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JB Xavier (A. A. de Assis, Um Amigo Para Todas as Horas)

Assis, retrato por Jaime Pina

Algumas pessoas vivem do estardalhaço e com ele buscam sua auto-afirmação; outras, alimentam-se do silêncio e dele se originam suas forças. É o caso de A. A. de Assis.

Assis pertence à classe de pessoas especiais, em cuja proximidade todos desejam estar, porque emana dele tal mansuetude, que o universo se apazigua ao seu redor.

De Antonio Augusto de Assis vem a placidez do recolhimento e a contemplação parece orientar seus gestos e palavras, mesmo em seus momentos de maior descontração.

Como diz Olga Agulhon, no livro ‘Vida, Verso e prosa’ de autoria do homenageado: ‘‘Conviver com A. A. de Assis é verdadeiramente uma bênção. Ele vive plenamente e emana dele tantas boas energias que todos ao seu redor também se transformam e querem com ele aprender.’’

Viver plenamente: talvez esteja aí o segredo dos sábios. Sapiência não é acúmulo de conhecimentos, embora a atenção à experiência costume levar a ela, tampouco é a presunção do saber, porque esta afasta a humildade, que é o primeiro requisito do sábio. Paradoxalmente, sapiência é a consciência do não saber, é a compreensão vívida das próprias limitações.

Neste sentido A. A. de Assis é sábio, porque nunca o vi alardear saber. Pelo contrário, sempre que o encontrei nas muitas festas da UBT nas quais tive o prazer de sua companhia, sempre o vi observando, mais que falando, e isto, se não é a sapiência, é, pelo menos, uma das veredas do caminho que leva a ela.

Em outro trecho, Agulhon diz: ‘’O homem poeta – de alma ou expressão –
não é como um homem qualquer, que se deixa levar pela correria quase automática que o cotidiano teima em nos impor. Ao contrário, é aquele que tem sensibilidade de enxergar a beleza, o sentido, a estesia de cada fragmento de vida existente nas entrelinhas e nos segundos que passam’’.

E eu completaria: Eis porque A. A. de Assis é um diamante entre esmeraldas, um hino entre o ruído, um oásis na desolação.

Ele não rege sua passagem por este mundo através apenas do dizer e do pensar, mas também do fazer, e acima de tudo, do sentir.

Seu espírito inquiridor está sempre arguindo a vida que o cerca, em busca de novas descobertas para exprimir a beleza.

A convivência com A. A. de Assis convida ao pensar. Muitas vezes, nas rodas de amigos, o vi sorrir complacente, certamente diante de algum arroubo de sabedoria de algum interlocutor, tentando impressionar com seus conhecimentos.

Nessas ocasiões fiquei a observá-lo com redobrada atenção, ao ver um poeta que já venceu todos os concursos possíveis na UBT, que já conquistou todos os títulos disponíveis, sorrindo complacentemente ao exibido. Entretanto, apesar de todas as suas conquistas, não se percebe certezas em A. A. de Assis. E de que outra forma poder-se-ia reconhecer um sábio, senão pela dúvida? Não existe sabedoria na certeza. Pelo contrário! A sabedoria que flui da certeza frequentemente é estúpida; a ignorância que flui da dúvida frequentemente é sábia.

A palavra que me ocorre ao conviver com A. A. de Assis é ‘Plenitude’! A pobreza de espírito se mantém distante dele, porque esse sentido de plenitude que o acompanha fá-lo transbordar do cadinho fervente de seu universo criativo particular e escorrer como lava fervilhante de vida pelas encostas crestadas de um mundo cinza, colorindo-o com seus versos, instalando vida através da poesia, espalhando esperança através da sua fé.

A. A. de Assis pertence à classe daqueles que tratam bem o seu hoje, e ao fazê-lo, constroem um ontem que deixa saudades e um amanhã gentilmente esperançoso.

Ainda Aguilhon: ‘’A. A. de Assis olha e enxerga, repara e escuta, sente e recolhe, para depois transformar tudo em poesia.’’

A. A. de Assis – um homem que, com mansuetude e suavidade, nos lembra que há momentos em que apenas nós próprios podemos ser nossos confessores, e que os princípios impostos por nós sobre nós mesmos, assim como sua transgressão, não precisam ser explicados a mais ninguém, além de nossa própria consciência.

Fonte:
http://www.recantodasletras.com.br/homenagens/3254658

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Hermoclydes S. Franco (Algumas Trovas Esquecidas)



A vagar pela cidade,

Desde os tempos de menino,

Procuro a felicidade

Que mora além do destino!…

Ser mãe é trabalho insano

Que tal carinho irradia

E te faz, por todo o ano,

Ser a mãe de cada dia!

