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José Francisco Cagliari (Nota Introdutória e Biografia)

Nota Introdutória por José Feldman

É noite, a madrugada vem chegando. Um vento sopra implacavelmente fazendo com que os galhos das árvores se curvem, jogando folhas no chão poeirento da rua. Tudo é silêncio. Grande parte da população está dormindo, e eu? O sono ainda não chegou, nem mesmo bateu à minha porta.

Como bom leitor de livros, fico a navegar pela internet, passando o mouse por sobre os sites de livros. 

Maldita hora que fui fazer isto. Lá vou eu para a Estante Virtual, e a fuçar por livros desde com expressão nacional até pouco conhecidos. Escolho alguns é claro, compro-os.

Após alguns dias recebo-os, e o que me chama mais atenção é o livro do “I Concurso Literário da APMP” (Associação Paulista do Ministério Público). Claro, há ainda “Pequena Antologia dos Escritores do Clube Pinheiros”, de São Paulo; “Poesia & Prosa: Antologia da Academia Paraense de Letras”; “VII Antologia MAEPO” (Movimento de Artistas, Escritores e Poetas de Osasco), e alguns outros.

Voltemos ao da APMP. Como todo bom leitor, após folhear o livro (coitado, é aleijado, não tem orelhas), mas o conteúdo vale a pena. Folheei e dei de cara com a crônica que recebeu menção honrosa, de José Francisco Cagliari, a qual podem ler na postagem abaixo “O Desabafo de Um Lápis Preto”.
José Feldman (1954)
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Uma pequena biografia do autor (consta no referido livro):

Nascido em Bauru/SP, em 17 de abril de 1962, José Francisco Cagliari criou-se em Sorocaba, onde se formou pela Faculdade de Direito, em 1985. Ingressou no Ministério Público de São Paulo em 1991, tendo oficiado nas comarcas de Itapetininga, São Miguel Arcanjo, Tatuí e Sorocaba. Promovido à entrância especial (na capital) em 1997, atua na Promotoria de Justiça Criminal do Foro Central.

Foi assessor da Corregedoria Geral do Ministério Público em 2001/2002. Especialista em Direito Penal pela ESMP-SP (1998), mestre em direito das Relações Sociais, pela PUC/SP, em 2002. Professor titular de Direito Penal da Universidade de Sorocaba (UNISO) desde 1999 e chefe do Departamento de Direito Penal e Processo Penal, da Faculdade de Direito de Sorocaba, desde 2004.

É autor do livro “O Dolo e a culpa na Evolução de Culpabilidade (2006), e de diversos artigos em revistas especializadas, como “Justitia” e “Revista da ESMP/SP”.

Sob o pseudônimo de Éleême, participou deste concurso, com sua compacta e bem-humorada crônica, que escrevera para uma avaliação de “aula prática de redação”, em 1979, no Colégio Objetivo de Sorocaba, e nunca foi publicado.

Fonte:
Biografia do autor: I Concurso Literário/ Associação Paulista do Ministério Público. 1.ed. Sao Paulo: Edições APMP, 2010. p.47

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Agradecimentos pelo Material Enviado

Agradeço aos escritores, editoras, livrarias e orgãos culturais que doaram livros, boletins e/ou jornais para análise critica e/ou divulgação dos escritores:

ALBERTO GOMES (PORTUGAL)
– Revistas Bumerangue 2, 3 e 4

ALBERTO PACO (PR)
– Conjugando o verbo trair
– Presídio feminino
– Focos de fogo

ALEX GIOSTRI (SP)
– Afeto, amor e fantasia
– Camila Iuspa (Veneno Metálico: a verdade sobre a tragédia na USP)
– Willmann Costa (O homem do chapéu coco)

ANDRÉ AUGUSTO PASSARI (SP)
– Tempo, solidão e fantasia (poesias)

ANDRÉ CARNEIRO (PR)
– Quânticos da incerteza (poesias)

ANDREY DO AMARAL (DF)
Mercado Editorial : Guia para autores

ANTONIO AUGUSTO DE ASSIS (PR)
– Trovas Brincantes II

ÁTILA JOSÉ BORGES (PR)
– As 100 mais belas mensagens
– Mais de 700 pensamentos preferidos
– No pico do Diabo (A Odisséia do Barão do Serro Azul)
– A menina e o general
– Emoções eu vivi…
– Peludos x Pelados: A guerra do Contestado
– Lapa: Memórias de um Guri (em tempo de guerra) 1936 a 1945
– Curando-se pela Natureza I e II
– Do-in: automassagem com os dedos
– Tabela periódica circular
– Diet Disc: coma e viva com saúde
– Curando-se com os Florais do Dr. Bach
– Aldo Dolberth (org.) – Maria Rosa: a “virgem” comandante da Guerra Sertaneja do Taquaraçu

