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O Nosso Português de Cada Dia (Palavras e Expressões que Apresentam Dúvidas)

A / HÁ (em função do espaço de tempo).
A (preposição): “Ela voltará daqui a meia hora.” (tempo futuro)
(verbo HAVER): “Ela saiu há dez minutos.” (tempo decorrido)

A PAR / AO PAR
A par:
Significa “bem informado”, “ciente”
Exemplo:
Estou a par da situação.

Ao Par:

Indica relação de equivalência ou igualdade entre valores financeiros.
Exemplo:
Algumas moedas mantêm o câmbio praticamente ao par.

AONDE / ONDE / DE ONDE.
Aonde: com verbos que indicam movimento, um destino, como o verbo IR.
Exemplos:
Aonde você vai?
Aonde você quer chegar?

Onde: com verbos que indicam permanência, como o verbo estar.
Exemplos:
Onde você está?
A casa onde moro é muito antiga.

De Onde ou Donde: com verbos que indicam procedência.
Exemplos:
De onde você saiu?
Donde você surgiu?

AS PARTÍCULAS “ATÉ” E “NEM”.
“Até” é uma partícula que traz a idéia de inclusão.
Exemplo:
Até o diretor estava presente no show dos alunos.

Nem” deve ser usado quando houver idéia de exclusão.
Exemplo:
“Nem mesmo os jornalistas credenciados puderam entrar no camarim da Madona.”

BASTANTE / BASTANTES.
Esta palavra, que originalmente é um advérbio, somente varia em número (singular ou plural) quando empregada como pronome adjetivo para concordar com o substantivo que a acompanha.
Exemplos:
Os candidatos estavam bastante (advérvio) confiantes.
Aquela livraria possui bastantes (pronome) livros raros.

Bastante é palavrinha bivalente. Ora é advérbio; ora, pronome indefinido. Como advérbio, ela se mete na vida de verbos, adjetivos ou dos próprios advérbios. Fica invariável. Não quer saber de plural:
Estudei bastante.
Trabalho bastante.
Maria anda bastante.
Diana era bastante querida.
Maria é bastante crescidinha para saber distinguir entre o bom e o mau.
Depois do tombo, o garoto ficou bastante mal.

Macete: o advérbio é sempre substituível por muito. Assim, sem plural.
Estudei bastante (muito).
Diana era bastante (muito) querida.
Depois do tombo, o garoto ficou bastante (muito) mal.

Como pronome, o bastante acompanha o substantivo. E concorda com ele.
É substituível por muitos ou muitas:
Tenho bastantes (muitos) amigos.
Recebeu bastantes (muitos) foras ao longo da vida.
Teve bastantes (muitas) oportunidades na vida.

HAJA VISTO ou HAJA VISTA?
Deve-se empregar a expressão “haja vista“, já que a palavra “vista”, neste caso, é invariável. Haja vista significa “por causa de, devido a, uma vez que, visto que, já que, porque, tendo em vista”. Compare: quando se usa a expressão “tendo em vista”, ninguém diz “tendo em visto”. Então, não esqueça: haja vista = tendo em vista.
Exemplos:
Haja vista o grande evento deste domingo.
Haja vista os concursos deste ano.

HUM / UM.
Em português, o numeral é “um”, e não “hum”. “Hum” é interjeição: palavra ou expressão usada para expressar uma reação (dor, alegria, espanto, irritação, admiração, etc).
Exemplos:
“Comprei um relógio de ouro para dar à minha namorada.”
“Hum… você deve estar mesmo muito apaixonado!”
Observação: Assim também, o extenso de R$1.000,00 não é nem “um mil reais”, nem “hum mil reais”. É “MIL REAIS”.

MAS / MAIS
Mas: indica idéia contrária.
Conjunção adversativa, equivalendo a “porém”
Ex.: Fui, mas não queria ir.

Mais:
a) Pronome:
Exemplo:
Há mais meninos do que meninas na sala.

b) Advérbio de intensidade
Exemplo:
Não fale mais!

MAL / MAU
Mal:
a) Advérbio (opõe-se a “bem”)
Exemplo:
Ele agiu mal

b) Substantivo (opõe-se a “bem”)
Exemplo:
Ele só pratica o mal.

c) Conjunção, indicando tempo
Exemplo:
Mal cheguei, você saiu.

