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Ialmar Pio Schneider (Efemérides Poética: Novembro)


Nota: Na formatação da imagem onde está Eça de Queiro, leia Queiróz – 
perdoe a falha, 
José Feldman

SONETO A GONÇALVES DIAS 
Falecimento do poeta em 3.11.1864- In Memoriam –
Poeta das palmeiras e também 
dos indígenas, com força genial, 
cantou grandes amores que ninguém 
houvera feito assim sentimental… 
Lendo seus versos a saudade vem 
me visitar de modo especial, 
da minha terra que palmeiras tem 
onde o sabiá modula sem igual. 
Gonçalves Dias, vate da natura, 
és um astro que em nosso céu fulgura, 
com tuas mais românticas poesias… 
Soubeste transmitir a inspiração 
que as Musas te trouxeram na soidão 
do mundo ideal das alegorias !
SONETO A CARLOS MAGALHÃES DE AZEREDO 
– Falecimento do poeta em 4.11.1963 aos 91 anos. – In Memoriam -. 
Quando leio sonetos dos poetas, 
velhos românticos de antigamente, 
sinto quão suas musas são diletas 
nos versos que escreveram docemente… 
Poesias inspiradas e discretas, 
mas também outras, de romance ardente, 
que tudo dizem, atingindo as metas 
que se propunham, na paixão ingente. 
Leio Carlos Magalhães de Azeredo, 
o seu ´´Verão e Outono´´, em que demoro, 
curtindo um verso no final do enredo 
em que ele escreve: ´´Doce e amargo encanto ! 
São tuas próprias lágrimas que choro !´´ 
E aprendo, então, como é tão forte o pranto…
A RUI BARBOSA 
Nascimento do escritor Rui Barbosa em 5.11.1849 – In Memoriam –
Rui Barbosa 
Literato 
Foi de fato 
Rei da Prosa. 
Escritor 
Mui correto 
Tão dileto 
Prosador. 
Assombrou 
C´o saber 
Tão profundo… 
Pois honrou 
Seu dever 
Neste mundo.
SONETO ALEXANDRINO A AMADEU AMARAL 
Nascimento do poeta Amadeu Amaral em 6.11.1875 – In Memoriam –
“Rios”, “Sonhos de Amor”, e “A um Adolescente”, 
são sonetos de escol que leio comovido, 
porque me fazem bem neste dia envolvente 
pela nublada luz do céu escurecido… 
E fico a meditar, trazendo para a mente, 
os poemas “A Estátua e a Rosa”, em sublime sentido; 
“Prece da Tarde”, quando exsurge a voz do crente 
como um sopro de amor no caminho escolhido… 
Estou perante o mestre Amadeu Amaral, 
cujos versos serão sempre muito admirados, 
como régio cultor da nobre poesia… 
Além do mais, ficou sendo vate Imortal, 
pois eleito ele foi por membros consagrados 
de nossa Brasileira Excelsa Academia !
SONETO A FÉLIX ARVERS 
Falecimento do poeta francês Félix Arvers em 7.11.1850 –  In Memoriam –
Quem num soneto soube engendrar um mistério, 
para cantar o amor resguardado em segredo, 
que o fizesse sofrer um tormento tão sério, 
sem conseguir lhe dar um venturoso enredo?! 
Romântico poeta, empunhando o saltério 
da inspiração febril de timidez e medo, 
passou por este Mundo, adotando o critério 
de não se declarar porque seria alpedo… 
Pois aquela que amava, ao dever sempre presa, 
prosseguia ao seu lado, ostentando a beleza 
que Deus lhe deu e vai cumprindo seu mister… 
porque vivendo com tamanha seriedade, 
há de permanecer por toda Eternidade, 
na poesia qual a misteriosa mulher !
SONETO PARA CECÍLIA MEIRELES 
Nascimento da poeta em 7.11.1901 – In Memoriam –
Procuro viajar nestes poemas 
que me emocionam tanto e permaneço 
conhecendo em mais variados temas, 
a vida alegre ou triste em que padeço… 
Procurei fazer versos, de tropeço 
em tropeço, p´ra resolver problemas 
que enfrentei no viver, desde o começo, 
quando me apareciam os dilemas. 
Um dia encontrei doce poesia 
melancólica, plena de ternura, 
mas também sempre límpida e correta. 
São horas de tristeza e nostalgia 
que me suscitam a feliz candura, 
