrássemos aptidão para sobreviver, para cruzar o espaço e escapar da Terra, nosso berço. Este é o desafio ao que todas as raças inteligentes devem fazer frente mais tarde ou mais cedo. Trata-se de uma provocação dupla, porque depende a sua vez da conquista da energia atômica e da última eleição entre a vida e a morte.

Uma vez tivéssemos superado aquela crise, só seria questão de tempo que encontrássemos a pirâmide e a abríssemos. Agora seus sinais cessaram e aqueles cujo dever seja esse, voltarão suas mentes para a Terra. Talvez desejem ajudar a nossa jovem civilização. Mas devem ser já velhos, muito velhos, e os anciões sentem muitas vezes um ciúmes doentios dos jovens. Agora já não posso olhar para a Via Láctea sem me perguntar desde qual daquelas compactas nuvens de estrelas virão os emissários. Se me perdoarem um lugar comum muito ocorrido, direi que temos quebrado o cristal do alarme contra incêndios e quão único temos que fazer é aguardar.

Mas não acredito que devamos esperar muito.

Fonte:
http://groups.google.com/group/Viciados_em_Livros

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Isaac Asimov (1920 – 1992)

Isaac Asimov, (Petrovichi, 2 de Janeiro de 1920 — Nova Iorque, 6 de abril de 1992) foi um escritor e bioquímico famoso como popularizador da ciência e como autor de ficção científica, sendo suas séries mais populares Fundação e Robôs. Nesta última criou as famosas Três Leis da Robótica.

Asimov é autor de livros de divulgação sobre praticamente todos os campos do conhecimento e foi um dos homens mais cultos do século XX. Seu QI foi estimado em cerca de 175. Sabe-se que obteve um escore 135 no teste Eisenck, mas resolveu o teste inteiro na metade do tempo. Foi presidente honorário da Mensa, uma associação para pessoas superdotadas que conta com membros de 100 países.

Sua obra de ficção destaca-se por introduzir ao leitor leigo conhecimentos científicos e a idéia do método científico.

Biografia

Asimov nasceu entre 4 de Outubro de 1919 e 2 de Janeiro de 1920 em Petrovichi shtetl ou Óblast de Smolensk, RSFSR (agora Província de Mahilyow, Bielorrússia). A mãe foi Anna Rachel Berman Asimov e o pai Judah Asimov, um moleiro de uma família de Judeus. A sua data de nascimento não pode ser precisada por causa das diferenças entre o Calendário Gregoriano e o Calendário hebraico e por causa da falta de registros. Asimov celebrou sempre o seu aniversário a 2 de Janeiro. A família deriva o nome de ?????? (ozimiye), uma palavra da língua Russa que significa um cereal de inverno em que o seu bisavô negociava, ao qual o sufixo paterno foi adicionado. A sua família emigrou para os EUA quando ele tinha só 3 anos de idade. Como os seus pais falavam sempre hebraico e Inglês com ele, ele nunca aprendeu russo. Enquanto crescia em Brooklyn, New York, Asimov aprendeu por si próprio a ler quando tinha cinco anos, e permaneceu fluente em ídiche assim como em Inglês. Os seus pais tinham uma loja de doces, e toda a gente da família tinha de lá trabalhar. Revistas baratas de banda desenhada sobre ficção científica eram vendidas em lojas, e ele começou a lê-las. Por volta dos onze anos ele começou a escrever histórias próprias, e por volta dos dezenove anos, tendo-se tornado fã de ficção científica, ele começou a vender a vender as suas histórias a revistas. John W. Campbell, o editor de Astounding Science Fiction, foi uma forte influência formativa e tornou-se um amigo.

Asimov foi aluno das New York City Public Schools, inclusive a Boys’ High School, em Brooklyn, New York. A partir daí ele foi para a Universidade de Columbia, da onde se graduou em 1939, depois tirando um Ph. D. em bioquímica em 1948. Entretanto, passou três anos durante a Segunda Guerra Mundial a trabalhar como civil na Naval Air Experimental Station do porto da Marinha em Philadelphia. Quando a guerra acabou, ele foi destacado para o U.S. Army, tendo só servido nove meses antes de ser honrosamente retirado. Durante a sua breve carreira militar, ele ascendeu ao posto de cabo baseado na sua habilidade para escrever à máquina, e escapou por pouco de participar nos testes da bomba atômica em 1946 no atol de Bikini.

Depois de completar o seu doutoramento, Asimov entrou na faculdade de Medicina da universidade de Boston, com que permaneceu associado a partir daí. Depois de 1958, isto foi sem ensinar, já que se virou para a escrita full-time (as suas receitas da escrita já excediam as do salário acadêmico). Pertencer ao quadro permanente significou que ele manteve o título de professor associado, e em 1979 a universidade honrou a sua escrita promovendo-o a professor catedrático de bioquímica. Os arquivos pessoais de Asimov a partir de 1965 estão arquivados na Mugar Memorial Library da universidade, à qual ele os doou a pedido do curador Howard Gottlieb. A coleção preenche 464 caixas em setenta e um metros de prateleira.

Asimov casou com Gertrude Blugerman (1917, Canadá–1990, Boston) em 26 de Julho de 1942. Tiveram duas crianças, David (n. 1951) e Robyn Joan (n. 1955). Depois da separação em 1970, ele e Gertrude divorciaram-se em 1973, e Asimov casou com Janet O. Jeppson mais tarde no mesmo ano.

Asimov era um claustrofilo; ele gostava de espaços pequenos fechados. No primeiro volume da sua autobiografia, ele conta um desejo infantil de possuir uma banca de jornal numa estação de metro no New York City Subway, dentro da qual ele se fecharia e escutaria o ruído das carruagens enquanto lia.

Asimov tinha aviophobia, só o tendo feito duas vezes na vida inteira (uma vez durante o seu trabalho na Naval Air Experimental Station, e uma vez na volta para casa da base militar em Oahu in 1946). Ele raramente viajava grandes distâncias, em parte por causa da sua aversão a voar adicionada as dificuldades logísticas de viajar longas distâncias. Esta fobia influenciou varias das suas obras de ficção, como as historias misteriosas de Wendell Urth e as novelas sobre Robôs em que entrava Elijah Baley. Nos seus últimos anos, ele gostava de viajar em navios de cruzeiro, e em varias ocasiões ele fez parte do “entretenimento” no cruzeiro, dando palestras baseadas em ciência em navios como os RMS Queen Elizabeth 2. Asimov era sabia entreter muitíssimo bem, prolífico, e procurado como discursador. O seu sentido de tempo era fantástico; ele nunca olhou para um relógio, mas falava invariavelmente precisamente o tempo acordado.

Asimov era um participador habitual em convenções de ficção cientifica, onde ficava amável e disponível para a conversa. Ele respondia pacientemente a dezenas de milhares de perguntas e outro tipo de correio com postais, e gostava de dar autógrafos. Embora ele gostasse de mostrar o seu talento, ele raramente parecia levar-se a si próprio demasiado serio.

Ele era de altura mediana, forte, com bigode e um obvio sotaque Brooklyn-Hebreu. A sua motricidade física era bastante limitada. Ele nunca aprendeu a nadar ou andar de bicicleta; no entanto, ele aprendeu a conduzir um carro depois de se mudar para Boston. No seu livro de humor Asimov Laughs Again, ele descreve a condução em Boston como “anarquia sobre rodas”. Ele demonstrou o seu amor por conduzir na sua short story de ficção cientifica, ‘Sally’, sobre carros robô. Um leitor atento reparara que ele faz uma descrição detalhada de um dos carros a que chama ‘Giuseppe’, de Milan – o que significa que Giuseppe era um Alfa Romeo. Asimov não especificou nenhum outro tipo de veiculo em nenhuma das suas historias, o que levou muitos fãs a considerara que ele foi empregue por aquela marca de automóvel.

Os interesses variados de Asimov incluíram, nos seus anos tardios, a sua participação em organizações devotadas à opereta de Gilbert and Sullivan e em The Wolfe Pack, um grupo de seguidores dos mistérios de Nero Wolfe escritos por Rex Stout. Ele era um membro proeminente da Baker Street Irregulars, a mais importante sociedade a volta de Sherlock Holmes. De 1985 ate a sua morte em 1992, ele foi presidente da American Humanist Association; o seu sucessor foi o amigo e congênere escritor Kurt Vonnegut. Ele também era um amigo próximo do criador de Star Trek, Gene Roddenberry, e foram-lhe dados créditos em Star Trek: The Motion Picture pelos conselhos que deu durante a produção (dando a Paramount Pictures a impressão que as idéias de Roddenberry eram legitima especulação de ficção cientifica).

Asimov morreu em 6 de Abril de 1992. Ele deixou a sua segunda mulher, Janet, e as crianças do primeiro casamento. Dez anos depois da sua morte, a edição da autobiografia de Asimov, It’s Been a Good Life, revelou que a sua morte foi causada por SIDA; ele contraiu o vírus HIV através de uma transfusão de sangue recebida durante a operação de bypass em Dezembro de 1983. [1] A causa especifica de morte foi falha cardíaca e renal como complicações da infecção com o vírus da SIDA. Janet Asimov escreveu no epílogo de It’s Been a Good Life que Asimov o teria querido fazer publico, mas os seus médicos convenceram-no a permanecer em silencio, avisando que o preconceito anti-SIDA, se estenderia aos seus familiares. A família de Asimov considerou divulgar a sua doença antes de ele morrer, mas a controvérsia que ocorreu quando Arthur Ashe divulgou que ele tinha SIDA convenceu-os do contrario. Dez anos mais tarde, depois da morte dos médicos de Asimov, Janet e Robyn concordaram que a situação em relação à SIDA podia ser levada a publico.

No livro Escolha a Catástrofe, Asimov disserta sobre os futuros problemas que poderiam levar a humanidade à extinção e como a tecnologia poderia salvá-la. Em certa parte do livro, ele fala sobre a educação e como ela poderia funcionar no futuro.

“Haverá uma tendência para centralizar informações, de modo que uma requisição de determinados itens pode usufruir dos recursos de todas as bibliotecas de uma região, ou de uma nação e, quem sabe, do mundo. Finalmente, haverá o equivalente de uma Biblioteca Computada Global, na qual todo o conhecimento da humanidade será armazenado e de onde qualquer item desse total poderá ser retirado por requisição.”

“…Certamente cada vez mais pessoas seguiriam esse caminho fácil e natural de satisfazer suas curiosidades e necessidades de saber. E cada pessoa, à medida que fosse educada segundo seus próprios interesses, poderia então começar a fazer suas contribuições. Aquele que tivesse um novo pensamento ou observação de qualquer tipo sobre qualquer campo, poderia apresentá-lo, e se ele ainda não constasse na biblioteca, seria mantido à espera de confirmação e, possivelmente, acabaria sendo incorporado. Cada pessoa seria simultaneamente um professor e um aprendiz.”
Isaac Asimov – 1979

Asimov pretendia escrever 500 livros e, por pouco, não atingiu essa marca; escreveu 463 obras. Mas somando todos os livros, desenhos e coleções editadas totalizam-se 509 itens em sua bibliografia completa. Asimov pode ter escrito Opus 400, que seria uma comemoração de 400 publicações; contudo a lista de comemorativos da bibliografia vai apenas até o Opus 300.

Memórias de Asimov

À Gertrude, com a qual estive casado, muito satisfatoriamente, durante oito anos, um mês, duas semanas, um dia, duas horas, 45 minutos e alguns segundos“.

A dedicatória que abre uma de suas obras parece mais a afirmação do divórcio de Isaac Asimov. Asimov deu fim a sua vida matrimonial com Gertrude em suas Memórias, atrevendo-se por fim a expressar algumas opiniões não tão positivas e triunfantes como tinha por costume. Para Janet, sua segunda esposa, a quem dedica um livro, tem em troca, umas belas palavras: “minha companheira de vida e pensamento”. Confessou que lhe foi infiel e de seus dois filhos tidos com ela, Robyn era sua preferida. Adorava-a e sentia-se muito mal porque ele morreria e Robyn sofreria com isso. De seu outro filho, David, apenas umas linhas. De forma estranha confessa que seu matrimônio com Gertrude durou doze anos porque tinha dois filhos. É interessante somar-se à sua vida familiar a sinceridade com que Isaac trata este assunto e porque está muito longe da imagem de triunfador nato e otimista da que tanto lhe gostava se ostentar.

Asimov havia escrito outros dois livros de memórias. Terminou em 1990 e Janet teve que se encarregar de sua edição, que ocorreu dois anos depois, mesmo que Isaac nunca o tenha visto publicado. Seu último livro, escrito em 1991, foi “Asimov sorri de novo”, e depois apenas teve forças para realizar algum outro artículo periódico. Desde agosto de 1991, até a sua morte, em 6 de abril de 1992, sofreu um grande declive físico e teve constantes hospitalizações. De acordo com o que relata Janet, pelo menos, morreu em paz, em companhia de Robyn e dela mesma.

Alguns dos aspectos mais insuspeitos de Isaac Asimov se somam em suas memórias. Acostumado com seu excelente humor, sua megalomania simpática e sua hiperatividade contagiosa, neste último texto, o escritor reconhece que algumas matérias como a economia eram-lhe indigeríveis – Pág.54: “Não seria de nada escutar o professor nem estudar o tema. Pela primeira vez em minha vida tropecei com uma barreira mental, algo que não podia fazer entrar na minha cabeça” – e que seus estudos de licenciatura foram um fracasso: escolheu a química para doutorar-se por simples eliminação. Pág.83: “Eliminada a zoologia tive que escolher entre química ou física. Eliminei a física porque era muito matemática. Depois de muitos anos resolvendo a matemática facilmente, cheguei finalmente ao cálculo integral e me choquei contra uma barreira. Dei-me conta de que havia chegado o mais longe possível, e até hoje nunca pude ir mais além“.

Entre outros aspectos, tinha vertigem, odiava viajar, era um adicto ao trabalho e eludia qualquer situação incômoda (quando Janet esteve internada para ser operada de um câncer de mama, ele estava viajando!). Tudo isso foi compensado, como qualquer admirador sabe, com uma fé em si mesmo inquebrável e um conhecimento claro de quais eram seus talismãs. Pág. 84: “Começava a dar-me conta de que eu não era um especialista, de que em qualquer campo do conhecimento haveriam muitos que saberiam muito mais do que eu e que, talvez, poderiam ganhar vida e alcançar a fama nesse campo, enquanto eu não. Eu era um generalista, tinha conhecimentos consideráveis sobre quase tudo. Haviam muitos especialistas de cem ou de mil classes diferentes, mas, eu disse a mim mesmo, só haveria um Isaac Asimov“. E assim foi. É o escritor mais popular de ficção científica e de divulgação científica, até o ponto de seu nome ser garantia de vendas para qualquer livro do gênero. As editoras sabem e exploram isso. O escritor se perpetua assim, interminavelmente.

O grande orador que gostava de falar em público, era um amigo fiel e grato, que nunca deixou desamparados seus amigos.

Asimov estava apaixonado por si mesmo e encerrou estas Memórias com uma das frases mais tristes que só um homem que sabe que vai morrer pode confessar: “Não espero viver para sempre, não me aflijo por isso, mas sou fraco e gostaria de ser recordado eternamente“.

OBRAS

Série Fundação
Os romances dessas três séries foram publicados como histórias independentes. Mais tarde, Asimov sintetizou-os em uma simples e coerente ‘história’ que apareceu na extensão da série fundação.

Série Robô:
Caça aos Robôs (1954) (primeiro romance de ficção científica com Elijah Baley)
Os Robôs (1957) (segundo romance de ficção científica com Elijah Baley)
Os Robôs do Amanhecer (1983) (terceiro romance de ficção científica com Elijah Baley)
Os Robôs e o Império (1985) (seqüência da trilogia Elijah Baley)
O Homem Positrônico (1993) (com Robert Silverberg, um romance baseado no antigo conto de Asimov “The Bicentennial Man”)

Série Império Galáctico:
827 Era Galática (1950)
Poeira de Estrelas (1951)
As Correntes do Espaço (1952)

Trilogia Fundação:
Fundação (1951)
Fundação e Império (1952)
Segunda Fundação (1953)

Extensão da série Fundação:
Fundação II (em Portugal “No Limiar da Fundação”) (1982)
Fundação e a Terra (1986)
Prelúdio à Fundação (1988)
Crônicas da Fundação (em Portugal “Notas Para um Império Futuro”) (1993)

Romances que não fazem parte de séries
Fim da Eternidade (1955)
Viagem Fantástica (1966) (uma novelização do filme apresentando uma equipe de cientistas viajando dentro do corpo humano)
Despertar dos Deuses (1972)
Viagem Fantástica: Rumo ao cérebro (1987) (não é uma seqüência do primeiro Fantastic Voyage, mas sim uma história independente).
Nemesis (1989)
O Cair da Noite (1990) (com Robert Silverberg, um romance baseado em um conto mais antigo).
The Ugly Little Boy (1992) (com Robert Silverberg, um romance baseado em um conto mais antigo).
(Ainda que essencialmente independentes, alguns desses romances têm relações mínimas com a série “Fundação”.)

