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Lenda da Vela de Natal

Era uma vez um pobre sapateiro que vivia numa cabana, na encruzilhada de um caminho, perto de um pequeno e humilde povoado. Como era um homem bom e queria ajudar os viajantes, que à noite por ali passavam, deixava na janela da sua casa, uma vela acesa todas as noites, de modo a guiá-los. E apesar da doença e a fome, nunca deixou de acender a sua vela.

Veio então uma grande guerra, e todos os jovens partiram, deixando a cidade ainda mais pobre e triste. As pessoas do povoado ao verem a persistência daquele pobre sapateiro, que continuava a viver a sua vida cheio de esperança e bondade, decidiram imitá-lo e, naquela noite, que era a véspera de Natal, todos acenderam uma vela em suas casas, iluminando todo o povoado.

À meia-noite, os sinos da igreja começaram a tocar, anunciando a boa notícia: a guerra tinha acabado e os jovens regressavam às suas casas!

Todos gritaram: “É um milagre! É o milagre das velas!”.

A partir daquele dia, acender uma vela tornou-se tradição em quase todos os povos, na véspera de Natal.

Fonte:
http://natal.com.pt/contos-e-lendas-de-natal

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Simões Lopes Neto (A Casa de Mbororé)

Dentro do mato grosso, mato velho e crescido, sem plantas pequenas dentro, aí, só há uma luz pouca, tirante a verde e a cinzento; e nenhuma árvore faz sombra, porque a ramaria de todas faz peneira por onde passa o sol, que nunca enxerga o chão…

Dentro desse mato, no mais tupido dele, há uma lombada redonda, como uma casca de
carumbé; aí, em cima dela, há uma casa de pedra branca, branca como se encaliçada, e sem porta em nenhum lado nem janela em nenhuma altura.

Dentro da casa branca as salas são lastradas de barras de ouro e barras de prata, do peso que é preciso dois homens para mover cada uma; e todas as juntas das pilhas estão tomadas de pedras finas…

Por cima de tudo estão, em montes, tocheiros de ouro maciço e cálices e resplendores de
santos; e salvas de prata e turíbulos e cajados.

Nos corredores, como prontos para içar para as cangalhas das mulas de carga, prontos,
com as suas alças, estão lotes de surrões, socados de moedas de ouro, separadas em porções, metidas em bexigas de rês…

O rondador da casa branca dia e noite anda em redor dela; é um índio velho, cacique que
foi, Mbororé, de nome, amigo dos santos padras das Sete Missões da serra que dá vertente para o Uruguai.

Os padres foram tocados para longe, levando só a roupa do corpo… mas a casa branca já
estava feita, sem portas nem janelas… e Mbororé, que sabia tudo e era cacique, de noite, e precatado, com os seus guerreiros, carregou de todos os lugares para aquele as arrobas amarelas e as arrobas brancas, que não valiam a caça e a fruta do mato e a água fresca, e pelas quais os brancos de longe matavam os nascidos aqui, e matavam-se uns aos outros.

Mbororé desprezava essas arrobas; mas como era amigo dos santos padres das Sete Missões, guardou tudo e espera por eles, rondando a casa branca, sem portas nem janelas.

Ronda e espera…

Fonte:
Simões Lopes Neto, Contos Gauchescos & Lerndas do Sul. Porto Alegre/RS: L&PM Pocket, 2012.

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Ana Maria Machado (Lenda grega recontada: A Tapeçaria de Aracne)