Foi tanta emoção sentida,

Foram mil sonhos sonhados,

Que atravessamos a vida

Como eternos namorados…

Para ser livre e ufano,

Ter poder, ser sempre um bravo,

Na verdade o ser humano

Da lei deve ser escravo…

Plangem sinos, é Natal,

Festa em nossos corações…

O Deus-Menino, imortal,

É o centro das emoções…

O fulgor da Estrela-Guia

Viu nascer em Nazaré:

Para o mundo, novo dia;

Para os homens, nova Fé!…

Um lençol verde de paz…

Um rio… Uma catarata…

Lindas flores… animais…

Sons do silêncio, eis a mata!… (Sem verbos)

Tu foste, na minha vida,

Tempestade que passou…

Neblina descolorida

Que alguma nuvem deixou!…

Versejando à luz difusa,

Se o sentimento me inspira,

Eu te elejo a doce musa

Que há de tanger minha lira!…

Nas mensagens de prazer,

Carteiro, nas tarde mansas,

Tens o condão de trazer

O renascer de esperanças…

Em privação de sentidos,

Em teus braços perfumados,

Sonhei sonhos não vividos…

Vivi sonhos não sonhados…

Abraça o tempo que corre,

Na rapidez em que avança,

Que um bom momento não morre,

Acaba sempre em lembrança!

Mãe! Flor de amor e bondade,

Nem precisa rima rica,

Na poesia de saudade

Da lembrança que nos fica!

Escondendo tal carinho

Em seu semblante sisudo,

Meu PAI me pôs no caminho

Preparado para tudo!…

Não julgues a alheia sorte

Pelo brilho do brasão:

A luz que brilha mais forte

Tem mais curta duração…

MEMÓRIA… Forja de sonhos,

Arquivo de sentimentos,

Relicário onde os tristonhos

Escondem seus bons momentos…

Noite de Paz e de Amor!

Noite de sonho e de luz…

Veio ao mundo o Salvador,

O Deus-Menino, Jesus!…

A tempestade aparente

Do teu gênio, por magia,

Transformou-se de repente,

Ao meu beijo, em calmaria!

Terminado o encantamento,

Só restou a indiferença

De um calado sofrimento

Marcando sempre presença!

Minha fé a grande força

Que trago desde criança,

Não deixa que a vida torça

O meu rumo de esperança

Não tive coragem, creia,

De fugir nesta revolta…

Por isso é que, volta e meia,

Vivo dando a meia-volta!…

Na luta pela conquista

Do melhor que a via encerra,

Sou um simples pacifista:

“Faço o amor, não faço a guerra”.

A emoção é bailarina,

Num palco azul de ilusões…

Se Deus a fez feminina,

Tinha lá Suas razões.

Com efeitos especiais,

Meus sonhos mostram, em tela,

Os teus encantos reais

Na mais bonita aquarela!…

A inspiração é uma fada,

Com varinha de condão…

Quando toca a musa, amada,

Há poesia em profusão!…

Pelo teu corpo, em viagens

De sonhos e encantamentos,

Minhas mãos passam mensagens

De indescritíveis momentos…

Trago tantas emoções

Nas minhas canções serenas

Que, quando canto as canções,

Vivo de emoções, apenas!…

Para espantar minha dor,

Eu passo a vida a cantar,

Sabendo que mal de amor

Ninguém consegue espantar…

Lobo máu, o vento, ao léu,

Se transforma em furacão

Ao ver, nas nuvens do céu,

Carneirinhos de algodão!…

A vida é a fada-madrinha

Que, ao ver nosso intenso flerte,

Deu-me, em toque de varinha,

O prazer de conhecer-te!

Aquele que a paz expande

Tem a luz, bem definida,

Que se transforma no grande

Prazer de viver a vida!

Na vida, estrada de sonhos,

Conheci divinos seres

Que me ensinaram, risonhos,

Segredos de mil prazeres!…

Vem amor, morar comigo,

Que eu te mostro o que é viver

E, em longa noite contigo,

Eu te ensino o que é prazer…

O triste da caminhada,

Na longa estrada da vida,

É ver a fome estampada

Em tanta gente excluída!

Nossas sombras, abraçadas,

Sob a luz do luar risonho,

Atravessam madrugadas

Em busca do mesmo sonho!

Seria o grande momento,

Para toda a humanidade,

Se o bom Deus mandasse o vento

Varrer do mundo a maldade…

Não há sonho mais bonito

Nem mentira mais falaz

Do que o amor infinito

Que a vida jamais nos traz!

Teu amor é o suave açoite

Que eu desejo, em calmaria:

Como o dia busca a noite…

Como a noite busca o dia!

No meu sonho, em bela imagem,

Neste meu destino incerto,

Seu recado foi miragem

E apagou-se em meu deserto!…

Fonte:

Trovas enviadas pelo autor

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Antonio Barroso (Glosando Sonia Martelo)

Quando a chuva do céu desce
e o ventre da terra alcança,
a vida se reverdece
e tem o tom da esperança.

*************

Quando a chuva do céu desce
sob a protecção divina,
na flor, que nasce e que cresce,
sua cor mais se ilumina.

Vem o sol a acompanhar
e o ventre da terra alcança,
traz amor para animar
tanta paz, tanta bonança.

Poemas, que o amor tece,
enchem a alma de alegria,
e a vida se reverdece
embrenhada em poesia.