Mau:
É adjetivo
Exemplo:
Quem tem medo do lobo mau?

MEIO / MEIA.
Meio: Como advérbio, modifica o adjetivo com o qual se relaciona, sendo invariável; equivale à “um tanto”, “um pouco”.
Exemplos:
Os alunos estavam meio cansados.
Daniela ficou meio preocupada com a sua viagem de avião.

Meio: como numeral fracionário adjetivo, sofrerá as flexões de gênero e número, concordando com o substantivo ao qual se refere e que geralmente vem depois dele.
Exemplos:
Pegue aquela meia garrafa de vinho e encha meio copo para mim.
Ela só sabe dizer meias verdades.
Nossa reunião ficou marcada para meio-dia e meia (MEIA por causa
da concordância com HORA que está implícita na expressão.)

A palavra “MEIO” pode ainda se apresentar como um substantivo, significando “MANEIRA, MODO, CAMINHO”. Neste caso, ela sofrerá apenas a flexão de número, pois sempre será empregada no masculino.
Exemplos:
Acho o metrô o melhor meio de transporte de massa.
“Os fins justificam os meios.” (Maquiavel)

NA MEDIDA EM QUE / À MEDIDA QUE
Na medida em que:
Equivale a “porque”, “já que”, “um vez que”, exprimindo relação de causa.
Exemplo:
Na medida em que a prefeitura não faz nada, a população carente sofre.

À medida que:
Equivale a “à proporção que”
Exemplo:
À medida que escurecia, crescia o meu medo.

QUE / QUÊ
Que: monossílabo átono
Pode ser:
A – Pronome:(O) que você faz aqui?
B – conjunção:Pedi que ele viesse
C – partícula expletiva:Quase (que) morri de susto.

Quê: monossílabo tônico
Pode ser:
A – pronome no final da frase, antes de ponto (final, interrogação ou exclamação) ou reticências.
Você precisa de quê:
B – substantivo (= alguma coisa, certa coisa)
Ele tem um quê de especial.

POR QUE

Por que : tanto nas orações interrogativas diretas quanto nas indiretas.
Exemplos:
Por que você fez isso?
Quero saber por que você fez isso.
Por que você não foi à festa?
Gostaria de saber por que você não foi à festa.

O “QUE” pode ser ainda um pronome relativo, podendo ser substituído por “O QUAL”, “A QUAL”, “OS QUAIS”, “AS QUAIS”.
Exemplos:
A razão por que (pela qual) não fui à sua festa, você logo saberá.
“Só eu sei as esquinas por que (pelas quais) passei.”
É um drama por que (pelo qual) muitos estão passando.

Observação: também quando houver a palavra “motivo” antes, depois ou subentendida.
Exemplos:
Desconheço os motivos por que (pelos quais) a viagem foi adiada.
Não sei por que motivo ele não veio.
Não sei por que (por que motivo) ele não veio.

Por quê: seguido de um sinal de pontuação forte (pontos de interrogação, de exclamação, final, reticências).
Exemplos:
Você vai sair a esta hora da noite por quê?
Ele não viajou por quê?
Se ele mentiu, eu queria saber por quê!
“Mãe, preciso de cem reais?”
“Por quê?”

PORQUE
Porque: equivale à “PORQUANTO”, “POR CAUSA DE”.
Exemplos:
Não saí ontem porque estava chovendo muito (causal)
Ele viajou, porque foi chamado para assinar o contrato. (explicativa)
Ele não foi porque estava doente. (causal)
Abra a janela, porque o calor está insuportável. (explicativa)
Ele deve estar em casa, porque a luz está acesa. (explicativa)

Porquê: artigos “O” ou “UM”. equivale à “a razão”.
Exemplos:
Não estou entendendo o porquê de tanta alegria em você hoje.
Quero saber o porquê da sua decisão.
Estamos esperando que você nos dê um porquê para tal atitude.

