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Al Berto (1948 – 1997)

Al Berto, pseudônimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares (Coimbra, 11 de Janeiro de 1948 – Lisboa, 13 de Junho de 1997), poeta, pintor, editor e animador cultural português.

Nascido no seio de uma família da alta burguesia (origem inglesa por parte da avó paterna). Um ano depois foi para o Alentejo. Em Sines passa toda a infância e adolescência até que a família decide enviá-lo para o estabelecimento de ensino artístico Escola António Arroio, em Lisboa.

Filho de família da alta burguesia de origem britânica extraordinariamente conservadora, na sua adolescência, traja de modo displicente de calças de ganga e tênis rotos, para escândalo geral. Terá sido a primeira afirmação da sua diferença intelectual.

A 14 de Abril de 1967 foi estudar pintura na Bélgica, na École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels (La Cambre), em Bruxelas.

Após concluir o curso, decide abandonar a pintura em 1971 e dedicar-se exclusivamente à escrita. Regressa a Portugal a 17 de Novembro de 1974 e aí escreve o primeiro livro inteiramente na língua portuguesa, À Procura do Vento num Jardim d’Agosto.

O Medo, uma antologia do seu trabalho desde 1974 a 1986, é editado pela primeira vez em 1987. Este veio a tornar-se no trabalho mais importante da sua obra e o seu definitivo testemunho artístico, sendo adicionados em posteriores edições novos escritos do autor, mesmo após a sua morte.

Al Berto morre de linfoma em Lisboa a 13 de Junho de 1997.

Deixou ainda textos incompletos para uma ópera, para um livro de fotografia sobre Portugal e uma «falsa autobiografia», como o próprio autor a intitulava.

1988 – Prêmio Pen Club de Poesia pela obra O Medo.

Poesia
1982 – Trabalhos do Olhar
1983 – O Último Habitante.
1984 – Salsugem.
1984 – A Seguir o Deserto.
1985 – Três Cartas da Memória das Índias
1985 – Uma Existência de Papel.
1987 – O Medo (Trabalho Poético 1974-1986).
1989 – O Livro dos Regressos.
1991 – A Secreta Vida das Imagens.
1991 – Canto do Amigo Morto.
1991 – O Medo (Trabalho Poético 1974-1990).
1995 – Luminoso Afogado.
1997 – Horto de Incêndio
1998 – O Medo.
2007 – Degredo no Sul

Prosa
1977 – À Procura do Vento num Jardim d’Agosto.
1980 – Meu Fruto de Morder, Todas as Horas.
1988 – Lunário
1993 – O Anjo Mudo
2007 – Dispersos

Teatro
2006 – Apresentação da Noite

Fontes:
http://nescritas.com/homenagemalberto/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Al_Berto

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Mario de Sá Carneiro (1890 – 1916)

Mário de Sá-Carneiro (Lisboa, 19 de Maio de 1890 — Paris, 26 de Abril de 1916), foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do Modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.

Nasceu, no seio de uma abastada família alto-burguesa, sendo filho e neto de militares. Órfão de mãe com apenas dois anos (1892), ficou entregue ao cuidado dos avós, indo viver para a Quinta da Vitória, na freguesia de Camarate, às portas de Lisboa, aí passando grande parte da infância.

Inicia-se na poesia com doze anos, sendo que aos quinze já traduzia Victor Hugo, e com dezesseis, Goethe e Schiller. No liceu teve ainda algumas experiências episódicas como ator, e começa a escrever.

Em 1911, com dezenove anos, vai para Coimbra, onde se matricula na Faculdade de Direito, mas não conclui sequer o ano. Aí, contudo, viria a conhecer aquele que foi, sem dúvida, o seu melhor e mais compreensivo amigo – Fernando Pessoa –, o qual, em 1912, o introduziu no ciclo dos modernistas.

