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História em Quadrinhos

QUADRINHOS

É a arte de narrar uma história através de seqüências de imagens, desenhos ou figuras impressos. Os diálogos entre os personagens, seus pensamentos e a própria narração aparecem sob a forma de legendas ou dentro de espaços irregulares delimitados, chamados de balões.
São conhecidos como histórias aos quadradinhos em Portugal, comics nos Estados Unidos, bandes dessinées na França, fumetti na Itália, tebeos na Espanha, historietas na Argentina, muñequitos em Cuba, mangás no Japão. No Brasil são chamados também de histórias em quadrinhos (HQs).

Origem
Remonta à pintura rupestre da Pré-história. Desenhos que mostram aventuras de caça são encontrados nas grutas de Lascaux, na França, e Altamira, na Espanha. Hieróglifos e desenhos contando a vida dos faraós aparecem em baixos-relevos egípcios. Narrativas figuradas são comuns à via-sacra, aos estandartes chineses, às tapeçarias medievais, aos vitrais góticos e aos livros ilustrados de diversas épocas. Os filactérios, faixas com palavras escritas junto à boca dos personagens, usadas em ilustrações européias desde o século XIV, são considerados a gênese dos balões. A partir do século XIX, o texto acompanha sistematicamente o desenho.

Era de ouro
O abandono da sátira e do lirismo, a partir de 1930, e a criação de heróis caracteriza a era de ouro. Outros gêneros também ganham espaço. A malícia feminina aparece no vestido colante e na cinta-liga de Betty Boop, de Max Fleischer, e na pouca roupa de Jane, de Norman Pett. Al Capp revoluciona com Li’l Abner (Ferdinando, 1934), protagonista da série mais controvertida dos EUA, por satirizar violentamente os mitos do american way of life. Henry (Pinduca, 1932), o menino careca e sem boca de Carl Anderson, é um precursor de crianças travessas como Dennis, o pimentinha.
Al Capp (1909-1979), pseudônimo de Alfred Gerald Caplin, cartunista americano. Na infância é atropelado por um bonde e perde uma perna. Durante a 2a Guerra Mundial faz shows em hospitais para mutilados. Em 1934 cria Li’l Abner (Ferdinando), uma sátira às family strips: a mãe é matriarca e briguenta, o pai frouxo, e o cachorro é substituído por uma porquinha. O uso que Al Capp faz da língua é tão revolucionário que o escritor John Steinbeck o indica para o prêmio Nobel de literatu. A história vira musical da Broadway (1957) e ganha versão cinematográfica. Durante o macarthismo lança Shmoo, personagem-símbolo do socialismo.

Dirty comics – Deboche e sexo explícito atravessam a década de 30 nas dirty comics: revistas clandestinas escritas por autores anônimos. A sátira e o senso de humor influenciam a revista Mad, na década de 50, e os underground comics, nos anos 60.

Primeiros heróis– Dick Calkins retrata o século XXV com o primeiro herói de ficção científica: Buck Rogers. Baseado nos romances de Edgar Rice Burroughs, Hal Foster desenha Tarzan. Mas é a partir de 1936 que o traço pormenorizado de Burne Hogarth dá o visual definitivo ao homem-macaco. O Chicago Tribune, constatando que suspense e ação agradam aos leitores, encomenda as histórias do detetive Dick Tracy (1931) a Chester Gould, cujo traço influenciará cineastas como Alain Resnais e Jean-Luc Godard. Para concorrer com Buck Rogers, a King Features lança Flash Gordon (1933), de Alex Raymond.

A utilização de jogos de luz e sombra e enquadramentos insólitos, influência o cinema expressionista alemão, faz de Raymond e seus colegas Milton Caniff (Terry e os piratas, 1934) também influenciado por Hitchcock e John Ford e Hal Foster (O príncipe valente, 1937) mestres do gênero. Outro destaque é o escritor Lee Falk, parceiro de Phil Davis, no mágico Mandrake (1934), e de Ray Moore, no misterioso Fantasma (1936).
Alex Raymond (1909-1956), pseudônimo de Alexander Gillespie Raymond, desenhista americano. Com a quebra da Bolsa de Nova York perde o emprego de office-boy e resolve investir no talento para o desenho.
Torna-se desenhista assistente na King Features Syndicate, desenhando histórias assinadas por outros. Ganha um concurso interno e, em 1934, produz simultaneamente Jim das Selvas, Flash Gordon e Agente secreto X-9. Jim das Selvas não suplanta Tarzan na preferência do público, mas o Agente secreto X-9, escrito por Dashiell Hammett, bate Dick Tracy, e o visual de Flash Gordon é tão visionário que a NASA o usa como referência para resolver problemas de aerodinâmica, suplantando Buck Rogers.