Há muito, muito tempo, na Grécia Antiga, contavam que Palas, a deusa da sabedoria (que mais tarde os romanos chamariam de Minerva), ensinava todos os segredos de fiação e tecelagem a uma moça chamada Aracne. 
Aracne era de origem humilde, mas se tornou tão habilidosa com fios e tramas que até as ninfas dos bosques e dos rios vinham vê-la trabalhar. Não só porque os tecidos que fazia eram incomparáveis, mas até porque a graça de seus movimentos tinha a beleza de uma arte, desde que puxava os chumaços de lã ou cânhamo até quando fazia novelos e meadas. E, principalmente, depois, quando a linha macia e longa se convertia em belos panos num tear ou era ricamente bordada em desenhos divinos. Divinos, sim. Pois todos os que viam o trabalho de Aracne logo concluíam que ela aprendera seu ofício com Palas, e cobriam a deusa de louvores.
Ora, quanto mais atenção atraía, mais Aracne se ofendia com os elogios a Palas e negava qualquer mérito à deusa. Até que certo dia acabou exclamando:
Sou muito melhor tecelã que Palas! Se ela viesse competir comigo, todos iam ver isso. E, se me vencesse, poderia fazer comigo o que quisesse. 
Antes de aceitar o desafio, a deusa se disfarçou e veio visitar Aracne sob a forma de uma velha, aconselhando-a a respeitar a experiência e a sabedoria dos anciãos e a reconhecer a superioridade dos deuses.
— Se você se arrepender de suas palavras e pedir perdão, tenho certeza de que Palas a perdoará — disse.
— Você está é de miolo mole, sua velha. Quer dar conselho? Vá procurar suas netas… Eu me defendo sozinha. Palas tem medo de mim. Se não tivesse, já teria vindo me enterrar.
A velha deixou cair o disfarce e se revelou em todo o seu esplendor:
— Pois Palas veio, sua tonta!
As ninfas e todas as mulheres se prostraram diante da deusa, mas Aracne manteve seu desafio. 
Sem perder tempo, cada uma das duas foi para um canto do enorme salão, com seus novelos, meadas, fios e seu tear. 
Durante muito tempo, uma belíssima tapeçaria foi surgindo em cada tear. Palas fez questão de ilustrar em seu bordado todas as histórias de mortais que tinham desafiado os deuses e os terríveis preços que tiveram de pagar por isso. Aracne, por outro lado, mostrou em sua tapeçaria os inúmeros crimes que os deuses já tinham cometido, recriados com exatidão e minúcia de detalhes. Cada uma, ao final, rematou seu trabalho com uma preciosa moldura tecida.
Ninguém se surpreendeu com a perfeição da obra de Palas. Mas quem ficou surpresa foi a deusa, pois, por mais que procurasse o mínimo defeito na obra de Aracne, não conseguiu encontrar uma única falha. Com raiva, bateu várias vezes com seu bastão na testa da tecelã. 
Não suportando a dor, Aracne passou um fio no pescoço para se enforcar. Mas Palas teve pena e a segurou, suspensa no ar, dizendo:
— Você tem má índole e é vaidosa, mas tenho que respeitar sua arte. Não admito que morra. Porém, você e seus descendentes viverão sempre assim, suspensos o tempo todo.
E, ao partir, borrifou-lhe uma poção que fez o cabelo da moça cair, a cabeça e o corpo encolherem, os dedos crescerem, e a transformou para sempre numa aranha, condenada a fabricar fio e teia até o final dos tempos. Sempre com perfeição incomparável. 
Fonte:
Revista Nova Escola

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Franz Kreüther Pereira (Painel de Lendas & Mitos da Amazônia) Parte 8

Trabalho premiado (1º lugar) no Concurso “Folclore Amazônico 1993” da Academia Paraense de Letras

IARA
Uiara, Oiara, Eiara, Igpupiara, Hipupiara


Mito baseado no modelo das sereias dos contos homéricos, a Iara é a Vênus amazônica; é uma ninfa loira de corpo deslumbrante e de beleza irresistível. Sua voz é melodiosa e seu canto, tal como no original grego, é capaz de enfeitiçar a todos que o ouvem, arrastando-os em sua direção, até o fundo do rio, lagos, igarapés, etc., onde vivem esses seres fabulosos. Na Amazônia o tapuio que escuta o cantar da Iara fica “mundiado” e é atraído por ele; o mesmo se dá com as crianças que desaparecem misteriosamente. Crêem os ribeirinhos que essas crianças estão “encantadas” no reino da “gente do fundo”. Lá o menino é instruído no preparo de todos os tipos de puçangas e remédios. Ao fim de sete anos, durante os quais foi iniciado nas artes mágicas, na manipulação de plantas e ervas, etc.; o jovem pode retornar para junto dos seus, onde, geralmente, se torna um grande xamã, um medicine-man.

Se as sereias e seu consorte, o Tritão, existem realmente, ninguém sabe, mas um caso acontecido com o senhor Cícero, velho pescador e antigo delegado da cidade de Soure, na Ilha do Marajó, quase nos deixa com um testemunho da existência dessas criaturas. O caso nos é contado pelo neto do protagonista, o pesquisador e estudioso de magia nativa, Antonio Jorge (Brito da Silva) Thor[6].

Corria o ano de 1925, e como sempre faziam, seu Cícero e seus amigos prepararam-se para mais uma pescaria no seu pesqueiro favorito, de onde nunca saíam sem que estivessem carregados dos mais diversos peixes. Este lugar era secreto, conhecido apenas por eles, mas naquela noite enluarada, uma estranha calmaria, uma quietude desconhecida no mar,  prenunciava surpresas.

As horas passavam e, estranhamente, nenhum peixe beliscava as imóveis iscas e anzóis. De repente o senhor Cícero sentiu um forte puxão na linha, indicativo evidente de que fisgara um dos grandes; o que foi confirmado pelo esforço que fazia para puxar a presa, tanto que teve de pedir ajuda aos companheiros. Deixemos que Thor continue:

“Em dado instante a parte que parecia estar bem iscada, cedeu!… Naquele momento, oportunamente, o pensamento foi um só: – Perdemos o peixe! Entretanto, ao chegar com o anzol a flor d’água […]estava lá, bem enrolado no anzol de bom tamanho, algo que os faria interrogativos para o resto de suas vidas: – um monte de cabelos loiros, os quais mediam entre 1,5 metro a 2,5 metros.”

