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Paulo Vieira Pinheiro (Apocalipse 1)

O sol nasce, insiste, nasce
a mente turva embaraça
não pensa, teme a morte
ensinaram que tudo acabará

há, dizem, uma única porta
e a sua chave está a venda
seu preço é bom, a tua Alma
para salvar-te deves vendê-la

para aliviar a dor um sacrifício
a inocência, a vergonha, mais
hoje coisas que nos fazem rir
temos de ser mais iguais?

dói reconhecer que as igrejas
são meios de atingir um fim
nelas quem fala com Deus?
quem O compreende profundamente?

o fim do mundo está além da imaginação
não é só o que está no último livro
o fim daquilo que não entendemos
uma outra marcha que não ousamos

as páginas que não entendemos
são as que nos embrulham
mercadorias de troca e baixo custo
somos no fim o fim do caminho.

Fonte:
Exercícios de Palavras e Expressões

Paulo Vieira Pinheiro (Apocalipse 1)

O sol nasce, insiste, nasce
a mente turva embaraça
não pensa, teme a morte
ensinaram que tudo acabará

há, dizem, uma única porta
e a sua chave está a venda
seu preço é bom, a tua Alma
para salvar-te deves vendê-la

para aliviar a dor um sacrifício
a inocência, a vergonha, mais
hoje coisas que nos fazem rir
temos de ser mais iguais?

dói reconhecer que as igrejas
são meios de atingir um fim
nelas quem fala com Deus?
quem O compreende profundamente?

o fim do mundo está além da imaginação
não é só o que está no último livro
o fim daquilo que não entendemos
uma outra marcha que não ousamos

as páginas que não entendemos
são as que nos embrulham
mercadorias de troca e baixo custo
somos no fim o fim do caminho.

Fonte:

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Arquivado em Monteiro Lobato/SP, poema.

Paulo Vinheiro (Revoada de Poemas)

Paulo Vinheiro, é o pseudônimo de Paulo Vieira Pinheiro, poeta de Monteiro Lobato/SP

ATENÇÃO

Recordo, lembrança, achado
Um conto criado de fato suposto
Que é? Não sei. Só sei que perfaz
Completo, segue caminho seu
Por quê? Não interessa mais
Só peço atenção…
Uma delicadeza, afeto
Isso feito, um universo talvez.

POESIA

Quanta força os dedos fazem para digitar?
Pra qual objetivo eles trabalham?
O que querem dizer quando dizem?
Qual conteúdo emocional tem os dedos?
Escrever só com o corpo é incompleto
Escrever só com letras é muito pouco
Poetizar não é o mesmo que historiar
Relatar um fato e depois esquecê-lo

Há razão entre a intenção e a ação
Uma revelação depois da reflexão
Propor uma leitura maior que a grafia
Provocar encanto no exercício de ler
Ligar sem escravizar o leitor ao sentido
Da página, linhas, palavras, letras, sinais
Não há por que complicar o tão simples
Para ler temos de ter mais que os olhos

Para se fazer poesia há de um que a leia

VIVER DÓI
Mais que querer
Mais que bem-me-quer
Respirando fundo
Amando demais

Andando pela vida com a venda

Tateando os caminhos
Vencendo os medos
Transformando horrores
Menos horrores

Seja qual idade se tenha
O mais cruel de tudo
É viver sem saber por quê.

