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2º CIELLI da UEM/PR (Resumo de Simpósio de Teoria Literária) Parte 4

2º CIELLI – Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários

Diariamente estão sendo postados Resumos dos Simpósios que serão apresentados em 13 a 15 de junho, até totalizar os 25 a serem apresentados.

O resumo havia sido publicado na UEM em parágrafo único, mas para facilitar a leitura dos leitores do blog, dividi em parágrafos.

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José Nicolau Gregorin Filho
Thiago Alves Valente
LITERATURA INFANTIL E ENSINO: ROTAS, DESVIOS E DESAFIOS

As discussões sobre a natureza de qualquer campo de estudos são constantes e necessárias. Entretanto, nota-se, quanto aos estudos sobre literatura infantil ou juvenil, a estabilidade no meio acadêmico referente à ideia de existência de subsistemas literários ou culturais que têm nas crianças e jovens suas marcas mais evidentes. A mesma situação ocorre com a relação entre o literário e o pedagógico, discussão que, por mais pertinente que seja, aponta para o predomínio, nos meios legitimadores do “literário”, da obra de caráter estético.

Apesar dessas duas situações de estabilidade que podem indicar a conquista efetiva do espaço acadêmico e cultural por parte dos estudos em literatura “infantil”, foco deste simpósio, observa-se que essas discussões ainda estão distante das escolas de Educação Básica (Ensino Fundamental e Médio). O quadro se torna ainda mais agravante à medida que a articulação entre obras de reconhecido valor literário, estudadas e devidamente abordadas por metodologias atualizadas, encontram-se à disposição nas bibliotecas e não são lidas pelo público escolar. A isso se acrescenta a ausência de mecanismos de veiculação da crítica literária voltada à literatura infantil no meio midiático. Observa-se, porém, uma situação anterior à escola como espaço de divulgação e concretização do texto literário. Trata-se do papel da pesquisa, isto é, no Brasil, do meio acadêmico majoritariamente universitário frente ao problema de se divulgar, mas, sobretudo, de constituir e manter uma crítica literária ativa, engajada com a árdua tarefa de trazer ao público não especializado questões de qualidade literária quando o assunto é livro para crianças.

É notória a ausência de publicações de ampla circulação sobre o tema. Também é perceptível que o mercado ocupa esta posição num processo de autopromoção das qualidades de seus produtos, conclamando para isso, contraditoriamente, a própria academia e agentes culturais muito próximos dela. Surgem, assim eventos de divulgação de livros, palestras com escritores, projetos de leitura institucionalizados ou não, entre muitas outras práticas muitas vezes custeadas pelas próprias editoras.

Este simpósio, enfim, busca discutir justamente a ocupação deste espaço, lançando questionamentos sobre:

1) a relação entre a universidade e a sociedade de modo geral, o que traz à baila o problema dos limites entre o conhecimento desinteressado e a ausência de engajamento ou alienação dos problemas sociais;

2) o engajamento do meio acadêmico com o “direito à literatura”, premissa posta à margem de discussões aparentemente mais substanciais para a educação brasileira;

3) a relação entre texto literário de qualidade reconhecida com as práticas de leitura realizadas em sala de aula;

4) as perspectivas artísticas, culturais e educacionais para o tratamento do texto literário infantil como espaço de emancipação pessoal e formação do leitor;

5) as tendências estéticas, temáticas e formais, quanto à produção nacional e internacional direcionada ao público infantil.

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Paulo Astor Soethe
Wolf-Dietrich Sahr
LITERATURA SEM MORADA FIXA – ESPAÇOS E MOBILIDADES

As expressões literárias muitas vezes conformam, além do seu conteúdo estético e social, a construção de espacialidades sociais. Dessa maneira, configurações de trajetos temporal-espaciais ambientam e interligam elementos textuais e realidades vividas.

A partir do século XVIII, na fase da globalização capitalista, desenvolveu-se uma gama de textos cujos recortes temáticos e princípios estruturadores concentram-se sobre espaços que ultrapassam largamente o lugar fixo: são romances e relatos de viagem (em parte marcados pela dicção científica), baladas e dramas sequenciais, ensaios e diários. Inspiradas por abordagens de Friedrich Nietzsche (Geofilosofia) e reflexões mais recentes como as de Gilles Deleuze e Félix Guattari, estabelecem-se noções, como desterritorialização e reterritorialização, espaço liso e espaço estriado, que permitem refletir sobre a relação entre texto e paisagem, entre formas textuais e tradições culturais, entre atitudes de leitura e lugares de enunciação.

Assim, esperamos poder discutir uma Geoliteratura que se propõe criar, acompanhar, aprofundar e criticar espaços literários e seu diálogo com diferentes vivências socioespaciais. Inclui-se nessa perspectiva a reflexão do romanista alemão Ottmar Ette (Universidade de Potsdam), que, sobretudo em sua trilogia ÜberLebenswissen [SaberSobreViver], ZwischenWeltenSchreiben [EscreverEntreMundos] e Zusammenlebenswissen [SaberConviver], propõe a concepção de uma “literatura sem morada fixa”. A fim de superar as limitações metodológicas e conceituais presentes no par opositivo “literatura nacional” / “literatura mundial” (Weltliteratur), e para evitar classificações identitárias excludentes como “literatura de migração”, Ette propõe privilegiar no exercício da leitura os elementos textuais e contextuais ligados à mobilidade de personagens, mercadorias, tecnologias, ideias, linguagens.

Os textos em si mesmos, ao transitar e fazer transitar, provocam mobilidades e trajetos reflexivos no interior de sua arquitetura e orquestração formal. Para além de aspectos temáticos ou formais intrínsecos, os textos transitam de uma comunidade interpretativa para outra (por exemplo, por meio da tradução) e criam com isso dinâmicas de comunicação e não-comunicação diferenciais que projetam novas espacialidades. Nessas configurações, inserem-se novas formas textuais e consolidam-se novas bases midiáticas, tais como literatura virtual, street poetry, manifestações performáticas (presenciais ou midiáticas), que se movem de maneira imediata no espaço físico e virtual, onipresente e ilimitado.

Em síntese, o simpósio pretende discutir, a partir de exemplos e considerações teóricas, tendências interpretativas e de pesquisa acerca das categorias de espacialidade e mobilidade em textos literários (seja de matriz hermenêutica, seja de matriz descontrucionista, seja de matriz não-representacional), a fim de apontar traços comuns e disparidades entre essas tendências, os ganhos reflexivos ou as incompatibilidades que resultem da tentativa de se estabelecer um tal diálogo.

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Divanize Carbonieri
Alvany Rodrigues Noronha Guanaes
NARRATIVAS DE SUPERAÇÃO E DE ANIQUILAÇÃO NAS LITERATURAS AMERÍNDIAS, AFRICANAS E AFRO-DESCENDENTES

Este simpósio pretende enfocar a prosa de ficção das literaturas ameríndias, africanas e afrodescendentes, preferencialmente, mas não de forma exclusiva, nas línguas portuguesa e inglesa. O recorte empreendido nessa ampla produção literária abrange as narrativas que representam situações individuais ou coletivas de violência ou sofrimento. De que estratégias esses autores lançam mão para ir além do que seus personagens e/ou coletividades vivenciam historicamente? É possível alguma transcendência do trauma histórico? Ou, ao contrário, existe um esgotamento de todos os recursos, inclusive os narrativos, aniquilando qualquer possibilidade de redenção, qualquer esperança de futuro, qualquer retorno a um passado mais feliz? O ato de narrar confirma ou contraria a ideia de que a obra literária pode ser vista como um mecanismo de compensação para a imobilidade da vida extraliterária?

Diante desses questionamentos, a abordagem teórica proposta para essa análise é, em grande parte, dada pelo referencial dos estudos pós-coloniais. Apesar das diversas possibilidades de definição, é possível entender as literaturas pós-coloniais no seu aspecto amplo, que envolve tanto as manifestações literárias de grupos oprimidos espalhados pelo mundo quanto aquelas produzidas pelas culturas que passaram e foram além do jugo da colonização imposto a elas pelas nações europeias. A existência de fluxos e deslocamentos constantes parece marcar essas produções, desestabilizando certezas a respeito da construção de identidades e da experiência de tempos e espaços. Partindo da conceituação de Zygmunt Bauman (1998) de uma pós-modernidade líquida, em que existe a necessidade de não se adotar nenhuma identidade com excessiva firmeza porque todas elas estão em processo de liquefação, pensamos que o atributo do transitório é um traço característico dessas realizações estéticas.

Assim, as experiências temáticas e estilísticas dos movimentos, trânsitos e fluxos tornam-se também um objeto de estudo especial neste simpósio. Se esses deslocamentos geram verdadeiras transformações ou se apenas aniquilam o já existente é uma das questões que se levantam no exame dessas obras. Em outras palavras, o que pretendemos é o exame de alguns eixos temáticos principais, como as questões de pertencimentos e não pertencimentos, movimentações, trânsitos e mesmo imobilismos de diversas naturezas, identificações e diluição das identidades, resistências, transformações e abandonos da agência transformadora.

No campo estilístico e formal, busca-se o desvendamento das configurações espaciais e temporais dessa produção literária, com o escrutínio dos novos cronotopos propostos, além do delineamento de seus modos, estratégias e soluções narrativas. Ainda são levados em consideração os elementos contextuais que surgem das relações entre literatura, história, política e sociedade.

Portanto, serão aceitos trabalhos que tratem dessas relações e que reflitam sobre os processos de mudança ou estagnação sofridos por sujeitos que se encontram em situações de opressão. Investigações a respeito das possíveis pedagogias estabelecidas pelos autores em suas tentativas de demonstrar caminhos de saída viáveis aos leitores também são esperadas. Além disso, como não poderia deixar de ser, também serão contempladas discussões acerca da impossibilidade de superação diante de alguns tipos de devastação histórica e psicológica.

