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Basílio da Gama (1741 – 1795)

José Basílio da Gama nasceu em São José do Rio das Mortes (hoje Tiradentes), em 1741, e morreu em Lisboa, em 1795. Foi um bom poeta, admirado, principalmente, pelos autores românticos que viriam depois dele. Sua vida ilustra bem as relações que podem existir entre poesia e o poder. Basílio da Gama estudou no Brasil com os jesuítas até 1759, quando os jesuítas foram expulsos. Em 1768, em Lisboa, foi preso e condenado ao degredo em Angola por jesuitismo. Na prisão, mudou de idéia e passou para o lado do Marquês de Pombal. Livra-se da prisão e do degredo, dedicando seu poema O Uraguai ao Marquês de Pombal. Em O Uraguai, Basílio da Gama critica os jesuítas e defende a política de Pombal – tornando-se seu secretário. Apesar de ser considerado um bom poeta, é difícil escrever uma obra-prima quando se tem, como grande preocupação, propagandear idéias e levando bandeiras. As obras-primas podem até ser construídas em cima de uma ideologia, mas isto se limita a ser apenas um pano de fundo, não a preocupação primeira, como é o caso d’O Uraguai, de Basílio da Gama.

O Uraguai é um poema épico em que se percebeu algumas inovações, quebrando, assim, a estrutura camoniana. Essa, aliás, pode ser considerada, também, uma qualidade do poeta, que, exercendo sua liberdade criadora, conseguiu escrever uma obra de fôlego e com elegância poética.

As inovações praticadas por Basílio da Gama foram:

1. Escolha de um tema não adequado ao gênero épico por ser pouco grandioso e contemporâneo do autor. O tema histórico narra parte das guerras entre portugueses e espanhóis contra os índios guaranis dos Sete Povos das Missões, instigados pelos jesuítas. A responsabilidade da guerra coube toda aos jesuítas.

O motivo da guerra foi a determinação do Tratado de Madre (1750) para que os Sete Povos das Missões, liderados por jesuítas espanhóis, deixassem as terras do Rio Grande do Sul (pertencentes aos portugueses) e fossem para o Uruguai (terras pertencentes aos espanhóis), onde estavam instalados índios liderados por jesuítas portugueses. Em outras palavras: o tratado ordenava que fizessem uma troca, ficando os jesuítas espanhóis em terras dos espanhóis e os portugueses em terras dos portugueses. Como é natural, a ordem não agradou nem aos jesuítas nem aos índios, que, assim, iniciaram uma guerra em que as tropas dos portugueses e espanhóis liquidaram os povos indígenas no primeiro banho de sangue da América Latina.

2. A construção do poema em versos decassílabos brancos, isto é, sem rimas.

3. A substituição das estrofes por cantos. O poema apresenta cinco cantos, os mesmos da divisão tradicional: proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo. O poeta, no entanto, inicia o poema pela narração:

“Fumam ainda nas desertas praias
lagos de sangue tépidos, e impuros,
Em que ondeiam cadáveres despidos,
Pasto de corvos.”

“O Uraguai” é árcade apenas na forma escolhida (poesia épica) e na defesa dos ideais iluministas do Marquês de Pombal. São personagens do poema: Gomes Freire Andrada, herói português; Balda, o vilão, jesuíta caricaturizado; e os indígenas: Lindóia; Sepé; Tatu-Guaçu; Caitutu e Tanajura, a vidente.

Fonte:
MOURA, Josana e SANTOS, Eberth. Filosofia & Literatura. 2. ed. Uberlândia, MG: Claranto, 2004.(série Palavra em Ação)

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Ivani Ribeiro (10 Fevereiro 1916 – 17 julho 1995)

Ivani Ribeiro, nome artístico de Cleide Freitas Alves Ferreira, (São Vicente, 20 de fevereiro de 1916 — 17 de julho de 1995) foi uma autora de telenovelas brasileira.
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Durante a sua carreira, usou como pseudônimos Valéria Montenegro em A Moça que Veio de longe (1964) e Arthur Amorim com O Leopardo (1972), exibida pela TV Record, já que era contratada da TV Tupi; esta novela não obteve grande repercussão.

A carreira teve início aos dezesseis anos, paralelamente aos trabalhos como compositora de sambas, radioatriz, cantora e criadora de programas de variedades. Ivani foi a grande recordista entre todos os autores da telenovela brasileira, com mais de quarenta títulos de sucesso.

Formada na Escola Normal de Santos, Ivani mudou-se para São Paulo a fim de cursar a faculdade de Filosofia além da constante incursão pelo rádio, uma das principais metas de trabalho. Na Rádio Educadora, passou a fazer apresentações onde trouxe a público canções folclóricas e sambas, alcançando grande popularidade logo no rádio através dos programas criados, como Teatrinho da Dona Chiquinha e As mais belas cartas de amor; neste último, Ivani mostrou o lado de radioatriz e interpretou uma personagem feminina. Protagonizou também o programa Hora infantil, com músicas e poemas, que obteve grande sucesso e radiofonizou filmes e novelas famosas, onde também atuava como autora. Nesta mesma rádio, fez o programa Infantil, com músicas e poemas.

Posteriormente transferiu-se para a Rádio Difusora onde atuou como cantora interpretando canções folclóricas e sambas sempre acompanhada por uma orquestra. Integrou também o elenco da PRG-2 – Rádio Tupi de São Paulo. Em 1940, já pertencia ao elenco da Rádio Bandeirantes, para a qual transferiu-se juntamente com o marido, Dárcio Alves Ferreira, um locutor muito premiado e respeitado pela crítica especializada, com o qual teve dois filhos, Luís Carlos e Eduardo. Ele também veio a assumir a direção da broadcasting da PRH-9, pela qual lançou novos programas de alto dinamismo, como o programa de calouros A Hora dos Neófitos, voltado para o público jovem.

