Arquivo da categoria: Soneto.

Luiz Otávio (Carolina)

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Fonte:
RAMOS, Carolina. Príncipe da Trova. São Paulo: EditorAção, 1999. p.148.
Imagem = montagem da trova sobre imagens  obtidas na internet e no livro acima, reformatadas para se adaptar ao tema, por José Feldman

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Francisca Clotilde (A Um Poeta)

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6 de março de 2013 · 19:57

Raquel Ordones (As Vezes um Abraço é Tudo)

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3 de março de 2013 · 22:41

Cláudia Dimer (O Segredo)

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5 de fevereiro de 2013 · 21:50

Olavo Bilac (A Montanha)

Soneto formatado em imagem obtida no facebook em Sonetos Célebres.

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Cláudia Dimer (Os Passos dos Meus Sonhos)

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31 de janeiro de 2013 · 22:00

Ialmar Pio Schneider (Soneto-Oração)

Aos familiares dos entes queridos falecidos na tragédia de Santa Maria – RS – 29.01.2013 – . – 

Transcorrem dias tristes, enlutados, 
e as pessoas se voltam à oração; 
que Deus conforte os pais desesperados, 
porque só n´Ele existe a salvação. 

Nós somos seres, filhos bem-amados
do Pai Maior que paira na amplidão, 
por Quem sempre seremos resgatados
e a retornarmos à ideal mansão. 

É difícil viver, tenhamos fé, 
embora atravessemos maus momentos
em que podemos vacilar até… 

Possamos enfrentar os sofrimentos
nesta terrena vida, de viagem, 
pois estamos aqui só de passagem…

Fontes:
O Autor
Charge de Carlos Latuff obtida no Blog do Tarso

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Arquivado em Rio Grande do Sul, Soneto.

Héron Patrício (O Lar)

Montagem de trova e rosto do Héron sobre imagem obtida no facebook da Libreria Fogolla Pisa

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Arquivado em Minas Gerais, Soneto.

Raquel Ordones (As Sementes)

Poema formatado obtido no facebook.

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Arquivado em Minas Gerais, Soneto., Uberlândia

Machado de Assis (Raimundo Correia: Sinfonias)

[Jul. 1882.]

SUPONHO que o leitor, antes de folhear o livro, deixa cair um olhar curioso nesta primeira página. Sabe que não vem achar aqui uma crítica severa, tal não é o ofício dos prefácios; – vem apenas lobrigar, através da frase atenuada ou calculada, os impulsos de simpatia ou de fervor; e, na medida da confiança que o prefacista lhe merecer, assim lerá ou não a obra. Mas para os leitores maliciosos é que se fizeram os prefácios astutos, desses que trocam todas as voltas, e vão aguardar o leitor onde este não espera por eles. É o nosso caso. Em vez de lhe dizer, desde logo, o que penso do poeta, com palavras que a incredulidade pode converter em puro obséquio literário, antecipo uma página do livro; e, com essa outra malícia, dou-lhe a melhor das opiniões, porque é impossível que o leitor não sinta a beleza destes versos do Dr. Raimundo Correia:

MAL SECRETO

Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’ alma, e destroi cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!

Aí está o poeta, com a sua sensibilidade, o seu verso natural e correntio, o seu amor à arte de dizer as cousas, fugindo à vulgaridade, sem cair na afetação. Ele pode não ser sempre a mesma cousa, no conceito e no estilo, mas é poeta, e fio que esta seja a opinião dos leitores, para quem o nome do Dr. Raimundo Correia for inteira novidade. Para outros, naturalmente a maioria, o nome do Dr. Raimundo Correia está apenso a um livro, saído dos prelos de S. Paulo, em 1879, quando o poeta tinha apenas 19 anos. 

Esse livro, Primeiros sonhos, é uma coleção de ensaios poéticos, alguns datados de 1877, versos de adolescência, em que, não Hércules menino, mas Baco infante, agita no ar os pâmpanos, à espera de crescer para invadir a Índia. 

Não posso dizer longamente o que é esse livro; confesso que há nele o cheiro romântico da decadência, e um certo aspecto flácido; mas, tais defeitos, a mesma afetação de algumas páginas, a vulgaridade de outras, não suprimem a individualidade do poeta, nem excluem movimento e a melodia da estrofe. Creio mesmo que algumas composições daquele livro podiam figurar neste sem desdizer do tom nem quebrar-lhe a unidade.

Não foram esses os primeiros versos que li do Dr. Raimundo Correia. Li os primeiros neste mesmo ano de 1882, uns versos satíricos, triolets sonoros, modelados com apuro, que não me pareceram versos de qualquer.

Semanas depois, conheci pessoalmente o poeta, e confesso uma desilusão. Tinha deduzido dos versos lindos um mancebo expansivo, alegre e vibrante, aguçado como as suas rimas, coruscante como os seus esdrúxulos, e achei uma figura concentrada, pensativa, que sorri às vezes, ou faz crer que sorri, e não se se riu nunca. Mas a desilusão não foi uma queda. A figura trazia a nota simpática; o acanho das maneiras vestia a modéstia sincera, de boa raça, lastro do engenho, necessário ao equilíbrio. Achei o poeta deste livro, ou de uma parte deste livro: – um contemplativo e um artista, coração mordido daquele amor misterioso e cruel que é a um tempo a dor e o feitiço das vítimas.

Mas, enfim, Baco conquistou a Índia? Não digo tanto, porque preciso ser sincero, ainda mesmo nos prefácios. Trocou os pâmpanos da puerícia, jungiu ao carro as panteras que o levarão à terra indiana, e não a vencerá, se não quiser. Em termos chãos, o Raimundo Correia não dá ainda neste livro tudo o que se pode esperar do seu talento, mas dá muito mais do que dera antes; afirma-se, toma lugar entre os primeiros da nova geração. Estuda e trabalha. Dizem-me que compõe com grande facilidade, e, todavia, o livro não é sobejo, ao passo que os versos manifestam o labor de artista sincero e paciente, que não pensa no público se não para respeitá-lo. Não quero transcrever mais nada; o leitor sentirá que há no Dr. Raimundo Correia a massa de um artista, lendo, entre outras páginas, “No Banho”, o “Anoitecer”, “No Circo”, e os sonetos sob o título de “Perfis Românticos”, galeria de mulheres, à maneira de Banville. Não é sempre puro o estilo, nem a linguagem escoimada de descuidos, e a direção do espírito podia às vezes ser outra; mas as boas qualidades dominam, e isto já é um saldo a favor.

Uma parte desta coleção é militante, não contemplativa, porque o Dr. Raimundo Correia, em política, tem opiniões radicais: é republicano e revolucionário. Creio que o artista aí é menor e as idéias menos originais; as apóstrofes parecem-me mais violentas do que espontâneas, e o poeta mais agressivo do que apaixonado. Note o leitor que não ponho em dúvida a sinceridade dos sentimentos do Dr. Raimundo Correia; limito-me a citar a forma lírica e a expressão poética; do mesmo modo que não desrespeito as suas convicções políticas, dizendo que uma parte, ao menos, do atual excesso ir-se-á com o tempo.

