Arquivo do mês: junho 2010

Amália Max (Baú de Trovas)

A ermida à beira da estrada
plange seu sino de um jeito,
que eu sinto a corda amarrada
na saudade do meu peito…

A esperança em nossa vida,
pelo valor que ela ostenta,
pode até ser resumida
como o pão que nos sustenta.

A fonte, singelo fio,
contorcendo em cansaços,
encontra por fim um rio
e então se atira em seus braços.

A gota d’água nascida
de veio farto e profundo,
é a fonte da nossa vida
e a própria vida do mundo.

Ao cortar a trança loura,
minha infância em despedida,
deixou na fria tesoura
saudosos fios de vida.

A sombra que, meio arcada,
te segue pelos caminhos,
é minha alma ajoelhada
a beijar os teus pezinhos.

A sorte tem seus encantos,
seus agrados, seus engodos;
às vezes agrada a tantos,
mas jamais agrada a todos!

A vida anda tão tristonha:
pobreza… fome… agonia…
que chego a sentir vergonha
de às vezes ter alegria.

A vida deu-me esta dor;
e hoje entre a dor e a lembrança,
sou um cheque ao portador,
sem fundo para cobrança.

Com mil retalhos tristonhos,
que rasguei do coração,
fiz uma colcha de sonhos
e agasalhei a ilusão.

Da lembrança doce e calma,
quando a tarde se inicia,
tua imagem em minha alma
é saudade todo dia.

Depois do enxerto a coitada,
que quis o rosto alisar,
agora vive assustada…
Seu rosto só quer sentar!

Depois que, um dia, partiste,
nesta rua só choveu.
Será que esta rua é triste
ou triste nela sou eu?

Disfarçando… Disfarçando…
o sol, malandro das horas,
vai aos poucos levantando
a saia azul das auroras.

Em pedaços fui rasgando
tua foto pela praça.
Hoje os procuro chorando,
pedindo ajuda a quem passa.

Esta chuvinha pingando
do telhado sobre o chão,
vai aos poucos empoçando
saudade em meu coração.

Galanteios, que em verdade,
quis dizer-te ou ter escrito,
hoje, finda a mocidade,
sinto dor por não ter dito.

Laranjais de minha infância,
frutos que alegre colhi,
hoje olho para a distância
e choro porque cresci!

Levo na face enrugada
e na fronte embranquecida
a passagem, comprovada,
de que viajei pela vida.

Maria partiu… Maria
que nunca disse a verdade
mas era, quando mentia,
bem melhor que esta saudade.

Meus olhos azuis se embaçam,
acabando por chorar,
quando meus braços se abraçam
por não ter quem abraçar.

Muitos recebem de graça
o bom vinho da alegria;
eu pago mas minha taça
a vida deixa vazia.

Não vens há meses inteiros;
e enquanto conto as auroras
a tesoura dos ponteiros
lentamente corta as horas.

Não faça da despedida
um momento de revoltas;
o amor tem portas na vida
com chave de várias voltas.

Não fale, não diga nada,
aperte mais minha mão,
faça a promessa auebrada
não precisar de perdão.

Não vens… e, em tuas demoras,
na angústia das madrugadas,
o relógio bate as horas
e as horas dão gargalhadas.

Nas noites de paz eterna,
vigiando a escuridão,
toda estrela é uma lanterna
que um anjo leva na mão!

Na velha praça, embalado
por lindo sonho vadio,
apalpo o banco a meu lado
mas meu lado está vazio.

Na vizinha, a linda casa,
nem a vassoura descansa;
se acaso o marido atrasa,
a vassoura canta e dança!

No entardecer quem me dera,
ver teu vulto, ouvir teu passo,
e por magia ou quimera
ter teus braços num abraço!

No instante em que nossa prece
sobe a escada do infinito,
pela mesma escada desce
a paz que acalma o conflito.

Nos dedos eu conto as horas,
não sei contar diferente,
mas, hoje, sei que demoras
bem mais do que antigamente.

No sertão a chuva mansa
que torna a manhã cinzenta,
é mais que chuva e esperança,
é Deus regando água-benta.

Numa ternura infinita
a lua, com mãos de prata
vem prender laços de fita
nas tranças verdes da mata.

O arco-íris tão bonito
e de tão finos arranjos
é só o varal do infinito
secando a roupa dos anjos!

Oh! lembrança, vem com jeito,
não se perca em sonhos tardos,
porque este meu velho peito
já não aguenta tais fardos.

