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A. A. de Assis (Revista Virtual de Trovas "Trovia" – n. 169 – janeiro 2014)

Gostar de ti, quem não há de?
Inspiras tal simpatia,
que a gente sente saudade
se deixa de ver-te um dia.
Colombina

Candelabro, iluminaste
meus dias… que glórias viste!
Agora és um velho traste
nas noites de um velho triste..
Jacy Pacheco
 
Meu sonho bom, tu me bastas,
mas, perto do amargo fim,
se por acaso te afastas,
morre um pedaço de mim!
Lavínio Gomes de Almeida

Descalços pelo gramado,
teus pés mansamente vão…
Pões, no pisar, tanto agrado,
que eu tenho inveja do chão!…
Marina Bruna

Ao que pede, à tua porta,
dá, também, tua afeição.
Um pouco de amor conforta
mais que um pedaço de pão!
Rodolpho Abbud – RJ

Não vivas com tanto orgulho
em razão do teu talento.
O tambor, que faz barulho,
tem por dentro apenas vento.
Vasques Filho

 

Um buraco foi aberto
na cerca do galinheiro.
O meu galo, muito esperto,
fez a festa o dia inteiro.
Alberto Paco – PR

A madame era tão chique
e de tão fina linhagem,
que até para ter chilique
retocava a maquiagem!
Arlindo Tadeu Hagen – MG

– “Mas, mamãe, se é gravidez,
que remédio é sugerido?”
– “Arranjar, com rapidez,
algum trouxa, pra marido!”…
Darly O. Barros – SP

Vive a coroa adoentada,
com o esposo desnutrido:
de dia… tome gemada!
de noite…tome gemido!
Edmar Japiassú Maia – RJ

Pergunta a esposa fiel,
com tristeza no semblante:
– Bem, nossa lua-de-mel
entrou em quarto minguante?…
José Fabiano – MG

O malandro te enganou
com truques, filha querida?
E a mocinha perguntou:
– Truque, paizinho, engravida?
José Lucas de Barros – RN

Separou-se… e com mais pique
justifica encabulada:
marido que dá chilique
não consegue dar mais nada…
Maria Nascimento – RJ

Em meu leito de abandono,
eu, mulher, só penso em ti;
se sem ti eu perco o sono,
que será contigo aqui?
Olympio Coutinho – MG


O tempo voa, bem sei,
nos dias da mocidade;
mostra onde errei e acertei,
tem remorso e tem saudade …
Almir Pinto de Azevedo – RJ

Neste encontro inesperado,
vamos brindar a nós dois.
Primeiro, o beijo guardado…
o vinho eu peço depois!
Almira Guaracy Rebelo – MG

Velho trem me faz lembrar
os meus tempos de menino,
em que eu me punha a cismar
qual seria o meu destino…
Amilton Monteiro – SP

Felicidade é encanto
que se vive por um triz,
mas celebro, por enquanto,
apenas o que Deus quis.
Antonio Cabral Filho – RJ

Superando os meus problemas,
descubro que os teus abraços
são elos com que me algemas
no presídio dos teus braços.
Antonio Colavite Filho – SP

Racistas, intransigentes,
olhai o exemplo da mão:
cinco dedos diferentes
na mais perfeita união!
Antonio Juracy Siqueira – PA

Na bagagem que hoje trago
quase tudo joguei fora;
só guardei o bom afago
e as alegrias de agora.
Benedita de Azevedo – RJ

Já velhinho, sonha ainda,
mantendo o brilho no olhar,
que a juventude só finda
quando é impossível sonhar!
Carolina Ramos – SP

Não posso mais recolher
o que perdi no caminho;
mas se alguém me suceder
vai tropeçar em carinho.
Cida Vilhena – PA

Navegando pela vida,
em águas nem sempre mansas,
junto à bagagem sofrida
carrego mil esperanças!
Conceição Abritta – MG

