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Folclore (Elfos na Mitologia Nórdica)

Elfos Nórdicos (Freyr)
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Este é o primeiro de uma série de artigos sobre os Elfos externos à obra de J. R. R. Tolkien, retiradas de mitologias que serviram de inspiração para alguns aspectos do grande legendarium Tolkieniano.

A descrição mais antiga existente dos elfos vem da mitologia Nórdica. Em Nórdico Antigo eles são chamados álfar (no singular nominativo álfr) e embora não existam descrições mais antigas ou mesmo contemporâneas, a existência de seres etimologicamente relacionados aos álfar em vários folclores posteriores sugere fortemente que a crença em elfos era comum entre todas as tribos Germânicas, e não limitada apenas aos antigos Escandinavos.

Embora o conceito em si nunca seja claramente definido nas fontes existentes, os elfos parecem ter sido concebidos como seres humanóides poderosos e belos. Os mitos sobre os elfos nunca foram registrados. Homens famosos podiam ser elevados à posição de elfos após a morte, como o rei Olaf Geistad-Elf. O herói ferreiro Völundr é identificado como ‘Regente dos Elfos’ (vísi álfa) e ‘Rei dos Elfos’ (álfa ljóði), no poema Völundarkviða, cuja prosa introduzida tardiamente também o identifica como rei dos ‘Finns’, um povo Ártico respeitado por sua magia xamânica. Na Saga de Thidrek uma rainha humana se surpreende ao descobrir que o amante que a engravidara é um elfo e não um homem. Na Saga de Hrolf Kraki um rei chamado Helgi estupra e engravida uma elfa vestida em seda que é a mulher mais bela que ele já vira.

A reprodução entre as raças era, portanto, possível entre elfos e homens na antiga crença Nórdica. A rainha humana que teve um amante elfo deu a luz ao herói Högni, e a elfa que foi estuprada por Helgi deu a luz a Skuld, que se casou com Hjörvard, assassino de Hrólfr Kraki. A saga de Hrolf Kraki destaca que uma vez que Skuld era uma meio-elfa, ela era bastante habilidosa em magia (seiðr), a ponto de ser praticamente invencível em batalha. Quando seus guerreiros caíram, ela os fez se erguerem novamente para continuarem lutando. A única maneira de derrotá-la era capturá-la antes que pudesse invocar seus exércitos, que incluíam guerreiros élficos.

Há também no Heimskringla e na Saga de Thorstein, Filho de Viking registra uma linhagem de reis locais que reinavam sobre Álfheim, que corresponde à moderna província Sueca de Bohuslän,e uma vez que eles tinham sangue élfico é dito que eram mais belos que a maioria dos homens.

A terra governada pelo Rei Alf era chamada Alfheim, e toda sua descendência era relacionada aos elfos. Eles eram mais belos do que qualquer outro povo…

O último dos reis é chamado Gandalf.

Em adição a estes aspectos humanos, eles são comumente descritos como seres semidivinos associados com a fertilidade e o culto dos ancestrais. A noção dos elfos portanto parece similar às crenças animísticas em espíritos da natureza e dos mortos, comum a praticamente todas as religiões humanas; isto também é verdade para a antiga crença Nórdica nos dísir, fylgjur e vörðar (espíritos “seguidores” e “protetores”, respectivamente). Como espíritos, os elfos não eram presos a limitações físicas e podiam atravessar muros e portas como os fantasmas, como acontece no Norna-Gests þáttr. É dito que os elfos são o equivalente Germânico das ninfas da mitologia Greco-Romana, e os vili e rusalki da mitologia Eslava.

