Arquivo da categoria: Sinopse

Affonso Romano de Sant’Anna (Lançamento de “Que presente te dar?”)


LIVRO TRAZ SÉRIE DE CRÔNICAS PUBLICADAS AO LONGO DA VIDA DO JORNALISTA, ENSAÍSTA E POETA.
Chega às livrarias, pela editora LeYa, o livro de crônicas de Affonso Romano de Sant’Anna, Que presente te dar? – Crônicas de amor e outros afetos. A obra reúne crônicas publicadas em jornais desde a década de 1980, quando foi contratado pelo Jornal do Brasil (1984) para substituir Carlos Drummond de Andrade, até o período de 1990, quando passou a fazer parte da presidência da Fundação Biblioteca Nacional (1990-1996) e foi considerado pela revista Imprensa um dos 10 jornalistas que mais influenciavam a opinião pública no país.
Considerado um dos mais destacados poetas e ensaístas brasileiros, Affonso Romano de Sant’Anna já publicou mais de 50 livros, lecionou literatura no Brasil e no exterior e já foi presidente da Fundação Biblioteca Nacional, onde reformou e informatizou a instituição, criando programas novos e fazendo com que BN fosse considerada a melhor instituição federal do Rio de Janeiro.
“Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência,quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites do seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda. A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe.”
Falando sobre a mulher já madura, os trinta anos, a paternidade, os amantes, o envelhecer, a inveja, o amor, entre outros, o livro Que presente te dar? tem como maior foco a vida. Tudo um pouco, observado do camarote, pelo escritor que tem a mente inquieta e precisa mostrar ao leitor os detalhes despercebidos, a vida como ela é.
Partindo de pormenores que vão do mundo abstrato ao concreto, Affonso Romano vai mostrando, com sábias palavras, o que é e o que passa por nossa vivência; contextualizando e intercalando com outros tantos textos que completam as observações e nos garantem emoções do começo ao fim.
Com crônicas como, “Fazer 30 anos”, “A mulher madura”, “Na espera do amanhã”, “Quando os amantes dormem” e “O homem que conheceu o amor”, entre outras, “Que
presente te dar” é um livro memorável.
“Envelhecer deveria ser como plainar. Como quem não sofre mais (tanto) com os inevitáveis atritos. Assim como a nave que sai do desgaste da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente, e vai gastando nenhum-quase combustível, flutuando como uma caravela no mar ou uma cápsula no cosmos.”
Ficha Técnica
Título: Que presente te dar
Autor: Affonso Romano de Sant’Anna
Formato: 14 x 21 cm
Nº de páginas: 173
Preço: R$ 29,90
Sobre o autor

Affonso Romano de Sant’Anna é um dos mais destacados poetas e ensaístas brasileiros. Com mais de 50 livros publicados, já lecionou literatura no Brasil e no exterior e foi considerado pela revista Imprensa, nos anos 1990, um dos 10 jornalistas que mais influenciam a opinião pública no país. Como Presidente da Fundação Biblioteca Nacional (1990-1996), reformou e informatizou a instituição, criou programas novos e a BN foi considerada a  instituição federal que melhor funcionava no Rio de Janeiro.
>>>>>>>>>>>>>>>><<<<<<<<<<<<<<<<< 
Mais informações:
Andrea Jocys / Tatiany Leite
Imprensa
Rua Desembargador Paulo Passalacqua, 86 – Pacaembu
01248-010 – São Paulo – SP – Brasil
Fone + 55 11 3129 5448 Ramal 6207 / 6208
Fax + 55 11 31295448
ajocys@leya.com/ tleite@leya.com
Andrey do Amaral – agente literário de Affonso Romano de Sant’Anna
andrey@andreydoamaral.com (61) 8457-7131 (Oi) ou (61) 8224-2394 (Tim) /@AndreyDoAmaral
A LeYa é o grupo editorial que integra algumas das mais prestigiadas editoras portuguesas.
Está presente em quase todos os países de língua portuguesa. No Brasil, o grupo LeYa atua em edições escolares e no mercado de interesse geral, por meio dos selos LeYa e Lua de papel e as parcerias com Casa da Palavra e Fantasy. http://www.leya.com.br
Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Lançamento de Livro, Sinopse