Desiludido com a «cidade dos estudantes», segue para Paris a fim de prosseguir os estudos superiores, com o auxílio financeiro do pai. Cedo, porém, deixou de freqüentar as aulas na Sorbonne, dedicando-se a uma vida boêmia, deambulando pelos cafés e salas de espetáculo, chegando a passar fome e debatendo-se com os seus desesperos, situação que culminou na ligação emocional a uma prostituta, a fim de combater as suas frustrações e desesperos.
Na capital francesa viria a conhecer Guilherme de Santa-Rita (Santa-Rita Pintor). Inadaptado socialmente e psicologicamente instável, foi neste ambiente que compôs grande parte da sua obra poética e a correspondência com o seu confidente Pessoa; é, pois, entre 1912 e 1916 (o ano da sua morte), que se inscreve a sua fugaz – e no entanto assaz profícua – carreira literária.

Entre 1913 e 1914 vem a Lisboa com certa regularidade, regressando à capital devido à deflagração do conflito entre a Sérvia e a Áustria-Hungria, o qual a breve trecho se tornou uma conflagração à escala européia – a I Guerra Mundial. Com Pessoa e ainda Almada-Negreiros integrou o primeiro grupo modernista português (o qual, influenciado pelo cosmopolitismo e pelas vanguardas culturais européias, pretendia escandalizar a sociedade burguesa e urbana da época), sendo responsável pela edição da revista literária Orpheu (e que por isso mesmo ficou sendo conhecido como a Geração d’Orpheu ou Grupo d’Orpheu), um verdadeiro escândalo literário à época, motivo pelo qual apenas saíram dois números (Março e Junho de 1915; o terceiro, embora impresso, não foi publicado, tendo os seus autores sido alvo da chacota social) – ainda que hoje seja, reconhecidamente, um dos marcos da história da literatura portuguesa, responsável pela agitação do meio cultural português, bem como pela introdução do modernismo em Portugal.

Em Julho de 1915 regressa a Paris, escrevendo a Pessoa cartas de uma crescente angústia, das quais ressalta não apenas a imagem lancinante de um homem perdido no «labirinto de si próprio», mas também a evolução e maturidade do processo de escrita de Sá-Carneiro.
Uma vez que a vida que trazia não lhe agradava, e aquela que idealizava tardava em se concretizar, Sá-Carneiro entrou numa cada vez maior angústia, que viria a conduzi-lo ao seu suicídio prematuro, perpetrado no Hotel de Nice, no bairro de Montmartre em Paris, com o recurso a cinco frascos de arseniato de estricnina.

Contava tão-só vinte e seis anos. Extravagante tanto na morte como em vida (de que o poema Fim é um dos mais belos exemplos), convidou para presenciar a sua agonia o seu amigo José de Araújo. E apesar de o grupo modernista português ter perdido um dos seus mais significativos colaboradores, nem por isso o entusiasmo dos restantes membros esmoreceu – no segundo número da revista Athena, Pessoa dedicou-lhe um belo texto, apelidando-o de «gênio não só da arte como da inovação dela», e dizendo dele, retomando um aforismo das Báquides (IV, 7, 18), de Plauto, que «Morre jovem o que os Deuses amam» (tradução literal de Quem di diligunt adulescens moritur).

Verdadeiro insatisfeito e inconformista (nunca se conseguiu entender com a maior parte dos que o rodeavam, nem tão pouco ajustar-se à vida prática, devido às suas dificuldades emocionais), mas também incompreendido (pelo modo com os contemporâneos olhavam o seu jeito poético), profetizou acertadamente que no futuro se faria jus à sua obra, no que não falhou.

Com efeito, reconhecido no seu tempo apenas por uma fina elite, à medida que a sua obra e correspondência foi publicada, ao longo dos anos, tornou-se acessível ao grande público, sendo atualmente considerado um dos maiores expoentes da literatura moderna em língua portuguesa. Embora não tenha a mesma repercussão de Fernando Pessoa, a sua genialidade é tão grande (senão mesmo maior) que a de Pessoa, mas porém muito mais próxima da loucura que a do seu amigo.

