Arquivo da categoria: poema.

Luiz Otávio (Oração do Poeta)

Fonte:
RAMOS, Carolina. Príncipe da Trova. SP: EditorAção, out 1999. Capa final.

Poema e rosto de Luiz Otávio sobre pintura “O Poeta”, de Manoel Castro

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Mensagem em Imagens 3 – John Turner e Geoffrey Parsons

Deixe um comentário

1 de setembro de 2013 · 19:10

Manuel Alegre e António Portugal (Trova do Vento que Passa)

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Fonte:
http://delta4.no.sapo.pt/malegre13.html

Deixe um comentário

Arquivado em poema., Portugal

Olivaldo Junior (Para o Amor que me Mata)

Não direi o quanto estou cansado e desterrado de mim.
Olivaldo

Faço, para o amor que me mata,
este modo de meter medo
em quem não tem medo de nada.

Nada, caro amor que me mata,
supera este mito que mora
tão fora da meta, tão na estrada,
que está mesmo na aurora,
o resto de estrelas, na alvorada.

Tudo, caro amor que promete,
separa este moço que muda
sem nada mudar e sem confete,
que este amor não me muda,
poeta de estrondos, tipo NET.

Fonte:
O Autor

Deixe um comentário

Arquivado em Moji-Guaçu, poema.

Marluce Portugaels (Eu Vou Cantar o Meu Rio)

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de muitas voltas 
 mil meandros tem o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de margens largas 
 como é bonito o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de terras caídas 
 barrancos toldam o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de aves ligeiras 
 garças voam sobre o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio cheio de estórias 
 lendas, causos contam o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de tantas lembranças 
 como é bom lembrar o meu rio 
 O meu rio Juruá

Fonte:

Deixe um comentário

Arquivado em Amazonas, poema.

Helena Kolody (Dom)

Deixe um comentário

24 de janeiro de 2013 · 22:22

Hildeberto Barbosa Filho / MA (Pequena Propedêutica Litúrgica ao Sagrado Corpo da Mulher Amada)

 nada
 é mais sagrado
 que o corpo da mulher
 amada

 o corpo
 da mulher amada
 é um evangelho de veredas
 abissais

 é uma planície habitada
 por silentes centopéias

 é sempre um país estranho
 estrangeiras águas
 donde vêm as violetas
 do amor

 o corpo
 da mulher amada
 está salpicado de picassos
 vermelhos
 e os milharais sobrevoam
 os corvos do coração

 o corpo
 da mulher amada
 sangra a cada mês
 a divina palidez das metáforas
 nuas

 o corpo
 da mulher amada
 tem vidraças
 tem chafarizes
 e tem colmeias
 e tem garças
 e tem antíteses

 procuremos
 no corpo da mulher
 amada
 os demônios do paraíso

 bebamos
 o corpo da mulher
 amada
 como os sedentos que naufragam
 nas miragens do deserto

 […]
 o corpo
 da mulher amada
 é para ser olhado como se olha
 uma paisagem de gerânios
 solitários

 é para ser tocado como se toca
 as harpas do sol
 é para ser consumido como se consome
 uma rara liturgia

 é para ser amado como se ama
 o secreto lume da noite
 derradeira

 pobre do amante
 que não alcança as mandalas
 eróticas

 os imprevistos rituais
 os translúcidos castiçais
 os lóbulos lacustres
 do corpo da mulher
 amada

 o corpo
 da mulher amada
 nunca morre
 o corpo
 da mulher amada
 nunca apodrece

 o corpo
 da mulher amada
 nunca é pornográfico

 nunca é banal
 nem árido
 nem deserto

 nunca é abjeto
 o corpo da mulher
 amada

 o corpo
 da mulher amada
 é alma tangível

 mais sagrado
 que o corpo da mulher
 amada
 só o beijo da mulher
 amada

 […]

Fonte:
FILHO, Hildeberto Barbosa. Nem morrer é remédio, Poesia reunida. João Pessoa, PB: Ideia Editora Ltda., 2012, p.259-265

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Clevane Pessoa (Indo e Vindo)

Deixe um comentário

6 de janeiro de 2013 · 22:25

Oswald de Andrade (Poesia, pois é, Poesia)

Fonte:

http://cartunistasolda.blogspot.com/

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Oriza Martins / SP (Solidão a Dois)

Deixe um comentário

2 de janeiro de 2013 · 22:31

Euclides Riquetti (Entrevista e Poema: O Voo da Garça)

O professor Euclides Riquetti recebeu, no auditório do Praia de Palmas Beach Resort, em Governador Celso Ramos, na região da Grande Florianópolis, a Medalha do Mérito de Literatura professor Lauro Junckes e uma placa em sua homenagem pela conquista do 10º lugar no concurso nacional de poesias Prêmio Mário Carabajal.

O Tempo – Como foi isso?

Riquetti – Bem, Eu compus um poema denominado O Voo da Garça, em 1997, que já foi publicado em O Tempo – e ainda na capa do jornal O Balainho, da Unoesc, de Joaçaba. Quando tomei conhecimento do concurso, mesmo sabendo que ia concorrer com escritores habilidosos, apostei neste poema, pois acreditava que ele iria ficar entre os 100 primeiros colocados, que poderiam ser selecionados. Mas, sinceramente, sentia que ele tinha condições de ficar entre os dez melhores, e isso acabou acontecendo. É um poema que foge da linha convencional, em suma, é um poema diferente. Se eu fosse cantor, diria que seria minha “música de trabalho”. Mas é apenas um poema, mas que tem seu valor, lá isso tem.

O Tempo – Há quanto tempo compõe?