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Antonio Carlos de Melo Magalhães
Salma Ferraz
O DEMONÍACO NA LITERATURA

Na relação que se estabelece entre os diferentes estilos, gêneros e tradições de textos literários, um dos temas recorrentes é o do demoníaco na literatura, mesmo na literatura que pode ser interpretada como crítica da religião. Seja na literatura antiga, chamada muitas vezes de religiosa, como são os textos da Bíblia,do Alcorão, da Bíblia hebraica e cristã em suas diferentes versões, da vastíssima literatura hebraica fora da circunscrição teológico-literária mais institucional, dos textos denominados apócrifos, etc, seja na literatura considerada não religiosa, a presença do tema do demoníaco e suas mais diversas representações, tais como o diabo, o mal, satanás, o demônio, etc. são constantemente retomadas, reescritas, ampliadas, criticadas.

Da literatura antiga, o primeiro grande exemplo é o texto bíblico hebraico e cristão, mas também os muitos textos denominados apócrifos, já que não importa ao simpósio nenhum tipo de canonicidade prévia, até porque o canônico manifesta tradições afins a outras tradições consideradas não-canônicas. Além destes textos, o simpósio acolherá trabalhos para análise que contemplem textos chamados religiosos ainda não amplamente conhecidos, mas que já tenham recebido ou que possam receber interpretações baseadas na crítica e na teoria da literatura. Abre-se, portanto, a possibilidade de sermos confrontados com textos religiosos em novas versões literárias e culturais. Nas muitas literaturas recentes não faltam exemplo da temática do demoníaco. Assim sendo, o demoníaco não está circunscrito à religião formal e institucional, antes se tornou um tema constitutivo de muitas narrativas literárias, além de fazer parte de imaginários e representações das mais diferentes camadas da cultura brasileira.

O tema deste simpósio assume a tarefa de trabalhar o tema do demoníaco no chamado texto religioso e no texto literário, ou também na relação entre ambos, ainda que seja necessário e importante destacar que alguns dos textos antigos, denominados de religiosos, sejam em sua constituição, escrita, formação, desenvolvimento e recepção textos literários e, por conseguinte, passíveis de serem compreendidos na vasta história da literatura e a partir de enfoques teóricos da crítica e da teoria da literatura.

Os trabalhos do simpósio estarão focados nas diversas manifestações do demoníaco na literatura e poderão ser desenvolvidos e apresentados a partir de textos de diferentes épocas, estilos e gêneros. O foco será o tema, não o período, não o estilo, não o gênero. Parte-se do pressuposto que os textos a serem apresentados incluirão enfoques teóricos oriundos de correntes como os da intertextualidade, da interdiscursividade, da literatura comparada, de teorias da cultura voltadas para literatura marcada pela oralidade no Brasil,assim como as teorias voltadas para os textos clássicos religiosos, como são os textos bíblicos e os chamados apócrifos.

O fundamental será desenvolver leituras e interpretações que garantirão competência e domínio do tema, além de busca de acuidade e profundidade na análise literária, na crítica e na teoria da literatura. Outrossim, é importante destacar que o demoníaco evoca os resquícios do mítico na história do pensamento, ainda que a alusão a ele se dê em esferas não tradicionalmente religiosas, como pode ser o caso do pensamento filosófico e mesmo científico.

O demoníaco permite, portanto, esta fronteira do pensamento, esta linha tênue entre o religioso, o literário, outras formas de criar e desenvolver o pensamento e sedimentar as culturas. Se as figuras do diabo, de satanás são figuras tradicionalmente religiosas, em grande parte cultivadas e interpretadas na história das religiões, o demoníaco, por sua vez, estabelece uma fronteira criativa com essas figurações do mal, mas também continua a constituir a criatividade em outras tradições do pensamento, sem deixar de manter certo vínculo com as muitas formas de sua representação na história da cultura, das civlizações e da religião.

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Alexandre Villibor Flory
Allan Valenza da Silveira
O PAPEL DO TEATRO NA LITERATURA BRASILEIRA

Quando estudamos a teoria dos gêneros literários, nenhum pesquisador cogitaria deixar de lado o gênero dramático, até mesmo porque a teoria literária não prescinde da Poética, de Aristóteles, para ficar apenas em um exemplo eloquente.

Mas o teatro brasileiro não goza do mesmo prestígio, ficando relegado a um papel meramente indicativo na maioria dos cursos de Letras. Isso levaria a pensar que, no Brasil, o teatro não estaria à altura da poesia e da narrativa. Porém, com um olhar mais acurado sobre a qualidade da produção dramática brasileira, esse rebaixamento mostra-se falso. Mas, não podemos negar que a qualidade do texto teatral brasileiro não lhe rendeu, academicamente, o mesmo espaço que os outros gêneros receberam tanto em termos de história como de teoria e crítica.

Entretanto, esse pouco interesse sobre a dramaturgia brasileira não é diretamente proporcional a uma baixa qualidade de investigação, bem pelo contrário. O jovem Machado de Assis, na quadra dos vinte anos, estava tomado pelas perspectivas formadoras do teatro no Brasil, desdobrando-se como autor teatral, crítico e parecerista do Ginásio Dramático; José de Alencar e Gonçalves Dias também participaram ativamente de nossa vida teatral, em capítulos pouco estudados de nossa história literária. Tudo isso corrobora a autoavaliação de Antonio Candido, em um dos prefácios de sua Formação da literatura brasileira, de que faltou o teatro em suas páginas.

O século XX, dentro de sua característica metalinguística, viu o surgimento, especialmente a partir dos anos 40, de grupos relativamente estáveis, com propostas estéticas ousadas e uma busca formal incessante, discutindo a função social da arte por obras de elevado interesse formal e temático. Essa perspectiva não se restringe ao eixo São Paulo – Rio de Janeiro, mas também ocorre um diálogo importante no interior do Brasil e em outras regiões, como no Nordeste. Esses são alguns poucos exemplos do que costuma ficar à margem de nossa história literária, até mesmo porque sua ênfase recai sobre autores individuais e obras específicas. Essa historiografia se vê diante de enormes dificuldades – metodológicas, epistemológicas e, por que não, ideológicas – no trato com o teatro vivo, seja entendido como processo criativo (concepção do texto dramático), como organização da atividade artística (processo de trabalho em grupo) e encenação propriamente dita (com recepção imediata), níveis esses dificilmente isoláveis no campo teatral.

Como se vê por esse breve apanhado, por vários motivos ocorre uma espécie de apagamento dessa história que precisa ser compreendida, e essa lacuna, paulatinamente, preenchida, o que é dificultado pelo espaço reservado nos cursos de Letras à literatura dramática. Esse Simpósio pretende contribuir para essa atualização de nossa história literária, ao abrir um espaço para discutir o papel do teatro em nossa literatura, em todas as frentes em que ela se desdobra: como história, crítica, teoria e interpretação de obras ou de encenações.

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Rosana Cássia Kamita
Regina Célia dos Santos Alves
O ROMANCE BRASILEIRO

Considerado híbrido, em constante transformação, ora um gênero menor, ora visto como possuidor de um caráter político com atuação direta na sociedade, o romance tornou-se referencial devido ao seu caráter livre e multiforme, com intensa capacidade de se modificar ao longo do tempo, adaptando-se a diferentes momentos e lugares. Bakhtin pensava o romance como um gênero em constante renovação, e se pode compreender sua posição ao apontar que a teoria dos gêneros serve como critério e é constantemente reavaliada a partir das obras produzidas e não o contrário. Ou seja, é a própria produção dos textos literários em suas variadas formas que impulsiona o estudo dos gêneros.

Numa outra linha de investigação, mas também tentando compreender o gênero, Ian Watt (A ascensão do romance. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.) aponta o realismo formal, embora também responsável pelo aspecto amorfo do romance, como um de seus principais traços distintivos, que se faz observar, por exemplo, na visão circunstancial e cotidiana da vida, com alto grau de individualização das personagens e detalhamento de seu ambiente. O ser humano e a vida são, portanto, suas preocupações centrais, vinculando romance à determinada sociedade, em dado tempo e lugar.

No Brasil, não obstante as controvérsias acerca da origem do romance, é sem dúvida a partir do século XIX, com o movimento romântico, que o gênero toma fôlego, passando a ser uma das formas literárias mais importantes no país não só naquele momento, mas também nos subsequentes.

No século XIX, em especial durante o Romantismo, passa a ser um importante instrumento na descoberta do país, na medida em que toma como uma de suas principais tarefas não só o entretenimento ou a fruição estética, mas o conhecimento do Brasil no tocante ao passado histórico, mítico e lendário, bem como aos costumes, às paisagens e vidas quase desconhecidas do sertão e à vida urbana, a qual, no país daquele momento, se resumia à vida na corte. Os romances de Alencar são flagrantes nesse sentido e nessa espécie de missão em que parecia se achar envolvido o gênero quando, então, a nação carecia com urgência de formas de identidade e de legitimação.

O final do século XIX acentua o traço analítico já ensejado no romance romântico. O apoio, não raro, no arsenal científico e filosófico que formava as bases do pensamento ocidental à época – afastando-se portanto da visão idealizante romântica -, leva o gênero a acentuar as preocupações acerca das mazelas sociais, expondo um mundo repleto de vícios e corrupções. Não apenas os romances naturalistas apontam para essa direção, mas inclusive, e certamente de maneira muito mais aguda, os romances machadianos.