Nesta rádio, além de atuar como atriz, adaptou peças para o teatro homônimo onde apresentou diversos programas, dentre os quais Teatro romântico, baseado em poemas clássicos da literatura brasileira; Os grandes amores da história, dramatização da vida amorosa de personalidades históricas, A canção que viveu, dramatização de canções brasileiras, e outros. Ivani também foi a primeira mulher brasileira a ter um programa de radioteatro exclusivamente seu, escrevendo e adaptando inúmeras peças, levadas ao ar pela Rádio Bandeirantes, onde havia um programa que levava o nome Teatro Ivani Ribeiro.

Obras no Rádio
1938 – A Hora Infantil – Rádio Educadora
1938 – Teatro da Dona Chiquinha – Rádio Educadora
1939 – As Mais Belas Cartas de Amor (Como atriz e escritora) – Rádio Tupi (SP)
1940 – Os Grandes Amores da História – Rádio Bandeirantes
194? – Teatro Romântico – Rádio Bandeirantes
194? – A Canção que Viveu – Rádio Bandeirantes
194? – Teatro Ivani Ribeiro – Rádio Bandeirantes
1946 – As Minas de Prata – Rádio Bandeirantes
1947 – Mulheres de Bronze – Rádio Bandeirantes
195? – Anjo ou Demônio
195? – A Muralha – Rádio Bandeirantes
1958 – As Noivas Morrem no Mar – Rádio Farroupilha
1959 – A Menina do Veleiro Azul – Rádio Clube do Paraná
196? – Corações em Conflito – Rádio
196? – Ambição – Rádio
1965 – A Mulher Que Morreu no Mar – Rádio
1981 – A Mulher de Pedra – Rádio Atlântica de Santos

Primeiras telenovelas

Na pioneira televisiva e da América do Sul TV Tupi, escreveu em 1952 a série Os Eternos Apaixonados, o primeiro trabalho nesse meio. Dois anos depois, transfere-se para a TV Record, onde escreveu a adaptação do livro A Muralha (1954) e ainda a novela Desce o Pano em 1957. Em 1958, retornou à antiga emissora onde escreveu A Muralha em uma nova versão. Nesta época a autora realizava alguns teleteatros para várias emissoras, mas a atenção principal eram as radionovelas, que ela escrevia para a Rádio Bandeirantes.

No início dos anos 1960, foi contratada pela recém-inaugurada TV Excelsior, onde era uma das redatoras do Teatro Nove. A primeira telenovela diária de Ivani foi Corações em conflito (1963), com direção de Dionísio de Azevedo, que transpunha para o vídeo uma das histórias que o rádio havia consagrado e discutia os problemas que um viúvo tem ao realizar um segundo casamento, interpretado por Carlos Zara. Aliás esta foi a primeira novela diária nacional, já que as duas que a antecederam tiveram seus textos extraídos de originais argentinos.

A partir da adaptação do texto argentino de A moça que veio de longe (1964), o gênero se torna uma constante na grade de programação de todas as emissoras brasileiras. Ivani foi projetada nacionalmente com o horário das 19h30 na TV Excelsior – inaugurada em 9 de julho de 1960, onde liderou uma espécie de laboratório teledramatúrgico, intercalando romance com melodrama – na segunda metade dos anos 60, quando escreveu treze novelas consecutivas com aproximadamente 1600 capítulos – todas com grande sucesso: Onde nasce a ilusão que abordou a temática circense e contou com produção milionária, A indomável ambientada na década de 1920 e sua primeira incursão em um texto cômico em detrimento dos dramalhões daquela época, Vidas cruzadas um sucesso da época que contou a história dos conflitos entre gêmeos e sósias num tema que seria freqüentemente retomado na história da teledramaturgia brasileira, a bem-sucedida A deusa vencida, A grande viagem que era um suspense policial – temática esta retomada com Anjo marcado, Almas de pedra e As minas de prata – esta última baseada no romance homônimo do escritor José de Alencar serviria para uma segunda adaptação na novela A Padroeira (2001) de Walcyr Carrasco – Os fantoches baseada no livro O caso dos dez negrinhos de Agatha Christie, a novela de época O terceiro pecado, A muralha protagonizada por Mauro Mendonça, Os estranhos que contou com a participação de seres extraterrestres , A menina do veleiro azul que teve problemas na seleção de elenco devido à grave crise da emissora e Dez vidas, baseada no livro Caminho da Liberdade de Wanderley Torres, contando a vida de Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier – inconfidente mineiro.

O primeiro grande êxito foi a novela de época A Deusa Vencida (1965), ambientada no final do século XIX, mais precisamente em 1895. Entre os méritos, esta contava ser a novela que foi a primeira a ter uma trilha sonora própria.

Com a falência da TV Excelsior (15 de outubro de 1970), Ivani se transferiu para a TV Tupi, onde emplacou grandes sucessos no horário das vinte horas tradicional da concorrente Rede Globo, como Mulheres de Areia (1973), que foi baseada em uma antiga radionovela de sua autoria, As noivas morrem no ar (1965) e Os Inocentes (1974), inspirada na peça A visita da velha senhora de Durrenmatt e na radionovela de sua autoria A mulher de pedra. Ao longo da novela, ela deixou o roteiro nas mãos do marido para trabalhar na novela A Barba Azul. O tema central também rendeu outras novelas, como Cavalo de aço, Fera radical (ambas de Válter Negrão) e a trama inicial de Chocolate com Pimenta.