No lusco-fusco poente,
o rosto duma criança
olha a flor, resplandecente,
e tem o tom da esperança.

António Barroso (Tiago) (19-07-2011)

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Luiz Otávio (Trovas)

A trova tomou-me inteiro,
Tão amada e repetida
Que agora traça o roteiro
Das horas da minha vida!…

Ó trovas — simples quadrinhas
que têm sempre um quê de novo…
— Como podem quatro linhas
trazer toda alma de um povo?!

Trovador, grande que seja,
tem esta mágoa a esconder:
a trova que mais deseja
jamais consegue escrever …

Cada quadrinha que faço
em hora calma ou incalma,
é pequenino pedaço
que eu mesmo furto a minha alma.

Uma trova pequenina,
tão modesta, tão sem glória,
bem pouca gente imagina,
que também tem sua história.

Pelo tamanho não deves
medir valor de ninguém.
Sendo quatro versos breves
como a trova nos faz bem.

Toda noite ao me deitar
(por certo você reprova),
eu me esqueço de rezar
e fico fazendo trova.

Tudo nos une: o amor,
o gênio igual, a constância,
até mesmo a própria dor…
— Só nos separa a Distância…

Se é de amor tua ferida,
não busques remédio, — cala!
— O Tempo, aliado à Vida,
lentamente há de curá-la…

Duas vidas todos temos,
— muitas vezes, sem saber…
— A vida que nós vivemos
e a que sonhamos viver…

Do Passado faço culto!
Nas tenho cá o meu rito:
— Se triste, eu o sepulto!
Se feliz, o ressuscito…

É desigual esta vida
pois, nos engana… nos furta…
— Dá velhice tão comprida!
E mocidade tão curta!…

Que sina, que padecer
foi a Sorte aos cegos dar:
— Não ter olhos para ver
e tê-los para chorar…

“Meu Deus como o Tempo passa!…”
— Nós, às vezes, exclamamos…
Mas por sorte ou por desgraça,
fica o tempo… e nós passamos..

Muitas vezes ao partir,
(oh! tortura singular!)
— os que ficam, querem ir…
os que vão, querem ficar…

Às vezes o mar bravio,
nos dá lição engenhosa:
Afunda um grande navio,
deixa boiar uma rosa

Meus sentimentos diversos
prendo em poemas tão pequenos.
Quem na vida deixa versos,
parece que morre menos….

Duas vidas todos temos,
muitas vezes sem saber:
— a vida que nós vivemos,
e a que sonhamos viver…

Nessas angústias que oprimem,
que trazem o medo e o pranto,
há gritos que nada exprimem,
silêncios que dizem tanto !…

Eu …você …as confidências…
o amor que intenso cresceu
e o resto são reticências
que a própria vida escreveu…

Ele cai … não retrocede ! …
continua até sozinho …
que a fibra também se mede
pelas quedas no caminho ..

Se a saudade fosse fonte
de lágrimas de cristal,
há muito havia uma ponte
do Brasil a Portugal.

Ao partir para a outra vida,
aquilo que mais receio,
é deixar nessa partida,
tanta coisa pelo meio …

Busquei definir a vida,
não encontrei solução,
pois cada vida vivida
tem uma definição…

Não paras quase ao meu lado …
e em cada tua partida,
eu sinto que sou roubado
num pouco da minha vida …

Meus sentimentos diversos
prendo em poemas tão pequenos.
Quem na vida deixa versos,
parece que morre menos …

Contradição singular
que angustia o meu viver :
a ventura de te achar
e o medo de te perder …

Estrela do céu que eu fito,
se ela agora te fitar,
fala do amor infinito
que eu lhe mando neste olhar …

Ó mãe querida – perdoa !
o que sonhaste, não sou …
– Tua semente era boa !
a terra é que não prestou !
———

Fontes:
OTÁVIO, Luiz. Trovas. Belo Horizonte: Editora Acaiaca,
VERDAN, Iraí. Vida e obra do Príncipe da Trova – Luiz Otávio.
Portal Movimento das Artes.

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Plinio Linhares (Trovamando V – Helena)

A HELENA
(minha musa inspiradora)

As forças da natureza,
Venham todas em amparo;
Que haja maior riqueza,
Para musa que preparo.

Que ela tenha as virtudes,
De um anjo divinal;
E venha com atitudes,
De uma dama bem formal.

Desejo que seja linda,
Num corpo escultural;
Espírito na berlinda,
Rainha universal.

Veja o bem nos irmãos,
Ampare o deserdado;
Estenda sempre as mãos,
A alguém desamparado.

Que sorria e mais encante,
O adulto e a criança;
Doando, sempre avante,
A paz e a esperança.

E com um simples olhar,
Faça o doente são;
O aflito acalmar,
Ao acenar de sua mão!

Precisa o trovador,
Receber a sua parcela;
Deste anjo salvador,
Do bem e paz, que ele sela.

Presentes eu lhe darei,
E todo dia bela rosa;
Amor, afeto, farei,
Pra ficar rindo e prosa.