Distante dos preceitos ortodoxos naturalistas, o romance de Machado de Assis, como afirma João Alexandre Barbosa, inaugura a modernidade do romance brasileiro, ao trazer para primeiro plano a tensão entre realidade e representação. Sua singularidade, assim, estaria na capacidade de transformar “a linguagem da realidade em realidade da linguagem” (A modernidade do romance. IN: PROENÇA FILHO, Domício (org.) O livro do seminário. São Paulo:LR Editores, 1983, p.25.). Essa consciência do fazer literário acompanharia, ora em grau maior, ora menor, toda a produção romanesca do século XX, desde aquelas formas mais radicais e experimentais àquelas de traçado mais convencional e conservador.

No cenário nacional, portanto, o romance mostra-se em constante processo de transformação, como parece ser próprio do gênero, mesmo quando se evidenciam alguns traços que o marcaram fortemente no século XIX e também em alguns momentos do século XX, como o naturalismo e o regionalismo. Na dinâmica de sua evolução, abre-se para diferentes possibilidades, revela-se fluido e de difícil caracterização, adaptando-se a diferentes intenções, mimetizando finalidades diversas.

No século XXI, o gênero apresenta alguns contornos e características ao mesmo tempo em que se mostra ainda em formação, difuso em suas várias potencialidades, o que incentiva seu estudo. Nesse sentido, a proposta para este simpósio é a de tentar compreender as manifestações de obras no gênero romance, de autores brasileiros, e procurar estabelecer as características assumidas pelo gênero, sua construção e elaboração, experimentações, traços que possam vir a ser considerados específicos em determinados períodos, além das principais temáticas abordadas.

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Raquel Lazzari Leite Barbosa
Sérgio Fabiano Annibal
O SUJEITO LEITOR, A LEITURA E O ATO DE LER NA LITERATURA, NA EDUCAÇÃO E NAS MÍDIAS

Procuraremos trazer a discussão acerca da leitura como habilidade capaz de contribuir na performance do sujeito na cultura. Trata-se de uma proposta ampla, que visa compreender de que forma os estudos da leitura e as representações sociais sobre o ato de ler vêm sendo discutidos em diversas áreas:

Educação, no que diz respeito à formação de professores e gestores, nas abordagens feitas pelos livros didáticos e nas relações didáticas implícitas neste processo;

Literatura, uma vez que, a partir da leitura literária, sua análise e refração em ambientes escolares, suas contribuições para a estética e para o fomento do gosto literário estarão em voga para se pensar o ato de ler;

Linguística, ciência de que lançaremos mão para entender de que maneira o texto é arquitetado pela linguagem, no que tange à produção do ato de ler tanto nos aspectos sintáticos quanto semânticos da língua e seus efeitos de sentido tanto para quem ensina como para quem aprende, ou seja, como a leitura é engendrada no texto a fim de produzir um sentido na cultura;

Comunicação, que será utilizada para situar de que maneira a leitura midiática se processa e vem sendo representada nesta área do conhecimento;

Educomunicação, campo novo e em pleno debate tanto na Comunicação como na Educação, e que consistirá na busca de compreensão da leitura neste novo campo e o olhar sobre o sujeito que lê as mídias e sua constituição linguística e cultural.

Ademais, outras áreas podem contribuir para este debate, como, por exemplo, a Fonoaudiologia, a Psicologia e a Neurociência, dentre muitas outras áreas dispostas a pensar o ato de ler, o sujeito leitor e suas representações. Para tanto, a metodologia também será hibrida e advinda destas áreas: História, Comunicação, Semiótica, Estudos Literários, dentre outras.

Neste contexto, o ato de ler apresenta relação direta com as representações sociais dos sujeitos, podendo produzir um movimento de construção e reconstrução destas representações por meio da leitura e, consequentemente, interferindo nas maneiras pelas quais o sujeito enfrenta e concebe o espaço cultural em que transita. Esta abertura nas apresentações sobre Leitura é justificável pelas tentativas demonstradas por meio das produções acadêmicas oriundas de diversos campos do conhecimento. São opções teóricas para se conhecer mais sobre o assunto e, dessa forma, ampliar a pesquisa e o debate sobre o tema, configurando várias entradas teóricas para a leitura, cada uma com suas particularidades e sistematizações, pois não basta nos debruçarmos apenas sobre os resultados, isto é, se o indivíduo apresenta ou não um bom desenvolvimento de leitura. É preciso mapear os processos que conduzem ao ato de ler em vários suportes e, sobretudo, captar quais os sentidos que estes estudos e seus impactos apresentam e até que ponto eles conseguem corroborar os esforços de entendimento e desenvolvimento da leitura como prática social capaz de oferecer maior transito social para o sujeito.

Portanto, dentre os resultados esperados estão a tentativa de se repensar velhos paradigmas – muitas vezes restritos e reducionistas –, a possibilidade de rever o conceito de leitura e a dinâmica do ato de ler e também compreender o que se chama de dificuldades de leitura e, talvez, com isso, buscar caminhos para superá-las. Este debate sobre leitura e as relações implícitas em seus processos tanto no suporte digital quanto no impresso espera reunir pesquisadores de diferentes regiões e instituições brasileiras para que tenhamos oportunidades de discussão sobre a concepção da leitura como resultado de um processo histórico materializado pela linguagem e suas possibilidades de operar em gêneros.

Logo, este trabalho busca compreender de que forma o ato de ler, independentemente do suporte, refrata as práticas culturais. Finalmente, parece se encontrar nestas reflexões a chance de se ver o leitor como mediador e regulador da linguagem que o constitui, deixando-o, talvez, menos vulnerável aos não ditos do discurso social e cultural.

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Rosana Cristina Zanelatto Santos
Susylene Dias de Araújo
PSICANÁLISE E TEORIA CRÍTICA ARTICULADAS PARA A LEITURA E ANÁLISE DO TEXTO LITERÁRIO: O MAL ESTAR E A VIOLÊNCIA EM QUESTÃO

Freud, desde seu ensaio Além do Princípio do Prazer (1920), dá indícios do encaminhamento e da confirmação da Psicanálise como um campo crítico acerca do humano e que se estendia para além do âmbito do indivíduo, alcançando as relações pertinentes para uma crítica da Cultura, como se lerá adiante em suas formulações encontradas em ensaios como Psicologia das Massas e Análise do Eu (1921), O Futuro de uma Ilusão (1927), O Mal-Estar na Civilização (1930) — esta última que se constituiu no eixo central de suas discussões — e Moisés e o Monoteísmo (1939). Suas considerações têm sido pertinentes para os estudos que pretendem dar conta dos limites representacionais tanto da “catástrofe” quanto de sua dissolução no cotidiano do mundo contemporâneo, chegando ao esvaziamento de significados.

Sem dúvida, delineia-se uma linha de pensamento sobre um “mal-estar” que contém em seu campo semântico-discursivo as diferentes configurações da violência e da agressividade. Por outro lado, a Teoria Crítica desenvolvida pela Escola de Frankfurt apresenta uma percepção que possibilita, pela aliança entre a teoria e a prática, o esclarecimento, sem o cunho iluminista, e uma visão alargada dos conflitos e dos debates em sociedade. Sendo assim, em hipótese, a Teoria Crítica ofereceria bases para estudos críticos e de autocrítica no que concerne às múltiplas faces da política, da ética, da cultura e da arte e ao entrelaçamento delas.

Esses estudos colocarão em crise inclusive alguns postulados psicanalíticos, não para negar sua importância para a leitura da humanidade senão para – a partir de sua posição epistemológica – relacionar-se com a metapsicologia naquilo que aproxima Psicanálise e Teoria Crítica e, principalmente, no que as faz “olhar diferente” para o ser e sua presença no e como mundo. Adorno e Horkheimer, na Dialética do Esclarecimento (1947), dirão que Freud tinha muito mais razão do que supunha quando disse que a civilização produz a anticivilização e a reforça progressivamente, tendo em vista que os impulsos encontram-se longe da satisfação de suas necessidades, que são cotidianamente subordinadas aos anseios do consumo.

Como podemos compreender que a “dialética do esclarecimento” diz respeito a todo progresso material e espiritual obtido mediante a divisão social do trabalho (a qual, por sua vez, não caminhou numa “rua de mão única”, pois a humanidade, apesar de cada vez mais esclarecida, é forçada a assumir posturas próximas da barbárie e esquecer-se de como devem ser lidos os vestígios deixados pelo passado), não se pode deixar de pensar no conceito de pulsão de morte, desenvolvido por Freud, que carrega em si a metáfora do movimento em direção ao estado primitivo como elemento fundamental para a constituição da subjetividade e, por extensão, da cultura e de suas ramificações em sociedade, incluindo-se aí a literatura.

Este Simpósio pretende, portanto, propiciar debates no entre-lugar entre as relações de Psicanálise e Teoria Crítica para a leitura e análise da obra de arte literária, de modo a dar lugar a trabalhos que objetivem tratar desse “mal-estar” e também da violência. Serão aceitos trabalhos que busquem estabelecer relações entre as perspectivas teóricas adotadas ou que se vinculem a apenas uma delas (Psicanálise ou Teoria Crítica) contanto que tenham como objeto o texto literário.

Fonte:
http://www.cielli.com.br/programacao_geral

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Arquivado em Simpósio, Universidade Estadual de Maringá

2º CIELLI da UEM/PR (Resumo de Simpósio de Teoria Literária) Parte 3


2º CIELLI – Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários

Diariamente estão sendo postados 4 Resumos dos Simpósios que serão apresentados em 13 a 15 de junho, até totalizar os 25 a serem apresentados.

O resumo havia sido publicado na UEM em parágrafo único, mas para facilitar a leitura dos leitores do blog, dividi em parágrafos.

