Arquivo do mês: abril 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 18)


Uma Trova do Paraná

MARIO A. J. ZAMATARO – Curitiba
Tremer como a britadeira
é um sintoma de febrão;
não pense que é brincadeira,
mais um pouco é convulsão.

Uma Trova Lírica/Filosófica de Magé/RJ

MARIA MADALENA FERREIRA
Quem planta em terras fecundas
colhe bons frutos! – E mais:
– cria raízes profundas,
à prova de vendavais!

Uma Trova Humorística de São Paulo/SP

HÉRON PATRÍCIO
Grita o macaco sem teto,
sem galho e sem agasalho:
– Ninguém mais cumpre o decreto
“cada macaco em seu galho”???

Uma Trova do Feldman
 

JOSÉ FELDMAN – Maringá/PR
Quando entregues à tolice
de uma insensata paixão,
vivemos tanta meiguice,
mas, no fim…. só decepção!

Uma Trova Hispânica de Chilpancingo/Guerrero/México
 

MANUEL S. LEYVA
El Mañana es muy hermoso
por su disfraz de esperanza,
pero el Hoy, es más precioso,
no es ficción en lontananza.

Uma Trova de Ilhavo/Portugal
 

DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Confiemos no porvir
na certeza de que ele é
fruto do nosso sentir
e filho da nossa fé.

Trovadores que deixaram Saudades

JOÃO RANGEL COELHO  – Rio de Janeiro/RJ
1897 – ????

Bendita mão que semeia
 e que em dádiva sofrida
 vai deixando em terra alheia
 pedaços da própria vida.

Um Haicai de Campinas/SP

GUILHERME DE ALMEIDA
1890 – 1969

Pescaria
Cochilo. Na linha
eu ponho a isca de um sonho.
Pesco uma estrelinha.

Uma Poesia de São Fidélis/RJ

ANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG
Travessia

Peguei o rumo da estrada
Marcando firme o compasso
E fui buscar meu espaço
No romper da madrugada.

Atravessei as cancelas,
Saltei valas e valões,
Abri portas e janelas,
Penetrei pelas favelas,
Andei muitos quarteirões.

Busquei fé e esperança,
Dividi o pão que tinha,
Rezei muitas ladainhas,
Pedi a DEUS proteção…
Dei o abraço apertado
No meu tão sofrido irmão!

Passei fome, senti sede,
Pisei em pedras e espinhos,
Nunca fugi dos caminhos
Que pela vida encontrei
Pois quem foge é covarde
E eu nunca me acovardei.

Fui em busca de um amor,
Movido pela paixão.
Machuquei meu coração,
Que tanto tinha pra dar,
Mas fingi não sentir dor
Conjugando o verbo amar.

Gemedeira
 

SEVERINO PINTO – Monteiro/PB
Pela própria denominação do gênero, vemos que serve para temas gracejantes. É a Gemedeira um estilo de poesia, caracterizado pela interposição de verso de quatro, ou, raramente, de duas sílabas, entre a quinta e a sexta linhas da Sextilha, formado pelas interjeições: “ai! e ui! ou ai! e hum!” (http://www.bahai.org.br/cordel/generos.html) Após cantar outros estilos com José Soares do Nascimento, Severino Pinto mudou para Gemedeira:

Cantei Mourão a Galope,
Versejando como entendo!
Vou passar pra Gemedeira,
Como me pedem, eu atendo!
Há pouco, cantei me rindo.
Ai! ai! ui! ui!
Agora canto gemendo!

Trova Ecológica

Uma Poesia de Moçambique/África

JOSÉ PEDRO DA SILVA CAMPOS D’OLIVEIRA
1847 – 1911
A Uma Virgem
(Improviso)
 
Motora dos meus martírios!
Causa da minha saudade!
Ingénua e casta deudade!
Minha terna inspiração!
Condoi-te da triste sorte
Do jovem que te ama tanto,
Que por ti verte agro pranto
Gerado no coração!
Rasga-me o peito, se queres,
E vê nele a intensa chama,
Que há três anos o inflama
Em cruas dores, sem fim…
De padecer já cansado
Vou sentindo a morte dura
Arrastar-me à sepultura,
E na flor da idade assim!…

E podes ser tão tirana,
Que possas ver indif´rente
D´anos de´nove somente
Morrer o teu trovador?!
Ai! Não! Alenta-me a vida,
Reprime esta dor infinda
Dando-me só, virgem linda,
O teu puro e casto amor!…

Quadrão

LACERDA FURTADO
Quadrão para Joaquim Batista de Sena

O Quadrão em oito apareceu com ligeira modificação na sua forma interna, isto é, o quarto verso que rimava somente com o oitavo passou a rimar também com o quinto. (http://www.bahai.org.br/cordel/generos.html) Numa homenagem póstuma ao ilustre mestre Lacerda Furtado, transcrevemos um Quadrão no novo estilo, por ele escrito e oferecido ao grande cordelista paraibano Joaquim Batista de Sena:

Namorando a Salomé,
Vi a barca de Noé,
Palestrei com Josué,
Com Jacó e Salomão;
Travei luta com Sansão,
Nadei no delta do Nilo,
Montado num crocodilo,
Cantando os oito em Quadrão!

Um Soneto de Salvador/BA

ERNANE GUSMÃO
Licor de Anis

Licor de anis,azul,embriagante,
A cada gole meus desejos trais.
O vulto da singela e doce amante,
Fluidos perfumes, densas espirais.

Eu sorvo a tona desse anil bacante
E me inebrio em delírios tais…
Ouço o murmúrio dela, soluçante,
Em sintonia com meus mudos ais.

A timidez me prende, relutante
O coração reclama-segue avante,
Por que não quebras o temor e vais?

E quêdo embora, bafejou-me a graça,
Licor de anis sumiu da minha taça,
Mas ela… dos meus olhos… nunca mais!

Uma Poesia de Longe

LAURA RIDING – Nova York/Estados Unidos
1901 – 1991
Uma Gentileza

Estar viva é estar curiosa.
 Quando perder interesse pelas coisas
 E não estiver mais atenta, álacre
 Por fatos, acabo este minguado inquérito.
 A morte é a condição do supremo tédio.

Vou deixar que me desintegre
 E aí, por saber da paz que a morte traz,
 Seria bom seguir convencendo o destino
 A ser mais generoso, estender, também,
 O privilégio do tédio a todos vocês.

Trova Popular
 
As rosas é que são belas,
são os espinhos que picam,
mas são as rosas que caem,
são os espinhos que ficam…

Poesia em Música

EDUARDO DAS NEVES/RJ – (versos e melodia)
(1874-1919)
A Conquista do Ar (1902)

O feito de Alberto Santos Dumont, contornando a Torre Eiffel em seu balão n° 6, no dia 19.10.1901, inspirou diversas composições, entre as quais a marcha “A Conquista do Ar”, sucesso de 1902. Uma criação de Eduardo das Neves, a canção glorifica o inventor da aviação em versos desbragadamente ufanistas, que o público da época adorou (“A Europa curvou-se ante o Brasil / e clamou parabéns em meigo tom / brilhou lá no céu mais uma estrela / apareceu Santos Dumont”).
Palhaço de circo, poeta, compositor e principalmente cantor, Eduardo das Neves foi o nosso artista negro mais popular no início do século. Pai do também compositor Cândido das Neves, deixou modinhas, lundus, cançonetas, sendo de sua autoria os versos em homenagem ao encouraçado Minas Gerais, feitos sobre a melodia da valsa “Vieni sul Mar”, do folclore veneziano.
Aliás, ainda sobre a mesma melodia, o radialista Paulo Roberto escreveria, em 1945, nova letra exaltando o estado mineiro (“Lindos campos batidos de sol / ondulando num verde sem fim…”), mantendo o refrão popular (“Ó Minas Gerais / ó Minas Gerais / quem te conhece não esquece jamais…”).
No auge da carreira, Dudu das Neves apresentava-se nos palcos de smoking azul e chapéu de seda. (Cifrantiga

A Europa curvou-se ante o Brasil
E clamou “parabéns” em meio tom.
Brilhou lá no céu mais uma estrela:
Apareceu Santos Dumont.

