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II Seminário Internacional de Crítica Literária


Seminário discute tensões da crítica literária contemporânea

Ficção versus realidade, tradução, exposição midiática e obras multimídia serão parte dos debates

II Seminário Internacional de Crítica Literária

quarta 7 a sexta 9 de dezembro

A crítica literária atual se depara com um cenário novo e desafiador. Como lidar com as interações entre autor e exposição midiática intensa, produção literária e intercâmbio cultural, literatura e hibridismo artístico? Qual o sentido da crítica nos dias de hoje? De 7 a 9 de dezembro, o II Seminário Internacional de Crítica Literária explora essas questões, na sede do Itaú Cultural, em São Paulo.

Participam do evento intelectuais e críticos brasileiros e estrangeiros como Marjorie Perloff (Estados Unidos), Marisa Lajolo (Brasil), João Cezar de Castro Rocha (Brasil), David Toscana (México), Berthold Zilly (Alemanha), Luiz Costa Lima (Brasil) e Mario Perniola (Itália), além de outros escritores, teóricos, tradutores e filósofos, de várias nacionalidades e linhas de pensamento.

São 8 convidados internacionais e 11 nacionais. Os debates têm curadoria da escritora, professora e pesquisadora Maria Esther Maciel e da consultora e produtora cultural Selma Caetano. A mediação será realizada por 6 especialistas brasileiros.

entrada franca – ingresso distribuído com meia hora de antecedência
reserva para grupos: itaucultural@comunicacaodirigida.com.br

quarta 7

17h30 O Papel da Crítica no Jogo entre Realidade e Ficção

com David Toscana (México) e José Castello (Brasil)

A literatura não tem compromisso algum com a explicação, mas, sim, com a invenção. Os escritores já não se iludem: a literatura não é, e nunca foi, um espelho capaz de refletir, com nitidez e perfeição, o mundo real. Em que medida, no complexo, veloz e fragmentado século XXI, a literatura ainda pode – se é que um dia conseguiu fazer isso – dar conta da realidade?

20h A Crítica Biográfica e os Desafios da Ficção

com Italo Moriconi (Brasil), Leonor Arfuch (Argentina) e Marisa Lajolo (Brasil)
mediação Regina Zilberman

A valorização midiática da figura do escritor, aliada à profusão editorial de obras biográficas e autobiográficas, tem exigido da crítica contemporânea um reposicionamento diante das complexas relações entre vida e literatura, autor e obra, realidade e ficção. Que estratégias de abordagem têm sido usadas pela crítica no trato dessas questões? Até que ponto a vida de um autor serve como referência para a leitura de uma obra?

quinta 8

15h A Tradução como Crítica

com Berthold Zilly (Alemanha), Márcio Seligmann-Silva (Brasil) e Paulo Henriques Britto (Brasil)
mediação Marcelo Tápia

Tradução, crítica e criação são práticas interligadas. O ato de traduzir implica um diálogo crítico-criativo com outras culturas e com a própria tradição literária, interferindo também, de forma incisiva, no próprio fluxo da produção literária do presente. Em que medida, nesse movimento, a tradução reinventa também seus próprios conceitos e mecanismos de leitura? O que define a força crítica do trabalho de tradução?

17h30 A Crítica de Poesia em Tempos Digitais

com André Vallias (Brasil), Eduardo Sterzi (Brasil) e Marjorie Perloff (Estados Unidos) |
mediação Lourival Holanda

O advento de novos suportes digitais tem possibilitado o surgimento de expressões poéticas cada vez mais híbridas, mediadas por diferentes relações entre texto, imagem, interatividade e vários recursos multimídia. Como a crítica de poesia tem lidado com essas mudanças? Em que medida ela tem criado novos procedimentos e fundamentos de abordagem e reflexão para lidar com as linguagens poéticas do mundo digital?

20h A Crítica Literária como Intercâmbio Cultural

com Antonio Gonçalves Filho (Brasil), João Cezar de Castro Rocha (Brasil) e Martín Kohan (Argentina) |
mediação Luiz Ruffato

A crítica quase sempre desempenhou o papel de avalizadora da produção literária e, assim, serviu como parâmetro principal do intercâmbio cultural entre os países. Em tempos de rápida circulação de informações, a crítica literária ainda tem espaço para desempenhar esse papel? Se não, quais são os novos mecanismos disponíveis e quais as consequências da substituição da crítica literária por eles?

sexta 9

17h30 Crítica Literária Hoje: Impasses e Desafios

com Joan Ramon Resina (Estados Unidos), Josefina Ludmer (Argentina) e Luiz Costa Lima (Brasil) |
mediação Sérgio Alcides

Os equívocos em torno da palavra crítica: se não é um gênero literário, o que pode ser? O crítico é um “juiz da arte”, um mediador que facilita o acesso do público ou alguém que exerce uma reflexão sistemática sobre a obra literária? Qual é a validade da crítica hoje? Quais são seus grandes desafios e impasses?

20h Crítica e Interdisciplinaridade

com Aurora Bernardini (Brasil) e Mario Perniola (Itália) |
mediação Ivan Marques

O entrecruzamento de diversos saberes e campos disciplinares tornou-se uma das linhas de força do cenário crítico contemporâneo. Como a crítica literária tem lidado com essa flexibilização de fronteiras, abrindo-se ao diálogo e às interseções com outras formas de conhecimento, como a filosofia, os estudos culturais, a sociologia e a política? E até que ponto a prática da interdisciplinaridade tem redimensionado o papel da crítica literária hoje?