A terra que o acolheu na infância – Camarate –, e a quem ele dedicou também algumas das suas poesias, homenageou-o, conferindo o seu nome a uma escola local. O seu poema Fim foi musicado por um grupo português no final dos anos 80, os Trovante. Mais tarde, o seu poema O Outro foi também musicado pela cantora brasileira Adriana Calcanhotto.
As suas influências literárias são de Edgar Allan Poe, Oscar Wilde, Charles Baudelaire, Stéphane Mallarmé, Fiódor Dostoievski, Cesário Verde e António Nobre. Este escritor influenciou vários escritores, entre eles Eugênio de Andrade.

Na fase inicial da sua obra, Mário de Sá-Carneiro revela influências de várias correntes literárias, como o decadentismo, o simbolismo, o ou saudosismo, então em franco declínio; posteriormente, por influência de Pessoa, viria a aderir a correntes de vanguarda, como o interseccionismo, o paulismo ou o futurismo.

Nessas pôde exprimir com à-vontade a sua personalidade, sendo notórios a confusão dos sentidos, o delírio, quase a raiar a alucinação; ao mesmo tempo, revela um certo narcisismo e egolatria, ao procurar exprimir o seu inconsciente e a dispersão que sentia do seu «eu» no mundo – revelando a mais profunda incapacidade de se assumir como adulto consistente.

O narcisismo, motivado certamente pelas carências emocionais (era órfão de mãe desde a mais terna puerícia), levou-o ao sentimento da solidão, do abandono e da frustração, traduzível numa poesia onde surge o retrato de um inútil e inapto. A crise de personalidade levá-lo-ia, mais tarde, a abraçar uma poesia onde se nota o frenesi de experiências sensórias, pervertendo e subvertendo a ordem lógica das coisas, demonstrando a sua incapacidade de viver aquilo que sonhava – sonhando por isso cada vez mais com a aniquilação do eu, o que acabaria por o conduzir, em última análise, ao seu suicídio.

Embora não se afaste da metrificação tradicional (redondilhas, decassílabos, alexandrinos), torna-se singular a sua escrita pelos seus ataques à gramática, e pelos jogos de palavras. Se numa primeira fase se nota ainda esse estilo clássico, numa segunda, claramente niilista, a sua poesia fica impregnada de uma humanidade autêntica, triste e trágica.
Por fim, as cartas que trocou com Pessoa, entre 1912 e o seu suicídio, são como que um autêntico diário onde se nota paralelamente o crescendo das suas frustrações interiores.

Obras

Amizade (1912)
Publicada em 1912, Amizade, é a primeira peça que escreve. Mário de Sá-Carneiro divide a autoria desta obra com Tomás Cabreira Júnior, seu colega do Liceu Camões em Lisboa. O fato de hoje podermos ler esta peça deve-se a um acaso. Dos dois colegas e autores da peça Amizade, Tomás Cabreira Júnior era o único dos dois que tinha os manuscritos. Por qualquer motivo era Sá-Carneiro quem os tinha consigo quando do suicídio de Tomás Cabreira Júnior, que antes de cometer tal ato destruiu toda a sua obra.

Princípio (1912)
No ano de 1912, o autor dá à estampa um conjunto de novelas que reúne sob o título Princípio.

A Confissão de Lúcio (1913)
Inaugurando um estilo até então em si desconhecido, o romance, Mário de Sá-Carneiro publica, em 1913, A Confissão de Lúcio. A temática desta obra gira em torno do fantástico e é um ótimo espelho da época de vanguarda que foi o modernismo português.

Dispersão (1914)
O ano de 1913 veio a revelar-se de uma pujança criativa inigualável. Não só variou dentro da prosa, como apresenta ao público a sua primeira obra de poesia: Dispersão. Esta obra é composta por doze poemas e a sua primeira edição foi revista quer pelo autor quer pelo seu grande amigo, e também poeta, Fernando Pessoa.