Dalton Trevisan (Cemitério de Elefantes)

“O que não me contam, eu escuto atrás das portas. O que não sei, adivinho e, com sorte, você adivinha sempre o que, cedo ou tarde, acaba acontecendo.”
Cemitério de Elefantes, de Dalton Trevisan, publicado em 1964, reúne contos do autor, onde coloca em destaque histórias que, de um lado, se passam no contexto rural, com personagens à margem do mundo moderno, refletindo um universo fundado em valores patriarcais, e, de outro, a temática urbana, representada em um de seus contos mais famosos – Uma Vela para Dario – que representa a degradação da morte em um ambiente urbano. Dario passa mal, morre e é roubado sem que ninguém o ajude. A multidão assiste durante horas a sua agonia, movida pela curiosidade, sem um traço de piedade. É um anônimo, assim como a multidão que o cerca.
Dalton Trevisan já se tornou uma figura mítica no círculo literário brasileiro. Ganhador de dois Prêmios Jabuti da Câmara Brasileira do Livro e do Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, que dividiu com Bernardo Carvalho em 2003, não dá entrevistas, não comenta sua obra, não suporta a imprensa, não cede o número de telefone, não se deixa ser fotografado – as poucas imagens em circulação foram tiradas às escondidas, num flagra de seus passeios diários à livraria de um amigo. Tornou-se célebre a história de seu primeiro Jabuti, em 1960, por Novelas nada exemplares, que não foi receber. Sua famigerada obra, Vampiro de Curitiba, de 1965, rendeu-lhe o apelido do título, tal sua excentricidade e enclausuramento. É advogado, dono de uma fábrica de vidros, e um dos melhores contistas brasileiros da atualidade.

O estilo de Trevisan é inconfundível: conciso, simples, direto, sintético; não faz rodeios e diz (exatamente) o que tem de ser dito. Sua produção constitui-se principalmente de contos, mas escreveu romances (alguns do princípio da carreira, hoje renegados pelo autor, que não guarda deles um exemplar sequer, e o único publicado A polaquinha, de 1985) e nos últimos anos sua sinteticidade atingiu o ápice com o haicai, que compõe dois de seus livros. Sua obra já teve traduções para o inglês, espanhol, italiano, alemão, polonês e sueco. A temática é constituída de um intenso realismo urbano, tendo como cenário a cidade de Curitiba, cujos moradores são os protagonistas, em seus momentos mais alarmantes e, ao mesmo tempo, cotidianos. É o cotidiano universalizante, que poderia se passar (e se passa!) em qualquer outro lugar, o cotidiano das relações inter-pessoais, dos choques de temperamentos, dos casamentos mal-sucedidos, dos infernos particulares, do mundo carnívoro. A complexidade dos temas choca-se com a abordagem direta, e a sutileza fica por conta da escolha das palavras ou de uma imagem esclarecedora.

Em Cemitério de Elefantes não é diferente. Olhamos pela fechadura, ao invés de escutar através das paredes. Dalton coloca o leitor dentro da sala de estar de uma família curitibana (ou mais freqüentemente, dentro de seu quarto), e conta os segredos que ficam escondidos dos vizinhos. A cena por vezes se passa em quadros, e a briga de marido e mulher torna-se uma poça de sangue no chão da cozinha num mudar de linha. A esposa que vira prostituta, o morto abandonado na calçada, a casa indiferente a seus moradores moribundos, a mocinha que cai na armadilha indecente do velho, a filha no orfanato decadente, a briga de rua do marido ciumento, entre outras situações indesejavelmente comuns, são vistas de perto, perto demais, pelo leitor de Trevisan. É a desgraça da humanidade aproximada dos olhos, sem intermediários. A obra recebeu o segundo Prêmio Jabuti da carreira do autor, em 1965, e também o Prêmio Fernando Chinaglia.

Nesse mesmo livro, o conto – Cemitério de Elefantes – traz ao leitor um mundo de seres situados à margem do chamado “mundo oficial”. Simbolizando a categoria marginal dos personagens, os bêbados vivem à beira do rio e são alimentados pelos pescadores. Um duplo sentido é estabelecido: bêbados e elefantes são a imagem viva do peso, da lentidão, da falta de jeito e, ao mesmo tempo, aceitam resignadamente um destino irrefutável.

