Arquivo da categoria: Setilhas

Ademar Macedo (A Minha Cirurgia…)


Ao doutor cirurgião
Digo de forma direta,
Não tenho doença alguma,
O único mal que me afeta
Eu vi na tomografia;
É o acúmulo de poesia
Na cabeça do poeta.

Pra fazer uma drenagem
Tiveram que me operar,
E durante a cirurgia
De tanto o médico drenar;
Naquele lugar nascia
Mais um pé de poesia
Na cabeça de ademar.

Vejam o que me receitaram
Pra eu fazer a cirurgia:
Quatorze injeções de versos
No lugar da anestesia
E pra não sair do clima
Trezentas gotas de rima
Três vezes durante o dia.

Aconteceu um fenômeno
No centro de cirurgia.
Quando operaram o poeta
Que a minha cabeça abria;
Antes de qualquer exame
Aconteceu um derrame…
De versos e de poesia.

Disse o doutor abismado
Oh! Meu deus que maravilha,
Já estou contaminado
Sinto em mim que o verso brilha;
E depois da operação
O grande cirurgião
Saiu fazendo sextilha.

O neuro cirurgião
Falou de forma direta:
Medicina é a profissão
Mas poesia é minha meta
E disse, já no repente:
– Eu mesmo daqui pra frente
Só vou operar poeta!

Deixe um comentário

Arquivado em Setilhas

Ademar Macedo (O Vírus da Poesia)

Poesia é a minha paz,
meu mundo, meu universo;
um mar de sabedoria
onde eu vivo submerso;
é minha alimentação,
é meu sustento, é meu pão
feito de rima e de verso…

A partir da madrugada
é esse o meu dia a dia:
já de caneta na mão
recebo uma epifania,
cuja manifestação
é trazer-me inspiração
pra eu fazer minha poesia…

A poesia é minha luz,
é meu santo e meu altar,
feijão puro com farinha
que eu tenho para almoçar;
ela é minha própria vida
é meu lar, minha guarida
meu sol, meu céu e meu mar!

Ao ver poesias aos montes
nascendo em minha vertente,
tive um “derrame” de rimas
nas veias da minha mente
e um maravilhoso “infarto”
eu tive ao fazer o parto
do derradeiro repente!…

Quero então no meu jazigo,
feito em letras garrafais,
aquela minha poesia
que me deu nome e cartaz;
e escrito, seja onde for:
– eis aqui um trovador
que morreu feliz demais!

Quem carrega, como nós,
o vírus da poesia,
tem no sangue uma plaqueta
que se altera todo dia,
aumentando a quantidade
e pondo mais qualidade
nos versos que a gente cria.

Deixe um comentário

Arquivado em Setilhas

Ademar Macedo (Retrato Poético de Minha Infância)

Deixe um comentário

23 de setembro de 2012 · 13:40

Ademar Macedo (Primavera)

Primavera no Sertão Nordestino
Pra o Poeta e Trovador
que é onde o verso prospera,

eu mando um buquê de flores

que a natureza libera;
e numa grande investida

faço verso e pinto a vida

com cores da primavera!

Deixe um comentário

Arquivado em Primavera, Setilhas

Zé Lucas, Ademar Macedo e Prof. Garcia (Um Debate em Setilha Agalopada) Parte 5, final

121 – Zé Lucas
Entre as coisas que a vida me propôs,
desde o tempo feliz da tenra idade,
e eu procuro seguir com todo o empenho,
vêm, na linha de frente, a honestidade
e os princípios do amor e da harmonia,
porque Deus vai querer que eu prove, um dia,
o que fiz pra ganhar a eternidade.

122 – Ademar
Eu não sei se eu irei pra eternidade
quando Deus resolver me resgatar,
já andei por caminhos tortuosos
pelos quais não pretendo mais andar;
pelas coisas da vida que eu renego,
pelo fardo pesado que eu carrego,
tenho fé que Deus vai me perdoar.

123 – Prof. Garcia
Não se vive no mundo sem lutar,
pois o próprio Jesus, exemplo deu,
fez de tudo este pobre peregrino
pela terra sofrida onde nasceu;
perdoou todo o povo e pediu paz,
mas o vil pecador, quis Barrabás
no lugar deste Santo que morreu!

124 – Zé Lucas
Quem matou o Divino Galileu
deu um passo infeliz e negativo,
fez o mundo cobrir-se de amargura
por um crime covarde e sem motivo,
e jamais esperou que, após três dias,
Deus mostrasse a grandeza do Messias,
levantando-o da cova redivivo!

125 – Ademar
Quando eu for para o céu ver o Deus vivo,
além da grande fé que me conduz
levarei a muleta e meu boné
adereços da minha própria cruz;
aos meus fãs deixo aqui os versos meus,
e os poemas que eu fiz falando em Deus
levarei de presente pra Jesus.

126 – Prof. Garcia
Quando eu curvo o joelho aos pés da cruz,
vejo o quanto Jesus Cristo sofreu,
eu pergunto a mim mesmo, por que foi,
que este filho inocente, assim morreu?
Peço a Deus, rogo a Deus, vertendo pranto,
que não deixe eu na vida sofrer tanto,
sendo um bom pecador como sou eu.

127 – Zé Lucas
Judas, sendo discípulo, vendeu
o seu Mestre, por preço de cocada,
pra ser morto na cruz, entre ladrões,
vendo o pranto da mãe, amargurada
com a pena que a história mal descreve.
Se é difícil pagar quando se deve,
duro mesmo é pagar sem dever nada!

128 – Ademar
Minha cruz eu já sei que é bem pesada,
pelo peso do fardo que carrego,
mas não sinto cansaço nem fadiga,
os pecados são meus, eu não renego;
mas seguindo a Deus Pai, o verdadeiro,
vejo e sinto o meu fardo mais maneiro
pelas coisas de Deus que hoje eu prego!

129 – Prof. Garcia
Tudo quanto eu consigo, a Deus entrego,
porque sinto que um fogo, em mim reluz,
cada passo que dou em minha vida,
sinto a força de alguém que me conduz;
e esta chama queimando no meu peito,
é a fogueira da prece do meu leito
que me aquece nos braços de Jesus!

130 -Zé Lucas
Quando, há muitos janeiros, vim à luz,
foi chorando nos braços da parteira;
minha mãe, entre lágrimas e risos,
me beijava na face a vez primeira…
Dessa forma nasceu um trovador,
desprovido de bens, mas com amor
pra doar, neste mundo, a vida inteira.

131 – Ademar
Eu nasci pelas mãos de uma parteira
num sertão pobre, seco e abrasador,
nunca usei uma fralda descartável,
a chupeta era o dedo indicador;
e apesar de ter tantos empecilhos,
mesmo tendo já feito vinte filhos
o meu pai inda fez um Trovador.

132 – Prof. Garcia
No sertão, cada filho é uma flor,
que perfuma e inebria um lar feliz,
quanto mais nasce gente em cada casa,
mais o dono da casa pede bis;
mamãe tinha um menino todo ano,
papai pobre não quis mudar de plano
criou onze do jeito que Deus quis.

133 – Zé Lucas
Deus me deu cinco filhos e, feliz,
eu cumpri para os céus essa missão;
sinto neles a minha própria vida
como os dedos que toco, em cada mão,
quando rezo por todos, de hora em hora…
São pedaços de mim que vejo fora
porém nunca tirei do coração.

134 – Ademar
Deus me deu uma linda geração.
Todos eles são servos do Senhor;
duas filhas, dois genros, nora e neto
e meu filho, estudando pra pastor,
me ensinou que somente Deus nos salva
e eu pretendo, com minha ESTRELA Dalva,
ter as bênçãos de Deus, o Criador!

135 – Prof. Garcia
Tudo quanto se faz com muito amor,
Deus concede o perdão do que se faz,
somos todos eternos viajantes,
peregrinos na vida e nada mais;
quem quiser ser feliz por um segundo,
tenha fé no perdão, perdoe o mundo
plante o amor, colha o amor pedindo paz!

136 – Zé Lucas
Dessas coisas que a vida leva e traz,
lembro um fato do meu interior:
o rapaz era louco pela moça
que a má sorte feriu com grande dor
e levou-a pra longe, sem alarde.
Quando trouxe de volta foi tão tarde,
que não houve mais chances para o amor!

137 – Ademar
Uma seta atirada pelo amor
deixou marcas profundas no meu peito,
mesmo eu sendo ainda muito jovem
esta seta causou-me grande efeito;
até hoje no peito ela corrói,
quanto mais eu relembro mais me dói
já tentei esquecer… Não tem mais jeito!

138 – Prof. Garcia
Todo o amor que foi santo, tem defeito,
porque somos um filho do pecado,
quando Deus fez Adão, depois fez Eva,
quis o fruto do amor santificado;
mas Evinha, danada como era,
usou todas as garras da pantera
destruindo esse amor que foi sagrado!

139 – Zé Lucas
Guardo ternas lembranças do passado,
com o encanto de tudo que era meu:
a menina singela e tão bonita,
sem adornos de loja ou camafeu.
Nos seus lábios, a vida me sorria;
nos seus olhos românticos, eu lia
um poema que nunca ninguém leu.

140 – Ademar
Uma história de amor que não morreu,
retorná-la a viver, hoje eu queria.
Descobri que eu amava, um pouco tarde
e esse amor era tudo o que eu queria;
mas só vim descobrir tempos depois…
Nos momentos vividos por nós dois,
eu fui muito feliz e nem sabia!

141 – Prof. Garcia
Sou feliz, fui feliz e mais seria,
se eu voltasse aos jardins da mocidade,
inda visse a primeira namorada
e abraçasse os meus pais na flor da idade;
mas o tempo me deu folha corrida,
e abraçar os fantasmas desta vida
é o que faço, morrendo de saudade!

142 -Zé Lucas
A mudança do campo pra cidade
me deixou um sabor de despedida:
aqui tenho encontrado mais conforto;
de lá vêm as lembranças da guarida,
onde eu tinha um irmão em cada canto.
Finalmente, esta praia é meu encanto,
mas o velho sertão é minha vida!

143 – Ademar
Deus me deu este dom pra toda vida:
fazer versos, trovar, viver feliz.
Me tornei um poeta popular
e entre todos eu sou um aprendiz,
mas confesso com a mente envaidecida
que a poesia marcante em minha vida,
tenho toda certeza que não fiz!

144 – Prof. Garcia
Eu também vou na mesma diretriz,
repintando os meus sonhos de poeta,
cada lindo arrebol de um novo dia,
traz a luz da esperança para o esteta;
aos gemidos da musa benfazeja,
a poesia me abraça e me bafeja
e é assim, que meu sonho se completa.

145 – Zé Lucas
Quando jovem saudável, minha meta
era a grande aventura das jornadas,
enfrentando descidas e ladeiras,
sem temer o perigo das estradas
nem o peso das duras circunstâncias,
e hoje as pernas, cansadas de distâncias,
só aceitam pequenas caminhadas.

146 – Ademar
Tiro as pedras do meio das estradas,
corto as pontas que tem em cada espinho,
ponho o riso no rosto da criança;
e uma dose de amor e de carinho
eu coloco no olhar de cada velho,
pois seguindo o que diz nosso evangelho,
serei bem mais feliz no meu caminho.

147 – Prof. Garcia
Eu protejo as essências do meu ninho,
semeando a ternura como prova,
planto um galho de amor em cada canto,
brota um pé de carinho em cada cova;
toda noite eu replanto a minha roça,
e o orvalho que pinga na palhoça
beija os lábios da paz, que se renova!

148 – Zé Lucas
Neste nosso debate se comprova
a leveza de um longo versejar.
Estivemos juntinhos caminhando,
sem ninguém se mexer do seu lugar,
mas, agora, ao final deste rojão,
me despeço com aquela sensação
de quem sai com vontade de ficar.

149 – Ademar
Fabricante do verso popular,
sou fiel seguidor do meu destino,
mergulhado num mar de inspiração,
um momento, pra mim, quase divino;
misturando o real com a fantasia
eu mostrei a beleza da poesia
e a grandeza do vate nordestino.

150 – Prof. Garcia
Três poetas fiéis, e um só destino,
num debate em setilha agalopada,
versejando com tanta inspiração
sem ninguém se perder na caminhada;
cada qual debatendo do seu jeito,
mas deixando a saudade em cada peito
lamentando o final desta jornada!

Deixe um comentário

Arquivado em Rio Grande do Norte, Setilhas

Zé Lucas, Ademar Macedo e Prof. Garcia (Um Debate em Setilha Agalopada) Parte 4

91 – Zé Lucas
Nesta praia, que é sonho e que é prazer,
sinto o cheiro do mar em minha rua,
ouço o choque das ondas que se quebram
e o cantar da sereia seminua
que seduz o inocente pescador,
prometendo um castelo encantador,
e ele afunda no mar, olhando a Lua.

92 – Ademar
Pra enfeitar o céu Deus fez a Lua,
Ele fez o mar para os pescadores,
criou pássaros pra brincar na relva,
pra fazer trovas fez os trovadores;
trouxe fé e esperança aos mais tristonhos
fez a virgem que é pra viver de sonhos
e o poeta que é pra morrer de amores.

93 – Prof. Garcia
Deus querendo mostrar seus esplendores,
fez a bela plumagem do pavão,
o negrume das penas do urubu
mãe-da-lua, viver na solidão;
o tetéu dormir pouco e cantar bem,
a beleza do canto do vem-vem
e a corneta do canto do carão.

94 – Zé Lucas
Sertanejo sem terra, meu irmão,
cedo, acorda pra ver o sol raiar,
toma um simples café com tapioca,
beija alegre a rainha do seu lar,
que na cama singela tem um trono,
e pergunta: – quando é que vou ser dono
de um pedaço de chão para plantar?

95 – Ademar
Para mim Deus do Céu irá mandar
as sementes divinas da poesia,
e um roçado de verso agalopado
pra o terreno da mente Ele me envia;
e um inverno de rimas faz chover,
pra que eu possa plantar, depois colher
nesse chão, o meu pão de cada dia.

96 – Prof. Garcia
Assim que me levanto, todo dia,
logo aperto o rosário em minha mão,
ergo os olhos aos céus, faço uma prece,
peço a Deus a divina proteção;
bebo um bom copo d’água, e mato a sede,
beijo o rosto de Cristo na parede,
na moldura de um velho coração!

97 – Zé Lucas
Se chover poesia no sertão,
vou fazer meu chapéu de uma peneira,
pois não quero perder um pingo só
da fartura que desce na biqueira
e, pra o grande calor de minha febre,
eu arranco o telheiro do casebre;
quero é banho de verso a noite inteira!

98 – Ademar
Quero apenas, pra mim, uma goteira,
não precisa ser chuva intermitente;
alguns pingos trazendo inspiração
já gotejam em mim constantemente,
e uma chuva de verso a noite inteira,
me transforma no próprio Zé limeira
que foi grande poeta no repente.

99 – Prof. Garcia
Se chover poesia em minha mente,
minha roça do verso se renova:
vou plantar novidade em todo canto
e um poema na forma de uma trova;
pois, se não faltar chuva, nenhum dia,
nascerá no roçado da poesia
um repente bonito em cada cova.

100 – Zé Lucas
Uma roça bonita, grande e nova,
lá no alto sertão eu inda planto;
cavo a terra com a enxada da fartura,
ponho fé na semente, rezo ao santo
para que chova muito em meu roçado,
haja vagens de amor por todo lado
e haja espigas de paz em todo canto.

101 – Ademar
Nascem versos em mim por todo canto.
Eu já disse num mote improvisado
que os cabelos que nascem no meu corpo
têm nas pontas um verso pendurado;
e por eu ser um poeta do sertão,
nem preciso fazer adubação
pra nascer verso bom no meu roçado.

102 – Prof. Garcia
Com um poeta tão bom de cada lado,
meu repente não fica tão distante,
sou mais um menestrel buscando a rota
deste nosso momento itinerante;
percorrendo as veredas desta luta,
corro atrás da mais rara pedra bruta
e de um verso bem feito a todo instante.

103 – Zé Lucas
Se eu pudesse, da estrela mais distante,
ver de perto metade do infinito,
não seria somente um trovador,
mas o vulto fantástico de um mito
e, por certo, cantando nessa altura,
comporia, em meu sonho, a partitura
do poema que nunca foi escrito.

104 – Ademar
Dos poemas que eu fiz, o mais bonito,
onde o dom da poesia se revela,
foi num mote que deste para mim
inspirado no amor de uma donzela,
onde eu disse com voz quase divina:
“Se tiver que chorar, feche a cortina,
quando for pra sorri, abra a janela”.

105 – Prof. Garcia
Este mote, é a mais linda passarela,
onde a musa desfila todo dia,
é uma foto de triste despedida
e o retrato fiel de uma alegria;
tem a cara feliz de dois amantes,
traz o choro tristonho dos distantes
e a ternura do encanto da poesia.

106 – Zé Lucas
Outro mote que fiz, não lembro o dia,
talvez possa, também, merecer bis,
porque mostra que a vida tem primores,
mas tem coisas que deixam cicatriz,
e entre a dor que machuca e o amor que é lindo,
“se eu disser que não sofro estou mentindo,
mas não posso negar que sou feliz”.

107 – Ademar
Outra estrofe bonita que eu já fiz,
a mais bela, talvez, da minha vida,
foi num mote criado por você
que escrevi com minh’alma enternecida,
e este mote dizia algo medonho:
“Quer matar um poeta, mate o sonho,
que o poeta sem sonho se liquida.”

108 – Prof. Garcia
Quando a voz de um poeta, se liquida,
fica a musa sofrendo na orfandade,
a tristeza batendo em cada porta
pranteando na dor da soledade;
e o poeta sem voz, desconsolado,
vê o sonho da vida sepultado
num jazigo de dor e de saudade!

