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Nilton Manoel (Cordel)

Você já leu algum folheto de Cordel? Não! Nas bancas de jornais e revistas, existem histórias interessantes.

O cordel chegou a Ribeirão Preto, com a Editora Melodias e com o trabalho de Rodolfo Coelho Cavalcante por todo o Brasil. O cordelista morando em Salvador, próximo ao Mercado Modelo, editava seus folhetos e vendia-os em varais, ao mesmo tempo em que editava o jornal Brasil Poético,escrevia no Folha do Subúrbio(Camaçari-BA) e presidia entidades literárias nacionais. Inspiração fértil, mais de 1.800 folhetos, entre eles A moça que bateu na mãe e virou cachorra com quase dois milhões de cópias vendidas. Quando colunista do Diário de Notícias Nilton Manoel divulgava bastante os folhetos Rodolfo… Falecido em 1.986, nossa cidade consagrou-lhe o nome de uma rua e confirmou a data de 12 de março, Dia Municipal da Literatura de Cordel.
O gênero é usado na prática pedagógica das escolas e tele-cursos. Ajuda na alfabetização infantil e adulta conforme estudos realizados por especialistas. A FTD tem o livro de Ruth Rocha e Ana Flora – Escrever e criar… é só começar… O PNLD diversas histórias e a Secretaria da Educação, Autores de Cordel, 1986. Na época dos conquistadores greco-romanos, fenícios, cartagineses e saxônicos, o Cordel já existia. No século XI, chegou a península Ibérica (Portugal e Espanha). Cordel é Cultura! Leia!Pesquise! Declame! Promova projetos de poesia e consagre espaço para os sua região. O Cordel está presente nos núcleos de língua-portuguesa do Japão, Holanda, França, USA e Brasil com destaque para a Biblioteca Nacional. Temos diversas arcádias entre elas a Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel e a Academia Brasileira da Literatura de Cordel.

O CORDEL NA HISTÓRIA
          A história remonta a séculos. O vocábulo foi registrado pela primeira vez no Dicionário Contemporâneo de Aulete em 1881. Não há como precisar uma data do surgimento desse tipo de literatura, embora proceda a informação de que herdamos dos colonizadores portugueses que primeiramente desembarcaram na Bahia; porém não foram os portugueses os seus únicos criadores. Eles a assimilaram de fontes diversas a partir da Península Ibérica – região localizada entre Portugal e Espanha – e a ela imprimiram uma marca própria.
       Ler Camões (1524-1580),Cervantes (1547-1616) e Castro Alves (1847-1871) ampliamos nossa conceituação sobre a arte. Vejamos:- Em Luiz de Camões acham-se elementos dessa Cultura; idem na obra de Miguel Cervantes e do poeta baiano Castro Alves.
      Em vários países hispano-americanos e europeus, como no Chile e na França, também são perceptíveis os sinais dessa literatura.
     O paraibano Leandro Gomes de Barros foi o principal expoente da arte cordelista no Brasil (texto do livro A presença dos cordelistas e cantadores repentistas em São Paulo, Ibrasa, Assis Ângelo).
O CORDEL RIBEIRÃOPRETANO
A produção de literatura de Cordel em Ribeirão Preto é pequena, mas constante. Temos bons poetas no gênero. A poética cordelista exige cuidados específicos.
O dia 12 de março é o Dia Municipal da Literatura de Cordel. O projeto 359/94 do vereador Cícero Gomes da Silva deu origem ]à Lei 6850/94 que homenageia Rodolfo Coelho Cavalcante, autor centenas de folhetos e palestras por todo o Brasil. Autor de sonetos, trovas e editor do jornal Brasil Poético. A constância literária deu-lhe homenagem pela Academia Brasileira de Letras por indicação de Jorge Amado. Diversos autores escrevem sobre Rodolfo.