Pra ela, como fiz outrora,
E deixando-a bem grata;
Na noite, em qualquer hora,
Farei linda serenata.

Passou bela, flutuante,
Fui, perguntei-lhe o nome;
E com voz estonteante,
Disse só o seu prenome: –

– HELENA, a sua criada,
Vejo que é bom rapaz;
Só serei a sua amada,
Se a trova for capaz!

Andar firme, bem andante,
Olhar doce e suave;
Fala macia, bem galante,
Linda, soberana ave.

HELENA, musa perfeita,
Ornamento, belo brinco;
Deusa mor de gala seita,
És, no TROVAMANDO CINCO…

Por seu passado seguro,
Pelo presente bem são;
Para um feliz futuro,
HELENA, quero sua mão!

Lavarei seus pés com flores,
Ao recebe-la por minha;
Demonstrando meus amores,
Mesmo quando não a tinha.

Pra poder lhe merecer,
Erradicarei defeitos;
Farei puro o meu ser,
E verás cantar meus feitos…

Cercar-lhe-ei de afetos,
Como mar cerca a terra;
Tal qual avós aos netos,
Como neblina na serra.

Amparo eu lhe darei,
E amor compreendido;
O afeto que farei,
Há de ser correspondido.

Haverá companheirismo,
E um trato fraternal;
Dose de cavalheirismo,
União no ideal.

Dois corpos a caminhar,
E as almas siamesas;
Impossível separar,
Nem com doutas sutilezas.

DON QUIXOTE DE LA MANCHA,
Eu, a derribar moinhos;
Terei a grata ensancha,
De mostrar os meus carinhos.

Eu, andante cavaleiro,
Montado no ROCINANTE;
Para ser-lhe prazenteiro,
E tornar apaixonante.

És estrela que me guia,
De luz deveras brilhante;
Clara noite, como dia,
Você é o meu calmante…

Meu amor, por que mantém?
Seu querer adormecido;
O meu ser só se sustem,
Com seu beijo aquecido.

Que coisa linda o beijo!
Exalta todo meu ser;
Põe cérebro em lampejo,
Dá vontade de viver…

Aquele abraço doce,
Que você me deu um dia;
Não esqueço nem que fosse,
O rei momo da folia!…

Seu arfar, no meu ouvido,
Nele, seu beijo ardente;
Ao chamar-me de querido,
Diz verdade, ou me mente?

No dia em que me levou,
Provar sua intimidade;
A minh’alma se lançou,
No orgasmo da verdade.

Você me deu o maná,
Que dado ao prometido;
E ainda o fará,
Com amor arremetido.

Seu afago, carinhoso,
O olhar mais dardejante;
Meu querer fica formoso,
O meu ser eletrizante!

Dançando, rostos colados,
E corpos em conjunção;
Ficam cupidos corados,
E anjos em aflição…

Você me põe no espaço,
Naquele, o sideral;
Sempre ledo no regaço,
Do seu bom manancial.

Me ame, minha querida,
Deixe-me amar também;
Extinga minha ferida,
Meu amor, meu forte bem!

O céu, dar-lhe-ei em verso,
Pois na prosa, se esvai;
Mas o grande universo,
Pra lhe dar, só nosso PAI!

Fundo extrato d’amor,
Perfumarei meu querer;
Far-lhe-ei do meu fulgor,
Como o amanhecer.

Para seu luxo, a teia,
Tecerei com fios d’ouro;
De amor, será a ceia,
Imortal e porvindouro.

Adorná-la e vestir-lhe,
Faze-la mais preciosa;
Do mar, pérolas roubar-lhe,
Do jardim, mais bela rosa…

Vamos, na realidade,
HELENA, meu bem querer;
Dar-lhe-ei a faculdade,
Em mi’a fala escolher.

Quero fazer, como dantes,
Amar-lhe na velha forma;
Sermos os finos amantes,
Na melhor, perfeita norma.

Prazeirar a natureza,
Atirar pedras no lago;
Sentir a lua benfazeja,
E acreditar em mago…

Em todas as coisas belas,
Igualá-las à você;
E a mais bonita delas,
Nunca há lhe merecer!

Agrupar as nossas almas,
Na mais doce lua de mel;
Pairar sobre nuvens calmas,
Sob bênçãos de lindo céu.

Vindo fundo sentimento,
Com amor forte, seguro;
Dar-lhe-ei enlaçamento,
De agora ao futuro…

Qualidade de amor,
Terá nosso matrimônio;
Afeto e esplendor,
Será o nosso binômio.

Ajuda lhe prestarei,
E você me cuidará;
Bom amor receberei,
Mais ternura hei de dar.

O amor é como luz,
E nas trevas ilumina;
Fortalece e seduz,
A sua saga, contamina.

Os casais indiferentes,
Ao verem nosso exemplo;
Tornar-se-ão firmes crentes,
E virão ao nosso templo.

Que bom, é o bem viver,
Que maldade, é discórdia;
Ore muito pra não ter,
Que pedir misericórdia.

