Arquivo da categoria: Peabiru

Sinclair Pozza Casemiro (Peregrinando em trovas pela região da COMCAM)

COMCAM*

Coração do Paraná,
do Ivaí ao Piquiri,
há canções, e “causos” há,
que lembram gês, guarani.

Caminhos de Peabiru**

Como rendadas toalhas,
fez-se o nosso Peabiru,
tecido de extensas malhas,
do Paraguai ao Peru.

Terra Sem Mal***

Em migração permanente,
tendo o Sol como fanal,
o guarani segue em frente,
buscando a Terra Sem Mal.

Itararé

A convite de Altoé,
o arqueólogo foi a campo.
descobriu que o Itararé
do Peabiru fez seu canto.

Polêmicas

Aonde vai o Peabiru?
E quem foi que o construiu?
Mesmo não fosse ao Peru,
na COMCAM ele existiu!

Peregrinações

COMCAM da Rota da Fé,
Caminhos de Peabiru,
Terra Sem Mal, São Tomé,
Quão bela canção és tu!

Cavalgadas na COMCAM

Relembrando pioneiros
no chão de tuas estradas
te fazem, os cavaleiros,
a região das cavalgadas.

Gastronomia

Na COMCAM, gastronomia
tempera os bons corações
trazendo paz e alegria
juntando em festa as nações.

João Maria d’Agostini

O beato João Maria
diz que esteve na região
atendendo ao que sofria,
trazendo consolação.

Campo Mourão

Camorão, Campo Mourão,
filha e mãe tão orquestradas.
Pra nossa bela COMCAM,
fez-se a história nas estradas.

Corumbataí do Sul

Corumbataí do Sul
tem no seu alvorecer,
além do céu muito azul,
trilhas de índios para ver.

Peabiru

A Peabiru coube a glória
de o seu nome registrar
o fato vivo da história
do Caminho milenar.

Barbosa Ferraz

Barbosa em seu chão guardou
tesouro em pedra e sinais,
que o Peabiru registrou
para não perder jamais.

Bourbônia

Bourbônia, palco da história
do índio, branco e tropeiro.
Nas trilhas da sua glória
peregrinou-se primeiro.

Quinta do Sol

Quinta do Sol tem encantos,
verde e punjante visão.
Terra de paz, onde há tantos
motivos para a emoção.

Fênix

Fênix chamou-se um dia
Vila Rica, em plena glória.
Da Missão que ali existia
guarda viva hoje a memória.

Engenheiro Beltrão

Em Engenheiro Beltrão
há ruínas escondidas,
pois uma nobre Missão
em seu chão ficou perdida.

Terra Boa

Terra Boa, gente boa
escreveu nos seus anais
tanta história que povoa
velhos tempos coloniais.

Araruna

Bela Araruna, nascida
na moldura do Caminho.
Por Peabiru conhecida,
tem de nós todo o carinho.

Mamborê

Mamborê tem seus segredos,
misteriosos sinais.
São curiosos enredos
herdados dos ancestrais.

Farol

No Farol inda há quem conte
que o beato João Maria
batizou a Água da Fonte
e fez muita profecia.

Ubiratã

Ubiratã, você traz
entre as suas tradições,
a vocação para a paz
vinda de antigas nações.

Juranda

Oh, Juranda, Jurandah,
no teu nome, tão sonoro,
sempre a graça se achará,
qual um pássaro canoro.

Janiópolis

Foi Janiópolis caminho
e palco de tanta saga.
Hoje é o rico e alegre ninho
de um povo que a paz afaga.

Campina da Lagoa

Campina, orgulhosa, ostenta
pesquisas da arqueologia,
provando, já nos setenta,
que o Peabiru existia!

Nova Cantu

Teu rio, Nova Cantu,
teu tambo, a vila espanhola,
índio, Missão, Peabiru,
tudo em ti é pura escola.

Roncador

Nas trilhas de Roncador
João Maria fez história,
nos “causos” do sofredor
e em coletiva memória.

Luiziana

Luiziana das cachoeiras,
dos caminhos sempre em flor,
das muitas sagas pioneiras
de que herdaste o teu vigor.

Altamira do Paraná

Altamira da COMCAM,
tens beleza singular.
Dos teus rios és guardiã
e orgulho do Paraná.

Goioerê

Goioerê, muitos povos
já trilharam o teu chão
deixando aos teus filhos novos
mui valiosa lição.

Moreira Sales

Moreira és jovem agora
mas tens tão rico passado
muitas nações já outrora
nos teus campos têm lavrado.

Rancho Alegre

O rancho de tantos causos
alegres, sempre bravios
desperta muitos aplausos
e afasta os dias sombrios.

IV Centenário

Barro branco, Gato Preto
hoje Quarto Centenário
eu canto neste poemeto
teu passado legendário.
–––––––––––-

Notas:
*COMCAM =Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão
**Caminho do Peabiru =
http://singrandohorizontes.blogspot.com/2009/11/o-caminho-de-peabiru.html
***Terra Sem Mal =
http://singrandohorizontes.blogspot.com/2008/04/lenda-indgena-em-busca-da-terra-sem-mal.html

Fonte:
Colaboração da autora

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Miguel Sanches Neto (1965)

Miguel Sanches Neto é escritor paranaense e crítico literário. Responsável pela coluna semanal do maior diário do Paraná, a Gazeta do Povo (Curitiba), tendo publicado só neste jornal mais de 350 artigos sobre literatura, fora as contribuições para outros veículos, como República, Bravo!, O Estado de São Paulo, Jornal da Tarde (São Paulo, Poesia Sempre, Jornal do Brasil (Rio de Janeiro)e Jornal d`pontaponta – coluna mensal (Ponta Grossa- Paraná), cidade onde reside.