E agora, passe o leitor aos versos, leia-os como se devem ler moços, com simpatia. Onde achar que falta a comoção, advirta que a forma é esmerada, e, se as traduções, que também as há, lhe parecerem numerosas, reconheça ao menos que ele as perfez com o amor dos originais, e, em muitos casos, com habilidade de primeira ordem. É um poeta; e, no momento em que os velhos cantores brasileiros vão desaparecendo na morte, outros no silêncio, deixa que estes venham a ti; anima-os, que eles trabalham para todos.

Fonte:
Machado de Assis. Crítica Literária. Pará de  Minas/ MG: Virtualbooks, 2003.

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Arquivado em criticas literarias, Soneto.

Ives Gandra (Maior Diário Publicado em Forma de Soneto)

texto de Fátima Pires
—————–
Ives Gandra da Silva Martins escreveu 365 sonetos, um por dia durante o ano de 2010

O advogado Ives Gandra da Silva Martins, da cidade de São Paulo – SP, é o novo recordista do RankBrasil. Durante o ano de 2010, ele escreveu um diário em forma de soneto, totalizando 365 composições poéticas.

Produzidos de 1º de janeiro a 31 de dezembro, os sonetos possuem métrica perfeita, seguindo a tradição das composições italianas (Petrarca) ou inglesas (shakespearianos).

O diário foi publicado no decorrer do ano passado, pela editora Pax&Spes, em quatro volumes, todos ilustrados, nas versões impressa e eletrônica, com o título ‘Diário em Sonetos – 365 dias, um soneto por dia’.

Segundo Ives Gandra, as composições foram inspiradas a partir de uma agenda para 2010, presenteada pela ex-diretora geral das Organizações Globo, Marluce Dias e seu marido Eurico.

“Prometi para eles que, pela beleza da agenda, escreveria um soneto por dia e assim realizei”, conta. Ives Martins explica que, como relata em alguns sonetos, nem sempre foi fácil encontrar um tema para cada dia.

“De rigor, o livro é um diário normal sobre os acontecimentos pessoais, profissionais, culturais, políticos e de exercício da cidadania: foi uma experiência curiosa, que se faz uma única vez na vida”, enfatiza.

Carreira profissional

 O recordista é professor emérito de várias universidades de São Paulo e professor honorário de universidades da Argentina, Peru, Romênia e Portugal.

Ele pertence a 31 Academias Jurídicas, Filosóficas, Culturais, Históricas no Brasil e Portugal, e possui 31 títulos acadêmicos universitários no Brasil, Argentina, Peru, Portugal e Romênia.

Tem estudos nestas áreas publicados em 21 países: Alemanha, Angola, Argentina, Bahamas, Bélgica, Brasil, Bulgária, Cabo Verde, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Inglaterra, Japão, México, Peru, Portugal, Romênia, Rússia, Taiwan e França.

Ives Martins é membro da Academia Brasileira de Letras Jurídicas e da Academia Brasileira de Filosofia. Também é membro da Academia Paulista de Letras, a qual presidiu nos anos de 2005 e 2006.

Outras publicações

Ives compôs seu primeiro soneto aos 13 anos, em 1948. No ano de 1956, aos 21, escreveu o primeiro livro de poesias, intitulado ‘Pelos caminhos do silêncio’.

Em 1965, com o poeta Domingos Carvalho da Silva, Ives Martins dividiu o prêmio dos Jogos Florais Brasil – Portugal. Seu poema ‘Marabá’, classificado pelos julgadores como épico, foi publicado no livro ‘Tempo de Lendas’.

Também fazem parte de suas publicações diversos livros de poesia, o romance ‘Um advogado em Brasília’ e a peça teatral ‘O caçador caçado’. Seus poemas vão além da língua portuguesa: foram traduzidos para o romeno e editado pela Ed. Akadamus-Budapeste (Poeme).

Soneto destaque
 Dos 365 sonetos que agora fazem parte do RankBrasil, o recordista Ives Martins escolhe um para destaque:

EU INFANTE

Meu ano acaba, volto a ser menino,
 Encantos descobrindo pela lua,
 Meus papagaios lúdicos empino
 Enquanto elevo aos céus minh’alma nua.

Retorno no rever de meu destino,
 Ao moleque que andava pela rua,
 Sonhando sonhos mil, em desatino,
 Sem nunca perceber que a vida é crua.

Meu passado repasso num instante
 E meu presente engolfo no futuro,
 Que se torna de mais em mais incerto,

Mas que não tira o brilho de eu infante,
 Que fazia ser claro o que era escuro
 E plantava jardins pelo deserto.

SP., 16/12/2010.

Fonte:

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Arquivado em Biografia, Notícias Em Tempo, Soneto.

Miguel Russowsky / SC (O amor é bom!… (mas dói))

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21 de dezembro de 2012 · 21:41

Florbela Espanca (A Vida)

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19 de dezembro de 2012 · 22:25

Pedro Mello (8 Indrisos e 1 Soneto)


AMARGURA

Olho o teu rosto, cheio de amargura…
Tudo o que nós fizemos foi loucura…
Por que não aceitamos a verdade…?

Meus versos vestem arrependimento…
Minha alma se separa num momento
da tua, em busca de tranquilidade…

Eis a verdade, com melancolia:

És a anti-musa, o fim da poesia…

PERGUNTAS SEM RESPOSTA

Você também já se cansou de mim?
Também deseja (intimamente) o fim
da triste farsa que representamos?

Está também (como eu) arrependida
do modo como está vivendo a vida?
Vamos reconhecer que nos cansamos?

Por que não terminamos, afinal?

Pra que serve um amor que só faz mal?

TRAIÇÃO…

Você foi algo mau na minha estrada,
alguém que não merece ser lembrada,
um pretérito longe e fugidio…

Ainda assim, de vez em quando à mente
irrompe uma lembrança persistente…
(Será que um dia ainda me alforrio?)

Vai acabar em mim esse confronto?

Ah, coração… és traiçoeiro e tonto…

TÉDIO

Essa rotina miserável nossa
conduz o nosso amor rumo ao abismo…
Evaporou-se todo o romantismo…

O riso de ontem hoje virou fossa…
A nossa vida é um absoluto tédio…
Talvez não haja para nós remédio…

O que fazer, se “nós” viramos pó?

Não me amas mais… não te amo mais… e é só…

APATIA

Tornaram-se tão frágeis nossos laços,
que qualquer coisa pode desfazê-los…
Velha ilusão tão desgastada e torta…!

São tão banais, mulher, nossos abraços…
Sem emoção eu olho teus cabelos,
como quem olha natureza morta…

A solidão a dois é muito triste…

É estar morto num corpo que resiste…

PEDIDO…

Não te suporto… tu não me suportas…
Entre nós dois já não existem portas…
(Talvez existam, mas estão fechadas…)

Este nosso romance moribundo
não resiste a um exame mais profundo:
Somos duas paixões deterioradas…

Por que não somos francos, afinal…?