DICA DE PORQUE E PORQUÊ

A conjunção porque sabe das coisas. Conhece a causa de tudo. Por isso se chama causal:
Maria se atrasou porque perdeu o ônibus.
Vera Michel se internou porque quer desintoxicar-se das drogas.
A Encol foi pro beleléu porque tinha administração pouco profissional.

Quando a gente faz uma pergunta começada com por que, a resposta pede sempre uma causa. A conjunção porque responde na bucha:
Por que precisamos beber muita água?
Porque a umidade do ar está baixa.

PORQUÊ

Quando usar porquê? Só se a palavrinha for substantivo. Aí significa causa. Tem plural. E geralmente vem acompanhada de artigo, numeral ou pronome.
Não sei o porquê da decisão da juíza.
Há muitos porquês sem resposta.
Ficou intrigado com dois porquês.

Fonte:
Apostila da Caixa Econômica Federal. Instituo Padre Reus, 2004.

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O Nosso Português de Cada Dia (Palavras homófonas e Parônimas)

Brocha (pequeno prego)
broxa (pincel)

Chá (nome de uma bebida)
xá (título de antigo soberano do Irã)

Chácara (propriedade rural)
xácara (narrativa popular em versos)

Cheque (ordem de pagamento)
xeque (jogada de xadrez)

Cocho (vasilha para alimentar animais)
coxo (manco)

Tacha (pequeno prego)
taxa (imposto)

Tachar (pôr defeito em)
taxar (cobrar imposto)

Cozer (cozinhar)
coser (costurar)

Prezar (ter em consideração)
presar (prender, apreender)

Traz (do verbo trazer)
trás (parte posterior)

Acender (iluminar)
ascender (subir)

Acento (sinal gráfico)
assento (onde se senta)

Caçar (perseguir a caça)
cassar (anular)

Cegar (tornar cego)
segar (cortar para colher)

Censo (recenseamento)
senso (juízo)

Cessão (ato de ceder)
seção ( departamento – parte ou divisão )
secção ( corte ) sessão (reunião).

Concerto (harmonia musical)
conserto (reparo)

Espiar (ver, espreitar)
expiar (sofrer castigo)

Incipiente (principalmente)
insipiente (ignorante)

Intenção (propósito)
intensão (esforço, intensidade)

Paço (palácio)
passo (passada)

Palavras Parônimas:
Área (superfície)
ária (melodia)

Deferir (conceder)
diferir (adiar ou divergir)

Delatar (denunciar)
dilatar (estender)

Descrição (representação)
discrição (reserva)

Despensa (compartimento)
dispensa (desobriga)

Emergir (vir à tona)
imergir (mergulhar)

Emigrante (o que sai do próprio país)
imigrante (o que entra em um país estranho)

Eminente (excelente)
iminente (imediato)

Peão (que anda a pé)
pião (brinquedo)

Recrear (divertir)
recriar (criar de novo)

Se (pronome átono, conjunção)
si (pronome tônico, nota musical)

Vultuoso (atacado de vultuosidade, ou seja, congestão na face)
vultoso (volumoso)

Fonte:
Apostila da Caixa Econômica Federal. Instituo Padre Reus, 2004.

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Redação (Como escrever Datas e Horas)

Existem três possibilidades para abreviar a grafia de datas:
com traço: 28-12-1945 com barra: 12/11/2002 com ponto: 21.10.2004

Observações:

Os números cardinais devem ser escritos sem ponto ou espaço entre o milhar e a centena: 1999 (e não 1.999); 2002 (e não 2.002).

O ano pode ser registrado com os dois últimos dígitos: 12/11/02. – O primeiro dia do mês deve ser escrito assim: 1º (e não 1). Exemplo: 1º/5/02 ou 1º/05/02.

O emprego de zero antes do dia ou do mês formado de um só algarismo não é de rigor: 02/02/99 ou 2/2/99.

Atualmente, no entanto, a anteposição de um zero é prática corrente, pois atende a objetivos estéticos. E é sempre aconselhável, quando se quer evitar fraude.

Horas

Hora redonda: 8 horas; 9 horas; etc. Ou 8h; 9h; etc. (sem “s” e sem ponto depois de “h”).

Hora quebrada: 8h30min; 9h43min, etc. (sem dar espaços entre os elementos e sem usar ponto depois de “h” e “min”).