CORDEL NAS ESCOLAS


    Nas escolas, a literatura de Cordel está em projetos didáticos e numa série de livros do PNLD:Língua Portuguesa (coleção Conhecer e Crescer) da Escala Educacional, 5º ano.2008, Língua Portuguesa, 4º ano,(projeto prosa,Editora Saraiva,2008.Na Semana Nacional do Folclore, o Cordel tem todos os espaços possíveis. A paulista Olímpia (SP), capital nacional do folclore, promove diversos eventos. A editora FTD na coleção Escrever e Criar é Só Começar,informa como se fazem folhetos de cordel. Encontramos hoje dezenas de outros autores com a poética do Cordel e a arte xilográfica.
No Brasil, pesquisadores apontam a literatura de Cordel como veio rico de educação, cultura e civismo. Temos núcleos de Cordel em vários países: na França, na Holanda, no Japão, em Portugal e USA, etc.
          Os franceses, pertencentes ao CNRS – Centre de Recherches Latino-americaines-Archivos (Poitier-Fr) pesquisam o Cordel. O mesmo ocorre com entidades brasileiras físicas e jurídicas; entre elas a Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel (BA) e a ABLC-Academia Brasileira de Literatura de Cordel (RJ).
A ABLC ressalta:– “Oriunda de Portugal, a literatura de Cordel chegou no balaio e no coração dos colonizadores, instalando-se na Bahia e mais precisamente em Salvador. Dali irradicou-se para os demais estados do Nordeste”.
       O verbete Cordel é polêmico e historiadores acreditam que a arte deveria ser conhecida como poesia popular ou poesia nordestina. O poema de cordel nordestino costuma trazer ilustrações xilográficas. Alguns deles fazem menções heráldicas e genealógicas.
OFICINA DE CORDEL
Material necessário:- papel sulfite A4, branco, para o livro e colorido para a capa.  Lápis de cor ou giz de cera, grampeador Carbex 26/6 ou cola.  Inspire-se! Seja criativo. Boa sorte.
A produção de um folheto de Cordel estimula o aluno à leitura, à escrita e a arte quando ilustra a capa ou a história por ele feita. Ainda a socialização do trabalho quando exposto em sala de aula ou pátio da escola.
O poema cordelista é um dos gêneros mais explorados na atualidade.
No aspecto material, o folheto em estilo nordestino é feito de uma folha de sulfite A 4 que, dobrada em quatro viram oito páginas. Seguindo nessa ordem 16,32…
 Os poetas gostam de explorar suas histórias em estrofes de seis versos (sextilhas ) ou sete versos (setilhas). As estrofes de seis versos (linhas) rimam apenas os versos 2ª,4º e 6ª e as setilhas: 2ª.4ª e 7ª e o 5ª com o 6º verso.Na metrificação os versos têm sete sílabas poéticas.
O poeta de Cordel é um mediador da cultura popular e erudita. Os produtores de Cordel adotam hoje a feitura em off set com fontes de micro-computadores (antigos tipos) de diversos formatos. As ilustrações são a cores (os folhetos da Luzeiro Editora) e as capas em papel encorpado. Nos bons tempos da geração mimeógrafo, poetas editavam com as letras da velha Remington 11. Os folhetos cordelistas exigem – como todo texto – a criatividade de seus autores. As histórias vão de 14 a 28 versos por página e multiplicam-se  por 8,16,32 etc. Quando o poeta tem fôlego, escreve uma história de  300 ou 400 versos, tranqüilamente;muito comum nos romances. Nos concursos literários pede-se de 32 a 64 estrofes. Se o folheto tem 4 estrofes de sete versos, somam-se 28 versos e multiplicando-se pelo número de páginas o total de versos de um folheto.
A literatura de Cordel está nas feiras e galerias comerciais. Nas grandes cidades, mesmo aquelas que falam de preservação histórica, o poeta de cordel, repentista e folhetinista, tem perdido o espaço das praças centrais com a interferência das fiscalizações municipais. Literatura de Cordel é Educação e Cultura.
 PRODUÇÃO DE FOLHETOS DE CORDEL
Solicitar da Biblioteca da escola folhetos ou livretos do gênero. No PNLD, Cordel adolescente, o xente (FTD) serve de orientação.Interpletar,comentar as ilustrações, ressaltar o titulo e autoria. Trocar   Escolher um tema e redigir no caderno o texto.Reescrever.Ler e avaliar o que foi feito.Depois escrevê-lo no livrinho de folha de sulfite
Quando estiver pronto, pegar meia folha de papel colorido A4 e fazer a capa ilustrada colocando o nome do autor, o titulo da história e ano de edição.
Feito isto, coloque o livrinho dentro da capa e grampeie ao meio duas vezes. O grampeador Carbex 26/6 tem a medida certinha para esse trabalho.
O professor recolhe os folhetos feitos como o  combinado. Escolhe um local para o varal de barbante e prende os folhetos com prendedores de roupa.
A diversificação de assuntos (temas) chamará a atenção dos leitores. Quando não existia jornal o Cordel fazia o papel de um jornal. Vamos ler um trecho do folheto Publicistas da Madrugada, de Nilton Manoel, 1981, Gráfica Brasil.
1
Ribeirão Preto…Onde está
a cidade onde eu nasci?
A província cheia de graça
já se perdeu por aí!
Em cada trecho um tapume
e historiadores sem ciúme
         da história que há por aqui.
2
Parece uma betoneira
nossa terrinha atual
É um reboliço confuso…
Tudo parece normal
a quem olhe indiferente
ao passado… O presente
será futuro afinal?
23
Vila Recreio, querida,
dos tempos da lamparina,
ainda o pó de suas ruas
é a mesma triste sina…
A lata a ponta de um pau
molha a rua…Num varal
seca a roupa de gente fina…
24
Terna e dura uma bisnaga
repleta de inspiração
desenha em muro sem reboco
Uma frase com emoção:
– Quem mais luta por seu dia,
vive de curta alegria
         temendo a falta do pão
Poemas antigos,nas bancas:
Publicistas da Madrugada
-A festa dos papagaios
-Mistérios do Campo Aberto
–––-
Em Ribeirão Preto, SP; 12 de março (homenagem a Rodolfo)  Dia Municipal da Literatura de Cordel (Dia de Civismo,Educação, Cultura e Cidadania)
 (Nilton  Manoel, especialista em Educação, pedagogo (administração e supervisão),contabilista, jornalista, fotografo. Pertence a rede estadual de ensino. Afiliado a Apeoesp e Udemo. Faz parte de entidades literárias.  Tem livros editados e prêmios recebidos)
Fonte:
O Autor