Teu grande amor, que ironia,
é hoje coisa esquecida:
foi luz que por um só dia
iluminou minha vida.
Conceição de Assis – MG
 
Por que não curtir saudade,
que é parte do nosso ser?
– Saudade não tem idade,
fica em nosso entardecer.
Cônego Telles – PR

El primer Nobel del mundo
jamás ha sido entregado,
fue El de Paz y amor profundo;
ganador? Jesus amado!
Cristina Olivera Chávez – EUA

A trama que a vida urde,
tal qual a teia de aranha,
é perfeita, mas ilude
por ser cheia de artimanha…
Cyroba Ritzman – PR

Para o Natal ser perfeito,
com paz, amor e esperança,
faça um presépio em seu peito
e abrigue Jesus criança.
Dáguima Verônica – MG

A trova, de qualquer jeito,
chega forte e vai bem fundo.
Em seu contexto perfeito,
já percorreu todo o mundo.
Diamantino Ferreira – RJ

De beijar-te eu tenho ânsia,
pois vivemos separados…
“O beijo é a menor distância
entre dois apaixonados.”
Djalma da Mota – RN

Revejo o passado e penso,
sem surpresa e sem espanto,
que o tempo, às vezes, é o lenço
com que Deus me enxuga o pranto…
Domitilla Borges Beltrame – SP

Mesmo que a Terra se mude
e os montes vão para os mares,
Deus é refúgio e quietude
na angústia em que te encontrares.
Dorothy Jansson Moretti – SP

Ao devolver minhas cartas,
o carteiro nem sabia
que, além de saudades fartas,
os meus sonhos devolvia.
Eduardo A. O. Toledo – MG

Num desabafo insincero,
chorando em teu ombro amigo,
digo coisas que não quero,
quero coisas que não digo…
Élbea Priscila – SP

Nos vales ou nos outeiros,
levando a luz da instrução,
escolas são candeeiros
que aplacam a escuridão.
Eliana Jimenez – SC

Quando, sem fazer alarde,
me sinto só, esmoreço…
– Inútil meu Mastercard,
amizade não tem preço!
Eliana Palma – PR

Meu beijo tem a fragrância
dos perfumes da amizade,
mas.. dado assim à distância
tem mais sabor de saudade!
Elisabeth Souza Cruz – RJ

Correndo entre paralelas
de aço, o trem foi a glória
para quem hoje vê nelas
apenas traços da história.
Ercy Marques de Faria – SP

Sempre sozinha, aos farrapos,
mas de rosário na mão…
A fé tecida entre os trapos
remendava a solidão!
Francisco Garcia – RN

Todo indivíduo que é tolo,
mas que de sábio se arvora,
é tal um pão sem miolo…
só tem a casca por fora!
Francisco Pessoa – CE

Refém de ti, não recuo,
réu do amor que me corrói:
cada sonho que construo,
tua apatia destrói…
Gilvan Carneiro – RJ

Eu quero poder cantar
meus versos aos quatro cantos,
e assim talvez transformar
em risos todos os prantos!
Gislaine Canales – RS

Teu retrato desbotado,
num canto velho e sozinho,
são resquícios do passado
das pedras do meu caminho.
Gutemberg Liberato – CE

Hoje trago na lembrança
uma dor que sobrevive
num fiapo de esperança,
pelo amor que nunca tive.
J.B. Xavier – SP

Fazer as pazes… Presente
melhor a dar a um irmão
é desfraldar, complacente,
a bandeira do perdão.
Jeanette De Cnop – PR

Me esculpindo a cada dia,
vendo no Mestre o padrão,
tento chegar – que utopia! –
mais perto da perfeição.
Jessé Nascimento – RJ

Na aliança nunca desfeita,
alma e corpo te entreguei:
juntei a ideia perfeita
ao passo maior que eu dei.
Josafá Sobreira da Silva – RJ

Uma chave carregamos,
porta de um mundo melhor,
entretanto não largamos
a muleta de um pior.
José Feldman – PR