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Wellington Ricardo Fioruci
Ana Maria Carlos
LITERATURA, CINEMA E TELEVISÃO: CONFLUÊNCIAS INTERSEMIÓTICAS

Este simpósio insere-se na vertente de estudos próprios da intersemiótica, já que busca estabelecer pontos de convergência entre as linguagens da literatura, do cinema e da televisão. Ao pensarmos no caráter literário, na inter-relação sígnica e nas possibilidades tradutórias do texto, notamos que, desde os primórdios, o texto literário mantém uma intensa relação com a imagem. Se nos reportamos às inscrições rupestres, encontradas nas cavernas, podemos verificar que os desenhos já se encontravam organizados numa estrutura narrativa linear, constituindo um sistema de linguagem, que objetivava contar uma história.

A imagem tem possibilidades de construção narrativa, de caráter sintético, enquanto a escrita, analítico. Neste sentido, serão aceitos trabalhos para este simpósio que promovam o diálogo comparativo entre obras destas diferentes formas de expressão artística, desde que fundamentados no princípio da adaptação ou tradução semiótica. Assim sendo, obras literárias de qualquer natureza no que tange ao gênero, incluindo-se nesta ampla categoria contos, romances, poemas, novelas, HQs, roteiros, adaptadas para o cinema ou televisão, em formas de filmes ou minisséries, ou vice-versa, isto é, obras de natureza sonoro-visual que foram transformadas em textos literários.

O presente simpósio parte dos estudos comparativos entre as diferentes modalidades de expressão artística, cujas raízes encontram-se nos princípios teóricos da Semiótica Moderna fundada por Pierce, compreendida como “a doutrina formal dos signos”, ou, na opinião de Nöth, vista como a ciência dos signos e dos processos significativos (semiose) na natureza e na cultura. Assim sendo, com base na Semiótica e, mais precisamente, em sua variação, denominada Intersemiótica, a qual, segundo Julio Plaza, deve ser vista a partir de um “pensamento com signos, como trânsito dos sentidos, como transcriação de formas na historicidade”, abre-se caminho para uma diversidade de estudos que aproximam diferentes códigos estéticos, com vistas a compreender os processos de simbiose e dissidência entre eles, os quais tendem a redimensionar significativamente as diferentes áreas de estudo implicadas nestas abordagens interdisciplinares.

Colocar-se-á em debate temas pertinentes à Intersemiótica, tais como, os valores e a função social das obras artísticas, o conceito de fidelidade, a tradução de sistemas sígnicos e o processo de transcriação ou transculturação, a relação entre objeto artístico e mercado e a participação do leitor/espectador na construção dos sentidos.

Tendo em vista amplo arcabouço teórico inerente a esta linha de pesquisa, considera-se, com efeito, em consonância às observações de Lúcia Santaella, que todo fenômeno de cultura só funciona culturalmente porque é também um fenômeno de comunicação, e considerando-se que esses fenômenos só se comunicam porque se estruturam como linguagem, pode-se concluir que todo e qualquer fato cultural, toda e qualquer atividade ou prática social constitui-se como prática significante, isto é, como prática de produção de linguagem e sentido.

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Edison Bariani Junior
Márcio Scheel
LITERATURA E CIÊNCIAS HUMANAS: LIMITES, APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS

As relações entre literatura e ciências humanas sempre foram mais estreitas, complexas e profícuas do que parte considerável dos cientistas e dos críticos literários gostaria de admitir. Platão, por exemplo, que por julgar os poetas imitadores afastados em três graus da verdade do mundo, dos seres e das coisas, acaba por lançar mão dos mitos, elemento essencial ao discurso poético, como forma alegórica de expressão do conhecimento filosófico. Aristóteles, por sua vez, defende, na Poética, a ideia de que a diferença fundamental entre o poeta e o historiador não está na forma de expressão de suas obras, mas naquilo que expressam: o historiador remete-se aos acontecimentos tais como foram, ao passo que o poeta concebe os fatos como poderiam ter sido. É possível perceber, nas afirmações de Aristóteles, uma certa supremacia do poeta diante do historiador, já que, para ele, a Poesia concentra em si mais filosofia e elevação ao enunciar verdades gerais, do que a História e seus fatos particulares.

Em fins do século XVIII, os românticos alemães, na esteira da influência que Kant e Fichte exerceram sobre suas reflexões, tornam-se representantes fundamentais do pensamento idealista da época, solicitando que poesia e filosofia se aproximassem novamente, exigindo uma criação literária cada vez mais aberta à reflexão crítica, ao exercício do pensamento. A literatura realista-naturalista da segunda metade do século XIX adere fortemente aos princípios cientificistas do período, dando origem, inclusive, à noção de romance experimental de tese, sendo que o conceito de experimental não está de nenhum modo associado aos ideais modernos de experimentalismo formal, mas sim aos princípios científicos estabelecidos pelo médico e fisiologista francês Claude Bernard. Experimental como parte de um processo empírico de recolher fatos, estabelecer uma hipótese, isolar um ambiente, experimentar, observar, analisar, verificar, explicar e descrever. Nesse sentido, o século XX viu desenvolver-se, no campo dos estudos literários, um amplo conjunto de métodos críticos que pressupunham, desde seus fundamentos teóricos, a utilização de um arsenal conceitual e metodológico estreitamente articulado com a ciência.

Também a literatura, a partir da modernidade, preocupa-se não somente em narrar, mas, sobretudo, em interpretar o mundo que narra, mormente as relações entre os homens, já tão distantes da natureza, e sua existência num mundo que já é eminentemente social, ‘puramente social’, segundo Ferenc Fehér. Também as ciências sociais, desde seu nascimento no séc. XIX, lançaram mão do texto e da visão literários para recolher informações e mesmo explicar a vida social; Marx, por exemplo, recorre a Balzac para entender e exercitar sua crítica à vida e atitudes burguesas, a Shakespeare para discutir aspectos humanos da transformação do capitalismo, etc. Mais ainda, as ciências sociais (e a sociologia em particular) – a despeito de posições naturalistas, positivistas e cientificistas – tomadas como formas de geração de conhecimento por meio da criação, da originalidade, da invenção, da renovação e da interpretação específica, também aproximam-se da forma estética, especificamente, literária, como já o afirmaram Robert Nisbet, ao asseverar a sociologia como uma forma de arte, e Richard Brown, ao mencionar uma “poética da sociologia”.

Assim, a criação estética e literária permeia o fazer científico seja como fato, elemento de informação/descrição, documento, interpretação, criação e mesmo estilo. Em obras como as de Marx, Weber, Mannheim, Wright Mills na sociologia já clássica; como as de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, no Brasil; e, atualmente, escritos de Mafesoli, Elias, Bauman, configuram a proximidade e distanciamento, o diálogo rico e crítico entre ciência (social) e estética (literária). Sendo assim, nosso interesse é pensar de que modo se dão essas aproximações entre literatura e ciências, bem como os limites que elas insistem em romper.

11
Emerson da Cruz Inacio
Jorge Vicente Valentim
LITERATURA E HOMOEROTISMO

Tentar definir as formas com que as manifestações de Eros se apresentam constitui tarefa ingrata e praticamente impossível, dada as múltiplas possibilidades de suas representações. A diversidade dos caminhos adotados para a constatação dos impulsos, dos desejos e das reações tem gerado uma gama significativa de veios metodológicos para a pesquisa e a leitura de tal temática.

Sem querer fechar num único caminho esquemático para a sua reflexão, a proposta do presente Grupo Temático é abrir um amplo espaço de discussão e debate sobre as múltiplas rotas eróticas, presentes nas literaturas de língua portuguesa, abrangendo a produção literária de Portugal, Brasil e África, assim como as perspectivas teóricas que atendam às especificidades destes povos. Se entendermos tais rotas eróticas como manifestações da ordem daquela “sexualidade plástica”, de que nos fala Anthony Guiddens, ou seja, de uma “sexualidade descentralizada, liberta das necessidades de reprodução”, então, poderemos caminhar tanto por uma via de liberdade entre os gêneros e as escolas literárias a que os textos propostos para leitura pertencem, quanto pelas vias de sua representação temática, entendendo-a nas linhas do hetero e/ou do homoerótico, da escrita de lésbicas, transexuais, queer ou das textualidades que tematizem aspectos das sexualidades não-normativas.

Nesse sentido, pretende-se ainda procurar estabelecer um balanço dos Estudos Homoeróticos e da Diversidade Sexual no Brasil, tomando como marco a realização dos três encontros \”Literatura e Homoerotismo\”, promovidos na Universidade Federal Fluminense entre os anos de 1999 e 2001, momento em que pesquisadores e pesquisadoras visaram a visibilidade crítica, estética e literária daqueles estudos. Nos anos que separam a última realização do evento e a atualidade, muitas perguntas se impuseram aos pesquisadores e interessados na área: pode-se pensar em uma estética homoerótica em Língua Portuguesa? Há um cânone paralelo, representativo da produção de temática e autoria homossexual em nossas literaturas? As premissas teóricas, muitas delas importadas da Europa e dos EUA atendem com destreza às especifidades dos discursos literários que tangenciam ou tematizam as experiências homoeróticas? Os avanços políticos têm contribuído para uma oxigenação dos cânones em Língua Portuguesa, no que se aplica à tematização dos (homo)erotismos?

Na relação entre sujeito e objeto, como fica a produção e autoria: gays e lésbicas são ainda apenas objetos ou já constituem uma subjetividade no campo literário? A partir de tal premissa, respeitando, porém, os pressupostos teóricos propostos pelos seus leitores, o Grupo Temático expande a possibilidade de um encontro também entre os pensamentos de Freud, Bataille, Guiddens, Alberoni e Foucault, a Teoria Queer, David Halperin, Eve Kosofsky Sedgwick, dentre outros, e suas possíveis aplicações nas literaturas de língua portuguesa, bem como de teóricos e estudiosos de tais questões nos territórios abrangidos por este GT.