O tempo em sua investida,
como sentença, suponho,
rouba-me um pouco da vida
e muito de cada sonho.

Partindo da meninice
é que o trem do tempo avança
e na estação da velhice
deixa saltar a esperança.

Para os que seguem sozinhos,
descalços e combalidos,
que importa ter mil caminhos
se todos são proibidos?

Partiste… já não te importas
que em nossa casa singela
a ventura feche as portas
e a saudade abra a janela.

Pergunto frequentemente:
felicidade, onde estás?
Será que corres na frente
ou ficaste para trás?

Pobre titia, ao comprar
uma vassoura, é indagada:
será preciso embrulhar
ou já vai nela montada?

Poeira de estrelas cadentes
que à noite caem nos campos
são com certeza as sementes
que germinam pirilampos.

Quando o passado é turista
no trem do meu coração,
a saudade é maquinista
e o meu peito uma estação.

Quando nos chegam tardias,
esperanças sempre são
aquelas parcas fatias
de miolo velho…de pão!

Quanta ternura em agosto:
o vento que beija o ipê
vem também beijar meu rosto
depois de beijar você.

Ralhando com seus porquinhos
a porca, mãe exemplar,
vendo-os, assim, bem limpinhos…
– já pro barro se sujar !!!

Relógio, fique parado!
Não deixe o tempo passar…
Eu quero ser enganado
quando a velhice chegar!

Sabiá põe em seu canto
tal ternura que ao cantar,
mais parece um acalanto
para a alma cochilar.

Saudade… insônia que aspira
ouvir na calçada passos,
mesmo sendo outra mentira
a vir dormir nos meus braços.

Se é por um amor que choras
enxuga os olhos… Repara:
se o relógio pára as horas,
nem por isso a vida pára.

Se me deixas por vontade…
se vais para não voltar…
O que é que eu digo à saudade
amanhã, quando acordar?

Sem mesmo ter ido ao céu
já caminhei sobre a lua!
Foi um dia andando ao léu
pisando as poças da rua.

Sem ter com quem conversar,
o velhinho solitário,
usa as mãos para rezar
conversando com o rosário.

Sentindo a luta perdida,
nos fracassos e derrotas,
abraço o circo da vida
para as minhas cambalhotas.

Solidão é chuva fina
que encharca o chão sem correr;
e às vezes faz que termina
mas… recomeça a chover.

Solidão é vento frio,
vento calmo mas gelado
deixa o meu peito vazio
e ainda dorme ao meu lado.

Sonhos meus… jóias de outrora
qual ouro sem um quilate,
enferrujam na penhora
sem ter mais quem os remate.

Vejo ternuras pagãs
quando o sol, por entre os galhos,
cobre a nudez das manhãs
com seu lençol de retalhos.

Velhice… circo que a vida
armou no fim da ladeira,
de onde a solidão convida
para a sessão derradeira.

Voltaste… voltaste, eu sei,
mas o encanto foi desfeito;
agora já repintei
as paredes do meu peito.

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Arquivado em Paraná, Ponta Grossa, Trovas

Amália Max

Amália Max nasceu em Ponta Grossa, Paraná, no dia 13 de julho, filha de João Max e Maria Suckstorf Max.

Em 1981 lança seu livro de trovas “Escaninho” e daí em diante passou a concorrer em Jogos Florais e concursos e participar de antologias e coletâneas.

Em 1986 recebeu a homenagem máxima de sua vida quando o Colégio Estadual 31 de Março, ensino de 1º e 2º graus imortalizou-a dando seu nome para a sua biblioteca: “Biblioteca Poetisa Amália Max”.

Tem seu nome, como trovadora, trabalhos inseriidos em inúmeras antologias e coletâneas. Figura em Enciclopédias, em livros e Jornais de todo o Brasil.

Professora de pintura, arte que domina com segurança.

Pertence a:
– Centro Cultural Euclides da Cunha, de Ponta Grossa, PR,
– Casa Juvenal Galeno – Ala Feminina, Fortaleza, CE,
– Academia de Letras José de Alencar, Curitiba, PR,
– Centro de Letras do Paraná, Curitiba, PR,
– Academia de Letras dos Campos Gerais, Ponta Grossa, PR, fundadora da cadeira nº 13.
– Já foi Presidente Municipal e Estadual da UBT durante 30 anos.
– Desde 2003, por convite do Cap. Alípio B. Rosenthal é assessora cultural da Associação dos Militares da Reserva.