Riquetti – Componho poemas desde minha adolescência. Lia muito e admirava Olavo Bilac, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e muitos outros, principalmente os românticos. Isso levou-me a optar pelo curso de Letras/Inglês. Estudei muito as Literaturas Portuguesa, Brasileira, Inglesa e Norteamericana. Na juventude, época de faculdade, lia pelo menos um romance em português e dois ou três em inglês por semana. Eu era fanático por literatura. Houve semana em que cheguei a ler cinco romances, de mais de 100 páginas cada um, em inglês. Admirava Júlio Verne, Charles Dickens, Camilo Castelo Branco, Shakespeare, Alexandre Herculano, Eça de Queiroz e outros grandes. Mas também li muitos brasileiros, de Machado de Assis a José de Alencar. Bem, isso significa que para compor é preciso conhecer. E, para conhecer, é preciso ler, mergulhar no maravilhoso mundo dos livros.

O Tempo – Tem poemas publicados?

Riquetti – Nunca fui muito dado publicar, embora contribuí com dois poemas no livro Primas, volume IV, da Coleção Vale do Iguaçu, em União da Vitória, Paraná, ainda em 1976. No ano passado emplaquei cinco poemas na coletânea “Santa Catarina Meu Amor”. Há outras publicações em jornais, inclusive em O Tempo.

O Tempo – Pretende publicar livros?

Riquetti – Tenho poemas prontos para editar dois ou três livros. Mas, com o passar do tempo, vou ficando mais exigente comigo mesmo. Tenho algumas crônicas e tenho, praticamente, a História do Município de Ouro. Tenho, também, uma visão das questões dos limites à época do Contestado. Mas, História, é compromisso, você não pode sair aí escrevendo aquilo de que não tem comprovação, só porque alguém falou… Mas pretendo escrever uma história meio leve, não com cunho épico, nem demagógico…

O Tempo – Como foi receber uma homenagem lá em outra cidade?

Riquetti – Bem, recebi a medalha, das mãos do presidente da Academia de Letras de Santa Catarina, professor Miguel Simão, juntamente com outros cerca de 50 escritores presentes. Mas minha emoção maior foi ter recebido do Doutor Mário Carabajal a placa pela conquista do décimo lugar no concurso em homenagem a ele. Foi um concurso em que os dez primeiros colocados são das cidades de Itararé (SP), São Vicente (SP), Divinópolis (MG), Florianópolis (SC), Petrópolis (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Pirapetinga (MG), Congonhal (MG) e Ouro (SC), no meu caso.

O Tempo – O que tem a dizer para outras pessoas que escrevem?

Riquetti – Vejo que há, em nossas cidades, muitas pessoas que escrevem anonimamente, e que não costumam, por alguma razão, expor o que escrevem. Mas temos pessoas, de todas as idades, que escrevem muito bem. Mas, também, há muitos publicando em jornal. A Internet é um meio barato de propagar a literatura. Tenho poesias, comentários e crônicas em meu blog na internet: http://www.blogdoriquetti.blogspot.com . Quem acessar, clica nos números que estão à sua direita e vai encontrar minhas postagens. E até podem postar comentários.

O VOO DA GARÇA 

A garça voa o voo leve da alma
Voa a garça
Voa como a branca pluma, com graça
Voa a garça.

E no voo breve, voa lenta, calma
Voa com toda a graça a garça.

Voa o infinito, voa por instinto
Voa sobre o monte a garça…
E pousa na torre da igreja
Ou na árvore da praça
Voa pousa a garça.

E seu voo atrai o disperso
O menino, o esperto
O velhinho, o passante
E voa de novo a garça.

Vai, seguindo os trilhos dos raios de sol
Cortando o azul, a garça.

E pousa suavemente sobre a nuvem
Uma nuvem feita branco lençol…
E descansa outra vez a garça!

(A garça povoa os meus sonhos, orienta minha vida.
A garça é meu ser, é você, sou eu…
A garça é meu norte seguro, é minha inspiração…
É minha emoção transmitida no papel…
Euclides Riquetti)

Fonte
Jornal O Tempo

Deixe um comentário

Arquivado em Entrevista, poema.

Fernando Pessoa (Autopsicografia)

Deixe um comentário

28 de dezembro de 2012 · 19:21

Carlos Drummond de Andrade (Receita de Ano Novo)

Deixe um comentário

27 de dezembro de 2012 · 20:43

Manuel Bandeira (O Último Poema)

Fonte:
Imagem com poema obtida no blog de Sylvia Moreti http://sylviamoreti.blogspot.com

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Mário de Sá-Carneiro (Um Pouco Mais de Sol)

Formatação por Mário Plácido, in http://tertuliadogarcia.blogspot.com

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Clarice Lispector (O Sonho)

Deixe um comentário

22 de dezembro de 2012 · 22:35

Fernando Pessoa (Contemplo o Lago Mudo)

Deixe um comentário

21 de dezembro de 2012 · 21:35

Carlos Drummond de Andrade (Poema)

Deixe um comentário

21 de dezembro de 2012 · 21:31

Rosemarie Schossig Torres (Rimas em Revoada)

Fonte:
http://versoscomsabor.blogspot.com/2012/12/rimas-em-revoada.html
Formatação da ilustração com imagem obtida  na internet: J. Feldman

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Soares de Passos (Rosa Branca)

foi mantida a grafia original

Eu amo a rosa branca das campinas,
A branca rosa, que ao soprar do vento
Lânguida verga para o chão pendida.

Como a rosa dos vales, pura e bela
Nos campos da existência ela floria,
Como a rosa dos vales que inda envolta
No orvalho da manhã, desdobra o cálice
Ao sol nascente, perfumando as auras.
A idade das paixões mal despontava
Em seu meigo horizonte. Estava ainda
No declinar da melindrosa infância,
Dessa quadra feliz em que a existência
E sonho encantador em que os momentos
Se deslizam na vida como as águas
De brando arroio, humedecendo os prados.
Mas quão formosas já, quão sedutoras,
Por entre as graças da mimosa infância,
As graças juvenis lhe transluziam!

Com as sócias da infância ao vê-la às tardes
Vagando em seu jardim, vós a disséreis
A açucena viçosa entre as boninas,
Ou, entre os lumes da sidérea noite,
A estrela da manhã. E, todavia,
Ignorava o poder de seus encantos:
No mundo que a cercava, outras imagens,
Outros amores não sonhava ainda,
Além de sua mãe que a idolatrava,
De seu pequeno irmão, de suas flores.

