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Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Manhã)

Hoje resolvi sair para dar uma pescada e andar a cavalo com o Luquinhas.

Como estava aqui no pc com ele, aguardando a chegada de alguns amigos, resolvi mandar esse poema Manhã para vocês.

Esse poema me lembra muito a vida do campo… das manhãs de minha infância.

Um forte abraço.
Sardenberg

Manhã

Antonio Manoel Abreu Sardenberg
São Fidélis/RJ “Cidade Poema”

Boceja o sol nessa manhã risonha
No céu brilhante de nuvens esparsas.
E no cenário do alto da montanha
Em revoada bailam lindas garças.

Na estrada estreita desponta um vaqueiro
Pelo aceiro tocando a boiada
Sob o comando de um feitor faceiro
Todo enfeitado para a namorada.

A manhã rompe enquanto a tarde brota,
E mais um dia foge se esvaindo…
O lusco – fusco no sertão se aporta,

E a cigarra, com seu cantar tão triste,
Dá boas – vindas à noite surgindo
O tempo avança – meu sonho persiste…

Fonte:

O Autor

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Arquivado em Estado do Rio de Janeiro, São Fidélis, Soneto.

Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Sabiá)

Sardenberg é de São Fidélis “Cidade Poema”, no Rio de Janeiro

Canta, sabiá, teu canto,
Canta só pra me encantar,
Solta essa voz maviosa,
Tão linda e maravilhosa,
Que tem forma de encanto
E abafa qualquer pranto
De quem te ouve cantar…

Canta este céu todo azul,
A brisa leve a correr,
A vontade de viver,
O desejo de amar.
Canta, meu sabiá, canta
Teu canto quero escutar!

E canta para os sofridos,
Nossos irmãos rejeitados,
Cante em bemol, sustenido,
Em ré, sol, lá, si ou dó…
Eu te faço esse pedido.
Que ele seja atendido
Mesmo numa nota só!

Mostra ao mundo violento
Esse dom que DEUS te deu…
Pois quem sabe, num momento,
Tu tocas o sentimento
De toda humanidade
Nela desperte a vontade
De ouvir o canto teu! 

Canta, canta, sabiá,
Pois quero ouvir teu cantar,
Canta pra mim a lembrança,
Dos meus tempos de criança,
Que não consigo apagar.

Fonte:
Poema e imagem enviados pelo autor

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Arquivado em poema., Rio de Janeiro, São Fidélis

Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Versos dos Meus Poemas)

Eu já fiz verso de amor,
De dor, de felicidade,
Fiz poema para a flor,
Para a angústia e a saudade.

Já viajei pelos prados,
Pelos montes e cidades,
Confessei os meus pecados
Nas rimas que fiz um dia,
Já cantei em um poema
Minha grande travessia.

Falei com a voz da razão
De capela e campanário,
Já cantei o bem-te-vi,
O curió e o canário.
Contemplei o colibri,
Num ambiente de calma
Voando pelo jardim
Que plantei dentro da alma.

Revelei minha conquista,
Falei de amor e paixão,
Abasteci o celeiro,
No meu mundo de ilusão,
Fiz verso de pão dormido,
De arroz, de soja e feijão,
Levei ao homem do campo
Toda minha gratidão!

Escrevi no meu diário
A rota, o rumo da vida,
Cantei a nossa canção
Enfrentando a minha lida,
Rezei naquela capela
Da minha infância querida.

Proseei coisas da roça,
Revelei a minha crença,
Caí no fundo do poço,
Vi na fé a diferença,
Curti só a minha fossa,
Falei do velho e do moço.

Lancei meu velho pião,
Fiz minha pipa voar…
E num surto de paixão
Conjuguei o verbo amar.
Busquei o beijo perdido
Que você não quis me dar.

Contemplei as suas mãos,
Delirei com seu olhar…
Vi meu mundo de ilusão
Naufragando em alto mar
Quando senti nosso abraço
Atado com num laço
Tão de repente afundar.

Embarquei no trem da vida,
Contemplei o sol poente,
Na primavera florida
Senti o sopro da brisa
Roçando o corpo da gente.

Falei também do verão
Que tanta lembrança me traz
Do meu tempo de rapaz
Que jamais vou esquecer…
Fiz poema pra você,
Implorei em verso a paz!

Cantei com garra e amor
O futuro da nação
Que pra mim está nas mãos
Do aguerrido professor.

Falei da beleza do céu,
Da estrela cintilante,
Versejei sobre o andante
Que vive perdido ao léu,
Vi o contraste da vida,
No poema Mel e Fel.