Itaú Cultural – Sala Itaú Cultural (247 lugares) | Avenida Paulista 149 – Paraíso [próximo à Estação Brigadeiro do Metrô]

informações: 11 2168 1777

Fonte:
Itaú Cultural

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Universidade de Passo Fundo/RS (Projeto Livro do Mês – 2010)


Realizado desde 2006, o Projeto Livro do Mês, em parceria com a Prefeitura Municipal de Passo Fundo, Editoras dos autores presentes, SESC Passo Fundo e escolas públicas e particulares de Passo Fundo e região

Agendamento da participação de alunos e professores nos seminários, favor entrar em contato pelo telefone (54) 3316-8148 (Mundo da Leitura).

SEMINÁRIOS

Março
24, 25 e 26/03

O barbeiro e o judeu da prestação contra o sargento da motocicleta
Joel Rufino dos Santos
Editora Moderna

24/03 – Letras
25/03 – SME – SESC
26/03 – SESC (escolas públicas e particulares)

Abril
27, 28 e 29/04

Um livro de horas
Emily Dickinson (Ângela Lago)
Editora Scipione

27/04 – Letras
28/04 – SME – SESC
29/04 – SESC (escolas públicas e particulares)

Maio
26, 27 e 28/05

Kina, a surfista
Toni Brandão
Editora Melhoramentos

26/05 – Letras
27/05 – SME – SESC
28/05 – SESC (escolas públicas e particulares)

Junho
21, 22 e 23/06

De carona, com Nitro
Luis Dill
Editora Artes e Ofícios

21/06- Letras
22/06 – SME – SESC
23/06 – SESC (escolas públicas e particulares)

Agosto
30, 31 e 01/09

Cidades dos deitados
Heloísa Prieto
Edições Sesc SP / Editora Cosac Naify

30/08 – Letras
31/08 – SME – SESC
01/09 – SESC (escolas públicas e particulares)

Setembro
22, 23 e 24/09

Enigmas de Huasao: uma história peruana
Luciana Savaget
Editora Global

22/09 – Letras
23/09 – SME – SESC
24/09 – (escolas públicas e particulares)

Outubro
27, 28 e 29/10

Alma de fogo: um epsódio imaginado de Álvares de Azevedo
Mario Teixeira
Editora Ática

27/10 – Letras
28/10 – SME – SESC
29/10 – (escolas públicas e particulares)

Novembro
18 e 19/11

Dá pra acreditar?
Luís Pescetti SM

18/11 – Letras
19/11 – SME – SESC

Fonte:
Colaboração da Universidade de Passo Fundo

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X Seminário de Estudos Literários (UNESP – São José do Rio Preto/SP)

Poéticas do Contemporâneo: diálogos e escrituras

Edição Comemorativa dos 30 Anos do Programa

13,14 e 15 de outubro de 2009.

O X SEMINÁRIO DE ESTUDOS LITERÁRIOS é uma realização já tradicional do Programa de Pós-Graduação em Letras do IBILCE/UNESP e tem como objetivo fomentar a discussão dos aspectos críticos e metodológicos dos projetos em desenvolvimento em nível de Mestrado e Doutorado, colaborando para a reflexão, por parte dos pós-graduandos, dos caminhos de pesquisa e dos diálogos pertinentes entre seus projetos e dos demais colegas.

O evento dirige-se a docentes, mestres, doutores, pós-graduandos e demais interessados que desenvolvem pesquisa em literatura, independente das linhas em que atuam em seus programas de origem.

A décima edição do evento, que ocorrerá nas dependências do IBILCE/UNESP, prevê em sua programação cinco conferências, sete mesas debatedoras, oito sessões de comunicação e uma sessão de painéis.

As conferências serão ministradas por pesquisadores e poetas com significativa produção artística e intelectual, que privilegiarão, como objeto de suas conferências, as várias manifestações da literatura contemporânea.

As sessões de comunicação, divididas nas Linhas de Pesquisa do Programa destinam-se aos trabalhos de Pós-Graduação – mestrado e doutorado – em estágio avançado de pesquisa, com conclusões parciais ou definitivas.

As mesas debatedoras formadas por docentes convidados compreendem a análise e o debate dos projetos de pesquisa de alunos de Pós-Graduação em Letras, níveis de mestrado e doutorado, em estágio inicial de desenvolvimento.

A sessão de painéis configura-se em espaço reservado a alunos de Graduação, para apresentação de trabalhos provenientes de Iniciação Científica.

PROGRAMAÇÃO

Dia 13 de outubro de 2009

08h00 Entrega de material e últimas inscrições

09h00 Abertura Oficial

09h30 Café

10h00 CONFERÊNCIA 1: Possibilidades e impasses da ficção brasileira contemporânea – Profa. Dra. Beatriz Resende (UFRJ)

14h00 MESAS DEBATEDORAS 1 e 2

16h00 Café

16h30 CONFERÊNCIA 2: Literatura e ética: o foco na alteridade – Profa. Dra. Lilian Jacoto (USP)

18h30 PAINÉIS

Dia 14 de outubro de 2009

8h00 SESSÕES DE COMUNICAÇÃO

9h30 Café

10h00 CONFERÊNCIA 3: Da teoria como vanguarda tardia Prof. Dr. Fábio Akcelrud Durão (UNICAMP)

14h00 MESAS DEBATEDORAS 3 e 4

16h00 CAFÉ

16h30 CONFERÊNCIA 4: A multiplicidade da poesia brasileira no contexto pós-utópico Poeta e Prof. Marcelo Tápia Fernandes (Diretor da Casa Guilherme de Almeida – SP)

18h30 Coquetel e Lançamento de livros

Dia 15 de outubro de 2009

8h00 SESSÕES DE COMUNICAÇÃO

9h30 Café

10h CONFERÊNCIA 5: Corpo e memória na lírica contemporânea: a poesia de Fabrício Corsaletti – Profa. Dra. Elaine Cintra (UFU)

14h00 MESAS DEBATEDORAS 5 e 6

16h Café

16h30 Assembléia geral

DATAS IMPORTANTES

De 07/07/09 a 14/08/09
Submissão de projetos para mesas debatedoras e resumos para comunicações e painéis.

