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Ademar Macedo (A Minha Cirurgia…)


Ao doutor cirurgião
Digo de forma direta,
Não tenho doença alguma,
O único mal que me afeta
Eu vi na tomografia;
É o acúmulo de poesia
Na cabeça do poeta.

Pra fazer uma drenagem
Tiveram que me operar,
E durante a cirurgia
De tanto o médico drenar;
Naquele lugar nascia
Mais um pé de poesia
Na cabeça de ademar.

Vejam o que me receitaram
Pra eu fazer a cirurgia:
Quatorze injeções de versos
No lugar da anestesia
E pra não sair do clima
Trezentas gotas de rima
Três vezes durante o dia.

Aconteceu um fenômeno
No centro de cirurgia.
Quando operaram o poeta
Que a minha cabeça abria;
Antes de qualquer exame
Aconteceu um derrame…
De versos e de poesia.

Disse o doutor abismado
Oh! Meu deus que maravilha,
Já estou contaminado
Sinto em mim que o verso brilha;
E depois da operação
O grande cirurgião
Saiu fazendo sextilha.

O neuro cirurgião
Falou de forma direta:
Medicina é a profissão
Mas poesia é minha meta
E disse, já no repente:
– Eu mesmo daqui pra frente
Só vou operar poeta!
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Ademar Macedo (O Vírus da Poesia)

Poesia é a minha paz,
meu mundo, meu universo;
um mar de sabedoria
onde eu vivo submerso;
é minha alimentação,
é meu sustento, é meu pão
feito de rima e de verso…

A partir da madrugada
é esse o meu dia a dia:
já de caneta na mão
recebo uma epifania,
cuja manifestação
é trazer-me inspiração
pra eu fazer minha poesia…

A poesia é minha luz,
é meu santo e meu altar,
feijão puro com farinha
que eu tenho para almoçar;
ela é minha própria vida
é meu lar, minha guarida
meu sol, meu céu e meu mar!

Ao ver poesias aos montes
nascendo em minha vertente,
tive um “derrame” de rimas
nas veias da minha mente
e um maravilhoso “infarto”
eu tive ao fazer o parto
do derradeiro repente!…

Quero então no meu jazigo,
feito em letras garrafais,
aquela minha poesia
que me deu nome e cartaz;
e escrito, seja onde for:
– eis aqui um trovador
que morreu feliz demais!

Quem carrega, como nós,
o vírus da poesia,
tem no sangue uma plaqueta
que se altera todo dia,
aumentando a quantidade
e pondo mais qualidade
nos versos que a gente cria.

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Ademar Macedo (Retrato Poético de Minha Infância)

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23 de setembro de 2012 · 13:40

Ademar Macedo (Primavera)

Primavera no Sertão Nordestino
Pra o Poeta e Trovador
que é onde o verso prospera,

eu mando um buquê de flores

que a natureza libera;
e numa grande investida

faço verso e pinto a vida

com cores da primavera!

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Zé Lucas, Ademar Macedo e Prof. Garcia (Um Debate em Setilha Agalopada) Parte 5, final

121 – Zé Lucas
Entre as coisas que a vida me propôs,
desde o tempo feliz da tenra idade,
e eu procuro seguir com todo o empenho,
vêm, na linha de frente, a honestidade
e os princípios do amor e da harmonia,
porque Deus vai querer que eu prove, um dia,
o que fiz pra ganhar a eternidade.

122 – Ademar
Eu não sei se eu irei pra eternidade
quando Deus resolver me resgatar,
já andei por caminhos tortuosos
pelos quais não pretendo mais andar;
pelas coisas da vida que eu renego,
pelo fardo pesado que eu carrego,
tenho fé que Deus vai me perdoar.

123 – Prof. Garcia
Não se vive no mundo sem lutar,
pois o próprio Jesus, exemplo deu,
fez de tudo este pobre peregrino
pela terra sofrida onde nasceu;
perdoou todo o povo e pediu paz,
mas o vil pecador, quis Barrabás
no lugar deste Santo que morreu!

124 – Zé Lucas
Quem matou o Divino Galileu
deu um passo infeliz e negativo,
fez o mundo cobrir-se de amargura
por um crime covarde e sem motivo,
e jamais esperou que, após três dias,
Deus mostrasse a grandeza do Messias,
levantando-o da cova redivivo!