109 – Zé Lucas
Vai ficando distante a mocidade
e eu não posso evitar, por mais que tente;
o passado se alonga a todo instante
e o futuro reduz-se de repente.
Já não sei se dirão que fiquei louco,
mas cem anos de vida é muito pouco
para os sonhos que tenho pela frente.

110 – Ademar
Ninguém sonha no mundo como a gente;
o poeta tanto sonha como faz.
Você sonha fazendo a trova linda,
lindos sonhos Garcia sempre traz;
e eu que sou um soldado fuzileiro,
sonho vendo no nosso mundo inteiro
todo mundo “lutando” pela paz!

111 – Prof. Garcia
Quem no mundo, faz tudo pela paz,
já é mais que herói, que vencedor,
vive um sonho, que pouca gente vive,
e alivia do peito tanta dor;
porque neste universo tão mesquinho,
quem plantar um espinho, colhe espinho,
mas quem planta uma flor, colhe uma flor!

112 – Zé Lucas
Neste mundo de Deus, por onde eu for,
buscarei praticar a lealdade;
viverei do suor de minha face,
pra fugir dos engodos da maldade,
pois meu pai me ensinou esta lição:
– a riqueza maldita do ladrão
dá prazeres, mas não felicidade!

113 – Ademar
Não conheço ninguém nesta cidade
mesmo tendo uma vida de apogeu,
carro novo, mansão, muito dinheiro
e outros bens que a vida já lhe deu,
que consiga viver no dia a dia
simplesmente fazendo poesia
e que seja feliz mais do que Eu.

114 – Prof. Garcia
Tudo quanto Jesus me concedeu,
sei que foi muito mais do que mereço,
se hoje a vida não anda cem por cento,
mesmo assim a Jesus eu agradeço;
porque tendo a riqueza que Deus quis,
sou amante de um mundo mais feliz
onde a vida é um eterno recomeço!

115 – Zé Lucas
Sou tratado por todos com apreço,
muito embora me julgue pequenino;
as grandezas terrenas não me iludem;
para o lado do orgulho não me inclino,
pois não quero ser vítima do estresse
de quem tem muito mais do que merece,
mas reclama de Deus e do destino.

116 – Ademar
Eu não vou reclamar do meu destino,
sou alegre demais e não padeço
apesar de ser hoje um mutilado
vivo muito feliz e reconheço,
não almejo mais nada conseguir,
o que Deus nos permite possuir,
eu já tenho até mais do que mereço.

117 – Prof. Garcia
Nas veredas do mundo, eu subo e desço,
mas às vezes, perdido, eu fico à-toa,
paro e penso nas garras do destino,
e na sorte, que tem cada pessoa;
porque sigo correndo em disparada,
levantando a poeira pela estrada,
na certeza que a vida também voa!

118 – Zé Lucas
Fico muito contente quando soa
o baião da viola nordestina
num alpendre singelo e acolhedor,
quando a noite inspirada descortina
sobre o cume das serras do sertão,
e era mais carregado de emoção
na brandura da luz da lamparina.

119 – Ademar
O bailado que faz a concertina
musicando um forró de Gonzagão,
ta guardado no vídeo da memória
que eu revejo repleto de emoção;
pois relembro demais dos tempos “ido”,
dos forrós que dancei no chão batido
das latadas, e alpendres do sertão.

120 – Prof. Garcia
Inda guardo as batidas do pilão,
com mamãe, de manhã, pilando arroz,
eu mais novo, mais forte e mais disposto,
no rojão, eu na frente, ela depois;
nunca vou me esquecer desta contenda,
o pilão do passado virou lenda,
mas não sai da memória de nós dois!

Deixe um comentário

Arquivado em Rio Grande do Norte, Setilhas

Zé Lucas, Ademar Macedo e Prof. Garcia (Um Debate em Setilha Agalopada) Parte 3

61 – Zé Lucas
O que mostra a verdade cristalina
é que a vida, na terra, é transitória;
as conquistas que às vezes nos encantam
pouco ou nada resistem como glória,
mas ainda acredito que a poesia
não se acaba da noite para o dia
e há de ter algum peso em nossa história.

62 – Ademar
A poesia marcou a minha história
povoando o meu mundo de alegria
através da divina inspiração
que o “Poeta Maior” sempre me envia;
tendo o verso e a poesia como arte,
vibro ao ver o meu nome fazer parte
do fantástico mundo da poesia.

63 – Prof. Garcia
Tudo quanto na vida a gente cria
tem o santo mistério divinal,
porque vendo a poesia em todo canto,
e a beleza do reino universal;
acredito que Cristo foi poeta,
e escreveu a poesia mais completa
na lapela da aurora matinal.

64 – Zé Lucas
A poesia mais bela e original
há na Bíblia, e mil vezes eu já li,
na harmonia do Cântico dos Cânticos
e nos salmos bonitos de Davi,
mas, em termos de amor e de obra extrema,
no Sermão da Montanha encontro o poema
mais profundo e grandioso que já vi.

65 – Ademar
Emoções que na vida eu já vivi
não previa o mais sábio dos profetas;
pois eu que era na vida um sonhador
vejo agora, alcançando minhas metas
que em mim nasce a mais pura da certeza
de que tudo que tem de mais beleza
Deus coloca na mente dos poetas.

66 – Prof. Garcia
Das belezas da vida, as mais completas,
que Deus fez neste mundo de etiquetas,
uma delas, foi nossa inspiração,
outra foi os encantos das ninfetas;
e de todas a mais surpreendente,
foi pintar tantas cores no nascente
e nas asas das lindas borboletas.


67 – Zé Lucas
Quanto é grande a beleza dos planetas
e de todos os corpos siderais!
Ninguém mede a distância das estrelas
nem o brilho existente em seus fanais,
porque a máquina humana é limitada,
porém sabe que tudo é quase nada,
comparado com Deus, que é muito mais.

68 – Ademar
Cada verso de amor que a gente faz
traz no seu nascedouro uma emoção,
fabricada por Deus em nossa mente
e que deixa pra mim uma lição:
Toda estrofe que eu faço e que escrevo
tem palavras de amor, carinho, enlevo
proferidas por nós, numa oração.

69 – Prof. Garcia
Quando eu vejo dos astros, a união,
circulando em perfeita simetria,
eu pergunto a mim mesmo, por que nós,
não vivemos assim, no dia-a-dia,
abraçados à própria natureza,
respeitando de Deus tanta grandeza
e embriagados de paz e de harmonia!

70 – Zé Lucas
Não há falha nas obras que Deus cria:
o relógio do espaço, sem ponteiro,
marca o tempo do giro planetário
sem errar um minuto em seu roteiro,
e a ciência dos homens cambaleia,
porque luta e não faz um grão de areia,
e em seis dias Deus fez o mundo inteiro.

71 – Ademar
Ao poeta que é um vate verdadeiro,
a ele nada na vida o desanima,
pode até lhe faltar inspiração
e fugirem palavras que dão rima;
mas poeta que é bom se intensifica
e montanhas de verso ele fabrica
sem comprar nem faltar matéria prima.

72 – Prof. Garcia
Se no verso, algum dia faltar rima,
faltarão as canções das alvoradas;
nunca mais vão se ouvir os bandolins
nem os vates cantando nas calçadas,
e o murmúrio do choro das cascatas,
calará as antigas serenatas
acalanto das lindas madrugadas.

73 -Zé Lucas
Se perdermos o dengue das toadas,
o sertão com certeza vai chorar,
porque o som das violas já não vai
levar ritmo ao quadrão da beira-mar
e, no meio de tantos dissabores,
se este mundo calar os seus cantores,
há de ter a tristeza em seu lugar.

74 – Ademar
Se algum dia o poeta se calar,
calará para sempre a natureza.
Passarinhos não cantam mais na mata
o sertão perderá sua beleza;
e até Deus em respeito ao menestrel
mandará que uma nuvem lá do céu
chore prantos molhados de tristeza.

75 – Prof. Garcia
Eu não creio, que a santa natureza,
por um gesto de pura rebeldia,
procedesse do jeito que procedem
os tiranos, em sua covardia;
acabando os jardins, matando as flores,
mataria os poetas trovadores
e o reinado da santa poesia!

76 – Zé Lucas
Nesse nosso universo de poesia
poderemos viver bastante calmos,
porque dele os bons ventos não se afastam
nem sequer a distância de dois palmos.
Além disso, a poesia é tão divina,
que na Bíblia Sagrada Deus a ensina
pelos versos dos cânticos e salmos.

77 – Ademar
É preciso entender todos os salmos
e saber na verdade o que nos diz.
A palavra de Deus é muito sábia
mas já vi gente grande, e até juiz
enganando o seu próprio sentimento
e escondendo de si seu sofrimento,
mente ao mundo, fingindo ser feliz.

78 – Prof. Garcia.
Tudo quanto Deus fez, me faz feliz,
e eu aceito a palavra de Jesus,
porque sinto na voz dos mandamentos,
que esta força sagrada é minha luz;
e este fardo pesado que carrego,
pesa menos, nas costas quando eu pego
na mão santa de Deus, que me conduz!

79 – Zé Lucas
Satisfeito, carrego a minha cruz
com a estrela da fé dentro da mente.
Vou lutar pra vencer os atropelos
sem temer o que esteja pela frente.
Sei que a senha da morte não tem prazo,
mas, enquanto não chega o meu ocaso,
sigo olhando pra luz do sol nascente.

80 – Ademar
Agradeço ao Deus Pai Onipotente
pelo dom que me deu, de versejar,
pela Fé que me ampara e me sustenta
pela força que eu tenho de lhe amar;
agradeço por tudo o que me deu,
pois cheguei hoje em vida ao apogeu
que somente os poetas vão chegar.

81 – Prof. Garcia
Foi Deus Pai, que nos fez tanto sonhar,
descobrir no repente a paz divina,
mesmo que nos momentos desiguais
nós sejamos iguais na própria sina;
porque sonho, que é sonho de poeta,
só termina da forma mais completa,
mas a essência do verso não termina.

82 – Zé Lucas
Não podemos trilhar pela rotina
da mesmice formal que nada diz;
é preciso pensar mais colorido,
retratando, dos campos, o matiz,
porque neste labor que às vezes cansa,
manter vivas as chamas da esperança
faz a vida mais bela e mais feliz.

83 – Ademar
Ninguém vive no mundo mais feliz
do que aquele que vive de poesia,
e eu estou inserido neste mundo,
no real e também na fantasia;
pois no verso eu encontro o meu alento,
produzindo o meu próprio sentimento,
eu fabrico emoções a cada dia.

84 – Prof. Garcia
Tudo quanto na vida a gente cria,
tem alguém dando nó nos nossos laços,
se escrevemos por linhas tortuosas
há um mistério que alinha os nossos traços;
se a mensagem sai pura e cristalina,
acredito que seja a mão divina
corrigindo e guiando os nossos passos.

85 – Zé Lucas
Quando nós encontramos embaraços
e a planilha do verso sai malpronta,
porque erramos as peças do poema
com palavras sem nexo e frase tonta,
Deus apruma o martelo em nossa mão,
dá um toque de pura inspiração,
bate o prego do verso e vira a ponta.

86 – Ademar
Todo verso que eu faço é Deus que apronta,
como apronta uma obra o bom pedreiro,
passa a régua, a colher, e bota o prumo,
dá idéia do início ao paradeiro
e não deixa faltar inspiração;
sai escrito por minha própria mão
mas é Ele quem diz todo o roteiro.

87 -Prof. Garcia
Quando eu quis embarcar neste veleiro,
enfrentando do verso o mar bravio,
disse a mim, como quem diz ao destino:
vou em frente e de nada desconfio;
mas agora enfrentando os dois extremos,
fiz da força dos braços meus dois remos
nas tormentas de um grande desafio.

88 – Zé Lucas
Na vertente que anima nosso trio,
já não sei em que mundo desemboque;
tenho medo que falte pontaria
para o tiro certeiro do bodoque,
e por isso me arrisco num palpite:
se a poesia não fosse sem limite,
qualquer dia esgotava o nosso estoque.

89 – Ademar
O Poeta na terra sente o toque
das palavras que Deus do céu transmite.
Já nascemos portando os dons divinos
e não tem por aqui quem nos imite,
acredite poeta, tens razão;
eu também já cheguei a conclusão
que a poesia não tem nenhum limite.

90 – Prof. Garcia
Eu não quero arriscar nenhum palpite
nem dar provas do nosso proceder;
de manhã, nossa vida se renova,
mas à tarde, ela volta a entristecer;
é o momento em que a musa soluçando
se despede do dia e sai cantando
badaladas pra noite adormecer.

Deixe um comentário

Arquivado em Rio Grande do Norte, Setilhas

Zé Lucas, Ademar Macedo e Prof. Garcia (Um Debate em Setilha Agalopada) Parte 2

31 – Zé Lucas
Muito moço, me lembro, certo dia,
os ciganos estavam se arranchando;
o famoso Chatô, com o violão,
Marcelino, era o chefe, no comando,
e, num simples olhar e doce frase,
uma jovem cigana quase, quase
me puxava pra dentro do seu bando.

32 – Ademar
Meu poeta, eu também quase debando,
e só não debandei porque não pude;
eu não tinha talento para o circo
e isso fez eu tomar tal atitude;
esse amor que nem era de verdade
eu guardei pra lembrar e ter saudade,
dos amores da minha juventude.

33 – Prof. Garcia
Eu confesso não ter tido a virtude
de poder cultivar na flor da idade,
os amores ciganos tão sonhados
ao florir da mais tenra mocidade;
mas eu juro, que guardo por lembrança,
as paqueras do tempo de criança
num baú carregado de saudade.

34 – Zé Lucas
De trabalho foi minha mocidade:
conheci a pancada da marreta,
colhi safras de milho e de algodão,
cavei chão de alavanca e picareta,
mas a escola explorou a minha mente
e ensinou-me a ser mais independente,
no manejo do mouse e da caneta.

35 – Ademar
Escorado no topo da muleta,
eu me fiz um poeta e trovador;
meu passado de atleta e de boêmio
para mim, não foi nada alentador;
mas depois do meu trágico acidente,
encontrei na poesia e no repente
o remédio eficaz pra minha dor.

36 – Prof. Garcia
Sempre fui um eterno sonhador
dos encantos febris da meninice,
não consigo esquecer de minha infância
nem da força de tanta peraltice;
por capricho inda trago na memória,
bem guardado o registro desta história
que transformo em poemas na velhice.

37 – Zé Lucas
Eu daria três quartos da velhice
por um quinto da minha mocidade;
não que a vida atual não seja boa,
mas porque, nos meus vinte anos de idade,
tinha força e saúde como um touro
e hoje, desse belíssimo tesouro,
não disponho de um terço da metade!

38 – Ademar
Nos meus quase sessenta anos de idade
descobri com minha alma enternecida
que nos versos que eu fiz a vida inteira
encontrei na poesia uma guarida,
um sentido maior pra o meu amor,
o remédio eficaz pra minha dor
e um alento pra toda minha vida.

39 – Prof. Garcia
Eu queria vencer esta corrida
sem estresse e passando pelos flancos,
mas o tempo é carrasco e não perdoa
bate duro, me dando solavancos;
todo dia provoca o meu desgosto,
costurando outra ruga no meu rosto
e aumentando estes meus cabelos brancos.

40 – Zé Lucas
Muitas vezes, a trancos e barrancos,
as pessoas se perdem nos caminhos;
descuidadas da vida, se arrebentam
em abismos de pedras e de espinhos,
e além disso, sem fé a protegê-las,
perambulam em noites sem estrelas
e lamentam que os dias são mesquinhos!

41 – Ademar
Muletando eu irei pelos caminhos
cada dia mais lento… devagar,
carregando o meu fardo de doenças
e sabendo que Deus vai me curar…
nesta vida tão cheia de distâncias,
eu envolto nas minhas inconstâncias
não acerto os caminhos de voltar.

42 – Prof.Garcia
Mesmo assim todos temos que lutar,
porque Deus, sabe tudo quanto faz,
se ele fez este mundo tão bonito
a doença ele cura que é capaz;
Jesus Cristo nos deu trevas e luz,
também fez cada um com sua cruz,
mas a cruz que carrega pesa mais!

43 – Zé Lucas
Não existe no mundo dos mortais
um ser vivo que escape ao sofrimento;
cada um tem a carga que merece,
só não pode é ficar alguém isento;
esse é o preço que a sorte nos repassa,
porque a vida, que Deus nos dá de graça,
nunca fica de graça cem por cento.

44 – Ademar
Tive agora uma pane de momento
no lugar onde o verso nasce e cria;
o intelecto não foi prejudicado
nem sofreu qualquer tipo de avaria,
digo aqui a você que não se engane,
acabei de sofrer, com esta pane,
“Um derrame” de verso e de poesia.

45 – Prof. Garcia
Mas a mente do vate sempre cria
os mais lindos cenários naturais,
Deus tem dó dos poetas sofredores
para o verso abre todos os portais;
se você no passado criou tanto,
no presente voltou com mais encanto
num derrame de versos imortais.

46 – Zé Lucas
Ademar retornou um pouco mais
afinado pra o nosso desfio;
no repouso que teve, colheu chuva,
pôs mais água no leito do seu rio,
alargou mais os passos do confronto,
temperou mais o caldo e deu o ponto
para um verso gostoso e mais sadio.

47 – Ademar
Descobri neste nosso desafio
o que todo poeta já sabia:
que nos versos que José Lucas faz
tem métrica, tem rima e melodia;
e ao compor essa estrofe eu digo e penso
quanto mais versos leio, me convenço
que Zé Lucas é um mestre na poesia.