Saiba Mais

1. A grafia com dois pontos, como em
08:00 09:00 10:05 13:20 é usada em áreas específicas, como em anotações de programação com horários em seqüência, de passagens, competições, agendas, horários anunciados pela televisão, etc.
2. Dias, horas, crase e paralelismo
Escreva assim:
De segunda a sexta-feira De terça a quinta-feira
ou
Da segunda à sexta-feira Da terça à quinta-feira
Não escreva assim:
De segunda à sexta-feira De terça à quinta-feira
Escreva assim:
De 9h a 11h De 8h30min a 11h30min
ou
Das 9h às 11h Das 8h30min às 11h30min
Não escreva assim::
De 9h à 11h De 8h30min à 11h30min 9h às 11h 8h30min às 11h30min

Fonte:
www.colegiosaofrancisco.com.br

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Redação (Como Elaborar Resumos)

O resumo tem por objetivo apresentar com fidelidade idéias ou fatos essenciais contidos num texto. Sua elaboração é bastante complexa, já que envolve habilidades como leitura competente, análise detalhada das idéias do autor, discriminação e hierarquização dessas idéias e redação clara e objetiva do texto final. Em contrapartida, dominar a técnica de fazer resumos é de grande utilidade para qualquer atividade intelectual que envolva seleção e apresentação de fatos, processos, idéias, etc.

O resumo pode se apresentar de várias formas, conforme o objetivo a que se destina. No sentido estrito, padrão, deve reproduzir as opiniões do autor do texto original, a ordem como essas são apresentadas e as articulações lógicas do texto, sem emitir comentários ou juízos de valor. Dito de outro modo, trata-se de reduzir o texto a uma fração da extensão original, mantendo sua estrutura e seus pontos essenciais.

Quando não há a exigência de um resumo formal, o texto pode igualmente ser sintetizado de forma mais livre, com variantes na estrutura. Uma maneira é iniciar com uma frase do tipo: “No texto ….., de ……, publicado em……., o autor apresenta/ discute/ analisa/ critica/ questiona ……. tal tema, posicionando-se …..”. Esta forma tem a vantagem de dar ao leitor uma visão prévia e geral, orientando, assim, a compreensão de que segue. Este tipo de síntese pode, se for pertinente, vir acompanhada de comentários e julgamentos sobre a posição do autor do texto e até sobre o tema desenvolvido.1

Em qualquer tipo de resumo, entretanto, dois cuidados são indispensáveis: buscar a essência do texto e manter-se fiel às idéias do autor. Copiar partes do texto e fazer uma “colagem”, sob a alegação de buscar fidelidade às idéias do autor não é permitido, pois o resumo deve ser o resultado de um processo de “filtragem”, uma (re)elaboração de quem resume. Se for conveniente utilizar excertos do original (para reforçar algum ponto de vista, por exemplo), esses devem ser breves e estar identificados (autor e página).

Uma seqüência de passos eficiente para fazer um bom resumo é a seguinte

A – ler atentamente o texto a ser resumido, assinalando nele as idéias que forem parecendo significativas à primeira leitura;

B – identificar o gênero a que pertence o texto (uma narrativa, um texto opinativo, uma receita, um discurso político, um relato cômico, um diálogo, etc.

C – identificar a idéia principal (às vezes, essa identificação demanda seleções sucessivas, como nos concursos de beleza…);

D – identificar a organização – articulações e movimento – do texto (o modo como as idéias secundárias se ligam logicamente à principal);

E – identificar as idéias secundárias e agrupá-las em subconjuntos (por exemplo: segundo sua ligação com a principal, quando houver diferentes níveis de importância; segundo pontos em comum, quando se perceberem subtemas);

F – identificar os principais recursos utilizados (exemplos, comparações e outras vozes que ajudam a entender o texto, mas que não devem constar no resumo formal, apenas no livre, quando necessário);

G – esquematizar o resultado desse processamento;

H – redigir o texto.

Evidentemente, alguns resumos são mais fáceis de fazer do que outros, dependendo especialmente da organização e da extensão do texto original. Assim, um texto não muito longo e cuja estrutura seja perceptível à primeira leitura, apresentará poucas dificuldades a quem resume. De todo modo, quem domina a técnica – e esse domínio só se adquire na prática – não encontrará obstáculos na tarefa de resumir, qualquer que seja o tipo de texto.