Prosseguiu com a espírita A Viagem (1975), inspirada nos livros E a vida continua… e Nosso lar, ambos ditados pelo espírito de André Luiz ao médium Chico Xavier contou com a colaboração do professor José Herculano Pires na última novela da qual Lúcia Lambertini participou pois viria a falecer pouco tempo depois, e O profeta (1977), que também abordou temas espíritas e místicos (como em Os estranhos, A viagem e O terceiro pecado); para escrevê-la, Ivani foi assessorada por um mentor espírita, um psiquiatra, um sacerdote católico e um orientador de candomblé, contando também com a participação especial da apresentadora Hebe Camargo, o médium Chico Xavier e do Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns; a novela ganhou uma adaptação em 2006 exibida pela Rede Globo.

Em entrevista ao Jornal do Brasil (28 de janeiro de 1978), declarou: Focalizando a paranormalidade, que considero um assunto fascinante, armo um debate com a doutrina espírita, a Igreja Católica e a parapsicologia. Mas como sou leiga no assunto, sou assessorada por padres, médicos, médiuns e pais-de-santo. Com essa novela, pretendo despertar a consciência de que precisamos tentar uma maior aproximação do homem com Deus, ao mesmo tempo em que apresento, seriamente, uma ilustração do fenômeno.

Em Aritana (1978) recebeu o auxílio do sertanista Orlando Villas Bôas para abordar a cultura indígena, as diferenças entre os índios e a sociedade dita civilizada; contou também com a colaboração do professor e então administrador do Parque Xingu, Olympio Serra. As gravações só foram possíveis graças ao apoio da Funai e foram feitas no Posto Leonardo em plena selva, e nos estúdios da TV Tupi. A princípio, ela foi mal-interpretada por aqueles que se sentiam ameaçados com os direitos de reivindicação dos índios, como no tema central, em que deseja a posse total das terras para abrigar sua tribo; a intenção da autora foi defendida no especial O Caso Aritana – Uma Novela à Parte, que contou com a participação do diretor artístico da emissora, Carlos Zara, os irmãos Vilas-Boas e grande parte do elenco.

Escreveu também a ecológica O Espantalho (1977), para os Estúdios Sílvio Santos, que abordou o tema da poluição das praias e para redigir o texto de As Bruxas (1970), que abordou assuntos polêmicos à época, tais como o tema da psicanálise de Sigmund Freud, bem como separação de casais e adultério – temas vetados pela censura, que acarretou a mudança de horário -, freqüentou sessões de terapia para que tivesse uma maior compreensão da popularização de análise grupal.

Em 1976, assinou um contrato com os Estúdios Sílvio Santos, com duração de quatro anos. Nesse período escreveu a novela O Espantalho, para a TVS, mas devido ao fracasso dessa novela, a emissora desistiu de investir em teledramaturgia. Sílvio Santos então colocou a escritora à disposição da TV Tupi, em compensação a emisora devia pagar o salário para a escritora; assim Ivani volta à TV Tupi e escreve O Profeta, em 1977 e Aritana, em 1978. Em 1980, com o final de seu contrato com Sílvio Santos e com a falência da TV Tupi, a escritora foi contratada pela TV Bandeirantes.

Ivani foi a principal autora de novelas da TV Tupi na década de 70; por isso, nos últimos dois anos de existência da emissora, os três tradicionais horários de novela foram cancelados e substituídos por reprises de novelas de sua autoria: Gaivotas, de Jorge Andrade, foi substituída pela reprise de O Profeta, Aritana foi substituída por uma reprise compacta de sessenta capítulos de O Espantalho – entre maio e junho de 1979 (que ganharia uma segunda reprise pelo SBT em 1983) e Como salvar meu casamento, a última produção da emissora, que não teve um final exibido, foi substituída pela reprise compacta de A viagem, que não foi terminada devido à grave crise da emissora e da saída definitiva da mesma do ar em 18 de julho de 1980; na reprise, a novela ganhou um novo logotipo e abertura, contando também com outro tema musical.

Depois da falência da TV Tupi, transferiu-se com praticamente todos os colegas autores e de elenco da antiga emissora, para a Rede Bandeirantes, onde escreveu quatro sucessos: Cavalo amarelo (1980). A novela ganhou uma continuação depois do término, Dulcinéa vai à guerra, que não obteve o mesmo êxito e foi escrita por Sérgio Jockyman pois Ivani se recusou a escrevê-la. No mesmo ano foram levados ao ar os remakes de A deusa vencida, e O meu pé de laranja lima; este último é baseado no romance homônimo de José Mauro de Vasconcelos e ganharia uma terceira versão em 1998 adaptada por Ana Maria Moretzsohn, além de uma adaptação para o cinema por Aurélio Teixeira.

Para escrever Os Adolescentes (1981), foi auxiliada pelo psiquiatra Paulo Gaudêncio. Intencionando mostrar os conflitos dos jovens naquele momento, foi substituída por Jorge Andrade, que terminou a obra amenizando os problemas dos jovens centrais e criando personagens novos, inexistentes nos capítulos criados por Ivani anteriormente. Quando Benedito Ruy Barbosa abandonou a escrita da novela Os imigrantes para retornar à Rede Globo, a direção da Bandeirantes resolveu que Ivani deveria abandonar a escrita de Os Adolescentes e assumir Os Imigrantes. Apesar do profissionalismo de Ivani em aceitar esta incumbência, o fato acabou causando uma série de desencontros e o desgaste de sua relação com a emissora, da qual sairia em seguida.

Em 1982 estreou na Rede Globo, onde permaneceu até sua morte. A telenovela que marcou a estréia nessa emissora é Final feliz, foi o último trabalho da atriz Elza Gomes que veio a falecer em 1984, onde a interpretação de Estênio Garcia ganhou os prêmios de Destaque do Ano e Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), fazendo com que o autor fosse contratado pelo governo cearense para promover o turismo naquele estado durante um ano, obteve audiência expressiva, promoveu o merchandising sobre tabagismo, cuja trama focalizava o amor vivido em diferentes idades, bem como uma trama policial e deficiência mental, contando com a colaboração do psiquiatra Stanislau Krinsky e inclusive, retratou características do Nordeste brasileiro e foi a única produção inédita na casa – e última novela inédita de sua autoria, pois todas as outras foram remakes ou baseados em antigos sucessos seus.

