Arquivo do mês: março 2009

IV Concurso Nacional de Haicais Caminho das Águas


Realização: Grêmio de Haicai Caminho das Águas, Santos /SP.
Apoio cultural: Secretaria de Cultura de Santos/SP e SESC/Santos.
As inscrições estarão abertas de 12 de março a 31 de maio de 2009.

Esclarecimentos poderão ser solicitados pelos telefones: (13) 3021-1604 (13) 3271-3296, (13) 3238-4921 ou pelo e-mail: npavesi@uol.com.br

REGULAMENTO

1. Inscrição

As inscrições estarão abertas de 12 de março a 31 de maio de 2009.

Poderão participar praticantes de haicai maiores de 16 anos residentes no território nacional, filiados ou não a Grêmios de Haicai.

Os trabalhos serão enviados pelo sistema de envelopes, via Correio, para:

IV CONCURSO NACIONAL DE HAICAIS CAMINHO DAS ÁGUAS
Rua Alexandre Martins, 03, apt.º 15-108
CEP 11025-200 Santos/SP

Para efeito de inscrição valerá a data de postagem, que não poderá ser posterior a 31 de maio de 2009.

Não poderão participar deste Concurso os atuais associados do Grêmio de Haicai Caminho das Águas.

2. Apresentação dos trabalhos

2.1.Cada participante concorrerá com 2 (dois) haicais inéditos, em língua portuguesa, sendo: 1 (um) haicai com o kigo (tema) laranja e 1(um) haicai com o kigo (tema) relâmpago.

2.2. O kigo deve constar de um dos versos do haicai.
* A referência é o haicai tradicional: 3 (três) versos (5-7-5), num total de 17 (dezessete) sílabas poéticas, com 1 kigo somente, sem titulo e sem rima.

2.3. Os haicais serão apresentados sob pseudônimo, em uma folha de papel A4, digitados ou datilografados, em fonte 14, espaço 2.0. Os 2 haicais devem ser colocados na mesma folha.

2.4. O trabalho deverá ser apresentado em 3 (três) vias com pseudônimo.

2.5. As cópias serão colocadas num envelope maior junto com um envelope menor, lacrado, contendo os seguintes dados: nome completo, endereço (com CEP), telefone, e-mail.

2.6. Por fora do envelope menor constará, apenas, o pseudônimo do autor.

2.7. O envelope maior, com o endereçamento constante no item 1.3, não conterá nada que identifique o autor. Se necessário, usar como remetente o pseudônimo e o endereço do Concurso.

3. Comissão Julgadora

3.1. Será formada por haicaistas do Grêmio de Haicai Caminho das Águas, de Santos/SP.

3.2. Os haicais serão avaliados rigorosamente dentro dos preceitos de Mestre Bashô (tradicional).

3.3. O resultado final será divulgado na 1.ª quinzena de Julho de 2009, pelos sites:

www.concursosliterarios.com.br
www.maxpressnet.com.br
www.blocosonline.com.br
www.kakinet.com
www.ubaweb.com

4. Premiação

4.1. Serão premiados os 3 (três) melhores haicais.

4.2. Os 10 (dez) primeiros classificados receberão certificados de participação e terão seus haicais publicados em Boletim Especial do Grêmio de Haicai Caminho das Águas e nos sites:

www.concursosliterarios.com.br
www.maxpressnet.com.br
www.blocosonline.com.br
www.kakinet.com
www.ubaweb.com

4.3. A reunião festiva de premiação será no dia 08 de Agosto de 2009 , 2º sábado do mês, às 15 horas, numa das salas do SESC/Santos, sito à Rua Conselheiro Ribas, 136, Bairro Aparecida, Santos/SP.

4.4. As despesas de postagem de troféus e eventuais brindes dos que não comparecerem correrão por conta dos classificados.

5. Disposições Finais

5.1 Os trabalhos enviados que não obedecerem aos critérios previstos neste regulamento serão automaticamente desclassificados.

5.2. Não haverá devolução dos trabalhos enviados. Após a divulgação do resultado, eles serão incinerados.

5.3. As decisões da Comissão Julgadora são irrecorríveis.

5.4. Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão Organizadora.

5.5. Esclarecimentos poderão ser solicitados pelos telefones: (13)3021-1604, (13) 3271-3296, (13) 3238-4921 ou pelos e-mails:

npavesi@uol.com.br
orgone1@terra.com.br
anjosconosco@uol.com.br .

5.6. A participação no concurso implicará a aceitação deste Regulamento.

Fontes:
http://www.concursosliterarios.com.br/
Imagem = montagem em cima da capa do livro da 7a. Antologia do Grêmio de Haicai

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X Concurso Literário de Poesias da Fundação Cultural Casimiro de Abreu

Regulamento

1. Participantes:

Poderão participar do concurso moradores do município de Casimiro de Abreu e demais municípios do Brasil, com idade a partir de 16 anos.

2. Período de inscrição:

Os trabalhos deverão ser entregues na Casa de Cultura Estação Casimiro de Abreu, situada à Praça Lucio André – s/n, Centro – Casimiro de Abreu RJ – CEP 28860-000, no horário de 09h às 17h, de segunda a sexta-feira, entre 12 de janeiro e 31 de julho de 2009 ou enviadas por Correio obedecendo as mesmas datas, valendo o carimbo postal como comprovante do prazo.

3. Textos:

3.1. Deverão ser escritos em língua portuguesa, digitados em papel branco A4, de um só lado da folha em fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12, espaço 1,5, em 5 (cinco) vias;

3.2. Não serão aceitos trabalhos manuscritos.

3.3. Os trabalhos deverão ser inéditos, isto é, ainda não publicados.

3.4. Cada concorrente poderá participar com apenas 1 (um) trabalho.

3.5. Nas páginas enviadas deverão conter somente o título da obra, a obra e o pseudônimo do autor.

3.5.1. Afim de resguardar a lisura da seleção dos trabalhos, os pseudônimos NÃO deverão guardar qualquer semelhança com o nome, apelido ou outro fator de identificação do concorrente.

