Arquivo da categoria: Nova Friburgo em Trovas

Ana Maria Motta (Caderno de Trovas)

Ao ver um índio passar
com seu cocar grandalhão,
pôs-se o pirralho a gritar:
– Olha, mãe… Que petecão!

Cartas lidas e relidas
guardam lembranças tão minhas
da história de nossas vidas
escrita… nas entrelinhas…

Com greves, o Juvenal,
dá-se sempre muito bem:
se faz greve a “filial”,
a “matriz” até que nem…

Com um ciúme tremendo,
o galo teve um desmaio,
porque a franga anda sofrendo
de bico-de-papagaio.

Coração – Casa em ruínas,
onde a espera se instalou,
e o adeus rasgou as cortinas
que a saudade costurou !

Da tua ausência estou farta
(ensaio a mensagem breve)…
meu coração dita a carta,
mas o orgulho não escreve!

É tão roxa por novela,
a mulher do Serafim,
que, se alguém chama por ela
ela responde: – Plim-plim !

– Eu gostaria de ver
um fantasma – a sogra fala.
E o genro, sem se conter:
– Tem espelho ali na sala!

Ganha tão pouco o Ademar
na profissão de engraxate,
que a mulher, para ajudar,
anda fazendo biscate…

Na porta o trinco a girar…
No peito, um sino em repique…
Não basta você chegar;
Deus queira que você fique!

Não sei se vai ter futuro
o casal Chico e Tereza :
ela quer que ele dê duro,
E o coitado… que moleza!…

O Doutor não é otário
e tem dinheiro de sobra,
pois, sem ser veterinário,
mata, cobra, cura, cobra…

O suspiro está perfeito,
mas é tão pequenininho
que deve ter sido feito
com ovos…de passarinho!

Planejo a carta e o maldoso
orgulho logo desponta
E caneta de orgulhoso
não tem tinta e não tem ponta!

Por favor, não desarrume
este encanto verdadeiro
só porque tenho ciúme
até… do seu travesseiro!

Prazer no vício… Onde a graça
de um destino mais ameno?
– Nada vale o ouro do taça
se o conteúdo é veneno !

Que importa se foste ingrato?
Sou perdulária em clemência…
– Eu, com castigo, não mato
a angústia da tua ausência…

Quis dar vida ao nosso amor,
mas não pude; não deu certo:
quem dá vida a um beija-flor
no coração do deserto?

Um caráter mal formado
em desculpas se resume :
Faz do destino o culpado
dos erros que não assume.

Você nem sabe a ventura
que me traz seu bem-querer:
se é paixão ou se é loucura,
eu não quero nem saber!

Volto a contemplar a esmo,
ao luar, o meu recanto,
o luar parece o mesmo,
mas o lugar mudou tanto!…

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Rodolpho Abbud (Baú de Trovas)

Nasceu em Nova Friburgo/RJ, em 21 de outubro de 1926; filho de Dona Ana Jankowsky Abbud e de Ralim Abbud. Radialista, Locutor Esportivo, Poeta e Trovador, foi sempre muito bom em tudo aquilo que fez ou faz.

Contam até que, certa vez, transmitindo um jogo do Friburguense, teve a sua visão do campo totalmente coberta pelos torcedores. Sem perder a calma, e com sua habitual presença de espirito, continuou a transmissão assim: – “Se o Friburguense mantém a sua formação habitual, a bola deve estar com o zagueiro central, no bico esquerdo da área grande…”

Tem um livro de Trovas intitulado: “Cantigas que vêm da Montanha”, e, recebeu, com inteira justiça e por voto unânime de todos os Trovadores que ostentam essa honra, o titulo de “Magnífico Trovador”.

Na vida, lutar, correr,
não me cansa tanto assim…
O que me cansa é saber
que estás cansada de mim!

Naquele hotel de terceira,
que a policia já fechou,
a Maria arrumadeira
muitas vezes se arrumou!

Enquanto um velho comenta
sobre a vida: -“Ah! Se eu soubesse…”
um outro vem e acrescenta
já descrente: -“Ah! Se eu pudesse…”

Foram tais os meus pesares
quando, em silêncio partiste,
que, afinal, se tu voltares,
talvez me tornes mais triste…

Depois do sonho desfeito,
louvo o porvir que, risonho,
não me recusa o direito
de escolher um novo sonho!