de Cecília Meireles, a poeta !
SONETO A ARTHUR RIMBAUD 
Falecimento do poeta francês em 10.11.1891 – In Memoriam –
Jovem poeta que parou bem cedo 
de fazer versos plenos de emoção… 
Soneto de “Vogais” em cujo enredo 
cada uma tem a significação. 
Sua obra não foi simples arremedo 
de alguém que pensa apenas na ilusão; 
não se sabe do enigma nem do medo 
de a poesia dar continuação… 
O certo é que depois, quando indagado 
se era parente de Rimbaud, dizia: 
“Eu nunca ouvi falar !” E assim calado 
continuou pelo resta da vida, só, 
com sua nova e vã filosofia 
em que se sabe que seremos pó !
SONETO A AUGUSTO DOS ANJOS 
Falecimento do poeta em 12.11.1914 – In Memoriam –
Leio seus versos de poeta ousado, 
e me comovo com a verve forte, 
que se deprime qual um condenado, 
a cada instante lamentando a sorte. 
Mas foi um grande, embora desgraçado, 
sem ter um lenitivo que o conforte, 
em cada verso um passo encaminhado 
rumo ao destino que o esperava: a morte ! 
E sendo um vândalo destruidor, 
andou por ´´templos claros e risonhos´´, 
como num pesadelo com pavor… 
Então, num ímpeto de iconoclastas, 
´´quebrou a imagem dos seus próprios sonhos´´, 
´´erguendo os gládios e brandindo as hastas´´!
SONETO A JOSÉ SARAMAGO 
Nascimento do escritor em 16.11.1922 – In Memoriam –
Nobre escritor, poeta e romancista, 
em cujas páginas busquei seguir 
seu ideal de enfático humanista, 
pelo qual labutava a refletir. 
Com o Chico Buarque, na entrevista 
que dava ao Jô Soares, fez sentir 
a sua indignação de socialista, 
ao perguntar: Por quê? Ao assistir 
aos acampados da Reforma Agrária, 
que sob à lona preta sem conforto, 
sonhavam com um pedaço deste chão 
pra formar uma gleba societária. 
E assim, permanecendo mais absorto, 
era o retrato da desilusão !
SONETO A CRUZ E SOUSA 
Nascimento do poeta em 24.11.1861 – In Memoriam –
Poeta das Visões e dos Mistérios, 
Evocando outros mundos de Quimera 
Onde devem viver seres etéreos 
Que por aqui passaram n´outra Era… 
São espíritos cuja Vida austera 
Atravessaram cá momentos sérios, 
Sem conhecer a eterna Primavera, 
Hoje ouvindo dos Anjos os saltérios… 
São as almas que o Vate Cruz e Sousa 
Evocava em seus versos: “ais perdidos 
Das primitivas legiões humanas?!” 
Lembramos que sua alma ora repousa 
Por Mundos para nós desconhecidos, 
Mas plenos de canções… louvor… hosanas…
APÓS LER CRIME DO PADRE AMARO DE EÇA DE QUEIROZ 
Nascimento do escritor em 25.11.1845 – In Memoriam –
Uma história de amor que nos surpreende, 
libélulo ao celibato imposto, 
lança no espírito feroz desgosto 
que por maior esforço não se entende. 
São os mistérios que jamais se aprende: 
uma existência trágica ao sol-posto 
penetra o cérebro e no próprio rosto 
dá contrações de nervos e se estende. 
O mundo estupefato ao Padre Amaro 
lançará seu desprezo inconformado, 
pois mesmo que procure achar amparo 
na vã filosofia de um idílio, 
surgirão tão fatal como o pecado 
a pobre Amélia morta e morto o filho…
SONETO  A GREGÓRIO DE MATOS
Falecimento do poeta em 26-11-1696 – In Memoriam –
Gregório de Matos – Boca do Inferno, 
assim o apelidou o poviléu, 
apesar de às vezes ser mui terno 
e descantar também bênçãos do céu… 
Na Bahia causavam escarcéu, 
suas notas satíricas e hodierno, 
se despertou talvez algum labéu, 
há de ficar seu estro sempiterno… 
Vejo que a data do seu nascimento, 
será sete de abril?! ou vinte e três, 
ou vinte de dezembro?! Não é certa… 
Mas sei que foi poeta de talento, 
e tudo o que escreveu, e disse, e fez, 
mostra a coragem de sua alma aberta…
Fontes:
Colaboração do poeta
Imagem = montagem por J. Feldman