4. Apresentação dos Trabalhos – Envelope:

4.1. Os trabalhos deverão ser enviados dentro de um envelope endereçado da seguinte maneira:
X CONCURSO LITERÁRIO DE POESIA
Fundação Cultural Casimiro de Abreu
Praça Lúcio André s/n, centro, Casimiro de Abreu – RJ.
CEP 28860-000

No remetente deverá vir escrito o nome do autor e o endereço.

4.1.1. O pseudônimo NÃO poderá vir escrito no exterior do envelope.

4.2. TODAS as folhas dos trabalhos deverão conter apenas o pseudônimo no rodapé, sem assinatura ou qualquer tipo de identificação.

4.3. A ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada deverá vir dentro do envelope.

4.3.1. É importante o preenchimento correto da ficha de inscrição para correta identificação do participante e para facilitar contatos posteriores.

4.3.2. O preenchimento incorreto ou ilegível da ficha de inscrição poderá desclassificar o concorrente.

4.4. Não serão aceitas inscrições pela Internet.

4.5. Não haverá devolução dos trabalhos recebidos.

4.6. Os trabalhos que não obedecerem às regras estipuladas serão automaticamente desclassificados.

5. Julgamento

5.1. O corpo de jurados será formado por profissionais da área, altamente qualificados e designados pela Comissão Organizadora do Concurso.

5.2. As decisões do júri são soberanas e irrecorríveis.

5.3. Serão ainda critérios para julgamento:

5.3.1. Demonstrar conhecimento da língua portuguesa;

5.3.2. Manter o texto dentro das dimensões propostas no Regulamento.

5.4. A comissão organizadora decidirá sobre as omissões deste Regulamento, depois de ouvida a opinião do júri.

6. Divulgação dos resultados:

O resultado será divulgado através dos sites: www.culturacasimiro.rj.gov.br, www.casimiro.rj.gov.br no dia 30 de setembro de 2009.

7. Entrega da premiação:

A premiação será entregue na Casa de Cultura Estação Casimiro de Abreu durante coquetel, às 20h, do dia 30 de outubro de 2009.

8. Premiação:

8.1. O primeiro colocado receberá 1 (uma) máquina fotográfica digital e um certificado de participação.

8.2. O segundo colocado receberá 1 (um micro-sistem) e um certificado de participação.

8.3. O terceiro colocado receberá 1 (um) aparelho MP4 e um certificado de participação.

8.4. O júri poderá indicar ainda duas menções honrosas, que receberão certificados.

8.5. Todos os concorrentes receberão certificados de participação.

8.6. Em nenhum dos níveis de premiação será permitido o empate.

8.6.1. O desempate ficará a cargo do júri, que destacará os trabalhos com o mesmo número de votos e realizará votação separada até que haja um vencedor.
8.6.2. Os critérios para julgamento serão subjetivos, dada a natureza do concurso.

8.7. Os prêmios deverão ser retirados na sede da Fundação Cultural Casimiro de Abreu ou, na possibilidade do vencedor residir em outro município, serão enviados por sedex.

8.7.1. A Fundação Cultural Casimiro de Abreu não se responsabilizará por eventuais danos ou extravios ocorridos aos prêmios durante o transporte.

9. Disposições Gerais

9.1. A Fundação Cultural Casimiro de Abreu se reserva o direito de publicar poemas, vencedores ou não, em livros, ficando explícito que o ato de inscrição através da Ficha implica em autorização para publicação.

9.2. Nos casos em que o participante for menor de idade, os pais ou responsáveis deverão assinar a Ficha de Inscrição.

9.3. No caso da publicação de livros com poemas, o autor receberá 05 (cinco) exemplares a título de direito autoral.

Casimiro de Abreu, 12 de janeiro de 2009.

REALIZAÇÃO:
PREFEITURA MUNICIPAL DE CASIMIRO DE ABREU
FUNDAÇÃO CULTURAL CASIMIRO DE ABREU
ACADEMIA CASIMIRENSE DE LETRAS E ARTES

Fonte:
http://www.concursosliterarios.com.br/

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VIII Prêmio Livraria Asabeça 2009

A Livraria e Loja Virtual Asabeça organiza anualmente o Prêmio Literário Livraria Asabeça, categorias Poesia, Contos/Crônicas e Infantil, com apoio da Scortecci Editora, para autores brasileiros, maiores de 16 anos, residentes ou não no Brasil.

O tema é livre.

O Prêmio tem por objetivo descobrir novos talentos e promover a literatura brasileira. O concurso será realizado em duas fases distintas, exceto a Categoria Infantil. Inscrições somente pela Internet.

Os vencedores, em cada uma das categorias, receberão como prêmio um contrato de edição e publicação de sua obra e terão os seus trabalhos publicados na antologia do VIII Prêmio Literário Asabeça 2009.

INSCRIÇÕES: até 30 de junho de 2009

Ao fazer a inscrição, o autor estará concordando com as regras do prêmio, inclusive autorizando a publicação dos trabalhos em livro pela Scortecci Editora e responderá por plágio, cópia indevida e demais crimes previstos na Lei do Direito Autoral.

A Livraria e Loja Virtual Asabeça escolherá uma Comissão Julgadora composta de três membros de renomado prestígio literário por categoria, e uma Comissão Organizadora que resolverá os casos omissos deste regulamento, se houver.

REGULAMENTO

O autor poderá participar das três categorias ao mesmo tempo desde que proceda em conformidade com as normas de cada categoria, pagando, inclusive três taxas de inscrição.

Os trabalhos deverão estar em língua portuguesa, o que não impede o uso de termos estrangeiros no texto.

Para cada categoria será cobrada uma taxa de inscrição no valor de R$ 20,00 através de Boleto Bancário emitido pelo sistema no ato da inscrição.

ATENÇÃO:

É vetada a participação de autores que já tenham recebido prêmio da publicação, seja como Vencedor ou Menção Honrosa, o que não impede a participação dos mesmos na Antologia dos Vencedores do Prêmio Literário Asabeça.