O pavor que tomou conta dos surpresos pescadores foi tanto que fugiram do local abandonando anzóis, linhas e, provavelmente, a única prova palpável, insofismável, de que as sereias, as Iaras, existem.

Na nossa cultura o mito da deidade fluvial Iara, mesclou-se com seus congêneres europeus (sereias) e africanos (Iemanjá) causando alguma confusão. Confusão esta provocada pelo que Victor Jabouille chama de “espírito de evangelização”, que todo colonizador se acha possuído, a ponto de “destruir as velhas tradições e os velhos mitos pela imposição das  realidades alheias. “Por força dessa circunstância, outro de nossos mitos autóctones que incorporou elementos europeus e africanos foi o do SACI PERERÊ que é muito confundido com o CURUPIRA e com o CAAPORA.

CAAPORA

Na bibliografia que compulsamos, a maioria dos pesquisadores não apresenta um consenso quanto às características e particularidades deste que vêm a ser um dos mais férteis nume caboclo. Encontramos os seguintes nomes e grafias: cayapóra, cayapora, kaápora, caipora, jurupari, anhangá, koropyra, curupira, currupira, tatacy, çacy, saci, saci-pererê, sacy-cererê, maty, matinta, matinta pereira, mati-taperê ou simplesmente sererê.

O que queremos mostrar é a dificuldade para se dar a esse mito um contorno definido e esclarecer as funções da divindade. E é exatamente aí o fulcro da confusão que coloca o  Caapora, o Curupira e o Saci, como uma só entidade. Embora exista uma diferença estrutural evidente entre Caapora e Çacy*, ambos são membros da mesma família. O vocábulo Caá-pora, ligado à imagem de protetor, função exercida pelo Curupira e pelo Saci, na nossa opinião, é o verdadeiro foco da confusão. Veremos mais adiante, com um pouco mais de detalhes, alguns dos elementos que compõem a família dos demônios protetores das selvas amazônicas. Mas, voltemos ao Caapora, que Gonçalves Dias[7] registrou em “O Brasil e a Oceania” com as seguintes palavras:

“O Caapora veste as feições de um índio anão de estatura, com armas proporcionais ao seu tamanho; habita o tronco das árvores carcomidas onde atrai os meninos que encontra desgarrados na floresta, outras vezes divaga sobre um tapir ou governa uma vara de infinitos caitetus, cavalgando o maior deles. Os vaga-lumes são seus batedores, é tão forte seu condão que o índio que por desgraça o avistasse era mal sucedido em todos os seus passos. Daqui vem chamar-se Caipora ao homem a que tudo se dá ao contrário.”

O Caapora apresenta-se como um moleque pretinho, que cavalga porcos selvagens; mas também pode ser descrito como uma caboclinha de longos cabelos, duros feito espinhos, e que, em troca de tabaco, é capaz de dar ao caçador tanto a caça que ele deseja quanto o próprio sexo.

Os índios e caboclos acreditam que prendendo um Caapora, ele é obrigado a conceder um “poderzinho” ou atender a um desejo, em troca da liberdade. A armadilha para capturá-lo e a isca utilizada consistem apenas numa cuia e aguardente. Derrama-se a cachaça na cuia, que deve ser colocada num lugar onde ele já tenha aparecido, ou no local para onde tenha sido chamado previamente. Depois de ter bebido a cachaça, torna-se presa fácil para qualquer um, porém até hoje ninguém conseguiu realizar tal façanha.

Apesar de, em alguns casos, essa entidade aparecer como má e vingativa, a versão geral é de que ele é um duende protetor da floresta e da caça. Daí alguns autores o identificarem com o Curupira, como já vimos, mas ele guarda, também, certa semelhança com outro habitante das matas, outro gênio florestal, o MAPINGUARI.
 
MAPINGUARI

Esta criatura é descrita como um macaco de tamanho descomunal -5 a 6 metros – peludo como porco espinho, “só que os pêlos são de aço”[8]. Dentro dessa descrição – um grande macaco, “uma espécie de orangotango, coberto de longo e denso pelágio”, etc. – encontramos, como veremos, o Curupira, mas as semelhanças não terminam aí; numa versão o Mapinguari tem um só olho, enorme, no meio da testa, e uma bocarra vertical que desce até o umbigo; Hurley descreve o Curupira de maneira parecida.

Cada passo do Mapinguari mede três metros e seu alimento favorito é a cabeça das vítimas, geralmente pessoas que ele caça durante o dia, deixando para dormir à noite. Há aqueles que afirmam ser impossível matá-lo: é invulnerável. Noutra versão ele é apresentado como um ser dos mais fantásticos, com dois olhos, mas “três bocas”, sendo uma debaixo de cada braço e outra sobre o coração. Essa última é considerada seu “calcanhar de Aquiles”, pois quando ele abre a boca pode-se acertar seu coração, única maneira de matá-lo.

