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Dorothy Jansson Moretti (Folhas Avulsas)

FOLHAS   ESPARSAS

Quando a tarde ao cair, toda dourada,
lenta transmuda em gradações cambiantes,
sinto minha alma, sensibilizada,
afinar-se ao sabor dos tons mutantes.

E os versos que componho em tais instantes,
assumem cor ardente ou desmaiada:
vivos, do leve Alegro aos sons vibrantes,
tristes, do grave Adágio à dor velada.

São notas desprendidas da Sonata,
dispondo um clima de jovial Cantata,
ou da Pavana o sufocado grito,

São folhas soltas, pelo vento esparsas,
verdes ou murchas, voam como garças,
deixam meus sonhos no azul do infinito.

E X T R A V A G A N T E

Sempre cultuo a forma clássica do verso,
a musicalidade, a rima bem sonante;
e às vezes, se obedeço a algum impulso inverso,
jamais descarto o ritmo, que em mim é constante.

Até posso assumir um estilo diverso
que o esteta vai chamar ambíguo e extravagante:
ser clássica e moderna, ser reverso e anverso,
mas sem trair a escola ou ser deselegante.

Nem sempre, então, atento à rima num soneto,
como se livre fosse o verso, branco (ou preto),
nem respeito o hemistíquio num alexandrino.

Acolho a inspiração como ela bate à porta,
trazendo-me no dorso a rima certa, ou torta…
E o ritmo? Ah, esse é música! Eu não desafino!

E S P A Ç O N A U T A   E   A    T E R R A

Às vezes me surpreendo imaginando
o que deve sentir um astronauta,
a olhar da altura a Terra divagando,
seguindo a órbita, no espaço, incauta.


Quem sabe há de cismar:”Como é pequena!
Que interesse terão os homens nela?
Guerras, paixões a fervilhar na arena,
longe assim, não são mais que bagatela”.

A ambição a exigir supremacia,
autos, litígios e burocracia…
que importam as urgências do planeta?

O tempo aqui é inócuo e sem remissa…
Não se discute a pressa ou a preguiça
com que a areia se esvai pela ampulheta.

E N T Ã O. . . T A L V E Z . . .

Quando o instante fatal chegar ao mundo,
e a Terra viva os últimos momentos,
quando convulsos no abismo profundo,
rugirem surdamente os elementos;

quando as águas dos mares e dos rios
em cálido vapor se transformarem,
e até o sol se apagar e ficar frio
e os astros pelo céu já não brilharem;

quando os altivos e ásperos rochedos
em lava ardente e flâmea se fundirem
e tombarem montanhas e penedos,
e Terra e Céu, por fim, se confundirem…

Então… talvez meu amor incandesça,
riscando o espaço qual astro cadente,
e de meu ser pra sempre se despeça,
e se apague a teus pés, enfim contente.

A    P A R Á B O L A    E    O    V E R B O

Em linguagem translúcida e despretenciosa,
ao alcance do povo rude que o escutava,
Jesus ia ao encontro de uma alma ansiosa,
e as coisas mais sutis, assim lhe revelava.

Um lírio, uma semente, uma ave ruidosa,
uma ovelha, um pastor… em tudo ele encontrava
o símbolo perfeito, a idéia imaginosa,
que em singular parábola identificava.

Então aqueles homens simples, iletrados,
podiam, pela fé singela iluminados,
reconhecer a essência que a verdade exala.

E aos doutos fariseus diziam, sem receio:
“É Ele o Emanuel! É o Verbo que já veio!
Jamais homem algum falou, como ele fala!”

N A T A L    D E    O U T R O R A

Dos ramos do pinheiro reluzente
lindas esferas pendem, caprichosas;
e eu vejo em cada uma a cena ambiente
refletida nas cores luminosas.

A mesma sala, o piano, a claridade
vazando pelas dobras da cortina;
os mesmos quadros que, apesar da idade,
resistem mudamente ao tempo e à ruína…

Onde, porém, se esconde o antigo encanto?
A procurar-lhe a sombra em cada esfera,
meus olhos tristes varrem cada canto,

e evoco ainda imagens tão distantes…
Ah se voltasse tudo a ser como era!
Ah se o Natal voltasse a ser como antes!