Fontes:
– Vasco José Taborda e Orlando Woczikosky. Antologia de Trovadores do Paraná.
– Antologia dos Acadêmicos – edição comemorativa dos 60 anos da Academia de Letras José de Alencar.
– UBT Nacional.

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Literatura Brasileira (Parte 9 = O Simbolismo)

É comum, entre críticos e historiadores, afirmar-se que o Brasil não teve momento típico para o Simbolismo, sendo essa escola literária a mais européia, dentre as que contaram com seguidores nacionais, no confronto com as demais. Por isso, foi chamada de “produto de importação”. O Simbolismo no Brasil começa em 1893 com a publicação de dois livros: “Missal” (prosa) e “Broquéis” (poesia), ambos do poeta catarinense Cruz e Sousa, e estende-se até 1922, quando se realizou a Semana de Arte Moderna.

O início do Simbolismo não pode ser entendido como o fim da escola anterior, o Realismo, pois no final do século XIX e início do século XX tem-se três tendências que caminham paralelas: Realismo, Simbolismo e pré-Modernismo, com o aparecimento de alguns autores preocupados em denunciar a realidade brasileira, entre eles Euclides da Cunha, Lima Barreto e Monteiro Lobato. Foi a Semana de Arte Moderna que pôs fim a todas as estéticas anteriores e traçou, de forma definitiva, novos rumos para a literatura do Brasil.

Transição – O Simbolismo, em termos genéricos, reflete um momento histórico extremamente complexo, que marcaria a transição para o século XX e a definição de um novo mundo, consolidado a partir da segunda década deste século. As últimas manifestações simbolistas e as primeiras produções modernistas são contemporâneas da primeira Guerra Mundial e da Revolução Russa.

Neste contexto de conflitos e insatisfações mundiais (que motivou o surgimento do Simbolismo), era natural que se imaginasse a falta de motivos para o Brasil desenvolver uma escola de época como essa. Mas é interessante notar que as origens do Simbolismo brasileiro se deram em uma região marginalizada pela elite cultural e política: o Sul – a que mais sofreu com a oposição à recém-nascida República, ainda impregnada de conceitos, teorias e práticas militares. A República de então não era a que se desejava. E o Rio Grande do Sul, onde a insatisfação foi mais intensa, transformou-se em palco de lutas sangrentas iniciadas em 1893, o mesmo ano do início do Simbolismo.

A Revolução Federalista (1893 a 1895), que começou como uma disputa regional, ganhou dimensão nacional ao se opor ao governo de Floriano Peixoto, gerando cenas de extrema violência e crueldade no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Além disso, surgiu a Revolta da Armada, movimento rebelde que exigiu a renúncia de Floriano, combatendo, sobretudo, a Marinha brasileira. Ao conseguir esmagar os revoltosos, o presidente consegue consolidar a República.

Esse ambiente provavelmente representou a origem do Simbolismo, marcado por frustrações, angústias, falta de perspectivas, rejeitando o fato e privilegiando o sujeito. E isto é relevante pois a principal característica desse estilo de época foi justa-mente a negação do Realismo e suas manifestações. A nova estética nega o cientificismo, o materialismo e o racionalismo. E valoriza as manifestações metafísicas e espirituais, ou seja, o extremo oposto do Naturalismo e do Parnasianismo.

“Dante Negro” – Impossível referir-se ao Simbolismo sem reverenciar seus dois grandes expoentes: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimarães. Aliás, não seria exagero afirmar que ambos foram o próprio Simbolismo. Especialmente o primeiro, chamado, então, de “cisne negro” ou “Dante negro”. Figura mais importante do Simbolismo brasileiro, sem ele, dizem os especialistas, não haveria essa estética no Brasil. Como poeta, teve apenas um volume publicado em vida: “Broquéis” (os dois outros volumes de poesia são póstumos). Teve uma carreira muito rápida, apesar de ser considerado um dos maiores nomes do Simbolismo universal. Sua obra apresenta uma evolução importante: na medida em que abandona o subjetivismo e a angústia iniciais, avança para posições mais universalizastes – sua produção inicial fala da dor e do sofrimento do homem negro (observações pessoais, pois era filho de escravos), mas evolui para o sofrimento e a angústia do ser humano.

