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Mário Quintana (Dos Leitores)

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30 de setembro de 2012 · 17:28

Vicência Jaguaribe (Complô no Reino da Fantasia)

Uma palavra para o leitor

Esta história não deve, de maneira alguma, causar-lhe estranheza, leitor, pois o fenômeno não é novo: não é a primeira vez que personagens de ficção saem das páginas dos livros, ganham autonomia e penetram no mundo real. Vou dar só um exemplo: na peça teatral Seis personagens à procura de um autor, do italiano Luigi Pirandello, seis personagens, ao serem rejeitadas por seu criador, entram na vida real e tentam convencer um diretor de teatro a encenar suas histórias.

**********

Conta-se — mas eu não assino embaixo — que, certa vez, viu-se, no castelo do Príncipe Rodolfo, herdeiro do reino da Appelândia, uma movimentação desusada: há três dias, cavalariços sonolentos limpavam as cocheiras e reorganizavam as baias para receber mais animais; fornecedores chegavam a todo momento para abastecer as despensas; criados domésticos limpavam e arejavam os aposentos fechados e com cheiro de mofo, trocando a roupa de cama, acendendo lareiras e enchendo as grandes tinas de banho, com uma água que talvez nem fosse usada — dizia-se, em surdina, que a maioria dos príncipes não gostava de banho —; chefes de cozinha de fama internacional começavam a preparar pratos que, só de olhar, despertavam não apenas a fome, mas a vontade de comer.

Sua Alteza Real receberia em seu castelo os príncipes que tinham suas vidas e aventuras registradas e deturpadas nos tradicionais contos de fada. Ele próprio fora atingido no papel que desempenha no conto “Branca de Neve e os sete anões”. Mas isso vamos deixar para depois.

Tudo pronto, o príncipe Rodolfo vestiu sua roupa principesca, com manto de príncipe, sapato de príncipe, chapéu de príncipe e tudo o mais de príncipe, e esperou. Se alguém duvidava ser ele um príncipe de verdade, a dúvida acabava ali, naquele momento. Ser príncipe estava em seu corpo e em sua alma: no jeito de olhar, de falar, de andar, de dar ordens, de amar e de odiar. Dizem que os príncipes fazem tudo isso diferente de nosotros. Não confirmo nem nego essa afirmação porque nunca em minha vida vi um príncipe de verdade.

Os convidados fizeram-se anunciar um a um para imprimir à entrada mais pompa e circunstância: 

Sua Alteza Real o Príncipe Nicolau, do Reino da Hipnolândia e da história “A Bela Adormecida”;

Sua Alteza Real o Príncipe Alexandre, do Reino da Cindelândia e da história “Cinderela”;

Sua Alteza Real o Príncipe Aníbal, do Reino da Ferolândia e da história “A Bela e a Fera”;

Sua Alteza Real o Príncipe Orlando, do Reino da Ursolândia e da história “Branca de Neve e Rosa Vermelha”;

Sua Alteza Real o Príncipe Alberto, do Reino da Bravolândia e da história “O príncipe que não temia coisa alguma”;

Sua Alteza Real o Príncipe Ambrósio, do Reino da Sapolândia e da história “Rei Sapo ou Henrique de Ferro”.

E foram anunciados outros príncipes de terras longínquas, cujas histórias eram pouco conhecidas. O príncipe Rodolfo encaminhou suas altezas a um grande salão decorado de espelhos e de lustres feitos do cristal mais puro. 

Todos entraram e a porta foi fechada. Aquela era uma reunião cuja pauta devia ficar em completo sigilo. Príncipes de reinos mais pobres olhavam aparvalhados para tanta beleza e luxo. Os do Oriente admiravam-se com a diferença do gosto e da noção de beleza. Os dos países mais próximos observavam tudo com uma pontinha, deste tamainho, de inveja.

Quando todos se acomodaram, o Príncipe Rodolfo, sentado na cabeceira da enorme mesa, abriu a reunião, falando o maravilhês, língua usada por todos os que vivem na dimensão da magia e do maravilhoso.