Coletâneas de pequenas histórias
Lista de pequenas histórias de Isaac Asimov
I, Robot – Eu, Robô (1950)
The Martian Way and Other Stories (1955)
Earth Is Room Enough (1957)
Nine Tomorrows (1959)
The Rest of the Robots (1964)
Nightfall and Other Stories (1969)
The Early Asimov (1972)
The Best of Isaac Asimov (1973)
Buy Jupiter and Other Stories (1975)
The Bicentennial Man and Other Stories (1976)
The Complete Robot (1982)
The Winds of Change and Other Stories (1983)
Robot Dreams (1986)
Azazel (1988)
Gold (1990)
Robot Visions (1990)
Magic (1995)

Mistérios
Romances
The Death Dealers (1958) (republicado mais tarde como A Whiff of Death)
Murder at the ABA (1976) (republicado mais tarde como Authorized Murder)

Coletâneas de pequenas histórias
Black Widowers and others
Asimov’s Mysteries (1968)
Tales of the Black Widowers (1974)
More Tales of the Black Widowers (1976)
Casebook of the Black Widowers (1980)
Banquets of the Black Widowers (1984)
The Best Mysteries of Isaac Asimov (1986)
Puzzles of the Black Widowers (1990)
Return of the Black Widowers (2003) contains stories uncollected at the time of Asimov’s death, in addition to contributions by Charles Ardai and Harlan Ellison

Não-ficção
Ciência popular
Adding a Dimension (1964)
Asimov on Numbers (1959)
Asimov’s Chronology of Science and Discovery (1989, second edition extends to 1993)
Asimov’s Chronology of the World (1991)
The Chemicals of Life (1954)
Choice of Catastrophes (1979)
The Clock We Live On (1959)
The Collapsing Universe (1977) ISBN 0-671-81738-8
The Earth (2004, revised by Richard Hantula)
Exploring the Earth and the Cosmos (1982)
The Human Brain (1964)
Inside the Atom (1956)
Isaac Asimov’s Guide to Earth and Space (1991)
The Intelligent Man’s Guide to Science (1965)
Jupiter (2004, revised by Richard Hantula)
Life and Energy (1962)
The Neutrino (1966)
Our World in Space (1974)
Quasar, Quasar, Burning Bright (1977)
Science, Numbers and I (1968)
The Secret of The Universe (1990)
The Solar System and Back (1970)
The Sun (2003, revised by Richard Hantula)
The Sun Shines Bright (1981)
The Universe: From Flat Earth to Quasar (1966)
Venus (2004, revised by Richard Hantula)
Views of the Universe (1981)
Words of Science and the History Behind Them (1959)
The World of Carbon (1958)
The World of Nitrogen (1958)

Guias
Asimov’s Guide to the Bible, vols I and II (1981)
Asimov’s Guide to Shakespeare
Outros
Opus 100 (1969)
The Sensuous Dirty Old Man (1971)
Asimov’s Biographical Encyclopedia of Science and Technology (1972)
Opus 200 (1979)
Isaac Asimov’s Book of Facts (1979)
The Roving Mind (1983) (collection of essays). Nova edição publicada por Prometheus Books(1997)

Conferência de Isaac Asimov na Universidade do Estado de Michigan (MSU) em 1974

“Quando eu publiquei meu primeiro livro, me fizeram muitas perguntas, como: ‘Bem, é bom? ’ – e eu realmente não sabia o que dizer. ‘O que dizem os corretores? ’ – e haviam muito mais perguntas.
E muito rápido me dei conta, que só havia uma maneira de solucionar aquilo. Eu rapidamente me sentei, e escrevi mais de 145 livros, e agora ninguém pergunta os nomes, ninguém pergunta se são bons, ninguém me pergunta… ninguém me pergunta nada!

Eles só dizem: ‘146 livros, uau! ’. Porque… porque você sabe, se você se detém pensando nisso. ‘Que diferença há se são bons ou ruins? Você já tentou escrever 146 livros ruins? ’.
Então a pergunta: ‘Bem, como você faz… como você faz para escrever tanto? ’.
Eu constantemente me pergunto. ‘Como faço para escrever todos esses livros? ’.
E a resposta é muito simples. Eu jogo fora os pensamentos, as dúvidas.
Você diz que você não acredita em mim, verdade? Mas é a verdade.
Você compreende quantos livros não são escritos por pensar-se?
Isto é, você escreve a primeira frase: ‘Era uma noite escura e chuvosa? ’.
E isso está bem! E você deveria seguir em frente, mas você não o faz.
Você comete o erro fatal de pensar e diz: ‘Não é suficientemente dramático’.

E você escreve… corrige, e volta a escrever de novo: ‘Uma noite escura e chuvosa, isso é o que era’.
E então você pensa: ‘Não, é muito dramático’.
Talvez você queira abrir um ar de incerteza: ‘Era uma noite escura e chuvosa? ’

E então você pensa um pouco mais, e você diz: ‘Não, não, eu… eu estou estropiando-o, isto é o anticlímax’. E você diz: ‘Era uma noite chuvosa e escura! ’. Bem, isto continua assim sempre, e você nunca escreve o livro?

Agora, bem, eu não faço isto. Eu começo com a promessa de que a maneira que eu escrevo na primeira vez é a certa. Como resultado, eu odeio os críticos literários. Eles podem observar, estudar e analisar, mas eles não podem fazê-lo.”

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_Asimov

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Isaac Asimov (A Sensação de Poder)

“Em meu conto “A Sensação de Poder”, publicado em 1957, lancei
mão de computadores de bolso, cerca de dez anos antes de tais
computadores se tornarem realidade. Cheguei mesmo a
considerar a possibilidade de eles contribuírem para
que as pessoas acabassem perdendo a capacidade
de fazer operações aritméticas à maneira antiga.”
(Introdução – Isaac Asimov)

Jehan Shuman estava acostumado a lidar com os homens responsáveis pelas tropas espalhadas pela Terra. Era apenas um civil, mas tinha criado os programas que possibilitaram o surgimento dos mais avançados computadores automáticos de guerra. Consequentemente, os generais ouviam sua opinião. Os líderes das comissões parlamentares também.

Havia um militar e um político no salão especial do Novo Pentágono. O general Weider tinha um rosto bronzeado pelos raios de muitos sóis, e sua pequena boca, cheia de rugas, quase não aparecia. O deputado Brant tinha um rosto suave e olhos claros. Ele fumava um charuto denebiano com a segurança de alguém cujo patriotismo era tão notório que podia se permitir certas liberdades.

Shuman, alto, distinto, um típico programador de elite, encarou-os destemidamente.

– Cavalheiros – disse ele -, esse é Myron Aub.
– É aquele que tem um talento incomum, que você descobriu por acaso – disse Brant, sereno. – Ah. – Ele estudou o pequeno homem de cabeça oval e careca com uma curiosidade cordial.

Em resposta, o homenzinho torceu os dedos de suas mãos ansiosamente. Nunca tinha visto homens tão importantes em sua vida. Era um técnico envelhecido e sem importância, que há muito tempo tinha fracassado em todos os testes destinados a selecionar as pessoas talentosas da humanidade e se acomodara numa rotina de trabalhos não especializados. Tinha apenas um passatempo que, de pois de descoberto pelo grande programador, acarretara todo esse estardalhaço.

– Acho infantil esse clima de mistério – disse o general Weider.

– Vai deixar de achar em um minuto – disse Shuman. – Esse é o tipo de coisa que não pode vazar para qualquer um… Aub! Havia um pouco de autoritarismo na sua maneira de pronunciar esse nome monossilábico, mas, nesse caso, era o grande programador falando para um simples técnico. – Aub! Quanto é nove vezes sete?

Aub hesitou um pouco. Seus olhos pálidos brilharam, ligeiramente ansiosos.

– Sessenta e três – disse ele.

O deputado Brant levantou as sobrancelhas.

– Ele acertou?

– Veja você mesmo, deputado.

O deputado tirou seu computador de bolso, apertou as teclas duas vezes, olhou para a superfície na palma de sua mão e guardou-o.

– É esse o talento que você trouxe para nos mostrar? Um ilusionista?

– Mais que isso, senhor. Aub decorou algumas operações e com elas faz cálculos num papel.

– Um computador de papel? – disse o general. Ele parecia aflito.

– Não senhor – disse Shuman pacientemente. – Não é um computador de papel. É um simples pedaço de papel. General, o senhor faria a gentileza de sugerir um número?

– Dezessete – disse o general..

-E o senhor, deputado?.

– Vinte e três.

– Ótimo. Aub, multiplique esses números e, por favor, mostre a esses cavalheiros como você faz isso..

– Sim, programador – disse Aub, fazendo uma reverência com a cabeça. Tirou um bloco de um dos bolsos da camisa e do outro uma caneta de bico fino. Sua testa se enrugava enquanto desenhava meticulosamente no papel..

O general Weider interrompeu-o bruscamente..

– Deixe-me ver isso.

Aub entregou-lhe o papel..

– Bem, isso parece com o número dezessete – disse Weider..

O deputado Brant balançou a cabeça..

– Parece sim, mas eu acho que qualquer um pode copiar as figuras de um computador. Talvez até eu possa fazer um dezessete razoável, mesmo sem prática..

– Se vocês deixarem Aub continuar, cavalheiros – disse Shuman, sem se perturbar..

Aub continuou com as mãos um pouco trêmulas. Depois de algum tempo, disse em voz baixa:.

– A resposta é trezentos e noventa e um..

O deputado Brant checou de novo o computador. – Por Deus, é isso mesmo. Como ele adivinhou?

– Ele não adivinhou, deputado – disse Shuman. – Ele calculou o resultado nesse pedaço de papel..

– Conversa furada – disse o general, impaciente. – O computador é uma coisa, desenhos no papel são outra..

– Explique, Aub – pediu Shuman..

– Pois não, programador. Bem, eu escrevo dezessete, embaixo dele, escrevo vinte e três. Depois, digo comigo mesmo: sete vezes três.…

– Só que o problema é dezessete vezes vinte e três interrompeu-o o deputado, cortês..

– Sim, eu sei – disse o pequeno técnico, num tom sério. Mas eu começo por sete vezes três, porque é assim que funciona. Agora, sete vezes três são vinte e um..

– Como é que você sabe isso? – perguntou o deputado..

– É uma questão de memória. É sempre vinte e um no computador. Já conferi um monte de vezes..

– Isso não quer dizer que vai ser assim para sempre, não? disse o deputado..

– Talvez não – gaguejou Aub. – Não sou matemático. Mas as minhas respostas sempre estão certas..

– Continue..

– Sete vezes três é vinte e um, então eu escrevo vinte e um. Depois, um vezes três é três e, então, escrevo o três embaixo do dois de vinte e um.

– Por que embaixo do dois? – perguntou de pronto o deputado..

– Porque… – Aub olhou desesperado para o seu superior, como se estivesse pedindo ajuda. – É difícil de explicar..

– Se vocês aceitarem o seu trabalho por um momento, podemos deixar os detalhes para os matemáticos..

Brant se acalmou..

– Três mais dois é igual a cinco – disse Aub. – Então o vinte e um vira cinqüenta e um. Você deixa isso de lado um pouquinho e começa de novo. Você multiplica sete por dois, que é catorze e um por dois, que dá dois. Se você colocá-los assim, isso vai dar trinta e quatro. Agora coloque o trinta e quatro embaixo do cinqüenta e um dessa forma e faça a soma, então terá a resposta final, que é trezentos e noventa e um..

Houve um momento de silêncio..

– Não acredito nisso – disse o general Weider. – Ele vem com essa conversa furada e desenha os números, multiplica e soma dessa maneira, mas não acredito. Isso é muito complicado. Não passa de um truque..

– Não, senhor – disse Aub, ansioso. – Só parece complicado porque o senhor não está acostumado. Na verdade, as regras são muito simples e funcionam com qualquer número..

– Qualquer número, hein? – disse o general. – Então, vamos ver. – Pegou o seu computador (um modelo GI de estilo austero)e apertou-o ao acaso. – Escreva cinco sete três oito no papel. Isto é cinco mil, setecentos e trinta e oito..

– Sim, senhor – disse Aub, pegando uma folha em branco..

– Agora – mais toques no seu computador – sete dois três nove. Sete mil, duzentos e trinta e nove..

– Sim, senhor..

– Agora, multiplique esses dois números..

– Isso vai demorar um pouco – disse Aub, com uma voz trêmula..

– Fique à vontade – disse o general..

– Vá em frente, Aub – disse Shuman, incisivo..

Aub pôs-se a trabalhar, inclinando-se para baixo. Virou outra página e mais outra. O general pegou o relógio e viu as horas..

– Você já terminou o seu número de magia, técnico?.

– Estou terminando, senhor. Aqui está, senhor. Quarenta e um milhões, novecentos e trinta e sete mil, trezentos e oitenta e dois. Ele mostrou o resultado rabiscado no papel..

O general Weider sorriu amargamente. Ele pressionou o botão de multiplicação do seu computador e deixou os números rodopiarem até parar. Então ele olhou o resultado e gritou surpreso. – Grande Galáxia, esse cara está certo..

O Presidente da Federação Terrestre tinha adquirido uma expressão macilenta devido à longa permanência nos escritórios; nas audiências, ele permitia que uma expressão vagamente melancólica tomasse conta de suas feições. A guerra denebiana, depois de um breve começo de grande agitação e muita popularidade, tinha se restringido a uma sórdida questão de manobras e contramanobras, com o descontentamento crescendo continuamente na Terra. Provavelmente também estava crescendo em Deneb..

E agora, o deputado Brant, líder do importante Comitê de Apropriações Militares, estava alegre e entusiasmadamente desperdiçando a sua audiência falando barbaridades..

– Calcular sem um computador – disse o presidente, impaciente – é absolutamente impossível..

– Calcular – disse o deputado – é apenas um sistema de manipulação de dados. Uma máquina pode fazer isso, da mesma forma que a mente humana. Deixe-me dar-lhe um exemplo. E, usando as novas habilidades que tinha aprendido, desenvolveu somas e produtos até que o presidente, a despeito de sua desconfiança, se mostrou interessado. – Isso sempre funciona?.

– Sempre, Sr. Presidente. É infalível..

– É difícil de aprender?.

– Passei uma semana até pegar o macete. Acho que o senhor precisaria de menos tempo..

– Isso é um joguinho interessante – disse o presidente, depois de pensar um pouco. – Mas qual a sua utilidade?.

– Qual a utilidade de um bebê recém-nascido, Sr. Presidente? Por enquanto, não tem nenhuma utilidade, mas o senhor não vê, isso aponta o caminho que libertará a máquina. Pense bem Sr. Presidente. – O deputado se levantou e sua voz profunda automaticamente assumiu algumas das entonações que usava nos debates. – A guerra denebiana é uma guerra de computador contra computador. Os computadores deles produzem um escudo impenetrável de contramísseis contra os nossos mísseis, assim como os nossos fazem contra os deles. Quando modernizamos nossos computadores, eles também modernizam os deles, e há cinco anos existe um equilíbrio precário e inútil..

Agora temos em nossas mãos um método para ir além do computador, pular por sobre ele, ultrapassá-lo. Combinaremos a mecânica do computador com o pensamento humano; teremos o equivalente aos computadores inteligentes; bilhões deles. Não posso prever detalhadamente quais serão as conseqüências, mas elas serão incalculáveis. E, caso os denebianos se antecipem a nós nesse aspecto… o resultado pode ser uma catástrofe..

– O que podemos fazer? – disse o presidente, preocupado..

– Colocar o poder da administração em favor de um projeto secreto de computação humana. Chame-o de Projeto Número, se quiser. Posso me responsabilizar pelo meu comitê, mas vou precisar do apoio da administração..

– Mas até onde a computação humana pode ir?.

– Não há limites. De acordo com o programador Shuman, que me apresentou essa descoberta.…

– Já ouvi falar de Shuman, é claro..

– Sim. Bom, o Dr. Shuman me disse que, teoricamente, não há nada que um computador faça que não possa ser feito pela mente humana. O computador apenas processa um número finito de dados e opera um número finito de operações a partir deles. A mente humana pode reproduzir esse processo..

O presidente pensou um pouco..

– Se Shuman diz isso, estou inclinado a acreditar nele… em teoria. Mas, na prática, como alguém pode saber como um computador funciona?

Brant sorriu cordialmente..

– Sr. Presidente, eu fiz a mesma pergunta. Ao que parece, houve uma época em que os computadores eram projetados diretamente pelos seres humanos. Eram computadores simples; antecederam a época em que o uso racional dos computadores fez com que eles projetassem computadores mais avançados.

– Sim, sim. Continue.

– Aparentemente, o técnico Aub conseguiu, por puro lazer, reconstituir alguns desses velhos esquemas, estudou os detalhes do seu funcionamento e descobriu que podia copiá-lo. A multiplicação que acabei de fazer para o senhor é uma imitação do funcionamento de um computador.