Para viver desta forma,
E Ter essa harmonia;
Há de se seguir a norma: –
Só com DEUS, em sintonia!

No jantar a luz de velas,
Com a paz dos querubins;
Comporei trovas mais belas,
Na lira, dos serafins.

Suave música de fundo,
Aflorando sentimento;
Dar-lhe-ei do mais fecundo,
Amor e desprendimento.

O casamento perfeito,
Há de ter a BOA discórdia;
Pois, de rosas, não há leito,
Nem a forçada concórdia.

Ter bom senso de ouvir,
Mais a arte de calar;
Para tudo discernir,
E a vida aclamar.

A fala mansa, macia,
O cenho descontraído;
Forma a paz e sacia,
De bênçãos, um lar caído.

Um casal prenhe de paz,
Faz do lar, foco de luz;
Qualquer treva se desfaz,
Pois ali, está Jesus!

O amor não tem espécie,
É amor sem discussão;
É natural de sua messe,
E não tem comparação.

Não existe confusão,
Há de ter contentamento;
Sem amor, é ilusão,
O perfeito casamento.

A relação em conflito,
Só bem querer modifica;
Faz bendito o maldito,
E amor solidifica!

Quer viver fatal inferno?
É em casa atritar;
Ampare e seja terno,
Chegue até lisonjear.

Casamento com problema,
Já são muitos o da vida;
Só o amor como lema,
Há de faze-la querida!

Se no lar houver disputa,
E só uma eu admito: –
De amor e de labuta,
Pois a paz não é um mito.

Com uma linda atafona,
Lavarei seus pés com flores;
Bem, que a fada abona,
Prometendo meus amores…

Enxugar com alvo linho,
Com sândalo perfumado;
Que fará do nosso ninho,
Aposento consagrado.

Enfim, ó bela HELENA,
Você é minha gracinha;
É a mais linda pequena,
Entre moças da pracinha.

Com HELENA, há certeza,
De perene bem viver;
A sua alma de beleza,
Seu eterno bem querer.

Você é o douro trigo,
Saciando minha fome;
É caminho que eu sigo,
HELENA, sublime nome.

Bela de TRÓIA, viesse,
Mi’a HELENA, visitar;
A sua beleza fenece,
Se a minha comparar!

Adjetivo gentílico,
HELENA, igual à grego;
Povo culto e idílico,
Pelo amor têm apego.

HELENA, larga estrada,
Caminhou a minha vida;
De sedenta na parada,
É a água mais querida.

Com um sexo respeitoso,
Sempre, sempre sublimado;
No sagaz harmonioso,
Do OLIMPO, consagrado.

E será sempre assim,
Pois és deusa que encanta;
Muito mais que um jasmim,
Minha musa, minha mantra!

Eu tivesse um harém,
Amaria a todas elas;
Somente você porém,
É a bela, das mais belas!…

Sonho em ser um sultão,
Dono de gema formosa;
Todos reis invejarão,
Você, pedra preciosa!

A fausta tiara rica,
Que orna cabeça nobre;
Em vossa mercê, que fica,
Para quem o sino dobre.

E como agradecer,
Inspiração de HELENA;
Me fez mais enternecer,
Com sua beleza serena.

Despeço emocionado,
Minha musa, minha luz;
Sou o seu apaixonado,
Com auspícios de JESUS!

ANA PAULA, também AMANDA,
VALQUIRIA, linda pequena;
MARIA, a mais veneranda,
A Quinta, bela HELENA…

Digo sempre o que sinto,
E inspiro em SUAS, leis;
Para terminar o CINCO,
E a começar o SEIS.

O trovador sempre faz,
Consigo auto-ajuda;
Deseja ao LEITOR – PAZ!
Mais amor, que tudo muda.

Ao meu querido LEITOR,
Sou grato em profusão;
Minhas trovas de amor,
Em você, INSPIRAÇÃO!…

Fonte:
http://blogdodegasdc.blogspot.com/2010/04/trovamando-v-helena.html

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Apollo Taborda França (Trovas da Amizade)

AMÁLIA MAX, sublime,
Tem amor à causa nossa…
E na trova bem exprime,
O valor de Ponta Grossa!

(para Argentina de Mello e Silva)
ARGENTINA, poetisa,
Na trova grande demais…
Muito suave, qual a brisa,
Acalenta os seus florais!

Professor ATHOS VELLOZO,
Requintado estilista…
Vive sempre em áureo gozo,
No seu mundo de jurista!

AURORA CURY se empenha
No mister de bem compor…
Seus versos, uma resenha,
De jardim cheio de flor!

AZOR CRUZ, de naipe régio,
Também, médico-escritor…
Sua vida, florilégio,
Alça vôos de condor!

(para Eleonora Brasil Pompeu)
ELEONORA é na trova,
O tino, facilidade…
Assim certo, ela prova
Ser “Poetisa da Cidade”!

(para Emílio de Mattos Sounis)
SOUNIS médico e poeta,
De envolvente inspiração…
Sua trova, bem seleta,
Sempre fala ao coração!