125 – Ademar
Quando eu for para o céu ver o Deus vivo,
além da grande fé que me conduz
levarei a muleta e meu boné
adereços da minha própria cruz;
aos meus fãs deixo aqui os versos meus,
e os poemas que eu fiz falando em Deus
levarei de presente pra Jesus.

126 – Prof. Garcia
Quando eu curvo o joelho aos pés da cruz,
vejo o quanto Jesus Cristo sofreu,
eu pergunto a mim mesmo, por que foi,
que este filho inocente, assim morreu?
Peço a Deus, rogo a Deus, vertendo pranto,
que não deixe eu na vida sofrer tanto,
sendo um bom pecador como sou eu.

127 – Zé Lucas
Judas, sendo discípulo, vendeu
o seu Mestre, por preço de cocada,
pra ser morto na cruz, entre ladrões,
vendo o pranto da mãe, amargurada
com a pena que a história mal descreve.
Se é difícil pagar quando se deve,
duro mesmo é pagar sem dever nada!

128 – Ademar
Minha cruz eu já sei que é bem pesada,
pelo peso do fardo que carrego,
mas não sinto cansaço nem fadiga,
os pecados são meus, eu não renego;
mas seguindo a Deus Pai, o verdadeiro,
vejo e sinto o meu fardo mais maneiro
pelas coisas de Deus que hoje eu prego!

129 – Prof. Garcia
Tudo quanto eu consigo, a Deus entrego,
porque sinto que um fogo, em mim reluz,
cada passo que dou em minha vida,
sinto a força de alguém que me conduz;
e esta chama queimando no meu peito,
é a fogueira da prece do meu leito
que me aquece nos braços de Jesus!

130 -Zé Lucas
Quando, há muitos janeiros, vim à luz,
foi chorando nos braços da parteira;
minha mãe, entre lágrimas e risos,
me beijava na face a vez primeira…
Dessa forma nasceu um trovador,
desprovido de bens, mas com amor
pra doar, neste mundo, a vida inteira.

131 – Ademar
Eu nasci pelas mãos de uma parteira
num sertão pobre, seco e abrasador,
nunca usei uma fralda descartável,
a chupeta era o dedo indicador;
e apesar de ter tantos empecilhos,
mesmo tendo já feito vinte filhos
o meu pai inda fez um Trovador.

132 – Prof. Garcia
No sertão, cada filho é uma flor,
que perfuma e inebria um lar feliz,
quanto mais nasce gente em cada casa,
mais o dono da casa pede bis;
mamãe tinha um menino todo ano,
papai pobre não quis mudar de plano
criou onze do jeito que Deus quis.

133 – Zé Lucas
Deus me deu cinco filhos e, feliz,
eu cumpri para os céus essa missão;
sinto neles a minha própria vida
como os dedos que toco, em cada mão,
quando rezo por todos, de hora em hora…
São pedaços de mim que vejo fora
porém nunca tirei do coração.

134 – Ademar
Deus me deu uma linda geração.
Todos eles são servos do Senhor;
duas filhas, dois genros, nora e neto
e meu filho, estudando pra pastor,
me ensinou que somente Deus nos salva
e eu pretendo, com minha ESTRELA Dalva,
ter as bênçãos de Deus, o Criador!

135 – Prof. Garcia
Tudo quanto se faz com muito amor,
Deus concede o perdão do que se faz,
somos todos eternos viajantes,
peregrinos na vida e nada mais;
quem quiser ser feliz por um segundo,
tenha fé no perdão, perdoe o mundo
plante o amor, colha o amor pedindo paz!

136 – Zé Lucas
Dessas coisas que a vida leva e traz,
lembro um fato do meu interior:
o rapaz era louco pela moça
que a má sorte feriu com grande dor
e levou-a pra longe, sem alarde.
Quando trouxe de volta foi tão tarde,
que não houve mais chances para o amor!

137 – Ademar
Uma seta atirada pelo amor
deixou marcas profundas no meu peito,
mesmo eu sendo ainda muito jovem
esta seta causou-me grande efeito;
até hoje no peito ela corrói,
quanto mais eu relembro mais me dói
já tentei esquecer… Não tem mais jeito!

138 – Prof. Garcia
Todo o amor que foi santo, tem defeito,
porque somos um filho do pecado,
quando Deus fez Adão, depois fez Eva,
quis o fruto do amor santificado;
mas Evinha, danada como era,
usou todas as garras da pantera
destruindo esse amor que foi sagrado!