    Em  reportagens para a revista ISTOÉ nos 1266 e 1294 (05/01/1994 e 20/07/1994, p.35-36 e p. 44-47, respectivamente), o norte-americano David C. Oren, doutor em zoologia e especialista em biodiversidade amazônica do Museu Paraense Emílio Goeldi, derruba a lenda que o Mapinguari é um grande símio. Ele afirma a existência de um gigantesco bicho-preguiça terrestre de 200 a 300 quilos e 2 metros de altura, ainda vivo nas selvas amazônicas, que ele diz ser o Mapinguari. O Dr. Oren baseia suas teorias, afirmações e pesquisas em restos fossilizados e relatos de índios e garimpeiros: “Conheci pelo menos 30 pessoas que viram o Mapinguari e mais de 100 que acharam seus rastros”.   E  sentencia:

 “Da mesma forma que a Cobra Grande é baseada na cobra sucuriju, e o boto encantado que vira homem para engravidar as mulheres se origina no boto da bacia amazônica, a inspiração do Mapinguari é o preguiça terrestre.”.   
–––––-
Notas
*    Além dos caracteres físicos, diferem também nos etimológicos: Caá significa mato e Cy, mãe, portanto “Çacy” é  Mãe do Mato; enquanto “Caá-pora” significa, morador da mata.
6 THOR (ou THOT, como é chamado atualmente), Antonio Jorge. Introdução à teoria dos elementais. Edição do autor. Não tem ficha catalográfica, mas nos garantiu ele que foi publicado no ano de 1985, em Belém.
7  DIAS, A. Gonçalves. O Brasil e a Oceania. Paris: H. Garnier. s. d.
8   OLIVEIRA, Adélia Engracia de. O mundo encantado e maravilhoso dos índios Mura. Belém: Falangola,
        1984, p. 35.

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Franz Kreüther Pereira (Painel de Lendas & Mitos da Amazônia) Parte 7


Trabalho premiado (1º lugar) no Concurso “Folclore Amazônico 1993” da Academia Paraense de Letras

O BOTO

Zoologicamente se conhece na Amazônia duas espécies de boto, o vermelho e o preto ou “tucuxi”, mas, recentemente o oceanógrafo Jacques Cousteau divulgou a descoberta de um terceiro tipo, o boto cor-de-rosa. O fato de ser branco, preto ou cor-de-rosa não importa quando se trata da inteligência desses cetáceos, que inclusive auxiliam os cientistas em pesquisas submarinas e atividades militares. Entretanto, o foco de interesses para o estudo folclórico está mais nos órgãos que determinam o sexo desses animais do que nas suas atitudes consideradas inteligentes.

Certa ocasião o Dr. Wilson Amanajás, que recolheu farto e pitoresco material folk em suas viagens pelo interior paraense e que, por algum tempo, publicou seus “causos” em jornais de Belém, contou-me sua teoria de que o mito da sedução e feitiço que o boto exerce, pode ter surgido a partir da semelhança existente entre o órgão sexual do macho da espécie com o pênis masculino, e o da fêmea com a genitália feminina. Segundo ele, um caboclo poderia estar copulando com um boto fêmea, e devido ao esforço para se manter sobre o roliço e escorregadio ventre, aliado ao natural desgaste físico próprio do ato, veio a desfalecer, e foi descoberto neste estado pelos companheiros. Para justificar tão vexatória situação, o caboclo saiu-se com uma história de que havia sido enfeitiçado, “mundiado”, pelo animal. Se essa explicação carece de poesia, nem por isso está por completo distante da verdade. Sabemos que é comum, nos interiores, a zoofilia, o gostar de animais ao ponto de buscar neles o prazer sexual; daí ser plausível a teoria do Dr. Amanajás.

É comum ao amazônida atribuir dupla personalidade a certos elementos da flora ou da fauna. Assim, em relação ao boto, temos o delfim e o mito.

Reza a lenda que o boto costuma perseguir as mulheres que viajam pelos rios e inúmeros igarapés; ás vezes tenta virar a canoa em que elas se encontram, e suas investidas contra a embarcação se acentuam quando percebem que há mulheres menstruadas ou mesmo grávidas. Esse particular é curioso, e devemos observar que, em relação a mulher menstruada, há uma série de abusões e tabus, que realmente servem de vetor para certas atitudes e crenças populares. Durante a pesquisa de campo, algumas pessoas confessaram temer viajar nos pequenos “cascos” ou “montarias”, quando nelas está uma mulher “incomodada”. Outras nos contaram que o simples olhar de uma mulher gestante é capaz de fulminar uma cobra, e se ela passar por sobre o réptil então, o efeito é imediato. E há, ainda, a crença, que alguns caçadores possuem, segundo a qual, o simples toque de uma mulher menstruada pode azarar suas armas, tomando-as imprestáveis.