48 – Prof. Garcia
Este novo debate desafia
os limites de nossa cavalgada;
mas se a fonte do verso não se esgota
vamos juntos romper esta jornada,
porque nada no mundo é tão sublime
quanto a fonte de luz que nos redime
na ousadia de nossa caminhada.

49 – Zé Lucas
Deus estando conosco, não há nada
que nos faça esquecer o som da lira,
porque é quase impossível segurar
um poeta na hora que se inspira,
e se o verso perder o seu encanto,
o mais doce sorriso vira pranto
e a beleza do mundo se retira.

50 – Ademar
Quando a musa do céu vem e me inspira
pondo brilhos na minha inspiração,
eu desenho na mente uma paisagem
com pincéis vivos da imaginação;
e eu envolto na mais doce aquarela
vou encher de beleza a minha tela
retratando a paisagem do sertão.

51 – Prof. Garcia
Nunca vai nos faltar inspiração
porque nunca guardamos dissabores;
nossos versos se inspiram nas estrelas,
nos perfumes sutis que vem das flores,
e também são tirados das entranhas
das cavernas profundas das montanhas
protetoras dos vates trovadores.

52 – Zé Lucas
Eu me espelho nos nossos cantadores,
andarilhos de longa travessia,
cujo ofício é vender por toda parte
o produto de sua cantoria;
com a viola, fraterna companheira,
improvisam, cantando, a vida inteira,
sem desfalque no estoque de poesia.

53 – Ademar
Deus nos fez três arautos da poesia,
nos encheu de talento e inspirações;
nas entranhas da mente pôs os versos,
pôs a paz, pôs o amor nos corações
e nos fez uns eternos sonhadores,
fabricantes de versos e criadores
das mais puras e belas emoções.

54 – Prof. Garcia
Nossos versos provocam sensações
entre os ricos, plebeus e entre nós;
vem das auras sublimes das auroras,
da saudade que bate ao por dos sóis,
do sorriso feliz das madrugadas,
dos encantos das noites orvalhadas
ao romper dos mais lindos arrebóis.

55 – Zé Lucas
As estrelas são nítidos faróis
quando o céu anoitece mais bonito;
para nós, os poetas sonhadores,
a beleza da Lua é quase um mito
na distância da cósmica jornada
em que a voz de um trovão é quase nada
e o silêncio de Deus corta o infinito.

56 – Ademar
Deus pintou o cenário mais bonito
nos neurônios que tem na minha mente.
Com o brilho das luzes da poesia
me ensinou a fazer verso e repente;
me deu todas as dicas sobre a rima
e depois de fazer esta obra-prima
deu ao mundo um poeta de presente.

57 – Prof. Garcia
Tudo quanto na vida a gente sente,
vem da musa secreta dos arcanjos;
Deus é Pai, fez de tudo neste mundo,
fez a lira do vate, sem arranjos,
fez até entre os filhos pecadores,
a poesia dos vates trovadores
e a ternura do verso entre os seus anjos.

58 – Zé Lucas
Se os poetas cantassem como os anjos,
poderiam, no espaço de um segundo,
declamar para toda a humanidade
um poema de amor, belo e profundo,
pra livrá-la de lágrimas e tédio,
pois na essência dos versos há remédio
para todas as dores deste mundo.

59 – Ademar
Como prova de amor, maior do mundo,
Cristo morre por nós, os pecadores.
Vejo ainda no manto de Maria
os vestígios de suas próprias dores;
e, dotado de toda perfeição,
pra falar deste amor e do perdão
Deus criou os poetas trovadores.

60 – Prof. Garcia
Somos todos poetas sedutores
desta musa tão bela e tão divina,
que apesar de modesta e tão singela,
nunca foi, nem será tão pequenina;
porque somos eternos aprendizes
costurando as profundas cicatrizes
desta linda cultura nordestina.

Deixe um comentário

Arquivado em Rio Grande do Norte, Setilhas

Zé Lucas, Ademar Macedo e Prof. Garcia (Um Debate em Setilha Agalopada) Parte 1

Nota:

Este debate potiguar possui 150 setilhas, as quais foram divididas em 5 partes, contendo 30 setilhas cada uma.
Participaram dele :
José Lucas de Barros (Zé Lucas)
Ademar Macedo (Ademar)
Francisco Garcia de Araújo (Prof. Garcia)
———————–

01 – Zé Lucas
Companheiros de luta, está na hora
de afinarmos a lira pra cantar!
A viagem poética vai ser
empolgante, depressa ou devagar.
Os caminhos talvez se tornem duros,
e eu não sei se meus pés estão seguros,
mas a minha vontade é caminhar.

02 – Ademar
Meus poetas, me queiram desculpar
se a resposta que eu der não ficar boa,
eu virei uma fábrica de doença,
tudo o que eu fizer hoje sai à toa;
o meu corpo tá todo dolorido,
dói cabeça, dói pé e dói ouvido
não tem mais uma parte que não doa!

03 – Prof. Garcia
Mesmo assim Deus do céu nos abençoa,
e alivia esse triste padecer,
ninguém vive no mundo por acaso
nem se vive na terra sem sofrer;
Jesus Cristo foi santo sem pecado,
perdoou, padeceu, foi condenado
e morreu para o homem não morrer!

04 – Zé Lucas
Celebremos a bênção de viver
neste mundo em que Deus nos deu morada,
alargando a esperança cada dia
e espalhando sorrisos pela estrada,
como flores de amor e de prazer,
para que, quando o ocaso aparecer,
inda existam reflexos da alvorada.

05 – Ademar
Mesmo assim com a mente adoentada
eu me sinto na “bela” obrigação
de fazer estes versos de improviso,
e perdoe esta minha exaltação;
pois aqui eu lhe digo qual gabola:
quanto mais tiro versos da cachola
nasce em mim muito mais inspiração!

06 – Prof. Garcia
Se eu tivesse essa mesma inspiração
eu confesso num tom de rebeldia:
Que meu verso seria diferente,
tinha muito mais força e ousadia,
mas a força que sinto e me domina
acredito que seja a mão divina
que me inspira e me ajuda todo dia!

07 – Zé Lucas
Quando eu era menino não sabia
que o destino nos leva a qualquer canto,
faz o jogo que quer com nossa vida,
deita e rola com nosso desencanto;
nas trapaças que sabe arquitetar,
muitas vezes nos leva a gargalhar,
outras vezes explora nosso pranto.

08 – Ademar
Eu quisera na vida o mesmo tanto
deste fardo de versos que carregas,
sobre um rio de inspiração corrente
pelo qual mansamente tu navegas;
e eu espero que tu me compreendas:
se aumentares demais as encomendas,
eu talvez nem dê conta das entregas!

09 – Prof. Garcia
Enfrentei ventos fracos e refregas,
calmarias e fortes vendavais,
a procura da musa que me inspira
nos refrões dos antigos madrigais;
mas a sorte, madrasta dos meus planos,
só me deu versos soltos e profanos
e os gemidos sofridos dos meus ais!

10 – Zé Lucas
Muitas vezes me enredo em cipoais,
sem medir o perigo que me afronta,
empreitadas que a vida me oferece,
sem, de fato, saber se vou dar conta;
mesmo assim não me assusta o caminhar,
porque sei que algum dia vou chegar
onde minha esperança sempre aponta.

11 – Ademar
Só Deus sabe se eu vou pagar a conta
ou se vou anotar na caderneta,
meu mercado de versos anda fraco
e vocês fazem versos “de carreta”;
mas daqui pro final vou ver se engrosso,
tô querendo correr mas eu não posso,
nem que eu bote um motor nessa muleta!

12 – Prof. Garcia
Inda estou garimpando na banqueta
desbastando a velhaca pedra bruta,
à procura da musa que me ensine
a manter o meu nível de conduta;
porque nesta setilha agalopada,
se eu chegar ao final desta jornada
nunca mais entrarei noutra disputa!

13 – Zé Lucas
Inda estamos no início desta luta;
não podemos dar mostras de cansaço.
O rojão é pesado, mas faremos
a viagem sem medo e sem fracasso.
A poesia, que faz nosso universo,
nos dará o condão de cada verso
e a firmeza do chão em cada passo.

14 – Ademar
Vou impor uma lei ao meu cansaço
e mudar do meu verso a diretriz;
ao criar esta lei para o desânimo
já deixei o cansaço “por um triz”,
pois não há dor no mundo que me empate
e eu irei enfrentar este debate
sem ter medo nenhum de ser feliz!

15 – Prof. Garcia
Foi assim que eu pensei e sempre quis
e este meu pensamento eu não desfaço,
acredito na força do destino
confiando no verso que inda faço;
pois da fonte da santa inspiração,
eu bebi gotas d’água de ilusão
afastando as loucuras do fracasso.

16 – Zé Lucas
Deus, puxando o poeta pelo braço,
o coloca nas sendas da poesia,
dá-lhe a chave dos versos e o inspira
a cantar com beleza e galhardia.
É por essa razão que, certamente,
cada estrofe que faço é um presente
que recebo do céu com alegria.

17 – Ademar
Deus me fez um amante da poesia,
portador de profunda sensação,
agradeço a Deus Pai por minha vida,
vai pra Deus toda minha gratidão
pela minha família boa e pura,
pela fé, esperança e pela cura,
por meus versos… Por minha inspiração.

18 – Prof. Garcia
Sempre tive a maior veneração,
por Deus Pai, nosso eterno criador,
que me quis pequenino deste jeito
e me fez seu eterno sonhador;
como quem diz abrace o que te dei,
e a poesia, feliz eu abracei,
me tornando poeta e Trovador.

19 – Zé Lucas
A poesia nasceu quando o Senhor
disse: “Faça-se a luz” e a luz foi feita.
As estrelas por, todo o firmamento,
demonstraram que a obra era perfeita,
e o poeta, tangendo a pena leve,
bebe a luz das estrelas quando escreve,
porque verso apagado não se ajeita.

20 – Ademar
O poeta já vem com a verve feita
por Deus Pai nosso mestre e criador;
alguns nascem com a mente de aprendiz,
outros tantos já nascem professor,
e Deus vendo chegar a minha vez,
com a bênção sagrada Ele me fez:
Fuzileiro, Poeta e Trovador.

21 – Prof. Garcia
Sempre vi na grandeza do Senhor,
esta mão benfeitora e artesã:
no trinado das aves seresteiras,
despertando a floresta, o morro e a chã,
num concriz quando canta uma toada,
que enfeitiça o romper da madrugada
nos primeiros gorjeios da manhã!

22 – Zé Lucas
Canta alegre a inquieta jaçanã,
revoando por cima da lagoa;
pescador atravessa o rio cheio,
dando açoites nos remos da canoa,
aos impulsos febris do coração,
na manhã invernosa do sertão,
quando o “pai da coalhada” ainda ecoa.

23 – Ademar
Quando Deus muda a vida da pessoa
e a tribuna do verso lhe oferece,
sua vida transporta-se ao parnaso
onde eu sei que jamais ele emudece;
e ele envolto num mundo de poesia
tudo quanto ele escreve se irradia
quando a musa do verso lhe aparece.

24 – Prof. Garcia
Se esquecer de ninguém, Jesus se esquece,
porque somos seus filhos naturais,
ele tem nossos nomes e prenomes,
endereços e até nossos anais;
mas um dia, seremos todos réus,
ante os pés do Senhor, que está nos céus,
enfrentando os seus velhos tribunais!

25 – Zé Lucas
Nesta vida, os pecados são demais,
apesar de fazermos caridade.
Não podemos fugir de todos eles,
porque o mundo nos cerca de maldade,
e é por isso que o dom da salvação
não depende de nós, mas do perdão
que Jesus prometeu à humanidade.

26 – Ademar
Quando Deus me levar pra eternidade
ficará nesta terra a minha cruz,
juntamente com todos meus pecados
pois pecados pra lá não se conduz;
agradeço ao bom Deus por esta vida
e eu não quero que chorem na partida,
porque vou para o céu pra ver Jesus!

27 – Prof. Garcia
Eu também peço a Deus que me conduz,
que releve os meus gestos de maldade,
que perdoe meus pecados cometidos
muitas vezes repletos de humildade;
mas se somos reféns desses pecados,
precisamos por Deus ser perdoados
para entrarmos na santa eternidade!

28 – Zé Lucas
Tive o berço que teve a humanidade,
dentro do Éden, com Eva e com Adão.
Inquilino da “Terra Prometida”,
protegeram-me os braços de Abraão.
Mesmo pobre e sofrido como Jó,
bebi água no Poço de Jacó
e depois batizei-me no Jordão.

29 – Ademar
Então hás de ganhar a salvação
pois é leve demais a sua cruz.
Percorreste um caminho da verdade
e quem faz desse jeito encontra a luz;
que demore, pra o céu, sua viagem
mas você possuindo essa bagagem
sentará à direita de Jesus!

30 – Prof. Garcia
Esqueci das barreiras que transpus
percorrendo as vertentes da poesia,
sempre em busca da forma mais completa
das origens dos versos que eu fazia;
só depois que bebi desta vertente,
Deus me fez tangerino do repente
e tropeiro do verso que me guia!
Fonte:
Setilhas enviadas por Ademar Macedo

Deixe um comentário

Arquivado em Rio Grande do Norte, Setilhas

Ademar Macedo (Carnaval em Trova e Soneto e Uma Setilha)

De sábado a terça-feira
cai na folia o país…
Diverte-se a pátria inteira,
sem medo de ser feliz!
–A. A. DE ASSIS/PR–

Quando encontrei desbotado
seu retrato de arlequim
no carnaval do passado,
senti saudade de mim!
–ALFREDO DE CASTRO/MG–

Ah! Esse amor eu queria…
Mas o destino, afinal,
pôs fim em nossa folia,
logo em pleno carnaval!
–CLENIR NEVES RIBEIRO/RJ–

Na loucura de três dias,
vai-se tentando afogar
as frustrações, nostalgias
que a vida deixa ficar…
–CONCEIÇÃO A. C. DE ASSIS/MG–

Nos quatro dias de momo
ante tanta bebedeira,
eu estarei, não sei como,
quando chegar quarta-feira!
–FRANCISCO JOSÉ PESSOA/CE–

Foliões encantadores,
fantasias colossais…
um mesclado de mil cores,
só nos nossos carnavais!
–GLÓRIA MARSON/SP–

Nos três dias de folia,
aquela atração fatal,
não passou da fantasia
de um amor de carnaval!
–GUILHERME MACHADO/RJ–

Os poetas foliões
vestiram as fantasias,
desfilaram nos cordões
declamando poesias.
–HELOISA CRESPO/RJ–

No carnaval da paixão
no quesito “nosso amor”
a nota da comissão
foi um “dez” e com louvor!
–LARISSA LORETTI/RJ–

Sem amor e sem carinho
no carnaval da ilusão,
vou pular frevo sozinho
no bloco da solidão.
–LUIZ GONZAGA ARRUDA/CE–

Na passarela dos sonhos,
num desfile de magia,
passam pierrôs tristonhos,
num carnaval sem folia…
–MARIA CARRIÇO/RN–

Carnaval!… Grande folia.
Vou mostrar o meu segredo,
vou rasgar a fantasia,
cantando meu samba-enredo.
–MIFORI/SP–

Carnaval exige estudo
para quem busca namoro:
escolha bem, pois nem tudo
que está reluzindo é ouro!!!
–MILTON SOUZA/RS–

Nos carnavais desta vida
muitos desfilam, risonhos,
uma versão colorida
dos seus malogrados sonhos.
–ZENAIDE MARÇAL/CE–

UMA SETILHA DE ADEMAR

Hoje eu faço do “repente”
minha grande alegoria;
nos versos de uma setilha
ponho a minha fantasia
para a festa ser completa;
pois carnaval de poeta
não pode faltar poesia.
–ADEMAR MACEDO/RN–

SONETOS:

Uma Vez Sambista… Sempre Sambista
DE: DARLY O. BARROS/SP
PARA: CARMEN OTTAIANO/SP

Se o sangue ferve e a pele se arrepia,
ao som da Escola, em novo samba-enredo,
sem mais rodeios, veste a fantasia
e a máscara, que é bom guardar segredo!

Esquece os males, entra na folia
que é tempo de alegria e de folguedo,
só não te atrases, nossa bateria
vai esquentar seus tamborins mais cedo!

Quero te ver de novo na Avenida,
suada, sorridente, enrouquecida,
rememorando antigos carnavais

e então, findo o desfile, em plena rua,
te ver sambando, ainda, à luz da lua,
com alma leve e um ar de quero mais!…

Poema da Apoteose
–ELISABETH SOUZA CRUZ/RJ–

Tem gente que se diz carnavalesca
pensando no vestir da fantasia…
Há gente com ideia gigantesca
de mascarar a dor numa folia…

Outras existem, de ilusão dantesca,
às margens de uma suposta euforia,
não indo além da gula romanesca
de saciar o sonho por um dia…

O Carnaval, não mais de antigamente,
anda mesclado de prazer urgente,
com gente que não tira os pés do chão!

Mas Carnaval não tem dia nem mês…
é aquele em que se perde a sensatez
na apoteose de uma inspiração!

Perdi Meu Carnaval
–AMILTON MACIEL MONTEIRO/SP–

Brinquei nos carnavais lindos de outrora,
Um tempo bom e muito diferente
De tudo o que se escuta e vê agora
No modo de folgar de tanta gente.