E eu amava aquele anjo como se amam
Os sonhos d’inocência doutra idade,
Ou como essas visões que nos enlevam,
De mundos d’harmonia a que aspiramos.

Vi-a uma vez ao descair da tarde,
No jardim assentada ao pé da fonte,
Olhando o tenro irmão; que em seu regaço
Depusera as boninas que ajuntara.
No regaço também, junto das flores,
Repousava, serena dormitando,
A pomba que ele amava, e que sem medo
Viera procurar tão doce ninho:
Nunca a meus olhos se mostrou tão bela,
Tão cheia d’inocência. D’alvas roupas
Suas formas angélicas cingidas,
Se desenhavam, em gentil contorno,
Nas verdes murtas que o jardim ornavam:
Parecia qual cisne repousando
Entre a verdura, do seu lago à beira.

Uma rosa nevada, como as roupas,
Lhe adornava as madeixas cor da noite,
As formosas madeixas que nessa hora
Contrastavam mais negras e mais belas,
Coa leve palidez que reflectia,
Em seu rosto adorável e sereno,
O clarão melancólico da tarde.
Com terna languidez a face meiga
Recostava na mão, curvado o braço,
Enquanto com a outra ora afagava
Sua pomba querida, ora os cabelos
Compunha ao doce infante, que, sorrindo,
Uma após outra lhe mostrava as flores.

Ao vê-la assim formosa, ao ver o grupo
Que fazia com ela um par mimoso,
A mente arrebatada figurou-ma
Celeste arcanjo que baixara ao mundo
A recolher as orações da tarde,
E que o infante e a pomba achando juntos,
E a inocência do céu vendo na terra
Dos irmãos se esquecera e ali ficara.

Arcanjo da inocência, ai foge, foge!
Não te iluda este mundo onde pousaste,
Este mundo falaz, de ti indigno,
Que tuas asas de brancura estreme
Com seu veneno talvez manche um dia.
Arcanjo d’inocência, ai foge! foge!
Procura teus irmãos, revoa à pátria!
E fugiu, e voou. No mesmo sítio,
Uma tarde também junto da fonte,
A mãe a foi achar sozinha e triste.
Em suas plantas uma rosa branca
Jazia desfolhada: era das flores
A flor que mais queria. Ao ver ao lado
A mãe que idolatrava, estremecera.
Pobre inocente! receou acaso
Não poder por mais tempo disfarçar-lhe
Seu cruel padecer. A ardente febre
Lhe devorava o seio, e não gemia.
Mas seu dia chegava… A exausta fronte
Lhe pendeu sem alento, e imersa em pranto,
No regaço da mãe sumiu a face,
Que já cobria a palidez da morte.
Três dias depois deste a flor mimosa
Que as grinaldas celestes invejavam,
Caía desfolhada no sepulcro.

Eu amo a rosa branca das campinas,
A branca rosa, que ao soprar do vento
Lânguida verga para o chão pendida.

Fonte: 
Poesias de Soares de Passos. 1858 (1ª ed. em 1856). http://groups.google.com/group/digitalsource

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Socorro Lima Dantas (Ah, se eu fosse um pássaro)

Ah, se eu fosse um pássaro
Livre, partiria,
E sem duas vezes pensar
Voaria… Voaria…
Pelo espaço, e sem rumo…
Flutuaria sonhando pelo ar
Para a minha fantasia realizar:
O céu alcançar, passear pelas nuvens,
Deslizar entre as estrelas, abraçar a lua,
E neste voo coreografado
Com a mais pura exaltação
Cantar a minha canção.
E quando eu sentisse a sedução do teu olhar,
As fortes batidas do teu coração,
Eu bateria asas com leveza
Pousaria em teu ombro
Deslizaria o meu bico em teu rosto
Contemplaria os teus olhos
E a tua face, com amor, eu beijaria.

Fonte:
AVSPE, por e-mail.

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Clevane Pessoa (Rastros Poéticos: de Pessoa para Pessoa)

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Carlos Lúcio Gontijo (Caminhada)

Deixe um comentário

16 de dezembro de 2012 · 22:12

Olivaldo Junior (Para Nós)

Tentei falar o que não posso. Tentei poder o que não falo. Tentei falar. Não consegui. Jamais adiantaria.

Para nós, nenhum pára-raios
daria um jeito no curto-circuito.
Somos fogo, mas se apaga
nossa história.
Sei que me apego,
mas não te pego.
Só me afogo, pois quem paga
toda a conta
sou eu.
Eu, que me meto a cantar,
que te canto adoidado,
mas não sei onde eu ando.
Ando sempre ao lado
de onde você não me nota,
de onde você faz de conta
que eu não sou amado.
Para nós, nenhum parabéns
faria efeito no longo descuido
que bem tivemos conosco.
Moji Guaçu, SP, dez de dezembro de 2012.
Fonte:
O Autor

Deixe um comentário

Arquivado em Moji-Guaçu, poema.

Ruth Rocha (Quem tem medo de quê?)

Eu vou contar pra você
O que é meu maior segredo.
Há uma coisa no mundo
Que me mete muito medo!
Não tenho medo do pai,
Nem da mãe e nem do irmão.
Mas eu tenho muito medo
Do barulho do trovão!

Do trovão? Mas que bobagem!
Que medo mais infantil!
Quando o trovão faz barulho
O raio até já caiu…
Medo eu tenho, vou dizer…
De uma coisa muito mixa…
Mas o que é que eu vou fazer?
Eu detesto lagartixa!

Lagartixa? Vejam só!
Isso parece piada…
Nem ligo pra lagartixa!
Acho ela uma coitada!
Sabe do que eu tenho medo?
Que me dói o coração?
Até me arrepia a espinha…
Tenho medo… de injeção!

