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José Feldman (Aquarela de Trovas n. 9)


Ave, irmãos, amai as aves,
deixai que voem, que cantem…
Deixai que, livres de entraves,
o verde e a vida replantem!
A. A. DE ASSIS – Maringá

Só verdade e compaixão
ponha no que você faz;
derrame amor e perdão
e deixe fluir a paz.
ADÉLIA MARIA WOELLNER – Curitiba/PR

Para o retirante é certo
que a árvore neste verão
é qual um sombreiro aberto
que Deus botou no Sertão.
ADEMAR MACEDO – Natal/RN

Relógio fique parado!
Não deixe o tempo passar…
Eu quero ser enganado,
quando a velhice chegar!
AMÁLIA MAX – Ponta Grossa/PR

 Procura longa e constante,
num sempre querer achar…
Um sonho louco e distante,
impossível de alcançar…
ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG – São Fidélis/RJ

Amigos também são Anjos
com que Deus cuida de nós;
eles sempre têm arranjos
que desatam nossos nós…
AMILTON MACIEL MONTEIRO – São José dos Campos/SP

Prato de vidro, vazio,
feito um espelho, em teu fundo
refletes o olhar sombrio
das injustiças do mundo!
ANTÔNIO DE OLIVEIRA – Rio Claro/SP

 Mamãe!… Não há quem exprima
uma palavra mais bela,
pois mesmo não tendo rima
a vida rima com ela!
ANTÔNIO ROBERTO – Campos dos Goytacazes/RJ

Se todos, sinceramente,
mostrarem paz e labor,
nós teremos, brevemente,
menos ódio, mais amor!
ARLENE LIMA – Maringá/PR


Eu te imploro, por favor
não insistas nesse adeus,
se não for por meu amor,
fica pelo amor de Deus!
ARLINDO TADEU HAGEN – Belo Horizonte/MG

Um fato triste, por certo,
não convém ser relembrado…
Jamais conserve por perto
as tristezas do passado!
BENEDITO MADEIRA – Porto Alegre/RS

Há quem chore por defunto
bem na beira do caixão,
mas ninguém quer ficar junto
do finado sob o chão.
CARLOS ALBERTO DE ASSIS CAVALCANTI – Arco Verde/PE

Y es que el amor de los dos
quisiera escribirlo en oro
por que eres cosa de Dios…
¡Amor mío! ¡Yo te adoro!
CARMEN PATINO FERNÁNDEZ – (CARMIÑA) – Espanha
 –
Há contraste em nossas vidas
mas, perfeito é o desempenho:
luz e sombra, quando unidas,
dão força e vida ao desenho…
CAROLINA RAMOS – Santos/SP

Terra de todas as raças,
muito verso e trovador.
Têm pinheiros, parques, praças
e um povo trabalhador.
CECILIANO JOSÉ ENNES NETO – Curitiba/PR

Água pura e cristalina
no meu pote mergulhou…
E como luz que ilumina
minha sede então saciou.
CIDINHA FRIGERI – Londrina/PR

Palhaços de profissão?
Ah, Como é bom, fazem bem.
O triste é ter coração
e ser palhaço de alguém!
CLÁUDIO DE CÁPUA – Santos/SP

A mulher do amolador,
que é fofoqueira afamada,
diz que casou sem amor
só pra ter língua afiada!
CLENIR NEVES RIBEIRO – Nova Friburgo/RJ

Gosto de vocês demais,
que me alcançam, pelo espaço…
Somos galhos especiais,
unidos num mesmo laço…
CLEVANE PESSOA ARAÚJO – Belo Horizonte/MG

Solo versos sin belleza,
va luciendo mi alma herida,
pues me invade la tristeza
!al no compartir tu vida!
CRISTINA OLIVEIRA – Estados Unidos

Desmatar!…Ânsia incontida
ataque sem precedente…
ousadia contra a vida
que Deus nos deu de presente!
CYNIRA ANTUNES DE MOURA – Santos/SP

Os meus garbosos oitenta
jamais pensei alcançar:
– será que a carcaça agüenta
uns outros mais a chegar?
DIAMANTINO FERREIRA – São Fidélis/RJ

Inútil, desagradável,
tornar alguém diferente,
para que seja ajustável
aos interesses da gente.
DJALMA MOTA – Caicó/RN

 Nesta vida rotineira,
tua saudade em minha alma
é cantiga de goteira
em noite de chuva calma!
DOMITILLA BORGES BELTRAME – São Paulo/SP
 –
Ora eloquente, ora mudo,
teu olhar é uma charada:
promessa sutil de tudo,
no fútil revés… do nada!
DOROTHY JANSSON MORETTI – Sorocaba/SP

Quem meditar por instantes,
certos conceitos refaz:
– O mais caro dos brilhantes
não vale o brilho da paz!
EDERSON CARDOSO DE LIMA – Rio de Janeiro/RJ


Fecha-se o tempo passado,

meia-noite, eu me depuro;
o ano nasce, iluminado,
abre-se o tempo futuro.


ELIANA RUIZ JIMENEZ –  Balneário Camboriú/SC

 Vivo em constante conflito
entre o delírio e a razão:
– meu sonho alcança o infinito,
meus pés tropeçam no chão!
ELISABETH SOUZA CRUZ – Nova Friburgo/RJ

 Ela é plantadora, a gralha,
e plantando tudo dá;
é riqueza que não falha,
no solo do Paraná.
FERNANDO VASCONCELOS – Ponta Grossa/PR

Em ternura plena e extrema,
nossos sonhos se cruzaram!
E a noite se fez poema…
e os versos também se amaram!…
FLÁVIO ROBERTO STEFANI – Porto Alegre/RS

 Teus olhos, de um verde jade,
no instante do nosso adeus,
revelaram que a saudade
tem a cor dos olhos teus.
FRANCISCO JOSÉ PESSOA – Fortaleza/CE

Mi corazón te prefiere,
por mujer entre mujeres,
eres la flor que surgiere
donde mi tumba yaciere.
GERMÁN ECHEVERRÍA AROS – Chile

Aquela ponte que unia
nossas vilas ribeirinhas
une, ainda, por magia,
tuas saudades e as minhas.
GISLAINE CANALES – Porto Alegre/RS

A bengala, cor da paz,
que o homem cego conduz,
tem um mistério que faz
o som transformar-se em Luz!…
HERMOCLYDES SIQUEIRA FRANCO – Rio de Janeiro/RJ

Recebo a auréola de um santo,
levito pelos espaços,
chegando aos céus por encanto
quando me tens em teus braços!
IVONE T. PRADO – Belo Horizonte/MG

 Voltaste, e a Felicidade,
que voltou no mesmo dia,
rebatizou a Saudade:
– “Teu nome agora é Alegria!!!”
IZO GOLDMAN – São Paulo/SP

Amor… dois copos de vinho,
são nossos dois corações,
cujo sabor é o carinho
transbordando de emoções!
JOSÉ FELDMAN – Maringá/PR

Não penses que estás distante
de uma estrada mais florida,
há sempre um mágico instante
que muda os rumos da vida!
JOSÉ LUCAS DE BARROS – Natal/RN

 O ganso jurou vingança
ao notar, estupefato,
que o pato dormiu com a gansa
e ele fez  “papel de pato”!
JOSÉ OUVERNEY – Pindamonhangaba/SP

Você é luz de luar,
É poesia encantadora!
Venha, pois, iluminar
Minha vida sonhadora!
LAIRTON TROVÃO DE ANDRADE – Pinhalão/PR

Coração desconsolado,
não podeis esmorecer,
se viver é complicado,
muito mais é não viver.
LUIZ ANTONIO CARDOSO – São Paulo/SP

O que dói, às vezes sara
e o que sara não castiga.
A ponte que nos separa
pode ser a que nos liga.
MIGUEL RUSSOWSKY – Joaçaba/SC

Quem diz que eu olho e não vejo
a lágrima em seu olhar
não merece mais meu beijo,
pois sofro a me controlar.
NEI GARCEZ – Curitiba/PR

Sonhando de trova em trova
pela estrada da poesia,
minha vida se renova
no correr de cada dia.
NILTON MANOEL – Ribeirão Preto/SP

Companheiro, estenda a mão,
que nem um bom cavalheiro,
ao colega, amigo, irmão…
porém lave a mão primeiro!
OSVALDO REIS – Maringá/PR

Que os rumos de meus irmãos
não se percam nas estradas
e as vias de duas mãos
sejam vias de mãos dadas!
RENATA PACCOLA – São Paulo/SP

 Quando o Sol encontra a Lua
– no entardecer de ouro e prata –
entoam canções na rua
com vestes de serenata.
SARAH RODRIGUES – Belém/PA

Há dias em que os palhaços
têm conflitos, sem medida,
quando, em segredo, aos pedaços,
mendigam risos da vida.
SILVIA ARAÚJO MOTTA – Belo Horizonte/MG

A minha Vida hoje eu traço
nestas linhas de meu verso,
assim acho meu espaço
e tenho todo o Universo !…
SÔNIA DITZEL MARTELO – Ponta Grossa/PR

Este perdão que me negas
por “um nada” que te fiz,
é mais um cravo que pregas
na cruz de um peito infeliz.
THALMA TAVARES – Tambaú/SP

Quando a vida é limitada
eu lhe amplio a dimensão:
cada coluna é bordada
com retalhos de ilusão…
VANDA FAGUNDES QUEIROZ – Curitiba/PR

O tempo mostrou com calma,
que apesar dos seus desvelos,
não pôde polir minha alma
sem respingar meus cabelos.
WANDIRA FAGUNDES QUEIROZ– Curitiba/PR

Nosso amor, nossos carinhos,
vão conosco na viagem,
pondo flores nos caminhos
e embelezando a paisagem!
YEDDA PATRÍCIO – Pouso Alegre/MG

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A. A. de Assis (Revista Virtual de Trovas "Trovia" – n. 169 – janeiro 2014)

Gostar de ti, quem não há de?
Inspiras tal simpatia,
que a gente sente saudade
se deixa de ver-te um dia.
Colombina

Candelabro, iluminaste
meus dias… que glórias viste!
Agora és um velho traste
nas noites de um velho triste..
Jacy Pacheco
 
Meu sonho bom, tu me bastas,
mas, perto do amargo fim,
se por acaso te afastas,
morre um pedaço de mim!
Lavínio Gomes de Almeida

Descalços pelo gramado,
teus pés mansamente vão…
Pões, no pisar, tanto agrado,
que eu tenho inveja do chão!…
Marina Bruna

Ao que pede, à tua porta,
dá, também, tua afeição.
Um pouco de amor conforta
mais que um pedaço de pão!
Rodolpho Abbud – RJ

Não vivas com tanto orgulho
em razão do teu talento.
O tambor, que faz barulho,
tem por dentro apenas vento.
Vasques Filho

 

Um buraco foi aberto
na cerca do galinheiro.
O meu galo, muito esperto,
fez a festa o dia inteiro.
Alberto Paco – PR

A madame era tão chique
e de tão fina linhagem,
que até para ter chilique
retocava a maquiagem!
Arlindo Tadeu Hagen – MG

– “Mas, mamãe, se é gravidez,
que remédio é sugerido?”
– “Arranjar, com rapidez,
algum trouxa, pra marido!”…
Darly O. Barros – SP

Vive a coroa adoentada,
com o esposo desnutrido:
de dia… tome gemada!
de noite…tome gemido!
Edmar Japiassú Maia – RJ

Pergunta a esposa fiel,
com tristeza no semblante:
– Bem, nossa lua-de-mel
entrou em quarto minguante?…
José Fabiano – MG

O malandro te enganou
com truques, filha querida?
E a mocinha perguntou:
– Truque, paizinho, engravida?
José Lucas de Barros – RN

Separou-se… e com mais pique
justifica encabulada:
marido que dá chilique
não consegue dar mais nada…
Maria Nascimento – RJ

Em meu leito de abandono,
eu, mulher, só penso em ti;
se sem ti eu perco o sono,
que será contigo aqui?
Olympio Coutinho – MG


O tempo voa, bem sei,
nos dias da mocidade;
mostra onde errei e acertei,
tem remorso e tem saudade …
Almir Pinto de Azevedo – RJ

Neste encontro inesperado,
vamos brindar a nós dois.
Primeiro, o beijo guardado…
o vinho eu peço depois!
Almira Guaracy Rebelo – MG

Velho trem me faz lembrar
os meus tempos de menino,
em que eu me punha a cismar
qual seria o meu destino…
Amilton Monteiro – SP

Felicidade é encanto
que se vive por um triz,
mas celebro, por enquanto,
apenas o que Deus quis.
Antonio Cabral Filho – RJ

Superando os meus problemas,
descubro que os teus abraços
são elos com que me algemas
no presídio dos teus braços.
Antonio Colavite Filho – SP

Racistas, intransigentes,
olhai o exemplo da mão:
cinco dedos diferentes
na mais perfeita união!
Antonio Juracy Siqueira – PA

Na bagagem que hoje trago
quase tudo joguei fora;
só guardei o bom afago
e as alegrias de agora.
Benedita de Azevedo – RJ

Já velhinho, sonha ainda,
mantendo o brilho no olhar,
que a juventude só finda
quando é impossível sonhar!
Carolina Ramos – SP

Não posso mais recolher
o que perdi no caminho;
mas se alguém me suceder
vai tropeçar em carinho.
Cida Vilhena – PA

Navegando pela vida,
em águas nem sempre mansas,
junto à bagagem sofrida
carrego mil esperanças!
Conceição Abritta – MG

Teu grande amor, que ironia,
é hoje coisa esquecida:
foi luz que por um só dia
iluminou minha vida.
Conceição de Assis – MG
 
Por que não curtir saudade,
que é parte do nosso ser?
– Saudade não tem idade,
fica em nosso entardecer.
Cônego Telles – PR

El primer Nobel del mundo
jamás ha sido entregado,
fue El de Paz y amor profundo;
ganador? Jesus amado!
Cristina Olivera Chávez – EUA

A trama que a vida urde,
tal qual a teia de aranha,
é perfeita, mas ilude
por ser cheia de artimanha…
Cyroba Ritzman – PR

Para o Natal ser perfeito,
com paz, amor e esperança,
faça um presépio em seu peito
e abrigue Jesus criança.
Dáguima Verônica – MG

A trova, de qualquer jeito,
chega forte e vai bem fundo.
Em seu contexto perfeito,
já percorreu todo o mundo.
Diamantino Ferreira – RJ

De beijar-te eu tenho ânsia,
pois vivemos separados…
“O beijo é a menor distância
entre dois apaixonados.”
Djalma da Mota – RN

Revejo o passado e penso,
sem surpresa e sem espanto,
que o tempo, às vezes, é o lenço
com que Deus me enxuga o pranto…
Domitilla Borges Beltrame – SP

Mesmo que a Terra se mude
e os montes vão para os mares,
Deus é refúgio e quietude
na angústia em que te encontrares.
Dorothy Jansson Moretti – SP

Ao devolver minhas cartas,
o carteiro nem sabia
que, além de saudades fartas,
os meus sonhos devolvia.
Eduardo A. O. Toledo – MG

Num desabafo insincero,
chorando em teu ombro amigo,
digo coisas que não quero,
quero coisas que não digo…
Élbea Priscila – SP

Nos vales ou nos outeiros,
levando a luz da instrução,
escolas são candeeiros
que aplacam a escuridão.
Eliana Jimenez – SC

Quando, sem fazer alarde,
me sinto só, esmoreço…
– Inútil meu Mastercard,
amizade não tem preço!
Eliana Palma – PR

Meu beijo tem a fragrância
dos perfumes da amizade,
mas.. dado assim à distância
tem mais sabor de saudade!
Elisabeth Souza Cruz – RJ

Correndo entre paralelas
de aço, o trem foi a glória
para quem hoje vê nelas
apenas traços da história.
Ercy Marques de Faria – SP

Sempre sozinha, aos farrapos,
mas de rosário na mão…
A fé tecida entre os trapos
remendava a solidão!
Francisco Garcia – RN

Todo indivíduo que é tolo,
mas que de sábio se arvora,
é tal um pão sem miolo…
só tem a casca por fora!
Francisco Pessoa – CE

Refém de ti, não recuo,
réu do amor que me corrói:
cada sonho que construo,
tua apatia destrói…
Gilvan Carneiro – RJ

Eu quero poder cantar
meus versos aos quatro cantos,
e assim talvez transformar
em risos todos os prantos!
Gislaine Canales – RS

Teu retrato desbotado,
num canto velho e sozinho,
são resquícios do passado
das pedras do meu caminho.
Gutemberg Liberato – CE

Hoje trago na lembrança
uma dor que sobrevive
num fiapo de esperança,
pelo amor que nunca tive.
J.B. Xavier – SP

Fazer as pazes… Presente
melhor a dar a um irmão
é desfraldar, complacente,
a bandeira do perdão.
Jeanette De Cnop – PR

Me esculpindo a cada dia,
vendo no Mestre o padrão,
tento chegar – que utopia! –
mais perto da perfeição.
Jessé Nascimento – RJ

Na aliança nunca desfeita,
alma e corpo te entreguei:
juntei a ideia perfeita
ao passo maior que eu dei.
Josafá Sobreira da Silva – RJ

Uma chave carregamos,
porta de um mundo melhor,
entretanto não largamos
a muleta de um pior.
José Feldman – PR

Cada vez que alguém cria algo, nasce de novo (Vanda F. Queiroz)

Tempo, cavalo indomável
que tento frear à toa…
Qual pégaso formidável,
quanto mais freio, mais voa…
Jaime Pina da Silveira – SP

Para abraçar-te, menina,
meu anseio é tão profundo,
que a distância de uma esquina
parece uma volta ao mundo.
José Lucas de Barros – RN

Sendo pobre ou um paxá,
na rua vou de roldão.
De que me vale o crachá,
sozinho na multidão?
José Marins – PR
 
No aeroporto, o adeus, o abraço…
e no olhar… rastros de dor.
– Lá se foi, rasgando o espaço,
uma promessa de amor…
José Messias Braz – MG
 

Fugir, poeta, não queiras,
do que a vida preceitua:
teu destino é abrir fronteiras
e deixar que o sonho flua!
José Ouverney –SP

O anel que eu ponho em teu dedo,
mais que um simples adereço,
tem no amor nosso segredo;
do coração o endereço!
José Roberto P. de Souza – SP

Bendigo a lágrima doce
da chuva que cai lá fora.
Bom seria se assim fosse
o pranto que a gente chora!
José Valdez – SP

Ai, amor, estou doente…
Então devo declarar:
a saudade não consente
que tu venhas me curar!
Laérson Quaresma – SP

Se não me dás teu carinho,
se não me queres amar,
sou barco triste e sozinho,
que já não quer navegar.
Luiz Carlos Abritta – MG

Nunca mostres apatia
diante da luta na vida,
mas brinda com simpatia
e a inércia será vencida!
Mª Luíza Walendowski – SC

 
A distância, o céu aberto,
não podem mudar o amor,
que, embora longe está perto,
como a raiz junto à flor.
Mª Thereza Cavalheiro – SP

Nesta vida o tempo ensina:
quem partilhar seu amor
a paz também dissemina,
exterminando o rancor.
Marina Valente – SP

As marcas do teu batom,
deixadas no meu cristal,
têm sabor e têm o dom
de um grande amor, no final.
Maurício Friedrich – PR

Enquanto espero a velhice
eu passo a vida trovando,
pois sei que é muita burrice
passá-la só lamentando.
Nei Garcez – PR
 
Sangra a terra quando arada:
fica frágil, tão exposta…
Mesmo sofrendo calada,
com seus frutos dá a resposta.
Olga Agulhon – PR

Meus sonhos, em grandes asas,
voam no azul infinito
e fulgem, tal como brasas,
por este céu tão bonito.
Olga Ferreira – RS

Solidão e violão
são irmãos e não se largam:
uma amarga o coração,
outro adoça os que se amargam.
Olivaldo Júnior – SP

Tenho em meu peito guardada
para você, que me evita,
a alma um tanto magoada,
mas com ternura infinita.
Renato Alves – RJ

Nossas almas parecidas,
nossos sonhos se irmanando,
eu e tu, vidas vividas
tarde demais se encontrando!
Rita Mourão – SP

Poesia é também música. Música é som.
Som se conta com o ouvido, não com o olho.

Na praia deixei meus sonhos
e, junto às ondas do mar,
pousei meus olhos tristonhos
à espera de te encontrar.
Sarah Rodrigues – PA

A semente, pequenina,
sob a terra protegida,
é assinatura divina
no grande livro da vida.
Selma Patti Spinelli – SP

Coração, nunca te emendas!…
És de fato um sonhador.
Até nas duras contendas
tu vês motivos de amor!
Thalma Tavares – SP

Partiste. Fiquei perdida:
vi meu céu escurecer…
Sem o sol da minha vida,
sempre é noite em meu viver.
Thereza Costa Val – MG
 
Passas por mim… nem me agradas…
e a saudade, sem tardança,
traz de volta as madrugadas
que hoje vivem na lembrança.
Therezinha Brisolla – SP

Meu tempo tornou-se esparso…
Por mais que tente retê-lo,
nem com tintura disfarço
o cinza do meu cabelo.
Vanda Alves – PR

Por mais que o progresso iluda,
deturpe e inverta valor,
o que Deus fez ninguém muda:
amor será sempre Amor.
Vanda Fagundes Queiroz – PR

Meus desenganos de amor
na poesia buscam fim:
eu não choro a minha dor…
meus versos choram por mim!
Wanda Mourthé – MG

Anjos brancos, as fumaças
dos casebres, no sertão,
aos céus sobem, dando graças
pelo almoço no fogão.
Yedda Patrício – SP

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Clevane Pessoa (Trovas)

A arte é a essência plástica
a cada coisa do mundo
— a criatividade é elástica
faz o que é raso, profundo

A empregada, despedida,
Sai triste, trouxa na mão…
Leva no ventre, uma vida
Que é do filho do patrão…

A gestante, carinhosa,
“leva” o bebê, comovida…
Sensação maravilhosa:
Guarda, no ventre, UMA VIDA…

A honestidade aprendi
com meu pai, honrado e forte
— igual a ele, nunca vi
ser sua filha, é uma sorte…

Ajudando a toda gente
amando sem distinção
é que ganha o presente
de ter céu com pés no chão…

Ajudar a cada irmão
Fazer tudo o que pudermos
— Pois essa é a nossa missão,
Se o crescimento quisermos…

A minha alma, em plenitude,
Cheia de luminosidade
Faz-se bela, na quietude
Do amor que se faz saudade…

Amo com tal amplitude
Que nem tempo, nem espaço
Reduzem a completude
Transmitida quando abraço

Ao bom Deus, Mariazinha
Pede para devolver
Sua Santa mamãezinha
Que morreu pr’a ela nascer…

Ao ver as meias, coitado
o vovô pensa:-“Já sei!
Essas, dei no ano passado
no retrasado, as ganhei…”

Apesar das tempestades
Meu espírito cansado
Tem reservas de amizade
Pra cada momento errado.

A primeira vez da gente
É gravada por demais!
Mas é como estrela cadente
Que ao céu não volta jamais…

As duas rosas do teu rosto
De róseas, brancas ficaram,
Para mostrar teu desgosto
— Já que os olhos não choraram…

As notas interpretando
Com os pés, pernas, mãos, braços,
A moça que está bailando
Vai “escrevendo” com seus passos…

A solidão que me embala
Canta-me tristes cantigas…
Será que o silêncio fala?
Serão as sombras, amigas?

Às vezes, o Amor, querida
Pode matar a ilusão…
O sol, que dá luz e vida
Traz desgraças ao sertão…

Às vezes, te trato mal
Por coisas tolas, banais
— E até zangada, afinal
Te quero cada vez mais…

A verdade é mole ou dura
dependendo da impressão
— ou é Bem que assim perdura
ou demonstra a escuridão

Ciúme é flor que não se cheira
Por mera premonição,
— Ainda assim, erva traiçoeira
envenena o coração

Com lucidez peculiar
Quantos “doidos” são mais certos
Que os que pensam acertar
Julgando-se muito espertos…

Com uma luz interior
que os “normais” não podem ver,
o cego tem um pendor
para “enxergar” o prazer…

Deixe o orgulho, minha gente…
Abandonem tal pecado!
— No acerto, é ficar contente!
No erro, entender o recado!…

Dentro de mim, choro tanto
— E sorri tanto, o meu rosto!
— Em riso, torno meu pranto,
Para ocultar meu desgosto…

Deus, que escuta toda prece
Atende meu jardineiro
A roseira floresce
E há gerânios, o ano inteiro…

Deve-se amar aos doidinhos
São filhos de Deus, também
Agem como os passarinhos
Não fazem mal a ninguém…

É minha mãe quem me inspira
Os versos do coração:
De seu amor, sonora lira,
Eu tiro qualquer canção…

Em vão espera um brinquedo
um menininho de rua…
Risca no chão, com um dedo,
um foguete e vai prá lua…

Eu fico presa, extasiada,
Nas folhas daquele galho,
Pois amo o que é quase nada
Como o cristal do orvalho…

Eu sou sempre adolescente
Recriando quase tudo
— Inquieta, mas resiliente:
Aço puro, com veludo…

Eu vivo há uns tantos anos
— De angústia, seculares –
Sofri tantos desenganos
Que fiquei imune aos pesares…

Fui “bruxa”, ou fada, sabendo
Com as ervas curar doentes,
Bebês à luz, vim trazendo
Fiz brotar muitas sementes…

Gato pardo e belicoso
Arqueia o corpo robusto,
Projeta as unhas, raivoso
Vira um puma no seu susto

Gatos à noite são bardos
E miam versos para a lua
Dizem que então ficam pardos
Parecem da cor da rua…

Há gente que vale nada
— Rouba ideias, trai amigos
Fazendo os outros de escada,
Ocupando seus abrigos…

Há muito “louco” no hospício
Fazendo tanto escarcéu
Por ter passe vitalício
Nos auditórios do Céu…

Há no mistério da fome
este mistério profundo:
É Cristo quem se consome
Em cada pobre do mundo…

Impossível conhecer
Mesmo o presente obscuro:
Tudo pode acontecer
Sem fantasiar o futuro

Jamais terei um presente
qual o que desejo mesmo:
a presença que está ausente
porque no céu caminha a esmo…

Jardineiro os segredos
Das rosas, tem o ceguinho
— “Eu tenho olhos nos dedos
Sei contornar cada espinho”…

Mentiste sempre, é verdade
— Nunca me amaste, afinal!…
Mas não quero a realidade
Mente mais, que não faz mal!…

Meia dúzia de gatinhos,
uns nos outros, enroscados,
são novelos bem quentinhos
parecem interligados

Meu canto é de Amor e Paz
— Sou humilde passarinho
Que trovas, num leva-e-traz
Sai espalhando, de mansinho…

Meu coração galopante
Deixa-me às vezes, sem ar
Por tudo que é discrepante
Do meu jeitinho de amar…

Meu Deus, por que sofro assim,
Pardal em boca de gato?
Se não tens pena de mim,
Como ser intimorato?…

Meu mar de amor é abissal
Insondável, pois profundo:
— Esconde-me assim do Mal
E das invejas do mundo…

Meu mar de amor se renova…
— Será que vou conseguir
Na gota de orvalho — A TROVA —
Pôr meu jeito de o sentir?…

Meu pai, menino crescido
Brinca mais que meus irmãos
— Meu coração, comovido
Vê os calos em suas mãos…

Meu pai tem vista apurada
excelente pontaria…
mas jamais matava nada,
pela sua filosofia…

Meu sobrenome é pessoa
— Uma luz a me nortear:
Ser leal, ser muito boa,
a ninguém prejudicar…

Minha mãe!… Quanta saudade
Da passagem, pela Terra,
De quem me ensinou a bondade
E o perdão – que a paz encerra…

Minha rua, que se aclara
Com a luz do sol, nascente,
À tardinha se prepara
E vai dormir com o poente…

Nada é somente difícil
Tudo, mesmo, pode ser.
— O impossível só é incrível
Até quando acontecer…

Nada pode contestar
O poder da natureza
— Nem o homem a reinventar
O que Deus fez com certeza!

Não desejo nunca o Mal,
mesmo a quem mal me trouxe
A bondade é bambuzal
de mil folhas e som doce…

Não fiquei gorda, nem chata
Ao passar para a meia-idade
Sonho sempre — e intimorata
Sigo, sem indignidade…

Não há mulher que não minta
Nos diz um velho refrão…
— Tem gordura sob a cinta
E diz “sim” quando diz “não”…

Não me atingem as palavras
De calúnia ou de desdém…
Infâmia, tu não me cravas
As invejas de ninguém…

Não tendo, medo de nada,
Vivo porém escondida,
Ocultando essa espada
Que faz-me sangrar a vida…

Na tristeza da saudade,
O coração faz queixume:
Fugiu-me a felicidade
Vai-me chegando o ciúme…

Nenhum carnaval da Terra
traz de volta os que se vão
-a saudade nos encerra
em um fechado salão…

Nesse muros, tão pixados,
Vejo os conflitos do povo
— E sinto que os desgraçados
Querem ser “homens”… De novo!

No mistério dos vitrais
Há captação da energia
Que o Cosmos, às catedrais
Manda em plena luz do dia…

Nos opostos, a atração
Forma, às vezes, completude
Mas noutras, há combustão
Ou barulho em plenitude…

Nossas máscaras do dia
nem sempre nos fazem mal
a esconder dor ou alegria
de um eterno carnaval…

Nossos erros nos apontam
Novas trilhas nos caminhos
E os acertos só despontam
Se afastamos os espinhos

Nos teus olhos, a luz que arde
Faz meu espírito brilhar…
Fui entendê-los tão tarde!
Agora não posso voltar…

No verão, canta a cigarra.
Hino à vida, sem razão,
Pois a vida a que se agarra
Finda em meio da canção

Num mundo de faz-de-conta
O insano, bem contente
Parece dançar na ponta
De uma lança incandescente

O amor materno é meu ninho
— É fogo que não se acaba
— É canto de passarinho
Mesmo se a chuva desaba…


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Trova 266 – Roberto Pinheiro Acruche (São Francisco de Itabapoama/RJ)

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José Feldman (Aquarela de Trovas n. 8)

Cheia de brilho e de encantos,
loucamente apaixonada,
a lua faz chover prantos
nos olhos da madrugada.
ADEMAR MACEDO – Natal/RN

Paquerador, mas casado,
da aliança faz segredo.
Sai por aí, o safado,
com um “bandeide” no dedo…
ADILSON DE PAULA – Joaquim Távora/PR

Nosso amor só necessita
de alguns metros de coragem,
porque a fronteira limita,
mas não impede a passagem.
ALMERINDA LIPORAGE – Rio de Janeiro/RJ

Este céu desarrumado,
em mil cores desiguais,
é o do dia já cansado
que passa e não volta mais.
AMÁLIA MAX – Ponta Grossa/PR

Na busca eterna da paz,
a humanidade se enterra;
seus próprios sonhos desfaz
na luta inglória da guerra!
AMARYLLIS SCHLOENBACH – São Paulo/SP
 –
A vida segue de arrasto,
do sonho nada me resta…
E o que sentia tão vasto,
vejo agora que não presta.
ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG – São Fidélis/RJ
 –
E’ um fato mais que evidente,
e que a própria Bíblia ensina:
que “a língua do imprudente
é a sua própria ruína”.
AMÍLTON MONTEIRO – São José dos Campos
 

Se alguém te humilha, perdoa,
e se alguém te fere, esquece.
Ódio guardado magoa,
só o amor envolve e aquece.
ARLENE LIMA – Maringá/PR

Meu verso não se renova,
pois esta angústia sofrida,
mais do que tema de trova,
é o tema da minha vida!
ARLINDO TADEU HAGEN – Belo Horizonte/MG

En la isla de tus brazos
quiero estar. cariño mío.
Ser presa de tus abrazos
para quitar yo mi frío.
CARMEN PATIÑO FERNÁNDEZ – Espanha

O pão e o vinho, que trago
à mesa para nós dois,
são muito mais que um afago,
visando o agora e o depois.
CIDINHA FRIGERI – Londrina/PR

Ela é muito pecadora,
se o pecado é querer bem:
na verdade é pe(s)cadora
de trovadores também…
CLEVANE PESSOA – Belo Horizonte/MG

O tempo não mede espaços,
passa em corrida fatal,
e o trovador, em seus passos,
nunca passa, é um imortal.
CONCEIÇÃO PARREIRAS ABRITTA – Belo Horizonte/MG

Ter sempre a palavra certa
e a mão em paz estender;
ter a mente sempre aberta:
isso se chama viver!
CONCEIÇÃO ASSIS – Pouso Alegre/MG
 –
Senhor, neste amanhecer,
louvo a tua criação:
da aurora ao entardecer,
eu te encontro em meu irmão!
CÔNEGO TELLES – Maringá/PR

Olhei a foto atrevida
de uma cena de nós dois:
Era o retrato da vida,
tão diferente depois!
DELCY CANALLES – Porto Alegre/RS
 –

Sofrem tantos na agonia
do delírio, dito “amor”;
isso tudo acaba um dia,
faz  frio após o calor…
DIAMANTINO FERREIRA – São Fidélis/RJ

O nosso amor escondido,
sem promessa de aliança,
tem o sabor proibido
da fruta da vizinhança!…
DOMITILA BORGES BELTRAME – São Paulo/SP

Ora eloquente, ora mudo,
teu olhar é uma charada:
promessa sutil de tudo,
no fútil revés… do nada!
DOROTHY JANSON MORETTI – Sorocaba/SP

Não julgues a sorte ingrata,
pois Deus, que tudo divisa,
bem sabe a medida exata
da ajuda de quem precisa…
EDMAR JAPIASSÚ MAIA – Rio de Janeiro/RJ

Quando o orgulho é o timoneiro
das viagens da paixão,
qualquer que seja o roteiro,
não encontra a direção!
ELIZABETH SOUZA CRUZ – Nova Friburgo/RJ

Minha alma tão pequena
perto de um mar tão profundo
torna-se grande e serena
para as ressacas do mundo.
FÁTIMA PANISSET – São Fidélis/RJ

O poeta é um fingidor.
finge tão completamente,
que chega a fingir que é dor
a dor que deveras sente!
FERNANDO PESSOA – Lisboa/Portugal

Em seu retorno o barqueiro
joga as redes para o ar,
e prossegue o tempo inteiro,
pescando sonhos no mar…
FLAVIO ROBERTO STEFANI – Porto Alegre/RS

Perdido em divagações
sento à beira do caminho…
Como se as recordações
não me deixassem sozinho!
IALMAR PIO SCHNEIDER – Porto Alegre/RS

Voy por la vida soñando,
de mil sueños, soñador,
yo  voy riendo, voy cantando…
 ¡soy un nuevo trovador!
JAIME CORREA – Chile

Se sofres, poeta, canta,
que essa cantiga, aonde for,
consola, embala, acalanta,
quem vive pobre de amor!
JEANETTE DE CNOP – Maringá/PR

Aquellos besos que tiernos
ayer me apasionaron
fueron crueles inviernos
que mi isla destrozaron.
JOSELITO FERNÁNDEZ TAPIA – México
 –
Se este mundo tão bisonho
te nega paz e guarida,
usa o refúgio do sonho,
onde o amor sustenta a vida!
JOSÉ LUCAS DE BARROS – Natal/RN

Se somos vidas sozinhas
não culpemos mais ninguém:
tu, prometeste …e não tinhas;
eu…dei tudo e fiquei sem…
JOSÉ OUVERNEY – Pindamonhangaba/SP

Todo filho vem dos pais,
vem o mel da flor silvestre;
não há dor sem dor nos ais
nem discípulo sem mestre.
LAIRTON TROVÃO DE ANDRADE – Pinhalão/PR

El sol brinda su magia
a la isla de esplendor,
y la luna ya presagia,
momentos de nuestro amor.
LÍBIA BEATRIZ CARCIOFETTI – Argentina
 –
Palabras aún en distancia
son vida para quien ama,
pueden saciarnos el ansia
amándonos con su llama.
MARIA CRISTINA FERVIER – Argentina

A tristeza que me invade,
e que nunca chega ao fim,
é fruto de uma saudade
que nasceu dentro de mim.
MARIA GRANZOTO – Arapongas/PR

Não me dêem mais ofertas,
Que não seja a Amizade
Coração – portas abertas
Amigos em Unidade!
MARIA JOSÉ FRAQUEZA – Portugal

Sem teu amor e carinho,
brindo à ausência da ilusão…
neste cálice de vinho
com sabor… de solidão!
MARIA LÚCIA DALOCE CASTANHO – Bandeirantes/PR

Após o tempo vencido,
nesse teu mundo reverso,
que importa o nome esquecido,
se imortal será teu verso?!…
NEIDE ROCHA PORTUGAL – Bandeirantes/PR

No teatro desta vida
cada qual faz sua história:
se não for bem aplaudida
é vaiada e vexatória.
NEI GARCEZ – Curitiba/PR

Quando há morte programada
pelos quadrantes da terra,
homens que não valem nada
sentem paz plantando guerra.
NILTON MANOEL – Ribeirão Preto/SP

Nas capelas, a candura
das esposas nas novenas.
Fora delas, a aventura
dos maridos “noutras” cenas…
OLGA AGULHON – Maringá/PR
 –
“Tem quantas partes o crânio?”,
pergunta a mestra à piazada.
Responde unzinho, instantâneo:
“Depende da cacetada!”
OSVALDO REIS – Maringá/PR

Quando a tarde veste o manto,
torna escura a luz do dia,
saudade, dói outro tanto,
do tanto que já doía.
PROF. GARCIA – Caicó/RN

Duas almas deves ter…
é um conselho dos mais sábios:
Uma no fundo do ser,
outra boiando nos lábios.
RAUL DE LEONI – Petrópolis/RJ

Minhas trovas são abraços,
mil braços vou abraçar,
nos mil infinitos laços
que a trova sabe engendrar.
ROZA DE OLIVEIRA – Curitiba/PR

E’ o abuso da riqueza
e o desprezo à educação
que põe sobre a nossa mesa
a fome, em lugar do pão.
SÔNIA SOBREIRA DA SILVA – Rio de Janeiro/RJ

Tenho no meu peito um mar
de amor, imenso e profundo
sonho vê-lo transbordar,
causando enchentes no mundo.
VANDA FAGUNDES QUEIROZ – Curitiba/PR
 –
Romântico e apaixonado,
meu pensamento flutua,
vai ao céu… volta zoado:
Vive no mundo da lua!
VÂNIA ENNES – Curitiba/PR

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Arquivado em Aquarela de Trovas, Trovas

Wagner Marques Lopes (Esgrima da Trova Contra A Dengue)

Lata e vidro a céu aberto…
Tempo de chuva que vem:
Triste cenário!… por certo,
Algo que à dengue convém!

São criatórios – mais nada –
Donde a dengue tem partida:
Caixa  dágua destampada
E uma piscina esquecida.

Escolha o destino exato
Para os  montes de sucata;
Ou a dengue, sem recato,
Vem até nós…  e nos mata!

Aquele que sempre joga
O lixo em qualquer lugar
É o desleixado que roga:
“ – Venha, dengue, me atacar!”.

Saneando nossas casas,
Sem lixo na vizinhança,
Mosquito não cria asas,
A dengue jamais avança.

Sucata empoçando chuvas –
à dengue, bom ambiente,
onde ela cresce… E põe luvas
para atacar muita gente!