Hal Foster (1892-1982), ilustrador canadense, trabalha como guia florestal, garimpeiro e lutador de boxe. Em 1921 viaja mil milhas de bicicleta até Chicago, onde trabalha como ilustrador publicitário. Atravessa a crise de 1929 ilustrando Tarzan. Em 1937 cria sua própria história, O príncipe Valente, obra-prima de desenho e texto que utiliza legendas e não balõezinhos. Editada pela King Features Syndicate é publicada em mais de 180 jornais americanos e traduzido para outros países. É o primeiro quadrinho a virar superprodução hollywoodiana.

Os super-heróis – Em meio à inflação de heróis surgidos no início da década de 30, aparecem outros com superpoderes para tentar resgatar a atenção do público.

Os comic books (revistas em quadr), surgidos em 1934, consolidam-se com a série do Super-homem (1938), de Joe Shuster e Jerry Siegel: o personagem, que esconde seus superpoderes atrás do tímido jornalista Clark Kent, torna-se um mito. Bob Kane serve-se também da dupla identidade para elaborar Batman (1939). Em sua luta contra o crime em Gotham City, o homem-morcego é auxiliado, a partir de 1940, pelo garoto prodígio Robin. Em contrapartida, surge The Spirit (1940), herói sem superpoderes, criado por Will Eisner, que realiza uma das maiores revoluções plásticas e literárias nos quadrinhos.
Durante a 2a Guerra Mundial, os super-heróis fazem propaganda da ideologia aliada. Escrito por Joe Simon (depois por Stan Lee) e desenhado por Jack Kirby, o Capitão América (1941) veste a bandeira norte-americana para combater o nazismo.

Joe Shuster (1914-1992) nasce em Toronto, Canadá. Quando sua família muda-se para Ohio, torna-se amigo de Jerry Siegel, também apaixonado por quadrinhos e histórias de ficção. Em 1933 criam o Super-homem, recusado a princípio por ser fantástico demais. Cinco anos depois, a primeira aventura do Super-homem sai na revista Action comics, e logo se torna um dos principais personagens da National, mais tarde conhecida como DC Comics. Apesar do sucesso mundial, os dois lucram pouco e durante anos brigam com a National pela posse dos direitos do Super-homem.

Pioneiros
Os primeiros nomes dos quadrinhos são Rudolf Töpffer artista e escritor suíço considerado um dos mais importantes ilustradores do mundo, com O sr. Vieux-Bois (1827); Henrique Fleiuss, com Dr. Semana (1861); Wilhelm Busch, com os garotos travessos Max e Moritz (1865) Juca e Chico na tradução de Olavo Bilac e Christophe (pseudônimo de Georges Colomb), com A família Fenouillard (1895). Esses artistas aliam qualidades literárias ao desenho e, freqüentemente, mostram situações cômicas. As primeiras histórias apresentam desenhos divididos em quadros acompanhados de legendas, que dão continuidade às ações.

Nascimento da linguagem
Os primeiros comics americanos fazem rir explorando cenas da vida cotidiana.
Em 1895, Richard Fenton Outcault desenha, pela primeira vez para um jornal, as histórias bem-humoradas de Yellow Kid (1895), o menino que vive nos becos e ruas da cidade.
O personagem de camisolão amarelo cor escolhida por oferecer menos problemas de secagem torna-se uma vedete lucrativa. Da cor também nasce o termo “jornalismo amarelo”, para designar a imprensa sensacionalista. Outcault introduz os balõezinhos contendo as falas dos personagens e a ação fragmentada e seqüenciada, iniciando nova forma de expressão.

Onomatopéias e novos sinais gráficos aparecem nas aventuras de Os sobrinhos do capitão (1897), de Rudolph Dirks, que já utiliza quadrinhos pretos em volta da ação.

Richard Fenton Outcault (1863-1928), artista americano, nasce em Ohio. Seu talento para as artes é incentivado pelos pais. Começa como ilustrador e passa a publicar nas revistas satíricas Life e Judge. Em 1894, no jornal New York World, com Yellow Kid, cria o primeiro personagem fixo semanal, que faz grande sucesso. Troca o World pelo New York Journal, do magnata Hearst. Ataques de grupos conservadores, que não aceitam o menino de rua, fazem Outcault desistir de sua criação. Em 1902 faz grande sucesso com Buster Brown (Chiquinho).

Crise
Com o final da 2a Guerra, os quadrinhos passam por uma fase difícil, tanto na Europa quanto nos EUA. Alguns países europeus, apesar de enfrentarem racionamento de papel e tinta, cancelam a importação de revistas dos EUA para barrar a influência americana e valorizar a produção nacional. A censura, a transferência de alguns autores para agências de publicidade e as diretrizes políticas dificultam a produção.