Céu em Fogo (1915)
Em 1915, volta a reunir novelas, mais precisamente doze, num volume a que dá o título de Céu em Fogo. Estas novelas revelam igualmente as mesmas perturbações e obsessões que já a sua poesia expressava.

Obras Póstumas
Nem tudo aquilo que Sá-Carneiro produziu em vida viu ser publicado, ainda que muitas coisas, além dos seus livros, tenha deixado espalhadas pelas publicações em que participou, como as revistas Orpheu ou Portugal Futurista.

Indícios de Oiro (1937)
Do que Mário de Sá-Carneiro não chegou a publicar em vida Indícios de Oiro, publicada em 1937 pela revista Presença, é o conjunto de trabalhos seus mais significativo do conjunto da sua obra.

Correspondência
A sua correspondência com outros membros do Orpheu foi também reunida em volumes póstumos: Cartas a Fernando Pessoa (2 vols., 1958-1959), Cartas de Mário de Sá-Carneiro a Luís de Montalvor, Cândia Ramos, Alfredo Guisado e José Pacheco (1977), Correspondência Inédita de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa (1980).

Traduções
De Sá-Carneiro existe ainda uma tradução da peça Les Fossiles, de François de Curel, em parceria com António Ponce de Leão.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org
http://www.instituto-camoes.pt

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Mario de Sá-Carneiro (Poesias: Quase – Fim – Dispersão)

Quase

Um pouco mais de sol – eu era brasa,
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…

Assombro ou paz? Em vão… Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – ó dor! – quase vivido…

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim – quase a expansão…
Mas na minh’alma tudo se derrama…
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo … e tudo errou…
– Ai a dor de ser – quase, dor sem fim…
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou…

Momentos de alma que, desbaratei…
Templos aonde nunca pus um altar…
Rios que perdi sem os levar ao mar…
Ânsias que foram mas que não fixei…

Se me vagueio, encontro só indícios…
Ogivas para o sol – vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios…

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí…
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi…

Um pouco mais de sol – e fora brasa,
Um pouco mais de azul – e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa…
Se ao menos eu permanecesse aquém…

FIM

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza…
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

DISPERSÃO


Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida…

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:

Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).

O pobre moço das ânsias…
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.

A grande ave dourada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-se saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro-
Não me acho no que projecto.

Regresso dentro de mim,
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.

Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.

Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi…Mas recordo

A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!…)

E sinto que a minha morte –
Minha dispersão total –
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.

Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas…
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas…

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas para se dar…
Ninguém mas quis apertar…
Tristes mãos longas e lindas…

E tenho pena de mim,
Pobre menino ideal…
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?…Ai de mim!…

Desceu-me n’alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.

Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.

Perdi a morte e a vida,
E louco, não enlouqueço…
A hora foge vivida,
Eu sigo-a mas permaneço…
……………
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba…
……………

Fonte:
Tufano, Douglas (org.) De Camões a Pessoa: Antologia escolar da poesia portuguesa. São Paulo: Moderna, 1993. p.90, 92-95.

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Arlete Piedade (1956)

Arlete Piedade Louro Daniel (Fada das Letras) nascida a 19 de Junho de 1956, numa pequena aldeia do distrito de Santarém – Portugal, onde passou a sua infância, até ir estudar em Santarém onde fez o curso da escola secundária, e iniciou a sua vida profissional numa seguradora com a idade de 17 anos incompletos.

Em 1980 por motivos de ordem pessoal, passa a residir e trabalhar na zona de Lisboa, onde se manteve até 1994, ano em que regressa a Santarém para cuidar dos negócios da família.