Em 01/09/09
Divulgação de aceite das propostas.

De 01/09 a 19/09/09
Período de inscrições (com apresentação de trabalho).

Modalidades de participação:
Para qualquer modalidade de participação a taxa de inscrição é de R$20,00.

apresentação de projeto em mesa debatedora
(exclusiva para ingressantes do Programa de Pós-Graduação em Letras)

apresentação em sessão de comunicação
(exclusiva para alunos de pós-graduação, com pesquisa em andamento)

apresentação de painel
(exclusiva para alunos de graduação)

De 01/09 a 13/10/09

Período inscrições para ouvintes.

Para qualquer modalidade de participação a taxa de inscrição é de R$20,00.

Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas – IBILCE/UNESP
Rua Cristóvão Colombo, 2265
São José do Rio Preto – SP
15054-000

Informações: www.eventos.ibilce.unesp.br/sel

REALIZAÇÃO:
Programa de Pós-Graduação em Letras

IBILCE/UNESP
Fonte:
Comissão Organizadora

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Seminário de Jornalismo Literário (Maringá/PR)

Período:
6 à 8 de Outubro de 2009

Local: SESC Maringá
—————–

O evento é uma iniciativa do SESC Paraná no campo dos estudos da reportagem e da literatura de não-ficção. Entre os palestrantes: profissionais como Miguel Sanchez Neto, Domingos Pellegrini, José Carlos Fernandes, Fábio Massali e outros.

Programação

06/10/2009

19 horas
Abertura do Seminário:
– O que é jornalismo Literário?
– José Carlos Fernandes-Gazeta do Povo
– Domingos Pellegrini -escritor
– Fabio Massalli – Jornalista- O Diário

07/10/2009

19 horas
Influência de Gêneros literários no Jornalismo
– Miguel Sanchez Netto -Jornalista -Gazeta do Povo
-João Bacellar de Siqueira – Licenciado em Letras e Mestre em Teoria da Literatura – UEM
-José Henrique Rollo – UEM

14 horas

Oficina de Crônica
– Antonio Roberto De Paula- Jornalista e Escritor -Academia de Letras de Maringá.

08/10/2009

19 horas
Imprensa Literária- desafios no cotidiano das redações
-Samuel Levi Ferreira – Editor Chefe – Hoje Notícias
-Jari Mércio – Editor e jornalista – O Diario
-Danyane Rafaella Barbosa- Jornal do Povo
===============

Evento: Seminário SESC de Jornalismo Literário

Local: SESC DE MARINGÁ

Endereço: Av. Lauro Eduardo Weneck – 531 – Maringá-Pr

Data: 06, 07 e 08 de outubro de 2009

Telefones: (44) 3262-3232 ramal 2755

Será oferecida 1 oficina de crônica, com 25 vagas .

As inscrições devem ser feitas via e-mail. Ou no Sesc de Maringá – Av. Lauro Eduardo Werneck. 531 – z 7

Para receber o certificado do evento é necessário ter feito a inscrição.

Dados: nome completo, e-mail, instituição de ensino onde estuda ( se for estudante), mencionar qual oficina ou mesa redonda quer participar.

E-mail para inscrição, programação e detalhes: laidesousa@sescpr.com.br

O seminário é gratuito e aberto, mas quem deseja receber certificado deve se inscrever através do e-mail acima

VAGAS LIMITADAS

Fonte:
Laíde Cecilia de Sousa
Assistente de Atividades do SESC – Maringá

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II Seminário Nacional de Língua e Literatura

Tema: Teoria e Ensino – Escrita e Identidade

Descrição:
– Integrar os cursos de graduação e pós-graduação em Letras;
– Promover o diálogo dos cursos de graduação e pós-graduação em Letras com outras IES;
– Propiciar atividade de formação continuada para alunos e profissionais da área de Letras e afins.

PROGRAMAÇÃO

Local: auditório do IFCH
Dia 29 de maio de 2008 – Quinta-feira
13h às 14h – Entrega de materiais
14h – abertura oficial
14h30min às 17h30min – conferência de abertura – Prof. Drª Laura Padilha – UFF.
19h30min às 22h30min – Mesa-redonda “Escrita e Identidade: as interfaces entre lingüística e literatura” – Prof. Drª Rita Schmidt (UFRGS) e Profª Drª Márcia Cristina Correa (UFSM)

Dia 30 de maio de 2008 – Sexta-feira
8h às 11h30min – Conferência de encerramento – Profª Drª Maria José Coracini – UNICAMP.
11h30min – Apresentação Artística (Bando de Letras)
14h às 16h – Sessão de comunicações I
16h30min às 18h30min – Sessão de comunicações II
19h30min às 22h30min – Sessão de comunicações III
INSCRIÇÕES

Investimento
R$ 40,00 para os participantes em geral
R$ 70,00 para os participantes com apresentação de comunicação

As inscrições sem apresentação de comunicações se estenderão até o dia do início do evento, respeitadas as vagas disponíveis.

