Arquivo da categoria: Poesias

Oswaldo Abritta (Jardim)

Clique sobre a imagem para ampliar

Deixe um comentário

Arquivado em Poesias

Branca Tirollo (O Destino da Rosa)

(Prosa poética)

Houve um choro
– uma vida.
Nascia ou renascia?
Quem sabe!
Sugava o alimento.
– boca rosada
– mãos pequenas

No peito da mãe
Com dor em demasia
– cantarolava
– sorria.
Olhos curiosos
– utopia.
Incenso de rosas
– dormia…

Berço que balançava
Mãos calejadas
– Clamor.
Ao se abrir em plumas
– nevoas e flores
Apreciava
– a leve paina.
Deslizava voava
Ao soprar o vento
– na paina plena.
Livre! Entrelaçava
A pequenina
– sobre a cama.

Reconheceu o sol
– depois a lua.
Após, aurora nua.
Longos passos
Primeira palavra.
– atenua-se
Cala, encanta.
Floresce a dança.
– perpetua

Papel, lápis de cor
– magia e luz.
Revela
– rebeldia
– pranto
– distância
– desafeto
Olhos chorosos
– fúria.
Desencanto
– força bruta.
Sonhos, velas
– risos.
Esvai-se
– infância
Vem à luta.

Amarguras
– desventuras
Camarim sem teto.
Solidão
– breu da noite
– alma escura
– visão.

Esperança
– revolta.
Trança
– combinação.
Ser
– ilusão

Valsas, versos, risos.
Conduta pouca
– audácia.
Vestes vermelhas
– cabelos caracolados.
– peitos fartos
– paixões
– migalhas.
Agulhas
– fornalhas.
Momentos
– poucos.

Rosas nascem.
– o sol nasce.
– a lua desce.
Rosas pálidas
– morrem
É hora do querer
– saber, buscar.
– aprender
A arte ameaça.
Seu sangue
– jorra desejos
Sabedoria donde?
– ninguém sabe!
Induz

Florestas ouvem,
– o murmurar:
Pensamentos
– soltos ao infinito.
Mais ávido
– que as mãos
Atenta-se ao nada.
Em seu santuário
-autarcia

Guinado de fel.
Sonhos desencantam
– poesias:
Dormindo engavetados.
Os poemas vazam
– lábios negros
O futuro não chega.
O ardor se espalha
– promessas
Densas tardes
Noites tensas
– proezas.

O chocalho soa.
– criança ainda chora
Do peito da mãe
– não há lembrança.
– apenas vida.
Amarguras tantas
-escorrem sobre os dias

Novos botões se abrem.
Sobre o ar contagioso
– adormecem
Calados morrem.
Sem lamúrias se vão

A cidade mudou
As ruas acolhem
-seus segredos.
O céu entardece.
O mar esbraveja
– enredos
Cinzas
– colorem o ar.

Os átomos
– não se cruzam
Uma criança vela
– curiosa
– à distância

Frio está o corpo.
O sorriso
– não regressará.
Não desta Rosa.

Fonte:
A Autora

Deixe um comentário

Arquivado em Poesias

Isabel Furini (Relançamento do Livro de Poemas: “Os Corvos de Van Gogh”)

Terça-feira, 26 de novembro, a partir das 19 horas, será relançado o livro de poemas “Os Corvos de Van Gogh” da escritora e poeta premiada Isabel Furini, no Palacete dos Leões, Av. João Gualberto, 570, Alto da Glória, Curitiba.

Van Gogh foi um artista obstinado, um mestre, um pintor genial.  Ignorado pelos homens de sua época, sua obra foi reconhecida depois da sua morte. Isso o torna ainda mais fascinante. 

O livro de poemas “Os Corvos de Van Gogh” procura perceber os movimentos da alma de Van Gogh e os corvos da tristeza e da frustração presentes na sua vida. 
A obra é apresentada pelo poeta Benilson Toniolo, nas orelhas as artistas plásticas Sandra Hiromoto e Cláudia de Lara também dão a sua visão. 
No final do livro o escritor José Feldman faz uma breve biografia do pintor. 

O livro fala dos “corvos de Van Gogh”, além daqueles eternizados no quadro “Trigal com Corvos”, quadro pintado pelo artista pouco tempo antes de sua morte, os poemas representam o medo, a frustração, a solidão, ou seja, os “corvos” interiores.

Na continuação, um poema do livro:

CAMPO DE TRIGO (Van Gogh, 1890)

Corvos ferinos, mímicos ferinos,
sombras da genialidade.