MONARKA

Esquece intensa e leve pelas veredas
Azulando e crispando o tempo espaço
Zero é seu nome, ou será, quem sabe
Dentro, tudo ou nada, ambicionam ser

Sem projetos, sem programas, ela só
É borboleta azul que natural impera
É sutil o processo que nos encasula
Fecho a porta e abocanho a chave

Para transformar o padecer é certo
Por isso não pode haver uma rotina
Nada paira como ela monarca alada
Que remanchada volta a seu casulo

Liga a sua TV e atualiza o programa
Uma noite mal dormida e está findo
Muitos traumas ajustarão sua psique
Um dia intenso cumprindo instruções

Dizem quanto vai viver e onde morar
Data de ativação e expectativa de vida
Tamanho da prole, número do sapato
Limite de crédito, carro de uso, e mais

Sem sentido, sem porque, sem sossego
Sem propósito seu, assim, mais nada
Sem poder só preenche o desígnio
Um dever sem motivo seu, apenas isso

Um estímulo do nada e faz tudo diligente
Um click, um plim, um splash, e aí vai
Às vezes é rápido, outras é progressivo
Um gatilho, estopim, estouro, finalmente

Sem cura, e por isso que a cura é o final
Aguarda um comando para se desfazer
Integral, não linear, partido, sem sentido
Morto desde o berço pode, até, se libertar

TIRANA

Tomar uma coca-cola, adorando, ingenuamente
Ir ao “maquedonalde” num fim de tarde e talvez comer
Ir ao teatro e assistir mais que uma peça
Ler Amado, Oswald, Saramago e se alimentar

Ouvir uma tirana a nos cantar sem encantos
Dobrar-nos às ordens de um tio distante
Darmos atenção à infâmia do dia
Mentiras que diminuem o nosso tamanho

Entendo que não entendamos os porquês
Ignorar os porquês é importante
Não viver alienado ou alienante
Instrumentos do indizível abandono

O nosso destino é o abandono programado
Para repetirmos aquilo que ouvirmos
Para vivermos a mentira ditada
Acreditarmos num salvador que não virá

Transformaram-nos ateus e foi escolhido um novo deus
Aquele que adoramos e adoraremos
Nos dias escuros e noites em claro
Dobrados, insanos, dementes… nos querem

O que queremos? Ninguém se importa
Você se importa? Mesmo? Será?
Não fomos criados para pensar
Afinal pensar cansa e temos quem pense por nós

Para que nascemos? Pra que nasceu todo esse gado?
Garantidos estão os votos e os consumidores, só
Não servimos a nós mesmos e sim ao novo deus
Incorpórea figura quem dita as regras e nos amaldiçoa

Enquanto isso no reino da pastelândia
Nos McColas da vida e da morte
Recolhendo os mortos entre os fracos
Há quem pense em você e em mim

Será você também?

SABOR

Uma sucessão de palavras
Ásperas macias, quentes frias
Salgadas doces, noites dias
Grandes pequenas, brancas negras
Formando a vida e a poesia
Desafiando o possível até o limite
Até que desalente a fantasia

Uma porta aberta leva as palavras
Leves as palavras voam soltas
Há quem as junte, quem dê sentido
Um bêbado do bê-a-bá
Contador de letras
Caçador das palavras perdidas
Você ou eu quando escreve

Um sentido que alucina e lancina
Outra forma de ver o vulgar
Explica e dá sentido à sombra
Quem vai ou quem vem de algum lugar
Ensina, divulga, assombra
Canta e conta o chão que se pisa
E faz mais macio o caminho
Ilumina com poesia

O poeta é um herege

Fonte:
Textos enviados pelo autor

Criação da Imagem por José Feldman

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Arquivado em Monteiro Lobato/SP, Poemas

Paulo Vinheiro (Flóridas)


Avenca, folha mínima, pequenina, sutil
Girassol mancha o jardim de amarelo
Roseira rubra delicada espinha meus olhos
Pêssego macio brota lá no pomar

Que bom saber de coisas certas que acontecem
Daquelas que existem há tantos tempos
Em todas as eras que se repetem iguais
Folhas, flores e frutos que sabem seus lugares

As naturezas de cada uma das coisas se sabem
Aplicam as suas manifestações seus odores
Repetem suas cores e cada sabor em sabores
Ual! Quem lhes ensina e regula nesta rotina?