Resumos
São, igualmente, ferramentas úteis ao estudo e à memorização de textos escritos. Além disso, textos falados também são passíveis de resumir. Anotações de idéias significativas ouvidas no decorrer de uma palestra, por exemplo, podem vir a constituir uma versão resumida de um texto oral.

Fonte:
www.pucrs.br

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Redação (Desenvolvendo um Tema)

Os passos
1) interrogar o tema;
2) responder, com a opinião
3) apresentar argumento básico
4) apresentar argumentos auxiliares
5) apresentar fato- exemplo
6) concluir

Como fazer nossas dissertações? Como expor com clareza nosso ponto de vista? Como argumentar coerentemente e validamente? Como organizar a estrutura lógica de nosso texto, com introdução, desenvolvimento e conclusão?

Vamos supor que o tema proposta seja Nenhum homem é uma ilha.

Primeiro, precisamos entender o tema. Ilha, naturalmente, está em sentido figurado, significando solidão, isolamento.

Vamos sugerir alguns passos para a elaboração do rascunho de sua redação.

1. Transforme o tema em uma pergunta:
Nenhum homem é uma ilha?

2. Procure responder essa pergunta, de um modo simples e claro, concordando ou discordando (ou, ainda, concordando em parte e discordando em parte): essa resposta é o seu ponto de vista.

3. Pergunte a você mesmo, o porquê de sua resposta, uma causa, um motivo, uma razão para justificar sua posição: aí estará o seu argumento principal.

4. Agora, procure descobrir outros motivos que ajudem a defender o seu ponto de vista, a fundamentar sua posição. Estes serão argumentos auxiliares.

5. Em seguida, procure algum fato que sirva de exemplo para reforçar a sua posição. Este fato-exemplo pode vir de sua memória visual, das coisas que você ouviu, do que você leu. Pode ser um fato da vida política, econômica, social. Pode ser um fato histórico. Ele precisa ser bastante expressivo e coerente com o seu ponto de vista. O fato-exemplo, geralmente, dá força e clareza à nossa argumentação. Esclarece a nossa opinião, fortalece os nossos argumentos. Além disso, pessoaliza o nosso texto, diferencia o nosso texto: como ele nasce da experiência de vida, ele dá uma marca pessoal à dissertação.

6. A partir desses elementos, procure juntá-los num texto, que é o rascunho de sua redação. Por enquanto, você pode agrupá-los na seqüência que foi sugerida.

Proposta de redação
A TV brasileira completa 50 anos. No início, houve quem considerasse o televisor mais um eletrodoméstico na casa. Hoje, sabe-se que ele não é só isso, a televisão é um modo de vida.
Redija um texto dissertativo, em prosa, com 30 linhas, analisando se a TV brasileira FORMA, INFORMA ou DEFORMA. Use o esquema acima.

Você pode também, caso queira, desenvolver outro tema.

Fonte
http://www.colegiosaofrancisco.com.br/

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Curso Gratuito de Redação e Gramática da USP

O Projeto Redigir – curso gratuito de redação e gramática da Universidade de São Paulo (USP) – está com inscrições abertas até sábado, 10. São 120 vagas abertas à comunidade. O curso é destinado às pessoas de baixa renda, que estão cursando ou já concluíram o 3º ano do Ensino Médio em escola pública.

Durante dois semestres (de março a julho e de agosto a dezembro), os estudantes terão uma aula por semana, com duração de duas horas e meia. As aulas começam na segunda-feira (12).

As inscrições deverão ser feitas pessoalmente pelo candidato, no Centro Acadêmico Lupe Cotrim, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Até sexta (9), o atendimento vai das 10 às 20 horas. No sábado, das 9h30 às 13h30.

Os interessados devem levar os seguintes documentos: uma cópia do RG, do comprovante de escolaridade e dos comprovantes de renda de todas as pessoas de sua residência que trabalham. A seleção levará em conta critérios socioeconômicos, e não a ordem de chegada.

