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Javier Di Mar-y-abá (1955)

Xavier Santos, Marabaense nascido em 3 de dezembro de 1955 numa rua que se chamava Itacayunas em placa de latão esmaltada em azul e letras brancas, e que sabem lá Deus e os conquistadores porque batizaram depois de Benjamin Constant sem placa e sem letreiro.

Filho de canoeiro e chacareiro do Quindangues, terra sagrada de cajus e encantamentos, só podia ter virado poesia e música, coisas que faz como ninguém.

Achou pouco e resolveu chamar-se Javier Di Mar-y-abá.

É formado em Educação Física pela Universidade do Estado do Pará.

Fonte:
BRAZ, Ademir, org.  Antologia Tocantina.   Marabá, TO: Grafecort, 1998.

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Caldeirão Poético de Tocantins

FRANCISCO PERNA FILHO
Miracema do Norte/TO

VISGO

As pernas daquela moça eram longe
e distantes de tudo;
Longínquas
e humildes.
As pernas dela
souberam dos meus olhos,
ignoraram distâncias.
Fechamos a porta.

ESTADO

Embora presa,
a água borbulha solta na chaleira
efervescente.
É de fora
a sua natureza líquida.
Não há fôrma que a aprisione,
não há temperatura que a molde.

Embora verso,
embora prosa,
A poesia sabe-se leve,
sabe-se solta.
Amorfa,
não se prende ao vocábulo.

GUTEMBERG GUERRA
Marabá/TO

A QUESTÃO

 Deu um tiro no peito
por ser cidadão com direito à busca
da (in)felicidade,
conforme o seu sentimento.

Morrer ou não é outra.
Ser ou não ser é uma.
A dor é
          a questão.

Deu um tiro no peito!

HIRAN CÉLIO DE MONÇÃO
Marabá/TO (1922-1941)

A VIDA
Devassa prostituta do destino,
filha bastarda e má da Divindade;
Es o resíduo amargo do intestino
dessa pantera horrenda- a Humanidade!

Degenerado aborto adulterino
da Criação! Essência da maldade
desde o existir da vida intra-uterina,
és o instrumento da fatalidade!…

No desespero da existência incalma
maldigo os deuses que me deram alma
e me entregaram, sem defesa, à vida!

É felizardo o que já nasceu morto;
não lhe manchara abençoado aborto
dessa Lucrécia, a mãe prostituída!

EU

Filho da carne putrefata e impura
estátua podre de excremento e barro,
trago no crânio o estigma da loucura
e o pus da morte existe em meu escarro.

Desta fumaça azul do meu cigarro
fogem bacilos da garganta escura.
Meu peito é um cofre imundo de catarro
onde se esconde um velho mal sem cura.

Milhões de germes trago no organismo
que em miserando e infame comunismo,
vão destruindo, aos poucos, meus tecidos.

Trago no corpo gangrenoso a essência
de toda podridão que há na excrescência
-glândulas, nervos, sangue apodrecidos…

ISABEL DIAS NEVES
Tocantinópolis/TO

P(OMAR) DE NÓS

         Para Marcelina Dias Neves, minha mãe

 É doce e vão esse pomar;
sombra feita,
flores fartas,
frutos gerados
sensualizam a boca.

Pomar que se almeja e conta
é o que se planta.

Sombra firme – reduzida,
flores novas – raras,
frutos fartos – racionados.
Tudo à mão – sem suor
 nem invenção.

Pomar que se almeja e planta
 é o que conta.

O trabalho com a terra
é um gesto de promessa:
molha a raiz com pranto e riso,
canta o plantio e a colheita,
sonha e arde a todo canto.

Pomar que se planta e conta
é o que se canta.

ORESTES BRANQUINHO FILHO
Araguaina/TO

LUCIDALUSÃO

Pensei que a camisa
Fosse o canto da parede
Como a janela seminua
Me olhando pela mulher
Segurando um coração.

