Arquivo da categoria: Haicai

José Marins (Haiga)

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Haiga

Haiga é uma pintura esboçada de forma livre que inclui um haicai escrito em caligrafia. Hai significa ‘haicai’ e ga significa pintura. De acordo com o artigo “What´s haiga”, do site “Reeds: Contemporary haiga”, a forma originou-se no Japão do século XVII e foi usada para decorar pergaminhos, discos, telas, e leques ou abanos.

Há dois elementos em haiga tradicional: uma pintura feita em aquarela, e um poema ou poemas em caligrafia tradicional japonêsa. A forma é caracterizada por uma representação fresca e espontânea da vida cotidiana, como é feito no haicai, usando pinceladas soltas e fluidas, e abundância de espaço em branco. É geralmente muito semelhante aos desenhos com imagens livres expressas apenas com algumas linhas, pequenos detalhes, e uma ou duas cores para maior interesse visual. A arte digital do haicai é uma forma de haiga moderna. Outras formas incluem a foto-haicai (haicai anexado a uma imagem fotográfica) e todas as formas de arte moderna associada ao haicai.

A prática comum em haiga é escrever o haicai fazendo uma justaposição entre foto (ou pintura, desenho, etc) e verso para criar um significado que vá além do que está presente na imagem. O haicai tende a focalizar o momento tão intensamente que uma espécie de epifania deve ocorrer, mas o trabalho de interpretar o significado é de responsabilidade do leitor. Assim como um haicai geralmente contém uma justaposição entre duas de suas linhas e uma terceira linha. O mesmo acontece com o haiga moderno, ou seja, deve conter uma justaposição entre o haicai em si e a obra de arte, sem necessariamente representar diretamente as imagens apresentadas no haicai.

Ainda conforme “What´s haiga”, no segundo volume de A História do Haiku (Hokuseido Press, 1964), RH Blyth descreve haiga como “a arte da imperfeição”, e diz que “haiga omite o que Deus deveria ter omitido”. Ele explica que “simplicidade” (no haiga) tem um significado apenas em relação à complexidade e haiga não sugerem muito com pouco, mas enfatiza o que é (poeticamente) importante, o que é ignorado pela visão (anti-poética) ordinária do objeto”.

“What´s haiga” também informa que, ainda hoje, esta estética é muito atraente para os poetas pintores amadores e profissionais, mesmo em face da crescente influência da arte moderna ocidental. Muitos entusiastas compartilham seus haiga nas reuniões da proeminente Associação Japonesa de Haiga Todos Sekiho e estudam com mestres modernos, tais como Sekiho Yabumoto, Hattori Isshu, Kihara Makoto, e Nasu Seigyo. A maior editora de haiga no Japão é a Shusakusha Publishing Company, que produz uma revista chamada O Trimestral Haiga Saijiki. A empresa também produz uma série de livros sobre como criar haiga. Cada vez mais, os japoneses estão publicando e vendendo seus haiga na Internet.

Fonte:
http://www.sumauma.net/haicai/haicai-haiga.html

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Haicai 22 – Mario A. J. Zamataro (Curitiba/PR)

Haicai formatada sobre imagem obtida em http://jorgebichuetti.blogspot.com

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Arquivado em Haicai, Paraná

O Que é Haicai? (Parte I)

O haiku, traduzido para o português como haicai, é a forma de poesia mais tradicional da cultura japonesa. Autores ocidentais tendem a definir o haicai como um poema de 17 sílabas dispostas em três linhas de 5, 7 e 5 sílabas métricas. O haicai deve oferecer um momento de reflexão, de forma que cause no leitor, uma sensação de descoberta. Esse momento está para o haicai, assim como o satori está para o zen e o nirvana está para o budismo. O haicai também deve conter um kigo, palavra que se refere a uma das estações do ano, que indica quando foi escrito. O tema do haicai é principalmente observações de cenas que acontecem na natureza. À medida que o haicai ganhava a simpatia dos ocidentais, algumas de suas características foram sendo deixadas de lado, enquanto que outras foram sendo incorporadas à sua forma. Isto fez com que o haicai fosse moldado ao gosto de seu praticante, conforme as influências literárias de sua cultura.