– Surpreendente!

O deputado tossiu educadamente.

– Se posso fazer mais uma observação, Sr. Presidente… quanto mais pudermos desenvolver essa coisa, mais poderemos desviar nosso esforço federal da produção de computadores e de sua manutenção. Assim que o cérebro humano assumir o poder, nossas melhores energias poderão ser canalizadas para procurar a paz, e a influência da guerra nos homens comuns será menor. Isso será mais vantajoso para o partido no poder, é claro.

– Ah – disse o presidente. – Entendo o que você quer dizer. Bem, sente-se, deputado, sente-se. Preciso de algum tempo para pensar. Enquanto isso mostre-me esse truque da multiplicação de novo. Deixe ver se eu consigo pegar o macete. O programador Shuman não tentou apressar o assunto. Loesser era conservador, muito conservador, e gostava de lidar com os computadores da mesma forma como seu pai e seu avo. Mesmo assim, ele controlava o monopólio de computadores do oeste europeu; se conseguisse entusiasmá-lo com o Projeto Número, um passo muito grande seria dado.

Mas Loesser continuava com um pé atrás

– Não sei se gosto da idéia de afrouxarmos as nossas rédeas sobre os computadores. A mente humana é uma coisa caprichosa. O computador sempre nos dará a mesma resposta para o mesmo problema. Qual a garantia que temos de que com a mente humana será assim?

– A mente humana, Loesser, apenas manipula os fatos. Não importa se a mente humana ou a máquina faz isso. Elas são apenas instrumentos.

– Sim, sim. Acompanhei sua engenhosa demonstração de que a mente humana pode imitar o computador, mas isso me parece um pouco vago. Aceito a teoria, mas que razão n6s temos para achar que a teoria será confirmada na prática?

– Acho que temos uma razão, senhor. Afinal de contas, os computadores não existiram sempre. O homem das cavernas, com suas trirremes, machados de pedra e estradas de ferro, não tinha computadores .

– E provavelmente não sabia calcular.

– Você sabe muito bem que sim. Até a construção de uma estrada de ferro ou de um zigurate requeria algum tipo de cálculo, e, como nós sabemos, isso foi feito sem computadores.

– Você está sugerindo que eles calculavam da mesma maneira que você me mostrou?

– Provavelmente não. Afinal de contas, esse método, que, a propósito, chamamos de “grafítico”, da velha palavra européia graphos, que quer dizer “escrita”… esse método foi desenvolvido a partir dos próprios computadores, portanto não pode ter sido usado pelos primitivos. Ainda assim, o homem das cavernas deve ter tido algum método, não?

– Artes perdidas! Se você está falando de artes perdidas…

– Não, não é isso. Não sou um entusiasta das artes perdidas, embora não afirme que não exista nenhuma. Afinal, o homem comia cereais antes de aprender a fazer culturas hidropônicas, e se os primitivos comiam cereais, eles deviam cultivá-los no solo. De que outra forma poderiam ter conseguido?

– Não sei, mas só acreditarei em terra cultivada quando vir algum grão crescer no chão. Também só acreditarei que se faz fogo esfregando uma pedra na outra no dia em que me mostrarem que isso é possível.

Shuman tentou ser conciliador.

– Bem, vamos nos ater aos graníticos. Isto tudo faz parte do processo de eterificação. O transporte por meio de pesados equipamentos está sendo substituído por transferência direta de massa. Os instrumentos de comunicação se tornam cada vez mais leves e mais eficientes. Por causa disso, compare seu computador de bolso com aquelas engenhocas pesadas de mil anos atrás. Então, por que não dar também o Ultimo e definitivo passo, e abolir os computadores? Vamos, senhor, o Projeto Número é inevitável; ele está progredindo rapidamente. Mas queremos sua ajuda. Se o patriotismo não for suficiente para engajá-lo, pense na aventura intelectual que está em jogo.

– Que progresso? – disse Loesser com ceticismo. – O que você pode fazer além de multiplicar? Pode integrar uma operação transcendental?

– Dentro em breve, senhor, Dentro em breve. No mês passado, aprendi a dividir. Posso determinar, e corretamente, quocientes inteiros e quocientes decimais.

– Quocientes decimais? De quantas casas?

O programador Shuman tentou manter um tom natural.

– Qualquer número!

Loesser ficou de queixo caído.

– Sem um computador?

– Faça um problema.

– Divida vinte e sete por treze. Em seis casas.

Cinco minutos depois, Shuman disse:

– Dois, vírgula, zero sete meia nove dois três.

Loesser conferiu.

– Isso é realmente fantástico. A multiplicação não me impressionou muito porque, afinal, isso envolvia números inteiros e acho que uma hábil manipulação pode conseguir isso. Mas decimais…

– E isso não é tudo. Há uma nova pesquisa em curso que até agora é ultra-secreta e que, falando sinceramente, não posso revelar. Mesmo assim… estamos perto de aprender a fazer uma raiz quadrada.

– Raiz quadrada?

– Ainda tem algumas coisas pendentes e não conseguimos acertar na mosca, mas o técnico Aub, o homem que inventou essa ciência e que tem uma incrível sensibilidade para a coisa, assegura que está prestes a resolver o problema. E ele é apenas um técnico. Um homem como o senhor, um matemático talentoso e tarimbado, não encontraria tanta dificuldade.

– Raiz quadrada – resmungou Loesser, encantado.

– Raiz cúbica também. E então? Está conosco?

Loesser levantou a mão rapidamente.

– Pode contar comigo.

O general Weider marchava de um lado para o outro da sala e se dirigia aos ouvintes à sua frente como se fosse um professor ranzinza diante de uma turma de estudantes indóceis. Pouco lhe importava se eram os cientistas civis que coordenavam o Projeto Número. O general era um líder em todos os lugares e assim se comportava em todos os momentos de sua vida.

– Nenhum problema com as raízes quadradas, então – disse ele. – Eu mesmo não sei como fazê-las, mas já estão concluídas. Mesmo assim, não vamos interromper o projeto só porque já solucionamos os problemas que alguns de vocês consideram essenciais. Vocês podem fazer o que quiserem com os grafíticos depois que a guerra acabar, mas, nesse exato momento, temos problemas específicos que precisam ser solucionados.

Num canto distante, o técnico Aub ouvia aflito. É claro que há muito tempo deixara de ser um técnico, tendo sido dispensado de suas tarefas e convocado a participar do projeto, com um título pomposo e um ótimo salário. Mas é claro que as diferenças sociais permaneciam e os líderes científicos, altamente classificados, jamais o aceitariam em seu meio ou o tratariam em pé de igualdade.

E Aub tampouco desejava isso. Sentia-se tão incomodado entre eles como eles se sentiam incomodados na sua presença.

– Nós só temos uma meta, cavalheiros – estava dizendo o general. – Substituir os computadores. Uma nave que possa viajar pelo espaço sem um computador a bordo pode ser construída em um quinto de tempo e por um décimo dos custos de uma nave computadorizada. Poderíamos ter frotas especiais cinco ou dez vezes maiores do que as de Deneb se eliminássemos os computadores. E até vejo mais além disso. Talvez agora pareça loucura ou um simples sonho. Mas no futuro eu posso ver mísseis tripulados .

Houve um instantâneo murmúrio por parte da platéia.

O general prosseguiu:

– No momento, nosso problema principal é que a inteligência dos mísseis é limitada. O computador que os controla não pode alterar o rumo programado e, por essa razão, eles sempre acabam sendo detidos por antimísseis. Poucos mísseis, se é que algum consegue chegar a seu objetivo, e a guerra de mísseis está prestes a acabar; felizmente, tanto para o inimigo, como para nós.
Por outro lado, um míssil com um ou dois homens dentro, controlando o vôo com graníticos, seria mais leve, mais ágil e mais inteligente. Isso nos daria uma vantagem que pode significar a vitória. Além disso, cavalheiros, as necessidades da guerra nos obrigam a lembrar de uma coisa. Um homem é mais descartável do que um computador. Mísseis tripulados podem ser lançados em maior número e sob circunstâncias que nenhum general empreenderia se usasse mísseis computadorizados.

Ele discorreu sobre muito mais coisas, mas o técnico Aub não esperou. O técnico Aub, na intimidade dos seus aposentos, elaborou cuidadosamente sua carta de despedida. Ela dizia o que se segue: “Quando comecei a estudar o que agora chamam de graníticos, isso não passava de um passatempo. Nada mais do que um agradável passatempo, um exercício para a cabeça.

Quando o Projeto Número começou, achava que as pessoas fossem mais esclarecidas do que eu e que os graníticos poderiam ser usados para ajudar a humanidade, apoiando a modernização dos instrumentos necessários à transferência de massas. Mas agora vejo que ele só será usado para a morte e a destruição.

Não posso suportar a responsabilidade de ter inventado os grafíticos.

Depois, virou contra si o foco do despolarizador de proteínas e morreu instantaneamente.
Eles se reuniram em torno do túmulo do pequeno técnico para prestar-lhe honra por sua notável descoberta.

O programador Shuman fez uma reverência com a cabeça, junto com os outros, mas continuou imóvel. O técnico tinha dado sua contribuição e não era mais necessário. Ele podia ter começado os graníticos, mas agora que o projeto já estava em andamento, iria se desenvolver automaticamente até triunfar, tornando os mísseis tripulados uma realidade, juntamente com tantas outras coisas.

Nove vezes sete, pensou Shuman com orgulho, sessenta e três. Não precisava mais que um computador lhe dissesse isso. Sua própria cabeça era um computador. E isso lhe dava uma fantástica sensação de poder.

Fonte:

ASIMOV, Isaac. Sonhos de Robô. Rio de Janeiro, Ed. Record, 1991. p. 320/330
http://sobral.tripod.com/poder/poder.html

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Isaac Asimov (As Leis da Robótica)

As Leis da Robótica foram criadas por Isaac Asimov, e primeiramente existiam apenas 3Leis, mas depois elas foram ampliadas para 4. As Leis da Robótica são:

Lei Zero (criada posteriormente, por um robô que a intuiu no romance “Os Robôs e o Império”): Um robô não pode causar mal a humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal, nem permitir que ela própria o faça.

Primeira Lei: Um robô não pode ferir um ser humano ou, por omissão, permitir que um ser humano sofra algum mal.

Segunda Lei: Um robô deve obedecer às ordens que lhe sejam dadas por seres humanos, exceto nos casos que em tais ordens contrariem a Primeira Lei.

Terceira Lei: Um robô deve proteger sua própria existência, desde que tal proteção não entre em conflito com a Primeira e a Segunda Lei.

Curiosidades

A expressão robô não é de Asimov. Apareceu em 1920, na obra de teatro de Karel Capek R.U.R. Robôs Universais de Rossum, ainda que a palavra em si se deve ao seu irmão Joseph, já que “robô é trabalhador”. Apesar de tudo que se acreditava, na obra de teatro não é um robô, e sim um andróide. Em troca, inventou-se a expressão robótica, ou seja, a ciência que estuda os robôs.

Apesar de ser um autor de muito êxito, Isaac Asimov também teve fracassos; talvez o maior deles fosse a revista Asimov’s SF Adventure Magazine, que iniciou sua publicação no ano de 1978, e terminou-a no mês seguinte, ou seja, publicou só um número.

Asimov sempre demonstrou preocupação com o dinheiro. A obra pela qual recebeu menos foi “O sentido secreto”, pela qual lhe pagaram pouco, mas também foi a qual pagaram mais por palavra: 2,50 $, já que o editor afirmava que só havia comprado-a pelo seu nome: Isaac Asimov.

Outra de suas manias era não desperdiçar nada. Se um relato era desprezado por um editor, Asimov o apresentava a outro. Em uma edição do ano de 1955, “O Plano dos 1000 anos” foi renomeado para “Fundação”.

Apesar da crença de algumas pessoas, Asimov não foi o escritor mais produtivo da história. Quem tem o recorde é Josef Ignacy Kraszewski, um escritor do século XIX, que escreveu mais de 600 livros.

Entre outros cargos, Asimov foi vice-presidente do Club Mensa, uma associação cujos sócios tem que superar certas provas de inteligência para serem admitidos.

Asimov sofria de acrofobia, medo de altura. Só voou em dois aviões em toda a sua vida, e as viagens de barco também não eram seu forte, ele enjoava com muita facilidade. Nesta acrofobia muitos viram certo paralelismo com a agorofobia, que faz sofrer os habitantes da Terra nas novelas iniciais do Ciclo de Trantor.

Asimov odiava ver seu nome escrito errado. Esse foi um dos seus motivos para escrever, em 1957, o relato: “Meu nome se escreve com S”. Os erros mais notáveis foram produzidos nas etapas da revista Galáxia, de Novembro de 1952; e no Prêmio Nebula, outorgado por O homem bicentenário, em 1976.

Mesmo tendo nascido no seio de uma família judia, e conhecendo bem a Bíblia, Asimov escreveu “Guia de Asimov sobre a Bíblia”, e “A história de Ruth”. Asimov era ateu; se considerava um humanista, ou seja, acreditava que os avanços da Humanidade eram responsabilidade dos humanos, e não de seres sobrenaturais.

A idéia da novela Viagem Fantástica não é original de Asimov. Foi escrita baseada em um guia cinematográfico escrito por Otto Klement e Jay L. Biby, e Asimov escreveu tão rápido que o livro apareceu seis meses antes da estréia do filme. Asimov nunca esteve contente com este trabalho. Na dedicatória do livro, ele colocou: “a Mark e Márcia, que me ‘obrigaram’ a escrever este livro”. Asimov tentou corrigir algumas falhas do guia original, mas apesar da oportunidade de escrever sobre anatomia e fisiologia, motivo que no começo o atraiu, ele nunca considerou essa obra um trabalho próprio.

A Companhia de Robôs e Homens Mecânicos dos Estados Unidos, mais conhecida como U.S. Robôs implanta a todos os robôs positrônicos as Três Leis da Robótica, que regem seu comportamento.”

Quando Asimov desenhou os robôs positrônicos criou três leis para proteger o homem, e permitir sua aceitação, salvando-os do chamado Complexo de Frankenstein. Diversos especialistas opinam que se algum dia chegarem a criar seres metálicos desta complexidade, sem dúvida eles levarão implícitas essas normas ou algumas regras de comportamento equivalentes, a fim de superar o medo que podem gerar os robôs. A intuição de Asimov sobre o futuro pode ir desde buscar água no espaço até a cirurgia microcelular.

Os Robôs

Os robôs têm estrutura cerebral positrônica, formada por circuitos semicondutores, que transmitem as informações processadas na placa mãe, feita de silício, aos equipamentos responsáveis pelas funções do robô. Sua estrutura é atômica, de ferro, e não molecular como as estruturas orgânicas. Os robôs não morrem, simplesmente podem ser destruídos por um ser humano sem relutarem. A maioria dos robôs são feitos para uma função específica, mas existe uma minoria que é composta de um cérebro positrônico mais bem elaborado, podendo desenvolver várias atividades, inclusive apresentando criatividade nessas atividades.

O papel social dos Robôs

O robô foi desenvolvido para servir e proteger o homem. Todo robô é por natureza escravo. Se o robô for versátil, apresentando uma logística menos automática, ele tem condições de se tornar livre. Porém, mesmo livre, o robô está sujeito a obedecer aos 3 mandamentos da robótica, tendo sido essa a sua condição inicial de existência e a primeira informação armazenada em sua memória. Se o robô não cumpre com competência os deveres para os quais foi designado, ele deve ser substituído.

Vantagens dos robôs
– O robô apresenta uma inteligência superior a de qualquer ser humano.
– O robô pode executar qualquer tarefa que lhe for dada, e dependendo de sua placa positrônica, pode executar apenas uma tarefa com perfeição incontestável.
– O robô não morre naturalmente, somente nas mãos do homem.
– Um robô de cérebro positrônico complexo e em boas condições pode mudar de corpo mecânico, quando o seu estiver em mau estado.
– O robô, além de extremamente inteligente também é muito forte, podendo essa força durar intacta até 25 anos em uma mesma estrutura mecânica.

Desvantagens dos robôs
– Os robôs são eternos escravos do homem.
– Mesmo os robôs mais complexos têm de cumprir os 3 mandamentos, pois foram programados para isso.
– A vida do robô está na mão do ser humano, de preferência o seu proprietário.
– Os robôs não têm sentimentos e a maioria não apresenta pensamento criativo.
– Os robôs são discriminados em razão do medo que a raça humana tem deles.
– Um robô pode ser facilmente reconhecido e vítima de preconceito em razão da sua estrutura de ferro.
– Mesmo quando é livre, e seu corpo apresenta estrutura biológica, o robô não pode ser considerado um homem, e sim um andróide, por causa de seu cérebro positrônico.
– Se o robô modificar a estrutura do seu cérebro positrônico para a estrutura de um cérebro biológico, ele fica vulnerável e morre facilmente.