Cidadania – O Projeto Redigir existe desde 1999. Surgiu com a proposta de oferecer uma atividade de extensão gratuita e de qualidade às pessoas de baixa renda. Os professores são estudantes e profissionais voluntários formados pela própria ECA.

Além das aulas de redação e gramática, os alunos terão acesso à biblioteca circulante e participarão dos seguintes eventos: ciclo de palestras Como não ser enganado pela mídia (aberto à comunidade), atividades culturais, visitas ao centro de São Paulo e aos assentamentos de sem-terra.

SERVIÇO

Projeto Redigir – curso gratuito de redação e gramática da USP. Inscrições no Centro Acadêmico Lupe Cotrim, da ECA, que fica na Av. Professor Lúcio Martins Rodrigues, 443, Cidade Universitária, capital. Mais informações pelo telefone (11) 3091-4013.

http://www.servidorpublico.net/noticias/2007/03/08/inscricao-para-curso-de-redacao-da-usp-termina-sabado

Fonte:
Colaboração de Douglas Lara
SOROCABA dia e noite
http://www.vejosaojose.com.br/sorocabadiaenoite.htm

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Escrever Bem não é o que se Pensa

Nem só escritores e jornalistas vivem de escrever. Nas repartições públicas, nos escritórios das empresas e nas escolas, há gente redigindo memorandos, cartas, pareceres, relatórios e redações.

A função desses textos é informar, comunicar ordens, obter respostas, orientar decisões, prestar contas. Supõe-se, então, que duas devem ser suas qualidades: clareza e concisão, nomenclatura velha que traduzimos por objetividade e rapidez na comunicação.

Classificando com rigor, há dois tipos de redator: o que finca o lápis no papel (ou os dedos no teclado) e espera que o começo caia do teto, e o que “redige bem”, na base de vocabulário aprendido em antologias ou fazendo pareceres mudando apenas os dados da “chapa”.

Há também os que sabem escrever.

Os do bloco “o difícil é começar” pecam pela falta de organização do pensamento, decorrente do desábito de leitura e da ausência de preparação específica. Os do outro grupo atrapalham o leitor, que necessita apenas de informação, por procurarem um estilo que os aproxime dos que eles consideram os bons autores.

Há diferença (bastante grande) entre língua literária e linguagem informativa.

A PALAVRA É O PONTO

A literatura pretende, por meio da palavra, causar um prazer no leitor. Por isso é que na leitura de um texto literário se valoriza a palavra. Mais numas épocas que em outras. Muito no tempo de Vieira, ou no de Bilac, Coelho Neto e Rui Barbosa. Na poesia, onde a intenção do prazer é mais clara, a seqüência vocabular pode não ter nem sentido lógico, vale pelo impacto visual ou pela impressão sonora.

Limitando com exagero, poderíamos descobrir duas tendências na prosa de hoje: a dos escritores que procuram prolongar o prazer estético pela dificuldade da palavra – James Joyce, Guimarães Rosa, e a daqueles que, seguindo uma linha que vem do Modernismo, buscam diminuir a distância entre a linguagem artística e a linguagem cotidiana, para tornar a arte mais verdadeira porque mais próxima do povo, origem e fim da arte, segundo pensam.

O fato é que, na literatura, a palavra tem vida independente, vale por si.

A PALAVRA DA COMUNICAÇÃO

Quando lemos um jornal, não paramos nas palavras para saber se são bonitas, precisas ou sugestivas; o assunto chega ao nosso conhecimento numa relação imediata.

O texto informativo é compacto, nós o percebemos como um todo, junto com a idéia.

Isto porque a linguagem cotidiana é automática. Da mesma maneira que não pensamos na perna que devemos movimentar cada vez que damos um passo, não escolhemos a palavra na hora de falar. O movimento das pernas já é “conhecido” do cérebro, e se realiza sem que precisemos conscientizá-lo. Da mesma forma, o vocabulário da linguagem corrente é constituído de termos conhecidos. Isto é que nos faz compreender imediatamente o que nos dizem, como se fôssemos direto à idéia e não houvesse a palavra entre a pessoa que fala e a que ouve.

