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VIII Jogos Florais de Niterói/RJ – 1978 (Trovas Vencedoras)

MAC Niterói
TROVADORES DE BRASIL E PORTUGAL
(exceto Rio de Janeiro)

1º TEMA:  MENSAGEM/NS

VENCEDORES

Guarda sempre esta mensagem
da própria vida, que diz:
– É feliz quem tem coragem
de acreditar que é feliz!
CAROLINA RAMOS – Santos

Queimei tudo, destruí
tuas mensagens de outrora,
mas, amor, não consegui
mandar as cinzas embora…
CIPRIANO FERREIRA GOMES – São Paulo

Expondo roupas rasgadas,
ora zombando, ora séria,
a vida põe nas calçadas
as mensagens da miséria…
CIPRIANO FERREIRA GOMES – São Paulo
Na mensagem mentirosa
tu dizes: “Tenho saudade…”
e esta mentira gostosa
é bem melhor que a verdade…
IZO GOLDMAN – São Paulo

O mensageiro fiel
dos sonhos da meninada
é um barquinho de papel
correndo junto à calçada…
SARA MARIANY KANTER – São Paulo
Em tuas cartas havia
mensagens de amor, tão belas,
que eram falsas, eu sabia,
mas como eu gostava delas!…
SILVINA ANTUNES LEAL – Santos
As mensagens de esperança
que trocamos, tu e eu,
são hoje apenas lembrança
da esperança que morreu…
SILVINA ANTUNES LEAL – Santos

MENÇÕES  HONROSAS:

No meu olhar já cansado,
guardo estrelas, guardo luas,
as mensagens de um passado
feito de noites só tuas.
CAROLINA RAMOS – Santos

Vibrante, um sino badala…
Em sua mensagem santa,
é a voz de Deus que nos fala,
na voz do sino que canta…
SILVINA ANTUNES LEAL – Santos

Seis horas… O sol no adeus…
E entre os cânticos e os hinos,
chega a mensagem de Deus,
na voz plangente dos sinos!
DAVID DE ARAÚJO – Santos

Dentro da noite um queixume
a embalar meu sofrimento,
traz mensagens no perfume
que tu deixaste no vento…
CIPRIANO FERREIRA GOMES – São Paulo

Das mensagens que mandaste,
o tempo apagou as linhas,
mas lembranças que deixaste,
jamais se apagam, são minhas…
GRAZIELLA LYDIA MONTEIRO – Belo Horizonte

Sou poeta… Em tudo eu ponho
um pouco de fantasia,
trazendo a ilusão e o sonho
na mensagem da poesia.
DAVID DE ARAÚJO – Santos

No meu refúgio deserto
tua mensagem me diz:
“Mesmo que o amor não dê certo,
quem ama, já é feliz..”
MARIA TERESA GUIMARÃES NORONHA – São Paulo
Na mensagem tu dizias:
“Chegarei na terça-feira!”
E eu descobri que três dias
demoram a vida inteira…
IZO GOLDMAN – São Paulo

Mensagem de amor não leio…
A velhice, esse tropeço,
fez com que pombos-correio
perdessem meu endereço.
SEBASTIÃO SOARES – Natal

As mensagens mais bonitas
que a natureza escreveu,
estão nas flores escritas,
e pouca gente entendeu.
THARCÍLIO GOMES DE MACEDO – Taubaté
Quando o céu em chamas arde,
um sino, ao longe, parece
levar mensagens à tarde,
que morre em tempo de prece.
VASQUES FILHO – Fortaleza

2º TEMA: ESPUMA/S

VENCEDORES

Trapos de espuma estendidos
pelas varandas do mar:
lenços molhados, vencidos
de tanto pranto enxugar…
CIPRIANO FERREIRA GOMES – São Paulo

Selvagem, de vida inquieta,
há no peito da cascata,
um coração de poeta
jorrando espumas de prata…
CIPRIANO FERREIRA GOMES -São Paulo
Tarde… Um chorão se curvava
para ver na água, faceira,
a flor do ipê que bailava
nas espumas da cachoeira!
ELIZABETH MARTHA NOTZ PASCHOAL – Taubaté
Cigano amor que me afagas,
tens a leveza das plumas,
a impermanência das vagas,
a inconstância das espumas…
HUMBERTO LYRIO – Salvador