Vejamos alguns contos da obra:

Uma vela para Dario

Conto narrado em terceira pessoa. É a estória de Dario, um cidadão comum que passa mal na rua e agoniza.

Vem por uma esquina e encosta-se numa parede. Alguns passantes perguntam se não está bem, mas Dario já não tem forças para responder, escorre pela parede e sua boca se enche de espuma.

Um rapaz o ajuda, desapertando suas roupas, seu cachimbo apaga e Dario rouqueia feio junto às bolhas de espuma que lhe surgem da boca.

As pessoas que passam se acercam da cena e um senhor gordo repete que Dario caíra e deixara cair seu guarda chuva e seu cachimbo, que já não mais estão ali.

Arrastam-no para um táxi, mas ninguém quer pagar a corrida. Cogita-se em chamar uma ambulância e Dario já não tem seus sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

Dario continua à mercê daqueles que o cercam e alguém fala da farmácia, mas é no outro quarteirão e pelo seu peso, as pessoas desistem de levá-lo. É abandonado em frente a uma peixaria.

Aparece mais um que se prontifica a ajudá-lo sugerindo que lhe examinem os papéis. Ele é revistado e ficam sabendo quem ele é, mas ninguém resolve nada.

Chega a polícia e a cena é cercada de uma multidão de curiosos. Dario é pisoteado e o guarda não pode identificar o seu cadáver. Ainda lhe resta a aliança de ouro que Dario só conseguia tirar molhando com sabonete.

“A polícia decide chamar o rabecão”. “A última boca repete — Ele morreu, ele morreu.”

Há uma dispersão, quando as pessoas observam agora a um defunto. Um senhor piedoso aproxima-se e arruma o corpo da maneira que pode, ajeitando a cabeça sobre o paletó enrolado e cruzando as mãos sobre seu peito. A multidão termina por se espalhar e Dario, incógnito, agora só representa mais um cadáver, um indigente sem valor no meio da rua. A narrativa coloca as pessoas da cena como que indiferentes em sua rotina, diante do cadáver: “Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.”

Fecha-se a estória sem que a esperança de humanidade seja possível. Só o gesto de um menino salva a morbidade do desfecho. Dario é completamente saqueado e abandonado. “Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver”. “Fecha-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra sem o paletó e o dedo sem aliança. O toco de vela apaga-se…”

Cemitério de Elefantes

Narrativa em terceira pessoa. Nos fala sobre um grupo de bêbados de Curitiba, que vivem à Meca do que a cidade os oferece. “Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão.”
Eles vivem à margem do rio Belém, nos fundos de um mercado de peixes onde existe um velho ingazeiro. Aí onde vivem, os bêbados são felizes. Se contentam com as sobras, mas quando aperta a fome vão até o mangue para assar caranguejo e também se fartar dos frutos ingazeiro.

Os personagens são comparados a elefantes, o que dá um ar grotesco às suas formas e maneiras. “Elefantes Malferidos, coçam as perebas sem nenhuma queixa…”

Pedro, João, o Cai N’água, Jonas, Chico Papa-Isca; todos bêbados moribundos a procura de simplesmente sobreviver aos restos do mangue; cada qual com seu lugarzinho reservado. São todos uns dorminhocos e quando acordam ninguém se pergunta onde é que foi o amigo que está ausente. “E se indagassem para levar-lhe Margaridas do banhado, quem saberia responder?”

Vivem entregues ao curso das horas e às, intempéries do local precário onde se instalam. “…escarrapachados sobre as raízes que servem de cama e cadeira”. “A viração da tarde assanha as varejeiras grudadas nos seus pés disformes.”

Quando cai um fruto de ingazeiro se despertam rolando no pó e o ganhador se farta de olhos plenos de satisfação. As disputas não geram brigas, quando muito discussões à distância. Neste “cemitério” não existe violência.

Assim os bêbados elefantes, vão vivendo, suportando suas doenças, e suas dificuldades. Não existe ninguém em especial, nenhum destaque de algum personagem.