Devemos colocar ponto final…

OBRIGADO…

Você tem suportado meus rompantes
de mau-humor e não se queixa… Antes,
me anima quando a vida é desventura…

Se eu abandono o mundo tão mesquinho,
num vórtice de dor, é seu carinho
que me consola e proporciona cura…

Sou muito grato por seu ombro amigo…

Obrigado, Poesia, pelo abrigo…

VERSOS ÁCIDOS

Teus olhos lacrimejam… a acidez
que corrói cada verso que alinhavo
te causa dor e agride teu orgulho…

Mas… por favor, ignora o que hoje lês…
Não te aborreças com meu desagravo
cheio de estardalhaço e de barulho…

Perdoa o mal que te escrevi e fiz…

Ninguém escreve quando está feliz…

PEQUENO TRATADO SOBRE A DOR (Soneto) 

A dor do infarto, dor que chama a morte,
a dor que ataca um mal cuidado dente,
a dor pós-cirurgia, a dor do corte,
a dor da cãibra, o músculo torcente…

o chute acidental… e um homem forte
da partida-batalha sai dormente…
a dor do câncer faz perder o norte,
a dor do parto abala quem a sente…

Mas entre dores tantas, afinal,
qual é a que faz alguém perder o sono
e despencar o pranto sem contê-lo?

…É a dor de todos, dor universal,
amargo resultado do abandono,
a dor pior… é a dor de cotovelo…

Fonte:
Novo Site com Textos de Pedro Mello 

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Arquivado em indrisos, Soneto.

Cláudia Dimer (Pranto dos Anjos)

Fonte:
facebook da autora

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Arquivado em Soneto.

Raquel Ordones / MG (Ser Forte)

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Arquivado em Soneto.

Silviah Carvalho (A Súplica do Beija-Flor)

…Quanto a mim, da solidão me vesti,
Vi sangrar o meu coração sem paz,
A segredar à noite tudo que vivi,
Reluto sozinha, não volto atrás.
O sossego das noites não refrigera meus dias,
Poeta beija-flor… Perdi essa identidade!
Exilada morro aos poucos e comigo a poesia,
Tantos “não” que do “sim”, sinto saudades.
Quisera ressuscitar-me, não mais amar…
Já não percebo do amor o fulgor,
Só o silencio que sua ausência deixou.
Eu preciso me redescobrir no teu olhar,
Voar na essência e sabor do seu vasto jardim,
Alimenta esse beija-flor, traga néctar pra mim…
Fonte:

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Carolina Ramos – Santos/SP (Epopéia)

Fonte:
RAMOS, Carolina. Destino: poesias. Editor: Cláudio de Cápua. Junho/2011.

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Arquivado em homenagem, Soneto.

Nathan de Castro (Para Brincar de Sombras)

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2 de dezembro de 2012 · 20:07

Raquel Ordones (Novo Horizonte)

Fonte:
A Poetisa

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Arquivado em Soneto., Uberlândia

Cláudia Dimer (Não Sei Falar do Amor)

Formatação: Margot Vidal

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Arquivado em Soneto.

Júlio Salusse (Os Cisnes: A História Belíssima de um Soneto)

Nilo Bruzzi, amigo e biógrafo de Júlio Salusse, escreve:
“Júlio Salusse adquire um terreno na avenida Friburgo, à margem do Bengalas, desenha uma planta de casa, contrata um pedreiro e faz construir um simpático “chalet” em centro de formoso jardim. É hoje (1950) a casa nº 158 da Avenida Comte. de Bittencourt, residência do Doutro Hugo Antunes. Ali instala-se sozinho. É o Promotor Público de Nova Friburgo. A cidade regurgitava de famílias elegantes do Rio que para lá iam passar o verão.  Os condes de Nova Friburgo tinham regressado da Europa e habitavam o suntuoso Castelo do Barracão. 
“Baile no Cassino. O que há de mais distinto na sociedade de Nova Friburgo ali está. Júlio Salusse, cabelos dourados, olhos profundamente azuis, buço louro, tez muito clara e rosada, elegante, alto, lenço de cambraia evolando perfume inebriante, gravata de seda fina e colorida, também ali está. Duas moças formosíssimas polarizam a atenção de todos os rapazes. Vera van Erven, loura, clara, olhos azuis, elegantíssima, inteligente, risonha, dançando muito bem, intelectual, dizendo versos de cor, conversando com todos e por todos admirada. Laura de Nova Friburgo, a castelã do Barracão, lindíssima, de um moreno delicioso, olhos brilhantes e escuros, recém-chegada da Europa, onde fora se instruir. […]
“Júlio Salusse naquela noite conheceu ambas e com ambas dançou. […]
“Dias depois, nova festa em casa do Dr. Ernesto Brasil de Araújo.
“Baile animado. Laura está mais linda, com seu fofo vestido de rendas, seus maravilhosos cabelos, olhos provocadores, aquele moreno inesquecível.
“Em seguida, vieram dias de chuvas copiosas. Júlio Salusse fica preso em casa, naquele simpático “chalet” à margem do rio, cercado de flores. Uma noite, o sonho embala o seu pensamento. Passa-lhe pela lembrança a formosa moça do Castelo do Barracão…
“Está só. A chuva lá fora cai ininterrupta. As águas do rio crescem. E o poeta começa a compor o soneto – Cisnes – que lhe vai abrir as portas da glória imorredoura. Quando, no terceiro dia, cessa a chuva, Júlio Salusse tem pronto os versos imperecíveis. […]
“Um novo baile, agora no Castelo do Barracão, proporciona novo encontro de Júlio Salusse com Laura de Nova Friburgo. Dançam, conversam. Mas o poeta, que é arrojado no pensamento, tem, entretanto, a palavra contida pela timidez, oriunda da falta de confiança em si mesmo. […]
“E o que poderia ter sido um delicioso enredo sentimental ficou sendo um êxtase ungido da filosofia de Platão, silencioso, como daquele outro Petrarca que, em 1327, à porta da Igreja de Santa Clara, em Avignon, viu pela primeira vez aquela outra Laura de Novaes, esposa de Ugo de Sade, e nunca mais a esqueceu nos seus versos imortais”.

JÚLIO SALUSSE

Os Cisnes

A vida, manso lago azul algumas
vezes, algumas vezes mar fremente,
tem sido para nós constantemente
um lago azul, sem ondas, sem espumas.

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
matinais, rompe um sol vermelho e quente,
nós dois vagamos indolentemente
como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo.
Quando chegar esse momento incerto,
no lago, onde, talvez, a água se tisne,

que o cisne vivo, cheio de saudade,
nunca mais cante, nem sozinho nade,
nem nade nunca ao lado de outro cisne.

Fonte:
Colaboração de Nei Garcez

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Raquel Ordones /MG (Meu Mar de Amar)

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6 de novembro de 2012 · 15:29

Cláudia Dimer/ RS (O Menino do Farol)

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5 de novembro de 2012 · 11:12

Ialmar Pio Schneider (Soneto de Finados)

Lembramos nossos mortos neste dia 
que consagramos tristes aos finados; 
passaram para o além e a lájea fria 
apenas guarda os corpos sepultados. 
Hoje tudo é perpétua nostalgia… 
Ouvem-se preces, prantos desolados, 
um porquê inexplicável excrucia 
até os corações mais resignados. 
Dos páramos celestes desce a luz 
iluminando a terra que se habita; 
e a verdade mais crua se traduz 
pela certeza natural e aflita 
que fatalmente a todos nos conduz 
à noite eterna… trágica… infinita…
Fonte:
O Autor

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Arquivado em data comemorativa, Soneto.