Teu amor foi como a bruma
que o vento espalha no mar;
onda franjada de espuma
que nem chegou a chegar…
IZO GOLDMAN -São Paulo

Eu confesso, estou cansada,
cansada deste brinquedo:
– ser espuma apaixonada
pela sombra de um rochedo…
SARA MARIANY KANTER -São Paulo

MENÇÕES  HONROSAS:

Meu viver nunca é tristonho,
do mar copiando a investida,
eu jogo espumas de sonho
por sobre as pedras da vida
CAROLINA RAMOS – Santos

Bailando cheia de graça,
sobre as ondas, uma a uma,
a lua se despedaça
em precipícios de espuma.
CIPRIANO FERREIRA GOMES – São Paulo

Felicidade acontece.
Bate à porta, entra, perfuma…
E depois desaparece,
como se fosse de espuma…
CIPRIANO FERREIRA GOMES – São Paulo

Ó praia, para que escondas
teu corpo, é que o mar costuma
trazer, na crista das ondas,
os rendilhados de espuma…
DAVID DE ARAÚJO – Santos

Ó bela praia, por serdes
rendeira, mesmo entre a bruma,
no tear das ondas verdes,
teceis as rendas de espuma…
DAVID DE ARAÚJO – Santos
A vida – senda de abrolhos –
tal como a espuma se esvai,
pondo mágoa nos meus olhos,
de onde a lágrima não cai…
HELVÉCIO BARROS – Bauru

O branco luar flutua
e sobre a espuma passeia:
é o mar carregando a lua,
que vai dormir sobre a areia.
LUCY SOTHER ALENCAR DA ROCHA – Belo Horizonte

Vão-se as espumas das águas,
nas correntezas sem fim…
Mas nunca passam as mágoas
que gemem dentro de mim…
OLÍMPIO M. DA CRUZ – Brasília/DF

Ondas de espumas coroadas
batendo em costas bravias
são espumas de meus nadas,
vividos todos os dias!…
FERRER LOPES – Queluz/Portugal
Alguns amigos parecem
espumas de maré cheia:
na crista, se as ondas crescem,
se as ondas baixam… na areia…
IZO GOLDMAN – São Paulo
Eu sei que não te acostumas,
mas deste amor o que resta?
Pobres vestígios de espumas
na taça de um fim de festa.
MARIA TERESA GUIMARÃES NORONHA – São Paulo

Com a maciez de uma pluma,
o mar, que de amor desmaia,
vestindo luvas de espuma,
alisa as formas da praia!
WALTER WAENY – Santos

A Natureza costuma
semear lições, ao léu:
em cada bolha de espuma
cabe todo o azul do céu!
WALTER WAENY – Santos

PARA TROVADORES DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

1º TEMA:  MÃO/S

VENCEDORES
Trocando afagos, um dia,
aprendi nobre lição…
– Nunca se encontra vazia
a mão que afaga outra mão!…
ALOÍSIO ALVES DA COSTA – Nova Friburgo

Bendita a mão calejada
que, à noitinha, se consola,
trocando o cabo da enxada
pelo braço da viola!
ANTONIO CARLOS TEIXEIRA PINTO – Niterói
Trovadores meus irmãos,
vamos viver de mãos dadas:
onde há correntes de mãos,
não há mãos acorrentadas!…
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO – Rio de Janeiro
Não me gabo das conquistas,
nem dos troféus que são meus,
porque nas mãos dos artistas
há sempre o dedo de Deus…
OCTÁVIO VENTURELLI- Rio de Janeiro

Louvo essas mãos calejadas,
que, sem escola e instrução,
aprenderam, com as enxadas,
todo o alfabeto do chão!…
P. DE PETRUS- Rio de Janeiro

MENÇÕES  HONROSAS:

Os homens, nas mãos piedosas
de Cristo, pastor das almas,
em vez de palmas e rosas,
puseram cravos nas palmas!…
ALOÍSIO ALVES DA COSTA – Nova Friburgo

Por mais, Senhor, que repartas
teus peixes na multidão,
há sempre mãos, de ouro fartas,
e outras carentes de pão!…
ALOÍSIO ALVES DA COSTA – Nova Friburgo

As estrelas da amplidão,
nem todos conseguem vê-las…
E o sonhador põe a mão
muito além dessas estrelas!…
ALOÍSIO ALVES DA COSTA – Nova Friburgo
Que as mãos dos homens, na terra,
corrigindo um erro antigo,
sobre as trincheiras  de guerra,
façam leiras… plantem trigo!…
ALOÍSIO ALVES DA COSTA – Nova Friburgo
Buscando melhores dias
pelos caminhos da vida,
eu volto de mãos vazias,
porém, de cabeça erguida.
ANA MARIA MOTTA – Nova Friburgo

As tuas mãos tão suaves,
fiandeiras de carinhos,
tendo a esquivança das aves,
têm o aconchego dos ninhos.
JOÃO RANGEL COELHO – Rio de Janeiro

Nas obras que se encadeiam
em benefício da Paz,
bendigo as mãos que as semeiam
nos sulcos que a guerra faz!
JOSÉ COELHO DE BABO – Nova Friburgo

Faço o Bem todos os dias
e, depois que o Bem pratico,
olho as minhas mãos vazias
e vejo o quanto sou rico!…
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO – Rio de Janeiro
Minhas mãos cheias de amor
plantam amor pelas ruas…
E mais não plantam, Senhor,
porque só me deste duas!…
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO – Rio de Janeiro
Mãos humildes que se arqueiam
enchendo a terra de grãos…
Benditas mãos que semeiam
para os donos de outras mãos…
JOSÉ MARIA MACHADO DE ARAÚJO – Rio de Janeiro

Eu sempre tentei ser justo
e sempre me injustiçaram…
– Confesso que foi a custo
que estas mãos não se mancharam.
NYDIA IAGGI MARTINS – Nova Friburgo
Por entre os vãos dos meus dedos
fugiram meus sonhos vãos,
que foram simples brinquedos
nos dedos das tuas mãos…
OCTÁVIO VENTURELLI – Rio de Janeiro

Foi um gesto de nobreza,
nas lides duras e bravas:
mãos livres de uma princesa
libertando mãos escravas!…
RODOLPHO ABBUD – Nova Friburgo

Ao traçar vidas sem rumo,
do desgraçado, do louco,
não sei não, mas eu presumo
que a mão de Deus treme um pouco…
WALDIR NEVES- Rio de Janeiro

2º TEMA: FAROL

VENCEDORES

Sobre os sonhos naufragados
nas águas do meu desgosto,
são os meus olhos molhados
faróis sem luz no meu rosto!…
ALOÍSIO ALVES DA COSTA – Nova Friburgo
Deus que é luz e que é bonança,
ante os meus olhos tristonhos,
pôs um farol de esperança
sobre a torre dos meus sonhos…
ALOÍSIO ALVES DA COSTA – Nova Friburgo

Cai a tarde! Que tristeza!
Soluça o mar… E o farol
parece uma vela acesa
ante a agonia do sol!
ANTONIO CARLOS TEIXEIRA PINTO – Niterói
Noite quieta e, de repente,
dois faróis surgem na estrada,
e a escuridão sai da frente,
como quem foge assustada.
DURVAL MENDONÇA – Rio de Janeiro
Nenhum barco… o mar parado…
noite… silêncio… abandono…
E o velho farol, cansado,
parece piscar de sono.
DURVAL MENDONÇA – Rio de Janeiro
Como faróis enganosos,
porque a vaidade os conduz,
quantos homens presunçosos
dão mais sombra do que luz!
ELTON CARVALHO – Rio de Janeiro
Farol velho, não entendes
o contraste que eu te trago:
tu de esperanças te acendes,
eu, de saudades me apago…
OCTÁVIO VENTURELLI – Rio de Janeiro
Soltando as cordas da amarra
da barca do meu destino,
cruzei o farol da barra
dos meus sonhos de menino…
OCTÁVIO VENTURELLI – Rio de Janeiro

