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José Carlos Dutra do Carmo (Manual de Técnicas de Redação) Parte XVIII


SINAIS.

Faça o til e o cedilha com nitidez, e não simples rabiscos ou traços confusos e inexpressivos.

SINESTESIA.

É uma espécie de metáfora que consiste na união de impressões sensoriais diferentes.

Use-a, se puder, para, através de duas sensações, indicar mais vivamente um objeto ou ser.

Um grito áspero, palavras douradas, cheiro quente.

O cheiro doce e verde do capim trazia recordações da fazenda…

A presença inesperada do sumo pontífice no encontro comoveu a todos. O toque de mão suave, o semblante sereno, o leve odor de rosas que emanava de sua presença provocou em todos uma sensação de paz.

SOLECISMOS.

Ocorre quando há desvios de sintaxe quanto à concordância, regência ou colocação.

Obedeça o chefe.

Quem fez isso foi eu.

Faltou muitos alunos no dia do jogo da Seleção do Brasil.

Que fique bem claro uma coisa: as frases acima estão gramaticalmente incorretas.

SUBSTANTIVO, VERBO.

Abuse do uso de substantivos e verbos. Seja sovina com adjetivos e advérbios. Eles são os inimigos do estilo enxuto.

Matar ou matar. De quebra, morrer. No campo de batalha o soldado pouca chances tem de escolhas diferentes dessas.

A tarde cai. O céu escurece rapidamente, como convém à estação outonal. O silêncio vai se instalando na pequena vila onde, a partir de agora, só o luar iluminará as ruas.

SUJEITO.

A menos que queira enfatizar muito o sujeito, ou precise evitar confusão na interpretação sobre quem está falando, omita o pronome sujeito, ou não abuse de seu emprego.

Ao longe, avistaram um velho abatido vindo ao encontro deles. Decidiram parar. “Credo! Isso é coisa do demo!”, falou o terceiro se benzendo. É… e eles tinham razão.

Pedro resolveu omitir seu nome. Na verdade, ninguém precisaria saber que era filho de empresário famoso; nada lhe acrescentaria de bom e, ao contrário, poderia tornar-se alvo de bandidos naquela região perigosa do Rio.

SUPERLATIVOS.

Cuidado com “superlativos criativos” do tipo “mesmamente”, “apenasmente”, etc.

SUSPENSE.

Quando quiser criar suspense, acumule dados, ação inesperada, apresente conseqüências, deixando a causa para o final.

Todos estavam apreensivos, esperando o anúncio do vencedor do concurso. O mestre-de-cerimômias abre a solenidade com uma longa lista de agradecimentos. A cada nome, a ovação da platéia interrompe o correr da solenidade. Começa agora a leitura dos nomes dos vencedores. Juliano está com o coração na mão. O envelope vai ser aberto. Mas tudo escurece subitamente. Não é que falta luz no exato momento em que os nomes seriam anunciados! Juliano não agüenta a ansiedade.

TAMANHO DAS LETRAS.

Escreva com letras médias (nem muito grandes, nem muito pequenas). Letras muito pequenas vão dificultar a correção do texto e letras muito grandes vão proporcionar poucas palavras em cada linha e, conseqüentemente, uma abordagem superficial do assunto.

TELEGRAMA.

É utilizado para comunicação urgente. Deve-se suprimir do pequeno texto qualquer palavra dispensável, como artigos, preposições, conjunções e sinais de pontuação. Ponto será grafado com PT e vírgula com VG.

TEMA.

Leia o tema que vai desenvolver com atenção, analisando com profundidade as idéias nele contidas.

Fácil ou difícil, agradável ou não, o tema terá que ser enfrentado. A melhor atitude será recebê-lo com simpatia, disposição e otimismo.

Redija usando argumentos fortes e consistentes. O floreio e o enche lingüiça nada acrescentam à qualidade do texto de uma redação.

O tema é o assunto sobre o qual se escreve, ou seja, a idéia que será defendida ao longo da dissertação. Deve tê-lo como um elemento abstrato. Nunca se refira a ele como parte do texto.

Não fuja do tema proposto, nem invente títulos, escolhendo outro argumento com o qual tenha maior afinidade. O distanciamento do assunto pode custar pontos importantes na avaliação da redação.

Não fugir do tema significa abordá-lo da maneira como foi proposto, isto é, nem restringindo demais a abordagem nem extrapolando para assuntos que não tenham relação direta com ele.

Se o seu objetivo é ser favorável à privatização das estradas, use argumentos sólidos que justifiquem o porquê de sua posição. Tente convencer o leitor e mantenha clara a sua opção.

Se o tema for “O clima do Brasil”, não adiantará fazer uma obra-prima versando sobre “O clima de Minas Gerais”, porquanto o seu trabalho resultará inútil. Os corretores vão considerar que houve fuga ao tema proposto. Sabe qual a nota que terá nesse caso? ZERO!

Quais os temas que podem cair nas provas de Redação? A tendência das bancas examinadoras tem sido solicitar dois tipos de temas: objetivos, os relacionados aos problemas atuais, presentes na mídia (sociais, tecnológicos, econômicos, etc.); subjetivos, os que envolvem o comportamento e o sentimento das pessoas.

TEMPO.

Não acelere o ritmo para acabar logo a redação nem demore demais para não perder tempo.

TEMPOS VERBAIS.

Procure tirar proveito da mudança dos tempos verbais, usando-os, por exemplo, para fazer generalizações.

O larápio não deixou de roubar após ter passado um bom tempo na prisão. Ora, por esse caso podemos ver que nem sempre a prisão recupera os criminosos.

TEORIA.

Se precisar provar a alguém, ou a você mesmo, uma teoria, use o raciocínio lógico e, se for o caso, hipotético.

Democracia verdadeira não existe sem educação. O indivíduo sem estudo é presa fácil do engodo, da retórica vazia, das promessas irrealizáveis. Imagine alguém que mal sabe escrever o nome ouvindo o discurso embolado de um de nossos políticos. Poderá julgar com clareza o que estão lhe dizendo, avaliando a proposta que melhor satisfaz aos seus interesses?

TERCEIROS.