Ah, de injeção eu não gosto,
Mas não fico apavorado.
Existe só uma coisa
Que me deixa até gelado…
Do que eu tenho muito medo,
Que me deixa num apuro…
É uma coisa meio besta.
É ter de ficar no escuro…

Que medo mais bobo o seu!
Não tenho medo de escuro.
É só acender a luz
E pronto! Acaba-se o escuro!

Do que eu tenho muito medo,
O que me causa pavor,
É de pensar em vampiro.
Vampiro me causa horror!

Vampiro não me dá medo…
Acho que eu nunca senti…
Tenho medo do que existe!
E não do que eu nunca vi.

Mas existe uma coisinha…
Eu de medo até me encolho!
Eu tenho um medo danado
Mas é de pegar piolho!

Piolho é um bichinho à-toa…
Não complica nossa vida.
É coisa que a gente cura
Com sabão e inseticida!
Agora, mais perigoso,
Pra mim, até que leão,
Tenho medo é de cachorro,
Cachorrinho ou cachorrão!

De cachorro eu até que gosto.
Na minha casa tem três.
Agora, do que eu tenho medo
Eu vou contar de uma vez.
Não tenho medo de nada!
Nem de bicho nem ladrão!
Mas apesar de valente
Tenho medo de avião!

Avião é uma delícia!
Ando pra baixo e pra cima…
Não tenho medo nenhum,
Desde que era pequenina.
Mas peru, pato, galinha,
Galo, grande ou garnisé,
Tudo que é bicho de pena
Me põe de cabelo em pé!

Pelo que eu vejo, pessoal,
Ter medo não é vergonha.
Todo mundo tem um medo,
Que a gente nem mesmo sonha.
E eu agora vou andando,
Não temo bicho, nem homem!
Mas está chegando a hora
De aparecer lobisomem…

Fonte:
Revista Nova Escola

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Soares de Passos (O Noivado do Sepulcro)

BALADA
Vai alta a lua! na mansão da morte
Já meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.
Que paz tranquila!… mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
D’entre os sepulcros a cabeça ergueu.
Ergueu-se, ergueu-se!… na amplidão celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.
Ergueu-se, ergueu-se!… com sombrio espanto
Olhou em roda… não achou ninguém…
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.
Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:
«Mulher formosa, que adorei na vida,
«E que na tumba não cessei d’amar,
«Por que atraiçoas, desleal, mentida,
«O amor eterno que te ouvi jurar?
«Amor! engano que na campa finda,
«Que a morte despe da ilusão falaz:
«Quem d’entre os vivos se lembrara ainda
«Do pobre morto que na terra jaz?
«Abandonado neste chão repousa
«Há já três dias, e não vens aqui…
«Ai, quão pesada me tem sido a lousa
«Sobre este peito que bateu por ti!
«Ai, quão pesada me tem sido!» e em meio,
A fronte exausta lhe pendeu na mão,
E entre soluços arrancou do seio
Fundo suspiro de cruel paixão.
«Talvez que rindo dos protestos nossos,
«Gozes com outro d’infernal prazer;
«E o olvido cobrirá meus ossos
«Na fria terra sem vingança ter!
– «Oh nunca, nunca!» de saudade infinda
Responde um eco suspirando além…
– «Oh nunca, nunca!» repetiu ainda
Formosa virgem que em seus braços tem.
Cobrem-lhe as formas divinas, airosas,
Longas roupagens de nevada cor;
Singela c’roa de virgínias rosas
Lhe cerca a fronte dum mortal palor.
«Não, não perdeste meu amor jurado:
«Vês este peito? reina a morte aqui…
«É já sem forças, ai de mim, gelado,
«Mas inda pulsa com amor por ti.
«Feliz que pude acompanhar-te ao fundo
«Da sepultura, sucumbindo à dor:
«Deixei a vida… que importava o mundo,
«O mundo em trevas sem a luz do amor?
«Saudosa ao longe vês no céu a lua?
– «Oh vejo sim… recordação fatal!
– «Foi à luz dela que jurei ser tua
«Durante a vida, e na mansão final.
«Oh vem! se nunca te cingi ao peito,
«Hoje o sepulcro nos reúne enfim…
«Quero o repouso de teu frio leito,
«Quero-te unido para sempre a mim!»
E ao som dos pios do cantor funéreo,
E à luz da lua de sinistro alvor,
Junto ao cruzeiro, sepulcral mistério
Foi celebrada, d’infeliz amor.
Quando risonho despontava o dia,
Já desse drama nada havia então,
Mais que uma tumba funeral vazia,
Quebrada a lousa por ignota mão.
Porém mais tarde, quando foi volvido
Das sepulturas o gelado pó,
Dois esqueletos, um ao outro unido,
Foram achados num sepulcro só.
Fonte:
Poesias de Soares de Passos. 1858 (1ª ed. em 1856). http://groups.google.com/group/digitalsource

Deixe um comentário

Arquivado em poema., Portugal

Carlos Lúcio Gontijo (Minha BH interior)

(Aos 115 anos de Belo Horizonte, em 12 de dezembro de 2012)
Pampulha, Praça 7, Afonso Pena e Pirulito
Tudo ali é rito de cativante fonte de prosa
Horizonte embebido em aragem de luz
Soa o sino da Igreja da Boa Viagem
Abraço floresce tal qual sina de semente
Cultivada no regaço do Parque Municipal
O bate-papo termina no chope de um bar
Balcão de boteco se transforma em beira-mar
Toda Belo Horizonte cheira a Mercado Central
Mineiro é sinônimo de encontro marcado
Ressabiado como se meeiro de algum ouro fosse
Nunca se perde nem anda a esmo
Tem a si mesmo como provinciana capital
Tece arte e canta no ?clube da esquina? do amor
Por isso percebe em BH o seu próprio interior!

Deixe um comentário

Arquivado em homenagem, poema.