Salve, Estrela da América do Sul,
Terra, amada do índio audaz, guerreiro!
Santos Dumont, um brasileiro!

A conquista do ar que aspirava
 A velha Europa, poderosa e viril,
Quem ganhou foi o Brasil!

Por isso, o Brasil, tão majestoso,
Do século tem a glória principal:
Gerou no seu seio o grande herói
Que hoje tem um renome universal.

Assinalou para sempre o século vinte
O herói que assombrou o mundo inteiro:
Mais alto que as nuvens.
Quase Deus, Santos Dumont – um brasileiro.

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Messias da Rocha (Comunhão)

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30 de abril de 2013 · 19:32

Machado de Assis (Dom Casmurro) Parte 17, final

CAPÍTULO CXXXV / OTELO


Jantei fora. De noite fui ao teatro. Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço. –um simples lenço!–e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo. Os lenços perderam-se. hoje são precisos os próprios lençóis; alguma vez nem lençóis há e valem só as camisas. Tais eram as idéias que me iam passando pela cabeça, vagas e turvas, à medida que o mouro rolava convulso, e Iago destilava a sua calúnia. Nos intervalos não me levantava da cadeira- não queria expor-me a encontrar algum conhecido. As senhoras ficavam quase todas nos camarotes, enquanto os homens iam fumar. Então eu perguntava a mim mesmo se alguma daquelas não teria amado alguém que jazesse agora no cemitério, e vinham outras incoerências, até que o pano subia e continuava a peça. O último ato mostrou-me que não eu, mas Capitu devia morrer. Ouvi as súplicas de Desdêmona, as suas palavras amorosas e puras, e a fúria do mouro, e a morte que este lhe deu entre aplausos frenéticos do público.

–E era inocente, vinha eu dizendo rua abaixo; — que faria o público, se ela deveras fosse culpada, tão culpada como Capitu? E que morte lhe daria o mouro? Um travesseiro não bastaria; era preciso sangue e fogo, um fogo intenso e vasto, que a consumisse de todo, e a reduzisse a pó, e o pó seria lançado ao vento, como eterna extinção…

Vaguei pelas ruas o resto da noite. Ceei, é verdade um quase nada, mas o bastante para ir até à manhã. Vi as últimas horas da noite e as primeiras do dia, vi os derradeiros passeadores e os primeiros varredores, as primeiras carroças, os primeiros ruídos, os primeiros albores, um dia que vinha depois do outro e me veria ir para nunca mais voltar. As ruas que eu andava como que me fugiam por si mesmas. Não tornaria a contemplar o mar da Glória, nem a serra dos órgãos, nem a fortaleza de Santa Cruz e as outras. A gente que passava não era tanta, como nos dias comuns da semana, mas era já numerosa e ia a algum trabalho, que repetiria depois; eu é que não repetiria mais nada.

Cheguei a casa, abri a porta devagarinho, subi pé ante pé, e meti-me no gabinete, iam dar seis horas. Tirei o veneno do bolso, fiquei em mangas de camisa, e escrevi ainda uma carta, a última, dirigida a Capitu. Nenhuma das outras era para ela; senti necessidade de lhe dizer uma palavra em que lhe ficasse o remorso da minha morte.

Escrevi dous textos. O primeiro queimei-o por ser longo e difuso. O segundo continha só o necessário, claro e breve. Não lhe lembrava o nosso passado, nem as lutas havidas, nem alegria alguma; falava-lhe só de Escobar e da necessidade de morrer.

CAPÍTULO CXXXVI / A XÍCARA DE CAFÉ

O meu plano foi esperar o café, dissolver nele a droga e ingeri-la. Até lá, não tendo esquecido de todo a minha história romana, lembrou-me que Catão, antes de se matar, leu e releu um livro de Platão. Não tinha Platão comigo; mas um tomo truncado de Plutarco, em que era narrada a vida do célebre romano, bastou-me a ocupar aquele pouco tempo, e para em tudo imitá-lo, estirei-me no canapé. Nem era só imitá-lo nisso; tinha necessidade de incutir em mim a coragem dele, assim como ele precisara dos sentimentos do filósofo, para intrepidamente morrer. Um dos males da ignorância é não ter este remédio à última hora. Há muita gente que se mata sem ele, e nobremente expira, mas estou que muita mais gente poria termo aos seus dias, se pudesse achar essa espécie de cocaína moral dos bons livros. Entretanto, querendo fugir a qualquer suspeita de imitação, lembra-me bem que, para não ser encontrado ao pé de mim o livro de Plutarco, nem ser dada a notícia nas gazetas com a da cor das calças que eu então vestia, assentei de pô-lo novamente no seu lugar, antes de beber o veneno.

O copeiro trouxe o café. Ergui-me, guardei o livro, e fui para a mesa onde ficara a xícara. Já a casa estava em rumores; era tempo de acabar comigo. A mão tremeu-me ao abrir o papel em que trazia a droga embrulhada. Ainda assim tive animo de despejar a substancia na xícara, e comecei a mexer o café, os olhos vagos, a memória em Desdêmona inocente; o espetáculo da véspera vinha intrometer-se na realidade da manhã. Mas a fotografia de Escobar deu-me o animo que me ia faltando; lá estava ele, com a mão nas costas da cadeira, a olhar ao longe…

“Acabemos com isto”, pensei.

Quando ia a beber, cogitei se não seria melhor esperar que Capitu e o filho saíssem para a missa; beberia depois; era melhor. Assim disposto, entrei a passear no gabinete. Ouvi a voz de Ezequiel no corredor, vi-o entrar e correr a mim bradando:

–Papai! papai!

Leitor, houve aqui um gesto que eu não descrevo por havê-lo inteiramente esquecido, mas crê que foi belo e trágico. Efetivamente, a figura do pequeno fez-me recuar até dar de costas na estante. Ezequiel abraçou-me os joelhos, esticou-se na ponta dos pés, como que rendo subir e dar-me o beijo do costume; e repetia, puxando-me:

–Papai! papai!

CAPÍTULO CXXXVII / SEGUNDO IMPULSO

Se eu não olhasse para Ezequiel, é provável que não estivesse aqui escrevendo este livro, porque o meu primeiro ímpeto foi correr ao café e bebê-lo. Cheguei a pegar na xícara, mas o pequeno beijava-me a mão, como de costume, e a vista dele, como o gesto, deu-me outro impulso que me custa dizer aqui;- mas vá lá, diga-se tudo. Chamem me embora assassino; não serei eu que os desdiga ou contradiga; o meu segundo impulso foi criminoso. Inclinei-me e perguntei a Ezequiel se já tomara café.