Nascido numa família de agricultores pobres no interior do Paraná (Bela Vista do Paraíso, criado em Peabiru), Miguel Sanches Neto tornou-se um dos mais importantes críticos literários do país, além de ser professor universitário, com doutorado em Teoria Literária pela Unicamp. Escreve na Gazeta do Povo e na revista Carta Capital. Vindo de um Estado que já deu importantes escritores ao Brasil, como Paulo Leminski e o grande ficcionista Dalton Trevisan, Miguel Sanches Neto publicou, dentre outros, o romance autobiográfico “Chove sobre minha infância” (2000), o livro de contos “Hóspede Secreto” (2003 – Prêmio Nacional Cruz e Sousa) e o de crônicas Herdando uma biblioteca (2004), todos pela Editora Record.

Embora venha escrevendo há muitos anos, desde a adolescência, talvez o escritor Miguel Sanches Neto tenha começado a ficar conhecido nacionalmente a partir de 2000, quando lançou, pela Editora Record, o romance Chove sobre minha infância, já traduzido para o espanhol. De lá para cá, ele deixou de ser promessa para se firmar como um dos nomes mais representativos da nova literatura brasileira, o que foi confirmado, agora, com o lançamento, também pela Record, de Um amor anarquista. Neste imperdível romance, o escritor nos conta, com incrível capacidade de persuasão, a história de um grupo de imigrantes italianos, que, no final do século XIX, na pequena cidade de Palmeira, no interior do Paraná, funda a Colônia Socialista Cecília, na qual tenta destruir o sistema tradicional da família e implantar o amor livre. Assunto que até hoje, passados tantos anos, permanece causando polêmica no Paraná.

Miguel Sanches conta que sua idéia de narrar a história começou a ganhar corpo em 1994, quando estava trabalhando em um livro produzido por um descendente da colônia. “desde então, vim sonhando com a possibilidade de escrever o romance. Li muita coisa a respeito, e cheguei a traduzir, com uma amiga, os escritos de Rossi [Giovanni Rossi, um dos integrantes da Cecília] sobre a experiência no Paraná“, diz o escritor. Até começar a escrever, ele visitou várias vezes os locais onde os fatos se passaram, além de ter conversado com os descendentes dos imigrantes. Planejava, também, viajar à Itália, para visitar os lugares de onde vieram os personagens, mas quando viu que isso não seria possível, resolveu começar a empreitada com o material que tinha em mãos. “Passei dezembro de 2003, fevereiro e maço de 2004 trabalhando 12, 14 horas por dia. Com este esforço concentrado, obtive o copião, sobre o qual mergulhei, eliminando capítulos inteiros, acrescentando coisas, e até 15 dias antes da impressão do livro eu ainda estava mexendo no texto”, confessa o romancista, agora aliviado, e feliz, com a repercussão positiva que o romance vem recebendo.

Escritor eclético, que tem navegado por diversos gêneros, Miguel Sanches Neto – que nasceu em Bela Vista do Paraíso, interior do Paraná, mas foi criado na pequena Peabiru – diz ser um escritor inquieto, daí essa diversidade literária. Para ele, isso não é nenhuma coisa de outro mundo, embora no Brasil as pessoas sempre esperem que o autor se dedique apenas a um tipo de texto. “Isso é bobagem. A gente tem que escrever de acordo com os imperativos interiores. Machado de Assis fez de tudo“, diz o romancista, sem se importar que pensem que ele está querendo se parecer com o Bruxo do Cosme Velho. “Apenas estou dando um exemplo, embora ache que devemos mesmo nos comparar aos grandes“, afirma Sanches. Mas ele não resiste e confessa que, literariamente, sente-se melhor no romance, “pela possibilidade de dizer mais, e ampliar as estruturas simbólicas“. Um amor anarquista está aí para confirmar este gosto. “Vivemos dentro de subculturas do gosto. Guetos que só lêem tais autores”

Recebeu o Prêmio Nacional Luis Delfino pelo livro “Inscrições a giz” (FCC, 1991) e o Prêmio Cruz e Souza/2002 por “Hóspede secreto” (contos, Record, 2003).

Livros:

Chove sobre minha infância ( romance, editora Record, 2000);
Você sempre à minha volta (cartas, editora Letras Contemporâneas, 2003);
Abandono (haicais, edição do autor, 2003);
Venho de um país obscuro (poesia, editora Bertrand-Brasil, 2005);
Biblioteca Trevisan (crítica);
Entre dois tempos ( ensaio literário, Unisinos, 1999);
Herdando uma biblioteca (memória, editora Record, 2004);
Amanda vai amamentar (infanto-juvenil, editora Bertrand-Brasil, 2005);
Estatuto de um novo mundo para as crianças (infanto-juvenil, editora Bertrand-Brasil, 2005);
Primeiros contos (contos, editora Arte & Letra, 2009).

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/
http://www.releituras.com.br/

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