Não utilize exemplos contando fatos ocorridos com terceiros, que não sejam de domínio público.

TEXTO.

O fato que contou, em seu texto, é interessante?
Gostaria de ouvi-lo de outra pessoa?
Tenha sempre senso crítico.

Não utilize os termos “eu acho”, “penso”, “para mim”, etc. O texto já é sua opinião pessoal, não precisa enfatizar, ser repetitivo. Em vez de escrever “Eu acho a internet legal”, escreva: “A internet é legal”.

Não use expressões como “vou ir” e “de leve”, mas, sim, “irei” e “levemente”.

TÍTULO.

Evite o uso das aspas no título.

Pule uma ou duas linhas entre o título e o início do texto.

Evite iniciar a redação com as mesmas palavras do título.

Os títulos devem ser escritos de forma abreviada (resumida).

Não há pontuação após o título, a não ser que seja frase ou citação.

Coloque o título centralizado (no centro da folha), antes do início da redação.

É uma expressão, geralmente curta e sem verbo, colocada antes da dissertação.

Em títulos de redação, por questão de ênfase, usam-se iniciais maiúsculas:

Minhas Férias de Julho, Nossa Visita ao Frisuba.

Não coloque a palavra título antes do TÍTULO nem o termo FIM ao terminar a redação. O óbvio não precisa ser explicado.

“TRANSPIRAÇÃO”.

É a hora da montagem do texto, a escolha do que deve ficar e do que deve sair.

Após a seleção das idéias que serão usadas, ordene as frases, percebendo a diferença entre o principal e o secundário, hierarquizando a seqüência de parágrafos de modo a tornar claro o seu texto.

TRAVESSÃO.

Na redação, o travessão tem a função dos parênteses ou das vírgulas usadas em dupla, sendo empregado para separar expressões intercaladas.

Pelé — o maior jogador de futebol de todos os tempos — hoje é um empresário bem-sucedido.

A sociedade precisa lutar por conquistas sociais – tão prometidas pelos governos, mas nunca concretizadas – a fim de ver reduzidas as diferenças entre pobres e ricos.

U, V.

Faça-os com clareza e nitidez porque, caso contrário, o U ficará parecendo o V.

ÚLTIMO.

Evite escrever “último”, no sentido de “mais recente”.

UNIDADE

A redação deve ter unidade, por mais longa que seja. Trace uma linha coerente do começo ao final do texto. Não pode perder de vista essa trajetória. Muita atenção no que escreve para não fugir do assunto.

VERBO.

Evite o emprego de verbos auxiliares.

Faça a concordância correta dos tempos verbais.

Evite o uso de verbos genéricos, como “dar”, “fazer”, “ser” e “ter”.

Flexione corretamente os verbos quando for usar o gerúndio ou o particípio.

O verbo “fazer”, no sentido de tempo, não é usado no plural. É errado escrever: “Fazem alguns anos que não leio um livro”. O certo é: “Faz alguns anos que não leio um livro”.

Os verbos defectivos não possuem todas as pessoas conjugadas. O presente indicativo do verbo “adequar” só apresenta as formas de primeira e segunda pessoas do plural (adequamos, adequais). As outras simplesmente não existem, não adianta inventar. Logo, nada de sair por aí dizendo (ou escrevendo) coisas como: “Eles não se adequam ao meu sistema de trabalho” ou: “Eu não me adequo ao seu modo de pensar”. No caso, use o verbo equivalente: “adaptar”.

VÍRGULA.

Vêm, geralmente, entre vírgulas: isto é, ou seja, a saber, etc.

Coloque-a bem próxima da última letra da palavra (e não distante).

Leia os bons autores e faça como eles: trate a vírgula com bons modos e carinho.

Nunca coloque vírgula entre o sujeito e o verbo, nem entre o verbo e o seu complemento.

Só com a leitura intensiva se aprende a usar vírgulas corretamente. As regras sobre o assunto são insuficientes.

É o sinal de pontuação mais importante e que tem maior variedade de uso. Por essa razão, é o que também oferece mais oportunidade de erro.

Coloque a vírgula com clareza, a saber, um pontinho com uma perninha levemente voltada para a esquerda, e não um tracinho ou um risquinho qualquer.

As vírgulas, quando bem empregadas, contribuem para dar clareza, precisão e elegância às frases. Em excesso, provocam confusão e cansaço. Frase cheia de vírgulas está pedindo um ponto.

VOCABULÁRIO SIMPLES.

Algo fantástico para enriquecer o seu vocabulário? Palavras cruzadas.

A limitação do vocabulário não impede um raciocínio inteligente e incisivo.

Use uma linguagem simples, empregando, somente, as palavras cujo sentido você conhece bem. Não fique inventando, querendo usar vocábulos difíceis, cujos significados nada têm a ver com o que está escrevendo.

VOZ ALTA.

Após fazer uma redação, leia o texto em voz alta, várias vezes. É uma boa técnica para descobrir seus erros.

VOZ ATIVA.

Opte pela voz ativa. Ela deixa o texto esperto, vigoroso e conciso. A passiva, ao contrário, deixa-o desmaiado, flácido, sem graça.

Em vez de: A redação foi feita pelos alunos da 4ª série, prefira: Os alunos da 4ª série fizeram a redação.

VOZ PASSIVA.

Use a voz passiva quando quiser realçar o paciente da ação, transformando-o em sujeito (embora não aja).

A porta foi aberta com violência.

VULGAR.

Não seja vulgar nem use termos considerados chulos e obscenos (palavrões). Gírias e expressões populares, só entre aspas. Os assuntos devem ser trabalhados com certa distinção e delicadeza.

ZEUGMA.

É a omissão de um termo anteriormente expresso, ainda que em flexão diferente.

Eu jogo futebol; ela, basquete.

Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários de Sadan.

Fonte:
http://www.sitenotadez.net

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José Carlos Dutra do Carmo (Manual de Técnicas de Redação) Parte XVII


REGÊNCIA.

Fique atento à regência de verbos e nomes, sobretudo daqueles que exigem a preposição “a”, para não cometer erro no emprego da crase.

REGÊNCIA VERBAL.