A que se deve essa superstição é difícil dizer. Pode estar, de alguma forma, relacionada com as influências da Lua e com as energias exudadas pala mulher durante este período em que seu organismo sofre sensíveis mudanças. É facilmente demonstrável pela Radiestesia – com o emprego de um simples pêndulo – que a mulher, durante seu cicio mensal, tem sua polaridade invertida; mas isso é assunto para a Parapsicologia.

Ele, o boto, é o grande encantado dos rios, que transformando-se num guapo rapaz, todo vestido de branco e portando um chapéu – que é para esconder o furo no alto da cabeça, por onde respira – percorre as vilas e povoados ribeirinhos, freqüenta as festas e seduz as moças, quase sempre engravidando-as. Há, inclusive, estórias em que a moça é fecundada durante o sono…

Para se livrarem da “influência” do bicho, os caboclos vão buscar ajuda na magia, apelando para os curandeiros e pajés. O primeiro com suas rezas e benzeduras exorciza a vítima, e o segundo “chupa” o feto do ventre da infeliz. É esse Don Juan caboclo, o sedutor das matas, o pai de todos os filhos cuja paternidade é “desconhecida”, que deu origem a deliciosa expressão regionalista: “Foi o boto, sinhá!”

A credibilidade no mito é tamanha que há casos de pescadores perseguindo e matando o pobre cetáceo, por achá-lo responsável pela gravidez indesejada de suas filhas ou mulheres.

Na magia nativa ou pajelança, os órgãos sexuais, tanto do macho quanto da fêmea, possuem propriedades afrodisíacas extraordinárias e podem ser facilmente encontrados no mercado de ervas do Ver-o-Peso, em Belém*. Também, nessas barracas especializadas se pode comprar os olhos do boto, que possuem qualidades talismânicas excepcionais quando preparados – ou como dizem os caboclos: “curados” – por um pajé. Segundo os expertos no assunto, é o olho direito o portador das propriedades mágicas. Este, depois de seco, produz um ruído quando é sacudido, mas alguns barraqueiros já introduzem um granulo no interior do olho esquerdo, antes que esse seque, para que passe pelo verdadeiro olho direito do boto.

Dizem, também, que os dentes do boto podem ser usados no combate às dores da primeira dentição, e os miolos podem ser empregados numa beberagem que coloca a pessoa que bebê-la, sob o domínio e poder de outra. A gordura extraída do peixe-boto dá um excelente azeite para candeeiros, mas dizem que pode causar cegueira.

Há muitas histórias sobre o boto. Um relato curioso foi colhido pelo Padre Alcionilio Brúzzi[4], por volta de 1952. Conta esse missionário que na tribo Taryana, do povoado Araripirá, no Rio Uaupés, uma antiga aluna da Missão de Iauareté, casou-se com um moço Tukano […], outro rapaz queria tê-la como esposa, e por vingança, indo certa vez em passeio pelo mato com o marido dela, deu-lhe a pegar uma folha de pirá-yawáre-púri, planta do boto”. O relato contínua informando que certo dia “o marido ficou como boto”, isto é, resfolegando como faz o boto fora da água, até que por fim mergulhou no Rio Negro, lá em Tapurucuara – antiga Santa Izabel -. Patrícia Izabel, a narradora do fato que o Padre Brüzzi transcreveu, informa ainda que o marido enfeitiçado ficou durante o dia todo dentro da água. Os botos o empurraram para a terra e ele “virou gente outra vez, e várias vezes “ele tem virado boto”.

O alter-ego feminino do boto é a IARA, uma bela mulher cujo canto enfeitiça e atrai os jovens para o fundo dos rios ou lagos. As primeiras referências ao mito datam, segundo o pesquisador Ararê M. Bezerra[5], de meados do século XIX.

4 BRÚZI, Alcionilio da Silva. A civilização dos indígenas do Uaupés. São Paulo: Linográfica Editora Ltda,
1962.
5 BEZERRA, Arare Marrocos. Amazônia, lendas e mitos. Belém: Editora da EMBRAPA,1985.
* “Dezenas de botos tucuxis são sacrificados semanalmente na Ilha do Marajó para abastecer o Ver-o-Peso com seus órgãos genitais.(…) Comprar vagina ou pênis de boto é negócio antigo aqui, disse o comerciante Adalberto Leal, 39 anos, há 11 vendedor de ervas. Para os crédulos, completa ele, usar amuleto com o sexo de ‘bota’ pendurado ao pescoço atrai boa sorte no relacionamento com os sexo oposto.” (Trecho da reportagem Matança de boto no Marajó, jornal O Liberal, set. 1997, via Internet). A pesca predatória e a matança indiscriminada de botos para atender este comércio ilegal tem sido motivo de justa preocupação para os ambientalistas e organizações não-governamentais ecológicas defensoras do Marajó.