O vocabulário corrente está longe de ser a maior parte do léxico. Há uma limitação, embora não haja estratificação. Exceto de certas expressões que se desgastam com o uso excessivo, viram bagaço; ditas a todo momento, nada mais significam. Por isso é que o redator-chefe de um jornal lembre aos focas que “nem toda chuva é torrencial, nem todos os lábios ficam entreabertos, não é todo mundo que se entrega de corpo e alma a determinada tarefa, nem todo olhar é penetrante, etc”. É o lugar-comum.

EXPRESSIVIDADE

Certas pessoas e alguns escritores têm um modo especial de falar – ou de escrever – que nos atrai e os faz agradáveis. Não é preciso perspicácia maior para perceber que a linguagem deles difere da comum por algum motivo. Eles nos atingem com muito mais intensidade. A qualidade pela qual a linguagem capta de imediato o interesse do leitor é a expressividade. Pode ser a força do detalhe na ironia de Eça, a antítese humorística de Machado de Assis, ou a parentela e a gíria de um Stanislaw Ponte Preta.

SIMPLICIDADE

Originalidade na linguagem não significa pedantismo; pelo contrário. A palavra falada é de certa forma incompleta. A mímica, os objetos à vista, as situações que falam por si, tornam a fala econômica, ficando a frase muitas vezes pelo meio, sem que isto comprometa o entendimento.

Já a palavra escrita procura modelos. Sua tendência é estar sempre atrasada em relação às necessidades expressivas. Principalmente a cravejada de adjetivos, rechonchuda de advérbios, trôpega de possessivos, demonstrativos e artigos.

Os vocábulos de fraque e chapéu coco que se intrometem na comunicação diária – entrementes, alhures, outrossim, consoante, consubstanciar e quejandos – tiram-lhe a atualidade, atrasam a leitura e a compreensão, enchem-na de um ranço incompatível com a dinâmica de hoje.

Os telegramas custam caro, as rotativas imprimem o resultado do trabalho de centenas de pessoas, o tempo no rádio e na televisão é medido em cifras: um adjetivo enfeitando aqui, uma conjunção rara mostrando sapiência ali, são desperdício e tornam a comunicação pastosa, tiram-nos o prazer que poderíamos sentir ao ler um relatório.

O mundo moderno é muito rápido. A velocidade do presente não admite mais o ornamental na comunicação. A não ser que tenhamos preocupações falsamente artísticas, a redação deve ser simples e objetiva.

JORNAL E COMUNICAÇÃO BUROCRÁTICA

Parece-nos que a técnica de redação de jornal é aconselhável para as comunicações de serviço. Não há diferença da boa redação de uma noticia para a de um relatório.

O primeiro parágrafo de uma reportagem é um resumo conciso das principais informações, e procura responder ao maior número das perguntas: quê? quem? quando? onde? por quê? Os demais são ordenados conforme o interesse.

Nada de palavras difíceis ou adjetivos desnecessários. Melhor: todo o dispensável é abandonado. Algumas palavras são verdadeiros tropeços. Cuidado com elas: possessivos, demonstrativos, artigos, e as terminadas em -ão e -mente. O quê, pelo grande número de funções que desempenha, atravanca freqüentemente a frase.

Não é demais lembrar a vigilância sobre a repetição demasiada de palavras.

A frase ideal da comunicação é curta, incisiva, sem rodeios.

“No cemitério enterrei $189.000 – pagamento ao coveiro e conservação.” Parece linguagem de relatório? Pois é. E de homem bastante sério, Graciliano Ramos, na prestação de contas que fez ao governador de Alagoas, quando o escritor era prefeito de Palmeira dos Índios.

Embora não se pretenda ensinar a redigir em dez lições sem mestre, as notinhas abaixo podem ajudar bastante.

ARRUMAÇÃO

– Procure escrever rascunhos claros e limpos. Você ganha tempo,

– Escreva de um só lado da folha com espaçamento razoável (às vezes a gente tem de “enxertar” alguma coisa),

– Numere as folhas se tiver mais de uma,

– No alto de cada página, à direita, escreva uma palavra ou frase que identifique o texto,

– Não comece parágrafo na última linha,

– Ponha ao lado o dicionário, se possível. De preferência um que contenha as instruções que orientam a ortografia oficial.