Há muito mais para dizer sobre o haicai. Por que praticamos o haicai? Será que o número de sílabas realmente importa, ou as letras maiúsculas usadas no início de seus versos garantem maior fidelidade à forma? Qual a importância da pontuação em um haicai? Qual a relação entre haicai e zen? Por que é preferível não usar a personificação em um haicai? Quanto que podemos confiar nas traduções feitas sobre haicais? Tentaremos responder a essas questões nos textos seguintes, com base na literatura disponível.

Origem

O termo haicai é brasileiro. No dicionário Aurélio, além de haicai, constam os termos haicu, haikai e haiku e todos nos remetem ao haicai. Mas quem traduziu haiku como haicai e com base em que? Pode ser que a resposta a essa pergunta esteja em algum texto escondido, mas por enquanto tem permanecido sem explicação, pelo menos para mim. O interessante é que as demais formas, tais como a renga, a tanka, o senryu e o haibun, foram incorporados ao vocabulário do escritor de haicai por empréstimo direto de seu nome original. Suponho que foi o termo haikai que deu o nome ao nosso haicai, já que a pronúncia é a mesma, mudando apenas o k para o c, pois o k não pertence oficialmente ao alfabeto português. Mas por que não se chamou de haicu, como consta no dicionário Aurélio? Há ainda uma controvérsia sobre a pronúncia de haicai com o h mudo, mas após 15 anos de convivência com escritores brasileiros, a pronúncia do h como r é a única que tenho escutado. E já que haicai significa haiku…

Assim como a história da literatura brasileira, a história da literatura japonesa está dividida em vários períodos. No período inicial, Nara, que durou aproximadamente de 710 a 794 depois de Cristo (d.C.), os poetas japoneses, influenciados pela poesia chinesa, praticavam o uta, que significa canção, levemente adaptada do quarteto chinês para um poema de cinco partes, em japonês. O uta passou a ser chamado de waka, e finalmente, tanka (poesia curta e elegante), um poema composto por duas estrofes, sendo a primeira de 5-7-5 sílabas e a segunda de 7-7 sílabas, escrito por uma pessoa e praticada nos seis séculos seguintes. Quando a tanka passou a ser escrita por duas pessoas, ou seja, uma escrevia a primeira estrofe e outra a segunda, recebia o nome tan renga. Sobre a influência da tan renga, os poetas passaram a adicionar novas estrofes, criando assim um poema mais longo, que passou a ser chamado simplesmente de renga. É nesse período que surge o grande mestre Matsuo Basho (1644-1694), que na verdade não foi um mestre do haicai, mas sim, um mestre da renga.

A renga, que tinha um caráter humorístico, era a forma poética preferida por Basho, que a praticava com seus discípulos durante suas viagens. Basho chamou de hokku a estrofe de três linhas que iniciava a renga e de haikai as demais estrofes. Foi Basho que transformou o hokku, dando-lhe as características da natureza, de seriedade e eliminando o kireji, como um elemento mandatório (ver seção sobre Pontuação). O hokku passou a ter maior profundidade e a enfocar também o momento do haicai, ou seja, aquela sensação ou emoção de que falamos tanto e que um bom haicai deve possuir.

No final do século XIX, Basho já era considerado um mito, mas quem despontava na época era o quarto mestre mais importante do haicai, Masaoka Shiki, que, segundo Reichhold (2002), achava essa adulação à Basho repugnante. O hokku então, ganhou nova roupagem, quando Shiki passou a chamar o hokku de haiku, combinando hai de haikai e ku de hokku. Depois de algum tempo, o termo haiku se popularizou e se tornou uma forma independente da renga. Veremos em maior detalhe sobre tanka e renga, e os quatro mais importantes mestres do haiku, em outras seções desse trabalho.

Por Que Praticá-lo?