Regência Verbal é um assunto complicado, não acha? Não deveria ser, mas é. Existem vícios que desvirtuam a correta regência de diversos verbos.

O verbo “desfrutar” é muito empregado com regência errada. Por ser transitivo direto, não exige preposição antes de seu complemento. No entanto, o que mais se vê é um “de” insistente acompanhando-o, como na frase: “Eu e meu amigo desfrutamos das férias num paradisíaco balneário”. Errado! O correto é: “Eu e meu amigo desfrutamos as férias num paradisíaco balneário”.

RELER.

Releia com o máximo de atenção o texto que escreveu, antes de passá-lo a limpo, para não deixar ficar erros bobos, tolos, que poderão comprometer seriamente sua nota final.

Lembre-se: é fundamental pensar, planejar, escrever e reler seu texto. Mesmo com todos os cuidados, pode ser que não consiga se expressar de forma clara e concisa. A pressa pode atrapalhar. Com calma, verifique se os períodos não ficaram longos, obscuros. Veja se não repetiu palavras e idéias. À medida que relê o texto, essas falhas aparecem, inclusive erros de ortografia e acentuação. Não se apegue ao escrito. Refaça o texto, se for preciso. Não tenha preguiça, passe tudo a limpo quantas vezes forem necessárias. No computador, esta tarefa se torna mais fácil. Faça sempre uma cópia do texto original. Assim se sentirá à vontade para corrigi-lo quantas vezes quiser.

RELIGIÃO.

Não faça propaganda de doutrinas religiosas na redação. Mantenha-se sempre imparcial.

A religião, qualquer que seja ela, é uma questão de fé; a dissertação, por sua vez, é uma questão de argumentação, que se baseia na lógica. São, portanto, duas áreas situadas em diferentes planos. Não há como argumentar de modo convincente com base em dogmas religiosos; os preceitos de fé independem de provas ou evidências constatáveis. Torna-se, assim, completamente descabido fundamentar qualquer tema dissertativo em idéias que se situem em um plano que transcende a razão.

REPETIÇÃO.

Evite:

Dizer a mesma coisa duas vezes para explicar melhor.

Pormenores (detalhes), divagações, exemplos excessivos.

Palavras terminadas em “ão”, “ade”, “ente”, etc, pois provocam eco (rima inconveniente e condenável) na redação.

Repetições de palavras e de idéias, principalmente no mesmo parágrafo. Troque-as por sinônimos. A repetição de palavras denota falta de cultura, de conhecimento geral e pobreza de vocabulário, além de certa preguiça mental.

O emprego repetitivo das palavras eu, nós, ele, ela, e, que, porque, daí, aí, então, mas (esta, por exemplo, pode ser substituída por contudo, todavia, no entanto).

REPORTAGEM.

É uma notícia em profundidade. Caracteriza-se pela exposição enriquecida e profunda do fato.

REQUERIMENTO.

É um documento (texto administrativo), manuscrito ou datilografado, no qual o cidadão (interessado), depois de se identificar e se qualificar, faz um pedido (solicitação) à autoridade competente. Só é usado quando é pedido ao serviço público. Se traz a solicitação de várias pessoas, chama-se Memorial.

RESUMO.

Num resumo, não comente as idéias do autor. Registre apenas o que ele escreveu, sem usar expressões como segundo o autor…, o autor afirmou que….

Resumo é uma síntese das idéias, fatos e argumentos contidos num texto. Para fazê-lo, empregue suas próprias palavras, evitando, na medida do possível, reproduzir cópias do texto original.

Ler não é apenas passar os olhos no texto. É preciso saber tirar dele o que é mais importante, facilitando o trabalho da memória. Saber condensar as idéias expressas em um texto não é difícil, basta reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor disse.

RETICÊNCIAS.

Nas dissertações objetivas, evite as reticências. A clareza na exposição é preferível a esperar que o leitor adivinhe o que você quis dizer.

As reticências marcam uma interrupção da seqüência lógica do enunciado, com a conseqüente suspensão da melodia. É utilizada para permitir que o leitor complemente o pensamento suspenso.

A língua escrita apresenta muitas diferenças em relação à língua falada. Observe como as reticências às vezes são utilizadas para criar o clima de mistério: “era sexta-feira…”

REVISÃO.

Revise a redação. Ela tem começo, meio e fim? Defendeu seu ponto de vista de maneira convincente? Escreveu parágrafos com tópico frasal e desenvolvimento? Respeitou as normas gramaticais vigentes?

Quando for revisar a redação, redobre os cuidados com a crase e a concordância. Triplique a atenção com a voz passiva sintética (do tipo “vendem-se carros”) e do sujeito posposto ao verbo.

RISO.

Tire partido dos dados imprevisíveis e inadequados para conseguir o interesse do leitor pelo texto (e, muitas vezes, o riso).

— Ah, estou com vontade de passar a noite com a Luiza Brunet de novo. — O quê? Não me diga que já passou a noite com ela? — Não, mas já tive vontade antes.

Nem acreditei que aquele rapaz, tão jovem, olhava para mim! Então, ele gritou: — Tia, o porta-malas está aberto! — Fui para casa, com o porta-malas aberto e a cara mais fechada do que fundo de touro subindo a ladeira.

ROMANTISMO.

Afaste-se do romantismo fácil, mas não se furte à sinceridade da apresentação de seus sentimentos.

E quando você vai embalar o neto e ele, tonto de sono, abre um olho, lhe reconhece, sorri e diz “Vó”, seu coração estala de felicidade, como pão ao forno.

Os céticos dizem que as mulheres são verdadeiras surpresas, nem sempre muito agradáveis. Mas, como saber, se não tentar chegar ao fundo dos nossos sentimentos? E, se amo, tenho de arriscar, concordam comigo?

SILEPSE.

É a concordância com a idéia, não com a palavra escrita.

Vossa Majestade continua bondoso!

Os brasileiros somos muito otimistas.

Corria gente de todos lados, e gritavam.

SIMPLICIDADE.

Escreva com suas próprias palavras e produza novas idéias.

Use palavras conhecidas, adequadas e períodos curtos. Escreva com o máximo de simplicidade. Amarre as frases, organizando as idéias. Cuidado para não mudar de assunto de repente. Conduza o leitor de maneira leve pela linha da argumentação.