AGORA ESCREVA

– Antes, reuna o maior número possível de informações sobre o assunto,

– Na verdade, o que temos a dizer sempre caberia numa frase. Para evitar fugir do assunto, pense no tema em cada parágrafo;

– Ocupe o primeiro com as informações mais importantes do texto, respondendo ao maior número das perguntas quê? quem? onde? quando? como? por quê?

– Ordene o restante de acordo com a importância dos pormenores,

– Use parágrafos curtos,

– Conserve a ordem direta. Na medida do possível,

– Reduza ao necessário o emprego de artigos, demonstrativos e possessivos,

– Procure evitar:
a repetição desnecessária de palavras. Principalmente não comece períodos ou parágrafos com a mesma palavra,
palavras chulas, e expressões de gíria não incorporadas à linguagem geral, também termos preciosos
o excesso de advérbios terminados em -mente;
o clichê – fórmulas e expressões generalizadas (a tarde morria silenciosa, não resistindo aos padecimentos, indigitado criminoso, calor senegalesco, etc.).

NOTÍCIA QUASE PERFEITA

Apliquemos as regrinhas a uma notícia quase perfeita.

“A decantada capacidade de reação do Vasco não foi suficiente para deter o novo América na tarde de ontem no Maracanã, que assistiu entusiasmado aos três gols do Diabo: dois de Eduardo e um de Edu. O Vasco ainda fez um, por Paulo Bim, ao apagar das luzes, quando as bandeiras vermelhas do América já tremulavam comemorando a nova vitória do virtual vencedor da Taça Guanabara. Privilegiado pela sua condição de colíder – junto com o Botafogo -, ao América caberá apenas aguardar o resultado do próximo jogo do alvinegro com o Bangu, quarta-feira, para saber se poderá usar as primeiras faixas deste ano. Caso o Botafogo vença, ganhará o direito de disputar uma partida extra com o América, em data ainda a ser marcada. No sábado, o Flamengo tirou o Bangu da taça, ao empatar por 1 x 1, em jogo onde três atletas quebraram a cabeça: Jaime, Itamar e Del Vecchio.” (Última Hora)

a) Informações: no mínimo, treze.
1 – o Vasco tem capacidade de reação já tradicional;
2 – o América se apresenta renovado;
3 – o jogo se realizou no estádio do Maracanã;
4 – a data do jogo;
5 – o América venceu por 3 x 1;
6 – os autores dos gois;
7 – o América é o virtual vencedor da Taça Guanabara;
8 – o Botafogo é colíder;
9 – se o Botafogo perder para o Bangu, o América já é campeão;
10 – a data do encontro Botafogo x Bangu;
11 – as possibilidades diante de uma vitória do Botafogo;
12 – por que o Bangu não é mais aspirante à taça;
13 – um acidente curioso.

b) A noticia poderia se resumir a: O América venceu o Vasco de três a um e é o virtual campeão da Taça Guanabara.

c) As perguntinhas estariam assim respondidas: quê? – um jogo; quem? – o América venceu o Vasco; onde? – no estádio Maracanã; como? -de três a um, em clima de entusiasmo; por que? – porque a renovação do América o fez um grande time.

d) Ordem de importância: vitória do América, sua situação diante do colíder, o afastamento do Bangu, o acidente.

e) A não abertura de parágrafos deve-se ao aproveitamento de espaço de primeira página, onde a noticia saiu.

f) Observe a ordem no primeiro parágrafo.

g) Escorregou apenas nos dois clichês: ao apagar das luzes (mas que faz
parte da gíria do futebol) e bandeiras tremulavam.

O QUE É BOM

A linguagem burocrática deve ser fluída e livre de tentativas “literárias” em lugar impróprio e das excessivas repetições de fórmulas emboloradas.

É claro que uma notícia é uma notícia e uma redação é uma redação. Cada qual tem desenvolvimento diferente. Mas a finalidade é a mesma: informar e orientar com rapidez e correção. O espírito deve ser o mesmo.

O que é bom para a notícia é bom para uma redação.

Fonte:
Santos Jr., Silvio (seleção). E-learning 3 (CD-Rom) São Paulo: Digerati

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