— Meus amigos, dignos Príncipes dos reinos vizinhos e dos reinos longínquos, vocês devem ter ficado curiosos e também preocupados com o meu convite. Deixem-me dizer-lhes o motivo pelo qual eu, presidente da Associação dos Príncipes dos Contos de Fada — APCF —, convoquei-os para esta reunião: rever a posição e a caracterização dos príncipes nos contos de fadas. Relendo, há pouco tempo, algumas obras famosas, tomei consciência de como somos tratados nas histórias. E não gostei do que descobri.

(Vamos dizer a verdade sobre o despertar da consciência crítica do Príncipe Rodolfo. Não foram os livros que ele diz haver lido, mas algo muito mais sério. Um dia, quando admirava aquela sala e seus lustres, acompanhado do pai, o Rei William, ouviu dele a informação do encantamento que envolvia o aposento: se uma pessoa tivesse certeza do que queria, se estivesse disposta a corrigir os erros de uma situação, ao fixar-se em um dos espelhos teria o senso crítico intensificado. Na primeira oportunidade, o Príncipe voltou ao salão e, ao mirar-se em um dos espelhos, enxergou a própria vida e a de muitos dos seus pares, como elas eram retratadas nas histórias. E não gostou do desvelamento feito pelo seu senso crítico agora aguçado.)

— Nossas vidas são exatamente como vou aqui expor. Digo, sem titubeio, que não temos nenhuma importância, nenhum carisma e, principalmente, não temos caráter ou personalidade.

— Vossa Alteza nos chamou aqui para nos falar de nossos defeitos e fraquezas? — Ouviu-se a vozinha fraca do Príncipe Sapo.

— Não. — Retomou a palavra o Príncipe Rodolfo. — Chamei-os para alertá-los sobre a maneira como os escritores nos apresentam em suas histórias. Eles desvalorizam nossas figuras. Esse é um ponto que atinge todos os príncipes dos contos maravilhosos, que só existem neles e por eles. Nesses contos, não temos nem nomes; somos conhecidos pelo nome da protagonista da história, que geralmente está presente no título da narrativa — o príncipe de “Branca de Neve”; o príncipe de “Rapunzel”, e assim por diante. Cada um de nós é simplesmente o Príncipe, como se não fôssemos indivíduos, mas entidades sociais ou pessoas jurídicas. Você, por exemplo, Príncipe Nicolau, seu nome não aparece uma única vez na história da Bela Adormecida. E, o que é mais, grave: amputaram o seu conto. Ele termina no seu casamento com a princesa ex-adormecida. Nada daquele final macabro, que faz até jacaré chorar.

— É verdade que o cortaram nesse ponto?! E o que fizeram com o restante?

— Ora! Amassaram e jogaram no lixo. Não vê que agora, no mundo do reality show, é proibido contar para as crianças certos detalhes das histórias. Também inventaram um tal de politicamente correto, que está levando os novos escritores a deformar as histórias tradicionais.

— Como pode ser isso? — Perguntou o Príncipe Ambrósio.

— Pode, meu amigo, no mundo do reality show, as coisas mais estapafúrdias acontecem. E tudo é muito contraditório. A minha história foi alterada: inventaram que  Branca de Neve acordou com um beijo meu. Imaginem se eu beijaria uma defunta ou uma quase! Os deuses me protejam! A verdade é que, quando a vi deitada no esquife, bela como eu jamais pensara que uma princesa pudesse ser, apaixonei-me. Tentei comprar o esquife, mas os anões negaram-se a vendê-lo. Quando, porém, entenderam que eu ficara profundamente apaixonado pela garota e ouviram minha declaração de amor — Dai-me, então, como um presente, pois não posso viver sem ver Branca de Neve.  —, tiveram piedade de mim e mandaram-me levar o caixão. Os servos que traziam o esquife para o meu castelo tropeçaram. A urna não caiu, mas balançou muito, o que fez a princesa expelir o pedaço da maçã envenenada preso em sua garganta. Imediatamente após o incidente, pedi a princesa em casamento.