–Já, papai; vou à missa com mamãe.

–Toma outra xícara, meia xícara só.

–E papai?

— Eu mando vir mais; anda, bebe!

Ezequiel abriu a boca. Cheguei-lhe a xícara, tão trêmulo que quase a entornei, mas disposto a fazê-la cair pela goela abaixo, caso o sabor lhe repugnasse, ou a temperatura, porque o café estava frio… Mas não sei que senti que me fez recuar. Pus a xícara em cima da mesa, e dei por mim a beijar doudamente a cabeça do menino.

–Papai! papai! exclamava Ezequiel.

–Não, não, eu não sou teu pai!

CAPÍTULO CXXXVIII / CAPITU QUE ENTRA

Quando levantei a cabeça, dei com a figura de Capitu diante de mim. Eis aí outro lance, que parecerá de teatro, e é tão natural como o primeiro, uma vez que a mãe e o filho iam à missa, e Capitu não saía sem falar-me. Era já um falar seco e breve; a maior parte das vezes, eu nem olhava para ela. Ela olhava sempre, esperando.

Desta vez, ao dar com ela, não sei se era dos meus olhos, mas Capitu pareceu-me lívida. Seguiu-se um daqueles silêncios, a que, sem mentir, se pode chamar de um século, tal é a extensão do tempo nas grandes crises. Capitu recompôs-se; disse ao filho que se fosse embora, e pediu-me que lhe explicasse…

–Não há que explicar, disse eu.

–Há tudo, não entendo as tuas lágrimas nem as de Ezequiel. Que houve entre vocês?

–Não ouviu o que lhe disse?

Capitu respondeu que ouvira choro e rumor de palavras. Eu creio que ouvira tudo claramente mas confessá-lo seria perder a esperança do silêncio e da reconciliação por isso negou a audiência e confirmou unicamente a vista. Sem lhe contar o episódio do café, repeti-lhe as palavras do final do capítulo.

–O quê? perguntou ela como se ouvira mal.

–Que não é meu filho.

Grande foi a estupefação de Capitu, e não menor a indignação que lhe sucedeu, tão naturais ambas que fariam duvidar as primeiras testemunhas de vista do nosso foro. Já ouvi que as há para vários casos, questão de preço; eu não creio, tanto mais que a pessoa que me contou isto acabava de perder uma demanda. Mas, haja ou não testemunhas alugadas, a minha era verdadeira; a própria natureza jurava por si, e eu não queria duvidar dela. Assim que, sem atender à linguagem de Capitu, aos seus gestos, à dor que a retorcia, a cousa nenhuma, repeti as palavras ditas duas vezes com tal resolução que a fizeram afrouxar. Após alguns instantes, disse-me ela:

–Só se pode explicar tal injúria pela convicção sincera; entretanto você que era tão cioso dos menores gestos, nunca revelou a menor sombra de desconfiança. Que é que lhe deu tal idéia? Diga,– continuou vendo que eu não respondia nada, — diga tudo; depois do que ouvi, posso ouvir o resto, não pode ser muito. Que é que lhe deu agora tal convicção? Ande, Bentinho, fale! fale! Despeça-me daqui, mas diga tudo primeiro.

–Há cousas que se não dizem.

–Que se não dizem só metade; mas já que disse metade, diga tudo.

Tinha-se sentado numa cadeira ao pé da mesa. Podia estar um tanto confusa, o porte não era de acusada. Pedi-lhe ainda uma vez que não teimasse.

–Não, Bentinho, ou conte o resto, para que eu me defenda, se você acha que tenho defesa, ou peço-lhe desde já a nossa separação: não posso mais!

–A separação é cousa decidida, redargüi pegando-lhe na proposta. Era melhor que a fizéssemos por meias palavras ou em silêncio; cada um iria com a sua ferida. Uma vez, porém, que a senhora insiste, aqui vai o que lhe posso dizer, e é tudo.

Não disse tudo; mas pude aludir aos amores de Escobar sem proferir-lhe o nome. Capitu não pôde deixar de rir, de um riso que eu sinto não poder transcrever aqui; depois, em um tom juntamente irônico e melancólico:

–Pois até os defuntos! Nem os mortos escapam aos seus ciúmes!

Concertou a capinha e ergueu-se. Suspirou, creio que suspirou, enquanto eu, que não pedia outra cousa mais que a plena justificação dela, disse-lhe não sei que palavras adequadas a este fim. Capitu olhou para mim com desdém, e murmurou:

–Sei a razão disto; é a casualidade da semelhança… A vontade de Deus explicará tudo… Ri-se? É natural- apesar do seminário não acredita em Deus; eu creio… Mas não falemos nisto; não nos fica bem dizer mais nada.

CAPÍTULO CXXXIX / A FOTOGRAFIA

Palavra que estive a pique de crer que era vítima de uma grande ilusão, uma fantasmagoria de alucinado; mas a entrada repentina de Ezequiel, gritando:–“Mamãe! mamãe! é hora da missa!” restituiu-me à consciência da realidade. Capitu e eu, involuntariamente, olhamos para a fotografia de Escobar, e depois um para o outro. Desta vez a confusão dela fez-se confissão pura. Este era aquele; havia por força alguma fotografia de Escobar pequeno que seria o nosso pequeno Ezequiel. De boca, porém, não confessou nada; repetiu as últimas palavras, puxou do filho e saíram para a missa.

CAPÍTULO CXL / VOLTA DA IGREJA

Ficando só, era natural pegar do café e bebê-lo. Pois, não, senhor; tinha perdido o gosto à morte. A morte era uma solução; eu acabava de achar outra, tanto melhor quanto que não era definitiva, e deixava a porta aberta à reparação, se devesse havê-la. Não disse perdão, mas reparação, isto é, justiça. Qualquer que fosse a razão do ato, rejeitei a morte, e esperei o regresso de Capitu. Este foi mais demorado que de costume; cheguei a temer que ela houvesse ido à casa de minha mãe, mas não foi.

–Confiei a Deus todas as minhas amarguras, disse-me Capitu ao voltar da igreja; ouvi dentro de mim que a nossa separação é indispensável, e estou às suas ordens.

Os olhos com que me disse isto eram embuçados, como espreitando um gesto de recusa ou de espera. Contava com a minha debilidade ou com a própria incerteza em que eu podia estar da paternidade do outro, mas falhou tudo. Acaso haveria em mim um homem novo, um que aparecia agora, desde que impressões novas e fortes o descobriam? Nesse caso era um homem apenas encoberto. Respondi-lhe que ia pensar, e faríamos o que eu pensasse. Em verdade vos digo que tudo estava pensado e feito.