Murmúrio
de rios subterrâneos,
canal das águas do inconsciente,
campo de trigo com pretos corvos
moendo
as tenebrosas horas.

O vento sussurra
entre os ouvidos e a tela.
– quase um ulular de morte.

Fonte:
A Autora

Deixe um comentário

Arquivado em Estante de Livros, Lançamento de Livro, Poesias

Raquel Ordones (Quero Guardar-te)

Clique sobre a imagem para ampliar
Fonte: http://raquelordones.blogspot.com.br

Deixe um comentário

Arquivado em Minas Gerais, Poesias

Ponti Pontedura (Livro de Poesias: A Palavra Sabe)

Muitas pessoas ainda se espantam diante de um livro de poesias, como se houvesse nesse estilo um grande mistério a ser desvendado. De fato há. O poder e o mistério da palavra ao ser tornar poesia é a possibilidade de ser lida e relida de formas diferentes, com outros olhares, outros sentidos. Essa é a maior charada da poesia, e também seu maior trunfo e é com esse jogo de imagens que nos deparamos em A Palavra Sabe.

Pontedura apresenta sua criação com palavras, e nos convida para participar com ele dessa descoberta da força da palavra versátil, da palavra-poesia.

Pleno de versos livres, de rimas brancas que surpreendem pela expressividade, A Palavra Sabe não deixa nada a desejar, afirmando-se como uma coletânea de poemas bem dosados e cadenciados.

Prontos para nos surpreender, os poemas são variados, se dividem em temas que permitem que diferentes públicos se sintam atraídos pelo livro, tantos os leitores assíduos de poesia, quanto aqueles que estão para descobrir o que a palavra poética realmente sabe e faz.
—————
Ponti Pontedura nasceu em Londrina, Paraná, em 1953, pseudônimo de Lourivaldo Pontedura, é jornalista, diretor e roteirista de cinema. Vive em São Paulo.

A Palavra Sabe (ou) Clareiras na Escrita

Invento céu chão caminho lugares
a casa onde eu moro.

Ninguém vem bater, que porta não há.
É casa de palavras minha moradia.

Imagino dia, e o sol me envia claridades.
Imagino escurecer, e minha sombra enorme
— maior que a noite — enche o espaço escuro.

Procuro no espaço escuro
o claro sentido da luz:
abrir em mim clareiras na escrita.

O meu punhal — sedento de sangue —
penetrasse a carne da poesia plácida

e a ferida abrisse seu corpo carnudo.

Um corte na veia da palavra sanguinea
lançasse sangue na minha face

e extirpasse o tempo flácido.

Poema abatido, animal prostrado,
vertesse seu sangue para a minha língua.

Mormaço de poesia ao meio dia
escalda o chão por onde passo, descalço.

Passo pela palavra gasta,
gasto o chão por onde passo,
e gasta a palavra me corrompe.

Passo pela palavra devastada,
devasto a terra por onde passo,
e devastada a palavra só faz ruínas.

Passo pela palavra sussurro,
sussurro um poema por onde passo,
e sussurrada a palavra é um segredo.

Ele segreda ao meu ouvido,
soletra palavras silenciosas,
onde se esconde o poema infinito.

Tranque-se em seu segredo,
guarde-se num poema oculto,
esconde esta palavra esconde.

Não se revela nada.
À palavra dada
não se abre a boca.

A palavra guarda todo sentido,
encerra em si o que há em mim,
entra muda e sai significada.

Palavra calosa tem a mão pesada.
Era a mão do meu pai
que se estendia e pousava
para o beijo da benção.

Fontes:

Deixe um comentário

Arquivado em Estante de Livros, Poesias

Florbela Espanca (Rosas)

Fonte:
http://faroldasletras.no.sapo.pt/

Deixe um comentário

Arquivado em Poesias

Alberto Bresciani (Livro de Poemas)

SEDIMENTOS

Aos poucos se apaga
o consentimento da morte

adio a noite, avanço
ao avesso do dentro

e encontro os encontros
do tempo, um gosto

de pele, um nexo
Faço oferendas

à água
ao fogo.

HARMONIZAÇÃO

Demorasse a tua mão
um pouco mais
sobre o meu ombro

e me nasceriam asas

Em silêncio
logo o pressentimento
o pacto e o voo:

grades e escarpas
ruindo sob as pernas
cúmplices, entrelaçadas

as nossas.