No final a metáfora da narrativa deixa para o leitor a conclusão da saga dos bêbados elefantes.

“Cospe na água o caroço preto do ingá, os outros não a interrogam: presas de marfim que apontam o caminho são as garrafas vazias. Chico perde-se no cemitério sagrado as carcaças de pés grotescos surgindo ao luar.”

Duas Rainhas

Narrado em terceira pessoa, é a estória de duas irmãs, pra lá de gordas, que vivem juntas e não conseguem parar de comer e engordar.

Augusta reclama de Rosa, “A Rosa é muito tirana” por ela ter desfeito os seus noivados. Mas o último dos três noivos conquista a Augusta e apesar da irmã opor-se instalaram-se na casa dos pais.

Glauco, proíbe Augusta de ir aos bailes e não deixa que ela o acompanhe até o portão. Ficam fechados o tempo todo dentro do quarto e Rosa reclama com sua mãe ” — Já se viu (…) que pouca-vergonha?”

O marido quase não dorme, enquanto observa Augusta que ronca. Ela perde alguns quilos e Rosa engorda.

Saem para fazer compras e Rosa é confundida como se estivesse grávida.

Com isso, Glauco começa a beber.

“— Você tem vergonha de mim — choraminga Augusta.”

“— Se ao menos evitasse bolinha no vestido.”

Rosa tripudia pois não acreditava no casamento da irmã.

Glauco briga com a irmã, com o sogro e a sogra. As irmãs continuam sempre nas gulodices e anunciando o regime para o dia de amanhã. Têm sonhos com bichos, Augusta adora um elefante branco. Uma tarde explode o escândalo. Dona Sofia e Augusta vão ao dentista, na volta encontram Rosa em prantos. Glauco investiu e derrubou-a no sofá, aos gritos e beijos:

“— Minha rainha das pombinhas!”

Augusta só quer morrer e agora as duas ficam no quarto de casal e o marido no quarto de hóspedes. Bebe feito condenado enquanto as irmãs engordam mais. Reclamam da magreza de Glauco:

“Viu o Glauco? — Magro que dá pena (…)

— Não sei onde está com a cabeça.

— Gente magra é tão feia!”

“Contemplam-se orgulhosas…”

Acaba o conto as irmãs juntas, apoiando uma em cada janela da casa e prometendo que amanhã farão regime.

“— Amanhã dia de regime (…) — Que tal pedacinho de goiabada? (…)”

“Derrete-se a guloseima na língua. Rosa tremelica o papo rubicundo. Suspendendo a perna com duas mãos, Augusta cruza os joelhos.”

Trechos escolhidos de outros contos

“…Às festinhas de família, comparece o irmão Agenor, preferido do pai. José volta bêbado de madrugada. A mãe traz-lhe comida, ele se queixa, coçando a barba: O menino de ouro vem aí, Dão o carrão pra ele. O menino querido sai de carro. E o bichão aqui não tem nada. Depois sou eu que eu vivo à custa do Chiquinho.

– Respeite o pai, meu filho.

– Quem, o Chiquinho? Que se dê o respeito para as negas dele.”

(“O Caçula” – Cemitério de Elefantes)

“Bebeu no botequim: ali não havia homem. E cuspiu no soalho. Ai de quem protestou…Invadiu a casa do velho Felipe. Derrubou cadeira, bradava nome feio contra a sogra. Aos gritos pulava com a faca na mão. Discutiu como velho, tirou o paletó para brigar. Conseguiu Felipe que lhe entregasse a garrafa. Miguel estranhou a sogra e lhe passou uma rasteira, sentada no chão com as pernas de fora.

Felipe acudiu a velha, que gemia muito. Com a machadinha de picar lenha, Miguel desferiu três golpes que foram desviados . O sogro alcançou a garrafa e o derrubou com uma pancada na cabeça. Partiu-se o vidro e gritou o velho:

– Acertei uma boa…

Ergueram-se as duas mulheres. Era pequeno e magrinho, só quando bebia perigoso e muito ligeiro.