Fonte:
O Autor
Imagem =montagem por José Feldman com imagens obtidas na internet

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Trova 265 – José Feldman (PR)

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Arquivado em Paraná, Trovas

José Feldman (Aquarela de Trovas n. 7)

 Este é um país fascinante,
produto de muitas mãos.
– Aqui, nativo e imigrante
parceiros somos, e irmãos!
A. A. DE ASSIS – PR

Arquivei na minha mente
lendas que trazem saudades,
e eu as vivo, simplesmente,
como se fossem verdades.
ADEMAR MACEDO – RN

Paquerador, mas casado,
da aliança faz segredo.
Sai por aí, o safado,
com um “bandeide” no dedo.
ADILSON DE PAULA – PR
 
Eu canto no triste encanto
saudades do teu amor,
porém se ouvires meu canto,
eu peço graça ao Senhor.
AGOSTINHO RODRIGUES – RJ

Morre o sonho, e as nossas vidas,
antes, caminhos iguais,
são duas trilhas perdidas
que não se cruzam jamais.
ALBA CHRISTINA C. NETTO – SP

Nestas ondas espumantes,
onde pesquei meu sonhar,
eu sou pescador de instantes,
nos encantos que encontrar.
ALZIRA DALL’ AGNOL – SC
 

Relógio, fique parado!
Não deixe o tempo passar…
Eu quero ser enganado
quando a velhice chegar!
AMÁLIA MAX – PR

Se amamos todos a vida
(ninguém deseja ser morto…),
que estupidez essa lida,
dos que defendem o aborto!
AMILTON MACIEL MONTEIRO – SP

Mulher é sopro de vida,
é brisa terna e envolvente,
aragem leve, sentida,
roçando o corpo da gente.
ANTÔNIO MANOEL ABREU SARDENBERG

Das rosas do meu jardim,
Maria sempre a mais bela…
Perfuma mais que o jasmim,
Que floresce em torno dela!
APOLLO TABORDA FRANÇA – PR

A criança é flor mimosa,
desabrochando pra vida,
e traz o encanto da rosa
já orvalhada e florida.
ARLENE LIMA – PR

Ceará terra da Luz,
de homem forte, bem valente,
o seu coração reluz,
planta do amor, a semente.
CÁRITAS  SOUZZA – CE

Dios nos dio sabiduría
para poder ben vivir…
siempre con paz e alegría
para dar e compartir…
CARMEN PATIÑO FERNÁNDEZ-ESPAÑA

Ainda bem que tenho os meios
de não ficar tão sozinha:
desenho e bordo, abro e-mails,
faço versos na cozinha…
CLEVANE PESSOA –  MG

Ó velhice, eu que temia
que chegasses de repente,
vivo em tua companhia,
sem notar que estás presente!
DELCY CANALLES – RS

Não pule do trem do tempo
em desembarque apressado.
Viaje sem contratempo
e não pare adiantado.
DINAIR LEITE – PR

Trago um sonho pequenino
Guardado dentro do peito
Que é morar sempre um menino
Neste corpo de homem feito…
DOMINGOS CARDOSO – PORTUGAL

Os teus sonhos reluzentes
de ternura e emoção,
são como enredos fluentes,
pescam nosso coração!
EFIGÊNIA COUTINHO – SC
 

Pescador mais esportivo
deixa seu peixe escapar,
melhor solto que cativo,
para assim o preservar.
ELIANA RUIZ JIMENEZ – SC

Confirmando as suas lendas,
por capricho, o velho mar,
cobre as areias de rendas,
quando a praia, vem beijar…
FABIANO WANDERLEY – RN

No teu regaço dormi…
Como em cama de jasmim
Foi no teu sonho que eu vi,
O quanto gostas de mim!
FERDINANDO FERNANDES – PORTUGAL

Na ausência que não nos poupa,
saudade é formiga arisca
que fica dentro da roupa
e volta e meia belisca.
FLÁVIO ROBERTO STEFANI – RS
 
Eu vou trilhando esta senda
tão difícil da poesia,
e nela quero ser lenda,
eis meu “sonho  fantasia”!
FRANCISCO NEVES MACEDO – RN

Nos lençóis brancos, macios,
de nossa cama deserta,
o tempo desmancha os fios
da minha pobre coberta.
GISLAINE CANALES – RS

Cristo, o maior pescador,
pescou peixes, pescou almas,
resgatou do mundo a dor,
em manhãs belas e calmas!
GLEDIS TISSOT – SC

O bilro, velho instrumento,
que entrelaçou tantas rendas,
tece, agora, num momento,
as rimas de minhas lendas.
IEDA LIMA – RN

Nem sempre a felicidade
vem da vitória ou da fama;
pode estar numa saudade
ou nos olhos de quem ama!
JEANETTE DE CNOP – PR

Mesmo vencendo a contenda,
e os medos da tenra idade,
o lobisomem é a lenda
que vive em minha saudade!
JOAMIR MEDEIROS – RN

Poeta, és  velho coreto
onde, na noite estrelada,
teus sonhos fazem dueto
com a voz da  madrugada…
JOÃO PAULO OUVERNEY – SP

Mais do que fadas e mitos,
num cenário encantador,
tenho sonhos tão bonitos,
que viram lendas de amor!
JOSÉ LUCAS DE BARROS – RN

Vinho e uva de montão
morro abaixo, morro acima
não estranhe, amigo, não
é a festa da vindima
JUSSARA C. GODINHO – RS

La noche se hace plateada,
mientras la samba yo danzo,
y a la luna apasionada,
un dulce mirar yo lanzo.
LAURA ROJAS – CHILE

¡Que bueno es ser tu amigo!
¡Ser tu amigo , que te adora!
Por eso tus pasos sigo
¡linda y bella Trovadora!
LEONARDO HUERTA – MÉXICO

Num tropel de evoluções,
a lua, no céu, galopa,
entrelaçando bilhões
de áureas estrelas em tropa!
LISETE JOHNSON – RS
 
Lá vai o bom pescador
por esses mares desertos,
lá vai ele, o sonhador,
pescando em  portos incertos!
LUCAS BARBOZA – SC

Era sonho, se desfez,
se desfez minha ilusão;
restou-me a insensatez,
cinzas quentes da paixão.
MANOEL DANTAS – RN

Tempo que reparte a vida,
 faz o meu destino assim:
 Vida é lenda dividida…
 Parte é começo, outra é fim!
MARA MELLINI DE ARAÚJO GARCIA – RN

La amistad me dio la vida
las ansias de libertad
a compartir nos convida
y a los sueños despertad.
MARIA CRISTINA FERVIER – ARGENTINA

Para a alma aliviar
na dor, conflito, paixão,
a lágrima acalma o olhar;
um poema, o coração!
MARIA ELIANA PALMA – PR

Papai Noel, eu queria
Que sempre em cada Natal
Trouxesses mais alegria
ao Brasil e a Portugal.
MARIA JOSÉ FRAQUEZA – PORTUGAL

Pelas ruas, no passado,
nos realejos risonhos,
o periquito amestrado
passava vendendo sonhos.
MARINA DE SOUZA VALENTE – SP

Se o mar da vida, tristonho,
faz meu sonho naufragar,
iço as velas de outro sonho
e outra vez volto p’ro mar!
MARISA VIEIRA OLIVAES – RS
 
Todo cão é prestativo
um amigo verdadeiro,
com o seu dono, é festivo,
efusivo companheiro.
MIFORI -SP
 

A primavera, suponho,
que tendo sonhos de amor,
faz, sim,com que cada sonho
nasça em forma de uma flor.
MIGUEL RUSSOWSKY – SC

Sonhar é o jeito mais certo
de dar um passo gigante:
o sonho traz para perto
o que parece distante.
MILTON SEBASTIÃO SOUZA – RS

Chamou-me de bela flor,
mexeu na rede emoção,
transformou-se em pescador
e pescou meu coração!
MIRIAM WEBER –SC
 
Luiz Otavio, no infinito,
em sua estrada já traçada,
nos ensina quão bonito
é uma trova declamada!
NEI GARCEZ – PR
 

Meu coração é um gigante,
que guarda muita emoção,
e nele tem habitante,
guardado com devoção.
NEIVA DE SOUZA FERNANDES – RJ
 

Há na mente da criança
um ideal tão fecundo,
que toda desesperança
torna-se lenda no mundo.
PAULO ROBERTO DA SILVA – RN

Primavera é foto linda,
de uma infância toda em flor;
parece que nunca finda
a primavera do amor!
PROF. GARCIA – RN
 

Aquele que firme avança,
sem receio de fracassos,
mantém consigo a esperança
levando o sonho nos braços.
REGINA CÉLIA DE ANDRADE – RJ
 
Não há nada que retalhe
os poemas que componho,
pois cada verso é um detalhe
do tamanho do meu sonho!
RENATA PACCOLA – SP

O sonho mais belo e ardente
da minha infância querida
virou cinzas, de repente,
nas fogueiras desta vida!
RENATO ALVES – RJ
 
A Natureza hoje chora
a cruel devastação
que faz o verde ir embora
e veste de cinza o chão !…
SONIA MARIA DITZEL MARTELO – PR
 

A vitória que se alcança
tem lição para ensinar.
– Não fique na praia mansa,
saiba as ondas enfrentar!
VANDA FAGUNDES QUEIROZ – PR
 

Navegam os trovadores
em e-mails de ilusões,
computando riso e dores,
conectando as emoções!!!
VÂNIA ENNES – PR

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Francisco Pessoa (Caderno de Trovas)

A cobiça sendo um vício
e a renúncia salutar,
nosso menor sacrifício
é saber renunciar.

Aconteça o que aconteça
eu nunca vou desistir…
por trás da nuvem espessa,
tem sempre um sol a sorrir!

À minha mulher confesso:
– Na atual encarnação,
para apressar teu progresso
sou a tua expiação!.

Aquele pé de carvalho
plantado em minha lembrança,
cintila gotas de orvalho
quando me vejo criança.

À tardinha, todo dia,
assisto o chegar do trem,
esperando por Maria
só que Maria não vem.

A poça d’água na rua
de repente se prateia…
espelho tosco da lua
em noite de lua cheia.

As estrelas não fenecem
perante à luz que encandeia,
mas docemente adormecem
se a noite é de lua cheia.

Com mais acerto que erro
sem querer ser um vestal,
só mesmo em convite-enterro
sou notícia de jornal!

De forma vil, ilusória,
o falaz aos ventos, berra,
cantando sua vitória
sem ter terminado a guerra!

Eis o grande desafio
para quem se diz cristão:
ter que dizer, renuncio,
em favor de um outro irmão!

É quando a noite se enluta
envolta num intenso véu,
que a estrelinha diminuta
empresta luz para o céu.

Esplendor tens, de tal monta,
quando passeias na praça,
que a lua se esconde, tonta,
atrás da nuvem que passa.

Esta vidinha da gente
tal a serra é mesmo assim…
ora subida ou vertente
num sobe e desce sem fim.

Faça-se a luz! E ao fazê-la
com muito amor e carinho,
Deus colocou uma estrela
a clarear meu caminho.

Feliz da vida se logra
o Zeca exibe o caneco,
que ele trocou pela sogra
na feira de cacareco.

Homem com muitos trejeitos,
mulher com muita feiúra
para mim são dois defeitos
que nem com reza tem cura!

Já que não posso mantê-las
ao alcance do meu braço,
eu canto minhas estrelas
em cada verso que faço.

Mãe é palavra seleta
por si só uma obra prima,
pois mesmo o maior poeta
procura e não acha rima!

Mesmo que lhe desagrade,
dentre os sabores prefira
o amargo de uma verdade
ao doce de uma mentira.

Minha mãe, quanta lembrança,
quem me dera tal jaez…
eu voltar a ser criança
começar tudo outra vez.

Minhas lágrimas vertidas
por entre dobras de rugas,
são saudades incontidas
do meu passado… são fugas!

Na avenida do fracasso
onde a humanidade avança,
em cada esquina que passo
eu planto um pé de esperança.

Não há placa de chegada
na minha estrada da vida…
faço de cada parada
novo ponto de partida.

Na solidão com frequência
escutamos uma voz…
deve ser nossa consciência
querendo falar por nós!

Nas veredas tortuosas
dessa vida em desalinhos,
nas retas eu colho as rosas
nas curvas tiro os espinhos.

Noel Rosa, quem diria,
sem cigarro e sem chapéu,
chegou só, sem parceria,
pra fazer samba no céu.

Noitinha volto da roça
e Rosa com seu pudor,
apaga a luz da palhoça
pra gente fazer amor.

Nos quatro dias de momo
ante tanta bebedeira,
eu estarei, não sei como,
quando chegar quarta-feira!

Nossas faces, pergaminho,
rastro do tempo que, algoz,
não apagou o carinho
que ainda existe entre nós!

Nossa vida não tem prazo
e tal o dia, é assim:
um surgimento, um ocaso,
que por acaso é sem fim!

Nos trigais do sentimento
que contra o vento eu transponho,
cozi o pão sem fermento
no forno quente de um sonho.

O amor seria fecundo
como tal se espalharia,
se toda mãe que há no mundo
tivesse um nome…Maria!

O intenso amor que nos une
e nos completa, querida,
faz a nossa vida imune
às incertezas da vida.

O inverno se me avizinha
e, no espelho, a contragosto,
vejo que o tempo caminha
deixando o rastro em meu rosto.

O meu amor quis safar-se
de mim, então me escondi;
de rosa era seu disfarce…
fui, sorrateiro, e a colhi!

O nosso amor passageiro
tal orvalho evaporou…
nasceu e morreu ligeiro,
que nem saudade deixou.

O pó que emana do giz
e o salário sem valor,
tornam bem mais infeliz
a vida do professor!

O sentimento de culpa
se esconde na consciencia
de quem fere e se desculpa
a suplicar inocência.

Os gritos de liberdade
abafados por censuras,
viram ecos de piedade
nos porões das ditaduras.

O sol, gigante centelha,
torna-se mais colossal,
quando nascendo se espelha
nas águas do pantanal.

Por mais que em ti não pensasse
uma lágrima escorria,
irrigando a minha face,
onde eu plantei nostalgia.

Por sofrer tantos açoites
nos meus momentos tristonhos,
pus redoma em minhas noites
para prender-te em meus sonhos

Quando o sol arquiva o dia
e o expediente se encerra,
ecoa a Ave-Maria
nos escritórios da serra!

Quantos banquetes regados
a vinho, trufa e salmão…
quantos irmãos relegados
sem água, sem luz, sem pão!

Quem diz ter brilho e alardeia
desdenhando o semelhante,
esquece que a lua cheia
tem seus dias de minguante!

Quem faz da vida um disfarce
e finge viver a esmo,
de tudo pode safar-se
mas não engana a si mesmo!

Quem não quer vencer a estrada
como faz o peregrino,
dobra sempre a esquina errada
na contramão do destino.

Saudade é o tempo guardado
dentro do peito da gente…
Nó que se dá, no passado,
e se desfaz no presente.

Sem usar pincel ou tinta
apenas com seu clarão,
a lua cheia repinta
as veredas do sertão.

Soluça vazia, a rede,
o armador emudeceu,
marcas de pé, na parede,
choram tanto quanto eu!…

Subo às nuvens… fantasia…
e para o amor espalhar,
solto minha poesia
com rimas soltas ao ar.

Todo indivíduo que é tolo
mas que de sábio se arvora,
é tal um pão sem miolo…
só tem a casca por fora!

Vai estudante, buscar
conhecimento fecundo
pois, és a pedra angular
na construção do teu mundo!

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Ferdinando Fernandes (Caderno de Trovas)

A boa fada da sorte
Te pôs um dia a meu lado;
Dizendo que só a morte,
Faz este amor acabado.

A chorar vivi cantando
Cantando vivo a chorar,
Se eu a cantar vou chorando
A chorar quero cantar…

Alma de corpo franzino
Anjo ridente dos céus,
Sofres já de pequenino
Como sofrera teu Deus.

Andorinha que partiste
Pra terras de mais calor;
Leva minha alma triste,
Que anda à procura de amor.

Ao ver-te bailar contente
Com um filho no braçado,
Eu recordo docemente
Loucuras de ano passado…

Arranjei-te sem saber
Pensando a sorte encontrar;
Hoje mesmo sem te ver,
Fico cheio de te olhar.

A saudade é lenço branco
Que nos chama sem parar,
O sentimento mais franco
Que muito diz sem falar.

A sonhar juntos, Maria
Fizemos o arraial,
E nos folguedos do dia
Fizemos fogueira igual.

Caminhemos mão em mão
Fulcro de amor e alegria;
Só assim no coração,
Há Natal em cada dia!!

Cobrir crianças despidas
Tornar o mundo igual,
Cativar almas perdidas
Seria o meu ideal…

Conta lá os teus segredos
Loucuras… horas a fio;
A água sai dos rochedos,
E vai cantando até ao rio.

Cravos vermelhos à porta
Mangericos na sacada,
Mas se a fogueira está morta
Que vale a cinza apagada.

Criança, anjo sagrado
Sem rua sem lar nem pais,
Serve pro homem malvado
Em seus fins materiais.

De pequeno desconheço
Maldades que a vida tem;
Agora que a conheço,
Vivo nela com desdém.

Deves ouvir meu conselho
Quando te julgas um santo;
Olha-te bem ao espelho,
E depois despe o teu manto.

Dizes ser rico e nobre…
Esquece lá a fantasia,
Pois a fogueira do pobre
Dá mais calor e alegria.

Dizes te julgas perdida
Pra mim tens tanto valor,
Pois quem aquece outra vida
Tem que ter muito calor!

Em cada dia que passa
Mais vergonha tenho eu,
De ser fruto desta massa
Que em mim encarneceu.

É melhor comer o pão
Embora duro que seja,
Que ser na vida ladrão
E deitar fora o que sobeja.

Em quatro linhas ficou
Tantos sonhos e magias;
Que no teu peito moldou,
Aquilo que não sabias…

Esse beijo ainda gritante
Em quatro lábios ficado;
Ainda lembra constante,
As loucuras do passado…

Esta dor que atormenta
Este meu peito em saudade.
É choro que se lamenta
Dos tempos da mocidade…

Eu nascera só pra ti
Na vida que me foi dada!
Fogueira que eu revivi,
Com cinza quase apagada.

Eu vivi triste na vida
Destino que Deus me deu,
Foi de uma alma sentida
Que a alegria nasceu!

Foi nas urzes do caminho
Que eu vira o trevo feliz,
Não o quis, fiquei sozinho
A sorte só eu a fiz…

Fui à fonte para te ver
E quando lá te encontrei,
Depois de tanto beber
Com outra sede fiquei…

Fui primavera ridente
E hoje que não sou nada;
Sou pobre que ri contente,
Na vida que me foi dada.

Hoje estás abandonada
Só por loucuras de amor.
Mas a rosa por cheirada,
Nunca perde o seu valor!

Já basta o que tem por sina
A vida do pobrezinho…
O homem ainda lhe ensina
A ser trapo do caminho!

Lágrima caída no rosto
Dos teus olhos cor do mar;
Lembra a vida em sol posto,
Saudade sempre a chamar…

Mentiras que o outro diz
Não acredites amor;
Pois planta sem raíz,
Não alimenta a flor.

Meu amor de mim tem dó
Sou coração enjeitado…
Por fraca que seja a mó
Dá sempre o milho ralado.

Meu amor olha pra mim
Preciso do teu sorrir,
Como a rosa no jardim
Do sol para florir.

Morena que vais pra fonte
De cantarinha na mão;
Choras tristezas pelo monte,
Das saudades que lá vão.

Nada há que determine
Os traços que a vida tem;
Nem há sol que ilumine,
O negrume do desdém.

Na farsa da ilusão
Tudo anseias com fervor;
Podes comprar a razão
Mas não compras o amor.

Não dês esmola por vaidade
Inda que seja um vintém,
Podes ferir sem maldade
Aquele que nada tem…

Não escrevo para entreter
Mas escrevendo a dor acalma.
Nunca se pode esconder,
Tristezas que vem da alma.

Não me olhes descontente
Pelos meus loucos folguedos;
O rio corre contente,
Sem dar contas aos rochedos.

Não penses que não te amo
Porque te não presenteio,
Pois o amor é um ramo
Que vive no nosso meio.

Não posso gostar de alguém
Só porque gosta de mim.
A primavera não vem
Só porque existe um jardim.

Não procures viver só
Faz do pobre companheiro,
Pois que seria da mó
Se não tivesse o moleiro…

Não te julgues desgraçada
Se a má sorte te persegue;
Existe pior calçada,
Que aquela que agente segue.

Não venhas flores um dia
À minha campa depôr,
Pois tudo foi fantasia
Que me falava de Amor.

Nessa noite de ilusão
A dançar te conheci,
E ao sentir teu coração
Logo fogueira acendi.

Nesta dor feita alegria
Algo de estranho acontece,
Ante meus olhos é dia
Dentro em meu peito anoitece.

No altar desse teu peito
É minha prisão de amor,
É capelinha que enfeito
Com somente uma flor.

No choro do meu olhar
Há risos em gargalhadas;
É a saudade a mostrar,
As saudosas madrugadas.

No mundo vivi sonhando
E a sonhar envelheci,
E a sonhar vou ficando
Pequeno como nasci.

No parlamento da vida
É só mísera ilusão…
Depois da lista escolhida,
Ainda é maior o ladrão!

No parlamento da vida
Todos querem mandar mais…
Pois a seara perdida,
Faz tentar mais os pardais.

No teu regaço dormi…
Como em cama de jasmim
Foi no teu sonho que eu vi,
O quanto gostas de mim!

Nunca odeies meu amigo
Mesmo que tenhas razão;
Pois não é só o mendigo,
Que necessita de pão.

Nunca sonhei ilusões
Riquezas…luxos sem fim;
Pois os mais belos brasões,
São os teus olhos pra mim.

Nunca te esqueço meu bem
Como mais terna donzela.
Primavera vai e vem,
E a rosa espera por ela!

Nunca te julgues vencida
És um anjo aos olhos meus.
Mesmo uma filha perdida,
É sempre filha de Deus.

Ó belo trevo da sorte
Quem foi que te semeou?…
Talvez alma de má porte
E nunca mais te encontrou.

O choro que existe em mim
Nem sempre é feito de dor,
Nem sempre a vida tem fim
Quando acaba um grande amor.

O homem tanto promete
E nunca cumpre o que diz,
E dos erros que comete
Não quer ser ele o juiz.

Olhei pra ti com desejo
E com desejo fiquei;
Pois nesse rosto que vejo,
Está o sonho que sonhei.

Olhei-te de olhos fechados
De olhos abertos fiquei;
Nesses teus lábios rosados,
Ficou o que desejei.

Olho na vida o passante
Meu irmão de cada hora,
Meu companheiro errante
Ferido com a mesma espora.

O manjerico velhinho
Outra vez reverdeceu,
Mas está morto o teu carinho
Esse pra sempre morreu.

Ó meu amor, teu dançar
Tem graça tem alegria,
Pode a roda cheia estar
Mas sem ti está vazia.

O pobre que nada tem
Que na vida não tem norte,
Não dá contas a ninguém
Quando lhe chegar a morte.

O poeta é mensageiro
Na luta pela igualdade…
Luta sempre companheiro
Em abraço de amizade.

Ó rio de água serena
Que vais chorando pro mar;
Ao chorares a tua pena,
Chora também meu penar.

O trevo nasce no prado
Sem ninguém o semear,
A sorte não é mercado
Que se consiga comprar.

Porque nasci afinal…
Neste monturo sem vida,
Só vi choros, só vi mal
Só vi peitos sem guarida.

Por ti chorei, e afinal
Meu pranto nada valeu,
Que importa um amor leal
Se outro amor nunca nasceu.

Possuir a felicidade
É um sonho tão profundo…
Que até penso com saudade
Que não existe no mundo.

Primavera é sempre igual
Todos anos traz flores,
Mas a vida tem final
Leva consigo os amores.

Proibir a mendicidade…
Faz o homem sem pensar,
Mas não proíbe a caridade
Nem a vontade de dar.

Prometes-te e não cumpris-te
Sofre alguém esse teu porte;
O coração que feris-te,
Te pede contas na morte.

Quando eu um dia me for…
Não me chores, minha querida;
Pois quem morre por amor
Fica sempre nesta vida!

Quem me dera ser a lua
Num vaivém sempre a rodar,
Iluminar tua rua…
E no teu quarto espreitar.

Quero levar a saudade
Quando desta vida for…
É sonho da mocidade
Que sempre falou de amor.

Repara bem ao dançares
Que não te calquem os pés,
E se de par tu trocares
Podem te dar pontapés.

Risonhos dias vivi
Na vida que me foi dada,
Mas hoje já tudo esqueci
Desse sonho que foi nada.

Rosa branca que venero
Neste jardim de saudade;
És o amor mais sincero,
Que ficou da mocidade.

Se a desgraça fosse pão
Que a todos fome mata-se,
Eu não teria um irmão
Que na vida mendigasse.

Se a fogueira se apagou
Não te importes meu amor,
Outro fogo começou
Que dá muito mais calor.

Se a lei tudo castiga
Eu não sei porque razão…
Ou tudo é canto ou cantiga
Pra todos comer o pão.

Se algo sofri não sei quanto
E não sei quando nasci…
Pois tudo hoje é só pranto
Da mentira em que vivi.

Se a saudade é letra morta
Não o posso afirmar…
Só sei que me bate à porta
Mesmo sem eu a chamar!

Se a sorte nasce no prado
Sem ninguém a semear;
Triste sina este meu fado
Não consigo encontrar.

Se na vida não fui nada
Nada me deram pra ser,
Nasci de uma vida errada
Culpa teve o meu nascer.

Se o Sol tudo aquece
Só o comparo então;
Ao amor que se merece,
E aquece o coração.

Ser bem pobre e não ter nada
É dom que Deus nos legou;
Quando a vida terminada,
Vai cantar o que chorou.

Sonhando pela vida afora
Saudades feitas por mim…
Mas só me apercebo agora
Que este sonho está no fim.

Sonhei contigo, e a sonhar
Corri distâncias sem fim…
Pois só sei que ao acordar,
Estavas pertinho de mim.

Sou filho que por desgraça
Nada tenho pra comer,
Se ás vezes riu por graça
Sou hipócrita sem querer.

Tempo que passa é saudade
De algo que fica chorando.
São sonhos da mocidade
Que ficam por nós chamando.

Tudo lembro com saudade
Dos tempos que já lá vão,
Mas só vejo a bondade
Distante do coração.

Tu me deste a luz da alma
De um sonho quase acabado;
Hoje te oferto a vida calma,
Que abraçamos lado a lado.

Um português a cantar
Faz de uma trova canção,
Depois do verde provar
Canta por uma Nação.

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Nemésio Prata (A Seca no Sertão em Trovas) 2

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18 de dezembro de 2013 · 20:25

Marina Bruna (Trovas Escolhidas)

A ciranda traz lembranças,
que a saudade perpetua,
de um tempo em que nós, crianças,
éramos todas de rua…

Afeto infinito eu leio
nos olhos, cheios de brilho,
da mãe que desnuda o seio
e oferta seu leite ao filho!

A noite desfez em contas
seu rosário de cristal
e enfeitou todas as pontas
da grama do meu quintal!

Ante um berço, comovida,
e no adeus dos cemitérios,
fui aprendendo que a vida
é ponte entre dois mistérios.

Ao tanger minha guitarra,
ser pobre não me importuna.
Tenho o perfil da cigarra
que é feliz sem ter fortuna.

A teu lado, mas… sozinho…
quantas noites, quantos dias
eu transbordei de carinho
mas te achei de mãos vazias…

A tua mão deslizando
no meu corpo, em leve afago,
é como a brisa encrespando
a superfície de um lago.

A tua ofensa me assusta
e, desta vez, digo “não”!
Quem ama sabe  o que custa
ter que negar o perdão!

A vida insiste em manter
em dois tons sua canção:
o mais agudo é o poder;
o mais grave, a servidão!

Blasfemar… sei que é errado
mas, Te pergunto, Senhor:
se o amor que eu sinto é pecado,
por que me deste este amor?…

Bondes… quintais… lampiões…
Nesta saudade eu me abrigo
aconchegando ilusões
que envelheceram comigo…

Brinquedos velhos, em trapos,
sem importância parecem,
mas guardam, nos seus farrapos,
lembranças que não se esquecem.

“Cachorro!”, gritou o pato
numa atitude insensata,
quando ouviu dizer que o gato
estava lambendo a pata!

Com a emoção renascida
no amor que só veio agora,
o ocaso de minha vida
ganhou matizes de aurora!

Com meu orgulho pisado
mas, de saudades vencida,
dou-te o perdão e a teu lado
esqueço as mágoas da vida.

Como é grande a solidão
de um ator, que em sua estréia,
põe em cena o coração
e está vazia a platéia…

Das saudades e lembranças
do amor, que foi verdadeiro,
restou um par de alianças
na mão de um só companheiro.

De cada galho abatido,
em silêncio a seiva escorre
mostrando o pranto sentido
de uma floresta que morre!

Depois da tua partida,
na desordem dos meus passos,
o que me prende na vida
é a memória dos teus braços…

Descalços pelo gramado
teus pés mansamente vão…
Pões, no pisar, tanto agrado,
que eu tenho inveja do chão!…

Descem do morro, sambando,
o Conde, o Rei e a Princesa.
É o Carnaval mascarando
de sangue azul a pobreza…

Deus modela a nossa estrada
porém nós, em atos falhos,
modificando a jornada,
nos perdemos nos atalhos…

Disse um “sábio” picareta
sobre um voo espacial:
– “Pra chegar noutro planeta
é só ter um mapa astral…”

Dos naufrágios, dos degredos,
restaram, dentro do mar,
ecos de velhos segredos
que as conchas sabem guardar…

Ele partia e, na pressa,
prometeu que voltaria.
Hoje eu sei, não foi promessa.
Na verdade… ele mentia…

Em fortuna, eu tenho sido
qual uma agulha modesta
que borda um belo vestido
e a linha é quem vai à festa!

Enfim voltaste… mas peço
que este clima de alegria
envolvendo o teu regresso
não dure só por um dia…

Esta fé que me incentiva,
e em minha vida se espalma,
é uma luzinha votiva
na capela de minha alma!

Esta flor que me restou
num livro da mocidade
é um sonho que se tornou
medalha de uma saudade!

Eu faço um apelo mudo
na velhice que me alcança:
– Destino, tire-me tudo
mas não me roube a esperança!

Fim do amor… mas nosso enredo
restou em minha lembrança,
como ficou em meu dedo
a marca de uma aliança…

Foi num mar encapelado
que o meu barco de ideais
naufragou de tão pesado:
– tinha esperanças demais!

Homem bom de rosto feio!
Tua aparência enganosa
lembra a pedra cujo seio
guarda uma gema preciosa!

Impiedoso, o fogo avança
e a floresta, calcinada,
perde o verde da esperança;
ganha o cinza do mais nada!

Mágico no seu cantar,
o poeta tem na voz
a virtude de criar
mil mundos dentro de nós!

Meu olhar no céu passeia
e me diz, mesmo disperso,
que o mundo é só um grão de areia
na imensidão do Universo…

Meu viver lembra uma estrada
com mistérios para mim:
do começo não sei nada…
não sei nada do seu fim…

Na história de tua vida
sou apenas, sem escolha,
uma sentença esquecida
no rodapé de uma folha.

Na insônia, escuto um rumor
e percebo, entre ansiedades,
que anda na noite um pastor
apascentando saudades!

Na tarde cálida e mansa,
o tempo quase não passa
e até o silêncio descansa
nos velhos bancos da praça.

Neste ano novo eu pretendo
rasgar meus dias tristonhos
e, de remendo em remendo,
reconstruir os meus sonhos…

No abandono, em desalinho,
eu sonho me embriagar
na branca taça de vinho
que se derrama em luar…

No acolchoado de paina,
colhida ao pé da paineira,
o homem esquece da faina
nos braços da companheira.

Nosso amor, hoje em desgaste,
fez do convívio um açoite…
Tempo! Por que não paraste
naquela primeira noite?

Nosso amor hoje e passado
e, apesar de breve história,
persiste, ainda, ancorado
no cais de minha memória.

Num foguetório cerrado,
o céu junino reluz
qual um chuveiro dourado
pingando gotas de luz!

O Ano Novo se avizinha
e eu, de tristezas cansado,
compro uma nova folhinha
e rasgo o tempo passado.

O destino rege as vidas
num balé, cujo andamento
lembra o das folhas caídas
dançando ao sabor do vento…

O destino se disfarça…
Veste risos e tristezas
e apresenta, em cada farsa,
incalculáveis surpresas…

O flerte, as voltas na praça,
o tempo levou embora
e o amor foi perdendo a graça
sem o respeito de outrora…

O homem pobre, passo a passo,
ergue a cidade cinzenta
tirando da pedra e do aço
a quimera que o sustenta!

Passei a viver tristonho
depois que encontrei, surpreso,
o limite do meu sonho
no muro do teu desprezo!

Partias… mas era tarde
para eu tentar te deter…
E nessa omissão covarde
te perdi… sem combater…

Partiste… e a tarde silente,
daquele dia tristonho,
vestiu de roxo o poente
no funeral do meu sonho…

Por florescer altaneira
na paisagem descampada,
aquela velha paineira
tornou-se um marco de estrada!

Primeiro amor… é a ternura
que a nossa memória enfeita.
É como a fruta madura
de uma primeira colheita…

Prostrado… na dor infinda
de um desprezo que o consome,
meu coração bate ainda,
porque murmura o teu nome…

Quanta família é desfeita
sem notar, que em meio aos brados,
há uma vítima que espreita
de olhinhos arregalados …

Que eu te esqueça… não me peças…
Não me obrigues a fingir
e fazer falsas promessas
que jamais irei cumprir.

Quem faz poemas alcança
todo o brilho do Universo
pondo estrelas de esperança
nas rimas de cada verso!

Que o amor faz sofrer… sabia…
mas, mesmo assim, eu te amei
e, agora, a sabedoria
vive a dizer: – Não falei?…

Quis te falar… mas não pude…
E, então, te dei uma flor…
As flores têm a virtude
de saber falar de amor…

Sem aliança no dedo,
sem altar, sem certidão,
quanto amor vive em segredo
com laços no coração!

Sem muros, as casas pobres
trocam favores, carinhos…
enquanto que em ruas nobres
ninguém conhece os vizinhos.

Se um dia o céu censurar
o nosso amor, não aceito…
e a teu lado hei de encontrar
um outro céu…mais perfeito!

Sigo em frente em meus trabalhos,
porém não sigo sozinho.
Com Deus, que aponta os atalhos,
encurto muito caminho.

Sobre os espelhos fanados,
o tempo, em seu transcorrer,
passa escrevendo recados
que não gostamos de ler…

Tem pena de minha dor!
Por favor, usa a franqueza!
Pois as dúvidas, no amor,
maltratam mais que a certeza!

“Terra à vista”! e, em praias calmas,
foi ancorando Cabral.
E o destino bateu palmas
nos unindo a Portugal!

Teu amor… quase acabado…
Mas, tentando me iludir,
sigo sofrendo a teu lado
sem coragem de partir…

Teu desprezo me magoa.
Não me queres, não te forço.
Mas, o que mais me atordoa
é não sentires remorso…

Tímida, não disse nada,
mas o sorriso que deu
foi a mensagem cifrada
que o meu amor entendeu…

Trago um porongo em meu peito
onde a saudade, contida,
é um chimarrão que tem feito
o amargor de minha vida…

Vai com seu dono mendigo,           
dando-lhe o único alento…
E eu penso: – Este cão amigo
bem merece um monumento!

Vai, de saberes repleto,
um sábio pela metade.
Para ser sábio completo
faltou-lhe o grau de humildade…

Vou te deixar… Partirei…
Sem saudade… Sem sofrer…
Por um motivo eu te amei;
por muitos, vou te esquecer…

————————

Download do e-book com biografia e trovas de Marina Bruna podem ser encontradas em:
http://issuu.com/wichaska/docs/tributo_a_marina_bruna
(Abaixo do livreto clique sobre Share, surgirão várias opções. Clique sobre download).
O livreto está em PDF e possui cerca de 7 megabytes.
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Fontes:
BRUNA, Marina. Cantares: trovas. São Paulo: Ar-Wak, 2010.
Resultados de Concursos.

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Nemésio Prata (A Seca no Sertão em Trovas) 1

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15 de dezembro de 2013 · 19:00

José Feldman (Aquarela de Trovas n. 6)

O mundo esqueceu que existe
o ponto de exclamação…
De tão seco, amargo e triste,
perdeu de vez a emoção!
A. A. DE ASSIS – PR

Ser grande não é ser pleno;
grandeza a nada conduz.
O vaga-lume é pequeno,
mas tem sua própria luz!…
ADEMAR MACEDO – RN

Seria um éden, seria,
este mundo se, em verdade,
nele houvesse a trilogia:
paz, amor e honestidade.
ALOÍSIO BEZERRA – CE

Não fale… Não diga nada…
Aperte mais minha mão…
Faça a promessa quebrada
não precisar de perdão.
AMÁLIA MAX – PR

E de repente te vejo
tal qual meu sonho te vê:
Musa…Mulher…e Desejo…
e me deságuo em você!
ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG – RJ

O orvalho, do céu liberto,
de uma flor se fez amante,
e em seu regaço entreaberto
pôs um límpido brilhante!
AMARYLLIS SCHLOENBACH – SP

Se Deus nos deu dois ouvidos
e um meio só de falar,
sejamos, pois, comedidos
mais no dizer que escutar.
AMILTON MONTEIRO – SP

Ao despertar-me, na aurora,
vejo no céu, todo dia,
o teu olhar, que namora
e a solidão que judia.
ARI SANTOS DE CAMPOS – SC
Lavrador, ao fim do dia,
após a lida no chão,
tua enxada rodopia
celebrando a produção!
ARLENE LIMA – PR

Se fazer bem é o que vale,
faça o bem sem ver a quem,
pois não há bem que se iguale
ao bem de fazer o bem!
ARLINDO TADEU HAGEN – MG

¡A mi niño ha de encantar!
sabernos humanizados,
sin poder alimentar
¡los odios encarnizados!
CARLOS IMAZ – FRANÇA

Os beijos são evidências
que a vida teima em mostrar.
São também as reticências
de um amor por despertar.
CARMEM PIO – RS

Da união se faz a força,
da força o grande dever:
pedir ao homem que torça
para ouvir mais do que ver.
CIDINHA FRIGERI – PR

Todo fiel Entendimiento
llega de Dios con amor,
él nos da discernimiento
para abolir el dolor.
CLAUDIO GARIBALDY MARTÍNEZ – REPÚBLICA DOMINICANA

Quanta tristeza me invade
nesta vida amargurada…
-Eu quero sentir saudade,
sem ter saudade de nada!
CLENIR NEVES RIBEIRO – RJ

Primavera o ano inteiro
você terá , onde houver
um amigo verdadeiro
para o que der e vier…
CLEVANE PESSOA – MG

No colo a filha do filho
pela avó é acalentada,
qual noite sem luz e brilho
embalando a madrugada.
CONCEIÇÃO ASSIS – MG

Yo llevo la Primavera,
dentro de mi corazón,
por tu amor que a él le diera,
¡Su única eterna ilusión!
CRISTINA OLIVEIRA – USA

Não tens culpa, velha enxada,
desbeiçada, cabo torto,
por só colheres o nada
do ventre de um solo morto…
DARLY O. BARROS – SP

Em vez do vício, a virtude
e… da revolta, a harmonia…
Quisera que a Juventude
se drogasse de poesia!
DELCY CANALLES – RS
Ah! mundo cão, mundo louco,
de guerras pelo poder…
só necessito de um pouco
de sossego pra viver.
DJALMA MOTA – RN
 

Quando a lembrança me invade
no porto da vida – e quanto! –
brilha o farol da saudade
sob a neblina do pranto!
DOMITILLA B. BELTRAME – SP

Chuvas mansas ou granizos
agradecemos em prece,
que é de lágrimas e risos
que consiste a nossa messe.
DOROTHY JANSSON MORETTI – SP

Os meus sonhos vão ao léu,
Pelas asas da ilusão…
-Plantando flores no céu…
-Colhendo estrelas no chão!
EDUARDO A. O. TOLEDO – MG

Quanto mais cresce a ambição
sem cautela, em mãos de ateus,
mais vejo o mundo sem pão
e a humanidade sem Deus.
ELEN DE NOVAIS – RJ

Se o teu amor foi miragem
no deserto da paixão,
que importa?… Me deu passagem
para o oásis da ilusão!…
ELISABETH SOUZA CRUZ – RJ

Sejamos leais amigos
com esta obra de Deus,
conservando sem castigos
os teus direitos e os meus.
FAHED DAHER – PR

Minha infância, doce herança
que recordo nesta idade,
é o retrato da esperança
na moldura da saudade!…
FERNANDO CÂNCIO – CE

Na ausência que não nos poupa,
saudade é formiga arisca
que fica dentro da roupa
e volta e meia belisca.
FLÁVIO ROBERTO STEFANI – RS

Paz, amor, fraternidade,
eis o lema entre as nações;
porém quanta falsidade
em só três afirmações
GASPARINI FILHO – SP

A minha vida é um romance,
pois sonhando sou feliz…
Eu deixo que o vento trance
os sonhos que eu sempre quis!
GISLAINE CANALES – RS

Se és veloz no pensamento,
no trânsito sê prudente.
Usa o cinto, fica atento…
Mostra que és inteligente!
GLEDIS TISSOT – SC

Quanta tristeza me invade
ao sentir chegar meu fim…
E, em meio a tanta saudade,
sinto saudade de mim!…
HERMOCLYDES SIQUEIRA FRANCO – RJ

Mimos de tanta beleza,
tais como os teus, jóia minha,
não possui uma princesa,
nem os sonha uma rainha!
HUMBERTO RODRIGUES NETO – SP

Primavera é a natureza
se revestindo de cores,
multiplicando a beleza
nos sonhos dos Trovadores!
JOAMIR MEDEIROS – RN

Ensino, sempre, ao meu filho
que a humildade é a luz do bem:
quem faz do orgulho o seu brilho…
não ilumina ninguém!
JOÃO FREIRE FILHO – RJ

O gesto de amor que eleva
a nossa alma, é luz potente
que ilumina a espessa treva
na noite dentro da gente!
JOÃO PAULO OUVERNEY – SP

Fiz de você a minha musa
Minha vida e coração
Meu pijama, minha blusa
A tábua de salvação.
JOSÉ FELDMAN – PR

Não há fortuna guardada,
que pague o gesto de quem
divide o seu quase nada
com outro que nada tem…
JOSÉ OUVERNEY – SP

Teu corpo, lânguida estrada,
percorro com meu desejo,
no asfalto da madrugada,
na trilha de cada beijo!
LISETE JOHNSON – RS

Entre amigos aprendendo
lucramos com alegria
e nessa troca eu entendo
o dom da Sabedoria!
LUIZA BENÍCIO – CE

Meu coração atingido
por tremores de amargura
sobrevive reduzido
a ruínas… de ternura…
MARISA VIEIRA OLIVAES – RS

Tudo muda… O tempo avança…
Vai-se a vida…O globo roda,
mas com lastros na esperança,
sonhar nunca sai de moda.
MIGUEL RUSSOWSKY – SC

O pai é sempre o primeiro
se o filho está precisando.
Quem tem um pai verdadeiro,
tem sempre exemplos sobrando.
MILTON SOUZA – RS

A cuca me põe à prova,
quando me acende esta idéia:
se tudo cabe na trova,
para que serve a epopéia?
RAYMUNDO S. BRASIL – BA

Bela vitória há de ter
quem tenta a glória alcançar,
pois pior do que perder
é desistir sem lutar!…
RODOLPHO ABBUD – RJ

Num ritmo de eternidade
e encanto que se renova;
há comboios da saudade
nos quatro trilhos da trova.
ROZA DE OLIVEIRA – PR

Revezam-se em nossas rotas
sombra e luz, contras e prós,
e as vitórias e derrotas
começam dentro de nós…
VANDA FAGUNDES QUEIROZ – PR

Afinal, eis a questão:
achei um rico alimento…
Somos gêmeos na emoção:
teu amor é o meu sustento.
VÂNIA ENNES – PR

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Cláudio de Cápua (Caderno de Trovas)

Ante ao talento me ajoelho…
E o teu talento invulgar,
tanto me serve de espelho
como me serve de altar.
(uma homenagem a Carolina Ramos)

Avisto do alto da serra
a pujança do sertão
e sinto orgulho da terra
que mora em meu coração!