Utilidades dos robôs
– Tarefas domésticas simples.
– Indústrias.
– Pesquisas científicas.
– Exploração espacial.
– Testes nucleares.

Tipos de robôs

Comuns – são aqueles que realizam uma tarefa específica com perfeição.
Versáteis – são aqueles que têm uma estrutura cerebral positrônica complexa, podendo fazer diversas tarefas com perfeição, chegando até a apresentar alguma criatividade.
Andróides – são os robôs versáteis em uma estrutura biológica comum.

Isaac Asimov é conhecido por suas histórias de robôs, seres dotados com cérebros positrônicos, que os conduzem a situações inesperadas e surpreendentes.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_Asimov
Império de Isaac Asimov. Disponível em
http://anglopor8a09.vilabol.uol. com.br/index.htm

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Isaac Asimov (Alguns de Seus Livros)

Eu, Robô – O Livro e o Filme

O Livro foi lançado em 1950.
O Filme estreou em 2004.

Em um cenário futurista surge o detetive Del Spooner (Will Smith) e logo percebemos que algo o incomoda no ambiente que o envolve: robôs dividem espaços com seres humanos nas ruas daquela cidade, se encarregando das chamadas tarefas mais pesadas do dia a dia social – são lixeiros, entregadores, trabalhadores domésticos.

Spooner é um policial atormentado por um trauma recente que amplifica sua desconfiança em relação aos robôs. Para ele, a qualquer momento uma dessas máquinas irá comprovar sua tese de que não se pode confiar em robôs. Para todas as outras pessoas, essa é uma tese paranóica, já que todos os humanóides (robôs com forma similar à humana) saem das linhas de produção da poderosa companhia U.S. Robots programados com as três leis da robótica:

Este é o código criado pelo cientista Alfred Lanning (James Cromwell) que, segundo a garantia da U.S. Robots e a crença geral da população, determina total proteção contra a famosa “síndrome de Frankenstein”, pela qual a criatura tende a voltar-se contra seu criador.

É nesse ambiente que se passa Eu, Robô, superprodução dos estúdios da Fox norte-americana inspirada em um livro de contos homônimo do escritor russo-americano Isaac Asimov (1920-1992, criador original das chamadas leis da robótica) que chega às telas brasileiras nesta quinta-feira, 5 de agosto. O filme explora as possíveis contradições que podem subverter a razão das leis da robótica e que permitam que os robôs venham a se transformar em uma ameaça à humanidade.

Eu, Robô – dirigido por Alex Proyas (de Cidade das Sombras e O Corvo) – trabalha seu roteiro passando da discussão filosófica sobre a possibilidade de o ser humano criar uma máquina que possa desenvolver inteligência suficiente para tornar-se completamente autônoma para a ação policial tão cara à produções cinematográficas de Hollywood.

A trama (desde sua origem, nos contos de Asimov, e também no próprio roteiro do filme, de Jeff Vintar e Akiva Goldsman) traz elementos que são referências de histórias que alimentam o universo da cultura ocidental como: Frankenstein (a criatura que se volta contra o criador) e Pinóquio (a criatura que quer ser gente) na literatura; Blade Runner (a luta pela sobrevivência dos andróides e a procura por seu criador), 2001 – Uma Odisséia no Espaço (a máquina que assume o controle em lugar do homem) e Inteligência Artificial (a humanização de um andróide), no cinema; e outras até mais prosaicas, como a série de TV Ciborg (que retrata o implante de próteses biônicas em um ser humano) e o desenho animado Os Jetsons (quem não se recorda da arrumadeira da família, com seu corpo de metal vestindo avental e touca de doméstica?).

Evidente que como toda boa superprodução dos Estados Unidos, um herói (Spooner) – que em um primeiro momento é considerado um outsider – vai se defrontar com dramas provocados pelo inesperado (não para ele), onde o desenvolvimento da inteligência artificial foge ao controle do criador, a ponto de essa “consciência eletrônica” poder reinterpretar da forma que lhe parece mais adequada as regras estabelecidas nas leis da robótica.

Os efeitos especiais são um capítulo à parte. Mas como a excelência nesta área vem estabelecendo novos parâmetros a cada produção desde o primeiro episódio da série Matrix, esses efeitos acabam sendo diluídos na trama de forma a serem praticamente acessórios. É claro que sem o uso desses efeitos, a trama pareceria muito menos verossímil. Vale lembrar ainda que o robô que se torna centro da trama, Sonny, é representado pelo ator Alan Tudyk, sobre cuja atuação é montada uma “maquiagem eletrônica” para que o exemplar se encaixe no desenho padrão dos modelos NS-5 (Assistente Doméstico Automático) produzidos pela U.S. Robots.

Durante a trama, é interessante observar a evolução de Sonny, um robô “único”, desenhado e criado pelo doutor Alfred Lanning – principal pesquisador e um dos fundadores da U.S. Robots – para ser especial. Ele demonstra emoções, sentimentos e tem a capacidade especial de sonhar (capacidade que vai até se transformar em um dom premonitório, como se verá ao final do filme).

ROBBIE
Destaques para Robbie, publicado originalmente com o título “Strange Playfellow”, a primeira história sobre robôs escrita por Asimov, na qual as Três Leis da Robótica são explicitamente apresentadas pela primeira vez.

– George, eu disse! Quer largar esse jornal e olhar para mim?
O jornal caiu ao chão e Weston virou o rosto cansado para fitar a mulher.
– O que é, querida?
– Você sabe o que é, George. Trata-se de Glória e daquela máquina terrível.
– Que máquina terrível?
– Ora, não finja que não sabe de que estou falando. É aquele robô que Glória chama de Robbie. Ele não a deixa por um só instante.
– Bem, por que haveria de deixar? Não deve deixá-la. E, certamente, não é uma máquina terrível. É o melhor robô que se pode comprar e pode ter absoluta certeza de que me custou meio ano de ordenado. Valeu a pena, porém; ele é muito mais inteligente do que a metade de meus empregados do escritório.
Fez menção de pegar novamente o jornal, mas sua esposa foi mais rápida, apanhando-o primeiro. – Escute, George. Não admito que minha filha seja entregue a uma máquina… e não me interessa o quanto ela seja inteligente. Não tem alma. Ninguém sabe o que pode estar pensando. Uma criança não foi feita para ser guardada por um objeto de metal.
Weston franziu a testa.
– Desde quando você decidiu isso? Há dois anos que ele está com Glória e só agora você se preocupa.
– No início, era diferente. Uma novidade; tirava-me uma carga dos ombros e… era uma coisa elegante. Mas agora, não sei… Os vizinhos…
– Ora, o que têm os vizinhos a ver com o assunto? Ouça: pode-se ter infinitamente mais confiança em um robô do que em uma ama-seca humana. Na realidade Robbie foi construído exclusivamente com uma finalidade: fazer companhia a uma criança pequena. Toda a sua “mentalidade” foi criada com esse único objetivo. Ele não pode deixar de ser fiel, carinhoso e bom. É uma máquina – feita assim. O que é bem mais do que pode dizer a respeito dos seres humanos.
– Mas poderia acontecer algo errado. Algum… algum… – a Sra. Weston era um tanto ignorante a respeito dos órgãos internos de um robô – … alguma pecinha poderá soltar-se e aquela coisa horrível ficar maluca e… e…
Interrompeu-se, não conseguindo dizer em voz alta um pensamento tão óbvio.
– Tolice – negou Weston, com um involuntário estremecimento nervoso. –Isso é completamente ridículo. Na época em que compramos Robbie, tivemos uma longa conversa sobre a Primeira Lei da Robótica. Você sabe que é impossível a um robô fazer mal a um ser humano; que muito antes de acontecer o bastante para alterar a Primeira Lei, o robô se tornaria completamente inoperante. Trata-se de uma impossibilidade matemática. Além disso, eu chamo um engenheiro da U.S. Robôs duas vezes por ano e ele faz uma revisão completa no pobre aparelho. Ora, não há maior possibilidade de acontecer algo errado com Robbie do que eu ou você ficarmos birutas de uma hora para outra. Na verdade, as probabilidades são consideravelmente menores, e além disso, como é que você vai tirá-lo de Glória?
Fez um novo gesto inútil para apoderar-se do jornal, mas a mulher atirou raivosamente o Times para a outra sala.
– É justamente isso, George! Ela não brinca com mais ninguém. Há dúzias de meninos e meninas com quem poderia fazer amizade, mas ela se recusa. Nem mesmo chega perto deles, a menos que eu a obrigue. Uma menina não deve crescer assim. Você quer que ela seja normal, não quer? Quer que ela seja capaz de representar o seu papel na sociedade.
– Você está com medo de fantasma, Grace. Finja que Robbie é um cachorro. Já vi centenas de crianças que gostam mais de um cachorro do que do próprio pai.
– Um cachorro é diferente, George. Precisamos livrar-nos daquela coisa horrível! Você pode vendê-lo de volta à companhia. Já indaguei a respeito e sei que pode.
– Indagou? Ora, escute aqui, Grace, não vamos bancar idiotas. Ficaremos com o robô até Glória crescer um pouco mais, e não quero que se volte a tocar no assunto.
E saiu da sala, amuado.

O Homem Bicentenário
Lançamento 1976

Isaac Asimov considera esta novela a melhor história de robô que ele escreveu até hoje e “comparável aos meus maiores êxitos em qualquer outro gênero literário”. Os críticos também concordam com esta opinião. Destinada a figurar em uma antologia que publicou em 1976 para festejar o segundo século da independência dos Estados Unidos, Asimov partiu do título para, aos poucos, criar os pormenores da trama. Estava combinado para 7.500 palavras, mas o autor se deixou empolgar e acabou tendo o dobro. O homem bicentenário, de forma premonitória, toca em problemas que certamente já se colocam nos altos escalões da pesquisa científica. Aqui, Andrew, o robô perfeito, extremamente inteligente, angustiantemente persegue as fragilidades humanas e se torna personagem desta que é uma obra-prima da ficção científica.

Despertar dos Deuses
Lançamento 1972

Que peripécias viverá a humanidade no futuro? Num mundo que sobreviveu a tremenda crise ecológica e que tem fome de energia? Quais os problemas que enfrentará? Do contato da Terra com um desconhecido Universo paralelo surgem terríveis enigmas imprevistos. Como evitar a catástrofe, que virá com a subversão das leis da natureza, se, contra a estupidez humana, os próprios deuses disputam em vão?

Da Terra, à beira da tragédia, somos levados por Isaac Asimov ao estranho e misterioso Universo paralelo, onde seres dotados de inteligência se conduzem de acordo com um padrão de vida completamente estranho ao nosso. E dali somos transferidos ao mundo Selenita, com a sua colônia humana já estabelecida e já desenvolvendo novas formas de convivência social. A essas situações fascinantes se acrescenta a emoção das paixões conflitantes de personagens inesquecíveis desenhados com invulgar maestria literária. Protagonistas de episódios cuja sucessão alucinante não esconde uma meditação profunda, em verdade projetada no futuro a partir da experiência crucial de nossa era.

Fim da Eternidade

Lançamento 1955

Qual seria a nossa atitude se descobríssemos que nossa individualidade como seres humanos poderia ser totalmente anulada por um sistema social maior, dominado pela máquina? E qual seria a atitude sensata e válida a ser tomada se tivéssemos que escolher entre a nossa existência, tal como a desejamos, e a continuidade do mundo de que dependemos, mas que é contrário às nossas aspirações?

Eternidade é uma organização dedicada a cuidar da humanidade, que se move em um tempo paralelo, medindo o tempo em séculos, pulando de um século a outro, entrando e saindo de nosso tempo real, para efetuar microtrocas (TMN: Troca Mínima Necessária, que provoca o RMD: Resultado Máximo Desejado) que suavizem o curso dos acontecimentos e criem o bem total. O processamento de pequenas mudanças no Tempo era a forma ideal de se recuperar o equilíbrio perdido.

Para isso escolhe-se uma das infinitas realidades possíveis, e faz-se os ajustes para que esta produza, mas a escolha do consenso sempre é uma escolha que elimina o extraordinário, que cria proteção e segurança à espécie humana, etc…, e por sua vez elimina as genialidades que provocam saltos na ciência humana.

Eternidade se estende pelos séculos dos séculos de forma infinita, e há uma série de séculos, que vão do ano 70.000 ao 150.000.

Esta é uma das melhores novelas de Asimov. O protagonista é Andrew Harlan, um executor encarregado de realizar as trocas que modificarão a realidade.

Asimov nos descreve uma sociedade estruturada, encarregada de dirigir os destinos da humanidade, e uma força em desacordo com o sistema instaurado que pretende mudar definitivamente essa organização, eliminando a Eternidade.

Viagem Fantástica
Lançamento 1966

O Doutor Benes, científico especialista em miniaturização, vai ao lado ocidental. Resolve o Princípio da Incerteza, pelo que diz: “quanto mais se reduz um objeto, menos tempo se permanece”. Eles – é assim como chamam os Soviéticos –, atentam contra sua vida. Um carro lançado choca contra o carro de Benes; quando o transportam à base, provoca-lhe um coágulo no cérebro, e a única forma de eliminá-lo é desde dentro do cérebro. As Forças Dissuasórias de Miniaturização Combinada (FDMC) bolam um plano para salvá-lo. Miniaturizarão um submarino com cinco tripulantes, o introduzirão em sua corrente sangüínea através da artéria carótida, subirão ao cérebro, eliminarão o coágulo e serão extraídos depois – aparentemente muito simples.

A crítica internacional é unânime em considerar Viagem Fantástica uma das melhores novelas de ficção científica jamais escritas. A densidade da ação mantém um clima de suspense constante e, pela primeira vez, alguém concebeu uma viagem onde o ambiente é o corpo humano.

As possibilidades infinitas da ciência moderna e o clima de otimismo que cercam as constantes descobertas parecem ultrapassar todas as barreiras do possível.

Tripulação
Pete Lawrence Duval – neurocirurgião.
Cora Peterson – ajudante do Doutor Duval.
Max Michels – especialista em circulação sanguínea e cartógrafo da nave.
Capitão Wiliam Owens – piloto do submarino.
Charlie Grant – agente do serviço secreto, herói e chefe da expedição.

Enigmas dos Viúvos Negros
Lançamento 1990

Enigmas dos Viúvos Negros é uma coletânea de doze histórias de mistério, escrita por Isaac Asimov, sobre as aventuras pelos caminhos do raciocínio de sete intelectuais, que formam o Clube dos Viúvos Negros. Uma vez por mês esses aventureiros cerebrais se encontram para jantar, conversar e solucionar enigmas, tudo isso regado a bons vinhos, no Restaurante Milano, onde são sempre servidos por Henry, cuja habilidade vai bem além da de um mero garçom.

Os Viúvos Negros recebem um convidado em cada um desses jantares que, depois da refeição, é submetido a uma bateria de perguntas sobre o modo como justifica sua existência. Mas o convidado quase sempre está enfrentando algum tipo de dificuldade, ou tem um problema que não consegue resolver, ou ainda está envolvido num mistério.

Em Enigmas dos Viúvos Negros, traições, desaparecimentos e mistérios são o prato principal de cada novo jantar.

Nêmesis
Lançamento 1989

Nêmesis não faz parte do Ciclo de Trantor. É um livro que também trata da conquista do Universo, mas não tem nada à ver nem com o Império, nem com os Robôs.

O ano é 2236. A Terra e suas cem colônias espaciais estão superpovoadas, decadentes, ultrapassadas. À dois anos-luz de distância, escondida por uma nuvem de poeira, está Nêmesis, a estrela mais próxima do Sol, em torno da qual gira o planeta Megas, com o satélite natural Eritro e o artificial Rotor.
Quando Nêmesis foi descoberta, os rotorianos a consideraram como a última esperança da raça humana, ponto de partida para uma nova civilização. E foi sob a liderança do comissário Janus Pitt, homem de forte personalidade, que eles viajaram secretamente para o sistema nemético com o objetivo de fundar uma sociedade mais forte, mais pura e mais organizada que aquela que haviam deixado para trás.

Mas Marlene, uma jovem rotoriana dotada de uma incomum habilidade de interpretar, pelos indícios do corpo, as mais bem guardadas emoções humanas, descobre que a promissora estrela é, na verdade, uma terrível ameaça para a Terra. Pitt está a par de todo o segredo, mas se recusa a prevenir os terráqueos; e Marlene sabe que se não agir rápido, o desastre será inevitável.

O cair da noite
Lançamento 1969

No planeta Kalgash sempre é de dia. Seus seis sóis – Onos, Trey, Petru, Dovim, Tano e Shita – fazem com que o céu esteja sempre azul. Essa falta de escuridão provoca aos habitantes de Kalgash a Síndrome da Escuridão, pânico de não ter luz.

Os protagonistas da história são Siferra 89, uma arqueóloga da Universidade de Saro, que descobre debaixo das ruínas do que se supõe ser um assentamento antigo, restos de cidades; Beenay 25, astrônomo que descobre um erro na Teoria da Gravitação Universal de Athor 77, seu mestre, já que os sóis não seguem as órbitas previstas. Talvez por haver um sétimo Sol?