Alguns estudantes pensam que, utilizando palavras pomposas, artificiais, difíceis e rebuscadas, conseguirão impressionar os corretores de provas. Puro engano! Os vocábulos devem ser os mais comuns possíveis. Portanto, escreva com simplicidade. O uso de termos complicados não é prova de que você sabe escrever bem.

Neste tempo em que é preciso, ainda que ocasionalmente, jactar-se do que produzimos intelectualmente, far-nos-á muito bem que tenhamos, por hora, um projeto desenvolvimentista uniforme capaz de…

Ora, qualquer banca corretora, ao ler o texto acima, vai saber muito bem tratar-se de um plágio de alguém, ou, então, achar que você é um marciano!

Fonte:
http://www.sitenotadez.net

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José Carlos Dutra do Carmo (Manual de Técnicas de Redação) Parte XVI


PROLIXO.

Linguagem prolixa é aquela desenvolvida através de termos e expressões supérfluas, digressões inúteis, excesso de adjetivos, períodos extensos e emaranhados.

Ser prolixo é ficar “enrolando”, “enchendo lingüiça”, não ir direto ao assunto.

Antes de mais nada, sem mais delongas, permito-me apresentar minhas sinceras e respeitosas discordâncias com relação às proposições que vossa senhoria fez presentes nesse colóquio.

Expressões prolixas: antes de mais nada, muito pelo contrário, por outro lado, por sua vez.

PRONOME.

Cuidado com o emprego ambíguo dos pronomes seu, sua, dele, dela.

Não comece frase com pronome.

ERRADO_____________CERTO
Me dá_______________Dá-me
Me presenteou_________Presenteou-me
Lhe disse isso__________Disse-lhe isso

Evite usar pronomes a todo o momento.

EM VEZ DE________________PREFIRA
Eu brinquei________________Brinquei
Eu estudei_________________Estudei
Eu dormi__________________Dormi

Não empregue pronomes pessoais do caso reto no lugar do pronome oblíquo. Escreva sempre “julgá-lo”, nunca “julgar ele”.

PROSOPOPÉIA.

É a atribuição de qualidades ou sentimentos humanos a seres irracionais ou inanimados.

A Lua espia-nos através da vidraça.
A raposa disse algo que convenceu o corvo.
O tempo passou na janela e só Carolina não viu.

PROVÉRBIO OU DITO POPULAR.

Não utilize provérbios, ditos populares, frases feitas, pois eles empobrecem a redação. Faz parecer que seu autor não tem criatividade ao lançar mão de formas já gastas pelo uso freqüente.

Portanto, nada de ficar usando:

A palavra é de prata e o silêncio de ouro.
Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido.

Entretanto, como já diziam os sábios: depois da tempestade sempre vem a bonança. Após longo suplício, meu coração apaziguava as tormentas e a sensatez me mostrava que só estaríamos separadas carnalmente.

QUANTIDADE DE LINHAS.

Não deixe linhas em branco no corpo do texto.

Não faça menos nem ultrapasse o máximo de linhas exigido na redação.

Quando for redigir alguns temas, para efeito de treinamento, escreva 15 (quinze) linhas no mínimo a 30 (trinta) linhas no máximo, pois é assim que são pedidas as redações em vestibulares e concursos.

QUE, DE QUE.

Lembre-se de que os verbos gostar e precisar são transitivos indiretos e, portanto, são sempre precedidos de “de que”.

ERRADO
Outra coisa que gostei.
O livro que precisava era aquele.
Este é o professor que lhe falei.

CERTO
Outra coisa de que gostei.
O livro de que precisava era aquele.
Este é o professor de quem lhe falei.

QUEÍSMO.

É o uso excessivo do “que”, cuja conseqüência é produzir períodos longos. Evite-o.

ERRADO
Aquele que diz que faz que é forte e que tudo pode é que teme que se diga dele que é fraco e que nada pode.
Este é o apartamento que comprei de João, que tinha outros seis imóveis que estavam todos à venda.

CERTO
Quem diz ser forte e tudo poder teme que se revele sua fraqueza e impotência.
Este é o apartamento que comprei de João, dono também de outros seis imóveis. Estavam todos à venda.

RADICALISMO.

Não afirme o que não pode provar.

Evite análises radicais e posições extremistas, injustas e levianas.

Nada como um texto equilibrado. Posicione-se, mas sem exagero.

Todos os deputados são corruptos.
A bem da verdade, nem todos o são, não é mesmo?

Esse tipo de gente merece ser exterminado.

Radical demais, não lhe parece? E até grosseiro!

RASCUNHO.

Jamais deixe de fazer o rascunho. Ele é a primeira versão do texto. Os escritores fazem várias versões de seus livros antes de publicá-los. Não seja você, um iniciante, a querer dispensá-lo. Nele há a possibilidade de melhorar sua redação, alterar palavras, construir melhor os períodos, mudar a posição dos parágrafos, etc.

Para evitar rasuras no texto definitivo, releia o rascunho com muita atenção. Não tenha preguiça nem pressa em passá-lo a limpo. O sucesso do seu texto depende, muitas vezes, de uma leitura atenta e cuidadosa do rascunho.

Ao reler o rascunho, você se torna um leitor crítico do próprio texto. Revise-o com muita atenção: elimine, acrescente, substitua. Questione o seu texto. Esse trabalho irá, certamente, contribuir para a qualidade de seu texto definitivo.

RASURAS, BORRÕES.

Não use borracha.

Não apresente as questões desarrumadas e riscadas.

Não faça rasuras, marcas, sinais e borrões no corpo da redação.

Em caso de erro na redação já passada a limpo, risque o que estiver errado e escreva adiante de modo correto.

REALIDADE.

A realidade pode ser reproduzida literalmente ou, a partir dela, pode-se criar uma outra, com sensibilidade e imaginação.

Dorme a floresta circundante, sem sussurros de brisas, nem regorjeio de aves. Só o urutau pia longe, e uma ou outra suindara perpassa. No centro do terreiro, atado a um poste da canjerana rija, o prisioneiro branco vela.