Heloísa Crespo (Ciranda “Professor Versos”) Parte II – António Barroso (Tiago) – O Professor

É sacerdócio, não é profissão,
É um dar-se, a si próprio, por amor,
Com prazer de ensinar, o professor
Sempre se entrega de alma e coração.
A sua vontade e a sua ambição
É ultrapassar todos os escolhos
E, aos alunos, fazer abrir os olhos
P’ra vida, para o sonho e p’ra razão.
O professor só pensa que é mais nobre
Ensinar tanto o rico como o pobre
Com a força da fé, por si, sentida.
Sem nunca se cansar ou esmorecer,
Seu destino será, até morrer,
Sempre a preparar homens para a vida.
Fonte:
Organização e Programação Visual: Heloisa Crespo
Campos dos Goytacazes/RJ

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Ialmar Pio Schneider (Soneto Aflito)

Quisera aqui deixar escrito de passagem
aquele enlevo que nos uniu num momento;
depois tomaste um rumo e seguiste viagem
como quem parte, assim levada pelo vento…

Hoje procuro ouvir na tênue voz da aragem
um suspiro talvez; ou quem sabe um lamento
emitido por ti, tal qual uma mensagem
que me permita, enfim, lograr o meu intento…

Mas vão-se as estações: inverno, primavera,
verão e outono; e ainda estou sozinho e triste,
na aflição infernal de quem sofrendo espera…

Se ouvires, por acaso, um pássaro canoro
entoar uma canção que tu jamais ouviste,
recorda-te que ao te lembrar ainda imploro !

Fonte:
O Autor

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Arquivado em Rio Grande do Sul, Soneto.

Jacqueline Aisenman (Sonho de uma Noite de Primavera)

Porção de mim se ausenta e distancia
parte num sonho na noite mulher
envereda por uma trilha qualquer
alcança o mundo que a alma via

Revê amigos, canta, lembra vidas
sorri do mundo que deixou atrás
entre o azul do céu e o coração lilás
encanta e se encanta com tantas guaridas.

Noite que passa, passa junto com as horas
sonho que vai na dança até chegar a aurora
e a alma baila, baila ao som de uma quimera

Amanhecendo parte o sonho enquanto a volta
se faz feliz tendo a lembrança como escolta
mostrando a chuva e a flor e o ar da primavera.

Fonte:
A Autora é de Genebra, Suiça

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Arquivado em Primavera, Soneto., Suiça

Antonio Hugo / SP (Noite de Primavera)

Floriu da noite pro dia
lindas flores são aquelas,
flores que você colhia
rosas brancas e amarelas.

Floriu em tempo de flores
no início da primavera,
flores para os meus amores
nunca vi flores tão belas.

Só vi uma flor igual…
a que eu tinha na lapela,
de tão usada murchou.

Flor que plantei no quintal
colhi pra ofertar a ela,
ela, que é meu doce amor.

Fonte:

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Arquivado em São Paulo, Soneto.

Ialmar Pio Schneider (A Primavera…)

Primavera em Porto Alegre
Dentre as estações do ano, principalmente aqui no sul, onde são mais definidas, é a que traz amenidades, prenunciando o próximo verão de sol ou de chuva, mas também de águas salgadas e areia, aos que se dirigem às praias, tão convidativas nos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março. Nesse período, os que têm condições de fazê-lo, vão ao litoral, nem que seja por quinze dias, a fim de refazer-se um pouco da estafa adquirida no dia-a-dia. 
Outrossim, representa também a quadra da vida, quando se está na adolescência, tão decantada pelos poetas, tais como Casimiro de Abreu e Pe. Antônio Tomás que nos deixou o soneto inesquecível: 
“CONTRASTES”  

“Quando partimos, no verdor dos anos, 
da vida pela estrada florescente, 
as esperanças vão conosco à frente 
e vão ficando atrás os desenganos. 

Rindo e cantando, céleres e ufanos, 
vamos marchando descuidosamente… 
Eis que chega a velhice de repente, 
desfazendo ilusões, matando enganos. 

Então nós enxergamos claramente 
como a existência é rápida e falaz, 
e vemos que sucede exatamente 

o contrário dos tempos de rapaz: 
– os desenganos vão conosco à frente, 
e as esperanças vão ficando atrás.”
Isto me leva a meditar num passado recente, porque a vida é efêmera, e não faz muito navegava nessa fase, percorrida sem grandes lances aventureiros. 
Conservo ainda enraizados aqueles devaneios que me assaltavam o pensamento na juventude pacata e laboriosa. Sempre lutando por dias melhores, desde a infância, consegui algum progresso relativo, o que me leva a acreditar no estudo e no trabalho.
E muitas vezes me surpreendo ao deparar com acontecimentos já presenciados outrora, que pareciam sepultados na tumba do tempo, mas que surgem avivados qual uma brasa encoberta pelas cinzas. São as reminiscências que nos fazem, enfim, reviver alguns momentos mais representativos ao longo de nossa caminhada pelo mundo. Aos treze anos de idade, quando praticava datilografia, cujo ensino me era ministrado por uma freira, numa sala da escola em que concluía o curso primário, há mais de quarenta anos, havia um piano no qual algumas meninas aprendiam a tocar. De uma delas recordo bem; as outras me parecem névoas que se dissiparam. Embora minha paixão pela música, meu dever era a datilografia e não o piano. Hoje só me resta dizer: 
“Parece que foi ontem !” São os desígnios da existência…
____________________________
Poeta e cronista 
Publicado em 29 de setembro de 1999 – no Diário de Canoas.

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Cláudia Dimer / RS (Olha Meu Rosto)

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21 de setembro de 2012 · 01:20

Ialmar Pio Schneider (Soneto ao Dia do Gaúcho – 20 de Setembro)

Tela de Gláucia Scherer
Nobre Desfile Farroupilha
vejo pela televisão,
porque o gaúcho segue a trilha
de cultuar a Tradição !

Eu vou recordando a tropilha
das lendas do nosso rincão,
em que mais cintilante brilha
a estrela da libertação.

Este evento não é bairrismo,
mas, sim, um culto à liberdade,
forte raiz de telurismo…

A conotação da equidade
no movimento de atavismo,
deve culminar na amizade !Fonte:
O Autor

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Arquivado em data comemorativa, Soneto.

José Lucas de Barros (Vaqueiro)

Há registros em prosa e poesia,
Aqui pelo Nordeste brasileiro,
Mas ninguém descreveu, como devia,
A grandeza da saga do vaqueiro.

Quando um touro se torna barbatão,
Escondido na mata de espinheiro,
Não há nada que o enfrente no sertão,
A não ser a coragem do vaqueiro.