Falei, também, de procuras,
Desejo, alucinação,
Confessei minhas loucuras,
Libertei meu coração… 

Falei, enfim, da mulher
Em versos e poeminhas,
Que, pra mim, foi um dilema,
A mais cruel agonia:
Ousei fazer um poema,
Para a própria poesia!

Fonte:
O Autor

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Arquivado em poema., Rio de Janeiro, São Fidélis

Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Mãe)

Maternidade (por Vicente Romero Redondo)
POEMINHA À MÃE

Amor, carinho, ternura,
Afeto, afago, apego,
Meiguice, entrega, doçura,
O mais ardente aconchego.
Sentimento mais profundo,
Geratriz: razão da vida.
Concebeu, foi concebida…
Tu és MÃE, o próprio mundo!

AMOR DE MÃE

Seu ventre é solo fecundo
Que gera e abriga a vida,
É paixão sem ter medida
De um sonho realizado,
É aconchego do ninho
Que acolhe com carinho
O amor tão esperado.

Com sua voz acalenta
Com um canto delicado…
No seu peito amamenta
E com amor alimenta
O filho tão desejado!

Com a mão acaricia
Em toque meigo e sublime…
Seu brilhante olhar exprime
Na mais ardente paixão
O amor que também pulsa
No pequeno coração.

A sua boca tem beijo
Mais doce do que o mel,
Em sua prece o desejo
De dar para seu rebento
Um pedacinho do céu.

Na alma toda esperança
De um futuro promissor
Para o filho que gerou
De quem tanto quer o bem:
Que em sua caminhada
Consiga vencer também.

Que os anjos digam amém
E em coro com os arcanjos,
No mais harmonioso arranjo,
Cantem com todo fervor
Um hino de puro amor
Para a santa e amada MÃE!

Fonte:
Alma de Poeta

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Arquivado em Poemas, Rio de Janeiro, São Fidélis

Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Bloco do Amor)

Marca a cadência o tambor,
Já repica o tamborim,
Eu sou do bloco do amor,
Quero ser seu pierrô,
Seu palhaço e arlequim!

Quero ser seu mestre-sala
E sambar com muita arte,
Você segura o estandarte
Sambando livre e contente
Mostrando pra toda gente
Sua bela retaguarda –
Sua comissão de frente!

Quero cair na folia,
Sambar, levantar poeira,
Vou até raiar o dia
Da manhã de quarta-feira!

Vou tomar todas geladas,
Lembrar que a vida existe.
Só paro de madrugada
E, junto com minha amada,
Esquecer que o mundo é triste…

E quando a festa acabar,
O Rei Momo for deposto,
Volto de novo pro posto,
Do sonho vou acordar,
A vadiagem acabou!
É hora de trabalhar…

São Fidélis “Cidade Poema”/ RJ


Fonte:
Poema enviado pelo autor

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Arquivado em Poemas, Rio de Janeiro, São Fidélis

Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Antologia Poética)

ASSIM SERÁ

Foi você quem quis assim
Assim será!
Não vou mais me aborrecer
Nem me atormentar,
Não vou mais mandar e-mail,
Vou te deletar…

Dei meu afago, afeto, carinho,
Dei o meu colo pra você deitar,
Na noite de frio dei aconchego
E todo amor que se pode sonhar.

Dei o frescor da brisa suave
Que sopra na aurora bem de mansinho
Dei a cadência do vôo da ave
Que voa cadente em busca do ninho.

Dei pra você o meu mundo encantado
Um céu salpicado de constelações,
Dei o amor que tinha guardado,
Junto aos acordes de lindas canções.

Dei o apego de um homem apegado,
Afeito as coisas quem em vida vivi,
Dei o consolo e tive o cuidado,
De dar a você tudo o que você quis.

Tudo te dei em troca de nada,
Até os meus sonhos que um dia sonhei,
Dei pra você meus contos de fadas,
Mas vejo agora o quanto errei!

E é na presença de um homem presente,
Feliz e contente sem lamentar,
É que eu digo com todas as letras:
Você quis assim – e é assim que será.

ASTRO REI

O sol nasceu nesta manhã cinzenta,
Quase sem cor, sem luz e sem destino,
Quase perdido como nau sem porto
E mais disperso que alguém sem tino.

O sol nasceu nesta manhã de inverno,
Quase sem céu, sem terra e sem mar,
Como um errante louco e alucinado,
Quase sem nada para iluminar.

O sol nasceu nesta manhã tão pobre
Para um tão nobre astro que é o Rei
Que traz a luz a vida e o calor
E tantas coisas que ainda não sei.

O sol nasceu numa manhã sem nada,
Como uma estrada na escuridão,
Sem ter a luz que brilha e acalenta
Os passos firmes de nossos irmãos.