Certo bispo ouve uma “história”
de um padre chamado Hilário
e grava, assim, na memória
um bom “Conto do Vigário”

De “mau jeito” o Zé Baleia,
pescador de sorte estranha,
noivou com uma sereia,
casou com uma piranha..

É neste “Canto que eu Canto”
belezas que a vida tem
que ao meu mundo dão encanto
e tanto me fazem bem!

Esta foto é mais um fato,
que nos traz para o presente,
através deste retrato,
lembranças de antigamente.

O delegado Pereira…
Êta Pereira bacana,
– É de pouca brincadeira,
não dá pêra, só da “cana”!…

Olha! A noite é uma criança,
diz o refrão popular –
que sacode e balança
presa às tranças do luar.

Palhaços de profissão?
Ah, Como é bom, fazem bem.
O triste é ter coração
e ser palhaço de alguém!

Quando o rei sol estorrica,
tortura, com seu clarão,
mais forte é aquele que fica
e dá valor ao seu chão!

Servidor da tributária,
bem “Severo”, sem igual,
ergue a saia à secretária,
por ser, de “rendas”, fiscal.

Só por descuido é que a Helena
acabou por se casar…
Pois, pensou que Cibalena
fosse a pílula… Que azar!

Sou poeta e trovador,
a inspiração me transporta
às nuvens e, com amor,
nas nuvens minha alma aporta.

Unindo a seresta ao verso
quero compor na amplidão.
Sou menestrel do universo,
em tardes de solidão.

Fonte
http://www.de-capua.com/publicacoes.html (desativado)

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Varal de Trovas n.49 – Nemésio Prata Crisóstomo (CE) e Roberto Pinheiro Acruche (RJ)

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José Feldman (Aquarela de Trovas n. 5)


Ou o amor enfim nos faz
desarmar o coração,
ou do cachimbo da paz
nem as cinzas sobrarão!
A. A. DE ASSIS – Maringá/PR
 * * * * *
Desde o tempo de Noé
que o mundo pôs-se a saber
que manga não cai do pé
porque não sabe descer!
ADEMAR MACEDO – Natal/RN
* * * * *
Eu vi crianças brincando
junto de lindas roseiras,
como aves cantarolando
nos ninhos, todas faceiras!
AGOSTINHO RODRIGUES – Campos/RJ
* * * * *
Da viagem pouco importa
minhas dores e cansaços,
se ao voltar te encontro à porta
a receber-me nos braços!
AMÁLIA MAX – Ponta Grossa/PR
* * * * *
Fugindo pela janela,
o “dom juan” quis “dar no pé”.
– Um fantasma!, gritou ela.
E o marido: – Agora é!
ANGÉLICA V. SANTOS – Taubaté/SP
* * * * *
Eu quero ser o seu vinho,
o cálice que inebria;
ser seu parceiro no ninho,
ser madrugada, seu dia!
ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG –  São Fidélis/RJ
* * * * *
Quem tem amigos por perto
vence qualquer desafio.
Só o tolo enfrenta o deserto
levando o cantil vazio!
ARLINDO TADEU HAGEN – Belo Horizonte/MG
* * * * *
Se eu for a todos dizer
o que está em meu coração,
num livro não vai caber
toda a minha gratidão.
CIDINHA FRIGERI – Londrina/PR
* * * * *
Eu confesso hoje, sem medo,
que este amor em mim guardado
não é só o meu segredo,
é também o meu pecado!
CLENIR NEVES RIBEIRO – Nova Friburgo/RJ
* * * * *
Tem gente que tanto mente,
conta lorota, faz fita,
que, da verdade descrente,
nem em si próprio acredita.
CLEVANE PESSOA – B. Horizonte/MG
* * * * *
Nossa foto, na “lixeira”,
meu amor, levou “delet”.
Vou procurar quem me queira,
noutro “site da Internet”
CRISTIANE BROTTO – Curitiba/PR
* * * * *
Sofrem tantos na agonia
do delírio, dito “amor”;
isso tudo acaba um dia:
faz  frio após o calor…
DIAMANTINO FERREIRA – São Fidélis/RJ
* * * * *
Poeta mantém acesa
a chama do amor fecundo,
minimizando a tristeza
e as dores cruéis do mundo.
DJALMA MOTA – Caicó/RN
* * * * *
Foi fantasma!… Creia em mim!
diz a soprano ao marido.
– Fantasma no camarim?
– E’ o da ópera, querido!!!
EDMAR JAPIASSÚ MAIA – Rio de Janeiro/RJ
* * * * *
Não te rendas nunca à dor,
se o teu bem tem rumo incerto,
pois, muitas vezes, no amor,
esse longe é muito perto!
EDUARDO TOLEDO – Pouso Alegre/MG
* * * * *
Minhas mágoas disciplino
com a força da oração:
tenho um médico divino
que jamais deixa o plantão!
ÉLBEA PRISCILA – Caçapava/SP
* * * * *
No jogo da vida é assim:
tem encrenca e desacato,
e, quando ele chega ao fim,
a mãe de alguém paga o pato…
ERCY MARQUES DE FARIA – Bauru/SP
* * * * *
Minha jangada, tristonha,
abandonada no cais,
vela içada, ainda sonha
com ventos do nunca mais!
FERNANDO CÂNCIO – Fortaleza/CE
* * * * *
Deus, garimpeiro maior,
vai, no seu mister profundo,
salvando o bom e o melhor
que há nos garimpos do mundo.
FLÁVIO STEFANI – Porto Alegre/RS
* * * * *
Vou revelar o caminho
de uma longa vida-a-dois:
é trocar muito carinho
antes, durante e depois.
FRANCISCO MACEDO – Natal/RN
* * * * *
Tuas palavras magoam,
mas te perdôo, pois, enfim,
são abelhas que ferroam
mas que dão mel para mim.
FRANCISCO PESSOA – Fortaleza/CE
* * * * *
Meus lábios apaixonados
bebem o orvalho dos teus,
desses teus lábios molhados
que sonham com os lábios meus!
GISLAINE CANALES – Balneário Camboriú/SC
* * * * *
Sem esquinas… sem saídas…
muitas vidas são assim…
Ruas retas e compridas,
e um grande portão no fim…
IZO GOLDMAN – São Paulo/SP
* * * * *
No silêncio da memória,
onde a saudade faz ninhos,
eu deixei a nossa história
e vivo a paz dos sozinhos!
JOAQUIM CARLOS – Nova Friburgo/RJ
* * * * *
Insisto em que não desistas
jamais das glórias que queiras:
antes das grandes conquistas
erguem-se as gandes barreiras!
JOSAFÁ SOBREIRA DA SILVA – Rio de Janeiro/RJ
* * * * *
Parece que a tentação
acredita pouco em mim.
Vivo dizendo que “não”,
e ela dizendo que sim”…
JOSÉ FABIANO – Belo Horizonte/MG
* * * * *

Sonhando com um amor,

buscava um novo horizonte.

Colhi sementes de dor…

espalhadas pela ponte.

JOSÉ FELDMAN – Maringá/PR

* * * * * Caio, levanto-me e sigo!
Mal sabem que esta coragem
é apenas meu medo antigo,
usando nova roupagem!
JOSÉ OUVERNEY – Pindamonhangaba/SP
* * * * *
Nos garimpos desta vida,
que o destino abandonou,
eu sou batéia esquecida
que nem cascalho pegou.
JOSÉ VALDEZ C. MOURA – Pindamonhangaba/SP
* * * * *
Num certo 12 de junho,
vi caracteres gravados:
Meu nome escrito em teu punho,
pois éramos namorados!
LAIRTON TROVÃO DE ANDRADE – Pinhalão/PR
* * * * *
Há sorriso de ironia,
há sorriso imerso em dor,
há também de simpatia…
mas o melhor é o de amor!
LÓLA PRATA – Bragança Paulista/SP
* * * * *
A mais linda das respostas
nos dá Jesus, nosso amigo:
– “Pode o mundo dar-te as costas,
mas Eu estarei contigo!”
LUCÍLIA DECARLI – Bandeirantes/PR
* * * * *
Teus sucessos, conta aos pais,
que ao certo vão se alegrar;
mas aos “amigos”,  jamais,
pois por trás vão te pichar…
MARIA DE ARCHIMEDES – Rio de Janeiro/RJ
* * * * *
Somos, sim, irmãos de fé,
e a música tem provado:
no riso, samba no pé;
no choro, a emoção do fado!
MARIA ELIANA PALMA – Maringá/PR
* * * * *
Pelas procelas da vida
passei tanto vendaval…
A cada onda vencida
nela afundei o meu mal!
MARIA JOSÉ FRAQUEZA – Portugal
* * * * *
Quebrei a estrela do sonho
na longa noite vazia,
mas… de seus cacos componho
o sol de minha alegria…
MARIA LUA – Nova Friburgo/RJ
* * * * *
Para este amor, que a nós dois
tomou – assim de improviso –,
não houve “antes” nem “depois”;
houve o “momento preciso”!
MARIA MADALENA FERREIRA – Magé/RJ
* * * * *
Revivendo o meu passado,
me torturo de tal jeito,
que chego a crer que é pecado
guardar saudades no peito !
MARIA NASCIMENTO – Rio de Janeiro/RJ
* * * * *
Com volúpia e desvario,
neste amor vou mergulhar…
Eu me sinto como o rio,
que se atira para o mar!
MARIA THEREZA CAVALHEIRO – São Paulo/SP
* * * * *
Por razões, às vezes fúteis,
corre o sangue numa guerra.
Eis as sangrias inúteis
que envergonham nossa terra.
MIGUEL RUSSOWSKY – Joaçaba/SC
* * * * *
O poeta, em sua lida,
ainda que o mundo o afronte,
tem sempre um sopro de vida
que o leva além do horizonte…
MILTON NUNES LOUREIRO – Niterói/RJ
* * * * *
Lá fora, nada me importa,
e esqueço da vida ingrata,
quando você fecha a porta…
e tira o nó da gravata!
NEIDE ROCHA PORTUGAL – Bandeirantes/PR
* * * * *
No teatro desta vida
cada qual faz sua história:
se não for bem aplaudida,
é vaiada e vexatória.
NEI GARCEZ – Curitiba/PR
* * * * *
Da Juruti gemedeira
já não ouço o seu refrão:
foi a seca “matadeira”
que enxotou-a do sertão!
NEMÉSIO PRATA CRISÓSTOMO – Fortaleza/CE
* * * * *
De que vale o meu protesto,
se manténs, em tuas mãos,
o poder de, a um simples gesto,
cortar o “til” dos meus nãos!
OTÁVIO VENTURELLI – Nova Friburgo/RJ
* * * * *
Viajei pelo mundo inteiro
e nunca mais pude achar
o que no instante primeiro
encontrei em seu olhar.
OLGA AGULHON – Maringá/PR
* * * * *
Por vaidosa a tartaruga
olha no espelho e faz planos
de remover uma ruga
surgida aos 200 anos!
PEDRO ORNELLAS – São Paulo/SP
* * * * *
Um degrau eu sempre subo
quando a grana é insuficiente
e pulo em cima do tubo
pra sair pasta de dente…
RENATA PACCOLA – São Paulo/SP
* * * * *
Quando me pego tristonho,
de pensamento disperso,
tiro um sonho de outro sonho,
vou passear no universo!
SELMA PATTI SPINELLI – São Paulo/SP
* * * * *
Do sonho compartilhado,
agora, somente resta
um convite, amarelado,
marcando o dia da festa…
SÉRGIO FERREIRA DA SILVA – São Paulo/SP
* * * * *
Colheita, ainda guardada
num simples grão amarelo,
é uma obra a ser lançada,
mas que ainda está no prelo.
VANDA FAGUNDES QUEIROZ – Curitiba/PR
* * * * *
Causador da minha insônia,
motivo do meu sorriso,
sem nenhuma cerimônia
me transporta ao paraíso!
VÂNIA ENNES – Curitiba/PR

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Paulo Walbach (Caderno De Versos)

APENAS UMA PLUMA

Sou apenas uma pluma carregada pelo vento;
vou vivendo a minha vida, por aqui ou acolá,
sem morada, sem família e sem ninguém.
Sou apenas uma pluma, desgarrada de meu sabiá…

Não tenho asas, não tenho canto,
não tenho vida, só tenho encanto.
Sou suave, leve solta eu sou,
Sem presa, sem saber para onde vou.

Sou apenas uma pluma do meu sabiá,
que voava e cantava pra viver…
Mas, um dia, triste dia aconteceu:
Uma pedra, dura pedra o abateu.

E soltei-me da plumagem de seu peito,
e do sopro derradeiro, eu voei…
Sou a pluma separada do meu ser,
que morreu, sem saber do meu viver!

Minha vida se é vida, feito assim…
Pouco dela sei, pouco sei de mim.
Pois eu vivo, se o sopro me soprar,
se a brisa ou se o vento me levar.

Mas um dia, a sorte me pegou
pelo vôo de um pássaro de acolá,
carregando-me pelo bico familiar:
Era o bico da mulher do meu sabiá.

De uma vida com passado, sem futuro,
transmutada de um dia para cá…
Do nada, quase nada, virei ninho
da ninhada dos filhotes do meu sabiá!
======================
 
A LINGUAGEM DO POETA
 

Arte, Sonho, Liberdade! – a Poesia;
que o poeta,sem passagem, acredita,
pelos sonhos, perambula na magia
das palavras de sua Língua tão Bendita.

Ele voa pelas asas da alegria,
no embalo da estrela que palpita…
nos acordes do silêncio e da folia;
acelera, anda, passa, freia, grita…

Na linguagem; sinestesia ele tenta…
Escrevendo, vai suprindo sua emoção,
muitas vezes, já cansado de Sonhar…

O Poeta, com coragem, experimenta
até o fogo, que embriaga o vulcão,
acendendo seu pavio do Amar!
=================

RASCUNHO & BORRÃO

Nas linhas pautadas do velho caderno
aterrissam sonhos, que viajam em mim…
Vêm de algures, além do inverno,
ao porto seguro da pista molhada,
em versos sem fim…

Pedaços poemas, delírios sem asas,
fonemas opacos que vêm para mim;
às vezes quebrados, não chegam, não vingam,
se perdem no espaço…
e viram poeira num outro jardim.

Palavras sem forças, sem nexo,sem voz,
que risco e apago e faço borrão.
Pensamentos que fogem, se soltam no ar,
e voltam sem vida na mente cansada
de minha emoção…

Os versos que morrer no ventre da alma
são sementes estéreis jogadas no chão…
Sepulto as letras nas pautas vazias,
escritos perdidos à espera de luz,
meu lápis riscando em traços em cruz…
fechando o caderno rascunho e borrão!
================

VENTO MENINO

Acordei com a voz do vento,
Que batia na minha janela…
Pensei na hora e no tempo,
Acendi ao meu lado uma vela.

Lá fora o frio ardia,
Doíam, a relva e a flor…
O vento na janela batia;
Batendo, implorava calor.

Abri a janela e o vento…
Tremendo, em mim desmaiou;
Passei minhas mãos sobre ele,
Sorrindo, o vento acordou.

Parecendo um menino perdido
Entre as mãos espalmadas o acolhi,
Balbuciando logo em meu ouvido,
melancólico adágio eu ouvi.

Tremendo ainda o vento,
No outro ouvido cantou…
Parecendo elemento alado,
O vento pra mim sussurrou.

Não sendo menino e nem pássaro,
Que presos, ainda podem cantar…
Levei-o tão logo à janela…
E o vento se põe a voar!
===================

MÃE

MÃE é presente e eternidade
Que amarra a prole e a família
Por laços de verdade,
No mais nobre sentimento e magia.

MÃE é futuro da mulher…
Que DEUS faz no seu corpo crescer
A semente da mais bela flor,
Pelo filho que um dia há de nascer.

MÃE é passado de glória, agonia e ventura…
É esplendor e saudade pura
Num perene estado espiritual.

MÃE é um ser tão singular,
Da mais forte e fiel expressão
Dos verbos sofrer e amar!
=============

CURITIBA…
 
Índios correndo, abrindo picadas por dentre as matas….
Itupava…caminho de pedras, início de tudo.
Atuba, primeiro local, riacho tão rico, de ouro e pedras.
Cory-etuba!.
Pinheiros rodeando, pinhão florindo, é seu dia de festa!

Um pássaro azul solta seu canto,
voeja suas asas plantando a semente,
fazendo seu ninho nos braços esguios da árvore gigante.
Nasce a cidade, no largo central…
Pelourinho, futura matriz – a Catedral…

29 de março de mil e seiscentos e noventa e três…
Mateus Leme, Ébano Pereira, Baltazar Carrasco dos Reis…

Cidade Sorriso da rua das flores…
Do Ipê amarelo que traz primavera,
Dos campos, colinas, riachos, amores…
Curitiba escancara nos abraços seus,
fazendo de sua terra a miscigenação,
na riqueza dos irmãos filhos de Deus,
Que fizeram desta casa o seu rincão.

No sotaque tão aberto deixa a gente
Tão sem graça e na graça, vem o riso
quando pede o gostoso ´leite quente´…

Curitiba, de seus bosques e postais,
Ornamenta a cidade nos Natais
Curitiba dos tubos, da Boca Maldita…
Cidade que se recicla, cidade bendita.

Curitiba dos prêmios internacionais,
Capital modelo, no papel e no serviço,
Da Universidade quase centenária tem nos anais,
o irmão, o Centro de Letras de Emiliano Perneta,
Euclides Bandeira, Emilio Meneses e de tantos mais…

Curitiba, cantamos o Parabéns pra você,
Por que é a menina cativa que muito cresceu…
És a dama de sempre, e dos pinheirais
Curitiba, poema, te amamos demais!

Fontes:

Lilia Souza (organizadora). Coletânea da Academia Paranaense de Poesia. 2012

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Roberto Pinheiro Acruche (Caderno de Trovas)

A alvorada, em seus traços,
me trouxe nova esperança
de ter de novo em meus braços
quem não me sai da lembrança.

Amor! Eu estou morrendo
de saudades de você.
Amor, eu só estou vivendo,
de amor por quem não me vê.

Ao abrir minha janela,
inundada de luar,
mais forte a lembrança dela
fez a saudade apertar.

Ao passar a mocidade,
aquecida, tal verão,
o sol da maturidade
me deu nova direção!

Arteiro, ágil e risonho…
Era assim, na mocidade!
Hoje cansado e tristonho,
só leva o peso da idade.

A tristeza em minha casa
está num quarto vazio:
de dia a saudade abrasa,
à noite mata de frio.

Chorei de tanto sorrir!
Sorri ao chegar o fim,
de pensar não existir
amores falsos por mim!

Enquanto estas a sorrir…
Evitas o que aborrece.
Tristeza pode existir,
mas delas, você esquece!

Era jovial e prosa,
Bom contador de vantagens.
A vida lhe foi calosa…
Está no fim da viagem!…

Esta vida é complicada,
imagine, meu consorte,
pois se a vida é temporada,
que será, então, a morte??

Eu bebi para esquecer
esqueci porque bebi,
agora quero saber,
o que será que esquecí?

Eu nunca vivi uma guerra!
Jamais vivi uma tragédia!
Se a dor no meu peito encerra…
Será que a vida é comédia?

Jurou-me que voltaria…
Eu juro, muito esperei!
Outra vez você mentiu…
Outra vez acreditei.

Mágico é teu esplendor,
outono da minha vida.
Beijo a sorte, vivo o amor…
Ironizando a partida.

Meu coração bate forte
ao chegar sua mensagem
que bom se tivesse a sorte…
Vê-la chegar da viagem.

Minha saudade e alegria
no Natal é recordar
do amor que meu pai trazia
quando vinha me abraçar!

Ministros e Presidente
tentam dar explicação,
mas o povo, infelizmente,
é quem paga o apagão!…

Nada ainda terminou!
Então siga a caminhada…
Se o mundo não acabou,
A vida não está parada!

Na madrugada, tristonho,
Sem sono o jovem medita
A vida é um grande sonho,
Feliz quem nele acredita.

Na semeadura errada
Você cultivou espinho,
mas hoje, em triste jornada,
anda descalço e sozinho.

Nas rimas quanta saudade,
De tão triste até chorei,
és uma grande verdade…
Tão pouca vida te dei.

Natal… dia de alegria…
de festa…sentimental!
Ah!… tão bom se todo dia
fosse dia de Natal!…

Natal! É festa de luz!
Vou comemorar com amor,
agradecendo a Jesus
o meu mestre e salvador!

Nesta vida o tempo passa
o meu consolo é você!
Mas sou poeta sem graça,
quando passas e não me vê!

Nunca foi obra de arte,
mulher de cintura fina,
digo isso em qualquer parte,
ela é uma obra divina!

O que eu não quero é morrer
quero ser doce lembrança
sempre que eu merecer
Te encontrar feito criança

O sonho do trovador
é fazer trova perfeita;
não consegui ser o autor,
mas consegui vê-la feita!

O tamanho do meu sonho
não se mede em comprimento
mas nos versos que componho
na medida do lamento…

Por capricho do destino
te encontrei tarde demais
Sou badalo, você o sino
sou a moça, tu és o rapaz.

Por momento passageiro
fostes trocar os teus sonhos.
Vive agora o tempo inteiro
dias vazios, tristonhos…

Posso reclamar de tudo…
Direito que me convém!
Mais fico todo “sisudo”
quando reclamas também.

Quando chove reclamamos
e se não chove também.
Se a chuva traz certos danos,
outros têm quando não vem.

Quando te amei de verdade,
jamais eu pensei, “por certo”,
Que tu serias saudade
e o meu coração, “deserto”!

Que nós somos filhos Teus,
muitos dizem, e acredito…
Boníssimo pai, meu Deus…
Teu amor é tão bonito!

Quero um natal diferente
Com muita paz e união
Que as bênçãos do onipotente
Alcance toda a Nação.

Sabiá da minha terra,
Por que vem cantar aqui?
Não sabe seu canto encerra
Saudades de onde vivi?…

Se eu pudesse voltar à infância
Nem que fosse por um dia
Abraçaria a inocência
e nunca mais a soltaria.

Se eu tivesse te encontrado
antes, meu imenso amor;
teus olhos que estão molhados
não chorariam de dor.

Se o hoje é cheio de dor
não pense que a vida é vã…
enquanto existir amor,
sustente a fé no amanhã!!!

Somente o amor verdadeiro
é por Deus abençoado;
e por não ser passageiro
é tão sublime e sagrado!

Sopra a brisa, sopra a vida,
passa o tempo, o tempo passa…
Andei por uma avenida
sem luz, sem amor, sem graça!

Sou um rio nesta vida
e você meu belo mar;
tento lhe adoçar querida,
você só faz me salgar!…

Trabalho que nem “saúva”,
para ganhar o meu pão
pois, lá do céu, só cai chuva
e, às vezes, um avião…

Trabalhou por longo tempo
nos muitos anos vividos…
e traz agora o lamento
nos seus ombros doloridos.

Tua voz é melodia,
com bemóis e sustenidos,
a mais perfeita harmonia
a encantar meus sentidos.

Uns me chamam de poeta…
Já outros, de Trovador!
Eu só sei que a minha meta,
é escrever com muito amor.

TROVAS A DUAS MÃOS

Quero o sorriso mais belo
Quero o olhar mais bonito… (Roberto Acruche)
com eles, formar um elo
entre a terra e o infinito… (MariluX)

Queria que neste dia
reinasse a felicidade (Roberto Acruche)
trazendo muita alegria
aos homens de boa vontade (Claret)

Vinha andando pela rua…
Foi aí que te encontrei (Roberto Acruche)
Relembrei as noites de lua
Que do seu lado eu passei (Beth)

Mas a vida continua
e de ti eu esqueci. (Sonho Azul)
-Ah! Quantas saudades tua…
E quanto tempo eu perdi!… (Roberto Acruche)

Fonte:
http://robertoacruche.blogspot.com.br

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Trova em Imagem n. 264 – Roberto Pinheiro Acruche (RJ)

1 comentário

5 de dezembro de 2013 · 22:10

Cantinho do Prof. Pedro Mello (Trovas que Cruzam as Fronteiras…)

Convencionalmente as trovas se classificam em líricas, filosóficas e humorísticas, sendo as duas primeiras englobadas em uma só categoria para fins de concursos.

Entretanto, há trovas que cruzam essas fronteiras delimitadas pela convenção de gênero. Algumas trovas são líricas e filosóficas, outras são filosóficas e religiosas, outras são líricas e pictóricas… enfim, muitas trovas “invadem” as fronteiras e nos proporcionam um prazer estético redobrado.

Mas há um tipo de cruzamento menos frequente, a trova humorística que possui elementos líricos. Isso me chamou a atenção em duas trovas de dois trovadores pouco citados: Luiz Pizzoti Frazão e Batista Soares.

O primeiro, já falecido, era de Niterói e alcançou o título de Magnífico Trovador em Humorismo por Nova Friburgo, e a seguinte trova foi uma das três premiadas:

Ao ver que iam ser defuntos,
o porco disse à mulher:
– Quem sabe nos deixam juntos
em uma linguiça qualquer…?!

Ouvi essa trova de Waldir Neves, que a considerava uma joia de humorismo. Na época não atentei para o fato de que ela contém um elemento lírico. Seria singela a “declaração de amor” do porco, não fosse ele um animal próximo do matadouro…

A outra trova é da autoria de Batista Soares, de Fortaleza, e a conheci através de Heloísa Zanconato, que a considera uma trova muito criativa por causa cruzamento do lírico com o humorístico:

Senhor, que em meu lar não caiba
o adultério nem o abrigue…
Mas, se couber, que eu não saiba…
E, se souber, que eu nem ligue…!

Essa é, como diria um nordestino, a trova do “corno manso”. É humorística, sem dúvida, e chegou a ganhar o 2º. lugar em Nova Friburgo. Sinceramente acho que merecia o primeiro… Nesse caso, a trova é humorística, lírica (ama a mulher mesmo que ela o traia!) e chega a ter um elemento de religiosidade porque interpela a Deus. É pouca coisa???

Fonte:
http://www.recantodasletras.com.br/artigos/1610634

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Eliana Jimenez (Trova-Legenda: Mundo nas Mãos)

Um dia, filho, verás,
e eu também, se vivo for,
o mundo inteirinho em paz,
na grande festa do amor!
A. A. de Assis – Maringá/PR


Estendam as mãos, amigos,
mantendo o mundo seguro.
Dos jovens e dos antigos
depende o nosso futuro!
Agostinho Rodrigues – Campos/RJ


Quando o homem acatar
o que a lei de Deus prescreve,
os povos vão-se acertar
e o mundo será mais leve!
Alberto Paco – Maringá/PR

La Tierra toda en mis manos…
la acaricio y la sostengo
porque la habitan hermanos
por los que respeto tengo.
Alicia Borgogno – Santa Fe/Argentina

Como se fosse um lampejo…
fazendo a Terra girar,
nas mãos, a Esperança eu vejo…
o que elas podem nos dar!
Ana Maria Guerrize Gouveia – Santos/SP

Juntemos as nossas mãos
para elevar nossa Terra,
que também é dos irmãos
com maravilhas que encerra!
Amilton M. Monteiro – S. José dos Campos/SP

Con el mundo en nuestras manos
tanto clamor y esperanza
siempre unidos como  hermanos
cielo y amor nos alcanza.
Anahi Duzevich Bezoz – Argentina

Con el mundo en nuestras manos
orando por paz y amor,
seríamos siempre hermanos
y el universo mejor
Ángela Desirée Palacios – Venezuela

São as mãos do mundo inteiro
que, numa união fraternal,
formam sustento altaneiro
para a paz universal!
Angelica Villela Santos – Taubaté/SP

As nossas buscas eternas
pelo fim de tantos ais,
hão de vir por mãos fraternas
tão diversas, tão iguais.
Antonio Juraci Siqueira – Belém/PA

Terra, mãe nas mãos dos filhos,
gesto por demais bonito;
mas se andássemos nos trilhos,
se ouviriam menos grito…
Antonio Cabral Filho – Jacarepaguá/RJ

Nosso Deus, pai verdadeiro,
que nos fez, todos irmãos,
o seu mundo, tão maneiro,
pôs inteiro em nossas mãos.
Ari Santos de Campos – Itajaí/SC

Quando chegar os extremos
de todos serem irmãos
com certeza então teremos
o planeta em nossas mãos.
Ary Viotti – Belo Horizonte/MG

Com suas mãos espalmadas,
num gesto humano e profundo,
pessoas compromissadas
querem salvar nosso mundo !
Colavite Filho – Santos/SP

O mundo está em nossas mãos” :
eis a ideia a refletir …
Porém, são somente os sãos
que conseguem assumir !
Cristina Cacossi – Bragança Paulista./SP

Mãos que se irmanam nas lidas,
dos irmãos sanando os ais,
embora não parecidas,
pelo amor tornam-se iguais.
Dáguima Verônica – Santa Juliana/MG

Na imensidão dos espaços
o nosso planeta azul
é amparado pelos braços
dos anjos de norte a sul.
Dalva de Araujo – Santos/SP

As tuas ações repensa,
atende a esse SOS,
que o futuro é a recompensa
e o Planeta te agradece!…
Darly O. Barros – São Paulo/SP

É  com as mãos da  poesia
e um amor grande e profundo,
que  os  poetas, hoje, em  dia,
embelezam  mais  o  mundo!
Delcy Canalles – Porto Alegre/RS

All hands in harmony
that´s the best way to be.
The future won´t be a fantasy
if you hold the world with me.
Davie Rogers – California/EUA

Sendo unidos, todos nós,
podemos salvar  o mundo.
Vamos juntar-nos e, após,
nenhum prazer mais profundo!
Diamantino Ferreira – Campos/RJ

Se a Terra quer ser Estrela,
se está a  fim de outro destino,
é inútil  tentar detê-la…
Que encare o seu desatino!
Dorothy Jansson Moretti – Sorocaba/SP

De nossa firme aliança
depende a preservação
do mundo, que é nossa herança,
à próxima geração.
Eliana Jimenez – Balneário Camboriú/SC

Sendo azul, vista do espaço,
a Terra muda de cor
se a força do nosso braço
lhe instila o verde do amor.
Elisabete Aguiar – Mangualde/Portugal

Queres salvar as florestas
do furor da motosserra?
Juntas tuas mãos a estas
na defesa da mãe terra!
Francisco José Pessoa – Fortaleza/CE

Tantas mãos movendo o mundo
por interesse, ambição,
mas não vejo o nosso mundo
movido a um coração.
Geraldo Trombin – Americana/SP

Vamos buscar união,
paz, amor, fraternidade,
sem encolher nossa mão
ao querer felicidade.
Gilson Faustino Maia – Petrópolis-RJ

Vejam só, caros irmãos,
podemos, com nosso verso,
ter o mundo em nossas mãos,
iluminando o Universo!
Gislaine Canales – Balneário Camboriú/SC

Que bom seria se a Terra
estivesse em boas mãos,
liberta de qualquer guerra,
seriam todos irmãos!
Glória Tabet Marson – S. J. dos Campos/ SP

Quisera que sempre houvesse
nas mãos que dominam o mundo,
a força que o amor exerce
num viver livre e fecundo.
Haroldo Lyra – Fortaleza/CE

Unem-se povos irmãos
num gesto nobre e fecundo,
cuja corrente de mãos
faz-se o suporte do Mundo!
Heloísa Zanconato – Juiz de Fora/MG

A nossa vida vivemos
plena de desejos vãos
até saber: não podemos
ter o mundo em nossas mãos.
Janske Niemann – Curitiba/PR

Mãos erguidas, força unida,
no simbolismo que encerra:
a conservação da vida,
na preservação da Terra.
Jessé Nascimento – Angra dos Reis / RJ

O mundo nas mãos de poucos
é interesse de quem manda,
na pena de ouvidos moucos,
ditar justiça nefanda !
João Batista Xavier Oliveira – Bauru/SP

Quantos sonhos nascem vãos,
se, em nosso mundo, ao invés
de usarmos também as mãos,
usarmos somente os pés…
José Fabiano – Belo Horizonte/MG

Rogo a Deus todos os dias:
– Dê a este mundo mais amor!
dispa nossas fantasias…
mãos unidas em Louvor!
José Feldman – Maringá/PR

O progresso deste mundo
da mão dos jovens depende.
Para que seja fecundo
requer um trabalho ingente.
José Kalil Salles – Barbacena-MG

Vamos lutar como irmãos,
porque, num plano fecundo,
quem tem o mundo nas mãos
domina o peso do mundo.
José Lucas de Barros – Natal/RN

Na esperança do melhor
nossas mãos movem o mundo.
O fruto de seu lavor
conheceu o chão fecundo.
José Marins – Curitiba/PR

Se todas as mãos se unissem,
num esforço mais profundo,
talvez até conseguissem
dotar de equilíbrio o Mundo…
José Ouverney – Pindamonhangaba/SP

Un mundo entre nuestras manos
es un regalo de Dios
para sentirnos hermanos
y caminar de él en pos.
Libia Beatriz Carciofetti – Argentina

Cuantas manos presurosas
Trabajan por tu rescate
Con ideas milagrosas
Te sueñan… Mundo en combate!!
Livia Josefina Herize – Venezuela

Este mundo gira, gira!
Gira tanto, tão veloz!
Ele gira ou é mentira?
Pois quem gira, somos nós!
Lisete Johnson – Porto Alegre/RS

Cuidado, Terra, essas mãos
que parecem sustentá-la
com pulsos fortes e sãos,
conseguirão preservá-la?
Lóla Prata – Bragança Paulista/SP

Un mundo de sombra y sueños
para quererlo en un verso
siempre seremos sus dueños
mis manos al universo.
Luis Alfredo Rivas Mazzei – Venezuela

Todas las manos unidas
Sosteniendo la utopía.
Con esperanzas fallidas
Salva al mundo la poesía.
Maria Cristina Fervier – Argentina

As pessoas podem crer
que em cada gesto profundo,
as suas  mãos hão de ser
sustentáculo  do mundo!
Maryland Faillace – Santos/SP

Quem pensa em ganhar o mundo
com certeza se escraviza,
mas se o toca amor profundo,
tudo se relativiza.
Marina Valente – Bragança Paulista/SP

Mãos sábias sempre sustentam
a Terra que nos abriga
e jamais elas se ausentam
para que a Vida… prossiga!
Mercedes Lisbôa Sutilo – Santos/SP

Mãos que sustentam o mundo,
mãos recheadas de amor…
plantam o saber fecundo
são as mãos do professor!
Myrthes Masiero – São José dos Campos/SP

Quem ampara a ecologia,
que abastece a nossa mesa,
enaltece o que Deus cria
e respeita a natureza!
Nei Garcez – Curitiba/PR

Vejo belas mãos erguendo,
Para o alto, o meu Brasil,
São jovens enaltecendo
Esta terra cor de anil.
 Olga Maria Dias Ferreira – Pelotas/ RS

Simbolizam essas mãos
que buscam erguer a Terra
um movimento de irmãos
pela paz e contra a guerra.
Olympio Coutinho – Belo Horizonte/MG

Não me faça mais perguntas,
erro assim, não mais cometa…
Talvez, só nossas mãos juntas
possam salvar o planeta!
Prof. Garcia – Caicó/RN

Movidas pela utopia
da União, que o gesto encerra,
nossas mãos, em sintonia,
erguem o planeta Terra!
Renato Alves – Rio de Janeiro/RJ

“Vamos todos nos unir! “
é um lema de cristãos,
devendo a paz garantir:
ela está em nossas mãos.
Ruth Farah Nacif Lutterback – Cantagalo/RJ

Para que tenhamos Paz
em seu sentido profundo,
devem ser firmes, leais
as mãos que tecem o Mundo !…
Sônia Ditzel Martelo – Ponta Grossa/PR

Tudo o que ferir a Terra
ferirá também a ti.
Pois o que acerta e o que erra
relacionam-se entre si.
Sonia Lodi Ferle – Santos/SP