CATEGORIA POESIA

Cada autor deverá inscrever-se obrigatoriamente com dois poemas de no máximo três páginas cada, formato A4 (210 x 297 cm), texto digitado em Word, em corpo 12 e fonte Times New Roman.

Os poemas devem ter obrigatoriamente um título. Não há necessidade de pseudônimo.

Preencher a ficha de inscrição completa que está no endereço: http://www.concursosliterarios.com.br, anexar as POESIAS (único aquivo) e enviar.

No ato da inscrição o sistema emitirá automaticamente um boleto bancário com compensação nacional com prazo para pagamento de até 3 (três) dias.

CATEGORIA CONTOS / CRÔNICAS

Cada autor deverá inscrever-se obrigatoriamente com dois contos ou crônicas de no máximo cinco páginas cada, formato A4 (210 x 297 cm), digitado em Word, em corpo 12 e fonte Times New Roman.

Os contos ou crônicas terão que ter obrigatoriamente um título. Não há necessidade de pseudônimo.

Preencher a ficha de inscrição completa que está no endereço: http://www.concursosliterarios.com.br, anexar os CONTOS ou CRÔNICAS (único arquivo) e enviar.

No ato da inscrição o sistema emitirá automaticamente um boleto bancário com compensação nacional com prazo para pagamento de até 3 (três) dias.

CATEGORIA INFANTIL

Cada autor deverá inscrever-se obrigatoriamente com uma única história de texto infantil de no máximo 10 (dez) páginas, formato A4 (210 x 297 cm), digitado em Word, em corpo 12 e fonte Times New Roman.

A história deve ter obrigatoriamente um título. Não há necessidade de ilustrações.

Preencher a ficha de inscrição completa que está no endereço: http://www.concursosliterarios.com.br, anexar o TEXTO (único arquivo) e enviar.

No ato da inscrição o sistema emitirá automaticamente um boleto bancário com compensação nacional com prazo de pagamento de até 3 (três) dias.

Não haverá segunda fase para esta categoria. O resultado final será anunciado em dezembro de 2009 quando forem divulgadas as segundas fases das demais categorias.

2ª FASE DO CONCURSO: CATEGORIAS POESIA e CONTOS /CRÔNICAS

Serão selecionados na 1ª fase do concurso 15 (quinze) autores por categoria, com base no conjunto do material entregue pelo autor.

Na 2ª fase, cada autor CLASSIFICADO deverá entregar, no prazo de até 40 (quarenta) dias a contar da data da divulgação oficial (agosto de 2009), os originais de um livro com até 80 páginas, deixando reservadas 12 (doze) páginas para folhas de abertura, créditos, dedicatória, prefácio, sumário, selo da gráfica, etc.

A Comissão Organizadora orientará individualmente cada autor, ajudando-o, se necessário, na elaboração do boneco para a 2ª Fase. Os autores que não cumprirem o prazo serão automaticamente desclassificados.

Todos os autores classificados na 1ª Fase, terão seus trabalhos publicados na Antologia do VIII Prêmio Literário Livraria Asabeça 2009, independentemente de estarem participando ou não da 2a. fase.

RESULTADO FINAL

O resultado final do VIII Prêmio Literário Livraria Asabeça 2009, 2ª Fase, dar-se-á em dezembro de 2009 e será publicado oficialmente no Portal Concursos e Prêmios Literários, no site da Livraria Asabeça e nos demais sites do Grupo Editorial Scortecci.

PRÊMIOS

1º Lugar Categoria Poesia: Um contrato de edição e impressão de 250 (duzentos e cinqüenta) exemplares (sendo 200 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com 80 (oitenta) páginas, formato 14 x 20,7cm, sendo: 1) Miolo – Impressão em duplicador digital, preto e branco, sem o uso de fotolitos, em papel offset branco 75 gramas, acabamento telado e colado em cadernos de 4 páginas. 2) Capa – Impressão em 4 cores (quadricromia), em papel Cartão branco 250 gramas, com orelhas e plastificação brilhante.

1º Lugar Categoria Contos e Crônicas: Um contrato de edição e impressão de 250 (duzentos e cinqüenta) exemplares (sendo 200 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com 80 (oitenta) páginas, formato 14 x 20,7cm, sendo: 1) Miolo – Impressão em duplicador digital, preto e branco, sem o uso de fotolitos, em papel offset branco 75 gramas, acabamento telado e colado em cadernos de 4 páginas. 2) Capa – Impressão em 4 cores (quadricromia), em papel Cartão branco 250 gramas, com orelhas e plastificação brilhante.

1º Lugar Categoria Infantil: Um contrato de edição e impressão de 200 (duzentos) exemplares (sendo 150 exemplares para comercialização através da Livraria e Loja Virtual Asabeça e 50 exemplares inteiramente grátis para o autor), com 32 (trinta e duas) páginas, formato 14×20,7 cm, sendo: 1) Miolo – Impressão em digital, 4 x 4 colorido, sem o uso de fotolitos, em papel couchê fosco 115 gramas, acabamento grampeado. 2) Capa – Impressão em 4 cores, em papel Cartão branco 250 gramas, plastificação brilhante, sem orelhas.

A título de Direito Autoral cada autor receberá 10% (dez por cento) sobre o preço de capa de sua obra comercializada através da Livraria Asabeça, pelo prazo de 1 (um) ano ou o término da edição, o que acontecer primeiro. Após o término do contrato o autor poderá adquirir o saldo com desconto de 80% sobre o preço de capa. Não havendo interesse por parte do autor os livros serão distribuídos gratuitamente para bibliotecas, escolas públicas e divulgação do próprio Prêmio Literário Livraria Asabeça.

1º ao 15º Lugares Categorias Poesia e Contos/Crônicas: Publicação dos trabalhos classificados na 1ª Fase do concurso na Antologia do VIII Prêmio Literário Livraria Asabeça 2009. Cada autor receberá 5 (cinco) exemplares da obra a título de Direito Autoral. Os autores participantes poderão adquirir exemplares da obra com 50% de desconto sobre o preço de capa, havendo livros em estoque.