Já na infância e adolescência se manifestava o seu interesse pela leitura e escrita, ficando célebres as suas composições na escola primária e secundária. Mas com a entrada na idade adulta, o início das responsabilidades familiares e o nascimento dos dois filhos, apenas na leitura se refugiava por vezes para viver em fantasia realidades alternativas á vida monótona do dia a dia de uma grande cidade.
Com a volta a Santarém e os filhos já crescidos, continua a refugiar-se na leitura até que com a descoberta do mundo virtual e incentivada por amigos encontrados nesse novo meio, começa então a escrever poesia como forma de expressão de sentimentos, de início apenas no romantismo, e recentemente com crónicas, contos e poesia de intervenção social.

Destaca-se entre os amigos referidos, Roberto Oliveira, seu grande incentivador que a convidou para participar no seu site Mundo Poeta, no início da sua formação em 2003, dando origem a uma amizade que se tem mantido ao longo dos anos.

Nas crónicas, os seus temas preferidos são a cultura do seu povo e a sua cidade de Santarém – Portugal, as quais publicou no Jornal Ecos até á suspensão deste e também no Recanto das Letras.

Convidada por Victor Jerónimo poeta e escritor português radicado no Brasil, a participar das cirandas de temas sociais do seu grupo Ecos da Poesia e da Antologia Poética, Dois Povos, Um Destino, pela primeira vez teve a oportunidade de transpor os seus poemas das telas do computador para o formato escrito em livro.

Mais notícias sobre esta obra em: http://www.ecosdapoesia.net/noticiasliterarias/ecos1.htm

Faz parte do movimento poético com sede em Santiago do Chile e que espalhou por todos os continentes, Poetas del Mundo pelo qual foi nomeada cônsul na cidade de Santarém – Portugal.

Idealizou e promoveu as seguintes cirandas:

Ciranda do Mundo Poeta, publicada em: http://www.mundopoeta.net/ciranda/

Ciranda dos Namorados, publicada em:

http://www.mundopoeta.net/fadadasletras/cirandas/index.htm

Ciranda Línguas em conjunto com a poetisa brasileira Deth Haak, publicada em: http://www.ferool.info/ciranda.htm

Ciranda Basta, em conjunto com Victor Jerónimo e Efigénia Coutinho, publicada em: http://www.avspe.eti.br/cirandas/basta/indice.html

Fez parte do Júri convidado para a Ciranda-Concurso “Cartas” publicada em:
http://www.cirandasdeletras.cantodapoesia.net/ciranda_concurso_cartas.htm

Além destas, tem participado em várias cirandas publicadas em diversos sites na Internet.
O seu poema “Quisera” ganhou uma Menção Honrosa no III Concurso Literário de Contos e Poesias da Editora Guemanisse de Teresópolis no Brasil, em Outubro de 2006, pelo que foi incluído na Antologia “Convergentes”;

O seu conto de natal “A Chegada” foi classificado em quinto lugar no concurso de Contos de Natal do Centro de Estudos Culturais de Petrópolis no Brasil em Dezembro de 2006.

Em Fevereiro de 2007 publica o seu primeiro livro a solo, em edição de autor, “Sonetos da Fada das Letras”

Em Maio de 2007 participou na Antologia Poética “Poetas de Santarém” a convite da direcção do Jornal “O Mirante” um dos maiores órgãos regionais da zona Centro de Portugal.

Em Março de 2007 dá início a encontros poéticos ao vivo, que até o momento tiveram lugar em instituições de apoio a idosos, em conjunto com poetas amigos com vista a estreitar o convívio, divulgar a poesia e mitigar a solidão de quem assiste.

Em Junho de 2007 funda em conjunto com Alexa Wolf e Edyth Teles de Menezes, a associação cultural ULLA – União Lusófona das Letras e das Artes, para promoção e divulgação de escritores e artistas que se expressam em português.

Fonte:
http://www.joaquimevonio.com/

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Arlete Piedade (Conto: A Chegada)

Era já noite alta, as estrelas brilhavam no céu escuro e límpido, iluminado pelo brilho das constelações e nebulosas que se recortavam claramente naquele firmamento esplendoroso de luz e quietude.