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Franz Kreüther Pereira (Painel de Lendas & Mitos da Amazônia) Parte 6


Trabalho premiado (1º lugar) no Concurso “Folclore Amazônico 1993” da Academia Paraense de Letras

CLASSIFICAÇÃO

Antes de passarmos à segunda parte deste trabalho onde abordaremos diversos mitos, os mais significativos, convém darmos uma parada na classificação e tipologia que alguns autores nos oferecem. Não nos será difícil depois reconhecer em quais das categorias abaixo se enquadram as lendas que se seguem..

Coutinho de Oliveira apresenta-nos a seguinte classificação, logo na Introdução do seu “Folclore Amazônico”:

I – Lendas Cosmogônicas

II – Lendas Heróicas

III – Lendas Etiológicas

IV – Lendas de Encantados

V – Lendas Ornitológicas

VI – Lendas Mitológicas (ciclo da lara, da Boiuna, do Boto, do Curupira e da Matin-Taperê). Estas também são chamadas de Mitos Primários ou Domésticos.

Já Couto de Magalhães[39] dá-nos o esquema abaixo para a classificação dos deuses superiores e dos entes sobrenaturais:

* GUARA-I: Guará = vivente e Ci = mãe.
**JAÇI: Já = vegetal e Ci = mãe.
Por sua vez, Victor Jabouille[40] apresenta a seguinte tipologia:

1. Mito teológico – relata o nascimento dos deuses, os seus matrimônios e genealogias;

2. Mitos cosmológicos – debruça-se sobre a criação e o ordenamento do mundo e seus elementos construtivos;

3. Mito antropogônico – apresenta a criação do homem;

4. Mito antropológico – prolonga o anterior, descrevendo as características e desenvolvimento do gênero humano;

5. Mito soteriológico – apresenta o universo de iniciação e dos mistérios, das catábases e percursos purificatórios;

6. Mito Cultural – narra as atividades de heróis que, tal como Prometeu, melhoram as condições do homem;

7. Mito etiológico – explica a origem de pessoas e coisas; pesquisa as causas por que se formou uma tradição, procurando em especial encontrar episódios
que justifiquem normas;

8. Mito naturalista – justifica, miticamente, os fenômenos naturais, telúricos, astrais, atmosféricos;

9. Mito moral – relata as lutas entre o Bem e o Mal, entre anjos e demônios, entre forças e elementos contrários;

10. Mito escatológico – descreve o futuro, o homem após a morte, o fim do mundo.

39 Apud ORIÇO, Osvaldo. Op. cit. p. 44-47.
40 JABOUILLE, Victor. Op. Cit. P. 47-48

SEGUNDA PARTE

AS AMAZONAS

Tidas no princípio como fruto de uma observação mal feita pelos primeiros navegantes do Grande Rio; ou produto do delírio de um capitão espanhol; ou ainda, da ingenuidade clerical – sempre dispostos a aceitar o “absurdo” desde que viesse dos selvagens pagãos – de um frei Gaspar de Carvajal ou Cristobal de Acunã; as Amazonas permanecem, ainda, quase meio milênio depois, envoltas no mesmo véu de mistério, magia e sedução. Esse véu foi, em parte, descerrado pelo pesquisador Jacques de Mahieu, em seu livro “Os Vikings no Brasil”[1] e pelo arqueólogo Fernando Sampaio, autor de “As Amazonas”.

Etimologicamente, Amazonas significa “sem seios”; de A-Mazós, pois acreditavam os antigos que as famosas guerreiras da Cítia oblavam o seio direito para melhor manejarem o arco e flecha. Contudo para o Barão de Santa-Anna Nery[2] o vocábulo tem raízes gregas, compostas por ama, que quer dizer “união” e zona, significando “cinto”; assim, amazonas pode ser traduzido por “unidas por um cinto”. Já o paraense Alfredo Ladislau dá-nos, numa terminologia nativa, um significado que é exatamente igual ao que a lenda de Heródoto difundiu: “Aquelas que não têm seios” ou no dizer dos índios Ikam-ny-abas. Já o Padre de Acunã [3] informa que “Yacamiaba” é o nome dado ao pico que se destaca mais entre todos os outros”, nas altas montanhas -provavelmente do Tumucumaque – onde vivem “essas mulheres masculinizadas”; entretanto os Tapajós as conheciam por “cunhantensequina” ou “mulheres sem marido”, que ao meu ver é a expressão mais adequada Há, também, o vocábulo indígena “amassunu”, que significa “águas que retumba” ou “ruído de águas”, como um pouco provável gerador da palavra amazonas.