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Ialmar Pio Schneider (Efemérides Poética) Outubro – até dia 25


SONETO A HUMBERTO DE CAMPOS 
– In Memoriam  
Nascimento do escritor em 25.10.1886 
Ao ler suas Memórias comoventes, 
e as crônicas, sonetos, cujos temas 
demonstram como ele enfrentou problemas, 
e o fez em páginas inteligentes,… 
fico a pensar também quantos poemas 
nascem das almas boas, penitentes, 
nos momentos aflitos em que os crentes 
se debruçam perante seus dilemas… 
Mas, o Senhor que reina nas Alturas, 
o Pai Supremo de todas criaturas, 
olha por nós, Seus filhos prediletos,… 
pra que sejamos ternamente irmãos 
e os nossos sonhos nunca sejam vãos 
num mundo justo e fraternal de afetos…
SONETO ALEXANDRINO A AMADEU AMARAL
– In Memoriam 
Falecimento do poeta em 24.10.1929 
“Rios”, “Sonhos de Amor”, e “A um Adolescente”, 
são sonetos de escol que leio comovido, 
porque me fazem bem neste dia envolvente 
pela nublada luz do céu escurecido… 
E fico a meditar, trazendo para a mente, 
os poemas “A Estátua e a Rosa”, em sublime sentido; 
“Prece da Tarde”, quando exsurge a voz do crente 
como um sopro de amor no caminho escolhido… 
Estou perante o mestre Amadeu Amaral, 
cujos versos serão sempre muito admirados, 
como régio cultor da nobre poesia… 
Além do mais, ficou sendo vate Imortal, 
pois eleito ele foi por membros consagrados 
de nossa Brasileira Excelsa Academia !
SONETO A THÉOPHILE GAUTIER 
Falecimento do poeta em 23.10.1872 
– In Memoriam 
Poeta que saudou a Primavera, 
ao chegar com seu primeiro sorriso, 
por toda a parte a floração impera 
como se próxima do paraíso… 
No jardim, no pomar, também diviso 
as mais lindas flores e o crescer da hera… 
Quanta imaginação fora preciso 
para desenvolver esta quimera ! 
No vergel, as pequenas margaridas; 
no bosque, violetas e malmequeres; 
tudo aparece viçoso a florir… 
Enfim, para alegrar as nossas vidas, 
e tornar mais bonitas as mulheres, 
proclamo: “Primavera, podes vir!”
SONETO LIVRE A OSWALD DE ANDRADE 
Falecimento do escritor em 22.10.1954 
– In Memoriam 
Homenagear um poeta modernista 
como o foi Oswald de Andrade, como seria? 
se escrevo versos rimados de artista 
nos modelos antigos da poesia?! 
Mas minha verve faz com que eu insista 
a prestar, já nem sem se é honraria, 
este preito em palavras de anarquista, 
num soneto livre de métrica, neste dia ! 
Entretanto, não prescindo da rima, 
por ser ela que sempre me anima 
quando qualquer poema componho… 
Desculpe-me por este sacrilégio 
de abandonar as normas do colégio 
parnasiano ! Foi apenas um sonho…
SONETO A ARTHUR AZEVEDO 
– In Memoriam 
Falecimento em 22.10.1908
Foi dramaturgo, poeta e contista, 
com “Arrufos”, um soneto forte, 
após desentender-se com a consorte, 
fez uns ares de quem do amor desista… 
Toma o chapéu e sai, sem que suporte, 
fingir que não mais ama e se contrista, 
mas algo o faz voltar e então persista 
a manter a paixão até a morte… 
Assim são os amores verdadeiros, 
ao menos na aparência dos amantes, 
que às vezes têm questiúnculas por nada… 
E quando voltam ficam companheiros 
para viverem todos os instantes, 
seguindo adiante pela mesma estrada…
SONETO A ALPHONSE DE LAMARTINE 
Nascimento do poeta em 21.10.1790 
– In Memoriam
Recordo-me do seu poema “Outono”, 
que o Irmão Érico, enfaticamente, 
lia alto, na aula, com tamanho entono, 
que despertava a comoção na gente… 
Saudava a natureza, tristemente, 
como se a visse ficar no abandono 
pela queda das folhas, de repente, 
ao reclinar pra o derradeiro sono! 
Nesse cálice em que bebia a vida, 
talvez, houvesse uma gota de mel, 
após ter sorvido néctar e fel… 
Na multidão uma alma desconhecida, 
quem sabe, o compreendesse com bondade 
e lhe desse, afinal, felicidade !…
SONETO A ARTHUR RIMBAUD 
Nascimento do poeta em 20.10.1854 
– In Memoriam 
Jovem poeta que parou bem cedo 
de fazer versos plenos de emoção… 
Soneto de “Vogais” em cujo enredo 
cada uma tem a significação. 
Sua obra não foi simples arremedo 
de alguém que pensa apenas na ilusão; 
não se sabe do enigma nem do medo 
de a poesia dar continuação… 
O certo é que depois, quando indagado 
se era parente de Rimbaud, dizia: 
“Eu nunca ouvi falar !” E assim calado 