No intervalo, evocara as palavras do finado Gurgel, quando me mostrou em casa dele o retrato da mulher, parecido com Capitu. Hás de lembrar-te delas; se não, relê o capítulo, cujo número não ponho aqui, por não me lembrar já qual seja, mas não fica longe. Reduzem-se a dizer que há tais semelhanças inexplicáveis… Pelo dia adiante, e nos outros dias, Ezequiel ia ter comigo ao gabinete, e as feições do pequeno davam idéia clara das do outro, ou eu ia atentando mais nelas. De envolta, lembravam-me episódios vagos e remotos, palavras, encontros e incidentes, tudo em que a minha cegueira não pôs malícia, e a que faltou o meu velho ciúme. Uma vez em que os fui achar sozinhos e calados, um segredo que me fez rir, uma palavra dela sonhando, todas essas reminiscências vieram vindo agora, em tal atropêlo que me atordoaram… E por que os não esganei um dia. quando desviei os olhos da rua onde estavam duas andorinhas trepadas no fio telegráfico? Dentro, as minhas outras andorinhas estavam trepadas no ar, os olhos enfiados nos olhos, mas tão cautelosos que se desenfiaram logo, dizendo-me uma palavra amiga e alegre. Contei-lhes o namoro das andorinhas de fora, e acharam-lhe graça; Escobar declarou que, para ele, seria melhor se as andorinhas, em vez de trepadas no fio de arame, estivessem à mesa do jantar cozidas. “Nunca comi os ninhos delas, continuou, mas devem ser bons, se os chins os inventaram.” E ficamos a tratar dos chins e dos clássicos que falaram deles, enquanto Capitu, confessando que a aborrecíamos, foi a outros cuidados. Agora lembrava-me tudo o que então me pareceu nada.

CAPÍTULO CXLI / A SOLUÇÃO

Aqui está o que fizemos. Pegamos em nós e fomos para a Europa, não passear, nem ver nada, novo nem velho; paramos na Suíça. Uma professora do Rio Grande, que foi conosco, ficou de companhia a Capitu, ensinando a língua materna a Ezequiel, que aprenderia o resto nas escolas do país. Assim regulada a vida, tornei ao Brasil.

Ao cabo de alguns meses, Capitu começara a escrever-me cartas, a que respondi com brevidade e sequidão. As dela eram submissas, sem ódio, acaso afetuosas, e para o fim saudosas; pedia-me que a fosse ver. Embarquei um ano depois, mas não a procurei, e repeti a viagem com o mesmo resultado. Na volta, os que se lembravam dela, queriam notícias, e eu dava-lhes, como se acabasse de viver com ela; naturalmente as viagens eram feitas com o intuito de simular isto mesmo, e enganar a opinião. Um dia, finalmente…

CAPÍTULO CXLII / UMA SANTA

Entenda-se que, se nas viagens que fiz à Europa, José Dias não foi comigo, não é que lhe faltasse vontade; ficava de companhia a tio Cosme, quase inválido e a minha mãe, que envelheceu depressa. Também ele estava velho, posto que rijo. Ia a bordo despedir-se de mim, e as palavras que me dizia, os gestos de lenço, os próprios olhos que enxugava eram tais que me comoviam também. A última vez não foi a bordo.

–Venha…

–Não posso.

–Está com medo?

–Não; não posso. Agora, adeus, Bentinho, não sei se me verá mais; creio que vou para a outra Europa, a eterna…

Não foi logo; minha mãe embarcou primeiro. Procura no cemitério de S. João Batista uma sepultura sem nome, com esta única indicação: Uma santa. É aí. Fiz fazer essa inscrição com alguma dificuldade. O escultor achou-a esquisita, o administrador do cemitério consultou o vigário da paróquia; este ponderou-me que as santas es tão no altar e no céu.

— Mas, perdão, atalhei, eu não quero dizer que naquela sepultura está uma canonizada. A minha idéia é dar com tal palavra uma definição terrena de todas as virtudes que a finada possuiu na vida. Tanto é assim que, sendo a modéstia uma delas, desejo conservá-la póstuma, não lhe escrevendo o nome.

–Todavia, o nome, a filiação, as datas…

— Quem se importará com datas, filiação, nem nomes, depois que eu acabar?

— Quer dizer que era uma santa senhora, não?

–Justamente. O protonotário Cabral, se fosse vivo, confirmaria aqui o que lhe digo.

–Nem eu contesto a verdade, hesito só, na fórmula. Conheceu então o protonotário?

— Conheci-o. Era um padre-modelo.

— Bom canonista, bom latinista, pio e caridoso, continuou o vigário.

–E possuía algumas prendas de sociedade, disse eu; lá em casa sempre ouvi que era insigne parceiro ao gamão…

–Tinha muito bom dado! suspirou lentamente o vigário. Um dado de mestre!

–Então, parece-lhe…?

–Uma vez que não há outro sentido, nem poderia havê-lo, sim, senhor, admite-se…

José Dias assistiu a estas diligências, com grande melancolia. No fim, quando saímos, disse mal do padre, chamou-lhe meticuloso. Só lhe achava desculpa por não ter conhecido minha mãe, nem ele nem os outros homens do cemitério.

–Não a conheceram; se a conhecessem mandariam esculpir santíssima.

CAPÍTULO CXLIII / O ÚLTIMO SUPERLATIVO

Não foi o último superlativo de José Dias. Outros teve que não vale a pena escrever aqui, até que veio o último, o melhor deles, o mais doce, o que lhe fez da morte um pedaço de vida. Já então morava comigo; posto que minha mãe lhe deixasse uma pequena lembrança, veio dizer-me que, com legado ou sem ele, não se separaria de mim. Talvez a esperança dele fosse enterrar-me. Correspondia-se com Capitu, a que pedia que lhe mandasse o retrato de Ezequiel; mas Capitu ia adiando a remessa de correio a correio, até que ele não pediu mais nada, a não ser o coração do jovem estudante; pedia-lhe também que não deixasse de falar a Ezequiel no velho amigo do pai e do avô, “destinado pelo céu a amar o mesmo sangue.” Era assim que ele preparava os cuidados da terceira geração; mas a morte veio antes de Ezequiel. A doença foi rápida. Mandei chamar um médico homeopata.

–Não, Bentinho, disse ele- basta um alopata; em todas as escolas se morre. Demais, foram idéias da mocidade, que o tempo levou; converto-me à fé de meus pais. A alopatia é o catolicismo da medicina…

Morreu sereno, após uma agonia curta. Pouco antes ouviu que o céu estava lindo, e pediu que abríssemos a janela.

–Não, o ar pode fazer-lhe mal.

–Que mal? Ar é vida.

Abrimos a janela. Realmente, estava um céu azul e claro. José Dias soergueu-se e olhou para fora; após alguns instantes, deixou cair a cabeça, murmurando: Lindíssimo! Foi a última palavra que proferiu neste mundo. Pobre José Dias! Por que hei de negar que chorei por ele?

CAPÍTULO CXLIV / UMA PERGUNTA TARDIA

Assim chorem por mim todos os olhos de amigos e amigas que deixo neste mundo, mas não é provável. Tenho-me feito esquecer. Moro longe e saio pouco. Não é que haja efetivamente ligado as duas pontas da vida. Esta casa do Engenho Novo, conquanto reproduza a de Mata-cavalos, apenas me lembra aquela, e mais por efeito de comparação e de reflexão que de sentimento. Já disse isto mesmo.