Busquei aqui oferecer um apanhado das prováveis origens do vocábulo “Amazonas” e seus possíveis significados, mas sejam quais forem, o fato é que devemos às lendárias guerreiras brancas da mitologia clássica, ao espanhol Francisco Orellana e ao Frei Gaspar de Carvajal o batismo que sofreu o “Mar Dulce” de Pinzon e o “Paranauaçu” ou “Paraguaçu” dos Tupis, como Rio das Amazonas e que por extensão denominaria toda a região. A lenda das Amazonas não se popularizou no Brasil, mas, a Amazônia e o rio Amazonas se transformaram em lenda mundial, pela imensa riqueza e potencial natural que guardam. Esperamos que a Amazônia não acabe como na canção de Vital Farias, “Saga da Amazônia”:

“Era uma vez uma floresta na linha do Equador…”

1 MAHIEU, Jacques. Os viklngs no Brasil. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1976.
2 NÉRI, Frederico José de Santana. O país das amazonas. Belo Horizonte: Itatiaia, 1979.
(O autor é amazonense e publicou na França com o nome de Santa-Anna Nery).
3 Apud MAHIEU, Jacques de. Op. cit. p. 17.

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Franz Kreüther Pereira (Painel de Lendas & Mitos da Amazônia) Parte 5


Trabalho premiado (1º lugar) no Concurso “Folclore Amazônico 1993” da Academia Paraense de Letras

A PRESENÇA DO ANIMAL E DO SEXO NO MITO

Os elementos de narrativa mitológica, maximé na região amazônica, são quase todos zoomorfos, e aí reside também um conteúdo simbólico cujas raízes perderam-se nos eões da história humana. Aparentemente o animal personifica algumas qualidades humanas, como por exemplo, a astúcia, que nas lendas tapuias encontra-se caracterizada no inofensivo jabuti, enquanto que nos mitos de origem européia, a mesma qualidade é atribuída à raposa; e na mítica africana, ao macaco. Como a nossa cultura recebeu legado das três raças – aborígene, negra e européia – encontramos com facilidade traços dessa miscigenação nalgumas lendas e contos por todo território nacional. É de se observar, porém, que a região Norte guarda ainda muito do acervo ancestral, ao passo que para a região Sul e Centro-Oeste, principalmente, as freqüentes correntes migratórias acrescentaram novos adornos, enfeites, adereços, de sorte que resta pouco do espírito fundamental que vive nas tradições populares.

Vejamos a opinião do já citado autor de “O Mundo Mágico dos Sonhos”:

“O animal é sobretudo o instinto no que pode ser mais agudo: o Ver ou o Sentir, e também a Audição. Pelos seus órgãos sensoriais muito desenvolvidos, ele percebe e capta toda espécie de informações, de influências, de indícios, de sinais, que o homem não poderá jamais perceber. Para as sociedades primitivas, o animal estava presente na terra bem antes do homem; chamam-no o Ancestral, e nós carregamos, segundo a entidade totêmica à qual somos ligados, a marca, a característica astral de um ou outro animal, se não de vários….”[34]

Buscar nos animais características ou atributos necessários a um guerreiro, é costume em todos os povos primitivos. Indígenas de diversas culturas identificam-se cerimonialmente com alguns animais ou batizam sua tribo e sua própria descendência com nome de bichos. E, além disso, nalguns povos antigos, celebrava-se, com periodicidade, rituais cuja finalidade consistia em promover o casamento entre o homem e a natureza, formalizando pactos e reforçando os liames invisíveis que garantiriam um período de fertilidade, de boas colheitas e de fecundidade, tanto para o solo cultivado quanto para as criações domésticas, para o rebanho e para a própria prole.

A análise detalhada e percuciente que fez Osvaldo Orico, subsidiária desse e de tantos outros trabalhos, observou que “mesmo certas festas e crenças que adquiriram sabor regional […] São transplantações de cerimônias remotas, que os gauleses, germanos e escandinavos celebravam por ocasião dos solistícios de verão” [35]. Obviamente se conclui que alguns mitos que ainda hoje ouvimos, são fragmentos desses antigos rituais pagãos, que o cristianismo perseguiu e fez desaparecer. Um típico ritual celta da fertilidade é apresentado e descrito com vigor e beleza de cores e poesia, pela escritora Marion Z. Bradley, na sua saga mágica “As Brumas de Avalon”. Nele, um homem vestido como o animal sagrado e encarnado pela energia totêmica, simbolizando o poder fecundante, era posto em conúbio com mulheres – ou com uma virgem – que representavam o “espírito da terra”, o receptáculo universal da energia criadora que era representada pelo homem.

No folclore de nossos indígenas e caboclos é frequente encontrarmos histórias onde figuram relações sexuais entre seres humanos e não-humanos, animais ou encantados. Na Amazônia temos esse delfim, o Boto, e temos, também, algumas versões do Curupira, em que o sexo é negociado como escambo. Temos ainda, o Xibui (Chíbui) e outros numes, mas, ao contrário das lendas medievais onde o sexo é carregado de uma conotação cerimonial, nas nossas histórias ele não parece conter nenhum significado mágico e nem sentido moral. Há uma lenda sobre a origem do Sol e da Lua[36], onde são registradas diversas relações sexuais entre algumas mulheres e bichos.

A respeito dessas histórias eróticas com seres míticos, a opinião de Jung é a seguinte:

“El critico moralista dirá que esas figuras son projeciones de estados sentimentales de ansiedad e de fantasias de caráter repudíable.”