EUROPA
A crise se agrava com o crescimento das críticas de entidades políticas e religiosas. Uma delas apresenta projeto de lei para impedir a entrada de HQs na França. A resistência surge na Bélgica, com Lucky Luke (1946), de Maurice de Bevère e René Goscinny, sátira a todas as histórias de cowboy. Goscinny, juntamente com o desenhista Albert Uderzo, cria Asterix (1959), cujas histórias se passam na Gália durante a conquista romana. As tiras são publicadas na revista Pilote que, juntamente com a francesa Vaillant e as belgas Tintin e Spirou, é responsável pelo renascimento dos quadrinhos europeus.

René Goscinny (1926-1977), roteirista, desenhista, editor e diretor de imagens, nasce em Paris. Aos 2 anos, muda-se com a família para a Argentina. Em 1945 transfere-se para os Estados Unidos e colabora na revista Mad. Na década de 50, lança Lucky Luke, o índio Umpá-Pá e a série Le petit Nicolas. Em 1959, junto com o desenhista Albert Uderzo, cria Asterix, o divertido gaulês sempre em luta contra os romanos, traduzido em mais de 40 idiomas. Com a morte de Goscinny, em 1977, Uderzo acumula as funções de roteirista e desenhista. Uma briga com a editora Dargaud por direitos autorais leva Uderzo a ameaçar, em 1994, que pode se aposentar.

ESTADOS UNIDOS
A rigorosa censura do período macarthista (1950-1954) paralisa a indústria dos comics. Intelectuais culpam os quadrinhos pela crescente delinqüência juvenil. Assustados, os editores submetem os artistas ao Código de Ética, que proíbe violência, terror e sexo. A reação à censura acontece nas revistas Pogo (1949), de Walter Kelly, em que os animais contestam os seres humanos e Mad, violentamente satírica. Na mesma época, Charles Schulz, chamado de “o Freud dos comics”, se consagra com Peanuts (Minduim, 1950).

Charles Schulz (1922- ), um dos desenhistas de quadrinhos mais bem pagos do mundo, nasce em Minneapolis, EUA. Filho de um barbeiro, estuda desenho por correspondência. Suas primeiras tentativas de vender Li’l Folks não dão certo. Em 1950, a United Features Syndicate lança a tira, mudando o nome para Peanuts. Baseado em suas falhas e lapsos de menino, o fracassado Charlie Brown e sua turma aparecem em centenas de jornais e revistas do mundo inteiro, viram série de TV, longa-metragem e musical da Broadway.

Revista Mad
No fim do governo de Dwight Eisenhower (1953-1960), as 15 editoras que sobreviveram ao período de caça às bruxas, dentre as 50 que existiam, publicam apenas historinhas insossas, satirizadas por Harvey Kurtzmann que, desafiando o Código de Ética, cria a revista Mad (1952), onde arrasa o estilo de vida americano.

Evolução dos heróis
Ao lançar, em 1961, o Quarteto fantástico, pela editora Marvel Comics, Stan Lee renova o conceito de super-herói. Ao contrário das personagens anteriores, as suas apresentam fraquezas humanas que as aproximam do leitor. Surgem heroínas femininas emancipadas que se contrapõem às frágeis namoradas dos heróis, como Jane (Tarzan) e Olívia Palito (Popeye).

Revistas underground
Nos EUA, os Zap Comix (1968) misturam sexo, drogas e política e fazem coro à contracultura movimento que utiliza valores diferentes dos da sociedade tradicional. Robert Crumb desenha “anti-histórias em quadr”, como Fritz the cat, e lidera o movimento das revistas underground (subterrâneo, em inglês) ao lado de Gilbert Shelton, criador dos Freak brothers.

Anti-heróis
Fraquezas humanas aparecem no Homem-aranha (1962), adolescente tímido que tem de aprender a conviver com seus poderes, e no grupo de heróis X-Men (1963). Seguem-se, entre outros, personagens como Hulk (1962), mais monstro do que herói, o Demolidor (1964), que é cego, e o melancólico e filosófico Surfista Prateado (1966). A editora DC Comics, principal concorrente da Marvel, reformula seus super-heróis e inaugura a “Era de Prata” da HQ. Entre os mais importantes ilustradores da época estão Jack Kirby, Jim Steranko, Neal Adams, Berni Wrightson, Gil Kane e Barry Windsor Smith.