O FRANCISCO FILIPAK
É um mestre de nomeada…
No idioma um destaque,
No soneto uma florada!

HARLEY CLOVIS STOCCHERO
Já surgiu para brilhar….
Põe nos versos bom tempero,
Num estilo peculiar!

É HELENA KOLODY
Notável na poesia…
A grandeza está aí,
No seu verso que extasia!

HILDA KOLLER é de Castro,
Um rincão do Paraná…
Na poesia, rico lastro,
Que se iguale, lá não há!

(para Ladislau Romanowski)
ROMANOWSKI, um artista
De charme bem popular…
Mostra-se puro humanista
E escritor muito exemplar.

(para Lia Sachs Iankilewich)
LIA SACHS, poetisa,
Vai “Dissecando a Agonia”…
Seu cantar é suave brisa,
Exuberante eufonia!

LOURDES STROZZI, que musa,
Ela própria a inspiração…
Sua trova é conclusa,
Nota dez, com distinção!

MOYSÉS PACIORNIK pensa,
Escreve, fluentemente…
Fala suave, jeito leve,
Mas, seu estro uma torrente!

(para Nair Cravo Westphalen)
NAIR CRAVO, que poeta,
Em “soneto” foi premiada…
Tem espírito de asceta
E muita luz na jornada!

O NELSON que é SALDANHA
E se aureola D`OLIVEIRA…
É de inspiração tamanha,
Que na trova faz carreira!

WOCZIKOSKI, nosso ORLANDO,
Tem vigor, alacridade…
Trovador que, burilando,
Se engrandece na “saudade”!

TÚLIO VARGAS vai na História,
Onde encontra seus motivos…
Garimpeiro da memória,
Tão valiosos seus arquivos!

É UBIRATAN LUSTOSA
Radialista consagrado…
Se realiza bem na prosa,
“Nosso Encontro” vem premiado!

(ao Vasco José Taborda)
O VASCO, nobre poeta,
Líder da fraternidade…
Tem a luz de grande esteta,
Onde vai prega amizade!

A ZÉLIA SIMEÁO POPLADE
Mostrou cedo a vocação…
Tem seu verso majestade,
Suavidade e erudição!

Fonte:
FRANÇA, Apollo Taborda. 100 Trovas da Amizade. Curitiba: Formigueiro, 1985.

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Carlos Guimarães (Trovas Humoristicas: Cantigas para Sorrir)

Para mim mesmo enganar
e das tristezas fugir,
eu passo a vida a cantar
CANTIGAS PARA SORRIR.

Ao vê-la na igreja entrar,
bamboleante, os braços nus,
Santo Antônio, em seu altar,
cobre os olhos de Jesus!

Ao vê-lo descer inerme,
em meio a tanto aparato,
disse um verme a um outro verme
– Vou comprar bicarbonato…

“Aqui Jaz Zé das Boêmias”.
E os vermes, por precaução,
não permitiram que as fêmeas
visitassem-lhe, o caixão…

A minha sogra é uma bola
e meu sogro já dizia:
– Dorme até sem camisola,
pra fazer economia.

Ante o desquite, maroto,
segreda o primo da Berta:
– Velho casado com “broto”,
tem que “dar galho”, na certa.

Ao ver a loura passar,
diz um luso muito vivo:
– Espero ainda encontrar
esse “troço” em negativo.

Até parece pilhéria,
ouvir, de certa pessoa,
a informação de que és séria,
só porque não ris à toa…

Ao meu sogro, ninguém logra
vencer em azar, ninguém,
pois atura a minha sogra
e a sogra dele, também.

Ao vê-la cheia de graça,
vizinhas contam piadas,
mas, se é o marido quem passa,
há explosões de gargalhadas.

A confusão foi tamanha…
Móveis quebrados… Berreiro,,,
É que a sogra do Saldanha
baixou naquele terreiro.

A minha comadre Clara
está bonita e feliz:
gastou os olhos da cara,
mas consertou o nariz.

“A coisa está toda errada”
– diz o pescador Romão –
“No mar, peixinhos de nada,
na praia, cada peixão!”

Ao vê-Ia, na cova, inerme,
roliça qual um presunto,
segreda um verme a outro verme:
– que abundância de defunto!

Aqui Jaz o Godofredo,
porque o vizinho, avisado,
chegou um pouco mais cedo
do que havia combinado.

Boa de bola e aguerrida,
chutando bem, a Lalá
é sempre muito aplaudida,
nas cabeçadas que dá.

Boa mulata, a Anacleta
diz por piada, talvez,
que, apesar de analfabeta,
conhece bem português.

Cheque sem fundos, o Meira
recebeu naquele dia:
– Vendendo uma geladeira,
o coitado “entrou em fria”

Caro doutor, saiba disso:
se esse transplante malogra,
eu pago em dobro o serviço,
que a coroa é minha sogra.