Assim como outros hábitos culturais introduzidos no Brasil, o haicai também conquistou admiradores, embora de uma forma mais discreta. Por que nós, os ocidentais, decidimos praticar o haicai? Na opinião de Jane Reichhold (com. pes.) “a medida que a poesia se tornava mais longa e sem forma, encontrar algo breve, direto ao assunto e de forte contraste foi uma mudança maravilhosa”. De fato, a brevidade do haicai pode estimular o surgimento de novos escritores logo que eles entram em contato com a forma. Alguns podem ser seduzidos pelo haicai ao pensar que um poema de três linhas se escreve em um piscar de olhos. Mas não é bem assim.

Escrever um haicai tem um próposito de ir além de descrição de imagens, e, portanto, nem todo terceto pode ser chamado de haicai. Também alguns praticantes vêem o conjunto de regras sugeridas pela forma como um desafio. Outros preferem dar seu toque pessoal, modificando essas regras ou ainda inovando-as. Há ainda aqueles que vêem o haicai como uma forma carregada de misticismo e espiritualismo que leva ao transcendental. O haicai, no entanto, é mais simples do que se imagina, e ao mesmo tempo exige do autor a criatividade e habilidade para descrever uma cena da natureza e um desejo de compartilhar com o leitor a emoção ou sensação abstraída desse momento. Em realidade, essa atração simplesmente acontece e não tem uma explicação maior do que uma relação de afinidade. Quando essa relação é estabelecida, desperta no escritor uma maior curiosidade e consequentemente um desejo de por em prática o que ele aprendeu. Não é bastante apenas gostar de haicai, mas também é preciso ter disciplina e persistência e querer maravilhar-se com a simplicidade dos momentos.

O Número de Sílabas

Ao que se percebe, a definição de haicai como um poema de 5-7-5 sílabas está tão fortalecida pelas muitas definições publicadas no ocidente, que muitos escritores, especialmente os iniciantes, não vão se libertar dessas regras facilmente. Higginson (1985) comenta que, em realidade, não são sílabas que são contadas pelos poetas japoneses, mas sim onji, que significa “sons de símbolos”, e se refere a um dos caracteres fonéticos da escrita japonesa. De acordo com Bruce Ross (1993), o haicai tradicional japonês é escrito em 5-7-5 onji, na vertical, curto o bastante para ser recitado de um só vez. Ainda segundo Ross, uma sílaba média da língua inglesa é muito mais longa do que um onji e pode corresponder a um tipo de unidade sílábica de uma vogal ou de uma consoante e uma vogal. Talvez por essa razão, os haicais escritos em inglês frequentemente possuem de 12 a 14 sílabas. Um haicai com 5-7-5 sílabas em português, que muitas vezes possui palavras mais longas do que suas equivalentes em inglês, pode demorar mais tempo para ser recitado e, portanto, 17 sílabas pode até ser um excesso.

Ao fixar um número exato de 5-7-5 sílabas, criamos uma estrutura mais rígida para o nosso haicai. Essa preocupação silábica é frequentemente notada no haicai brasileiro, como se essa fosse uma garantia a mais de se estar escrevendo um haicai. Às vezes, encontramos haicais que, para completar o número de sílabas tradicional, usam de artifícios, como inclusão de adjetivos ou artigos, que se fossem retirados não fariam falta. Mas esse é um tema que será tratado em um outro tópico.

Poucos são aqueles que se sentem confortáveis em escrever um haicai contendo um número menor que 17 sílabas, atualmente chamado de forma livre. Na maioria das vezes, nossa língua portuguesa nos permite acomodar o número de sílabas inicialmente estabelecidos (5-7-5) com uma certa facilidade, e se, ao escrevermos um haicai, conseguirmos preencher essas sílabas de forma natural, está bem. Caso contrário, é preferível manter somente as palavras necessárias.

O Uso de Letras Maiúsculas

Até o período do Simbolismo/Parnasianismo, qualquer forma poética tinha seus versos iniciados por letras maiúsculas. Com o surgimento das correntes modernistas no Século XX, essa prática sofreu mudanças radicais, e os versos não só se libertaram das letras maiúsculas, como também dos sinais de pontuação. Como sabemos, nem todos os poetas seguiram essa tendência e preferiram manter a tradição do que antes era considerado boa forma de poesia. Assim, os poemas ora continham maiúsculas e pontuações, ora eram escritos em letras minúsculas e sem pontuação.