Responsável: Prof. Drª Evandra Grigoletto
E-mail para contato: g.evandra@terra.com.br

UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
Campus I -Km 171 -BR 285, Bairro São José, C. Postal 611
CEP 99001-970 Passo Fundo-RS
PABX (54) 33168100 ; Fax Geral (54) 3316-8125
IFCH: Fone/Fax (54) 3316-8380 / 3316-8331 -Email: ifch@upf.br

Fonte:
Boletim Eletrônico das Jornadas Literárias n. 56.

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II Seminário Nacional de Língua e Literatura

UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO
INSTITUTO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS
Campus I -Km 171 -BR 285, Bairro São José, C. Postal 611
CEP 99001-970 Passo Fundo-RS

IFCH -30/05: 14h às 16h

Sala 105 -Discurso e ideologia

Charge e propaganda: vozes da sedução
Graziela T. Baggio Pivetta (UPF)

Votos de juízes: construções de sentido
Ângela Maria Plath da Costa (UFRGS)

A sexualidade da mulher: o discurso da mídia feminina
Elisa Marchioro Stumpf (UFRGS)

O sujeito, o interdiscurso e as condições de produção na construção do sentido
Liane Tubino El Asmar (UFRGS)

A noção-conceito de formação discursiva e sua aplicabilidade
Sandra Novello Silvestri (UPF)

Sala 119: Discurso e mídia 1

Modalidades de subjetivação em empreendimentos autogestionários
Darlene Arlete Webler (UFRGS)

Da ilusão da transparência ao equívoco: um caso em língua estrangeira
Giovani Forgiarini Aiub (UFRGS)

A problemática do sujeito em processo de ensino-aprendizagem de línguas
Maria Cledir Zilli Queiroz (UPF)

Maitena: uma leitura sob a perspectiva da Análise do Discurso
Graciele Hilda Welter (UPF); Sandra Mariani Batista (UPF)

De Mark e Engels a Kafka: o marxismo em Metamorfose
Rafael Pedro Poli (UPF); Sandra Roberta Catto (UPF)

Sala 202: Enunciação e gêneros textuais

Subjetividade em Vida Maria
Patrícia Valério (UPF)

O ensino do editorial como um gênero textual
Ivanete Mileski; Ivanilda Salton Köche (UCS)

As tipologias textuais a serviço dos gêneros textuais no ensino e escrita
Adiane Fogali Marinelo (UCS)

Enunciação e persuasão em textos de diferentes gêneros
Luciana Maria Crestani (Faplan/Anhanguera)

A importância da leitura na formação do aluno: a contribuição da semiótica do texto
Graciela Ortolan (UPF)

Sala 203: Línguas Materna e Estrangeira: ensino 1

Pronomes possessivos adjetivos em inglês
Silvana Aparecida Calegari (UPF)

Estratégias de leitura e sua aplicabilidade na compreensão de textos de provas de vestibular em língua inglesa
Luciane Schiffl Farina (UPF)

Estratégias de leitura: sua aplicabilidade e eficácia nas provas de proficiência de mestrado e doutorado
Aline Fantinel Alves (URI/UPF); Lucila Augusta Campesatto (URI)

A variação nas formas de representação do tempo futuro: considerações sobre o ensino
Adriana Gibbon (FURG)

O ensino de língua estrangeira X cultura: a desconstrução de um mito separatório
Elaine de Marchi Kussler (UPF)

Sala 211: Leitura e sociedade 1

Cultura Hip Hop
Vera Lúcia da Silva Antunes (UPF)

Identidade Nacional e dependência cultural: Antonio Candido e a dialética do localismo e do cosmopolitismo
Gabriela Luft (UFRGS)

A escrita pós-colonial em A árvore das palavras, de Teolinda Gersão
Fernanda Silva (FURG)

História e cultura em O continente de Érico Veríssimo
Aline Venturini (E. E. Monte Castelo)

J. G. Rosa: o “corpo fechado” da narrativa
Jocilei Dalbosco (UPF)

Da tira dominical ao Mangá: as particularidades das histórias em quadrinhos
Danielly Batistella (UPF); Edson Gregory Trescastro (UPF)

Sala 213: As faces do sujeito: ficção, cultura e identidade 1

Da nova barbárie à esquifronezia: a experiência em Lorde, de J. G. Noll
Edson Roig Maciel (UFRGS)

Entre o real e o fictício: elementos narrativos em Sonhos tropicais, de Moacir Scliar
Ivete Bellomo Machado (UCPel)

Música perdida: identidades em trânsito no pampa de Assis Brasil
Luciano Passo Moraes (FURG)

A literatura como fonte de sonhos: uma análise acerca da personagem principal de Pelo fundo da agulha
Tiago Pellizzaro (UNISC)

Facetas do indivíduo: uma breve análise do protagonista em O evangelho segundo Jesus Cristo, de José Saramago
Janaína da Silva Sá (EAFS_Sertão)

O “deixar de ser” como conseqüência da fragmentação do sujeito
Maria Carolina Souza Silveira (FURG)

Sala 215: As faces do sujeito: ficção, cultura e identidade 2

Em busca de “O Outro Pé da Sereia”
Cassiana Grigoletto (UFRGS)

A identidade portuguesa vista através do personagem Afonso Sanches de A flor do sal
Anderson Hakenhoar de Matos (UFRGS)

Identidade ou identidades?
Alessandra Ávila Martins (UCPel)

A escrita da identidade incoerente – páginas do diário íntimo do general Couto de Magalhães
Rodrigo Oliveira Fonseca (UFRGS)