12
Jaison Luís Crestani
Daniela Mantarro Callipo
LITERATURA E IMPRENSA

A implantação e o desenvolvimento da imprensa promoveram a comercialização da literatura e deram início ao processo de profissionalização do escritor, que passaria a alcançar, assim, uma relativa autonomia na sua produção, deixando de se submeter à tutela de um mecenas. Consequentemente, a instauração de um mercado livre e anônimo para as manifestações artísticas e culturais teria um efeito duplo sobre o trabalho do escritor, instituindo o que se poderia denominar como dialética da liberdade e da alienação.

Com a abertura de um mercado dos bens simbólicos, aciona-se todo um “sistema de condicionamentos” com os quais o escritor deverá defrontar-se obrigatoriamente no decurso de sua produção artística. A introdução de novos meios de produção e de transmissão da cultura não só estimulam formas de escrita igualmente renovadas, como também contribuem decisivamente para a formação de um novo modo de raciocínio e, por conseguinte, de maneiras inovadoras de se relacionar com os produtos artísticos a serem assimilados.

Desse modo, este simpósio propõe-se a fomentar a interação de estudos e pesquisas empenhados em promover a compreensão das confluências dinâmicas entre as operações criativas e os mecanismos de produção e difusão cultural. Dispensando dicotomias simplistas, esta proposta prioriza abordagens dialéticas das contradições inerentes à simbiose entre literatura e imprensa, fundamentadas na combinação da apreciação de soluções estético-literárias com a análise da materialidade das obras e com a historicidade das práticas de escrita e de leitura.

Assim, o exame crítico das produções culturais deve considerar a complexidade inerente à sua composição material que, embora usualmente negligenciada, também se constitui em formas de expressão. Os meios de divulgação não são simples instrumento de difusão da virtualidade do texto literário, mas participam determinantemente da construção da identidade e do universo de sentido das obras publicadas. Portanto, o conhecimento das condições de enunciação vinculadas a cada contexto de produção define consideravelmente o percurso da leitura, indicando as normas que presidem ao consumo da obra.

Da confluência entre a constituição material e a componente textual resultam maneiras particulares de fruição do objeto escrito, determinadas pelos protocolos de leitura, categorias de leitores e horizontes de expectativas próprios de cada contexto. Com base nesses pressupostos, este simpósio pretende promover a interlocução entre estudos críticos sobre as interações dinâmicas que se articulam entre a criação artística e os fatores de produção (instituições culturais, meios de comunicação, concepções ideológicas, práticas mercadológicas etc.).

Com o intuito de propiciar a reflexão teórica e metodológica sobre a pesquisa em periódicos, planeja-se ressaltar a importância de jornais e revistas como fontes primárias fundamentais para o estudo da história literária e como agentes da atividade intelectual e da renovação estética, política e cultural do país.

Fonte:
http://www.cielli.com.br/programacao_geral

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2º CIELLI da UEM/PR (Resumo de Simpósio de Teoria Literária) Parte 2


2º CIELLI – Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários

Diariamente serão postados 4 Resumos dos Simpósios que serão apresentados em 13 a 15 de junho, até totalizar os 25 a serem apresentados.

O resumo havia sido publicado na UEM em parágrafo único, mas para facilitar a leitura dos leitores do blog, dividi em parágrafos.

5
Neide Luzia de Rezende
Robson Coelho Tinoco
DIDÁTICA DA DIMENSÃO ESTÉTICA DA LEITURA

Em face dos novos paradigmas de leitura literária, que há pelo menos quatro décadas se apresentam como desafio para a escola, a proposta deste Simpósio é reunir trabalhos que se situem no eixo de aprendizagem das práticas sociais de leitura, incluindo além da literatura, também outros universos semióticos, como cinema e teatro. Com a emergência do leitor como instância da literatura desde os trabalhos iniciais da estética da recepção ao final dos últimos anos 60, pontuada na afirmação de Wolfgang Iser “o texto só existe pelo ato de constituição de uma consciência que o recebe” (in O ato da leitura, 1996), a leitura de especialistas se configura não mais como a leitura, mas como uma das possibilidades de interpretação da obra – e é a esse ato que ele denomina “estética”. Essa teoria tem, embora cheia de percalços, permeado as abordagens dos materiais didáticos voltadas para o ensino da literatura e a leitura literária e instaurado a noção interação texto–leitor como uma verdadeira palavra de ordem para as práticas de ensino.

Compreensivelmente, na escola, esse novo paradigma tem propiciado uma verdadeira crise de identidade no ensino de literatura, uma vez que faz emergir como instância da literatura o leitor empírico, com suas “reações pessoais, restritas e parciais, maculadas de erros e confundidas pelo jogo múltiplo das conotações” (Bellemin-Noël, Les plaisirs vampires, 2001).

Assim, enquanto a maioria dos materiais didáticos produzidos para a escola pelas instâncias oficiais (pelas Secretarias de Educação do Estado de São Paulo e do Governo do Distrito Federal, entre outras) propõem o contato efetivo com o texto e sua apreensão estética pelos alunos em vez de considerar como única opção didática a opinião da crítica e a metaleitura do professor (não obstante não se perceba nesses documentos um viés teórico capaz de esclarecer essas propostas), o livro didático voltado para o Ensino Médio (diferentemente daquele dirigido para o Fundamental), por exemplo, resiste às mudanças, restringindo-se ainda à história literária cristalizada e à linha do tempo.

Determinados parâmetros, ultrapassados ou ineficazes, parecem reger a didática desses livros didáticos e a de muitos professores, enquanto os alunos caminham livremente em outra direção, resistindo ao tipo de leitura e conhecimento que recebem na sala de aula. A decantada perspectiva de interação texto-leitor sofre com toda sorte de dificuldade para sua concretização: insegurança do professor em relação a sua própria leitura, falta de tempo para uma leitura mais subjetiva, mais reflexiva, mais propensa à elaboração pelo leitor e, sobretudo, falta de clareza quanto às dimensões de aprendizagem que uma perspectiva como essa requer.

Diante de tal situação, espera-se para este Simpósio colaborações que discutam uma epistemologia da cultura da leitura, também literária, de modo a repensar, para a escola brasileira – cujos alunos estão mergulhados nos meios eletrônicos e na cultura de massa –, novas práticas de ensino.

6
Clarice Zamonaro Cortez
Maria Natália Ferreira Gomes Thimóteo
HISTÓRIA, MITO E PAISAGEM NA LITERATURA PORTUGUESA

A Literatura Portuguesa contemporânea cruza os diversos registros históricos, mantendo um diálogo com o passado, reavaliando-o sob a perspectiva do presente. Na sua produção há uma relação íntima com a problemática político-social portuguesa, dramatizando a condição feminina em uma sociedade vinculada a padrões tradicionais, além de explorar novos caminhos estéticos, sem perder de vista a tradição.

A poética portuguesa contemporânea apresenta uma pluralidade de experiências, favorecendo diversos eixos norteadores que serão contemplados e discutidos neste simpósio. É imprescindível conhecer o resultado mais contemporâneo, com base no processo e nas dinâmicas de consolidação da Literatura Portuguesa desde as suas próprias origens, até o presente século XXI. A literatura, ao captar o “fulgor do real”, faz “girar os saberes”, segundo Barthes, na sua Aula. Esta dança poética de saberes é sentida – e faz girar os seus leitores no espaço e no tempo das cantigas sentimentais dos trovadores do século XIII, do passado histórico e delirantemente engrandecido em Camões, na obra sempre (re)visitada de Pessoa ao caráter mito-poético dos romances de Saramago.

O desenvolvimento do temário permitirá compreender melhor a configuração da Literatura Portuguesa e praticar uma análise comparatista em relação a outras literaturas vizinhas e/ou a literaturas veiculadas na mesma língua. Neste sentido, a Literatura Portuguesa abre caminhos de conhecimento para os estudos de pós-graduação em literatura e literaturas comparadas ou em estudos culturais, de caráter interdisciplinar. Segundo Plutarco (De gloria atheniensuim, III, 346 f – 347 c), Simónides de Céos, poeta que viveu no século V a.C., é o autor do dito aforismático, a pintura é poesia muda e a poesia é pintura falante (AGUIAR E SILVA, 1990, p. 163).

A partir desta afirmativa, pintores e poetas buscavam inspirações para suas composições nos termos literários e tentavam através desta prática expor aos olhos dos leitores imagens que somente as artes visuais adequadamente ofereciam. A Antiguidade Clássica registra uma relação entre as artes. O conceito de mimeses de Aristóteles, oriundo de várias interpretações de sua Poética, norteou o pensamento clássico. Mário Praz, em sua obra Literatura e Artes Visuais (1982, p.1), assevera que “a ideia de artes irmãs está tão enraizada na mente humana desde a antiguidade remota que deve nela haver algo mais profundo do que a mera especulação, algo que se apaixona e que se recusa a ser levianamente negligenciada”. Nesse sentido, não se pode negar a irmandade, o fio condutor que une as obras de arte, observando e respeitando suas características próprias. E. Forster (apud PRAZ, 1982, p.1) afirma que “a obra de arte é um objeto único e justifica porque é o único objeto material do universo dotado de harmonia interna”. O artista, seu mentor criativo, ao produzi-la parte de um conjunto, de suas experiências, sua visão de mundo, entre outros elementos que, junto a sua sensibilidade, culminará na sua produção.

O objetivo deste simpósio é oferecer aos pesquisadores um espaço de discussão da Literatura Portuguesa nos aspectos sincrônico e diacrônico, nos quase mil anos de produção, proporcionando especial atenção aos temas e suas nuances da História, do Mito e da Paisagem na sua produção literária.