José caminhava desde há vários dias e noites apenas com pequenas paragens para os animais descansarem, e sua esposa e o Menino comerem algum parco alimento que lhe permitisse prosseguir naquela viagem, cujo fim ele esperava alcançar nos dias seguintes.

As suas pernas cansadas prosseguiam no entanto com um ritmo próprio como se não pertencessem ao mesmo corpo e fossem comandadas por algum mecanismo desconhecido de um tempo futuro, ou talvez passado, José não sabia, mas sentia que elas não lhe pertenciam e alguma força superior as comandava em seu lugar e lhe fazia sentir aquela urgência em prosseguir sem descanso até o Menino estar seguro em terra egípcia.

Olhou para trás brevemente, alertado por algum ruído diferente e quase imperceptível e viu sua esposa que dormitava sentada no burro exausto que no entanto ia também arrastando as suas patinhas desabituadas daquele piso, e envolvido na manta que o protegia do frio noturno do deserto, o pequeno vulto do filho de Maria, mas a quem ele amava com um amor tão forte que sentia que daria a sua vida para o proteger e a sua mãe.

Um pequeno vulto negro no céu, se destacou por breves momentos contra o brilho da noite estrelada e José pensou que fosse uma ave noturna e em breve esqueceu, enquanto prosseguia incansável rumo ao sol nascente cujos clarões da aurora já começavam a pincelar o céu com rosas e violetas sob um fundo dourado.

Em breve o sol esplendoroso e ardente iria subir rapidamente no céu e cada dia era mais difícil prosseguir viagem sob o calor sufocante.

José sabia que mais á frente existia um pequeno oásis com algumas árvores e um pequeno poço que servia há várias gerações para os caminhantes do deserto sobreviverem naquelas paragens inóspitas matando a sua sede e dos animais e esperava alcança-lo antes do sol ficar a pino sob as suas cabeças para pararem um pouco e descansarem da fadiga.

Enquanto o sol se erguia rapidamente ofuscando o brilho das estrelas, José viu que sua esposa quase tombava da montada, devido ao extremo cansaço e lutava para aconchegar a sua preciosa carga, ao seu colo cansado.

Parando a sua marcha José acorreu e tomou para o seu colo, o menino que dormia ainda, embora desse sinais de em breve despertar, pois que entreabria os seus olhinhos escuros e curiosos, mas depois os voltava a fechar devido á luminosidade ardente.

José colocou-o sentado sob os seus ombros e o menino colocou os bracinhos á volta da sua cabeça para se segurar, depois de José lhe ter ajeitado o seu turbante para o proteger do calor ardente.

Foram prosseguindo e José ia falando com o seu filho para o distrair da fome e da sede e do calor, contando histórias que ouvira a sua pai, de homens de outros tempos e das lutas que travavam no deserto contra leões e bandidos, e como guerreiros, sempre venciam, depois de lutas muito difíceis e demoradas, cheias de ciladas e armadilhas.

O menino ouvia com interesse debruçado sobre a sua cabeça para melhor ouvir, e assim foram caminhando com Maria dormitando atrás sob o burrinho até que alcançaram o oásis.

No entanto o velho poço estava quase entulhado com pedras derrubadas que algum vândalo sem respeito pelos outros caminhantes, ou alguma tempestade ou luta, tinham originado.

José olhou para os odres em pele, onde só uma pequena gota restava, quente e salobra, e retirando o menino de sob os seus ombros, coloco-o cuidadosamente sentado á sombra de uma tamareira, que no entanto por não ser a época, não tinha frutos, dizendo-lhe: – Jesus meu filho, fica aqui sentado que eu vou ajudar tua mãe a desmontar para descansar também um pouco aqui junto de ti.

O menino sorriu em silêncio acenando com a cabeça afirmativamente e José aproximou-se de sua esposa ajudando-a a descer da montada e retirando do alforje, uma manta resistente, estendeu-a á sombra da árvore e lá acomodou os dois seres mais importantes da sua vida para um breve descanso enquanto prendia com um laço comprido, o burrinho á árvore também.