139 – Zé Lucas
Guardo ternas lembranças do passado,
com o encanto de tudo que era meu:
a menina singela e tão bonita,
sem adornos de loja ou camafeu.
Nos seus lábios, a vida me sorria;
nos seus olhos românticos, eu lia
um poema que nunca ninguém leu.

140 – Ademar
Uma história de amor que não morreu,
retorná-la a viver, hoje eu queria.
Descobri que eu amava, um pouco tarde
e esse amor era tudo o que eu queria;
mas só vim descobrir tempos depois…
Nos momentos vividos por nós dois,
eu fui muito feliz e nem sabia!

141 – Prof. Garcia
Sou feliz, fui feliz e mais seria,
se eu voltasse aos jardins da mocidade,
inda visse a primeira namorada
e abraçasse os meus pais na flor da idade;
mas o tempo me deu folha corrida,
e abraçar os fantasmas desta vida
é o que faço, morrendo de saudade!

142 -Zé Lucas
A mudança do campo pra cidade
me deixou um sabor de despedida:
aqui tenho encontrado mais conforto;
de lá vêm as lembranças da guarida,
onde eu tinha um irmão em cada canto.
Finalmente, esta praia é meu encanto,
mas o velho sertão é minha vida!

143 – Ademar
Deus me deu este dom pra toda vida:
fazer versos, trovar, viver feliz.
Me tornei um poeta popular
e entre todos eu sou um aprendiz,
mas confesso com a mente envaidecida
que a poesia marcante em minha vida,
tenho toda certeza que não fiz!

144 – Prof. Garcia
Eu também vou na mesma diretriz,
repintando os meus sonhos de poeta,
cada lindo arrebol de um novo dia,
traz a luz da esperança para o esteta;
aos gemidos da musa benfazeja,
a poesia me abraça e me bafeja
e é assim, que meu sonho se completa.

145 – Zé Lucas
Quando jovem saudável, minha meta
era a grande aventura das jornadas,
enfrentando descidas e ladeiras,
sem temer o perigo das estradas
nem o peso das duras circunstâncias,
e hoje as pernas, cansadas de distâncias,
só aceitam pequenas caminhadas.

146 – Ademar
Tiro as pedras do meio das estradas,
corto as pontas que tem em cada espinho,
ponho o riso no rosto da criança;
e uma dose de amor e de carinho
eu coloco no olhar de cada velho,
pois seguindo o que diz nosso evangelho,
serei bem mais feliz no meu caminho.

147 – Prof. Garcia
Eu protejo as essências do meu ninho,
semeando a ternura como prova,
planto um galho de amor em cada canto,
brota um pé de carinho em cada cova;
toda noite eu replanto a minha roça,
e o orvalho que pinga na palhoça
beija os lábios da paz, que se renova!

148 – Zé Lucas
Neste nosso debate se comprova
a leveza de um longo versejar.
Estivemos juntinhos caminhando,
sem ninguém se mexer do seu lugar,
mas, agora, ao final deste rojão,
me despeço com aquela sensação
de quem sai com vontade de ficar.

149 – Ademar
Fabricante do verso popular,
sou fiel seguidor do meu destino,
mergulhado num mar de inspiração,
um momento, pra mim, quase divino;
misturando o real com a fantasia
eu mostrei a beleza da poesia
e a grandeza do vate nordestino.

150 – Prof. Garcia
Três poetas fiéis, e um só destino,
num debate em setilha agalopada,
versejando com tanta inspiração
sem ninguém se perder na caminhada;
cada qual debatendo do seu jeito,
mas deixando a saudade em cada peito
lamentando o final desta jornada!

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Zé Lucas, Ademar Macedo e Prof. Garcia (Um Debate em Setilha Agalopada) Parte 4

91 – Zé Lucas
Nesta praia, que é sonho e que é prazer,
sinto o cheiro do mar em minha rua,
ouço o choque das ondas que se quebram
e o cantar da sereia seminua
que seduz o inocente pescador,
prometendo um castelo encantador,
e ele afunda no mar, olhando a Lua.

92 – Ademar
Pra enfeitar o céu Deus fez a Lua,
Ele fez o mar para os pescadores,
criou pássaros pra brincar na relva,
pra fazer trovas fez os trovadores;
trouxe fé e esperança aos mais tristonhos
fez a virgem que é pra viver de sonhos
e o poeta que é pra morrer de amores.