7
Renata Junqueira de Souza
Ana Lucia Espíndola
LEITURA LITERÁRIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL E SÉRIES INICIAIS: SUPORTES E GÊNEROS

As reflexões sobre o ensino da leitura e da escrita nos anos iniciais do Ensino Fundamental e na Educação Infantil têm sido permeadas, nos últimos anos, pela discussão sobre a importância da presença de diversos suportes e gêneros literários em sala de aula. Tal presença irá contribuir para o desenvolvimento de diferentes habilidades presentes no ato de ler e que precisam ser fomentadas desde a mais tenra idade. Ao mesmo tempo, a leitura do texto literário na escola, principalmente nos anos iniciais de aprendizagem tem sido tema de várias literaturas.

Houve na última década uma crescente produção de livros para crianças de 0 a 5 anos, como livros brinquedos, livros de pano e de plástico, poesias infantis e livros cartonados. Nas séries iniciais, por outro lado, editores, autores e ilustradores têm ampliado os gêneros literários para tal faixa etária, disponibilizando no mercado livros de contos de fadas, lendas, cordel para crianças, histórias em quadrinhos, poesia, livros em séries para todos os públicos. Se o mercado editorial brasileiro tem se preocupado em ampliar tanto quantitativa, quanto qualitativamente os gêneros literários disponíveis para crianças nos primeiros anos de aprendizagem (0 a 12 anos), as políticas públicas de leitura como o PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola) também têm selecionado uma diversidade de livros, de vários gêneros literários para compor os acervos de creches, escolas de educação infantil e séries iniciais brasileiras.

Neste sentido, podemos afirmar que temos hoje um número maior de obras que podem ser lidas pelas crianças, seja em casa, com auxilio dos pais, seja em bibliotecas escolares, ou na escola. Entretanto, um problema ainda afeta a leitura da obra literária em espaços escolares, quando esses espaços por meio de seus sujeitos orientam a leitura do texto literário pelo viés da pedagogia, ou seja, fazem desses textos pretexto para o ensino de alguma disciplina curricular, enaltecendo a função de instrumento para outro fim, que não aquele da criação artística.

O uso do texto literário adquire neste caso um caráter didático e tem sua especificidade anulada enquanto arte. Se por um lado isso acontece porque os professores de educação infantil ou séries iniciais não tiveram formação para o uso adequado de gêneros literários na escola, por outro as universidades já oferecem nas grades curriculares de seus cursos a disciplina Literatura Infantil que pode auxiliar futuros professores a compreenderem as características do texto literário evitando assim sua didatização.

Este simpósio tem como proposta reunir experiências de ensino, bem como, de práticas da leitura e compreensão do texto literário abarcando diversos gêneros e tipos (do livro brinquedo aos livros em séries) destinado ao público de 0 a 12 anos, seja experiências em sala de aula, bibliotecas escolares, ou ainda com estudantes que se preparam para ser professores de séries iniciais. Nosso objetivo maior é divulgar experiências de leitura enriquecedoras, em que a literatura se mostre como uma realidade possível, ativadora da imaginação e do conhecimento do outro e de si mesmo.

8
Mirian Hisae Yaegashi Zappone
Célia Regina Delacio Fernandes
LETRAMENTOS LITERÁRIOS: PRÁTICAS DE LEITURA E DE ESCRITA

Leitura e escrita constituem-se como práticas variáveis no tempo e no espaço, tendo, portanto, uma história e uma sociologia (Chartier, 1999). Sendo assim, são influenciadas por inúmeros aspectos entre os quais as tecnologias que envolvem os diversos usos da escrita. Compreendendo o conceito de letramento como o “conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos para objetivos específicos” (Kleiman, 2004, p.19), podemos observar diferentes formas tanto de escrita, de leitura quanto de modos de circulação da escrita, fato que também pode ser notado com relação a textos literários.

Nesse sentido, o conceito de letramento se revela produtivo para os estudos literários, se realizarmos uma modulação fundamental: a restrição do conceito de escrita aos textos que possuem caráter de ficcionalidade, já que esta parece ser uma das características mais gerais da escrita compreendida até hoje como literatura. Assim, poderíamos pensar em letramento literário, ou seja, nas práticas sociais que fazem uso da escrita ficcional. Decorrente do conceito de letramento literário, abrem-se muitas perspectivas de estudos, pois ao considerarmos os diferentes contextos e objetivos envolvidos na produção e recepção de textos ficcionais, as práticas sociais que os envolvem passam a ser variadas.

A perspectiva de se olhar os contextos de tais práticas leva, por exemplo, a considerações históricas, culturais, sociais e materiais importantes no caso da produção de textos ficcionais e de sua leitura. Esses contextos estendem-se desde as práticas observadas em ambiente escolar (as práticas escolarizadas) até as práticas menos visíveis, encontradas em espaços sociais diversos (família, internet, igrejas, vida social etc.). Ao mesmo tempo, tal conceito permite uma expansão do conceito de literatura, na medida em que abarca não apenas as formas ficcionais impressas e verbais, já que o letramento leva em conta as tecnologias envolvidas na produção/recepção da escrita.

Por essa razão, podem ser consideradas formas ficcionais o próprio teatro, a novela televisiva, o videoclipe, a fanfic, a literatura oral, a poesia digital, o cinema, enfim, formas híbridas ou multimodais e outras que superabundam no mundo contemporâneo. Tais formas estão a exigir uma pluralidade de letramentos, gerados tanto pelas materialidades que envolvem a escrita quanto pelos diversos usos que dela se podem fazer, levando à discussão sobre as relações entre práticas letradas de leitura e escrita e outras práticas sociais de uso da escrita ficcional.

Tendo em vista tal panorama, este simpósio pretende agregar trabalhos que discutam aspectos relacionados a três eixos para os quais sugerimos alguns desdobramentos:

1) modos de produção, recepção e circulação de formas ficcionais impressas em diferentes contextos e espaços (imagens de leitura e de escrita na literatura infantil e juvenil, estudos específicos de autores e textos da literatura infantil e juvenil brasileira e estrangeira, estudos sobre recepção de tais textos etc.);

2) modos de produção, circulação e recepção de formas ficcionais em ambientes digitais, produzidos na cibercultura ou em outros contextos (estudos de formas ficcionais multimidáticas ou multimodais; formas multimodais e suas relações com gêneros impressos canônicos; intermidialidades, compreendidas como passagens de uma mídia a outra), literaturas orais e, finalmente,

3) os letramentos envolvidos na apropriação de tais formas ficcionais e sua inserção na cultura (letramentos literários e políticas públicas de leitura, literatura e formação de leitores na escola, materiais didáticos e letramento, práticas de leitura de textos literários em espaço escolar, letramentos em contextos digitais, letramentos escolares, letramentos sociais ou multiculturais).

Fonte:
http://www.cielli.com.br/programacao_geral

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2º CIELLI da UEM/PR (Resumo de Simpósio de Teoria Literária) Parte 1


2º CIELLI – Colóquio Internacional de Estudos Linguísticos e Literários

Diariamente serão postados 4 Resumos dos Simpósios que serão apresentados em 13 a 15 de junho, até totalizar os 25 a serem apresentados.

O resumo havia sido publicado na UEM em parágrafo único, mas para facilitar a leitura dos leitores do blog, dividi em parágrafos.

1
Mônica Luiza Socio Fernandes
Marly Gondim Cavalcanti Souza
(A LITERATURA EM DIÁLOGO COM OUTRAS ARTES)

Este simpósio é um espaço para reunir as pesquisas, as reflexões e as discussões centradas nas relações entre a Literatura e as outras artes (música, pintura, dança, cinema, teatro). Um tema cada vez mais discutido, especialmente, por trazer ampliação da perspectiva crítico-interpretativa e aprofundamento dos estudos da Literatura Comparada. O assunto tem assumido destaque no Brasil, terra mestiça por excelência, encontrando-se no cerne do tema da sexta edição da FLIP – Festa Literária Internacional de Paraty (RJ), acontecida no período de 2 a 6 de julho de 2008, colocando “a literatura em diálogo com diversas áreas do conhecimento” (UOL, on line). Porém, não somente no Brasil esse tema é atualidade: em 2001, o IV Congresso Internacional da Associação Portuguesa de Literatura Comparada (APLC), acontecido na cidade de Évora (Portugal), com o tema: “Estudos literários/estudos culturais”, produziu nada menos que um volume (o III) publicado com o título: “Literatura e Outras Artes”.

Várias são as publicações surgidas sobre o assunto, envolvendo pesquisadores amantes das artes e da literatura. Como exemplo, podem ser citados: Pierre Brunel & Yves Chevrel (Orgs.). Compêndio de Literatura Comparada (2004), cujo capítulo intitulado: Literaturas e Outras Artes expõe uma linha de evolução desses estudos, teóricos, escolas e publicações; o livro Angulos: literatura e outras artes, de autoria de Evandro Nascimento (UFJF, 2002), com textos sobre literatura e cultura brasileira, explorando não somente a teoria, mas a obra de Guimarães Rosa e Machado de Assis; os livros Diálogo entre literatura e outras artes (UFPB/Realize, 2009) e Diálogo entre a literatura e outras artes, Vol.2 (UFPB/Realize, 2011) , organizados por Marly Gondim Cavalcanti Souza, reunem textos de autores de várias partes do Brasil, focalizando estudos aplicados a obras literárias em interação com outras artes (cinema, música, dança, pintura); a revista JIOP, lançada no dia 7 de outubro de 2010, na Universidade Estadual de Maringá, mais uma empreitada na divulgação de trabalhos realizados na área.

Por tais razões, não se pode mais pensar em uma expressão artística sem que se considere a relação de complementaridade existente entre as mais diversas formas usadas pelo ser humano para comunicar suas ideias e sentimentos, chamadas de “arte”. As artes surgem como uma alternativa prática de estudo e de análise de obras literárias, fundada na relação interartística, tanto pela capacidade de envolver e seduzir o leitor, na sua dinamogenicidade, e de constituir o ponto inter-relacional para o diálogo entre obras literárias na perspectiva da intertextualidade, bem como entre a literatura e outro sistema semiótico artístico, considerando a presença de outros sistemas semióticos no texto literário e/ou a relação metafórica, de similaridade estrutural.