As graciosas marchas, feito a “Aurora”
E a “Jardineira”, mais que de repente
Sumiram da folia, foram embora,
Expulsas num barulho “ensurdecente”…

O romantismo todo que existia
No jogo de confete e serpentina,
Em busca do romance tão sonhado,

Suponho até que entrou em agonia…
Agora é a adrenalina o que domina…
Pra que xodó?… Tá tudo liberado!

Fonte:
Textos enviados pelo Autor

Deixe um comentário

Arquivado em carnaval, Setilhas, Sonetos, Trovas

Cantando ao Som das Setilhas (Debate pela Internet) Parte 10, final


211 – Zé Lucas

Na doçura do lirismo,

nossos poemas são hinos

que viram salmos de amor,

e os poetas são meninos

de imaginários castelos,

cantando versos tão belos

como notas de violinos.

212 – Gislaine Canales

Nossos sonhos pequeninos

vamos sempre realizar,

e enormes se tornarão,

em nosso filosofar,

pois poeta nunca é triste,

e nem percebe, se existe,

alguma nuvem no olhar!

213 – Prof. Garcia

Nunca pensei versejar

por caminhos tão distantes,

pisar na relva macia,

em campos tão verdejantes;

por onde a musa vagueia,

nosso repente passeia

enfeitiçando os amantes.

214 – Delcy Canalles

Que nós moramos distantes

não podemos duvidar!

Vindo lá do teu Nordeste,

ao Sul, pudeste chegar,

pra conhecer as flechilhas

e as ondulantes coxilhas,

que nos levam a sonhar!

215 – A. A. de Assis

E por falar em sonhar,

a vocês boa viagem.

Vocês vão para o Caribe,

eu estou noutra paisagem,

mas vamos todos ficar

de dia curtindo o mar

e à noite gostosa aragem.

216 – Arlindo T. Hagen

Bem merece uma homenagem

nos momentos atuais

nossa Gislaine Canales.

Seus esforços pessoais

fazem, de modo fecundo,

multiplicar pelo mundo

os nossos Jogos Florais!

217 – Thalma Tavares

Sem preâmbulos formais,

te digo, irmão trovador,

que nossa Gislaine é um prêmio

que nos deu nosso Senhor,

para que a Trova altaneira

florescesse além-fronteira

difundindo Paz e Amor.

218 – Zé Lucas

Quem age com tal fervor

tem o dom da liderança,

é luz que mostra caminhos,

pertinácia que não cansa,

alma, de bondade, cheia,

mão que, no mundo, semeia

as sementes da esperança.

219 – Gislaine Canales

Feliz como uma criança,

agradeço emocionada

a todos, esse carinho.

A trova, por nós amada,

realizou o meu sonho,

tornou meu dia, risonho,

e minha noite, alvorada!

220 – Prof. Garcia

O poeta, a cada alvorada,

ao despertar se extasia,

sonha, delira e se encanta,

com a graça de um novo dia;

como quem faz uma prece,

se entrega ao sono, e adormece

nos embalos da poesia.

221 – Delcy Canalles

Quando a manhã nos espia,

banhada pela alvorada,

eu sinto um prazer imenso

que enche de luzes a estrada,

e a beleza dessa hora

se mistura com a da aurora

e se faz acariciada!

222 – A. A. de Assis

Preparemo-nos, moçada,

que os sinos já estão nos ares.

Porém fico aqui pensando

se vocês, os potiguares,

acham todo dia igual,

visto que aí tem Natal

todo dia, em mil cantares…

223 – Arlindo T. Hagen

O Natal está nos ares…

No comércio há uma abundância

de símbolos natalinos…

Mas quem não olha, à distância,

os Natais da atualidade

sem sentir certa saudade

dos Natais da nossa infância?…

224 – Thalma Tavares

Eu não discuto a importância

do nababesco tropel

dos natais da atualidade,

mas reprovo o seu papel

porque vejo, entristecido,

Jesus sendo preterido

por um tal Papai Noel.

225 – Zé Lucas

Colocam Papai Noel

acima do Salvador,

como se um mito pudesse

salientar-se em valor,

para nossa humanidade,

diante da majestade

do Filho do Criador.

226 – Gislaine Canales

Noel é ilusão de amor,

no coração da criança,

mas façamos nossos filhos

terem a fé e a esperança,

nos preceitos dos seus dias,

que o Senhor das alegrias

é o nosso Deus de bonança!

227 – Prof. Garcia

Natal, de tanta bonança,

de tanta ilusão perdida!

Sobra comida nas mesas,

falta esperança na vida;

para o jantar, num segundo,

convida-se todo mundo,

só Jesus, ninguém convida!

228 – Delcy Canalles

Natal é Festa da Vida,

Festa do Amor e Perdão,

onde o homem mais que tudo

deveria ser cristão,

pra saciar, do pobre, a fome,

dar comida a quem não come,

repartir sua afeição!

229 – A. A. de Assis

De todo o meu coração,

neste momento aqui digo

que nada é mais importante

que uma amiga e um bom amigo,

aos quais possamos falar,

ao ver o ano findar:

– Como é bom contar contigo!

230 – Arlindo T. Hagen

Eu tenho sempre comigo

uma saudável vaidade

das amizades que eu tenho.

Eu vivo em felicidade

pois tenho a certeza plena

que a vida só vale a pena

se vivida na amizade!

231 – Thalma Tavares

Chegar à longevidade

sem amizade é castigo…

É como andar ao relento

sem o calor de um abrigo.

Se amizade é uma riqueza,

sou rico e ponho nobreza

em meus abraços de amigo.

232 – Zé Lucas

Eu sempre pensei comigo

que amizade é uma riqueza

fácil de se conseguir

e conservar com firmeza;

mas, quem não é seu herdeiro,

mesmo nadando em dinheiro,

é pobre por natureza.

233 – Gislaine Canales

A amizade é só riqueza,

e a cada dia que surge

sinto novas emoções,

pois nela sempre ressurge

a minha grande utopia,

que é viver só na alegria,

pois ser feliz, em mim, urge!

234 – Prof. Garcia

A cada Natal ressurge

no lar de cada pessoa,

um sentimento de paz,

na voz santa que ressoa;

vinda dos braços da cruz,

de um Cristo cheio de luz,

dando vida a quem perdoa.

235 – Delcy Canalles

As canções que a gente entoa

nestas Festas Natalinas,

nos fazem irmãos melhores,

têm brilho de purpurinas,

pois Natal é Festa Santa,

aos cristãos todos, encanta,

com melodias divinas!

236 – A. A. de Assis

Bons meninos e meninas,

nas vésperas do Natal,

nossa troca de setilhas

entra na reta final.

A vocês, emocionado,

deixo o meu muito obrigado

e um abraço fraternal.

237 – Arlindo T. Hagen

Num convívio fraternal,

repleto de novidades,

compomos nossas setilhas

e, alheio às nossas vontades,

temos de nos despedir

e já começo a sentir

inevitáveis saudades!

238 – Thalma Tavares

Vencendo dificuldades

minha lira despojada

pôs-se a refletir a luz

da poesia iluminada…

De Zé Lucas ao Arlindo T. Hagen

quem muito aprendeu fui eu

nesta batalha encantada.

239 – Zé Lucas

Os versos desta empreitada

não cairão no paul…

Sei que não brilham tão longe

como o Cruzeiro do Sul;

porém, com sua mensagem,

marcarão nossa passagem

por este planeta azul.

240 – Gislaine Canales

Aqui do meu belo Sul,

eu também quero abraçar

todos vocês, meus amigos,

e a todos, paz desejar,

inspiração na poesia,

vida cheia de alegria,

numa ventura sem par!

241 – Prof. Garcia

Dói muito ter que parar

um jogo tão grande assim…

Mas tudo na vida passa,

tem seu princípio, seu fim;

e este debate acabando,

vai deixar triste, chorando,

a musa dentro de mim!

242 – Delcy Canalles

Um jogo, jogado assim,

entre amigos, eu diria,

não devia terminar,

pois viverá na poesia.

aumentando esta amizade,

que se transforma em saudade

na faina do dia-a-dia!

243 – A. A. de Assis

Meus irmãos de poesia,

a um tempo triste e feliz,

aqui lhes deixo a setilha

mais comovida que eu fiz.

A vocês muito obrigado,

e um grande abraço apertado

do irmão menorzinho, o A. A. de Assis.

244 – Arlindo T. Hagen

Relendo os versos que fiz,

agradeço a compreensão

dos colegas “setilheiros”

e desejo a cada irmão

um santo e feliz Natal

e um 2010 legal

repleto de inspiração!

245 – Thalma Tavares

Pedi ao meu coração

que não seja emocional

ao fechar este debate

tão belo e tão fraternal…

E ao Cristo, de quem sou crente,

pedi que não deixe a gente

ser cristão só no Natal.

Fonte:

Colaboração de Zé Lucas. José Lucas e parceiros. Cantando ao som das setilhas. Natal/RN: 2011.

Deixe um comentário

Arquivado em Setilhas

Cantando ao Som das Setilhas (Debate pela Internet) Parte 9



183 – Zé Lucas

Discórdia e perversidade

já vêm do tempo de Adão,

quando Caim, por inveja,

tirou a vida do irmão;

apesar disso, acredito

que um futuro mais bonito

inda nos estende a mão.

184 – Gislaine Canales

Resta a nós, de coração,

sonhar com a paz mundial.

É a nossa meta, poetas!

Como oração especial,

nós deixamos em poesia,

as sementes da alegria

de uma esperança imortal!

185 – Prof. Garcia

A vida é fenomenal

ante a luz da criação.

Quem fez este mundo lindo

nunca viveu de ilusão;

mas teve um amor tão profundo,

que fez das glórias do mundo

o reino da salvação

186 – Delcy Canalles

Falas de Deus, meu irmão,

e eu concordo, hoje, contigo!

A beleza do Universo

Ele trazia consigo…

Fez nosso mundo bonito,

com promessas de infinito,

que, às vezes, chora comigo!

187 – A. A. de Assis

Deus é Pai, é Amor, é Amigo,

por isso nos quer irmãos,

caminhando sempre unidos,

uns aos outros dando as mãos.

Brasileiros e estrangeiros,

somos todos companheiros,

universais cidadãos.

188 – Arlindo T. Hagen

Para sermos bons irmãos

há uma receita que eu sei,

aliás, todos sabemos:

seguir os passos de um Rei

transformado em Salvador:

“Amai-vos no mesmo Amor

com que sempre eu vos amei.”

189 – Thalma Tavares

Cristo fez do Amor a lei

mais branda que se conhece.

Quem nessa lei se compraz

vence a dor e não padece.

Quem segue essa Lei divina

vive em paz, não desatina

e a vida eterna merece.

190 – Zé Lucas

Creio na força da prece

que atrai os fluidos do bem

e nos leva pra mais perto

do Pai, de cujas mãos vem,

para quem nele acredita,

aquela paz infinita

que o mundo anseia e não tem.

191 – Gislaine Canales

Uma prece por alguém

atrai a felicidade,

enobrece os corações,

faz brotar a caridade

e enfeitando o nosso dia

feito um Sol, só de alegria,

enraíza uma amizade!

192 – Prof. Garcia

Deus por amor e bondade,

num mandamento de luz…

para salvar este mundo,

mandou seu filho Jesus;

mas nem o Cristo inocente

escapou da chama ardente

nem do castigo da cruz!

193 – Delcy Canalles

Nem mesmo Cristo Jesus

escapou da violência !

Perdeu para Barrabás,

um malfeitor em essência!

Pregou o Bem e a Bondade,

quis salvar a Humanidade

e o mataram sem clemência!

194 – A. A. de Assis

Um dia por excelência

o de hoje, afinal com cara

de primavera – aleluia! -,

coisa linda e este ano rara.

Céu azul, sol abundante,

passarinhada cantante,

como o poeta sonhara.

195 – Arlindo T. Hagen

Quando a Morte nos separa

de quem, tão fraternalmente,

fomos unidos na Vida

o coração se ressente.

Que sejam, neste Finados,

nossos mortos relembrados…

tão vivos dentro da gente…

196 – Thalma Tavares

A morte eu sei, finalmente,

que é passagem concedida,

é porta do além que se abre

para outro plano, outra vida…

Lá curtirei outra vez

saudades de quem já fez,

antes de mim, a partida.

197 – Zé lucas

A morte é uma despedida

de quem vai pra não voltar…

Para o ateu, é o simples fim;

para o crente, é o caminhar

noutra dimensão da vida,

buscando a eterna guarida

que Deus tem para nos dar.

198 – Gislaine Canales

A partida faz chorar,

mas essa, que não tem volta,

nos faz sofrer mais ainda;

muitas vezes, nos revolta;

choramos de nostalgia,

com uma angústia vazia,

que, da morte, vira escolta!

199 – Prof. Garcia.

Mesmo que cause revolta,

nesta hora estremecida;

a morte é o pagamento

do preço desta corrida…

Onde o homem revoltado,

achou que fosse o pecado

o doce melhor da vida!

200- Delcy Canalles

A morte, pra mim, é tida

como algo que causa horror!

Quisera sempre viver,

ainda que em meio à dor;

por isso imploro por fé,

pedindo perdão até

a Deus Pai, Nosso Senhor!

201 – A. A. de Assis

Enquanto possível for,

vivamos então a vida,

que ela é dura e passageira,

porém de todos querida.

Fazer da vida um troféu

é um modo de estar no céu

antes mesmo da subida.

202 – Arlindo T. Hagen

Há vida depois da vida?

Na dúvida me mantenho

alheio a tais discussões.

Mas enquanto eu me contenho

no crer ou deixar de crer,

tudo o que eu queria ter

é a certeza que eu não tenho!

203 – Thalma Tavares

Pois esta certeza eu tenho,

mas não imponho a ninguém

que nem todos acreditam

que há outra vida no Além.

Pra não teimar eu desisto,

mudo o tema, não insisto,

agradeço e digo: Amém!

204 – Zé Lucas

Thalma Tavares, tu fizeste bem.

Vamos buscar novas trilhas…

Certos temas nos afastam,

transformando-nos em ilhas,

e é preciso andarmos juntos,

pois não faltam bons assuntos

para o embalo das setilhas.

205 – Gislaine Canales

A inspiração nas setilhas

entre nós, faz-se infinita,

pois no passo da amizade,

fica sempre mais bonita.

Somos do verso, as estrelas,

e é tão gostoso escrevê-las

quando a musa nos visita!

206 – Prof. Garcia

É, pois, a musa bendita

que nunca nos deixa à-toa,

chega no sopro da brisa,

nas asas do vento voa;

faz do verso, arma secreta,

da inspiração do poeta

um coração que perdoa!

207 – Delcy Canalles

Tal pensamento ressoa

na minha alma tão sofrida,

pois a musa de que falas

anda, de mim, esquecida!

Volta, musa, ao meu caminho,

dá-me fé, dá-me carinho,

poetiza a minha vida!

208 – A. A. de Assis

Ah, minha musa querida,

sem você não sou ninguém:

só você me ajuda a ver

o encanto que a vida tem.

Sempre que a tenho a meu lado,

é como se houvesse entrado

no reino onde mora o Bem.

209 – Arlindo T. Hagen

No instante em que o verso vem,

os problemas mais diversos

desaparecem da mente.

Assim, em sonhos dispersos,

agradeço ao Criador

que, ao me fazer Trovador,

deu-me o dom de fazer versos!

210 – Thalma Tavares

Vivemos nós sempre imersos

em rimas, sonho e lirismo…

Nossos versos não traduzem

sentimentos de egoísmo.

E as mágoas de cada dia

transformamos em poesia

do mais puro idealismo.

—————

continua…

Fonte:

Colaboração de Zé Lucas. José Lucas e parceiros. Cantando ao som das setilhas. Natal/RN: 2011.

Deixe um comentário

Arquivado em Setilhas

Cantando ao Som das Setilhas (Debate pela Internet) Parte 8


155 – Zé lucas

Somos do país do amor,

grande como um continente,

rico que só marajá,

pobre que só indigente;

tem corrupção como regra,

mas tem carnaval que alegra,

de ano em ano, nossa gente.

156 – Gislaine Canales

Ser vencedor faz contente

nosso povo brasileiro,

que está feliz, por demais,

por ser um povo guerreiro

e usando as guerras da paz,

transmite alegria e faz

mais feliz o mundo inteiro!

157 – Prof. Garcia

Nosso povo é o timoneiro

dos braços desta nação,

onde há poucos tendo muito,

muitos sem teto e sem pão;

mas o bom deste País,

é que seu povo é feliz

no Sul, Nordeste ou Sertão.

158 – Delcy Canalles

Nós somos um povo irmão

que luta por melhor sorte,

que tem os olhos no mundo

e é guapo, valente e forte!

Um povo que , hoje, é feliz,

pois quer ver o seu País

destacando-se no esporte!

159 – A. A. de Assis

Tristeza de Sul a Norte:

perdemos nosso Miguel,

queridíssimo poeta,

primoroso menestrel.

Um sonetista de truz,

que ao céu foi levar mais luz

e o seu coração de mel.

160 – Arlindo T. Hagen

Vai fazer falta o Miguel!

Em meio à consternação,

eu gosto de imaginá-lo,

no céu, numa exibição,

dizendo, em meio a um sorriso,

suas trovas de improviso,

num show de declamação!

161 – Thalma Tavares

Ao mostrar preocupação

com o poetar dos humanos,

Deus faz nascer um poeta

com talentos soberanos.

Por isso nasceu Miguel

que hoje é anjo-menestrel

poetando entre os arcanos.

162 – Zé Lucas

Já era avançado em anos,

mas estava sempre ativo:

mestre no lavor do verso,

deixou primoroso arquivo;

por isso, nosso decano

morreu como ser humano;

como poeta, está vivo.