Soares Passos (O Outono)

Eis já do lívido outono
Pesa o manto nas florestas;
Cessaram as brandas festas
De natureza louçã.
Tudo aguarda o frio inverno;
Já não há cantos suaves
Do montanhês e das aves,
Saudando a luz da manhã.
Tudo é triste! os verdes montes
Vão perdendo os seus matizes,
As veigas e os dons felizes,
Tesouro dos seus casais;
Dos crestados arvoredos
A folha seca e mirrada,
Cai ao sopro da rajada,
Que anuncia os vendavais.
Tudo é triste! e o seio triste
Comprime-se a este aspecto;
Não sei que pesar secreto
Nos enluta o coração.
É que nos lembra o passado
Cheio de viço e frescura,
E o presente sem verdura
Como a folhagem do chão.
Lembra-nos cada esperança
Pelo tempo emurchecida,
Mil áureos sonhos da vida
Desfeitos, murchos também;
Lembram-nos crenças fagueiras
Da inocência doutra idade,
Mortas à luz da verdade,
Criadas por nossa mãe.
Lembram-nos doces tesouros
Que tivemos, e não temos;
Os amigos que perdemos,
A alegria que passou;
Lembram-nos dias da infância,
Lembram-nos ternos amores,
Lembram-nos todas as flores
Que o tempo à vida arrancou.
E depois assoma o inverno.
Que lembra o gelo da morte,
Das amarguras da sorte
Última gota fatal…
É por isso que estes dias
Da natureza cadente,
Brilham n’alma tristemente
Como um círio funeral.
Mas ânimo! após a quadra
De nuvens e de tristeza,
Despe o luto a natureza,
Revive cheia de luz:
Após o inverno sombrio
Vem a flórea primavera,
Que novos encantos gera,
Nova alegria produz.
Os arvoredos despidos
Se revestem de folhagem;
Ao sopro da branda aragem
Rebenta no campo a flor:
Tudo ao vê-la se engrinalda,
Tudo se cobre de relva,
E as avezinhas na selva
Lhe cantam hinos d’amor.
Ânimo pois! como à terra,
Também à nua existência
Vem, após a decadência,
Às vezes tempo feliz;
E a vida gelada, estéril,
Que o sopro da morte abala,
Desperta cheia de gala,
Cheia de novo matiz.
Ânimo pois! e se acaso
Nosso destino inclemente,
Em vez de jardim florente,
Nos aponta o mausoléu;
Se a primavera do mundo
Já morreu, já não se alcança,
Tenhamos inda esperança
Na primavera do Céu!
Fontes:
Poesias de Soares de Passos. 1858 (1ª ed. em 1856). http://groups.google.com/group/digitalsource

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Soares de Passos (A Camões)

Ai do que a sorte assinalou no berço
Inspirado cantor, rei da harmonia!
Ai do que Deus às gerações envia
Dizendo – vai, padece, é teu fadário;
Como um astro brilhante o mundo o admira,
Mas não vê que essa chama abrasadora
Que o cerca d’esplendor, também devora
     Seu peito solitário.
Pairar nos céus em alteroso adejo,
Buscando amor, e vida, e luz, e glórias;
E ver passar, quais sombras ilusórias,
Essas imagens de fulgor divino:
Tais s o vossos destinos, ó poetas,
Almas de fogo, que um vil mundo encerra;
Tal foi, grande Camões, tal foi na terra
     Teu mísero destino.
A cruz levaste desde o berço à campa:
Esgotaste a amargura ate às fezes:
Parece que a fortuna em seus revezes
Te mediu pelo génio a desventura.
Combateste com ela como o cedro
Que provoca o rancor da tempestade,
Mas cuja inabalável majestade
     Lhe resiste segura.
Foste grande na dor como na lira!
Quem soube mais sofrer, quem sofreu tanto?
Um anjo viste de celeste encanto,
E aos pés caíste da visão querida…
Engano! foi um astro passageiro,
Foi uma flor de perfumado alento
Que ao longe te sorriu, mas que sedento
     Jamais colheste em vida.
Sob a couraça que cingiste ao peito
Do peito ansioso sufocaste a chama,
E foste ao longe procurar a fama,
Talvez, quem sabe? procurar a morte.
Mas, qual onda que o náufrago arremessa
Sobre inóspita praia sem guarida,
A morte crua te arrojou a vida,
     E as injúrias da sorte.
De praia em praia divagando incerto
Tuas desditas ensinaste ao mundo:
A terra, os homens, ‘té o mar profundo
Conspirados achavas em teu dano.
Ave canora em solidão gemendo,
Tiveste o génio por algoz ferino:
Teu alento imortal era divino,
     Perdeste em ser humano:
Índicos vales, solidões do Ganges,
E tu, ó gruta de Macau, sombria,
Vós lhe ouvistes as queixas, e a harmonia
Desses hinos que o tempo não consome.
Foi lá, nessa rocha solitária,
Que o vate desterrado e perseguido,
À pátria, ingrata, que lhe dera o olvido,
     Deu eterno renome.
«Cantemos!» disse, e triunfou da sorte.
«Cantemos!» disse, e recordando glórias,
Sobre o mesmo teatro das vitórias,
Bardo guerreiro, levantou seus hinos.
Os desastres da pátria, a sua queda,
Temendo já no meditar profundo,
Quis dar-lhe a voz do cisne moribundo
     Em seus cantos divinos.
E que sentidos cantos! d’Inês triste
Se ouve mais triste o derradeiro alento,
Ensinando o que pode o sentimento
Quando um seio que amou d’amores canta:
No brado heróico da guerreira tuba
O valor português soa tremendo,
E o fero Adamastor com gesto horrendo
     Inda hoje o mundo espanta!
Mas ai! a pátria não lhe ouvia o canto!
Da pátria e do cantor findava a sorte:
Aos dois juraram perdição e morte,
E os dois juntaram na mansão funérea…
Ingratos! ao que, alçando a voz do génio
Além dos astros nos erguera um sólio,
Decretaram por louro e capitólio
     O leito da miséria!
Ninguém o pranto lhe enxugou piedoso…
Valeu-lhe o seu escravo, o seu amigo:
«Dai esmola a Camões, dai-lhe um abrigo!»
Dizia o triste a mendigar confuso!
Homero, Ovídio, Tasso, estranhos cisnes,
Vós, que sorvestes do infortúnio a taça,
Vinde depor as c’roas da desgraça
     Aos pés do cisne luso!
Mas não tardava o derradeiro instante…
O raio ardente, que fulmina a rocha,
Também a flor que nela desabrocha,
Cresta, passando, coas etéreas lavas!
Que cena! enquanto ao longe a pátria exangue
Aos alfanges mouriscos dava o peito,
De mísero hospital num pobre leito,
     Camões, tu expiravas!
Oh! quem me dera desse leito à beira
Sondar teu grande espírito nessa hora,
Por saber, quando a mágoa nos devora,
Que dor pode conter um peito humano;
Palpar teu seio, e nesse estreito espaço
Sentir a imensidade do tormento,
Combatendo-te n’alma, como o vento,
     Nas ondas do Oceano!
O amor da pátria, a ingratidão dos homens,
Natércia, a glória, as ilusões passadas,
Entre as sombras da morte debuxadas,
Em teu pálido rosto já pendido;
E a pátria, oh! e a pátria que exaltaras
Nessas canções d’inspiração profunda,
Exalando contigo moribunda
     Seu último gemido!
Expirou! como o nauta destemido,
Vendo a procela que o navio alaga,
E ouvindo em roda no bramir da vaga
D’horrenda morte o funeral presságio,
Aos entes corre que adorou na vida,
Em seguro baixel os põe a nado,
E esquecido de si morre abraçado
     Aos restos do naufrágio:
Assim, da pátria que baixava à tumba,
Em cantos imortais salvando a pátria,
E entregando-a dos tempos à memória,
Como em gigante pedestal segura:
«Pátria querida, morreremos juntos!»
Murmurou em acento funerário,
E envolvido da pátria no sudário
     Baixou à sepultura.
Quebrando a lousa do feral jazigo,
Portugal ressurgiu, vingando a afronta,
E inda hoje ao mundo sua glória aponta
Dos cantos de Camões no eterno brado;
Mas do vate imortal as frias cinzas
Esquecidas deixou na sepultura,
E o estrangeiro que passa, em vão procura
     Seu túmulo ignorado.
Nenhuma pedra ou inscrição ligeira
Recorda o grã cantor… porém calemos!
Silêncio! do imortal não profanemos
Com tributos mortais a alta memória.
Camões, grande Camões; foste poeta!
Eu sei que tua sombra nos perdoa:
Que valem mausoléus antes a coroa
     De tua eterna glória?
Fonte:
Poesias de Soares de Passos. 1858 (1ª ed. em 1856). http://groups.google.com/group/digitalsource