Cada vez que alguém cria algo, nasce de novo (Vanda F. Queiroz)

Tempo, cavalo indomável
que tento frear à toa…
Qual pégaso formidável,
quanto mais freio, mais voa…
Jaime Pina da Silveira – SP

Para abraçar-te, menina,
meu anseio é tão profundo,
que a distância de uma esquina
parece uma volta ao mundo.
José Lucas de Barros – RN

Sendo pobre ou um paxá,
na rua vou de roldão.
De que me vale o crachá,
sozinho na multidão?
José Marins – PR
 
No aeroporto, o adeus, o abraço…
e no olhar… rastros de dor.
– Lá se foi, rasgando o espaço,
uma promessa de amor…
José Messias Braz – MG
 

Fugir, poeta, não queiras,
do que a vida preceitua:
teu destino é abrir fronteiras
e deixar que o sonho flua!
José Ouverney –SP

O anel que eu ponho em teu dedo,
mais que um simples adereço,
tem no amor nosso segredo;
do coração o endereço!
José Roberto P. de Souza – SP

Bendigo a lágrima doce
da chuva que cai lá fora.
Bom seria se assim fosse
o pranto que a gente chora!
José Valdez – SP

Ai, amor, estou doente…
Então devo declarar:
a saudade não consente
que tu venhas me curar!
Laérson Quaresma – SP

Se não me dás teu carinho,
se não me queres amar,
sou barco triste e sozinho,
que já não quer navegar.
Luiz Carlos Abritta – MG

Nunca mostres apatia
diante da luta na vida,
mas brinda com simpatia
e a inércia será vencida!
Mª Luíza Walendowski – SC

 
A distância, o céu aberto,
não podem mudar o amor,
que, embora longe está perto,
como a raiz junto à flor.
Mª Thereza Cavalheiro – SP

Nesta vida o tempo ensina:
quem partilhar seu amor
a paz também dissemina,
exterminando o rancor.
Marina Valente – SP

As marcas do teu batom,
deixadas no meu cristal,
têm sabor e têm o dom
de um grande amor, no final.
Maurício Friedrich – PR

Enquanto espero a velhice
eu passo a vida trovando,
pois sei que é muita burrice
passá-la só lamentando.
Nei Garcez – PR
 
Sangra a terra quando arada:
fica frágil, tão exposta…
Mesmo sofrendo calada,
com seus frutos dá a resposta.
Olga Agulhon – PR

Meus sonhos, em grandes asas,
voam no azul infinito
e fulgem, tal como brasas,
por este céu tão bonito.
Olga Ferreira – RS

Solidão e violão
são irmãos e não se largam:
uma amarga o coração,
outro adoça os que se amargam.
Olivaldo Júnior – SP

Tenho em meu peito guardada
para você, que me evita,
a alma um tanto magoada,
mas com ternura infinita.
Renato Alves – RJ

Nossas almas parecidas,
nossos sonhos se irmanando,
eu e tu, vidas vividas
tarde demais se encontrando!
Rita Mourão – SP

Poesia é também música. Música é som.
Som se conta com o ouvido, não com o olho.

Na praia deixei meus sonhos
e, junto às ondas do mar,
pousei meus olhos tristonhos
à espera de te encontrar.
Sarah Rodrigues – PA

A semente, pequenina,
sob a terra protegida,
é assinatura divina
no grande livro da vida.
Selma Patti Spinelli – SP

Coração, nunca te emendas!…
És de fato um sonhador.
Até nas duras contendas
tu vês motivos de amor!
Thalma Tavares – SP

Partiste. Fiquei perdida:
vi meu céu escurecer…
Sem o sol da minha vida,
sempre é noite em meu viver.
Thereza Costa Val – MG
 
Passas por mim… nem me agradas…
e a saudade, sem tardança,
traz de volta as madrugadas
que hoje vivem na lembrança.
Therezinha Brisolla – SP