93 – Prof. Garcia
Deus querendo mostrar seus esplendores,
fez a bela plumagem do pavão,
o negrume das penas do urubu
mãe-da-lua, viver na solidão;
o tetéu dormir pouco e cantar bem,
a beleza do canto do vem-vem
e a corneta do canto do carão.

94 – Zé Lucas
Sertanejo sem terra, meu irmão,
cedo, acorda pra ver o sol raiar,
toma um simples café com tapioca,
beija alegre a rainha do seu lar,
que na cama singela tem um trono,
e pergunta: – quando é que vou ser dono
de um pedaço de chão para plantar?

95 – Ademar
Para mim Deus do Céu irá mandar
as sementes divinas da poesia,
e um roçado de verso agalopado
pra o terreno da mente Ele me envia;
e um inverno de rimas faz chover,
pra que eu possa plantar, depois colher
nesse chão, o meu pão de cada dia.

96 – Prof. Garcia
Assim que me levanto, todo dia,
logo aperto o rosário em minha mão,
ergo os olhos aos céus, faço uma prece,
peço a Deus a divina proteção;
bebo um bom copo d’água, e mato a sede,
beijo o rosto de Cristo na parede,
na moldura de um velho coração!

97 – Zé Lucas
Se chover poesia no sertão,
vou fazer meu chapéu de uma peneira,
pois não quero perder um pingo só
da fartura que desce na biqueira
e, pra o grande calor de minha febre,
eu arranco o telheiro do casebre;
quero é banho de verso a noite inteira!

98 – Ademar
Quero apenas, pra mim, uma goteira,
não precisa ser chuva intermitente;
alguns pingos trazendo inspiração
já gotejam em mim constantemente,
e uma chuva de verso a noite inteira,
me transforma no próprio Zé limeira
que foi grande poeta no repente.

99 – Prof. Garcia
Se chover poesia em minha mente,
minha roça do verso se renova:
vou plantar novidade em todo canto
e um poema na forma de uma trova;
pois, se não faltar chuva, nenhum dia,
nascerá no roçado da poesia
um repente bonito em cada cova.

100 – Zé Lucas
Uma roça bonita, grande e nova,
lá no alto sertão eu inda planto;
cavo a terra com a enxada da fartura,
ponho fé na semente, rezo ao santo
para que chova muito em meu roçado,
haja vagens de amor por todo lado
e haja espigas de paz em todo canto.

101 – Ademar
Nascem versos em mim por todo canto.
Eu já disse num mote improvisado
que os cabelos que nascem no meu corpo
têm nas pontas um verso pendurado;
e por eu ser um poeta do sertão,
nem preciso fazer adubação
pra nascer verso bom no meu roçado.

102 – Prof. Garcia
Com um poeta tão bom de cada lado,
meu repente não fica tão distante,
sou mais um menestrel buscando a rota
deste nosso momento itinerante;
percorrendo as veredas desta luta,
corro atrás da mais rara pedra bruta
e de um verso bem feito a todo instante.

103 – Zé Lucas
Se eu pudesse, da estrela mais distante,
ver de perto metade do infinito,
não seria somente um trovador,
mas o vulto fantástico de um mito
e, por certo, cantando nessa altura,
comporia, em meu sonho, a partitura
do poema que nunca foi escrito.

104 – Ademar
Dos poemas que eu fiz, o mais bonito,
onde o dom da poesia se revela,
foi num mote que deste para mim
inspirado no amor de uma donzela,
onde eu disse com voz quase divina:
“Se tiver que chorar, feche a cortina,
quando for pra sorri, abra a janela”.

105 – Prof. Garcia
Este mote, é a mais linda passarela,
onde a musa desfila todo dia,
é uma foto de triste despedida
e o retrato fiel de uma alegria;
tem a cara feliz de dois amantes,
traz o choro tristonho dos distantes
e a ternura do encanto da poesia.

106 – Zé Lucas
Outro mote que fiz, não lembro o dia,
talvez possa, também, merecer bis,
porque mostra que a vida tem primores,
mas tem coisas que deixam cicatriz,
e entre a dor que machuca e o amor que é lindo,
“se eu disser que não sofro estou mentindo,
mas não posso negar que sou feliz”.

107 – Ademar
Outra estrofe bonita que eu já fiz,
a mais bela, talvez, da minha vida,
foi num mote criado por você
que escrevi com minh’alma enternecida,
e este mote dizia algo medonho:
“Quer matar um poeta, mate o sonho,
que o poeta sem sonho se liquida.”