Mondior 71, sumo sacerdote e Folum 66, sua voz, líderes dos Apóstolos da Chama, predizem que depois de um Ano de Graça, 2049 anos de Kalgash, os deuses comprovarão a bondade da humanidade, e se não passarem na prova, destruirão a Terra, enviando Chamas Celestiais. Segundo o Livro das Revelações, isso acontecerá logo; concretamente em 19 de theptar. Thermon 762 é um periodista do diário Crônica que investigará a notícia do Fim do Mundo. Mas, o que aconteceria se a Escuridão chegasse a Kalgash?

Fundação
Lançamento 1975

A trilogia Fundação mostra a evolução de uma crise histórica num imenso Império Galáctico humano. O homem povoa os planetas da Galáxia, a capital localizada em Trantor, centro de todas as intrigas, símbolo da decadência imperial. Graças à psicohistória, uma ciência que estuda os fatos históricos à luz da matemática, Hari Seldon prevê o desaparecimento do Império e o retorno à barbárie. Tem então a idéia de criar duas Fundações situadas em cada extremo da Galáxia, para reduzir o tempo de barbárie a um milênio.

Seldon acaba sendo detido e julgado como traidor, entretanto consegue convencer seus juízes de que deseja apenas preservar o saber do Império através de uma fundação enciclopédica. A partir de então começa a trama real da história que se entrelaça de tal forma que prende o leitor até suas últimas páginas.

Fundação, talvez um dos livros mais conhecidos da ficção científica, está formado realmente por cinco histórias, que narram o início da andadura do planeta Terminus, onde se inicia o projeto da Fundação para acordar o período de barbárie, que continuará com a queda do Primeiro Império Galáctico.

1º : Os psicohistoriadores

A chegada de Gaal Dornick a Trantor, matemático convidado por Hari Seldon para colaborar no projeto da psicohistória, permite explicar a Asimov o projeto da Fundação, como o estabelecimento de uma Fundação em um planeta distante permitirá reduzir o período de anarquia entre a queda inevitável do Primeiro Império e a chegada do Segundo Império.

2º: Os enciclopedistas

Estabelecidos já em Terminus, e transcorridos 50 anos, os membros do projeto Fundação chegam à primeira crise de Seldon. As crises poderiam definir-se como momentos de tensão, por motivos internos ou externos, que habitualmente exigem uma mudança ou uma ação. Além disso, toda crise tem um prego para sustentá-la e levar a Fundação na direção adequada. Aparece a figura de Salvor Hardin, um dos primeiros alcaides de Terminus, que encontra a solução para a crise.

3º: Os alcaides

Terminus estendeu sua influência mediante uma combinação de religião amparada baixo a superioridade científica. Anacreonte, um dos planetas mais próximos, tenta dominar Terminus, ou seja, é uma crise exterior resolvida pelo alcaide Salvor Hardin.

4º: Os comerciantes

A Fundação continua estendendo-se pela Galáxia, com uma combinação de comércio e religião, mas começam a surgir as dificuldades. Assim requere-se uma nova mudança, que como todas as mudanças produz resistência.

5º: Os príncipes comerciantes

A influência de Terminus foi aumentando. Começa a abandonar-se a religião, e o comércio é o meio de conseguir o poder e dominar o resto do Universo.

Segunda Fundação

Formada por dois relatos. Com personagens diferentes, ambas se centralizam no mesmo: a busca da Segunda Fundação para sua eliminação.

O Mulo inicia a busca

O Mulo convertido no Primeiro Cidadão da União de Mundos não abandonou sua intenção inicial de localizar a Segunda Fundação; estendeu rapidamente seu domínio pela Galáxia, mas continua temendo a única força que realmente pode vencê-lo: a Segunda Fundação. Aqui nos relatam o encontro entre essas duas forças.

A busca da Fundação

O Mulo envelheceu e morreu. Voltaram ao poder os governantes da Primeira Fundação, encontrando-se com um Império maior, mas a Primeira Fundação não abandonou seu plano de localizar e destruir a Segunda Fundação. Por outro lado, a subida ao poder do Mulo demonstrou que a Fundação não é invencível e Kalgan declara-lhes guerra.

Fundação II
Lançamento 1982

A Primeira Fundação conservou e depois propagou as ciências físicas; a outra, a Segunda Fundação, oculta aos olhos de todos – secreta mesmo –, controlava cada vez mais o desenvolvimento psicohistórico da Galáxia, rumo ao Segundo Império, com o auxílio do domínio da mente – a ciência mental. Mas a psicohistória é uma ciência estatística – e a margem de erro acabou aparecendo.

Um mutante, o Mulo, surgiu do nada, com poderes mentais numa Galáxia que não os tinha, exceto pela clandestina Segunda Fundação. Os exércitos desistiam de combatê-lo e se tornavam submissos.

A Primeira Fundação, que aos poucos ia substituindo e reconstruindo o Império, foi desbaratada. O Plano de Seldon voltou a ser apenas um sonho teórico. Por uma mulher, Bayta Darell e pela Segunda Fundação, o Mulo foi detido. Mas, com este movimento, a Primeira Fundação descobriu a existência da Segunda, e seus membros, fortemente independentes, imperialistas e individualistas, não querem uma Galáxia controlada por marioneteiros telepáticos; destruíram tudo que puderam descobrir da Segunda Fundação. Passados quase 500 anos depois do estabelecimento da Primeira Fundação, parece que nada a impedirá de fundar o Segundo Império Galáctico… Nada?

A Fundação e a Terra
Lançamento 1986

Golan Trevize, Conselheiro da Primeira Fundação, vê-se diante de uma tarefa assustadora: decidir qual será o futuro da Galáxia. Rejeitando a possibilidade de um Império Galáctico baseado na tecnologia da Primeira Fundação e também a de um Império baseado nos poderes mentais da Segunda Fundação, Trevize escolhe Gaia. O planeta Gaia é um super organismo, um aglomerado de seres que encontra sua força na unidade mental. Se toda a Humanidade se fundir com Gaia, o resultado será um supra-superorganismo dedicado ao bem comum, uma entidade que Trevize chama de Galáxia Viva.

Qual, porém, a razão pela qual Trevize foi levado a optar por Gaia em vez de uma das Fundações? Estará relacionada de alguma forma à história do planeta de origem da raça humana, que os antigos chamavam de Terra? Trevize não descansará enquanto não conhecer a resposta. Descobrindo que todas as informações a respeito da Terra desapareceram misteriosamente da Biblioteca Galáctica de Trantor, parte de Gaia em busca do planeta “perdido”. Enquanto ele e seus companheiros, o historiador Janov Pelorat e a linda mulher de Gaia, chamada Bliss, viajam de planeta em planeta, enfrentam uma odisséia da qual depende o destino do Império… e da própria Humanidade.

Prelúdio da Fundação
Lançamento 1988

O ano é 12.020 da Era Galáctica e Cleon I ocupa o instável trono imperial em Trantor, capital do Império Galáctico. Quarenta bilhões de pessoas compõem uma civilização de imensa complexidade tecnológica e cultural, formando uma malha de relações tão intricadamente tecida que a retirada de um único fio pode desfazer toda essa estrutura complexa. O imperador está inquieto, pois sabe que há muitas pessoas interessadas em sua queda e que a única saída para continuar detendo o controle do Império está nas mãos de um jovem matemático…

Ao desembarcar em Trantor, o heliconiano Hari Seldon, protagonista da história, não tem a menor consciência das conspirações políticas em curso. Mas, ao apresentar na Convenção Decenal uma monografia sobre a psicohistória, sua notável teoria da previsão, ele sela seu destino e determina o futuro da humanidade. Tendo em mãos o poder profético tão ambicionado pelo imperador, o matemático se transforma de uma hora para a outra, no homem mais procurado do Império.

Seldon vê-se obrigado a fugir, e a lutar desesperadamente para evitar que sua teoria caia em mãos erradas, enquanto forja sua poderosa arma para o futuro: uma força que se tornará conhecida

Crônicas da Fundação
Lançamento 1993

Aos 21 anos, Isaac Asimov começou a escrever sua série da Fundação, sem ter ainda consciência de que aquela obra viria a ser considerada uma pedra angular da Ficção Científica. Quase cinco décadas se passaram até que ele viesse a concluir o brilhante épico. Crônicas da Fundação, escrito pouco antes de sua morte, é o último e inesquecível presente do mestre à sua legião de admiradores.

Em uma narrativa fascinante de perigo, intriga e suspense, Asimov relata a segunda metade da vida do herói Hari Seldon em sua luta para aperfeiçoar a revolucionária teoria da psicohistória e firmar o meio através do qual estaria assegurada a sobrevivência da humanidade: a Fundação. Afinal, ele e seu fiel bando de seguidores sabem que o poderoso Império Galáctico está se desmoronando e sua inevitável destruição irá devastar toda a Galáxia…

A Fundação e o Império
Este livro está formado por dois relatos; o primeiro nos apresenta as últimas coletâneas do Império, que, mesmo em decadência, mantém um poder formidável contra uma Fundação que começa a se estender pela Galáxia.

O General

Um general forte e inteligente tenta dominar os planetas que se separaram do Império, pondo Terminus contra eles. Por sorte contavam com “a mão morta de Seldon”, que lhes ajuda a resolver a crise.
O mulo
Aqui o protagonista é um mutante com poderes mentais que permitem-lhe dominar mentes alheias. Ele consegue tomar o poder, um fato que não está previsto na psicohistória, que só pode prever mudanças sociais produzidas por massas humanas, e não atuações individuais. A crise prevista era de relação entre o centro e a periferia da Fundação.

O Mulo toma o poder em Terminus e, detectando um segundo poder mental, dedica-se a buscar a Segunda Fundação, que encarrega-se de velar pelo bom funcionamento do plano. Com um científico da Primeira Fundação – Ebiling Mis –, este descobre a situação da Segunda Fundação.

Poeira de Estrelas
Lançamento 1951

A narrativa inicia-se numa Terra ainda radioativa e insalubre. A época refere-se a um período primitivo da expansão do Império Galáctico, quando apenas 50 mundos constituem a sua unidade.
Em Poeira de Estrelas, Isaac Asimov se lança no fascinante e misterioso espaço cósmico, confundindo ficção e realidade futura, numa antecipação do que a era em que vivemos já denuncia para os cientistas e tecnólogos de hoje.

As correntes do Espaço
Lançamento 1952

A humanidade disseminou-se em alguns milhares de mundos habitáveis, formando-se pequenos reinados que lutam entre si. O planeta Florina, baixo o domínio de Sark, é um desses mundos, mas também tem um problema: seu Sol vai explodir e o único homem que sabe disso perdeu a memória.

Alguns habitantes de Florina trabalham para Sark recolhendo o Kirt, um “algodão” extremamente duro e resistente, usado para fins industriais ou para artículos de luxo. Isso converte Florina numa peça desejada também por Trantor, que evoluiu da República Trantoriana à Confederação Trantoriana e agora é o Império Trantoriano, e está próximo de formar o Império Galáctico.

Florina vem a ser o único lugar onde se obtém o Kirt, pois não se consegue duplicar sua qualidade em nenhum outro planeta, por isso suportam-se certos abusos por parte de Sark, a fim de garantir o comércio.

Os robôs
Lançamento 1957

O planeta Solaria poderia eliminar a Terra e transformá-la em duas partes iguais, e provavelmente o faria. Solaria era poderosa e ávida de poder.

Mais de duzentos anos se passaram para que desenvolvesse a arma derradeira – um maciço exército de robôs que poderia destruir a Terra e governar o Universo em questão de dias. Mas, em vista dos fatos, isto teria que esperar.

Um dos mais eminentes cientistas de Solaria foi encontrado brutalmente assassinado e só um Terrestre, Elijah Baley, poderia desvendar o desconcertante e sombrio mistério. E assim, mesmo contrariados, os Solarianos pediram o auxílio de um Terrestre.

Os Robôs do Amanhecer
Lançamento 1983

O protagonista é Elijah Baley. No planeta do amanhecer, robôs e seres humanos coexistem pacificamente até que o robô Jander é “assassinado”, ou melhor, desativado, em Aurora. Jander era um andróide, um robô de formas humanas – uma das mais sofisticadas e avançadas manifestações de inteligência artificial jamais concebidas.

Só um homem no planeta teria os meios, o motivo e a oportunidade de cometer o crime: Hans Fastolfe.

Hans contrata Elijah Baley para provar que ele não é o criminoso, o que faz Elijah ir ao Planeta Aurora.
A importância dessa inocência, é que o professor Fastolfe defende a liberdade de todos os humanos, para estender-se pela Galáxia, frente à oposição do doutor Kelden Amadiro, que quer que só os Espaciais possam conquistar o Universo e impedir que os terrestres saiam da Terra.

Armado unicamente de seu instinto, sua às vezes estranha lógica e as três imutáveis Leis da Robótica, Baley dispõe-se a revelar o mistério…
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Fontes:
Império de Isaac Asimov. Disponível em
http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=4682

Império de Isaac Asimov. Disponível em http://anglopor8a09.vilabol.uol.%20com.br/index.htm

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Isaac Asimov (Seus Personagens – Curiosidades)

Hari Seldon
Hari Seldon nasceu em Helicon, setor de Arturo, em 11988 do Império Galáctico – o mesmo ano que o imperador Cleon I – ou se preferirem em 79 antes da E.F. (Era Fundacional). Seu pai era um cultivador de tabaco em plantas hidropônicas; licenciou-se em Matemática, e em Helicon começa a desenhar a teoria da psicohistória. Podemos definir a psicohistória como o ramo da Matemática que se ocupa das reações de conglomerações humanas ante determinados estímulos sociais e econômicos.

No ano de 12020 chega a Trantor, onde expõe suas idéias no Congresso de Matemáticos, o que faz com que certas forças se fixem nele, e ele tem que fugir por Trantor, o que lhe ajuda a compreender a diversidade humana e que voltará com uma esposa, Dors Venabili; um filho, Raych; e um amigo, Yugo Amaryl, graças aos esforços do qual, se fixaram nas bases da psicohistória.

Tornou-se professor do Departamento de Matemática da Universidade de Streling, aonde chegou a diretor, e no ano 12028 foi nomeado Primeiro Ministro do Império, cargo que ocupou até o assassinato de Cleon I, em 12038, devido à uma conspiração.

Voltou à Universidade, onde pôde dedicar-se à psicohistória e à família, especialmente à sua neta Wanda, que demonstrou algumas qualidades excepcionais que permitiram a aceleração do projeto da Fundação, com o fim de que o período de barbárie, que transcorria entre a queda inevitável do Primeiro Império e a chegada do Segundo Império, diminuísse de 30.000 anos à somente 1.000 anos.

Nos últimos anos de sua vida percebeu claramente a decadência do Primeiro Império Galáctico, o que se fez eco, e ele acabou ficando conhecido como “corvo” Seldon.

Faleceu no ano 12069 em Trantor; sozinho, mas com a tranqüilidade de saber que tanto a Primeira Fundação, em Terminus, como a Segunda, no oposto extremo da galáxia, seguiriam seu caminho e facilitariam a chegada do Segundo Império.

U.S. Robôs

A U.S. Robôs é a companhia proprietária das patentes do cérebro positrônico, que permite a criação dos robôs positrônicos, o que, na prática, lhe dá um total monopólio na criação de robôs.

Se falarmos da U.S. Robôs temos que falar de Susan Calvin. Nascida nos Estados Unidos, não se casou nem teve filhos. Há quem diz que seus filhos eram seus robôs, especialmente Lenny. Durante toda a sua vida foi robopsicológa; começou muito jovem, sua primeira tese foi “Aspectos práticos da robótica”. Seu trabalho consistia em cuidar da parte psicológica dos cérebros positrônicos, e do funcionamento correto das Três Leis da Robótica. Dada a sua experiência, ocupou-se da maioria dos problemas que surgiam na operatividade dos robôs.

Defensora dos robôs, nos que via reflexadas todas as virtudes, era a teórica da U.S, assim como Mike Powell e George Donovan eram os comprovadores de campo, e os primeiros em viajar pelo espaço sideral. Conhecida por seu caráter frio, muitos achavam que amava mais os robôs do que os seus congêneres humanos.

Apesar de toda a sua apartação à ciência e a necessidade de robôs para a conquista espacial, a companhia criada por Robertson sempre teve o problema do desprezo pelos seres mecânicos.

Andrew Martin

A história de Andrew Martin é excepcional em muitos aspectos. Durante toda a sua vida ele procurou ser reconhecido como alguém comum. Começou sendo mordomo, depois artista, comprou sua liberdade e se dedicou à história dos robôs, sendo depois especialista neles.

Pleiteou durante décadas com o governo a fim de obter este reconhecimento, que obteve próximo a sua morte. Quando faleceu, mesmo que muitos dissessem que ele havia se suicidado, ele conseguiu morrer como um ser livre.