Cavaleiro de tanta valentia,
Esquecido por esses pés de serra,
Nosso herói nordestino merecia
Uma estátua de bronze em sua terra!

Fonte:
O Autor   

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Arquivado em homenagem, Rio Grande do Norte, Soneto.

Ialmar Pio Schneider (Soneto ao Sete de Setembro)

Dia sete de setembro, dia de glória,
Dia em que o Brasil festeja radiante,
Que o sol é mais risonho e mais brilhante
E a nossa vida é menos merencória !

Dia de ouro para nossa bela história,
Pois neste dia que já vai distante,
Dom Pedro ergueu um grito trepidante,
Um grito de grandeza e de vitória…

Um brado ressoou pelo infinito,
Desde o extremo sul ao extremo norte,
Rasgando as nuvens este enorme grito

Retumbou num alarme grande e forte
Que transformou-se num ditoso mito
Da frase da “Independência ou Morte”.

Fonte:
O Autor

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Arquivado em data comemorativa, Soneto.

Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Manhã)

Hoje resolvi sair para dar uma pescada e andar a cavalo com o Luquinhas.

Como estava aqui no pc com ele, aguardando a chegada de alguns amigos, resolvi mandar esse poema Manhã para vocês.

Esse poema me lembra muito a vida do campo… das manhãs de minha infância.

Um forte abraço.
Sardenberg

Manhã

Antonio Manoel Abreu Sardenberg
São Fidélis/RJ “Cidade Poema”

Boceja o sol nessa manhã risonha
No céu brilhante de nuvens esparsas.
E no cenário do alto da montanha
Em revoada bailam lindas garças.

Na estrada estreita desponta um vaqueiro
Pelo aceiro tocando a boiada
Sob o comando de um feitor faceiro
Todo enfeitado para a namorada.

A manhã rompe enquanto a tarde brota,
E mais um dia foge se esvaindo…
O lusco – fusco no sertão se aporta,

E a cigarra, com seu cantar tão triste,
Dá boas – vindas à noite surgindo
O tempo avança – meu sonho persiste…

Fonte:

O Autor

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Arquivado em Estado do Rio de Janeiro, São Fidélis, Soneto.

Olivaldo Junior (Destino atroz)

Ao meu amor

Eu tentei, ó Destino, não amar
quem não ama, nem é do coração
que só sabe em poemas malograr,
consagrando por mim a solidão.

Eu falhei, ó Destino, no gostar
de quem chamo e reclamo sem razão,
pois só sabe em mil penas me lograr,
conquistando de mim desilusão.

A quem amo, dou “pétalas” de mim,
dou a minha palavra, mesmo triste,
para o meu girassol, do meu jardim.

O jardim, sem quem amo, não resiste,
mas resisto, e persiste, até meu fim,
meu amor, ó Destino, a quem desiste.

Fonte:
O autor

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Arquivado em Moji-Guaçu, Soneto.

Ialmar Pio Schneider (Soneto para a Cidade de Cruz Alta)

Velha Cruz Alta – marco das Missões –
onde iniciei meu jogo rumo à vida…
Foi lá que começaram as paixões
que me acompanhariam a toda brida!

Mas o caminho foi extenso e a lida
que enfrentei quando por outros rincões,
hoje me trouxe a paz, enfim obtida
com a morte das perdidas ilusões…

Mas, Érico Veríssimo, filho nobre
desse solo gentil e portentoso,
levou seu nome pra os confins do mundo…

E os fortes filhos seus, não há quem dobre,
torrão tradicional e generoso,
hospitaleiro e por demais fecundo…


Fonte:
O Autor

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Arquivado em homenagem, Soneto.

Afonso Louzada (Fernão Dias Paes Leme)

A morte de Fernão Dias Paes Leme (Década de 40),
Raphael Gaspar Falco (1885-1967)
Óleo sobre tela

Varando as regiões desconhecidas,
entre matas e rios e montanhas,
no calor das audácias e façanhas,
buscando as pedrarias escondidas.

as “bandeiras” rasgavam as entranhas
da terra virgem; mil lutas renhidas,
desbravando paragens mal feridas,
no assombro das florestas mais estranhas.

Na braveza das serras misteriosas
atrás das esmeraldas, alma brava
que era de um povo o símbolo gigante,

as mãos crispadas apertando, ansiosas,
as suas pedras verdes, expirava
Fernão Dias Paes Leme, o bandeirante.

––––––––––––-

Fernão Dias Paes Leme (1608-1681) nasce provavelmente na vila de São Paulo do Piratininga, descendente dos primeiros povoadores da capitania de São Vicente. A partir de 1638 desbrava os sertões dos atuais estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, chegando ao Uruguai. Em 1661 fixa-se nas margens do rio Tietê, perto da vila de Parnaíba, e administra uma aldeia com cerca de 5 mil índios escravizados. Em julho de 1674 parte de São Paulo à frente da bandeira das esmeraldas, da qual Fazem parte o genro Manuel da Borba Gato e os filhos Garcia Rodrigues Pais e José Dias Pais. Este último conspira contra o pai, que manda enforcá-lo como exemplo. A expedição alcança o norte de Minas Gerais, e por mais de sete anos o bandeirante explora os vales dos rios das Mortes, Paraopeba, das Velhas, Aracuaí e Jequitinhonha. Encontra turmalinas, que pela cor verde confunde com esmeraldas. Morre de malária, ao retornar a São Paulo.

Fonte:
LOUZADA, Afonso. Templo Abandonado. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1945.

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Errata e Biografia (Nilton da Costa Teixeira)

O poema Meu Pai, peço que me perdoem, me equivoquei no nome do autor, e o autor que eu havia colocado, Nilton Manoel, de Ribeirão Preto/SP, enviou e-mail me corrigindo.
O nome do poeta é na verdade, Nilton da Costa Teixeira, pai do Nilton Manoel.
Nilton da Costa Teixeira (1920 – 1983)
Nilton da Costa Teixeira, nasceu na cidade de Monte Alto, interior de São Paulo, em 03 de maio de 1920, filho dos portugueses Manoel dos Santos Teixeira e Conceição da Costa Teixeira. Veio com a família para Ribeirão Preto, prosseguindo os estudos no Grupo Escolar Guimarães Júnior, onde concluiu em 1930/31. Trabalhou desde a infância, tendo sido prático de farmácia, depois ser provador de café e, na mesma firma, passou a exercer funções na contabilidade, enquanto prosseguia seus estudos no ginásio do Estado, hoje Otoniel Mota. Na Escola da Biblioteca dos Pobres foi cursar o “guarda livros”, mais tarde na Escola de Comércio São Sebastião, Contabilidade e científico no colégio Progresso.

Dedicou-se à contabilidade e ao comércio. Aposentou-se por tempo de serviço em 1.976. A contabilidade exerceu-a até os últimos dias de sua vida. Era associado do Conselho Regional de Contabilidade e graças ao vasto conhecimento contábil, assessorava colegas nas constantes mutações do setor.

Teve participações esportivas e literárias. Na literatura, 45 anos de atividades. Em 1936, co-fundara o Grêmio Literário Humberto de Campos.