Já Alphonsus de Guimarães preferiu manter-se fiel a um “triângulo” que caracterizou toda a sua obra: misticismo, amor e morte. A crítica o considera o mais místico poeta de nossa literatura. O amor pela noiva, morta às vésperas do casamento, e sua profunda religiosidade e devoção por Nossa Senhora geraram, e não poderia ser diferente, um misticismo que beirava o exagero. Um exemplo é o “Setenário das dores de Nossa Senhora”, em que ele atesta sua devoção pela Virgem. A morte aparece em sua obra como um único meio de atingir a sublimação e se aproximar de Constança – a noiva morta – e da Virgem. Daí o amor aparecer sempre espiritualizado. A própria decisão de se isolar na cidade mineira de Mariana, que ele próprio considerou sua “torre de marfim”, é uma postura simbolista.

Fonte:
http://www.vestibular1.com.br/

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Carlos Seabra (Haicais e Que Tais)

GOTAS
pequenos dedos
das gotas de chuva
massageiam a terra

FAROL
os raios de sol
iluminam de manhã
o velho farol

CONTO
era uma vez
um sapo que beijado
poeta se fez

PULGA
pinta no nariz –
era uma pulga que
fugiu por um triz

FLORESTA
que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?

ALTAR
ao te adorar
não sei mais se tens
corpo ou altar…

FONTE
velha na fonte –
os cântaros se enchem
o sol se esconde

MADRUGADA
ave calada –
ninho em silêncio
na madrugada

ONDAS
as ondas beijam
os lábios da praia –
bocas do mar

BRIGA
briga de gatos
na sala de jantar –
vaso em cacos

MORTO
caído, um corpo
acabado, um sonho
imóvel, um morto

ALICATE
com alicate
abre o maluco
um abacate

CEREJA
sabor cereja –
minha boca
a tua deseja

BRASA
brasa do tempo
acende quando passas
no pensamento

FERA
fera ferida
nunca desiste –
luta pela vida

DESPEDIDA
fruta mordida –
saudade de teu beijo
na despedida

AVENTURA
pardal sozinho –
primeira aventura
fora do ninho

PALHAÇO
palhaço triste
é como pássaro preso
sem alpiste

TRIGO
trigo dourado
pelas mão do vento
é penteado

PALAVRAS
letras no papel
trazem tuas palavras
com sabor de mel

PATINS
patins no gelo –
riscos que se cruzam
como novelo

KIGÔ
haicai sem kigô
é de quem bebe saquê
e pisa na fulô

PIRILAMPO
brilha o grampo
ou ela tem no cabelo
um pirilampo?

NUVEM
nuvem parada
beijada pela brisa
fica molhada

SACI
Saci Pererê
fuma seu cachimbo
à sombra do ipê

FANTASMA
casa fantasma
cheia de habitantes
feitos de plasma

TENOR
pássaro tenor
afina a garganta
ao sol se pôr

VARANDA
sol na varanda –
sombras ao entardecer
brincam de ciranda
————–

Fonte:
SEABRA, Carlos. Haicais e Que Tais. Massao Ohno, 2005. http://haicaisequetais.blogspot.com/

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Carlos Seabra

Carlos Tabosa Saragga Seabra, filho de Mário Seabra, nascido em Lisboa, Carlos vive em São Paulo há cerca de 40 anos. Possui 55 anos.

Os gêneros literários constituem marcos retóricos ou poéticos, legitimados pelas convenções. Cumpre aos poetas segui-los e, depois, ultrapassá-los.
É o que se verifica com os Haicais de Carlos Seabra. Encontram-se mais próximos da forma do que do espírito. É que a alteridade da composição, transplantada ao solo brasileiro, incorpora os sinais da tradição poética local. Tudo em versos mínimos, de rapidez eletrônica.

Carlos Seabra visita vários núcleos temáticos, com um gestual de cirurgião plástico. Ventila os pequenos poemas ora com o sopro romântico, ora com a graça da ironia, que não chega, todavia, à mordacidade. FÁBIO LUCAS

Como disse Massao Ohno, “Se há versos brancos deverão haver “haicais brancos” onde a métrica, acentuação e rimas não precisarão necessariamente ser seguidas à risca. Apenas o espírito, o momento poético deverá existir para que subsista o poema.”…

Currículo

Coordenador editorial do Núcleo de Publicações de Educação da TV Cultura – Fundação Padre Anchieta, atuando no gerenciamento e produção de coleções didáticas para diversos clientes, entre eles a Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Especial de Relações do Trabalho.

Coordenação editorial do MiniGuia Claro Curtas, com a Casa Redonda, para o Instituto Claro.