E com sua história — “Rei Sapo ou Henrique de Ferro” —, Príncipe Ambrósio, ainda foi pior. Nem príncipe aparece. Em uma das versões modernas da história, o sapo se transforma, vejam só, em um corretor de imóveis, que planeja construir, na bela floresta do reino da Sapolândia, o que eles chamam de shopping- center. Outro detalhe: até o criado tem nome — Henrique. E Vossa Alteza, nada.

— Mas qual a razão de fazerem isso com a minha história?

— Acho que foi para denunciar a destruição das florestas que está acontecendo por lá, pelo mundo da realidade.

— E o que houve com minha história? — A pergunta vinha do príncipe Alexandre.

— A sua história, Alteza, já é ridícula desde que foi inventada — falou o príncipe Rodolfo, com sua franqueza habitual. Quem já viu um príncipe de sangue real ir de casa em casa com um sapato na mão, procurar a dona desse sapato, que poderia até ser uma plebeia, para com ela se casar! E, ainda por cima, Vossa Alteza prepara a festa, dança com a jovem desconhecida e ninguém sabe, nem a jovem, muito menos o leitor da história, que seu nome é Alexandre.

— Suas palavras me ofendem, príncipe Rodolfo. 

— Desculpe-me. É esta minha boca que insiste em ser sincera, por isso exagera na verdade.

— Desculpas aceitas, Príncipe Rodolfo.

— E sabe, Príncipe Alexandre  —, continuou o Príncipe Rodolfo — que os estudiosos descobriram uma versão da sua história muito mais antiga do que a europeia que conhecemos? E, talvez, bem mais interessante. É chinesa e parece ter sido a primeira versão escrita do conto “Cinderela” ou “Branca de Neve”.

— Interessante, muito interessante! Mas humilhante para este Príncipe aqui, que nem original é. — Choramingou o Príncipe Alexandre.

— Bem — retomou a palavra o Príncipe Rodolfo — para encerrar nossa reunião, um detalhe dos mais graves: todos nós, os príncipes, parecemos, nos contos de fada, uns idiotas. Apaixonamo-nos, à primeira vista, pela primeira jovem bonitinha que aparece e, rápido como a queda de um raio, contratamos casamento. E ainda somos apresentados como uns imbecis e preguiçosos, que levam a vida caçando, passeando e tentando encontrar dragão. Não temos nenhum papel no reino, a não ser procurar uma noiva e defendê-la dos dragões e das maldições das bruxas. Isso me deixa desolado. E tem mais: aquele felizes para sempre já está tão fora de moda! Quem é feliz para sempre, principalmente casando com as princesas mofinas dos contos de fada? Princesas que não fazem nada de proveitoso, não conseguem nem vestir-se sozinhas, passam os dias esperando a chegada de seus falsos heróis. São tão sensíveis, mas tão sensíveis mesmo, que sentem o desconforto causado por uma ervilha colocada sob vários colchões. Me dá vontade de falar como falam os príncipes e os não príncipes do mundo real: Minha amiga, me dá um tempo. Que tal se garantir um pouco e esperar menos?  Afinal de contas, o que as pessoas do mundo do reality show pensam que nós, moradores do mundo paralelo da fantasia, somos, para nos representar assim?

— É, a situação é grave e vergonhosa. O que Vossa Alteza sugere que façamos? — Perguntaram os príncipes ao mesmo tempo.

— Sugiro uma crise de ilustrações. Sem ilustrações, nada de livro para criança. Cada um de nós se encarregará de achar alguém com o poder de fazer desaparecerem todas as ilustrações das histórias que foram alteradas. Vamos marcar outra reunião para de hoje a um mês.

Satisfeitos, Suas Altezas dirigiram-se à sala onde serviriam o almoço, que foi digno dos deuses. Depois do almoço, repousaram uma meia hora e foram à caça. O Príncipe Rodolfo, com seu senso crítico hipertrofiado pela permanência na sala mágica, pensou um pensamento tão estranho quanto polêmico: Será que os contadores de histórias não estão certos na caracterização — ou falta de caracterização — dos príncipes? Parece que somos todos iguais: parasitas em busca de aventuras e de um amor instantâneo, feito leite em pó.