Prosseguiu com Amor com amor se paga (1984), ambientada na fictícia cidade de Monte Santo no interior mineiro, inspirada na peça O Avarento de Molière, foi baseada em Camomila e bem-me-quer (1972).

Outro trabalho neste caminho foi Hipertensão (1986), baseada em Nossa filha Gabriela (1971) entretanto sem alterar a estrutura da história onde houve mudanças na espinha dorsal, nos nomes dos personagens, criação de novas tramas formando assim uma nova novela, as cenas externas da fazenda Santa Lúcia foram gravadas em Vassouras (RJ), e ambientada na fictícia cidade de Rio Belo, construída em Guaratiba; O sexo dos anjos (1989) que contou com seqüências gravadas na Amazônia e estação de esqui, efeitos visuais, foi baseada em O terceiro pecado (1968), esta última a primeira incursão no sobrenatural.

O sexo dos anjos não obteve êxito, transpondo para os dias contemporâneos uma história que originalmente se passou na década de 1920; A Muralha, baseada no romance homônimo de Dinah Silveira de Queiroz foi convertida em minissérie em 2000 de 49 capítulos, como parte da comemoração dos 35 anos da TV Globo e também aos 500 anos do Brasil, comemorados em 22 de abril daquele ano – adaptada pela dramaturga portuguesa Maria Adelaide Amaral, afora as quatro apresentações de 1954, 1958, 1963 (estas, de maneira mais simplista, numa época em que as telenovelas brasileiras ainda não eram diárias) e 1968. Maria Adelaide leu os originais que Ivani escreveu para rádio nos anos 1950, para realizar a versão de minissérie da obra, conforme consta em uma entrevista da autora na revista Istoé Gente, de 2000.

Escreveu também os remakes de A gata comeu (1985), comédia romântica ambientada no Rio de Janeiro , o tema de abertura também ficou marcado na memória do público: a música Comeu, de Caetano Veloso, gravada pelo compositor acompanhado pelo grupo Magazine;

Mulheres de areia (1993), a novela deveria substituir Felicidade de Manuel Carlos em junho de 1992, mas como Glória Pires engravidou, sua estréia foi adiada em um ano; em seu lugar, entrou Despedida de Solteiro, de Válter Negrão.

A última novela escrita antes de morrer foi o remake de A Viagem (1994), inspirando-se na filosofia de Allan Kardec. A exibição desta, segundo dados de livrarias especializadas na época, aumentou em 50% a vendagem de livros espíritas; por outro lado, a novela teve protesto de diversos movimentos negros, que enviaram cartas à emissora repudiando a discriminação dos autores por não apresentarem negros no céu, baseando-se na filosofia de Allan Kardec e levantando todas as dimensões da Doutrina Espírita, desde o preconceito dos leigos até estudos científicos: o enredo central, que fala sobre a vida após a morte, comunicação entre vivos e mortos através da mediunidade, reencarnação, intercâmbio entre o mundo material e espiritual, a existência dos espíritos encarnados e desencarnados, a imortalidade do espírito, a vida eterna, crendices populares, possessões, sessões de regressão em vidas passadas, a pluralidade de mundos habitados, a moral cristã rediviva e a caridade; Ivani usou dessa história para apresentar sua crença, contando também com cenas gravadas em um campo de golfe de Nogueira, distrito de Petrópolis (RJ), e também em uma pedreira desativada em Niterói. Inclusive esta novela de tanto sucesso superou os índices de audiência da então novela das oito, Pátria minha, de Gilberto Braga.

Mulheres de areia fez tanto sucesso que nunca obteve uma audiência inferior a cinqüenta pontos – um fenômeno para o horário das seis; na Rússia o sucesso foi tanto que, por decisão do governo, o último capítulo foi exibido no dia em que haveria eleições, para evitar que os eleitores viajassem no feriado e conseqüentemente aumentou a freqüência das zonas eleitorais.

A mais recente adaptação das antigas obras de Ivani foi O profeta (2006), que não era exatamente um remake da primeira versão, foi somente baseada na obra, como a história – a primeira versão da novela era contemporânea e este remake é ambientado nos anos 50 – e a mudança dos nomes de muitos personagens. A novela era ambientada em um supermercado que atualmente foi modificado com uma fábrica de cristais (Áurea) – o cristal é o símbolo da clarividência. A regravação de O profeta já havia sido cogitada anteriormente – mais precisamente em 2004 para substituir Chocolate com pimenta de Walcyr Carrasco, novela aliás que foi inspirada em Amor Com Amor se Paga, mas a emissora acabou optando por Cabocla, de Benedito Ruy Barbosa adaptado por suas filhas Edmara e Edilene Barbosa.

Falecimento e trabalhos póstumos

Ela morreu de insuficiência renal provocada pela diabete, no dia 17 de julho de 1995, aos 79 anos, mas deixou prontos dois trabalhos: a última telenovela, a póstuma Quem é você? (1996), um fracasso de audiência, onde abordou a vida da terceira idade e a farsa dos sexos, protagonizada por Cássia Kiss e Elizabeth Savalla, da qual ela escreveu o argumento e foi redigida pela fiel colaboradora Solange Castro Neves (que escreveu apenas os vinte e quatro primeiros capítulos, transferindo-se posteriormente para a TV Record) e terminada por Lauro César Muniz. O título original da novela era Caminho dos ventos (outro título provisório era Os bonecos). Escreveu também uma minissérie, O Sarau, de doze capítulos baseada em obras do escritor Machado de Assis, projeto este que acabou por ser abortado.