MENÇÕES  HONROSAS:
Minha alma, na qualidade
de alma de bom marinheiro,
guarda faróis de saudade
dos portos do mundo inteiro!…
ALOÍSIO ALVES DA COSTA – Nova Friburgo

Amor! Farol! Dois brilhantes
– preciosidades sem par –
ambos salvam navegantes:
um, da vida; outro, do mar!
CARLOS R. DE OLIVEIRA – Niterói

Meu farol mais verdadeiro
foi meu pai, quando eu menino,
pondo luz no meu roteiro
e um porto no meu destino.
DURVAL MENDONÇA – Rio de Janeiro

Ereto em sua tristeza,
o velho farol tomou
um jeito de vela acesa
pelos que o mar condenou.
DURVAL MENDONÇA – Rio de Janeiro

Quanta amargura incontida
n’alma dos cegos magoados…
Seus olhos tristes, sem vida,
são dois faróis apagados…
HEDDA DE MORAES CARVALHO – Nova Friburgo

Teu olhar que me fascina,
lembra tristeza, abandono,
farol envolto em neblina,
nas noites frias de outono!…
HEDDA DE MORAES CARVALHO – Nova Friburgo

Na rocha, em perenes rondas,
à noite, o farol seduz,
ao disparar sobre as ondas,
douradas flechas de luz!
JACY PACHECO – Niterói
Esse farol que, de longe,
nos torvos mares reluz,
tem a doçura de um monge,
lançando bênçãos de luz.
JOÃO RANGEL COELHO – Rio de Janeiro

Bate ao longe a Ave Maria…
A noite vem, devagar,
e o farol é a estrela-guia
para os pastores do mar…
MANITA – Niterói

Certos olhos, já cansados
pelo tempo que passou,
lembram faróis embaçados
que o mar da vida embaçou.
P. DE PETRUS – Rio de Janeiro

Depois que tudo termina,
na indiferença ou na dor,
nenhum farol ilumina
o naufrágio de um amor…
RODOLPHO ABBUD – Nova Friburgo

Na casa do faroleiro
esta ironia ferina:
Lá fora o imenso luzeiro…
– e dentro,uma lamparina.
RODOLPHO ABBUD – Nova Friburgo
Ao voltar, ela sorriu,
e aquele olhar de perdão
foi um farol que surgiu
nas trevas da solidão…
ROMEU GONÇALVES DA SILVA – Rio de Janeiro

Fonte:
Colaboração de Amélia Aparecida Silva/RJ

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Evaldo da Veiga/RJ (Cristais Poéticos)


NOSSO AMOR

Nossa bossa não é nova
e nem antiga, é nossa.

Nossa bossa
se faz de pequenas doses de tempo
em um belo momento.
A busca de nossas almas,

Nossa bossa
vai à direção aos nossos desejos.
Desejos puros e sacanas,
cada hora em seu momento.

Ouço com fervor
o som de ouvir e a graça de dizer.
Música são tuas palavras,
puras e sensuais,
Santas e pervertidas.

Ah! Como amo o que me dizes,
misto perfeito do Santo e profano,
do carinho singelo
e do mais puto desejo…

Vem!
Demole a inércia do tempo sem vigor.
Vem!
Faz a vida girar em sentido do amor…
Somente nesse sentido.
Vem!

SONETO DO AMOR MANEIRO

 O amor que idealizei é um paraíso de viver
 Sob a égide da livre expressão e do contato
Em abraço amante e amigo, quero envolver-te
Gozar bem dentro de você e também em torno

Respirar um ar gratuito que vem da tua boca
Gratuito são todos os ares, mas o teu é meu
Quero respirar em você e ir ao fundo do desejo
Se é que se pode chegar ao fundo em si mesmo

Porém se és Santíssima, muito Pura e bem Puta
Nada perco, ao contrário, ganho dos dois lados
Quero-te como és, nada de acrescentar ou sacar

Quero-te assim porque em ti tenho o melhor gozo
Se em ti acrescentassem em explodiria no prazer
Se retirassem, eu perderia grande parte do amor

VOCÊ, VIDA

Minh´alma louva tua existência etérea
e o meu corpo busca o teu corpo, sempre.
 Quão perdido andei em caminhos distantes,
mas o destino generoso fez o encontro.