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P.S. A partir daquele dia, as editoras que trabalhavam com livros infantis foram processadas e tiveram que pagar boas indenizações aos clientes, por venderem livros cujas ilustrações se apagaram.

Fonte:
A Autora

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Eliana Jimenez (Trova-Legenda Edição Especial "Minha Trova Favorita")

Tem muito mais graça a vida
quando a gente tem com quem
repartir bem repartida
a graça que a vida tem.
A. A. de Assis – Maringá/PR

Para você afogar
as mágoas do dia-a-dia,
não precisa se drogar…
Use a Trovaterapia!
Ademar Macedo – Natal/RN

És Marinha do Brasil,
garbosa e plena a brilhar;
sempre zelosa e gentil,
protegendo nosso mar.
Agostinho Rodrigues – Campos/RJ

Cada momento vivido
na vida que se renova,
às vezes é definido
apenas em uma trova!
Alberto Paco – Maringá/PR

Tal e qual toda laranja
se dá repleta de gomos,
amigo bom sempre arranja
como exaltar o que somos!
Amiton Maciel Monteiro – S. José dos Campos/SP

Te recuerdo cada día
con el amor más profundo,
pues eres la vida mía
y por ti lo grito al mundo
Ángela Desirée Palacios – Venezuela

Na velha casa vazia,
onde entrei, com ansiedade,
só o silêncio respondia
ao chamado da saudade…
Angelica Villela Santos – Taubaté/SP

Quando a lua em plenilúnio
sobre a floresta desmaia,
o mar chora de infortúnio
nos braços mornos da praia.
Antonio Juraci Siqueira – Belém/PA

Na escuridão em que sigo,
no meu passo caracol,
aquele que vai comigo
é meu imenso farol.
Antonio Cabral Filho – Jacarepaguá/RJ

Vou sem rumo, de partida,
nas águas do meu sonhar;
– a jangada é minha vida,
vou remando além do mar.
Ari Santos de Campos – Itajaí/SC

Eu te imploro, por favor,
não insistas neste adeus.
Se não for por meu amor,
fica pelo amor de Deus!
Arlindo Tadeu Hagen – Belo Horizonte/MG

Como é bom o amor, se a gente,
sem limite de emoção,
ama alguém que também sente
pela gente igual paixão!
Arnaldo Ari – Rio de Janeiro/RJ

Por meia hora… uma hora,
beijos e abraços somente…
– Quanto mais longa a demora,
mais gostoso o finalmente!
Bruno P. Torres – Niterói/RJ

Meu viver nunca é tristonho,
do mar, copiando a investida,
eu jogo espumas de sonho,
por sobre as pedras da vida!..
Carolina Ramos – Santos/SP

Ouço passos da sacada…
Ansiosa chego ao portão
e vejo em minha calçada
o final da solidão!
Clenir Neves Ribeiro – Brisbane/Austrália

Hoje a vitória te alcança…
Cuidado ao virar a mesa;
a vida é eterna cobrança
num mercado de surpresa.
Conceição Parreiras Abritta – Cataguases/MG

Quando miro o infinito
parece longe, distante…
Mas, querido, quando o fito,
infinito é esse instante!
Cristina Cacossi – Bragança Paulista/SP

Quem leva a vida no amor,
dos sonhos nunca se cansa
que o mundo só perde a cor
quando se perde a esperança.
Dáguima Verônica – Santa Juliana/MG

Meu perdão foi em tributo
a uma lágrima suspensa:
– um detalhe diminuto
mas, que fez a diferença…
Darly O. Barros – São Paulo/SP

A minha grande alvorada
Será eterna… eu suponho:
– Se um sonho não der em nada
eu troco por outro sonho!
Dilva Moraes – Nova Friburgo/RJ

Do que agitou nossas almas
restam sonhos calcinados,
cingindo as crateras calmas
de dois vulcões apagados.
Dorothy Jansson Moretti – Sorocaba/SP