Fonte:
AVSPE

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Arquivado em Poemas, Sorocaba

Dorothy Jansson Moretti

biografia atualizada

Nasceu em Três Barras , SC, indo para Itararé, SP, aos dois anos de idade.

Fez o Curso Primário no então “Grupo Escolar de Itararé”, hoje “Tomé Teixeira”.

Continuou os estudos em Castro e Londrina, PR, onde paralelamente lecionou Inglês, graduando-se posteriormente em São Paulo , Capital.

Começou a escrever poesias aos dezesseis anos, fazendo acrósticos em álbuns de recordações de pessoas amigas. Esporadicamente  escrevia artigos para os jornais “O Itararé”(extinto), e para  “O Guarani”.

Mudou-se para Sorocaba, SP, em 1956, e nessa cidade publicou durante algum tempo, poesias e crônicas nos jornais locais   “Cruzeiro do Sul”, “Diário de Sorocaba” e “Folha de Sorocaba” (extinto).

Em 1970 mudou-se para a capital de São Paulo, tendo lecionado Inglês em cinco escolas dessa cidade: No “Colégio Anglicano de Santo Amaro”, no “Ginásio Estadual de Vila Leopoldina”, no “Colégio Estadual Profa. Marina Cintra”, no “Colégio Estadual  Amadeu Amaral”, e no “Instituto Mackenzie”, onde se aposentou em 1987.

É Sócia Honorária da Academia Sorocabana de Letras,
pertence à União Brasileira de Trovadores,
à Casa do Poeta  “Lampião de Gas” de São Paulo, da qual foi Secretária Geral no biênio  1987-1988,
bem como do jornal poético da Casa, o “Fanal”, onde continua escrevendo poesias e trovas. 

Publica, ainda hoje, crônicas e poemas nos jornais de Itararé “O Guarani” e “Tribuna de Itararé”. É também sócia correspondente de várias academias de letras do país.

Tem poemas publicados em jornais, revistas e antologias de alguns estados brasileiros.

Participou de inúmeros concursos, alguns internacionais, tendo recebido troféus e diplomas na capital e no interior de São Paulo, e em várias cidades de outros estados.

Recebeu Medalha de Honra ao Mérito no Colégio “Amadeu Amaral”, da capital, por ter feito a letra do Hino dessa escola, bem como  o histórico e a poesia em comemoração aos setenta anos de sua fundação, em 1979.

Recebeu Diploma de Honra ao Mérito, de Poeta do Mês e de Musicista , na Casa do Poeta, onde colaborava nas reuniões lítero-musicais, declamando poesias, cantando e tocando piano.

Recebeu ainda da Casa do Poeta de São Paulo, diploma e medalha de Sócia Benemérita  “Por seu importante destaque como benemérita defensora da cultura e difusão das Artes Poemáticas” (dizeres textuais do diploma), honraria que muito a sensibiliza.

Mudou-se em 1989 para Curitiba, PR, e nessa cidade publicou seu primeiro livro, “Frasco Vazio”, pequena seleção de algumas de suas trovas premiadas.

Envia há muitos anos, crônicas, trovas e poesias para os jornais “Tribuna de Itararé”, e “O Guarani”, os quais, graciosamente, têm divulgado os seus escritos.

Em parceria com o Maestro Gerson Gorski Damaceno, fez a letra do Hino a Itararé, lançado a 28 de Agosto de 1989, como hino oficial da cidade. Na mesma data, aniversário de Itararé, recebeu seu Título de Cidadã Itarareense.

O Elos Clube de Itararé concedeu-lhe Diploma de Sócia Honorária, títulos ambos , que muito a sensibilizam e dignificam.