Com todo o senso de artista
e, apesar de todo o zelo,
não sou bom filatelista,
no entanto, procuro “sê-lo”

Com pode, Madalena,
nem sei como acreditar,
pílula assim tão pequena
nosso segredo guardar…

Casou-se o pobre Peçanha,
com mulher feia e sem graça:
Para quem não tem champanha,
vale um trago de cachaça…

Com dimensão reduzida
– duas pecinhas à toa –
o teu biquíni, querida,
guarda tanta mim boa!

Cão de marujo, também,
por mais perigos que arroste,
imita o seu dono e tem
um amor em cada poste.

Comprou, na Agência Postal,
o menor selo que havia,
deu-lhe um jeito de avental
e eis a tanga de Maria !

Começou mal a semana
o beberrão azarado:
abusou tanto da cana,
que acabou sendo “encanado”.

De fazenda é tão escasso
o biquíni da Julieta,
que até não sobrou espaço
pra colocar a etiqueta…

Diz a mulata Maria,
sem explicar a razão
que o luso da padaria
é pão vendendo outro pão….

Do amor fervorosa crente,
a mulher do seu Tomás,
sendo uma cara pra frente,
vive a passá-lo pra trás…

Dentro do meu coração,
na minha radiografia,
o doutor – que indiscrição! –
viu tua fotografia!

Do espelho da tua sala,
procura o exemplo seguir:
ele reflete e não fala,
tu falas sem refletir…

Da ingente lida cansada,
velha cegonha matreira,
hoje, vive, aposentada,
a assustar moça solteira.

Deu-me tanta bola a Berta,
com sorrisos e olhar doce,
que eu fui em frente na certa:
aí, a Berta trancou-se !

Diz que detesta covarde
e odeia os homens pecatos;
da coragem, faz alarde
e, em casa, é quem lava os pratos…

Deixei minha namorada,
numa agonia tremenda:
escondi, na mão fechada,
o seu biquíni de renda.

Bebeu tanto o Zé Bolacha,
ao regressar da viagem,
que pagou em dobro a taxa
por excesso de bagagem.

Declara, em meio à homenagem,
o astronauta, herói da Nasa
– Prova mesmo de coragem
vou dar voltando pra casa!

Datilógrafa, a Maria
é “boa” como ninguém:
mesmo em datilografia,
tem seus méritos, também.

Da gravata à borboleta,
que eu usei esta semana,
a minha prima, Julieta,
fez um biquíni bacana.

Ela vive no oculista
e ele é motivo de troça,
pois se ela trata, da vista,
ele faz a vista grossa…

Eis um conceito maroto,
que aos quatro cantos espalho:
se todo o galho foi broto,
nem todo o “broto” “dá galho”.

Ela é séria e não dá bola,
chega a ser ultrapassada…
Com tantas curvas, Carola,
afinal, é tão quadrada…

Estendido sobre a cama,
na brancura do lençol,
que saudades meu pijama
sente do teu “baby-doll”!

Explica a mulher a alguém,
que seu marido é pintor:
é por isso, que ela tem
um filho de cada cor…

Eu tenho quatro vizinhas
– que santas meninas são! –
à sua porta, às tardinhas,
há homens em procissão…

Entra um branca gelada
e uma preta bem quentinha,
topo as duas, camarada:
– não perco uma cervejinha.

Em perfeita comunhão,
na vila de Santarém,
a mulher do sacristão
ajuda ao padre, também.

Explica cheia de sestro,
que não engana a ninguém:
sendo mulher de maestro,
faz seus “arranjos”, também.

Entra a esposa bem idosa
e uma “gatinha” assanhada,
o macumbeiro Barbosa
vive numa encruzilhada.

Imploraste a Santo Antônio
um casamento, Maria:
deu-te o santo o matrimônio
mas fui eu que “entrou em fria”…

Já pronto para o transplante,
pergunta, aflito, o ancião:
– Fico em forma, doutor Dante,
só trocando o coração?

Jogador inveterado,
morre o amigo Zé do Taco…
Vai entrar, pobre coitado,
no seu último buraco…

Se meus apelos comovem
ao senhor, eu peço, então,
que transplante um corpo jovem,
no meu velho coração…

Maria, ao jogar “pelada”,
me dá bola a tarde inteira
e porque joga avançada,
terminamos na “banheira”…

Minha sogra sempre anota
meus atrasos num caderno:
se essa “coroa” empacota,
vai ser porteira do inferno…

Maria, a minha Maria,
põe nos beijos tal calor,
que a noite pode ser fria
e eu não uso cobertor…

Morre a sogra e, comovido
o meu compadre Tomás,
na coroa, distraído,
escreveu: “Descanso em paz”!

Meu amigo, Zé da Mota,
fala mal da sogra à toa,
pois eu conheço a velhota
e ela até que é muito boa!

Morreu lutando, e aqui jaz
Chico Bomba, o corajoso…
E esse epitáfio, quem faz
é o seu primo: o Zé Medroso…

Meu gato sumiu e o fato
deixa a gata tiririca,
lamentando, sempre, o gato,
ao ouvir certa cuíca.