Mais informações:
Livraria e Loja Virtual Asabeça
http://www.asabeca.com.br/
Telefone: (11) 3031.2298 com Pamella Brandão.
E-mail: asabeca@asabeca.com.br

Fonte:
http://www.concursosliterarios.com.br/

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Paulo Bentacur (Algumas Poesias)

Alex Matthiensen (Num cantinho da Lagoa
Ibirapuera, SC) [2007] aquarela
A PRIMEIRA NOVELA DE ERICO VERISSIMO

Amaro tem um piano.
Faz amor por aluguel.

Na pensão de Tia Zina,
fita a menina Clarissa
com nostálgica saudade
do amor que não viveu.

Um papagaio gasta o nome,
repetindo-o, sempre, sempre.
Clarissa tem um temperamento,
que a adolescência nem disfarça.

É primavera, os residentes
vêm de tantos lugares, são
tão diferentes que Amaro
perde-se em si mesmo, e
busca-se em camas sem
ilusão, em inocências
que só pode fitar,
à espera que o futuro
faça o presente dar frutos.

Amaro tem nome de luto.
Clarissa tem nome de sol.
Duas presenças opostas
que se encontram por acaso
como quem, fora de casa,
abana a um conhecido,
sorri, valeu, e é só isso.
=====================

DESPERTAR

Acordo sem um acordo com a manhã
que esguicha suas freadas já tão cedo,
e sem ceder a qualquer convite, ergo
o corpo já cansado antes dos medos
comuns a qualquer homem que caminha
entre as ruas ou mesmo entre a família.

A noite passou lenta e não me deu
sonhos, estremeções nem mesmo o peso
de um pesadelo a dar sentido ou temor
para o dia que se pretende poderoso.
Levanto, escovo os dentes, me submeto
à repetitiva água do chuveiro.

Debaixo do aguaceiro, ora quente,
ora frio, me arrepio: dia seguinte.
Ontem houve o que houve e não repete
nada, ainda mesmo que eu me esforce
na reprodução de um cotidiano.
(Arte a fixar para o amanhã.)

Tão cedo e, entre bocejos,
arquejo no esforço de pensar
que hoje é só o começo, sol penteado
no qual ruge a ordem desses tempos
empurrando-me como se tudo afinal
urgisse, por mais que eu tanto faça.

Não saberei quando parar no exato instante
em que parar. Caindo, o sol trará
a noite e, de novo, o inquieto
povoará o vencido lençol até que a luz
sacuda-o, amarfanhado rosto. O espelho
o denuncia sem que o acuda o banho.
===========================

ASCENSÃO E QUEDA DO DIÁLOGO

Um homem liga a tevê, o rádio, escuta o vozerio da rua.
Esse homem veste roupas que não combinam.
Aperta as mãos, sorri, goza o frio enervante da dúvida
em saber qualquer coisa que o conduza para algo
que se possa chamar de um lugar.
Nem precisa ser um destino.

Um homem que não conhecemos e que, cansado de si,
entende e aceita que não o verem não significa o fim
nem o começo de uma história, e portanto ele pode
continuar desse jeito, tevê, rádio e rua gritando
e ele nem aí, falando também, ao mesmo tempo,
sem que os outros escutem, imitando sua surdez.

Um homem que parece tudo, menos mudo – como tudo.
Que engole ávido a mudez a tomar conta do fluxo
de ruídos que explodem para o silêncio faminto.
=======================

CAFÉ

O marrom pleno,
quase negro.
O cheiro se evola,
o ar a bebê-lo,
enquanto olho
a xícara, a mesa
– eis minha missa
e um companheiro.

Sirvo o líquido,
aspiro o aroma,
e o beberico.
Sou homem rico
com tão pouco.
Preparo outro
e o estendo
até o amigo,
e digo: “toma”.

Nem é preciso.
As mãos seguram
a taça plena
que depois pousa
sobre a mesa.
Corpo aquecido
e o paladar
com um sabor
nunca esquecido.

Além da mente
a acordar
para o real
que ainda dorme
tão inocente.
Lá fora o dia
boceja, lento,
com sua fé.

Nada mais tem
até que alguém
beba um café.
Então, num salto,
põe-se em pé.

E é caminhar.

Fontes:
http://www.artistasgauchos.com.br/

Pintura = http://www.flickr.com/photos/alex_matthiensen

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Paulo Bentacur (A gênese do gênio)

John Faed (Shakespeare e seus contemporâneos) [1851]
O jornal era de circulação modesta, mas o anúncio impressionava: “Transforme-se num Shakespeare em seis meses. Curso de redação literária administrado pelo Professor Paiva.”

Paiva era bem relacionado, solteiro apesar dos circunspectos 57 anos, e além do anúncio pelo qual pagara R$ 490,00 reais para inserção diária na página 3, havia outros que davam autenticidade ao que o professor prometia. “Agradeço ao Professor Paiva por ter resolvido em meio ano o que mais de dez de prática literária constante não conseguiram. Hoje sou disputado por várias editoras.” Quem assinava o agradecimento público era um desconhecido, o que gerava desconfiança quanto à eficácia do método do Professor, mas isso Paiva explicava facilmente. Não ia um homem coberto pela glória expor-se assim; para tanto, utilizara-se de pseudônimo, registrando a gratidão justa e, ao mesmo tempo, preservando-se.

O fato é que em pouco tempo a agenda de Paiva não dispunha mais de datas: 83 alunos freqüentavam sua casa, revezando-se numa carga horária bastante puxada. Todos os dias, das 9 às 18h, Paiva recebia alguma promessa. Seu desafio era transformar essa promessa em realidade, desafio maior ainda se considerarmos que a maciça maioria não era promessa de coisa alguma.