O haicai brasileiro parece ter herdado a tendência tradicional, pois é comum encontrá-lo com letras maiúsculas iniciando os fragmentos de sentenças. Talvez essa prática seja uma herança deixada por nossos poetas Afrânio Peixoto e Guilherme de Almeida, os primeiros a pôr em evidência a forma no Brasil. Esta história será discutida em um outro tópico.

O que fazer? É necessário ou não usar letras maiúsculas no haicai? Se não é, por que encontramos tantos haicais onde os versos iniciam com letras maiúsculas? De onde vem essa prática? Outra vez, as regras do haicai parecem depender de quem o escreve e a convenção adotada parece sofrer influência de nossa cultura literária, de nosso próprio gosto ou da tendência adotada por um pequeno grupo de escritores.

Segundo nossa gramática, as letras maiúsculas são obrigatórias apenas no início de uma sentença e em nomes próprios. Já que o haicai geralmente é composto por fragmentos de sentenças, o uso da letra maiúscula não é relevante. Reichhold (2002) comenta que a medida que os escritores adquirem mais experiência com o haicai eles abandonam a letra maíuscula que geralmente inicia um verso. Segundo a autora, “o uso contínuo de letras capitais é uma indicação de que ou se trata de haicaista iniciante que mantém a prática da escrita de poesia anterior ou de alguém que se recusa a repensar as mudanças que a forma tem feito.”

Pontuação

Escritores japoneses não usam sinais de pontuação no haicai como os ocidentais, mas empregam o kireji, traduzido como “palavras que cortam”. Como informa Reichhold (2002):

Palavras como ka ou kana seriam equivalentes ao nosso travessão ou à nossa vírgula. Algumas desses kireji, sendo verbos ou adjetivos, são também usados para dar ênfase ou transmitir uma mensagem de emoção. O uso dessas palavras no haicai japonês ocupa uma ou duas unidades de sons, reduzindo o número de unidades em 6 a 12%“.

Conforme a informação acima, o uso de pontuação em um haicai é outra dificuldade que tentamos resolver para atender às nossas necessidades linguísticas. De acordo com Reichhold (2002), considerando-se que o haicai não é uma sentença, o uso de pontuação parece forçá-lo a ser o que não é. Em nossa convivência com o haicai, frequentemente encontramos aqueles que usam um excesso de pontuação ou nenhuma. Há os que usam dois pontos, ponto e vírgula ou travessão no final de um fragmento, ou ainda um ponto para fechar o poema. Qual seria o correto?

Alguns escritores usam esses recursos para dar a pausa necessária entre os fragmentos de sentenças. No entanto, o uso de um ponto não é necessário, porque o haicai não é uma sentença e, portanto, não deveria ser fechado desta forma. Reichhold (2002) afirma que todo haicai que possui um recurso de pausa, como os acima mencionados, pode ser reescrito de forma que a pausa seja naturalmente identificada. Para a autora, um haicai que usa pontuação é um haicai que falhou em preencher sua forma mais básica.

O Momento do Haicai

Por que um poema com até 17 sílabas é chamado de haicai? O fato é que para se tornar um haicai, esse conjunto de palavras precisa produzir um efeito em seu leitor. Quando se diz que um haicai é bom, é porque esse efeito, que chamaremos aqui de momento do haicai, está presente e, portanto, pode-se dizer que o autor atingiu seu objetivo. Consequentemente, a presença ou falta desse momento pode indicar o grau de compreensão que o autor possui sobre o assunto. Esse discutido momento pode vir sob outros nomes tais como insight, flash, essência, “ponto”, como se refere o Prof. Paulo Franchetti, da UNICAMP, ou aha!, como prefere a estudiosa americana de haicai, Jane Reichhold. Enquanto que insight é um termo que em nossa língua significa discernimento, introspecção, compreensão, o flash, tal como o flash fotográfico, dá a idéia de que o autor captou um momento muito breve de inspiração ao observar uma cena. É uma outra maneira de dizer a mesma idéia. Quando o Prof. Franchetti diz que um certo haicai “não tem ponto”, ou Jane Reichhold diz aha! para um haicai, é porque eles estão se referindo à ausência e presença desse momento, respectivamente.