163 – Gislaine Canales

Relembrá-lo é um lenitivo,

é triste sentir saudade,

se pensarmos na alegria,

que nos dava,de verdade,

nosso querido Miguel,

o mais doce menestrel,

mestre do amor e amizade!

164 – Prof. Garcia

Hoje, de fato a saudade,

chegou mais triste e cruel,

com a notícia inditosa

do fim de Dr. Miguel,

deixando a musa tristonha,

mas foi viver com quem sonha

nosso feliz menestrel!

165 – Delcy Canalles

Partiste, amigo Miguel,

excelente sonetista,

trovador dos mais queridos,

declamador, grande artista!

Saudosos, por ti, choramos;

tua ausência, lamentamos,

impagável piadista!

166 – A. A. de Assis

Porém no futuro invista,

porque o dia é da Criança,

dia de festa e alegria,

sobretudo de esperança,

pois que Deus aos pequeninos

– às meninas e aos meninos –

reserva a mais bela herança.

167 – Arlindo T. Hagen

Sem educar a criança

não há comemoração,

nem mesmo em doze de outubro.

Seremos uma Nação

quando toda a criançada

estiver matriculada

no curso da Educação!

168 – Thalma Tavares

Dói muito em meu coração

ver que o ensino da criança

não lhe prepara o futuro.

Porque nos tira a esperança

de ver o Brasil crescendo

e a criançada aprendendo

a ter nos homens confiança.

169 – Zé Lucas

Devemos dar à criança

amor intenso e profundo,

sem negar-lhe a proteção

e o carinho, um só segundo,

além de crença e saber,

porquanto ela vai crescer

e um dia governa o mundo.

170 – Gislaine Canales

Com nosso sonho profundo

seremos sempre criança

com nossas almas poetas,

cheias de amor e esperança

onde nasce, a cada dia,

uma nova fantasia

que deixaremos de herança!

171 – Prof. Garcia

A nossa maior poupança

é quando se educa alguém,

pois a riqueza maior,

é a educação que se tem;

porque nesta vida à-toa,

é mais feliz a pessoa

que estuda e pratica o bem!

172 – Delcy Canalles

Eu quisera ser alguém

bastante rico em virtude;

alguém em quem confiassem,

sempre bem com a Juventude;

uma pessoa bacana,

que, a outrem, jamais engana,

mas acreditem: – Não pude!

173 – A. A. de Assis

Por falar em juventude,

amanhã é o professor

que vai ter também um dia

em honra do seu valor.

A ele os meus cumprimentos,

hoje e em todos os momentos,

visto que é merecedor.

174 – Arlindo T. Hagen

Ao falar do Professor

que boa lembrança invade

meu coração de poeta!

Dos meus versos, na verdade,

a primeira professora

foi a musa inspiradora.

Minha primeira saudade!

175 – Thalma Tavares

Eu, então, sinto saudade

daquela gentil senhora

que iluminou minha infância:

minha Mestra, dona Aurora

que me ensinou com carinho

como encontrar o caminho

dos versos que faço agora.

176 – Zé Lucas

Do bom mestre sempre aflora

uma expressão de carinho.

A quem não conhece a vida,

ele prepara o caminho;

mas o pobre professor

ensina só por amor,

porque o salário é mesquinho!

177 – Gislaine Canales

Mando com muito carinho

minha sincera homenagem

aos mestres todos do mundo,

mas, no meu ser, essa imagem

tem um nome, e eu digo aqui,

com muito orgulho: é Delcy Canalles,

que merece esta mensagem!

178 – Prof. Garcia

Tive uma longa passagem

no mundo da educação,

ensinei por trinta anos

sempre naquela ilusão

de ver alguém mais feliz,

fazendo o que sempre quis

dono da própria razão.

179 – Delcy Canalles

Eu também, querido irmão.

muitos anos, ensinei:

fui paraninfa escolhida

de turmas que, então, formei;

lecionei Psicologia,

e fui mestra da poesia

das alunas que eu amei!

180 – A. A. de Assis

Ame o súdito e ame o rei,

ame o grande e ame o pequeno,

pois quem ama faz o mundo

mais bonito e mais ameno.

Do amor faça uma bandeira

que se estenda à Terra inteira,

levando da paz o aceno.

181 – Arlindo T. Hagen

Um mundo bem mais sereno

pode estar em nossas mãos

se todos colaborarmos.

Quando os sentimentos vãos

sumirem da Terra inteira,

quando o Amor for a bandeira,

o Mundo será de Irmãos!

182 -Thalma Tavares

Nós nos dizemos cristãos,

mas não somos de verdade…

Somos ainda egoístas,

parcos de amor e bondade.

Mas um dia chegará

em que o mundo viverá

na mais perfeita irmandade.

—————

continua…

Fonte:

Colaboração de Zé Lucas. José Lucas e parceiros. Cantando ao som das setilhas. Natal/RN: 2011.

Deixe um comentário

Arquivado em Setilhas

Cantando ao Som das Setilhas (Debate pela Internet) Parte 7


120 – Zé Lucas

Nestes versos pequeninos,

homenageio a grandeza

das almas superiores,

cheias de brilho e nobreza,

que, tendo amor sem medida,

voam acima da vida,

sem dar espaço à fraqueza.

121 – Gislaine Canales

Eu falo, então, da beleza,

seja do Sul ou do Norte,

ou do Meio do Brasil!

A Poesia é o passaporte

que chega com emoção,

trazendo-lhe a inspiração!

Poeta é cabra –de –sorte!

122 – Prof. Garcia

Neste mundo a minha sorte,

vem das esferas do além,

chega nas asas do vento

de todo canto ela vem;

desperta ao nascer do sol,

dorme na luz do arrebol

mas não pertence a ninguém!

123 – Delcy Canalles

Quisera ser esse alguém,

cuja sorte me fascina,

que, às vezes, chega com a brisa

e tem origem divina,

que aumenta com a luz da aurora

ou com a do Sol que vigora,

em verdadeira rotina!

124 – A. A. de Assis

Que bom que o frio termina…

Volta à rua a minissaia,

volta à rosa o beija-flor,

volta a moçada à gandaia.

É hora de quem puder

pegar a prole e a mulher

e se mandar para a praia!

125 – Arlindo T. Hagen

Como faz falta uma praia

aqui nas Minas Gerais!

Um espaço democrático

feito a praia não há mais

pois, de chinelo e calção,

na areia ou no calçadão,

os homens são mais iguais!

126 – Thalma Tavares

Os homens são mais iguais

quando igualam sentimentos

de paz, de fraternidade,

de saudáveis pensamentos.

Meus mais iguais são poetas

que buscam em suas metas

dar sentido aos seus talentos.

127 – Zé Lucas

O Pai não deixou talentos

iguais para os filhos seus.

Os seres não são iguais

na família dos pigmeus

nem também na dos gigantes,

e, se somos semelhantes,

já damos graças a Deus.

128 – Gislaine Canales

Sem ser cristãos ou ateus,

somos iguais, na verdade;

em nosso mágico mundo

vivemos em liberdade,

com versos, por companhia,

cheios de paz e alegria,

que nos dão felicidade!

129 – Prof . Garcia

Mesmo com tanta maldade

eu alimento a esperança,

de ver um mundo feliz

sabendo que não se alcança;

mas esta fé que me guia,

vem da força da poesia

que trago desde criança.

130 – Delcy Canalles

O bálsamo da esperança

nos vem com a Primavera,

que chega alegre em setembro,

depois de uma fria espera,

pois ela é a estação das flores,

dos perfumes, dos amores,

dos sonhos e da quimera!

131 – A. A. de Assis

Quanto sonho o verso opera…

Da Argentina a Portugal,

de Porto Alegre ao Caribe,

da Venezuela a Natal.

Sonho que une as nossas mãos

numa corrente de irmãos

tecendo um lindo ideal.

132 – Arlindo T. Hagen

A linguagem fraternal

que nos une em acalanto

facilita o entrosamento

com irmãos de qualquer canto.

Deste modo, versejar

é quase como falar

uma espécie de Esperanto!

133 – Thalma Tavares

Bem lembrado! O Esperanto,

por Zamenhof criado,

é uma língua universal

e pode ser comparado

como espécie de linguagem

de toda nossa mensagem

neste debate encantado.

134 – Zé Lucas

Nós damos nosso recado

na linguagem da poesia,

que fala a todos os povos

na mais clara sintonia;

tem a beleza da prece,

e o mundo inteiro conhece

a sua geografia.

135 – Gislaine Canales

É sempre grande a alegria

e infindável a emoção

sentidas ao escrever.

As musas do coração

nos irmanam, é verdade,

e temos, com liberdade,

uma eterna inspiração!

136 – Prof. Garcia

Cada verso é uma canção

que se escreve em cada tema,

a estrofe tem tanta graça,

riso de beleza extrema,

que cada gota de orvalho

que escorre de cada galho

cai escrevendo um poema.

137 – Delcy Canalles

Para mim são um dilema

as setilhas do Garcia,

que chegam lá do Nordeste!

Têm alma e têm alegria,

e as imagens que ele emprega

são tão lindas, ninguém nega,

que chora a minha poesia!

138 – A. A. de Assis

Thalma Tavares, Gislaine, Garcia,

Zé Lucas, Delcy Canalles, Arlindo T. Hagen,

que bom ler a cada dia

o que o sexteto escreveu.

O sétimo, o A. A. de A. A. de Assis,

agradece-lhes, feliz,

tais bênçãos que Deus lhe deu.

139 – Arlindo T. Hagen

Pela bênção que me deu

desta atenção recebida

dos amigos escritores

a Deus, de alma agradecida,

louvo, com felicidades,

pois melhores amizades

não conheci nesta vida!

140 – Thalma Tavares

Ando de alma agradecida

pelo tempo já vivido,

pelas bênçãos conquistadas,

por este amor repartido

entre o meu lar e a poesia:

fontes de paz, de alegria,

que ao meu viver dão sentido.

141 – Zé Lucas

Muito já tenho aprendido

nesta longa caminhada,

que me mostra novos rumos

em cada idéia trocada,

e isso é tão estimulante,

que eu, sozinho, doravante

talvez me perca na estrada.

142 – Gislaine Canales

Pois a cada madrugada,

só nos resta agradecer

toda a alegria e o amor

que o poema faz nascer

ao crescer dentro de nós,

não nos deixando tão sós,

nos ensinando a viver!

143 – Prof. Garcia

Cada manhã, que prazer,

olhar o romper da aurora,

a noite dizendo adeus

ao triste orvalho que chora;

como quem sente ciúme

da beleza e do perfume

que a luz da manhã devora!

144 – Delcy Canalles

Gosto de olhar para a aurora

e receber seu “Bom-dia” !

Gosto de olhar a tardinha

em vespertina alegria!

E gosto do pôr-do-sol

com a beleza do arrebol!

Todos me inspiram poesia!

145 – A. A. de Assis

Poesia é irmã da alegria…

Cada rima que se faz,

seja rica ou seja pobre,

um grande prazer nos traz.

Rimando a gente comprova,

na setilha ou numa trova,

que o verso promove a paz.

146 – Arlindo T. Hagen

Quem faz versos é capaz

de, com trabalho fecundo,

semear a paz e o amor

e é com respeito profundo

que devemos aceitar

esta missão de tornar

um pouco melhor o Mundo!

147 – Thalma Tavares

O poeta é um ser fecundo

que tem a missão sagrada

de libertar seus irmãos

da ignorância e da espada.

E em sua nobre missão

pode calar um canhão

com simples trova inspirada.

148 – Zé Lucas

O poeta faz do nada

o seu mundo diferente,

longe da realidade

que às vezes perturba a gente,

e, com visão colorida,

dá novo sentido à vida,

sentindo o que ninguém sente.

149 – Gislaine Canales

Ser poeta me faz gente:

eu gosto de tudo, enfim,

do mar, do céu, do luar ,

do perfume do jasmim.

Eu gosto até da saudade,

que lembra a felicidade

que existe dentro de mim!

150 – Prof. Garcia

Toca um anjo querubim,

cantando lindos cordéis,

despertando as madrugadas

sem inverter seus papéis;

dedilhando serenatas,

ao som de antigas cascatas,

refúgio dos menestréis!

151 – Delcy Canalles

Defendamos os papéis

dos amigos das setilhas,

que aproximam, neste mundo,

diferentes maravilhas:

relembram suas infâncias,

encurtam longas distâncias,

visitam nossas coxilhas!

152 – A. A. de Assis

Pois é, meus filhos e filhas,

a Olimpíada é no Rio:

brinquedo pra lá de caro,

mas que aquece o nosso brio.

Faz festa o Brasil inteiro

pelo fato alvissareiro,

tão sonhado anos a fio…

153 – Arlindo T. Hagen

Sempre a cada desafio

o mundo inteiro descobre

a garra do nosso povo

cuja miséria se encobre

com máscaras de “feliz”.

Tão rico é nosso país

e, ao mesmo tempo, tão pobre!

154 – Thalma Tavares

Há sempre um motivo nobre

nos versos de um trovador.

Seja de aplauso ou censura,

de protesto ou dissabor.

Arlindo T. Hagen, em teu verso novo,

pintas a face de um povo

campeão de paz e amor!

—————

continua…



Fonte:


Colaboração de Zé Lucas. José Lucas e parceiros. Cantando ao som das setilhas. Natal/RN: 2011.

Deixe um comentário

Arquivado em Setilhas

Cantando ao Som das Setilhas (Debate pela Internet) Parte 6


85 – Zé Lucas

Nós vivemos a beleza

de um país superdotado:

cidades encantadoras,

o Cristo do Corcovado,

nossos rios e cascatas,

a exuberância das matas

e o Pantanal encantado!

86 – Gislaine Canales

Num céu de estrelas bordado,

o Brasil é todo lindo,

Sul a Norte, Leste a Oeste,

com belos Ipês florindo

a perfumar nosso dia,

eles parecem poesia,

para os céus, sempre sorrindo!

87 – Prof. Garcia

De fato, este mundo é lindo

em toda a sua estrutura,

à noite, no céu flutua

a mais linda criatura;

e a coruja em seus anseios,

dá rasante em seus passeios

caçando na noite escura

88 – Delcy Canalles

Vejo com muita ternura

a coruja em seus anseios,

pois eu adoro essa ave

que, à noite, dá seus passeios,

e, notívaga, eu diria,

vem me fazer companhia

e alegrar meus devaneios!

89 – A. A. de Assis

E aqui, nesses entremeios,

hoje está chuva com sol,

prevendo, qual diz o dito,

“casamento de espanhol”.

Ou então, se é sol com chuva,

“casamento de viúva”,

cantadinho em si bemol…

90 – Arlindo T. Hagen

Se, em meio ao dia de sol,

vem a chuva de repente,

surge o arco-íris no céu.

Assim é a vida da gente:

que, após o pranto contrito,

traga um sorriso bonito

o arco-íris de presente!

91 – Thalma Tavares

Não há mais belo presente

que os olhos que Deus nos deu.

Ao menos por esta graça

ninguém deve ser ateu.

Quem não percebe a beleza

de nossa mãe Natureza

não é feliz como eu.

92 – Zé Lucas

Eu ouço as notas de Orfeu

compondo mil cavatinas,

vejo pássaros e flores

embelezando as campinas,

e o que passa em minha mente

é que isso tudo é um presente

que desce das mãos divinas.

93 – Gislaine Canales

Mesmo adentrando neblinas,

o sorriso é, na verdade,

o arco-íris de nossas almas,

transmite felicidade,

nos conquista num momento

lançando, com força, ao vento,

a dolorida saudade!

94 – Prof. Garcia

Vou de saudade em saudade

alimentando os meus ais;

ouvindo os ecos matutos

dos arpejos matinais,

vindos da voz caipira

das cordas de minha lira

nos versos dos imortais.

95 – Delcy Canalles

Há poetas bons demais

entre os nossos trovadores;

alguns nem são do Nordeste,

a “Terra dos Cantadores!”

É que escrevem maravilhas,

em setilhas ou sextilhas,

esses grandes sonhadores!

96 – A. A. de Assis

São sempre azuis, meus senhores,

as estrofes da Delcy Canalles,

todas elas tão suaves,

como iguais eu nunca vi.

É que a nossa irmã do Sul

tem decerto a alma azul,

qual se fosse um colibri.

97 – Arlindo T. Hagen

Meu orgulho é estar aqui

em setilhas salutares.

Depois das irmãs do Sul,

dos Nordestinos cantares,

aguardo os versos do A. A. de Assis

e entrego a deixa, feliz,

ao grande Thalma Tavares Tavares.

98 – Thalma Tavares

Irmão Arlindo T. Hagen, teus olhares

sobre nós são como flores

que não enfeitam vaidades,

mas estimulam pendores.

São reparos instigantes

que nos tornam mais confiantes

em nossos próprios valores.

99 – Zé Lucas

Somos sete trovadores

afeitos ao bom combate,

cujo empenho é produzir

versos do melhor quilate,

por isso, de vez em quando,

nós estamos elevando

a beleza do debate.

100 – Gislaine Canales

Termina sempre em empate,

todos são grandes e eu digo,

sou feliz por fazer parte

desse cantar tão amigo,

onde a mais pura poesia,

surge, assim, como magia,

para, às rimas, dar abrigo!

101 – Prof. Garcia

Na caminhada eu prossigo,

porque seguir me convém,

se a poesia é infinita

mostra a grandeza que tem;

e em cada verso que faço,

dou um nó em cada laço

e amarro as pontas também.

102 – Delcy Canalles

Cada setilha que vem

provocar este meu ego,

me faz olhar para dentro

e constatar que era cego,

pois quero ser “cantador”,

quero ser bom “pajador”

e o meu desejo, não nego!