Meu tempo tornou-se esparso…
Por mais que tente retê-lo,
nem com tintura disfarço
o cinza do meu cabelo.
Vanda Alves – PR

Por mais que o progresso iluda,
deturpe e inverta valor,
o que Deus fez ninguém muda:
amor será sempre Amor.
Vanda Fagundes Queiroz – PR

Meus desenganos de amor
na poesia buscam fim:
eu não choro a minha dor…
meus versos choram por mim!
Wanda Mourthé – MG

Anjos brancos, as fumaças
dos casebres, no sertão,
aos céus sobem, dando graças
pelo almoço no fogão.
Yedda Patrício – SP

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Mário A. J. Zamataro (Dois Olhares)

Noite de céu coberto
sem luar
lanterna
estrelas
mas ao longe
um brilho é guia
do andarilho
vacilante

Mesmo o longe
muito longe
não inibe a caminhada
são dois tempos
dois lugares
dois espaços
numa noite

Noite longa
já se arrasta
por estradas
avenidas
ruas tortas
curvas retas
por subidas
e descidas
pradarias
altas serras
vales fundos
cumes rasos
chão batido
asfalto frio
mato ralo
mato grosso
um corguinho*
um rio mais largo
nas esquinas
e nas praças
tantas casas
a cidade

E eis que o longe diminui
mesmo o escuro
a noite cansa
e passo a passo ele andarilho arremete o pó as pedras
vento chuva e tempo tempo]
São dois tempos
dois lugares
dois espaços
numa noite

O andarilho 
enxerga a noite
no horizonte e mais além
nas viradas do terreno
do outro lado da divisa
e a noite é boa
a noite é livre
a noite é clara
é linda a noite
do andarilho
a noite é chama
e ele declama
e se derrama
e se declara
à noite ele ama
a noite é dama e dela emana aquele brilho (brilho ao longe)
do andarilho

Mas andarilha 
ela é também
na mesma trilha
a noite escorre
pelos vãos do tempo tempo
e nos vãos do vento (ui)vento
há muitos vãos
em poucas mãos

São dois tempos
dois lugares
dois espaços
dois olhares
===========================
* Nota:
Corguinho é córrego em linguagem popular. Deve ter nascido do fato de os rios, riachos e córregos serem naturalmente os limites das propriedades.
==================
Fonte:
CHIARI, Alcir et al. Antologia Novos Autores Curitibanos.  Curitiba: Gusto Editorial, 2013.
Imagem – montagem com imagens obtidas na internet

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Trova 265 – José Feldman (PR)

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Paulo Walbach (Caderno De Versos)

APENAS UMA PLUMA

Sou apenas uma pluma carregada pelo vento;
vou vivendo a minha vida, por aqui ou acolá,
sem morada, sem família e sem ninguém.
Sou apenas uma pluma, desgarrada de meu sabiá…

Não tenho asas, não tenho canto,
não tenho vida, só tenho encanto.
Sou suave, leve solta eu sou,
Sem presa, sem saber para onde vou.

Sou apenas uma pluma do meu sabiá,
que voava e cantava pra viver…
Mas, um dia, triste dia aconteceu:
Uma pedra, dura pedra o abateu.

E soltei-me da plumagem de seu peito,
e do sopro derradeiro, eu voei…
Sou a pluma separada do meu ser,
que morreu, sem saber do meu viver!

Minha vida se é vida, feito assim…
Pouco dela sei, pouco sei de mim.
Pois eu vivo, se o sopro me soprar,
se a brisa ou se o vento me levar.

Mas um dia, a sorte me pegou
pelo vôo de um pássaro de acolá,
carregando-me pelo bico familiar:
Era o bico da mulher do meu sabiá.

De uma vida com passado, sem futuro,
transmutada de um dia para cá…
Do nada, quase nada, virei ninho
da ninhada dos filhotes do meu sabiá!
======================
 
A LINGUAGEM DO POETA
 

Arte, Sonho, Liberdade! – a Poesia;
que o poeta,sem passagem, acredita,
pelos sonhos, perambula na magia
das palavras de sua Língua tão Bendita.