Em 1995 voltou a residir na cidade de Sorocaba, SP, onde, no ano  2000,  publicou um livro de sonetos intitulado “Folhas Esparsas”,  do qual  em 2006 fez uma 2a. edição;  no ano 2002 publicou um livreto intitulado “Trovas ao Vento”, e em 2006 um outro também de trovas, intitulado  “Chá da Tarde”, que lhe valeu, em 2007, na categoria Poesia, o “Prêmio Anual Sorocaba de Literatura”.

Participa com trovas de quatro Coletâneas do Site http://www.sorocult.com, bem como dos “Sorocultinhos”, coleção infantil que é distribuída gratuitamente às crianças carentes de várias instituições do  Município de Sorocaba, onde reside.

Fontes:
Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores
UBT Nacional

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Arquivado em Biografia, Sorocaba

Carina Isabel M. Cardoso (Luzia)

Por aqueles corredores com pisos soltos, paredes encardidas e descascadas, Luzia transitava todos os dias, vendo sua vida passar sem perceber o dia lá fora.

Mulher magra e muito alva, com aparência cansada e desleixada de quem tem pouco tempo para si, mas ainda mostrando-se bela, apenas descuidada, ela segue mais uma vez para o quarto da mãe doente e moribunda. Luzia cuida da mãe com todo o zelo que uma filha pode dispor à sua progenitora, apesar de seus olhos não esconderem o desprezo por aquela mulher que apesar de velha e doente ainda consegue ser tão cruel, com uma língua tão ferina.

Apesar de religiosa, D. Matilde não tinha nem de longe um coração puro, tinha um olhar que só passava frustração, mágoa e inveja a quem o fitasse. Nada de bom se aprendia com aqueles olhos negros e fundos, mesmo sendo tão experientes e sábios.

D. Matilde sempre foi uma mulher ligada à igreja, querida pelos que compartilhavam sua fé, tão caridosa, tão solicita aos necessitados que a comunidade ajudava, mas, dentro de casa sempre levou a família com mãos de ferro, nunca dando a menor mostra de carinho e afeição pela única filha e nem ao marido que sempre fez de tudo para agradá-la, bancando todos os seus caprichos, até mesmo concordando que Luzia, por ser a única filha, não deveria se casar enquanto os dois ainda estivessem vivos, que ela deveria era cuidar dos pais e da casa, pois eles não tinham mais ninguém por eles, e mesmo que ela se casasse e morasse perto não seria suficiente, teria que morar sempre com eles, até o fim.

Quando o pai faleceu, Luzia perdeu sua única alegria de estar ali, pois o pai era um homem muito gentil, e apesar de fraco, nunca retrucou uma palavra maldosa de sua esposa, mesmo assim sua relação com ele era muito boa, ela procurou aceitar que o pai agia dessa maneira para manter as coisas em harmonia.

Agora que estavam sós, apenas as duas vivendo na casa, as coisas eram levadas na base da diplomacia entre elas, e ao entrar naquele quarto escuro, fétido e triste ela se preparava para ouvir qualquer coisa de sua mãe, e quando entrava aquela troca de olhares, o ódio com que aqueles olhos negros e profundos das duas se encontravam, chegava a doer na alma. E, D. Matilde não aceitava o fato de estar tão doente, sempre colocando a culpa na filha, pois se não a tivesse parido com certeza sua saúde estaria muito melhor, não teria perdido tanto tempo cuidando de uma criança e sim de si mesma, e não precisaria de ajuda de ninguém.  Era inaceitável para ela ter que ser guiada até o banheiro, tomar banho na cama, mas Luzia mesmo com tantos motivos para odiar sua mãe, não conseguia apenas se sentia muito pequena diante daquela mulher na cama, emagrecida e doente. Queria apenas um pouco de respeito, afinal ela se abandonou completamente para estar ali, não amou, não estudou, não viveu nada além daqueles corredores com pisos soltos e paredes encardidas, ouvindo as amigas de sua mãe dizer o quanto ela era boa e generosa, o quanto ela deveria ser grata por ter nascido em um lar tão abençoado, e aquelas palavras acabavam por diminuir ainda mais sua esperança de respeito, apesar de seu tamanho, ela se imaginava quase invisível aos olhos negros, profundos e cheios de rancor com os quais sua mãe a fitava entrando no quarto trazendo sua comida, esperando até que ela desse a última garfada e para limpar a boca da mãe.