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Carlos Drummond de Andrade (Amar)

Deixe um comentário

21 de novembro de 2012 · 22:56

Cláudia Dimer (O Sol e a Lua)

Deixe um comentário

20 de novembro de 2012 · 21:52

Olivaldo Junior (Quando eu volto para casa)

Então, quando eu volto para casa,
lembro o quanto te amo
e preciso amar.
E arrumo um jeito
de escrever mais um verso,
pra ver se no peito
eu inauguro outro universo.
Versos curtos, brancos…
Lábios mudos, francos…
Certos lutos, pranto,
que ninguém é santo
nesse altar pagão.
Pra quem amo tanto,
minha forma de estrela
desfaz-se em canto.
Então, quando eu volto, paro as asas,
lembro o quanto te amo
e preciso andar.
Fonte:
Colaboração do autor

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Raquel Ordones (Guardados de Mim)

Deixe um comentário

14 de novembro de 2012 · 22:21

João Anzanello Carrascoza (Ponta da Língua)

Ilustração: Clouds
Cheia de graça é a nossa língua, portuguesa.
 Você nem precisa aprender o á-bê-cê para rir com ela.
 Desde pequeno já ouve dizer que mentira tem pernas curtas.
 E mentira tem pernas?
 E a verdade? A verdade tem pernas longas?
 E quando dói a barriga da perna?
 Ou quando ficamos de orelha em pé?
 O que a barriga tem a ver com a perna, e orelha com o pé?
 Pra ser divertido, não leve nada ao pé da letra!
 Até porque letra não tem pé. Ou tem?
 Pé-de-meia é o dinheiro que a gente economiza.
 Pé-de-moleque, doce de amendoim.
 Dedo de prosa é papo rápido.
 Dedo-duro é traidor.
 Pão-duro, pessoa egoísta.
 E boca da noite? E céu da boca?
 É uma brincadeira atrás da outra!
 Cabeça de cebola, dente de alho, braço de mar.
 Com a nossa língua, a gente pode pegar a vida pela mão.
 Pode abrir o coração. Pode fechar a tristeza.
 A gente pode morrer de medo e, ao mesmo tempo, estar vivinho da silva.
 Pode fazer coisas sem pé nem cabeça.
 Mas brincar com palavras também é coisa séria.
 Basta errar o tom e você vai parar no olho do furacão.
 Então, divirta-se. Cuidado só para não morder a língua portuguesa
Fonte:

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Olivaldo Junior (Fim de Feira)

Pintura: Adriane Freire
Recolho a lona, aluno aplicado
em não ser mal-educado,
escrevendo como se o Olivaldo
pudesse lhe dar respaldo
para o sol que você não queria
obrigado.
Tiro as ripas, roubo a estrutura.
Estruturo o silêncio, silencio.
Mas o cio das letras me tortura
e sou mais um no meu vazio.
Não há mais sol de querosene,
não há mais lua de metáforas,
não há mais eu que só lhe acene,
nem há mais rua de semáforos,
fechados sinais
a quem tem pressa:
– Te interessa?
Guardo as tralhas que ninguém
de mim mais quer, aguardo.
É, o fim de feira me aperta,
pois sou, amigo, o seu poeta,
a linha reta que te entorta,
o torto ao peito que se porta
como se fosse só de morte.
Fonte:
O Autor

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Clevane Pessoa (Idade)

Deixe um comentário

12 de novembro de 2012 · 22:32

Francisco Pessoa (Meu irmão, se morreres vou contigo!)

