Arquivo da categoria: São Mateis do Sul

Hildemar Cardoso Moreira (Biografia por ele Mesmo)

“Eu sou do mundo uma espécie rara,
Uma espécie já quase inexistente
Que gosta de escrever tudo que sente
De belo e de grandioso neste mundo,
Um ser pra quem a natureza é cara,
Eu sou daqueles que ama o reluzente
D’uma conchinha que no sol bem quente
Brilha na praia e vem do mar profundo.”

Eu sou, ou pretendo ser POETA

Eu nasci nas primeiras décadas do século vinte, em uma casa de madeira coberta de taboinhas localizada na Colônia Cachoeira –Município de São Mateus do sul onde naquele tempo não existia a energia elétrica por isso a nossa iluminação era feita a base de candeeiro ou lampião a querosene.

Eu fui o nono da prole de Hildebrando Cardoso Moreira e de Maria da Conceição Weinhardt Moreira, meus pais eram pobres de bens materiais mas muito ricos de talento e de espiritualidade, e eram poetas meus velhos queridos por isso nas horas de lazer ou nos ensinavam os preceitos Cristãos ou declamavam poesias maravilhosas.

Eu e meus irmãos ouvíamos admirados papai declamando poesias de Castro Alves ,com aquele ênfase que nos deslumbrava: “Talhado para grandezas,/P’ra crescer,criar,subir,/O novo mundo nos músculo /Sente a seiva do porvir.” ou mamãe nos deliciando com belíssimas declamações de poesias com conteúdo cristão ou que continham alguma forma de conselho, como: “A cidade ali está, com seus enganos,/ Seus cortejos de vícios e traições,/ Seus ricos templos, seus bazares amplos,/Seus vastos passos, seus bordéis salões. A cidade ali está, sobre seus tetos/ Pairam dos arsenais o fumo espesso,/ Rolam na rua, da vaidade, os coches,/Ri-se o crime a sombra do progresso.” e eu procurava imitá-los e fui me apaixonando pelas poesias e fui me tornando um versejador e declamador, por isso os amigos me apelidaram de poeta e eu fui gostando desse apelido, fui acreditando que de fato eu era poeta e passei a escrever minhas sextilhas, meus sonetos meus acrósticos e minhas trovas.

Mas hoje, revendo meus arquivos, relendo minhas poesias, me deu uma vontade de escrever alguma coisa, não endereçada a outras pessoas, mas a mim mesmo, fazendo uma auto analise do que eu fui, do modo em que tenho vivido, daquilo que eu fui, daquilo que eu sou ou que penso que sou.

E nessa auto analise eu entendi como Deus tem sido bondoso para comigo que não frequento templos religiosos, que entendo que a vida terrena deve ser voltada para o bem porque Jesus nos deixou dito que cada um colherá daquilo que semeou, mas eu tenho semeado tão pouco para o muito que tenho colhido já nesta encarnação.

Daí é que me veio a convicção de que, apesar de todas as dificuldades que tenho enfrentado ao longo da jornada terrena, comparando-as com aquelas enfrentadas por muitos de meus amigos e irmãos, eu posso dizer que sou realmente muito feliz.

FELICIDADE

Felizes são aqueles que puderam
Como eu, entre amigos ter a vida,
Saber que inimigos não tiveram,
Mas tiveram uma plêiade querida.

Feliz sou eu pelo muito já vivido,
Amando intensamente e sendo amado
E sentir-me quase sempre embevecido
Ante o modo pelo qual eu sou tratado.

Feliz eu sou por ter uma família:
Netos, bisneta, genro, esposa e filha,
Que acatam os conceitos do evangelho.

Por isso eu digo de coração aberto
Que vivo os dias tendo Deus por perto,
Transpondo os anos sem sentir-me velho.

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Obs: Hildemar é autor do livro CONTENDA SUA HISTÓRIA E SUA GENTE. Lapa-Pr: Gráfica Autêntica, 1995

Fonte:
Cascata de Poesias

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Arquivado em Biografia, Paraná, São Mateis do Sul