Arquivo do mês: setembro 2008

Nilto Maciel (Leste da Morte)

A trama das narrativas de Nilto Maciel freqüentemente se expressa em linguagem poética: “Abriu a porta e o som do piano inundou o mundo. (…) Tateou espaldares de cadeiras. Tocos os dedos numa orelha. Ouviu um muxoxo feminino. (…) Conhecia a música. Talvez de Haendel. Ou seria de Grieg? (…) As mãos do artista. Não, não podiam ser mãos. (…) Sim, eram garras, jamais mãos humanas. Seriam de lobo?” Atmosfera semelhante pode ser encontrada em vários outros momentos do livro. Trata-se de um cadáver ensangüentado, “levado, às escuras, para os confins do cemitério. (…) E o enterraram numa cova aberta às pressas. A leste da morte” (p. 39). Ao escrever sobre incêndio ocorrido num espigão de cimento armado, o salto de uma pessoa para o abismo é visto deste modo pelo autor: “Súbito um corpo apareceu entre a parede do edifício e a eternidade, rodopiou no espaço, na direção da terra”. Para espanto da platéia, o suposto cadáver ergueu-se do chão e saiu andando (p. 43).

Num conto em que narra as peripécias de um mágico supostamente dinamarquês, a cosmovisão do ficcionista desenha poeticamente as façanhas saídas das mãos do prestidigitador: “Uma pombinha surgia trêmula nas mãos do estrangeiro. Batia as asinhas, voava, voava e sumia no céu. Um coelhinho saltava da cartola, olhinhos vermelhos de espanto, focinho inquieto, e as primeiras mãos do povo o agarraram sangrentas” (p. 67).

“Menino Insone” (p. 76) é outra página com todas as peculiaridades de um poema. Os ritmos da narrativa parecem confundir-se com os ritmos da respiração dos personagens. Não se sabe ao certo se o menino está dormindo ou acordado sob “a luz da lamparina (que) bruxuleia”. O irmão menor do menino levanta-se da rede e perambula pela casa, como se acometido de uma crise de sonambulismo. “Permanece de olhos abertos, atento à luz da lamparina, às sombras, aos pequenos ruídos”. É como se um fantasma, expulso dos subterrâneos de um pesadelo, vagasse por aposentos desertos à procura de reminiscências de vidas passadas em outros planetas.

Contos dessa natureza não são raros na ficção de Nilto Maciel. Levam necessariamente o leitor às raízes da chamada literatura do absurdo, na qual se destacam celebridades da estatura de Kafka e de outros mestres do gênero. “Chovia fininho. Um arco-íris enorme cobria a praça, a cidade, a serra, o mundo. (…) Na rede ao lado, o outro menino dormia. Pareceu-lhe ouvir um galo cantar” (p. 77). Em “Chão Pintado de Sangue”, algumas pessoas aplaudiam ou vaiavam “um rapaz de roupas exóticas”, que declamava versos herméticos para uma platéia irreverente: “O poema é um punhal que brilhará na carne dos condescendentes. Seus reflexos parirão estrelas que habitarão o céu. Marinas cintilarão como ametistas nas bocas dos desvalidos. Imensas pérolas de enfeites da grande festa anunciada” (p. 63).

Poderia citar vários outros exemplos da riqueza semântica encontrada no contexto das narrativas de Nilto Maciel. Não o faço por estar convencido de que ao leitor deve caber o privilégio de descobri-los por si mesmo. Até porque, segundo Montaigne, certos leitores são capazes de detectar nos escritos alheios virtudes e perfeições não percebidos pelos próprios autores. Gosto sempre de repetir frase de Drummond, segundo a qual “o romance é a arte de destelhar casas sem que os transeuntes percebam”.

Nilto Maciel é, sem dúvida, um mestre consumado do conto moderno. Não apenas pelo requinte no uso de todas as gradações e alternativas morfológicas da escrita literária. Como também, e sobretudo, pela maneira engenhosa com que disserta sobre tendências e conflitos da subjetividade que navega “a leste da morte”.
Fortaleza, 3 de agosto de 2006.

Narrativa polifônica caracteriza os contos do novo livro de Nilto Maciel
Ronaldo Cagiano • Brasília – DF

Autor de mais de duas dezenas de livros que cobrem diversos gêneros, Nilto Maciel percorre com desenvoltura várias temáticas, sempre se valendo de uma grande flexibilidade de linguagem, técnica e forma e da manipulação de cenários distintos para construir seus personagens e histórias. Em seu novo livro, A leste da morte, ele reúne 47 contos, matizando universos que extrapolam os territórios geográficos, porque são ressonâncias fiéis do psicológico, da memória, das lembranças e imagens ancestrais, que constituem as experiências afetivas, sociais e humanas que habitam a imaginação e são as referências que sustentam o vasto espectro criativo do autor.