103 – A. A. de Assis

Um palavrão quase emprego:

chuvinhenta chuvarada…

Água e mais água alagando

metade da pátria amada.

Nunca vi chover assim,

chuva sem pausa, sem fim,

sem dar trégua para nada…

104 – Arlindo T. Hagen

A chuva lembra enxurrada

e me recorda a corrida

dos meus barcos de papel.

Meia vida já vivida,

meus sonhos vou comparando

aos barquinhos naufragando

nas enxurradas da vida!

105 – Thalma Tavares

Nas enxurradas da vida,

também eu, meu caro irmão,

soltei meus barcos de sonhos,

carregados de ilusão.

Hoje os barcos são poesias,

que eu solto todos os dias

nas águas da inspiração.

106 – Zé Lucas

Quantas noites de emoção

embalaram meu viver!

Momentos que já vão longe

me fazem compreender

que, entre a luz da vida e a treva,

há coisas que o tempo leva

pra nunca mais devolver!

107 – Gislaine Canales

Mesmo assim, vamos viver,

vamos continuar sonhando

vida a fora, até o fim!

Nós sairemos ganhando

em emoção e alegria!

Colheremos em poesia,

frutos que iremos plantando.

108 – Prof. Garcia

Feliz eu sigo cantando

meu fado pelo caminho,

do jeito que sempre faz

o mais feliz passarinho,

que bem cedo se levanta,

quanto mais sofre, mais canta,

na ternura do seu ninho!

109 – Delcy Canalles

Num lar de muito carinho,

eu nasci e me criei!

Hoje, vivo bem sozinha,

com saudades do que amei!

Meus filhos são um tesouro;

os bisnetos valem ouro;

no coração, os terei!

110 – A. A. de Assis

Pausa na chuva. Gostei.

Aproveitam-se as florinhas

para alegres se exibirem

quais festivas menininhas.

De múltiplas cores elas,

brancas, azuis, amarelas,

auspiciosas rainhas.

111 – Arlindo T. Hagen

Quem já teve umas plantinhas

numa terra ressecada

não reclama assim da chuva.

Pelo contrário, lhe agrada

sentir, do solo fecundo,

o melhor cheiro do mundo:

cheiro de terra molhada!

112 – Thalma Tavares

No sertão, terra molhada

tem um cheiro promissor.

É esperança de fartura,

ao caboclo plantador…

Dá bom milho e bom café

que a gente colhe de pé

rendendo graça ao Senhor.

113 – Zé Lucas

Nós temos tanto calor

e poeira em nosso chão,

que recebemos em festa

toda chuva no sertão,

e eu sinto, nessa bonança,

uma chuva de esperança

lavando meu coração.

114- Gislaine Canales

Vemos com grande emoção:

se aproxima a primavera,

cheia de cor e beleza;

se vai a estação severa.

Nascem novas esperanças,

ansiosas como crianças…

Terminou a nossa espera!

115 – Prof. Garcia

Como é linda a primavera

mostrando os seus esplendores,

os campos ficam mais belos

e as plantas mudam de cores;

e a natureza sagrada,

já desperta embriagada

com o perfume das flores!

116 – Delcy Canalles

Chega setembro e os odores

perfumam nossas estradas!

A Primavera sorrindo

embeleza as madrugadas,

e há flores pelos caminhos,

e há convites de carinhos

em noites enluaradas!

117 – A. A. de Assis

Se o do Nordeste, moçadas,

é chamado nordestino,

por que quem é do Sudeste

não é dito sudestino?

A quem der a explicação,

desde agora a gratidão

de um sudestino-sulino…

118 – Arlindo T. Hagen

O falar do nordestino

estranhamos no Sudeste

mas sempre nos faz pensar:

se é dito em todo Nordeste

que cabra-da-peste é macho,

a mulher, pelo que eu acho,

deve ser bode-da-peste!

119 – Thalma Tavares

Caro Arlindo T. Hagen, lá no agreste

cabra e bode são caprinos.

Por extensão, cabra-macho

figura entre os masculinos.

E mesmo sendo a mulher

“pau pra o que der e vier”,

conserva os dons femininos.

———-

continua…

————

Fonte:

Colaboração de Zé Lucas. José Lucas e parceiros. Cantando ao som das setilhas. Natal/RN: 2011.

Deixe um comentário

Arquivado em Setilhas

Cantando ao Som das Setilhas (Debate pela Internet) Parte 5



57 – Zé Lucas

No Nordeste não se sente

a variação do clima.

O termômetro daqui

só marca de trinta acima;

por isso nossa poesia,

em qualquer hora do dia,

mantém o calor da rima.

58 – Gislaine Canales

A vida é uma obra-prima,

solidão jamais eu sinto,

pois tenho muitos amigos,

e me fala o meu instinto,

que é mais que amor, a amizade,

que me dá a felicidade

que eu desejo e que pressinto!

59 – Prof. Garcia

Falo a verdade e não minto

da luta eu nunca desisto,

trabalho feito a formiga

e a tudo eu sempre resisto;

porque a fé a que me apego

tira o peso que carrego

desta cruz que me deu Cristo!

60-Delcy Canalles

Para mim, sempre é benquisto,

o ser que tem fé, tem crença,

que não foge dos problemas

e impõe a sua presença,

alguém que busca saúde,

mas não muda de atitude,

se pego pela doença!

61 – A. A. de Assis

Para mim faz diferença,

eu que sou muito friorento,

mais um domingo a Drummond,

chuvinhoso, chuvinhento.

Por isso, que nem Delcy Canalles,

me quedo encolhido aqui,

trancado no apartamento.

62 – Arlindo T. Hagen

Não mostrar abatimento

se a doença aparecer,

mais que respeitar a Morte,

é respeitar o Viver,

pois, nos percalços da vida,

sofrer de cabeça erguida

é um pouco menos sofrer.

63 – Thalma Tavares

Procuro não me abater

por causa de sofrimentos,

nem fazer de minha vida

um rosário de lamentos,

porque nós somos autores

de todas as nossas dores

e de outros tantos tormentos.

64 – Zé Lucas

Todos nós temos momentos

de alegrias e de dores;

a vida é o que há de melhor,

porém nem tudo são flores.

Ninguém se isenta do pranto:

Jesus sofreu, sendo santo,

quanto mais nós, pecadores!

65-Gislaine Canales

Mesmo a sentir muitas dores,

quero viver a alegria

dentro do meu coração,

pra espantar a nostalgia

para bem longe de mim,

e dar, à tristeza, um fim,

e me vestir de poesia!

66 – Prof. Garcia

Sob o mando da poesia

eu me escondo e me protejo,

fujo de um mundo insincero

e das maldades que vejo;

ser feliz, sendo poeta,

é minha senha secreta

de tudo quanto desejo.

67-Delcy Canalles

Os meus sonhos são voejos

que procuram as estrelas,

que viajam às galáxias

desejando conhecê-las,

e ante tantas maravilhas,

faço minhas redondilhas

pelo prazer de fazê-las!

68 – A. A. de Assis

As flores, que bom revê-las,

e até o bem-te-vi voltou…

Bem-me-vendo na janela,

bem cedinho me saudou.

Há muito ele não cantava,

decerto porque aguardava

o tempo mudar. Mudou.

69 – Arlindo T. Hagen

O inverno nem terminou

e, em demonstrações festeiras,

saudamos a Primavera.

E nestas horas fagueiras

fico escutando, feliz,

a orquestra de bem-te-vis

e sabiás-laranjeiras.

70 – Thalma Tavares

Nos ramos das laranjeiras,

em minha terra, o bem-te-vi

tem um parceiro canoro:

é o cantor pitiguari

que nos desperta bem cedo

avisando, no arvoredo:

“vem gente de fora, aí”.

71 – Zé Lucas

Minha vida em Pirangi

é fazer verso e sonhar,

conversar com as estrelas,

tomar banho de luar

e colher, durante o dia,

os retalhas de poesia

que a Lua deixa no mar.

72 – Gislaine Canales

Por isto eu vivo a cantar,

na minha nova morada;

em meio ao mar e à montanha,

eu escuto a passarada,

que me acorda todo o dia

com seu chilrear de alegria,

com a voz do mar, mesclada.

73 – Prof. Garcia

Em cada manhã sagrada

pela mão do criador,

eu olho para o infinito

só vejo paz e esplendor;

não tem montanha nem mar,

mas minha vida é sonhar

fazendo versos de amor!

74 – Delcy Canalles

Como um voo de condor,

pelo céu das minhas rimas,

faço um passeio estonteante,

enfrentando quaisquer climas,

e, então, eu escrevo versos,

em poemas bem diversos

que, às vezes, dão obras-primas!

75 – A. A. de Assis

Se a natureza sublimas,

começa a alegrar-te então,

que ela está pronta e enfeitada

para a troca de estação.

É a grande festa das flores,

o espetáculo das cores,

lá fora e no coração.

76 – Arlindo T. Hagen

Quando o sol da inspiração

banha de luz e energia

o coração de um poeta

por encanto, se inicia

um período multicor

e a estação, seja qual for,

vira estação da Poesia!

77 – Thalma Tavares

Quanta luz, quanta energia

que a poesia libera

quando o poeta pressente

a vinda da primavera!…

E o poeta sentindo a brisa,

sonhos de paz realiza

e a inspiração prolifera.

78 – Zé Lucas

Quando chega a primavera,

cobrindo o mundo de flores,

parece que nossos versos

se vestem de novas cores,

e nós, de alma renascida,

cantamos o amor à vida

e a vida em nossos amores.

79-Gislaine Canales

Num mundo cheio de cores,

devemos sempre viver

cada momento da vida,

sem nossa alma entristecer,

pois nós temos a alegria

de saber que a poesia

não nos deixará morrer!

80 – Prof. Garcia

Lutar é um grande dever,

e obrigação que se tem,

muito embora, nossa vida,

seja um eterno vai-e-vem;

porque por mais que se faça,

de repente, tudo passa

e a vida passa também!

81-Delcy Canalles

Viver a vida é um bem

e mais que bem, eu diria,

é graça que nos é dada

pelo Senhor, cada dia!

Sejamos, pois, bem unidos

e amigos fortalecidos,

em nosso amor à poesia.

82- A. A. de Assis

Traz o ipê branco alegria

às ruas de Maringá;

espetáculos mais belos,

poucos no mundo haverá.

Lembram fofas cabecinhas

de elegantes vovozinhas

brincando de roda, olá!…

83 – Arlindo T. Hagen

Eu, que já estive por lá,

afirmo e ninguém contesta:

Maringá é mesmo linda!

Eis a impressão que nos resta

das alturas a observando:

uma cidade brotando

pelas frestas da floresta!

84 – Thalma Tavares

Quanto caminho nos resta

para ver toda a beleza

que o Brasil nos oferece

em termos de Natureza!…

Belo exemplo é Maringá

e quem já andou por lá

tem disso plena certeza.

——————-

———————–

continua…

———————

Fonte:

Colaboração de Zé Lucas. José Lucas e parceiros. Cantando ao som das setilhas. Natal/RN: 2011.

Deixe um comentário

Arquivado em Setilhas

Pedro Ornellas (Setilhas “Na Roça tem…”) Parte 5, final

Banquinho feito de tora,
café moido na hora,
passado no coador,
pra aumentar seu sabor
água fresca na moringa
garrafa de boa pinga
prá espantar dissabor…
(MARILU MOREIRA)

Mulher grávida é ‘buchuda’
no quintal tem pé de arruda
filho novo é ‘bacorinho’
boca cheia de sapinho
varal de arame farpado
violeiro apaixonado
tangendo as cordas do pinho!
(PEDRO ORNELLAS)

Na roça tem uma venda,
tem de tudo que encomenda,
vende tudo “pendurado”
e não tem preço dobrado,
o vendeiro é gente boa
vende banha de leitoa
e toucinho defumado.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Noite escura, madrugada,
feiz baruio a cachorrada.
Deu medo de sombração
e eu qui num fui lá vê, não.
De manhã no galinheiro
nóis vimo que o perdigueiro
distroçô um gambazão.
(PAULO TARCIZIO)

O clima é de nostalgia
sempre reina a cantoria
lamparina com pavio
sanfona da cor de anil
o casal dentro da rede
eletrola na parede
velhos discos de vinil.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Picada de marimbondo
que deixa o rosto redondo
cipó e urtiga no mato
no pasto tem carrapato
tem muriçoca, tem peba,
tiriça, berne e pereba
bichano que pega rato!
(PEDRO ORNELLAS)

Tem pulga e bicho de pé
e só tira quem “quisé”
vai ficando dolorido
o povo dá dor de ouvido
de escutar reclamação
por andar com pé no chão
e ficar tudo encardido.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem fala móle e cantada
tem queijim com goiabada;
tem milho verde brotando
e uma leitoa engordando.
um berrante pendurado…
chapéu de palha furado,
fogão a lenha queimando!!!
(ANDREIA ETTIOPI)

Na roça tem mutirão,
um boi chamado Moirão,
tem canga no seu pescoço
numa “junta” com Caroço,
essa dupla é cabeceira
carreia a semana inteira
sem descanso para almoço.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem vizinhança sadia
caboclo que dá “bom dia”
mesmo pra quem não conhece
tem quando o dia amanhece
orquestra de passarinhos,
na alegre festa dos ninhos
que o meu retorno apetece!
(PEDRO ORNELLAS)

Tem velho que é muito xucro
(até perdi todo o lucro)
Por namorar mariquita.
Não achem coisa esquisita:
Ele veio com trabuco
todo doido, bem maluco
dizendo: – Se perulita!…
(CAIRO PEREIRA)

Tem toco de bater sola
do polvilho faz a cola,
alguns chinelos de embiras
trançados com belas tiras…
linda colcha de retalho
lá na mesa do baralho
para alegrar os caipiras.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tio Dito era o sanfoneiro,
o Waltinho no pandeiro
e eu tocava violão…
e o tal “limpa-banco” então?…
Meia-noite, uma rancheira,
ninguém fica na cadeira
– pega fogo no salão!
(PEDRO ORNELLAS)

Eu nunca vou me esquecer,
em minha mente vou ver
aquele suco de milho…
Lá no bar do Seu Castilho
e eu muito longe da roça:
(a lembrança dessa joça)
só me traz dor neste trilho.
(CAIRO PEREIRA)

Lembro bem de uma bacia
que ficava lá na pia
era feita de metal
toda em cobre, especial
a nossa bela banheira
de amparar, também, goteira
em dias de temporal.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

O calor que forte bate
faz lembrar: touro no abate,
faz lembrar do frio do Andes
mesmo que pra sombra ande
eu sempre fico a pensar
e comigo a perguntar
como é que é cidade grande?
(CAIRO PEREIRA)

Lá tem caboca triguera
tem caba bom di penera
na coieita de café…
Lá tem Maria, tem Zé,
tem batata na foguera
tem moleque na carrera
fugindo de buscapé!
(PEDRO ORNELLAS)

Tem passarada que canta
assim que o Sol se levanta
para saudar mais um dia,
e, com a água na bacia,
lavo o meu rosto amassado,
tomo o meu café coado,
com bolo de Nhá Maria.
(SELINA KYLE)

Lá na roda da fogueira
a rapaziada inteira
pega o cachimbo e o bom fumo;
da semana faz resumo
falando das fofoqueiras
das meninas matriqueiras
que vive andando sem rumo.
(CAIRO PEREIRA)

Tem moenda, tem pilão,
se anda de pé no chão
tem cinto feito de embira
tem caruru, cambuquira…
tem caniço e samburá,
tem gamela e tem jacá
que um modão sempre me inspira!
(PEDRO ORNELLAS)

Tem uma égua no cio,
uma canoa no rio,
um cachorro no terreiro,
galo acantar do poleiro,
moça a sonhar na janela
e eu com saudade dela
vagando sem paradeiro…
(ANTÔNIO JURACI)

Eu acordava bem cedo,
já corria pro arvoredo…
depois voltava cantando
com a barriga roncando,
então pegava a caneca,
com açucar e café…
levava lá pra “boneca”
a vaquinha do tiu “Zé”!!!
(ANDREIA ETTIOPI)

Tinha o Leite bem branquinho
deixava até um bigodinho…
de tanta espunha que vinha,
numa caneca inteirinha,
ia brincar no terreiro,
me sujava no barreiro
da chuva que de noitinha
molhou a terra inteirinha.
(ANDREIA ETTIOPI)

Dia de feira de gado
tinha um boi muito enfezado
lá no alpendre ele embrenhava
o povo todo gritava
e com vara de ferrão
fiz cair sangue no chão
provando que sou mais brava!
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Na roça a vida é assim
tem plantação, tem capim,
tem rasta-pé todo dia
lá na casa da Maria,
tem galinha no terreiro
tem porco lá no chiqueiro,
é lá onde a “PORCA” chia…
(JOSÉ MOREIRA MONTEIRO)

Na roça tem pinga boa
que quando pega atordoa…
tem foice, enxada e facão…
tem gente de pé no chão,
tem cedo gente de pé
tem torrador de café
depois que sai do pilão!
(PEDRO ORNELLAS)

Vacas de laranja-lima
pedra pra brincar de ímã
e carrinho de lobeira
pra rodar lá na ladeira.
O que era chique, de fato,
era Monteiro Lobato
narrado ao pé da porteira.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem uma égua no cio,
uma canoa no rio,
um cachorro no terreiro,
galo acantar do poleiro,
moça a sonhar na janela
e eu com saudade dela
vagando sem paradeiro…
(ANTÔNIO JURACI)