O mitógrafo e historiador Islandês Snorri Sturluson se refere aos anões (dvergar) como “elfos da escuridão” (dökkálfar) ou “elfos negros” (svartálfar); mas é incerto se isso reflete a crença medieval geral na Escandinávia, Ele se refere aos demais elfos como “elfos da luz” (ljósálfar), o que freqüentemente foi associado com a conexão dos elfos com Freyr, o deus do sol (de acordo com Grímnismál, Edda Poético). Snorri descreve as diferenças entre os elfos como se segue:

“Há um lugar lá [no céu] que é chamado de Lar dos Elfos (Álfheimr). As pessoas que vivem lá são chamadas de elfos da luz (Ljósálfar). Mas os elfos da escuridão (Dökkálfar) vivem sob a terra, e são diferentes em aparência – e ainda mais diferentes na realidade. Os Elfos da Luz são em aparência mais brilhantes do que o sol, e os Elfos da Escuridão são mais negros que betume.” (Snorri, Gylfaginning 17, Edda em Prosa)

Sá er einn staðr þar, er kallaðr er Álfheimr. Þar byggvir fólk þat, er Ljósálfar heita, en Dökkálfar búa niðri í jörðu, ok eru þeir ólíkir þeim sýnum ok miklu ólíkari reyndum. Ljósálfar eru fegri en sól sýnum, en Dökkálfar eru svartari en bik.

Evidências adicionais sobre os elfos na mitologia Nórdica vêm da poesia Escáldica, o Edda Poético e as sagas lendárias. Nestes os elfos são ligados aos Æsir, particularmente pela frase comum “Æsir e os elfos”, que presumivelmente significa “todos os deuses”. Alguns estudiosos compararam os elfos aos Vanir (deuses da fertilidade). Mas no Alvíssmál (“As Citações do Todo-Sábio”), os elfos são considerados distintos tanto dos Vanir quanto dos Æsir, como revelado por uma série de nomes comparativos na qual Æsir, Vanir e elfos dão suas próprias versões pára várias palavras em uma reflexão das preferências individuais de suas raças. É possível que as palavras designem uma diferença em posição entre os principais deuses da fertilidade (os Vanir) e os secundários (os elfos). Grímnismál relata que Van Frey era o senhor de Álfheimr (significando “mundo-elfo”), o lar dos elfos da luz. Lokasenna relata que um grande grupo de Æsir e elfos se reuniram na corte dos Æsir para um banquete. Várias forças menores, apresentadas como Byggvir e Beyla, que pertenciam a Freyr, o senhor dos elfos, e eram provavelmente elfos, uma vez que não foram registrados entre os deuses. Dois outros servos mencionados são Fimafeng (que foi assassinado por Loki) e Eldir.

Alguns especulam que os Vanir e elfos pertencem a uma antiga religião Escandinava da Idade do Bronze Nórdica, e foram mais tarde substituídos pelos Æsir como os deuses principais. Outros (mais notavelmente Georges Dumézil) argumentam que os Vanir eram os deuses dos Nórdicos comuns, e os Æsir os deuses daqueles pertencentes às castas dos sacerdotes e dos guerreiros.

Um poema de aproximadamente 1020, o Austrfaravísur (‘Versos da Jornada-Ocidental’) de Sigvat Thordarson, menciona que, como um Cristão, lhe foi recusado abrigo em uma casa pagã, na Suécia, porque um álfablót (“sacrifício aos elfos”) estava sendo conduzido ali. Contudo, não temos mais informações sobre o que um álfablót envolvia, mas como outros blóts ele provavelmente incluía ofertas de comida, e o folclore Escandinavo tardio manteve a tradição de sacrificar petiscos aos elfos. A partir da época do ano (próxima ao equinócio de outono) e a associação dos elfos com a fertilidade e os ancestrais, podemos assumir que tinha a ver com o culto dos ancestrais e a força de vida da família.

Em adição a isto, a Saga de Kormáks registra que aparentemente se acreditava que um sacrifício aos elfos seria capaz de curar um sério ferimento de batalha:

Þorvarð se curava lentamente, e quando pode ficar de pé ele foi ver Þorðís, e perguntou a ela o que seria melhor para ajudá-lo a se curar. “Existe uma colina”, respondeu ela, “não muito longe daqui, onde os elfos têm suas moradas. Pegue o touro que Kormák matou, e pinte o lado externo da colina com seu sangue, e faça uma festa para os elfos com sua carne. Então você será curado”.

Fonte:
Fabio Bettega . 28 de fevereiro
http://www.valinor.com.br/

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