Alternando textos breves ou longos com uma prosa que mantém um pé na tradição e outro na modernidade, Maciel consolida sua força narrativa em histórias que filtram a vida, principalmente a vida do interior, onde o autor colhe matéria para uma artesania literária que incorpora, na maioria das vezes, um vezo de surrealismo. Alguns textos têm a duração de um curta-metragem e trazem, nesse breve arcabouço, um mundo coroado de mistério e misticismo, de sagrado ou de profano, de lenda e de folclore, revelando sutilmente a alma sertaneja, distanciando-se dos clichês da escritura regionalista. Não obstante a cor local de seus contos, a dicção niltoniana ultrapassa as fronteiras dessa geografia carregada de mitologias, porque os dramas e acontecimentos retratados são próprios do homem em qualquer circunstância ou lugar, daí a universalidade de seus relatos.

Trem fantasma, texto que nos faz embarcar no conjunto dessas histórias, revela, tanto pela síntese quanto pelo inusitado e pela surpresa, a tendência fabulatória encontrada em muitos textos do autor, que busca na fantasia, no absurdo, na alegoria ou na caricatura um artifício para compreender a realidade. A exatidão minimalista e fotográfica de alguns contos também nos remete a perceber a influência da instantaneidade, peculiar à oralidade e ao coloquialismo encontradiços na rica cultura popular nordestina.

Nilto aproveita a carga metafórica das histórias do mundo anterior que traz no inconsciente e as reinventa, para guiar o leitor por diversas atmosferas. A ambientação da linguagem, embora sem localização territorial, nos faz reconhecer situações presentes no imaginário do homem do interior, em que prevalecem os velhos cacoetes da vida provinciana, dos burgos, do coronelismo e do cangaço, da religiosidade e das crendices, com seus coronéis, suas lutas de poder, em que vida e morte se digladiam em tênue fronteira. Enfim, um esboço típico dos contrastes entre a modernidade e o arcaísmo, aqui amalgamado por um sutil censo de humor e ironia.

O último vôo da rapina, conto em que o personagem principal é o anagrama do abutre, traz como simbologia a luta pela preservação da vida por meio da busca desenfreada da manutenção dos sonhos, num conto de acento hitchcockiano. Outro bom exemplo de tessitura ficcional encontramos em Os urubus e Deus, explícito viés do fantástico. Em outros momentos, Nilto repovoa suas histórias revisitando temas bíblicos, literários e históricos, como em Caim e Abel, O sonho esquecido, O sétimo aniversário de Branca de Neve, Apontamentos para um ensaio e o paradigmático Maneco, futebol e cerveja, reconstrução da decadência de um jogador, numa perfeita analogia sobre a fugacidade da glória e a transitoriedade do infortúnio.

A perícia de Nilto Maciel é marcante na confecção de Águas de Badu, ao utilizar-se da transcriação literária para dialogar com a profundidade narrativa de Guimarães Rosa, invocando os paradigmas de O burrinho pedrês. E no peculiar O livro infinito, uma espécie de conto dentro do conto, transita pela história, pela literatura, pela música, etc., num espectro em que se discute a própria arte. Impende dizer que para atingir o ápice ou convencer o leitor, Maciel não se vale de nenhum recurso estrambótico, como rupturas ou outros artifícios experimentais de linguagem. Sua prosa se revela moderna, mas sua estrutura é clássica, tradicional, porque o que importa para o autor é o domínio do conteúdo e não o extravasamento da forma.

A leste da morte é um caleidoscópio de temas e situações que consolidam a trajetória de Nilto Maciel, um autor que há três décadas vem se dedicando de corpo e alma à literatura e a cada novo livro, com seu timbre, suas vozes e seu sutil censo de observação, se afirma como um habilidoso artista, que conta e reconta as delícias e asperezas da vida, expondo as grandezas e misérias humanas, com inegável destreza literária.