Participação na Comissão Organizadora do blog e evento Crise e Oportunidade, no Instituto Paulo Freire.

Curador da área de Memória Digital no Fórum da Cultura Digital Brasileira.

Coordenação das atividades de apoio ao ONID – Observatório Nacional de Inclusão Digital.

Desenvolvimento e coordenação da Webrádio CulturaViva.

Consultor do Itaú Cultural na área de educação à distância e produtos culturais online, e Itaú Social, com o CENPEC, no Programa “Escrevendo o Futuro”.

Desenvolvimento dos sites do “Núcleo de Memória”, da Odebrecht, e da “Real Biblioteca”, para a Fundação Biblioteca Nacional.

Diretor de Acervo e Difusão do Conselho Nacional de Cineclubes, mandato 2009-2010.

Coordenador do Ponto de Cultura Vila Buarque, parceria com o Ministério da Cultura.

Vice-Presidente da União Brasileira de Escritores, na gestão 2006-2008.

De 1971 a 1972 na IXAT Publicidade, estagiário e assistente de arte nessa agência de publicidade, tendo atuado na sua área editorial, atendendo os house organs de diversos clientes, entre eles a Revista “Gente”, da Petrobrás, e na edição de publicações do Mobral (“Quem lê… Vai longe” e outros), em conjunto com a Editora Melhoramentos. Em 1972, a agência passou a se denominar Saragga Seabra & Sasson Publicidade.

De 1973 a 1974, na Editora Liza trabalhou no departamento de documentação da Divisão de Fascículos e no departamento de arte, atuando na pesquisa iconográfica e apoio à produção editorial nos fascículos educacionais daquela editora (“Corte & Costura”, “Dicionário Ilustrado Inglês-Português” e “Atividades, Enciclopédia de Trabalhos Manuais”).

De 1974 a 1978 da Editora ABZ, Coordenador de Produção, Chefe de Arte e Secretário Editorial, atuando na coordenação editorial e produção de vários fascículos (“Vida Íntima”, “Secretariado Moderno e Prática Comercial”, “Fio & Agulha”, “Atlas do Brasil”, “Boutique”, “Só Brasil”) e na revista “365 – Seleção de Leitura e Informação”, coleções paradidáticas, produção de quadrinhos e outras publicações, inclusive para o mercado africano de idioma português.

Secretário Editorial, de 1978 a 1980 da Abril Cultural, na Divisão de Fascículos, nas obras “Enciclopédia Tudo” e “Todos os Jogos”, neste gerenciando também toda a pesquisa e testagem lúdica. Também foi colaborador da Abril Educação (Casa Alfa) e da Editora Abril na área de publicações infanto-juvenis (adaptando semanalmente as publicações Disney para Portugal e criando atividades lúdicas).

Gerente Editorial, de 1980 a 1983 da GC Assessoria Editorial, coordenando a edição e produção de obras educacionais para os mercados brasileiro, português e africano, livros, fascículos, revistas e outras publicações, entre elas o fascículo semanal “Vida Íntima” de educação sexual, publicado e distribuído pela Abril Cultural.

Editor da revista mensal “Byte Papo” do Serpro, na área de formação tecnológica de recursos humanos, de 1983 a 1984. Organizador e co-autor do livro “A Revolução Tecnológica e os Novos Paradigmas da Sociedade”, editado pelo IPSO e pela Oficina de Livros.

Coordenador do Programa Informática e Educação, de 1987 até 1992 do SENAC, tendo sido antes, de 1984 a 1987, Orientador Técnico na unidade de Informática, também tendo integrado o Centro de Tecnologia Educacional. Atuação no desenvolvimento de diversos softwares educacionais para Apple e PC, tais como Sherlock, O Sangue, Introdução ao Micro e muitos outros, manuais impressos, vídeos e treinamento de professores e desenvolvimento de cursos.

Editor da seção de informática da Folha da Tarde, de 1990 a 1991.

Responsável pela área de informática da revista Superinteressante, de 1995 a 1997

Sócio e Diretor da Oficina de Software, desde 1996. Desenvolvimento de diversos produtos multimídia para clientes como SESC-SP, SENAC-SP, Ministério da Educação etc., tendo lançado no mercado produtos próprios, em conjunto com o PubliFolha, como o CD da Folhinha e o Vestibular Multimídia da Folha.