Além desta, Ivani também escreveu o argumento de A Selvagem (remake de Alma cigana, 1964) e O machão, exibidas pela TV Tupi em 1971 e 1974, respectivamente. Esta última foi adaptada de A Indomável (1965), pela TV Excelsior e ganharia uma terceira adaptação em 2000 exibida pela TV Globo, cujo título agora era O Cravo e a Rosa, uma livre adaptação do clássico A megera domada, de Shakespeare. Escreveu também um roteiro para um filme com direção de Roberto Santos – Pantomina. Até a década de 80, Ivani havia adaptado exatos 2922 contos, média de um por dia; além de 1300 peças para rádio. Sem colaboradores ela escrevia dois capítulos de novela, o dobro do que uma equipe de quatro novelistas escreve hoje.

Ivani Ribeiro também foi a única autora a ter suas novelas reprisadas duas vezes na sessão Vale a Pena Ver de Novo: A viagem, em 1997 e 2006 e A gata comeu, em 1989 e 2001, levada ao ar em substituição ao fracasso da reprise dos antigos episódios do extinto programa Você Decide, e foi a novela mais velha a ser reprisada, com dezesseis anos em 2001. Durante a segunda reprise de A viagem, a gravadora Som Livre relançou no mercado a trilha sonora internacional da novela.

Em 1998 a autora e colaboradora de Ivani, Solange Castro Neves, apresentou uma sinopse de A Viagem 2, que seria uma continuação da novela exibida em 1994, mas desavenças entre diretores de emissora, fez com que o projeto fosse abortado.

Fonte:
wikipedia

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Raul de Leoni (1895 – 1926)

Raul de Leoni (Petrópolis, 30 de outubro de 1895 — Itaipava, 21 de novembro de 1926)

30 de outubro de 1895, nasce em Petrópolis, Estado do Rio, Raul de Leoni Ramos, terceiro filho do magistrado Carolino de Leoni Ramos e de D. Augusta Villaboim Ramos.

Em 1903, cursa o primário e, a seguir, o secundário, no Colégio Abílio, em Niterói.

Em 11 de setembro de 191o, faz a Primeira Comunhão aos quinze anos, na Capela do Colégio São Vicente, dos padres Premonstratenses, em Petrópolis, onde se encontra internado.

Em 1912, matricula-se da Faculdade Livre de Direito do Distrito Federal, colando grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, quatro anos mais tarde.

Parte para a Europa em 9 de abril de 1913, indo visitar a Inglaterra, França, Itália, Espanha e Portugal. Impressiona-se com Florença, única cidade nominalmente decantada em seu livro.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1914, inicia colaboração literária nas revistas Fon-Fon e Para-Todos, colaborando mais tarde em O Jornal (1919), no Jornal do Comércio e no Jornal do Brasil.

Em 13 de março de 1918 é nomeado, por Nilo Peçanha, Ministro das Relações Exteriores no governo Wenceslau Brás, para o cargo de Secretário da Legação do Brasil em Cuba, não chegando a assumir, regressando da Bahia.

No ano de 1919, após declinar da sua nomeação para cargo idêntico, em nova Legação junto ao Vaticano, aceita ir para Montevidéu, onde permanece por três meses, para logo definitivamente abrir mão da Diplomacia. É eleito Deputado à Assembléia Fluminense. Publica seu primeiro livro de poemas: Ode a um poeta morto, dedicado à memória de Olavo Bilac.

Em 8 de setembro de 1920 contrai casamento com Ruth Soares de Gouvêa.

Em 6 de abril de 1921 casa-se com Ruth Soares de Gouvêa.

No ano de 1922 publica Luz mediterrânea, e começa a colaborar no jornal O Dia.

Em 1923, vitimado pela tuberculose, abandona o convívio de parentes e amigos, indo para Corrêas, e a seguir, Itaipava, licenciando-se do cargo de inspetor na companhia de seguros em que trabalhava.

Falece em 21 de novembro de 1926, na Vila Serena, em Itaipava, Petrópolis, hoje condomínio Alexandre Mayworm. Após a sua morte em Itaipava seu corpo foi conduzido para Petrópolis, que lhe prestou suas últimas homenagens, sepultando-o à sombra do Cruzeiro das Almas, erigindo-lhe um mausoléu e dando o seu nome a um trecho da Rua Sete de Setembro.

Sinopse crítica da obra do autor

A obra de Raul de Leoni obteve estudos críticos de de Agrippino Grieco, Rodrigo Melo Franco de Andrade, Medeiros de Albuquerque, Alceu Amoroso Lima, Ronald de Carvalho, Manuel Bandeira, Afonso Arinos de Melo Franco, Tasso da Silveira e Sergio Milliet. Foi o poeta de maior realce na última fase do simbolismo, e justamente considerado como uma das figuras mais notáveis do soneto brasileiro de todos os tempos.

Parnasianos, simbolistas e até modernistas o têm em alta conta, apreciando-o sem reservas. Cada um de seus versos tem sonoridade e ritmo primorosos, especialmente os dos sonetos, em decassílabos, mesclados de simbolismo e de modernismo, com tessitura clássica e técnica parnasiana. São versos considerados dos mais perfeitos: em idéia, filosofia, e essência das temáticas. Porém, a mesma unanimidade não tem a crítica ao situar o poeta, em diferentes julgamentos, onde foi colocado nas escolas e posições poéticas as mais diferentes e contraditórias. Enquanto alguns dos seus críticos o consideram um genuíno parnasiano, outros enxergam nele o simbolista autêntico, terceiros acreditam ter sido um neo-parnasiano e outros o situam num grupo completamente independente das regras poéticas e influências de escolas e movimentos literários.

