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Nei Duclós (Poesias Avulsas)

EVOCAÇÃO DO CANTO

Descerra essa violação, afasta essa solidão
Venha me encontrar na última carruagem
Pegue o trem, pilote o avião, pouse em Marte
Retorne com as palavras perdidas no porão
Venha, rouxinol, cante que é tarde

VOLTA, RIO

Na origem, o Rio é uma paisagem-monumento
na essência, um urbanismo clássico
na História, uma soma nacional
na música, uma tarde de sol.

REVANCHE

Sou avô, mas jamais fui neto
Por destino desenhei uma linhagem
Da nação sem lei sou a estiagem
E reponho a bandeira no meu teto

FICO

Nenhuma palavra brota do silêncio
Voltado para o canto escuto o vento

Nenhuma conversa opera no silêncio
Dobrado no quarto enxergo o tempo

FLAGRANTE

Não peço desculpas pelo atraso
Nem pelo caldo, folia de Reis
na serra do Espinhaço, turismo
de sal na areia depois das seis

TRAPÉZIO

Tempo não ocupa espaço
Desanda quando acontece

Rastro de sombra, penhasco
Com os minutos em queda

PÁSSARO

É breve o pássaro
que ofusca a treva

Obscura flor
da ante-manhã

AVESSO

Agora que a face do sol sem
brilho acorda a face oculta
de deus virado pelo avesso

TRÉGUA

Quem fala em amor numa noite dessas
quando o tempo morre no horizonte

Quem fala em amor que te apedreje
porque a pedra afagou antes da mágoa

MARTE

Levantou
porque não havia mais espaço
Suspirou
porque a manhã não abre

VERANICO

maio se despede com o tempo em brasa
último aceno do verão, tardia praia

prenúncio do frio temido pela alma
(exílio juvenil de sombrias memórias)

É TEMPO DE PERDÃO

É tempo de perdão pelo tempo perdido

É a perda de tempo que nos mantém cativos

Não o tempo sem valor ou a chance fria

Mas o tempo do coração em queda livre
—–

Mais poesias do autor, cronicas, contos, artigos, resenha de seus livros, etc. Podem ser encontrados no site do autor, abaixo

Fonte:
http://consciencia.org/neiduclos

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Arquivado em O poeta no papel, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Uruguaiana

Nei Duclós (1948)

Nei Carvalho Duclós (Uruguaiana, 29 de outubro de 1948) é jornalista, poeta e escritor brasileiro.
Aos 17 anos se mudou para Porto Alegre e se matriculou no curso de engenharia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o qual abandonaria logo depois em favor da faculdade de Jornalismo. Envolveu-se no movimento estudantil brasileiro após o golpe militar de 1964. Trabalhou no jornal gaúcho Folha da Manhã e publicou seu primeiro livro, Outubro, em 1975.

Mudou-se para São Paulo, onde desenvolveu longa carreira como jornalista, tendo trabalhado no jornal Folha de S. Paulo, revistas Brasil 21, Senhor, e IstoÉ. Publicou textos também em O Estado de S. Paulo, Veja e Jornal do Brasil.

Publicou Outubro e No Meio da Rua, ambos pela editora LP&M, em 1980, e No Mar, Veremos, pela editora Globo, em 2001, todos de poesia. Em 2004 publicou seu primeiro romance, Universo Baldio, pela W11 Editores.

É bacharel em História pela Universidade de São Paulo

Atualmente reside em Florianópolis, no estado de Santa Catarina, onde trabalha na revista Empreendedor e publica coluna no Diário Catarinense.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org
http://consciencia.org/neiduclos/

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Arquivado em Biografia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Uruguaiana

Folclore em Trovas 6 (Boitatá)

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20 de outubro de 2009 · 20:41