Salvem, meninos, a Terra
se não nossa Casa tomba,
que enquanto evita-se a guerra
O Cristo segura a Bomba.
Thalma Tavares – São Simão/SP

Bela legenda a se olhar,
que nos dá… esperança irmãos:
Ver os jovens a amparar
o mundo nas suas mãos.
Vanda Alves da Silva – Curitiba/PR

Antes que nossa atitude
maiores males cometa,
Deus convoca a juventude:
– Protejam esse planeta!
Vanda Fagundes Queiroz – Curitiba/PR

Se da bola tirar paz
num golpe de fantasia,
tanta mão será capaz
de nos dar mais alegria.
Victor Batista – Barreiro/Portugal

O homem de bem ampara
a Terra – mundo bonito –
sabendo que é joia rara
entre as joias do Infinito!
Wagner Marques Lopes – Pedro Leopoldo/MG

Mulheres, que o amor fecundo
faz sublimar seu pendor,
são “mãos que embalam o mundo,”
independentes de cor.
Wandira Fagundes Queiroz – Curitiba/PR

Fonte:
http://poesiaemtrovas.blogspot.com

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Ialmar Pio Schneider (Caderno de Trovas)


Acabou-se da memória
o desejo de te amar,
mas ninguém me rouba a glória
de em meus versos te cantar!…
* * *
A desculpa não aceites
de que o relógio parou,
pois na cabeça os enfeites
foi ela que te botou.
* * *
Alta noite, escrevo versos,
sentindo a falta de alguém;
quem me dera que dispersos,
ela os ouvisse também…
* * *
Amiga de muitos anos,
companheira de verdade,
enfrentando os desenganos,
ela se chama: saudade.
* * *
Amor platônico, medo
de não ser correspondido;
quando alguém ama em segredo,
depois fica arrependido…
* * *
Andei por árduo caminho
no qual não quero andar mais;
e voltei para o meu ninho
como voltam os pardais…
* * *
Anoitece lentamente
quando medito sozinho
e me quedo descontente
distante do teu carinho.
* * *
A noite desceu aos poucos
e no céu surgiu a lua
para os boêmios e loucos
que vagam a esmo na rua.
* * *
Ao tentar criar poemas
para contar minha história,
me deparei com dilemas
na fase contraditória…
* * *
Aquela que um dia fez
meu coração palpitar,
hoje não saiba, talvez,
desta saudade sem par.
* * *
Às vezes me contradigo
sem querer, naturalmente,
pois corro sempre o perigo
de te amar inutilmente.
* * *
A trova que canto agora
tem sabor de nostalgia,
por alguém que foi embora
quando mais bem a queria.
* * *
Busco na trova a harmonia
para equilibrar a vida;
é o resumo da poesia
em quatro linhas contida.
* * *
Cada paixão que me invade
surge do amor que não tive;
e representa a saudade
de quem neste mundo vive.
* * *
Chega em casa quando quer,
mas o dia já raiou,
e vai dizendo à mulher:
– O meu relógio parou!
* * *
Como tarda anoitecer
nestes dias de verão,
quanto é difícil viver
mergulhado em solidão.
* * *
Contigo no pensamento,
eu vou compondo esta trova,
porque neste sentimento
minha paixão se renova.
* * *
Coração aventureiro,
vive sonhando um amor,
que pode ser verdadeiro,
infeliz ou enganador.
* * *
Cresce a planta no jardim
por força da natureza;
e cresce dentro de mim
o amor à tua beleza.
* * *
Desejo fazer somente
o que deveras me apraz,
levando os sonhos em frente,
deixando as mágoas pra trás.
* * *
De manhã cedo levanto
e ao Senhor dos Céus imploro,
que me ajude quando canto
e me console se choro.
* * *
Desejo que o nosso amor
nunca seja de mentira;
por isto sou trovador
romântico, ao som da lira.
* * *
De tudo que amo e venero,
vem em primeiro lugar,
teu beijo doce e sincero
que me faz revigorar.
* * *
Devo te dizer cantando
para que escutes sorrindo
e assim vás acreditando
que eu não esteja fingindo…
* * *
Dos versos soltos que faço,
um deles tem mais calor;
porque lembra teu abraço
e nossos beijos de amor..
* * *
Duas coisas levo medo,…
faço pouco e até duvido:
mulher que guarde segredo,
livro ao dono devolvido!
* * *
Eis que chega a primavera,
trazendo-me novo alento,
vivo o “suspense” da espera
de te encontrar num momento…
* * *
Escrevo trovas sentidas
num desabafo de dor:
são as ilusões perdidas
de certo frustrado amor.
* * *
Esse amor que tu me deste
foi efêmero, fugaz…
Por isto a tristeza investe,
arrebatando-me a paz.
* * *
Este amor que não resiste
às tentações deste mundo,
se não fosse assim tão triste,
pudera ser mais profundo.
* * *
Estivemos frente a frente,
mas nenhum de nós sorriu;
parecias diferente
que me deixaste arredio.
* * *
És uma estrela tão alta,
brilhando no firmamento,
que a minha canção exalta
no calor do sentimento.
* * *
É tão tarde… a madrugada
daqui a pouco vai raiar;
e pensando em minha amada
quero dormir e sonhar…
* * *
Eu agora não me espanto
e nem me causa pavor,
o terrível desencanto
que sofri por teu amor.
* * *
Eu caminho lentamente
pelas areias do mar,
debaixo do sol ardente
que descamba devagar…
* * *
Eu fui ficando distante
e vivendo da saudade,
pois desejo, doravante,
somente a sinceridade…
* * *
Eu fui te ver certo dia
e apenas me confundiste;
ia cheio de alegria
e voltei magoado e triste.
* * *
Eu fui vivendo meus dias,
procurando te olvidar,
e quantas horas vazias
se arrastavam devagar…
* * *
Eu já vou me convencendo
que nada sei pra ensinar;
amei tanto e não compreendo
o que significa amar.
* * *
Eu levo a vida cantando
minhas trovas e canções;
só assim vou afastando
mágoas e desilusões.
* * *
Eu não sou navegador,
mas enfrento o mar da vida,
por causa do nosso amor
que não teve despedida.
* * *
Eu te esperei tantos anos,
até não conseguir mais
aguentar os desenganos
que o teu desprezo me traz.
* * *
Eu te quis com tanto afã,
não pude te conquistar;
pela tentativa vã,
peço perdão por te amar…
* * *
Faço de conta que penso
e me concentro demais;
todavia me convenço
que não me encontro jamais…
* * *
Faço versos para alguém
que surgiu em minha vida
e agora com seu desdém
me deixou a alma ferida.
* * *
Faze da trova teu lema
com grande satisfação
e terás em cada tema
um motivo de emoção.
* * *
Fiquei contente ao saber
que realizaste teu sonho,
pois fazes por merecer
um futuro assaz risonho.
* * *
Fora bom que tu partisses
para nunca mais voltar;
assim talvez conseguisses
que eu pudesse te olvidar…
* * *
Foste a morena brejeira
que surgiu em meu amor
como o botão da roseira
que agora não dá mais flor.
* * *
Fui feliz antigamente,
quando era um pobre menino;
e só vivia o presente,
sem me importar com o destino.
* * *
Hoje não tenho alegria
por sentir esta saudade
que nasce de quem fazia
a minha felicidade.
* * *
Iremos os dois sozinhos
em meio da multidão,
por diferentes caminhos
que jamais se encontrarão.
* * *
Já não canto por desgosto
e nem por felicidade,
mas, à tardinha, ao sol-posto,
eu me quedo na saudade…
* * *
Mesmo depois de velhinho,
se Deus me der esta graça,
quero sentir o carinho
do amor total que não passa…
* * *
Meu amor foi o mais louco,
pois nasceu de uma esperança,
que não vingou nem um pouco
e transformou-se em lembrança.
* * *
Meu amor simples em tudo
não te convenceu bastante,
porque permaneço mudo
ao te ver tão deslumbrante.
* * *
Meu coração se consterna
olhando a noite estrelada;
no mundo quem me governa
são as carícias da amada.
* * *
Meu coração se enternece
quando vejo os passarinhos,
no instante que a noite desce,
retornarem aos seus ninhos.
* * *
Meu coração treme ainda
ao lembrar-te com saudade,
porque por seres tão linda
eras a felicidade!
* * *
Minhas mágoas já são tantas
que não posso descrevê-las;
é como se pelas tantas
fosse contar as estrelas…
* * *
Nada te digo nem quero
que alguma coisa me digas;
se às vezes me desespero
eu me desfaço em cantigas…
* * *
Não estás junto comigo
nestes momentos adversos;
no entanto, pra meu castigo,
vives inteira em meus versos!
* * *
Não façamos desta vida
um motivo de revolta;
nesta estrada sem saída
é tão difícil a volta.
* * *
Não foram horas perdidas
as que passei junto a ti;
são lembranças bem vividas
que nunca mais esqueci…
* * *
Não há mentira mais louca
da que sai do coração,
pois a que nasce da boca
quase sempre é pretensão.
* * *
Não há poder que consiga
me demover da vontade,
de tê-la só como amiga
quando me assalta a saudade.
* * *
Não me iludem teus olhares
e nem tampouco teus risos:
são expansões singulares
ou desejos indecisos ?!
* * *
Não te desprezo, nem quero
o teu desprezo, igualmente;
se o amor não é sincero
procuro esquecer, somente…
* * *
Não vais chorar, certamente,
ao saberes que te quero
e creias, porém, somente
que tudo… tudo é sincero.
* * *
Nesta manhã radiante
de sol claro e resplendente,
por seres tão inconstante,
me deixas tão descontente…
* * *
Nosso amor já teve fim,
pois não esteve ao alcance
o que você quis de mim
pra ter sucesso o romance.
* * *
O amor à primeira vista
visitou meu coração,
mas no instante da conquista
vi que tudo foi em vão.
* * *
O amor de quem não desiste,
seja forte, seja brando,
há de permanecer triste
que nem flor que vai murchando.
* * *
O amor platônico vive
em minhas trovas também;
foi um que uma vez eu tive
e não me fez muito bem.
* * *
O amor tem prazer e pranto,
também mágoas e carinhos;
pois assim sendo, portanto,
não há rosas sem espinhos!
* * *
O calor convida ao mar
aonde o meu desejo vai,
preciso te procurar
quando a tarde aos poucos cai.
* * *
O que me causa tristeza
não é saber que não me amas,
é tão-somente a certeza
que sofres e não reclamas !
* * *
O tempo que tudo apaga
só deixa recordação,
que nem uma viva chaga
sangrando no coração.
* * *
Para esquecer-te procuro
me envolver na multidão,
mas não me sinto seguro
e retorno à solidão.
* * *
Para sofrer tanto assim
fora melhor não revê-la;
está tão longe de mim
como se fosse uma estrela.
* * *
Para te amar me concentro,
esperando chegar a hora;
pois quem não ama por dentro,
não adianta amar por fora.
* * *
Para tê-la novamente
andei por muitos caminhos
e retornei descontente
sem conseguir seus carinhos…
* * *
Para viver com carinho
procurei amar alguém;
hoje sinto que sozinho
eu vivia muito bem.
* * *
Pelo amor sempre sonhado
e nunca correspondido,
vou cantar um verso alado
pra que chegue ao teu ouvido.
* * *
Pelos caminhos da vida
fui deixando para trás,
como em cada despedida
um sonho que se desfaz.
* * *
Penso em ti quando a saudade
me visita de surpresa
e na minha soledade
recordo a tua beleza.
* * *
Perambulando sozinho
pelas ruas da cidade,
procuro achar o caminho
que leva à felicidade.
* * *
Perdido em divagações
sento à beira do caminho,
como se as recordações
não me deixassem sozinho.
* * *
Perto de ti me convenço
que nada posso fazer,
sem empregar o bom senso
para afinal te esquecer.
* * *
Por mais que tente esquecê-la,
não consigo meu intento,
sempre será qual estrela,
brilhando no firmamento.
* * *
Posso perder-te… que importa
se não queres me aceitar…
Há muito tempo está morta
a vontade de te amar.
* * *
Proclamas que és minha amiga…
ou foges da realidade ?!
Não te importas que eu te diga
desejar mais que amizade ?!
* * *
Quando te vejo sorrindo,
não consigo disfarçar,
este desespero infindo
de não poder te beijar.
* * *
Quantos amores têm fim
por falta de persistência,
não concretizando assim
a base da convivência.
* * *
Quem há de saber do enredo
de um romance fracassado,
se tudo fica em segredo
e nenhum quer ser culpado?!
* * *
Quem quiser ser trovador,
seja primeiro aprendiz,
mesmo em matéria de amor
se aprende pra ser feliz.
* * *
Roubei-lhe um beijo, ao passar
ao meu lado, sorridente;
e lembrando seu olhar,
de noite, dormi contente…
* * *
Saudade!… palavra viva
do que ficou no passado;
és o bem que nos cativa
para sempre ser lembrado!
* * *
Se amar causa sofrimento;
é preciso suportar…
pois não há pior tormento
do que sofrer sem amar…
* * *
Se amei e fui preterido,
pouco me importa até quando,
pois não me dou por vencido
e continuo te amando.
* * *
Se eu não sentisse saudade
daquela que tanto quis,
talvez a felicidade
não me fizesse infeliz.
* * *
Segue teu rumo que eu sigo
o meu destino também,
se não pude andar contigo
vou procurar outro alguém…
* * *
Segura o pouco que tens
e amanhã podes ter mais,
porque de todos teus bens
preponderam ideais.
* * *
Se leres os versos soltos
neste livro de lamentos,
que não te assaltem revoltos,
infelizes sentimentos…
* * *
Sempre existe na existência
pra nos fazer infeliz,
um amor sem convivência
que a gente esperou e quis.
* * *
Sendo um simples aprendiz
de saber da trova o enredo,
sinto que não sou feliz
e me condeno em segredo.
* * *
Se o amor não tem futuro
e vive só da esperança,
é qual um tiro no escuro
e sem querer você “dança”.
* * *
Se pudesses compreender
a paixão que me enlouquece,
nunca mais o teu viver
uma só mágoa tivesse…
* * *
Se tens amor e resistes
às ligações perigosas,
teus dias não serão tristes
e viverás entre rosas…
* * *
Se tens amor não escondas,
muito sofri por contê-los;
ele surge como as ondas
e foge ao não ter desvelo…
* * *
Se tens amor não o escondas,
proclame-o para quem é;
as paixões são como as ondas
que aproveitam a maré.
* * *
Se te querer foi loucura,
eu serei um triste louco,
por te dar tanta fartura
e ter em troca tão pouco.
* * *
Sócrates assim dizia:
“Eu só sei que nada sei.”
E com tal filosofia
eu também responderei.
* * *
Sofro por ti, me atormento
a cada instante que passa;
e neste martírio lento
vou vivendo na desgraça…
* * *
Tenta fazer do teu verso
uma lição de ternura;
então terás do Universo
a mais sublime ventura…
* * *
Trovas de amor e saudade
trazem mil temas diversos,
mas predomina a amizade
nascendo de tantos versos…
* * *
Tudo não passou de um sonho
tão rápido e fugidio;
um pensamento enfadonho
que de nada me serviu.
* * *
Tu me procuras sorrindo
e te recebo contente,
como se fosse surgindo
um novo amor de repente!
* * *
Tu mereces muito mais
daquilo que posso dar-te,
mas um dia entenderás
que te dei toda minha arte.
* * *
Tudo tem o seu começo
e um fim também há de ter,
mas das dores que conheço
a pior é não te ver…
* * *
Vai-se um amor… outro vem…
e assim se passam os dias.
Os nossos sonhos também
são de mágoas e alegrias.
* * *
Vida de amor e saudade,
que junto com nossos sonhos,
também traz a realidade
e momentos enfadonhos.
* * *
Vive de amor, se te apraz,
e nunca percas a calma;
porque a verdadeira paz
só se encontra dentro da alma.

Fonte:
O Autor

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José Feldman (Aquarela de Trovas n. 4)

Xô inverno… vá-se o frio…
      volte depressa o calor…
que as rosas já estão no cio,
à espera do beija-flor!
A. A. DE ASSIS – Maringá/PR

Repare que nossa alma
rende-se sempre bem mais
por um olhar que se espalma
que por ouvir tristes ais.
AMILTON MONTEIRO – São José dos Campos/SP

Quero de novo aprender
para depois ensinar
como se deve viver
conjugando o verbo amar.
ANTÔNIO MANOEL ABREU SARDENBERG – São Fidélis/RJ

Nem futuro nem presente,
só mesmo o passado impera,
pois não mais que de repente
o que seria já era.
ANTÔNIO ROBERTO – Campos/RJ

A minha roça eu troquei
pelas luzes da cidade.
Nesse dia eu comecei
meu plantio de saudade!
ARLINDO TADEU HAGEN – Juiz de Fora/MG

O amor ficou no passado…
– Hoje eu sei por que ficou:
o nosso encontro marcado,
o destino desmarcou!
CLENIR NEVES RIBEIRO – Nova Friburgo/RJ

Desprezei tua amizade,
queria mais, muito mais!…
Hoje sou nau da saudade,
apodrecendo no cais.
CONCEIÇÃO DE ASSIS – Pouso Alegre/MG

Olhei a foto atrevida
de uma cena de nós dois:
Era o retrato da vida,
tão diferente depois!
DELCY CANALLES – Porto Alegre/RS

Se “Mãe” não tem com que rime,
não desistas, trovador…
Troca a palavra sublime
pelo sinônimo “Amor”!
DOROTHY JANSSON MORETTI – Sorocaba/SP

Amanhece… e eu me agasalho
na mais fria solidão,
porque o sol enxuga o orvalho,
mas minhas lágrimas… não!
EDMAR JAPIASSÚ MAIA – Rio de Janeiro/RJ

Orgulho bobo… vaidade…
caprichos do amor sobejo…
Eu, morrendo de saudade,
fingir que nem te desejo!
ELISABETH SOUZA CRUZ – Nova Friburgo/RJ

Lembrando o que tu dizias
do amor que tinhas por mim,
eu vi, enquanto partias,
quanto o infinito… tem fim!
ERCY MARQUES DE FARIA – Bauru/SP

Meia luz…noite…a vidraça…
a cama… o beijo… e depois…
um brinde… o champanhe… a taça…
o amor… o sonho… nós dois.
FLÁVIO ROBERTO STEFANI – Porto Alegre/RS

O progresso traz mudanças,
cria fábricas e usinas,
mas se esquece das crianças
que dormem pelas esquinas!
GERSON CÉSAR SOUZA – São Mateus do Sul/PR

Meus lábios apaixonados
bebem o orvalho dos teus,
desses teus lábios molhados,
que sonham com os lábios meus!
GISLAINE CANALES – Porto Alegre/RS

Qual um pastor diligente
cuidando do seu rebanho,
pastoreio no presente
minhas saudades de antanho.
GUTEMBERG ANDRADE – Fortaleza/CE

Se no passado ou futuro,
de um homem, tristeza houver,
pode crer que essa tristeza
tem por essência a mulher.
HÉRON PATRÍCIO – São Paulo/SP

Saio da luta ferida;
logo depois me refaço…
Volto na dança da vida
com mais certeza em meu passo!
IVONE T. PRADO – Belo Horizonte/MG

Há dois mil anos o brilho
de um grande amor sobressai:
– o sacrifício de Um Filho
pelos filhos de Seu Pai!!!
IZO GOLDMAN – São Paulo/SP

Floresta amiga, perdoa
o fogo, a serra, a agressão:
a humanidade ainda é boa,
certos homens é que não!
JOÃO FREIRE FILHO – Rio de Janeiro/RJ

As tuas rosas vermelhas
levei-as ao meu jardim.
Nunca vi tantas abelhas
voando em torno de mim!
JUDAS ISGOROGOTA – Lagoa da Canoa/AL

O sonho que idealizo
tem, na sua intensidade,
o tamanho do sorriso
de quem mata uma saudade.
JOSÉ MESSIAS BRAZ – Juiz de Fora/MG

Se a vida pede uma pausa,
       faça isso, por favor,
ou por amor a uma causa,
ou por causa de um amor!
  JOSÉ OUVERNEY – Pindamonhangaba/SP

Quem a família coordena
e a sua casa não trai,
quem não tem alma pequena
é um bom modelo de pai.
   LÓLA PRATA – Bragança Paulista/SP

O meu amor desmedido,
 sem ter cais para ancorar,
parece um barco perdido…
longe da praia… a vagar…
  MARIA LUA – Nova Friburgo/RJ

Com dois cálices de vinho,
na ilusão de “alguém” comigo,
bebo os dois, mas um restinho
finjo que é seu… e prossigo!
MARIA LÚCIA DALOCE CASTANHO – Bandeirantes/PR

A distância, achando meios
para unir nossas metades,
somou nossos devaneios
e dividiu as saudades!…
MARIA NASCIMENTO – Rio  de Janeiro/RJ

No grande páreo da vida,
o amor luta contra o ódio.
Não permita que a corrida
finde sem o amor no pódio.
MIGUEL RUSSOWSKY – Joaçaba/SC

Naquele seco torrão
de terra o pobre coitado
só colheu desilusão;
mesmo não tendo plantado!
NEMÉSIO PRATA CRISÓSTOMO – Fortaleza/CE

Guarda no olhar a doçura
com que me embalou um dia.
Mãe lembra sempre a figura
e a ternura de Maria.
NILCI GUIMARÃES – Rio de Janeiro/RJ

 Planta um beijo em meu jardim,
meu amor, quando te fores,
que ao ver teu beijo florir
murcharão as outras flores!
PEDRO EMÍLIO – São Fidélis/RJ

Amor de perdas e danos,
triste contabilidade:
resgate dos desenganos,
sobras de caixa-saudade!
SELMA PATTI SPINELLI – São Paulo/SP

No mar da vida, meu barco,
mesmo ao sabor da maré,
tem a esperança por marco
e por farol tem a fé!
THEREZA COSTA VAL – Belo Horizonte/MG

Vou dormir porque preciso
com você, mamãe, sonhar,
e sonolenta analiso:
não vou querer acordar!
VÂNIA ENNES – Curitiba/PR

Amizade é sã vivência
do bom relacionamento,
e se estrutura na essência
do mais belo sentimento.
VIDAL IDONY STOCKLER – Curitiba/PR

Almejo trilhas sem fim,
ornamentadas de rosas!…
Mãe, vais à frente de mim,
cultivando as mais formosas!
WAGNER LOPES – Pedro Leopoldo/MG

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Prof. Garcia (Caderno de Trovas)


A dor que se intensifica
e amedronta os dias meus,
é pensar na dor que fica
depois da palavra adeus!
* * *
A estrela da mocidade,
que em minha infância brilhou;
brilha em meu céu de saudade,
depois que a infância passou!
* * *
A existência é dividida
em dois extremos da idade:
um, alvorada da vida,
outro, arrebol de saudade!
* * *
A insensatez, na verdade,
separou nossos lençóis;
e agora a dor da saudade
dói muito mais entre nós!
* * *
A liberdade do poeta,
está num verso… Num grito…
No equilíbrio se completa,
vencendo o próprio infinito!
* * *
Amores na mocidade!…
Depois, a contrapartida:
cansaço, dor e saudade
na curva extrema da vida!
* * *
A musa chega e me inspira,
num delírio encantador…
Afina as cordas da lira
e enche o meu mundo de amor!
* * *
A natureza resiste,
mas a tristeza do monte,
é enxugar o pranto triste
dos olhos tristes da fonte!
* * *
Antes que a aurora desponte
dando vida à luz do dia,
tenho que cruzar a ponte
nos braços da poesia.
* * *
Aos  ritos do amor se entrega
um casal apaixonado,
que até nos olhos carrega
o silêncio do pecado!
* * *
A poesia se engalana,
mas só se torna completa,
quando se faz soberana
na voz do próprio poeta!
* * *
As cordas desafinadas
e esta voz chegando ao fim!…
São mimos das madrugadas
guardados dentro de mim!
* * *
A solidão me angustia
e à noite aumenta o meu drama,
vendo a cadeira vazia
que a tua ausência reclama!
* * *
Às vezes, me falta estima,
vendo a multidão que passa…
Muita gente se aproxima,
mas pouca gente se abraça!
* * *
A terra inteira secou!…
E, a dor me fez sofrer tanto,
que quando a chuva voltou,
tinha secado o meu pranto!
* * *
A virtude que mais rego,
vive em mim, nunca passou:
é a FÉ que sempre carrego
de ser feliz como sou.
* * *
Beije e abrace uma criança,
como se beija uma flor!
Pois, nesta rosa se alcança
a essência pura do amor!
* * *
Busquei no universo um dia,
uma resposta eficaz;
que transformasse a POESIA
num hino de amor e paz!!!
* * *
Cada tropeço me ensina
que a vida é eterno sonhar.
Na vida nada termina,
muda de forma e lugar.
* * *
Cadeira velha!…Esquecida,
sem dono e sem mais ninguém…
Só a saudade atrevida
reclama a ausência de alguém!
* * *
Cascata, teu pranto triste,
parece que não tem fim!…
Comparo ao pranto que existe
doendo dentro de mim!
* * *
Como quem faz uma prece,
braços erguidos se abrindo,
a borboleta parece
um anjo da paz dormindo!
* * *
Dai-nos ó, Pai, a razão,
desta santa imagem tua…
e que eu reparta o meu pão,
com quem não tem pão na rua!!!
* * *
Desperto e fico tristonho,
é triste o meu despertar,
ver acabado o meu sonho
antes do sonho acabar!
* * *
Deus – pintor da natureza,
usando a tinta mais viva:
pinta o céu, de azul-turquesa
e os mares, de verde-oliva!
* * *
De volta ao lar que eu não via,
desde a minha mocidade…
Enquanto a emoção crescia,
crescia a dor da saudade!
* * *
Distante dos teus afagos,
nesta inquieta nostalgia,
meus olhos formam dois lagos
que me afogam todo dia!
* * *
Do sino, ouvindo a amargura,
da tarde que já morria,
fiz da triste partitura
a mais feliz melodia !
* * *
Em cada beijo roubado,
que roubo de ti, meu bem,
sinto o gosto do pecado
que o beijo roubado tem.
* * *
Em seu vai-e-vem bonito,
a lua em seu caminhar…
Enche de luz o infinito,
de prata, as ondas do mar!
* * *
Enquanto a ciência avança,
fato novo se descobre…
E o fruto do que se alcança
torna a ciência mais nobre
* * *
Esta aliança que um dia,
já guardou nossos segredos;
hoje guarda a nostalgia
das digitais de outros dedos!
* * *
Esta distância tão triste,
entre nós dois, na verdade,
mede a distância que existe
entre o AMOR e a saudade!
* * *
Esta dor que em mim persiste
e não me deixa dormir!…
é “aquela” lembrança triste
do que deixou de existir!
* * *
Este amor que em mim fervilha,
quando estamos sempre a sós…
se for bem feita a partilha,
será eterno entre nós!
* * *
Eu me curvo ante os conselhos
que recebo todo dia,
quando dobro os meus joelhos
aos pés da Virgem Maria!
* * *
Eu vejo ó linda criança,
neste teu sorriso lindo,
a mais feliz esperança
das esperanças dormindo!!!
* * *
Há uma sombra em meu caminho
que me segue…e, mesmo assim…
Nem quer me deixar sozinho
nem diz o que quer de mim!
* * *
Já escalei morros medonhos,
caminhando passo a passo.
Mas nunca pude em meus sonhos
escalar nuvens no espaço!
* * *
Já pronta e de vela içada
tremulando de ansiedade,
vai para o mar a jangada
carregada de saudade!
* * *
Larga a tristeza e acalanta
teus sonhos, por onde fores.
Nada no mundo suplanta
teus lindos sonhos de amores!
* * *
Mãe preta! teu negro seio
deu-me o mais puro sabor;
nele eu bebi sem receio
a eternidade do amor!
* * *
Meu Deus! se a chuva caída,
fecunda o sertão no estio,
o inverno é fonte de vida
do sertanejo bravio!
* * *
Meus sonhos da mocidade,
hoje são meus pesadelos;
lembrados, sinto saudade,
mas é tolice esquecê-los!
* * *
Minha renúncia…quem sabe…
não seja a chave secreta,
de tudo quanto só cabe
na inspiração de um poeta!
* * *
Morre a flor na flor da idade,
padece a planta de dor;
a ausência deixa saudade,
até na morte da flor!
* * *
Morre a tarde!…E ao fim do dia,
na imagem do sol poente,
há tintas de nostalgia
do fim da tarde da gente!
* * *
Na sinfonia das almas
ensaia-se lindo canto;
ouvem-se preces e palmas:
– Padre João Maria é santo!
* * *
Na loucura dos meus versos,
e em quase todos seus traços,
há pedacinhos dispersos
do amor que tive em teus braços.
* * *
Na manjedoura em Belém,
nasce um mistério profundo:
Uma luz vinda do além,
que se fez a luz do mundo!
* * *
Não me faça mais perguntas,
erro assim, não mais cometa…
Talvez, só nossas mãos juntas
possam salvar o planeta!
* * *
Nas asas de um vento brando,
na espuma branca do mar…
as ondas chegam cantando,
trazendo o sal potiguar!
* * *
Na vida que se renova,
no Natal que se aproxima,
eu forro a mesa com trova,
e brindo a noite com rima.
* * *
Nesta longa caminhada
que fazemos sempre a sós…
Nem o silêncio da estrada
quebra o silêncio entre nós!
* * *
Ninguém é pedra polida,
se não mudar de conduta;
pois, a pedreira da vida
é feita de pedra bruta!
* * *
No outono triste da idade,
meu lago de solidão
transborda só de saudade
dos meus dias que se vão!
* * *
Nosso casebre, é de palha
de pau-a-pique a parede.
O amor que aqui se agasalha,
dorme comigo na rede!
* * *
O aborto, triste ferida,
que nos faz tanto sofrer;
como dói matar a vida,
antes da vida nascer!
* * *
Ó cigarra destemida
o seu disfarce me encanta,
por não ter nada na vida
e ser feliz quando canta!
* * *
Ó coqueiro pequenino,
que tanta água nos deu!
Que ironia o teu destino:
por falta d’agua morreu!!!
* * *
O mundo é roda gigante,
girando sempre a girar,
e eu sou passageiro errante
procurando meu lugar!
* * *
O outono da vida ingrata,
chega fazendo atropelos:
Joga tinta cor de prata,
na tinta dos meus cabelos!
* * *
O Seridó se enternece,
reza e clama todo dia,
orando, em forma de prece,
pelo Padre João Maria.
* * *
Pelas manhãs vou buscando
minha esperança perdida…
Há sempre um sonho vagando
nas alvoradas da vida!
* * *
Pesa a cruz do meu fadário,
mas tenho fé em Jesus
que se aumentar meu calvário
não sinto o peso da cruz!
* * *
Porteira velha, o gemido
desta dor que te corrói…
é o teu passado esquecido
que em teu presente inda dói!
* * *
Por teu amor sofri tanto,
foi tão grande o meu desgosto,
que cada gota de pranto
se fez cascata em meu rosto!
* * *
Prazer é sentir os dedos
de nossas mãos artesãs
pintando os lindos segredos
das auroras das manhãs!
* * *
Primavera é foto linda,
de uma infância toda em flor,
parece que nunca finda
a primavera do amor!
* * *
Quando a minha fé se esmera,
penso que tudo se alcança.
Por longa que seja a espera,
não perco nunca a esperança!
* * *
Quando a tarde veste o manto,
torna escura a luz do dia…
Saudade dói outro tanto
do tanto que já doía!
* * *
Quando um jardim perde as flores,
a mão de Deus recupera,
pintando as mais lindas cores
nas flores da primavera!
* * *
Quantas lições primorosas,
num pequeno beija-flor,
que beija todas as rosas
enchendo o mundo de amor!
* * *
Quase seca…E a fonte insiste
em seu lamento de dor!
É o canto ficando triste
e a fonte jorrando amor!
* * *
Rasga o manto que te cobre,
mostra teu riso e esplendor…
Pois, a cortina, mais nobre,
não cobre um riso de amor!
* * *
Revendo entulhos e tacos,
na tapera dos meus sonhos,
chorei por ver tantos cacos
dos meus dias mais risonhos!
* * *
Saudade de amor… lembrança,
que dói mais que qualquer dor!
Nem na velhice descansa,
quem tem saudade de amor!
* * *
Saudade – no fim do dia,
já sei por que me dói tanto:
aumenta a melancolia,
dobra as dores do meu pranto!
* * *
Saudade – seja onde for,
sempre é saudade, meu bem.
Um sentimento de amor
que dói no peito de alguém!
* * *
Sempre sozinha, aos farrapos,
mas de rosário na mão…
A fé tecida entre os trapos,
remendava a solidão!
* * *
Sempre tristonho…No entanto,
se a alegria é um grande bem,
eu tento esconder meu pranto
por trás do riso de alguém!
* * *
Se o tempo me desse tempo,
de fazer mais do que faço,
queimava a sobra do tempo
no calor do teu abraço!
* * *
Se descobre essa verdade
depois da idade vencida:
que a cada passo da idade,
se encurta o passo da vida!
* * *
Se o mar por insensatez,
naufragar o meu batel…
mando o recado outra vez
pelo barco de papel!
* * *
Sinalizando o caminho,
do nauta na escuridão;
o farol velho, sozinho
é fantasma e solidão!
* * *
Sonho repetidamente,
vendo um clone em tristes ais,
chorando porque não sente
o carinho dos pais.
* * *
Sou sertanejo e não nego
crestei meus pés neste chão.
Nestas marcas que carrego ,
carrego o próprio sertão!
* * *
Teu amor que me enternece,
que acaba todo meu pranto,
da sobra faço uma prece,
e ainda sobra outro tanto.
* * *
Toda tarde o passarinho
bate as asas, quando canta.
Quanto mais longe do ninho,
mais afinada a garganta!
* * *
Um beijo em ti, tão criança,
que agora tão longe vai…
Tudo me sai da lembrança,
mas o teu beijo não sai!
* * *
Velho sino, és sentinela,
a repetir sem maldade…
a dor da saudade dela,
na dor de minha saudade!
* * *
Vem das águas cristalinas
e vem da espuma do mar,
o sal das brancas salinas
do meu rincão potiguar!
* * *
Viver por viver somente,
faz teu mundo tão perjuro,
que este teu falso presente,
é o presente do futuro.
* * ** * ** * ** * *
Fontes:
Ademar Macedo (Mensagens Poéticas)
Eliana Jimenez (http://poesiaemtrovas.blogspot.com.br)
Carlos Leite Ribeiro – Portal CEN – http://www.caestamosnos.org/autores/autores_p/Professor_Garcia.htm

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A. A. de Assis (Revista de Trovas “Trovia” – n.168 – dez 2013)

Ao céu eu faço, baixinho,
um pedido, o dia inteiro:
que seja sempre vizinho
do meu o teu travesseiro…
Adalberto Dutra de Rezende

Neste Natal eu vou pôr
minha boca na janela
para você, por favor,
deixar o seu beijo nela…
Antônio Roberto Fernandes

Ele trouxe ao seu rebanho
muito amor e muita luz;
barqueiro de um barco estranho
talhado em forma de cruz!…
Izo Goldman

No Ano Novo passado
tanto juraste, meu bem,
que espero tudo, ao teu lado,
– no Ano Novo que vem!…
Newton Meyer

Contemplo o céu para vê-las
com um respeito profundo,
pois na raiz das estrelas
eu vejo o dono do mundo.
Rodolpho Abbud

Trovador é um timoneiro
no mar da imaginação,
conduzindo seu veleiro
por mil mundos de ilusão…
Walneide Fagundes Guedes

Adeus, querido Irmão e Mestre Rodolpho Abbud. Por meio século você
ajudou a fazer da Trova a mais bela escola literária do mundo.

 


Simplinha, porém cheirosa;
fogosa, apesar de feia,
Xilinha era a mais beijosa
das moças da minha aldeia!
Archimedes de Maria – RJ
 

Preso em flagrante arruaça,
diz num sonoro impropério:
– “Prendam também a cachaça,
que é quem me tira do sério!”
Ma. Madalena Ferreira – RJ

Se a esposa toma injeção,
ciumento, o esposo inseguro,
ao final da aplicação,
confere onde foi o furo…
Maria Nascimento – RJ

Com seu corpo lindo e forte,
a garota de olho azul
só libera a zona norte
e bloqueia a zona sul…
Marilúcia Rezende – SP

Quando, dengosa, tu piscas
os teus olhinhos assim,
não precisas de outras iscas,
esse anzol cuida de mim…
Nélio Bessant – SP

O alfaiate Zé Lucena,
perseguindo um sonho eterno,
vive sempre atrás da sena,
mas, coitado, só faz terno…
Pedro Ornellas – SP

“O vinho seco faz bem”
– recomendou-lhe a vovó…
E ele foi ao armazém
para comprar “vinho em pó”!
Renato Alves – RJ

Garota que, muitas vezes,
com jantares se tapeia
vai, durante nove meses,
“chorar… de barriga cheia!”
Therezinha Brisolla – SP

 

O mundo precisa crer
num Deus que se chama Amor.
Se essa crença não valer,
nada mais terá valor!
A. A. de Assis – PR

Ante a doida correria
de um povo que vai e vem,
nas cidades de hoje em dia
ninguém conhece ninguém.
Agostinho Rodrigues – RJ

Todas as vezes que penso
nos reveses do passado,
apelo para o bom senso
e me sinto energizado.
Alberto Paco – PR

Na tarefa que lhe cabe,
Deus trabalha com você;
mas, por você, já se sabe,
Deus não faz nem diz por quê.
Amilton Maciel – SP

A primavera enternece
e me traz grande ventura.
Qualquer desgosto fenece
ante tanta formosura.
Angela Stefanelli – RJ

Parabéns, presidente Abritta, pelo seu ótimo trabalho na UBT nacional.