continuou pelo resta da vida, só, 
com sua nova e vã filosofia 
em que se sabe que seremos pó !
SONETO  AO DIA DO POETA
20.10
O poeta é aquele que vê mais longe: 
pode saber de tudo ou quase nada… 
Tanto é um pecador quanto é um monge, 
vive numa caverna ou segue a estrada 
dos sonhos. Às vezes parece um conde 
a procurar sua alma gêmea, a maga 
que num castelo medieval se esconde, 
cuja lembrança a solidão lhe afaga. 
Também não deixa de sofrer por isso 
e nunca se conforta no prazer 
de sempre se afastar do rebuliço: 
assim é que pretende compreender 
o destino que leva no feitiço 
questionável do ser ou do não ser !
SONETO A VINÍCIUS DE MORAES 
Nascimento do poeta em 19.10.1913
– In Memoriam
Quando nasceu Vinícius de Moraes 
trouxe consigo a chama da poesia, 
pra celebrar as musas, dia a dia, 
até o fim com versos geniais… 
Poeta da Paixão e da magia 
de conquistar mulheres especiais, 
compondo seus sonetos sensuais, 
viveu intensamente na boemia. 
Nesta data do seu aniversário 
há que lembrar-se: “Eu sei que vou te amar…” 
E assim nesse romântico cenário 
ouvir “Soneto da Fidelidade”, 
na voz do poetinha a declamar 
com tanto romantismo e intensidade !
SONETO A CASIMIRO DE ABREU 
– In Memoriam 
Falecimento do poeta em 18.10.1860 
Mas, onde se esconderam “Meus Oito Anos”, 
que os procuro debalde na distância? 
Casimiro de Abreu, teus desenganos, 
trazem saudades de minha infância… 
No entanto, sempre na mesma constância, 
bate meu coração com seus arcanos; 
e o que outrora tinha significância, 
hoje, são meus pobres cantos profanos. 
Pois, “oh! que saudades que tenho”, agora, 
daquele tempo bom que foi embora, 
e que, bem sei, não volta nunca mais? 
Sigo meu caminho sempre confiante, 
que cada etapa que me surge adiante, 
só vem complementar meus ideais…
SONETO A MANUEL BANDEIRA
Falecimento do poeta em 13.10.1968
– In Memoriam
MEU CARNAVAL 78 
Ilusão desta vida imaterial, 
não adianta pensar nem presumir, 
o negócio é deitar para dormir 
ou ler Manuel Bandeira tão jovial… 
Mas que anseio, que lástima, afinal, 
se tudo é passageiro ?! quero ouvir 
Sonatas ao Luar e me sumir 
à procura de um bálsamo ao meu mal. 
E não será aqui, nem mais distante… 
Lança-perfume d éter não existe ! 
O que fazer? Confete e serpentina?! 
Desvairado, sem álcool e perante 
mulheres tão bonitas e eu tão triste: 
pobre Pierrô buscando a Colombina !
SONETO CAÓTICO A MÁRIO DE ANDRADE
Nascimento do poeta em 9.10.1893
– In Memoriam
Mário de Andrade cria o Desvairismo, 
foge da rima e métrica também… 
Houvera de existir, no entanto, alguém 
que a outra escola desse outro batismo ! 
Hoje apresento-lhes o Caotismo 
e de antemão não sei se lhes convém; 
voltando a antigas fórmulas, porém, 
a conservar ainda o Telurismo… 
Procuro na desordem o entendimento 
e misturando todos, bons e maus, 
faço versos, até com sentimento, 
que singram mares, vagarosas naus… 
Seguem o rumo que lhes dita o vento 
na vastidão das águas para o caos…!
SONETO A CATULLO DA PAIXÃO CEARENSE  
Nascimento do poeta EM 8.10.1863 -– 
– In Memoriam 
Faz-me lembrar o tempo de menino, 
no lar paterno, lá na velha aldeia, 
com minha mãe, irmãos e irmãs, na ceia, 
de noitezinha, ao bimbalhar do sino… 
Depois, eu contemplava a lua cheia 
e perguntava aos céus: qual meu destino, 
neste mundo que roda e cambaleia, 
com momentos de luz e desatino?!… 
E ouvia a minha voz na voz do vento, 
dizendo que eu tivesse paciência, 
estudasse, aprendesse e na paixão 
de adquirir maior conhecimento, 
ingressasse no reino da sapiência… 
Que lindo era o Luar do meu Sertão !…
SONETO A EDGAR ALLAN POE 
Falecimento do escritor em 7.10.1849
– In Memoriam 
À meia-noite o visitou alguém, 
enquanto refletia nessa hora, 
lendo doutrinas em manuais de quem 
pudesse distraí-lo, sem demora… 
Curiosidade neste mundo têm 
todos os seres em que a dor vigora, 
e ao vate parecia que do Além 
surgia a voz saudosa de Lenora. 
Pensou, então, que fosse algum amigo, 
que tinha vindo lhe pedir abrigo 
p´ra mitigar as dores infernais… 
Abre a janela a olhar, e num tumulto 
enxerga esvoaçar sinistro vulto; 
era o Corvo que disse: “Nunca mais!”
Fontes:
O Autor
Imagem = montagem por J. Feldman