R. Daneel Olivaw

O Robô Daneel Olivaw teve uma longa existência. Criado pelo doutor Hans Fastolfe, no início da conquista espacial, trabalhou junto ao detetive de polícia Elijah Baley na solução de diversos casos, foi um ator determinante na emigração da humanidade ao espaço, e influenciou decisivamente em Baley para promover a segunda emigração ao espaço, até o ponto de um planeta ter o seu nome.

Graças a sua intuição e as capacidades mentais que o robô Giskard Reventlov transmitiu-lhe, pôde estabelecer a Lei Zero nas Três Leis da Robótica, o que permitiu-lhe interferir de forma ativa no curso da humanidade sem estar preso às Três Leis.

Chegou à Primeiro Ministro do Império, na época de Cleon I, conhecendo Hari Seldon, a quem ajudou e influenciou, para que desenvolvesse a psicohistória com uma finalidade prática, a fim de diminuir o tempo do caos da passagem do Primeiro ao Segundo Império.

Criou alternativas à caminho da Fundação, e foi para a Lua, a fim de influenciar o menos possível os acontecimentos, já que continuava afetado pelas Três Leis da Robótica. Os últimos dados de que se dispõe indicam que tinha mais de 20.000 anos.

OBRAS LEVADAS AO CINEMA E À TELEVISÃO

O homem bicentenário foi estreado em Dezembro de 1999. Baseado na novela O homem bicentenário, nos relata a vida de Andrew Martin, o robô que quer ser humano.

Em 1995 rodou-se na TV “The android affaire”, baseado em uma história de Asimov e dirigido por Richard Kleter.

“O cair da noite” foi levado ao cinema em 1988 e dirigido por Paul Mayersberg, e o personagem de Aton está interpretado por David Birney. O cair da noite é uma das melhores novelas de Asimov, que transcorre em um planeta em que nunca se põe o Sol, a verdade é que ele tem cinco sóis. Baseado na novela “Bodas de aço”, e titulada “Robôs”, foi dirigida em 1988 por Doug Smith e Kim Takal, com Elijah Baley interpretado por Stephen Rowe e Brent Barrett no papel de R. Daneel.

“O pequeno menino feio”, filho do tempo, titulado originalmente “O menino feio” foi produzido para a televisão em 1979.

“Mentiroso”, um relato da série “Eu, robô”, com o título “O robô mentiroso”, foi produzido na Espanha em 1966, e dirigido por Antonio de Lara.

“As cavernas de Aço” foi dirigido para a TV em 1964, seguindo a novela “Bodas de Aço” com um bom elenco de atores.

“Eu, robô”, foi levado ao cinema em 2004, tendo Will Smith ( como o Detetive Spooner) e Alan Tudyk (o robô Sonny).

Colaborações e atuações

Isaac Asimov também colaborou em outros filmes como assessor e roteirista. Em “Anos Luz” ocupou-se da revisão da tradução inglesa.

Uma de suas colaborações mais conhecidas foi em “Star Trek: O filme”, com qualidade de consultor especial científico. Dirigida em 1979 por Robert Wise, e com William Shatner como Almirante e Capitão James T. Kirk e Leonard Nimoy no clássico papel de Comandante Spock.

Atuou em “O Magnífico Major” – de 1977 -, série de televisão dirigida por Nick de Noia, como artista convidado. Estreou o filme “Lance Preto”, que tem certa inspiração na novela “O cair da noite”.
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Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Isaac_Asimov
Império de Isaac Asimov. Disponível em
http://anglopor8a09.vilabol.uol. com.br/index.htm

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Marion Zimmer Bradley (1930 – 1999)

Marion Eleanor Zimmer Bradley (3 de Junho de 1930 – 25 de Setembro de 1999) foi uma escritora norte-americana de novelas sobre fantasia e ficção científica, tais como As Brumas de Avalon e a série Darkover.

Biografia
Nasceu em Albany, um subúrbio de Nova Iorque, em junho de 1930. No auge da grande depressão econômica, seus pais eram muito pobres, impossibilitados, portanto, de oferecer-lhe uma educação esmerada. Teve que começar a trabalhar muito cedo, chegando a ser garçonete e faxineira. Ao completar dezesseis anos, ganhou uma máquina de escrever da mãe. Marion com o presente oferecido pela mãe começou a escrever histórias. No início, para sobreviver, sujeitou-se a produzir uma série de romances sensacionalistas.

Nos anos cinquenta, era aquilo a que se chama uma “escritora de sucesso fácil”, vendia histórias de sexo e de mistério a revistas de grande tiragem, para sustentar marido e filhos. Na década seguinte, dedicou-se à produção de romances góticos para poder tirar um curso universitário. As suas histórias de ficção científica do ciclo Darkover ( um planeta onde os seres humanos, ao contacto com os alienígenas, adquirem poderes extrapsíquicos) continuam a ter numerosos admiradores. Com As Brumas de Avalon, e a sua permanência de três meses na lista dos “bestesellers” do New York Times, Marion tornou-se uma escritora de prestígio e uma das mais lidas no mundo inteiro . Prosseguiu na mesma senda com Presságio de Fogo (1987) (lançado no Brasil com o título de “Incêndio de Tróia”), onde reescreve a guerra de Tróia de uma perspectiva feminista. Regressa ao universo mítico da Bretanha druídica, desta vez, em confronto com o Império Romano com A Casa da Floresta (1983).

Em 1985, Marion Bradley lançou um novo livro, especialmente destinado ao público infantil. Muitos, no entanto, consideraram o livro uma obra adulta, e possivelmente imprópria para crianças: “A filha da Noite”, baseado na ópera “A flauta mágica”, de Mozart.Deixou mais de meia centena de livros.

Entre seus livros mais famosos estão As Brumas de Avalon, Presságio de Fogo/Incêndio de Tróia, A Casa da Floresta e a série Darkover.

Marion Zimmer Bradley foi casada duas vezes e teve dois filhos. Morava em Berkeley, na Califórnia. Muito de sua notoriedade também se deve ao apoio que deu à comunidade de ficção científica americana.

Obras
Ciclo Darkover
A Chegada em Darkover (Darkover Landfall)
Num futuro distante, a humanidade começa a explorar e colonizar novos mundos. Uma nave que ia em direção a um desses planetas, sofre um acidente e acaba pousando em Darkover, um planeta que não teria sido escolhido para ser colonizado, pois era frio demais, e alem disso abrigava espécies inteligentes, embora não civilizadas. Sem ter como voltar ao espaço, nem como se comunicar, a expedição é dada como perdida pela terra. Mas muitos sobreviveram a queda, e pretendem reparar a nave e prosseguir viagem. Entretanto, eles não estavam preparados para o vento fantasma…

A Rainha da Tempestade (Stormqueen)
Na era do caos, um período de confusão e terrivel tirania em Darkover, o planeta do sol vermelho, antes da chegada da primeira expedição da terra, nasce uma criança num dominio das montanhas que seria conhecida como Rainha da Tempestade.

A Dama do Falcão (Hawkmistress)
Este livro conta a história de Emmily MacAran. No tempo dos Cem Reinos, quando uma sangrenta guerra civil assolava Darkover, uma jovem saiu de casa sozinha, rompendo com a familia e renunciando a sua herança, porque desejava ser ela própria, não o que o pai ou um marido determinassem. Passando por um rapaz, e aproveitando-se de suas habilidades como mestre falcoeiro, uma profissão vedada as mulheres, ela se junta ao exercito de Elahim, que está unificando o planeta.

Dois para Conquistar (Two To Conquer)
É a história de Bard di Asturien, um soldado proscrito e ambicioso, e de seu adversário, Varzil o bom, que lutava para estabelecer o pacto. Também é a história de Paul Harrell, um homem da distante terra, que era um sósia do inimigo de Varzil.

Os Herdeiros de Hammerfel (Heirs Of Hammerfell)
Imagem da terrivel rivalidade entre dois reinos Darkover, relatada no momento em que um deles, ao incendiar o castelo inimigo e matar seu rei, obriga a rainha a fugir com seus filhos gemeos ainda bebes. Os gêmeos são separados na confusão, e um deles é criado pela mãe, em Thendara, e o outro é criado por um dos antigos empregados, na propriedade.

A Corrente Partida (Shattered Chain)
O livro conta a historia de Jaelle, uma mulher que habitava uma das cidades secas do planeta Darkover Onde as mulheres são forçadas a mais absoluta submissão. Jaelle no entanto foge para se tornar uma amazona, livre, selvagem e guerreira.

A Espada Encantada (Spell Sword)
Continuacao da Historia de Darkover, Contando o Trecho Relativo a Espada Magica de Dom Esteban, que Possui no Cabo uma Pedra da Estrela Atraves da Qual a Habilidade de Esteban Podia ser Transmitida a Qualquer um que a Empunhe.
Quando o avião do terráqueo Andrew Carr cai durante uma missão de mapeamento e exploração, ele é contatado mentalmente por Calista, filha de Dom Esteban, que está prisioneira dos homens-Gato. Andrew então se junta a Damon, que empunha a espada de Dom Esteban, e os dois se propõe a resgatar Calista.

A Colina das Bruxas
A Colina das Bruxas (Witch Hill) é uma obra literária, escrita por Marion Zimmer Bradley, que fala da história de uma jovem que se chama Sara Latimer. Após perder a sua família de forma trágica, Sara descobre que é a única herdeira de uma mansão na Nova Inglaterra.

A história começa com a morte do seu irmão na Guerra, a sua mãe estando enfraquecida pela doença quando soube da noticia “morreu de desgosto”, tendo sido os dois funerais ao mesmo tempo, deixando Sara e o seu pai abalados pelas perdas. A caminho de casa com o seu pai num carro funerário, e ele explica-lhe a razão pela qual se chama Sara. Ela se chama Sara por causa de uma tia dele que lhe tinha rogado uma praga e, antes que pudesse falar-lhe mais sobre sua tia, ocorre um acidente onde o seu pai morre, ficando Sara sem família e só.

Ao regressar finalmente para casa, Sara recebe uma carta onde dizia ter recebido uma herança de uma tia-avó. Sendo essa herança uma mansão na Nova Inglaterra numa aldeia chamada Witch Hill (Colina das Bruxas), Sara não hesitou ,pois precisava de dinheiro para concluir os estudos pois queria ser ilustradora de livros infantis e caso não lhe agradá-se a mansão ficaria com dinheiro suficiente para viver bem sem grandes esforços.

A caminho de Witch Hill Sara conhece um homem – que era o médico local – numa mercearia em que parou para comprar mantimentos e este percebendo que ela não tinha transporte e nem conhecia o caminho ofereceu-lhe boleia. Sara convidou o homem a entrar, pois a casa era grande e sara estava com receio de a percorrer sozinha. A primeira coisa que Sara vê quando entra na casa é um grande quadro com a primeira Sara Latimer pintada, e ela se assusta pois ela sente-se como se estivesse a ver ao espelho uma vez que elas eram quase iguais. Ao entrar no quarto da tia-avó interessa-se por uns frascos que estavam num tocador, ela ao abrir um dos frascos espalha-se pelo ar um aroma provocante que revela o lado erótico de ambos, passando os dois uma noite fogosa. De Manhã, ao acordar, Sara despede-se do médico que estava deixando-a para ir ao trabalho, prometendo-lhe voltar mais tarde.

Ao dirigir-se á janela constatou que tinha um cemitério da família no jardim, enquanto ela constatava esse facto, tocaram-lhe á campainha, Sara ao abrir a porta vê que é o seu vizinho, o vizinho que tem tomado conta da casa nos últimos 7 anos, o vizinho rapidamente se prontifica apresentar-lhe toda a sua nova propriedade. Sara ao caminhar com ele vai até uma antiga igreja do rito. Sara ao entrar na igreja sente uma estranha sensação de hipnose onde praticamente deixa de ter controlo sobre as suas acções e envolve-se sexualmente com o seu vizinho, sendo tratada pelo vizinho de forma brusca de tal modo que fica com nódoas negras no seu corpo frágil. Sara sem perceber realmente os motivos que a tinham levado a cometer tal loucura, regressa a casa confusa com a situação, quando entra em casa repara num álbum de família com a respectiva árvore genealógica e repara também que de 50 em 50 anos existe sempre uma Sara Latimer e que têm sempre mortes horríveis, ou foram apedrejadas, ou enforcadas ou ate mesmo comidas por cães.

Sara começa a sentir uma estranha sensação, em que começa a ter aos poucos pedaços de memórias de outras alturas de outras épocas. Nesse dia apareceu em sua casa um pequeno Gato o qual denominou Barnabás.

Aos poucos Sara começa a conhecer a povoação da aldeia e parece que todos sabem quem ela é devido as suas parecenças com a tia, sendo ela constantemente abordada pelo vizinho até que é convidada para a uma sessão de bruxaria que recusa, mas mais tarde uma das suas amigas locais oferece-lhe um bolo que desconhecendo contém algo que a faz Sara adormecer.

Sara acorda a meio de um ritual de bruxas e sem perceber se estava a delirar, ou não, vê bruxas a voar em vassouras e autênticas orgias com muitos habitantes da aldeia que nunca pensara serem bruxos. Sara nesse ritual descobre que a sua tia e o vizinho eram os líderes de todo o clã, continuando sem saber como, nem porque, acorda mais uma vez em sua casa junto ao seu gato Barnabé. Sara assustada tenta fugir da aldeia mas é atacada por um corvo que não a deixa apanhar o autocarro. Sendo impedida de sair da aldeia sara telefona ao médico para ir ter com ela pois sentia-se só e assustada e também estava preocupada , pois desconfiava que estava grávida do médico ou do seu vizinho que a violara durante o ritual de bruxas.

Sara depois de falar com o seu vizinho sobre as suas duvidas de estar ou não grávida, o vizinho tranqüilizou-a pois disse-lhe que nenhuma bruxa havia saído grávida de nenhum ritual que não fosse especifico para acasalamento.

No final da obra Sara apercebe-se que o seu calmo e inofensivo gato era na realidade sua tia-avó, que a andava a vigiar. Depois de perceber tal facto, Sara tem uma conversa com a sua tia-avó, onde lhe conta a sua insatisfação por ser bruxa e diz-lhe que não quer que esse seja o seu futuro, a sua tia compreende os factos e reconhece que sara não nasceu para ser uma bruxa , deixando-a partir com o médico para fora da aldeia.

AS BRUMAS DE AVALON

Os livros “A Queda de Atlântida: A Teia da Luz e A Teia das Trevas”, “Os Ancestrais de Avalon”, “Os Corvos de Avalon”, “A Casa da Floresta”, “A Senhora de Avalon”, “A Sacerdotisa de Avalon” e “As Brumas de Avalon” são melhor compreendidos se lidos na ordem apresentada.

Na seqüência apresentada, cada livro completa o outro, criando uma mitologia da criação de Avalon, através da reencarnação de personagens importantes, desde da Atlântida até a época do Rei Artur.

As Brumas de Avalon é ambientada durante a vida do Lendário Rei Arthur e seus cavaleiros de forma fantástica. Traz a ótica feminina e é fascinante; os detalhes que envolveram as verdadeiras protagonistas de toda a trama, o objetivo cobiçado pelas Damas de Avalon, são de tal espécie singulares, que todo o universo mítico é repensado, reestruturado.

A obra foi dividida pela autora em quatro momentos (ou tomos). Na versão americana, encontramos todos os volumes num único livro. O romance, além de narrar cerca de 70 anos ou mais (inicia-se anterior ao nascimento de Morgana e narra fatos dela já em idade bem avançada),explora fatos históricos preenchendo as lacunas ignoradas sobre a influência do paganismo e das mulheres na formação da Bretanha.

São estas as divisões:
A Senhora da Magia
A Grande Rainha
O Gamo Rei
O Prisioneiro da Árvore

Relacionados a esta obra, temos Queda de Atlântida (volume I e II), e Ancestrais de Avalon (póstumo e encerrado por sua colega), Casa da Floresta, Senhora de Avalon, Sacerdotisa de Avalon, Brumas de Avalon. No entanto, não foram desenvolvidos linearmente pela autora.

Como o leitor de Brumas de Avalon pode notar, Viviane, Morgaine, Kevin -O Bardo, Mordred, Igraine e Uther já se encontraram em outra vida; o primeiro encontro se dá em Queda de Atlântida e estende-se por Ancestrais de Avalon, com a chegada dos atlantes à Bretanha.

Micail e Tiriki, príncipe e princesa, sacerdote e sacerdotisa da última ilha desaparecida, são separados durante uma fuga. Micail e seu primo, o príncipe Tjalan, têm sucesso em chegar ao destino planejado, um entreposto comercial nas Hespérides (as Ilhas Britânicas), onde Tjalan não perde tempo em assumir o controle. Ele sonha em dar continuidade às tradições de Atlântida e fundar um glorioso novo império – quer as tribos locais queiram ou não. Micail e os outros sacerdotes se dedicam a realizar uma antiga profecia que diz que construirão um grande templo nessa nova terra; o templo irá tornar-se Stonehenge.