Militares reformados com vida ociosa e fantasias beletristas, que mal sabiam redigir uma carta; senhoras viúvas, ou solteiras mesmo, que sonhavam em ocupar suas paredes com diplomas de menção honrosa; publicitários que dominavam as mumunhas da redação metida a esperta e engraçadinha e que queriam mais, bem mais. Paiva jurava que tinha mais.

Durante uns seis anos a casa de Paiva conviveu um movimento que as casas da vizinhança, mesmo aquelas dadas a festas nada ocasionais, ignoravam. Mas a constância dos alunos não repetia nomes, apenas quantidade. O Major Hipólito freqüentou aquele vetusto recinto uns três meses, e logo pediu baixa. Silvinho Cláudio, redator da Fala Ação, ficou menos tempo ainda, quatro semanas, e desistiu. Ismael dos Santos Bicalho, jornalista aposentado, foi um que entrou e saiu da casa do professor sempre disposto a entrar de novo. Não se convencia da ausência de progresso em seus textos. Culpava a si mesmo, não a Paiva, cujos esforços eram ingentes. Mas um dia Ismael cansou, ou talvez tenha ficado constrangido, nunca se sabe. Dona Élida Paranhos continuava, jamais falhou uma aula nesses seis anos, mas Élida era uma mulher de fibra, constante em tudo que fazia, e sua esperança, nada secreta, era tão vasta como vasta era sua carência, e a nada abandonava, nem sequer à decepção que sentia com as aulas de Paiva há mais de dois anos.

Enquanto mais de 75% dos alunos iam ficando pelo caminho, desistindo, dando o braço a torcer ao comentário de um parente que punha sérias dúvidas sobre o futuro do literato, os 25% que permaneciam, permaneciam porém com o ânimo arrefecido, sem forças sequer para debater o método do aplicado Paiva.

Os anúncios continuavam, e faziam aquele sucesso. Todos na cidade se admiravam que um homem pudesse transformar outro num Shakespeare, logo em quem. Mas depois de seis anos – o mundo é impaciente – os luminares da comunidade passaram a perguntar-se: falando nisso, quando é que vamos ver na prática o que a teoria tão entusiasticamente anuncia?

Nada viam surgir além dos nomes de sempre, os novos nomes de sempre, se se pode dizer assim, gente que estréia com cara de quem vai dependurar a chuteira no segundo livro, e é bom que dependure depressa, se pensa, quando não dependuram somente – mas já – no terceiro.

Enquanto isso, a cidade vizinha, com quatro universidades, três grandes jornais e sete nomes a ostentarem fortuna crítica a pô-los na lista dos cem maiores da literatura contemporânea do país (o que, somando todos, não dá meio Shakespeare), ia, de ano em ano, apresentando uma que outra novidade, a causar susto na pasmaceira geral. A novidade sacudia a rotina, ficava na vitrine algum tempo, até sumia depois, mas ficava o suficiente para dar a impressão aos conterrâneos de Paiva que o seu método não era lá essas coisas.

O próprio Paiva, homem sério, dedicado, cujo único pecado fora aceitar a oferta do departamento de Anúncios e Classificados do jornal em colocar também aquele outro tipo de anúncio, naturalmente forjado (garantir a própria sobrevivência trabalhando é de tal ordem que dispensa alguns escrúpulos), começou a ficar nervoso com a previsível queda de procura por seu curso. A queda se deu. Propaganda boca a boca, sabe-se, tem eficiência como nenhuma outra.

O Major falou com dezenas de ex-companheiros de caserna que aspiravam às letras, ao curso de Paiva, e que desistiram antes de tentar. Silvinho Cláudio até que foi piedoso, dispunha de um forte veículo, mas satisfez-se em dizer num único programa de televisão, um só, que o método de Paiva era ultrapassado, mais psicológico que literário, que era comovente, e risível, a teoria do Professor acerca da gênese do talento mais como bloqueio a ser rompido do que técnica a ser ensinada. Silvinho admitia que a idéia não estava errada, mas o papel do professor deveria ser outro, o de ensinar truques, formas, caminhos específicos, atalhos para a verdade estilística contida nos limites de cada um. O professor, no fundo, era apenas um simpático motivador, só isso. Motivação não era o que faltava àquela gente. Talvez faltasse talento, e ele independe de motivação, é outra coisa, mais obscura, menos relacionada ao caráter, ao contrário do que Paiva pregava.

O Professor, depois do programa, que, aliás, fora assistido unicamente por dois alunos seus – e ele tinha ainda 49 cândidos nomes que não ficaram sabendo do depoimento do publicitário –, decidiu acabar com tudo. Doía-lhe a derrota de ver aquela gente toda sem nenhum futuro. Doía-lhe os que haviam ficado pelo caminho. Doía-lhe, não sendo um Shakespeare, tentar fazer brotar nos outros o Shakespeare que nele não brotaria nunca. Sabia o que não fizera para que não brotasse, e gostaria de tentar, à exaustão, que seus alunos não cometessem os erros que ele cometera. Mas o mundo quer Shakespeares, precisa deles, e urgente. Seis anos é muito tempo.

Paiva tinha acumulado bons recursos durante aquele período. Podia, sem sangrar suas divisas, devolver o dinheiro dos 49 heróicos remanescente. Convocou-os em regime de urgência. Uma fila formou-se na entrada de sua casa.

Devolveu o que haviam pago como antecipação. Disse que nada podia fazer além do que eles mesmos poderiam. Sentia-se cansado, e cansaço é incompatível com criação. Quando se quer descansar é porque o mundo ou foi criado, ou foi destruído. Não pôde continuar falando.

Um vulto destacou-se do grupo que o ouvia falar. Era Élida Paranhos.

Deu um abraço comovido em Paiva.

– Gosto de ti, te acho um homem de bem, e isso vale mais que ser um gênio. Tá cheio de gênio por aí, mas homem de bem, não sei não.

O perfume de Élida era doce, porém suave, não pesava. Seu rosto branco estava levemente dourado pelo calor. Paiva não resistiu.

Beijou-a, esquecido de qualquer vergonha, e talvez já enamorado.

