Arquivo da categoria: Pará

Javier Di Mar-y-abá (Poemas Avulsos)

Libreria Fogola Pisa (facebook)
CASTANHEIRAS

Esperei-te séculos!
Ergui-me viçosa e bela
Até que apareceste
Com ares senhoriais.
Eu sempre pensei
Nosso sexo
Assim mesmo:
Sem nexo.

Mas essa motosserra
Foi demais.

GAMELEIRA

A casta refletirá verdades
Que a selva não denuncia;

Braços embalar-se-ão
Ao sabor de brisas
Que tuas raízes jamais saberão.
Há um sonho escondido ali,
Amores e calumbis
Debaixo da gameleira.
O sol brinca de esconder
Por detrás da gameleira.

Jaz um pedaço do mundo
Debaixo da gameleira.

INFÂNCIAS

O mundo fez piruetas
Com o pé de manga-rosa
Pintou as bolas-de-gude
Com as sobras do arco-íris.
Brincavam de amarelinhas
Felizes muricizeiros.
Curiós, xexéus e sanhaços
Faziam o maior furdunço
Nas frutas, nos arvoredos.

Os anos de todos eles
A gente contava nos dedos.

Com argamassa dos sonhos
A terra forjava os homens:
Era Bruno, Erick, Carol e Rafa
Brincando de lobisomem.


Fonte:
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Yara Cecim (Sopa de Poemas)

ENCANTAMENTO

Sou filha das águas azuis do meu rio.
Criei-me nas praias do meu Tapajós
ouvindo as yaras cantando em surdina
seu canto de amor
que embriaga, que encanta,
lavando os cabelos com a espuma das ondas,
seus longos cabelos, tão lisos, tão verdes,
da cor da esperança que a gente acalanta.
A hora do sol, deitadas nas pedras
seus corpos secavam,
enquanto os cabelos, tão lisos, tão longos,
as águas levavam, pra lá e pra cá…
À noite elas riam e brincavam de roda
na areia da praia, à luz do luar,
enquanto serena a lua banhava
seu rosto redondo nas águas do rio
e a gente medrosa do boto encantado
fechava-se em casa, tremendo de frio.
E foi numa noite de maio bissexto,
de águas tão grandes, tocando o assoalho
que eu vim a este mundo,
por mãos do destino,
tão frágil, tão tenra como um mururé.
Depois as yaras meu berço embalaram
e ensinaram à mamãe suas canções de ninar.
A fada madrinha seu nome me deu
e velou por meu sono
quando eu era criança.
Por isso ainda hoje eu escuto seu canto.
Uma doce cantiga de amor e esperança.

O RIO E O MAR

Amo a tranquilidade das águas serenas
do rio, que descem cantando pro mar.
O doce ondulado das calmas maretas
que batem na areia
sem a machucar.
Adoro a cantiga serena da yara
em noites prateadas com a luz do luar
que me fala à alma,
que entorpece o espírito,
que não me magoa
nem me faz chorar.
Amo a placidez das coisas encantadas.
As lendas que falam de coisas bonitas,
do boto encantado, do uirapuru,
da cigarra amiga ao cair da tarde
ciciando na folha do pé de caju.
Sou rio e não mar.
Sou yara e não ninfa.
Sou cabocla flor,

como dizia meu pai
com carinho e amor.
Sou musgo da pedra
que o vento arrancou
jogando no mar
e o mar destroçou.

(SEM TÍTULO)

Eu não sou aquela Nega Fulô
do poema escrito por Jorge de Lima
que conta a história de outros amores
bem mais diferentes do amor que te dou.
Da minha janela contemplo o horizonte
aberto, terrível, de ondas bravias
que se atiram ferozes nas pedras escuras
se despedaçando, quebrando-as também.
Que levam pra longe a mirada da gente,
arrastando, ondulando como uma serpente.
Adoro a mareta que vem se chegando
de manso, rolando na areia branquinha,
chegando, chegando, suave, maneira
e eu caminhando tranquila, sem medo,
esperando que venha, amorosa, cheirosa,
molhar os meus pés, me contar um segredo!
Prefiro ser lenda
a ser uma história
de heróis, de vikings,
de naus com mil remos
lutando, matando,
sofrendo, morrendo
por uma coroa,
por um Imperador.

Fonte:
Poesia do Grão-Pará. RJ: Graphia, 2001.

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Yara Cecim (1916 – 2009)

Yara de Araújo de Souza Cecim nasceu em Santarém no dia 13 de maio de 1916. Faleceu em Belém do Pará em 26 de outubro de 2009.

Foi poeta, contista, artista plástica e pesquisadora.

