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Luiz Otávio (Oração do Poeta)

Fonte:
RAMOS, Carolina. Príncipe da Trova. SP: EditorAção, out 1999. Capa final.

Poema e rosto de Luiz Otávio sobre pintura “O Poeta”, de Manoel Castro

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Arquivado em poema.

Mensagem em Imagens 3 – John Turner e Geoffrey Parsons

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1 de setembro de 2013 · 19:10

Manuel Alegre e António Portugal (Trova do Vento que Passa)

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio — é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Fonte:
http://delta4.no.sapo.pt/malegre13.html

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Arquivado em poema., Portugal

Olivaldo Junior (Para o Amor que me Mata)

Não direi o quanto estou cansado e desterrado de mim.
Olivaldo

Faço, para o amor que me mata,
este modo de meter medo
em quem não tem medo de nada.

Nada, caro amor que me mata,
supera este mito que mora
tão fora da meta, tão na estrada,
que está mesmo na aurora,
o resto de estrelas, na alvorada.

Tudo, caro amor que promete,
separa este moço que muda
sem nada mudar e sem confete,
que este amor não me muda,
poeta de estrondos, tipo NET.

Fonte:
O Autor

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Arquivado em Moji-Guaçu, poema.

Marluce Portugaels (Eu Vou Cantar o Meu Rio)

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de muitas voltas 
 mil meandros tem o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de margens largas 
 como é bonito o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de terras caídas 
 barrancos toldam o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de aves ligeiras 
 garças voam sobre o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio cheio de estórias 
 lendas, causos contam o meu rio 
 O meu rio Juruá 

 Eu vou cantar o meu rio 
 meu rio de tantas lembranças 
 como é bom lembrar o meu rio 
 O meu rio Juruá

Fonte:

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Arquivado em Amazonas, poema.

Helena Kolody (Dom)

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24 de janeiro de 2013 · 22:22

Hildeberto Barbosa Filho / MA (Pequena Propedêutica Litúrgica ao Sagrado Corpo da Mulher Amada)

 nada
 é mais sagrado
 que o corpo da mulher
 amada

 o corpo
 da mulher amada
 é um evangelho de veredas
 abissais

 é uma planície habitada
 por silentes centopéias

 é sempre um país estranho
 estrangeiras águas
 donde vêm as violetas
 do amor

 o corpo
 da mulher amada
 está salpicado de picassos
 vermelhos
 e os milharais sobrevoam
 os corvos do coração

 o corpo
 da mulher amada
 sangra a cada mês
 a divina palidez das metáforas
 nuas

 o corpo
 da mulher amada
 tem vidraças
 tem chafarizes
 e tem colmeias
 e tem garças
 e tem antíteses

 procuremos
 no corpo da mulher
 amada
 os demônios do paraíso

 bebamos
 o corpo da mulher
 amada
 como os sedentos que naufragam
 nas miragens do deserto

 […]
 o corpo
 da mulher amada
 é para ser olhado como se olha
 uma paisagem de gerânios
 solitários

 é para ser tocado como se toca
 as harpas do sol
 é para ser consumido como se consome
 uma rara liturgia

 é para ser amado como se ama
 o secreto lume da noite
 derradeira

 pobre do amante
 que não alcança as mandalas
 eróticas

 os imprevistos rituais
 os translúcidos castiçais
 os lóbulos lacustres
 do corpo da mulher
 amada

 o corpo
 da mulher amada
 nunca morre
 o corpo
 da mulher amada
 nunca apodrece

 o corpo
 da mulher amada
 nunca é pornográfico

 nunca é banal
 nem árido
 nem deserto

 nunca é abjeto
 o corpo da mulher
 amada

 o corpo
 da mulher amada
 é alma tangível

 mais sagrado
 que o corpo da mulher
 amada
 só o beijo da mulher
 amada

 […]

Fonte:
FILHO, Hildeberto Barbosa. Nem morrer é remédio, Poesia reunida. João Pessoa, PB: Ideia Editora Ltda., 2012, p.259-265

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