Vejo no espaço infinito
e em cada constelação
nosso amor nos céus inscrito
como obra da criação.
Eliana Jimenez – Balneário Camboriú/SC

Só se salva de verdade,
nesta enchente de amargor,
quem faz da fraternidade
o seu barco salvador!
Flávio Stefani – Porto Alegre/RS

Os meus amigos são tantos
de uma bondade sem fim,
que não preciso ter prantos
pois eles choram por mim!
Francisco José Pessoa – Fortaleza/CE

Vivemos juntos, mas sós.
Nossa solidão somada,
fez de ti, de mim, de nós,
a soma triste do nada!
Gislaine Canales – Balneário Camboriú/SC

Sinto-me mais brasileira,
com minha alma enaltecida,
ao ver em terra estrangeira
a nossa Bandeira erguida!
Glória Tabet Marson – S. J. dos Campos/ SP

Parabéns não é bastante,
em dobro é o que mais convém
dar-te o céu, mas neste instante
ainda é pouco também.
Haroldo Lyra – Fortaleza/CE

Longe de pranto e de dores,
o nosso amor sem cobranças
tem um perfume de flores
como o de duas crianças.
Janske Niemann – Curitiba/PR

Numa espera doce e mansa,
qual zelosa tecelã,
bordo rendas de esperança
para enfeitar o amanhã.
Jeanette De Cnop – Maringá/PR

Com meus sonhos mais singelos,
embalados na esperança,
venho erguendo meus castelos
desde os tempos de criança.
Jessé Nascimento – Angra dos Reis/RJ

Não há sorriso que emplaque
na comédia dessa vida,
se na ironia da claque
qualquer verdade é escondida.
João Batista Xavier Oliveira – Bauru/SP

Deu-me a sorte com descaso,
no banquete deste mundo,
alegria em prato raso
e tristeza em prato fundo…
José Fabiano – Belo Horizonte/MG

Cultivemos o jardim
do amor, com perseverança,
para que seja o estopim
de um futuro de esperança.
José Feldman – Maringá/PR

Ao voltar, com muito amor,
ao campo que já foi meu,
bebi no cálix da flor
o mel que a abelha esqueceu.
José Lucas de Barros – Natal/RN

Oh, minha trova querida,
que com carinho criei.
Não digo “esta é a preferida”,
nem a quem a dediquei.
José Marins – Curitiba/PR

O tempo passa depressa
mas, quem diz que eu envelheço?
– cada olhar é uma promessa!
– cada espera… um recomeço!
José Ouverney – Pindamonhangaba/SP

En la sangre corre vida
en la mente inspiración
en el alma dolorida
está ausente la canción.
Libia Beatriz Carciofetti – Argentina

Meu desejo percorreu
teu corpo como compasso,
circulando o que é tão meu,
na geometria do abraço.
Lisete Johnson – Porto Alegre/RS

Apesar de meu soluço
todo o corpo sacudir,
sobre a tristeza debruço
a coragem de sorrir.
Lóla Prata – Bragança Paulista/SP

Dias felizes, ligeiro
o tempo, as horas marcou…
E aquele amor verdadeiro,
foi morrendo e acabou…
Lora Saliba – São José dos Campos/SP

Eu tenho perseverança
e à tristeza me anteponho:
garimpeiro da esperança,
sempre vivi do meu sonho.
Luiz Carlos Abritta – Cataguases/MG

Por te amar tanto, é que a vida,
embora dure um segundo,
possui o espaço e a medida
das horas todas do mundo…!
Mara Melinni – Caicó/RN

Iluminando meu ser
O teu sorriso comprova,
que a cada alvo amanhecer
O meu amor se renova.
Maria Luiza Walendowsky – Brusque/SC

Sonho um mundo colorido,
flores perfumando a estrada,
sem um ai, sem um gemido
de criança abandonada.
Marina Valente – Bragança Paulista/SP

O tamanho do universo
não cabe em minha janela,
mas entra em pequeno verso,
quando estou de sentinela.
Mário A. J. Zamataro – Curitiba/PR