Personagens femininas
Os europeus antecipam a liberação feminina e criam os quadrinhos eróticos com Barbarella (1962), de Jean-Claude Forest. A compilação de suas aventuras é o começo das graphic novels, álbuns de grande apuro gráfico, e abre um filão adulto no mercado. No mesmo ano, Quino cria a intelectual Mafalda. Os cortes cinematográficos e clima onírico de Guido Crepax, seguidor de Godard, se revela com a fotógrafa Valentina Rosselli (1965), em desenhos bem elaborados e linguagem revolucionária. Nessa linha surgem Jodelle (1966), de Guy Pellaert, e Paulette (1970), de Georges Wolinski e Georges Pichard.

Quino (1932- ), pseudônimo de Joaquin Salvador Lavado. Filho de espanhóis, nasce em Mendoza, na Argentina. Após freqüentar a Academia de Belas Artes, começa a trabalhar com publicidade. Em 1954 muda-se para Buenos Aires. Em 1962 cria Mafalda a pedido de uma agência publicitária. O desenho é rejeitado e fica engavetado por dois anos, até que a revista Primera Plana solicita uma colaboração regular. A filósofa baixinha, de cabeça grande e enorme laço, que odeia sopa, se transforma num fenômeno internacional. Em 1973 desenha as últimas tiras de Mafalda e passa a dedicar-se aos cartuns e histórias curtas.

Entressafra dos quadrinhos
A crise econômica que tem início em 1973 provoca queda nos títulos. Algumas criações isoladas se destacam. Garry Trudeau recebe o prêmio Pulitzer pela sátira política Doonesbury. Os leitores de jornais se divertem com Hagar, o horrível, o viking de Dick Browne, e se apaixonam por Garfield, de Jim Davis (1978). Em 1974 Richard Corben tira os comic books do marasmo com trabalhos publicados em Heavy Metal. A clássica saga Lanterna Verde-Arqueiro Verde, de Denny O’Neil e Neal Adams, discute temas sociais e mostra super-heróis viciados em drogas. Wally Wood escandaliza ao fazer um pôster das personagens de Disney numa bacanal.
Em 1970 Hugo Pratt inaugura, com o marinheiro Corto Maltese, o romance em quadr. Seu desenho influencia Milo Manara em suas histórias eróticas. Temas fantásticos e poéticos definem o estilo de um dos desenhistas mais premiados do mundo: Moebius, pseudônimo de Jean Giraud, criador, entre outros, do Tenente Blueberry (1963).

Jim Davis nasce em Indiana, nos Estados Unidos e passa a infância numa fazenda, na companhia de 25 gatos. Desde criança gosta de desenhar. Forma-se pela Ball State University e trabalha em publicidade. Em 1969 cria sua primeira tira, o inseto Gnorm Gnat, publicado em um jornal local. Garfield, o gato gordo, preguiçoso e egoísta, surge em 1978, e logo se torna um fenômeno. A tira é publicada em mais de 2.400 jornais do mundo todo.

Quadrinhos contemporâneos
Na década de 80 os quadrinhos atingem cada vez mais o público adulto. As edições são mais luxuosas e as histórias, mais violentas. Os autores japoneses se tornam mais conhecidos no mercado ocidental.

ESTADOS UNIDOS
Em 1982 o judeu-sueco Art Spiegelman ganha, com Maus, os prêmios Yellow Kid, do Salone dei Fumetti, de Lucca, na Itália, o Editorial Playboy, nos EUA, e o Pulitzer de Literatura. Em 1985 surge O cavaleiro das trevas, de Frank Miller, que mostra um Batman violento e psicótico. Lançado em 1986, Watchmen, dos ingleses Alan Moore e Dave Gibbons, disseca o conceito de super-herói de uma forma visual e literária complexa. Moore é também o autor de Miracleman (1982), V de vingança (1988) e Batman: a piada mortal (1989). Artistas ingleses começam a publicar nos EUA: Dave McKean (Orquídea negra), Grant Morrison (Asilo Arkham), Peter Milligan (Skreemer) e Jamie Delano (John Constantine). Neal Gaiman é o autor de Violent cases (1988), Sandman (1989), sofisticada história de horror, além de Livros de magia (1991) e S ignal to noise (1992). Os álbuns de luxo tornam-se mais elaborados com o uso de técnicas como a aquarela e a colagem. Seus mestres são Dave McKean, Bill Sienkiewicz, Brian Bolland, George Pratt, Kent Williams, Jon Mutt e Duncan Fegredo. Leitores de todas as idades rendem-se às reflexões de Calvin e seu tigre Haroldo, de Bill Watterson.
Art Spiegelman (1948- ), um dos mais célebres cartunistas da vanguarda americana, nasce na Suécia e emigra com os pais para os Estados Unidos. Publica vários cartuns no New York Times e Playboy. Torna-se co-editor e colaborador da revista underground Raw. Sua obra-prima, Maus, em que os nazistas são gatos e os judeus ratos é inspirada na história de seu pai, um sobrevivente judeu dos campos de concentração.