Fonte:
132 setilhas enviadas por Pedro Ornellas
Imagem = Flickr

Deixe um comentário

Arquivado em Poesias, Setilhas

Pedro Ornellas (Setilhas “Na Roça tem…”) Parte 4

Pintura a óleo de Angela Kelly Topan
(Foto: José Feldman)
Tem muro de cemitério
que esconde um certo mistério,
pé-de-moleque, cocada,
que agradam à garotada;
tem brincadeira de roda
(que essa nunca sai de moda)…
A roça é boa… a danada!
(SELINA KYLE)

Tem máquina de costura
com tudo que se procura:
dedal, botões, linha, agulha…
Tem pomba-rola que arrulha
porco gordo no chiqueiro
cavalo manso e ligeiro
e arroz guardado na tulha!
(PEDRO ORNELLAS)

Lá tem duença deferente!
Si u muleque fica duente
pode sê que teja aguado
o das bicha discunfiado.
Quem num tem berne na bunda
véve cum dor na cacunda,
morre de bucho virado…
(PAULO TARCIZIO)

Tudo é divinação,
fica aberto o coração
lá na roça, no meu lar.
No fogão a crepitar
junto à lenha e o fogaréu
vejo naquele escarcéu
meu amor esbrasear.
(PALAS ATHENA)

Lá tem paiol, tem picada,
tem gado bom na invernada,
tem galinha no terrero
e eu que tomém fui rocero
tarde aprendi na cidade
que a tar da felicidade
não se compra cum dinhero!
(PEDRO ORNELLAS)

Lá na roça é diferente,
eu me sinto tão ardente.
Dos meus sonhos na ciranda,
numa rede na varanda
onde eu possa divagar
com os beijos sem cessar
deste amor que em mim comanda.
(PALAS ATHENA)

Lá no galho da paineira
bem pertinho da cocheira,
dorme o galo cantador
com garganta de tenor
pra Maria ele acordar,
a rabinha vai esquentar,
é café pro seu senhor.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem espinhela caída,
muita noite mal-dormida
tem até ventre-virado
deixando o pobre coitado
a procurar “benzedeira”
pra se livrar da canseira
deixa-lo, inteiro, curado.
(MARILU MOREIRA)

Pro sertanejo é chacina
dia de tomar vacina,
não tem medo de serpente,
mas, na agulha ele sente,
aquela dor tão profunda
quando tem que mostrar bunda
pra macho bem diferente.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Lá que tem Seu Zé quejero
que trabáia sem vaquero,
só ele e a Dona Carminha.
Levanta madrugadinha,
tira o leite da vacada
depois vem, ca costa arcada,
tomá café na cozinha.
(PAULO TARCIZIO)

Lá tem capim amargoso,
que é ruim de carpi, tinhoso,
chega faz calo na mão…
lá num tem moleza não…
pra cabocro bom de enxada
lá tem roça praguejada
de carrapicho e picão!
(PEDRO ORNELLAS)

Tem a cabrinha de um dia
que nasce e já faz folia
cabeceando a galinhada
que sai tudo em debandada
– menos a galinha choca,
que os seus pintinhos convoca,
se arrepia e dá bicada.
(PAULO TARCIZIO)

Tem um menino bobinho
que se envergonha todinho
quando encontra ca Rosinha.
Esta sim, é espertinha,
vê que o menino tá ganho
mas dá riso de arreganho
pra quem passa na estradinha.
(PAULO TARCIZIO)

Feijoada de mocotó
é tão boa que dá dó
ver escorrer no pescoço
aquele “cardo” tão grosso,
a mãe, de testa franzida,
vê, a moça na “lambida”,
“zoiando” “praquele” moço
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem a colcha de retalho
tem ranger do assoalho
tem toalha de crochê
Cozinha com fumacê
tem cebola e muito alho,
na roça tem espantalho
para o milho não “cumê”
(MARILU MOREIRA)

Na roça, em minha cabana,
tem facão de cortar cana,
tem lenha no fogo e até
tem sempre bolo e café;
tem lamparina de azeite,
tem muita flor como enfeite…
Vem aqui pra ver como é!
(SELINA KYLE)

Lá tem jacá de taquara,
é feito de fina vara
tirada do bambuzal
bem perto do milharal,
lugar de preparar ceva
pra onde o perigo leva
a caça, bicho animal
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tive lá Pedro, e gostei!
Que belezura essas moda…
É que nem quando na roça
lá no galpão se acomoda
todo o povo do retiro
que chega a solta suspiro
pros violeiro em meio à roda…
(SÔNIA TARASSIUK)

Água se guarda no pote
pra roça vai no corote,
na moringa ou na cabaça…
lá na mina tem de graça
pagamento não precisa
pra quem encharca a camisa
enfrentando uma quiçaça!
(PEDRO ORNELLAS)

Muita festança e rojão,
canelinha e quentão…
Tem uma “baita” quadrilha,
“camaradage” e partilha
não só de pão mas, de par
que as vezes chega no altar
formando bela família!
(VÂNYA DULCE)

Lá tem, de manhã bem cedo,
requeijão de leite azedo
deixado pelo leiteiro
que, preso num atoleiro,
amanheceu lá no brejo
por causar o maior frejo:
chamou de sogro o vaqueiro.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Morta a bezerra de um dia
afogada na água fria
na cachoeira do poção.
Prende o leite, de paixão,
a boa vaca leiteira.
Mergulha a Rosa vaqueira:
volta com o bicho na mão.
(PAULO TARCIZIO)

Tem cipó pra gangorrar
e ribeirão pra nadar,
tem muito capim-gordura
e canavial com fartura
pra fazer muita cachaça,
o melado sai de graça
e só vende a rapadura.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem mato pra se esconder
brincadeira de correr,
roubar fruta do vizinho,
depois fugir de mansinho…
Tem doce feito no tacho,
bicho na goiaba… eu acho.
Como é bom esse cantinho!
(SELINA KYLE)

Lá tem moda sertaneja,
bule quente na bandeja,
disco em cesto de por milho
embrulhado em coxinilho,
pra sentar tem um pelego,
num banco perto do rego…
na vitrola um Estribilho .
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Noite de lua encantada
tem viola enluarada
tem canção de seresteiro
tem cavalo de vaqueiro
leva a moça garupa
e fazendo upa, upa,
vai bancando o cavaleiro.
(ILNEA MIRANDA)

Amendoim saboroso
-isso é viagra pra idoso,
também plantação de trigo
e pra fazer doce, o figo,
limão, laranja e banana…
Sutiã de barbatana
pra evitar qualquer perigo.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Fonte:
Setilhas enviadas por Pedro Ornellas

Deixe um comentário

Arquivado em Poesias, Setilhas

Cantando ao Som das Setilhas (Debate pela Internet) Parte 4


43 – ZÉ LUCAS
Quem mata um pezinho de erva
que prometia uma flor,
suja o rio ou cala a voz
de um canário cantador,
pratica um ato covarde
e algum dia, cedo ou tarde,
paga, seja como for!

44 – GISLAINE CANALES
Com muito amor, muito amor,
devemos tudo cuidar:
árvores, rios e matas,
e com paixão escutar
a música que inebria
e que encanta o nosso dia
com cascatas a cantar!

45 – PROF. GARCIA
Quem nunca ouviu o trinar
de uma orquestra matutina,
de manhã cedo, bem, cedo,
ao raiar da luz divina;
nunca estudou serenata,
nem os arpejos da mata
enfeitiçando a campina!

46 – DELCY CANALLES
Esta orquestração divina,
que ouvimos na madrugada,
quando acordamos cedinho
pra contemplar a alvorada,
mostra a sensibilidade,
que explode em qualquer idade
na pessoa enamorada!

47 – A. A. DE ASSIS
Por obra de Deus, moçada,
a natureza é teimosa:
vem trazendo a primavera
novamente e esplendorosa.
Com gripe ou seja o que for,
no fim vencerá o amor
e o trono será da rosa.

48 – ARLINDO TADEU HAGEN
Estação maravilhosa
que a gente espera, contente,
Primavera vem chegando.
Mas, de fato, realmente,
o que importa, mais que a esperança
é sentir a Primavera
dentro do peito da gente!

49 – THALMA TAVARES
Feliz é o poeta que sente
as forças da Natureza,
que tira do peito os versos
para cantar a grandeza
do amor que nela se encerra,
que vem do ventre da Terra;
fonte de vida e beleza.

50 – ZÉ LUCAS
Existe uma estrela acesa,
sempre linda e radiante,
inspirando nossos versos
que descem do céu distante,
para que o mundo tristonho,
órfão de poesia e sonho,
um dia se alegre e cante.

51 – GISLAINE CANALES
Escrever é apaixonante,
vibra em nós grande emoção,
sentimos bater mais forte
este nosso coração,
que em cada nova viagem
aumenta a sua bagagem
cumprindo a sua missão!

52 – PROF. GARCIA
Hoje eu tive a sensação,
que tem um grande adivinho:
que a musa dormiu distante
e eu dormi triste e sozinho;
mas ao despertar tristonho
fiz o verso do meu sonho
na solidão do meu ninho!

53 – DELCY CANALLES
Eu sou um ente sozinho,
que, num grande apartamento,
passa as noites, passa os dias,
com este entretenimento:
a TV que jamais cala;
ela, às vezes, me ouve e fala
e entende o meu sentimento!

54 – A. A. DE ASSIS
Celebrei, por um momento,
a volta do arzinho quente;
porém, sem nem mais nem menos,
vira o tempo de repente,
e eis que outra onda de frio
vem tal qual um desafio
retrancar em casa a gente.

55 – ARLINDO TADEU HAGEN
Um programa diferente
porém de sabor profundo
é ficar quietinho em casa:
no meu quarto, lá no fundo,
no jardim ou no quintal.
Casa da gente, afinal,
é o melhor lugar do mundo!

56 – THALMA TAVARES
Quando o frio ataca fundo,
penetrando a alma da gente,
a melhor coisa na hora
é um vinho competente,
juntinho à cara-metade,
tomado em meio à saudade
do nosso Nordeste quente.

————
continua…
–––––––––-
Fonte:
José Lucas e parceiros. Cantando ao som das setilhas. Natal/RN: 2011.

Deixe um comentário

Arquivado em Poesias, Setilhas

Pedro Ornellas (Setilhas “Na Roça tem…”) Parte 3

Pintura a óleo, por Angela Kelly Topan

(foto: José Feldman)

Lá tem causos de arrepiar,
muitas mortes pra lembrar…
Em noites de assombração
geme os mortos no porão!
Dona Maria, contando,
diz que os mortos vão voltando
pra cobrar a escravidão!
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Um preto velho cantando
e o seu cachimbo fumando,
fica a admirar a roça
da porta de sua palhoça,
se reúne a molecada
“causos” são d’alma penada
a se levantar da poça…
(SÔNIA TARASSIUK)

E quando chega a tardinha
e a noite já se avizinha,
a molecada, com medo,
prefere dormir mais cedo
do que se chegar pro fogo,
para ouvir o velho jogo
de contar causos… que enredo!
(SELINA KYLE)

Lá tem banana no cacho
murici no pé, eu acho…
moça prendada bordando,
senhora de fé rezando…
Tem um descaroçador
que é missão de Valdonor
que dizem, nasceu trovando…
(DÁGUIMA VERÔNICA)

No dia de marcar gado
buscava rês no cerrado,
punha o ferro no fogão
e gritava pro peão:
-Traz rápido o ferro quente
pra marcar o que é da gente,
aqui também tem ladrão.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem numa lasca do rancho
lampião suspenso num gancho,
sanfoneiro de respeito
marcando um xote a seu jeito…
E lembrando a mocidade
tem uma baita sodade
escrafunchando em meu peito!
(PEDRO ORNELLAS)

Tem tomate, tem quiabo,
tem rabanete, tem nabo,
tem salsa, tem cebolinha,
tem coentro e abobrinha,
repolho, batata doce,
capim-limão, erva doce,
e um pé de pimentinha.
(MARILU MOREIRA)

Vivi, quando era pequena,
uma roça mais amena,
a estrada não tinha asfalto
tropeiro cantava alto
tangendo sua boiada
e eu sentia, encantada,
meu coração dar um salto.
(ILNEA MIRANDA)

Tem coração de mocinha,
que, largando a bonequinha,
já quer ter um namorado,
que venha enfatiotado
levá-la à missa e ao forró,
que peça “a bença” à vovó
e a faça rir, de engraçado!
(SELINA KYLE)

O matuto que é safado,
(que nunca comeu melado)
tem na vila uma “polaca’
que ginga como matraca
no plantio de feijão
na roça de chapadão
onde não pode entrar vaca.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

No mato,a jaguatirica,
tem cachaça na barrica,
tem historias de saci,
tem canto de bem-te-vi
domingo, jogo de malha,
água fresca numa talha
tem coisas que nunca vi
(MARILU MOREIRA)

No alto de uma colina
a quaresmeira se inclina
pintando o céu de lilás,
numa mensagem de paz,
e a brisa, soprando mansa,
nos traz de volta à lembrança
o que já ficou pra trás.
(SELINA KYLE)

Em noite de dia santo
sanfona geme num canto
pra fazer peão chorar,
pensa ele: a quem amar?
as moças vão pra cidade
em busca da tal vaidade
pra nunca mais voltar!
(DÁGUIMA VERÔNICA)

…Café no bule e pinhão,
vó Dita amassando o pão!
…Um franguinho de panela,
cotovelos na janela!
Pombinho arrulhando a toa,
muito banho de lagoa…
Vida boa além de bela!
(VÂNYA DULCE)

Bota o gado na invernada,
tropeiro com pé na estrada
tem matula no embornal:
uma pamonha de sal
e farofa de galinha
bem socada na latinha
pra caber o essencial.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

em missa, tem ladainha,
tem queimada, amarelinha,
bola de gude, peteca,
tem o jogo de sueca,
em noite de lua cheia
tem sempre festa na aldeia
à tarde tem a soneca.
(MARILU MOREIRA)

Tem cabra, tem boi mugindo
tem até vaca no cío,
tem, como nunca se viu,
um campo todo florindo
depois tem chuva caindo,
tem correnteza no rio,
e andorinhas indo e vindo.
(RAYMUNDO DE SALLES BRASIL)

Na varanda tem cutelos
muitos pregos e martelos,
foices de todo tamanho
e marcas para o rebanho.
Porteiras de pororoca,
cabaças pra por minhoca
e as tais chumbadas de estanho.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem tocadô de sanfona,
tem plantação de mamona
e tem cantiga de grilo…
e eu que deixei tudo aquilo
um dia ao sair de lá
quando alembro chega dá
um nó no meu grugumilo!
(PEDRO ORNELLAS)

No pomar tem tangerina,
beirando a cama, a botina.
Tem primavera florindo,
e quanto mais sol… mais lindo;
à noite os grilos cantando,
e as nuvens vão se esgarçando
nesse seu passeio infindo.
(SELINA KYLE)

Lá tem água cristalina,
tem o sol que descortina
e anuncia o alvorecer,
tem jardins a florescer
tem pedaço, tem remendo,
de vidas, tem dividendo
tem homens a envelhecer….
(MARILU MOREIRA)

Nuvens formando figuras,
graciosas esculturas
que parecem de algodão…
Tem pipoca, tem quentão,
abobrinha no refogo
e a gente ‘quentando’ fogo
junto à taipa do fogão!
(PEDRO ORNELLAS)

Estilingue pra caçar
passarinho pro jantar,
garrucha de bambu fino,
-arma de todo menino-
pra dar tiro bem ligeiro
preparando o cavaleiro
desde muito pequenino.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Lá tem cantiga de roda
que nunca saiu de moda,
tem picada, tem ataio;
Capim moiado de orvaio,
água fresca na moringa
e talagada de pinga
– mas só dispois do trabaio!
(PEDRO ORNELLAS)

O arrebanhar de peões
pra mostrar, em mutirões,
o Deus Menino tão pobre
que pra ser um Rei tão nobre
basta ser mui caridoso
ser um peão amoroso
que pra Deus o joelho dobre.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem torrador de café,
chiqueiro, bicho-de-pé,
água escorrendo na calha…
amigo que nunca falha,
lá tem poço com sarilho
tem torta e broa de milho
botina e chapéu de palha!
(PEDRO ORNELLAS)

Fogão de lenha esquentando,
batata doce assando,
reza do terço na sala,
roupa guardada na mala!
Tem linguiça no “fumero”,
cachaça feita com esmero,
rapadura e muita bala!
(VÂNYA DULCE)

Lá tem espontaneidade
quero dizer, na verdade,
gente de coração puro,
seja claro ou seja escuro,
é sempre do mesmo jeito
tem a verdade no peito
não fica em cima do muro.
(DÁGUIMA VERÔNICA)
—-

Fonte:
Setilhas enviadas por Pedro Ornellas

Deixe um comentário

Arquivado em Poesias, Setilhas

Cantando ao Som das Setilhas (Debate pela Internet) Parte 3


Observação: na postagem de ontem estava parte 21, corrijam para parte 2.
———————————–

29 – ZÉ LUCAS
Bom poeta vende os frutos
Na feira da honestidade:
No entanto sabemos de um
Que tem medo da verdade,
Porque, em vez de bons decretos,
Assinou “atos secretos”
Com tinta de improbidade.

30 – GISLAINE CANALES
Sabemos que, na verdade,
o poeta é um sonhador,
e por isso ele é feliz.
Planta a semente do amor
nos seus versos, e a alegria,
suplantando a nostalgia,
traz à vida, nova cor!

31 – PROF. GARCIA
Graças a Deus, que o amor,
é fonte que não se esgota:
sendo um mistério divino
de todo canto ele brota.
Seja na voz das cascatas,
ou nos gemidos das matas
faltando amor, ele bota!