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O Que é Acróstico

Acróstico é um gênero de composição geralmente poética, que consiste em formar uma palavra vertical com as letras iniciais ou finais de cada verso gerando um nome próprio ou uma sequência significativa.
Os acrósticos já existiam na antiguidade com escritores gregos e latinos e na Idade Média com os monges. Foi um gênero muito utilizado no período barroco, durante os séculos XVI e XVII, e ainda hoje é muito utilizado por pessoas de várias faixas etárias, classes sociais e culturas diferentes.
A palavra ACRÓSTICO originou-se da palavra grega Ákros (extremo) e stikhon (linha ou verso), onde o prefixo indica extremidade, apontando a principal característica desse tipo de composição poética: as letras de uma das extremidades de cada verso vão formando uma palavra vertical. Mas as letras podem também aparecer no meio do verso.
Vejamos o acróstico utilizado pela poetisa paranaense Santher:
Minha Razão de Viver

 Felicidade maior que se 
 Instalou em minha vida… 
 Luz que ilumina e me mostra o 
 Horizonte a seguir… Abrigo 
 Onde repouso meus 
 Sonhos, sem nunca pensar em desistir 
Segundo a Enciclopédia Britânica, o acróstico é utilizado desde a antiguidade, inclusive nos livros bíblicos dos Provérbios e dos Salmos. 
Em português o acróstico apareceu no Cancioneiro geral (século XVI) e chegou a ser feito por Camões, no soneto CCIX, cujo primeiro verso é “Vencido está de amor meu pensamento”. 
Há muitas variantes: o acróstico alfabético, em que se vai enfileirando o alfabeto verticalmente; o mesóstico, em que as letras da palavra-chave aparecem no meio da composição, no final de cada primeiro hemistíquio ou início do segundo; e outras modalidades ainda mais complicadas. 
Fizeram-se acrósticos em prosa, com as letras do começo de cada parágrafo, e se chegou a verdadeira mania de acrósticos nos tempos do barroco.
Um trabalho de autor nacional sobre acrósticos, é o de Dorival Pedro Lavirod. De sua autoria é a fábula intitulada “O Sapo e a Borboleta”, cujos versos são os seguintes:
Sabia que sou mais bonita?
A borboleta disse ainda ao sapo:
Pobre batráquio asqueroso,
O que você é me causa nojo!
E o sapo, com toda calma do mundo,