O bom de ser humano é que não há regras
Ou há, mas nossa rotina é a sua quebra, não?
Para mal certeiro ou para esperança do bem
Como para quem ignora ou para quem sabe

A poesia é sim a arte da interpretação do vão
Daquilo que está entre coisas e despercebido
Não basta escrevê-la se não há o decifrador
Não pode ser sempre ingênua e nem só realista

Entre avencas, folhas, rosas, vermelhos, pomar
Em jardins de amarelos, de eras, de homens
Na natureza das coisas humanas, das cores
No sabor da poesia que não pode ser sempre

Ufa! Disso o que sobra? O que tenho pra levar?

Fonte:
O autor

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Arquivado em Monteiro Lobato/SP, Poesia

Paulo Vinheiro (Fantasia)

Tateio nas sombras um raio de luz
Quimera que leva a nova vereda
Tão certo sigo que me levo à perda
Sem sentido uma direção deformo

Quantos gritos dentro de mim ouço?
Quantos caminhos então se abrem?
Aquelas trevas sobre mim se fecham
Tateio nas sombras um raio de luz

Junto muitas partes de coisa nenhuma
Coisas que gritam, pesam, amaldiçoam
Cada uma das portas fechadas foram
Contudo cada uma das chaves as tenho

Por que tão confuso me vejo a mim?
Por que não ouço uma única voz?
Só gritos sem esperanças na escuridão
Preciso me acrescer mais raios de luz

Aprendi concentrar minha atenção
Olhar mais vigilante cada impressão
Escolher antes os meus caminhos
Estudar melhor sem tanto errar

A minha vida ficou menos aventureira
Talvez sem graça ou desarrojada
Hoje bebo mastigando os goles
Alongo os minutos e a vida, sem pressa

Tateio nas sombras um raio de luz

Fonte:
Poesia enviada pelo autor

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Arquivado em Monteiro Lobato/SP, Poesia

Paulo Vinheiro (Certamente)

Certamente te esperava, como uma folha no rio
Como quem abraçava o vento e beijava a brisa
Imóvel como podia, te esperava

Acendia em meus olhos a calma de quem ama
Lia nas nuvens a mensagem só tua
De mãos dadas eu e tu esperávamos as estrelas…
Agora já estás aqui como se sempre estivesses

As asas de menos cores se aproximam
Mostram os rasgos do céu na noite…
Dourando os meus olhos de novo

A calma do rio
O frio da noite
O calor de tua mão
As coisas não se cabem

Dias curtos
Noites curtas
Uma palma na palma
Umas asas na alma

Assim, como que com música
A gente se vê a dançar
Vejo e fluo… assim… assim

Sem vento e sem brisa
Sem folha, sem rio
Meus olhos nas nuvens tuas
Estrelas nas mãos e asas douradas
Qual mais?

Descubro que o tempo não existe
O espaço é só um lugar impreciso
E nós tão pequeninos
Um nos fizemos

Fonte:
Texto enviado pelo autor

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Arquivado em Monteiro Lobato/SP, Poesia

Paulo Vinheiro (Uma Flor no Meio da Vida) – 08042012 (reescrita)


(Paulo Vinheiro é o nome literário de Paulo Vieira Pinheiro, de Monteiro Lobato/SP)

O quê queres? Perguntei-me a mim.

Dia e outro, na procura dos sentidos, me perco nas palavras que brotam por todo lado com seus propósitos de me confundir.

Jornais, revistas, livros… tantas letras que doem.

Já li de tudo, me arrebatam as bulas…

Machado, Alencar, Scliar, Saramago, Lobato, e tanta gente que depois de um tempo me cobra: fazes o que dizes

Ousado, talvez com um pouco de medo, arrisquei umas pequenas linhas… pequenininhas.

Então escrevi.

Tive a sorte de aprender a letrar pensamentos e os letrei; então achei pouco.

Pensei: se posso descrever o que penso… porquê não posso escrever o que sinto?