No entanto o pobre animal também exausto deixou-se cair junto a seus donos e assentou a sua cabeça entre as patas para também descansar.

Então José despindo a sua túnica aproximou-se do poço entulhado e com esforço começou a tentar remover as pedras enormes que o tapavam, o que parecia ser tarefa superior ás suas forças humanas, dado a tamanho e o peso das mesmas.

Mas José não era homem de desistir, quando estava em causa a sobrevivência da sua família e ficou olhando em volta, concentrando-se e procurando uma solução para o problema.

Reparou então numa árvore mais afastada do poço e que devido á falta de água
estava quase seca, e indo ao seu alforje de lá retirou uma foice com uma lâmina afiada e curva que tinha levado para acudir a alguma emergência no deserto.

Aproximando-se da árvore com aquela ferramenta rudimentar, começou a cortar o seu tronco pacientemente, para fazer uma alavanca que lhe permitisse remover as pedras do poço.

Ergueu os olhos ao céu numa prece silenciosa e tomado de um súbito vigor ao olhar para o seu filho que brincava com um pequeno tronco fazendo desenhos na areia, atacou com força redobrada a pequena árvore, que em breve estava decepada sob os seus golpes certeiros.

Então aproximando-se do poço, começou a manobrar a sua ferramenta improvisada e as pedras começaram a ceder, e a serem levantadas pela habilidade do homem conjugada com a ferramenta rudimentar e intemporal que também lhe iria servir de cajado se resistisse pois o seu tinha-se partido ao escalar uma encosta pedregosa.

Em breve a água escura e fresca estava á vista e José mergulhando os seus odres na água, os encheu completamente e os levou a seu filho que bebeu cuidadosamente e a sua esposa que ainda mais parcamente bebeu a sua porção de líquido vital á vida.

Desdobrando um recipiente em pele que traziam no alforje, colocaram também um pouco de água que o animal sorveu com evidente satisfação e até se levantou como se quisesse continuar a caminhada, mas na verdade procurava algo para comer.
Comida, José procurou no fundo do alforje e encontrou um pouco de pão seco, que molhou com um pouco de água fazendo uma açorda tosca que deu a comer a sua esposa e seu filho, e também um pouco para o animal.

Para ele próprio, apenas algumas gotas de água para lhe umedecerem a boca ressequida e a pele abrasada do calor do sol, enquanto se sentava por momentos junto aos seus á sombra da árvore raquítica.

A sua cabeça tombou por breves momentos e Maria disse-lhe com ternura para que descansasse algum tempo, que o Egito já estava á vista e que estavam livres da perseguição do inimigo.

José fechou os seus olhos e uma visão estranha por breves momentos de sono sobressaltado o assaltou, e viu uma cruz alta erguendo-se contra um céu escuro em que nuvens de tempestade e raios se entrecruzavam e compreendeu num relance que a sua missão estava longe de estar concluída, mas de momento podia descansar um pouco.

O sol declinava no horizonte, quando todos retomaram a marcha e em breve o céu estrelado onde um cometa com uma longa cauda, fez a sua aparição, recordou a José que naquela noite se completavam três anos do nascimento do menino em Belém, e que uma estrela assim brilhante lhe tinha indicado o estábulo e que agora lhe indicava de novo o caminho seguro para nessa noite cruzarem a fronteira do Egito e ficarem em segurança na terra prometida.

Guiado pela estrela, José foi caminhando sem desfalecer sentindo uma presença benéfica junto de si, guiando os seus, e quando o sol se reergueu de novo, iluminou uma paisagem nova e diferente onde verdes planícies se avistavam ladeando um rio de água azul tão brilhante que corria preguiçosamente através dos campos circundantes e ao longe estranhos edifícios pontiagudos, ou mesmo montanhas, José não sabia, se erguiam por detrás de uma cidade magnífica cujos minaretes rebrilhavam como jóias ao sol da manhã.