As lágrimas da cidade enchiam bueiros que não agüentavam e empurravam para fora toda a sujeira interior. Os carros parados, na infinita espera de algo que não iria acontecer, com suas buzinas destoantes do choro de São Paulo.

REDAÇÃO OU COMPOSIÇÃO.

Leia atentamente o que está sendo solicitado.

As provas de redação têm maior peso na maioria dos vestibulares.

Planeje o texto sem utilizar fórmulas prontas. O fio condutor deve ser seu pensamento. Acredite em seus pontos de vista e defenda-os com convicção. Eles são seu maior trunfo. Capriche no conteúdo, não se desviando do tema proposto, e não se descuide da parte gramatical.

Escrever uma redação é como vender um peixe. Você precisa convencer o cliente da qualidade do seu produto. O texto escrito não é para você. Será lido e entendido por outras pessoas. Ninguém vai perder tempo para ler textos confusos e ininteligíveis. Portanto, capriche na escrita, alinhe os parágrafos, escolha bem o vocabulário, mostre organização.

Leia e releia aquilo que escreveu e faça a você mesmo as seguintes perguntas:
será que vão entender minhas idéias?
Fui claro em minhas exposições?
As orações estão bem coordenadas entre si?
Será que os períodos estão muito longos e cansativos para quem irá lê-los?
Escrevi muito e não disse nada?
Houve fuga do tema?
Escrevi o mínimo de linhas exigido pelo vestibular?

REDUNDÂNCIA.

Cuidado com as redundâncias. É errado escrever, por exemplo: “Há cinco anos atrás”. Corte o “há” ou dispense o “atrás”. O certo é “Há cinco anos…”.

Fonte:
http://www.sitenotadez.net

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José Carlos Dutra do Carmo (Manual de Técnicas de Redação) Parte XV


PONTO.

Depois de ponto usa-se, sempre, inicial maiúscula.

Evite escrever mais de duas linhas sem um ponto final sequer.

Use-o à vontade. Pontos encurtam frases, dão clareza ao texto e facilitam a compreensão.

Não há ponto após siglas (LTDA, CIA) ou abreviaturas de metros (m), horas (h), quilômetros (km), etc.

Ao colocar o ponto, faça-o bem redondo (mas não uma bolota) e bem perto da última letra da palavra. Qualquer rabisco que ele contiver vai ficar parecendo uma vírgula, o que é errado.

PONTO DE EXCLAMAÇÃO.

Após um ponto de exclamação (!) a palavra seguinte não precisa começar com letra maiúscula, pois o ponto de exclamação funciona como vírgula, não significando o fim da frase.

Ah! como Renata era linda.

PONTO E VÍRGULA.

Evite usá-lo, porque só é empregado em casos muito especiais e serve para marcar uma pausa maior que a vírgula.

Os sem-terra não quiseram resistir; a situação parecia tensa demais.
Vermelho é o sinal para parar; amarelo, para aguardar; verde, para seguir adiante.
O voto é obrigatório; os eleitores, portanto, deverão exercer esse direito com consciência.

PONTUAÇÃO.

Uma pontuação errada pode comprometer toda a assimilação do conteúdo textual.

A pontuação existe para facilitar a leitura do texto. O seu texto está bem pontuado?

Distribua harmoniosa e adequadamente as pausas ao longo da frase, pontuando-a devidamente.

Empregue a pontuação corretamente, pois uma simples vírgula, fora do lugar adequado, pode mudar profundamente o sentido da frase.

A pontuação deve obedecer às paradas respiratórias e, também, à entonação que queiramos dar a cada frase. Uma parada breve na respiração significa a colocação de uma vírgula, enquanto uma respiração longa pedirá a colocação de um ponto na frase.

EXEMPLOS DE TEXTOS CONFUSOS, POR FALTA DE PONTUAÇÃO
Maria toma banho e sua mãe diz ela traga-me uma toalha.
Voar dez mil metros sem beber água uma andorinha só não faz verão.
Um lavrador tinha um bezerro e a mãe do lavrador era também o pai do bezerro.

CORRIJA-OS PARA
Maria toma banho e sua; mãe, diz ela, traga-me uma toalha.
Voar dez mil metros sem beber água? Uma andorinha só não faz: verão!
Um lavrador tinha um bezerro e a mãe. Do lavrador era, também, o pai do bezerro.

POSITIVO.

Coloque as sentenças na forma positiva. Diga o que é, nunca o que não é. Em vez de escrever “ele não assiste regularmente às aulas”, escreva “ele falta com freqüência às aulas”.

PRECIOSISMO.

Consiste no uso de palavras ou expressões antigas (arcaísmos) de construções rebuscadas das frases.

Baixar a inflação? Isso é colóquio flácido para acalentar bovino.

Na pretérita centúria, meu progenitor presenciou o acasalamento do astro-rei com a rainha da noite.

FRASES COM PRECIOSISMOS
O exame fora deveras difícil.
O mancebo deu-me a honra de uma contradança.
Destarte, não devemos ser assaz exigentes com os alunos.

PREFIRA
O exame fora realmente difícil.
O rapaz tirou-me para dançar.
Assim, não devemos ser muito exigentes com os alunos.

PRECISÃO.

Use vocábulos ou expressões adequadas, ou seja, termos próprios definindo clara e eficientemente a idéia, para não cair na pobreza de vocabulário. É preciso pesar as palavras e aprender todo o seu significado, sob pena de usá-las indevidamente na frase.

Certifique-se do significado correto das palavras que vai utilizar em determinado período e verifique se existe adequação desse significado com as idéias expostas. A vulgaridade de termos ou impropriedade de sentido empobrecem bastante o texto.

ALGUNS EXEMPLOS DEPLORÁVEIS
Estou convincente de que…
Era um tapete de alta valorização…
Urgem campanhas no sentido de exterminar os analfabetos.
É impossível conhecer os antepassados dos candidatos…

CORREÇÃO
Estou convencido de que…
Era um tapete de alto valor…
Urgem campanhas no sentido de exterminar o analfabetismo.
É impossível conhecer os antecedentes dos candidatos…

PRECONCEITO.

Não termos que tenham conotação preconceituosa.

PREGUIÇA.