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Ialmar Pio Schneider (Homenagens em Soneto VIII)


SONETO A CAMILLE SAINT-SAËNS
– In Memoriam –
Nascimento do compositor em 9.10.1835 – Paris

Posso escutar de Camille Saint-Saëns,
a Sinfonia de número três,
depois vem Sansão e Dalila ardente,
preenchendo o dia claro, resplendente…

Ainda Marcha Militar Francesa,
peça musical de rara beleza,
e Dança Macabra, finalmente,
e o meu lazer se torna transcendente.

Vocação precoce, pois aos dois anos
e meio, interessou-se por pianos,
e como havia um em seu doce lar,

gostava de com as teclas brincar;
aos sete já compunha, com talento,
pequenas peças de enternecimento…

SONETO A GIUSEPPE VERDI
– In Memoriam –
Nascimento do compositor italiano em 10.10.1813

Hoje quero escrever um verso nobre
que celebre o genial compositor;
advindo de uma infância humilde e pobre,
à sua arte dedica todo o amor…

Bem cedo, sua vocação descobre
e põe-se à luta com viril ardor;
por isso, a enfrenta, sem que força sobre
para desempenhar outro labor !

Giuseppe Verdi, de Nabuco e Aída,
Rigoletto e Traviata, Trovatore,
as quais glorificaram sua vida…

Ninguém atinge tanto aos corações,
como essas óperas pienas d´ amore,
suscitando as mais altas emoções…

SONETO A VINÍCIUS DE MORAES
– In Memoriam –
– Nascimento do poeta em 19.10.1913

Quando nasceu Vinícius de Moraes
trouxe consigo a chama da poesia,
pra celebrar as musas, dia a dia,
até o fim com versos geniais…

Poeta da Paixão e da magia
de conquistar mulheres especiais,
compondo seus sonetos sensuais,
viveu intensamente na boemia.

Nesta data do seu aniversário
há que lembrar-se: “Eu sei que vou te amar…”
E assim nesse romântico cenário

ouvir “Soneto da Fidelidade”,
na voz do poetinha a declamar
com tanto romantismo e intensidade !

SONETO A ARTHUR RIMBAUD
– In Memoriam –
– Nascimento do poeta em 20.10.1854 –

Jovem poeta que parou bem cedo
de fazer versos plenos de emoção…
Soneto de “Vogais” em cujo enredo
cada uma tem a significação.

Sua obra não foi simples arremedo
de alguém que pensa apenas na ilusão;
não se sabe do enigma nem do medo
de a poesia dar continuação…

O certo é que depois, quando indagado
se era parente de Rimbaud, dizia:
“Eu nunca ouvi falar !” E assim calado

continuou pelo resta da vida, só,
com sua nova e vã filosofia
em que se sabe que seremos pó !