Entre as possibilidades levantadas por Mercier e as afirmativas da psicanálise, segundo a qual essas histórias constituem a expressão de desejos sufocados, inclino-me à primeira. Não acredito que a origem dos mitos e das relações entre seus elementos e os seres humanos sejam meras projeções inconscientes de alguns desejos represados, ou fantasias de almas sonhadoras, ou ainda, visualizações de pessoas mentalmente sugestionáveis. Defendo para o mito uma origem basal única, fundamentada na clarividência que os primitivos deviam possuir e que foram perdendo na medida que evoluíam até resultar no homem moderno. Quanto ao caráter sexual contido no mito e as relações entre um humano e um animal, parece que surgiram junto com a Criação, quando a primeira mulher de Adão, Lilith, era uma serpente!

As relações sexuais também constam de outro mito mais moderno, consoante com a Era Espacial em que vivemos: o mito dos Discos Voadores. Há relatos na casuística ufológica* onde atestou-se o contato carnal, a relação sexual, entre criaturas humanas e extraterrestres; e no curso da história humana há indícios inquietantes da presença de inteligências exobiológicas e seu concurso com os habitantes da Terra. E há ainda a crença, entre os nativos da região do Rio Negro, que através de “puçangas”, que são umas beberragens preparadas com certas plantas, a pessoa – pajé ou feiticeiro – pode transformar-se em diversos animais, como boto, morcego, pássaro, etc., e sob essa forma ir ter com alguém. Essa transformação, por certo, não se dá no plano físico, ou seja, na metamorfose, na transfiguração de gente em bicho. É mais crível que se processe num plano astral, ao qual o praticante alcança pela ingestão de certas substâncias alucinógenas, que possibilitam ao seu duplo etérico ou corpo astral, abandonar o corpo físico e se identificar com o duplo do animal.

A idéia de que um “duplo” pode ser o elemento originador, o gérmen, de um mito – tal como o grão que ao penetrar na ostra se transforma em uma pérola – também é aceita pelo eminente Câmara Cascudo. Percebemos isto quando, em sua Geografia dos Mitos Brasileiros, afirma que maragingoana é um “duplo”. Maragingoana é, para uns, a alma que, separada do corpo físico, aparece para alguém lhe anunciando a morte próxima; para outros, é tido como uma espécie de “espírito desordeiro”. Porém, esse ser astral nada tem de luxúria e libertinagem, essas características ou predicativos são de outra categoria, denominados íncubos (os masculinos) e súcubos (os femininos). Segundo os místicos e ocultistas, os íncubos e os súcubos são formas astrais originárias dos pensamentos obsedantes de natureza lasciva que conduzem a imaginação do indivíduo, durante o sonho, para uma real sensação de cópula, produzindo muitas vezes o orgasmo. Não há nada de anormal nesses sonhos eróticos, sua finalidade é libertar a pessoa da carga sexual reprimida, que se desbloqueia no mundo onírico, onde á a imaginação do sonhador que dita as normas, cria as regras e dirige o espetáculo.

Ter sonhos libidinosos está na natureza de todo ser humano, mas foram os religiosos catequistas que incutiram nos selvagens, naturalmente supersticiosos, a crença de que estes sonhos, bem como os pesadelos e as perturbações que tinham durante o sono, eram artes de um demônio que os atormentava por estarem com culpas inconfessas; por estarem incorrendo em pecado, etc. Dessa forma, os missionários disseminaram a crença num ente maléfico, um espírito do mal, responsável pelos tormentos noturnos e sonhos maus a que estavam sujeitos os íncolas. E o responsável por tudo isso era o Jurupari, “que aparece em sonhos, causando pesadelos às pessoas”.[37] Para. Orico “o sexo é a tônica da atividade mental do índio como agente criador de uma literatura oral subordina da ao instinto, pelo uso de sucos e raízes excitantes”[38], mas isso não explica porque apenas a Iara, efetivamente, é a sedutora dos homens enquanto que as mulheres podem ser seduzidas por animais que se metamorfoseam em homens. Eu creio que a questão do sexo nas lendas e mitos merece um estudo mais atencioso, pelo menos um ensaio.
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Notas
34 MERCIER, Mario. Op. cit. p. 54.
35 ORICO, Osvaldo. Op. Cit. p. 54
36 VILAS BOAS, Orlando & Cláudio. Xingu: os índios. seus mitos. Porto Alegre: Kuarup, 1986.
37 ORICO, Osvaldo. Op. cit. p. 62.
38 Id. ibid.p.25.
* A Ufologla é uma ciência emergente que se dedica ao estudo dos fenômenos que envolvem as aparições dos UFOs (Unidentified FIying Object – Objetos Voadores Não ldentificados ou OVNI) e de seres extraterrestres (ETs), e da consequente influência desses contatos sobre o planeta, sobre as plantas, animais e pessoas.

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