Aliás, nesse caso, nem Shakespeare resistiria. Nem Shakespeare.

Fontes:
http://www.artistasgauchos.com.br/

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Paulo Bentacur (1957)

Paulo (Roberto Ribeiro) Bentancur nasceu em Santana do Livramento, RS, em 20 de agosto de 1957. É escritor, poeta e crítico, praticando diversos gêneros, do infanto-juvenil à poesia. Foi editor da Imprensa Oficial do RS (2000-2002), quando, junto com o artista gráfico Antonio Henriqson, editou a revista cultural VOX XXI e Coordenador do Livro e Literatura da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre.

Teve contos publicados na Argentina e na Itália.

Ganhou quatro prêmios Açorianos:
– 1995, categoria especial, a Instruções Para Iludir Relógios (um livro sem gênero);
– 1996, infanto-juvenil, a O Menino Escondido (Freud);
– 2004, categoria especial, como organizador de Simões Lopes Neto – Obra Completa;
– 2005, em poesia, para Bodas de Osso.

Ganhou dois prêmios especiais, Maria Bentancur, nascida em 1984, e Laura Marengo Bentancur, em 1999.

Trabalhou durante 20 anos em diversas editoras como revisor, preparador de originais, tradutor do espanhol e editor assistente. Atualmente presta serviços de assessoria editorial para diversas casas publicadoras.

Também ministra oficinas de criação literária e de leitura crítica, além de fazer palestras pelo País todo –acerca de sua obra, autores clássicos, questões relevantes à leitura numa nação que não lê e mistérios da arquitetura da narrativa.

Livros

Infanto-juvenis:
– Agulha ou linha, quem é a rainha? (Ed. Projeto, 1992, em 6ª edição)
– O menino que não gostava de histórias (Ed. Solivros, 1995, esgotado)
– As surpresas do corpo (Difusão Cultural, 1997);
– Quem não lê, não vê (Difusão Cultural, 1997);
– Os homens na caverna – Platão (Ed. Mercado Aberto, 1994; Ed. Artes e Ofícios, 2a ed. 2001);
– É lógico, pô! – Aristóteles (Ed. Mercado Aberto, 1994; Ed. Artes e Ofícios, 2a ed. 2001);
– O menino escondido – Freud (Ed. Mercado Aberto, 1995, Prêmio Açorianos 1996; Ed. Artes e Ofícios, 2a ed. 2001);
– O criador de monstros – Kafka (Ed. Artes e Ofícios, 2001);
– As cores que tremiam – Van Gogh (Ed. Artes e Ofícios, 2001);
– Entre o céu e a terra – Shakespeare (Ed. Artes e Ofícios, 2001);
– A máquina de brincar (Bertrand Brasil, 2005; adotado pelo Governo do Estado de São Paulo através do PNLD);
– As rimas da Rita (Bertrand Brasil, 2005);
– O olhar das palavras (Bertrand Brasil, 2005).

Para adultos:
– Instruções para iludir relógios (contos/crônicas, Ed. Artes & Ofícios, 1994, Prêmio Açorianos 1995);
– A Feira do Livro de Porto Alegre – 40 Anos de História (ensaio, CRL, 1994);
– Os livros impossíveis (contos/crônicas, 00h00.com, Paris, França, 2000);
– Frio (contos, Ed. Sulina, 2001);
– Bodas de osso (poesia, Bertrand Brasil, 2005, Prêmio Açorianos 2005);
– A solidão do Diabo (contos, Bertrand Brasil, 2006).

Co-autoria:
– Rio Grande do Sul – Cenas e paisagens (legendas, com fotos de Eduardo Tavares; Ed. Sulina, 1997).

Obras coletivas:
– Nós, os gaúchos 2 (ensaios, Ed. da UFRGS, 1994);
– Amigos secretos (contos, Ed. Artes e Ofícios, 1994);
– A cidade de perfil (crônicas, Secretaria Municipal de Cultura, 1995);
– A magia das águas (ensaios, Ed. Riocell, 1997);
– Meia encarnada, dura de sangue (contos sobre futebol, Ed. Artes e Ofícios, 2001);
– A linha que nunca termina – Pensando Paulo Leminski (ensaios, Ed. Lamparina, 2005);
– Contos de bolso (minicontos, 43 autores gaúchos, Ed. Casa Verde, 2005);
– Contos de bolsa (minicontos, 47 autores gaúchos, Ed. Casa Verde, 2006);
– Contos de algibeira (minicontos, autores brasileiros e portugueses, Ed. Casa Verde, 2007);
FICÇÃO
– Histórias para o prazer da leitura (antologia dos 50 melhores contos da revista Ficção, Ed. Leitura, 2007).

Organização e anotações críticas:
– Obra completa, de Simões Lopes Neto (Ed. Copesul/Já editores/Sulina, 2003, Prêmio Açorianos 2004);
– Grandes personagens da literatura gaúcha (ensaios e coordenação editorial, Ed. Copesul/Aplauso, 2004).

Fonte:
http://www.artistasgauchos.com.br/

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Paulo Bentancur em Xeque

Entrevista realizada por Danilo Corci, da Revista Speculum.

Crítico literário, poeta, contista, autor de romances e escritor infanto-juvenil, Bentancur conseguiu um feito hercúleo: transformar seu romance num dos grandes momentos culturais de 2006, ano que trouxe ao Brasil inúmeras bandas, exposições monstras, como a Bienal, e outros lançamentos literários relevantes. Óbvio que comparar suportes criativos diferentes é uma bobagem, mas ao extrair o sumo do que fica, “A Solidão do Diabo” é o ponto alto das novidades. Melhor ainda. Perene, pois mesmo agora, em 2007, sua leitura é mais do que recomendada.