Peguei a cortina
E a vesti correndo
Como se fosse cair,
Aí me deu um rosto
E sai morrendo pelo armário.

Encontrei seus restos rotos
E senti não estar morto
Em querer ser harmonia.

Corri terr´adentro noutro
Dentro em rins atrofiados,
Me doeu clastrofobia.

Moas mascam goma
Moscas mascam moças
Moças mascam mascam
Moscas moscas moscas.

Agora sol, o nublar ferve
Do teu corpo exalo verve
Que me urge e conduz.

Sinto rente à tua sina
Algo novo, longo zoom
Intuindo todo lume.

PEDRO TIERRA
(Hamilton Pereira)
Porto Nacional/TO

A HORA DOS FERREIROS

Quando o sol ferir
com punhais de fogo
                   e forja
a exata hora dos ferreiros,
varrei o pó da oficina
e a mansidão dos terreiros,
libertai a alma dos bronzes
e dos meninos
desatada em som
e nessa aguda solidão
que em ondas se apazigua
— ponta de espinho antigo —
na carne
         do coração.

Convocai enxadas,
foices, forcados, facões,
grades, cutelos, machados,
a pesada procissão dos  ferros
afeitos ao rigor da terra
                   e da procura
e, por fim, as mãos,
                   resignadas,
multiplicadas no cereal maduro.

Mãos talhadas em silêncio
                   e ternura,
que plantam a cada dia
sementes de liberdade
e colhem ao fim da tarde
celeiros de escravidão.

Esgotou-se o tempo de semear
e inventou-se a hora do martelo.
Retorcei na bigorna outros anelos
e a força incandescente deste mar
de ferros levantados.

Esgotou-se o tempo de consentir
e pôs-se a andar
a multidão dos saqueados
contra os cercados do medo.

Homens de terra
e relâmpago!
Convertei em fuzis vossos arados,
armai com farpas e pontas
a paz de vossas espigas!

LURDIANA ARAÚJO
Filadélfia/TO

CÁLICE

Se o amor acabou,
traz-me o cálice
que finda esta vida,
transforma minha alma
nas flores, na lua.

Se o amor acabou,
acabou-se a lida.
Traz-me o cálice
sem despedida.

Esquece as juras
Sob a luz da lua,
esquece que minh’alma
desejava a tua.

Esquece o silêncio
na madrugada fria,
minh’alma partiu,
sem despedida
pra longe da tua.

XAVIER SANTOS
Marabá/TO

INFÂNCIAS
O mundo fez piruetas
Com o pé de manga-rosa
Pintou as bolas-de-gude
Com as sobras do arco-íris.
Brincavam de amarelinhas
Felizes muricizeiros.
Curiós, xexéus e sanhaços
Faziam o maior furdunço
Nas frutas, nos arvoredos.

Os anos de todos eles
A gente contava nos dedos.

Com argamassa dos sonhos
A terra forjava os homens:
Era Bruno, Erick, Carol e Rafa
Brincando de lobisomem.

ZACARIAS MARTINS
Gurupi/TO

POLIVALENTE

Conserto quase tudo
mesmo que às vezes
possa provocar
alguns estragos.

Fazer o quê?
Ninguém é perfeito!

SORRISO ENIGMÁTICO

À noite,
ficava horas a fio
com aquele sorriso maroto,
mergulhada em seus pensamentos.
Jamais se conformou por ser apenas
uma dentadura num copo d´água!

SONHÓDROMO
Não me impeçam de viver o meu sonho.
Também tenho o direito de sonhar,
mesmo que às vezes,
isso incomode muita gente
por causa do barulho.

Fonte:
Antonio Miranda. Poesia dos Brasis.  http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/tocantins/tocantins.html

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Lurdiana Araújo (Caldeirão Literário do Tocantins)

CÁLICE

Se o amor acabou,
traz-me o cálice
que finda esta vida,
transforma minha alma
nas flores, na lua.