Soube o marido da Aurora,
ela não sabe por quem,
que o vizinho dorme fora,
quando ele dorme também…

Seja doce a minha sina
e, num porvir de esplendor,
nunca transforme em rotina
os nossos beijos de amor…

-“Dê carona ao seu vizinho!”
E a Zezé, colaborando,
vai seguindo o meu caminho
e me dá de vez em quando!…

Na vida, em toscos degraus,
entre tropeços a sustos,
mais que a revolta dos maus,
temo a revolta dos justos!

Minha magoa e desencanto
foi ver, no adeus, indeciso:
– Eu disfarçando o meu pranto…
– Tu disfarçando um sorriso…

Em seus comícios, nas praças,
o casal cria alvoroços:
– Vai ele inflamando as massas!
– Vai ela inflamando os moços…

Vamos brincar de mãos dadas,
crianças pretas e brancas!…
O sol de nossas calçadas
não tem porteiras nem trancas!

Um Deputado ao rogar
ao Senhor, em suas preces,
pede que o verbo “caçar”
não se escreva com dois esses!…

À noite, ao passar das horas,
esqueço os dias tristonhos,
pois tuas longas demoras
dão-me folga para os sonhos!

Chegaste a sorrir, brejeira,
depois da tarde sem fim…
E, nunca uma noite inteira
foi tão curta para mim!…

Ao se banhar num riacho,
distraída, minha prima
lembrou da peça de baixo
quando tirava a de cima ….

Vejo em minhas fantasias,
em Friburgo, pelas ruas,
mil sois enfeitando os dias
e, à noite, a luz de mil luas.

Na ansiedade das demoras,
quando chegas e me encantas,
mesmo sendo às tantas horas,
as horas já não são tantas…

Nessa paixão que me assalta,
misto de encanto e de dor,
quanto mais você me falta
mais aumenta o meu amor!…

Hei de vencer esta sina
que num capricho qualquer,
me fez amar-te menina
depois negou-me a mulher!…

Vem amor, vem por quem és!
Pois já tens, em sonhos vãos,
minhas noites a teus pés,
meus dias em tuas mãos!…

Toda noite sai “na marra”,
Dizendo à mulher: -“Não Torra!”
Se na rua vai a farra,
em casa ela vai à forra!…

Um longo teste ela fez
de cantora, com requinte…
Cantou somente uma vez,
mas foi cantada umas vinte!…

Vendo a viuva a chorar,
muito linda, em seu cantinho,
todos queriam levar
a “coroa” do vizinho…

Não sei como não soubeste
mas o amor veio, infeliz…
Eu te quis, tu me quiseste,
mas o Destino não quis…

Provando em definitivo
que o Brasil é de outros mundos,
há muito “fantasma” vivo
passando cheques sem fundos…

Nosso encontro …O beijo a medo…
A caricia fugidia…
Nosso amor era segredo,
mas todo mundo sabia…

Aproveita, criançada,
o tempo, alegre, ligeiro,
que da a uma simples calçada,
dimensões do mundo inteiro!

Cama nova, ele sem pressa
ante a noivinha assustada,
quer examinar a peça
julgando já ser usada!…

Em tudo o que já vivi,
nessa passagem terrena,
se um pecado eu cometi
com ela, valeu a pena!…

Fonte:
UBT Juiz de Fora.

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Trova 120 – Rodoplho Abbud (Nova Friburgo/RJ)

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3 de março de 2010 · 00:00

Folclore em Trovas I (Bumba-meu-boi)

Hoje iniciamos uma nova seção, em que o folclore brasileiro está registrado em trovas. Em sua maioria, as trovas são do VIII Concurso Nacional De Manhumirim(MG), de 2004. Para um melhor entendimento da figura folclórica, haverá uma outra postagem abaixo da trova explicando sua origem, simbolismo e regiões que pertencem.

– Trova montada sobre figura do Bumba-meu-boi do site de Rosane Volpatto

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Arquivado em Folclore em Trovas, Nova Friburgo em Trovas

Trova LI

montagem sobre imagem de www.mayte.us/prosa/images/velhos.jpg

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Trova XLVI

Trova sobre caricatura do CEI Municipal de São Carlos

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Trova XIII

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1 de junho de 2009 · 21:40