O momento do haicai não deve ser forçado ou fabricado, mas surgir espontaneamente, como explica Susumu Takiguchi em seu artigo A Haiku Moment of Truth (Um Momento de Verdade no Haiku). Tampouco deve ser a exposição de um fato lógico ou conclusivo, mas a habilidade com que o escritor elabora uma imagem de forma que permita ao leitor discenir, se imbuir de uma sensação nova que está implicita no haicai, ou seja, nas entrelinhas. Uma crítica que ouvimos com frequência é que um certo haicai é muito lógico. Isso significa que sua justaposição versus imagem se completam apenas para estabelecer um fato meramente conclusivo, esperado, conhecido, racional. Esse tipo de haicai não mostra nada de novo e não afeta de nenhum modo a introspecção do leitor. É apenas a descrição de uma cena cujo efeito já é previamente conhecido e por ser racional, nada deixa para o leitor refletir. Toda informação que armazenamos de nosso conhecimento de mundo é apenas racional e não precisa ser repetida em um haicai.

Há quem considere que é muito fácil escrever um haicai, enquanto outros entendem que não é tão fácil assim, e não é mesmo. Nem todos os haicais escritos pelos velhos ou modernos mestres são grandes haicais ou mostram um momento claramente, tanto que lemos alguns deles e não compreendemos por que tal poema é chamado de haicai. Devido a tantas incertezas sobre esse tão questionável momento, muitos escritores sentem-se inseguros ao exporem seus haicais, preferindo chamá-los de tercetos, poemetos, poeminhas, haiquases, arremedos, tentativas e assim por diante. Apesar da crescente literatura sobre a forma, vários são os autores com livros de haicai publicados que parecem demonstrar uma outra compreensão desse momento.

Como captar esse momento requer persistência. Muitas vezes, vemos uma cena maravilhosa para compor um haicai, mas falta o momento, a justaposição, e a idéia fica tamborilando em nossas mentes esperando para ser transformada em um haicai que pode ser concretizado ou nunca existir. Outras vezes, basta uma olhar mais demorado e o haicai desabrocha sem muito esforço.

O momento do haicai pode até ser diferente de leitor para leitor. O mais famoso haicai de Basho é um exemplo:

a velha poça–
um sapo pula dentro:
o som da água

Higginson (1985) explica que esse haicai de Basho ganhou fama principalmente por enfatizar o som da água, já que o usual era incluir o som dos sapos na poesia japonesa. Para Bruce Ross, no entanto, autor de “Haiku Moment” (Momento do Haicai, 2000), o momento desse haicai, que ele chama de “realização”, ocorre quando a água passa de quietitude para a produção de som causado pelo breve pulo do sapo. De acordo com o autor, toda essa sequência de acontecimentos pode despertar o espírito zen.

Outro exemplo que permite identificar o momento é esse belo haicai de Issa, mestre japonês do século XIX:

Que coisa estranha!
Estar vivo
sob flores de cerejeira.

Podemos perceber nesse haicai que o autor está quieto sob o pé da cerejeira, talvez deitado, sentindo as flores caírem sobre ele, tal como acontece com um morto que os vivos cobrem de flores. Ele passa essa sensação de desconforto e ao mesmo tempo de beleza para o leitor. Esse é o momento a que nos referimos desde o início dessa seção. Além da beleza do haicai como poema, há o inesperado, o súbito, e tudo descrito de forma simples, sem o auxílio de figuras de linguagem.

Fonte:
http://www.sumauma.net/haicai/haicai-teoria.html

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Arquivado em Haicai, Sopa de Letras

Isabel Furini (Rosas)

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24 de agosto de 2013 · 02:36

Raquel Ordones (Haicai)

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22 de abril de 2013 · 16:50

Helena Kolody (A Flecha de Sol)

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5 de fevereiro de 2013 · 22:58

Raquel Ordones (Haicai 1)

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4 de janeiro de 2013 · 22:00