Amparado, Miguel caminhou até o quarto. Ainda se voltou para resmungar palavrões contra o sogro. Na cama balbuciou alguns nomes. Foi se arruinando ao ponto de perder a fala. De madrugada saiu-lhe na boca uma espuma branca. Pela manhã, conduzido ao hospital, morria sem conhecer a mulher que lhe sustentava a cabeça no colo. Quando o desceram da carroça ficou um pouco de sangue no vestido amarelo de Elira.”

(“Questão de Família” – Cemitério de Elefantes)

“O desgosto do velho Tobias é o filho: a medonha carinha vermelha de mongolóide.

– É tarado – desculpa-se e corrige – Doente de nascença.

– Um bicho em criança, andava de quatro, a língua de fora; aos pulos subia na árvore com a agilidade de mico. Amarrado com os cachorros no fundo do quintal. Escapando, arrastava a coleira pela rua – uma correria entre as crianças. Cabeça bem pequena, nariz purpurino, um guincho selvagem. Aos vinte anos, engolia as palavras – a língua uma ostra que não engolia.

– A omba oou…

– A pomba voou. Mais que as surras de correia do pai, domesticava-o a paciência amorosa de Dona Zica. No sábado apara-lhe as unhas e dá um cigarrinho para que aceite o barbeiro; inquieto na cadeira , três talhos no pescoço atarracado.”

(“Beto” – Cemitério de Elefantes)

Deixe um comentário

Arquivado em Estante de Livros, Sinopse

Esi Edugyan ( Um Blues Mestiço)

Páginas: 336
Editor: Porto Editora

Paris, 1940. Em plena ocupação alemã, Hieronymous Falk, um jovem e brilhante trompetista de jazz, é detido num café, desaparecendo completamente de circulação. Tinha apenas vinte anos, era cidadão alemão e… negro.

Cinquenta anos depois, Sid, antigo companheiro de banda e única testemunha desse fatídicoacontecimento, ainda se recusa a falar do assunto. No entanto, quando Chip, outro ex-companheiro, lhe mostra uma misteriosa carta que recebeu de Hieronymous, vivo e de boa saúde, Sid enceta uma dolorosa viagem ao passado. Da agitação dos bares clandestinos da Berlim do início da Segunda Guerra aos salões de Paris, irá reviver a paixão pela música, a camaradagem e a luta diária de então, mas também as invejas, as traições em nome da arte e o sentimento de culpa¿

Um romance extraordinário sobre o mundo do jazz, mas também sobre os limites da amizade, o racismo e a fragilidade dos que vivem à margem.

Críticas de imprensa
«Um murro no estômago… uma escrita perfeita, personagens credíveis e um retrato de época bastante convincente.»
>The Guardian

«Uma história arrebatadora sobre lealdade e traição…»
The Times

«Assertivo, intenso e cativante… Uma evocação notável de uma época e dos seus lugares.»
Time Out (Londres)

«Hipnotizante… Edugyan tem um dom especial para os diálogos e para retratar as complexidades do ser humano e os seus sentimentos… amor, inveja… um romance extraordinário.»
Morning Star

«Um romance brilhante e original… carregado de tensão e humor.»
Independent on Sunday

«Extraordinário no retrato de época, no jargão dos músicos de jazz e nas típicas piadas masculinas.»
Independent

Fonte:
Porto Editora

Deixe um comentário

Arquivado em Canadá, Estante de Livros, Sinopse

Ignácio de Loyola Brandão (O Homem do Furo na Mão e Outras Histórias)

Além de O Homem do Furo na Mão, que narra o isolamento do indivíduo devido ao preconceito, Loyola aborda em O homem que resolveu contar apenas mentiras, a hipocrisia social; em O homem que devia entregar a carta, o abuso de autoridade e a submissão sem questionamento; em Os homens que não receberam visitas, narra os limites entre loucura e normalidade; em O Presidente da China, o desejo do poder; em A Descoberta da Escrita, a luta pela liberdade de expressão; em Pega ele, silêncio, o desejo por ascensão social; e em O homem que procurava a máquina, a obstinação pela verdade.

Antologia

O conto que dá título à coletânea, a presença de um furo indolor na mão do personagem acaba por marginalizá-lo dentro de seu próprio universo, o que demonstra o papel repressivo e massificante de uma sociedade que rejeita a singularidade do indivíduo.

Há doze anos tomavam café juntos e ela o acompanhava até a porta.