Hão de perguntar-me por que razão, tendo a própria casa velha, na mesma rua antiga, não impedi que a demolissem e vim reproduzi-la nesta. A pergunta devia ser feita a princípio, mas aqui vai a resposta. A razão é que, logo que minha mãe morreu, querendo ir para lá, fiz primeiro uma longa visita de inspeção por alguns dias, e toda a casa me desconheceu. No quintal a aroeira e a pitangueira, o poço, a caçamba velha e o lavadouro, nada sabia de mim. A casuarina era a mesma que eu deixara ao fundo, mas o tronco, em vez de reto, como outrora, tinha agora um ar de ponto de interrogação; naturalmente pasmava do intruso. Corri os olhos pelo ar, buscando algum pensamento que ali deixasse, e não achei nenhum. Ao contrário, a ramagem começou a sussurrar alguma cousa que não entendi logo, e parece que era a cantiga das manhãs novas. Ao pé dessa música sonora e jovial, ouvi também o grunhir dos porcos, espécie de troça concentrada e filosófica.

Tudo me era estranho e adverso. Deixei que demolissem a casa, e, mais tarde, quando vim para o Engenho Novo, lembrou-me fazer esta reprodução por explicações que dei ao arquiteto, segundo contei em tempo.

CAPÍTULO CXLV / O REGRESSO

Ora, foi já nesta casa que um dia. estando a vestir-me para almoçar, recebi um cartão com este nome:

EZEQUIEL A. DE SANTIAGO

–A pessoa está aí? perguntei ao criado.

–Sim senhor, ficou esperando.

Não fui logo, logo; fi-lo esperar uns dez ou quinze minutos na sala. Só depois é que me lembrou que cumpria ter certo alvoroço e correr, abraçá-lo, falar-lhe na mãe. A mãe,–creio que ainda não disse que estava morta e enterrada. Estava; lá repousa na velha Suíça. Acabei de vestir-me às pressas. Quando saí do quarto, com ares de pai, um pai entre manso e crespo, metade Dom Casmurro Ao entrar na sala, dei com um rapaz, de costas, mirando o busto de Massinissa, pintado na parede. Vim cauteloso, e não fiz rumor Não obstante, ouviu-me os passos, e voltou-se depressa. Conhece-me pelos retratos e correu para mim. Não me mexi; era nem mas nem menos o meu antigo c jovem companheiro do seminário de José, um pouco mais baixo, menos cheio de corpo e, salvo as cores que eram vivas, o mesmo rosto do meu amigo. Trajava à moderna naturalmente, e as maneiras eram diferentes, mas o aspecto geral reproduzia a pessoa morta. Era o próprio, o exato, o verdadeiro Escobar. Era o meu comborço; era o filho de seu pai. Vestia de luto pela mãe; eu também estava de preto. Sentamo-nos.

–Papai não faz diferença dos últimos retratos, disse-me ele

A voz era a mesma de Escobar, o sotaque era afrancesado. Expliquei-lhe que realmente pouco diferia do que era, e comecei um interrogatório para ter menos que falar e dominar assim a minha emoção. Mas isto mesmo dava animação à cara dele, e o meu colega do seminário ia ressurgindo cada vez mais do cemitério. Ei-lo aqui. diante de mim, com igual riso e maior respeito; total, o mesmo obséquio e a mesma graça. Ansiava por ver-me. A mãe falava muito em mim, louvando-me extraordinariamente, como o homem mais puro do mundo, o mais digno de ser querido.

— Morreu bonita, concluiu.

–Vamos almoçar.

Se pensas que o almoço foi amargo, enganas-te. Teve seus minutos de aborrecimento, é verdade; a princípio doeu-me que Ezequiel não fosse realmente meu filho, que me não completasse e continuasse. Se o rapaz tem saído à mãe, eu acabava crendo tudo, tanto mais facilmente quando que ele parecia haver-me deixado na véspera evocava a meninice, cenas e palavras, a ida para o colégio…

–Papai ainda se lembra quando me levou para o colégio? perguntou rindo.

–Pois não hei de lembrar-me?

–Era na Lapa; eu ia desesperado, e papai não parava, dava-me cada puxão, e eu com as perninhas… Sim, senhor, aceito.

Estendeu o copo ao vinho que eu lhe oferecia, bebeu um gole, e continuou a comer. Escobar comia assim também, com a cara metida no prato. Contou-me a vida na Europa, os estudos, particularmente os de arqueologia, que era a sua paixão. Falava da antiguidade com amor, contava o Egito e os seus milhares de séculos, sem se perder nos algarismos; tinha a cabeça aritmética do pai. Eu, posto que a idéia da paternidade do outro me estivesse já familiar, não

gostava da ressurreição. Às vezes, fechava os olhos para não ver gestos nem nada, mas o diabrete falava e ria, e o defunto falava e ria por ele.

Não havendo remédio senão ficar com ele, fiz-me pai deveras. A idéia de que pudesse ter visto alguma fotografia de Escobar, que Capitu por descuido levasse consigo, não me acudiu, nem se acudisse, persistiria. Ezequiel cria em mim como na mãe. Se fosse vivo José Dias, acharia nele a minha própria pessoa. Prima Justina quis vê-lo, mas estando enferma, pediu-me que o levasse lá. Conhecia aquela parenta. Creio que o desejo de ver Ezequiel era para o fim de verificar no moço o debuxo que porventura houvesse achado no menino. Seria um regalo último; atalhei-o a tempo.

–Está muito mal, disse eu a Ezequiel que queria ir vê-la, qualquer emoção pode trazer-lhe a morte. Iremos vê-la, quando ficar melhor.

Não fomos; a morte levou-a dentro de poucos dias. Ela descansa no Senhor ou como quer que seja. Ezequiel viu-lhe a cara no caixão e não a conheceu, nem podia, tão outra a fizeram os anos e a morte. No caminho para o cemitério, iam-lhe lembrando uma porção de cousas, alguma rua, alguma torre, um trecho de praia, e era todo alegria. Assim acontecia sempre que voltava para casa, ao fim do dia; contava-me as recordações que ia recebendo das ruas e das casas. Admirava-se que muitas destas fossem as mesmas que ele deixara, como se as casas morressem meninas.

Ao cabo de seis meses, Ezequiel falou-me em uma viagem à Grécia, ao Egito, e à Palestina, viagem científica, promessa feita a alguns amigos.

–De que sexo? perguntei rindo.

Sorria vexado, e respondeu-me que as mulheres eram criaturas tão da moda e do dia que nunca haviam de entender uma ruína de trinta séculos. Eram dous colegas da universidade. Prometi-lhe recursos, e dei-lhe logo os primeiros dinheiros precisos. Como disse que uma das conseqüências dos amores furtivos do pai era pagar eu as arqueologias do filho; antes lhe pagasse a lepra… Quando esta idéia me atravessou o cérebro, senti-me tão cruel e perverso que peguei no rapaz e quis apertá-lo ao coração, mas recuei; encarei-o depois, como se faz a um filho de verdade; os olhos que ele me deitou foram ternos e agradecidos.

CAPÍTULO CXLVI / NÃO HOUVE LEPRA

Não houve lepra, mas há febres por todas essas terras humanas, sejam velhas ou novas. Onze meses depois, Ezequiel morreu de uma febre tifóide, e foi enterrado nas imediações de Jerusalém, onde os dous amigos da universidade lhe levantaram um túmulo com esta inscrição, tirada do profeta Ezequiel, em grego: “Tu eras perfeito nos teus caminhos.” Mandaram-me ambos os textos, grego e latino, o desenho da sepultura, a conta das despesas e o resto do dinheiro que ele levava; pagaria o triplo para não tornar a vê-lo.