Análise literária

O seu ritmo peculiar e admirável de versificação, o conjunto de idéias sublimes de suas palavras, são os aspectos mais fortes que envolvem a magnífica harmonia da unidade de pensamento que existe em toda sua obra. Raul de Leoni é poeta de grandeza solitária, unindo a uma filosofia panteística um espírito helênico de poesia ligada ao canto e a música. Apesar de apontarem em seus versos Pascal e Platão, sua poesia nada tem de filosófica. É espontânea, colorida, sensual. Sua estética à maneira platônica leva-o a uma vizinhança extraordinária com o Simbolismo, sendo, tanto quanto Guimarães Passos um grande poeta de transição.

Todavia a crítica literária brasileira é unânime em assinalar a alta linhagem clássica da poesia de Raul de Leôni, fundada na homogeneidade da sua primazia gramatical, temática e métrica, e consolidada no seu bom gosto literário, reconhecidos como impecáveis, desde a sua época até os dias atuais.

A sua poesia embora contenha formas antigas e clássicas, é caracterizada por um imperecível espírito de modernidade, o que lhe assegura compreensão ilimitada e aperiódica, e o introduz na seleta plêiade dos poetas imortais.

Principais poemas

De todos os poetas brasileiros, de qualquer escola onde existissem regras poéticas, incluindo os independentes, o único que não sofreu sequer um sopro de menosprezo do assíduo fôlego da “corrente modernista brasileira” foi Raul de Leôni.

Seus sonetos, de métricas perfeitas, repletos de metáforas e de concepções filosóficas extraordinárias, corriam nos cadernos de poesia dos moços e moças da época, que compreendiam aqueles versos de palavras doces, que continham, ao mesmo tempo, tanta simplicidade e tanto esclarecimento.

A 1ª edição do “Luz Mediterrânea”, de 1922, editada em vida pelo autor, começa com o poema “Pórtico” (onde ele se desvencilha, quase por completo, dos laços da influência do Parnaso brasileiro) e termina com o “Diálogo Final”, tendo sido os “Poemas Inacabados” (que o poeta, ao pressentir a morte prematura, pediu para sua mulher queimar, e ela não compreendeu o seu pedido) que fazem parte da 2ª edição, e das edições seguintes, foram anexados ao “Luz Mediterrânea” pelos outros editores das mesmas.

Se Ode a um Poeta Morto é realmente parnasiano, não o são muitos dos poemas de Luz Mediterrânea, entre eles História de uma alma, E o poeta falou, Imaginação, Supertição?, etc., sem omitir o soneto Argila, um dos melhores da lingua e do qual disse Agripino Grieco, que “todo brasileiro deveria saber de cor”.

Fontes:
Academia Brasileira de Poesia da Casa de Raul de Leoni
Wikipedia

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Osman Lins (1924 – 1978)

  • – Osman Lins nasceu a 5 de julho de 1924, em Vitória de Santo Antão (PE).
  • – Publicou seu primeiro romance, O visitante, em 1955 e, em 1957, Os gestos.
    – Em 1960, concluiu o curso de dramaturgia na Escola de Belas Artes, da Universidade do Recife.
    – Estreou peça de sua autoria, Lisbela e o prisioneiro, no Rio de Janeiro, em 1961. No mesmo ano, editou o romance O Fiel e a Pedra. Em seguida viajou para a Europa como bolsista da Alliance Française.
    – Em 1962, transferiu-se para São Paulo.
    – Publicou, em 1966, Nove, novena, narrativas e Um mundo estagnado, ensaios sobre livros didáticos de português e a peça Guerra do “Cansa-Cavalo” .
    – Em 1970, ingressou no ensino superior como professor de Literatura Brasileira.
    – Em 1973, publica Avalovara, romance, traduzido posteriormente para o espanhol, francês e alemão.
    – Obtém o grau de Doutor em Letras pela Faculdade de Filosofia e Letras de Marília (1973), com a tese “Lima Barreto e o espaço romanesco”, publicada em 1975.
    – Foi professor titular de Literatura Brasileira na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Marília (SP) até 1976, quando deixa o ensino universitário dedicando-se exclusivamente à atividade de escritor.

    Obras do autor:
    O visitante (1955) romance,
    Os gestos (1957) contos,
    O fiel e a pedra (1961) romance,
    Marinheiro de primeira viagem (1963) notas de viagem,
    Lisbela e o prisioneiro (1964) teatro,
    Nove, Novena (1966) narrativas,
    Um mundo estagnado (1966) ensaio,
    “Capa Verde” e o Natal (1967) teatro infantil,
    Guerra do “Cansa Cavalo” (1967) teatro,
    Guerra sem testemunhas: o escritor, sua condição e a realidade social (1969) ensaio,
    Avalovara (1973) romance,
    Santa, automóvel e soldado (1975) teatro,
    Lima Barreto e o espaço romanesco (1976) ensaio
    A Rainha dos Cárceres da Grécia (1976), romance.

    Seu conto “A ilha no espaço” foi adaptado e apresentada no programa Caso Especial da TV Globo.

    A partir de 1976, começa a colaborar ativamente na imprensa e a escrever para televisão, além de redigir ensaios em colaboração com Julieta de Godoy Ladeira: Do Ideal e da Glória e Problemas Inculturais Brasileiros.
    Prêmios literários:
    “Fábio Prado” (SP),1955,
    “Monteiro Lobato” (SP),
    “Coelho Neto”, da Academia Brasileira de Letras (1955),
    “Vânia Souto Carvalho” (Recife), 1957,
    “Nacional de Comédia”,
    “Mário Sette” (Recife), 1962
    “José de Anchieta” (SP), 1965.

  • Faleceu em São Paulo a 8 de julho de 1978.

    Fonte:
    http://www.releituras.com/osmanlins_menu.asp

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E-Book indígena divulga trabalho de 11 escritores em defesa de suas tradições

Esse e-book é como um cartão de visita para os autores indígenas, já que divulgam seus trabalhos aos órgãos governamentais, à universidade local, entre outros locais”. A afirmação de Eliane Potiguara, escritora indígena da comunidade Potiguara e coordenadora da Rede de Escritores Indígenas da Inbrape (Instituto Indígena de Propriedade Intelectual) e o Grupo Mulher-Educação Indígena (Grumin), ressalta a importância do primeiro e-book com textos indígenas.