De 2000 a 2003, pesquisador da equipe da Escola do Futuro da USP, coordenando o CIDEC (Centro de Inclusão Digital e Educação Comunitária), coordenando a capacitação e gerenciamento dos monitores dos infocentros comunitários do Acessa SP e a concepção e produção de minicursos online e de cadernos eletrônicos desse programa, a BibVirt (Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa) e o Projeto WebQuest, entre outras ações de aplicação das novas tecnologias na educação.

De abril a setembro de 2001, colaborou na equipe de assessoria do secretário municipal de educação, Fernando de Almeida, na área de aplicações das novas tecnologias de comunicação na aprendizagem.

Artigos em diversas publicações, como na revista “Acesso” e “Idéias” da FDE, “Em Aberto” do MEC, “Soluções” da Telefonica, “Eixos” da Câmara Brasil-Alemanha, “Lecionare” da FreeShop, revista “Sesc TV”, revista “A Rede”, “Novos Rumos do Ensino Superior” da PUC-SP etc.

Autor do livro de poesia “Haicais e Que Tais” (Massao Ohno Editor, 2005).

Participou de diversas antologias de contos, como “Antologia de Contos da UBE” (Global Editora, 2008), “Contos de Algibeira” (Casa Verde, 2007), “Expresso 600” (Andross Editora, 2006), “Antologia de Micro-contos” (Edições Pitanga, 2008).

Consultoria e coordenação de projetos na área de telemática educacional e educação à distância, na PUC/SP (na área de cursos de especialização, aperfeiçoamento e extensão), SENAC/SP (Centro de Idiomas), IMESC (Projeto Disque Drogas), colégios particulares (como Colégio Brasil e Magno Escola Integrada) e escola pública (BBS da FDE – Fundação para o Desenvolvimento da Educação de São Paulo, CIEd de Santa Catarina), Itaú Cultural, World Trade Center, Estadão na Escola e Rede Saci.

Diretor de Acervo e Difusão do CNC – Conselho Nacional de Cineclubes.

Membro do Conselho Consultivo da UBE – União Brasileira de Escritores (e ex-Vice Presidente na gestão anterior).

Membro do Conselho Consultivo do Instituto Claro.

Coordenador do Ponto de Cultura Vila Buarque.

Membro do Conselho Editorial da revista “Novos Rumos” e da revista “A Rede”.

Ex-Secretário-Executivo do Pólo SP da SBGC – Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento.

Ex-diretor e fundador da SBIE – Sociedade Brasileira de Informática na Educação.

Ex-Presidente da Federação Paulista de Cineclubes.

Ex-vice-presidente da Comissão de Cinema da Secretaria de Estado da Cultura.

Ex-diretor do Centro Cultural 25 de Abril e da Associação Cultural Agostinho Neto.

Colaborador de diversas publicações, como os jornais Movimento, Em Tempo, Brasil Mulher, Portugal Democrático e outros. Criador e mantenedor de diversos sites de poesia e cultura na internet.

Fontes:
Carlos Seabra
Antonio Miranda

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Vãnia Maria Souza Ennes (Paraná em Trovas)

artigo por José Feldman

Em 19 de junho de 2010, em um jantar integrante das festividades dos Jogos Florais de Curitiba, a presidente da União Brasileira dos Trovadores do Paraná, Vãnia Maria Souza Ennes realizou uma noite de autógrafos, ao lançar o seu livro Paraná em trovas, em sua 3a. edição, ocasião esta que tive a honra de conhecer pessoalmente esta trovadora, plagiando a definição do irmão trovador maringaense Assis, “encantadora”.

Encantada olho os pinheiros,
Formosos! Iguais? não há.
Dos poetas são os parceiros
que versam o Paraná.
(VÃNIA M. S. ENNES)

Vânia Ennes, filha do Paraná, como uma regente que comanda a sua orquestra, sob o movimento de sua batuta faz com que nos embriaguemos em instantes de pura emoção. Através das trovas contidas no livro vivemos os acordes dos noturnos de Chopin, a Pastoral de Beethoven, a Cavalgada das Valquírias de Wagner, a Marcha Triunfal, da Aída, de Verdi. Sejam nas trovas, ou mesmo em textos de sua lavratura, podemos sentir a beleza que há no mundo que nos rodeia. Sempre otimista, essas trovas são o nascer do sol em toda a sua magnitude, o cantar dos passarinhos ao despontar da aurora, é o dia morno a nos aquecer o coração, é o final da tarde quando muitos de nós após um dia intenso de trabalho nos sentamos na varanda a saborear um tererê ou chimarrão. É a noite, não a escuridão, não a tristeza que muitos buscam nela, mas uma noite onde ela descortina uma lua brilhante envolvida por um véu de estrelas.