Para Ademar Macedo
Confissão de um amor que agora faço
um amor que surgiu tão de repente
e que mais de repente, renitente,
apossou-se de nós em passo a passo
Mirian e Dalvinha são o laço
que apertando nós dois num nó amigo,
cada um se sentindo num abrigo
do outro, em total cumplicidade,
mesmo crendo na nossa eternidade
meu irmão, se morreres, vou contigo!
Fonte:
O Autor

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Carolina Ramos (Ama!)

Deixe um comentário

10 de novembro de 2012 · 18:45

Cecília Meireles (Mulher ao Espelho)

Deixe um comentário

9 de novembro de 2012 · 18:13

Cecilia Meireles (Aqui Está Minha Vida)

Deixe um comentário

7 de novembro de 2012 · 20:43

Heloísa Crespo (Ciranda “Professor Versos”) Parte VI – Heloísa Crespo (Sapiência)

Aprendi a vida inteira,
desde o momento em que fui
concebida no planeta.
Aprendi com os meus pais,
meus avós, meus professores.
Aprendi com os meus alunos,
meus amigos, meus vizinhos.
Aprendi e aprendo sempre
com os meus filhos,
com o mundo
em qualquer ocasião,
a toda hora,
o tempo todo,
sem cessar…
Aprendi a vida inteira.
E continuo aprendendo.
Sou um eterno aprendiz
porque sei que o meu saber
é tão pouco, quase nada.
Sei muito perante a quem?
Nada, em relação a quê?
Sou múltiplo… e sou único.
Sou sábio… e não sei tudo.
Fonte: 
Organização e Programação Visual: Heloisa Crespo 
Campos dos Goytacazes/RJ.

Deixe um comentário

Arquivado em Dia do professor, poema.

R. Borges / RS (Um Barco na Meia Estação)

O poeta é de Erexim/RS
=========
Coletânea Declame para Drummond 2012 
110º aniversário do poeta e vários poemas no meio do caminho pelo Brasil 

observo calado e despretensioso. 
tudo na paisagem está correto, penso, menos o barco. 
expliquem-me a moral das nuvens e a euforia dos ventos 
e ainda assim continuarei sem entender a impressão da cena. 
silenciosos. comparsas na leveza dos vapores e do espanto. 
e tudo, isso tudo, por vagarmos sem consciência cartográfica. 
ele feito madeira e pregos, eu, cálcio e dúvidas. 
duas testemunhas da lógica vulgar das planícies. 
águas barrentas, o avermelhado da tarde que se vai… 
o sol partido no espelho perturbador do lago… 
sem perguntas, sem hipóteses. Sem um “haverá outro porto…”
 – ou alguém na multidão… 
ficarei sem entender o errado nele, e ele, 
sem entender o errado em mim. Iguais. 
surpreendidos na estranha trama da alteridade. 
o barco navegando sozinho, o marujo viajando nas margens… 
Se ao menos tu tivesses lido meu poema… 
os faróis vestiriam a cor dos plátanos na meia estação. 

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Edi Longo/SP (Salada Poética )

Edi é de São Paulo/SP
—-
Da coletânea Declame para Drummond 2012
110º aniversário do poeta e vários poemas no meio do caminho pelo Brasil
Clarice disse:
“só conheço duas formas de descobrir se o mundo é redondo:
estudando ou sendo feliz”.
Chico cochichou:
“devagar é que não se vai longe”
Vinícius vaticinou:
“sei não, sei não, a vida tem sempre razão”
Drummond dramou:
“há uma pedra no caminho”
Pessoa apessoou:
“o poeta é um fingidor”
E, eu, num “insight” bendito
peguei tudo o que foi dito
escrito bonito
fiz uma salada poética
sem qualquer rima ou métrica:
…vesti-me de aprendiz
…crédula como um monge
…peguei a vida na mão
…da pedra fiz um carinho
…fingindo ser fingidor…
bem, foi o Pessoa quem falou!
E a minha mente acreditou.
Será que poeta sou? 

Deixe um comentário

Arquivado em homenagem, poema.

Heloísa Crespo (Ciranda “Professor Versos”) Parte IV – Berenice Guedes (Ideal de Normalista)

Quando entrei no Magistério
Pensava mudar o Mundo!
Ensinar era Mistério
Dos maiores, mais profundos!
Quarenta anos depois
Vejo meus sonhos perdidos…
Mas tentei com mil ou dois
E alguns não foram vencidos:
Houve uns que conseguiram
Conhecimento alcançar.
Superaram-me! E seguiram
E hoje podem me ensinar!
Entretanto muitos outros
Ficaram pelo caminho
Com conhecimentos rotos
Embora roupa de arminho!
Penso então, eu, muitas vezes
Se fiz tudo o que podia?!…
– Entre vitórias, revezes,
Esforcei-me todo o dia! –
Professora Normalista
Eu amei o que fazia!
Alegra-se minha vista
Quando me vêem e: “Bom dia!”
Uma coisa tenho certa
Mil amigos! Eu os fiz!…
Abri-lhes a porta certa
E, por eles… Sou feliz!.
Fonte:
Organização e Programação Visual: Heloisa Crespo
Campos dos Goytacazes/RJ.

Deixe um comentário

Arquivado em Dia do professor, homenagem, poema.

Edinar Corradini / RJ (Meu Poeta)

Edinar é de Teresópolis/RJ
—-
Da coletânea Declame para Drummond 2012
110º aniversário do poeta e vários poemas no meio do caminho pelo Brasil
Me debruço sobre teus poemas, sinto-me viva.
E mansamente minha alma Cresce
Cada verso teu acorda meus sonhos
Por sentir teu cantante em meus ouvidos
Passear pelos versos num florir de das palavras
Em minha mente aquela essência
Como um perfume de uma flor que o vento trás
Vejo teus versos conversar comigo 

Deixe um comentário

Arquivado em Estado do Rio de Janeiro, homenagem, poema.