Na velha casa vazia,
onde entrei com ansiedade,
só o silêncio respondia
ao chamado da saudade.
Angélica Villela Santos – SP

Xícaras postas na mesa
e o café sobre o fogão…
Só não aguento a incerteza
se você virá ou não.
Antonio Seixas – RJ

Quero viver pra valer
a vida de que disponho.
Vou sorrir, brincar, correr,
e fazer da vida um sonho.
Arlene Lima – PR

Ave feita prisioneira,
meu pássaro coração
tem lutado a vida inteira
contra as grades da razão!
Arlindo Tadeu Hagen – MG

Se em sonhos eu volto à infância,
curto as delícias da idade.
– Deleto o tempo e a distância,
faço um auê na saudade…
Bruno Pedina Torres – RJ

Há na tragédia da fome
este mistério profundo:
é Cristo quem se consome
em cada pobre do mundo.
Clevane Pessoa – MG

Mãos tristes, temendo ausências,
se despedem com revolta…
– Nosso adeus tem reticências
que acenam gritando: – Volta!
Carolina Ramos – SP
 
Rústico curral bovino,
maternidade do Amor.
– No corpo de um Deus-Menino,
nasceu-nos o Salvador.
Cônego Telles – PR

Cuando nace la alborada,
los pájaros agradecen
con cantos en la enramada,
¡o en árboles que florecen!
Cristina Olivera Chávez – EUA

Com o andar cambaleante
fiz a trilha verdadeira;
não sei dar passo gigante,
porém sei chegar inteira.
Dáguima Verônica – MG

A trova, pra defini-la,
precisamos entendê-la,
amá-la, lê-la, senti-la
e, sobretudo, escrevê-la!
Delcy Canalles – RS

Não há palavra nenhuma
tão grande quanto “saudade”
que em sete letras resuma
a dor e a felicidade.
Diamantino Ferreira – RJ

Preenchi a tua vida:
fui musa, amante e modelo.
Mas, hoje, a minha partida
resiste a qualquer apelo.
Dilva de Moraes – RJ

Quisera eu trova compor
sobre a raiz da emoção…
Contar que a raiz do amor
tem por vaso o coração,
Dinair Leite – PR
 
Em minha varanda, a sós,
vendo os ganchos na parede,
eu choro a falta dos nós
que amarravam nossas redes!…
Domitilla B. Beltrame – SP

Sou livre, sem restrição,
mas afinal, para quê?
Mil vezes a escravidão…
mas juntinho de você.
Dorothy Jansson Moretti – SP

Alegre, meiga, estouvada,
em constante movimento,
tão inconsequente e amada,
a brisa é a infância do vento…
Élbea Priscila – SP
 
Vejo no espaço infinito
e em cada constelação
nosso amor nos céus inscrito
como obra da criação.
Eliana Jimenez – SC

Aos meus pais, amor imenso;
ao esposo, passional;
aos meus amigos, intenso;
porém aos filhos, total.
Eliana Palma – PR

Bebo lembranças em tragos,
ao ponto da embriaguez,
para curar os estragos
que a tua ausência me fez!
Elisabeth Souza Cruz – RJ

É meu o teu coração,
embora fujas de mim…
Teus lábios dizem que não,
mas teu olhar diz que sim!…
Ercy Maria Marques – SP

Eu redobrei a procura
e encontrei com tanto gosto
duas fontes de ternura
nas covinhas do teu rosto.
Francisco Garcia – RN

Embora o tempo me marque
com várias rugas na tez,
se um dia voltar ao parque
serei criança outra vez.
Francisco Pessoa – CE

Paz, amor, fraternidade,
eis o lema entre as nações;
porém quanta falsidade
em só três afirmações
Gasparini Filho – SP

Que Deus me dê paciência
para sofrer esta dor
de ver que a inconsciência
mata e diz que é por amor!
Gisela Sinfrónio – Portugal

Uma luz incandescente
emana de forma nova
quando alguém declama e sente
todo o prazer que há na trova.
Gislaine Canales – RS

Uns duros feito rochedos;
outros, plumas que esvoaçam…
Os corações têm segredos
que nem os sábios devassam.
Héron Patrício – SP

Junto à Fontana di Trevi
joga moeda o turista;
faz um pedido e se atreve
a sentir amor à vista!
Hulda Ramos – PR

Não há dor mais dolorida
do que a tristonha aparência
de quem matou pela vida
a sua própria inocência.
J. B. Xavier – SP

Meu Deus, ante o desatino
da descrença e do desdém,
que eu pratique o Teu ensino
de não julgar a ninguém!
Jeanette De Cnop – PR

Não há sorriso que emplaque
na comédia desta vida,
se na ironia da claque
qualquer verdade é escondida.
João B. X. Oliveira – SP
 
Ainda és minha namorada,
teu namorado ainda sou.
Nosso amor não mudou nada
pelo tempo que passou.
João Costa – RJ
 

Se estudar te desconsola,
lembra a verdade esquecida:
depois da vida na escola,
temos a escola da vida!
José Fabiano – MG

Tanta gente em si perdida
entre sombras se escondendo.
Cada dia é outra vida
que em disfarces vai morrendo.
José Feldman – PR

Vou brincar com pirilampos
e beijar as flores nuas
pra ver se encontro nos campos
a paz que fugiu das ruas!
José Lucas de Barros – RN

Oh, minha trova querida,
que com carinho criei.
Não digo “esta é a preferida”,
nem a quem a dediquei.
José Marins – PR

Eu sou pequeno, seu moço,
mas, quando tiro o chapéu,
minha alma estica o pescoço
e enxerga Deus lá no Céu!
José Messias Braz – MG

A esperança é algo suave,
que não apenas conforta,
mas funciona como chave
que faz abrir qualquer porta!
José Ouverney – SP

O girassol não desiste
da busca eterna da luz:
sabe que nada resiste
à perda que isso conduz.
Laérson Quaresma – SP

Foi no tempo da janela
e do namoro à distância
que a vida, muito mais bela,
tinha tão grande importância!
Luiz Carlos Abritta – MG

A cada dia que passa,
muda minha realidade,
meus sonhos viram fumaça,
amores viram saudade.
Luiz Hélio Friedrich – PR

Votos de máximo sucesso para Domitilla na presidência nacional da UBT.

Se caem do céu as águas,
com tanta beleza e encanto,
por que desencanto e mágoas
há nas águas do meu pranto?
Mª Conceição Fagundes – PR

Amizades são pedrinhas
de brilhante verde-mar.
Conquistadas, são rainhas,
neste mundo vão reinar.
Mª Luiza Walendowsky – SC

Quando a dúvida se instala
dentro de um peito infeliz,
não importa o que ela fala,
já se sabe o que ela diz!
Mª Thereza Cavalheiro – SP

É da flor mais delicada,
e fruto do bom trabalho,
o suor que à madrugada
brota em pétalas de orvalho.
Mário Zamataro – PR

Saudade, mágoa sentida,
barco distante do cais;
pedaço da própria vida
que a gente não vive mais …
Marta Paes de Barros – SP

Já chorei demais por ela
sem que tenha merecido…
Hoje as lágrimas são dela
por eu já tê-la esquecido.
Maurício Cavalheiro – SP

Se encontro, ao voltar pra casa,
as tuas mãos carinhosas,
o meu amor já se abrasa,
com teu perfume de rosas.
Maurício Friedrich – PR

Meu caminho é o teu caminho!
Se a morte nos separar,
quem chegar no céu sozinho
chora até o outro chegar.
Mílton de Souza – RS
 
Ficou mais lento o meu passo?
Caminharei, mesmo assim!
Só temeria o cansaço
se me cansasse de mim…
Newton Vieira – MG

Se faltar coragem para sacudir a poeira, ficaremos eternamente
escrevendo as mesmas coisas, do mesmo jeito.

Quem vive a vida por cima,
conversa, versa e, no céu,
nem se preocupa se a rima
é perfeita ou dá troféu.
Nilton Manoel – SP

No começo de um namoro,
quanta promessa se faz…
Mas tudo termina em choro
quando o sonho se desfaz.
Olga Agulhon – PR

Passa o tempo… e, enquanto corre,
a lembrança vai sumindo…
Mas a saudade não morre:
– Apenas fica dormindo.
Pedro Melo – SP

Deixa a lágrima rolar…
Deixa teu pranto fluir…
Quem nunca sabe chorar
não é capaz de sorrir.
Selma Spinelli – SP

As dores e os desencantos
não foram tantos assim…
Tua boca e os teus encantos
calaram bem mais… em mim!
Sérgio Ferreira da Silva – SP

Pinheiro do Paraná,
eu não te esqueço jamais,
algo mais lindo não há
no chão dos Campos Gerais!…
Sônia Ditzel Martelo – PR

Meu coração não se acalma
quando a saudade me vem;
é o soluçar de minha alma
chorando a ausência de alguém.
Sônia Sobreira – RJ

Quem se concentra no estudo
vence o mundo, sem esquema.
Leva consigo um escudo:
– Enfrentar qualquer problema.
Vânia Ennes – PR
 
Poeta, vês a beleza
em tudo o que há por aí,
mas afirmo com certeza
que ela está dentro de ti.
Zenaide Marçal – CE

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FELIZ NATAL – FELIZ 2014

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26º Aniversário Concurso de Trovas Navegando nas Poesias (Resultado Final)

Tema: FIRMEZA

(Por ordem alfabética)

VENCEDORES

Sem cumprir cada grandeza,
seja de peso ou medida,
perdemos toda firmeza
dos passos dados na vida!
ABILIO KAC – Rio de Janeiro/RJ
Deve-se a paz social
não somente à escola e ao pão,
mas à firmeza moral
dos puros de coração.
ANTONIO AUGUSTO DE ASSIS – Maringá/PR

Eu não me rendo ao cansaço
e sigo os caminhos meus,
que a firmeza do meu passo
vem da fé que tenho em Deus.
DÁGUIMA VERÔNICA – Santa Juliana/MG

Na firmeza do caráter,
na seriedade no agir,
repousa a célula máter
de um radioso porvir.
ELIANA RUIZ JIMENEZ – Balneário Comboriu/SC

Não basta apenas sonhar,
a vida requer firmeza
de agir, para transformar
uma esperança em certeza.
VANDA FAGUNDES QUEIROZ – Curitiba/PR
——————————————-

MENÇÕES HONROSAS

Quando estamos com razão,
nós falamos com firmeza,
mas com muita educação,
sem perder a gentileza.
GLEYDE COSTA – Campos/RJ

Jamais adote a incerteza
ante os percalços da vida,
mas enfrente-os com firmeza
e com fé enfrente a lida.
JOÃO COSTA – Saquarema/RJ

Invoque a Jesus clareza
Nos momentos de aflição;
aja sempre com firmeza,
busque a melhor solução.
MARTA CODEÇO – Campos/RJ

Vive em mim a sã firmeza
deste amor incompreensível,
sobrevivendo a incerteza
de ser um dia possível.
MESSODY RAMIRO BENOLIEL/RJ

No mar da vida a incerteza
a todos nós desafia;
mantenha a sua firmeza
navegando na poesia.
OLYMPIO DA C. S. COUTINHO//MG

Firmeza nas atitudes
é a base da honestidade.
Cultivar boas virtudes
traz sempre felicidade.
PALMYRA M. G. DUARTE – Rio de Janeiro/RJ

Fonte:
A. A. de Assis

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José Feldman (Aquarela de Trovas n. 3)

Tem muito mais graça a vida   
quando a gente tem que com quem
repartir bem repartida
a graça que a vida tem!
A. A. DE ASSIS – Maringá/PR

Na gaveta do meu peito
tranquei a dor da saudade,
para ela saber direito…
o que é sofrer de verdade!
ADEMAR MACEDO – Natal/RN

Nessa vida de desordem,
Procuro evitar tropeço…
Ela pensa que dá ordem
E eu finjo que obedeço.
ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG – São Fidélis/RJ

No retrato envelhecido
pelo tempo que se esvai
me vejo mais parecido
com o que foi o meu pai.
ANTÔNIO SEIXAS – Magé/RJ

Tal e qual meu pé de rosa,
que ao ser podado floresce,
esta saudade teimosa,
quanto mais podo, mais cresce!…
CAROLINA RAMOS – Santos/SP

Tem gente que tanto mente,
conta lorota, faz fita,
que, da verdade descrente,
nem em si próprio acredita.
CLEVANE PESSOA – Belo Horizonte/MG

Seu nome ninguém descobre,
E foi onde passei fome…
Rua de menino pobre
Não tem placa, nem tem nome!
COLBERT RANGEL COELHO – Rio de Janeiro/RJ

Promessas! Ah, quem me dera,
um dia, alguma alcançar!…
E, ao final de tanta espera,
ver que valeu esperar!…
CYRLÉA NEVES – Nova Friburgo/RJ

Tinha portas de poesias
e janelas de luar
essa morada que um dia
deixou meu amor entrar.
DELCY CANALLES – Porto Alegre/RS

…E assim, voltando ao passado,
revivi as alegrias.
Transportei-me extasiado…
Velhos tempos, belos dias.
DJALMA MOTA – Caicó/RN

Ora eloquente, ora mudo,
teu olhar é uma charada:
promessa sutil de Tudo,
no fútil revés… do Nada!
DOROTHY JANSSON MORETTI – Sorocaba/SP

Beijo-lhe a foto!…E, na espreita
deste amor que eu idolatro,
minha saudade se ajeita
no retrato três por quatro…
EDMAR JAPIASSÚ MAIA – Rio de Janeiro/RJ

Mulher do tempo moderno,
seja lá você o que for,
Não há nada mais eterno
que o fogo do seu amor
FAHED DAHER – Apucarana/PR

Aquela rede que um dia
foi nosso ninho perfeito
hoje balança vazia
na varanda do meu peito.
FRANCISCO PESSOA – Fortaleza/CE

A trova há de ser, na certa,
o envelope transparente
de pequena carta-aberta
dos sentimentos da gente.
GERALDO LYRA – Recife/PE

Nosso romance de amor
começou bem diferente…
Foi nosso computador
que aproximou mais a gente!
GISLAINE CANALES – Porto Alegre/RS


A uma ofensa que machuca,
por mais que me queime ou doa,
se meu sangue diz – “Retruca!”,
a minha alma diz – “Perdoa!
HÉRON PATRÍCIO – Pouso Alegre/MG

Nosso amor é uma certeza
dentro do meu coração;
e a luz da paixão, acesa,
apaga a luz da razão!
ISTELA MARINA GOTELIPE LIMA – Bandeirantes/PR

Se esta louca nostalgia
não temesse outros fracassos,
eu juro que arriscaria
cair de novo em teus braços!
JOAQUIM CARLOS – Nova Friburgo/RJ

O remédio do Evangelho,
de dois mil anos de idade,
não perdeu, embora velho,
o prazo de validade.
JOSÉ FABIANO – Belo Horizonte/MG

Se tenho o amor que mereço,
se gozo a paz que sonhei,
a vida cobrou-me um preço
e é certo que já paguei.
JOSÉ OUVERNEY – Pindamonhangaba/SP

Do livro da tua vida,
sou página, enfim, virada;
tornei-me cena esquecida,
por tudo, só tive o nada.
LAIRTON TROVÃO DE ANDRADE – Pinhalão/PR

Os pingos da brisa mansa
refrescam a alma sofrida,
num embalo de criança
no tênue berço da vida.
 LUIZ DAMO – Caxias do Sul/RS

Liberto a paixão contida,
seco as lágrimas do pranto…
e canto… à beira da vida
o meu canto ao desencanto…
MARIA LUA – Nova Friburgo/RJ

Não deixe as cartas que eu mando
sem respostas, por favor,
porque é bom, de vez em quando,
reler mentiras de amor!
 MARIA NASCIMENTO – Rio de Janeiro/RJ

Pelas procelas da vida
passei tanto vendaval…
A cada onda vencida
nela afundei o meu mal!
MARIA JOSÉ FRAQUEZA – Portugal

Se te serves de mentiras
 para cresceres em ganho,
é bom que logo confiras
que encurtaste no tamanho!
 MIGUEL RUSSOWSKY – Joaçaba/SC

Quem preserva a água pura
que Deus dá a cada dia,
   ao hoje um bem assegura,
e ao provir beneficia.
NEI GARCEZ – Curitiba/PR

No rodeio do existir,
peço a Deus, a todo instante,
que eu não caia e, se cair,
com mais força me levante.
NEWTON VIEIRA – Curvelo/MG

Carrego pouca bagagem
porque na vida aprendi
que, mesmo longa a viagem,
preciso apenas de ti.
OLGA AGULHON – Maringá/PR

Mãos que imploram, na pobreza;
       mãos que assistem seus irmãos.
      – Quanto amor, quanta beleza,
     há no encontro dessas mãos!
   ORLANDO BRITO – São Luís/MA

Ao mesmo tempo em que mata,
    mata e faz viver também…
Saudade é dor que maltrata,
maltrata fazendo bem!
PEDRO EMÍLIO – São Fidélis/RJ

Trovador que espalha o sonho
que lhe mora n’alma inquieta
confessa ao mundo, risonho,
a bênção de ser poeta.
RENATO ALVES – Rio de Janeiro/RJ

Numa vida sem encantos,
pois de destinos trocados,
eu vivo o drama de tantos
“enfim sós”, mas separados!
RODOLPHO ABBUD – Nova Friburgo/RJ

Saudade, algema de amor,
que ao coração se derrama,
tem sempre o mesmo fulgor
no silêncio de quem ama.
SARAH RODRIGUES – Belém/PA

No amor minha aprendizagem
com tantos erros se fez,
que não tenho mais coragem
de aprender tudo outra vez.
SEBAS SUNDFELD – Tambaú/SP

A mentira é sonho lindo
Neste meu mundo encantado.
Sonhando, minto dormindo,
Mentindo, sonho acordado.
SINVAL EMÍLIO DA CRUZ – Juiz de Fora/MG
 –
Amigos que não convém
São aves de arribação:
– Se faz bom tempo eles vêm…
– Se faz mau tempo eles vão…
SOARES DA CUNHA – Belo Horizonte/MG

Neste meu triste viver,
sem ser de alguém hoje a amada,
eu me sinto o anoitecer
que não vai ter alvorada.
THEREZA COSTA VAL – Belo Horizonte/MG

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Luiz Carlos Abritta (Caderno de Trovas)

As tuas mãos – que brancura
 -que bonito de se ver,
 pois elas têm a ternura
 dos lírios do amanhecer.

Aos jovens dou um conselho,
 nesta vida tão incerta:
 não se olhem tanto no espelho
 pois Narciso é morte certa!

Ao teu prazer eu me entrego
 – seja lá o que quiseres –
 pois te escolhi, eu não nego,
 entre todas as mulheres.

Casaste. Triste eu sofria,
pois vestiste, bem contente,
a camisola macia
que eu te dera de presente!

Com seu amor eu me aqueço
 e sempre me recomponho;
 só por isso eu lhe ofereço
 a vigília do meu sonho.

Desde que tu foste embora,
 tua saudade é açoite
 que já começa na aurora
 e dói mais durante a noite !

Dessa forma Cristo pensa:
“maior será o perdão
quanto maior for a ofensa”.
– Que bela e sábia lição!!

De todo “não” que me deste,
 o que mais triste me fez
 foi aquele que disseste
 disfarçado num “talvez”.

Do meu verso é sempre a fonte
 essa cidade lendária
 chamada Belo Horizonte,
 a Capital centenária!

Do simples pó eu procedo,
 sei que a ele hei de voltar;
 a vida não tem segredo:
 é um eterno retornar.

Em cada nota eu receio,
 na pauta que a vida escreve,
 que transformem nosso enleio
 numa simples semibreve 

É muito estranho, meu bem,
 o relógio do destino:
 vai de manso, vai e vem,
 depois bate em desatino !

Essa vitória alcançada
 nos obriga a meditar:
 sem o povo não há nada,
 que verdade singular!

Eu bem sei que tu me esperas
 e, se te vejo, ao sol-posto,
 projeto um céu de quimeras
 na moldura do teu rosto !

Eu confesso abertamente,
 e disso não me envergonho,
 que tu foste, simplesmente,
 o amplo portal do meu sonho.

Eu sei que o belo e a verdade
 caminham juntos na vida
 e atinjo a felicidade
 se a ternura é dividida.

Eu te amo tanto, mas tanto
que já pus num pedestal
toda a glória desse encanto,
que se tornou imortal.

Eu te digo, com alegria,
e a realidade comprova
que o melhor da poesia
é a beleza de uma trova.

Eu tenho perseverança
 e à tristeza me anteponho:
 garimpeiro da esperança,
 sempre vivi do meu sonho.

Jamais eu temo o fracasso
 pois me deste o teu amor
 e a simples força do abraço
 me transforma em vencedor!

Não me queres…pouco importa.
 Só penso no amanhecer,
 pois ele sempre abre a porta
 à sedução de viver !

Na magia desse sonho,
 nessa noite calma e pura,
 a sonata que componho
 tem as notas da ternura.

Na tessitura do sonho,
 vou cortar, sem mais tardança,
 esse nó górdio que imponho
 a um amor sem esperança.

Navegador solitário,
singrando as águas do mar,
jamais pensa em numerário,
mas conjuga o verbo amar !

Nem o sofista profundo
 esta verdade falseia:
 quem se julga rei do mundo
 é um pequeno grão de areia!

Nenhum amor se constrói
 só com flores e ternura,
 pois aquele que mais dói
 certamente é o que mais dura.

Nesse exílio que me imponho,
 não senti que era miragem
 e dos pedaços de sonho
 eu recompus tua imagem.

Nosso amor já teve história
 e, por isso, eu te proponho
 seja posto na memória
 do relicário do sonho.

Novo estatuto vigora
 nas leis do amor hoje em dia:
 sei que vale mais o agora
 do que a mais bela utopia!

Numa alquimia de nume,
 à tristeza me anteponho,
 transformando teu perfume
 no perfume do meu sonho!

O açougueiro viu passando
 a mulher que é só pele e osso
 e disse, a faca afiando:
 “Isso é carne de pescoço”.

Olhando o tempo passar,
no relógio da memória,
eu senti coisa invulgar,
pois revivi nossa história!

O que conta nessa vida
não é tempo nem idade,
mas a procura renhida
da deusa felicidade.

Passa o tempo num instante
e dele jamais se esquece,
pois fica sempre o importante:
o velho amor permanece.

Quando o cãozinho e o menino
se abraçam por um segundo,
solto o canto peregrino:
– Há salvação para o mundo!

Quis esquecer-te…não pude:
 a saudade é traiçoeira
 e ela sempre nos ilude,
 pois nos prende a vida inteira !

Quis retratar um romance
 que fosse mesmo um primor,
 e fiz, com tinta e nuance,
 uma aquarela de amor.

Sempre foste minha amada
e, no doce cativeiro,
sem algema e sem mais nada,
tu me prendes por inteiro.

Se navegar é preciso
e viver nem tanto assim,
vou partir com teu sorriso,
em busca do mar sem fim!

Se todos temos defeitos,
 se o mistério vem de Deus,
 se nem os bons são perfeitos,
 o que dizer dos ateus?

Somos poeira que a vida
 sempre leva de roldão;
 em sua sanha atrevida,
 ela não vê coração

Só se louva a juventude,
porém jamais alguém disse
que só se atinge a virtude
quando se alcança a velhice

Todos querem sufocar,
 com disfarces atrevidos,
 e sordidez invulgar,
 o grito dos excluídos .

Tudo ele faz com amor
e traz o céu na bagagem;
na verdade, o trovador
de Deus na Terra é a imagem

Tu partiste… e essa magia
 que deixaste no meu peito
 vai fazer que certo dia
 tu voltes de qualquer jeito.

Vejo o mar em ondas mansas
– foto de rara beleza –
e, reforçando as lembranças,
um céu chamado Veneza !

“Veredas, grandes sertões”…
 a nossa vida é uma estrada
 toda cheia de senões,
 do início ao fim da jornada.

Vou definir a saudade
e não sei se estarei certo:
saudade é aquela vontade
de que o longe fique perto.

Fontes Principais:
http://www.ubtnacional.com.br/
http://singrandohorizontes.blogspot.com.br/
Boletins da UBT – Nacional
Boletins de vários Concursos.

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Rodolpho Abbud (1926 – 2013)

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Rodolpho Abbud (1926 – 2013)

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26 de novembro de 2013 · 19:28

José Feldman (Aquarela de Trovas n. 2)

O grande tenor se cala
ante o pássaro silvestre.
– É o discípulo de gala
querendo escutar o mestre!
A. A. DE ASSIS – PR

Numa oração plena e calma,
peço a Deus que acenda a luz
do túnel que há em minha alma
para eu poder ver Jesus!
ADEMAR MACEDO-RN
 
Quer saber o que é amar?
Não fique buscando a esmo;
amar é como tirar
boas férias de si mesmo!
AMILTON MACIEL MONTEIRO – SP
 

Semeia sonhos, resiste,
planta amor pelos caminhos,
que a travessia mais triste
é a que fazemos sozinhos.
ANTONIO JURACI SIQUEIRA – PA
 

Vou remando de partida
num mar imenso de paz…
mas as ruínas da vida
vão nadando, logo atrás!…
ARI DE CAMPOS- SC

Eu quase posso notar,
nos momentos de descanso,
a saudade cochilar
na cadeira de balanço!…
ARLINDO TADEU HAGEN – MG

Quero que cantes comigo
no jardim da primavera
teu coração como abrigo –
mil beijos de mim espera.
ARMANDO SOUSA – Canadá
 
Numa trova é pouco o espaço,
e os sons, a ordenar a mão.
Nos versos que eu sempre faço,
quem escreve é o coração.
CÁRITAS SOUZZA- CE
 

O café que aquece as almas
e adoça nossas lembranças
merece todas as palmas:
companheiro de esperanças.
CARMEM PIO – RS

Imitando o meu lamento
por que não me preza mais,
ouço a voz triste do vento
na plataforma do cais…
CLÁUDIO DERLI SILVEIRA – RS
 
Por te amar a vida inteira
e assumir esta postura,
o meu amor é fronteira
Entre a razão e a loucura.
CLÊNIO BORGES – ES

Sei quando vais demorar…
Mesmo assim, tudo ofereço:
quem espera para amar
paga ao tempo qualquer preço!
CLENIR NEVES RIBEIRO – RJ
 
O ano finda, já em outubro
nada aconteceu na vida
onde não estás , descubro
que sem ti, fico perdida…
CLEVANE PESSOA LOPES – MG

Soltei o teu nome ao vento…
e o vento, só por maldade,
repete a todo momento
o nome desta saudade.
CONCEIÇÃO ABRITTA – MG

Da singeleza eu me ufano,
da minha rua escondida,
que tem mais calor humano
que a mais central avenida.
CONCEIÇÃO DE ASSIS – MG

Depois de longa ciranda,
por todo o céu a vagar,
é aqui. na minha varanda,
que a lua vem madrugar.
DARLY O. BARROS – SP

Inverno é um estado de alma,
um não sei quê diferente,
que nos rouba a paz e a calma,
quando, em nós, se faz presente!
DELCY CANALLES – RS

Poetas mantêm acesa
a chama do amor fecundo,
minimizando a tristeza
e as dores cruéis do mundo.
DJALMA ALVES DA MOTA – RN

Vou vivendo a minha vida,
bem feliz no meu mister;
sigo de cabeça erguida,
pois sou poeta e mulher!
DOMITILLA BORGES BELTRAME – SP

Nosso amor floriu na infância,
criou raiz e depois,
foi encurtando a distância,
fazendo um só de nós dois.
DORALICE GOMES DA ROSA – RS

Meus pobres sonhos, tão fracos,
a vida em escombros fez,
mas, teimosa, eu junto os cacos,
e eis-me a sonhar outra vez!
DOROTHY JANSSON MORETTI – SP
 
Nos seus encontros ousados
junto da velha porteira,
esperava os namorados:
hoje ela espera a parteira!
EDMAR JAPIASSÚ MAIA – RJ

Nas curvas do desalento,
quando a paixão me convida,
eu largo a velhice ao vento
e bebo o sopro da vida!
EDUARDO A. O. TOLEDO – MG

Sejamos leais amigos
com esta obra de Deus,
conservando sem castigos
os teus direitos e os meus
FAHED DAHER – PR
 
O nosso sonho termina
num adeus triste, exaltado,
deixando no chão da esquina
o teu retrato rasgado!
FERNANDO CÂNCIO – CE

Na dureza dos escombros,
quando as dores se equivalem,
amizade é mão nos ombros
embora os ombros não falem.
FLAVIO STEFANI – RS

Olhando o mar, eu diviso
a areia branca a esperar
um beijo feito sorriso,
que as mansas ondas vêm dar!
GISLAINE CANALES – RS

Na vida, faço e desfaço
duras laçadas sem medo,
porque no ajuste do laço
é Deus quem me empresta o dedo!
HELOÍSA ZANCONATO – MG
 
Trovador, longe da infância,
contando as horas da idade,
rima tempo com distância
e distância com saudade.
HÉRON PATRÍCIO – MG
 

A noite, de ar seco, anidro,
por não ver no céu a lua,
põe-se a acender sóis de vidro
nos postes da minha rua!
HUMBERTO POETA – SP

Trovas de amor e saudade
trazem mil temas diversos,
mas predomina a amizade
nascendo de tantos versos…
IALMAR PIO SCHNEIDER – RS
 
A escolha que fiz um dia
é prece que se renova,
quando faço da alegria
matéria-prima da trova.
IEDA LIMA – RN
 

Queria dar-te um abraço
e só não foi desta vez…
por culpa deste embaraço
que me causa timidez!
ISTELA MARINA GOTELIPE – PR
 

Carteiro, ao fazer a entrega
das cartas, de porta em porta,
o pranto e o riso carrega
nos segredos que transporta.
JACY PACHECO – RJ

Após muitos desenganos
e conselhos não ouvidos,
chego ao final dos meus anos
sem ter meus dias vividos…
JESSÉ NASCIMENTO – RJ

Aquele que não respeita
o tempo, na semeadura,
certamente na colheita
não terá fruta madura.
JOÃO BATISTA XAVIER OLIVEIRA – SP
 
Quando no céu surge a Lua,
cheia de si, me arrebata,
lavando as trevas da rua
com sua chuva de prata!…
JOAQUIM CARLOS – RJ

Se julgas coisa bonita
andar na frente, eu destaco:
quem vai atrás sempre evita
cair no mesmo buraco!
JOSÉ FABIANO – MG
 
Quando me entrego ao passado,
no meu devaneio infindo,
sonho, bom tempo, acordado,
pensando que estou dormindo.
JOSE LUCAS – RN

Terá o amor senda fácil?
Difícil é seu cultivo;
tal e qual um jardim grácil,
pede um jardineiro ativo.
JOSÉ MARINS – PR

Quem vem lá? Pelo alarido
ela sabe, rapidinho:
se o cão latir, é o marido;
se fizer festa… é o vizinho!
JOSÉ OUVERNEY – SP
 
Anseio, na noite calma,
seu retorno, sem tardança;
pois, se a sedução tem alma,
ela se chama esperança!
JOSÉ VALDEZ C. MOURA – SP
 

Poderia dizer mais
sobre a solidão mesquinha,
mas, não vou querer jamais;
ela nessa vida minha!
JOSIAS ALCÂNTARA – ES
 

Problema sem solução
é o nosso amor desgastado;
já não vibra o coração,
mas vivemos lado a lado…
LAIS RIOS – RJ

Meu corpo colado ao teu…
dois seres…um sentimento!
Sonho que sobreviveu
apenas em pensamento.
LUIZ ANTONIO CARDOSO – SP

Quem não se importa onde pisa,
na escalada desta vida,
sobe muito mas desliza
e escorrega na descida.
LUIZ HÉLIO FRIEDRICH – PR

Sempre que amanhece o dia,
teu sorriso me acompanha.
Com suavidade e harmonia,
me envolvendo, ele me apanha.
MARAH TERESINHA DE SOUZA – SC
 
O sol é lâmpada acesa,
por Deus pai, como magia…
para pintar a beleza
da vida… dia após dia
MARA MELINNI GARCIA – RN

A escuridão, por mais densa,
também nos traz coisas belas:
sem luz se ama, se pensa,
dá-se mais valor às velas.
MARIA ELIANA PALMA – PR

Vou cumprir a minha sina:
– Não pode ter recaída…
Pois teu sorriso elimina,
As mazelas desta vida!
MARIA LUIZA WALENDOWSKY – SC

Embora o dia me açoite
com seus barulhos brutais,
lá no silêncio da noite…
a solidão bate mais!
MARIA MADALENA FERREIRA – RJ
 
Velho bilhete… lembrança
de um amor que não foi meu…
Um pedido de esperança
que a vida não respondeu…
MARINA BRUNA – SP

Em meus versos, de alma nua,
a ti, eu canto louvores,
São Francisco, Irmão da Lua,
do Sol e dos Trovadores!
MARISA VIEIRA OLIVAES – RS

Quando a distância incomoda,
parece que, por maldade,
insiste em brincar de roda
com a lembrança…com a saudade…
MARLÊ BEATRIZ ARAÚJO – RS
 
A vingança do chulé
não lavado há vinte dias
é deixar meias em pé
mesmo que estejam vazias.
MIGUEL RUSSOWSKY – SC

Os anônimos tropeiros
tiveram dias de glória;
com objetivos certeiros
registraram sua história.
MIFORI – SP

O Dia dos Namorados
dura toda a eternidade
para os mais apaixonados:
quem sabe amar de verdade.
MILTON SOUZA – RS

Amigo eu trago guardado,
sempre com muita afeição,
naquele lugar sagrado
que se chama coração.
NEIVA FERNANDES-RJ
 
O melhor amigo, em tudo,
de atitude sempre pronta,
nos quer bem, e não é mudo:
nossos erros nos aponta.
NEI GARCEZ – PR
 

A despedida foi triste,
mas o tempo é passageiro,
e a distância não existe,
quando o amor é verdadeiro.
NEOLY DE OLIVEIRA VARGAS – RS

Orgulho é a bola de neve
que vai, em diário exercício,
levando o infeliz, de leve,
às bordas de um precipício.
NILTON MANOEL – SP
 
Trabalhando sob o orvalho,
capinava o seu trigal,
enquanto o amigo espantalho
vigiava-lhe o embornal.
OLGA AGULHON – PR

]Eu não lamento a saudade
que a tudo invade, porque
é tão bom sentir saudade,
quando a saudade é você!
OLYMPIO COUTINHO – MG
 
Passei uma tarde inteira
ouvindo discursos, mas…
é melhor ouvir besteira
do que ser surdo, rapaz!…
OSVALDO REIS – PR

De que vale o meu protesto
se manténs, em tuas mãos,
o poder de, a um simples gesto,
cortar o “til” dos meus nãos!
OTÁVIO VENTURELLI – RJ
 
Com marido quarentão,
a velha disse o seguinte:
– Vou trocar meu Capitão
por dois marujos de vinte…
PAULO FRAGA CIRNE – RS

O que me faz tua ausência,
é causar-me pranto e dor.
Mas no amor há tanta essência
que sou escravo do amor!
PROF. GARCIA – RN

Carícia mais eloqüente
que meu coração aprova
é te dar um beijo ardente
nos versos da minha trova!
RENATO ALVES – RJ
 
Sou rio, minha querida,
correndo para o seu mar,
para adoçar sua vida
com pena de me salgar.
ROBERTO PINHEIRO ACRUCHE – RJ
 

Ao que pede, à tua porta,
dá, também, tua afeição!
Um pouco de amor conforta
mais que um pedaço de pão!
RODOLPHO ABBUD – RJ

A amizade Deus criou
naquele exato momento,
quando estrelas semeou
nas trevas do firmamento!
ROZA DE OLIVEIRA – PR

Tentar desfazer as mágoas
que o meu peito guarda e sente
é como querer que as águas
corram da foz… à vertente!
SÉRGIO FERREIRA DA SILVA – SP

Todo amor que, terminado,
deixa saudade na gente
é como um tronco cortado:
pode brotar novamente…
SEVERINO UCHOA – SE

A Trova é tão pequenina
mas quanta beleza encerra;
feliz de quem tem a sina
de espalhá-la pela Terra!…
SÔNIA DITZEL MARTELO – PR
 
À sombra do entardecer,
quando esvai-se a luz do dia,
vem a saudade tecer
teias de sonho em poesia.
SÔNIA SOBREIRA – RJ

O meu coração me intriga
e só me traz confusão:
toda vez que a gente briga,
quero esquecer-te e ele não!
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA – SP
 
Numa riqueza sem fim,
nasce a força da bondade,
como as flores do jardim
na sua simplicidade!
VIDAL IDONY STOCKLER – PR

Vou sorrindo com cuidado,
sondando bem a pessoa,
pois ser feliz é um pecado
que pouca gente perdoa.
ZÁLKIND PIATIGÓRSKY – RJ

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Trova 263 – Mário A. J. Zamataro (Curitiba/PR)

Trova classificada em 2º lugar no Concurso Paralelo (para trovadores de Curitiba) ao Concurso Nacional Intersedes UBT – 2013, com o tema “Refúgio”.

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Olivaldo Junior (Carta Aberta ao Caro Amigo)

Era uma vez um certo Harry, chamado o Lobo da Estepe. Andava sobre duas pernas, usava roupas e era um homem, mas não obstante era também um lobo das estepes. Havia aprendido uma boa parte de tudo quanto as pessoas de bom entendimento podem aprender, e era bastante ponderado. O que não havia aprendido, entretanto, era o seguinte: estar contente consigo e com sua própria vida.
Herman Hesse (1877-1962), em O lobo da estepe, romance de 1927

            Cá estou, caro amigo, de volta a escrever. Escrevo como se meus dedos precisassem disso. Eles precisam? Não sei, mas escrevo. E escrevo hoje para você. Você, que conheci há uns anos, faltando dias para o Natal. Escrevo para quem fez por mim o que poucos fariam. Escrevo porque preciso me levar aos trancos e barrancos para fora desse enredo em que somente eu me desenredo.

            Faz tempo que conheço o romance O lobo da estepe, do alemão Herman Hesse. Será que você já o leu? Se o fez, saberá o quanto de mim existe naquele homem, em Harry Haller, que se diz artista e com um lobo a pernoitar no escuro abismo da alma. Minha alma, ou uma de minhas almas, foi a de um jovem homem que se identificou com uma casa de escritores e dela fez o seu refúgio, sua franca morada, aberta a quem viesse, ou a quem pudesse encontrar. Essa casa, para mim, apartou-se da alma e me pus despejado de meu próprio canto. Hoje, o lobo em mim está no frio, e o homem que sou está sem jeito de abrigá-lo ao peito, sendo que, como Harry Haller, eu me digladio com meus próprios eus. Você, caro amigo, será que vê como eu mesmo me vejo? Será que me sente como eu mesmo me sinto? Houvesse vocação para o álcool, um absinto cairia bem. Bem me faz falta, amigo, você neste meu bar.

            Carrego meus versos, bons ou ruins, na mala do espírito, esperto e rápido colibri, que, embora a primavera enterneça os galhos e os ramos hostis, priva-se de flores e se exaure em espinhos. Sobre as pétalas de tanta espera, ainda o espero, meu caro, sob os olhos do relógio, com palavras entreabertas numa boca sem palavras. Lavro minha terra etérea com as cordas gastas de um violão, colocando a voz para letras outras que não as minhas, mas as que julgo belas, ou em vias de o ser. Olho, às vezes, uma foto sua e me pergunto o porquê de nunca termos convivido o quanto eu gostaria. Ria, você ria de algumas tiradas que eu tinha quando estávamos juntos. Não sei, amigo, na mais dura verdade, porque nunca estivemos mesmo juntos. Havia a promissora vontade de estarmos lá e firmarmos, sim, parceria. Um violão ficou de resto do que sequer me restou. Ainda o espero, por certo, e sempre o farei.

            Este texto também vem a ser uma nota de fuga: este ano me pesou nas costas como se eu levasse uma grande trouxa de roupas lindas que já não me servem. O Natal e o Ano Novo estão à porta. Você, caro amigo, sempre me vinha ver a essa época. A época melhor é a que estivemos lá. Por vezes, ainda me vem visitar, mas em sonho, com sua cara alegre e seu sorriso a me fazerem crer que sou mais que um lobo da estepe, mas um amigo, a classe de gente a que me afeiçoei e, desconfio, não pertenço. Este texto é que é seu. Obrigado a você e a quem me lê. Adeus.

Trovas sobre lobo, homem, Natal, Ano Novo e adeus

            Após tanto tempo prometendo e sem jamais cumprir, me despeço agora. Porém, como um sinal de apreço a quem me deu atenção e se importou comigo, escrevo e mando estas trovas, um gênero sobre o qual revivi.

Todo lobo é bom e mau,
porque mal e bem são folhas
com que Deus, original,
veste o homem nas escolhas.

Vários homens que sondei
carregavam esperanças;
nenhum pobre, nenhum rei,
todos eram só crianças.

O Natal, quando é dezembro,
reaviva a minha fé;
de mim mesmo, me relembro,
menininho de Javé.

Numa ‘nova’ sepultura,
Ano Novo se desfaz:
um guerreia na loucura,
outro pede pela paz.

Meu adeus é minha forma
de dizer que te respeito:
todo mundo segue a norma,
mas eu sigo deste jeito.

Fontes:
Olivaldo Junior, o poeta do Adeus

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Cantinho do Prof. Pedro Mello (Como Definir Adequadamente o que é Trova?)

A trova é um poema composto de uma só estrofe de quatro versos de sete sílabas, com rimas em pelo menos dois. Como se trata de um poema condensado em quatro versos, a trova deve ser uma composição autônoma, ou seja, para que a quadra seja considerada uma “trova”, não deve ter interdependência de sentido com outra quadra anterior ou posterior.