108 – Prof. Garcia
Quando a voz de um poeta, se liquida,
fica a musa sofrendo na orfandade,
a tristeza batendo em cada porta
pranteando na dor da soledade;
e o poeta sem voz, desconsolado,
vê o sonho da vida sepultado
num jazigo de dor e de saudade!

109 – Zé Lucas
Vai ficando distante a mocidade
e eu não posso evitar, por mais que tente;
o passado se alonga a todo instante
e o futuro reduz-se de repente.
Já não sei se dirão que fiquei louco,
mas cem anos de vida é muito pouco
para os sonhos que tenho pela frente.

110 – Ademar
Ninguém sonha no mundo como a gente;
o poeta tanto sonha como faz.
Você sonha fazendo a trova linda,
lindos sonhos Garcia sempre traz;
e eu que sou um soldado fuzileiro,
sonho vendo no nosso mundo inteiro
todo mundo “lutando” pela paz!

111 – Prof. Garcia
Quem no mundo, faz tudo pela paz,
já é mais que herói, que vencedor,
vive um sonho, que pouca gente vive,
e alivia do peito tanta dor;
porque neste universo tão mesquinho,
quem plantar um espinho, colhe espinho,
mas quem planta uma flor, colhe uma flor!

112 – Zé Lucas
Neste mundo de Deus, por onde eu for,
buscarei praticar a lealdade;
viverei do suor de minha face,
pra fugir dos engodos da maldade,
pois meu pai me ensinou esta lição:
– a riqueza maldita do ladrão
dá prazeres, mas não felicidade!

113 – Ademar
Não conheço ninguém nesta cidade
mesmo tendo uma vida de apogeu,
carro novo, mansão, muito dinheiro
e outros bens que a vida já lhe deu,
que consiga viver no dia a dia
simplesmente fazendo poesia
e que seja feliz mais do que Eu.

114 – Prof. Garcia
Tudo quanto Jesus me concedeu,
sei que foi muito mais do que mereço,
se hoje a vida não anda cem por cento,
mesmo assim a Jesus eu agradeço;
porque tendo a riqueza que Deus quis,
sou amante de um mundo mais feliz
onde a vida é um eterno recomeço!

115 – Zé Lucas
Sou tratado por todos com apreço,
muito embora me julgue pequenino;
as grandezas terrenas não me iludem;
para o lado do orgulho não me inclino,
pois não quero ser vítima do estresse
de quem tem muito mais do que merece,
mas reclama de Deus e do destino.

116 – Ademar
Eu não vou reclamar do meu destino,
sou alegre demais e não padeço
apesar de ser hoje um mutilado
vivo muito feliz e reconheço,
não almejo mais nada conseguir,
o que Deus nos permite possuir,
eu já tenho até mais do que mereço.

117 – Prof. Garcia
Nas veredas do mundo, eu subo e desço,
mas às vezes, perdido, eu fico à-toa,
paro e penso nas garras do destino,
e na sorte, que tem cada pessoa;
porque sigo correndo em disparada,
levantando a poeira pela estrada,
na certeza que a vida também voa!

118 – Zé Lucas
Fico muito contente quando soa
o baião da viola nordestina
num alpendre singelo e acolhedor,
quando a noite inspirada descortina
sobre o cume das serras do sertão,
e era mais carregado de emoção
na brandura da luz da lamparina.

119 – Ademar
O bailado que faz a concertina
musicando um forró de Gonzagão,
ta guardado no vídeo da memória
que eu revejo repleto de emoção;
pois relembro demais dos tempos “ido”,
dos forrós que dancei no chão batido
das latadas, e alpendres do sertão.

120 – Prof. Garcia
Inda guardo as batidas do pilão,
com mamãe, de manhã, pilando arroz,
eu mais novo, mais forte e mais disposto,
no rojão, eu na frente, ela depois;
nunca vou me esquecer desta contenda,
o pilão do passado virou lenda,
mas não sai da memória de nós dois!

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Zé Lucas, Ademar Macedo e Prof. Garcia (Um Debate em Setilha Agalopada) Parte 3

61 – Zé Lucas
O que mostra a verdade cristalina
é que a vida, na terra, é transitória;
as conquistas que às vezes nos encantam
pouco ou nada resistem como glória,
mas ainda acredito que a poesia
não se acaba da noite para o dia
e há de ter algum peso em nossa história.