Eu busquei felicidade,
naveguei mares de dor,
encontrei-a de verdade
nos braços do meus amor…
Meire Carla de Fabiano – Belo Horizonte/MG

Tu foste uma flor selvagem,
tão selvagem quanto a terra.
Labutaste com coragem,
com amor que em ti se encerra.
Mifori – São José dos Campos/SP

Amizade é sol que aquece
aonde quer que se vá;
nem sempre o sol aparece,
mas se sabe que está lá…
Myrthes Masiero – São José dos Campos/SP

Dedilhar de um violão
sobre esse “Abismo de Rosas”,
trovadora da emoção,
sofro torturas saudosas…
Nadir Giovanelli – São José dos Campos /SP

Estou aqui de passagem
neste mundo de ilusões,
com fé, amor e coragem
vou vencendo as tentações.
Neiva de Souza Fernandes – Campos/RJ

Saudades da meninice
eu sinto, sempre que vejo
meus netos em peraltice,
e, não tem jeito: marejo!
Nemésio Prata – Fortaleza/CE

Se nada é assim tão lindo
do jeito  que foi sonhado,
que tudo seja bem-vindo…
e vindo, que seja amado.
Olga Agulhon – Maringá/PR

Quem cultiva uma amizade
dentro do seu coração
pode morrer de saudade
mas nunca de solidão.
Olympio Coutinho – Belo Horizonte/MG

Ó meu doce canarinho,
abre as asas contra o vento
e, leva, pelo caminho,
nas asas, meu pensamento…
Olga Maria Dias Ferreira – Pelotas/RS

Pelas manhãs vou buscando
minha esperança perdida…
Há sempre um sonho vagando
nas alvoradas da vida!
Prof. Garcia – Caicó/RN

Eu, da saudade me farto,
vencendo a insônia risonho,
quando apago a luz do quarto
e acendo a luz dos meus sonhos!
Rodolpho Abbud – Nova Friburgo/RJ

Mesmo tendo a vida fútil
trato dela qual um templo;
não sou por completo inútil
pois sirvo ao menos de exemplo.
Secel Barcos – Cambridge/Canadá

A Trova é tão pequenina
mas quanta beleza encerra ;
feliz de quem tem a sina
de espalhá-la pela Terra!
Sônia Ditzel Martelo – Ponta Grossa/PR

Bravura é viver sorrindo
embora seja evidente
que a vida é dor insistindo
em ser mais forte que a gente.
Thalma Tavares – São Simão/SP

O mendigo solitário,
perambula pela rua.
Ao redor só o cenário
de uma imensa e fria lua.
Vanda Alves da Silva – Curitiba/PR

Somos heróis, sem medalhas,
vencendo, com valentia,
as anônimas batalhas,
na luta de cada dia.
Vanda Fagundes Queiroz – Curitiba/PR

Um amigo com valor
e que amizade nos tem,
vem primeiro à nossa dor
só depois à dor que tem.
Victor Batista – Barreiro/Portugal

Diz a criança ao adulto:
” – Protege-me contra o mal!…
E jamais serei o insulto
de um infeliz marginal”.
Wagner Marques Lopes – Pedro Leopoldo/MG

No lençol, que era perfeito,
entre os “motivos florais”,
o tempo foi sem respeito
bordando “saudade” a mais.
Wandira Fagundes Queiroz – Curitiba/PR

Agradeço aos trovadores pela amizade, carinho e participação durante este primeiro ano da Trova-legenda.

Fonte:

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Antonio Manoel Abreu Sardenberg (Projeto Entre Poetas)


LUZ 
Antonio Manoel Abreu Sardenberg 
São Fidélis “Cidade Poema” 

Como a luz de um sol irradiante 
surgindo na manhã de primavera, 
procuro loucamente a todo instante 
ser também sua luz, doce quimera. 

Envolver o seu corpo com calor, 
fazer do nosso encontro um acalento, 
sonhar que a vida é feita só de amor, 
amar por toda a vida este momento! 

Em seguida, num cálido aconchego, 
sem pudor, e sem medo, e sem juízo, 
trançar os nossos corpos num apego, 
fingir que o nosso mundo é paraíso! 