O Núcleo de Escritores Indígenas (NEI) do Inbrapi, o Grumin/Rede de Comunicação Indígena e Vanderli Medeiros Produções Digitais prepararam o e-book. O livro pretende promover autores indígenas, incentivar estes povos à escrita, divulgar o pensamento indígena, usufruir a ferramenta da internet para divulgar o trabalho dos autores a um baixo custo e disponibilizar este material em diversos sites.

Segundo Eliane, foram enviados cerca de 20 textos, sendo 11 contos publicados. “Recebemos muito material, mas o dinheiro foi o problema já que o projeto não recebeu apoio de nenhum órgão da educação, como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Contamos apenas com a ajuda e um artista plástico e a produtora Vanderli Medeiros, responsável pela parte física do livro“, esclarece a organizadora do e-book.

O livro apresenta contos de várias comunidades indígenas, como guarani, potiguara, entre outros. Yaguarê Yamá, Olívio Jecupé, Daniel Mundukuru, Eliane Potiguara, Lúcio Flores, Kerexu Mirim, Manuel Moura Tukano, Florêncio Vaz, Juvenal Payáyá, Adelmário Ribeiro e Gabriel Gentil foram os autores deste primeiro e-book. “A gente quer jogar este livro na mídia, porque é importante as pessoas indígenas divulgarem seus trabalhos com escritores conhecidos e mostrar sua experiência nas editoras. As portas até agora foram fechadas para eles. É como se o povo indígena não tivesse capacidade para nada. Aquela mentalidade do código civil brasileiro em que dizia que os índios eram menores de idades ainda existe. A gente ainda sente um olhar diferente sobre o indígena“, ressalta Eliane.

Formada em Letras, a organizadora do primeiro e-book é conhecida pela sua atuação na defesa dos direitos indígenas e foi indicada para o Projeto Mil Mulheres para o Prêmio Nobel da Paz entre 52 brasileiras indicadas. Além disso, foi nomeada uma das “Dez Mulheres do Ano de 1998”, pelo Conselho das Mulheres do Brasil e por ter criado a primeira organização de mulheres indígenas no país, o Grumin. É ainda empreendedora social da ASHOKA, membro do Women´s Writes World e autora do livro “Metade cara, metade máscara”, que aborda a questão indígena no Brasil.

Com objetivo de levar mais informações para as comunidades indígenas, o Grumin, segundo Eliane, é uma rede de comunicação indígena que trabalha para levantamento de projetos de financiamento na área indígena. Ou seja, luta pela democratização da informação. No seu primeiro jornal, costumava denunciar a invasão dos garimpeiros e madeireiros nas terras indígenas. “Colocávamos a opinião do indígena no jornal e levávamos o debate no campo internacional¸ para a Organização das Nações Unidas (ONU). Fizemos até um relatório e recebemos comissão da ONU. Recebemos ainda uma Comissão de Combate ao Racismo, em 1996. Como sofri ameaça de morte no final de 1992, paramos de publicar este material cerca de dois anos e decidi retomar meu trabalho por meio da literatura para chegar sem muito alarde“, explica Eliane.

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O e-book pode ser baixado no site http://www.elianepotiguara.org.br/home.html
Fonte:
Aragarças-Goiás/Brasil. 23 setembro 2005. por Susana Sarmiento.
http://www.jlocal.com.br/geral.php?pesquisa=1544

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Antonio Facci (15/2/1941 – 10/03/2008)

O escritor Antonio Facci é natural de Cedral, Estado de São Paulo, nasceu no dia 15 de fevereiro de 1941 e faleceu em Maringá, PR, a 10 de março de 2008. É o sétimo filho de Vergílio Facci e de Maria Morroni, o qual, somado aos três que vieram após seu nascimento, faz parte da prole de dez descendentes de colonos italianos.

Serventuário da Justiça, cidadão benemérito de Maringá, cidadão honorário de Floresta e Sarandi e menção de homenagem do Estado do Paraná. Vereador (Maringá). Deputado estadual (Paraná) Presidente da Academia de Letras de Maringá. Publicou 14 obras. Secretário do Distrito LD-6 do Lions Internacional. Autor de Mantenha acesa a chama da vida, Ex-passos, Do cio ao sombrio, Alento, Governadores 30 anos, O soldado, Memórias de prata, Queixas, Grafiteiro, Sem palavras, Parlamentar e Meus passos no leonismo.

· Membro fundador da Academia de Letras de Maringá, titular da Cadeira nº 20, que tem como patrono Humberto de Campos.

· Titular da Cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Leonismo.

· Titular da Cadeira nº 20 da Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias.

· Patrono da Cadeira nº 8 da Academia Umuaramense de Letras e Artes.

· Sócio da UBT – seção de Maringá.

· Medalha de Ouro – Concurso Nacional de Contos, promovido pela Revista Brasília, com o texto “Alípio e Isabel”.

· Medalha de Prata – Concurso Nacional de Poesia, promovido pela Revista Brasília, com o poema “Poros”.

· Diploma de Honra ao Mérito, pelos serviços prestados à literatura nacional, outorgado pela Academia Goiânia de Letras.

· Medalha de Mérito Acadêmico, pelos serviços prestados à literatura, outorgada pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias.

· Medalha Juscelino Kubstchek de Oliveira, outorgada pela Academia Brasileira de Estudos e Pesquisas Literárias.

· Medalha de Mérito Cultural Arcádico – Euclides Pery Rodrigues, outorgado pela Arcádia de Artes e Ciências Estéticas do Rio de Janeiro.