Tradicionalmente, seu esquema de rimas é bastante variável. Somente no século XX com o advento do movimento trovista, passou-se a cultivá-la com o rigor das rimas entre o 1º. e o 3º. verso e entre o 2º. e o 4º., como no exemplo que segue, de José Maria Machado de Araújo:

Neste mundo que nos cansa,          -ANSA A
tanta maldade se vê,                          -Ê            B
que a gente tem esperança,            -ANÇA  A
mas já nem sabe de quê!                  -Ê            B

Entretanto, antes do século XX este esquema não era obrigatório, visto que não existia uma “instituição” formalizada que se dedicasse ao seu cultivo. Dessa forma, outros esquemas de rima eram bastante comuns, como o esquema ABCB (rimas apenas nos versos pares), ABBA (o 1º. rima com o 4º. e o 2º. com o 3º.)

No primeiro concurso de trovas promovido pelo movimento trovista (Nova Friburgo, 1960), uma das trovas vencedoras, de autoria de Octávio Babo Filho, não tinha as duas rimas, modelo exigido e consagrado pelos concursos posteriores:

Se todo mundo soubesse           -ESSE   A
quanto custa querer bem,         -EM      B
quanta gente gostaria                  -IA        C
de não gostar de ninguém!        -EM      B

Modernamente, poetas que não pertenceram ao movimento da trova escreveram de maneira mais livre, como Mário Quintana (1906-1994), que compôs algumas trovas e as publicou em alguns de seus livros. As trovas a seguir são de seu livro “A cor do invisível”, de 1989, publicadas com títulos, ao contrário do costume dos concursos de trova, que é a publicação sem título.

A esse respeito, inclusive, cabe um comentário: os livros e manuais publicados com o intuito de ensinar a composição da trova são unânimes em dizer que ela dispensa título. Um grave erro, a nosso ver. Nenhum poema dispensa título. Aliás, nenhum texto dispensa título. A ausência de título deveria ser uma opção, não uma imposição.

O Poeta

Venho do fundo das Eras,
Quando o mundo mal nascia…
Sou tão antigo e tão novo
Como a luz de cada dia!

Trova

Coração que bate-bate
Antes deixes de bater!
Só num relógio é que as horas
Vão batendo sem sofrer.

Trova

Quem as suas mágoas canta,
Quando acaso as canta bem,
Não canta só suas mágoas
Canta a de todos também.

A Trova

Trova: soneto do povo,
Flor de nostálgico encanto…
Todo o infinito do amor
Numa só gota de pranto.

Em seu livro “Segredos do Bom Trovar” (p. 16), Maria Thereza Cavalheiro cita três exemplos de trovas com outros esquemas de rima. De Lacy José Raimundi, esta com esquema ABBA:

Para aninhar-se em meus braços,
a gata angorá ronrona,
enquanto imagino a dona
saudosa dos meus abraços!…

De Ayrton Christovam dos Santos, esta com rimas emparelhadas (AABB):

Sempre que as cores do sol,
tingem de luz o arrebol,
sinto que ali está presente
a força do Onipotente…

E de Oswaldo Nascimento esta interessante trova monorrima (AAAA):

Densa e leve… Úmida e fina,
no céu bailando, a neblina
lembra a rendada cortina
de um leito de bailarina.

Muitas vezes a tendência humana é confundir causa com efeito, como no célebre chiste da propaganda da bolacha Tostines: “Tostines é fresquinho por que vende mais ou vende mais por que é fresquinho?

No caso da trova, o idealizador de seu movimento, Luiz Otávio, ao publicar seu livro “Meus irmãos os trovadores”, em 1956, lançando as bases do movimento trovista, equivocadamente definiu a trova como sendo “a composição poética de quatro versos setissilábicos, rimando, pelo menos, o segundo com o quarto, e tendo sentido completo”.

Diz um velho ditado que “o uso do cachimbo faz a boca torta” e com referência à trova postulamos que seja verdade. Como a definição formulada por Luiz Otávio só admite a rima entre o 2º. com o 4º. e com o passar dos anos as trovas para concursos devam obrigatoriamente ser compostas com rimas ABAB, muitos acham que outras formas… não são trovas! Ou usam o termo “quadra popular” para desmerecer outras formas de composição da trova. 

A definição de Luiz Otávio está equivocada por pelo menos três razões:

a) a expressão “composição poética” é dúbia de sentido, visto que a palavra “poética” admite mais de um sentido: é poética porque é feita em versos ou é poética porque tem poesia? Não seria melhor “composição versificada” ou, simplesmente, “um poema”?

b) há trovas em que o segundo e o quarto verso não rimam. Quer dizer que não são trovas?

c) é tautológico dizer que tem “sentido completo”, pois todo texto deve ter sentido completo. Dessa forma, a definição proposta por Wanke (A trova, 1974), “composição versificada independente” parece mais completa e abrangente. Mais simples e exata, “um poema composto de uma estrofe de quatro versos de sete sílabas, com rimas em pelo menos dois” seria uma definição suficientemente clara.

A trova, conforme cultivada ao longo das décadas de movimento trovista, ficou engessada. Para alguns, trovas fora da definição de Luiz Otávio não são trovas, são “quadras” e estão erradas. Outros esquemas de rimas ou até mesmo a não-obrigatoriedade das duas rimas (ABCB, ABBC…) poderiam oxigenar a trova, permitindo a seus amantes alçar outros voos.

Já fui pessoalmente criticado por admitir outras formas de trova, como se a definição de Luiz Otávio fosse sagrada e imutável. E se admitíssemos outras possibilidades?

Fonte:
http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/4487280

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Carolina Ramos (Caderno de Trovas)

Adeus, filho, segue a vida…
Volta um dia, sem promessa…
que a primeira despedida
no ventre da mãe começa!

A grande, a maior vitória
que até hoje consegui,
foi remover da memória
as batalhas que perdi.

Alforriada, ela passa
gingando frente ao feitor
e o dengo de sua raça
faz dele escravo do amor!

Alforria… e a voz dos bravos
se erga, potente, entre as massas,
negando criar escravos
de um ódio cruel entre raças.

Alforria… ela desperta
tendo ao rosto um novo brilho,
não lhe importa estar liberta,
mas, ver liberto o seu filho!

Alforria… que mentira!
pensa o negro velho a rir…
– seu braço tanto servira,
que apenas crê no servir…

A liberdade germina
quando um povo pulsa e anseia,
qual semente pequenina
que rasga o solo e se alteia!

A lua beija a favela…
A estrela no céu reluz…
– Meu bem, apaga essa vela,
o amor não quer tanta luz!…

Angústia, imensa, dorida,
pior que a dor de morrer,
é não ter apego à vida
e ser forçado a viver…

Ante a força intransigente,
para o caos a paz resvala…
– Deus, deste alma a tanta gente
que nem sabe como usá-la!

Ante a lua, o mar se alteia,
tenta alcança-la na altura,
mas é nos braços da areia,
que encontra a paz que procura!…

Ante os dilemas da vida,
embora ilusões destrua,
à mentira bem vestida,
prefiro a verdade nua!

A pele negra retrata
a dor de uma triste saga,
pois o estigma d chibata
nem mesmo a alforria apaga!

A penumbra da saudade
torna os meus dias tristonhos
e eu bendigo a claridade
das estrelas dos meus sonhos!

As bandeiras desfraldadas..,
O povo em vai-vem nas ruas…
e as esperanças sonhadas
são  minhas… e também  tuas!

A sós, na penumbra doce…
Neste agora sem depois,
é como se o mundo fosse
um mundo só de nós dois!…

A verdadeira alforria
é aquela que estende as mãos,
unindo em plena harmonia
branco e negro, como irmãos.

Bendigo o dom da poesia:
– num mundo de tais perigos,
deu-me a serena alegria
de achar um mundo de amigos!

Bichinho cheio de manha,
terno e manso quando quer;
mas, zangado, morde e arranha:
– É gato? – Não… é mulher!

Boneca sem cor, partida…
uma bola abandonada…
– Saudade mostrando à vida
quanto vale um quase nada!

Buscá-la cansa, é verdade…
mas a vida nos ensina:
– Se queres felicidade,
olha a seta…só lá em cima!

Choram as mães… Alforria!
e os negrinhos, assustados,
não sabem que uma alegria
também faz olhos molhados!

Como é fútil e tamanha
a soberba dos ateus…
Seixos ao pé da montanha,
negando a montanha – Deus!

Como pode haver poesia
nos rumos da humanidade,
se tarda tanto esse dia
da paz ser PAZ de verdade?

Creio num Ser superior,
num Deus-Pai e creio, sim,
na eternidade do Amor
que nem a morte põe fim!

Das cores, qual a mais bela?
– “A negra” – diz o ceguinho…
“pois, dentre todas, é aquela
que eu vejo no meu caminho.”

Dessa cruel liberdade
de ofender, há quem abuse
a esquecer de que a verdade
um dia talvez o acuse!

Deu a tantos seu carinho
que no enlace, em confusão,
deu o sim para o padrinho
e o beijo no sacristão!

Ele chega de mansinho,
velho cão ressabiado…
mas, se conquista um carinho,
nos dá carinho dobrado!

Ele mente e se arrebata
com tal veemência e desplante,
que, se um besouro ele mata,
vira o besouro elefante!

Embora sozinha eu siga
e sigas também a sós,
dentro do amor que nos liga
não há distância entre nós!

Enquanto a vida nos cansa,
o poeta, fugindo ao chão,
vai procurar a esperança
entre as nuvens de algodão!

É possível que aconteça:
Seja folclore ou novela,
tanta gente sem cabeça…
por que não mula… sem ela?

Esse que vive algemado
às paixões, odiando a esmo,
mesmo sendo alforriado,
segue escravo de si mesmo!

Esta penumbra… Este frio,
este agora sem porquê…
Este silêncio vazio
é o meu mundo sem você!

Filho, a montanha da vida,
escala devagarinho,
que há muita flor escondida
entre as pedras do caminho!

Foi Mestre. Sábio! Hoje em dia,
na humildade e de olhos baços,
esquece a sabedoria
e um tolo lhe guia os passos!

Guarda sempre esta mensagem
da própria vida que diz:
– é feliz, quem tem coragem
de acreditar que é feliz!

Há contraste em nossas vidas
mas, perfeito é o desempenho:
luz e sombra, quando unidas,
dão força e vida ao desenho…

Há vidas que se parecem
com as roseiras viçosas:
quando podadas, mais crescem
e mais se cobrem de rosas!

Já velhinho, sonha ainda,
mantendo o brilho no olhar,
que a juventude só finda,
quando é impossível sonhar!

Lembrando a ternura antiga,
minha saudade se exalta…
– Bendigo a penumbra amiga
que me esconde a tua falta!

Liberdade de calar
todos têm, mas, cuida, pois,
ser livre é poder falar
e seguir livre depois!

Liberdade, em termos sãos,
vale mais se, humildemente,
podendo retê-la em mãos,
nós a damos de presente!

Liberdade é o grande anelo!
Na mansão, casebre ou ninho,
é o cobiçado castelo
quer do rico ou pobrezinho!

Mente com tal propriedade,
que ao mentir jamais hesita
e quando diz a verdade,
nem ele mesmo acredita.

Mesmo descendo a montanha,
não temo abismos do mundo;
– quando a Fé nos acompanha,
pode haver flores no fundo!

Não prolongues a partida…
Vai… não olhes para atrás,
dói bem mais a despedida,
quão mais longa ela se faz!

Não temas portas fechadas,
nem mesmo fracassos temas,
há sempre forças guardadas
para as conquistas supremas.

Na penumbra, o berço é um templo,
ajoelho e em ternura enorme,
entre rendas eu contemplo
meu pequeno deus que dorme!

Não se queixa de ser pobre,
quem, no seu modesto lar,
trabalha e feliz descobre
que é livre para sonhar!

Na vida, a luta não cessa
em prol do sonho e do pão
e a liberdade começa
onde acaba a servidão!

Na vida, quanta maldade
não punida, se repete!
E, em nome da liberdade,
quantos crimes se comete!

No amor o tempo se gasta
com medidas desiguais:
se estás longe, ele se arrasta;
se perto, corre demais!

No claro-escuro da vida,
fusão de alegria e dor,
a penumbra é colorida
se for penumbra de amor!

No Livro da Eternidade,
o herói a expirar, exangue,
a História da Liberdade
escreve com o próprio sangue!

Nosso amor, quadras desfeitas,
de um poema sem achados…
Rimas tristes, imperfeitas,
fechando versos quebrados!…

Nós somos duas tipóias,
somando forças escassas:
– quando eu fracasso, me apóias,
te apoio, quando fracassas!…

O mar da vida parece
que, às vezes, quer me afogar,
mas, Deus, que nunca me esquece,
atira a boia no mar!…

O mar, raivoso, se alteia,
como todos, quer a altura,
mas, é nos braços da areia
que encontra a paz que procura.

O mundo é paisagem triste,
chora o rico e o pobre chora…
– Meu Deus, se a ventura existe,
onde será que ela mora?!

Os ponteiros marcham lento,
mais um ano que se acaba
– pede PAZ meu pensamento,
para um mundo que desaba!

Ouço teus passos serenos
e o meu abraço se expande,
mas sinto os braços pequenos,
para ternura tão grande!

Para os que entregam ao nada
os sonhos que ontem sonharam,
o orgulho é terra pisada
moldando os pés que a pisaram…

Passa o tempo… bem depressa…
a roubar o que nos deu,
e, uma dúvida se expressa:
– passa o tempo… ou passo eu?!

Paz e Amor – eram Seus planos
e por eles deu a vida.
– Mensagem que há dois mil anos
não foi ainda entendida!

Pequenino grão latente,
que brota e aos poucos se expande,
criança é humana semente,
na conquista de ser grande.

Pobre pássaro!… é de crer
que a prisão não mais suporta
– e vale a pena viver
se a liberdade está morta?!

Por te amar, tenho sofrido,
mas não me arrependo: Vem!
– Quem ama as rosas, querido,
ama os espinhos também!

Preso ao tronco, em ais tristonhos,
geme o negro, sem alarde…
– para quem não tem mais sonhos,
a alforria chegou tarde…

Quando a penumbra descia,
a nossa emoção vibrava,
sonhando o que não dizia,
dizendo o que nem sonhava!…

Quem se agarra a uma quimera,
quem persegue uma utopia,
age como se soubera
que sem sonhos… morreria!

Quem não sabe, quem não sente
que às vezes nos custa caro
essa audácia de ser gente,
quando ser gente é tão raro?

Que o presente se reparta
com o passado, sem queixa…
– A memória não descarta
o que a saudade não deixa!

Queres vencer? – Pensa bem
e não dês passos a esmo,
ninguém pode ser alguém
sem conquistar a si mesmo.

Saltando apenas num pé,
negrinho, maroto e arteiro,
o saci, nada mais é,
que o capeta brasileiro…

Se amigo é o que escuta a queixa,
seca o pranto e ajuda a rir,
mais amigo é o que não deixa
sequer o pranto cair!

Se a ternura nos aquece
e um grande amor nos ampara,
é quando a penumbra desce
que a vida fica mais clara!

Se eu sinto fugir a calma
e até viver me angustia,
eu abro as janelas da alma
e deixo entrar a Poesia!

Segue em frente, com cuidados
que a prudência mal não faz
e os bons passos, ontem dados,
dão mais força aos que hoje dás!..

Sempre acolho de mãos postas
e, humilde, tento aceitar
o silêncio das respostas
que a vida não sabe dar!

Ser livre é também saber
que a liberdade alcançada
faz parte do próprio ser
e não se troca por nada!

Ser mau é fácil…insiste
em ser bom, sempre a lembrar:
– bondade, às vezes, consiste
em ver, ouvir… e calar!…

Sofre e perdoa sem grito,
o mal que de alguém se emana,
que há outro Alguém no Infinito,
maior que a maldade humana!

Sorrindo ao branco menino,
que o negro seio mordia,
mãe preta cumpre o destino,
alheia à própria alforria.

Sussurrando com ternura,
prova a fonte, sem revolta,
como é possível ser pura,
mesmo tendo lama em volta.

Teu amor… tal força tinha,
que a saudade me conduz
e esta penumbra só minha
ainda é cheia de luz!

Vai-se um dia… Vai-se um mês…
E eu te imploro, sem revolta,
se não regressas de vez,
esta noite, ao menos, volta!

Fonte:
Trova Brasil n. 7- março 2013.

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Aquarela de Trovas n. 1

Mesmo soltas e espalhadas,   
as pétalas são formosas;
porém somente abraçadas
é que elas se tornam rosas!
A. A. DE ASSIS
Maringá/PR

No refúgio de teus braços
 encontro a felicidade,
 mas, longe de teus abraços,
 viro refém da saudade!
ALICE CRISTINA VELHO BRANDÃO
Caxias do Sul/RS

 
Se de barro fomos feitos
nesta olaria divina,
somos dois corpos perfeitos
partilhando a mesma sina.
ANTONIO FACCI
Maringá/PR

A vida é um laço apertado
que nos tortura sem dó;
e quanto mais amarrado,
mais atado fica o nó!
ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG
São Fidélis/RJ

Sou feliz! Não vivo ao lado
das estrelas na amplidão,
mas posso ter um punhado
de vaga-lumes na mão.
ANTONIO ROBERTO FERNANDES
Campos/RJ

Não te peço, Deus amigo,
igual multiplicação:
basta o milagre do trigo,
que a gente o transforma em pão!
ARLINDO TADEU HAGEN
Belo Horizonte/MG

As almas de muita gente
São como o rio profundo:
-A face tão transparente,
E quanto lodo no fundo!…
BELMIRO BRAGA
Juiz de Fora/MG

Em meus vagares tristonhos,
um repouso, em vão, procuro,
e a caravela dos sonhos
não acha um porto seguro!…
CAROLINA RAMOS
Santos/SP

A canção do amor primeiro
O teu sorriso gravou…
Mas foi assim tão ligeiro,
como o vento que passou!
CIDINHA FRIGERI
Londrina/PR

Da Tribuna, manda o aviso:
 – Não roubo por ser ladrão,
 tampouco porque preciso,
 mas por coceira na mão!
CLÁUDIO DERLI SILVEIRA
Porto Alegre/RS

Coincidência que me arrasa,
que me assusta e me espezinha…
– Meu marido chega em casa
quando cehga o da vizinha!
CLENIR NEVES RIBEIRO
Nova Friburgo/RJ

Não pule do trem do tempo
em desembarque apressado.
Viaje sem contratempo
e não pare adiantado.
DINAIR LEITE
Paranavaí/PR

Bendigo a mão calejada
que, num trabalho fecundo,
presa ao cabo de uma enxada,
dá cabo à fome do mundo!
EDMAR JAPIASSÚ MAIA
Rio de Janeiro/RJ

Quem dera se o povo inteiro,
num gesto de amor profundo,
fosse apenas jardineiro
plantando rosas no mundo!
EDUARDO A. O. TOLEDO
Pouso Alegre/MG

No tear da solidão,
rendeiro em dias tristonhos,
basta um fio de ilusão
para tecer os meus sonhos!
ELIZABETH SOUZA CRUZ
Nova Friburgo/RJ

Nesta vida de atropelos
os empecilhos são tantos,
que já afoguei meus apelos
na correnteza dos prantos.
FRANCISCO JOSÉ PESSOA
Fortaleza/CE

O meu amor é bonito,
é grande, imenso, sem fim…
É bem maior que o infinito,
mas cabe dentro de mim!
GISLAINE CANALES
Porto Alegre/RS

Na vidraça do passado,
onde revivo os meus sonhos,
sinto a saudade ao meu lado
nos longos dias tristonhos.
GUTEMBERG LIBERATO DE ANDRADE
Fortaleza/CE

Meu barracão na favela,
Onde vou vivendo ao léu,
Na moldura da janela,
Não tem vidraça: -Tem céu!
JOSÉ ANTONIO JACOB
Juiz de Fora/MG

Vejo tanta mulher feia,
Mas muitos homens também.
Colocando-os na cadeia,
não sobra quase ninguém…
JOSÉ FELDMAN
 Maringá/PR

Baú velho, tampo torto,
cartas e fotos mofando…
-Refúgio de um sonho morto
que eu vivo ressuscitando!…
JOSÉ OUVERNEY
Pindamonhangaba/SP

Saudade, quase se explica
Nesta trova que te dou:
Saudade é tudo que fica
Daquilo que não ficou.
LUIZ OTÁVIO
Rio de Janeiro/RJ

 
Se a vida apaga as estrelas
e espalha trevas na estrada,
meu sonho pode acendê-las
criando luzes…do nada!…
MARIA LUA
Nova Friburgo/RJ

Quisera ser um brinquedo
      ou ser fios de esperanças,
para morar em segredo
no coração das crianças!
MARIA NASCIMENTO
Rio de Janeiro/RJ

Soprei. Apagou-se a chama.
      Disse-te adeus em seguida.
-Quem diz adeus a quem ama
diz adeus à própria vida!
OLEGÁRIO MARIANO
Recife/PE

Ó Senhor, com o teu poder,
    deixa na praia eu sonhar,
pois as ondas irão ver
que eu também pertenço ao mar!
SARAH RODRIGUES
Belém/PA

Amigos que não convém
São aves de arribação:
– Se faz bom tempo eles vêm…
– Se faz mau tempo eles vão…
SOARES DA CUNHA
Belo Horizonte/MG

Feliz quem, olhos sem pranto,
viu-se, alegre, envelhecer,
tanto amando e amando tanto
que se esqueceu de morrer.
TRIGUEIRO LINS
Santos/SP

Num dos lances mais astutos
que a vida tem-me inspirado,
eu mostro os olhos enxutos,
e escondo o lenço molhado.
VANDA FAGUNDES QUEIROZ
Curitiba

Amor, um santo remédio,
que revitaliza e cura.
Livra-nos de qualquer tédio,
também nos leva à loucura.
VÃNIA MARIA SOUZA ENNES
Curitiba

Virtude é vaso lavrado,
cristal de fino lavor,
mas que perde, se trincado,
quase todo o seu valor.
WALTER WAENY
Santos/SP


Fonte da Imagem:
Formatação sobre imagem obtida em http://www.paraibareporter.com

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Zé Lucas (Caderno de Trovas)

A ciência, sem suspeita,
será no mundo aplaudida
se a clonagem só for feita
em benefício da vida.

A esmola às vezes se “enfeita”
com tinturas de vaidade,
mas a caridade é feita
de amor e fraternidade.

A liberdade é um tesouro
da mais alta qualidade…
Nem por gaiola de ouro
há quem troque a liberdade!

A menina seminua,
presa, disse ao detetive:
– eu não me queixo da rua,
mas do lar que nunca tive!

A mulher, rasgando os passos,
caminha alegre, vai cedo…
Quem leva um filho nos braços
enfrenta o mundo sem medo.

A multidão me põe louco
entre empurrões e zoada…
Sozinho, sou muito pouco;
na multidão, não sou nada!

Antes de sair de cena,
peço tempo aos céus risonhos,
pois acho a vida pequena
para a vida de meus sonhos.

Ao voltar, com muito amor,
ao campo que já foi meu,
bebi no cálix da flor
o mel que a abelha esqueceu.

A poesia se ilumina
e em trono de amor repousa,
pela pureza divina
dos versos de Auta de Souza.

A preguiça dos ponteiros
de meu velho carrilhão
mostra os minutos ronceiros
das noites de solidão!

Aquele singelo enredo
de amor, ensaiado a sós,
foi o mais belo segredo
que a vida pôs entre nós!

Auta pôs, com mãos de fada,
em versos de encanto e dor,
toda a pureza filtrada
na luz eterna do amor.

Carcará desce do pico,
pega a vítima e condena,
pois, sendo de pena e bico,
bica e mata sem ter pena.

Chove no Sertão, e o rio
desce da serra distante;
devolve a vida ao baixio
e o sorriso ao retirante!

Com devotamento ao lar,
onde o amor finca raízes,
a noite é para sonhar
e os dias são mais felizes.

Como é belo ver a planta
que abre flores nos caminhos,
nas horas em que Deus canta
pela voz dos passarinhos!

Como os demais trovadores,
tenho ilusões,toda hora…
São lindas, parecem flores,
mas, num sopro, vão embora!

Corre o viver tão bonito,
nesta paz de vento brando,
que eu vejo e não acredito
que a velhice está chegando!

Crianças em doce anelo,
fitando, além, o horizonte,
sonham que um dia mais belo
vai nascer por trás do monte!

De alguém que há pouco passou,
deixando a porta entreaberta,
alguma coisa ficou:
talvez a lembrança incerta!

Deus, que viagem florida,
em campos tão sedutores!
Como é bom trilhar, na vida,
pelo caminho das flores!

Duas taças num banquinho,
sem ninguém, têm a igualdade
do cheiro do mesmo vinho,
da dor da mesma saudade!

Em louco e brutal delírio
pra devastar o que resta,
a motosserra é um martírio
no calvário da floresta!

Em manhã chuvosa, a vida
canta no seio da mata
e há notas de água caída
no piano da cascata.

Em minha infancia inocente,
teu afeto, mãe querida,
desenhou-me fielmente
o lado belo da vida!

Em momentos mais risonhos,
sei que já fiz trova linda,
mas a trova dos meus sonhos
não pude fazer ainda!

Em muitas ocasiões,
só somos bons elementos
porque certas intenções
não passam de pensamentos.

Enquanto a emoção se alteia
sobre as dunas, a rolar,
a vida brinca na areia
ouvindo a canção do mar.

Entre o cãozinho e a criança
há tão lindo entendimento,
que na estrada da esperança
há, para os dois, um assento!

Esta fé que nos norteia
para a “terra prometida”,
mesmo sendo um grão de areia,
faz o alicerce da vida!

Estas cenas nos comovem,
como, na rua, alguém disse:
– Juntas, a energia jovem
e a lentidão da velhice!

Eu sou mais poeta quando,
no jogo de altas marés,
fico na praia esperando
que as ondas lavem meus pés.

Existem palavras mudas
que têm o peso da cruz,
e foi sem falar que Judas,
num beijo, entregou Jesus.

Feitas de sonhos e flores,
as nossas trovas são ninhos,
onde os vates trovadores
trinam como passarinhos.

Felicidade é o lugar
indicado pelo amor…
Lá, quem consegue chegar
é, por certo, um sonhador!

Há tempo sem teus afagos,
deixa-me lavar as dores
nos dois pequeninos lagos
de teus olhos sedutores!

João Maria, em nenhum canto
deixava um mendigo ao léu…
Na terra já era um santo;
foi ser mais santo no céu.

João Maria morreu quando
fazia um trabalho lindo.
Sua alma subiu cantando;
Deus o recebeu sorrindo!

Mais vale da vida o espelho
que muitos sermões no templo…
Em vez de nos dar conselho,
seu padre, nos dê o exemplo!

Mesmo enfermo, João Maria,
cumprindo a santa missão,
a própria dor esquecia
pra sanar a dor do irmão!

Mesmo que eu mude de estilo,
não mudarei, nem de leve,
uma vírgula daquilo
que a mão do destino escreve.

Mesmo que eu renove as trilhas,
desviando a caminhada,
não escapo às armadilhas
que o destino põe na estrada

Meu querido Rio Grande,
na beleza de teus vales,
desfeito em trovas se expande
o amor do “Trio Canalles”.

Meu rancho, no campo em flor,
longe de intriga e maldade,
era o meu ninho de amor,
hoje é o ninho da saudade!

Minha mulher reza tanto
aos pés de Nosso Senhor,
que eu vou precisar ser santo
pra merecer seu amor.

Musas divinas!… Ao vê-las,
no sonho que me seduz,
subo ao ninho das estrelas,
seguindo os rastros da luz!

Não há coisa mais bonita
neste mundo de pecado,
do que a fé que ressuscita
um sonho já sepultado!

Não me fizeste justiça
ao negar-me o teu carinho,
e hoje a saudade aterrissa,
como sombra, em meu caminho!

Não temo a longevidade
por esta simples razão:
a flor da felicidade
brota em qualquer estação.

Na paz da boa atitude
não há passada perdida,
e a moeda da virtude
paga o pedágio da vida.

Na paz de um lago deserto,
longe da luz da cidade,
foi quando estive mais perto
da luz da felicidade

No doce embalo da rede,
um sono bom me enfeitiça
e o relógio de parede
me acompanha na preguiça.

No instante em que o sol se enfada,
de tanto aquecer a Terra,
deita a cabeça dourada
no travesseiro da serra…

No meu rancho, pobre teto,
o chão era a cama e a mesa,
mas fui tão rico de afeto,
que nem falava em pobreza.

No trabalho, meus irmãos
não buscam prêmio nem glória,
e os calos de suas mãos
enobrecem nossa História.

Numa devoção de monge,
o Potengi, sem parar,
traz água doce de longe
e entrega de graça ao mar.

Numa fonte de águas claras,
Onde as musas cantam hinos,
Bebo as imagens mais raras
De meus versos peregrinos.

O alpinismo é dura prova
que não ficou para mim,
mas, no alpinismo da trova,
escalo alturas sem fim.

O amor e o sonho, querida,
são graças que Deus nos deu…
Quem não ama não tem vida,
quem não sonha já morreu.

O beijo, em qualquer instante,
estimula o amor e a vida,
e, sendo um beijo dançante,
faz tudo além da medida.

O cego, com dedos certos,
tange a sanfona dorida,
e eu, com dois olhos abertos,
erro nas teclas da vida.

O céu azul de meus sonhos
e as flores da mocidade
lembram-me dias risonhos
na aquarela da saudade!

O destino abre-me os braços
mas tem seu lado mesquinho:
guia-me todos os passos
mas não me ensina o caminho.

– Oh! Que demora sem fim
para tua decisão!
Chegou tão tarde o teu sim,
que já parecia um não!

Olhando o primor da teia,
eu fico aos céus inquirindo:
como é que a aranha, tão feia,
traça um desenho tão lindo!

Olho o céu de eterno azul,
e como fico feliz,
vendo o Cruzeiro do Sul,
emblema de meu país!

O perdão é que é o sinal
de perfeita lucidez…
Quem se vinga faz o mal
do jeito que alguém lhe fez.

O Potengi deita a luz
no seu leito sedutor
e, ao tê-la formosa e nua,
mergulha em sonhos de amor.

Os anos trazem cansaços;
nossa vida é sempre assim,
e a saudade segue os passos
da velhice, até o fim!

O trabalho é luta santa
que não vislumbra medalha,
e um país só se levanta
pelas mãos de quem trabalha.

O trabalho me norteia
e dele eu não me despeço,
pois quero meu grão de areia
a construção do progresso.

Para abraçar-te, menina,
meu anseio é tão profundo,
que a distância de uma esquina
parece uma volta ao mundo.

Pobre casal foi multado
sem defesa, na avenida,
por beijo estacionado
numa faixa proibida!

Por mais que a vida me açoite
com refinada ironia,
depois da prece da noite,
esqueço as mágoas do dia!

Potengi, corrente amiga
que alimenta o manguezal,
artéria grossa que irriga
o coração de Natal.

Qual a fonte de energia
Da luz de tantas estrelas?
Se não for Deus, quem teria
Um facho para acendê-las?

Quando a jangada flutua
sobre as águas, ao luar,
é uma lágrima da lua
nos olhos verdes do mar.

Quando a Lua se retrata
com seu encanto invulgar,
traça um caminho de prata
sobre a esmeralda do mar.

Quando estou em meu terraço,
olhando os astros risonhos,
a Lua atravessa o espaço,
puxando o carro dos sonhos!

Quando eu vejo a morte acesa
na fúria de uma queimada,
sinto a dor da natureza,
impunemente afrontada!

Quando o tempo se levanta
no sertão, e a seca vem,
não morre somente a planta,
morre a esperança também!

Quanta labuta perdida
para a clonagem de gente,
quando o amor que traz a vida
jorra de infinda vertente!

Queimada!… A terra ferida
clama por um povo forte
que faça brotar a vida
onde o fogo impôs a morte!

Quem fere, seja onde for,
uma simples borboleta,
mata um sonho multicor
que sobrevoa o planeta!

Se a lua beija as areias
destas praias de Poti,
cantam todas as sereias
das noites do Potengi.

Se aos pintores falta tinta
que eternize a juventude,
feliz quem, na vida, pinta
um retrato da virtude!

Sei que deste mundo lindo
vou sair, só não sei quando,
mas quero morrer dormindo
para entrar no céu sonhando.

Se já não restam viventes
sobre a terra calcinada,
plantemos novas sementes
na cicatriz da queimada!

Se meu Potengi não fosse
perene, iria esgotar
de despejar água doce
no fundo amargo do mar.

Sem ter o clone a beleza
do amor que embala os casais,
torce as leis da natureza
e engendra seres sem pais!

Sem ter da mulher o afeto,
não tenho felicidade.
Homem nenhum é completo
quando lhe falta a metade.

Senti o ardor da poesia
nos meus primeiros amores,
quando a vida parecia
uma cascata de flores!

Sinal da antiga aliança
de Deus com a humanidade,
o arco-íris nos traz bonança
de paz e felicidade.

Toda a natureza é um plano
de vida farta e beleza,
mas o lucro desumano
põe no bolso a natureza!

Tomara que os trovadores
batam do verso a poeira,
e a trova, assim como as flores,
enfeite as bancas da feira.

Tua voz, terna e macia,
sob o calor dos lençóis,
tinha a doce melodia
de um canto de rouxinóis.

Viram cinza os verdes braços
de árvores tão bem formadas
e a terra morre aos pedaços
por onde vão as queimadas!

Volta aos sonhos de criança,
em teu recanto singelo,
mas nutre a flor da esperança
que torna o mundo mais belo!

Vou brincar com pirilampos
e beijar as flores nuas
pra ver se encontro nos campos
a paz que fugiu das ruas!

Zarpei ao romper do dia,
no meu barco, a velejar,
para “pescar” a poesia
que a Lua escondeu no mar.

PANTUM DA ECLOSÃO DO AMOR

Trova-tema:

Eu vi o amor eclodindo
na mensagem de um chamado:
o mar, despido, sorrindo…
O Sol se pondo, apressado.
(Mara Melinni)

Na mensagem de um chamado,
vinha um toque de magia:
o Sol se pondo, apressado,
visto que a noite caía.

Vinha um toque de magia
naquele doce arrebol,
visto que a noite caía,
logo após o adeus do Sol.

Naquele doce arrebol,
quase fiquei de alma nua,
logo após o adeus do Sol,
ao primeiro olhar da Lua.

Quase fiquei de alma nua,
e, num êxtase tão lindo,
ao primeiro olhar da Lua,
eu vi o amor eclodindo.

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Cantinho do Prof. Pedro Mello (Notas sobre Variação e Mudança no texto poético)

Em 2008, recebi das mãos de José Ouverney um livro que julgo significativo para a trovismo: “Trovas Brincantes II”, um livro a “oito mãos”, de A. A. de Assis, Edmar Japiassu Maia, José Fabiano e José Ouverney. Um quarteto fantástico… Entre as diversas trovas de humor que enfeixam o livro, três são merecedoras de um olhar mais atento por causa da criatividade:

Moderno, poupa viagem
o novo pombo-correio:
– Hoje ele manda a mensagem
numa boa, por email…
AA de Assis

Certo cupim se deu mal,
pois um dia aconteceu:
Era tão cara-de-pau,
que outro cupim o comeu!
José Ouverney

Sou moderno e bem arisco.
Será que você não vê?
Eu não tenho hérnia-de-disco,
sofro é de hérnia-de-CD…
José Fabiano

As três trovas em questão, assim como a trova do Bessant, à qual aludi no texto anterior, são de especial interesse por causa das rimas.

A. A. de Assis e o estrangeirismo bem-sucedido

A trova do Assis reflete algumas experiências que o autor têm feito no campo da linguagem, notadamente com o emprego bem-sucedido de anglicismos de uso corrente. Meses atrás escrevi sobre o uso da palavra “download”, e agora vemos a palavra “email”, que ele rimou com correio. Um efeito muito inteligente, até porque as palavras são de mesmo campo semântico, mas de línguas diferentes. O autor usa “email” do jeito como a palavra é empregada no Brasil: ipsis litteris, sem aportuguesamento e do modo como provavelmente se cristalizará no idioma.

A língua, no dizer de Ferdinand de Saussure, qualquer que seja, é arbitrária; não existe uma relação intrínseca entre a palavra e aquilo que ela designa. Nos estrangeirismos em Português essa arbitrariedade do signo linguístico fica bem evidente: há palavras que são aportuguesadas com bastante sucesso, como é o caso de “futebol” (foot ball), “abajur” (abat jour), “carnê” (carnet), buquê (bouquet), entre muitas outras. Outras, porém, permanecem com a grafia original: aids, air bag, bacon, blitz (germanismo) check in, marketing, pizza (italianismo), internet, email… Não existe uma “regra” para se aportuguesar ou não determinado estrangeirismo. Por isso que lembramos da afirmação de Saussure de que o signo é arbitrário.

Há quem vocifere contra o uso de estrangeirismos, mas esse é um fenômeno inevitável em qualquer língua: trata-se de um intercâmbio cultural inexorável. Isto que não quer dizer que não haja falta de bom-senso em letreiros de loja onde aparecem expressões do tipo “20 % off” por exemplo. Por que não “20 % de desconto”? Há estrangeirismos desnecessários e que constituem claramente vícios de linguagem, como o exemplo do “off” em anúncios de promoções em lojas. Entretanto, grande parte dos estrangeirismos se incorporam à lingua e tornam-se parte de um grande inventário aberto. Como vernaculizar “marketing” ou “pizza”? No caso de email, há o correspondente endereço eletrônico. As duas expressões existem paralelamente, mas em termos de comunicação é muito mais prático usar uma palavra simples de duas sílabas do que uma expressão composta de duas palavras. Não podemos nos esquecer de que a língua é dinâmica. O Assis, como um bom poeta, percebe essa plasticidade das palavras e brinca com elas a seu bel-prazer. Legítima a rima de “email” como “correio”. Ainda não é “concursável”, mas poderá ser em breve…

José Ouverney e a pronúncia brasileira do -l

O “l” é uma consoante alveolar, juntamente com o “n” e o “r”. Tais consoantes são assim chamadas porque são produzidas dentro da boca com a articulação da ponta frontal da língua com os alvéolos dentais (próximo à raiz dos dentes) na abóbada palatina.

No entanto, em final de palavras, o -l é vocalizado como -u. Isto quer dizer que -al soa como -au, -el, soa como -éu e -il soa como -iu. A trova do Ouverney, assim como a do Bessant, a que aludi no artigo anterior, soa de modo “brasileiro”!

José Fabiano e as consoantes sem vogal

A trova de José Fabiano também é muito interessante por causa do uso da palavra CD. Além de anglicismo, a palavra CD ainda foge da tradição por ser abreviatura e constituir-se, neste caso, de duas consoantes não acompanhadas de vogal.

Reza a tradição que “não existe sílaba sem vogal”. Realmente, não há sílaba sem vogal. Tecnicamente, então, CD não teria duas sílabas? Questão controversa, mas foneticamente perfeita: as vogais não estão escritas, mas são pronunciadas… cê-dê… não é assim? Já houve trova (não humorística) premiada que continha a palavra CD.

Fenômeno parecido com o da trova em questão é o suarabácti, um metaplasmo por acréscimo, no qual consoante muda em meio de palavra é pronunciada como se tivesse vogal. Alguns instintivamente contam tal consoante “muda” como uma sílaba. Não seria o caso de discutir o caso do suarabácti, condenado pelo nosso “decálogo de metrificação”? Embora a trova de José Fabiano não seja um exemplo de suarabácti, já vi trovas em que consoantes mudas são contadas como sílabas. Até porque foneticamente nenhuma consoante é muda. Querendo ou não, sempre pronunciamos uma vogal como apoio à consoante.

CONCLUSÃO

As línguas evoluem, assim como as sociedades que as usam. O Português evolui a passos céleres, e a trova, vez ou outra, documenta essa evolução. Os exemplos são de trovas humorísticas, gênero no qual as inovações ou licenças poéticas ocorrem com mais frequência. Isto não quer dizer que apenas o gênero humorístico “permita” inovações. A língua é uma só, independente do gênero da trova.