Na imprensa, Nilton sempre editou crônicas, contos, poemas, trovas, sonetos, divulgando parte de sua produção literária, nos jornais de Ribeirão Preto, oferecendo subsídios para que professores e alunos trabalhassem, nas escolas, seus projetos de poesia. Em torno da Fonte Luminosa, da praça XV de novembro, por vários anos, estiveram expostas as trovas dos Jogos Florais de Ribeirão Preto, em placas pintadas, com as trovas vencedores. Nilton sempre tinha alguma premiada.

Como professor, na Escola dos Pobres, estimulava o alunado à vida literária e o que continuou fazendo no correr dos anos. Sua esposa também lecionava na entidade. Prefaciou diversos livros. Gostava de escrever sobre a cidade.

No correr dos anos, durante campanhas eleitorais, à pedido de candidatos compunha “marchinhas” de campanha eleitoral e, num só pleito, viu candidatos eleitos com o apoio suas mensagens poético-eleitorais. Era comum, ao passar por cartórios de paz, ser solicitado a fazer trovas de homenagem a casamento ou nascimento. O poeta gostava do que fazia e fazia com inspiração.

No ano de 1966, foi um dos vencedores dos I Jogos Florais de Ribeirão Preto, numa promoção do Clube dos Antônios com o patrocínio do jornal O Diário, tendo duas de suas trovas premiadas. O tema da promoção era Santos Dumont. A respeito, no dia 6 de novembro de 1967, o dr. Antonio Rocha Lourenço, presidente do Clube, se manifestou: Ao ofertar-lhe o prêmio que sua inteligência conquistou, não deseja o Clube dos Antônios, deixar embora em poucas palavras, de dizer o quanto agradece a sua destacada participação. Foi premiado em diversos concursos de trovas e sonetos. Era considerado uma usina poética e conseguia produzir centenas de trovas de um mesmo assunto ou tema.

Em 1970, a pedido do dr. Antônio Duarte Nogueira, então prefeito, editou Versos à Ribeirão Preto. O historiador Prisco da Cruz Prates, destacava-o em seus textos como o príncipe regional da trova ribeirãopretana. O trabalho literário de Nilton merecia elogios nos mais diferentes recantos do país.

Em 19 de junho de 1977, trovadores de diversas cidades e estados, estiveram reunidos na casa do poeta. Ocasião festiva e literária, onde cada um demonstrava a sua versatilidade. O escritor e acadêmico santista Walter Waeny ao partir deixou em manuscrito a mensagem:

“ Esta alegria maior,
Sempre guardá-la prometo:
visitei, hoje, o melhor,
poeta de Ribeirão Preto”.

O trovador José Valeriano Rodrigues, mineiro de diversas academias, assim escreveu:

Senti-me de tal maneira
à vontade neste lar,
como na casa mineira
para a qual eu vou voltar”.

Deixou vários inéditos, mas na imprensa diária divulgada boa parte daquilo que produzia. Suas constantes premiações literárias, perpetuam seus textos em livros de resultados de concursos. A biblioteca municipal e a Casa da Cultura têm as edições dos livros de jogos florais de Ribeirão Preto.

Vem sendo organizada uma antologia com os textos dos escritores da família Teixeira. O poeta Lauro da Costa Teixeira (irmão, freqüentava a Casa do Poeta Lampião de Gás), Nilton Manoel e Ivan Augusto (filhos) e alguns sobrinhos do poeta com prêmios e vida literária.

Nilton fez parte de várias comissões de Jogos Florais de Ribeirão Preto.
Nilton, co-fundador e vice-presidente da seção municipal da União Brasileira de Trovadores, instalada por Luiz Otávio (príncipe dos trovadores). Co-fundador da União dos Escritores de Ribeirão Preto e membro correspondente de academias pelo Brasil. Hoje é patrono de cadeiras acadêmicas.

No decorrer dos anos conquistou prêmios, nos Jogos Florais da Bahia, pela Academia Castro Alves de Letras, Academia Valenciana de Letras, Grupo Alec de Corumbá, Academia Pedralva de Letras e Artes, Sesc Três Rios- RJ, União Brasileira de Escritores, Revista Brasília, centenária Sociedade Legião Brasileira Civismo e Cultura, em Ribeirão Preto, monografia sobre Padre Euclides, Casa da Cultura de Ribeirão Preto, Clube da Velha Guarda, Jogos Florais de Ribeirão Preto, Santos, Rio de Janeiro,etc.

Na antologia Poetas de Ribeirão Preto, terra da poesia, editada por Nilton Manoel, em 1979, figura com um agrupamento de textos sob o título “Encanto dos meus dias” onde são encontrados sonetos, poemas e trovas, concebidos em verdadeiros estados de graça. Foi haicaísta.

A FONTE LUMINOSA

Da fonte luminosa, emergem espargidos,
contínuos jatos de água em cores variantes,
que , em suaves vai-vens, tão sempre repetidos
em mesclas divinais de encantos e corantes.

Seus azuis celestiais, nos jatos expelidos,
parodiam, no céu, os azuis contagiantes,
enquanto pela relva, os grilos escondidos
teimam a musicar esses vai-vens constantes

Sempre a água sobe e desce e sofre mutações,
imita nossa vida onde há tão falsos pomos
colhidos cegamente em muitas ocasiões…

A fonte é um painel de passageiras cores,
a vida é um painel de mentirosos cromos,
dois cromos celestiais, cromos enganadores.

Com a difusão de informativos, jornais, revistas, colunas de poesia em jornais O Diário, Diário de Notícias, Diário da Manhã, A Cidade e em Folha do Subúrbio (do Eduardo Cavalcanti da Silva, Camaçari – BA), a coluna de Trovas da Gazeta Esportiva, assinada pela jornalista Maria Thereza Cavalheiro, Almanaques como o Santo Antonio, da Editora Vozes, a folhinha do Sagrado Coração de Jesus, álbuns e revistas acadêmicas, os poemas de Nilton da Costa Teixeira popularizam-se cada vez mais, principalmente, em volantes, editados para distribuição gratuita a alunos de nossas escolas. O movimento literário de Ribeirão Preto, tomou vulto com as edições diárias do poeta, considerado o marco de nacionalização da literatura ribeirãopretana.

Nos Jogos Florais de Ribeirão Preto, oficializados pelo executivo, por ser o evento que consagrou a cidade no mundo internacional da literatura, realizados em modalidades: estudantil, municipal, internacional, Nilton conseguiu diversas e boas trovas vencedoras, entre elas:

Neste abraço em que te aperto,
Com a beatitude de um monge,
Sinto meu amor tão perto…
Minha esperança tão longe!

Para salvar aparências,
Nós pela vida, mentindo,
Entre silêncios e ausências,
Sofremos sempre sorrindo.

O Judas de hoje, moderno,
Maneiroso, demagogo,
Não teme os clarões do inferno,
Porque dança sofre o fogo.

Despreocupado com a morte
Para quem tão pouco resta,
Mesmo os rigores da sorte
São verdes sonhos de festa!