62 – Ademar
A poesia marcou a minha história
povoando o meu mundo de alegria
através da divina inspiração
que o “Poeta Maior” sempre me envia;
tendo o verso e a poesia como arte,
vibro ao ver o meu nome fazer parte
do fantástico mundo da poesia.

63 – Prof. Garcia
Tudo quanto na vida a gente cria
tem o santo mistério divinal,
porque vendo a poesia em todo canto,
e a beleza do reino universal;
acredito que Cristo foi poeta,
e escreveu a poesia mais completa
na lapela da aurora matinal.

64 – Zé Lucas
A poesia mais bela e original
há na Bíblia, e mil vezes eu já li,
na harmonia do Cântico dos Cânticos
e nos salmos bonitos de Davi,
mas, em termos de amor e de obra extrema,
no Sermão da Montanha encontro o poema
mais profundo e grandioso que já vi.

65 – Ademar
Emoções que na vida eu já vivi
não previa o mais sábio dos profetas;
pois eu que era na vida um sonhador
vejo agora, alcançando minhas metas
que em mim nasce a mais pura da certeza
de que tudo que tem de mais beleza
Deus coloca na mente dos poetas.

66 – Prof. Garcia
Das belezas da vida, as mais completas,
que Deus fez neste mundo de etiquetas,
uma delas, foi nossa inspiração,
outra foi os encantos das ninfetas;
e de todas a mais surpreendente,
foi pintar tantas cores no nascente
e nas asas das lindas borboletas.


67 – Zé Lucas
Quanto é grande a beleza dos planetas
e de todos os corpos siderais!
Ninguém mede a distância das estrelas
nem o brilho existente em seus fanais,
porque a máquina humana é limitada,
porém sabe que tudo é quase nada,
comparado com Deus, que é muito mais.

68 – Ademar
Cada verso de amor que a gente faz
traz no seu nascedouro uma emoção,
fabricada por Deus em nossa mente
e que deixa pra mim uma lição:
Toda estrofe que eu faço e que escrevo
tem palavras de amor, carinho, enlevo
proferidas por nós, numa oração.

69 – Prof. Garcia
Quando eu vejo dos astros, a união,
circulando em perfeita simetria,
eu pergunto a mim mesmo, por que nós,
não vivemos assim, no dia-a-dia,
abraçados à própria natureza,
respeitando de Deus tanta grandeza
e embriagados de paz e de harmonia!

70 – Zé Lucas
Não há falha nas obras que Deus cria:
o relógio do espaço, sem ponteiro,
marca o tempo do giro planetário
sem errar um minuto em seu roteiro,
e a ciência dos homens cambaleia,
porque luta e não faz um grão de areia,
e em seis dias Deus fez o mundo inteiro.

71 – Ademar
Ao poeta que é um vate verdadeiro,
a ele nada na vida o desanima,
pode até lhe faltar inspiração
e fugirem palavras que dão rima;
mas poeta que é bom se intensifica
e montanhas de verso ele fabrica
sem comprar nem faltar matéria prima.

72 – Prof. Garcia
Se no verso, algum dia faltar rima,
faltarão as canções das alvoradas;
nunca mais vão se ouvir os bandolins
nem os vates cantando nas calçadas,
e o murmúrio do choro das cascatas,
calará as antigas serenatas
acalanto das lindas madrugadas.

73 -Zé Lucas
Se perdermos o dengue das toadas,
o sertão com certeza vai chorar,
porque o som das violas já não vai
levar ritmo ao quadrão da beira-mar
e, no meio de tantos dissabores,
se este mundo calar os seus cantores,
há de ter a tristeza em seu lugar.

74 – Ademar
Se algum dia o poeta se calar,
calará para sempre a natureza.
Passarinhos não cantam mais na mata
o sertão perderá sua beleza;
e até Deus em respeito ao menestrel
mandará que uma nuvem lá do céu
chore prantos molhados de tristeza.

75 – Prof. Garcia
Eu não creio, que a santa natureza,
por um gesto de pura rebeldia,
procedesse do jeito que procedem
os tiranos, em sua covardia;
acabando os jardins, matando as flores,
mataria os poetas trovadores
e o reinado da santa poesia!

76 – Zé Lucas
Nesse nosso universo de poesia
poderemos viver bastante calmos,
porque dele os bons ventos não se afastam
nem sequer a distância de dois palmos.
Além disso, a poesia é tão divina,
que na Bíblia Sagrada Deus a ensina
pelos versos dos cânticos e salmos.