Fontes:
Francisco Carvalho. in http://www.vastoabismo.xpg.com.br
Ronaldo Cagiano in http://www.bestiario.com.br

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Nilto Maciel (Paisagem Celeste)

Pé ante pé, mão a roçar a parede, Luís deixou o quarto, passou pelo corredor e alcançou a ante-sala. Em cada mão um sapato. Parou, conteve a respiração, desceu o primeiro degrau e o segundo. Olhou para trás. Tudo calmo. Levou a mão à porta. Nada de barulho ao retirar a trave. Se Maria ou os filhos acordassem, inventaria alguma desculpa: esquecera de trancar a porta. E voltaria à rede. Sondou de novo a retaguarda: a parca luz da lamparina se infiltrava pela brecha da porta e alumiava uma nesga de chão do corredor. Ninguém tossia nem roncava. Dormiam sonos profundos, talvez. Retirou, com cautela, a trave e a pôs no chão, em posição vertical. Se tombasse, todos acordariam. Deu uma volta à chave, mais uma, retirou-a da fechadura e a colocou num bolso. Abaixou-se para levantar o ferrolho, voltou à posição normal, puxou com leveza a tábua da porta, olhou para os dois lados da rua, fez o movimento contrário na madeira e desceu o degrau para a calçada. Meteu no bolso a mão, à cata de cigarros. Não, a fumaça inundaria a casa, pelas brechas da porta. Caminhou a passos largos no rumo da igreja matriz.

Necessitava caminhar muito, cansar, sentir vontade de dormir. Não suportava mais tantas noites sem sono, a se revirar na rede. Quando a claridade da aurora se anunciava no telhado, mal agüentava espiar os punhos da rede, a cabeça a lhe doer, o corpo quente, febril. Embora assim, carecia se banhar, tomar café, caminhar até a mercearia e passar mais um dia sem ânimo, nem para as conversas sem fim com os amigos de sempre. Ao chegar à pracinha, sentou-se num banco. As luzes dos postes lhe faziam mal. Tossiram numa das casas. Tratou de deixar o banco e se pôs a caminhar entre as árvores, pelas calçadas internas do logradouro. Viu-se diante do coreto. Há quanto tempo não o via! Talvez nunca tivesse passado ao seu interior. Um cachorro dormia debaixo de um banco e se assustou ao ver aquele guarda-noturno estranho. Fez menção de se erguer e correr. Luís o tranqüilizou. Ficasse ali mesmo, não lhe ia fazer mal. O cão mirou os olhos do homem, que deu meia-volta e se retirou. Nada de confusões, fosse com bichos, fosse com gente. Precisava de solidão, paz e silêncio. Para onde iria? Talvez para a mercearia. Não, aquilo não. Os vizinhos acordariam e suspeitariam de arrombamento. Além do mais, já passava os dias enfurnado entre sacos de arroz e fardos de algodão. Tomou o rumo da rua paralela àquela pela qual ia e vinha duas vezes por dia. Na calçada outro cachorro deitado junto à parede. Passou para o meio da rua. Avistou, ao longe, as torres da matriz. O relógio indicava 12 horas e 45 minutos. Se encontrasse a porta entreaberta, ajoelharia diante do altar e rezaria. Talvez não. Há anos não assistia à missa. Até já o chamavam de ateu. E por que não subir a serra? Apressou o passo. Sim, rumar pela estradinha escura e depois se meter no mato, procurar algum riacho, alguma cachoeira. A Lua apareceu atrás do Pico Alto. Pôde ver com clareza o chão coberto de folhas secas e gravetos. Ia necessitar de muito fôlego para subir a ladeira. Daquele jeito, fumando muito, bebendo genebra todo dia, não chegaria longe. Mas precisava daquilo, os negócios iam mal, os filhos mais velhos só lhe davam desgostos, Maria não lhe apetecia mais. Há quanto tempo não se encostavam um no outro? Ela num quarto, ele noutro. Conversavam apenas o necessário, quando muito. Discutiam por qualquer ninharia. Não se miravam nunca. Dormir como qualquer outro – impossível. Estacou diante de uma vereda. Examinou a ribanceira. Chiado de água a escorrer. Apalpou o chão com os pés e se pôs a descer. Rastejariam serpentes por ali? Armou-se de um pedaço de pau. Serviria de cajado. Maria teria despertado? E os filhos pequenos? Quando acordassem e o não vissem… Não, nunca o viam ao amanhecer. Ainda dormiam quando saía para trabalhar. Mesmo assim, prometia voltar antes de o sol raiar.