Lembre-se: as piores inimigas da redação são a preguiça mental e a falta de leitura.

PRIMEIRA PESSOA.

A redação deve ter o caráter impessoal (3ª pessoa), evitando-se a 1ª pessoa, principalmente a do singular, salvo em citações.

Não utilize a primeira pessoa em sua redação, principalmente quando for determinado texto objetivo. Alguns vestibulares tiram pontos caso a use. Sua opinião deverá ser dada por um sujeito indeterminado.

Evite expressões do tipo: “Na minha opinião”, “Ao meu ver”, etc.

Em vez de: “Eu acho que a privatização deveria acontecer…”, escreva: “A privatização deveria acontecer…”

PRIMEIRO LUGAR.

Não se coloque em primeiro lugar, ao citar-se juntamente com outras pessoas.
ESCREVA, CORRETAMENTE

Roberto, Paula e eu gostamos da festa.
Meu pai e eu somos bons amigos.

Fonte:
http://www.sitenotadez.net

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José Carlos Dutra do Carmo (Manual de Técnicas de Redação) Parte XIV


PARÁGRAFOS.

Use parágrafos diferentes para idéias (assuntos) diferentes. Uma redação sobre o carnaval atual, por exemplo, você poderá subdividi-la em três parágrafos, a saber:

PRIMEIRO PARÁGRAFO

Carnaval de clube, mencionando a grande beleza na sua decoração, a presença de dois conjuntos tocando, quando for o caso, para que o folião pule o tempo todo, sem parar, com mais conforto, pelo fato de o ambiente ser fechado, etc.

SEGUNDO PARÁGRAFO

Carnaval de rua, dando especial destaque ao desfile dos blocos, das escolas de samba e aos trios elétricos.

TERCEIRO PARÁGRAFO

Conclusão, citando a ressaca (o cansaço), o dinheiro gasto, as noites sem dormir, etc.

O texto deve ter parágrafos bem distribuídos, articulados e interligados um ao outro coerentemente.

Não construa parágrafos longos, constituídos de um só período composto, recheado de orações e de relações sintáticas.

Não faça parágrafos muito curtos nem muito longos. O ideal seria que contivessem, no mínimo, 4 linhas e, no máximo, 7 linhas.

Não deixe parágrafos soltos. Faça uma ligação entre eles, pois a ausência de elementos coesivos entre orações, períodos e parágrafos é erro grave.

Obedeça ao parágrafo ao iniciar a redação, isto é, não comece a escrever logo no início da linha. O parágrafo é marcado por um ligeiro afastamento com relação à margem esquerda da folha (três centímetros aproximadamente). E sempre que houver outros parágrafos no decorrer da redação, siga o alinhamento do parágrafo inicial.

PARÊNTESES, TRAVESSÃO DUPLO.

Sempre que quiser fazer dentro da narração ou da descrição, um comentário à parte, empregue os parênteses ou o travessão duplo.

PARÓDIA.

É a imitação engraçada ou ridícula de outro texto.

PERÍFRASE OU AUTONOMÁSIA.

É uma expressão que designa um ser através de alguma de suas características ou atributos, ou de um fato que o celebrizou.

Visitou a cidade do forró.
Pelé, o Rei do Futebol, fez muitíssimo pelo esporte.
O Príncipe dos Poetas também teve outras atividades que o tornaram famoso.

PERÍODO.

Construa períodos com duas ou três linhas no máximo.

PLANEJAMENTO.

Toda redação tem: Introdução (princípio), desenvolvimento (meio) e conclusão (fim).

O planejamento do texto que escreve não deve ser visto como algo contra sua liberdade de expressão, mas como um guia para aumentar suas chances de sucesso.

Planeje o texto.
Delimite o tema, defina o objetivo, selecione as idéias capazes de sustentar sua tese.
Depois, faça um plano com o assunto geral do texto, o aspecto do tema que vai ser tratado, aonde quer chegar e, finalmente, os argumentos, exemplos, comparações, confrontos e tudo que ajudar na sustentação do ponto de vista que quer defender.

PLANO.

Faça sempre, antes de escrever, um plano escrito de sua redação, para orientar-se e observar melhor a seqüência das idéias apresentadas.

PLEONASMO OU REDUNDÂNCIA.

É a repetição desnecessária de palavras, expressões ou idéias.

FRASES COM PLEONASMOS__________CORRIJA-AS PARA
Subir para cima______________________Subir
Entrar para dentro____________________Entrar
Voltar para trás______________________Voltar
A brisa matinal da manhã enchia-o de alegria.___A brisa matinal enchia-o de alegria.
Ele teve uma hemorragia de sangue. _______Ele teve uma hemorragia.

No entanto, pode ser usado como figura de construção, com função estilística, para enfatizar uma idéia e tornar a mensagem mais expressiva.

A mim, ensinou-me tudo.
A música exige ouvidos de ouvir!
As flores, dou-as a você, com carinho.

PLURAL.

Cuidado com a formação do plural de algumas palavras, sobretudo as compostas — primeiro-ministro, abaixo-assinado, lusobrasileiro, etc.

POLISSEMIA.

Tire proveito da polissemia das palavras, para criar situações de mal-entendidos e de humor.

Os políticos fazem na vida pública o que os outros fazem na privada.

A máquina de ferro resfolegava à distância, seu apito chegando até os passageiros que esperavam pelo embarque. Quando o trem parou, a movimentação tomou conta da plataforma da estação.

POLISSÍNDETO.

É a repetição de conjunções para conseguir determinado efeito na frase. Use-o nas enumerações para sugerir o excesso e a reação da personagem ou do narrador a esse exagero.

FRASES COM POLISSÍNDETOS

Mão gentil, mas cruel, mas traiçoeira.
Falei, e falei, e pedi, e supliquei, tudo em vão.
Foi então que chorei e chorei até que ele me ouvisse.

Fonte:
http://www.sitenotadez.net

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José Carlos Dutra do Carmo (Manual de Técnicas de Redação) Parte XIII


ORDENAÇÃO.

A falta de ordenação das idéias é um erro comum e indica, segundo os organizadores de vestibulares, que o candidato não tem o hábito de escrever. O texto fica sem encadeamento e, às vezes, incompreensível, partindo de uma idéia para outra sem critério, sem ligação.