Comentários sobre o poeta:

“… vemos o perfil de um homem, que foi inspirado cultor do sonho e requintado burilador do verso. Sei que foi, em sua terra natal, por várias gerações, um dos seus valores mais dignificantes, que, se o presente tanto o admirou, a posteridade saberá respeita-lo”.

Um poeta adormeceu,
e, porque tanto sonhou,
se algo, aqui, se escureceu,
todo o céu se iluminou”.
Helvécio Barros- Bauru-SP.:

“Com profundo pesar recebemos a infausta notícia do falecimento do poeta Nilton da Costa Teixeira, que enluta as letras de Ribeirão Preto e entristece seus irmãos trovadores de todo o Brasil”..
Carolina Ramos, presidente da União Brasileira de Trovadores –secção de Santos-SP

“ Trovador e poeta que todos aprendemos a estimar e admirar”.
Jornalista Paulina Martha Frank, Campinas,SP.

“O Brasil inteiro precisa ler o que ele escreve, para render homenagem a um talento e a uma versatilidade assim tão grandes”.
Walter Waeny, trovador da Academia Santista de Letras
———-
Na literatura de Ribeirão Preto sua prosa e poesia fez a nossa história literária e, ficou comprovado nos certames em que foi premiado. Seus livros: A Mansão do Morro Branco, Versos à Ribeirão Preto, Mãe, Minha Trova em Ribeirão Preto, Sonetos de várias datas,Restos de Ventura, entre outros, enriquecem o mundo literário desta cidade que tanto amou.

Faleceu a 5 de novembro de 1983; casado com d. Ophélia de Andrade Teixeira.
Fontes:
– Nilton Manoel.

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Arquivado em Biografia, errata, Ribeirão Preto, Soneto., Trovas

Nilton Manoel (Meu Pai)

Eu,era bem criança e inda me lembro quando
 adentravas-te ao lar sorrindo comovido,
 e aos beijos ias para a minha mãe contando
 vários fatos de mais esse dia vivido.

E então cada um ia sentar-se pra merenda
 defronte a mesa antiga e de tábuas de pinho,
 posta na sala, em que na casa da fazenda
 a família ceava em fraternal carinho.

E á hora da janta, enquanto a sopa fumegava,
 numa terrina grande e exalando temperos,
 cada um se levantava e  com ardor rezava,

Ante meu pai, que em pé, sempre ao bom Deus louvava,
 com as orações, que, eu em hora de desespero
 repito inda hoje, assim como ele me ensinava.
 
Fonte:
 Publicado no Jornal O Diário – Ribeirão Preto – SP.
 em 14/08/1966

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Arquivado em Dia dos Pais, Estado de São Paulo, Ribeirão Preto, Soneto.

Ialmar Pio Schneider (Soneto à Lila Ripoll – In Memoriam)

Nascimento em 12 de agosto de 1905, em Quaraí/RS

Quem pode me ajudar nesta tarde sombria,
em que o sol vai partindo e a treva vem chegando,
eu que procuro ter para minha alegria
um raio de esperança ao destino nefando?

Lila Ripoll, poetisa, ela vivia amando
a cidade e seu lago e a noite que descia,
traz-me a tranquilidade e fico meditando
nos versos geniais de serena poesia…

Poemas que compôs em ritmo de ansiedade,
sentindo na tristeza o travo da saudade,
para se comover ao som do seu piano…

Quantas vezes, talvez, tocou sua ternura,
amenizando a dor da mansa desventura,
na pauta musical vinda de um desengano !…

Fonte:
O autor

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Arquivado em homenagem, Rio Grande do Sul, Soneto.

Ialmar Pio Schneider (Soneto a Tomás Antônio Gonzaga)

Nascimento do poeta em 11.8.1744 – . –

Belo soneto do árcade poeta,
que, inicialmente, canta a sua Alteia,
mas num momento após, qual um profeta,
já pensa em outra e então muda de ideia.

E qual seria agora a sua meta
à procura, afinal, da linda deia
que poderá surgir e ser completa
em sua vida? Chama-se Dirceia.

E quer prender as duas com grilhões,
pois ambas são fantásticas paixões
que invadem a sua alma de verdade.

Pede ao Cupido: ou de Lorino forma
dois sujeitos; ou, quem sabe, transforma
dois semblantes só numa identidade…

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Arquivado em data comemorativa, Soneto.

Ialmar Pio Schneider (Soneto para Bruna Lombardi)

Homenagem à data de aniversário da atriz, escritora e modelo Bruna Lombardi que hoje transcorre.
Escrito após ler o livro de poesias da poetisa No Ritmo desta Festa. Daí a citação final.

Palmilhei tuas páginas sozinho,
de noite, de manhã, por alguns dias
foste alguém que surgiu em meu caminho
e me detive a ouvir o que dizias.

Depois… que nem o capitoso vinho
me envolveste com tuas fantasias;
e me senti girando em redemoinho
como solto ao furor das ventanias.

Ler os teus versos, ó Bruna Lombardi,
já não importa quando, nunca é tarde,
pois trazem sempre cálida emoção

que brota da poesia-sensação…
Acabou-se a leitura… e o que me resta?!
A saudade do ?ritmo dessa festa?.

Fonte:
O autor

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Arquivado em data comemorativa, Soneto.

Ialmar Pio Schneider (Soneto III a Mario Quintana)

Monumento a Mário Quintana (dir) e Carlos Drummond de Andrade,
 na Praça da Alfândega de Porto Alegre, obra de Francisco Stockinger.

 – em 30.7.2012 – Aniversário do poeta. –

Escrever um soneto neste dia,
destinando queridos sentimentos
à deusa misteriosa da poesia
que me acompanha em todos os momentos…

Vou relendo a Rua dos Cata-ventos
com certos laivos de melancolia,
mas nestes versos livres de tormentos,
encontro a paz e um pouco de alegria…

Mario Quintana sempre é novidade,
em cada texto que revejo ainda,
para bem recordar a própria infância…

Embora traga muito de saudade,
sua imaginação mostrou-se infinda,
ousando que em sonhar não há distância…

Fonte:
O Autor

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Arquivado em data comemorativa, Soneto.

Ademar Macedo (Observação sobre Soneto)

Erroneamente postei ontem os poemas de Camilo, classificando como sonetos. Peço que me perdoem a falha.

Mas, graças a observação do Ademar Macedo, que percebeu o erro, alertando que os versos dele tem 14, 15, 16, e até 17 “Sílabas Métricas” , quando um Soneto só pode ter no Máximo até 12 “Sílabas Métricas”, que é o Soneto Alexandrino.

O Ademar observa com texto que alega não ser de sua autoria: 

No soneto alexandrino há o hemistíquio. O hemistíquio é o meio, ou metade, do verso de doze sílabas (ou alexandrino) ; a 6ª sílaba, que deve ser tônica, divide os dois hemistíquios, no ponto que se chama cesura. Para isso, há algumas regras especiais:

01) a tônica da 6ª sílaba deve ser, de preferência, em palavra oxítona, quando a palavra tem mais de uma sílaba, ou de monossílabo tônico.
(Exemplos: papai, café, dor, fé, etc.)