– Você está com um fio de cabelo branco, ou tinge ou tira.

Ele sorriu, apanhou a maleta e saiu para tomar o ônibus, faltavam doze para as oito, em três minutos estaria no ponto. O barbeiro estava abrindo, a vizinha lavava a calçada, o médico tirava o carro da garagem, o caminhão descarregava cervejas e refrigerantes no bar.

Estava no horário, podia caminhar tranqüilo. Na mão, descobriu uma leve mancha avermelhada de uns dois centímetros de diâmetro. Quando o ônibus chegou, a mão coçou de novo.

Agora ardia um pouco e ele teve a impressão de que no lugar da mancha havia uma leve depressão. Como se tivesse apertado uma bolinha muito tempo, com a mão fechada.

Ao chegar no escritório, naquele dia, ficou a disfarçar a mão entre os papéis da sua mesa, pois não queria que os amigos vissem o furo de sua mão. À noite, ao chegar em casa e mostrar o furo para a esposa, esta sugeriu um band – aid, e o homem rejeitou a sugestão, pois já começava a se afeiçoar àquele furo. No outro dia, a esposa o abandona por não poder viver com você enquanto esse buraco existir. Durante o expediente se comunicou com o sogro e este nada sabia de sua filha. No final do serviço, perambulou pelos lugares onde pudesse encontrá-la, sem sucesso. A empregada também resolve deixar a casa e o homem começa a se aperceber da marginalização que passa a sofrer por causa de sua diferença, o furo na mão.

No ônibus não embarca, foi demitido do emprego, nem sequer lhe era permitido sentar no banco da praça.

– O senhor quer sair deste banco?

Era um homem de farda abóbora, distintivo no peito: fiscalização de parques e jardins.

– O que tem este banco?

– Não pode sentar nele.

Ele mudou para o banco ao lado, o homem seguiu atrás.

– Nem neste.

– Em qual então?

– Em nenhum.

– Olhe quanta gente sentada.

– Eles não têm buraco na mão.

– Daqui não saio.

O homem enfiou a mão embaixo da túnica, tirou um cacete, deu uma pancada na cabeça dele. As pessoas se aproximaram, enquanto ele cambaleava.

(…) – Saia, saia, gritavam as pessoas em volta.

Por fim, perdeu tudo e todos, indo morar com uns mendigos embaixo da ponte, que também tinham furos nas mãos.

Personagens

Esposa, barbeiro, vizinha, médico, homem de farda, homem com o furo.

Fonte:
Literatura Brasileira

Deixe um comentário

Arquivado em Conto, Estante de Livros, Sinopse

Cristovão Tezza (O Espírito da Prosa: Uma Autobiografia Literária)

Artigo por Miguel Sanches Neto

Primeiro apenas escritor, depois escritor-professor e agora novamente só escritor, assinalado pelo sucesso de seu romance autobiográfico O Filho Eterno (2007), Cristovão Tezza decidiu dissecar a sua própria trajetória em O Espírito da Prosa (Record, 2012). Se fosse apenas esta a motivação de seu ensaio ele já estaria justificado, pois Tezza se tornou pacientemente um dos grandes escritores brasileiros. Mas o livro faz um dos mais corajosos, e importantes, diagnósticos dos caminhos e descaminhos da literatura no Brasil, tornando-se, por isso, obra referencial para qualquer pessoa – escritor, crítico, professor – interessada na compreensão do fenômeno literário.

Como a vida de professor universitário de Cristovão é ainda muito recente, o livro se inicia um tanto travado. São os pressupostos teóricos tão comuns em teses e artigos científicos, talvez inconscientemente convocados por quem declara na primeira frase que “este não é um trabalho acadêmico” (p. 9). Enquanto linguagem e estrutura, ele tem ainda algum parentesco com a produção universitária. Mas as reflexões de Tezza vão na contramão do pensamento hegemônico neste meio, e é isso que o torna extremamente valioso.
 

Ensaio

O Espírito da Prosa: Uma Autobiografia Literária
Cristovão Tezza. Record, 224 págs.