Sentou-se ao pé de uma rocha. Açoitou o chão com o galho seco. Nada de bichos por perto. Olhou para o alto. A Lua vagava entre nuvens. Acendeu um cigarro. Bater de asas ao seu derredor. Pios de protesto. Jogou fora a ponta acesa e a esmagou com o pé. Deitou-se e se pôs a admirar a Lua, como há muito não fazia. São Jorge num cavalo enfrentava um dragão. Nuvem enorme encobriu soldado e animais. Luís fechou os olhos. Aquela peleja não acabava nunca. Ou não passava de pintura, paisagem celeste? Rodavam no espaço desde o início. E rodariam até o fim.Quando abriu os olhos, uma nesga de sol se filtrava entre as telhas do quarto. Estremeceu na rede e viu Maria a fugir feito fantasma, de volta ao outro quarto. Já voltei da serra?
(Agosto/ 2003)

Fonte:
Nilto Maciel. A Leste da Morte. Porto Alegre, RS: Ed. Bestiário, 2006.

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Nilto Maciel (Livro Infinito: Mensagem)

Como costumava fazer durante as manhãs de sábado, Antônio Sollos, em pé, folheava livros desde cedo, numa livraria. Nada de praias, bares, visitas a parentes. Buscava novidades e antigüidades. O novo contista, o romancista esquecido, o escritor de sua predileção. Agarrou com unhas e dentes um volume de contos de Kafka. Queria conhecer “Durante a Construção da Grande Muralha da China”. Cheirou o livro, como se fosse um charuto, admirou a capa e se pôs a ler um trecho: “O imperador – assim consta – enviou-te, a ti, a ti que estás só, tu, o súdito lastimável, a minúscula sombra refugiada na mais remota distância diante do sol imperial, exatamente a ti o imperador enviou do leito de morte uma mensagem.” Desde a chegada, não via freguês. Apenas vendedores. Alguma novidade? Muitas, muitas, Seu Sollos. Ouviu vozes de quem entrava na loja. Voltou ao livro: “Aqui ninguém penetra; muito menos com a mensagem de um morto”. As vozes e o arrastar de pés calçados o fizeram levantar a vista. Não conseguiu distinguir de quem eram. Vozes de mulher e homem. Um casal, certamente. Gostou da voz dela. Até lhe lembrava uma voz doce de uns tempos passados. O som dos passos se aproximaram dele. Sondou os arredores. O casal só podia estar do outro lado da estante. Ergueu-se nas pontas dos pés. Viu uma testa robusta, corada, de homem, e uns fios de cabelos quase louros, lindos. Abaixou-se e, pela brecha da prateleira, viu uns lábios rubros que parecia sorrirem para ele. Descontrolado, largou o livro e se pôs a caminhar lentamente pelo estreito corredor. Ao fim dele, virou para a esquerda e parou. A dois ou três metros, avistou o homem de lado, mãos erguidas na direção da prateleira. Só podia ser o marido de Ana. A mulher ao lado dele seria, então, Ana. Não queria revê-la. E se voltou, para atravessar a sala pelo corredor perpendicular àquele em que o casal se achava. Saiu apressado, disposto a fugir. No entanto, antes de alcançar a porta, se viu frente a frente com Ana. Quis sorrir, olhou para os lados, cumprimentou-a com duas palavras, contemplou os olhos dela e saiu da loja.

Fonte:
Nilto Maciel. A Leste da Morte. Porto Alegre, RS: Ed. Bestiário, 2006.

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Feira de Livros em Maringá

De 29 de setembro a 03 de outubro (segunda à sexta), acontecerá a Feira de Livros, promovida pelo SESC, com apoio da Academia de Letras de Maringá.

PROGRAMAÇÃO:

29 DE SETEMBRO – Segunda-feira
– 9 e 10 horas – Apresentação/contação de histórias
Cia. Fanto Kid’s: Na mala há histórias. Contadores: Danilo Furlan e Ro Fagundes.

– 12 horas – Performance literária: Dom Casmurro e o Cortiço
Cia. Célula Adiposa. Produtora: Ligia Souza.

– 13h30 às 17h30 – Oficina de Haicai com a escritora Neide Rocha Portugal, Membro Correspondente da ALM.

– 20 horas – Palestra interativa. Mediadora: Lucia Bittencourt – RJ. Local: SESC-Maringá.

30 DE SETEMBRO – Terça-feira

– 10 e 15 horas – Espetáculo de bonecos: Montando Lobato.
Bonequeiro: Elcio Di Trento – Curitiba – PR

– 20 horas – Seminário de literatura. Tema: Os vários olhares da Literatura.

– 20 horas – Workshop e bate-papo com educadores: Da Narrativa ao Livro – A Arte de Contar Histórias

Mesa redonda 01: Mídia, Literatura e Violência.