Segundo o escritor Nicodemos Sena – também santareno – “através da pena mágica de Yara, o impossível aconteceu, isto é, o portentoso contexto amazônico (com suas vastidões e belezas naturais), que sempre desorientou a quantos se atreveram a desenhar literariamente a vida amazônica, desta vez não invadiu o texto, mas encontrou a sua expressão mais cabal e adequada”.

Falando de uma Amazônia povoada de mitos e seres fantásticos, Yara Cecim também é assim definida pelo falecido escritor Ápio Campos: “(…) seu realismo fantástico tem cheiro de mato e sopra sobre o leitor o hálito das ilhas e dos seres estranhos que as povoam”.

Com seu estilo peculiar de escrita a autora foi distinguida com Menção Honrosa pela Academia Paraense de Letras no concurso Samuel Wallace Mac Dowell de 1987 com o livro “Taú-Taú e Outros Contos Fantásticos da Amazônia”.

Livros:

Prosa
    Taú-Taú e Outros Contos Fantásticos da Amazônia (Cejup, Belém, 1989)
    Histórias Daqui e Dali (Cejup, 1994).
    Lendário – Contos Fantásticos da Amazônia (Cejup, 2004).

Poesia
    Arabescos (Cejup, 1990)
    Folhas de Outono (Alcance, Porto Alegre, 1997).

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Paolo Ricci (1925 – 2011)

Paolo Ricci nasceu em Lucca, na Itália, em 08 de setembro de 1925 e faleceu em 08 de maio de 2011 em Belém do Pará.

Foi cronista, poeta, romancista e artista plástico de expressão internacional.

Integrou a Academia Paraense de Letras (APL) desde 21 de outubro de 1980, ocupando a cadeira de número 19.

Seus pais vieram da Itália morar em Rio Canaticu, na Ilha do Marajó, ainda na época áurea da borracha.

Graduou-se em Direito, estudando em Belém do Pará, colaborando com jornais paraenses da época como “Folha do Norte” e “A Província do Pará”.

Tendo demonstrado desde a infância forte tendência para o desenho   e desejando, ainda menino, aprender pintura, era desestimulado pelos pais que consideravam as artes como “coisas mortas”, sem utilidade prática. Em novembro de 1950 recebeu sua primeira aula de pintura realizando um “d’aprés” no salão onde expunha, em Belém, o artista    holandês Wín Wan Dijck. Incentivado a continuar, prosseguiu auto didaticamente quando, em 1951. pintando a nave da Catedral de Belém, foi visto pelo grande interiorista Leonidas Monte, cearense radicado e ativo em Belém, daí em diante tornando-se amigo e discípulo desse artista. A partir desse ano também passou a contar com a orientação critica de Frederico Barata, com quem viria a trabalhar em “A Província do Pará”, reinstalada pelos “Diários  Associados”.

Em 1966, a convite do Governo dos E.E.U.U. de setembro a novembro visitou artistas. Academias. Museus, Universidades e Galerias de Arte em Washington. Filadélfia, Nova Iorque, Chicago, Búfalo, Oakland, São Francisco e Los Angeles, polemizando e discutindo problemas da arte contemporânea, confirmando o que escrevera Mário Cravo Jr. a seu respeito: “polêmico, preocupado basicamente com sua arte”.

Integrou vários júris, inclusive o da Pré-Bienal de 1974, de São Paulo: foi membro de banca examinadora na Universidade Federal do Pará. proferiu inúmeras palestras sobre composição e outros temas, destacando-se a realizada em 1978, no Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro (uma sinopse sobre a História da  Pintura no Pará), por ocasião da coletiva “Artistas do Pará e Minas Gerais”, na Galeria Rodrigo M.F. de Andrade, da FUNARTE,  da qual participou.

Pesquisador incansável das artes plásticas no Pará, organizou a exposição “Artistas Plásticos Paraenses do Século XIX” e o livro “As Artes Plásticas No Pará”. É citado pelo “Dicionário de Artes Plásticas” do Ministério da Educação como um dos mais importantes artistas plásticos do Brasil.

Publicações
Poesia – Riso dos Insanos, 2001;
Entre o espaço e o tempo, 2003;
Revoada de anseios, 2004;
25 Madrigais de Amor e Dor, 2004.

Fontes:
Projeto Memória da Literatura do Pará
– Antologia da Academia Paraense de Letras. Poesia & Prosa. Belém/PA: Cultural CEJUP, 1987.

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Varal de Trovas n 19 – Cristiane de França Borges Brotto (Curitiba/PR) e Antonio Juraci Siqueira (Belém/PA)

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Varal de Trovas n 18- Antonio Juraci Siqueira (Belém/PA) e Austregésilo de Miranda Alves (Senhor do Bonfim/ BA)

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Trova 252 – Antonio Juraci Siqueira (PA)

Formatação: Dáguima Veronica

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