CARLOS BORGES LIMA (PR)
– Po voa (poesias)

CINTIAN MORAES (SP)
– Juliana Simonetti (Poiesis)
– Sonia Maria Grando Orsiolli – Teia dos Amigos 2008 – 1a. Coletânea (poesias)

DOUGLAS LARA (SP)
– Cintian Moraes e Douglas Lara – Rodamundinho 2008

EDITORA GLOBO
– Mário Quintana: O livro de haicais

FRANCISCO JOSÉ SINKE PIMPÃO (PR)
– O dia em que a Muiraquitã virou gente
– O Espelho da Alma

GOULART GOMES (BA)
– Minimal (Poetrix)
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INSTITUTO MEMÓRIA DE CURITIBA
– Revista Raízes Regionais – outubro 2009
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IZO GOLDMAN (SP)
– Trovas de quem ama a trova
– Oficina de Trova 2004

JOACIR ZEN RANIERI (PR)
Aliubi – Poesia Nossa de Cada Dia – XIII Coletânea de Poesias

JOSÉ VERDASCA (PORTUGAL)
A vida, o homem e o universo: ensaios crítico analíticos

KLEBER LEITE (SP)
– Revista Bali jul/ago 2007; nov 2007; dez 2007 e jan/fev 2008

LEO COHEN (RS)
– Revista do Centro de Letras do PR -agosto 2009
– Dáurea Gramatico (História de Gente do Rádio)
– Akiva Tatz (Viver com Inspiração)
– Eno Teodoro Wanke (Caminhos: minicontos)
– Dalton Trevisan (200 Ladrões)
– Antonio Hohlfelt (Antologia da Literatura Rio Grandense Contemporânea)

LIVRARIA CULTURA
– Revista da Cultura – dezembro 2008

LÓLA PRATA (SP)
– Dicionário de Rimas Arrimo

NEI GARCEZ (PR)
– Vasco José Taborda e Orlando Woczikosky (Antologia de Trovadores do Paraná)

NEIDA WOBETO (SC)
– Minha não metade
– Efemérides (Poemas para datas especiais)

NILTO MACIEL (CE)
– Contistas do Ceará: D’A Quinzena ao Caos Portatil
– Pescoço de Girafa na Poeira
– Carnavalha
– Contos Reunidos vol.1
– Literatura – Revista do Escritor Brasileiro – n.35 – setembro 2008
– Revista Feira do Sebo – fevereiro 2008
– Jornal da ANE (Associação Nacional de Escritores) – julho 2009; maio 2008
– Informativo Alane (Academia de Letras e Artes do Nordeste)
– Jornal V.O.L.A.N.T.E. – mar/abr 2009; jul/ago 2009 e set/out 2009.
– Boletim Binóculo abril 2008 e julho 2009.
– Jornal Mensageiro da Poesia – junho 2008; agosto 2009 e outubro 2009.
– Revista Mambembe Informação e Cultura – julho 2009

PEDRO VIEGAS (SP)
– Trajetória Rebelde

SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA DE CAMPO MOURÃO (PR)
– Cidade em, Revista – agosto 2009

SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA DE MINAS GERAIS (MG)
– Suplemento Literário de Minas Gerais – março 2008, abril 2008, maio 2008, junho 2008, junho 2008, agosto 2008, setembro 2008, outubro 2008, novembro 2008, dezembro 2008, janeiro 2009, fevereiro 2009, março 2009, abril 2009, maio 2009, junho 2009, julho 2009, agosto 2009, setembro 2009

SINCLAIR POZZA CASEMIRO (PR)
Compêndio da Academia Mourãoense de Letras – 2004.

VALTER MARTINS DE TOLEDO (PR)
– Edição Comemorativa dos 60 Anos da Academia de Letras José de Alencar
– Jurisprudência e doutrina maçonica
– Direito, cultura & civismo: textos seletos
– Ambrósio Peters (Maçonaria: história e filosofia)

VÂNIA MARIA DE SOUZA ENNES (PR)
– XIII Jogos Florais de Curitiba
– XIV Jogos Florais de Curitiba
– XV Jogos Florais de Curitiba
– Paraná em Trovas
– XIV Concurso Nacional/Internacional de Rio Novo/MG – 1999
– XXV Jogos Florais de Bandeirantes 2008
– XXVIII Jogos Florais de Niterói 1998
– XXXIII Jogos Florais de Niterói 2003
– XXXIV Jogos Florais de Niterói 2004
– Os Trovadores – dezembro 2000; agosto 2002; abril 2004; junho 2004; setembro 2004; novembro 2004; maio 2005; agosto 2005.
– O Trovadoresco – julho 2006; outubro 2006
– Quatro Versos – agosto 2004
– Calêndula 2004
– Jornal Maringaense – jul/ago 2006; set/dez 2006