Agora, ando no teu e você no meu,
nossa vida em um único caminho.
 Descanso em ociosidade inversa,
em cuidando do nosso amor.

Bendito o dia que me acorda
e lindo o dia que se encerra,
ensejando um novo dia.

Nossos caminhos em busca,
estão lá, bem lá, além…
em estando aqui, bem presente.

SONETO DO AMOR QUE FICOU

Hoje e amanhã
Vou te amar
Como amei ontem
Como amei sempre

No meu olhar, em minhas mãos
No tremor do meu espanto
Farei acenos de ternura
Assim como nos versos em branco

Inserido em música o meu silêncio
Ele irá contigo aonde fores
Jamais direi adeus

Amo tua presença
Mas se fores, por derradeiro
Amarei tua ausência, vivo em teu amor

SONETO DO DIA AZUL
Um dia todo azul em sol
Uma lua chegando cedo
Linda delícia tua vinda
Simples  e encantadora

Tua voz dizendo sim
No ritmo do bem querer
No exato tom do fazer
Em meu corpo o amor

Fiel certeza no encontro
Virando o incerto em crença
Convicção que o amor é viver

Lindo amor em dia azul, sim
É a vida que vem cantando
Em alegre encontro com o amor

VOCÊ, DOCE PRESENÇA

Estando em tua presença
O mundo fica terno
E os movimentos que encantam a alma
Dão vida e gozo ao corpo

Um pendão real te entregou a vida
Investida da honraria você buscou o simples
O que existe na mais absoluta gratuidade
SER, TER E FAZER

TER, sem a sensação de egoísmo
FAZER, em torno o amor gravitando
SER, visando somente SER

Se estás nos meus braços
Descanso no prazer consentido
Bondade da vida: amar e viver o teu amor

O AR DA MANHÃ
 
É um ar diferente, não sei dizer se mais frio ou menos
Destemperado de outros paliativos fora do tempo, não sei
Só sinto que não tem a mesma temperatura de outros momentos
Parece-me que nem se trata de temperatura, suave ou amena
É uma questão de sentir o ar no tempo, misturado ao acaso

Se não me desperto por imposição do dever, fico inerte
Curtindo este ar um tanto mágico que se inicia como menino
Talvez esteja no orvalho a grande diferença, umidade virgem
Traz indiferença, sinto falta do misto de pureza com pecado
Nada virgem me atrai, prefiro a experiência da mulher nua
Aquela que nada sabe e fica buscando aprender, sempre…

Vou dormir, ainda sentindo este sono do ar da manhã
Se não me despertas deixarei de lado o meu corpo frio
Umedecido pelo orvalho deste irresistível ar da manhã
O que isso distante soa, é o amor ou o vento apressado?
Por isso é sempre minha opção o ar da manhã com amor
Cores, umidade e todas vestimentas de uma nova aurora

Não me abandone neste caminho onde não sei caminhar
Se fores muito longe ou para o improvável, vou contigo
Não tenho destino definido, melhor buscar o teu carinho
Nada saberás dessa madrugada onde a chuva se aproxima
Pretendendo alterar o inesgotável prazer do ar da manhã

O AMOR E O LIVRO

O que esperamos com desespero em chegada breve
Leva-nos ao cruzamento com rumos frios do suspense
Recorrendo à calma é que buscamos o silêncio no livro
Um silêncio que diz o lindo e fortalece a confiança

Além, os livros transferem para o céu, quando em versos
Suas estrofes de ouro cravejadas de brilhantes eternos
Do nada se faz o verbo e o livro transmite o que Deus diz
Sem dizer ele que é sagrado e que é a palavra do criador