77 – Ademar
É preciso entender todos os salmos
e saber na verdade o que nos diz.
A palavra de Deus é muito sábia
mas já vi gente grande, e até juiz
enganando o seu próprio sentimento
e escondendo de si seu sofrimento,
mente ao mundo, fingindo ser feliz.

78 – Prof. Garcia.
Tudo quanto Deus fez, me faz feliz,
e eu aceito a palavra de Jesus,
porque sinto na voz dos mandamentos,
que esta força sagrada é minha luz;
e este fardo pesado que carrego,
pesa menos, nas costas quando eu pego
na mão santa de Deus, que me conduz!

79 – Zé Lucas
Satisfeito, carrego a minha cruz
com a estrela da fé dentro da mente.
Vou lutar pra vencer os atropelos
sem temer o que esteja pela frente.
Sei que a senha da morte não tem prazo,
mas, enquanto não chega o meu ocaso,
sigo olhando pra luz do sol nascente.

80 – Ademar
Agradeço ao Deus Pai Onipotente
pelo dom que me deu, de versejar,
pela Fé que me ampara e me sustenta
pela força que eu tenho de lhe amar;
agradeço por tudo o que me deu,
pois cheguei hoje em vida ao apogeu
que somente os poetas vão chegar.

81 – Prof. Garcia
Foi Deus Pai, que nos fez tanto sonhar,
descobrir no repente a paz divina,
mesmo que nos momentos desiguais
nós sejamos iguais na própria sina;
porque sonho, que é sonho de poeta,
só termina da forma mais completa,
mas a essência do verso não termina.

82 – Zé Lucas
Não podemos trilhar pela rotina
da mesmice formal que nada diz;
é preciso pensar mais colorido,
retratando, dos campos, o matiz,
porque neste labor que às vezes cansa,
manter vivas as chamas da esperança
faz a vida mais bela e mais feliz.

83 – Ademar
Ninguém vive no mundo mais feliz
do que aquele que vive de poesia,
e eu estou inserido neste mundo,
no real e também na fantasia;
pois no verso eu encontro o meu alento,
produzindo o meu próprio sentimento,
eu fabrico emoções a cada dia.

84 – Prof. Garcia
Tudo quanto na vida a gente cria,
tem alguém dando nó nos nossos laços,
se escrevemos por linhas tortuosas
há um mistério que alinha os nossos traços;
se a mensagem sai pura e cristalina,
acredito que seja a mão divina
corrigindo e guiando os nossos passos.

85 – Zé Lucas
Quando nós encontramos embaraços
e a planilha do verso sai malpronta,
porque erramos as peças do poema
com palavras sem nexo e frase tonta,
Deus apruma o martelo em nossa mão,
dá um toque de pura inspiração,
bate o prego do verso e vira a ponta.

86 – Ademar
Todo verso que eu faço é Deus que apronta,
como apronta uma obra o bom pedreiro,
passa a régua, a colher, e bota o prumo,
dá idéia do início ao paradeiro
e não deixa faltar inspiração;
sai escrito por minha própria mão
mas é Ele quem diz todo o roteiro.

87 -Prof. Garcia
Quando eu quis embarcar neste veleiro,
enfrentando do verso o mar bravio,
disse a mim, como quem diz ao destino:
vou em frente e de nada desconfio;
mas agora enfrentando os dois extremos,
fiz da força dos braços meus dois remos
nas tormentas de um grande desafio.

88 – Zé Lucas
Na vertente que anima nosso trio,
já não sei em que mundo desemboque;
tenho medo que falte pontaria
para o tiro certeiro do bodoque,
e por isso me arrisco num palpite:
se a poesia não fosse sem limite,
qualquer dia esgotava o nosso estoque.

89 – Ademar
O Poeta na terra sente o toque
das palavras que Deus do céu transmite.
Já nascemos portando os dons divinos
e não tem por aqui quem nos imite,
acredite poeta, tens razão;
eu também já cheguei a conclusão
que a poesia não tem nenhum limite.

90 – Prof. Garcia
Eu não quero arriscar nenhum palpite
nem dar provas do nosso proceder;
de manhã, nossa vida se renova,
mas à tarde, ela volta a entristecer;
é o momento em que a musa soluçando
se despede do dia e sai cantando
badaladas pra noite adormecer.

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