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Anair Weirich (Album de Poemas)

Pintura de Hans Arp (1886 – 1966)
PACIÊNCIA

Quem já viu algo funcionar
aos tapas e empurrões?
Nada mesmo dá certo,
quando é feito aos trambolhões!

Mas, se formos com jeitinho,
(como diz sempre a ciência…)
com amor e com carinho
tudo conseguiremos!

– Isso se chama PACIENCIA!

(do livro infantil Doce Jeito de Ser Criança)

A EMOÇÃO DE LER

– Passarinho, passarinho!
Eu também queria voar
E conhecer outros mundos…
Mas não tenho asas, nem dinheiro.

-Menininho, menininho!
Você deixe de bobagem.
Quem lê viaja ao mundo inteiro,
Sem ter que pagar passagem.

AMIGOS

Amigos vêm e vão.
Amigos são uma nação
de corações leais.
Amigos são demais!
Amigos são trigos ao sol.
São cama e lençol
para deitar-se tranqüilo.
Amigos são aquilo
de tudo o que contas.
Amigos são contas
de um colar de diamantes.
São vogais e consoantes
do alfabeto do amor.
Amigos são abrigos
da maldade e da dor.
São a segurança das pontes,
e a água das fontes!
Amigos são artigos de luxo.
Amigos são bruxos
da distância e do tempo.
Amigos são o elemento
que conta na hora H…
Amigos são maná!
São faróis no nevoeiro.
São arco e arqueiro
na precisão do alvo.
Amigos estão a salvo
das tempestades da vida.
Amigos são guarida
nas horas incautas.
Amigos são flautas
que anunciam companheirismo.
Amigos são o muro seguro
que nos protege do abismo.

(Do livro Melodias do Coração 2008)

LIMIAR DO TEMPO

Amar é…
Te encontrar,
como agora!
Só que na velhice,
de bengala,
e ainda assim
sentir a mesma emoção
que estou sentindo
nesta hora!

(Do livro Poesias do Cotidiano – 1997)

O EXEMPLO DO PIÃO

Se há uma coisa que fascina e encanta,
É ver um pião enquanto dança!
E quando estamos no nosso limite,
Olhemos o pião que rodopia,
Como se fosse um convite!

Sejamos inimigos da ociosidade.
Façamos tudo com entusiasmo
E até estardalhaço..
Viva a escandalosidade
Para sair do marasmo
E não perder o compasso.

O pião tem uma dança
Que assusta e que fascina,
Pelo espetáculo que ensina
A nos mantermos em pé
Pelo impulso.
Para o pião é insulto
Entregar-se antes
Do tempo determinado.

Mas quando fica cansado,
Nos mostra algo assustador:
Traça um círculo ao seu redor
E dentro do próprio círculo
Então cai.
Fim! Nada mais resta.
Tudo aquilo que era festa
Agora é gota que se esvai.

Tal qual o pião,
Estamos em pé,
Se estamos em movimento.
Nossa base é nossa fé,
Nossa força é o sentimento!

Tomara que na dança da vida
Haja sempre uma base plana
Para nosso pião interior girar,
Impulsionado pela força do trabalho
E pelo poder de sonhar!

(Do livro Melodias do Coração 2008)

INCÓGNITA

Moro numa rua sem saída.
A única medida para sair dela
é dando meia-volta
até chegar na esquina.
Nesta rua tem menina
brincando de sol.
Tem até bicicleta
que passeia sozinha.
Tem Luluzinha de estimação,
tem bola, tem boneca, tem canção.

Tem gato que passeia no muro
e toma sol no telhado.
Minha rua é um achado!

Tem noite de luar
e tem verso com rima.
Quem disse que quero
chegar na esquina?

Moro numa rua sem saída
que tem porta e tem janela.
Mas… quem disse
que quero sair dela?

Minha rua tem até Mercearia.
Tem linda pradaria
e tem jardim.
Quem quer sair
de uma rua assim?

(Do livro Melodias do Coração 2008)

EMBEVECIMENTO
(Homenagem a Chapecó – SC)

Sinto que conheço cada grão
da terra que compõe este chão.
Adivinho a bala do papel
que o vento leva,
e sinto que conheço seu sabor.
Conheço e sinto o perfume
de cada pétala de flor
que brota nos canteiros.
E de cada caminheiro
conheço seu sorriso
e seu semblante.
De cada margarida,
sua labuta constante.
De cada sabiá
saltitando na praça,
eu bebo seu momento.
E de cada turista
seu encantamento.
Em cada badalada
dos sinos na catedral,
é entoado um hino sem igual.
Cada canto da minha cidade
encanta de lirismo meu viver,
enternece e aquece todo meu ser.
Luzes noturnas estribilham canções
e da torre da igreja emanam orações!
Com a fronte erguida
vejo esperança e vejo vida.
Dos desenganos quase esqueço,
pois em cada melodia
que roda nas estações,
eu sinto que amo e que conheço
(Do livro Melodias do Coração 2008, homenagem a Chapecó – SC
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Nota sobre o pintor:
Hans Arp (1886 – 1966)
Hans Peter Wilhem Arp (Estrasburgo, 16 de Setembro de 1886 — 7 de Junho de 1966) foi um pintor e poeta alemão, naturalizado francês. Nasceu na Alsácia quando esta estava sobre domínio alemão. Em 1926 adquiriu a nacionalidade francesa e passou a usar o nome Jean Arp.
O pai de Arp era um empresário de origem alemã, dono de uma fábrica de cigarros e a sua mãe era de origem francesa, motivo pelo qual ele, desde muito cedo, falava fluentemente as duas línguas.
Em 1900 inscreveu-se na Escola de Artes e Ofícios em Estrasburgo, onde nunca chegou a ser bom aluno, pois não se interessava pelas matérias curriculares. Durante o ano de 1901 teve aulas de desenho com Georges Ritleng. Arp que era um admirador da poesia alemã, em 1903 publicou algumas obras literárias.
Em 1907 inscreveu-se na Academia Julian. Em 1911, juntamente com Oscar Lüthy e Walter Helbig, foi o fundador do grupo de artistas suiços, designado por Der Moderne Bund. Em 1912 conhece Kandinsky em Munique, e em 1914 dá-se com August Macke e Max Ernst, em Colónia.
Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, foi viver para Zurique, em virtude de possuir nacionalidade alemã. Nesse ano casou com Sophie Taeuber, que veio a falecer, em 1943, enquanto ocorria a Segunda Guerra Mundial. No ano de 1920, Arp participa numa exposição dadaístita, em Colónia, com Baargeld e Max Ernst. Conhece Breton, e colabora em diversas publicações de conteúdo vanguardista, com poemas e collages. Em 1925, Arp junta-se a um grupo de surrealistas saídos do movimento dada, e expõe em Paris.
Versátil na sua obra, a década de 1930 é dedicada a trabalhos na perspectiva da abstracção geométrica, collages e grafismos com relevo. Na década seguinte, Arp, sempre em mudança, centra o seu trabalho na escultura.
Em 1959, casou em segundas núpcias com Marguerite Hagenbach. A sua obra atinge a fama nos anos 1950 e 60, quando expõe em Nova Iorque (1958) e Paris (1962).

Fontes:
http://anairweirich.blogspot.com/
http://antologiamomentoliterocultural.blogspot.com/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Hans_Arp

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