Em 59 histórias, o livro faz uma inteligente incursão à cadência cínica e melancólica que, talvez, o suposto “homem contemporâneo” tem cultivado com tanta vontade. O “se segura malandro” brasileiro é implodido sob uma óptica muito mais afiada sobre o que nós mesmos estamos acostumados a encontrar na literatura brasileira. Menos Macunaíma, mais Constantine (mas esqueça o ícone pop), os anti-heróis brasileiros agora sentem frio e febre. Entretanto, melhor do que falar de um livro que já vem com a “Bíblia II” e com a história do homem que quer ser mágico e milagreiro só para ser muito mais cínico do que qualquer um poderia imaginar, é deixar o próprio autor falar sobre sua obra – ainda que, de fato, nem isso seria necessário já que o livro fala por si próprio.

Fale um pouco sobre sua trajetória literária. Como começou a vida de escritor?

Paulo Bentancur: Começou sem que eu mesmo percebesse. Era menino, 9, 10 anos, e já escrevia todos os dias. Quando fui ver, era tarde demais. Aos 16 já publicava em tudo que era jornal (contos, poemas, crônicas, resenhas). Demorei para lançar o primeiro livro apenas por excesso de zelo (o que nunca é demais). Mas o batismo das letras foi cedo. Ah, e minha formação, até mesmo por suas características de precocidade, foi de autodidata.

Existe algum escritor que exerce uma influência marcante no seu trabalho? Ou algum ícone não-literário

Vários escritores me influenciaram. O segredo é saber conduzir essa influência sem que ela cale a sua própria voz de escritor. Kafka, Cortázar, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Dalton Trevisan Rubem Fonseca, Bernardo Carvalho, Paul Auster. Isso na prosa. Na crítica, Paulo Hecker Filho, David Arrigucci Jr., José Paulo Paes. Na poesia, Manuel Bandeira, Drummond, Miguel Hernández, Federico García Lorca, João Cabral de Melo Neto e, mais recentemente, Paulo Henriques Britto.

Você também escreve para crianças. Qual é a diferença entre escrever um infanto-juvenil e um livro “adulto”? O que é mais complexo?

Para adultos, naturalmente, é mais complexo. Porque nos exige vir à tona, inteiramente. E o público adulto já está irremediavelmente sedado por uma série de vícios literários (entre os quais, a preguiça mental, mortal). O público infanto-juvenil é mais receptivo e dá mais prazer ao escritor, discutindo a obra em aula, em feiras de livro, em eventos ao ar livre.

“A Solidão do Diabo” não é seu primeiro livro, e notei que ele é bem consistente. Isso é resultado da tarimba, da experiência?

Isso é resultado de muuuuuito trabalho. O conto mais antigo foi escrito em 1997. O mais recente, em 2006. Logo, dez anos se passaram até o livro ficar pronto. A tarimba, a experiência, ajudam; porém, quando o escritor as usa para apressar seus resultados, dá com os burros n’água.

Como você separa todos estas multifunções que exerce: crítico, poeta, contista, romancista infanto-juvenil? Há muita interferência de estilos na hora de escrever?

Há todo o tipo de interferência, não só de estilos. De prazos, de estrutura, de público-alvo, de envolvimento do autor com o projeto. O crítico, na medida em que (por enquanto) se resume a resenhas e artigos em jornais, revistas e sites culturais do País, corre mais solto. Porém não custa lembrar que o perigo de cometer uma leviandade ao criticar a obra alheia é enorme. Então, muito cuidado, sr. crítico… O poeta vive quase ao acaso. O poema o assalta: ele, o poeta, é puramente uma vítima – que fica com o produto do assalto. Já o ficcionista, seja conto ou romance, pode ir se planejando melhor. O mesmo acontece (e com menos dificuldade) para o autor infanto-juvenil, ainda que escrever para crianças seja um delicado desafio: o de lidar com o tempo que é delas e não é nosso (o nosso, o da infância, já não serve como referência).

Voltando à “Solidão do Diabo”: O Diabo realmente está só?

Sim. O Diabo é o homem, em última instância. E, mesmo pensando na metafórica figura do demônio-mor, em quem ele poderia confiar como um parceiro à altura de sua ambição e necessidades? O Diabo é um pobre-diabo…

Seus contos, mesmo que não sejam necessariamente existencialistas, parecem embebidos num existencialismo desencantado, meio “blasé”, meio cínico. Você concorda com esta afirmação?

Concordo. Menos com o “blasé”. O desencanto não esconde (filtra) sua amargura. E não pode existir amargura “blasé”. Ela se dá ares (daí um certo cinismo), à procura de forças para resistir. Como disse Clarice Lispector, desistir de si mesmo é o único ato imoral. Meus personagens desistem de tudo menos da consciência crítica, esse crime radical, essa ação salvadora e, simultaneamente, condenadora. Meu “pós-existencialismo” repõe o “existir” como ser-tão-somente, e não como uma possibilidade de vida, o que seria um luxo. Já nem a morte assusta. Passamos desse ponto. Aí reside o escândalo.

Logo de saída, em “O Mágico do Azar”, você já brinca com o caráter dúbio de um homem. É mais ou menos assim que você enxerga o homem contemporâneo?

Menos. O homem contemporâneo protege-se numa outra espécie de ambigüidade, em que o único papel que exerce é aquele que lhe abre as portas mais facilmente, e não papéis que ele tenha prazer em criar. Ou morbidez em criar. O homem contemporâneo não cria, não arrisca. Nunca a mesquinhez esteve a serviço de um sistema tão tacanho como agora. E a razão, hoje, é cínica por demais. Qualquer risco é chamado de loucura. Daí sermos uma fábrica de doentes mentais; no mínimo, de neuróticos.

Seus contos tem um magnetismo desfragmentador de idéias, comportamento, uma melancolia embutida, mesmo quando busca uma mão mais leve, como no conto do duelo de futebol na cidadezinha. A melancolia é um dos seus assuntos preferidos?

A melancolia é um estado natural de homens submetidos. Submetidos, simplesmente. A tudo. Que lhes resta senão a melancolia, quando os prazeres estão numa espécie de índex moral e a maioria é julgada e sentenciada sem direito a um mínimo de privacidade? O mundo exige que se passeie nu no canteiro central da avenida. E riem da nossa nudez. Então a escondemos com artefatos ridículos que desenham o imaginário de péssimo gosto da época. A melancolia, em suma, é a música calada que faz bater um coração cansado e lento.