Como quisesse verificar o texto, consultei a minha Vulgata, achei que era exato, mas tinha ainda um complemento: “Tu eras perfeito nos teus caminhos, desde o dia da tua criação.” Parei e perguntei calado: “Quando seria o dia da criação de Ezequiel?” Ninguém me respondeu. Eis aí mais um mistério para ajuntar aos tantos deste mundo. Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro.

CAPÍTULO CXLVII / A EXPOSIÇÃO RETROSPECTIVA

Já sabes que a minha alma, por mais lacerada que tenha sido, não ficou aí para um canto como uma flor lívida e solitária. Não lhe dei essa cor ou descor. Vivi o melhor que pude, sem me faltarem amigas que me consolassem da primeira. Caprichos de pouca dura, é verdade. Elas é que me deixavam como pessoas que assistem a uma exposição retrospectiva, e, ou se fartam de vê-la, ou a luz da sala esmorece. Uma só dessas visitas tinha carro à porta e cocheiro de libré. As outras iam modestamente, calcante pede, e, se chovia, eu é que ia buscar um carro de praça, e as metia dentro, com grandes despedidas, e maiores recomendações.

— Levas o catálogo?

— Levo; até amanhã.

–Até amanhã.

Não voltavam mais. Eu ficava à porta, esperando, ia até à esquina, espiava, consultava o relógio, e não via nada nem ninguém. Então, se aparecia outra visita, dava-lhe o braço, entrávamos, mostrava-lhe as paisagens, os quadros históricos ou de gênero, uma aquarela, um pastel, uma gouache, e também esta cansava, e ia embora com o catálogo na mão…

CAPÍTULO CXLVIII / E BEM, E O RESTO?

Agora , por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é este propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de Mata-cavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. 1: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.

E bem, qualquer que seja a solução, uma cousa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me… A terra lhes seja leve! Vamos à “História dos Subúrbios.

FIM

Fonte:

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José Feldman (Universo de Versos n. 16)

Uma Trova do Paraná

ANDREA MOTTA – Curitiba
Sem fazer-me de rogada,
só persiste uma verdade:
Poesia em mim fez pousada,
sem ter qualquer leviandade.

Uma Trova Lírica/Filosófica de Belo Horizonte/MG

OLYMPIO COUTINHO
Nada recebe quem nega
 dar amor ou coisa assim…
 Só colhe flores quem rega
 dia e noite o seu jardim.

Uma Trova Humorística de Curitiba/PR

ROZA DE OLIVEIRA
Não cresceu… Ficou baixinha,
Tem, da tesoura o viés
Porque a língua, coitadinha,
Corre mais do que os seus pés!…

Uma Trova do Feldman

JOSÉ FELDMAN – Maringá/PR
Fiz de você a minha musa
Minha vida e coração
Meu pijama, minha blusa
A tábua de salvação.

Uma Trova Hispânica de Buenos Aires/Argentina

JUAN CARLOS CIRIGLIANO
Posé en mi mano una rosa
 y fui rocío de bruma,
 hoy puedo ver lo hermosa
 que es la vida cuando suma.

Uma Trova de Alverca do Ribatejo/Portugal

ANTÓNIO BOAVIDA PINHEIRO
Com tanta austeridade,
que…, ainda está p’ra vir,
vai crescer a ansiedade,
nesse tempo do porvir…

Trovadores que deixaram Saudades

ANIS MURAD– Rio de Janeiro/RJ
1904 – 1962

Debaixo de nossa cama,
 que tu deixaste vazia,
 o meu chinelo reclama
 o teu chinelo, Maria…

Um Haicai de São Paulo/SP

FABRÍCIO SOARES PERICORO
Friozinho da manhã
Sob as azaleias floridas
Dorme o cãozinho.

Uma Poesia de Juiz de Fora/MG

CLEVANE PESSOA DE ARAUJO LOPES
Ciclo

A fonte murmurante
O rio rumoroso
A cachoeira barulhenta
Todos errantes,
Participantes de uma orquestra
Cujo regente
Fica invisível à luz dos dias,
Oculto à luz do luar,
Torna-se dourado junto às luas claras…

Mais tarde, serão
Garoa
Neblina
Orvalho pranto:
Sutis presenças
Com lições de umidade,
De humildade,
De humanidade…

Setilha de Natal/RN

PROF. GARCIA

No sertão, cada filho é uma flor,
que perfuma e inebria um lar feliz,
quanto mais nasce gente em cada casa,
mais o dono da casa pede bis;
mamãe tinha um menino todo ano,
papai pobre não quis mudar de plano
criou onze do jeito que Deus quis.

Trova Ecológica
 
Uma Poesia do Moçambique/África

ARMANDO GUEBUZA – Murrupula, Província de Nampula
AS TUAS DORES

As tuas dores
mais as minhas dores
vão estrangular a opressão

Os teus olhos
mais os meus olhos
vão falando da revolta

A tua cicatriz
mais a minha cicatriz
vão lembrando o chicote

As minha mãos
mais as tuas mãos
vão pegando em armas

A minha força
mais a tua força
vão vencer o imperialismo

O meu sangue
mais o teu sangue
vão regar a Vitória.

Quadrões

LOURIVAL BATISTA – Itapetim/PE
Quadrão à Antiga

Ao longo do tempo, o Quadrão tem sido o gênero a receber o maior número de alterações, não só na sua forma interna, mas, também, na estrutura das estrofes, em geral. O Quadrão antigo é formado por uma estância de oito linhas, pertencente à família dos setessílabos, rimando o primeiro verso com o segundo e o terceiro; o quarto com o oitavo, e o quinto com o sexto e o sétimo, contando, no final, o estribilho de sua denominação. (http://www.bahai.org.br/cordel/generos.html)

O Cantador repentista,
     Em todo ponto de viste,
     Precisa ser um artista
     De fina imaginação,
     Para dar capricho à arte,
     E ter nome em toda parte,
     Honrando o grande estandarte
     Dos oito pés de Quadrão!

Um Soneto do Rio de Janeiro/RJ

MANUEL BANDEIRA
1886 – 1968
Desencanto

 
Eu faço versos como quem chora
De desalento , de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto

Meu verso é sangue , volúpia ardente
Tristeza esparsa , remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota à gota do coração.

E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca

Eu faço versos como quem morre.
Qualquer forma de amor vale a pena!!
Qualquer forma de amor vale amar!

Uma Poesia de Longe
 

LALLA ROMANO – Cuneo/Italia
1906 – 2001

Jovem é o tempo
 

Estreito e claro era o rio
tornou-se enorme e foge
como um animal ferido

Até o ar está morto
o céu é como uma pedra

Os pássaros não sabem mais voar
atiram-se como cegos
dos beirais dos tetos

O amado odor do corpo

O sono das manhãs
me encadeia os joelhos
me cinge a fronte
com suas vendas de seda

Então sem que eu te chame
penetras nos meus sonhos

Galope por Dentro do Mato

SIMPLÍCIO PEREIRA DA SILVA – PE
O violeiro cearense Simplício Pereira da Silva, residente na vila de Barreiras, município de Redenção, criou um estilo interessante de Galope, que ele denominou de “Galope por dentro do mato”. Trata-se de um gênero que cuida, exclusivamente, de temas sertanejos. (http://www.bahai.org.br/cordel/generos.html) As estrofes abaixo são de sua autoria:

Companheiro, eu do mar não conheço nada,
     Nunca fui à praia e menos ao banho,
     Pois o mar é um lago pra mim tão estranho,
     Que parece até um mistério de fada …
     Eu gosto bastante é de uma caçada,
     Lá no meu sertão, muito embora que ingrato!
     Pra você não pensar que estou com boato:
     Uma meia hora vamos pelejar. .
     Pegue lá seu peixe por dentro do mar,
     Que vou caçar peba por dentro do mato.