Enrique Villa-Matos: comparatismo e vanguardas
Kelvin dos Santos Klein (UFRGS)

A voz do monstro: o narrador no conto de Sérgio Sant´Anna
Thiago Porto Oleiro (FURG)

IFCH -30/05: 16h30 às 18h 30

Sala 213: Discurso e mídia 2

“A praga da doutrinação ideológica”: ideologia e ensino analisados no blog da revista Época
Maria Daniela Leite da Silva (UFRGS)

Interfaces entre o sujeito-leitor e sujeito-autor: uma relação de tensão e lugar de subjetividades
Vanda Mari Trombetta (UPF)

A relação fábrica-trabalhador: o noticiado e os não-ditos
Solange Mittmann (UFRGS)

Construção de sentidos e inscrição da subjetividade no discurso acadêmico sobre a reforma agrária
Sandra Roberta Catto (UPF); Rafael Pedro Poli(UPF); Carme Regina Schons (UPF)

Os sentidos na divulgação científica e a tensão entre a vulgarização e a erudição
Altair Alberto Fávero (UPF); Carme Regina Schons (UPF)

A imagem e a palavra tecendo os sentidos do texto
Carolinas Fernande (UFRGS)

Sala 211: A AD e as novas tecnologias

A escrita de adolescentes nos ambientes virtual e escolar: repetição ou autoria?
Evandra Grigoletto (UPF); Monize Aparecida Moreira Rodrigues (UPF)

Internet e escola: movimentos identitários na escrita de adolescentes
Jamile Forcelini (UPF); Juliana L. da Cunha (UPF)

A noção de autoria na escrita hipertextual
Rosângela Leffa Behenck (UFRGS)

Ciberativismo: formato e funcionamento discursivos
Gláucia da Silva Henge (UFRGS)

Berlusconi “aqui” e Berlusconi “lá”: objeto discursivo Sílvio Berlusconi na Wikipédia em língua portuguesa e em língua italiana
Carla Maicá Silva (UFRGS)

Sala 203: Línguas Materna e Estrangeira: ensino 2

Professores de inglês: construção das crenças e ação pedagógica
Luciane Sturm (UPF)

Professor de línguas: reflexões sobre a construção da identidade profissional
Josiane Redmer Hinz (UCPel)

A construção de conceitos nas áreas de linguagem e expressão: a experiência da formação continuada
Silvia Fernanda Souza (SEMED)

A cultura em sala de aula de língua espanhola
Ilaine Marlei Schwinn (UPF)

Aproximações entre língua, cultura e identidade no ensino de “ele”
Luiza Machado da Silva (UCPel)

Histórias infantis como recurso didático nas aulas de LE para crianças
Giovana Magalli Poletto Medeiros (Sunflower Escola de Idiomas); Luciane Sturm (UPF)

Sala 205: Texto e argumentação

Não. Não, não é resposta: um estudo da polifonia presente na negação
Andréia Inês Hanel (UPF)

Influência da argumentação da proposta de redação nos textos dos alunos
Telisa Furlanetto Graeff (UPF); Graziela Minas Alberti (UPF)

Compreendendo a origem de mal-entendidos em diálogos pela teoria dos blocos semânticos
Telisa Furlanetto Graeff (UPF); Silvane Costenaro (UPF)

Escrita e intertextualidade: análise de produções textuais de vestibulandos
Arlézia de Souza ((UFPel); Alessandra Baldo (UFPel)

Marcas da enunciação em texto publicitários: o sentido argumentativo de até
Tânia Aider Scarton Fornari (UPF)

A presença de argumentações transgressivas nas propostas de redação do Exame Nacional do Ensino Médio: um olhar sob a teoria dos blocos semânticos
Silvia Letícia Scopel Bristot (UPF)

Sala 105: Leitura e ensino

Aula de literatura: a realidade através de textos
Marlei M. Diedrich (I. E. Cecy Leite Costa)

Leitura literária e escola: alguns apontamentos
Fabiano Tadeu Grazioli (FAE)

Escritores da liberdade – identidade e narrativa
Ana Maria Bueno Accorsi (UERGS)

Nova Escola e a literatura arquitetônica de Fernando Vilela: a identidade do texto
Ana Carolina Martins da Silva (CESB)

Projeto “Encontro marcado” de escritores catarinenses com alunos de Ensino Fundamental e Médio da E. E. B. Prof. Adelina Régis, em Videira, SC
Lia Fausta Bonilla Colomé (UNIOESTE)

Sala 202: Leitura e sociedade 2

Hibridismo e alteridade na construção de histórias da literatura
Maria Lucia Bandeira Vargas (PUC/RS)

“O menino antigo”: a caracterização do velho na obra poética de Carlos Drummond de Andrade
Nathália Sabino Ribas (UPF)

Neuromancer -luta constante entre a carne e a mente – verdadeiro exemplo de distopia, ficção científica e ciberpunk
Rodrigo Timm Nessi Carnacini (UPF)

A caverna do titãs, de Ivanir Calado: livro e joystick em nome da literatura
Miguel Rettenmaier (UPF)

De Clarice Lispector a Cazuza: marcas da literatura na obra musical
Daiane Raquel Steiernagel (UFSM)

Sala 119: Leitura: emancipação e consciência 1

Ensaio sobre a cegueira: uma experiência com cegos leitores ouvintes
Hercílio Fraga de Quevedo (UPF)

Sítio do Picapau Amarelo: duas versões da mesma história
Daniela de Oliveira (UPF)