Fonte:
http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/1541107

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Rodolpho Abbud (Caderno de Trovas)

A batida no portão
é o sinal convencionado
para avisar que o patrão
vem chegando do outro lado!
**
Acredite quem quiser,
seja o motivo qual for,
em caprichos de mulher,
quando faz juras de amor!…
**
A culpa é minha e é tua,
de quem vê e não faz nada,
se ainda há meninos de rua,
dormindo numa calçada!…
**
A doença comentada
correu mundo, ganhou fama,
pois na pensão “afamada”
ela só vive de cama!…
**
À noite, ao passar das horas,
esqueço os dias tristonhos,
pois tuas longas demoras
dão-me folga para os sonhos!
* *
Ao hospício conduziu
a mulher para internar…
Feito o exame, ela saiu,
e ele teve que ficar!…
* *
Ao se banhar num riacho,
distraída, minha prima
lembrou da peça de baixo
quando tirava a de cima ….
* *
Aos Teus pés eu me ajoelho,
erguendo graças Senhor!
– Quem me dera ser espelho
para a Luz do Teu Amor!
**
Ao ver o frango fugindo
de um outro, num pega-pega,
diz a galinha: Que lindo!
– E o pato: “Tem mãe que é cega”!…
* *
Após batida no morro,
indaga o Zé, com malícia:
-A quem eu peço socorro,
ao ladrão ou a polícia?
* *
Aproveita, criançada,
o tempo, alegre, ligeiro,
que da a uma simples calçada
dimensões do mundo inteiro!
* *
A saudade é tão travessa
que ninguém pode esquecê-la
e a cortina mais espessa
jamais consegue esquecê-la!
* *
Às vezes, num recomeço,
há tal vontade de amar,
que se paga qualquer preço
que a vida queira cobrar!…
* *
A vida é romance breve,
de mistério, onde, com arte,
sem saber, a gente escreve
somente a primeira parte!…
* *
A violência e outras formas
de opressão, mesmo discretas,
não conseguem ditar normas
aos corações dos poetas!
* *
Brasília, o cinquentenário
daquela visão futura
dos sonhos de um visionário
e um gênio da arquitetura!
* *
Cama nova, ele sem pressa
ante a noivinha assustada,
quer examinar a peça
julgando já ser usada!…
* *
Chegaste a sorrir, brejeira,
depois da tarde sem fim…
E, nunca uma noite inteira
foi tão curta para mim!…
* *
Compensando o meu desgosto
por longos dias tristonhos,
à noite eu vejo teu rosto
no espelho azul dos meus sonhos.
* *
Computador… celular…
tudo a ela é oferecido…
– Só lhe falta programar
um robô para marido!…
* *
Contemplo o céu para vê-las
com um respeito profundo,
pois na raiz das estrelas
eu vejo o dono do mundo.
* *
“Dá-me um tempo, ela me disse,
ante o apelo que lhe fiz…
– Agora chega à velhice,
sem tempo de ser feliz!
* *
Dando um susto na mulher,
chega em casa bem cedinho…
– Nem imagina sequer
o susto de seu vizinho!
* *
Dê carona ao seu vizinho!”
E a Zezé, colaborando,
vai seguindo o meu caminho
e me dá de vez em quando!…
* *
Deixando os homens aflitos,
a mulher, por timidez,
faz mistérios infinitos,
quando responde talvez!…
* *
Dela não quero mais nada…
– Tranquei a porta e o portão…
– E a saudade, mais ousada,
alojou-se em meu porão!…
* *
Depois do sonho desfeito,
louvo o porvir que, risonho,
não me recusa o direito
de escolher um novo sonho!
* *
Depois que tudo termina,
na indiferença ou na dor,
nenhum farol ilumina
o naufrágio de um amor…
* *
Disfarçando teu perfume,
mudaste até de fragrância,
mas, nas cartas, teu ciúme
eu sinto a longa distância!
* *
Diz, em segredo, na venda:
“O meu marido acabou!…”
– E houve uma briga tremenda:
a vizinha concordou!…
* *
D. João VI cria a antiga
Vila do Morro Queimado!…
– E a Nova Friburgo liga
seu presente ao seu passado!..
* *
Do energético sapeca,
tirou a prova e deu fé…
– Com dois pingos na careca,
ficou de cabelo em pé!…
* *
Duzentos anos passados…
mas a História permanece!
– Naqueles morros queimados
Nova Friburgo, hoje, cresce!
* *
É força que vem comigo
e no tempo não se esvai:
– Sempre que eu falo de amigo
eu me lembro de meu pai!
* *
Ei, garçom, veja o meu prato!
Tem dois cabelos na beira…
– Por um P.F. barato,
quer ver toda a cabeleira?
* *
Ela é mulher de vanguarda,
motorista de primeira
que ouvindo o apito do guarda,
já vai mostrando a carteira!
* *
Ele pede economia
e ela encontra seu caminho,
poupando sua energia
com o “gato” do vizinho!
* *
Embora livre, sozinho,
não conheço liberdade…
– Fui presa do teu carinho,
hoje estou preso à saudade!…
* *
Em nosso encontro, em segredo,
a vida nos foi covarde:
– Fui eu que cheguei mais cedo,
ou você que chegou tarde?…
* *
Em problemas envolvida,
por um beco se meteu,
que não tinha nem saída,
e, mesmo assim, se perdeu! …
* *
Em seus comícios, nas praças,
o casal cria alvoroços:
– Vai ele inflamando as massas!
– Vai ela inflamando os moços…
* *
Em tudo o que já vivi,
nessa passagem terrena,
se um pecado eu cometi
com ela, valeu a pena!…
* *
É noite… a porteira range
no rancho, à beira da estrada
e o luar, saudoso, tange
os clarões da madrugada!
* *
Enquanto um velho comenta
sobre a vida: -”Ah! Se eu soubesse…”
um outro vem e acrescenta
já descrente: -”Ah! Se eu pudesse…”
* *
Entre esperas e procuras,
encontros e despedidas,
somadas, nossas loucuras
dão mais vidas as nossas vidas!…
* *
Entre os livros, esquecida,
na estante bem arrumada
e contém toda uma vida
essa carta amarelada!
* *
Eu… você… nossa lembrança
de um grande amor, puro, terno,
que um capricho da esperança
simulou que fosse eterno!..
* *
Eu finjo que estou contente…
Ela finge que está triste…
– No canto do amor, a gente
desafina… mas resiste!…
* *
Eu tenho pressa, é verdade,
pois este amor me arrebata…
E se eu não mato a saudade,
a saudade é que me mata!
* *
Foi um erro, reconheço,
o nosso medo de amar…
– E hoje pagamos o preço
por nosso medo de errar!…
* *
Foi um gesto de nobreza,
nas lides duras e bravas:
mãos livres de uma princesa
libertando mãos escravas!…
* *
Foram tais os meus pesares
quando, em silêncio partiste,
que, afinal, se tu voltares,
talvez me tornes mais triste…
* *
Foste embora… e, amargurado,
sufoquei minha revolta
tentando a volta ao passado,
mas o passado não volta!…
* *
Foste embora… e, por encanto,
vejo, no amor que alucina,
teu sorriso em cada canto
e teu vulto em cada esquina!
* *
Hei de vencer esta sina
que num capricho qualquer,
me fez amar-te menina
depois negou-me a mulher!…
* *
Mantendo os olhos enxutos,
na dor da tua partida,
eu sufoquei, por minutos,
o pranto de toda a vida.
* *
Manténs o mesmo calor,
com tal graça e timidez,
que, em cada noite de amor,
eu sinto a primeira vez!…
* *
Mesmo nos dias tristonhos
que a vida insiste em nos dar,
liberdade é perder sonhos,
sem desistir de sonhar!
* *
Minha dor foi mais intensa,
ao ver, no adeus, na incerteza:
eu, fingindo indiferença…
você, fingindo tristeza!…
* *
Minha magoa e desencanto
foi ver, no adeus, indeciso:
– Eu disfarçando o meu pranto…
– Tu disfarçando um sorriso…
* *
Minha sogra, no antiquário,
não ouvindo meu conselho,
abriu a porta do armário
levando um susto no espelho!
* *
Muitas mulheres vieram,
mas… um capricho infeliz
deu-lhe todas que o quiseram
e jamais a que ele quis!…
* *
Muitas vezes nesta vida,
a origem de muita zanga
é uma mulher bem vestida
deixando os homens “de tanga”…          
* *
Na angústia vejo, indeciso,
no amor que me desespera,
que o prêmio do teu sorriso
vale o castigo da espera!
* *
Na ansiedade das demoras,
quando chegas e me encantas,
mesmo sendo às tantas horas,
as horas já não são tantas…
* *
Na briga, há pratos voando,
quebradas mesa e cadeira,
mas, vendo a sogra chegando,
diz que tudo é brincadeira.
* *
Na casa do faroleiro
esta ironia ferina:
Lá fora o imenso luzeiro…
– e dentro,uma lamparina.
* *
“Não conto mais com você!…”             
– Diz a mulher, lá da sala.
“Se no verão não se vê,
no inverno, então, nem se fala !…”
* *
Não gastando o celular,
o “pão duro”, em seus intentos,
querendo economizar,
só liga o 0800…
* *
Não me importa o beijo às pressas,
em meio às brigas e às pazes,
pois eu vivo das promessas
que mentindo tu me fazes…
* *
Não reclamo do desgosto,
nem faço queixas a esmo…
Esta máscara em meu rosto
também engana a mim mesmo…
* *
Não sei como não soubeste
mas o amor veio, infeliz…
Eu te quis, tu me quiseste,
mas o Destino não quis…
* *
Não sendo um homem moderno,
meu pecado e insensatez
foi jurar amor eterno
e amar somente uma vez!…
* *
Não vens… na casa fechada,
a saudade, em horas mortas,
nunca espera na calçada:
– Se esgueira através das portas.
* *
Na pensão da “dona” Estela,
há curiosos pensionistas:
Tem um dentista “banguela”
e gordos nutricionistas !…
* *
Na pensão junto ao quartel,
visitas, sem distinção,
do recruta ao coronel,
comem do mesmo feijão!…
* *
Naquele hotel de terceira,
que a policia já fechou,
a Maria arrumadeira
muitas vezes se arrumou!
* *
Nas buscas que o homem faz,
sem sucesso, andando a esmo,
se busca encontrar a paz,
tem que encontrar-se a si mesmo…
* *
Nas lojas sempre envolvido,
não tem crédito jamais…
– ou por ser desconhecido,
ou conhecido demais !…
* *
Na vida, a bem da verdade,
quando se trata de amor,
loucura não tem idade,
sexo, raça, credo ou cor!…
* *
Na vida, em toscos degraus,
entre tropeços a sustos,
mais que a revolta dos maus,
temo a revolta dos justos!
* *
Na vida, lutar, correr,
não me cansa tanto assim…
O que me cansa é saber
que estás cansada de mim!
* *
Nessa paixão que me assalta,
misto de encanto e de dor,
quanto mais você me falta
mais aumenta o meu amor!…
* *
No abandono que o consome,
é quase um mito o menino
que, na rua, não tem nome,
não tem lar, não tem destino!…
* *
No amor, um leve queixume
não é mal, se a gente pensa
que onde nos falta o ciúme…
é que sobra a indiferença!…
* *
No hospício, foi grande o susto,
quando o Zé, no “elevador,”
procurava, a todo custo,
o botão do “baixa dor”!…
* *
No palco, o adeus indeciso …
e o cenário, um desencanto …
– Se era falso meu sorriso,
era mais falso teu pranto!…
* *
Nosso amor se eleva ao cume,
naquela poesia infinda
da pontinha de ciúme
que você conserva ainda!
* *
Nosso Príncipe comprova,
pois é dele a grande glória,
que o mundo novo da Trova
também faz parte da História!…
* *
Nosso rancho abandonado,
você, a rede, o luar,
são lembranças de um passado
que não deseja passar!
* *
Nossos afagos exalto,
sem ritos ou convenções,
pois sempre falam mais alto
do que mil declarações!
* *
Nosso sonho deu em nada,
mas nosso amor ergue a voz,
em busca de outra alvorada
que vive dentro de nós!
* *
Nosso encontro …O beijo a medo…
A caricia fugidia…
Nosso amor era segredo,
mas todo mundo sabia…
* *
No “terreiro” ela, com pressa,
Já querendo “se arrumar”
diz que o “santo” é mole à beça…
– Sobe muito devagar!…
* *
Numa ronda de rotina,
busco o amor, rompendo espaços,
mas, quando a busca termina,
eu sempre estou nos teus braços…
* *
O amor deve ser lembrado
sem mágoas, sem dissabor.
Pondo algemas no passado,
não se prende um grande amor!
* *
O amor tem tantos arranjos,
nos feitiços que quiser,
que nos parecem dos anjos
os sorrisos da mulher!…
* *
Ouvindo tuas propostas,
com muito amor, de mãos juntas
eu, que fui buscar respostas,
voltei cheio de perguntas!…
* *
Para aquecer sua vida,
ela tem, sempre à noitinha,
além da boa batida,
canja quente da vizinha!
* *
Para quem tudo é bonito
se a própria mesa está cheia,
chega quase a ser um mito
saciar a fome alheia!…
* *
Para um jantar convidada
por nudistas assumidos,
“pagou mico” indo pelada,
pois todos foram vestidos!…
* *
Passa a nudista na praia
e o guarda, apito na mão,
leva a mais sonora vaia,  
ao cobrir sua “infração”!
* *
Passa o tempo… e eu vivo aqui,
sozinho, em noites de tédio…
– E ainda dizem por aí
que o tempo é o melhor remédio!…
* *
Passei muita noite insone,
ante a voz, macia e bela…
– Quase quebro o telefone
quando vejo a cara dela!
* *
Pelo “saudoso”, intrigada,
já suspendeu sua prece…
– É no quarto da empregada
que seu fantasma aparece!…
* *
Perdi, de todo, a alegria,
quando percebi, tristonho,
que em teu amor não cabia
a ousadia do meu sonho!
* *
Por você sigo a jornada…
e o caminho é sonho, é mito!…
– Que importa se é longa a estrada?…
– Também meu sonho é infinito!…
* *
Provando em definitivo
que o Brasil é de outros mundos,
há muito “fantasma” vivo
passando cheques sem fundos…
* *
Quando a fé nos ilumina,
mesmo nas horas mais turvas,
as ruas não têm esquina
e as estradas não têm curvas!
* *
Quando nada mais nos resta,
já bem no fim da descida,
a saudade é fim de festa
do que foi festa na vida!
* *
Quase ao fim dos nossos prazos,
nosso céu tem luz ainda…
Juntando os nossos ocasos,
a noite será mais linda!…
* *
Quem se veste de esperança
vive de alma agradecida,
quando, todo dia, alcança
o grande prêmio da vida!
* *
Quem tem fé não sente medo
e enfrenta as ondas do mar,
pois sempre vê, num rochedo,
alguma estrela a brilhar!
* *
Seja doce a minha sina
e, num porvir de esplendor,
nunca transforme em rotina
os nossos beijos de amor…
* *
Sê, meu filho, um destemido,
pois, na vida, cedo ou tarde,
mais vale a dor do vencido
do que o pranto do covarde!
* *
Sem preconceitos escravos,
nesta vida, sem alardes,
tanto há prudência nos bravos
como ousadia em covardes!…
* *
Sempre tendo muita pressa,
ao morrer, a sogra é assim:
– chega onde a fila começa…
e, depressa, volta ao fim!…
* *
Sem você, meu rumo é incerto
aumentando a solidão…
E penso estar num deserto
no meio da multidão!
* *
Sem você, minha rotina
é aguardar o fim do dia,
quando a noite abre a cortina
para a sessão nostalgia!…
* *
Seu feitiço me seduz
e alcança tal dimensão,
que eu consigo ver a luz,
mesmo em plena escuridão!.
* *
Sob um arbusto na praça,
o casal fez seu retiro,
mas, quando a polícia passa,
não se ouve nem um suspiro!
* *
Soube o marido da Aurora,
ela não sabe por quem,
que o vizinho dorme fora,
quando ele dorme também…-”
* *
Sua voz não foi ouvida,
dando-me adeus, só porque,
as vozes da minha vida,
falam-me sempre em você.
* *
Tamanha angústia me invade
ao lembrar que te beijei,
que chego a sentir saudade
dos beijos que não te dei.
* *
Tendo você ao meu lado,
tudo esqueço e sigo em frente…
– Que me importa seu passado,
se você faz meu presente?…
* *
Ter pressa não é pecado,
mas pode ter alto custo…
Um julgamento apressado
muitas vezes não é justo!
* *
Toda a receita anda pasma,
sem achar explicação…
– Tem funcionário fantasma
que recebe até serão!…
* *
Toda noite sai “na marra”,
Dizendo à mulher: -”Não Torra!”
Se na rua vai a farra,
em casa ela vai à forra!…
* *
Um Deputado ao rogar
ao Senhor, em suas preces,
pede que o verbo “caçar”
não se escreva com dois esses!…
* *
Um longo teste ela fez
de cantora, com requinte…
Cantou somente uma vez,
mas foi cantada umas vinte!…
* *
Vendo a viúva a chorar,
muito linda, em seu cantinho,
todos queriam levar
a “coroa” do vizinho…
* *
Vamos brincar de mãos dadas,
crianças pretas e brancas!…
O sol de nossas calçadas
não tem porteiras nem trancas!
* *
Velhote, “cabra da peste”
diz que, quando dá saudade,
toma o remédio, faz teste,
mas fica só na vontade!…
* *
Veja o mico que eu paguei:
na tentação, no desvio,
de uma garota escutei
a ducha fria: “Oi, titio”!…
* *
Vejo a onda pequenina
que, às vezes, rude, se alteia,
mas, afina, feminina,
morre de amores na areia!…
* *
Vejo em minhas fantasias,
em Friburgo, pelas ruas,
mil sois enfeitando os dias
e, à noite, a luz de mil luas.
* *
Vem amor, vem por quem és!
Pois já tens, em sonhos vãos,
minhas noites a teus pés,
meus dias em tuas mãos!…
* *
Vendo a viuva a chorar,
muito linda, em seu cantinho,
todos queriam levar
a “coroa” do vizinho…
* *
Vendo uma bruxa eu me oculto
tentando esconder-me dela…
Pior foi ver outro vulto:
-Minha sogra na janela!
* *
Você jura… e recomeça
nas ilusões que desfez…
– e a cada nova promessa
meu amor nasce outra vez!…

Fonte:
Trova Brasil n.10

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Eliana Ruiz Jimenez (Caderno de Trovas)

Abra a porta, deixe a luz
resgatar seu coração.
Vá sem medo, faça jus
a viver nova paixão.

A caridade amplifica
o sentimento cristão,
que tão bem se multiplica
quando é feita a divisão.

Aceita a missão, labora,
que o bom exemplo propala:
não basta erguer uma tora,
é preciso carregá-la.

Acorda cedo o labor
da mãe que põe o café
na mesa do puro amor
e enlaça a família em fé.

Agir certo não tem custo,
sendo a igualdade premissa;
dar sempre ao justo o que é justo:
é assim que se faz justiça!

A prudência é uma balança
que equilibra a nossa vida
ao dosar, com temperança,
a tentação desmedida.

A saudade mais sentida
vem do tempo de estudante:
a melhor fase da vida,
que passa num breve instante.

Bem no alto, aqui estou;
neste ápice, a conquista.
Mas de nada adiantou:
tu não estavas à vista…

Bem-viver não se aposenta,
mostra o mar essa verdade:
casal na faixa dos “enta”
surfa a vida e dribla a idade.

Cada qual com seu quinhão
de tristeza ou de alegria;
bem viver é aceitação
da jornada, a cada dia.

Cai de tapa a Januária
no traste do maridão,
ao saber que a funcionária
ficou “gorda” de um serão.

Caminhar é minha sina,
em campo ou desfiladeiro,
nesta busca peregrina
por um amor verdadeiro.

Chave de casa perdida
por defeito da memória:
– Terceira idade assumida,
já não há escapatória.

Chega ao fim nossa jornada
em cruel bifurcação.
Vou seguir em outra estrada,
deixo aqui meu coração.

Cheiro de terra molhada
é convite à nostalgia
de minha infância encantada
onde morava a alegria.

Como é que pode, hoje em dia,
um homem achar prazer
na farra da covardia
que é ver um boi padecer…

Criança muito levada,
que corre, chuta e sacode…
Que disciplina, que nada:
– Casa da vó tudo pode!

Da janela do avião
aos receios dei um fim;
Deus está na imensidão
e também dentro de mim.

De nossa firme aliança
depende a preservação
do mundo, que é nossa herança,
à próxima geração.

Desfazendo a natureza,
vai o homem construtor
desconstruindo a certeza
de um futuro promissor.

Deu-me as asas o Senhor,
e, ao voar no infinito,
vou buscar meu grande amor,
o meu sonho mais bonito!

Dios es justo y es la salida
para cualquier situación.
El amor es la medida,
si hay fe en tu corazón.

Em pintura impressionista
a primavera desponta:
flores a perder de vista,
cores de perder-se a conta.

Enfrentando a tempestade,
vou remando na ilusão
de encontrar a claridade
que desnude a escuridão.

Enquanto se der endosso
à ganância insaciável,
futuro é fundo de poço
que não tem água potável.

Enveredando o caminho
das trilhas à beira-mar,
o meu pensamento alinho
para a luz eu encontrar.

É hora, Brasil… se agigante,
os céus clamam por um basta.
Só vote em quem o bem plante,
não no que o erário devasta!

É preciso uma aliança
entre o querer e o poder,
pois é só com temperança
que se alcança o bem-viver.

Esqueça o capitalismo
na rua ou televisão.
Natal não é consumismo
é festa de devoção.

Esse mundo feminino
de segredos permeado
é um gracejo do destino
pelos homens odiado.

Esta vida me sequestra
numa espera de ilusão…
– Só o amor tem chave-mestra
para abrir meu coração.

Estrondo, coisa danada,
será trem ou avião?
– Barulho na madrugada
é o ronco do maridão…

Fecha-se o tempo passado,
meia-noite, eu me depuro;
nasce o dia, iluminado,
abre-se o tempo futuro.

Felicidade almejada,
no meu futuro eu diviso:
– Em teus olhos, a alvorada;
no teu corpo, o paraíso.

Fingindo que foi tropeço,
garantiu o seu futuro…
O figurão paga o preço:
pensão para o nascituro!

Hesitei, o trem passou,
e, ao correr pelo seu trilho,
só a poeira me restou
e a lembrança do seu brilho.

Imagens de infindas cores
emocionam o turista:
– Povos, culturas, sabores
passando o mundo em revista.

Já não temos mais fraqueza:
– Fome zero… companheiro.
Olha só pra robusteza
que arredonda o brasileiro!

Jaz latente enternecido
nas vertentes do meu ser
um amor adormecido
esperando efervescer.

Justiça é a busca do bem,
da harmonia em sociedade;
é o respeito que se tem
ao próximo, em igualdade.

Lá no tempo da esperança
o futuro é tão risonho;
não se dá conta a criança
que a vida não é um sonho.

Lua cheia, céu em festa
é um momento inspirador,
nós na rede, uma seresta,
embalando o nosso amor.

Minha alma bailarina
foge em noites de luar…
Sob a luz da lamparina
com a sombra vai dançar.

Não é o homem proprietário
nem senhor da criação;
é somente um usuário
que fez usucapião.

Não mais se comove o homem
com os sons da natureza.
Seus maus instintos consomem
o rio, a mata, a beleza…

Não zombe de minoria
ao fazer trovas de humor;
como sogra é maioria,
use e abuse, sem pudor!

Na vida não busque atalhos;
desvios são ilusão,
nada mais do que atos falhos
que atrapalham a missão.

Nesta vida o encantador,
com maior significado,
dá-se ao cativar o amor
e ao render-se, cativado.

Noite quente, lua cheia,
é receita milenar:
– Paixão louca que incendeia
os casais sob o luar.

No baile dos trovadores
Angelina faz o clima:
provoca tantos calores
que até desconserta a rima.

Nos percalços dessa vida
já deixei muita pegada
como marca dolorida
dos reveses da jornada.

Nossa vida é aventura
de amor incondicional
com sabor de uva madura
à sombra do parreiral.

Nos trilhos vou sem temor
e com fé me determino;
sou trem nos campos em flor
em busca do meu destino.

Nos vales ou nos outeiros
levando a luz da instrução,
escolas são candeeiros
que aplacam a escuridão.

Numa empresa não há ócio
com um bom empreendedor,
mas o lucro do negócio
quem o mostra é o contador.

Numa profusão de cores
vem o outono, sedutor,
inspirar os sonhadores
num convite para o amor.

O amor inspira a vontade
de viver com alegria.
Não importa a tempestade,
cante e dance todo dia.

O futuro do planeta
não é segredo a ninguém;
preserve e se comprometa
que a vida assim se mantém.

O mar de um azul profundo
e as montanhas esverdeadas
são belezas deste mundo,
precisam ser preservadas.

O pedestal de granito,
que me tolhe o movimento,
eu reesculpo no grito
e um novo destino invento.

Os mistérios da conquista,
como olhares, sedução,
são enigmas cuja pista
bem esconde o coração.

Paraíso, Liberdade,
Morumbi, Consolação:
– se for amor de verdade,
tanto faz a direção.

Patrimônio bem cuidado
não é só na aplicação;
tem mais valor partilhado
fazendo o bem ao irmão.

Peço ao mar que não me esconda
em tamanha vastidão:
– Traga logo em sua onda
quem me cure a solidão.

Pensamento irresolvido
remoendo a mesma história:
– um amor não esquecido
reticente na memória.

Perpetuados lado a lado,
em acervo permanente:
são retratos do passado
que decoram meu presente.

Pescador mais esportivo
deixa seu peixe escapar,
melhor solto que cativo,
para assim o preservar.

Pescadores não se enganam
na sua avaliação:
– Redes vazias emanam
do descaso e poluição.

Poetas são pescadores
de palavras e emoção:
fisgam assim seus amores
com os versos da paixão.

Por ser eterno esse amor,
não amedronta a partida;
sendo Deus o condutor,
não existe despedida.

Por uns trocados banais
a extinção tem seu parceiro
na captura de animais
para fins de cativeiro.

Presença no firmamento
em noite clara, estrelada:
– É o amor de Deus que, atento,
nos guarda na madrugada.

Qual um mistério ancestral,
o luar, na vastidão,
ao luzir, tão passional,
ludibria-me a razão.

Quando, ao vestir-se, derrapa
e a falsa amiga a critica,
a resposta é um belo tapa…
mas com luva de pelica.

Quando chega a primavera
as emoções são pueris
e a natureza prospera
no tempo de ser feliz!

Quantas bênçãos recebidas
quando se caminha aos pares:
um ideal, duas vidas,
dois corações similares.

Quem tem amor entardece
em suave balançar,
contemplando o sol que tece
mais um poente no mar.

Rede que volta vazia
traz tristeza ao pescador
que apesar da nostalgia
leva adiante o seu labor.

São forças da natureza,
não se pode fazer nada:
– fogo, vulcão, correnteza…
e a mulher apaixonada!

São Paulo, gigante altiva
em constante agitação
é, em tudo, superlativa
mas cabe em meu coração.

Saudade é uma dor pousada
nos ombros da solidão:
felicidade passada,
vedada a repetição.

Segredos engarrafados
boiando ao sabor do vento…
Corações despedaçados
para os quais não houve alento!

Sentimento irresponsável
perturbando o coração:
– é o amor, força implacável
fez perder minha a razão.

Seu olhar insinuante,
que tanto brilha me atesta:
– Uma fagulha é o bastante
para incendiar a floresta.

Sigo o rumo, vou em frente,
mas não vai adiantar…
Ser feliz está na mente,
decisão ao acordar.

Sol e mar… calor, beleza…
vêm mostrar à humanidade
que o homem e a natureza
têm a mesma identidade.

Só o amor tem o condão
de avivar, resplandecer,
transformando a escuridão
em radioso amanhecer.

Sorria pra natureza,
respeite e sempre preserve,
só assim teremos certeza
que o mundo assim se conserve.

Sorte, aleatório caminho
que cada destino traça:
para alguns, tão farto vinho;
a outros, vazia taça.

Sua luz, como um farol,
me guiou na tempestade:
fez surgir um lindo sol,
que selou nossa amizade.

Tanta pompa na montagem
faz o enlace reluzir;
mas no bolo o enfeite é a imagem
da vida que está por vir.

Todos têm um professor
na memória bem guardado,
que ensinava com amor,
mesmo mal remunerado.

Traz o arco-íris à lembrança
que, ao criar tanta beleza,
Deus nos fez, em confiança,
tutores da natureza.

Triste destino bizarro
de um país na contramão:
alunos chegam de carro;
professor, de lotação.

Trovadores, em verdade,
são irmãos na inspiração,
na partilha da amizade,
no carinho e na emoção.

Um amor que se alardeia
não passa de sonho vão:
é só castelo de areia
escorrendo pela mão.

Uma vida sem amor
é qual comida sem sal:
em ambas falta sabor,
por ausente o principal.

Um barquinho num painel
em cenário tão bonito…
– São meus sonhos de papel
navegando no infinito.

Um casal apaixonado
faz da vida um carrossel
de emoções, desgovernado,
rodopiando rumo ao céu.

Um segredo bem guardado
para assim permanecer
não deve ser partilhado
para nunca se perder.

Urge o tempo, faz-se escasso,
e, ao sofrer na despedida,
o nosso amor, sem espaço,
mostra a vida não vivida.

Valorando o sem valor,
conjugando o verbo ter,
esqueceu-se quanto amor
num ranchinho pode haver.

Vejo no espaço infinito
e em cada constelação
nosso amor nos céus inscrito
como obra da criação.

Vivo sempre a divagar,
no silêncio em que me abrigo:
– Ah que bom poder voltar,
a estar outra vez contigo!

Voa, passarinho, voa,
que gaiola é só maldade.
Livre, lá nos céus entoa
o cantar da liberdade.

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2º Concurso da IV Etapa Projeto de Trovas Para uma Vida Melhor (Resultado Final) Grupo 1

TEMA:ESCOLA

1º LUGAR

Quisera ver conduzida
a infância que pede esmola,
do negro quadro da vida
ao quadro negro da escola. 
DULCÍDIO DE BARROS MOREIRA SOBRINHO
Juiz de Fora – MG

2º LUGAR

Quando na escola ensinar,
não esqueça, professor:
na grade curricular
deverá constar o amor.
RAYMUNDO DE SALLES BRASIL
Salvador – BA

3º LUGAR

A Fé, a Escola, a Família,   
caminhando de mãos dadas,
são três faróis, em vigília,
iluminando as estradas.
WANDIRA FAGUNDES QUEIROZ
Curitiba – PR

MENÇÃO HONROSA

1.
Qual planta, a Sabedoria,
dentro de um lar nasce e cresce;
para florir, todavia,
sem a Escola não floresce!
ANDRÉ BUENO OLIVEIRA
Piracicaba – SP

2.
A Escola se consolida     
quando o aluno, bem formado,
vai bem na escola da vida
por ter sido preparado!
GLÓRIA TABET MARSON
São José dos Campos – SP

3.
Educação garantida
vem do berço, próprio lar
(melhor escola da vida).
_ Não há quem possa negar.
RUTH FARAH NACIF LUTTERBACK
Cantagalo – RJ

4.
Nela aumentei minha fé 
e aprendi a crer na vida,
eu quero aplaudir em pé
a minha escola querida.
ARGEMIRA FERNANDES MARCONDES
Taubaté – SP

5.
Na escola, o verbo crescer,
se equipara com amar
e o direito de aprender
com o dever de ensinar.
 LUIZ DAMO
Caxias do Sul – RS

 MENÇÃO ESPECIAL

1.
Mais escolas, mais saberes,
mais apreço à Educação,
são ajustes, são deveres
de quem dirige a nação!
RITA MOURÃO
Ribeirão Preto – SP

2.
Luz que ilumina a partida,      
luz que brilha nos caminhos:
os alicerces da vida
são lar e escola, juntinhos…
 MILTON SOUZA
Porto Alegre – RS

3.
A Escola precisa ser
o complemento do lar;
socializar, dar saber
e bons cidadãos formar.
ANGELICA VILLELA SANTOS
Taubaté – SP

4.
Seriam bons os caminhos
dos políticos gabolas
se vendessem seus jatinhos
para construir escolas!
RENATA PACCOLA
São Paulo – SP

TROVA DESTAQUE:

Feliz aquele que ingressa
na escola, em qualquer idade.
– É ali que a gente começa
o voo para a liberdade!     
A. A. DE ASSIS
Maringá – PR

Fonte:
MIFORI

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2º Concurso da IV Etapa Projeto de Trovas Para uma Vida Melhor (Resultado Final) Grupo 2

TEMA:ESCOLA
 
1º LUGAR

É na escola que se aprende
muita capacitação,
mas no lar também se acende
a chama da educação.
MARYLAND FAILLACE
Santos – SP

2º LUGAR

Indo à ESCOLA, eu aprendi
como ler, como escrever;
fui pra vida e consegui
vencer com esse aprender.
 TARCÍSIO JOSÉ FERNANDES LOPES
Brasília – DF

3º LUGAR

A escola da vida ensina
uma lição importante:
o saber é luz divina
e a amizade diamante.
LYRSS CABRAL BUOSO
Bragança Paulista – SP

MENÇÃO HONROSA

1. A boa escola melhora
a vida em comunidade
e o dom da pessoa aflora
na sustentabilidade!
MIFORI
São José dos Campos – SP

2.
Toda escola fortalece
esclarece com coragem;
profissão nenhuma esquece,
quem lhe deu sua roupagem.
 MARIA DIVA FONTES RICO
São José dos Campos – SP

3.
Espaço que dá saber,
que abole manipulados,
e estimula o bem-querer:
– escola – abre cadeados !
CRISTINA CACOSSI
Bragança Paulista – SP

4.
Uma escola é na verdade,     
um sonho bom esperado;
não há limite de idade,
é direito assegurado.
NADIR NOGUEIRA GIOVANELLI
São José dos Campos – SP

5.
Escola onde não existe  
Deve-se logo criar.
Se a ignorância persiste,
Onde o mundo vai parar?
DOM ANTÔNIO AFFONSO DE MIRANDA
Taubaté – SP

 MENÇÃO ESPECIAL

 Orgulho Negro era a escola,
um  esforço pessoal.
Hoje estudar é esmola
do governo Federal.
 CLARA VILAÇA ZARUR
São José dos Campos – SP

2.
A leitura? – Ninguém teme!
-A matéria? – É divertida.
A escola, é o nosso Leme,
Orientando… A nossa vida.
MARIA DE LURDES PINTO DE OLIVEIRA
Vila de Óbidos – Portugal

3. 
No “País do futebol”
cheio de “gênios da bola”,
sobejam, homens de escol…
então para que uma Escola?
ADAMO PASQUARELLI
São José dos Campos – SP

Fonte:
MIFORI

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2º Concurso da IV Etapa Projeto de Trovas Para uma Vida Melhor (Resultado Final) Grupo 3 – Língua Hispânica

TEMA:ESCUELA
 

1º Lugar

Escuela que me formaste
con el venturoso empeño,
la sed del saber calmaste
en aquel ser tan pequeño
MARIA CRISTINA FERVIER
Argentina

2º Lugar

No es la escuela un edificio
sino una comunidad,
donde artesanos de oficio
nos enseñan dignidad.
ALMENDRA VICTORIA AGUIRRE
Argentina

3º Lugar

En la escuela de la vida
aprender  es la constante,
cada lección recibida
es un gran  paso adelante.
MARIA ELENA ESPINOSA MATA
México

MENÇÕES  HONROSAS:

1.
La escuela planta semillas
en la fértil mente humana,
que la conducen a orillas
de la inteligencia sana.
MARÍA ORETO MARTÍNEZ SANCHIS
España

2.
Esa escuela de mi vida
en el ayer que fui niño,
es amor que no se olvida
la recuerdo con cariño.
GERMÁN ECHEVERRÍA AROS
Chile

3.
La escuela sienta las bases
con la misión de enseñar,
y diariamente en las clases
a la persona formar.
JOSÉ HÉCTOR RODRÍGUEZ
Argentina

4.
Es la escuela en nuestra vida,
mucho más que aprendizaje,
es la estrella amanecida,
que ilumina un largo viaje.
CATALINA MARGARITA MANGIONE
Argentina

5.
El hogar es una escuela
y es un templo del saber
deja en la vida una estela
cumpliendo con su deber.
LIBIA BEATRIZ CARCIOFETTI
Argentina

MENÇÕES  ESPECIAIS:

1.
Hoy recuerdo emocionado
mis años en esta escuela;
son muchos los que han pasado
y estar vivo, me consuela.
CARLOS EDUARDO RODRÍGUEZ SÁNCHEZ
USA

2.
De tus labios he bebido
esa enseñanza de amar,
bella escuela sin olvido
yo te evoco al caminar.
CARLOS M VALENZUELA QUINTANAR
México

3.
Escuela de paz y amor
debe ser el mundo entero
y su lección el clamor
del cariño más sincero.
MANUEL SALVADOR LEYVA MARTÍNEZ
México

4.
Calle es la escuela del crimen
que gradúa delincuentes
con venia de los que oprimen
con cargas inconvenientes.
HÉCTOR JOSÉ CORREDOR CUERVO
Colômbia

5.
Fueron los años de escuela
los mejores que viví,
por que dejaron secuela
con todo lo que aprendí.
AGUSTÍN CARLOS IMAZ ALCAIDE
Francia

Fonte:
MIFORI

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Héron Patrício (Caderno de Trovas)

Adeus, meu sonho perdido,
belo, imponente, palpável!”,
disse a mulher ao marido
e ao seu “lixo reciclável”!

A família, reunida,
num projeto de futuro,
cultiva o amor, cria a vida,
põe clarões no mundo escuro!

A gente vê, de manada,
estrela…lua…e planeta…
Basta uma boa topada
numa quina de sarjeta!

A alvorada, em grande gala,
tece a rica fantasia
que faz do Sol, mestre-sala
na passarela do dia.

A minha trova sem ela
– a musa que eu sempre quis – 
é uma trova tagarela,
rima…rima.., e nada diz…

Angustiado, o olhar baço,
ele ao sono não se entrega
porque lhe falta o cansaço
que o desemprego lhe nega!

Antes de uma despedida,
que haja razões de verdade…
– Quem planta um adeus na vida,
um dia colhe saudade.

Antes um “não” que amargura,
antes um “não” que maltrata,
do que a terrível tortura
do teu silêncio – que mata!

Ao criar seu falso drama
o pessimista parece
aranha que tece a trama
e se enreda no que tece!

Ao sentir que a solidão
Vai comigo, em meu caminho,
Tenho a estranha sensação
De que nunca estou sozinho!

Apago as luzes…invento…
e faço tudo o que posso
quando a insônia é meu tormento
no quarto que já foi nosso!

“Apitando” mais que flauta,
– e com sonora potência -,
O Zé nem olha na pauta,
Vai de cor… na “flautulência”!

A quem luta com vontade,
tendo amor no coração,
Deus – a suprema bondade –
dá o problema… e a solução!

A saudade é um passarinho
em teimosa migração…
vem do passado, e faz ninho
nos beirais do coração.

As folhas, feito um tapete,
assoalhando o jardim,
são um tímido lembrete
de que a vida tem seu fim!

A tristeza é uma senhora,
minha velha conhecida,
que me rouba a luz da aurora
e põe noite em minha vida!

Botox… “sarada’… Aos setenta,
com silicone e requinte,
feito uns troféus ela ostenta
seus namorados de vinte.

Cai o luar, transparente,
sobre uma gota de orvalho
e cria um lindo pingente
que dá vida a um velho galho…
 

Cano curto. Olho cansado…
Assim, não foi por acaso
que o velho ficou molhado
quando foi regar o vaso.

Certos corações, fechados,
a bater no isolamento,
têm mais mistérios guardados
do que um cofre de avarento!

Cidadania é um perfeito
e amplo acordo natural
em que o peso do direito
tem, no dever, peso igual!