Quando sopra o vento sul,
a trova viaja e vai fundo.
Seu caminho é o céu azul…
Espalha-se pelo mundo!
(VÂNIA M. S. ENNES)

Paraná em trovas é um livro, onde esta fantástica trovadora reune trovadores paranaenses que deixam a sua marca no livro da história de nossa literatura tão vasta. Por seu intermédio mostra que neste estado verdejante, de terra vermelha, existe um povo que sabe cantar os seus momentos de emoção, com todo sentimento que pode ser contido em uma trovinha de quatro versos setessilábica.

Vem trovador, vem correndo,
ao meu Paraná, porque
O Pinheiro está morrendo…
De saudades de você…
NEIDE ROCHA PORTUGAL (Bandeirantes)

Ao Paraná, imagino,
dentro da graça altaneira,
o pinheiro é como o Hino
ou como a própria Bandeira.
FERNANDO VASCONCELLOS (Ponta Grossa)

Mas, Vânia não pára por aí. Seu livro é uma Arca de Noé que carrega todos que estão em seu caminho, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, etc. e mesmo outros países como Estados Unidos, Portugal, Panamá, México, e outros, famosos e nem tão famosos.

Como já dizia a poetisa norte-americana Emily Dickinson (1830-1886) “Não há melhor fragata que um livro para nos levar a terras distantes”, e Vânia comanda esta fragata por este Brasil imenso levando os trovadores nesta viagem e trazendo até nós toda esta paisagem exuberante, vencendo fronteiras nacionais e internacionais, carregando a bandeira desfraldada da Trova “por mares nunca dantes navegados”.

O livro possui em seu bojo cerca de 400 trovas. Trovadores do Paraná, de outros Estados do Brasil, de outros Países e de trovadores já falecidos que imortalizam as suas trovas nesta obra. Nomes do quilate de, além da autora, Antonio Augusto de Assis, Amália Max, Dinair Leite, Gerson Cesar Souza, José Westphalen Corrêa, Lairton Trovão de Andrade, Fernando Pessoa, Carlos Drummond, Mario Quintana, José Ouverney, Glédis Tissot, entre tantos outros.

Como ela mesma diz “saber viver é saber quebrar as durezas normais da existência, ao conseguir enxergá-las com os olhos da alma e da serenidade de espírito.” É assim que é Vânia, tranquila cativando com seu sorriso a todos que estão em seu caminho. É a voz de nosso querido Paraná, é a voz do Brasil.

———————————

A seguir algumas das trovas de seu livro

Que a amizade não se meça
por sorrisos e elogios,
mas por ser, sem que se peça,
o sol em dias sombrios.
DOMINGOS FREIRE CARDOSO – Portugal

O poeta é um fingidor.
finge tão completamente
que chega a fingir que é dor,
a dor que deveras sente.
FERNANDO PESSOA – Portugal

Linda musa brasileña
llena de amor y bondad
eres princesa risueña
que me da felicidad.
JOSELITO FERNÁNDEZ TAPIA – Perú

Este é o exemplo que damos
aos jovens recém-casados:
que é melhor se brigar juntos
do que chorar separados!
LUPICÍNIO RODRIGUES – Porto Alegre/RS

Tudo muda, tudo passa,
Neste mundo de ilusão:
Vai para o céu a fumaça,
Fica na terra o carvão.
GUILHERME DE ALMEIDA – Campinas/SP

Diz uma lenda tingui
que Tupã, Deus dos guerreiros,
enterrando a lança aqui
fez nascer muitos pinheiros…
HARLEY CLÓVIS STOCCHERO – Curitiba/PR

Pescador, pensa, avalia…
e diga se ainda crê
na graça da pescaria,
se o peixe fosse você…
HERIBALDO BARROSO – Acari/RN

___________
Fonte:
– ENNES, Vânia Maria Souza (organizadora). Paraná em Trovas: Seleção de Trovas. 3a. Edição revisada e ampliada. Curitiba: ABRALI, 2009.
– Comentário: José Feldman

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Josias Alcântara (Como a Poesia Pode Revolucionar a Educação)

pintura à óleo de Diva do Val Golfieri
Educar é relativizar o eu humano; é um processo de abertura para o outro.
(Jean Jacques Rousseau)

Martins D’ Alvarez (Eu Sei Ler)

Eu sei ler corretamente,
faço contas de somar,
sou batuta em dividir,
gosto de multiplicar.