A repercussão da leitura na vida de um monstro
Bianca Deon Rossatto (UPF); Temístocles M. Dreyer Zamprogna (UPF)

Literatura fantástica no meio digital: o perfil do novo leitor
Mariane Rocha Silveira (UPF); Talita Maria da Silva (UPF)

A literatura e o universo infantil na perspectiva de Sérgio Capparelli
Odete Teresa S. Capelesso (UPF)

IFCH -30/05: 19h30min às 21h30min

Sala 212: Leitura: emancipação e consciência 2

Um ser em construção
Lidiane Guerra (UPF)

Palavras e imagens na construção da narrativa
Madalena Teixeira Paim (UPF)

A emancipação da criança leitora
Daiane Casagrande Spuldaro (UPF)

Leitura na infância inicial: uma intervenção precoce da leitura
Rita de Cássia Tussi (UPF); Tania Rösing (UPF)

Entre as mãos de quem lê: figurações da leitura em Sophia Andresen
Márcia Helena Saldanha Barbosa (UPF); Fabiane Verardi Burlamaque(UPF)

Sala 211: Língua e enunciação

Cotas raciais e representações sociais: uma perspectiva enunciativa
Gabriela Barboza (UFSM); Vera Lúcia Pires (UFSM)

Relações entre a teoria sócio-interacionista de Vigostky e a aquisição dos pronomes “eu” e “tu”
Gabriela Fontana Abs da Cruz (UFRGS)

O desdobramento meta-enunciativo no discurso infantil: uma tentativa de negociação com as não-coincidências do dizer
Marlete Sandra Diedrich (UPF)

Elementos constituintes de uma língua de sinais
Diogo da Costa Rufatto (UPF)

Compreendendo os problemas de compreensão
Daiane Neumann (UPF)

O estudo da língua pela enunciação
Claudia Stumpf Toldo (UPF)

Sala 215: Leitura e dialogismo

A viagem como construção identitária em Um estranho em Goa, de José Eduardo Águalusa
Lígia Dalchiavon (FURG)

Repensando os narradores benjaminianos nas vozes de Paulo Honório e de seus Ribeiro
Temístocles Mario Dreyer Zamprogna (UPF)

Releitura do poema “Canção do Exílio” pela paródia, paráfrase e estilização
Neli Jacinta Blume (UPF)

Mikhail Bakhtin e Cristóvão Tezza: um diálogo da prosa ao verso
Carina Dartora Zonin (UFRGS)

Mulher maravilha, super-homem e AIDS: retomada identitária de heróis em quadrinhos para campanhas educativas
Veridiana Caetano (UCPel)

O plurilingüismo em Os Ratos
Alessandra Ferreira de Camargo (UPF)

Fonte:

http://www.upf.br

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Ligia Simoneli (A influência da imigração italiana na Literatura Brasileira)

O objetivo principal desta comunicação é levantar a questão de como a imigração italiana é tratada na Literatura Brasileira e sua respectiva influência, baseando o estudo da temática nas obras: Brás, Bexiga e Barra Funda, de António de Alcântara Machado. O Quatrilho, de José Clemente Pozenato e Anarquistas, Graças a Deus de Zélia Gattai.

Primeiramente, é imprescindível um esclarecimento do contexto histórico durante a imigração no Brasil e suas causas, com maior enfoque à imigração italiana nas regiões de maior influência, onde as obras citadas foram ambientadas. Partindo das causas da imigração e posteriormente para a imigração italiana no estado de São Paulo e Rio Grande do Sul.

Durante o século XIX o Brasil tem um período de grande expansão cafeeira no Sudeste, pelo grande consumo dos E.U.A. e Europa e com a crise dos produtores asiáticos os preços mantêm-se em alta. Em 1850, D. Pedro II proíbe o tráfico africano, e, em 1888 a princesa Isabel cede as pressões inglesas e assina a abolição. A solução encontrada é a atração de imigrantes estrangeiros, com o apoio oficial. (Almanaque Abril: 1998, 34).

Além da preocupação de obter mão-de-obra existia o interesse de povoar o sul do Brasil, evitando o risco de alguma invasão, atrair população branca oprimindo os negros e mestiços que eram obrigados a concorrer com os trabalhadores imigrantes em regime de parceria, recebendo por produção ou como assalariados. (Almanaque Abril: 1998, 92).

No século XX, países como Alemanha e Itália, em pleno desenvolvimento do capitalismo, geravam um excedente populacional sem terra e sem trabalho, provocando uma tensão social. A emergência da indústria e desarticulação do trabalho industrial contribuíram para a expulsão da população, juntamente com o processo de unificação de alguns países, conflitos civis aumentavam o número de camponeses arruinados. Através de propagandas de incentivo à imigração milhares de imigrantes foram atraídos para o Brasil, enfrentando viagens marítimas em porões de navios cargueiros, encontraram uma realidade muito diferente no país de destino. Os imigrantes italianos chegaram ao Brasil com pequenas quotas em 1836, 1847, 1852 e 1853, crescendo expressivamente a partir de 1877, tornando-se o segundo principal contingente estrangeiro, depois dos portugueses (Diégues Júnior: 1972, 107). Alguns rumam para lavouras de café em São Paulo, com o intuito de tornarem-se independentes ou, na maioria das vezes, irem para a cidade para trabalhar em indústrias. No Rio Grande do Sul, os imigrantes italianos chegaram a partir de 1875, em situação de desvantagem perante a imigração alemã, que chegaram 50 anos antes (Pesavento: 1985, 50).