A adorada esposa de Micail, Tiriki, também chega às Hespérides, mas, desviado de sua rota por uma tempestade, seu navio aporta na costa errada. Ela e o velho sacerdote Chedan lideram um pequeno grupo de sobreviventes na formação de uma nova comunidade em harmonia com a população do Tor sagrado (Glastonbury). Depois que os dois grupos tomam conhecimento da existência um do outro, o conflito é inevitáve

Em Casa da Floresta, novamente alguns personagens se cruzam em papéis diferentes. Um romance que se passa nos tempos míticos da Bretanha druídica, em confronto com o Império Romano e relata a história de amor proibido vivida entre dois jovens de culturas diferentes, Eilan e Gaius, uma sacerdotisa bretã e um romano que contrariaram as aspirações de seu povo ao assumirem seus sentimentos.

O volume de Senhora de Avalon conta com uma extensão de Casa da Floresta, tendo aí uma visão mais aprofundada da vida na comunidade de Avalon, temos um salto na segunda história para a expansão do domínio romano na Bretanha (que segue-se no livro Sacerdotisa), fechando na terceira história o passado de Viviane, o que dá gancho para as Brumas.

O romance Sacerdotisa de Avalon, explora a lenda de Santa Helena, mãe de Constantino, primeiro imperador romano (que tinha pais pagãos) e a escolha política da nova religião para o império. São livros independentes entre si, mas o bom leitor sente as ligações e compreende a complexidade narrativa desta autora famosa pela série Darkover, que segue esta linha de desenvolvimento.

Narra a história de Eilan, mais tarde conhecida como Helena a mãe do imperador Constantino.

Eilan é filha de uma suma sacerdotisa de Avalon com um prícipe romano, passa os primeiros anos de sua vida sendo criada pelo pai, pois sua mãe morreu em Avalon após seu nascimento. Mais tarde ela mandada novamente para Avalon para conhecer os mistérios de uma sacerdotisa.

Num Beltane ela ludibria a suma sacerdotisa, sua tia, e passa a noite com um militar romano, Constantius. Ela é expulsa de Avalon, e então sua vida no império romano tem início.

Tem seu filho, Constantino, após um parto que quase lhe arranca a vida. Esse filho que dará muita glória, mas também muita dor.

A parte romana que o livro narra é real. É a história de Santa Helena. A que encontrou o Santo Sepulcro. É a história do Imperador Constantino, um dos alicérces da Igreja Católica, hoje.

A Senhora da Magia

O romance não se detém meramente em narrar os fatos políticos e religiosos que se confrontam na Bretanha. Mais que isso, Marion – famosa por suas histórias que descobrem o véu do universo feminino – mostra toda a força e complexidade dos atos e escolhas das mulheres (ignoradas na História das Civilizações)- abre portas na lenda da Excalibur em que se encontram o misticismo da origem da espada, ritos pagãos que foram sufocados pela cristianização, a importância das uniões políticas entre os povos e o resultado da submissão ou não das mulheres frente aos homens.

Neste volume temos os fatos que servirão de fundo para o romance:
• o papel da mulher, importância e conseqüência dos casamentos arranjados
• o choque de culturas e poderio dos sexos
• como eram realizadas as sucessões de trono
• o ritualismo pagão para a ascensão do novo rei
• o simbolismo por trás de entrega da sagrada espada
• a ascensão de Arthur ao trono, após a morte de Uther
• Morgana concebe um filho de Arthur.

A Grande Rainha

No segundo volume, há um amadurecimento das personagens, já enfrentando as conseqüências de suas escolhas. Dentre os acontecimentos importantes, temos:
• Morgaine vai para a corte de Morgause, agora já rainha em outra região por união política
• nascimento de Mordred
• a escolha por meio de dote da noiva do rei
• o começo da formação dos cavaleiros da Távola Redonda
• as cobranças sobre uma mulher para a existência de um herdeiro
• o isolamento de Morgana

O Gamo Rei

No penúltimo volume, desta série revolucionária, alguns temas tristes serão abordados, mortes de alguns personagens chave mudam o sentido da história, levando a ferida aberta por traições, injúrias, incesto e assassinatos à uma infecção sem remédio.

Todo o reino será abalado, sua estabilidade ameaçada e seu Rei desacreditado.

Trata-se de uma historia em que no primeiro capitulo fala da vida das personagens e algumas sao apresentadas…

O Prisioneiro da Árvore

Visto que Artur deixa de lado os costumes antigos, traindo assim a confiança do povo antigo da ilha, Morgana deseja retomar para Avalon o que havia sido oferecido mediante o juramento na Ilha do Dragão, no volume I. Para isso, encontra em Acolon, seu jovem enteado criado nos costumes antigos, um apoio para uma tentativa de retornar aos velhos preceitos.

Kevin, sucessor de Taliesin, é acusado de traição por ceder a Artur os símbolos sagrados (como o Graal) para uma nova interpretação cristã, com intuito que não fossem assim esquecidos, já que não acreditava mais na possibilidade de um retorno aos costumes antigos. A punição por sua traição vem pelas mãos de Nimue, uma filha de Lancelet que foi levada por Morgaine a Avalon e se tornou sacerdotisa.

Gwenhwyfar é flagrada por cavaleiros da Távola cometendo adultério com Lancelet, e ambos fogem do reino. A sucessora de Viviane é morta acidentalmente por Mordred. Avalon fica sem uma Senhora do Lago. Mordred, agora homem feito, enfrenta o pai.

O desfecho da lenda do Rei Arthur é conhecido, mas a interpretação feita por Marion Z. Bradley reserva muitas surpresas e detalhes – Como pode-se observar desde o início do livro.

Localização

Segundo o livro, Avalon se localiza ao sul da Bretanha, atual Inglaterra, que era uma província do Império Romano. Vários autores citam a atual cidade de Glastonbury como sendo a ilha sagrada. Avalon era conhecida também como o País do Verão.

É nesse ambiente fictício que, por volta do século V, passa-se a história do lendário Rei que teria papel fundamental na Bretanha, no momento em que o paganismo estava começando a perder terreno para o cristianismo.

Fonte:
http://pt.wikipedia.com/

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Poul Anderson (1926 – 2001)

Poul William Anderson (Bristol, Pensilvânia, 25 de Novembro de 1926 – Orlinda, Califórnia, 31 de Julho de 2001) foi um escritor norte-americano da Era Dourada da ficção científica. Alguns dos seus primeiros contos foram publicados sob o pseudónimo de A. A. Craig, Michael Karageorge, e Winston P. Sanders. Foi, ainda, autor de diversas obras que se podem classificar como literatura fantástica, como na série King of Ys.

Filho de pais de origem dinamarquesa, formou-se em Física na Universidade de Minnesota, em 1948. Casou-se com Karen Kruse em 1953, de quem teve uma filha, Astrid (casada com o escritor de ficção científica Greg Bear).

Começou a escrever ficção científica em 1937, enquanto estava convalescente de uma doença. O seu primeiro conto, publicado na revista Astounding em Setembro de 1944, foi A matter of relativity. Em 1947 publicou a sua primeira obra de envergadura: Tomorrow’s children na mesma revista, mês de Março, com apenas 20 anos.

Em 1972 tornou-se o sexto presidente dos Escritores de Ficção Científica e Fantasia da América.
Foi também membro da “Swordsmen and Sorcerers’ Guild of America”, um grupo que unia em si várias correntes de autores, fundado na década de 1960 e cujas obras foram objecto de uma antologia organizada por Lin Carter (Flashing Swords!).

Foi, igualamente, membro da Society for Creative Anachronism.

Faleceu devido a uma forma rara de cancro da próstata.

Estilo
Mestre do estilo da Space Opera, Anderson é, provavelmente, mais conhecido pelas suas narrativas de aventuras onde personagens carismáticas se sucedem de forma graciosa ou que sucumbem de forma heróica. Foi, no entanto, também autor de obras de cariz mais tranquilo, menos extensas, e que caracterizam principalmente a fase final da sua obra. Contudo, Anderson sempre dedicou poucos esforços na análise psicológica das suas personagens.

Muita da sua ficção científica baseia-se firmemente em conceitos científicos razoavelmente rigorosos, aos quais se juntam algumas especulações improváveis, mas que se tornaram habituais nas narrativas do género, como viagens a uma velocidade superior à da luz. Uma das suas especialidades consistia em imaginar planetas com vida, diferentes da Terra, mas cientificamente plausíveis. Um dos mais famosos destes mundos é o que serve de palco a “The man Who Counts”, em que Anderson define um tamanho e composição para o mesmo que permitisse a vida de seres humanos em interacção com outros seres racionais, voadores, de modo a explorar as consequências de tal convivência. Outro tema frequente aborda a luta e evolução de um herói, geralmente ingénuo, naufragado num ambiente fisicamente hostil.

Em muitas histórias, Anderson comenta alguns temas sociais e políticos. Uma das suas primeiras narrativas, Un-man, Anderson contrapõe os “bons” – representados por agentes do Secretário Geral das Nações Unidas (UN) – que pretendem estabelecer um governo mundial (de forma semelhante às ideias defendidas por H. G. Wells na sua “História Universal”, aos “maus”, concretizados em grupos nacionalistas (entre os quais se encontram, principalmente, os norte-americanos) que pretendem preservar a todo o custo a sua soberania nacional. O título tem o significado duplo de “Homem da UN” bem como de “não-homem” – em referência às capacidades sobre-humanas com que aterrorizam os seus inimigos.

No anos seguintes, Anderson acabou por repudiar tal ideia. Uma reminiscência semi-humorística pode ser encontrada no início de Tau Zero — um futuro em que as nações mundiais encarregam a Suécia de velar pelo desarmamento global e acabam, assim, por se tornarem subservientes em relação ao governo do Império Sueco. Em Star Fox faz uma descrição desfavorável de um futuro grupo pacifista designado como “World Militants for Peace” (Militantes mundiais pela paz) onde expressa claramente a sua posição contra-corrente a respeito da Guerra do Vietname, então em curso, e que lhe valeu ser ignorado pelo mercado livreiro europeu (principalmente em França). Mais explícita é a opinião expressa em The Shield of Time, onde uma jovem norte-americana viajante-no-tempo retrocede da década de 1990 para os anos sessenta, não ficando propriamente entusiasta do espírito da época.

Anderson regressou por diversas vezes ao libertarismo (o que justificou em grande parte a atribuição do Prémio Prometheus à sua obra), bem como à imagem do líder de negócios como herói – cuja personagem-tipo será, com certeza, Nicholas van Rijn. Van Rijn está, contudo, bem longe do perfil de um executivo empresarial actual. De facto, assemelha-se mais aos mercadores aventureiros das Companhias Holandesas durante o século XVII. O leitor é poupado a quaisquer reuniões de gabinete e discussões de negócios, já que a acção decorre essencialmente nos limites espaciais do Universo conhecido.

No início da década de 1970, as suas obras, com fundo histórico, aparecem com nítidas influências das teorias de John K. Hord, defensor de que todos os impérios humanos seguem o mesmo padrão cíclico geral. O império “Terrano” presente nas suas histórias de espionagem protagonizadas por Dominic Flandry encaixa perfeitamente nestes conceitos.

A escritora Sandra Miesel (em 1978) argumentou, entretanto, que o tema que caracteriza o conjunto da obra de Anderson é a luta contra a entropia e a morte térmica do Universo – uma condição de uniformidade perfeita onde nada pode acontecer.

Nos conflitos ficcionais por ele descritos, quer em ambientes de ficção científica, quer num contexto fantástico, Anderson tenta quase sempre tornar acessíveis ao leitor os dois pontos de vista antagónicos, recusando qualquer forma de maniqueísmo. Mesmo quando se torna claro em que lado se posiciona o autor, os protagonistas do campo adverso raramente são descritos como vilões sem escrúpulos, mas como indivíduos íntegros no que diz respeito às suas convicções – tendo o leitor acesso aos seus pensamentos, sentimentos e motivações – mostrando dignidade humana quando são derrotados. Exemplos típicos podem ser encontrados em livros como The Winter of the World e The People of the Wind.

Em Star Fox estabelece-se uma relação de rivalidade respeitosa entre o herói, o pirata espacial Gunnar Heim, e o seu inimigo Cynbe — um “alien” excepcionalmente dotado e treinado desde jovem para compreender os seres humanos, inimigos da sua espécie, a ponto de ser ostracizado pelos seus próprios semelhantes. Na cena final, Cynbe desafia Heim para uma batalha espacial onde apenas um poderá sobreviver. Perante a aceitação de Heim, Cynbe agradece-lhe com as palavras “I thank you, my brother” (“obrigado, meu irmão”).

Muito da sua obra decorre no passado (como a sua Escandinávia ancestral) ou em mundos alternativos ou futuros que se assemelham ao passado, e aos quais junta alguns elementos mágico-maravilhosos. Tais mundos são apresentados frequentemente como superiores ao tedioso e sobre-civilizado mundo actual. Descrições notáveis e apologias deste ponto de vista podem encontrar-se no mundo pré-histórico de “The Long Remembering”, na sociedade medieval de The High Crusade, na quase-medieval de “No Truce with Kings”, e no indomado Júpiter de “Call me Joe” e Three Worlds to Conquer. Tratou a sedução do atavismo de várias formas: satiricamente em “Pact”, de forma crítica em “The Queen of Air and Darkness” (em Portugal: A Rainha do Ar e da Escuridão) e em The Night Face, bem como de forma trágica em “Goat Song”. Na mesma linha narrativa encontra-se a sua versão da lenda de Hrólf Kraki.

Um tema recorrente na escrita de Anderson é a subestimação dos “primitivos” por parte dos representantes das sociedades tecnologicamente avançadas, com consequências danosas para estes últimos. Em The High Crusade, os extraterrestres, que descem na Inglaterra medieval esperando uma fácil conquista, descobrem que não são imunes a armas tão rudimentares quanto espadas e flechas. Em “The Only Game in Town”, um guerreiro Mongol, ainda que ignorando que dois “mágicos” que conheceu são, de facto, viajantes-no-tempo vindos do futuro, rapidamente descobre as suas verdadeiras intenções e acaba por capturá-los com a lanterna eléctrica “mágica” por eles oferecida numa tentativa de o impressionar. Noutra história sobre viagens no tempo, The Shield of Time, um “polícia do tempo” do século XX, totalmente equipado com informação e tecnologia avançada é derrotado por um cavaleiro medieval e dificilmente escapa com vida.

A mesma história é também exemplo de um conflito trágico, outro dos temas recorrentes na obra de Anderson. O cavaleiro é uma personagem com traços positivos e empáticos a todos os níveis, tentando agir correctamente e de forma sincera, tendo em conta a sociedade e tempo a que pertence. Não é, de modo algum, culpa sua que as suas acções mudem o futuro para pior (já que não tem meios para o compreender), dando origem a um século XX ainda mais trágico que o que conhecemos. Assim, os protagonistas da Patrulha do Tempo (Time Patrol), ainda que simpatizando com o jovem cavaleiro e desejando-lhe o bem (a protagonista do sexo feminino chega mesmo a apaixonar-se) acaba por não ter outra opção senão entregá-lo à morte.

Em “The Pirate”, Trevelian Micah, pertencente ao Cordys (interstellar Coordination Service – Serviço de Coordenação interestelar) é obrigado pelo dever a negar um novo começo, num novo planeta, a um povo vitimado pela fome e pela pobreza, já que tal colonização destruiria por completo os vestígios dos seres civilizacionalmente superiores que aí tinham vivido e que haviam sido destruídos por uma supernova. Um tema semelhante, mas mais complexo, aparece em “Sister Planet”, onde cientistas descobrem uma forma de colonizar Vénus e, assim, dar nova esperança a uma terra sobrepovoada. Mas tal acção teria como efeito imediato o extermínio da civilização de um povo aquático recentemente descoberto – de modo que o herói descobre que não tem outro remédio para evitar o genocídio, senão o assassínio dos seus melhores amigos.

Em “Delenda Est”, o herói tem outro dilema semelhante. Devido à interferência de alguns “fora-da-lei” viajantes do tempo, Cartago consegue ganhar a Segunda Guerra Púnica e destruir Roma. Como resultado, origina-se um século XX “nem melhor nem pior, apenas completamente diferente”. O herói pode retroceder no tempo e restaurar a História Universal – e consequentemente a sua própria história familiar (e a nossa), tendo, contudo, de destruir o mundo que tomou o seu lugar, com tanto direito à existência quanto o actual.

Homenageando a paixão de Anderson pela antiguidade, o Ander-Saxon, um tipo de escrita constrangida composta por palavras exclusivamente de raiz germânica é assim nomeada, fazendo referência ao seu apelido.