O sol se pôs numa tarde cinzenta,
Como nasceu no alvorecer do dia,
Quase sem cor, sem luz e sem destino
E mais disperso que alguém sem tino…

O sol morreu numa tarde cinzenta…

DEVAGAR EU VOU

Se me levar devagar eu vou,
Eu vou prá qualquer lugar,
Mas no tranco eu não vou, não vou,
Não fui feito pra empurrar…

Deixa a vida me levar,
Devagarzinho,
Sem ter pressa de chegar,
Sem encurtar meu caminho.
Quero contemplar a vida
Cheia de luz e de cor,
Quero sonhar o meu sonho,
Quero encontrar meu amor…

Deixa o sonho me levar,
Devagarzinho
Como um pássaro a voar
Para o seu ninho
Ter meu corpo envolvido
No seu abraço
E acordar bem de mansinho
No calor do seu regaço.

Deixa o tempo me levar
Devagarzinho,
Sentir a brisa soprar
No meu caminho
Contemplar a luz do dia
E o luar na madrugada
Sentir meu corpo roçando
No corpo da minha amada.

TREM DAS TRES

A vida vai de arrasto,
Do sonho nada me resta
E o que sentia tão vasto,
Vejo agora que não presta.

Pranto…prece…procissão,
Passo largo sem destino,
E o meu sonho de menino
Perdeu-se na multidão.

Mundo frio e infiel,
Face fosca e infeliz,
Boca amarga que nem fel,
Esperança por um triz!

Sai do trilho o trem das três,
A trilha fica sem rumo,
A vertical sai do prumo,
E o sonho morre de vez:
Embarcou no “trem das onze”
E apeou no trem das três.

SOL POENTE

Quando contemplo ao longe o sol poente
atrás do monte lá no infinito
sonho acordado o sonho mais bonito,
e tenho a fé de um homem forte e crente.

A luz suave, quase se apagando,
acende em mim um fogo tão ardente,
e ao pensar eu fico imaginando
o amor se pondo assim tão de repente.

O tempo passa e vem a madrugada
como um açoite castigando a gente
na aurora fria, escura e tão calada!

Oh… breve tempo tenha dó de mim
por que flagela um coração carente,
me machucando tanto, tanto, assim!

SORRISO

Esse seu sorriso aberto,
Mais lindo do que o luar
É como chuva miúda
Que faz a vida nascer
E a esperança germinar.

Ele é toque de ternura,
Toda candura que há,
É a beleza mais pura,
Tem a leveza e frescura
Da brisa que vem do mar.

Esse seu sorriso aberto
Transmite tanta energia
Que parece a luz do sol
Raiando ao nascer do dia.

Ele e doce que nem mel,
É como um jardim florido,
É pedacinho do céu,
O meu mundo colorido.

SER AVÔ

Ser avô é bom demais!
Bem melhor que pão de queijo,
Melhor que o primeiro beijo
Roubado da namorada
No escurinho do cinema
No Filme em que não vi nada.

Ser avô é muito bom!
É melhor que goiabada,
Chocolate, marmelada,
Morango com chantilly,
Do que cerveja gelada,
Do que picanha na brasa,
Do que pato ao tucupi.

Ser avô é ter reinado
Sem coroa e sem ter trono,
É sentir do mundo o dono
Diante do seu netinho,
Que chegou devagarzinho
E que em menos de um segundo
Tomou conta do pedaço
Pra reinar em nosso mundo…

NAMORAR EM SONHOS

Namorei por toda a vida
Todos os sonhos que sonhei,
Até meus sonhos perdidos
Confesso que namorei!

Namorei sonhos distantes,
Que senti, mas não toquei,
E até meus sonhos errantes,
Confesso: também gostei!

Namorei sonhos do sul,
Do norte e do nordeste,
Sonho rosa, sonho azul,
Sonho do centro e sudeste,
Sonhos que tanto sonhei
Mas que tu nunca me deste!

Namorei sonhos dourados,
Pretos, brancos, coloridos,
Sonhos nunca imaginados
Que me tocaram os sentidos.

Namorei sonhos da noite
E também da madrugada;
Sonhos doces de criança
Com a primeira namorada,
Sonhos que se perderam
Na poeira das estradas…

Mas o sonho mais bonito,
Com gostinho de maçã,
Foi aquele que sonhei
No despertar da manhã:
Eu te querendo todinha
Você dizendo: hã, hã…

Fonte:
Alma de Poeta.

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Arquivado em Antologia Poética, Rio de Janeiro, São Fidélis

Trova 148 – Antonio Manoel Abreu Sardenberg (São Fidélis/RJ)

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29 de maio de 2010 · 11:07