Livros, doces emoções nos conduzindo ao reino do todo
E quase sempre ao reino amor, em alegria e desejo sublime
Falam os Poetas também da dor, da desilusão e do insulto
Tudo em paradoxais que exaltam a pura beleza do bem

Que lamento tão fundo às vezes diz, transtornado
Nada além de alegorias inversas que sublimam o amor
Cada livro deixa e tem si o que muitas vezes não existe
Mas quando buscado com esperança, alegria, amor é fé

Fontes:
1– Poema enviado pelo autor
2 – http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=4817&categoria=Z

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Antonio Carlos Teixeira Pinto (Niterói em Trovas)

Eu não consigo, alvorada,
de forma alguma entendê-la:
A cada flor despertada,
ter de morrer uma estrela.

Preso o cinzel ao cotoco
de braço que lhe restava,
o grande Artista barroco
morria… enquanto criava!

Quem pelas costas me agride
não terá duras respostas,
pois meu único revide
é de novo dar-lhe as costas!

Tinha no olhar tanto brilho,
tal força nos firmes passos,
que não carregava um filho:
– levava o mundo em seus braços!…

Não pude conter o riso,
quando ouvi que um deputado
tinha o crânio ainda mais liso
que bolso de aposentado.

Depois de muitas andanças,
de percorrer tantos portos,
vou recolhendo esperanças,
para ancorar sonhos mortos!

Não posso culpar a vida,
se meu sonho se perdeu…
Mas … como achar a saída…
se o labirinto sou eu?

De certa caça ele guarda
saudosa recordação,
pois, hoje, a sua espingarda
aponta só para o chão!

Se tu jamais foste minha,
se nunca fui teu, também,
posso ir só, que irás sozinha…
ninguém perde o que não tem!

No verão, a magricela
vai à praia e diz-se a tal…
Mesmo um “palito”… e banguela,
só usa “fio dental”!

É o outono !… A amendoeira
em breve estará despida.
– Também, de certa maneira,
vou me despindo da vida !

Não dou revide ao seu gesto,
por esta simples razão:
– pesa bem mais que o protesto
a leveza do perdão!

Mantém-te sempre disposto
para o trabalho. Aproveita,
porque o suor do teu rosto
fará crescer a colheita!

Luiz Otávio, eu me lembro…
Friburgo em maio, como era:
– jamais esperou setembro,
para entrar na primavera !

Luiz Otávio… um instante.
Em que ponto estarei certo:
– Tu não moras tão distante,
ou o céu ficou mais perto ?!

Só vendo, no dia a dia,
as discussões que forjamos…
Mas, quando volta a harmonia,
meu Deus, como nos amamos!

Que saudade da zoeira
que a criançada fazia…
Harmonia verdadeira
era aquela … e eu não sabia!

Pode a cultura ser vasta
e, no entanto, nada ser.
Saber – por saber – não basta:
Cumpre aplicar-se o saber!

Em busca de uma paixão,
Mergulhei no mar da vida,
e hoje até minha ilusão
está desaparecida!…

Minha mãe não teve escola,
sempre a lutar, noite e dia,
mas a vida lhe deu cola
de toda a sabedoria!

Pode a cultura ser vasta
e, no entanto, nada ser.
Saber – por saber – não basta:
Cumpre aplicar-se o saber!

O saber sempre busquei,
e, nessa ingente escalada,
quanto mais pensam que eu sei,
mas eu sei que não sei nada…

Faltou-me talvez coragem,
e, por medo de chorar,
não abri sua mensagem.
– E ela queria voltar…

Em Friburgo, a natureza
Reflete, no seu perfil,
A majestosa beleza
Da Suíça, no Brasil!

A noivinha vaporosa
fita o noivo e se atordoa:
– De um pijama cor-de-rosa
não vai sair coisa boa…”

Chega o casal ao hotel …
Em pauta – extenso programa.
E a noiva: -É lua-de-mel;
sem essa de pôr pijama!”

“- Minha vida é um livro aberto!”
diz ela, abrindo o pijama.
E o maridão, muito esperto:
– Eu adoro ler na cama!”

Ao voltar antes da hora,
acha a mulher se benzendo…
nem percebe que, lá fora,
seu pijama sai correndo!