Frank Miller (1957- ), desenhista e argumentista americano, é um dos maiores inovadores dos quadr. Sua carreira começa em 1979, quando trabalha em O Demolidor, criação dos anos 40 de Jack Cole. Fã dos mangás japoneses, Miller dá novo formato à série e introduz a personagem Elektra, que depois ganharia aventuras próprias. Em 1983 cria Ronin, um samurai do futuro que se torna um clássico internacional.

Bill Watterson nasce nos EUA. Em 1984 as tiras de Calvin, o garotinho que tem no tigre de pelúcia seu maior amigo, começam a ser distribuídas. Elas transformam-se num êxito internacional e são publicadas em cerca de 1.800 jornais. Bill Watterson detesta dar entrevistas e pouco se sabe sobre sua vida. O contato com os editores é feito por sua mulher, Melissa.

Jogos de marketing
No momento em que os super-heróis tornam-se novamente uma febre mundial, ocorre uma revolução no mercado americano: o sistema de venda direta. As editoras produzem tiragens exatas, com público assegurado pelo distribuidor. Em 1989 o americano Todd McFarlane vende 3 milhões de exemplares de seu Homem-Aranha, recorde apenas superado pelos 7 milhões de exemplares dos X-Men que o coreano Jim Lee comercializa em 1992, ambos pela Marvel. A DC Comics reage: mata o Super-homem, em 1992, e vende 3,5 milhões de exemplares. Em 1993 o ressuscita em novas aventuras. Da mesma forma aleija o Batman (1993), procurando atrair mais consumidores.

Nova editora
Atento ao mercado, McFarlane funda, em 1992, com Lee e outros desenhistas contemporâneos, a Image. Amparada por bons desenhistas, chama roteiristas famosos como Moore, Gaiman e Miller.

EUROPA
Na Itália, França e Espanha, aumenta a produção de álbuns luxuosos. Gaetano Liberatore lança o lascivo Ranxerox e Vittorio Giardino parodia Little Nemo nos sonhos eróticos da jovem Little Ego. O inglês Pat Mills faz, desde 1977, crítica social em Judge Dredd. A violência cínica de Torpedo, de Jordi Bernet, destaca-se em meio às histórias espanholas. Barcelona e Bruxelas firmam-se como os atuais grandes centros dos quadrinhistas europeus. Nos anos 90, o cineasta Federico Fellini, que tinha sido autor de HQ, publica, com Milo Manara, Viagem a Tulum. Sérgio Bonelli amplia sua influência com o faroeste Tex (sucesso desde 1948) e as histórias de terror de Dylan Dog. Na nova safra, destacam-se o iugoslavo Enki Bilal e o francês François Bourgeon, autores de HQs de fantasia e ficção cientí fica. Atualmente, França e Itália enfrentam uma crise de mercado.

AMÉRICA LATINA
A produção mais intensa está na Argentina, país onde o autor nacional tem grande reconhecimento do público. O mais importante roteirista é Hector Germán Oesterheld (Sargento Kirk, com desenhos de Hugo Pratt). José Muñóz e Carlos Sampayo, com o detetive Alack Sinner, e Carlos Trillo, com Alvar Mayor, um fidalgo espanhol que vive entre os índios, fazem sucesso na Europa. Uruguaio radicado em Buenos Aires, Alberto Breccia é internacionalmente admirado por Mort Cinder (1962) e suas personagens que viajam no tempo.

JAPÃO
Ao lado dos EUA, o Japão é um dos maiores produtores e consumidores de HQs. Os mangás atingem todas as idades com inigualável multiplicidade de gêneros. Kazuo Koike, Katsushiro Otomo, Kazuya Kudo, Ryoichi Ikegami e Sho Fumimura são alguns dos desenhistas mais bem pagos do mundo. Akira (1982), de Otomo, e o Lobo solitário (1980), de Koike, sucessos de vendas, influenciam Batman, de Frank Miller, nos EUA. Para penetrar na Europa, as editoras japonesas tentam contratar desenhistas europeus. Ikegami combina tradição e modernidade em Mai, a garota sensitiva, Crying freeman e Sanctuary.