Rezava todas as noites para que aquela fosse a última de sua sina, já não aguenta mais, não o trabalho a ser feito, mas sim o desprezo, mas então outro dia recomeçava e com ele a sina que parecia não ter fim, e a cada dia que passava ficava mais difícil encarar aqueles olhos, aquele rancor. E então, aquela menina que tanto lutou para não ter aqueles olhos, os viu no espelho quando refletia a sua imagem e não a dela; viu a mesma amargura, o mesmo mal, sem saber de onde veio o dela; sabia exatamente o quando e o porquê seus olhos se tornaram brilhantes como duas pedras de ônix; mas o brilho não era bom, não era agradável, e então ela soube que era hora de acabar com sua sina, foi até o seu algoz e com toda a coragem que o mundo poderia lhe dar naquele momento, em uma última tentativa de viver bem, abraçou sua mãe, disse que a amava e que iram ter novas regras em casa a partir daquele momento; não suportaria mais aquelas palavras cruéis, os olhares de desdém, o rancor e a culpa, tomaria as rédeas da situação e que a mãe pensasse o que quisesse daquilo. Foi então que viu sua mãe chorar pela primeira vez em sua vida de quarenta e dois anos, um choro verdadeiro e sentido, vindo da alma, como se descarregasse o peso acumulado a vida inteira, mas nunca explicou o porquê daquele choro tão dolorido, mas a partir daí as coisas ficaram diferentes, Luzia conheceu o amor e casou-se, teve filhos e ninguém mais soube de D. Matilde, o que houve com ela só a filha sabe, e o motivo daquele choro também não foi revelado…

Luzia nunca mais pisou naquela casa de pisos soltos e paredes encardidas…

Fonte:
Clic – Palavra de Mulher
http://sorocult.com/palavrademulher/escritora.php?codigo=53

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Arquivado em A Escritora com a Palavra, Sorocaba

Laé de Souza (Escolas Estaduais de Sorocaba Participam de Projeto de Leitura)

Cerca de cinco mil estudantes de 32 escolas estaduais de Sorocaba estarão a partir deste mês envolvidos em um projeto de incentivo à leitura.

O projeto “Ler é Bom, Experimente!”, desenvolvido em todo o país, teve em 2011 a participação de oito escolas de Sorocaba e com o resultado obtido, em parceria com Secretaria de Estado da Educação – Diretoria de Ensino da Região de Sorocaba, o Grupo Projetos de Leitura abriu um número maior de vagas para escolas do município.

O projeto, desenvolvido há mais de doze anos pelo Grupo Projetos de Leitura, com aprovação do Ministério da Cultura e patrocínio do GRUPO SEGURADOR BANCO DO BRASIL E MAPFRE, tem como objetivo incentivar o hábito da leitura oferecendo livros e demais materiais didáticos, gratuitamente, às escolas públicas. Dirigidos a estudantes a partir do 2º ano até o ensino médio, a mecânica do trabalho envolve a leitura de livros do escritor Laé de Souza, que neste ano será com as obras “Radar, o cãozinho” (português/inglês), “Quinho e o seu cãozinho – Um cãozinho especial” e “Acredite se quiser!” (impresso em braille), discussão dos temas propostos nas obras, criação de textos e adaptação para teatro, exercícios infantis e outras atividades. A escola participante receberá um lote de 152 livros, além de material de apoio como folhas pautadas para redação e ainda uma cartilha pedagógica para auxiliar o professor a executar as atividades dentro da sala de aula.

Após a leitura e o desenvolvimento das atividades sugeridas, monitoradas pelos professores, os alunos respondem um questionário sobre a obra e elaboram textos baseados nas crônicas ou nos personagens. Serão premiados, por classe, com outra obra de Laé de Souza, três autores dos melhores trabalhos.