SONETO A ALPHONSE DE LAMARTINE
– In Memoriam –
– Nascimento do poeta em 21.10.1790 –

Recordo-me do seu poema “Outono”,
que o Irmão Érico, enfaticamente,
lia alto, na aula, com tamanho entono,
que despertava a comoção na gente…

Saudava a natureza, tristemente,
como se a visse ficar no abandono
pela queda das folhas, de repente,
ao reclinar pra o derradeiro sono!

Nesse cálice em que bebia a vida,
talvez, houvesse uma gota de mel,
após ter sorvido néctar e fel…

Na multidão uma alma desconhecida,
quem sabe, o compreendesse com bondade
e lhe desse, afinal, felicidade !…

Fonte:
Sonetos enviados pelo autor

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Ialmar Pio Schneider (Homenagens em Soneto VIII)


Soneto em Homenagem Póstuma a Catullo da Paixão Cearense
Data de nascimento do poeta: 8.10.1863
In Memoriam

Faz-me lembrar o tempo de menino,
no lar paterno, lá na velha aldeia,
com minha mãe, irmãos e irmãs, na ceia,
de noitezinha, ao bimbalhar do sino…

Depois, eu contemplava a lua cheia
e perguntava aos céus: qual meu destino,
neste mundo que roda e cambaleia,
com momentos de luz e desatino?!…

E ouvia a minha voz na voz do vento,
dizendo que eu tivesse paciência,
estudasse, aprendesse e na paixão

de adquirir maior conhecimento,
ingressasse no reino da sapiência…
Que lindo era o Luar do meu Sertão !…

Soneto ao Dia do Compositor (7 de Outubro)

É quem compõe as músicas que a gente
escuta com prazer horas a fio;
tanto no inverno gélido e sombrio,
e também no verão, alegremente…

Quantas vezes ouvindo estou contente,
embora seja um dia triste e frio,
mas, em outras, meu coração sentiu
esplêndido calor de um sol ardente.

Presto homenagem ao compositor,
que com tanta dedicação e amor
nos entrega sua alma nas criações

musicais; pois sem ele nossa Terra
não manteria a paz que evita a guerra
e nem seria palco de emoções!…

Soneto a Edgar Allan Poe
Falecimento do escritor em 7.10.1849

À meia-noite o visitou alguém,
enquanto refletia nessa hora,
lendo doutrinas em manuais de quem
pudesse distraí-lo, sem demora…

Curiosidade neste mundo têm
todos os seres em que a dor vigora,
e ao vate parecia que do Além
surgia a voz saudosa de Lenora.

Pensou, então, que fosse algum amigo,
que tinha vindo lhe pedir abrigo
p´ra mitigar as dores infernais…

Abre a janela a olhar, e num tumulto
enxerga esvoaçar sinistro vulto;
era o Corvo que disse: “Nunca mais!”

Fonte:
Sonetos enviados pelo autor

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Ialmar Pio Schneider (Homenagens em Soneto VII)

SONETO A LAURINDO RABELO
– In Memoriam –
Nascimento do poeta em 8.7.1826 – . –

Foi poeta… sofreu e fez seus versos,
clamando que seriam ais sentidos,
pois quanto mais tristonhos, mais perversos,
representando corações partidos…

Mas sua obra é vasta e os dias idos
na existência de sonhos tão dispersos,
lamentou como se fossem perdidos
os cantos que compôs, os mais diversos…

E no soneto “O Tempo” põe sua alma
arrependida de gastá-lo em vão,
tal como se fosse perder a calma.

Um conselho final então dos diz:
de não desperdiçarmos, sem razão,
o tempo em que se pode ser feliz…

SONETO PARA JAYME CAETANO BRAUN
– In Memoriam –
Jayme Caetano Braun, o inimitável poeta gauchesco e pajador, falecido há 12 anos, ou seja, em 8 de julho de 1999, aos 75 anos de idade.

Jayme Caetano Braun quando tu cantas,
eu me quedo silente a te escutar;
em teus poemas de belezas tantas,
encontro o Rio Grande a me falar.

Não posso compreender quem não encantas
no teu nobre e gauchesco linguajar;
sobre as coxilhas quando te levantas
eu vejo um farroupilha em teu lugar.