Nas primeiras décadas do século XX, com a consolidação da República de inspiração positivista o Brasil revezava paulistas e mineiros no poder com a política café-com-leite. Neste início de século, ao lado dos imigrantes espanhóis, os italianos tem grande influência nos grupos anarco-sindicalistas nas áreas industriais de São Paulo e Rio Grande do Sul, participando na massa operária, a frente de greves sangrentas reinvidicando seus direitos e mais tarde obtendo a Legislação Trabalhista, esta influência é enfraquecida com a presença de grupos menos reinvidicadores e a repressão política, que culmina com a proibição da entrada dos imigrantes em 1932 (Bastilde: 1973, 201-2) e (Pesavento: 1985, 80-2).

A etnologia brasileira sempre centrada no estudo do índio, no início deste século também dirige suas atenções ao elemento branco, principalmente os grupos entrados com a imigração e a existência ou não de assimilação por determinado grupo em outro (Diégues Júnior: 1972, 14-24), passando para o campo literário, durante o período Romântico o índio é a grande fonte de inspiração como forma de acentuar o nacionalismo, já no Realismo as atenções são voltadas para os problemas político-sociais e grupos marginalizados, como o negro, mas é apenas no pré-modernismo que o tema da imigração é tratado com Graça Aranha em Canaã, retratando as primeiras experiências da imigração alemã no estado do Espírito Santo, através de dois personagens centrais, Milkau o imigrante que acredita na “Canaã” e Lentz voltado para a superioridade de sua raça sem adaptar-se a realidade brasileira. Segundo Alfredo Bosi:

“(…) E o contraste entre o racismo e o universalismo, entre a “lei da força” e a “lei do amor” que polariza ideologicamente, em Canaã, as atitudes do imigrante europeu diante da sua nova morada.” (in Nicola: 1998, 265).

Brás, Bexiga e Barra Funda.

Em 1927, o cronista e contista António de Alcântara Machado, com a publicação desta obra composta por onze contos, trata do tema da imigração italiana e a primeira geração de ítalo-brasileiros em ascensão na capital paulista. Aristocrata e de família tradicional paulista, mesmo não participando da Semana de Arte Moderna de 1922, este escritor da primeira geração moderna sob seu estilo impressionista, irônico, utilizando uma linguagem “macarrônica” mistura do português com o italiano, baseado nas crônicas de Juó Bananére retratando a comédia diária e os dramas dos imigrantes italianos dos três bairros – título, transmite a “xenofobia” das famílias tradicionais paulistas perante os imigrantes italianos na década de 20 modificando a paisagem e trazendo seus costumes, buscando a ascensão social, mesmo com a procura de neutralidade expressa no Artigo de fundo:

“(…) Este livro não nasceu livro: nasceu jornal. Estes contos não nasceram contos: nasceram notícias. E este prefácio portanto também não nasceu prefácio: nasceu artigo de fundo” (Alcântara Machado: 1997, 27).

A ascensão social do imigrante é retratada nos contos: A sociedade, Armazém progresso. A busca de assimilação da cultura brasileira pelo imigrante, em: Nacionalidade e Tiro de guerra nº. 35. A família numerosa e miserável, em Lisetta. É a primeira vez em nossa literatura, que a imigração italiana é tratada, mesmo sobre o ponto de vista de um aristocrata brasileiro da época, de uma forma caricatural, como fizera em suas crônicas Juó Bananére (Alexandre Ribeiro Marcondes Machado) da luta, dos costumes destes imigrantes, transmitindo a reação das famílias tradicionais brasileiras perante a imigração italiana.

Anarquistas, Graças a Deus

Em 1979, a escritora ítalo-brasileira publica esta obra em que faz uma rememoração de episódios de sua infância e adolescência, agora o tema da imigração italiana é tratado sob a visão de uma filha de imigrantes italianos na capital paulista iniciando a narrativa em 1910. Baseada em fatos verídicos, a saga da família de seus pais nos transmite a imigração italiana e a realidade vivida pelos imigrantes, desde a saída do país de origem até sua estabilidade na capital, nos episódios: Seu Ernesto conta uma história, A Colônia Cecília, Dr. Giovanni C. Gárdias, Começo da viagem, Serviço de imigração e saúde, Bandeira Vermelha e Preta e Fim da Colônia Cecília retratam a propaganda de atração de imigrantes feita na Itália, as péssimas condições de viagem, a realidade brasileira sob a visão e realidade do imigrante estrangeiro. Já em suas narrações Zélia Gattai retrata a primeira geração de ítalo-brasileiros surgindo à procura de ascensão social e busca de assimilação da cultura brasileira como são evidentes nos episódios que envolvem discussões entre Wanda e Ernesto sobre o quadro anarquista, Angelina e suas filhas que criticam os costumes e a linguagem da mãe. As lutas anarquistas e socialistas e as repressões políticas que os imigrantes sofriam são retratadas nos episódios: Vizinhança Nova e estado novo, imigração italiana, as classes laboriosas, conde Fróla. A confusão de identidade nacional é presente nas falas de Angelina, uma mistura de porturês com dialeto da região italiana de onde sua família provinha.

A escritora faz um paralelo entre a saga de imigrantes italianos, sua chegada no Brasil no século XIX e a primeira geração de ítalo-brasileiros em São Paulo no início da industrialização, sob uma visão realista de uma filha de imigrantes mostrando a imigração e a realidade encontrada pelos imigrantes.

O Quatrilho

Em 1985, o escritor ítalo-brasileiro José Clemente Pozenato publica este romance com a trama principal o desvario amoroso de dois casais jovens de imigrantes italianos, mostrando a vida rude, difícil e o poder da religião sobre os imigrantes no ambiente rural.