HISTÓRIA EM QUADRINHOS NO BRASIL
A publicação de histórias em quadrinhos no Brasil começou no início do século XX. No país o estilo comics dos super-heróis americanos é o predominante, mas vem perdendo espaço para uma expansão muito rápida dos quadrinhos japoneses (conhecidos como Mangá). Artistas brasileiros têm trabalhado com ambos os estilos. No caso dos comics alguns já conquistaram fama internacional (como Roger Cruz que desenhou X-Men e Mike Deodato que desenhou Thor, Mulher Maravilha e outros).
A única vertente dos quadrinhos da qual se pode dizer que desenvolveu-se um conjunto de características profundamente nacional é a tira. Apesar de não ser originária do Brasil, no país ela desenvolveu características diferenciadas. Sob a influência da rebeldia contra a ditadura durante os anos 60 e mais tarde de grandes nomes dos quadrinhos underground nos 80 (muitos dos quais ainda em atividade), a tira brasileira ganhou uma personalidade muito mais “ácida” e menos comportada do que a americana.
Índice

1960 à atualidade

Em 1960 começou a ser publicado a revista O Pererê com texto e ilustrações de Ziraldo (mesmo autor de O Menino Maluquinho). O personagem principal era um saci e não raro suas aventuras tinham um fundo ecológico ou educacional.

Também na década de 60 o cartunista Henfil deu início a tradição do formato “tira” com seus personagens Graúna e Os Fradinhos.

Foi nesse formato de tira que estrearam os personagens de Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica ainda no fim de 1959.
Só mais tarde suas histórias passaram a ser publicadas em revistas, primeiro pela Editora Abril e depois pela Editora Globo.
Nos anos 60 o golpe militar e seu moralismo bateram de frente com os quadrinhos, em compensação inspirou publicações cheias de charges como O Pasquim que, embora perseguido pela censura, criticavam a ditadura incansavelmente.
A revista Balão, fundado pelo Laerte e pelo Luiz Gê e publicada por alunos da USP e com a curta duração de dez números, revelou autores consagrados até hoje, como os irmãos Paulo e Chico Caruso, entre outros. Angeli, Glauco e Laerte vieram ajudar a estabelecer os quadrinhos underground no Brasil durante os anos 80, desenhando para a Editora Circo em revistas como Circo e Chiclete com Banana. Juntos produziam as histórias de Los Três Amigos (sátira western com temáticas brasileiras) e separados renderam personagens como Rê Bordosa, Geraldão e Overman. Mais tarde juntou-se a “Los Três Amigos” o quadrinista gaúcho Adão Iturrusgarai. Estes quatro publicam até hoje na Folha de São Paulo e lançam álbuns por diversas editoras (mas principalmente pela Devir Livraria). A Folha também publica tiras de Caco Galhardo (Pescoçudos) e Fernando Gonsales (Níquel Náusea). Nesse período, muitas publicações independentes (fanzines) começaram a circular, aproveitando o boom das HQs em meados dos anos 80. Uma dessas publicações de grande sucesso foi o fanzine SAGA, que inovou na época, ao trazer impressão em profissional e capas coloridas, coisa totalmente anormal, para um fanzine, que por regra era feito em copiadoras comuns. Seus membros continuam ativos, como Alexandre Jurkevicius e seu personagem Peralta, A. Librandi atua na área de promoção e Walter Junior continua ilustrando.
Apesar de existirem diversas revistas voltadas estritamente para a HQ nacional, como “Bundas” (já extinta), “Outra Coisa” (com informações sobre arte independente) e “Caô”, pode-se considerar que o gênero ainda não conseguiu se firmar no Brasil.
Na década de 90, a História em Quadrinhos no Brasil ganhou impulso com a realização da 1.a e 2.a Bienal de Quadrinhos do Rio de Janeiro em 1991 e 1993, e a 3.a em 1997 em Belo Horizonte. Estes eventos, realizado em grande número dos centros culturais da cidade, em cada versão contou com público de algumas dezenas de milhares de pessoas, com a presença de inúmeros quadrinistas internacionais e praticamente todos os grandes nomes nacionais, exposições cenografadas, debates, filmes, cursos, RPG e todos os tipos de atividades.
No fim da década de 1990 e começo do século XXI, surgiram na internet diversas histórias em quadrinhos brasileiras, ganhando destaque os Combo Rangers, criados por Fábio Yabu que tiveram três fases na internet (Combo Rangers, Combo Rangers Zero e Combo Rangers Revolution, que ficou incompleta), uma mini-série impressa e vendida nas bancas (Combo Rangers Revolution, Editora JBC, 2000, 3 edições), ganhando, posteriormente, uma revista mensal pela mesma JBC (12 edições, Agosto de 2001 a Julho de 2002) e, posteriormente, pela Panini Comics (10 edições, Janeiro de 2003 a Fevereiro de 2004).
Os Guerreiros da Tempestade formam um grupo de super-heróis legitimamente brasileiros criados por Anísio Serrazul e começaram a ser publicados pela ND Comics no início de 2005, que está sediada em Goiânia. Tendo como diretor comercial o também roteirista Fábio Azevedo, o título segue a linha estética dos comics americanos. As suas aventuras são as primeiras a estar presentes em todas as bancas do país. Os personagens são legitimamente brasileiros, tendo como arquinimigos seres do futuro que desejam roubar as riquezas naturais da Terra para reconstruí-la.
Hoje em dia, do ponto de vista das grandes tiragens ha predominância das histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, que fazem sucesso em outros lugares do planeta, mas conta-se com uma nova geração de quadrinistas, muitos que se projetam no cenário internacional.