Fonte:
http://www.afacci.com.br/autor.php

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Gabriel Garcia Marquez (1928)

Gabriel García Marquez (Aracataca, Magdalena, 6 de março de 1928) é um importante escritor colombiano, jornalista, editor e ativista político, que em 1982 recebeu o Nobel de literatura por sua obra, que entre outros livros inclui o aclamado cem anos de solidão. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana.Viajou muito pela Europa e vive actualmente no México a lutar contra o cancro. É pai do realizador Rodrigo Garcia.

Gabriel García Márquez, também conhecido por Gabito, filho de Eligio Garcia e de Luiza Santiaga Márquez Iguaran, que tiveram onze filhos.Tinham uma pequena farmácia homeopática. E seu avô materno Nicolás Marquez, que era um veterano da Guerra dos Mil Dias, cujas histórias encantavam o menino, e sua avó materna Tranquilina Iguarán exerceram forte influência nas histórias do autor, um exemplo são personagens de cem anos de solidão.

Tinha 8 anos (1936) quando esse avô morreu. A família deixou então Aracataca, devido à crise da plantação bananeira, e Gabriel estudou em Barranquilla e no Liceu Nacional de Zipaquirá, passou a juventude ouvindo contos das Mil e Uma Noites; sua adolescência foi marcada por livros, em especial A Metamorfose, de Franz Kafka. Ao ler a primeira frase do livro, Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso, pensou então eu posso fazer isso com as personagens? Criar situações impossíveis?. Em 1947 muda-se para Bogotá para estudar direito e ciências políticas na universidade nacional da Colômbia, mas abandonou antes da graduação. Em 1948 vai para Cartagena das Indias, Colômbia, e começa seu trabalho como jornalista.

Seu primeiro trabalho como jornalista foi para o jornal El Universal. Em 1949 vai para Barranquilha e trabalha como repórter para o jornal El Heraldo. Neste mesmo período participa de um grupo de escritores para estimular a literatura. Em 1954 passa a trabalhar no El Espectador como repórter e crítico.

Em 1958 trabalha como correspondente internacional na Europa, retorna a Barranquilha e casa-se com Mercedes Barcha com quem tem dois filhos, Rodrigo e Gonzalo.Em 1961 vai para Nova Iorque para trabalhar como correspondente internacional, mas suas críticas a exilados cubanos e suas ligações com Fidel Castro o fizeram ser perseguido pela CIA e com isso muda-se para o México. Em 1994 funda juntamente com seu irmão Jaime Abello a Fundação Neo Jornalismo Iberoamericano.

Teve como seu primeiro trabalho o romance “La Hojarasca” publicado em 1955. Em 1961 publica “Ninguém escreve ao coronel”. A obra Relato de um náufrago, muitas vezes apontada como seu primeiro romance, conta a história verídica do naufrágio de Luis Alejandro Velasco e foi publicado primeiramente no “El Espectador”, somente sendo publicada em formato de livro anos depois, sem que o autor soubesse .

O escritor colombiano possui obras de ficção e não ficção, tais como Crônica de uma morte anunciada e Amor nos tempos do cólera. Em 1967 publica Cem Anos de Solidão, livro que narra a história da família Buendía na cidade fictícia de Macondo, desde sua fundação até a sétima geração. Este livro foi considerado um marco da literatura latino-americana e exemplo único do estilo a partir de então denominado “Realismo Fantástico”. Suas novelas e histórias curtas – fusões entre a realidade e a fantasia – o levaram ao Prêmio Nobel de literatura em 1982.Em 2002 publicou sua autobiografia Viver para contar, logo após ter sido diagnosticado um câncer linfático.

Têm simpatia por movimentos revolucionários da América Latina. Em 2006 apoiou juntamente com outras figuras públicas a independência de Porto Rico. Em algumas ocasiões foi mediador entre governo colombiano e as guerrilhas.

Tem interesse por cinema e trabalha principalmente como diretor.Em 1950 estudou no Centro experimental de cinema em Roma.Participou diretamente de alguns filmes tais como Juego peligroso,Presságio, Erendira, entre outros.Em 1986 funda Escola Internacional de Cinema e Televisão em Cuba, para apoiar a carreira de jovens da América Latina, Caribe, Ásia e África. Em 1990 conhece Woody Allen e Akira Kurosawa, diretores pelos quais tem admiração.

Obras

La Hojarasca – 1954
Memória dos prazeres
Relato de um náufrago
A sesta de terça-feira
Ninguém escreve ao coronel
Os funerais da mamãe grande
O enterro do diabo:A revoada
Má hora: o veneno da madrugada
Cem anos de solidão
A última viagem do navio fantasma
Entre amigos
A incrível e triste história de Cândida Eréndira e sua avó desalmada
Um senhor muito velho com umas asas enormes
Olhos de cão azul
O outono do Patriarca
Como contar um conto (1947-1972)
Crônica de uma morte anunciada
Textos do caribe
Cheiro de goiaba
O verão feliz da senhora Forbes
O Amor nos tempos do cólera
A aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile
O general em seu labirinto
Doze contos peregrinos
Do amor e outros demônios
Notícia de um seqüestro
Textos Andinos
Da Europa e América
Viver para contar
Memórias de minhas putas tristes
Crónicas, 1961-1984

Prémios e condecorações

Premio de Novela ESSO por “má hora:o veneno da madrugada” (1961)
Doutor Honoris Causa da Universidade de Columbia em Nova Iorque (1971)
Medalha da Legião Francesa em Paris (1981)
Condecoração Águila Azteca no México (1982)
Prémio Nobel de Literatura (1982)
Prémio quarenta anos do Circulo de jornalistas de Bogotá (1985)
Membro honorário do Instituto Caro y Cuervo em Bogotá (1993)
Doutor Honoris Causa da Universidade de Cádiz (1994)

Fonte:

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