Comer com gosto todas as maçãs, 
ignorando que o fruto é proibido… 
deixar que o despertar do amanhã 
desfaça esse sonho concebido! (sem pecado) 

ÂNSIA DE VIVER
Simone Borba Pinheiro

Meu tempo, não tem tempo
de esperar por ti.
Por ti que, só enganos, somou
aos meus desenganos.

A noite fria já não tem mais lua
E eu amor, já não sou mais tua.
Meu corpo hoje, se aquece em outros braços
e, é por isso que rompo todos os laços
com o tempo passado,
que nunca teve tempo para mim.

Cansei de esperar pelo vinho
que depois de feito,
já não fazia mais efeito em mim.
Cansei do dia, da noite,
da vida vazia
que se apoderou de mim.

Perdoe amor, os meus desencantos,
mas hoje só canto,
a alegria de viver.
Viver o amor, sem pranto,
com outro amor no meu canto,
cantando pra eu dormir!

POR AMOR 
Maria Tomasia

Por amor a ti, qualquer coisa faço;
enfrento ventos, atravesso brumas,
sem medo algum, vou até o espaço,
cruzo mares e me visto de espumas.
Desde que te entreguei meu coração,
nada existe que não possa enfrentar;
das vaidades fiz juras de abnegação…
só não deixo nosso amor se fragmentar.
Por amor a ti, transponho fronteiras;
para te encontrar, vou ao fim do mundo.
Sempre te amarei de todas as maneiras,
porque o que sinto é muito profundo.
Lembra que ninguém te amou assim;
por isso, peço-te, esquece o passado.
Olha o presente e o que tens, enfim:
amor como o meu tem que ser cultuado.

DOR…
Ciducha

Fala-me da dor
que meu coração abriga,
e que tanto nos castiga…

Fala-me de amor!
Do amor sofrido, não vivido,
desse amor feito de expectativas…

Fala-me da esperança,
que não ouso apartar-me dela, e a carrego
para onde vou, ou então seria o fim…

Fala-me agora disso tudo!
Estou cansada demais
para ter sono…
Ferida demais
para sentir dor…
Abandonada demais
para estar só…
Assustada demais
para ter medo…
E tão ostensivamente perseguida demais…
para fugir!

Depois… em outro tom,
com outro som,
fala-me de paz, de amor,
de esperança,
para que eu possa finalmente,
desvencilhar-me dessa dor tão terrível, e…
crer!

ORGULHO
Daria Farion

E foi na Áustria que André conquistou,
No peito as medalhas ostentou.
Lindo, garboso para o Brasil emigrou
E nesta Terra linda sua Maria encontrou.

Terra abençoada, esposa dedicada eis o laurel.
Prole numerosa, suor a pingar no solo arado.
Nas mãos dos filhos nunca uma enxada colocou,
Longe, longe para colégios enviou.

Meu André, minha Maria quanto orgulho!
Meus pais que a décadas partiram,
Mas do meu coração nunca saíram.
Numa realidade virtual eu afirmo:
– Saudade é vida, 
Vida sem vocês. 

AH! SAUDADE
Nancy Cobo

Saudade do tempo de escola, 
da primeira professora, 
da infância, mesmo sofrida, 
dos avós que se foram, 
dos pais que já partiram, 
das brincadeiras inocentes, 
da juventude que, agora, queremos que volte…

Saudade dos bailes da vida, 
do primeiro Amor, 
do verdadeiro Amor, 
aquele que, de corpo e Alma,
se entrega ao coração, 
mas que, um dia, perdeu-se no caminho…

Caminho esse que quero voltar 
para tentar encontrar 
a felicidade que ficou, 
a saudade do que foi, 
saudade do que é, 
saudade de você.

Fonte:
Antonio M. A. Sardenberg

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Raquel Ordones (Cordel do Amor)

Amor, sem aclaração. 
Não adianta tentar 
E não há o que falar 
Contexto do coração 
Expresso em emoção 
Uma parte é sentida 
A outra: ação contida 
É transparência no ser 
Vem para entorpecer 
É a essência da vida! 