Prêmios
Gandalf Grand Master (1978)
Prémio Hugo (por sete vezes)
Prémio em memória de John W. Campbell (2000)
Prémio Nebula (por três vezes)
Prémio Prometheus (por quatro vezes, incluindo um Prémio especial pelo conjunto da sua obra, em 2001)
SFWA Grand Master Nebula (1997)

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/

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Richard Matheson (1926)

Richard Burton Matheson (Allendale, 20 de Fevereiro de 1926) é um autor americano e roteirista, suas obras são principalmente dos gêneros fantasia, terror e ficção científica.
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Nascido em Allendale, New Jersey de pais imigrantes noruegueses, Matheson cresceu no Brooklyn e graduou-se na Brooklyn Technical School em 1943. Alistou-se e passou a Segunda Guerra Mundial como soldado de infantaria. Em 1949 obteve seu bacharelado em jornalismo na University of Missouri-Columbia e mudou-se para a California em 1951. Casou-se em 1952 e tem quatro filhos, três dos quais (Chris, Richard Christian, e Ali) são autores de ficção científica e roteiristas.

Seu primeiro conto, Born of Man and Woman (Nascido de homem e mulher), apareceu na Magazine of Fantasy and Science Fiction in 1950. Muitos de seus contos como Third from the Sun (1950), Deadline (1959) e Button, Button (1970) são roteiros simples com final surpriendente; outros como Trespass (1953), Being (1954) e Mute (1962) exploram os dilemas dos personagens em vinte ou trinta páginas. Alguns contos, como The Funeral (1955) e The Doll that Does Everything (1954) incluem humor satírico.

Outros, como The Test (1954) e Steel (1956, mais tarde adaptado para ser um episódio da série The Twilight Zone [Além da Imaginação]), retratam as lutas morais e físicas de pessoas comuns mais do que de personagens fantásticos como cientistas malucos e superheróis, em situações que são ao mesmo tempo futuristicas e cotidianas. Ainda outros como Mad House (1953), The Curious Child (1954) e o talvez mais famoso, Duel (1971) são contos de paranóia, nos quais o ambiente cotidiano se torna inexplicavelmente estranho e ameaçador.

Escreveu vários episódios para a série The Twilight Zone (Além da Imaginação), incluindo o famoso Nightmare at 20,000 Feet; adaptou as obras de Edgar Allan Poe para o filme The Devil Rides Out; e escreveu o primeiro trabalho para TV de Steven Spielberg, o filme Duel, a partir de um conto de sua autoria. Romances incluem The Shrinking Man (o filme levou o nome de The Incredible Shrinking Man, e um romance de ficção científica, Eu sou a Lenda, que foi filmado duas vezes com os títulos de The Last Man on Earth (1964) (br: Mortos que matam) com Vincent Price no papel principal e The Omega Man. (Uma terceira versão cinematográfica, com o título orignal do romance está programada para ser lançada no verão de 2007). Outros romances de Matheson tornaram-se filmes notáveis como What Dreams May Come (pt:Além do Horizonte, br:Amor além da vida), Stir of Echoes, Bid Time Return (a versão cinematográfica deste último livro recebeu o título de Somewhere in Time e em português tem o título de Em algum lugar do passado tanto o livro como o filme), e Hell House (com o título de The Legend of Hell House), os dois últimos adaptados para o cinema pelo próprio Matheson. Para a série Star Trek, escreveu o episódio The enemy within (br: O inimigo interior), exibido em 1966.

Em 1960, Matheson publica The Beardless Warriors, um romance realista e autobiográfico sobre soldados adolescentes americanos na Segunda Guerra Mundial. Nos anos 50 publicou várias histórias do gênero “velho oeste” mais tarde reunidas em By the Gun; e nos anos 90 publicou novamente romances deste gênero tais como Journal of the Gun Years, The Gunfight, The Memoirs of Wild Bill Hickok e Shadow on the Sun. Escreveu também os romances de suspense 7 Steps to Midnight e Hunted Past Reason e Now You See It…. Este último conta a história de um menino que participa de um concurso de mágica em um reality show até que o diretor do programa percebe que seus poderes são reais.

Matheson conta que algumas de suas obras foram inspiradas em fatos reais. Duel foi inpirado num incidente em que ele e um amigo trombaram com um grande caminhão. Uma cena do filme “Let’s Do It Again”, de 1953 em que Aldo Ray e Ray Milland põem um o chapéu do outro, um dos quais é muito grande para o outro, deu origem ao pensamento “e se alguém pusesse o seu próprio chapéu e isto acontecesse” que acabou por se tornar o The Shrinking Man (O homem que encolhia). Em algum lugar do passado começou quando Matheson viu um poster com uma bela fotografia de Maude Adams e imaginou o que aconteceria se alguém se apaixonasse por uma fotografia antiga como aquela.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/

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Conto de Ficão Cientifica: Lucy in the Sky with Diamonds

O que havia era um calmo “mar” escuro, que foi perturbado por um pequenino fio luminoso amarelado com bordas vermelhas. Depois foi ficando cada vez mais intenso; ofuscando a vista. Um arco incandescente começou a se formar com uma beleza indescritível; agora um pequeno ponto se destacava no centro da semi-esfera como um ponto mais luminoso. Logo a cabine ficou completamente iluminada, os raios amarelados entravam pela pequena janela e a cabine começava a ficar aquecida. A íris de Michelle se contraiu involuntariamente para se acostumar com a luz. Já estava em órbita há três meses, mas ainda se deslumbrava com o amanhecer visto a mil quilômetros da superfície terrestre. “Here comes the Sun”, pensou Michelle.

Michelle teria que se preparar para mais um dia de trabalho; além de ocupar o cargo de Comandante da Estação Espacial LUCY, suas culturas de morangos estavam em um estado adiantado de desenvolvimento. Era impressionante como os morangos (e outros vegetais) se desenvolviam quando estavam “sem peso”. Principalmente com um ambiente sob medida (luz, umidade e temperatura) e uma espécie de cortiça porosa que continha tudo aquilo que o melhor solo terrestre podia oferecer. Assim que a tecnologia fosse mais desenvolvida, a Terra teria “Campos de Morangos para sempre!!!” Pensava Michelle.

Para variar, outra cena cômica se deu durante suas abluções matinais. Hoje foi o sabonete que escapou para o teto. Resolvido o pequeno incidente, Michelle se dirigiu ao módulo cilíndrico “Miss Eleanor Rigby”, que dava acesso à sala de exercícios. Ao passar pela cabine do Sargento Peppers, observou que ele, novamente, não havia prendido bem as amarras ao dormir, e estava no teto batendo levemente com a cabeça no duto de ventilação que o havia “sugado” lentamente durante a noite. Havia uma grande vantagem em uma Estação Espacial: se você perdesse alguma coisa, essa coisa iria invariavelmente se dirigir ao duto de ventilação.

Depois de uma hora na bicicleta ergométrica, Michelle se sentia melhor, já que ativara a circulação em seu corpo e exercitara suas pernas. A imponderabilidade, causava várias mudanças no corpo humano. Como o corpo está em queda livre, o sangue se dirige para a cabeça, deixando-a inchada, com os olhos vermelhos e o nariz entupido (por isso dizem que a comida de astronauta não tem gosto, o sentido do olfato fica muito debilitado em órbita); as pernas ficam finas, com o os músculos gelatinosos. A pessoa fica alguns centímetros mais alta, pois sua coluna vertebral não precisa sustentar o peso do corpo; o famoso “frio na barriga” é constante, já que o aparelho digestivo fica “flutuando”. Outro problema é que o cálcio dos ossos escapa pela urina, deixando os ossos frágeis. Com a diminuição dos movimentos, consome-se menos oxigênio, diminuindo em até 20% o número de glóbulos vermelhos no sangue. Por essas e outras, é necessário uma dieta ricam em todos os tipos de alimentos e uma boa dose de exercícios.

Michelle estava pronta para mais um dia de trabalho. Encontrou com o Doutor Robert no caminho da sala de comunicações. Ele era o responsável pela saúde da tripulação. Michelle entrou no pequeno cilindro. Tinha que dizer a senha diária ao computador:

_”Yellow Submarine”. Disse Michelle.

_Bom dia Cap. Michelle. Respondeu a Unidade de Inteligência Artificial (UIA).

_Bom dia Walrus. Respondeu Michelle.

_Cap. Michelle, acabo de receber uma mensagem.

_Não vá me dizer que você não tem a menor idéia de onde ela vem! Não vejo nenhum monolito por aqui! Disse Michelle em tom jocoso.

_Entendi sua observação Cap. Michelle… Meus bancos de dados possuem várias referências… Ficção Científica do século XX. Interessante, mas completamente absurda. Uma UIA é incapaz de fazer o que aquele HAL-9000 cometeu. Ironia, uma coisa curiosa exclusiva aos humanos. A mensagem é da Terra, é urgente.

_Me desculpe Walrus. Reproduza a mensagem, por favor. Disse Michelle com arrependimento. Mas logo se sentiu uma idiota, computadores não tem sentimentos. Pelos menos não deveriam ter…

A voz que saiu do auto-falante era impessoal e sem personalidade.

_Estação LUCY, atenção! Um acidente ocorreu com o Módulo de Transporte “Penny Lane”. Um destroço de menos de 5cm de um antigo satélite se chocou com o giroscópio do Módulo. Eles perderam o alinhamento e passarão por uma órbita ao lado de vocês. O comunicador deles está avariado e o piloto automático se foi. O controle está manual.

_Que coisa! Ser atingido por um destroço no espaço é o mesmo que ser atingido por um meteorito na superfície da Terra! É impossível! Exclamou Michelle.

_Existem três casos registrados em meus bancos de dados com pessoas que foram atingi…

_Silêncio Walrus! Estabeleça contato com a Terra agora! Disse Michelle.
Alguns segundos depois, a Superintendente da Agência Espacial Mundial estava no visor da LUCY. Todas as atividades da Estação estavam suspensas. Foi instalado o regime de alerta total. Uma tripulação de 4 homens estava quase a deriva em órbita, e a única esperança era que o piloto encontrasse a Estação Espacial LUCY visualmente e atracasse com ela.

_Doutora Yoko. Como o Piloto irá ver a estação? Estamos na sombra da Terra; o Sol ainda está atrás de nós. Eles não recebem o rádio-farol; na certa está avariado também! Assim que o piloto ver nossas luzes, será tarde demais para ele manobrar em nossa direção e passará direto! A próxima vez que nos encontrarmos poderá ser tarde demais!! Disse Michelle com o rosto completamente molhado de suor (apesar da temperatura da cabine permancer em 22º Celsius) Apenas o Doutor Robert e o Sargento Peppers estava com ela na cabine.

_Ainda não sabemos!! A nave de resgate “Mystery Tour” só sairá em seis horas, e levará outras três para se encontrar com a “Penny Lane”. Pelo radar, ela passará por vocês em trinta minutos, temos que pensar em alguma coisa. Recebemos uma leitura de que há vazamento de oxingênio na “Penny Lane”. Disse a Doutora Yoko que ainda aparentava um rosto sonolento.

_Entre em contato conosco o mais rápido possível.

_Nossos melhores homens em Terra estão trabalhando numa solução. Entraremos em contato assim que tivermos uma idéia!

O monitor ficou escuro, refletindo apenas o reflexo perplexo da Cap. Michelle.

_Que ótimo! A batata quente está em nossas mãos! Disse Michelle fazendo um gesto de concha com as mãos.

Os dois homens se olharam e deram de ombros. Eles não tinham a menor idéia de como resolver esse sério problema. Michelle flutuava de um lado para o outro dentro da cabine. Perguntou ao Sargento Peppers se adiantaria ir até lá fora e fazer sinal com alguma lanterna. A resposta foi negativa. O Módulo de Fuga “Help” que ficava preso ao casco da estacão não possuía sistema de navegação. As comunicações por rádio estavam cortadas. Apenas as visuais, mas as luzes que possuíam não eram suficiente para avisar ao “Penny Lane” onde eles estariam. Michelle supirou.

_Cap. Michelle, a senhora deve se acalmar, tome um pouco de água fresca. Disse o Doutor Robert. Era estranho um senhor inglês de quarenta e setes anos se dirigir para uma bela jovem francesa de vinte quatro anos por senhora. Ne certa seria pelo cargo.

_Não me chame de senhora Doutor! E eu não estou com sede, estou com…Espere aí!

_O que foi? Perguntou Peppers.

_Água! É isso!!! Walrus, onde está o Sol? Quando os raios nos alcançarão? Disse Michelle com um expressão de quem havia visto um fantasma.

_O Sol está a 20º acima do horizonte terrestre. Os raios solares ainda não atingiram nossa órbita por estarmos indo a favor da rotação terrestre com uma defasagem de 35%. Quando os raios atingirem a Estação LUCY, o Módulo “Penny Lane” já terá passado da órbita em 2 minutos e 13 segundos. Respondeu o computador.

_Ótimo!! Walrus, abra as válvulas dos tanques de água 2 e 3. Disse Michelle.

_Com todo o respeito Cap. Michelle, mas a senhora tem certeza dessa ordem? Qual o motivo dela? Perguntou o Sargento Peppers.

_Não me chame de senhora! Depois eu explico! Walrus, execute a ordem!

_Sim Cap. Michelle. Respondeu o computador enquanto abria as válvulas. A água saía dos tanques que mantinham toneladas de pressão em suas paredes com uma fúria enorme.

A pressão externa era praticamete zero, fazendo com que o conteúdo dos tanques fossem “sugados” pelo vácuo do espaço numa avalanche.

_Paul!! Veja isso!! Quê diabos é aquilo?? Apontou o piloto Starr para a pequena janela da cabine de controle da “Penny Lane”.

_Parece uma nuvem!! Uma nuvem aqui no espaço??? Ela brilha, como se fosse feita de milhares de pequenas luzes!!

_O que foi? Perguntou o Engenheiro Lennon que entrava naquele momento na cabine.

_Veja!! É a coisa mais linda que já vi!! Parece uma nuvem de pequenos “diamantes”, milhares deles!! Um pequeno arco-íris está sendo formado!! Disse o pequenino piloto.

Os três homens ficaram em silêncio por alguns segundos paralizados pela visão que tinham através da pequena janela da cabine. O Capitão Paul colocou as mãos à cabeça e gritou:

_Mande George parar como os reparos!! Já sei o que é aquilo!! Starr, vá em direção da nuvem!!

_Em direção na nuvem? Mas…

_Faça o que mandei!!

Alguns minutos, no meio da manta brilhante que se formara no espaço, o piloto pôde ver as luzes da Estação LUCY.

_Lá está!! Conseguimos!! Agora é só levar a “Penny Lane” com cuidado. Mas o que é essa coisa brilhante? Perguntou Starr.

_Você ainda não descobriu? Disse Lennon.

_Acho que não. Me diga logo!!

_Bem só pode ser uma coisa!! Paul teve um palpite de que aquilo fosse alguma coisa vinda da Estação Espacial LUCY. A Estação sabia que estávamos por perto, mas não sabiam onde exatamente.

_Você ainda não disse o que é essa Nebulosa Brilhante!!! Disse o pequeno piloto com cara de raiva.

_Calma!!! Como eu disse, sabíamos que a Estação LUCY estava por perto. De repente uma nuven de pequenos “diamantes” começa a brilhar numa órbita próxima a nossa. Note que o Sol está atrás da nuvem. Essa nuvem só pode ter vindo de LUCY. Ao vermos os “diamantes”, saberíamos de onde eles viriam. É só pensar!! Os “diamantes” são feitos de cristais de ÁGUA!! Na certa o capitão da Estação mandou abrir as válvulas dos tanques, que possuem milhares de litros. Assim que a água escapa para o espaço, acontecem duas coisas: a água evapora e congela ao mesmo tempo!! Como a pressão no vácuo tende a zero, o ponto de ebulição da água é baixíssimo, fazendo-a evaporar instantaneamente; mas como a temperatura no espaço é de 3 Kelvins (-270º Celsius), quase zero absoluto, a água congela!! Mas como eu disse, ela evapora milésimos de segundo antes e, congelando, se transforma em cristais de gelo, que, iluminados pelos raios do Sol que estão logo atrás, brilham e decompõem a luz, como pequenos prismas, fazendo aquele espetáculo maravilhoso que vimos a pouco.

_Puxa!! Como sou burro!! Disse o piloto Starr.

_Não se preocupe com isso, você ainda tem que se preocupar em fazer a junção com LUCY. Disse o Engenheiro Lennon.

Depois, tudo ocorreu perfeitamente bem. O Módulo de Transporte “Penny Lane” se conectou perfeitamente com a Estação LUCY graças a perícia de Starr. As duas tripulações se abraçavam e comemoravam com muita água e música de um antigo grupo de rock inglês do século XX. Afinal quatro astronautas escaparam por pouco da morte iminente graças a genial idéia da Cap. Michelle em transformar a região ao redor da Estação Espacial numa espécie de prisma gigante, espalhando luzes coloridas pelo espaço. No meio da escuridão quase completa, era óbvio que a tripulação da “Penny Lane” avistaria “LUCY no Céu com Diamantes!!!”

Fonte:
http://galaxiabr.vilabol.uol.com.br/lucyintheskywithdiamonds.htm

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