REINVENÇÃO

Vertendo do branco:
eu, o anti-herói
preso a ganchos de ar
por sobre as fragas da razão

duras lâminas
que evisceram
a argamassa do corpo
a desbordar de mim

banal, rude, rala argila
não reluz. Só o que destila
por trás do que me é oculto
se esconde à vista

É grampo no avesso
— até a secreção
vir à voz, exposta
aos anjos e algozes

Então o instante que espero
quando me reinventam os dias
e as aves planam
sob o vulto explícito e sem sede

Gritem medos e mentiras
para o estômago do nunca
(o julgamento está surdo
e a tentação de não ser

para hoje
está morta
afogada).

POSSE

O ar é só pele:
teu corpo expira
das dobras do mapa

aquece os dedos
saliva doce na boca
as esferas do sal

A falta é tensão
teu vulto invasivo
conturbando o pulso

em pedras candentes
nas farpas da noite

O ventre esfria
e explode em tentáculos
da fluida água marinha

vertigem que plana e pesa
por sobre as vozes
os cortes do dia

— teu sempre
no fundo de mim.

METAMORFOSE

Era seu rosto
um campo de trigo
e manso se entregava
ao passeio da boca

Braços me protegiam
e enlaçavam
e devolviam ventos
que ninguém sentiu

Desdobrava-se
o seu consentimento
e sem proposições
uma supernova em mim

Talvez reencontrasse o destino
respirasse sem deformidades
talvez fosse apenas como voltar

E já não chovia
E era tão bom.

INVERSÃO

O esgotamento vem
do vazio
esse fundo
enredo de vozes
que uma só valem —

atrás dos nódulos do espanto
das folhas da súplica
e da sequência de sombras
sem volta,

a ilusão habita
a insônia
vergonha e ridículo
do homem parado
diante da pedra.

MIRAGEM

Somos ficção
Simulamos o invisível
e a imagem

no reflexo
do espelho — ali nada há
como nada somos

Onde encontrar
a verdade
ou a real essência

desses fantoches
de nós mesmos
se os mistérios

não estão em lugar
mas no que mais fundo
escondemos?

NUNCA
Um dia encontrei o nunca
preso ao teto
para onde nunca olhei

Tinha a aparência terrível
de uma gárgula
úmida de sangue

Mas sob os flagelos
era apenas
                 um pardal

tão sem pressa
desses que banais habitam
as árvores, a cegueira

Com voz serena e doce
disse que sendo nunca
era eterno, letra em todo nome

Soube quem era o nunca
e meu peito, arfando
pelo que não se esquece

aprendeu a respirar assim
um pouco menos
seca a parte que nunca mais.

SÉPALA

O seu rosto surge
em meio às folhas da pele
onde a mística seiva
invade a memória do sangue

Percebo como essa branda sépala
sobe em mim o feminino
cálice que lhe orna o ser
diáfano ser em branco

Fale-me de ventos, de terras
que os caminhos venceram
Só ao líquido das suas palavras
renasce o tempo, um rio para sentir.

  ACUSAÇÃO
Você me acusa
pelas sombras
que nos cobrem

Não tenho a quem culpar
Guardamos a chave
quando passou a vigésima quinta hora

e os deuses de que fala
nunca souberam de nós
Estamos abandonados

na última vez
na impossível desdobradura
E eu afirmo:

amanhã ainda seremos
somente os dois
o verbo coagulando no escuro.

 FIGO

E então a chance:
o desconhecido destino
tinha seu rosto
e se estendia ao alcance

da mão que abraçou
e adormeceu no amplo figo
cujos olhos eram luz
e também gemido

A posse da pele
veio como tudo enfim
como se os fluxos fizessem sentido
e nós vivêssemos a última cena

Mas há dias que não nascem
e se acaso irrompem
logo secam
definham nos espelhos

Deixei de existir
antes de saber. Ela não era
para além de mim
a imagem que testemunho

e minto apagar
embora toda a saliva
seja só a ilusão
que do seu corpo espero.

MILAGRES

Há milagres que se prendem
ao ar como anjos de pedra
no sempre da catedral

crescendo sobre nós
cortando a casa
o ventre

Toda fuga é inútil
a cegueira superior à visão
e a respiração quase sobrevive

à proximidade ou distância
de seu fogo
que pode ser pena, pode ser fome

e nos põe
frente a frente
com a epifania

                              Nas minhas mãos
                             o ramo que arde

Fontes:
 Poemas enviados por Carlos Machado, de poesia.net. http://www.algumapoesia.com.br
Alberto Bresciani. Incompleto Movimento. RJ: José Olympio, 2011.
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/alberto_bresciani.html

Deixe um comentário

Arquivado em Livro de Poemas, Poesias