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José Maria de Almeida (Tankas)

Sol queimando-me,
Praia vazia…bela…
Peixes alegres.
      Vento e maresia,
      Ondas chegando…chuááá…
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Som do riacho,
Os pássaros voando,
Criança rindo.
      O cachorro latindo.
      Um som,um sonho,a paz.
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Águas límpidas,
peixe nadando feliz,
Areia clara.
       O canto de pássaros,
       Borboleta voando.
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Olhar perdido,
pensamento vadio,
Rosto sofrido.
Em pé olha o rio,
vento passa bem frio.
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Vida sofrida,
mão calejada está.
Pensa na vida.
Marejar de lágrimas.
Gotas brotam bem calmas.
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Silêncio está,
um pássaro voando
se põe a cantar.
Passa peixe nadando,
passa vida passando.
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Um sol a raiar.
Vida surgindo feliz.
Calor a chegar.
A voz suave te diz,
viva e seja feliz.
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Vela acesa,
Oração para santo.
Mulher rezando.
         É pedido de amor,
         Para o Nosso Senhor.
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Um abrir de mãos,
A oração à Deusa.
Coração puro.
        A oferenda no mar,
        Barco branco vai levar.
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A mulher nua,
Na areia a andar.
A nudez crua.
        Sem nada incomodar,
        As ondas chegam do mar.
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Noite de lua,
Céu todo estrelado.
Grilo cri cri cri.
        
   Amanhecendo com sol.
   O cantar do rouxinol.
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Vento ventando
Balança as árvores.
Folhas no rio.
        Canta ,canta, sabiá,
        Canta, canta,sem parar.
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A borboleta
Pousa na rosa branca.
Jardim florido.
       Rio passa passando
       Melro passa voando.
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Em pensamento
Viajo em alto-mar…
Sinto o vento.

      Eu estou a velejar,
      Mas  estou a beira-mar.
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Fonte:
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Tanka

Estilo de poesia japonesa. Literalmente tanka significa “poema curto” (tan – curto, breve; e ka – poema ou múscia) e é formada por 31 sílabas (versos de 5 – 7 – 5 – 7 – 7 sílabas respectivamente). Sua origem está no waka, termo genérico para designar a poesia aristocrática (também de 31 sílabas).
Esta forma poética foi muito utilizada entre os séculos VI e VIII, no Japão. 
A mais antiga coletânea dessa modalidade de poesia do Japão foi compilada no século 8 (743-759). Trata-se da “Man’Yoo Shuu”, coletânea composta de 20 volumes, 4.516 poemas, escritos por mais de 400 praticantes, do imperador ao simples camponês. A família imperial realiza ainda hoje, no início do ano, uma reunião cerimoniosa em que o imperador, a imperatriz, os príncipes e as princesas apresentam seus tankas. Chama-se “Shin-nen-uta gyotai” ou “uta gyokai – hajime”. O povo participa enviando seus tankas feitos a partir do tema previamente anunciado pelo imperador.
Para ilustrar a importância do tanka na história do Japão, lembremos que o Hino Nacional, o “Kimigayo”, é um poema tanka: “Kimiga yo wa (5)/ chiyoni tachiyoni (7)/ sazareishino (5)/ iwa o to narite (7)/ koke no musumade (7)”.
Há mais de 4 mil poemas no estilo. 
Como já citado acima, é composto de 5-7-5-7-7 sílabas ou poema de 31 sílabas. Chama a atenção porque ele se divide em duas estrofes: a primeira formada por 5-7-5 sílabas, chamada de kami no ku (“primeiro verso”) e a segunda, com 7-7 sílabas, chamada de shimo no ku (“último verso”). 
Depois de um tempo o tanka passou a ser composto por 2 pessoas. Uma ficaria encarregada pela primeira estrofe( denominada: hokku) e outra pela segunda estrofe (denominada wakiku). Segundo textos essa forma de poema tornou-se uma coqueluche nos anos de 1186-1339, no Japão.
A forma poética ficou tão disseminada que passou a ligar-se a outras estrofes da mesma medida, somando centena de versos. E a nova forma passou a chamar-se “renga” e, em seguida, “renga haikai, ou “renku”. 
Depois de mais algum tempo e passando pelo seguimento dos monges, representantes da burguesia e artistas populares, a temática de simplificação do cotidiano foi enfatizada e o minimalismo passou a ser uma tendência seguida em várias formas da cultura japonesa (daí a expressão “poema curto”). 
Este movimento fez com que o hokku (primeira estrofe do renga haikai, ou simplesmente haikai) se tornasse autônoma. Surgindo então os Haikais (Haikai).
Fontes: 
Livro Haicais | Organizado por Rodolfo Witzig Guttilla. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Tanka

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