A história se passa em Caxias do Sul – RS no período de 1908 à 1930. Na colônia de Santa Corona, Angelo Gardoine casa com Teresa, prima de Pierina, casada com Massimo Boschini. Em serões na casa de parentes Teresa e Massimo se apaixonam. Com o nascimento de Rosa (filha de Angelo e Teresa) Angelo volta a colônia e propõe sociedade à Massimo na compra de uma propriedade em San Giuseppe, mesmo com o preço exorbitante fazem negócio com Batiston. Os dois casais passam a morar na única casa, enquanto Massimo constrói o moinho, Angelo é responsável pela lavoura. Massimo e Teresa tornam-se amantes e três meses depois fogem com Rosa. Pierina permanece com seus dois filhos e Angelo na casa, dispostos a continuar os negócios, com o tempo o casal passa a viverm em concubinato. Pierina grávida é o alvo dos preconceitos moralistas de Padre Gentile, com o desentendimento com Angelo, Gentile manipula os habitantes da colônia para ignorar o casal e seus negócios, levando Angelo a continuar trabalhando em outras cidades. Pierina enfrenta Padre Gentile durante uma missa. Passados vinte anos o mesmo padre aparece na casa do casal, agora com nove filhos e situação abastada, “redimindo-se” de seus preconceitos. Teresa envia uma carta à padre Giobbe e sua mãe com sua fotografia com Massimo e seus três filhos, em São Paulo.

Importante observar nesta obra, a reafirmação das raízes da colonização italiana no Rio Grande do Sul feita pelo escritor, procurando retratar a realidade sofrida pelo imigrante italiano no Brasil e no ambiente rural, sob a visão do imigrante. Nas reflexões de Angelo, relata a fuga do imigrante de seu país de origem e situação de miséria, e chegada em um país ainda “jovem”. Nesta obra, a linguagem também é recheada de expressões em dialeto vêneto e não em italiano oficial como faz António de Alcântara Machado na fala de seus personagens, considerando que entre a maioria dos imigrantes italianos predominavam o dialeto regional usado inclusive pelos analfabetos no país de origem. A dificuldade de aprender a nova língua encontrada pelo imigrante e o medo de assim ser trapaceados por negociantes brasileiros é mostrado no episódio que Angelo encontra dois fazendeiros brasileiros afirmando sua dificuldade de entendê-los em português (cap. 2 – Segunda Contagem) . A caracterização das personagens é muito interessante abrangendo temas sobre a religião, o casamento, a submissão da mulher, a repressão ideológica. Os padres Giobbe e Gentile demonstram a hipocrisia e o moralismo clerical. Giobbe é o imigrante que para fugir da miséria ingressou no seminário e questiona em suas reflexões o moralismo ensinado pela igreja e a realidade dos colonos. Gentile é o religioso hipócrita e manipulador. Angelo é o imigrante em busca de ascensão no meio rural. Pierina mulher rude, submissa alvo de preconceitos por viver em concubinato. Teresa é a mulher que não encontra amor no casamento mas na traição. Scariot o anarquista marginalizado que contesta a exploração e submissão dos colonos, a manipulação da Igreja.

Pozenato e Zélia Gattai representam a geração de ítalo-brasileiros em busca de suas raízes retratando com realismo o lado do imigrante italiano na imigração, sua saga, sofrimento fuga da miséria, sua contribuição dada ao novo país sem reduzir a história de um povo e sua imigração à sátira de seus costumes trazendo uma visão esteriotipada, ou como o enfoque norte-americano que traz obras transportadas ao cinema que pouco se trata da contribuição dos imigrantes italianos reduzindo a Comunidade italiana naquele país a máfia, caracterizando como um povo desprovido de valores éticos e morais, oprimido e marginalizando um povo e sua imigração.

Portanto, a influência da imigração italiana na Literatura Brasileira é caracterizada basicamente em dois momentos. O primeiro, marcado pela reação das famílias tradicionais brasileiras perante o imigrante italiano em seu processo de adaptação, sua dualidade de nacionalidade transformando a paisagem e a etnia brasileira nas primeiras décadas o século XX, retratada pela obra Brás, Bexiga e Barra Funda do contista António de Alcântara Machado sob uma visão caricatural de um aristocrata da época. O segundo é caracterizado pela nova geração de ítalo-brasileiros e seus descendentes em busca de suas raízes, identidade cultural mostrando a imigração sob a visão e vivência dos imigrantes italianos, sua história, sua saga, suas contribuições ao desenvolvimento do país em que se estabeleceu retratada pelos escritores ítalo-brasileiros José Clemente Pozenato em O Quatrilho e Zélia Gattai em Anarquistas, Graças a Deus, sem esquecer das repressões políticas e a marginalização feita pela aristocracia brasileira aos imigrantes, não muito diferente daquela sofrida pelos negros e índios no Brasil.

Fonte:
Extraído de
Ligia Simoneli
A influência da imigração italiana na Literatura Brasileira

Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão – FECILCAM
XIII Seminário do CELLIP (Centro de Estudos Linguísticos e Literários do Paraná) 21-23 out 1999 – Campo Mourão. Maringá: Depto.de Letras da UEM, 2000 (Org. Thomas Bonnici)
(CD-Rom)

P.S. Com o intuito de preservar os direitos autorais da autora, as referências bibliográficas foram propositalmente retiradas, o que não afeta em hipótese alguma a veracidade e importância do documento.

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