Primoroso cantor, valente e forte,
sem temor de lutar, de altivo porte
tal qual o lutador galo de rinha

que morre de tortura e não se entrega
e aguenta firme a ríspida refrega,
pois morre sem deixar dobrar a espinha.

SONETO A ARTHUR AZEVEDO
– In Memoriam –
Nascimento do escritor em 7.7.1855

Foi dramaturgo, poeta e contista,
com “Arrufos”, um soneto forte,
após desentender-se com a consorte,
fez uns ares de quem do amor desista…

Toma o chapéu e sai, sem que suporte,
fingir que não mais ama e se contrista,
mas algo o faz voltar e então persista
a manter a paixão até a morte…

Assim são os amores verdadeiros,
ao menos na aparência dos amantes,
que às vezes têm questiúnculas por nada…

E quando voltam ficam companheiros
para viverem todos os instantes,
seguindo adiante pela mesma estrada…

SONETO A SÃO FRANCISCO DE ASSIS
– Nascimento em 5 de julho de 1182 –

Quero ao “O Pobre de Deus” render meu preito
de gratidão por suas orações;
quando pregava às aves, com efeito,
ele atingia a todos os corações…

“Padroeiro dos Trovadores”, aceito
e venerado pelas multidões,
seu nome São Francisco tem conceito,
e nos consola em horas de aflições…

Pregou a paz entre os irmãos e santo
permanece p´ra sempre no seu canto
de amor sublime a todas as criaturas…

Hoje, no dia do seu nascimento,
que sua bênção traga um sentimento
de concórdia, de luz e de ternuras…

SONETO A ERNEST HEMINGWAY
– In Memoriam –
Morte do escritor em 2.7.1961

Lembra-me “Adeus às armas”, um romance
que li mais de uma vez, pois foi chocante
a emoção que senti naquele lance:
Catherine despede-se do amante…

Henry, desesperado, vive o instante,
e reza para um Deus, sentindo o transe
que o acomete, e não está confiante
que faça qualquer coisa ao seu alcance…

Um trágico final a um grande amor
em que Ernest Hemingway desenvolveu
a efemeridade da vida e a dor…

Com certeza, não há maior tortura
do que aquela em que ele descreveu
a passagem da amada criatura…

Fonte:
Sonetos enviados pelo autor

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Ialmar Pio Schneider (Homenagens em Soneto VI)

SONETO AO BEATO JOSÉ DE ANCHIETA
Falecimento do poeta e catequista em 9.6.1597 –
In Memoriam – Dia de Anchieta.

Brilhante “Apóstolo do Novo Mundo”,
cuja vida foi toda dedicada,
com amor verdadeiro, tão profundo,
a Jesus e à Virgem Imaculada…

Da ilha de Tenerife era oriundo
e veio prosseguir sua jornada,
cá no Brasil, com ânimo fecundo,
que ele adotou, a sua Pátria Amada !…

Ore por nós, poeta peregrino !
Beato José de Anchieta, seu destino
foi trazer luz aos índios inocentes…

De catequista teve a trajetória;
jamais se apagará de nossa História,
das poesias os seus ensinamentos !

SONETO A MARGUERITE YOURCENAR
– In Memoriam – Nascimento da escritora em 8.6.1903 – . –
ao escritor e jornalista Walter Galvani.

Outrora li “Memórias de Adriano”,
da autora Marguerite Yourcenar,
que tendo sido Imperador Romano,
soube com sapiência governar…

Foram vinte e cinco anos a pesquisar,
disse Walter Galvani em texto lhano,
que a escritora levou para criar
o memorial do grande soberano…

E quinze vezes leu o livro culto,
dizendo “que nos sirva de lição”,
esse trabalho ingente de valor !

Pode deixar… que a frase toma vulto,
e aqui lhe aviso, agora, de antemão,
há de ser minha meta este labor !…

SONETO A TOBIAS BARRETO
– In Memoriam –
Data do nascimento do filósofo e poeta em 7.6.1839 –

Após ler um soneto de Tobias
Barreto de Menezes, meu desejo
de homenageá-lo, agora, neste ensejo,
suscitou minha verve de poesias…

Também, foi mestre nas filosofias,
principalmente as alemãs; e vejo
que inteligência teve de sobejo
para criar ideias e poesias…

“Um condor solitário”, mas autêntico;
pois, não houve, sequer, nenhum idêntico,
que lhe fizesse sombra em altivez…