Ele voa pelas asas da alegria,
no embalo da estrela que palpita…
nos acordes do silêncio e da folia;
acelera, anda, passa, freia, grita…

Na linguagem; sinestesia ele tenta…
Escrevendo, vai suprindo sua emoção,
muitas vezes, já cansado de Sonhar…

O Poeta, com coragem, experimenta
até o fogo, que embriaga o vulcão,
acendendo seu pavio do Amar!
=================

RASCUNHO & BORRÃO

Nas linhas pautadas do velho caderno
aterrissam sonhos, que viajam em mim…
Vêm de algures, além do inverno,
ao porto seguro da pista molhada,
em versos sem fim…

Pedaços poemas, delírios sem asas,
fonemas opacos que vêm para mim;
às vezes quebrados, não chegam, não vingam,
se perdem no espaço…
e viram poeira num outro jardim.

Palavras sem forças, sem nexo,sem voz,
que risco e apago e faço borrão.
Pensamentos que fogem, se soltam no ar,
e voltam sem vida na mente cansada
de minha emoção…

Os versos que morrer no ventre da alma
são sementes estéreis jogadas no chão…
Sepulto as letras nas pautas vazias,
escritos perdidos à espera de luz,
meu lápis riscando em traços em cruz…
fechando o caderno rascunho e borrão!
================

VENTO MENINO

Acordei com a voz do vento,
Que batia na minha janela…
Pensei na hora e no tempo,
Acendi ao meu lado uma vela.

Lá fora o frio ardia,
Doíam, a relva e a flor…
O vento na janela batia;
Batendo, implorava calor.

Abri a janela e o vento…
Tremendo, em mim desmaiou;
Passei minhas mãos sobre ele,
Sorrindo, o vento acordou.

Parecendo um menino perdido
Entre as mãos espalmadas o acolhi,
Balbuciando logo em meu ouvido,
melancólico adágio eu ouvi.

Tremendo ainda o vento,
No outro ouvido cantou…
Parecendo elemento alado,
O vento pra mim sussurrou.

Não sendo menino e nem pássaro,
Que presos, ainda podem cantar…
Levei-o tão logo à janela…
E o vento se põe a voar!
===================

MÃE

MÃE é presente e eternidade
Que amarra a prole e a família
Por laços de verdade,
No mais nobre sentimento e magia.

MÃE é futuro da mulher…
Que DEUS faz no seu corpo crescer
A semente da mais bela flor,
Pelo filho que um dia há de nascer.

MÃE é passado de glória, agonia e ventura…
É esplendor e saudade pura
Num perene estado espiritual.

MÃE é um ser tão singular,
Da mais forte e fiel expressão
Dos verbos sofrer e amar!
=============

CURITIBA…
 
Índios correndo, abrindo picadas por dentre as matas….
Itupava…caminho de pedras, início de tudo.
Atuba, primeiro local, riacho tão rico, de ouro e pedras.
Cory-etuba!.
Pinheiros rodeando, pinhão florindo, é seu dia de festa!

Um pássaro azul solta seu canto,
voeja suas asas plantando a semente,
fazendo seu ninho nos braços esguios da árvore gigante.
Nasce a cidade, no largo central…
Pelourinho, futura matriz – a Catedral…

29 de março de mil e seiscentos e noventa e três…
Mateus Leme, Ébano Pereira, Baltazar Carrasco dos Reis…

Cidade Sorriso da rua das flores…
Do Ipê amarelo que traz primavera,
Dos campos, colinas, riachos, amores…
Curitiba escancara nos abraços seus,
fazendo de sua terra a miscigenação,
na riqueza dos irmãos filhos de Deus,
Que fizeram desta casa o seu rincão.