Está no sol da manhã 
Na claridade do dia 
E nos raios de magia 
Beleza do flamboyant 
É o sabor da maçã 
É a condição querida 
E jamais causa ferida 
É a alma integral 
Feição incondicional 
É a essência da vida! 

O caminho do andejo 
É café quente com leite 
No inverno em deleite 
É a delicia do beijo 
É a ânsia do desejo 
É a laranja partida 
É a rosa concedida 
O desabrochar da flor 
O abraço de calor 
É a essência da vida! 

Está nos olhos da criança 
No seu sorriso sincero 
E no Deus que eu venero 
Estampa da esperança 
Na certeza da aliança 
Na risada divertida 
Na poesia que é lida 
Fé que é força na hora 
No instante de agora 
É a essência da vida! 

Amor é tudo de bom 
É o cheiro de perfume 
Na entrega se resume 
Da nota ele é o tom 
E da voz ele é o som 
É primavera florida 
No colo a acolhida 
Está no ato do toque 
E do batom o retoque 
É a essência da vida! 

Enfim: amor é amor 
E com nada se compara 
O mundo anda e para 
Do orbe é o motor 
Da paixão é o ardor 
Sentimento de guarida 
Emoção não esquecida 
É uma ave que voa 
Profundeza que ecoa 
É a essência da vida! 

Fonte:
A Autora

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 683)

Uma Trova de Ademar  

O tempo, qual sanguessuga, 
para aumentar meu desgosto, 
fez nascer mais uma ruga 
entre as rugas do meu rosto! 
–Ademar Macedo/RN– 

Uma Trova Nacional  

Diz-me esta ruga esculpida, 
entalhe que o tempo fez, 
que a primavera da vida 
só nos floresce uma vez. 
–Jaime Pina da Silveira/SP– 

Uma Trova Potiguar  

Meus sentimentos dispersos
podem ser lidos com calma,
pois na emoção de meus versos
há pedaços de minha alma. 
–José Lucas de Barros/RN– 

Uma Trova Premiada  

2002   –   Belém/PA 
Tema   –   FRUTO   –   M/H 

O mundo, a cada minuto,
mostra a ironia presente,
pois, nem sempre colhe o fruto
a mão que planta a semente!…
–Rodolpho Abbud/RJ– 

…E Suas Trovas Ficaram  

Ah, que estranho desafio
e esquisita proporção:
quanto mais fica vazio,
mais nos pesa o coração! 
–Pe. Celso de Carvalho/MG– 

U m a P o e s i a  

Jesus Cristo em favor da humanidade 
deu a vida, pregado numa cruz, 
tantos outros assim como Jesus 
foram vítimas de tal barbaridade; 
Luther King em prol da liberdade 
expos suas ideias liberais, 
igual a Gandhi na Índia e outros mais 
que tiveram a luta interrompida; 
muita gente doou a própria vida 
rebatendo problemas sociais! 
–Carlos Aires/PE– 

Soneto do Dia  

MORTE DAS ROSAS. 
–Pe. Antônio Tomás/CE– 

Nos canteiros orlados de verdura,
de mil gotas de orvalho umedecidas,
cheias de viço e de perfume ungidas,
desabrocham as rosas a ventura.

Mas a vida das rosas pouco dura,
e em breve a desgraça enlanguescida
a fronte curva nos hastes pendida,
a um raio de sol que além fulgura…

E vão perdendo as pétalas mimosas,
a um sopro mal dos vendavais infestos,
é o despojo final das tristes rosas…

E de cor vermelha pelo chão tombadas
fazem lembrar sanguinolentos restos
de pobres corações despedaçados.

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Eliana JImenez (Participe da Trova-Legenda)

Participe da trova-legenda (acima) do  blog: http://poesiaemtrovas.blogspot.com.br/
Faça uma trova inspirando-se na imagem acima.

Enviem suas trovas para:
elianarjz@gmail.com 
Prazo: 06/10/2012
Publicação: 07/10/2012

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