No sertão, à caçada, eu fui certo dia,
     Num mato fechado, bem desconhecido,
     Mas eu, na caçada, fui meio atrevido;
     Chegando no mato, o sol já pendia …
     Tinha onça por praga, e eu não sabia;
     Saí pisando devagar no sapato;
     Senti um mau cheiro, pensei que era gato.
     Quando vi a onça e a onça me viu:
     O corpo tremeu e meu rifle caiu…
     Foi carreira feia por dentro do mato!

Uma Trova Popular

À noite quando me deito
 eu rezo à Virgem  Maria,
para sonhar toda  a noite
com quem penso todo o dia. 

Uma Poesia em Música de 1880

GUIMARÃES PASSOS (versos) e MIGUEL EMÍLIO PESTANA (melodia)
Na Casa Branca da Serra (1880)

Segundo Almirante “se há uma modinha que se possa considerar tradicional no Brasil, esta é chamada “Na Casa Branca da Serra”, da autoria de Miguel Emílio Pestana, com versos de Guimarães Passos. Há dezenas de anos que “Na Casa Branca da Serra” tem sido ao mesmo tempo do repertório dos seresteiros de rua como das mais graciosas senhoritas nos elegantes saraus, já em desuso” (O Pessoal da Velha Guarda, 14-12-1950). (Cifrantiga)

Na casa branca da serra
Onde eu ficava horas inteiras
Entre as esbeltas palmeiras
Ficaste calma e feliz
Tudo em meu peito me deste
Quando eu pisei na tua terra
Depois de mim te esqueceste
Quando eu deixei teu país.

Nunca te visse oh! formosa
Nunca contigo falasse
Antes nunca te encontrasse
Na minha vida enganosa
Por que não se abriu a terra
Por que os céus não me puniram
Quando os meus olhos te viram
Na casa branca da serra.

Embora tudo bendigo
Desta ditosa lembrança
Que sem me dar esperança
De unir-me ainda contigo
Bendigo a casa da serra
Bendigo as horas fagueiras
Bendigo as belas palmeiras
Queridas da tua terra.

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Raquel Ordones (Coisa de Pele)

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29 de abril de 2013 · 19:58

António Boavida Pinheiro (Caravelas da Poesia)

A CRIANÇA É MARAVILHA…

A criança é maravilha
 Abençoada por Deus,
 Em seu olhar tudo brilha,
 Anjo que desceu dos Céus…

A criança é um bem crer,
 Para esta vida adoçar,
 Vem ao mundo para viver
 E para Deus abençoar…

A criança agrada a Deus,
 Com toda a sua inocência,
 Seus risos chegam aos Céus
 Por nós pedem clemência…

A criança é fruto belo
 Que Deus pôs na nossa vida,
 É preciso merecê-lo
 Dar amor e dar guarida…

A CRIANÇA E O MUNDO!!!

Condenamos o aborto
 Em toda a sua crueza,
 É um ser que vai ser morto,
 Uma criança indefesa…

Crianças morrem à fome
 Neste mundo tão ingrato,
 E o mundo não se comove
 É um mundo insensato…

Redes de pedofilia
 Sacrificam a criança,
 Num viver em agonia
 De vida em desesperança…

Há que acabar com o mal
 Que tanta desgraça faz,
 Que as crianças afinal
 Só querem Amor e Paz…

A CRIANÇA, E O AMOR……

A criança vem ao mundo
 P’ra vida continuar,
 É milagre bem profundo
 De beleza sem ter par…

A criança é um bem caro
 Que nos merece respeito,
 Carece de nosso amparo
 Não pode ser doutro jeito…

Deixar crescer a criança
 Em paz e em liberdade,
 Porque ela é a esperança
 Dum viver em felicidade…

A criança é o melhor
 Que existe na Natureza,
 É o fruto do amor
 Em toda a sua beleza…

LAGOS …

Lagos, terra de eleição,
 Onde o progresso domina
 Na tua urbanização,
 E a tua bela «marina».

Uma beleza que são
 As praias de areia fina,
 Onde, ondas vêm e vão…
 Do mar que não se amofina.

Antes te envolve a preceito,
 Te namora com tal jeito,
 P’ra sempre tua glória…

S. Gonçalo te protege,
 D. Sebastião… te rege,
 E o «povo» te fez a História…

IR A «BANHOS»…

Às «termas», vai gente para se tratar
 E recompor então suas maleitas,
 Na esperança qu’ali irão melhorar,
 Suas dores, seus achaques, e receitas.

Pretendem todas elas, pois ficar
 Sem “stress”, como novas e escorreitas,
 Com as águas, com seus dotes para curar,
 Conforme as qualidades que são feitas.

Para além do bem que fazem ao físico,
 Também ali melhora, pois o psíquico
 P’la calma, p’lo sossego e p’la amizade

No contexto das relações humanas
 Qu’ali se desenvolvem em semanas
 De saudável solidariedade…

LIBERDADE . . .(I)

À proa do meu navio,
 Ancorado ao cais de leste,
 Vejo nuvens a porfio,
 Alvas sob o azul celeste…

Se a liberdade fugiu,
 De algum lugar, que neste
 Planeta azul, mas sombrio,
 Algo da vida perdeste…

Nuvens brancas, soltas, livres,
 Percorrem a estratosfera,
 Ao sabor de leve brisa,

Assim também eu quisera,
 A liberdade… afinal,
 Sem grades, sem dor, sem mal . . .

LIBERDADE . . .(II)

O viver em liberdade
 É um bem inestimável.
 Que a vida em sociedade,
 É algo inimaginável

Sem essa realidade,
 Que por vezes é instável,
 No meio de tanta vaidade,
 Face ao ódio miserável…

Mas quem lhe dá mais valor?
 Quem ora a tem, e antes não.
 Porque conhece o sabor

De ser livre, sem mais não,
 De sonhar sem ter rancor,
 Poder ter opinião . . .

FELICIDADE…
(Poema de um sonhador…)
 Ainda pequenino, olhei o céu,
O mar, o sol, a água do ribeiro,
E logo nessa altura em mim nasceu,
Um sonho mentiroso e traiçoeiro.

Subir… poder voar na imensidade,
Dar livre curso à minha fantasia…
Pensando assim, julguei que a felicidade,
De nós, e não dos outros dependia.

 Embalado nas asas da ilusão,
Livremente deixei o coração
Dizer a toda a gente o que sentia.

 Mas vi depois com mágoa e sofrimento,
Que aquilo que eu dissera num momento,
Ninguém… ninguém sequer o entendia . . .