Porque, filósofo e poeta augusto,
seu estro vai pairar, sem qualquer custo,
nos ares da Nação, sempre… de vez…

SONETO A FEDERICO GARCÍA LORCA
– Nascimento do poeta em 5.6.1899 –
In Memoriam

Por que será que as vozes dos poetas,
que compunham seus versos de magia,
que nem García Lorca e os ascetas,
foram caladas pela covardia?!…

Porém, viveram sua ideologia
e permanecem como se profetas
para um mundo melhor no dia a dia
das pessoas humildes e corretas…

E Federico foi herói no ardor
de pretender o bem da Humanidade
à qual dedicou todo seu amor…

Os poemas, sonetos e canções
vão continuar eternos na verdade
que transmitiram suas emoções…

SONETO A CLÁUDIO MANUEL DA COSTA
– Data do nascimento do poeta em 5.6.1729 –
In Memoriam –

Foi poeta, advogado e fazendeiro,
e quis a liberdade da nação;
pois, diz-se que era um culto companheiro
dos que lutavam p´ra libertação…

Pairam dúvidas do suicídio ou não,
como um ato de fuga derradeiro,
que praticou sofrendo na prisão,
porque não suportou o cativeiro…

Amou Lise que foi seu “doce encanto”,
por ela derramou seu “terno pranto”,
junto aos “piedosos troncos” do arvoredo…

Sua existência trágica, infeliz,
traduz-se nos sonetos em que diz
de um amor de amargura sem enredo…

SONETO A FRANZ KAFKA
– Falecimento do escritor em 3.6.1924 –
In Memoriam –

Escritor, símbolo da resistência,
que em A Metamorfose foi inseto,
mas que tinha, também, inteligência
para exercer o ofício predileto…

“Gregor só costumava ver o objeto”,
enquanto levava sua existência,
e por todo seu mágico trajeto,
foi socialista e ateu na adolescência…

Mas também, outrossim, como anarquista,
participou de algumas reuniões;
entretanto, por fim era sionista…

Depois de formar-se advogado em Praga,
escreveu O Processo por questões
que talvez sejam sua obra magna…

Fonte:
Sonetos enviados pelo autor

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Ialmar Pio Schneider (Homenagens em Soneto V)


SONETO A DANTE ALIGHIERI –
Data de nascimento do poeta: 29.5.1265 – In Memoriam –

Diz-se que teve apenas três paixões:
a política, a poesia e Beatriz…
Assim viveu invernos e verões,
cantando seu amor p´ra ser feliz !

“A Divina Comédia” e as canções
que fez à sua amada tudo diz;
foram suas sublimes obsessões
desde os seus devaneios juvenis…

Há tempos li sua obra genial:
Inferno, Purgatório e Paraíso;
e senti quanto é monumental…

“Deixai aqui todas as esperanças,
ó vós que entrais.” Se não se perde o juízo,
o percurso é de trevas e esquivanças…

SONETO A RAUL BOPP
– Data de falecimento do poeta em 2.6.1984 – In Memoriam

Ilustre seguidor do “movimento
antropofágico”; Cobra Norato,
original poema do talento
desse escritor em seu desiderato…

“Nas terras do Sem-Fim”, é seu intento
morar, enfim, sem qualquer aparato,
co´a filha da Rainha Sofia e o vento:
“sumo sem rumo no fundo do mato”.

Sempre será lembrado, foi pioneiro
do nobre Modernismo Brasileiro,
criando imagens simples, infantis…

Tendo sido um poeta inovador
seus versos falam alto pela cor
das matas do Amazonas no matiz!

SONETO A VOLTAIRE
– Falecimento do escritor em 30.5.1778 – In Memoriam

Ialmar Pio Schneider

Disse Voltaire em Cândido ou o Otimismo:
“Devemos cultivar nosso jardim!”
E porque defendia o Liberalismo,
foi perseguido sempre até o fim…

Lutou por suas ideias, outrossim,
sem jamais aderir ao conformismo,
e pelo seu caráter foi, enfim,
nobre filósofo do Iluminismo.

“Não concordo com nenhuma palavra
que dizes, mas defenderei até
a morte teu direito de dizê-lo”.

Esta frase genial de sua lavra,
vem confirmar um símbolo de fé
que deveremos ter como modelo…

Fonte:
Sonetos enviados pelo autor

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