No sotaque tão aberto deixa a gente
Tão sem graça e na graça, vem o riso
quando pede o gostoso ´leite quente´…

Curitiba, de seus bosques e postais,
Ornamenta a cidade nos Natais
Curitiba dos tubos, da Boca Maldita…
Cidade que se recicla, cidade bendita.

Curitiba dos prêmios internacionais,
Capital modelo, no papel e no serviço,
Da Universidade quase centenária tem nos anais,
o irmão, o Centro de Letras de Emiliano Perneta,
Euclides Bandeira, Emilio Meneses e de tantos mais…

Curitiba, cantamos o Parabéns pra você,
Por que é a menina cativa que muito cresceu…
És a dama de sempre, e dos pinheirais
Curitiba, poema, te amamos demais!

Fontes:

Lilia Souza (organizadora). Coletânea da Academia Paranaense de Poesia. 2012

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Haicai 22 – Mario A. J. Zamataro (Curitiba/PR)

Haicai formatada sobre imagem obtida em http://jorgebichuetti.blogspot.com

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Luís Renato Pedroso (1928)

Nasceu em Foz do Iguaçu, 18 de fevereiro de 1928, emérito jurista brasileiro, tendo atuado na Magistratura, no Ministério Público e na Advocacia.

Filho de Accácio Pedroso , comerciante, autodidata, ex-prefeito do então Território Federal do Iguaçu e Inspetor Geral de Ensino, e de Sara Sottomaior Pedroso. Foi casado com Úrsula Lange Pedroso e, em segunda núpcias, com Maria Alice Nogueira Pedroso.

Após ter concluído o ensino ginasial no Liceu Rio Branco , em Curitiba, Bacharelou-se em Direito na Universidade Federal do Paraná – UFPR, em 1950, mesmo ano de sua federalização, tendo recebido o prêmio Carlos Renaux como melhor aluno em Econômica Política e Ciência das Finanças, sendo discípulo de renomados juristas como Manoel de Oliveira Franco, Ernani Guarita Cartaxo e Altino Portugal Soares Pereira, entre outros.

Iniciou suas atividades profissionais no ano de 1951 como Promotor Público Interino nas Comarcas de Mandaguari, Campo Mourão e São José dos Pinhas.

Entre 1951 e 1955, foi advogado público do Departamento de Estradas de Rodagem e do Departamento de Geografia, Terras e Colonização do Estado do Paraná, tendo sido chefe de gabinete deste último.

Em 1955 foi nomeado juiz substituto para a Seção Judiciária de Londrina, abrangendo as Comarcas de Cambé e Rolândia.

Após ter sido aprovado em primeiro lugar no concurso público para magistratura do Estado do Paraná, passou exercer o cargo de Juiz de Direito nas Comarcas de Araruva, hoje Marilândia do Sul, Astorga, Londrina e Curitiba, quando, em 1970, passou a compor o recém criado Tribunal de Alçada do Paraná.

No Tribunal de Alçada do Paraná, exerceu os cargos de Vice-presidente e de Presidente daquela corte (1977/1978), quando, então, foi nomeado desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná.

No Tribunal de Justiça do Paraná, exerceu os cargos de Corregedor da Justiça (1983/1984) e Presidente da Corte (1991/1992) , quando presidiu as Comemorações do Centenário do Tribunal de Justiça e o I Congresso de Presidentes de Tribunais de Justiça.

A efeméride das comemorações do Centenário do Tribunal de Justiça do Paraná, incorporou-se a história do Estado como episódio de realce e destaque.

Conforme a palavras da historiadora Chloris Elaine Justen de Oliveira: “o desembargador Luís Renato Pedroso, homem culto e prestigiado pelos juízes, reconhecido pelos dotes de oratória, com habilidade e competência administrativa teve marcante presença na história da magistratura paranaense” .