Vi que existia uma ponte estreita, longa, perigosa e muita vez conflitante entre o que eu sentia e pensava.

Sofri, mas não desanimei, então me reescrevi.

Contei contos, desvelei novelas, trabalhei textos… passei a ler com mais cuidado, com mais rigor, com mais seleção.

Passei a ler como se eu tivesse escrito o texto que não escrevi. Busquei o sentimento que vale a pena (no estrito sentido da pena que escreve).

Antes disso eu não respeitava tanto como mereciam os que escreveram.

Textos bons ou textos nem tanto como queríamos ler, servem para o que servem, para se qualificarem uns aos outros.

Quem sabe o que é bom?

Sempre gostei das coisas mais fáceis e por isso busquei as mais difíceis, só para me contrariar… só eu sofri no caso das palavras que li.

Agora a pouco me perguntaram: e a flor, onde entra nisso que dizes?

Ora entendo que a flor é o produto da expressão do que se diz, do que se escreve, do que se pinta, do que se faz para a apreciação, como o trabalho, como o amor… como a expressão pura e simples da ação.

Existe no campo ou nos jardins, todo o tipo de expressão floral. Existe no jardim de nossos dias uma quantidade de obras a se admirar, umas com mais cuidado, outras detalhadas, outras simples… cada qual com suas qualidades.

Para nós sobra entendermos o que fizemos ou faremos de nós.

Fonte:
Texto enviado pelo autor

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Arquivado em Monteiro Lobato/SP, O Escritor com a Palavra

Paulo V. Pinheiro (Uma Flor no Meio da Vida)

O quê queres? Perguntei-me a mim.

Dia e outro, na procura dos sentidos, me perco nas palavras que brotam por todo lado com seu propósito de me confundir.

Jornais, revistas, livros… tantas letras que doem.

Já li de tudo, me arrebatam as bulas…

Machado, Alencar, Scliar, Saramago, Lobato, e tanta gente que depois de um tempo me cobra: que dizes? Que me dizes?

Ousado, talvez com um pouco de medo, arrisquei umas pequenas linhas… pequeninas… pequenininhas.
Então escrevi.

Tive a sorte de aprender a letrar pensamentos e os letrei; então achei pouco.

Pensei: se posso descrever o que penso… porquê não posso escrever o que sinto?

Vi que existia uma ponte estreita, longa, perigosa e muita vez conflitiva, entre o que eu sentia e pensava.

Sofri, mas não desanimei, então me reescrevi.

Contei contos, desvelei novelas, trabalhei textos… passei a ler com mais cuidado, com mais rigor, com mais seleção.

Passei a ler como se eu tivesse escrito o texto que não escrevi. Busquei o sentimento que vale a pena (no estrito sentido da pena que escreve).

Antes disso eu não respeitava os que escreveram tanto como mereciam.

Textos bons ou textos nem tanto como queríamos ler, servem para o que servem, para se qualificarem uns aos outros.

Quem sabe o que é bom?

Sempre gostei das coisas mais fáceis e por isso busquei as mais difíceis, só para me contrariar… só eu sofri no caso das palavras que li.

Agora a pouco me perguntaram: e a flor, onde entra nisso que dizes?

Ora entendo que a flor é o produto da expressão do que se diz, do que se escreve, do que se pinta, do que se faz para a apreciação, como o trabalho, como o amor… como a expressão pura e simples da ação.

Existe no campo ou nos jardins, todo o tipo de expressão floral. Existe no jardim de nossos dias uma quantidade de obras a se admirar, umas com mais cuidado, outras com mais atenção, outras detalhadas, outras simples… cada qual com suas qualidades.

Para nós sobra entender o que fizemos ou faremos de nós.

Fontes:
Revista Entrementes
Imagem = http://www.webix.com.br/

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Arquivado em Monteiro Lobato/SP, O Escritor com a Palavra, São Paulo