Aliás, o futebol está bem presente nas histórias. Você é um torcedor daqueles sofredores ou apenas gosta de um jogo?

Sofredor. Meu time, o Internacional, acabou de sagrar-se campeão mundial interclubes. Acham que assisti ao jogo? Enfartaria se o fizesse. Fiquei paralisado, esperando a hora de terminar o que eu imaginava um massacre do Barcelona. Quando soube do resultado, nem acreditei. Até agora não acredito. Choro mais nas derrotas do que vibro nas vitórias. Mas é temperamento, não dêem bola.

“A Solidão do Diabo” vem com um grande destaque para “A Bíblia II”. De onde surgiu a idéia de uma história como essa?

De um livro que sonho escrever, OS LIVROS IMPOSSÍVEIS. Idéia meio borgeana. Livros que nunca existiram: tipo SANCHO PANÇA SEM QUIXOTE, OS ESQUECIDOS (História sobre escritores de segunda categoria dos séculos XVIII, XIX e XX, totalmente esquecidos), e por aí vai…

Ainda sobre “Bíblia II”. Seria este seu conto favorito? Apesar de todo o destaque dado na capa, por exemplo, acredito que outros, como “O mesmo ônibus” sejam ainda mais impactantes. Você concorda com isso ou não faz distinção?

Faço, claro. Há contos que prefiro mais a outros. “A Bíblia II” foi uma jogada editorial, para chamar o público. mas me parece um conto honesto, inventivo. Para meu gosto, prefiro “Como um Anjo”, “Diante do túmulo de meu pai”, “Ruínas”, e, sim, o humor surpreendente de “O Mesmo Ônibus”.

Moacyr Scliar escreveu o prefácio. De onde vem sua relação com ele? Parceiros literários?

Sempre gostei da literatura do Scliar. Natural que mostrasse a ele meus primeiros escritos. Ele me acompanha há uns 30 anos. Sabe bem das minhas possibilidades e, me parece, escreveu sobre elas.

Febre e frio. Por que da divisão? Como você organizou esta seleção de contos para cada um deles?

A seção “Frio” já estava pronta desde 2001, quando fiz uma ediçãozinha em separado, de circulação apenas regional. Como conseqüência inevitável, me parece, surgiu “Febre”, o outro e o mesmo lado da questão, dependendo da ótica do leitor. A febre aí pode ser fria, e o frio, um arrepio na espinha, de quem sente o espírito e a carne queimarem.

Em “O Crítico” estaria você dialogando consigo mesmo?

Não. Foi uma homenagem que fiz a um grande crítico, generoso, corajoso, que metia medo nos carreiristas de sempre. O escritor que o evita é que fica mal aos olhos do leitor, acredito.

Qual sua história favorita de “A Solidão do Diabo”, aquela que você mandaria para alguém como amostra de seu trabalho?

“Como um Anjo”.

Por quê? Qual o segredo contido ali?

Acho que o livro é tão porrada, tão punk, dark, down, etc., que o anticlímax contido ao longo de “Como um Anjo”, a opção por uma vida de omissões, a paz da paz (essa antítese do êxtase, essa escolha pela não-escolha, essa morte em vida sem a sombra insuportável da tragédia), francamente, considero a idéia um achado. O conto TRAI o livro, pega o conjunto no contrapé. E, creio, vai deixar o leitor desnorteado. Daí eu gostar tanto dele. Bem, e o ritmo, cuidadoso, musical – literatura para mim é ritmo, antes de enredo. Ah, e criar um personagem sem trama alguma, pô, isso é que é desafio. Bom, e o “Crusoé”. Tem tuuuudo a ver com a atmosfera que o meu espírito respira.

Como você definiria seu estilo literário?

À queima-roupa com uma (ou várias) músicas ao fundo, tocando sem parar. Realismo perturbado de poesia.

Você encontra muitas dificuldades em viver de literatura em um país que está bem longe de ser um apreciador de livros?

Muitas. O mercado quer é exotismo (lá fora compram o Brasil da Amazônia, da Bahia, da MPB; aqui compram o Islã, que está na moda). Literatura de qualidade, ainda mais de autor nacional, vende muito pouco, quase nada. Mal conseguimos driblar o prejuízo. E a resposta está na pergunta que você fez: “um país que está bem longe de ser um apreciador de livros”. Eu completaria “de bons livros”, já que bobagem, como ficções para se matar o tempo (quando deveríamos ganhá-lo, com coisas reveladoras, transformadoras) são o que mais vende. Os besta-sellers.

Por fim, como você vê a literatura brasileira contemporânea? Quais são os escritores que você indicaria para uma leitura atenta?

Vejo muito bem em produção, não em consumo. Eu indicaria W. J. Solha e seu incrível “História Universal da Angústia”, várias histórias de crimes hediondos da humanidade recontadas de forma brilhante; Rubem Mauro Machado e um livro que interessa a todo jovem e adulto, uma história de formação, moral, emocional, amorosa: “A Idade da Paixão”; Vicente Franz Cecim e seu inclassificável “Ó Serdespanto” (assim mesmo, sem espaço), um livro que mistura filosofia, narrativa, lendas, poesia – e que acho que vai além da literatura que conhecemos. Coisa inovadora de fato! Além disso, é bom conferir Bernardo de Carvalho, Chico Buarque (o cara escreve bem mesmo), Daniel Galera (“Mãos de Cavalo”), Paulo Scott (“Senhor da Escuridão”), Luiz Ruffato (“Vista Parcial da Noite”), Flávio Braga (‘O Que Eu Contei A Zveiter Sobre Sexo”). Bom, a lista vai ficar grande demais. Porque a literatura brasileira está se mostrando grande.

Fonte:
Revista Speculum. http://www.speculum.art.br/ , em 16/03/2007.

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