Os alunos participantes concorrem também à seleção do seu texto para participar de uma coletânea intitulada “As melhores crônicas dos projetos de leitura” que será lançada na Bienal Internacional do Livro de São Paulo em agosto de 2012.

Para o coordenador do trabalho, o escritor Laé de Souza, a ideia é atrair todos os estudantes para uma participação ativa em um movimento literário na sua própria escola. “A disseminação da leitura na sala de aula, se bem orientada, poderá criar novos cidadãos apaixonados pela leitura e com vontade própria de ler. Nosso trabalho é desenvolvido para que os jovens se tornem adultos atraídos pelos encantos e aprendizado que a leitura de livros pode proporcionar. O professor é nosso parceiro e assume conosco a empreitada de fazer o aluno descobrir o prazer da leitura. Torço para termos alunos de Sorocaba na nova coletânea de textos de estudantes”, diz.

“As nossas expectativas em relação ao projeto “Ler é Bom, Experimente!” são as melhores possíveis, pois um dos principais objetivos do trabalho das escolas da rede estadual de ensino é desenvolver a competência leitora e escritora nos alunos de todos os segmentos, da alfabetização ao ensino médio, em todas as disciplinas. Sendo assim, a participação de 32 escolas da nossa Diretoria é uma grande oportunidade para trabalharmos a produção textual, debatermos os temas propostos pelos livros ou, simplesmente, estimularmos o prazer pela leitura. Estão de parabéns todos os que idealizaram e põem em prática este Projeto”, manifesta-se o Professor José Roberto Machado Júnior, Coordenador de Língua Portuguesa da Diretoria de Ensino da Região de Sorocaba.

Fonte:
E-mail enviado por Laé de Souza

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Arquivado em Notícias Em Tempo, Sorocaba

7a. Semana do Escritor de Sorocaba, realizada em agosto de 2011.


7ª Semana do Escritor, que começa hoje e se estende até sábado na sede da Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba (Fundec), à rua Brigadeiro Tobias, Centro, é experiência que merece ser acompanhada com interesse, especialmente no que se refere à fórmula desenvolvida por seus realizadores para manter o evento ativo e permitir que ele retorne todos os anos – ao menos, enquanto houver interesse dos escritores locais em possuir esse canal para divulgação de seus trabalhos.

Sorocaba perdeu, nas últimas décadas, excelentes projetos nas áreas de vídeo, teatro e música – alguns patrocinados pela Prefeitura, outros por sindicatos e entidades empresariais -, simplesmente porque os patrocinadores decidiram fechar as torneiras de recursos ou canalizar seus investimentos para outro setor. Por fatores que nunca ficaram muito claros, mas que certamente passam pelo aspecto financeiro e, provavelmente, tiveram a ver com trocas de chefias e mudanças de prioridades, colocaram-se pedras em cima de projetos bem-aceitos pelo público e que já haviam cumprido as etapas mais difíceis de popularização e conceituação, interrompendo-se processos importantes de formação artística e cultural.

Essa realidade, somada à inconstância das leis de incentivo, que financiam projetos pontuais e ações com prazo de validade – mas, por suas próprias características, não oferecem uma resposta satisfatória para atividades de longo prazo -, impõe aos artistas e produtores culturais a necessidade de planejar seu trabalho tendo em vista a sustentabilidade, sob o risco de despenderem grande energia para tornar uma ideia bem-sucedida e vê-la abortada sem muitas explicações, conforme o humor de quem os financia.

É nesse caminho pouco ortodoxo, por assim dizer, que a Semana do Escritor tem procurado encontrar seu espaço, aberta a parcerias indispensáveis (como a da própria Fundec, que desde a primeira edição, em 2005, cede o saguão do belíssimo Palácio Brigadeiro Tobias para o evento), porém sem depender de verbas, sejam elas públicas ou privadas, para cobrir suas despesas. E isso porque o financiamento do evento vem dos próprios escritores participantes, que contribuem com uma quantia de R$ 100 cada um, como numa cooperativa, e juntos proporcionam um orçamento diminuto porém suficiente para que o evento possa ser realizado.