Para o envio de livros, jornais, revistas:
José Feldman
Caixa Postal 11
Cep 85440-000 Ubiratã – PR

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Nilto Maciel (O Pião)

Nota Introdutória de José Feldman

Ontem, sexta-feira, tive o enorme prazer de receber de presente o livro Contos Reunidos, volume I, lançado este ano de 2009, deste escritor de Baturité, Ceará, Nilto Maciel. Constantemente ele me tem enviado seus livros de contos ou sobre os contistas do Ceará, além de jornais e boletins do Ceará.

Antes de colocar um conto deste livro para abrir o apetite do leitor, gostaria de colocar algumas palavras sobre este “fantástico escritor fantástico”.

Tudo isto nos faz remeter a um estado que pouco se tinha conhecimento de sua literatura, ou se conhecíamos, nosso inconsciente não poderia conceber que tais obras fossem escritas por escritores da região. O que nos vem a mente, é a seca, a pobreza, a violência, mas não que apesar de todo este drama que se desenvolve, existam tantos e tantos escritores de alta qualidade, como é o caso de nosso irmão de letras, Nilto Maciel.

O que poderia dizer sobre o que escreve, além de que é sem sombra de dúvida escritos que nos levam a vagar por sobre as ondas do cotidiano, isto, entre a ficção e a realidade, que nos remete a vivenciar seus personagens. Não são contos que são presente, ou passado, mas que transformam os tempos em um só, havendo uma fusão de passado, presente e futuro. O futuro que não conhecemos, mas que somos seus construtores.

Nilto nos mostra em seus contos algo que vai além de uma simples fotografia, ele pinta um quadro que envolve toda uma paisagem e que nos faz penetrar na alma dele. Vivemos cada instante seus personagens. Carlim ou Hiroito (contos que coloquei aqui no blog), são testemunhas disto. Eles surgem do nada, às vezes em uma paisagem dantesca e penetram nosso ser, e ficam enraizados dentro de nós.

Como bem nos diz Silvério da Costa, no Jornal Sul Brasil, de Chapecó, SC, em 2 de junho de 2005, “contos quase que integralmente oníricos e inspirados na história e na mitologia, transpõe para os dias de hoje, de forma subvertida e alegórica, histórias longínquas que arrebatam o leitor e que não só tirou minha dúvida, como também me tirou do sério, por trazer tudo aquilo que há de mais encantatório, para mim, na arte do conto, que é o mágico-fantástico de um Gabriel Garcia Márquez, a absurdez kafkiana, a alusão a castelos, princesas, fadas, anjos, monstros, enfim, heróis exóticos de todas as estirpes e para todos os gostos, bem como a evocação de figuras das artes, da história, da ciência e da mitologia, como, entre outros, Ícaro, Átila, Jesus, Napoleão, Pilatos, Santos Dumont, Carlos Magno, Descartes, Malthus, Sophia Loren, Joana d’Arc e Lampião.

Uma salada excêntrica, cujos personagens brotam de um passado mais ou menos remoto, e que, associadas a ingredientes como vida, morte, velhice, desilusão, fanatismo, repressão, dinheiro e prazeres da carne, se atualizam e nos levam à complexidade e aos desajustes do ser humano moderno, e à inter-relação de seus mundos, interior e exterior, em situações esdrúxulas, só concebíveis na ficção, das quais as personagens se libertam graças à caneta do autor, à intervenção do deus Morfeu, aliás, a grande recorrência de que se vale o Nilto para livrá-las das suas encrencas”.

Enfim, pelo que já li de seu livro, Nilto é um pintor das palavras, transforma paisagens e momentos em letras que nos presenteiam com seu encantamento seja em seus dramas, ou não. Ele nos faz rir, nos faz chorar, sofrer, e mesmo pensarmos em quem somos nós e qual a nossa participação no mundo que vivemos.
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Nilto Maciel (O pião )

O menino atirou à distância o pião e puxou o cordão. O objeto alcançou o chão, com violência, e se pôs a girar. E tão velozmente girava, que Us imaginou estar ele parado. No entanto fazia voltas no chão, num movimento de translação ao redor de um ponto imaginário.

Aos poucos, o giro se fazia mais lento e Us pôde perceber o movimento de rotação do pião.