Este simpósio propõe-se a dar continuidade a um trabalho de pesquisa iniciado em 2007, cujos resultados podem ser observados em diversas publicações, troca de experiências e participação de pesquisadores em grupos de pesquisa em outros centros acadêmicos, enriquecendo o conhecimento mútuo da Literatura Comparada.

2
Alice Áurea Penteado Martha
Vera Teixeira de Aguiar
A LITERATURA JUVENIL: DO MERCADO ÀS INSTÂNCIAS DE LEGITIMAÇÃO

A literatura juvenil, fenômeno recente, cuja produção se fez maciça nas últimas décadas, com publicação de inúmeros títulos e circulação marcante no contexto escolar, em meio aos muitos produtos culturais que inundam o mercado e disputam avidamente a atenção dos jovens, destaca-se dentre os subsistemas que alimentam o sistema literário. Estudos acadêmicos mais recentes têm considerado a questão do “específico juvenil”, ainda que os trabalhos sistemáticos sobre a produção e a circulação dessas obras não se mostrem suficientemente significativos.

Embora a oposição “literatura”/“literatura infantil” se faça presente na absoluta maioria dos textos que compõem a bibliografia teórica sobre o assunto, as oposições “literatura”/“literatura juvenil” ou “literatura infantil”/“literatura juvenil” são quase que deixadas de lado pelos estudos que se dispõem a tratar desse polêmico subsistema literário. Sob a ambígua rubrica “literatura infantojuvenil”, utilizada, aliás, até este ponto sem maior questionamento, todos os problemas parecem estar resolvidos, ainda que depois se revelem contradições internas nas obras teóricas, que acabam – explícita ou implicitamente – trabalhando com a diferenciação de conceitos.

A complexidade do assunto amplia-se quando o foco é dirigido à significação do termo “juventude”, uma vez que o conceito é construído a partir de múltiplos olhares, notadamente das ciências médicas e humanas – história, sociologia, psicologia, educação, biologia. Apesar do peso significativo que possui atualmente a literatura juvenil no campo editorial, movimentando cifras consideráveis; da vasta produção de títulos em níveis de literariedade dos mais artísticos aos mais “comerciais”; do grande número de autores já consagrados ou novatos que produzem no gênero; da legitimação que a literatura juvenil acaba por receber de diferentes instituições (prêmios, diretrizes curriculares, disciplinas de graduação e pós-graduação, congressos), é possível constatar que a pesquisa sobre o assunto é ainda bastante precária, o que propicia uma reflexão sobre a noção de lugar de fronteira da literatura juvenil no sistema literário brasileiro.

O estabelecimento de um diálogo entre os elementos do campo literário mostra-se fundamental no reconhecimento da produção literária dirigida aos jovens como subsistema de obras, ligadas por certos fatores comuns que permitem reconhecer seus traços dominantes, como as características internas (língua, temas, imagens) e alguns elementos de natureza social e psíquica que, ao se organizarem literariamente, manifestam-se historicamente e transformam a literatura, concedendo-lhe aspecto orgânico. A discussão sobre as fronteiras da literatura juvenil, demarcadas por estudos de natureza diversa – historiografia, sociologia, psicologia e estética -, não tem a pretensão de esgotar as possibilidades para o estabelecimento de critérios para o reconhecimento da produção para jovens como subsistema de obras literárias.

Desse modo, e considerando a extensa e diversificada frente de trabalho que se abre com a discussão, tanto no que se refere a pesquisas teóricas e críticas quanto aquelas voltadas à questão da leitura e à superação gradativa dos problemas relativos à formação de leitores literários permanentes, a proposição deste simpósio justifica-se pelo empenho em compreender melhor as especificidades da produção para jovens nas suas múltiplas dimensões, bem como os modos de sua circulação e recepção. Assim, o simpósio deverá receber trabalhos que levantem obras que circulem, em diferentes suportes, sob a rubrica de literatura juvenil; debatam a produção em seus elementos estético/formais; realizem reflexão teórica sobre a existência de um específico juvenil no campo mais amplo da literatura; discutam e proponham questões relativas ao ensino da literatura juvenil; analisem o processo de mediação e recepção dos textos literários no contexto escolar, em suas múltiplas variáveis; discutam políticas públicas voltadas à leitura.

3
Marisa Corrêa Silva
Acir Dias da Silva
AS ARTES NARRATIVAS E O PANDEMÔNIO DA CONTEMPORANEIDADE

Este simpósio objetiva reunir e promover o debate entre estudiosos de teorias que vêm ganhando espaço nos círculos acadêmicos no início do século XXI. Embora a análise literária e/ou as reflexões sobre a narrativa sejam o ponto de convergência dessa proposta, as teorias não precisam ser, originalmente, criadas para se pensar especificamente o texto (entendido num sentido amplo) narrativo. Trata-se de abrir o leque acadêmico, expandindo-o, aceitando contribuições de diferentes campos – fenômeno tradicional no pensamento crítico.

Como é sabido, várias vertentes importantes da crítica literária, da comunicação e da estética beberam em fontes como Adorno e Benjamin, bem como outros filósofos da Escola de Frankfurt; o pós-colonialismo emana de autores como Hommi Bhabbha e Edward Said; a crítica feminista, de pensadoras como Hélène Cixous, cujo contributo é tão significativo quanto o de nomes como Virgínia Woolf e Simone de Beauvoir, que eram também romancistas. Portanto, serão bem-vindas contribuições que lidem com o pensamento de filósofos como Alain Badiou, francês de origem marroquina, cujo conceito de Evento (Évenement ou Acontecimento) reinstalam a discussão sobre metafísica num novo patamar, propondo, na contramão do mainstream do pensamento contemporâneo, que a Verdade, sob determinadas condições, é uma categoria prática; o italiano Giorgio Agamben, cujas leituras sobre a profanação provocaram polêmica, embora seu contributo para a crítica da biopolítica seja consagrado.

Slavoj Zizek, cujo materialismo lacaniano propõe uma nova leitura de Marx, voltando a Hegel e buscando soluções para a chamada “crise das esquerdas” do final do século XX, também é um dos nomes que buscamos.

Também serão bem-vindos trabalhos que retomem questões do feminismo, contemplando o contributo de pensadoras como, por exemplo, as anglófonas Kalenda C. Eaton, Laura Gillman, Judith Butler e outras que repensam o feminismo e articulam-no com questões raciais, trabalhando uma nova visão, o womanism, surgido da nomenclatura criada por Alice Walker.

O francês de origem tunisiana Pierre Lévy e suas contribuições mais recentes sobre a Internet também encontrarão espaço em nosso forum de discussões. Esses nomes e outros, que não mencionamos aqui, bem como teóricos que se propuseram a pensar especificamente a literatura, devem ser a base dos trabalhos recebidos. A condição de aceite das propostas é, portanto, que a(s) obra(s) teórica(s) principais que compõe(m) a metodologia do trabalho proposto tenha(m) sido produzida(s) originalmente (e não republicadas ou traduzidas) a partir de 1990, e que se encaixem em uma ou mais das seguintes modalidades: análises críticas de textos literários, reflexões sobre a aplicabilidade da(s) teoria(s) abordada(s) no campo literário, diálogo e contraponto com o estado anterior da questão (desde que devidamente ligado à questão literária).

A nossa preferência é por questões que:
a) enfoquem leituras e análises críticas de diferentes textos (literários, pictóricos, fílmicos etc)
b) proponham teorizações mais atuais, estrangeiras ou brasileiras.

4
Antonio Augusto Nery
Rosana Apolonia Harmuch
DIÁLOGOS COM A LITERATURA PORTUGUESA

Eduardo Lourenço em seu clássico artigo “Da Literatura como interpretação de Portugal”, presente no volume O Labirinto da Saudade – Psicanálise Mítica do Destino Português (1978), realiza uma análise da produção literária portuguesa que vai de Almeida Garrett (1799-1854) a Fernando Pessoa (1888-1935), propondo que no espaço temporal que separa os dois autores, a literatura de ficção portuguesa “foi orientada e subdeterminada consciente ou inconsciente pela preocupação obsessiva de descobrir quem somos e o que somos como portugueses”.

Segundo o crítico, essa busca pela identidade caracterizou-se, nos séculos XIX e XX, pelo constante repensar do conceito de nacionalidade e pela constatação, por parte de diversos autores, de que “as contas a ajustar com as imagens que a nossa aventura colonizadora suscitou na consciência nacional são largas e de trama complexa demais”.

As proposições de Lourenço expõem a situação de alguns escritores, especialmente do contexto finissecular do Oitocentos e dos primeiros anos do século XX, que, ao refletirem sobre a questão da identidade nacional, deparavam-se com o impasse do passado glorioso que perseguia a realidade presente, não permitindo vislumbrar claramente o que estava porvir.

Mesmo dedicando especial atenção à literatura produzida entre Garrett e Pessoa, a análise de Eduardo Lourenço dialoga com toda a tradição literária de Portugal que vai das cantigas medievais até a contemporaneidade, deixando entrever que a busca pela identidade do ser português é, de fato, um anseio permanentemente perceptível na produção literária portuguesa. E tal anseio necessita ser (re) pensado na contemporaneidade, se considerarmos que a discussão sobre o conceito de identidade nacional, ao longo do século XX e agora no século XXI, é perpassada por conceitos/discursos que a problematizam a ponto de se poder entendê-la, à luz de Zygmund Bauman em Modernidade Líquida (2000) e Stuart Hall em A Identidade Cultural na Pós-modernidade (1992), como algo fluido, líquido, “sem fronteiras” – concepções que descontroem práticas discursivas, muitas vezes oficiais, interessadas em criar e alimentar uma hegemonia identitária e cultural que não existe.