Dentre as inúmeras demonstrações e afeto e amizade, vale ressaltar parte da carta endereçada pelo desembargador jubilado José Wanderlei Resende, ocupante da cadeira n. 32, da Academia Paranaense de Letras , publicada na Revista do Centro de Letras do Paraná, n. 53: “digo-lhe que sou muito grato por usufruir de sua convivência, nesses longos anos de magistratura, e que são inúmeras as boas lembranças que guardo da sua pessoa, das lições que me ensinou, das demonstrações de apreço e, sobretudo, do que você representou de maior para o Poder Judiciário do Paraná e, agora, servindo com tanta maestria, a vida literária”.

No magistério, na década de 60, lecionou na escola normal Monsenhor Celso e no no Colégio Comercial de Astorga. Em 1964, foi professor de direito Civil na Faculdade de Direito de Londrina, hoje Universidade Estadual de Londrina, tendo sido paraninfo da turma de 1966.

Foi professor de direito Civil e Processo Civil na então Faculdade Católica de Direito, hoje, Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUC/PR, tendo sido paraninfo da turma de 1955, bem como, na Fundação de Estudos Sociais do Paraná, nas disciplinas de direito Administrativo e Comercial, afastando-se do magistério, em face da eleição para Corregedor Geral da Justiça em 1983.

Em 1975, foi eleito vice-presidente da Associação dos Magistrados do Paraná – AMAPAR, em chapa encabeçada pelo então desembargador Aurélio Feijó, quando, devido a uma fatalidade, teve que concluir o mandato na condição de Presidente. Após este fato, durante sete anos, e, em períodos diferentes, ocupou a presidência da referida entidade, sendo ainda, o magistrado que ocupou tal cargo pelo maior período (1975/1980 – 1985/1987) .

Sempre com brilhantismo, promoveu a frente a Amapar catorze seminários estaduais atingindo todas as regiões do Estado e, em 1978, realizou o O Congresso Estadual da Magistratura, obtendo referências elogiosas dos participantes pela dedicação e empenho dos associados .

Ainda, em 1986 e 1987, foi primeiro vice-presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros – AMB .

Em 1996, foi um dos idealizadores e primeiro presidente da Câmara de Mediação e Arbitragem da Associação Comercial do Paraná – Arbitac, sendo que, os esforços para a materialização do projeto, iniciaram antes mesmo do advento da Lei Brasileira sobre a Arbitragem (Lei 9.307/96).

Presidiu a Arbitac de 1996 à 2001, passando a integrar, seu Conselho Superior .

De 1995 à 2003, foi membro do Conselho Estadual do Fundo Penitenciário do Paraná – FUNPEN, órgão criado Lei 4.955, de 13 de novembro de 1964 e regulamentado pelo Decreto 6420 de 11 de outubro de 2002, vinculado a Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, o qual se destina a prover recursos ao Departamento Penitenciário do Estado do Paraná, para a melhoria das condições da vida carcerária nos estabelecimentos penais e atendimento aos programas de assistência aos egressos do Sistema Penitenciário do Estado .

Pertenceu ao Rotary Clube de Astorga, onde iniciou suas atividades rotarias na década de 60, integrando depois o Rotary Club Londrina Norte e atualmente, o Rotary Clube Curitiba Norte, do qual foi presidente em 1971/1972.

Em 1996 e 1997, foi presidente da Fundação da Unidade Rotária – FUR, sempre tendo atuação relevante .

Algumas Entidades a que pertence:

Conselheiro do Paraná Clube

Academia Paranaense de Letras Jurídicas – Membro Benemérito

Academia de Cultura de Curitiba ACCUR – Membro Benemérito, tendo sido seu Presidente por seis anos consecutivos .