Elicio Pontes / DF (Romantismo)

Da coletânea Declame para Drummond 2012 
110º aniversário do poeta e vários poemas no meio do caminho pelo Brasil 

Escrever poemas derramados 
falando sempre de amor 
era algo que eu não me permitia. 
Pedi socorro, então, a quem devia. 
Busquei Vinícius de Moraes: 
– meu deus, como ele sabia! 
Como dizia loucuras de amor 
com seu jeito vinícius. 
O grandioso poetinha 
era lírico, romântico, despejado 
e vergonha disso, não tinha. 
Carlos, esse Drummond, então 
não falava apenas de uma pedra 
e do caminho ocupado pela pedra 
nem sofria somente com os josés 
e seus impasses desesperados 
sem saber aonde ir, agora. 
(…) Deixai-me verter lágrimas 
sofrer e gozar as paixões 
eleger e cantar minha musa, 
a mulher inesperada 
que então se fez poesia. 

Deixe um comentário

Arquivado em Distrito Federal, homenagem, poema.

Sória Celestino / SP (Imortal)

Da coletânea “Declame para Drummond 2012“

O que dizer, que sem ti,
Faltam-me as palavras e o verso,
Que o sol há muito perdi,
Em treva e inverno imerso.

A frágil rosa que teu corpo adubou,
Só demonstra aquilo que tu és,
Cinzas e saudades do que passou,
Da explosão da vida o revés.

A mim resta apenas a dor,
O vazio que nada completa,
Por ter sido apartado do amor,
Pela morte que todo sonho deleta.

Se a ti cabe a eternidade,
A mim, efêmeros momentos,
Diante da veracidade,
Em meio há tantos tormentos.

De que apenas somos pó,
E a ele voltaremos,
Imortal mesmo só,
O amor que devotemos.

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Lilia Diniz / DF (Do que Cabe no Poema)

da coletânea Declame para Drummond 2012
As cutias da praça da república 
não cabem nesse poema. 
Acostumadas à presença 
do bicho homem 
transitam livremente 
entre seus olhos sem o cuidado dos roedores 
como se fossem os gatos 
que ali vivem. 
Os gatos da praça da república 
também não cabem nesse poema 
eles não fazem das cutias 
presas à sua fome felina 
não exercem sua predileção natural por roedores 
As árvores da praça da república 
Ah! As árvores da praça da república 
estas sim, cabem no poema 
Cercadas de cimento vivem sua vocação de árvores 
brotam raízes aéreas 
que descem até o chão 
rompem a dureza asfáltica 
penetram a terra cuidadosamente 
silenciosamente e esta, a terra 
abre suas entranhas se deixando possuir 
Até que o homem 
(que aliás, não cabe nesse poema) 
interrompa o coito sereno 
dessas amantes lésbicas 
que poetizam a vida urbana 

Deixe um comentário

Arquivado em poema.

Isabel Furini (Poema infantil: Poesia e Poema)

 (Leitura recomendável: a partir de 8 anos).

 Na porta do prédio,
 o poeta falava com Maria:
 – Poemas são ondas
 no oceano da poesia,
 mas há alguns dias
 eu não tenho inspiração.

 Nesse mesmo momento,
 uma gatinha sapeca
 que brincava no parapeito
 da janela
 deixou cair seu brinquedo…
 A boneca aterrissou na cabeça do poeta.
 Plaf!

 E de repente, uma luz:
 – Você quer me conhecer?
 Eu sou a Poesia.

 O poeta olhou o céu e começou a poetar:

 A poesia é deserto, céu, ar, luz, mar…
 Poemas são como areia,
 poemas são como o vento,
 poemas são como as ondas
 que agitam o belo mar.

 O poeta abriu os olhos
 e exclamou:
 – Os poemas são como pássaros,
 livres pássaros e pássaros prisioneiros,
 pássaros voando no céu,
 aprisionados nas letras,
 aprisionados nos livros,
 quase canções do mar.

 Rindo, a Maria falou:
 – Agradeça a esse gatinha,
 você estava na ruína.
 Dê a ela um brinquedo novo,
 mostre a sua gratidão,
 pois voltou a sua inspiração.

Fonte:

Deixe um comentário

Arquivado em Curitiba, poema.

Paulo Vieira Pinheiro (Apocalipse 1)

O sol nasce, insiste, nasce
a mente turva embaraça
não pensa, teme a morte
ensinaram que tudo acabará

há, dizem, uma única porta
e a sua chave está a venda
seu preço é bom, a tua Alma
para salvar-te deves vendê-la

para aliviar a dor um sacrifício
a inocência, a vergonha, mais
hoje coisas que nos fazem rir
temos de ser mais iguais?

dói reconhecer que as igrejas
são meios de atingir um fim
nelas quem fala com Deus?
quem O compreende profundamente?

o fim do mundo está além da imaginação
não é só o que está no último livro
o fim daquilo que não entendemos
uma outra marcha que não ousamos

as páginas que não entendemos
são as que nos embrulham
mercadorias de troca e baixo custo
somos no fim o fim do caminho.

Fonte:
Exercícios de Palavras e Expressões

Paulo Vieira Pinheiro (Apocalipse 1)

O sol nasce, insiste, nasce
a mente turva embaraça
não pensa, teme a morte
ensinaram que tudo acabará

há, dizem, uma única porta
e a sua chave está a venda
seu preço é bom, a tua Alma
para salvar-te deves vendê-la

para aliviar a dor um sacrifício
a inocência, a vergonha, mais
hoje coisas que nos fazem rir
temos de ser mais iguais?

dói reconhecer que as igrejas
são meios de atingir um fim
nelas quem fala com Deus?
quem O compreende profundamente?

o fim do mundo está além da imaginação
não é só o que está no último livro
o fim daquilo que não entendemos
uma outra marcha que não ousamos

as páginas que não entendemos
são as que nos embrulham
mercadorias de troca e baixo custo
somos no fim o fim do caminho.

Fonte:

Deixe um comentário

Arquivado em Monteiro Lobato/SP, poema.