Ainda no sentido de problematizar essa discussão, cabe mencionar o que Leyla Perrone-Moisés propõe em seu recente livro Vira e Mexe, Nacionalismo: Paradoxos do Nacionalismo Literário (2007): “aquilo que chamamos literatura é uma prática universalizante, que ensina a superar os escolhos dos nacionalismos”.

Levando em consideração as ponderações realizadas por esses e outros teóricos, propomos este simpósio com o intuito de abrigar trabalhos que tenham como foco a Literatura Portuguesa e temas relacionados aos questionamentos e a (re)interpretação da nação e do conceito de identidade nacional, bem como leituras críticas que problematizam tais temas como possibilidade para a interpretação do texto literário. Pressupõe-se, nos trabalhos apresentados, um esforço em revisar a crítica canônica/tradicional que se \”cristalizou\” em torno de várias obras e autores dessa literatura, interferindo/delimitando leituras e análises futuras desses textos.

Pretende-se também priorizar análises comparatistas que buscam novas perspectivas sobre a produção ficcional portuguesa, em suas relações com o cinema, a história, a filosofia, a pintura, a fotografia, entre outras interfaces, à luz de diversas linhas teóricas. Além do intuito de abrir espaço para revisões e releituras críticas, o simpósio também pretende dar visibilidade a pesquisas envolvendo obras de autores contemporâneos de países lusófonos.

Fonte:
http://www.cielli.com.br/programacao_geral

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Simpósio Afro-Cultura, Literatura e Educação, em Frederico Westphalen/RS

A Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões – URI, Campus de Frederico Westphalen convida:

O Departamento de Lingüística Letras e Artes e o PPGL- Mestrado em Letras- Literatura Comparada da URI de Frederico Westphalen, RS, promovem, de 18-20 de agosto de 2010, o Simpósio Afro-Cultura, Literatura e Educação. O Simpósio é um evento paralelo do Curso de Extensão Novos Olhares, evento anual através do qual o Curso de Letras e o PPGL buscam despertar, tanto na comunidade acadêmica como no público em geral, o interesse quanto a autores, obras e seus mecanismos de circulação e recepção. No ano corrente, o Curso de Extensão Novos Olhares tem como temática Afro-Culturas e Literaturas Africanas.

O Simpósio Afro-Cultura, Literatura e Educação tem caráter multidisciplinar e destina-se a estudar as relações entre conhecimento, discurso e poder, especialmente no âmbito das expressões de minorias, com destaque para a produção literária e cultural da diáspora africana.

EIXOS TEMÁTICOS

– conhecimento, discurso e poder;

– educação e inclusão;

– identidade, nacionalidade, cultura;

– literatura e ensino;

– literatura e etnicidade;

– literatura e cultura da diáspora africana;

– expressões literárias de minorias e margens da história.

INSCRIÇÕES NO SITE:
http://www.fw.uri.br/site/eventos/index.php?evento=76&pg=inscricoes

APRESENTADOR (Comunicações e/ou Pôsteres): de 1 de junho a 9 de agosto de 2010.

PARTICIPANTE: de 1 de junho a 18 de agosto de 2010.

Certificados de 30 horas (freqüência mínima para expedição do certificado: 75%)

Vagas limitadas a 100.

PROGRAMAÇÃO

18/08/2010

8h-10h – Recepção aos Participantes, distribuição de pastas
10h-11h30min – Sessão de Comunicação
14h-17h – Sessão de comunicação
18h-Sarau Literário
19h – Conferência de abertura “O Ébano e o Marfim” – Prof. Ms. Giancarlo Cerutti Panosso

19/08/2010

8h-12h – Minicurso: Língua, Literatura, Etnicidade e Educação – Maria da Conceição Evaristo de Brito
13h30min-17h30min – Minicurso – Continuação
19h30min – Conferência: Literatura e Educação Segundo uma Perspectiva Afro-Brasileira – Maria da Conceição Evaristo de Brito

20/08/2010

8h-12h – Minicurso – Continuação
12h30min – Almoço por adesão
14h – Entrega dos certificados aos participantes.
Minicurso – Língua, Literatura, Etnicidade e Educação – Maria da Conceição Evaristo de Brito (12h)

Objetivos:

– Discutir a relação língua, literatura e etnicidade tendo como perspectiva a educação;

– Visibilizar parte de uma produção literária afro-brasileira.

– Propor o ensino/aprendizagem da literatura afro-brasileira como prática pedagógica que propicie a assunção de uma identidade afro-brasileira.

– Propiciar a discussão de ações pedagógicas que possam levar a uma educação que rejeite qualquer tipo de discriminação.

Ementa: Procurando problematizar a literatura como espaço de criação de identidade e de diferença, serão observados modos de representação do negro e da cultura afro-brasileira no interior de textos literários.

Tópicos: – Linguagem e poder; – O negro como objeto do discurso; – O negro como sujeito do discurso; – Vozes quilombolas na literatura brasileira; – Poética da irmandade – algumas aproximações entre criações literárias africanas e afro-brasileiras.

NORMAS

COMUNICAÇÕES

1. A proposta deverá estar articulada a um dos eixos temáticos do evento.

2. A organização e distribuição das sessões de apresentação dos trabalhos aprovados ficará a critério da Comissão Organizadora.

3. Os trabalhos individuais ou em grupo (máximo três autores) deverão ser resultantes de pesquisas concluídas ou de pesquisas em andamento que já apresentem análises preliminares.

4. Cada trabalho deve ser acompanhado do texto completo com um mínimo de cinco (05) páginas e um máximo de oito (08) páginas, excetuando-se as referências e os anexos. O texto poderá ser enviado juntamente com a inscrição, ou, alternativamente, preencher no momento da inscrição apenas o título, palavras-chave e resumo e entregar o texto em CD no dia da apresentação. Neste último caso, quando o sistema pedir o arquivo do trabalho, enviar arquivo dizendo: TRABALHO A SER ENTREGUE NO DIA DA APRESENTAÇÃO.

Formatação do Trabalho:

Os trabalhos submetidos deverão seguir a formatação abaixo:

Língua: português, espanhol ou inglês.
Folha: tamanho A4; Margens: superior- 3 cm; inferior- 2 cm; esquerda- 3 cm; direita- 2 cm.
Fonte: Times New Roman, tamanho 12
Editor de texto: Word for Windows 6.0 ou posterior.
Parágrafo: espaçamento: nenhum; entre linhas: 1,5; alinhamento justificado.
Citações e referências: seguir normas da ABNT. Citações parentéticas no corpo do texto. Notas de fim, apenas explicativas.
Número de páginas: mínimo de cinco (05) páginas e um máximo de oito (08) páginas, excetuando-se as referências e os anexos.
Disposição do texto: Somente serão aceitos para publicação artigos com o formato descrito abaixo:
Título e identificação do autor: título centralizado, em negrito; linha em branco; nome do autor, à direita, em negrito, acompanhado de chamada numérica para nota de rodapé contendo sua titulação e filiação institucional.
Linha em branco.
Resumo e palavras-chave: resumo de 100-150 palavras, em português (ou Resumen, Abstract caso escritos em, respectivamente, espanhol ou inglês), seguido de 3-5 palavras-chave (Keywords/Palabras Clave), separadas por ponto, e iniciadas por maiúscula, na língua em que o artigo foi escrito. Digitado em espaço simples.
Linha em branco.
Corpo do artigo
Linha em branco
Abstract/Resumen
, seguido de Keywords/Palabras Clave (3-5 palavras, separadas por ponto, e iniciadas por maiúscula).
Notas de fim ( se houver)
Referências

PÔSTERES

1. O pôster deverá estar articulado a um dos eixos temáticos do evento.

2. Os trabalhos individuais ou em grupo (máximo três autores) deverão ser resultantes de pesquisas concluídas ou de pesquisas em andamento que já apresentem análises preliminares.

3. A apresentação gráfica dos pôsteres deverá conter os seguintes itens: título, nome(s) do(s) expositor(es) e da Instituição a que está vinculado, objetivos, metodologia, contribuições da pesquisa ou da experiência com resultados ou considerações preliminares, referências, (fotos e tabelas se houver). A medida proposta é de 1,00m de largura por 1,20m de comprimento.

ANAIS DO SIMPÓSIO

Todos os trabalhos serão publicados em e-livro, devidamente registrado no ISBN, a ser publicado em setembro de 2010.

A correção e formatação do texto de acordo com as normas acima é de responsabilidade dos autores.

INSCRIÇÃO
Apresentador – Comunicação e Pôster …………………….R$ 50,00
Apresentador – Comunicação e Pôster (da URI) ……..R$ 45,00
Apresentador – Comunicações …………………………………R$ 45,00
Apresentador – Comunicações (da URI) ………………….R$ 40,00
Apresentador – Pôster …………………………………………….R$ 45,00
Apresentador – Pôster (da URI) ……………………………..R$ 40,00
Ouvintes ………………………………………………………………….R$ 35,00
Ouvintes (Alunos URI/ Inscrito Novos Olhares) ……..R$ 30,00

CONTATO E INFORMAÇÕES: http://www.fw.uri.br/site/eventos/?evento=76

Fone: 55 3744 9285 – 55 3744 9231 – 55 3744 9243; Fax: 55 3744 9265
E-mail: mestradoletrasurifw@gmail.com , novosolhares@fw.uri.br

Secretaria do Mestrado em Letras
Rua Assis Brasil, 709 – CEP: 98400-000
Frederico Westphalen, RS

Denise Almeida Silva – Coordenadora do Curso de Mestrado em Letras
Magali de Pellegrin Reinheimer – Secretária do Curso de Mestrado em Letras
URI – Campus de Frederico Westphalen

Fonte:
Delasnieve Daspet

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