Se o amor acabou,
acabou-se a lida.
Traz-me o cálice
sem despedida.

Esquece as juras
Sob a luz da lua,
esquece que minh’alma
desejava a tua.

Esquece o silêncio
na madrugada fria,
minh’alma partiu,
sem despedida
pra longe da tua.

VIDA

A vida é uma metáfora tão mágica,
Que confunde até o crepúsculo da aurora.
O segredo está em saber acreditar.
O pingo da chuva quando se lança
Do firmamento ao chão,
Não é um suicida,
É um aventureiro
Em busca do mar.

SAUDADE

A saudade é uma flecha doída
Corta o peito, deixa a alma traída,
Nem mesmo as mágicas do tempo
Selam esta ferida.

Tece as rendas do tempo em nossa face
Nos escraviza, nos minimiza, tira da gente
O melhor da vida.

FOGUEIRA

Coração, deixa de besteira,
O amor é apenas uma fogueira
Queima a alma inteira.

Como fogo na lareira
Vai nos queimando como madeira
Nos consumindo a vida inteira.

É uma chama traiçoeira
Quer nos sufocar, apedrejar,
Aniquilar.

Nunca tente pular esta fogueira
Uma ferida corta a carne quer não queira,
E nos aprisiona nesta chama traiçoeira.

É inútil relutar, nem mesmo nossas cinzas,
Conseguem se libertar de alguma maneira.
O amor é apenas uma fogueira, chama traiçoeira.

MEU VÍCIO

Alucinação,
Loucura,
Palavra fria,
Ternura.

Foi se o tempo
Do meu ócio,
Desejar não posso.

Estou aprisionado
No meu vício,
Já quase não existo.

Fraquejante
Eu desisto,
Não da vida,
Do meu vício.

Esta paixão suicida
Que fiz de abrigo
Roubou-me a vida.
–––––––––-

Professora, escritora, poetisa. Nasceu em Filadélfia, Estado do Tocantins. Radicada em Brasília há quinze anos, é formada em Artes/Teatro. Especialista em Arte-Educação e Tecnologias Contemporâneas. Pós-graduada em Arteterapia.

Vencedora do XXIII PRÊMIO INTERNACIONAL DE POESIA NOSSIDE 2007 em Reggio Calábria – Itália.

Livros publicados: Querido Mundo (poesia) 2005. Participou de diversas antologias.

Página pessoal: http://ideiaspoeticas.blogspot.com

Redatora do site Cerrado Poético – http://www.cerradopoetico.com.br

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Zacarias Martins (Tocantins Poético)

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POLIVALENTE

Conserto quase tudo
mesmo que às vezes
possa provocar
alguns estragos.

Fazer o quê?
Ninguém é perfeito!

SORRISO ENIGMÁTICO

À noite,
ficava horas a fio
com aquele sorriso maroto,
mergulhada em seus pensamentos.
Jamais se conformou por ser apenas
uma dentadura num copo d´água!

SONHÓDROMO

Não me impeçam de viver o meu sonho.
Também tenho o direito de sonhar,
mesmo que às vezes,
isso incomode muita gente
por causa do barulho.

TÁ CERTO, TÁ CERTO…

É curioso
quando certas pessoas
conseguem a proeza
de terem razão
mesmo quando estão erradas.

SÍNDROME DE CELEBRIDADE

…E de repente descobri
que sou um homem de palco
e não de platéia.

Zacarias Gomes Martins, poeta e jornalista, nasceu em Belém do Pará em 1957 e reside em Gurupi, TO desde 1983. É membro fundador da Academia Tocantinense de Letras e do Conselho Municipal de Cultura.

Livros de poesia: Transas do Coração (1978), O poeta de Belém (1979), Poetar (1980), O Profeta da felicidade (1984), Vox Versus (1986) e Pinga-fogo (2004). Participou de várias antologias.

Blog: http://www.zacapoeta.zip.net

Fonte:
Antonio Miranda

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