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– Tema: Indústria Cultural como Mensagem à Violência.
Mediador: Professor Dr. Luiz Hermenegildo Fabiano, Doutor em Educação – UEM.

– Tema: Violência Étnica.
Mediadora: Aracy Adorno Reis, Especialista em Cultura Africana e Relações Inter-Étnicas.

– Tema: Um Olhar sobre Produção de Telas.
Mediador: Professor Dr. Raimundo Lima, Doutor em Educação – UEM.

1º. DE OUTUBRO – Quarta-feira

– 9, 10, 14 e 15 horas – Apresentação/contação de histórias: Donas Palavrinhas e Suas Conversinhas – poesia para crianças e o show Contarolando.
Contador: Guga Cidral, artista educador – Curitiba – PR

Mesa redonda 02: Mídia, Turismo e Literatura.

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– Tema: Santiago de Compostela.
Mediador: Professor Dr. Luiz Giani, Doutor em Educação – UEM.

– Tema: Turismo Cultural.
Mediador: Professor Ms. João Santos, Mestre em Educação, História e filosofia da Educação – UEM.

– Tema: Literatura Indígena.
Mediadora: Professora Ms. Sheilla Dias de Souza, Mestre em Artes Visuais.

02 DE OUTUBRO – Quinta-feira

– 9, 10, 14 e 15 horas – Espetáculo de contação de histórias: Fantasia e Histórias que a Vovó Contava
Cia. Pedras. Contadores: Iara Ribeiro e Adriano Braga – Maringá – PR

Mesa redonda 03: Mídia, Literatura e Ideologia.

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– Tema: Olhar sobre a Cegueira (José Saramago).
Mediador: Professor Dr. Walter Lúcio de Alencar Praxedes, Doutor em Educação – UEM.

– Tema: Quarto de Despejo (Carolina Maria de Jesus).
Mediador: Professor Dr. Fábio Viana Ribeiro, Doutor em Sociologia – UEM.

– Tema: Poesia e MPB.
Mediador. Professor Dr. Marciano Lopes e Silva, Doutor em Letras – UEM.

03 DE OUTUBRO – Sexta-feira.

– 9 horas e 14 horas – Espetáculo de contação de histórias: Chuva de Cores (Espaço Sou Arte).
Contadora: Raquel Cruz – Campo Mourão – PR

Mesa redonda 04: Mídia, Misticismo e Literatura.

– Tema: Literatura e Mídia.
Mediadora: Professora Dra. Mirian Zappone, Doutora em Literatura.

– Tema: Mídia.
Mediadora: Professora Dra. Fátima Maria Neves, Doutora em Educação.

– Tema: Teatro como formação da consciência.
Mediador: Professor Ms. Jorge Henrique Lopes, Mestre em educação para a Ciência.

PARTICIPAÇÃO GRATUITA. INFORMAÇÕES: (44) 3262-3232

Fonte:
E-mail enviado por Olga Agulhon, membro da Academia de Letras de Maringá

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Silmar Bohrer (Trovas)

A vida anda tão restrita,
tão restrita anda a vida
e eu ainda busco guarida
nesta senhora mal-dita.

Escreveu o romancista,
“o homem, poliedro imenso”,
milhares de faces a vista
que não chegam ao consenso.

Fazemos versos “a revirias”
eu e o escriba bissexto,
versejando todos os dias
até praticamos incesto.

Ando à procura no mundo
do veio dos ventos uivantes,
aqueles mesmo, ventantes,
os tais ventos giramundo.

Estou com os livros – meu mundo,
embrenhado na biblioteca,
onde o silêncio é profundo
e o grito é baixinho – heureca !

Mesmo atrelado aos tais
ditames da pura Razão
não renunciarei jamais
às doçuras do coração.

Caneta, a pecinha realeza
que pereniza meus versos,
captando comigo a sutileza
na lonjura dos universos.

Tenho tido gostado de ser
assim como tenho sido,
um ser que se passa esquecido
desde a manhã ao anoitecer.

Haverá melhor gostosura
nestes tempos setembrinos
do que os ares assobiolinos
que deixaram a clausura ?