ORGANIZAÇÃO.

É avaliada a capacidade do aluno de organizar os argumentos que fundamentarão a conclusão do texto.

Seu texto está bem organizado? Apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão?

Tem frases curtas e claras, ausência de termos repetidos, seqüência dos fatos e criatividade?

ORIGINALIDADE.

Seja o mais original possível, porque a transcrição de frases implica perda de pontos preciosos quando da correção da redação.

Ser original não é criar algo novo para a literatura, é sermos nós mesmos. Escreva à sua maneira, imprima sua marca pessoal ao SEU estilo, evitando os lugares-comuns e os chavões.

Como ser original ao se fazer uma redação? É simples, ouse. Se você se limita a repetir o que todo mundo diz, como um papagaio, com medo de errar, provavelmente cairá no lugar-comum e na mediocridade. Tenha a preocupação de inovar, com coragem. Seja atrevido. A segurança virá aos poucos e com a satisfação de perceber que fez algo seu, com seu próprio padrão de qualidade.

O uso excessivo de certas figuras de linguagem ou de alguns provérbios acarreta o empobrecimento da redação. Como tudo que existe, as palavras também se desgastam. É preciso criar novas figuras para expor suas idéias. Escrever que a namorada é uma flor, ou que filho de peixe, peixinho é, não realça a redação de ninguém. Use a imaginação para não precisar desses chavões antigos e pobres.

PALAVRAS.

Use as palavras certas nos lugares certos.

Não exagere no uso de palavras do tipo: problema, coisa, negócio, principalmente, etc.

Entre duas palavras, escolha, sempre, a mais simples; entre duas palavras simples, escolha a mais curta.

Quando for revisar sua redação, corte vocábulos desnecessários, use sinônimos ou, se for o caso, mude a frase.

NO LUGAR DE___________ESCREVA
Empreender______________Fazer
Regressar ou retornar _______Voltar
Pleito__________________Eleição
Usuário_________________Passageiro
Óbito__________________Morte
Matrimônio_____________Casamento

PALAVRAS ADEQUADAS.

Use palavras que estejam em perfeita concordância com o que está escrevendo.

ERRADO
O gosto do dinheiro.
…grande sono, por causa das noites sem dormir.
Tomei banho de piscina.
A canoa quase virou e, por isso, tomei um grande choque.

CERTO
O gosto pelo dinheiro.
…muito sono, por causa das noites sem dormir.
Tomei banho na piscina. (Pode-se tomar banho de água, não de piscina).
A canoa quase virou e, por isso, tomei um grande susto. (Tomar choque é receber uma descarga elétrica. O mais correto, no caso, é tomar um susto.)

PALAVRAS CURTAS.

Prefira palavras curtas e simples. Os vocábulos longos e pomposos criam uma barreira entre leitor e autor. Fuja deles. Seja simples. Entre duas palavras, prefira a mais curta. Entre duas curtas, a mais expressiva.

Casa, residência ou domicílio? Casa, é claro!

PALAVRAS ESTRANGEIRAS.

Evite usar palavras estrangeiras. Quando empregá-las, coloque-as entre aspas.

PALAVRAS OU EXPRESSÕES GASTAS.

Evite escrever palavras ou expressões que, depois de entrarem na moda, tornam-se gastas, como:

desmistificar, contexto, sofisticado, inacreditável, principalmente, devido a, através de, em nível de, tendo em vista, etc.

…é aos dezoito anos que se começa a procurar o caminho do amanhã e encontrar as perspectivas que nos acompanharão para sempre na estrada da vida.

Não se utilize de expressões parecidas com as grifadas no texto, porque são consideradas gastas e vulgarizadas pelo uso contínuo e irão comprometer a boa qualidade do texto.

PALAVRAS REPETIDAS.

Evite as repetições de palavras. Troque-as por sinônimos. Se já usou linda, por exemplo, use bela (ou bonita), a depender da ênfase que queira dar à frase. Após ter usado professor, use educador ou docente. Para não repetir o adjetivo doente, use enfermo.

Portanto, nunca repita várias vezes a mesma palavra. Um dos erros que mais prejudica a expressão adequada de suas idéias é a insistente repetição de um mesmo vocábulo. Isso causa uma impressão desagradável a quem lê ou corrige sua redação, além de sugerir pobreza de vocabulário.

FRASE COM PALAVAS REPETIDAS
Ela estava que era uma vaidade só, exibia seus vaidosos colares, sua vaidosa fala, seu vaidoso jeito de andar.

MELHOR
Ela estava muito vaidosa aquele dia, exibia colares caros, fala pedante, andava com pompa.

Fonte:
http://www.sitenotadez.net

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José Carlos Dutra do Carmo (Manual de Técnicas de Redação) Parte XII


LONGO.

Evite escrever palavras ou frases longas.

Construa frases que tenham, no máximo, três orações.

Períodos excessivamente longos tornam o estilo monótono e cansativo.

MEDO DO ERRO.

Muita gente não gosta de ser corrigida, fica constrangida. Em geral, esse sentimento acaba provocando uma aversão por escrever. Mas redigir não pode ser causa de sofrimento, principalmente em função da correção gramatical. Errar faz parte de qualquer atividade criativa, mas é preciso trabalhar – prestar atenção no que se lê e no que se escreve, procurar tirar as dúvidas, quando elas aparecem, ou estudar gramática para valer.

METÁFORA.

É o emprego de uma palavra fora de seu sentido normal, por efeito de analogia (comparação subentendida).

A Amazônia é o pulmão do mundo.

Esse homem é perigoso como uma fera!

As chamas eram centenas de línguas gigantescas.

MISTÉRIO.

Use a interrogação e a negativa quando quiser criar mistério e curiosidade em torno dos fatos.

Quem seria aquele homem que nos visitava todas as semanas e que ficava por horas conversando com meu pai? O que os dois tanto discutiam? Por que nunca podíamos estar presentes quando ele conversava com meu pai?

Se quiser criar expectativa e dúvidas, envolva sua personagem em mistério, falando dela sem a identificar no início da narrativa.