Tinham chegado! Era o Egito, a terra prometida! José tinha cumprido a primeira parte de sua missão de pai e protetor do seu filho e da sua esposa.

Esta obra concorreu e venceu o “IV Concurso Historias de Natal”, cuja premiação ocorrera no dia 20/12/2006 no Teatro Municipal de Petrópolis/RJ, Brasil,

Fonte:
http://www.mundopoeta.net/fadadasletras/a_chegada.asp.htm

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Arlete Piedade (Poesias: Oh Mar! – Acesa)

Oh Mar!

Oh mar azul que serves de união,
entre duas margens tão distantes,
áqueles que saturados de paixão,
vivem com promessas de amantes…

acima, o firmamento e as estrelas
e os espíritos dos que, saudosos,
nas noites longas, como caravelas
navegam no céu, buscando amorosos!

Oh! Insondáveis mistérios humanos,
que no vale de lágrimas,vagueiam,
unidos na incerteza desse porvir…

por sobre o mar, ao longo de anos,
buscam esse contacto, que anseiam
num tempo do futuro,ainda por vir!

Acesa

Vou fazer um poema que será teu
sem mostrar ao mundo meu sentir
para que brilhe na noite de breu
e te mostre ao longe meu sorrir

para que na madrugada sonolenta
te acompanhe ao saires de casa
e saibas que o coração acalenta
a paixão rubra e acesa em brasa

no entanto a vida passa e foge
e o que era ardente, esfria hoje
sem o sabor dos beijos fumegantes

não me deixes só, á espera perdida
assim envelhecendo sem ter guarida
sem beijos, e carinhos de amantes!

Fonte:
http://www.joaquimevonio.com/

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Pedro Valdoy (1937)

Francisco Pedro Curado Neves nasceu em Estremoz a 25 de Março de 1937.
– Fez o ensino secundário em Lisboa e o curso de Máquinas Marítimas na Escola Náutica Infante Dom Henrique, considerado superior.
– De 1955 a 1958 esteve em Lourenço Marques a trabalhar na Repartição de Finanças e como jornalista com o pseudónimo de Pedro Valdoy. Nunca concorreu a prêmios literários por ser contra os seus princípios.
– Em Agosto de 1958 regressou a Lisboa, onde permanece até agora.
– Durante seis anos navegou em navios Paquetes como Oficial Engenheiro de Máquinas, em especial pelo continente africano.
– Devido ao casamento, pôs as viagens de lado.
– Desde os oito anos que adora escrever. Quando estudante, fundou o jornal de Parede O GAVIÃO .
– No fim da década de 50 foi jornalista em Lourenço Marques.
– Conviveu com Reinaldo Ferreira, filho do repórter X, Moura Coutinho e José Craveirinha, então diretor do BRADO AFRICANO.
– Tem poemas publicados em vários jornais de Moçambique, Ilha da Madeira e Portugal Metropolitano.
– Participou nos Encontros de Poesia realizados em Vila Viçosa, em 1988. Colaborou em diversas antologias de poesia.
– Em 1990 publica o livro de poemas, POEMAS DO ACASO. Em 1991 edita mais um de poesia, HÁ CANDEIAS NO FIRMAMENTO. Em 2001 NO SILÊNCIO DE UMA PALAVRA.
– Tem mais três livros virtuais editados pela AVBL (Academia Virtual Brasileira de Letras) – http://www.avbl.com.br/
– Presta colaboração nos jornais POETAS & TROVADORES e ARTES & ARTES.
– Foi Secretário da Direção da Associação Portuguesa de Poetas, durante dois mandatos.
– Pertence à Tertúlia Rio de Prata
– Esteve na direção do Cenáculo Literário e Cultural Marquesa de Valverde.
– Foi Diretor do jornal Literário HORIZONTE.
– Profissionalmente é engenheiro.

Fonte:
http://www.joaquimevonio.com/espaco/pedro_valdoy/pedrovaldoy.htm

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