Quando a professora escreve
no quadro-negro da escola,
leio até de olhos fechados:
“Paulo corre atrás da bola.”

Pra somar uma banana
com mais duas e mais três,
vou comendo e vou somando
1 mais 2 mais 3 são 6.

Pra dividir três pães
comigo e com meu irmão?
Eu sou o maior, ganho dois.
Para ele basta um pão.

Se mamãe me dá um doce
na hora de merendar,
acabo comendo três.
Como eu sei multiplicar!

Os professores encontram sérias dificuldades na escolha sobre a melhor estratégia para inserir a poesia em suas aulas. Por que existe essa dificuldade? A resposta é muito simples. Desde a época da ditadura, a poesia e a filosofia, foram quase abolidas das salas de aulas, porque os praticantes se tornavam mais críticos em razão do aumento de conhecimento paralelo que adquiriam. A lacuna de quase cinqüenta anos, fez com que pelo menos duas gerações de educadores não tivessem acesso a essas matérias tão importantes na vida de muitos. Os cientistas descobrem o ápice da tecnologia presente, mas somente os poetas as tornam belas e únicas em seu devido tempo.

Não é a poesia jogada ao léu que mudará a estrutura pedagógica e sim o compromisso de cada profissional com os valores que dão sustentabilidade para a formação humana. *Viver é o que desejo ensinar-lhe. Quando sair das minhas mãos, ele não será magistrado, soldado ou sacerdote, ele será antes de tudo, um homem.*. (Jean Jacques Rousseau). A poesia é, em primeira instância, o ato de viver com alegria e solidariedade existencial.

Se a base estudantil for alimentada por meio de estímulos eficientes e interativos, teremos, com certeza no futuro, um aumento significativo de novos leitores, principalmente para aqueles que entenderam as dádivas que um livro proporciona. Torna-se importante a adesão da família e educadores, fortalecendo sobretudo o ato do pensar com prazer e evoluir conscientemente

Sugestões práticas para trabalhar com a poesia em sala:

1- Oficinas de poesias e literatura visando aguçar a criatividade e a imaginação de novos pensadores. *Um país se constrói com homens e livros* (Monteiro Lobato)

As escolas que beberam desta idéia tiveram incríveis resultados, não somente no crescimento intelectual, como também na disciplina de várias matérias, tais como, português, literatura, história, filosofia e artes.

2- Estimular a contação de histórias, realização de recitais, encenação de peças de teatro, utilizando temas construídos pelos próprios alunos. Os professores notarão a expressiva melhoria de repertório vocabular, no diálogo e na oralidade livre e descompromissada.
3- Incentivar e promover concursos internos e externos de eventos coletivos e competições esportivas.

Esse intercâmbio cultural os fará, com certeza, mais próximos e prósperos, todas as vezes que trabalharem em equipe, inserindo sobretudo, a honra, a verdade, a solidariedade e o amor ao próximo.

4- Desenvolver oficinas que agreguem valores, tais como: desenhos artísticos, canto, dança, jornais interno, oficinas manuais e jogos lúdicos. Havendo disposição para essa prática e exercício contribui-se para uma nova safra de preciosos cidadãos.

5- Motivar a participação dos pais, para que eles sintam mais interesse pela escola e pelos filhos. Se a arte for inserida desta forma, nos corações dos jovens, teremos não somente o resgate da poesia inserida como base, mas uma revolução educacional, propriamente dita…

6- Exemplo: Na escola municipal de Curitiba, Papa João XXIII, alguns professores conseguiram experimentar algumas das propostas citadas. Em razão do exercício prático e contínuo, de tais estímulos artísticos com seus educandos, conseguiram a classificação de melhor escola pública em todo estado do Paraná, e a quarta melhor do Brasil. Esta experiência validou-se, depois de cinco anos de muito interesse e dedicação de todos os envolvidos.

7- Para isso é necessário analisar todas as etapas experimentadas. Uma base de ensino bem fortalecida de valores e unidade, será a promessa de um futuro mais justo e humano.

Edifica-se, portanto, o homem, ou desmorona-se o ser.

Sem poesia, seremos viajantes desatentos, sem percebermos a beleza que nos rodeia.

Fontes:
Josias Alcântara. http://www.unicape.com.br/page7.php
Poema Eu Sei Ler = http://peregrinacultural.wordpress.com/

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