Outcault, o pai dos quadrinhos
Richard Felton Outcault nasceu em 14 de Janeiro de 1863, em Lancaster, Ohio. Diplomou-se em Artes pela McMicken University e, logo depois de seu casamento com Mary Jane Martin – realizado em 25 de Dezembro de 1890 – mudou-se para Nova Iorque com o objetivo de desenvolver sua carreira de ilustrador.
Em Nova Iorque, Outcault fez ilustrações e charges para as revistas The Electrical World, Judge e, entre outras, Life (1883-1936). Entretanto, só foi ter sua grande oportunidade quando se tornou ilustrador do New Yourk World e criou Down Hogan’s Alley.
De gênero humorístico e realizada na forma de painéis semanais – às vezes esses painéis enchiam páginas inteiras do jornal -, Down Hogan’s Alley não contava uma história. Apenas mostrava os acontecimentos e os habitantes de um bairro pobre novaiorquino.
Todavia, ainda que nunca tenha contado uma história, Down Hogan’s Alley é de grande importância para a história em quadrinhos, pois deu origem àquela que muitos historiadores e pesquisadores dos quadrinhos consideram a primeira história em quadrinhos do mundo: O menino amarelo (The Yellow Kid, no original).

Pulitzer é um precursor das HQs
Aos 17 anos de idade, o húngaro Joseph Pulitzer (1847-1911) deixou sua terra natal e percorreu diversos países da Europa, à procura de um exército que o recrutasse. Como não conseguiu seu objetivo, foi para os EUA, onde se alistou no Exército da União. Depois de dar baixa, teve várias ocupações sem importância, até que, em 1868, se tornou repórter do Westliche Post, o principal diário em língua alemã de St. Louis, Missouri. Mas não ficou muito tempo nesse emprego, uma vez que, em 1869, elegeu-se deputado estadual. Depois, em 1883, quando já morava em Nova Iorque, comprou o New York World, um jornal que desde sua fundação lutava pela sobrevivência.
Logo após ter sido comprado por Pulitzer, o New York World passou por uma transformação completa – suas páginas foram tomadas por manchetes enormes, artigos sensacionalistas, seções esportivas e numerosas ilustrações –, a fim de atrair novos leitores.
Também com a finalidade de aumentar as vendas do New York World, Pulitzer concentrou seus esforços no suplemento dominical do jornal que, a partir de 1894, teve entre seus principais ilustradores Richard Outcault, criador de Down Hogan’s Alley, uma precursora das histórias em quadrinhos.

Duas versões para a mesma HQ
Do mesmo modo que ocorrera com The Yellow Kid, The Katzenjammer Kids originou uma disputa judicial. Em 1913, após fazer uma viagem pela Europa, Rudolph Dirks trocou o New York Journal, de William Randolph Hearst, pelo New York World de Joseph Pulitzer. Hearst não gostou nem um pouco dessa atitude e resolveu disputar judicialmente com Dirks a propriedade de Katzenjammer Kids.
Depois de uma longa batalha judicial, os tribunais decidiram que Dirks podia desenhar seus personagens para o World – ele deveria apenas trocar o título da história – e Hearst podia publicar no Journal a história com seu título original e seus personagens costumeiros. Assim, em novembro de 1914, surgiram duas versões para a mesma história em quadrinhos: uma publicada no World e realizada por Dirks, a outra publicada no Journal e produzida por Harold H. Knerr, que, entre 1903 e 1914, realizou para o jornal Philadelphia lnquirer as páginas dominicais de Die Fineheimer Twins, uma história em quadrinhos inspirada em The Katzenjammer Kids.