Academia Sul-Brasileira de Letras – Membro

Academia Literária José de Alencar – Membro

Academia Paranaense da Poesia – Membro Honorário e Assessor Jurídico

Sociedade Brasileira de Médicos Escritores Sobrames – Membro Honorário

Associação dos Serventuários da Justiça do Estado do Paraná Assejepar – Membro Honorário

Soberana Ordem do Sapo
Centro de Letras do Paraná

Presidiu o Centro de Letras do Paraná, entidade cultural fundada em 19 de dezembro de 1912, tendo por patronos os literatos Euclides Bandeira e Emiliano Perneta. Como um verdadeiro paladino da cultura, sempre procurou fomentar do desenvolvimento cultural do Estado por meio de encontros líteros-musicas realizados sempre as terças-feiras na sede da entidade, de modo que, homenageando-o, o centrista Joel Pugsley assim se manifestou na Revista do Centro de Letras n. 51: “em nossa jornada terrena, temos pessoas especiais que vêm ao nosso encontro para soluções, tornando o caminho mais aplanado. Elas deixam marcas indeléveis, motivo pelo qual lhes devemos reconhecimento e gratidão. Tenho uma dessas pessoas em nosso dileto amigo e presidente Luís Renato Pedroso” .

Algumas Publicações

A importância do perito e assistente técnico engenheiro na solução das lides judiciais .

O tribunal de alçada e o nascente direito agrário .

PEDROSO, Luís Renato. Um pouco de mim. 2006.

Co-autor da letra do Hino do Município de Astorga/PR2.

Títulos

    Cidadão Benemérito do Município de Faxinal/PR
    Cidadão Benemérito do Município de Foz do Iguaçú/PR
    Cidadão Benemérito do Estado do Paraná
    Cidadão Honorário do Município de Astorga/PR
    Cidadão Honorário do Município de Jaguapitã/PR
    Cidadão Honorário do Município de Londrina/PR
    Cidadão Honorário do Município de Colombo/PR
    Cidadão Honorário do Município de Piraquara/PR
    Cidadão Honorário do Município de Colorado/PR
    Cidadão Honorário do Município de Cantagalo/PR
    Cidadão Honorário do Município de Marechal Cândido Rondon/PR
    Cidadão Honorário do Município de Campina da Lagoa/PR
    Cidadão Honorário do Município de Fênix/PR
    Cidadão Honorário do Município de Jaguariaiva/PR
    Cidadão Honorário do Município de Paraíso do Norte/PR
    Cidadão Honorário do Município de Iretama/PR
    Cidadão Honorário do Município de Ibaiti/PR
    Cidadão Honorário do Município de Curitiba/PR
    Cidadão Honorário do Município de Wenceslau Braz/PR
    Cidadão Honorário do Município de Campo Mourão/PR
    Cidadão Honorário do Município de Medianeira/PR
    Cidadão Honorário do Município de Cruzeiro do Oeste/PR

Medalhas, diplomas e condecorações

Medalha do Mérito Judiciário – concedida pela Associação dos Magistrados Brasileiros AMB.
    Medalha Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho: Grau de Grande Oficial – concedida pelo Tribunal Superior do Trabalho TST
 Medalha Ordem do Mérito Militar – Grau de Oficial – concedida pelas Forças Armadas Brasileiras. É a mais elevada distinção honorífica do Exército Brasileiro 24 .
    Medalha Francisco Xavier dos Reis Lisboa – concedida pelo Tribunal de Justiça do Maranhão TJ-MA
    Medalha Tenente Max Wolff Filho – concedida pela Legião Paranaense do Expedicionário.
    Prêmio Pablo Neruda de Direitos Humanos – Câmara Municipal de Curitiba .
    Diploma de Mérito Judiciário Conselheiro Coelho Rodrigues – concedido pela Associação dos Magistrados Piauienses – AMAPI .
    Diploma Pergaminho de Ouro – concedido pelo Jornal do Estado.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Renato_Pedroso

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Arquivado em Biografia, Paraná

Trova 263 – Mário A. J. Zamataro (Curitiba/PR)

Trova classificada em 2º lugar no Concurso Paralelo (para trovadores de Curitiba) ao Concurso Nacional Intersedes UBT – 2013, com o tema “Refúgio”.

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