Coitadinha da infeliz,
com marido gordo, esférico,
arranjou amante, e diz:
– É meu marido… genérico!

Com a dentadura bamba,
que nem “Corega” grudava,
os dentes dançavam samba
cada vez que ele cantava!…

Com seus tons de cinza e neve
a garoa é um manto enorme
aconchegando, de leve,
a São Paulo que não dorme…
 

Desde os tempos de criança
conheço a grande verdade:
jovem vive de esperança,
velho vive da saudade!

Em nossas carícias quentes,
não pesa a idade, nem nada,
porque somos dois poentes
que explodem numa alvorada!

Em ofertório sagrado,
no altar da terceira idade,
com as rimas do passado
rezo em trovas de saudade.

Ergo um brinde… e faço a festa
aos que, honrando o seu dever,
caminham, de forma honesta,
nas vielas do poder!

Eu maldigo a madrugada
que joga luz nos espaços
e manda a rubra alvorada
tirar você dos meus braços!

Eu me recuso, tristeza,
a conviver com teu mundo:
-Vida que tem correnteza
não cria lodo no fundo!
 

Faz-se noite se te soltas
dos meus braços, indo embora..
– és meu sol! Só quando voltas
é que volta a luz da aurora!…

Foi-se a chuva… e a Lua cheia,
que no espaço azul flutua,
põe diamantes na bateia
da poça de água na rua!

Frutos de velhos fracassos,
nossos medos são um muro
limitando novos passos
nos caminhos do futuro.

Hoje, ao reler tuas cartas
com teu perfume marcadas,
vi que todas eram fartas
de mentiras perfumadas!

“Infiéis, os meus cabelos !”,
saudoso, o careca chora …
“Dei carinhos… tive zelos …
mas foram todos embora!”

Luar… ourives de fama
que, pela mata orvalhada,
faz o engaste, em cada rama,
de uma gota iluminada!
 

Malandro, quando elegante,
detém qualidades raras:
tendo apenas um semblante
consegue ter duas caras.

Mesmo sem assinatura
o bilhete me revela
tanta meiguice e ternura
que eu sei que o bilhete é dela!

Minha saudade é defeito
que outra saudade requer,
pois, sempre que abro o meu peito,
encontro a mesma mulher…

Minha sogra me visita…
Dou-lhe beijinhos melosos…
– Ela finge que acredita…
Que dois grandes mentirosos!

Mulher nova me apetece,
cinco ou seis… nunca é demais.
Se mais saúde eu tivesse…
mentiria muito mais!

Não há ciência que possa
dar receita mais completa:
a ternura é mel que adoça
o coração do poeta!
 

Não ponham fogo na cana
– peço ecologicamente –
pois “cana boa” e bacana
é que põe fogo na gente!

Na sedução ninguém sabe
se há vencido ou vencedor,
que ao sedutor também cabe
ser escravo ou ser senhor!

Nas trovas de amor que eu teço
no meu tear de ilusão,
só faltam nome e endereço
de onde vem a inspiração…

Na voragem da procela
do combate interior
é que o homem se revela
se é escravo ou é senhor!

No jardim, junto ao meu quarto,
o silêncio é tão profundo
que se pode ouvir o parto
das rosas chegando ao mundo!

Nó na vida?… – Não me abalo,
desfazê-lo não me cansa,
pois consigo desatá-lo
com dois dedos de esperança!
 

Nos caminhos do Universo
eu sou caçador de estrelas,
e jogo o laço do verso
na esperança de prendê-las.

Nos momentos cruciais
em que o pranto é represado
o silencio fala mais
do que um discurso inflamado!

O balouçar da folhagem
– pequenas mãos dando adeus –
é a chuva, em sua passagem,
trazendo as bênçãos de Deus.

O cientista é poeta,
é trovador inspirado
que a pesquisa só completa
quando encontra o seu “achado”.

O forró, diz meu amigo,
me esbraseia e deixa quente:
o esfrega-esfrega de umbigo
é um perfeito antecedente.

O forró ia animado;
de briga, nenhum perigo…
– Gostoso, que só pecado:
Era umbigo contra umbigo!…
 

O forte nó da saudade
amarra o tempo num laço
e aprisiona a mocidade
nas trovas de amor que eu faço.

O meu desejo transborda,
feito um rio ardendo em chama,
quando a saudade me acorda
sem você na minha cama!

O poeta é um ser aflito,
um eterno insatisfeito,
por ter um mundo infinito
no exíguo espaço do peito!

O sol parece fornalha
queimando tudo o que existe.
O chão, seco, a fome espalha…
mas, nordestino, resiste!

O sucumbir da virtude
ante o poder, é fatal:
é furo rompendo o açude
por onde escorre a Moral.

O tempo, pastoreando
nos sertões da mocidade,
foi, pouco a pouco, juntando
meu rebanho de saudade…
 

Pela ameaça da fome,
quando a seca teima e avança,
a chuva ganha outro nome,
passa a chamar-se… esperança!

Pondo bom senso no meio
quando surge a indecisão,
o medo parece um freio
a pedir calma e atenção…

Quando a folhagem fenece,
cobrindo o verde de luto,
o outono, em troca, oferece
a recompensa do fruto

Quando foi dada a partida,
com mil gametas brigando,
eu lutei por minha vida …
e continuo lutando!

Quem casa com mulher feia,
um “bolo gordo”… um “canhão”,
anda atrás de um “pé de meia”
ou adora assombração!

Ratinho.. lobo… leão…
– mais alguns irracionais –
fazem da televisão
um reduto de… animais!
 

Se o mundo inteiro sorrisse
tão fácil como as crianças,
talvez não fosse tolice
sonhar e ter esperanças!

Sob um manto de neblina,
o sol, que o dia conduz,
aos poucos abre a cortina
e enche o seu palco de luz!

Sou poeta! O meu destino
é manter enclausurado
um coração de menino
num corpo velho e cansado!
 

Tecelã de ricas prendas,
a Lua, no seu tear,
com brilhantes tece rendas
no manto azul do luar!

Temos certeza da idade
quando as rugas do sol-posto
passeiam com a saudade
na tarde do nosso rosto.

Tempo é moinho rangendo
aos ventos da eternidade,
trigais de sonhos moendo
para o meu pão de saudade!
 

Uma estrela no infinito,
é recado que os ateus
recebem, com luz escrito,
sobre a existência de Deus!

Um coração vencedor
não perde, nunca, o combate…
– Quanto mais lhe bate o amor,
com mais amor ele… bate!

Fontes Principais:
http://www.ubtnacional.com.br/
http://singrandohorizontes.blogspot.com.br/
http://ubtrova.com.br/
Boletins da UBT – Nacional
Revista Virtual de Trovas Trovia
Boletins de vários Concursos.

Imagem obtida na internet

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1º Concurso da IV Etapa Projeto de Trovas Para uma Vida Melhor (Resultado Final) Grupo 1

TEMA: FAMÍLIA  
1º  LUGAR

A família quando unida
é chama com forte tocha,
que  irradia luz e vida
à casa feita na rocha.
LEDA COLETTI
Piracicaba/SP

2º Lugar

Com toda minha alma eu creio
e nesta tese me afundo:
a família é o grande esteio
que rege e sustenta o mundo.
ARGEMIRA FERNANDES MARCONDES
Taubaté/SP

 3º Lugar

Com fé e calor de abraços,
partilhando o amor e o pão,
a família estreita os laços
em perfeita comunhão.
LEONILDA YVONNETI SPINA
Londrina/PR

MENÇÃO HONROSA

1. 
Família ideal é aquela             
onde há paz, docilidade;
por mais que seja singela,
tem um quê de majestade.
MARINA GOMES DE SOUZA VALENTE
Bragança Paulista/SP

2. 
Bons princípios semeando   
em permanente vigília
os pais vão edificando
toda a força da família.
OLYMPIO DA CRUZ SIMÕES COUTINHO
Belo  Horizonte/MG

3.
Sempre que um mal nos escolhe,
torna a jornada sofrida.
Se a família nos acolhe,
sobra força e segue a vida…
MILTON SOUZA
Porto Alegre/RS

4.
A sociedade futura
Só se manterá de pé,
Com uma família pura,
Cheia de Deus e de fé.
RAYMUNDO DE SALLES BRASIL
Salvador/BA

5.
Família, célula “mater”,
que traz para a sociedade
a influência do caráter
que se faz realidade!
GISLAINE CANALES
Porto  Alegre/RS

MENÇÃO ESPECIAL

1.  
Foram-se os filhos…Porém,
Deus me fez considerar:
– Família é  isto também:
crescer… e multiplicar!!!
ERCY MARIA MARQUES DE FARIA
Bauru/SP

2.
Nossa família perdura
enquanto o respeito, o afeto,
compreensão e ternura
dividem o mesmo teto!…
DOMITILLA BORGES BELTRAME
São Paulo/SP

3.
Vejo um lar abandonado,
sem família, sem ninguém!…
E ao longe, a voz do passado,
lembra a família de alguém!
Professor Garcia
Caicó/RN

4.
Amor de mãe – sem igual –
no altar da eterna vigília,
é imagem especial
na catedral da família!
DODORA GALINARI
Belo Horizonte/MG

5.
A família é um presente,
que devemos conservar:
mãe…pai…e os filhos da gente
são o tesouro do Lar!
DELCY CANALLES
Porto  Alegre/RS

TROVAS DESTACADAS PARA A CIRANDA

1.  
Se a família é um abrigo,
De ternura e de paixão,
Com muito orgulho hoje digo
Que a guardo no coração…
FERNANDO MÁXIMO
Avis/Portugal

2.
Não há amor mais profundo
como o que a família tem,
ele abarca todo mundo,
bebe o mar e o céu também
DONZILIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO MARTINS
Paredes/Portugal

3.
Família – um novo conceito – 
pois temos modificado
tudo aquilo que foi feito
em velho tempo passado…
ANTONIO COLAVITE FILHO
Santos/SP

4.
Caminhos de luz eu trilho
e feliz minh’alma brilha,
pois meu Sol –autor do brilho-
tem outro nome:  Família.
ANDRÉ BUENO OLIVEIRA
Piracicaba/SP

5.
Quem não tem família sente  
a triste ausência dos seus,
porque a família presente
faz-se um presente de Deus.
GABRIEL BICALHO
Mariana/MG

6.
Família, espinha dorsal,
coluna, eixo, pilar,
elemento estrutural
que faz, de uma casa, um lar…
DARLY O.BARROS
São Paulo/SP

7.
A paz de nossa guarida
 vencia tristeza e dor…
 É na família que a vida
 tem mais vida e mais amor.
 JOSÉ LUCAS DE BARROS
Natal/RN

8.
Minha mãe, pela família,        
sustinha amor sem engodos,
pois sempre a vi, em vigília,
até que chegassem todos!
JOSAFÁ SOBREIRA DA SILVA
Rio de Janeiro/RJ

9.
A maior felicidade
que se pode ter na vida,
no preceito da verdade,
é ter a família unida
RUTH FARAH NACIF LUTTERBACK
Cantagalo/RJ

10.
A família deve ser
um doce ninho de amor,
que aprimora o conviver
e ao caráter dá valor.
PALMYRA MARIA GOULART DUARTE
Rio de Janeiro/RJ

11.
Vem Deus, na luz da harmonia,
a família abençoar:
ofertando o pão do dia,
comungado em cada lar.
VANDA ALVES DA SILVA
Curitiba/PR

12.
A família reunida
pra fazer a refeição
é sinal de força e vida
servindo o pão da união.
ALFREDO BARBIERI
Taubaté/SP

13.
A maior felicidade
é ter a família unida,
é como a Santa Trindade,
lá no céu, e nós na vida!
GISELA ALVES SINFRÓNIO
Olhão/Portugal

14.
Seja em palácio ou favela,
brigam, mas amam também,
e se há feijão na panela
toda família vai bem
ALBA CHRISTINA CAMPOS NETTO
São Paulo/SP

15. 
Da Família neste mundo,
anda esquecido o conceito,
porque o amor mais profundo
já não é amor perfeito!
MARIA JOSÉ FRAQUEZA
Fuseta/Portugal

16.
Damos graças pela vida
que levamos com lisura,
por nossa família unida
e a nossa alma sempre pura!
GENILTON VAILLANT DE SÁ
Vitória/ES

17.
Jesus, Maria, José:    
eis a família sagrada
que, por seu Amor e Fé,
pra sempre será louvada!
RENATO ALVES
Rio de Janeiro/RJ

18. 
No convívio resoluto.
Na relação da pessoa,
Vejo sempre que o bom fruto,
Nasce em família que é boa…
WANDISLEY GARCIA
Jales/SP

19.
Esta família preciosa
ninguém de nós escolheu;
cordial e generosa,
foi Deus quem nos concedeu!
GLÓRIA TABET MARSON
São  José dos Campos/SP

20.
Família sempre reunida,
para fazer oração,
pode viver desunida?
Tenho certeza que não.
JOEL HIRENALDO BARBIERI
Taubaté/SP

21.
“Família que reza o terço
permanece sempre unida”;
 isto eu prezo desde o berço
 e vivo feliz da vida!
AMILTON MONTEIRO
São José dos Campos/SP

22.
Ter o amor no coração…
Numa invencível guarida
é certamente a missão
de toda a família e a vida!!!
ANA MARIA GUERRIZE GOUVEIA
Santos/SP

23.
A família é coração,
é um amor permanente
que forma elos de união,
e ninguém rompe a corrente.
OLÍVIA ALVAREZ MIGUEZ BARROSO
Parede/Portugal

24.
Acorda cedo o labor
da mãe que põe o café
na mesa do puro amor
e enlaça a família em fé.
ELIANA RUIZ JIMENEZ
Balneário Camboriú/SC

25.  A família bem formada
com equilibrio e união,
consegue em sua jornada
enriquecer a nação.
DALVA MARIA DE ARAUJO SALES
Santos/SP

26.
Família de lar cristão,
 Deus lhe dá muito valor,
porque é sempre uma lição
 com sala de aula de amor.
 JUDITE RAQUEL DAS NEVES FERNANDES
Góis/Portugal

27.
A família, como o norte,
com sua estrela polar,
ilumina muito forte
quantos a queiram amar.
JORGE A. G. VICENTE
Suiça

28.
A Família é acolhida,
é ninho de amor e união,
redil da paz e da vida,
da bondade e do perdão!
ANGELICA VILLELA SANTOS
Taubaté/SP

29.
Estrutura da família,
o casal anda distante:
de um lado, amor em vigília;
do outro, nos braços de amante.
GERALDO TROMBIN
Americana/SP

Fonte:
MIFORI
Montagem da Imagem = formatação por J. Feldman, com imagens obtidas na internet

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1º Concurso da IV Etapa Projeto de Trovas Para uma Vida Melhor (Resultado Final) Grupo 2

TEMA: FAMÍLIA

1º Lugar

Se a pressão se faz maior
ante a paz em construção,
família é o esteio mor
que sustenta uma nação!
RITA MOURÃO
Ribeirão Preto/SP

2° Lugar

Oh, berço da minha vida!
Família plena de amor…
A minha melhor guarida,
semente do meu valor.
LUIZ MORAES
São José dos Campos/SP

3° Lugar

A família reverbera
os bons valores humanos.
Dá rumo ao bem e modera
paixões e males insanos.
CYRO MASCARENHAS RODRIGUES
Brasília/DF

MENÇÃO HONROSA

1.
Se a família for suporte
dos filhos em comunhão,
todos acharão seu norte
bem seguros, pela mão!
MARYLAND FAILLACE
Santos/SP

2.
Aqui, no Japão, na França,
em todo o mundo, a saber,
a família é a esperança
que nunca deve morrer.
RAYMUNDO DE SALLES BRASIL
Salvador/BA

3.
Família grande na fé,
sempre unida se compraz;
segue  Maria e José,
vive a verdadeira paz !
NADIR NOGUEIRA GIOVANELLI
São José dos Campos/SP

4.
Toda família é celeiro
de cultura e tradição.
É o amor o mensageiro
que reforça essa lição.
LYRSS CABRAL BUOSO
Bragança Paulista/SP

5.
Jesus,  Maria e José…
A Família da trindade!
É a força da nossa fé…
Caminho, Luz e Verdade!
DÉCIO RODRIGUES LOPES
Mogi  das Cruzes/SP

MENÇÃO ESPECIAL

1.
Família é vida é louvor,
virtude e autenticidade.
Cultivá-la com amor,
Transforma a sociedade!
SEVERINO  JOSÉ DE BRITTO
Belém/PA

2. 
O instituto da família
nós devemos preservar:
ele é o farol na vigília,
jogando luz sobre o mar.
WAGNER MARQUES LOPES
Pedro Leopoldo/MG

3.
Há mais sonhos em vigília
que no sono natural;
quando sonho com família,
mudo logo o meu astral!
MIFORI
São José dos Campos/SP

4.
Família, amor, união
é tudo que a gente quer…  
Marido honesto – um leão! –
defende  a prole e a mulher.
ANGELA GUERRA
Rio de Janeiro/RJ

5.
Elo profundo entre seres
a  família favorece …
Com presença, com dizeres,
com amor … superaquece !…
CRISTINA CACOSSI
Bragança  Paulista/SP

TROVA DESTACADA PARA A CIRANDA

1.
Era  santa  e  abençoada
a  família  de  Jesus.
Mas  isto  não  valeu  nada:
pregaram-nO  numa  cruz !
ANTÔNIO SIÉCOLA MOREIRA
Santa Rita do Sapucaí/MG

Fonte:
MIFORI

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1º Concurso da IV Etapa Projeto de Trovas Para uma Vida Melhor (Resultado Final) Grupo 3 – Lingua Hispânica

TEMA: FAMÍLIA

1° Lugar

Si DIOS reina en la familia
mora la paz  y la unión
todo el mal se reconcilia
pues se vive en comunión.
LIBIA BEATRIZ CARCIOFETTI
Argentina

2° Lugar

 La familia hay que cuidarla
para que esté siempre unida,
siempre quererla y amarla
y tenerla protegida.
ÁNGELA DESIRÉE PALACIOS
Venezuela

3° Lugar

Si es la familia la unión
de sentimientos humanos;
es esa la solución.
para vivir como hermanos.
HILDEBRANDO RODRÍGUEZ
Venezuela

Mención Honorífica:

1.
La familia es la mejor
escuela de sentimientos,
la que brinda más amor
y supera desalientos.
JOSÉ HÉCTOR RODRÍGUEZ
Argentina

2.
Pivote y célula madre
de valores, la familia,
en el amor de Dios Padre
nos alberga y reconcilia.
 ALMENDRA VICTORIA AGUIRRE
Argentina

3.
No existe nada más bello
Que ver la familia unida,
Irradiando el fiel destello
De la esencia de la vida.
 CLAUDIO GARIBALDY MARTÍNEZ
República Dominicana

4.
Base de las sociedades,
fundamento que concilia
cuna de felicidades
sin dudas: ¡es la familia!
CATALINA MARGARITA MANGIONE – MARGA MANGIONE
Argentina

5.
La trova es el fino enlace
de la familia en el mundo,
con el poema renace
la paz y el amor profundo.
MANUEL SALVADOR LEYVA MARTÍNEZ
Venezuela

Mención Especial

1.
Con mi familia querida
sentí la felicidad,
al convivir siempre unida
sin conocer la maldad.
 AGUSTÍN CARLOS IMAZ ALCAIDE
França

2.
Si es célula la familia
de la mundial sociedad
su  amor estará en vigilia
y la paz será verdad.
 STELLA MARIS TABORO
Argentina

3.
Mientras viva un solo niño,
y un corazón se conmueva
por dar cobijo y cariño
¡Habrá una familia nueva!
GISELLE CASTILLO LÓPEZ
México

4.
La  familia es basamento
de la estructura social
donde el ser al nacimiento
construye el  propio ideal.
HÉCTOR JOSÉ CORREDOR CUERVO
Colombia

5.
Es núcleo fundamental
de la vida, la familia;
el bálsamo excepcional
que reconforta y  auxilia.
GISELA CUETO LACOMBA
USA

TROVAS DESTACADAS PARA A CIRANDA.

1.
La familia es el tesoro
más grande que poseemos,
cuidémosla como al oro…
sus valores conservemos.
ALICIA BORGOGNO
Argentina

2.
Silente entrega de amor
cada día es la familia,
donde perfuma la flor
que, unidos, todo concilia.
 MARIA CRISTINA FERVIER
Argentina

3.
La familia es el consuelo
en amarguras y penas,
la alegría y el anhelo
que fraguan bellas cadenas.
 María Oreto Martínez Sanchis
España

4.
Para comenzar el vuelo
en mi familia confío:
duele dejar este suelo
donde está todo lo mío…
 RAMÓN ROJAS MOREL
Argentina

5.
Familia siempre he tenido
la amo como al mar sagrado
lo tengo bien definido
grupo nuclear conformado.
 DR. RAFAEL MÉRIDA CRUZ
Guatemala


Fonte:
MIFORI

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A. A. de Assis (Trovia n. 167 – novembro 2013)


Ciúme não é tolice;
ciúme é medo, meu bem.
Medo de ver o que é nosso
sendo dos outros também.
Adriano Carlos

Na velha igreja te ouço
sino alegre … Estás dizendo
que há muito coração moço
em peito velho batendo.
Lilinha Fernandes

Longe de ti, triste eu passo
(se vivo mesmo, nem sei…).
É cada trova que eu faço
um beijo que não te dei…
Luiz Otávio
 
A resposta custou tanto,
demorou tanto a chegar,
que a esperança, lá num canto,
envelheceu de esperar.
Lucy Sother da Rocha

 


Nessa estrada em que trafego
nem sempre flores conquisto
pois sei que em terra de cego
quem tem um olho… é malvisto!
Antonio Juraci Siqueira – PA

Escrevem tanta besteira!
Parem com isso, de vez!
Pois quem des…fralda  bandeira
de… frauda   o  bom  português!…
Diamantino Ferreira – RJ

Tive tantas namoradas…
Tantas… Tantas… Que castigo!
Hoje estão todas casadas;
nenhuma delas comigo!
Hélio Azevedo de Castro – PR

Alvo da própria pirraça,
o Zé caiu do cavalo;
em vez de ganhar a taça,
na testa ganhou um galo.
Istela Marina – PR

Chega da farra na boa,
como quem acha que pode.
No escuro, beija a “patroa”…
sente na boca um bigode…
Jaime Pina da Silveira – SP

Um eremita perfeito
eu encontrei certo dia…
Era tão chato o sujeito
que de si mesmo fugia.
Olympio Coutinho – MG

Depois da aviária e a suína,
mais folga o aluno cobiça:
quer que venha, repentina,
a gripe  bicho-preguiça!
Roza de Oliveira – PR

Tentando aparentar trinta,
o cinquentão se “ferrou”.
Comprou um estoque de tinta,
mas… o cabelo acabou.
Wandira F. Queiroz – PR


 

Errar nunca foi demérito,
e eu também estou sujeito.
– Nem mesmo o velho pretérito
é totalmente perfeito.
A. A. de Assis – PR

Busco paz, serenidade…
Quando acho que consegui,
percebo que é só saudade
daquilo que eu não vivi.
Adélia Woellner – PR

Num jogo de sombra e luz
fui tomado de emoção,
ante a porta que conduz
o meu ao teu coração.
Agostinho Rodrigues – RJ

Jorram vidas, crescem flores
num ornamento que esmera,
aos campos com vivas cores
por conta da primavera.
Ari Santos de Campos – SC

Ouvindo o bramir do vento
através dos pinheirais,
parece o triste lamento
de entes que não voltam mais!
Alberto Paco – PR

Vão-se os dias… os milênios…
e, no anseio do saber,
cresce o delírio dos gênios,
fazendo o mundo crescer!
Carolina Ramos – SP

Nosso amor em demasia,
que importa? Cobre os espaços
quando veste a fantasia
e faz folia em teus braços!
Clenir N. Ribeiro – Austrália

Ter sempre a palavra certa
e a mão em paz estender;
ter a mão ao bem desperta
– isso se chama viver.
Conceição de Assis – MG

Coração de mãe é grande,
infinito como o amor.
Sua ternura se expande
como o perfume da flor!
Cônego Telles – PR

Era un niño silencioso…
Con la mirada me amaba,
y con un beso amoroso
¡sin tocarme me besaba!
Cristina Oliveira Chávez – USA

A saudade é relicário
guardado dentro da mente;
um mal que foi necessário
para tê-lo hoje presente.
Dáguima Oliveira – MG

Luta inglória é essa nossa,
minha e da enxada, dois loucos,
tudo em nome de uma roça
que a seca mastiga… aos poucos…
Darly O. Barros – SP

A mensagem foi pequena:
– Não me espere, por favor!
Não chores! Não vale a pena
chorar por um falso amor!
Delcy Canalles – RS

Contendo ideia completa
e pregando o bem geral,
um só verso de um poeta
pode torná-lo imortal!
Dari Pereira – PR

Menino pobre, sofrido,
perseverante, cresceu.
Hoje, a Deus agradecido,
esse menino sou eu!
Djalma da Mota – RN
 
Das ofensas de um irmão
não guardes nenhum rancor,
que um minuto de perdão
vale uma vida de amor!
Domitilla Borges Beltrame – SP

Sou livre, sem restrição,
mas afinal, para quê?
Mil vezes a escravidão…
mas juntinho de você.
Dorothy J. Moretti – SP

Sorte, aleatório caminho
que cada destino traça:
para alguns, tão farto vinho;
a outros, vazia taça.
Eliana Jimenez – SC

É no conflito da briga
que notamos como agem:
os falsos, com fel e intriga;
os bons, com brio e coragem.
Eliana Palma – PR

Minha saudade é um desvio
que a solidão me propõe
para fugir ao vazio
que a tua ausência me impõe!
Elisabeth Sousa Cruz – RJ

É meu o teu coração,
embora fujas de mim…
Teus lábios dizem que não,
mas teu olhar diz que sim!…
Ercy Maria Marques – SP

Para amainar meus cansaços,
num fim de tarde que tranço,
busco a rede dos teus braços,
meigos laços… meu descanso!
Flávio Stefani – RS

Eu redobrei a procura
e encontrei com tanto gosto
duas fontes de ternura
nas covinhas do teu rosto.
Francisco Garcia – RN

Embora o tempo me marque
com várias rugas na tez,
se um dia voltar ao parque
serei criança outra vez.
Francisco Pessoa – CE

O meu viver enfadonho,
só de amarguras composto,
põe as rugas do meu sonho
sobre as rugas do meu rosto!
Gislaine Canales – RS

Parece que o mundo inteiro
conquisto, ao imaginar
o vento, a vela e o veleiro
nas ondas verdes do mar.
Jeanette De Cnop – PR

Uma noite dura o pranto,
mas, chegando o alvorecer,
diz o salmista em seu canto:
volta a alegria e o viver.
Jessé do Nascimento – RJ

Cigana, linda boneca,
tu sondas meu coração,
na estranha biblioteca
da palma da minha mão…
Josafá S. da Silva – RJ

Se estudar te desconsola,
lembra a verdade esquecida:
depois da vida na escola,
temos a escola da vida!
José Fabiano – MG

Tanta gente em si perdida
entre sombras se escondendo.
Cada dia é outra vida
que em disfarces vai morrendo.
José Feldman – PR

Ao rever o sítio antigo
do meu passado risonho,
a saudade andou comigo,
lembrando sonho por sonho.
José Lucas – RN

Eu tenho me perguntado
se o verso beneficia
quem o faz bem trabalhado
ou quem nele vê poesia.
José Marins – PR

 Vinde, andorinhas, no estio,
festivas em tarde mansa,
pousar no último fio
que me resta de esperança!
José Messias Braz – MG

Um carro de bois chorão
que eu vi passar, à distância,
trouxe de volta o sertão
que povoou minha infância!
José Ouverney – SP

Nos garimpos desta vida,
que o destino abandonou,
eu sou bateia esquecida
que nem cascalho pegou.
José Valdez – SP

De tanto viver sonhando,
levo o meu barco, a sorrir,
tranquilamente aguardando
mais sonhos em meu porvir!
Lucília Decarli – PR

Após busca pertinaz,
descobri, um dia, a esmo:
– Só hei de encontrar a paz
na renúncia de mim mesmo!
Luiz Antonio Cardoso – SP

Novo estatuto vigora
nas leis do amor hoje em dia:
sei que vale mais o agora
do que a mais bela utopia!
Luiz Carlos Abritta – MG

Nunca mostres apatia
diante da luta na vida,
mas brinda com simpatia
e a inércia será vencida!
Mª Luíza Walendowski – SC

Juntando as tintas mais belas,
Deus, com sublime ousadia,
pinta milhões de aquarelas
no simples raiar do dia!
Ma. Madalena Ferreira – RJ

Ponho meus olhos no espaço
e tropeço entre as estrelas.
Penso em ti: entre elas passo
e nem sequer chego a vê-las.
Mª. Thereza Cavalheiro – SP

Resisto… mas, distraída,
minha razão nem percebe
quando a emoção atrevida
abre a porta… e te recebe!
Marilúcia Rezende – SP

Olhando a escada da vida,
eu me sinto uma criança
que espera achar, na subida,
o corrimão da esperança…
Martha Paes de Barros – SP

Saibam todos que o trabalho
ao homem bom enobrece;
mas quem não pega no malho,
seu espírito empobrece!
Maurício Friedrich – PR

Enfrente toda e qualquer
pressão da vida diária,
da maneira que puder,
na atitude necessária.
Mifori – SP

É na força a paixão
que posso me machucar…
Como dar meu coração
para quem não sabe amar?
Neiva Fernandes – RJ

Escute, esta é a voz do vento
que me traz doces cantigas,
invadindo o pensamento
de lembranças tão antigas.
Nilsa Alves de Melo – PR

No coração trago a estrada
e no olhar terras sem fim…
Mas a rotina, malvada,
fez cercas no meu jardim.
Olga Agulhon – PR

Nos extremos desta vida,
um contraste se percebe:
– A Terra chora a partida
daquele que o céu recebe!
Osvaldo Reis – PR

Na rua do devaneio,
teu desamor, eu suponho,
foi a carreta sem freio
que atropelou o meu sonho…
Pedro Melo – SP

A cor dos teus olhos faz
o que só fazem os vinhos:
me embriaga e é bem capaz
de embriagar os vizinhos.
Raymundo Salles Brasil – BA

Tudo na vida tem preço
e prazo de validade…
Quando tu vais, não te esqueço:
pago teu preço em saudade!
Renato Alves – RJ

Desato o nó da lembrança
e um facho de luz sem fim
me traz de volta a criança
que o tempo levou de mim.
Rita Mourão – SP

Transcendendo o imediato,
poesia é pura emoção.
Nela voamos, num jato,
da terra para a amplidão!
Roza de Oliveira – PR

O silêncio, embora mudo,
quando bem interpretado,
nada diz, mas fala tudo,
decidindo qual jurado…
Ruth Farah – RJ

Somente o amor verdadeiro
é por Deus abençoado;
e por não ser passageiro
é tão sublime e sagrado!
Roberto Acruche – RJ

No amor minha aprendizagem
com tantos erros se fez,
que não tenho mais coragem
de aprender tudo outra vez!
Sebas Sundfeld – SP

Com os elos da amizade,
entre versos nos guardamos;
com a trova na verdade,
bons amigos conquistamos.
Sarah Rodrigues – PA

Receio o destino incerto
de perder-me em teus encantos
e tornar-me um livro aberto,
esquecido… pelos cantos.
Sérgio Ferreira da Silva – SP

Velhice é mal que persiste
se a vida é trilha enfadonha…
É sombra invadindo triste
o espaço de quem não sonha.
Thalma Tavares – SP

Quando  o amor se distancia
e o sonho fica apagado,
não há feitiço ou  magia
que salve o encanto quebrado…
Thereza Costa Val – MG

Ah! Coração, tem cautela
e deixa de brincadeira!
Tens sonhos de Cinderela
e eu sou Gata Borralheira!
Therezinha Brisolla – SP

Doce palavra vibrante,
lapidada na emoção…
É a trova um raro brilhante,
moldado na nossa mão.
Vanda Alves – PR
 
Repletos, alguns cinzeiros
marcam longa madrugada,
perdida em meio aos ponteiros
de um tempo cheio de nada.
Vanda F. Queiroz – PR

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Orlando Woczikosky (Príncipe dos Trovadores do Paraná)

1
A Vida é maravilhosa
e o lar, um jardim florido
quando a mulher é uma rosa
e o jardineiro, o marido.
2
A cantar, a minha vida,
eu canto em qualquer cidade,
mas minha terra querida,
eu não canto sem saudade!
3
Agora sou nau sem rumo,
Que zarpou da mocidade,
Para encalhar, eu presumo,
No banco duma saudade.
4
A mãe da gente é uma luz
que brilha, brilha e rebrilha:
dá-nos vida e nos conduz
pela mais sagrada trilha.
5
Amor que não tem saudade,
é planta que não dá flora;
amor que é amor de verdade,
na saudade é mais amor.
6
A mulher é diferente
no terreno da emoção:
– O homem diz sim e consente,
ela consente e diz não!
7
A nossa UBT querida
é meu verdadeiro amor,
faz parte da minha vida
como a um jardim, uma flor.
8
Às vezes, na multidão,
estou só sem ver ninguém,
porque a maior solidão
é estar longe do meu bem.
9
A vagar pela cidade
Hoje, bem longe de ti,
Vejo, através da saudade,
O tesouro que perdi.
10
Beba água mineral
e viva despeocupado,
porque água só faz mal
para quem morre afogado.
11
Cônscio de que nada valho,
quando te beijo, formosa,
eu sou uma gota de orvalho
que tremeluz numa rosa.
12
Convidei a minha sogra
pra passear no Butantã:
a velha mordeu a cobra,
e a cobra ficou tantã!
13
Curitiba, paraíso
Que mil encantos encerra,
Linda Cidade-Sorriso:
– Sorriso da minha terra!
 14
Dezoito anos de idade
Completei no fim da guerra,
No fim da calamidade
Que tingiu de sangue a terra.
15
Dentro de certas pessoas
há duas forças latentes:
uma que as trona tão boas,
outra que as vira serpentes.
16
Desde que cedo me acordo,
Até que à noite me deito,
Com saudade te recordo,
Meu único amor perfeito!
17
Em noites de lua cheia,
no tênue alvor que se espraia,
minha alma foge e vagueia,
perambulando na praia.
18
É nobre quem não exalta
vitória já conquistada,
pois a nobreza mais alta
é vencer sem dizer nada.
19
É nos olhos que a pimenta
quando toca nos magoa:
quem tem sogra não a aguenta,
quem não tem diz que ela é boa.
 20
Esta saudade é uma luz,
Na noite da minha vida,
O guia que me conduz
À tua imagem, querida.
21
Eu fui a tua metade
E foste a minha, porque,
Agora, só na saudade
Inteiro a gente se vê!
22
Eu não gosto de sorteio
Porque a sorte é contra mim:
Talvez porque eu seja feio,
De uma feiura sem fim.
23
Eu não troco uma jazida
De ouro puro e refinado,
Por uma hora vivida
Na saudade do passado.
24
Eu nasci pobre na vida,
no entanto sei quanto valho,
pois conheço a dor sentida
dos que tombam no trabalho.
25
Felicidade é a esperança
que está sempre em nós presente,
mas a gente não a alcança
e ela não alcança a gente!
26
Flavo sol que as flores pintas
com doce tonalidade,
empresta-me as tuas tintas,
quero pintar a saudade.
27
Minha avó, que já está morta,
queria tudo perfeito:
até fazendo uma torta,
fazia torta direito.
28
Não fosse a necessidade
De tanto, tanto te amar,
Sufocaria a saudade
Nas profundezas do mar.
29
Não me comove a riqueza,
E nem lhe adoro a conquista,
Pois, em saudade e pobreza
Também sou capitalista.
30
Não te incomodes, querida
Se o meu peito a dor invade,
Pois, são temperos da vida
A dor, o amor e a saudade.
31
Não vim para te dar um beijo,
vim pra te dar muito mais,
vim dizer que te desejo
O melhor dos teus Natais!
32
Natal é uma festa linda,
festa de luz e esplendor,
que nos rememora a vinda
De Jesus, Nosso Senhor.
33
Nesta vida de percalços
todo mundo tem defeitos,
mas entre honestos e falsos
todos se julgam perfeitos.
34
Neste ano, peça a Deus,
que a todos, como a você,
os mesmos tesouros seus,
aos seus semelhantes dê.
35
Ninguém proíbe que morras
nas tuas loucuras andanças,
mas dirigindo não corras
para não matar as crianças.
36
No dia dos namorados
fico triste, simplesmente,
por ver que há muitos coitados
sem ter a quem dar presente.
37
O amor é a coisa mais bela
deste mundo encantador!
E é você quem me revela
toda a beleza do amor!
38
O amor é igual à comida:
demais, não se dá valor;
quando falta em nossa vida,
dá-se a vida pelo amor!
39
Oh! doce mundo da infância,
todo em saudade tecido,
a recordar-te a distância,
eu choro por ter crescido.
40
Para trovar, certamente,
não bastam apenas rimas;
trovador inteligente
faz das trovas obras-primas.
41
Pela guerra não há glória:
– Perder, vencer, tanto faz!
– A verdadeira vitória,
só se alcança pela paz!
42
Por mais que hoje louve a vida
dos que fazem bem por lei,
trago n’alma a dor sentida,
dos males que pratiquei.
43
Pra me esquecer de você,
Tenho rezado à vontade!
Mas não te esqueço, porque
A minha reza é saudade.
44
Quando a trova justifica
sobejamente a valia,
– Rima pobre ou rima rica –
sempre é grande poesia.
45
Quando em meus braços te aperto,
todo o infinito sorri,
porque a vida é um céu aberto
quando estou perto de ti.
46
Quando tu fores velhinha
E eu também, da mesma idade,
Sentirás saudade minha,
Sentirei de ti saudade.
47
Quem diz que não tem saudade
e se é verdade o que diz,
não teve a felicidade
de já ter sido feliz.
48
Quem pratica a Medicina
espelhando-se em Jesus,
por certo Deus ilumina
com sua divina Luz.
49
Quem se afunda na bebida,
para afogar sua mágoa,
descobre, no fim da vida,
que a melhor bebida é água.
50
Que não valha a minha trova
por nada do que ela exiba,
senão por tudo o que prova
do valor de Curitiba.
51
Revivendo, na saudade,
a minha casa paterna,
Choro! Mas tenho vontade
que a saudade seja eterna.
52
Saudade é a lembrança viva
Daquilo que já morreu;
É fogo que inda se ativa
Das cinzas do escombro seu.
53
Saudade é coisa que nasce
À tona do pensamento,
E, por mais que o tempo passe,
Paramos nesse momento.
54
Saudade é lua que vaga
Nas sombras do sol do amor;
Quanto mais o sol se apaga,
Mais a lua traz langor.
55
Saudade é luz matutina
no crepúsculo da gente.
Sol que o passado ilumina
quando escurece o presente.
56
Se, à noite, chega o negror
E todo o meu ser invade,
Clareia-se o meu amor,
Dentro da luz da saudade.
57
Se eu de você fico ausente
e alguém os meus olhos vê,
lendo os meus olhos pressente,
no fundo deles, você!
58
Se partes, fica o desgosto
da minha alma sem a tua,
e eu pareço um rei deposto
perambulando, na rua.
59
Ser Presidente de Honra
da UBT, é, para mim,
mais do que uma simples honra,
é uma lisonja sem fim.
60
Sou feliz por te dizer,
em palavra comovida,
que minha vida é um prazer
se há prazer na tua vida.
61
Trocando sempre teus ares,
foges de mim com prazer;
mas apesar dos pesares
eu não te posso esquecer.
62
Tudo que é bom, nesta vida,
foge-nos celeremente,
somente a dor mais sentida
fica na vida da gente.
 63
Vermelho igual ao tomate,
meu coração é um bife:
quanto mais alguém lhe bate,
mais amolece o patife.

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