Muito embora não se esgote
todo assunto que é você,
pelo V do seu decote
quanta coisa a gente vê!

Mulata boa, essa Helena,
que afirma ser tua prima…
Sempre que passa, me acena
de polegar para cima.

Namorei a Margarida,
mas como me deu trabalho!
Nunca vi, na minha vida,
um broto dar tanto galho…

Não fez o menor sarilho
meu amigo Vivaldino
e deu, ao décimo filho,
o nome de PILULINO…

Não vende móveis, Maria,
mas, segundo as faladeiras,
atrai boa freguesia
com seu “jogo de cadeiras”

Na bebida, a minha mágoa
procuro ver afogada…
Já me chamam de pau-d’água,
mas, a minha mágoa… nada…

No banheiro, de surpresa,
ao entrar, reparo bem,
que até no banho, Teresa
é enxuta como ninguém.

Num biquíni diferente,
pôs fogo na praia inteira,
ao desfilar imponente,
só de peruca e piteira…

O que eu desejo, sem pressa,
consigo sempre, Maria…
Hoje, me dás, sem que eu peça,
o que me negaste um dia…

O rapaz tanto bebia,
que, um mês depois de enterrado,
nenhum verme conseguia
fazer “quatro”, nem deitado…

O Machado é grande amigo,
que eu tenho, sempre, ao meu lado:
qualquer problema comigo,
quem “quebra o galho” é o Machado.

Pão duro a mais não poder,
o meu compadre Zulmiro,
em vez de dar, quis vender
o seu último suspiro.

Por mera superstição
Zé Cachaça explica bem:
Bebe antes da refeição,
durante e depois, também.

Pelo olhar de antipatia,
que o vigário me lançou,
estou certo que Maria,
de manhã se confessou.

Perdão, Senhor, mas não posso
resistir à tentação
de, ao rezar o Padre-Nosso,
pedir manteiga no pão.

Pensam que caí num logro,
mas, aviso a quem quiser
– pelo dinheiro do sogro,
aturo sogra e mulher.

Porque a mulher é de morte,
estranha o compadre Osmar,
que o chamemos de “consorte”,
se ele viva é “com azar”.

Porque a mulher do goleiro,
jogando um tanto avançada,
me deu bola o dia inteiro,
entrei, também, na pelada….

Para casar, o Joaquim
tornou bruta carraspana:
Esse cara só diz “sim”,
com a cara cheia de “cana”.

Para evitar confusão,
afirma, sempre o Ramalho,
que não tem superstição:
tem alergia ao trabalho…

Por bigamia, garanto,
castigo do céu não logras:
deve ter honras de santo,
quem aturou duas sogras…

Pões tal feitiço na ginga,
que, ao sambar, eu me atrapalho:
és tu, mulata, o o coringa,
que faltava em meu baralho

Quando eu morrer, a mulher
em apuros, que não fique:
se na cova eu não couber,
que me enterre no alambique…

Quando ela passa, divina,
penso ao ver-lhe a majestade:
– Ah! Se eu pudesse, menina,
dividir por dois a idade! …

Quando bebo mais um pouco,
uma coisa me maltrata
e me deixa quase louco:
– é ver sogra em duplicata…

Quando ouviu o Pai-de-Santo
falar, em “trabalho”, o Augusto
que é folgado, tremeu tanto
e quase morreu de susto…

Quando minha sogra entrou
no inferno, em grande escarcéu,
o Demônio se assustou
e se mandou para o Céu.

Soldador de profissão,
vive a soldar Zé Trancado
e a mulher, por distração,
vai namorando um “soldado”.

Superstição esquisita
essa que tem Dona Aurora,
pois só recebe visita,
quando o marido está fora.

Se a vida tem algo errado,
a própria vida conserta;
vejam só: o Zé Trancado,
ontem, casou-se com a Berta.

Tem tanto medo da bronca
da mulher, o meu vizinho,
que até mesmo quando ronca,
o seu ronco sai fininho.

“Tenho coragem” dizia
e provou do que é capaz,
ao correr naquele dia
com o marido “dela” atrás.

Tem, o Zé, vida apertada
e a má sorte a castigá-lo:
se a mulher dá cabeçada,
é nele que nasce o galo…

Tanto mente o Zé Patranha,
faz tanto rolo e trapaça,
que se estoura uma champanha,
há quem jure que é cachaça.

Trazendo a Prudência ao lado,
eu demonstro inteligência,
pois viajo sossegado,
se dirijo com “prudência” …..

Vem Maria, ao meu amor,
que, com jeito, a gente arranja
botar no congelador
tuas flores de laranja.

Vive o Domingos feliz
sem o trabalho enfrentar,
que os “domingos” – ele diz –
são feitos pra descansar.

Voltou de cesta vazia,
pois não pescou nada, nada…
Mas, foi nessa pescaria,
que Benvinda foi pescada…

Vem gente de todo o lado,
ver minha prima Janete,
num “triquini” muito ousado:
chapéu, sandália e chiclete…
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Fonte:
União Brasileira dos Trovadores/Juiz de Fora

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