O homem do capote bateu na porta, foi atendido por meu pai, e passou umas duas horas no escritório trancado com ele. Voltou à minha casa durante anos e sempre que chegava meu pai mandava que eu fosse para o quarto. Mamãe ficava na cozinha.

MONÓLOGO.

É um tipo de texto em que alguém expressa sua maneira de ser, seu interior, suas emoções, seu pensamento. É uma conversa consigo mesmo.

Se não tem ninguém para conversar e fala sozinho (“com seus próprios botões”) ou com alguém (ou algo) que não pode responder, está, então, monologando.

Deveria falar-lhe, dizer-lhe o que sentia por ela? Talvez não pudesse conter as emoções toda vez que a visse. E então diria a ela tudo o que sempre quisera. Que a amara desde a primeira vez que a vira, que aguardava ansiosamente o momento em que a veria de novo. Que não hesitaria em fugir com ela, se essa fosse a condição para ficarmos juntos. Largaria tudo: casa, emprego, posição social, amigos…

NÃO USE.

Palavras ou frases ridículas, contraditórias, desnecessárias, que não se ajustem ao tema proposto.

Expressões vulgares, pobres, como:

Em primeiro lugar, em segundo lugar, essas mal traçadas linhas, etc.

NARRAÇÃO.

É o relato de um fato, de um acontecimento. Há personagens atuando e um narrador que relata a ação.

Tente fazer com que os diálogos escritos, em caso de narração, pareçam uma conversa.

A narração está vinculada à nossa vida, pois sempre temos algo a contar. Narrar é relatar fatos e acontecimentos, reais ou fictícios, vividos por indivíduos, envolvendo ação e movimento.

NATURALIDADE.

Seja natural. Evite o uso de palavras de efeito apenas para impressionar a banca corretora.

Imagine o leitor à sua frente ou ao telefone conversando com você.
Fique à vontade.
Espaceje suas frases com pausas.
Sempre que couber, introduza uma pergunta direta.
Confira a seu texto um toque humano. Está redigindo para pessoas. Gente de carne e osso.

NEOLOGISMOS.

O candidato a uma vaga nas universidades precisa usar a língua portuguesa de maneira adequada e se utilizar de termos semanticamente precisos e corretos. Jamais escreva uma palavra cujo sentido real não conhece.

Norma culta não quer dizer termos sofisticados, mas palavras simples e precisas no contexto da redação. Preciosismos (palavras complicadas)? Nem pensar!

Portanto, nunca use os neologismos incultos do tipo “imexível”, “windsurfar”, “inconstitucionalizável”, etc.

NOTÍCIA.

É a expressão de um fato novo, que desperta o interesse do público a que o jornal se destina. Caracteriza-se por ter uma linguagem clara, impessoal, concisa e adequada ao veículo que a transmite.

NÚMERO.

Escreva o número por extenso, como: dois, três, oito, quinze, vinte… antes de substantivo funcionando como adjunto adnominal.

OBJETIVIDADE.

Seja objetivo e imparcial. Não use de forma exagerada e nem abuse de verbos no imperativo.

Como 20 (vinte) a 30 (trinta) linhas proporcionam um espaço muito pequeno para você discorrer sobre qualquer assunto, procure ser objetivo, abordando, somente, os fatos principais, evitando entrar em detalhes que não interessam muito.

Você tem que expressar o máximo de conteúdo com o menor número de palavras possíveis.

Portanto, não repita idéias nem use palavras demais que só aumentem as linhas desnecessariamente.

Concentre-se no que é realmente indispensável para o texto.

A pesquisa prévia ajuda a selecionar melhor o que se deve usar.

OBSCURIDADE.

Significa falta de clareza, em razão de frases excessivamente longas (prolixas) ou exageradamente curtas (lacônicas), linguagem rebuscada, má pontuação ou pontuação defeituosa, impropriedade dos termos.

Tenho uma prima que trabalha num circo como mágica e uma das mágicas mais engraçadas era uma caneta com tinta invisível que em vez de tinta havia saído suco de lima.

Observe aí a incapacidade de se organizar sintaticamente o período. Selecionar as frases e organizar as idéias é imprescindível. Escrever com clareza é de fundamental importância.

EXEMPLO DE TEXTO OBSCURO:
A exegese de textos religiosos não pode prescindir do conhecimento filológico que o diletante não deve hesitar em considerar como propedêutica para qualquer trabalho heurístico com textos arcaicos.

O MESMO TEXTO, MAS COM ESTRUTURA MAIS CLARA E DIRETA:
Para interpretar textos religiosos é preciso ter conhecimento da história da evolução das línguas. Aquele que se inicia nesse estudo deve preparar-se, então, começando pela análise de textos antigos.

ÓBVIO.

Pleonasmo vicioso. É aquilo que “tá na cara”! Evite escrever, por exemplo: O homem é um ser que vive. Todo homem é mortal.

NUNCA ESCREVA
Viu o que tinha que ver e saiu.
Machado de Assis é um grande escritor, pois escreve muito bem.
O avião é o meio de transporte mais seguro, pois com ele ocorrem menos acidentes.

DEIXE O ÓBVIO DE LADO
Viu tudo a que se propôs anteriormente, em seguida saiu.
Machado de Assis é um grande escritor.
O avião é o meio de transporte mais seguro.

ONDE.

Não empregue ONDE como sinônimo de EM QUE, NO QUAL, ou até mesmo DE QUE. O ONDE só pode ser empregado nessa função quando substitui uma palavra que indica lugar.

OPINIÃO PESSOAL.

Não coloque sua opinião pessoal no texto. Analise um assunto proposto emitindo opiniões gerais. Pode até se posicionar sobre determinados temas, mas disserte de uma maneira mais imparcial, ou seja, sem exageros ou manifestações emocionais.

Eu acho que pessoas que assassinam inocentes criancinhas deveriam ser postas em cadeiras elétricas.

A Justiça no Brasil vai de mal a pior. Além dos contraventores usuais, agora também homens da lei imergem no crime, e a escala desses marginais oficiais já atingiu a Magistratura. O país precisa de novas e urgentes leis.

Fonte:
http://www.sitenotadez.net

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