Mais alguns giros, e o objeto perdeu o equilíbrio. Entrou em desordem, rolou deitado e foi repousar longe do lugar onde originalmente caíra.

O menino atirou-se em busca do brinquedo. Certamente enrolaria de novo o cordão ao redor do pião e reiniciaria a brincadeira. Us, porém, não esperou o novo espetáculo. Devia se sentir satisfeito. E correu para casa.

– Mãe, compra um pião pra mim.

A mulher resmungou sim ou não e mudou de assunto. Fosse o filho tomar banho. A hora do almoço não tardava. Se não se apressasse, ia chegar atrasado à escola.

Us tomou banho com o pião girando em sua cabeça. Durante o almoço falou do brinquedo. A caminho da escola repetiu o pedido à mãe.

Mal teve início a aula, a professora chamou a atenção de Us. Deixasse a conversa para a hora do recreio. Ele falava a um amiguinho sobre o pião que iria ganhar.

Para sua mãe, no entanto, aquilo parecia muito perigoso. Mas ele não via perigos, só via piões. E sonhava esquisitices. Um mundo de piões. Todos girando. Nas calçadas, nas ruas, nos telhados, nos ares. A Lua, um pião enorme e lindo. As estrelas, piões do céu, brinquedos dos anjos.

E se a Terra também fosse um pião gigante a rodopiar no espaço? Brinquedo de Deus, aquele ser poderoso das aulas de religião e das missas de domingo.

Mas como os sonhos durassem pouco, durante o dia Us não se continha e fugia de casa para o país dos rodopios. Esquecia-se do tempo, dos estudos, da mãe. Aprendia a soltar piões. Olhos atentos às mãos dos outros meninos. Daqueles felizardos. E pedia, humílimo, para ao menos enrolar o cordão. Negavam-lhe esse favor, essa caridade. Comprasse ou mandasse fazer um pião.

Ora, a mãe jamais lhe daria dinheiro para comprar tão perigoso brinquedo. De qualquer forma, iria ao carpinteiro. Talvez não custasse tanto um pequeno pião.

Não custou nada. O carpinteiro com certeza se apiedou do pobre Us.

E toda a felicidade humana se incorporou ao menino. Tão feliz se sentia, que não carecia de platéia nem de elenco para seu espetáculo. Só de palco, do pião e de si mesmo. E se isolava nos becos, nas pontas de rua, nos terrenos baldios.

Havia, porém, um espectador oculto a ver todo o seu sonho rodar no chão. Um velho escultor. Entalhava uma estátua de Deus-homem, e só lhe faltava o coração. Aquele pião talvez servisse.

O menino se assustou e agarrou o brinquedo. Não, não venderia nem daria seu pião. Custara-lhe caro. O homem sorriu. Via mentira nos olhos de Us. Contasse a verdade. Ele também tinha sua via-crucis para contar.

Fizeram-se amigos. E o pião de Us acabou incrustado no peito do Deus do velho escultor.

Fonte:
MACIEL, Nilto. Contos Reunidos. Vol.I. Porto Alegre, RS: Bestiário, 2009.

Capa do Livro = fotografia de José Feldman

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Agradecimentos

Meus agradecimentos aos escritores que me enviaram suas obras e material literário:

Alberto Gomes, de Portugal (Revista Bumerangue 2, 3 e 4)
Alberto Paco (Conjugando o verbo Trair; Presídio Feminino; Focos de fogo; As amantes de Carolino)
André Augusto Passari (Tempo, Solidão e Fantasia)
André Carneiro (Quânticos da Incerteza)
Carlos Saquetini (Puro Prazer)
Douglas Lara (Rodamundinho 2008; 1a. Coletânea Teia dos Amigos 2008)
Goulart Gomes (Minimal)
Izo Goldman (Trovas de quem ama a trova)
José Verdasca (A vida, o homem e o universo)
Neida Rocha (Danilo, sua mochila e seus amigos; Minha não metade)
Ney Garcez (Antologia de Trovadores do Paraná, sob a organização de Vasco José Taborda e Orlando Woczikosky)
Nilto Maciel (Carnavalha; Pescoço de Girafa na Poeira; Contistas do Ceará, além dos jornais e boletins literários publicados no Ceará)
Pedro Viegas (Trajetória Rebelde)
Valter Martins de Toledo (Direito, Cultura & Civismo: textos seletos; Jurisprudência e Doutrina Maçonica)
Vânia Maria Souza Ennes (Paraná em trovas, além de revistas dos Jogos Florais e jornais de trovas)

Muito obrigado
José Feldman

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