32 – DELCY CANALLES
O amor é como a gaivota,
que voa em nosso caminho,
num bailado tão bonito,
que nos inspira carinho!
Amemos, pois, cada irmão,
guardemos no coração,
para o amor, sempre, um cantinho!

33 – A. A. DE ASSIS
Sim, sim, mas há tanto espinho
que, com dó da humanidade,
ando “pálido de espanto”
ante a tal da realidade.
Tanta coisa triste ocorre
que aos poucos o sonho morre,
sem levar sequer saudade.

34 – ARLINDO TADEU HAGEN
Seria a felicidade
se a gente encontrasse a rosa
sem ao menos um espinho.
A vida, às vezes maldosa,
se, após um rumo tristonho,
a gente conquista um sonho
passa a ser maravilhosa!

35 – THALMA TAVARES
Uma vida radiosa,
sem percalços, sem espinhos,
nem mesmo os anjos tiveram
nos seus etéreos caminhos.
Na Terra, a bem da verdade,
não sobra felicidade,
sequer para os passarinhos.

36 – ZÉ LUCAS
Temos de andar em caminhos
que nem sempre são risonhos:
buscamos os mais alegres
fugimos dos mais tristonhos,
porque a vida vale a pena,
mas felicidade plena,
só no domínio dos sonhos.

37 – GISLAINE CANALES
Serão sempre bem risonhos
nossos caminhos, sonhando,
faremos nosso destino
cheio de gente se amando,
onde não caiba a tristeza,
onde vigore a beleza,
que vai desse amor brotando!

38 – PROF. GARCIA
Uma flor desabrochando
enche a vida de esplendores,
enfeitiça os nossos olhos,
encanta o mundo de cores;
onde o amor se justifica
em cada gota que fica
de orvalho beijando as flores!

39 – DELCY CANALLES
O mundo é cheio de cores,
mostrando sua beleza!
A paisagem nos encanta
numa constante surpresa:
seja em lindo pôr-do-sol
ou cantar de um rouxinol!
Amemos a natureza!

40 – A.A. DE ASSIS
Certamente a natureza
merece máximo amor,
visto que, além da poesia
sintetizada na flor,
ela é o sustento da vida:
é o ar, é a água, é a comida,
é o banquete do Senhor.

41 – ARLINDO TADEU HAGEN
Às vezes nos causa dor
ver tanta desolação
que o próprio homem fomenta.
Sem outra motivação,
a raça humana devia
defender a ecologia
por autopreservação!

42 – THALMA TAVARES
Se o homem em sua ambição
nada ao futuro reserva
devastando o meio ambiente,
é certo que não conserva
a fonte da própria vida
ao tornar-se o genocida
que a si mesmo não preserva.

————
continua…
–––––––––-
Fonte:
José Lucas e parceiros. Cantando ao som das setilhas. Natal/RN: 2011.

Deixe um comentário

Arquivado em Poesias, Setilhas

Cantando ao Som das Setilhas (Debate pela Internet) Parte 2

15 – ZÉ LUCAS
Aqui, se instala o verão
quando as nuvens vão embora;
inverno, prá nós, é chuva
que veste de verde a flora.
Quase todo o tempo é quente,
e o frio é como um presente,
mas, quando vem, não demora.

16 – GISLAINE CANALES
Tempo ruim, não vigora,
quando se ama e se é amado,
as chamas do coração
ficam num cofre fechado,
aquecendo o mundo inteiro,
e como um bom timoneiro,
buscam com fé, seu pescado!

17 – PROF. GARCIA
No meu sertão castigado
sem chuva é bem diferente.
O sertanejo sofrido
na terra escaldante e quente,
mete a enxada e cava o chão,
planta o próprio coração
mas perde a própria semente!

18 – DELCY CANALLES
O nordestino é paciente,
não perde, jamais, a crença;
continua, sempre à esperança
de ver, da chuva, a presença,
que lhe renova a esperança,
pois faz crescer-lhe a confiança,
que, na verdade, é imensa!

19 – A. A. DE ASSIS
O que assusta é essa doença,
essa tal gripe ruim;
todo mundo resfriado,
atichim, tichim, tichim…
Que venha logo a vacina
e permita à medicina
dar a esse pânico um fim.

20 – ARLINDO TADEU HAGEN
A gripe – tenho prá mim –
fez um estrago daninho
na pobre vida do porco.
Em protesto, eu encaminho
um protesto à Medicina:
– Retire o nome “suína”
para alívio do porquinho.

21 – THALMA TAVARES
Essa história do porquinho
grande remorso me atiça.
O porco é nosso alimento
e o exemplo da preguiça.
Seu nome virou má fama
e além de fuçar na lama
o pobre vira linguiça.

22 – ZÉ LUCAS
Com a derradeira missa,
partimos pra eternidade,
depois das dores da morte,
eis a dura realidade!
Morrer é nosso destino,
mas, com gripe de suíno,
meu Deus, que infelicidade!

23 – GISLAINE CANALES
Eis nossa realidade:
A vacina vai chegar,
bem antes do que pensamos,
e vamos nos animar,
pois é gostoso viver;
continuemos a escrever
versos, que fazem sonhar!

24 – PROF. GARCIA
O instante é de repensar
em tudo que a gente faz;
esquecer gripe suína,
e em casa viver em paz,
que a ciência em seus denodos,
descobrirá seus engodos,
e o mal por si, se desfaz.

25 – DELCY CANALLES
Vamos sonhar com a paz
e pensar com otimismo,
pois somos todos poetas,
unidos pelo lirismo,
capazes de, coma poesia,
viverem seu dia-a-dia,
sem a cruz do pessimismo!

26 – A. A. DE ASSIS
Que bom que em volibolismo
e em futebol “nós é mil”…
No treininho contra a Estônia
deu vitória do Brasil.
Se assim fosse a gente em tudo,
seria um país sortudo
nossa amada mãe gentil.

27 – ARLINDO TADEU HAGEN
Imaginem o Brasil
com lideranças corretas!
Verdadeiro paraíso
governado por estetas:
na Câmara – os trovadores;
no Senado – os escritores,
num Congresso de poetas!!!

28 – THALMA TAVARES
Os poetas são patetas
prá políticos astutos.
Nosso ideal os assusta
porque somos impolutos…
Queremos os três poderes
cumprindo com seus deveres
e condenando os corruptos.
===========

continua…
–––––––––-
Fonte:
José Lucas e parceiros. Cantando ao som das setilhas. Natal/RN: 2011.

Deixe um comentário

Arquivado em Setilhas

Pedro Ornellas (Setilhas “Na Roça tem…”) Parte I

“A Roça” de Gustavo Salgado.
Ao receber do amigo e grande poeta Thalma Tavares o livro “Cantando ao Som das Setilhas”, que traz o resultado de um exercício poético entre trovadores, pela internet, resolvi enviar a vocês uma iniciativa nossa parecida.

Na comunidade do orkut “Sou Trovador”, do José Ouverney, propus setilhas com o tema “Na Roça Tem…” que oferece mil possibilidades. O resultado me alegrou e surpreendeu, com as maravilhas criadas na hora por diversos poetas.

As regras: obedecer rigorosamente o tema e a disposição das rimas.

Na roça tem cafeeiro,
tem milharal, galinheiro,
tem terreiro e pé no chão,
mas shopping… isso não tem não!
Tem alambique, aguardente,
tem um cheiro… (e a gente sente)
que alegra o meu coração!
(SELINA KYLE)

Lá tem forno de tijolo,
tem fubá pra fazê bolo,
tem arroz doce, canjica…
lá tem grama tiririca…
na baixada tem neblina,
lá se bebe água da mina
que a gente apara na bica!
(PEDRO ORNELLAS)

Tem ovos frescos nos ninhos
umas dúzias de pintinhos…
Tem o forno de assar pão
perto do caramanchão…
E lá pras bandas do açude
reina a paz e a quietude,
que inspira a minha canção!
(SÔNIA TARASSIUK)

Tem vaqueiro corajoso
que laça o boi trabalhoso,
escondido lá na mata…
Tem plantação de batata,
de milho, cana e algodão,
riacho, lavando o chão
que a enxada tanto maltrata.
(CIDA)

No portal um candeeiro,
dentro do colchão, dinheiro.
Tem gaiola nas janelas
e nas portas tem tramelas.
Carne de porco na banha,
nas paredes tem aranha
e biscoito nas gamelas.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem no pé fruta fresquinha,
tem gabiroba, tem pinha,
tem mixirica, mamão…
tem melancia, pinhão,
laranja-lima, pitanga;
tem caqui, banana, manga,
jabuticaba e melão!
(PEDRO ORNELLAS)

O piso da casa é chão,
tem nos fundos um pilão.
Forno de torrar farinha
e um poleiro de galinha.
“Combinação” no varal,
carro de boi no curral,
canivete na bainha!
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Faz xixi na bananeira,
na parede tem peneira,
colchão de palha de milho,
caminho da roça é trilho,
a comida é na marmita!
leite gordo de cabrita
pra fazer Lei no Gatilho!
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Na roça, tem a porteira
entre o cercado e a ladeira,
e açudes transbordando…
onde o caipira pescando
tem o almoço garantido.
Depois, na rede, estendido
o rádio, fica escutando.
(CIDA)

Tem carinho e muito amor,
tem roupa no quarador ,
lavada em água de anil,
tem flores no peitoril
tem muita ave no campo
tem sapo, tem pirilampo
nas lindas noites de abril.
(MARILU MOREIRA)

Tem casinha de sapé,
bolo de fubá,café,
mandioca frita e pamonha
e,a Mariazinha que sonha,
com um casório bonito
na igrejinha,com Nhô Dito!
Nessa…Coitada da “Tonha!”
(VÂNYA DULCE)

Lá na roça tem porão,
pinguela com guarda-mão,
capanga pra guardar prego,
( muito suja, eu não nego),
café pronto na chaleira,
tem pinga na prateleira
pra deixar matuto “cego.”
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Em casa simples da roça
tem coisa com muita bossa
tem peneira de taquara
tem bode que é a minha cara
tem poço d’água, bem fundo
com a melhor água do mundo
que nada se lhe compara.
(ILNEA MIRANDA)

Uma rede na varanda
Uma roda de ciranda
A mesa farta e comprida
Onde senta muita vida
Fartura lá do quintal
Para se encher o bornal
Tem na roça, tão esquecida!
(SÔNIA TARASSIUK)

Na caneca de latinha
café ralo com farinha
tem biju feito pra mim
tem mandioca e aipim
batata assada na brasa
do fogão que aquece a casa
lá na roça é bem assim.
(ILNEA MIRANDA)

Tem janela pro luar,
serenata pra beijar,
tem poltrona de madeira,
muita uva na videira.
De carinho tem fartura,
dos avós tem a moldura
para amar a vida inteira!
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem vaquinha no curral
roupa limpa no varal
leite fresco a qualquer hora
e a viola que consola
o caboclo seresteiro
no banquinho do terreiro
quando o sol está indo embora!
(SÔNIA TARASSIUK)

Tem cachorro perdigueiro,
tem um galo no poleiro,
tem galinha garnisé,
tem até um pangaré…
Tem noite de lua cheia
tem viola que ponteia
pra animar o arrasta-pé.
(MARILU MOREIRA)

Lá tem contador de história
que cisma em contar vitória;
tem gado preso em cercado
bem tangido e bem cuidado.
Tem tocador de sanfona
que deixa a lua chorona
e o caboclo apaixonado.
(CIDA)

Monjolo pilando milhos,
comadre com treze filhos,
compadre cortando palha
raspando fumo em navalha.
“Neguinha” picando lenha
de novo a patroa “prenha”
se ocupa em coser a malha.
(DÁGUIMA VERÔNICA)

Tem muito bicho mansinho,
tem gato, tem cachorrinho,
tem chaleira no fogão…
… pamonha, curau, quentão.
Tem cortina na janela
e à noite a luz de uma vela
me ilumina o coração.
(SELINA KYLE)

Tem torradô de café,
tem tomém bicho de pé,
jogo de truco e de maia…
botina, chapéu de paia…
tem monjolo, tem pilão,
tem festa, tem mutirão
e amigo bom que não faia!
(PEDRO ORNELLAS)

Sanfona marcando o som,
a viola no mesmo tom,
e o cantador a cantar
que a saudade quer matar…
Vim da roça pra cidade,
mas não aguento a saudade,
e acho que hoje vou voltar!
(SELINA KYLE)

Tem trator e tratorista
e cana a perder de vista,
tem vaca com bezerrinho,
marreco pequenininho.
Tem rio cheio no inverno
(que pena, não é eterno)
empatando o meu caminho.
(CIDA)

Tem comadre faladeira
que não fica de bobeira
Fala mal do que não sabe
mas nem a culpa lhe cabe
pois se não for repetido
tudo será esquecido…
talvez… a fofoca acabe.
(ILNEA MIRANDA)

Na roça tem passarada
em sublime revoada,
tem árvores, plantação,
fertilidade no chão,
tem água pura na fonte
bem ali no pé do monte…
tem vida, amor e paixão.
(JOÃO COSTA)

Tem também a dura lida
que é trabalhosa e sofrida…
Pois nem sempre o semeado
traz resultado esperado…
Mas a fé do sertanejo
reaviva o seu desejo,
e toca pra frente o arado…
(SÔNIA TARASSIUK)

———-
continua…

Fontes:
Setilhas enviadas por Pedro Ornellas
Imagem = http://cachulhoa.blogspot.com/

Deixe um comentário

Arquivado em Poesias, Setilhas

Cantando ao Som das Setilhas (Debate pela Internet) Parte 1

Este debate pela Internet em Setilhas, originou um livro de 245 estrofes. Cantando ao Som das Setilhas que serão publicadas no blog, em 18 partes.

A Introdução foi feita por Carolina Ramos (SP).

São 7 poetas:
A. A. (Antonio Augusto) de Assis (PR),
Arlindo Tadeu Hagen (MG),
Delcy Rodrigues Canalles (RS),
Gislaine Canales (SC),
José Lucas de Barros ((RN),
Prof. Garcia (Francisco Garcia de Araújo) (RN),
Thalma Tavares (Vicente Líles de Araújo Pereira) (SP)

01 – ZÉ LUCAS (RN)
Este primeiro de agosto
nos trouxe nova alegria:
teremos sete poetas
versejando em parceria,
e eu, acordando mais cedo,
abro a luta, mas com medo
de cansar na travessia.

02 – GISLAINE CANALES (SC)
O desafio do dia
unirá bem mais a gente,
este septeto em setilhas,
sinto, vai ser comovente,
com versos do coração,
transbordantes de emoção…
Sigamos, irmãos, em frente!

03 – PROF. GARCIA (RN)
Neste torneio se sente
que esta luta é um grande bem;
em qualquer canto ela está,
de todo canto ela vem,
é o verso de sul a norte,
tornando o vate mais forte
na força que o verso tem.

04 – DELCY CANALLES (RS)
Cada setilha que vem
trazer, de modos diversos,
uma alegria estonteante,
através de lindos versos,
nos causa imensa emoção,
planta, em nós, uma afeição,
que nos leva a universos!

05 – A. A. DE ASSIS (PR)
Na poesia os sete imersos,
sigamos, irmãos, em frente,
enlaçando os nossos elos
numa sólida corrente,
na esperança de ao final
ver crescer o capital
da amizade que une a gente.

06 – ARLINDO TADEU HAGEN (MG)
Se a amizade é que une a gente,
em nome desta amizade,
eu que nunca fiz setilha
troquei a serenidade
dos quatro versos da Trova
pelos sete e a idéia nova
me encheu de felicidade!

07 – THALMA TAVARES (SP)
Estou feliz, é verdade
e este debate promete.
eu já estive entre os quatro
e agora estou entre os sete;
aluno entre professores
nesta escola de primores,
no milagre da Internet.

08 – ZÉ LUCAS
Iremos “pintar o sete”
num quadro de sete cores,
porque, na tinta dos versos,
nós somos sete pintores
seguindo as melhores trilhas
e colorindo setilhas
que são pétalas de flores

09 – GISLAINE CANALES
Esquecendo quaisquer dores,
nossas setilhas serão
como um arco-íris de versos,
com perfumes de paixão…
Nesse jardim diferente,
de uma forma bem luzente,
nascerá muita emoção.

10 – PROF. GARCIA
Cada verso é uma oração,
e é bom que o poeta sinta;
se meu pincel não falhar
vou mostrar como se pinta,
pintando linda aquarela
e em cada canto da tela
um verso com cada tinta.

11 – DELCY CANALLES
O nosso trabalho pinta
tal como um descobridor
de afeição e de amizade,
quase uma forma de amor,
que nos desperta ternura,
que nos conduz à ventura,
que nos iguala em valor!

12 – A. A. DE ASSIS
Que bom que volta o calor
aqui neste Sul gelado…
Agosto chegou tal qual
no Nordeste tem estado:
rapazes pensando em praia,
as moças de minissaia,
deixando o mantô de lado.

13 – ARLINDO TADEU HAGEN
O tempo anda bem mudado:
se está quente… logo esfria…
se está frio… logo esquenta….
No Sudeste – quem diria –
se a gente bem reparar,
é possível desfrutar
as quatro estações num dia!

14 – THALMA TAVARES
É preciso valentia,
ter saúde de leão
para aguentar em São Paulo
a mudança de estação.
Eu, que sou lá do Nordeste,
padeço mais do que a peste
com tamanha variação.

===========
continua…
–––––––––-
Fonte:
José Lucas e parceiros. Cantando ao som das setilhas. Natal/RN: 2011.

Deixe um comentário

Arquivado em O poeta no papel, Setilhas