A nuvenzinha no céu
parece não ter intentos
vai graciosa pra dedéu
invadindo os pensamentos

Sendo louco pela vida
minhas idéias se consomem
quando vejo tanta ferida
exposta pelo bicho-homem

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Ialmar Pio Schneider (Trovas)

Trova vencedora do Concurso de Trovas
Centenário de José Barros Vasconcellos
União Brasileira de Trovadores – UBT Porto Alegre – RS
Âmbito Estadual – Tema TERNURA

Neste mundo de tormentos,
Apesar da vida dura,
Nunca faltem os momentos
Para o culto da ternura !…
Ialmar Pio Schneider (Porto Alegre – RS)

Troféu João-de-Barro, no Piquete da Cavalhada no Acampamento Farroupilha.

Mistura de mágoa e tédio,
Esta carência de amor:
E se tomo algum remédio
Mais aumenta minha dor…
=====================
Poeta, advogado, cronista e bancário aposemntado, nasceu no município de Sertão, RS, em 26/8/1942. Residiu por mais de 20 anos em Canoas, e atualmente reside em Porto Alegre. Entidades a que pertence: Casa do Poeta Rio-Grandense, União Brasileira de Trovadores – Sede de Porto Alegre, Grêmio Literário Castro Alves, Agei – Associação Gaúcha dos Escritores Independentes, Casa do Poeta de Canoas, entre outras.

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Ialmar Pio Schneider (Sonetos Avulsos)

Nosso Caminho

Envio-lhe estes versos com saudade
dos momentos felizes
de serenidade
ou deslizes…
Tudo é possível quando nos visita
uma paixão avassaladora,
inaudita
e sedutora…
Um sonho se descortina
em nosso caminho
e nos fascina
pelo carinho…
Quando estivermos juntos e unidos
vamos sempre lembrar
que fomos concebidos
para viver e amar…
=================
Soneto a uma Musa

Simplesmente me olhaste com meiguice
e me disseste: – Como vais, poeta !
Eu respondi com minha voz discresta:
– Vou indo mais ou menos… Assim disse…

Depois te foste como quem partisse
quase infeliz, oh musa predileta,
és tu que minha vida desinquieta
nas horas de incerteza e de crendice.

Hás de viver comigo e nos meus sonhos
serás a inspiração que me seduz
nos momentos amargos ou risonhos.

Vou te guardar pra sempre inalterada
porque quando te vejo surge a luz
que vem clarear a escuridão da estrada.
=======================
Soneto da Angústia

Acendo bruscamente o meu cigarro
e penso no futuro que me esperas…
Oh! sem querer numa ilusão esbarro
e tropeço num mundo de quimeras !

Por que, mísero ser, feito de barro,
hei de sonhar eternas primaveras,
e na vida sem léu a que me agarro,
pensar que tu serias o que não eras ?!

E viverás sorrindo ao gosto amargo
do sonho que me mata noite e dia
e faz-me mal viver neste letargo,

nesta angústia que a alma me excrucia.
Enquanto esta fumaça aos ares largo
te lembro bela, cálida e sadia.
=======================
Soneto

Enquanto a gente cai e se levanta
não há motivo de parar na viagem,
mas quando já nos falta até coragem
para seguir em frente, não adianta.

Feliz daquele que sofrendo canta
e traz ao mundo varonil mensagem,
pois leva sobre todos a vantagem
de amar a mesma mágoa que acalanta.

Jamais encontraremos solução
às coisas desastrosas desta terra,
porque é um combate inglório, louco e vão,

repleto de terror que nos aterra,
de ver o irmão matar ao próprio irmão
numa hecatombe irracional da guerra.
=====================
Soneto Antigo

Cinza a fumaça rolará nos ares
e irá perder-se inutilmente louca
como as notas fatais dos meus cantares,
deixando um amargume em minha boca.

Tento esquecer teus lânguidos olhares
e a tua imagem com calor evoca
paisagens longas de distantes mares
pra onde a sereia meu ardor desloca.

Não é possível te olvidar, querida,
nem tenho culpa de te amar assim
com toda a força do meu triste peito…

Dá-me a alegria de levar a vida
por entre as flores de um taful jardim
e seguirei contente e satisfeito…
====================
Soneto a uma Fada

Fazes de conta que jamais me viste
e eu também finjo que não te conheço;
nossa união terminou sem ter começo
e eu continuo, como sempre, triste.

O que tu prometias não cumpriste;
mas esquece-me, então, pois eu te esqueço;
isto conosco foi mais um tropeço;
vamos saber qual de nós dois desiste.

Quero descrer de ti, não mais te amar;
porém, tudo me leva à tua presença
e por nada te posso condenar.

Foste uma Fada que surgiu voando
e não trouxeste, enfim, a recompensa
ao poeta que vive te adorando…
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