02) quando a palavra do hemistíquio for paroxítona (cantiga, parada, etc.), a palavra seguinte deverá começar com vogal ou h mudo.

O soneto alexandrino tem essas complicações.

Já o decassílabo é mais simples:
O chamado decassílabo heróico tem acentuação na 6ª e na 10ª sílaba: “porém já cinco sóis eram passados” (Camões);

Já o decassílabo sáfico exige tônicas na 4ª, 8ª e 10ª sílabas, exemplo:
“Quando partimos no verdor dos anos” (pe. Antônio tomás).

Isso, sem falar dos rítmos e etc, etc e etc:

É esta pois, a explicação do que na verdade é um soneto…

Obs: não existe sonetos com mais de doze “sílabas métricas”

Fonte:
Colaboração de Ademar Macedo

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Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Quatro em Um) n. 8

Contraste
Antonio Manoel Abreu Sardenberg
São Fidélis – Cidade Poema

Você é fogo, a chama mais ardente,
Semente a germinar em pleno cio,
É luz que o sol espalha suavemente,
É toque de prazer, é arrepio…

É água cristalina da nascente
Que corre lentamente para o rio,
Paixão que vem assim, tão de repente,
Deixando o coração por quase um fio.

Você é o meu passado mais presente…
Calor a me aquecer durante o frio,
Loucura que enlouquece loucamente!

Você é como um sonho inocente,
É brisa mansa em manhã de estio
E muitas vezes temporal fremente!

Luz
Diamantino Ferreira

Como caminha um cego e de bengala
apalpa seu trajeto, a não cair,
arrasto-me na vida e nem se fala
de quantos tombos mais estão por vir;
apesar do infortúnio, é prosseguir
e na estrada da vida, qual na sala,
palmilhar como sempre; e no provir
eu não perca a esperança de encontrá-la!
Nasci feliz, a luz dentro dos olhos;
mas cresci, tropeçando nos escolhos,
chegados tão somente por te amar!
Perdida a vista, mas… Pior castigo:
nem a esperança de trazer comigo
o sonho de voltar a te enxergar!
Poema extraído da IX Antologia Internacional Palavras no 3º Miênio

Você nunca está só
Olegário Mariano
1889 1958

Você nunca está só. Sempre a seu lado
Há um pouquinho de mim pairando no ar.
Você bem sabe: o pensamento é alado…
Voa como uma abelha sem parar.

Veja: caiu a tarde transparente.
A luz do dia se esvaiu… Morreu.
Uma sombra alongou-se a seus pés mansamente…
Esta sombra sou eu.

O vento ao pôr do sol, num balanço de rede,
Agita o ramo e o ramo um traço descreu.
Este gesto do ramo na parede
Não é do ramo: é meu.

Se uma fonte a correr, chora de mágoa
No silêncio da mata, esquecida de nós,
Preste bem atenção nesta cantiga da água:
A voz da fonte é a minha voz.

Se no momento em que a saudade se insinua
Você nos olhos uma gota pressentir,
Esta lágrima, juro, não é sua…
Foi dos meus olhos que caiu…

Trova
Eu sempre quis numa trova,
provar tudo quanto fiz;
mas nunca passei na prova
nem fiz a trova que quis!
Professor Garcia

Fonte:
A. M. A. Sardenberg

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Ialmar Pio Schneider (Soneto ao Dia do Cantor Lírico)

Quando a tarde indolente se reclina
no horizonte de fogo enrubescido,
dos pássaros nos ares o alarido
recorda do cantor a pobre sina.

E é como uma lembrança que fascina
o espírito de quem desprevenido
procura a solidão sem um gemido
para sofrer e amar na paz divina.

Depois a noite chega e a lua andeja,
caminhando nos céus embevecida,
é a rainha que não sabe o que deseja…

E na imensa amplidão já se vislumbra
as estrelas chorando a dor da vida
e a Terra envolta em pálida penumbra…
Fonte:
O autor

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Ialmar Pio Schneider (Soneto a Luiz Otávio)

– In Memoriam – Dia do Trovador –
Nascimento do trovador em 18 de julho de 1916 –

Luiz Otávio foi dos trovadores,
o Príncipe que divulgou a trova
e a revestiu de uma roupagem nova,
para que fosse a das mais belas flores…
Pois em cada ano sempre se renova
e vai angariando admiradores
que curtem os seus mágicos amores,
das ardentes paixões, vívida prova !
Em dezoito de julho é celebrado,
Dia do Trovador, sempre lembrado,
pois nasceu Luiz Otávio, nesse dia.
E todos aos que a trova têm paixão,
podem prestar-lhe em forma de oração,
a homenagem de sua nostalgia…

Porto Alegre – RS, 17 de julho de 2011-07-17

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Raquel Ordones (Função Proteica da Poesia)

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11 de julho de 2012 · 23:08

Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Poesia, Soneto e Trova) v. 6

Delírio
Antonio Manoel Abreu Sardenberg
São Fidélis/RJ – “Cidade Poema”

Aço forjado a fogo,
Cana que virou bagaço,
Carta rejeitada do jogo,
Nó apertado de um laço.

Fera ferida de morte,
Ave presa na gaiola,
Errante, sem tino, sem norte,
Cantador sem ter viola.

Vida sem eira, nem beira,
noite sem brisa a soprar,
fogo brando de fogueira,
peixe morto à beira mar!

Sino sem tanger seu toque,
vontade ardente de ter,
imagem sem foco ou enfoque,
pedra atirada em bodoque,
aprendiz sem aprender.

Passo sem rumo ou espaço,
cena que virou rotina,
fama que virou fracasso,
água parada da tina!

Rio sem leito ao relento,
pipa perdida no ar,
corpo pedindo acalento,
alma louquinha pra amar.

Pelo caminho de teus olhos
Ives Gandra Martins

O recesso intocável de tua alma
Invadi, repentina e mudamente,
Através de momento, cuja palma
Cruzou pelos teus olhos, diferente.

A profundeza longínqua foi semente
Do sucesso que trouxe após a calma.
E a conquista desfeita, docemente,
Conquistou o senhor que hoje te ensalma.

Do assalto não mais resta que o caminho,
Onde, silente, entrei, despercebido,
Cuidando retirar-me por inteiro.

Perdi-me, todavia, e não sozinho
Retomei-o, muito estranho e sem sentido,
De teu recesso eterno prisioneiro.

Ives Gandra Martins: Professor de Direito na Escola de Magistratura do Rio de Janeiro,integrador de bancas de exames universitários,ensaísta, músico e poeta. O poema aqui publicado foi extraído do Livro de Ruth,em homenagem à esposa.

TROVAS 

É tanto o amor que me invade
quando em teus braços estou,
que cada instante é saudade
do instante que já passou! 
Newton Meyer Azevedo/MG 

Amanhece… e a luz dourada,
num leve e sutil açoite,
traça o perfil da alvorada
no rosto negro da noite. 
Aloísio Alves da Costa/CE 

“Não há pão – Comam brioche!”,
disse a rainha ao seu povo.
Antes um pão que o deboche,
de preferência… com ovo. 
Diamantino Ferreira / RJ

Fonte:
Seleção enviada pelo autor

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