A Semana do Escritor não rivaliza com grandes eventos de grandes orçamentos, não tem shows de artistas famosos nacionalmente nem a presença de figurões da literatura brasileira, mas cumpre sua proposta de divulgar a literatura regional de forma aberta e democrática, com exposição de livros e uma extensa agenda de eventos que inclui palestras, lançamentos e apresentações artísticas.

É importante valorizar essa forma de fazer as coisas, que certamente exige uma dose de sacrifício maior dos organizadores, porém assegura tanto a permanência quanto a independência dos eventos, mantendo– os livres de interferências externas, de cortes orçamentários e mesmo de questões políticas. Sem descartar patrocínios privados e das leis de incentivo – mas sem estabelecer uma relação de dependência exclusiva em relação a essas fontes de recursos -, o autofinanciamento é uma saída para eventos coletivos, e mais ainda quando estes oferecem a possibilidade de uma receita, mesmo pequena, proveniente de vendas de livros ou de ingressos, com a qual o investimento inicial de cada participante possa ser compensado.

Com seu formato ímpar, a Semana do Escritor é uma fonte de aprendizado para quem trabalha no setor cultural, na medida em que reúne todas as condições básicas para que seus financiadores individuais a melhorem e aperfeiçoem ano a ano, com a certeza de que ninguém, a não ser eles próprios, poderá decretar seu fim.

José Carlos Fineis
Consultor Editorial
Jornal Cruzeiro do Sul/Fundação Ubaldino do Amaral
Fones: (15) 9789-0793 – 2102-5057

Fonte:
Jornal O Cruzeiro do Sul. Sorocaba, 23 de agosto de 2011. Folha A3. Enviado por Douglas Lara.

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Arquivado em Semana do Escritor, Sopa de Letras, Sorocaba

4a. Expo Literária de Sorocaba (Programação)

A Biblioteca Municipal “Jorge Guilherme Senger” sediará, entre os dias 19 e 22 de outubro, a 4ª edição da Expo Literária. Neste ano, o evento homenageará o escritor Monteiro Lobato e terá suas tendas batizadas com os nomes de diversos personagens do artista.

Muitas atrações, incluindo palestras com os escritores André Vianco, Emílio Braz, o cordelista César Obeid e a dupla Palavra Cantada, serão oferecidas gratuitamente ao público. Além disso, escritores de Sorocaba e região também participarão de atividades e apresentarão suas obras.

Segundo o secretário da Cultura e Lazer, a Expo Literária deste ano será focada no público infanto-juvenil com uma programação que aposta bastante no talento dos escritores sorocabanos e na contação de histórias.

Para isso, também participarão do evento, por exemplo, o ator e contador de histórias Zé Bocca, os escritores Débora Benga, Paulo Ravagnani, Melissa Branco, Oswaldo Biancardi Sobrinho, Gepeto, com seu teatro de bonecos, e a Cia. Tempo de Brincar, com muitas músicas e histórias já bem conhecidas e apreciadas pelo público infantil de Sorocaba.

PROGRAMAÇÃO

Dia 19 de Outubro – Abertura Prêmio Anual de Literatura

19h
Auditório da Biblioteca Municipal
Abertura Oficial
Palestra: Armando Oliveira Lima
“Homenagem a Lobato”
Prêmio Anual Sorocaba de Literatura
Fábio Gouveia “Quarteto Musical”

Dia 20 de Outubro – quinta-feira

9h
AUDITÓRIO
Claudia Bernadete Veiga de Almeida – “Literatura Africana”
Público: jovens e adultos

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
Cia. Tempo de Brincar – “Coisas de Saci”
Público: infantil

TENDA O SACI
Laé de Souza – “A Literatura como Prazer”
Público: infanto-juvenil

TENDA MEMÓRIAS DE EMÍLIA
Paulo Ravagnani – “A Necessidade da Filosofia no Mundo Atual”
Público: jovens e adultos