Resumindo para fins didáticos a tese de Tezza, apreendida em Mikhail Bakhtin (1895-1975), teríamos dois princípios fundadores na produção literária – um poético e outro prosaico. Enquanto linguagem, a poesia exige uma equivalência de voz entre a obra e o autor, um se confundindo com o outro. O território da prosa se estabelece na multipresença de vozes, conscientemente construídas e dispostas num tabuleiro que permite a movimentação constante de identidades/verdades, o que desconstrói a sobreposição eu/texto, própria da poesia. Assim, “o escritor tem que saber que a voz que ele escreve em cada instante do texto não pode ser completamente a dele” (p. 37).

Com base nesta descoberta tardia – como ele mesmo relata –, Tezza pensa a sua carreira literária (momento em que o ensaio ganha velocidade), dividindo-a em dois momentos: o da crença na autenticidade e o da descoberta da força do realismo. Contraditoriamente, uma obra será tanto menos realista quanto mais autêntica. A autenticidade seria um empecilho para construir uma ficção que deve dar conta dos múltiplos pontos de vista dos personagens, sem a preponderância das ideias moralizantes do autor. Por isso, Tezza renega os seus primeiros livros, vendo neles uma presença poética, ou seja, uma equivalência entre o eu que ele era e a voz de seus narradores. Esses livros propunham uma mudança da sociedade que era de seu autor.

Mas Tezza busca neles as sementes do ficcionista que nasceria com Trapo (1988), quando ele mata simbolicamente o poeta que havia nele. Esta maturidade é conquistada por meio do domínio de um registro realista, que o afastou da vergonha de narrar – marca do pensamento retromoderno (expressão de Cristovão) nacional, que não se cansa de proclamar a morte do romance, à luz das ilusões estruturalistas. É nesta percepção que o ensaio programado para ser uma “autobiografia literária” transcende suas intenções iniciais e se faz um das mais importantes reflexões sobre a literatura publicadas no país. Todo o pensamento crítico atual está programado para valorizar um romance que sabote a narrativa e que valorize o elemento poético da ficção. Assim, a crítica que nega a presença explícita do eu na narrativa valoriza a presença estilística deste mesmo eu – algo que Foucault chama de função-autor. Fazendo-se extremamente pessoal, a voz na ficção se torna poética, forçando uma visão moralizante pela linguagem, pelo estilo.

O que define a grande prosa, para Tezza, não é o grau de inovação, não é a criação de um artefato pessoal de linguagem, mas a capacidade de cifrar muitas vozes, colocando-as em situação de tensão. Produzido segundo este princípio, mesmo o romance autobiográfico (como o seu O Filho Eterno) se afasta de seu autor. Assim, o romance realista é a expressão da prosa por excelência, e o seu domínio, tão pouco valorizado entre críticos e escritores brasileiros, é um caminho para o outro, para uma voz generosa.

Fonte:
Gazeta do Povo. Colunistas. 16 de agosto de 2012.

Deixe um comentário

Arquivado em Estante de Livros, Sinopse, Sopa de Letras

José Carlos Aragão (No palco, todo mundo vira bicho!)

ARAGÃO, José Carlos. No palco, todo mundo vira bicho!
Ilustrações de Luciana Carvalho. São
Paulo, Editora Planeta do Brasil, 2007.
56 pp.

Celso Sisto (Fábulas Para Brincar de Teatro)

O jogo do faz de conta é próprio do teatro e das brincadeiras de criança! “Agora eu era…” é frase comum na boca da meninada, e basta para indicar que o pacto começou! E elas são rápidas na divisão dos papéis, no desenvolvimento do enredo e na solução da história. E repetirão mil vezes se for prazeroso!

O autor deste livro se vale de algumas fábulas de Esopo (o escravo escritor lendário, que viveu na Grécia Antiga) e as transforma em cenas, bem curtas, com predomínio do humor, para serem representadas pelas crianças. Temos aqui 10 fábulas, que dão origem a 10 pequenas cenas, dentre elas “O lobo e o carneiro”, “O macaco comilão”, “O cachorro sabido e o lobo bobo”. São histórias vividas por animais com comportamentos humanos que terminam sempre em lições bem aprendidas (e experimentadas na pele!), como costuma acontecer nas fábulas!