Little Nemo in Slumberland
Em 15 de outubro de 1905, mais ou menos um ano após o aparecimento de Sonhos de Um Comilão, Little Nemo In Slumberland (no Brasil essa história em quadrinhos foi publicada com os seguintes títulos: Little Nemo ln Slumberland, O Sonho de Carlinhos e Nemo Floresta no Pais da Sonolândia), a série quadrinística mais conhecida de Winsor McCay, surgiu nas páginas do jornal NewYork Herald, cujo proprietário era James Gordon Bennett.
Apresentadas sempre em páginas dominicais coloridas, as histórias de Little Nemo in Slumberland obedeciam a um esquema fixo: constantemente rodeado de pessoas, coisas e cenários singulares, Nemo, um menino de cerca de 7 anos de idade, vivia as mais exóticas e inesperadas aventuras. Depois, no último quadrinho da página, ele era mostrado despertando abruptamente (às vezes, era mostrado caído da cama; outras vezes, sendo chamado pela mãe ou pelo pai). Os leitores descobriam, então, que as peripécias vividas por Nemo não passavam de sonhos. E, nesses sonhos, ocorridos em Slumberland (numa tradução literal, Terra do Sono), os mágicos domínios do rei Morpheus e de sua filha, a Princesa, cujo nome nunca foi revelado, Nemo tinha como companheiros mais ou menos constantes: Flip, um anão de rostos verde; lmpy, um canibal arrependido; e o charlatanesco Dr. Pill.

Will Eisner (criador de The Spirit)
“Esta antiga forma artística, ou método de expressão, desenvolveu-se até resultar nas tiras e revistas de quadrinhos, amplamente lidas, que conquistaram uma posição inegável na cultura popular deste século. É interessante notar que apenas recentemente a Arte Sequencial emergiu como disciplina discernível ao lado da criação cinematográfica, da qual é verdadeiramente uma precursora. Arte Sequencial tem sido geralmente ignorada como forma digna de discussão acadêmica. Embora cada um dos seus elementos mais importantes, tais como o design, o desenho, o cartum e a criação escrita, tenham merecido consideração acadêmica isoladamente, esta &uacutenica combinação tem recebido um espaço bem pequeno (se é que tem recebido algum) no currículo literário e artístico.”

Alex Raymond (1909-1956, criador de Flash Gordon, Jim of the Jungle e Nick Holmes)
“Estou sinceramente convencido de que a arte dos quadrinhos é uma forma de arte autônoma. Reflete sua época e a vida em geral com maior realismo e, graças a sua natureza essencialmente criativa, é artisticamente mais válida do que a mera ilustração. O ilustrador trabalha com máquina fotográfica e modelos; o artista dos quadrinhos começa com uma folha de papel em branco e inventa sozinho uma história inteira – é escritor, diretor de cinema, editor e desenhista ao mesmo tempo”

Picasso
“A grande mágoa da minha vida é nunca ter feito quadrinhos”

Scott McCloud (autor de Zot e Desvendando os Quadrinhos)
“Compreender os quadrinhos é um negócio sério. Hoje eles são uma das poucas formas de comunicação de massa na qual vozes individuais ainda têm chance de ser ouvidas. Hoje, as possibilidades do quadrinhos são, como sempre foram, ilimitadas. Os quadrinhos oferecem recursos tremendos para todos os roteiristas e desenhistas: constância, controle, uma chance de ser ouvido em toda parte, sem medo de compromisso… Oferece uma gama de versatilidade com toda a fantasia potencial do cinema e da pintura, além da intimidade da palavra escrita. É só necessário o desejo de ser ouvido, a vontade de aprender, e a habilidade de ver.”
Dave Sim (criador de Cerebus)
“Quadrinhos são o único meio onde é possível produzir algo realmente idiossincrático e tê-lo largamente difundido a um custo muito baixo.”

Richard Corben (criador de Den)
“A história em quadrinhos é, primordialmente, um meio visual. São os desenhos, o plano das páginas, a harmonia gráfica das imagens, cenas e personagens, o que atraem o leitor em primeiro lugar. Logo, o desenho deve estar também disposto de modo convencional para que forme uma narração. Certos desenhistas colocam mais ênfase na primeira tarefa, atração visual, enquanto outros trabalham mais minuciosamente os elementos descritivos e narrativos. Creio pertencer à segunda categoria, assim como a maioria dos desenhistas que admiro.”

Frederico Fellini
“Histórias em quadrinhos são a fantasmagórica fascinação daquelas pessoas de papel, paralisadas no tempo, marionetes sem cordões, imóveis, incapazes de serem transpostas para os filmes, cujo encanto está no ritmo e dinamismo. É um meio radicalmente diferente de agradar aos olhos, um modo único de expressão. O mundo dos quadrinhos pode, em sua generosidade, emprestar roteiros, personagens e histórias para o cinema, mas não seu inexprimível poder secreto de sugestão que reside na permanência e imobilidade de uma borboleta num alfinete.”

Fontes:
http://www.historiaemquadrinhos.hpg.ig.com.br/
http://pt.wikipedia.org/

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