HOMEM DE PALAVRA…

Sendo um intelectual, e mesmo investigador,
Nunca se especializou em nada em particular.
Estudioso até mais não, escolheu ser Professor,
Depois de ter concluído a carreira militar.

 Em tudo aquilo que fez, fê-lo sempre com primor,
Sério… como do mais, que se possa imaginar,
A sua linha de rumo, foi pautada pelo rigor,
Mesmo que tal atitude, o pudesse prejudicar.

 Entre seus pares conhecido, como o «perfeccionista»
Com seus defeitos pois não, como toda a gente tem,
Vive porém,  todavia, de consciência bem leve,

 Com respeito pelos outros, é aspecto em que se insiste,
Considerando a «Palavra» como um dos maiores bens
Que nas relações humanas, nada há que sobreleve…

IN  MEMORIAM…
( …a um  Pai…)

Partiste desta vida descontente,
Fechado e só, na tua solidão,
Isolaste-te do Mundo e da gente,
Não vendo ao teu redor…qu’ingratidão!

Num auto sofrimento permanente,
Não dando, nem querendo, compaixão…
Nesse orgulho de pedra, de quem sente
Tanta ausência d’amor no coração…

Sem pena, sem mágoa e sem pesar,
Assim, como viveste, desgarrado,
Julgando-te de todos olvidado.

Egoisticamente, sem pensar…
Que ao menos vale a pena ter vivido,
Ainda que julgando estar perdido…

NAS ASAS DE UM PASSARINHO
O meu amor está ausente,
Há muito que a não vejo,
A saudade está presente
Um dia mandei-lhe um beijo.

Um beijo com muito amor,
E mui repenicadinho
Um beijo e uma flor
Nas asas de um passarinho.

Passarinho não voltou,
Perdeu-se um tal ensejo,
Não sei que rumo tomou
Não cumpriu o meu desejo.

Nunca mais tive resposta
Daquele meu bilhetinho,
Passarinho deu à costa,
Enganou-se no caminho…

GOSTO DO VERÃO…

Como eu gosto do Verão,
Calorzinho benfazejo,,
Nos aquece o coração
Na sequência dum beijo.

Parece que a solidão,
A saudade e a tristeza,
Vão de férias, pois então,
Pesam menos p’lo que vejo.

Moçoilas de perna ao léu,
Sorrisos, de um bem fazer,
Também as bênçãos do Céu

Para os pobres, no viver,
Sardinha assada é pitéu,
Bem gordinha podem crer…

Fonte:
http://www.joaquimevonio.com/espaco/antonio_boavida/boavida.html

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Arquivado em Poesias, Portugal

António Boavida Pinheiro (1934)

Natural de Alverca do Ribatejo – PORTUGAL; nascido a 7 de Novembro de 1934.

Professor Universitário Aposentado;

Foi toda a sua vida um estudioso “nato”…tendo acumulado no seu currículo várias Licenciaturas e Mestrados, para além de diversos outros cursos, em Portugal e no estrangeiro, …um dos quais de nível equivalente ao Doutoramento.

 A queda para as rimas já vem do tempo da sua juventude, no entanto a sua atividade profissional não lhe deixou tempo para publicar os seus poemas, que sempre foi escrevendo e ficado na “gaveta”, para além duma ou outra participação esporádica em revistas ou jornais…

 Tendo ficado com tempo mais disponível, depois da sua aposentadoria…é assim que desde Setembro de 2008, vem participando em Concursos Literários e Jogos Florais, em Portugal e no Brasil, tendo já obtido vários «Prêmios» e «Menções Honrosas»:
– vencedor do «Concurso Nacional/Internacional de Trovas da UBT – 2009» de São Paulo – Brasil;
– vencedor do Troféu “Augusto dos Anjos”, por ter sido 1º classificado no «XV FESERP – Festival Sertanejo de Poesia – 2009»,na cidade de Aparecida – Brasil;
– 2º e o 1º Prémios respectivamente nos 92º e 96º «Concursos de Quadras Populares» do «Clube da Simpatia» – Olhão, em 2008 e 2009…

Desde Dezembro de 2008, que tem publicado alguma poesia em “sites” e “blogs” na Internet, nomeadamente no «Luso Poemas», e no «Recanto das Letras», entre outros, onde a amizade e a estima de Amigos/as, lhe deram apoio e ânimo para publicar o seu primeiro livro de poesia…., com o título «Cem Poemas…Diversos», publicado pela Editora «Temas Originais», em Maio de 2009; seu segundo livro de poesia com o título  «Poemas ao correr da pena…»…

 Tem poemas publicados em diversas Antologias, como por exemplo:
– «Antologia Nordeste de Poesia», editado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, Rio de Janeiro, em 2009;
– «Literatum & Poeticum», (Volume 1), da Editora Guemanisse, Teresópolis. Rio de Janeiro, em 2009;
– antologia poética «(re) leitura do Natal» do 1º Concurso de Poemas de Natal de 2009, da Editora All Print, São Paulo, em Outubro de 2009;
– «Antologia – Prémio Literário Valdeck de Almeida Jesus 2008», editado pela Giz Editorial, São Paulo, 2009;
– volumes V e VI da «Antologia Poética do FESERP – Festival Sertanejo de Poesia», editado pela Acauã Produções Culturais, Cidade de Aparecida, Paraíba, respectivamente em Dezembro de 2009 e em 2010;
– «I Antologia Temas Originais», – 2009, Editora Temas Originais, Coimbra, em 2010;
– Antologia «O Desassossego da Vida – II Concurso de Poesia Poetas em Desassossego», pela Editora Bubok Publishing S.L. Madrid, em 2010;
– «III Antologia de Poetas Lusófonos», pela Editora Folheto Edições & Design, Ld.ª, Leiria, em  2010; ]
entre outras…,

Colabora também em Revistas Literárias, nomeadamente na revista literária «eisFluências», assim como no «Boletim da APE» …

Participa com assiduidade nas reuniões de várias «Tertúlias Poéticas», com destaque para as da Sociedade Portuguesa de Poetas…

É Sócio Efectivo das:
«Sociedade Portuguesa de Autores»;
«Associação Portuguesa de Escritores»;
«Associação Portuguesa de Poetas» e
clube de poetas «Clube da Simpatia» em Olhão,
Sociedade de Geografia de Lisboa,
Associação de Apoio ao Museu da Ciência,
Associação Internacional de Sociologia,
Associação Portuguesa de Sociologia,
“Association Française de l’Anthropologie”,
“Association Française de l’Anthropologie du Droit,”,
“Association pour le Patrimoine de la Vallé de la Rome – ASPAVAROM”,
Academia de Ciências de N.Y.,
Associação Cultural «Charles Darwin» de N.Y.,
“Paul Harris” da  Rotary International.

 Conta no seu currículo com mais de duas dezenas de condecorações e uma meia centena de “Louvores” individuais, concedidos por diversas entidades civis e militares, de entre as quais se mencionam: 

Grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Aviz,
Grão-Cruz da Ordem «Imperial  Constantinian  Military  de Saint  George»;
Grã-cruz da Ordem «Supremus Militaris Templi Hierosolymitani»,
Medalha de Cruz de «Benemérito» da Cruz Vermelha Portuguesa …

Fonte:
http://www.joaquimevonio.com/espaco/antonio_boavida/boavida.html

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Arquivado em Biografia, Portugal