Após a ilustração que abre cada história, há um box com a lista de personagens e o cenário sugerido para a encenação. Tudo muito simples (inclusive as falas!) e sucinto, para não complicar quem quer apenas brincar de representar. As ações sugeridas pelo autor, para os atores mirins executarem, estão destacadas dentro do texto, em verde.
Como se publica muito pouco teatro para ser lido (e representado, claro!) neste país, este livro torna-se ainda mais louvável. As crianças precisam deste tipo de material, sobretudo para se familiarizarem com os códigos do texto dramático.

As ilustrações em preto e branco, aplicadas, sobre um fundo verde são criativas e poéticas, com jeito de cultura popular, o que as tornam muito charmosas! As vinhetas (ou pequenos desenhos) aplicadas no topo ou no centro de páginas em branco também conferem beleza ao projeto gráfico do livro. A diagramação faz o livro ficar vistoso e atraente!

O autor é jornalista, cartunista, dramaturgo e tem mais de 14 livros publicados. A ilustradora é educadora e atualmente faz mestrado em Artes e Design. O trabalho de um casa muito bem com o do outro!

Fonte:
Artistas Gaúchos

Deixe um comentário

Arquivado em Estante de Livros, Sinopse

T. Grenwood (Um Mundo Brilhante)

Por Ana Lucia Santana para o Infoescola
Este livro nos revela o quanto a nossa vida pode, de repente, se transformar em uma falsa jornada, da qual deixamos de ser o protagonista. Facilmente nos convertemos em fragmentos levados ao sabor do vento e sem vontade própria, completamente distantes da felicidade almejada.
É o que ocorre com Ben Bailey, que leciona história em uma faculdade durante a manhã e atua como garçom em um bar no período noturno. Apesar de ganhar pouco por este trabalho, encontra nele um meio de alcançar a necessária catarse, como em uma terapia. Assim ele pode esquecer os problemas domésticos, a transformação de Sara, sua noiva, de uma jovem segura e positiva em uma mulher impertinente e dominadora.  Esse contexto o leva a uma profunda solidão e a um relembrar constante dos traumas de sua meninice.
Um dia ele sai de sua residência, pronto para enfrentar a neve que inicia seu despertar em Flagstaff, apanha o jornal matutino e se depara com uma cena trágica e inesquecível, um rapaz agoniza repleto de lesões, aparentemente vítima de uma violenta agressão. Sua vida não será mais a mesma.
Incapaz de tirar da sua mente o evento perturbador, Ben se dirige ao hospital e aí encontra Shadi, a irmã do jovem. Através da garota ele descobre a procedência dos dois; eles são descendentes de navajos e alimentam costumes diferentes. Ao que tudo indica o nativo foi alvo de um atentado racial, e não de um incidente comum, versão das autoridades policiais.
Indignado, o protagonista se dispõe a assessorar Shadi na busca dos criminosos, e esse gesto o inicia em uma caminhada de conhecimento interior, por meio do qual ele tenta compreender o sentido de sua vida e se realmente existe um futuro pré-determinado, fatalista.
Desta forma o jovem encontra a si mesmo, constrói sua identidade e tem a mais clara visão de seus sonhos e aspirações. Esta jornada o leva a perceber que até este momento vivia uma farsa, tanto no campo afetivo quanto no profissional, e por esta razão era definitivamente infeliz.
Esta busca inevitável cria um dilema em sua vida; ele deve priorizar o bem-estar e a satisfação pessoal ou as obrigações e encargos do dia-a-dia? O destino arquitetado há um longo tempo ou renovadas opções que lhe proporcionariam a libertação de um universo de enganos e falsidades?
T. Greenwood publicou seis livros, entre eles Two Rivers e The Hungry Season. Com sua obra conquistou diversas premiações e recursos para se devotar integralmente a sua jornada literária, abrangendo a Verba Nacional para a Literatura e as Artes e uma doação do Conselho Artístico de Maryland. A escritora reside em San Diego, na Califórnia, ao lado do marido das duas filhas; aí a autora leciona redação criativa, dedica-se a um curso de fotografia e à literatura.
Fonte Principal:
Fontes Consultadas:

Deixe um comentário

Arquivado em Estante de Livros, Sinopse