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Débora Brenga – “Contação de Histórias”
Público: infantil

10h
TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Osnival José Búfalo – “Mimica: Proibido Mascar Chicletes”
Público: livre

10h15

AUDITÓRIO
Júlio Emilio Braz – “As Interrelações Literárias e Sociais dentro da Moderna Literatura Infanto-Juvenil”
Público: infanto-juvenil

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
Maria do Carmo/Marcello Marra/Elisete Martins – “O Mundo Mágico de Monteiro Lobato”
Público: infantil

TENDA O SACI
Laé de Souza “A Literatura como Prazer”
Público: infanto-juvenil

TENDA MEMÓRIAS DE EMÍLIA
Zé Bocca – “Os Manducas de Fiuza”
Público: infanto-juvenil

10h30

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Nelson Malheiro – “Saga do Povo Hebreu”
Público: livre

14h

AUDITÓRIO
Júlio Emilio Braz – “As Interrelações Literárias e Sociais dentro da Moderna Literatura Infanto-Juvenil”
Público: infanto-juvenil

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
Cia. Tempo de Brincar – “Coisas de Saci”
Público: infantil

TENDA O SACI
Laé de Souza – “A Literatura como Prazer”
Público: infanto-juvenil

TENDA MEMÓRIAS DE EMÍLIA
César Obeid – “Contação de História e Bate Papo”
Público: infanto-juvenil

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Ricardo Reis – “Palestra Motivacional”
Público: livre

14h30

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Douglas Santos Junior – “Declaração de Poesias”
Público: livre

15h

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Oswaldo Biancardi Sobrinho – “Apresentação Musical”
Público: livre
15h15

AUDITÓRIO
Teatro de Bonecos do Gepeto – “Pipocando com Pinóquio”
Público: infantil

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
Melissa Branco – “Apresentação Musical Semeando Em Cantos”
Público: infantil

TENDA O SACI
Laé de Souza – “A Literatura como Prazer”
Público: infanto-juvenil

TENDA MEMÓRIAS DE EMÍLIA
César Obeid – “Contação de História e Bate Papo
Público: infanto-juvenil

19h30

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
Palavra Cantada

Dia 21 de Outubro – sexta-feira

9h

AUDITÓRIO
Kiara Terra – “A menina dos pais crianças”
Público: infantil

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
Sérgio Vaz – Palestra
Público: infanto-juvenil

TENDA O SACI
Zé Bocca – “Histórias para ouvidos pequenos”
Público: infantil

TENDA MEMÓRIAS DE EMÍLIA
Monisa Maciel e Suzana Brunhara – “Nascimento da boneca Emília”
Público: infantil

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Jairo Valio – “Aquecimento Global”
Público: livre

10h

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Hélio Moura Filho – “Poeta de Bar”
Público: livre

10h15

AUDITÓRIO
Marcia Kupstas – “A aventura de ler e a disciplina dos sentimentos”
Público: infanto-juvenil

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
Monisa Maciel e Suzana Brunhara – “Histórias Folclóricas”
Público: infantil

TENDA O SACI
Maria do Carmo/Marcello Marra/Elisete Martins – “O Mundo Mágico de Monteiro Lobato”
Público: infantil

TENDA MEMÓRIAS DE EMÍLIA
Paula Knoll – “Contos Encantados”
Público: infantil

14h

AUDITÓRIO
Marcia Kupstas – “A aventura de ler e a disciplina dos sentimentos”
Público: infanto-juvenil

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
Monisa Maciel e Suzana Brunhara – “Contos Populares”
Público: infantil

TENDA O SACI
Teatro de Bonecos do Gepeto – “Pipocando com Pinóquio”
Público: infantil

TENDA MEMÓRIAS DE EMÍLIA
Paula Knoll – “Contos Encantados”
Público: infantil

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Débora Brenga – “Contação de Histórias”
Público: infantil

15h

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Nicanor Filadelfo Pereira – “A arte poética no contexto da vida”
Público: livre