Nossas letras iniciais,
no centro de teu coração,
também são restos mortais
de um carcomido portão!

O abandono era patente,
no abraço da solidão:
– duas voltas de corrente
num velho e tosco portão…

Era aqui! Lembro-me bem…
Ainda é o mesmo portão.
“Cuidado! Vem vindo alguém”
-E eu soltava sua mão!

Olho o portão … vejo as horas
nem sei há quanto te espero,
ansioso – porque demoras,
sofrendo – porque te quero!

Seu adeus, naquela hora,
revelou-a para mim:
– quem quer de fato ir embora
não bate o portão assim!…

Durante o pagode inteiro,
foi aquele repeteco:
ela – agitando o pandeiro;
e eu atrás… no reco-reco!

Num pagode, ao se vingar,
Colou na sogra o lembrete:
“Se acaso o bumbo estourar,
podem baixar-me o cacete!”

Num pagode, já manhã,
a tal louraça , desnuda,
provocou: “Segura o tchan”
Ih ! Foi um deus-nos-acuda!

A velha zombou da estafa,
no pagode que houve aqui,
mas, na dança-da-garrafa,
só rebolou na UTI…

Quando o pagode abafou
a ladainha da missa,
um fiel esbravejou:
– Por Deus que eu chamo a “puliça”!

Nosso amor é um retrocesso,
pelo orgulho que nos cega:
– eu desejo… mas não peço;
ela quer… mas não se entrega.

Numerólogo incomum,
a todo instante alardeia
ser o maior “um-sete-um”
que passou pela cadeia…

O regime é semi-aberto
um modelo de prisão…
– Gente! Ali, quem for esperto,
não deixa a cadeia, não!

Cumprida a pena, o coitado,
cuja mulher é bem feia,
suplicava ao delegado:
-“Deixa eu ficar na cadeia!”

Passou na cadeia um mês…
E, com saudades da cela,
veste-se, hoje, de escocês
e pôs grade na janela.

A cadeia é moderninha,
mas, segundo o carcereiro,
se é pra ladrão de galinha,
devia ter mais poleiro.

Minha mão trêmula, erguida,
o dilema em cada face,
acenava, em despedida,
pedindo que ela voltasse!

No meu dilema componho
o temor de outros fracassos :
– Não sei se a levo no sonho,
ou se a carrego em meus braços !

Como dói estar sujeito
ao dilema que me assalta
ter que expulsar do meu peito
quem ao meu peito faz falta !

Do meu dilema sorrias,
tornando sombras em luz,
mas os braços que me abrias
eram mesmo a minha cruz!

Eu creio que ninguém vai
no meu dilema dar jeito,
pois a lágrima que cai
está vazando é do peito !

Para escolher meu caminho,
não houve dilema algum;
senti pedras, muito espinho,
mas, no amor, isso é comum!

Do seu dilema infeliz
as consequencias recolho,
que eu fui apenas um xis,
na indecisão de uma escolha !

Eis o dilema que aflora,
ante esse amor, que não nego:
sigo a razão – vou-me embora,
ou o coração – e me entrego…

Quando os sonhos são pequenos,
não resta dilema algum;
tu foste um amor a menos,
e eu fui apenas mais um.

Eu trouxe tanta saudade,
tanta saudade deixei,
que há um dilema de verdade:
será que eu vim, ou fiquei ?!

O boêmio está coberto
da mais perfeita razão:
– a saudade anda por perto,
quando escuta um violão!…

Assumo, cabeça erguida,
qualquer vitoria ou fracasso,
porque, no curso da vida,
o destino… eu mesmo traço!

Num enterro de segunda
Houve tanta confusão
que uma parte de Raimunda
foi por fora do caixão…

Aceito a tua vitória,
mas, amargando o revés,
jamais te darei a glória
de me curvar a teus pés!

Enfrentando a escuridão
eu li, à luz de lanterna,
que o beco não dava mão.
Mas… como! Dava até perna!

Fonte:
UBT Juiz de Fora/MG
Foto = Praia de Icarai, em Niterói

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