15h15

AUDITÓRIO
Maria do Carmo/Marcello Marra/Elisete Martins – “O Mundo Mágico de Monteiro Lobato”
Público: infantil

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
Zé Bocca – “Histórias para ouvidos pequenos”
Público: infantil

TENDA O SACI
Teatro de Bonecos do Gepeto – “Pipocando com Pinóquio”
Público: infantil

TENDA MEMÓRIAS DE EMÍLIA
Melissa Branco – “Apresentação Musical Semeando Em Cantos”
Público: infantil

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Oswaldo Biancardi Sobrinho – “Declamação Poética”
Público: livre

16h

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
João Batista Alvarenga – “Declamação com performance teatralizada”
Público: livre

17h

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Florentina de Lourdes R. Blagitz e Edival de Moraes Blagitz – “Bate-papo com leitor”
Público: livre

19h30

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
André Vianco – “Palestra e bate papo”
Público: jovens e adultos

Dia 22 de Outubro – sábado

13h30

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Nelson Porfirio Rodrigues – “Interpretação Musical”
Público: livre

14h

AUDITÓRIO
Zé Bocca – “Os Manducas de Fiuza – Debate com Escola da Família”
Público: infanto-juvenil

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Nathalia Cristina G. De Rosa – “Interpretação Musical”
Público: livre

14h30

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Beatriz Biancardi – “Interpretação e Musicalização”
Público: livre

15h

TENDA CAÇADAS DE PEDRINHO
SESC – “Conto de Fadas”
Público: infantil

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Alessandra Jovelina Duarte – “Declamação de Poesia”
Público: livre

15h30

TENDA O SACI
SESC – “Cia. Circo de Bonecos”
Público: infantil

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Ana Maria Duarte – “Declamação de Poesia”
Público: livre

16h

AUDITÓRIO
Laé de Souza – “Publiquei meu Livro! E agora?”
Público: infanto-juvenil

TENDA MEMÓRIAS DE EMÍLIA
Melissa Branco – “Apresentação Musical Semeando Em Cantos”
Público: infantil

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Rafael Granado Brossi – “Declaração de Poesia”
Público: livre

16h30

TENDA O SACI
Conservatório Musical Rogério Koury – “Apresentação dos Alunos de Canto”
Público: livre

TENDA REINAÇÕES DE NARIZINHO – AUTORES SOROCABANOS
Francisco Vieira Ribeiro – “Declamação de Poesia”
Público: livre

ESPECIAL

Intervenções com “KIKA”, do Mundo Encantado do “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, durante toda a programação Exposição da 4ª Expo Literária
Exposição “EMÍLIA A BONECA DE LOBATO”
Local: Biblioteca Municipal de Sorocaba “Jorge Guilherme Senger”
Horário: 9 às 20h

25 a 31 de Outubro
“Semana Literária da Academia Sorocabana de Letras”
Local: Casa 52 / Jardim Maylasky – Centro
Horário: 9h às 21h
Gratuito

Fonte:
Jornal Ipanema

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Arquivado em Encontro Literário, Exposições, Sorocaba

VII Semana do Escritor em Sorocaba.



Participe apresentando e expondo sua(s) obra(s) literária(s).

REGULAMENTO

• Facultado a todos os escritores de Sorocaba e região;

• Taxa de inscrição: R$100,00 por autor;

• Horário de funcionamento do evento: terça à sexta das 14h às 22h e no sábado das 9h às 18h;

• As obras inscritas ficarão expostas para venda todos os dias do evento;

• O autor deverá entregar até o dia o dia 18/08 cinco(5) exemplares da(s) obra(s) inscrita(s);

• No final do evento os inscritos receberão o valor total referente ao número de livros vendidos e os exemplares restantes;

• Serão entregues certificados de participação.

Ricardo Pelegrini

Fax:(15) 3227-3788

Tel: (15) 3018-9512

Horário de funcionamento e outras informações no site:

http://www.espacoarticulado.com.br

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