Assim respondeu à borboleta:
Bonita é minha natureza anfíbia,
O que, também, me protege mais,
Rios e solo me dão guarida,
Brejos e até mesmo matagais!
O que você faz para se defender?
Livre, viajo sobre todos os animais!
E, num segundo, o sapo projetou
Tamanha língua no espaço,
Acabando, assim, com o embaraço!
Os acrósticos podem ser simples, com frases, nomes ou palavras que não tenha ligação entre si, ou ainda poemas completos. Podem ser encarados como atividade lúdica, tornando-se um jogo muito interessante. Assim, uma das funções pode ser ressaltar as qualidades ou defeitos de alguém.
Pode-se dar evidência às letras em cada verso para evidenciar a quem são dedicados, ou ainda deixá-las sem evidência alguma, para torná-las secretas. Depende da intenção com que se fez o acróstico. Os acrósticos são ainda encontrados na Bília, principalmente nos Salmos, e em alguns poemas com o objetivo de revelar sua autoria.
Podemos dizer que o acróstico parece englobar três funções: 1) uma procura de virtuosidade própria dos poetas palacianos; 2) um caráter lúdico que designa todo um jogo de espírito sutil; 3) um certo gosto pelo secreto.
Exemplo:
Portugal, séc. XV, “meu pensamento”:
Vencido está de amor meu pensamento,
O mais que pode ser vencida a vida,
Sujeita a vos servire instituída,
Oferecendo tudo a vosso intento.
Contente deste bem, louva o momento
Ou hora em que se viu tão bem perdida;
Mil vezes desejando a tal ferida,
Otra vez renovar seu perdimento.
Com esta pretensão está segura
A causa que me guia nesta empresa.
Tão sobrenatural, honrosa e alta,
Jurando não seguir outra ventura,
Votando só para vós rara firmeza,
Ou ser no vosso amor achado em falta.
Neste caso a frase é Vosso como cativo, mui alta senhora, e constitui um duplo acróstico, composição difícil, na qual a leitura de duas séries de letras separadas forma uma frase significativa. Mas se relermos o repertório das curiosidades poéticas deparamos com o pentacróstico que repete cinco vezes a mesma palavra, em cinco partes verticais dos versos (v. Tratatus de Executoribus de Silvestre de Morais, Tome II, Lisboa, 1730, p. 11).
O acróstico dissimula a palavra, que ele dá, escondendo-a; e requer do leitor uma certa esperteza para descobrir a sua subtileza. Relaciona-se com a adivinha e liga-se logicamente com ela pois existem enigmas em verso cujo nome figura em acróstico. Um autor pode assinar com um tipo de assinatura  cifrada o seu próprio nome em acróstico.
Definição Dicionarizada:
acróstico
(grego akrostikhís, -ídos)
s. m.
1. Versif. Composição poética em que cada verso principia por uma das letras da palavra que lhe serve de tema.
2. Tipo de texto em que as primeiras letras de cada linha ou parágrafo formam verticalmente uma ou mais palavras.
adj.
3. Relativo a essa composição ou a esse tipo de texto (ex.: poesia acróstica). = acrostiqueno
Fonte Principal: 
Fontes Secundárias:

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Ana Lúcia Santana (Romance Policial)

O Romance Policial é uma categoria literária estruturada em torno da ocorrência de um assassinato, das indagações, pesquisas, inquirições de testemunhas e, finalmente, da descoberta do criminoso. Todo o enfoque do autor recai sobre o mecanismo de desvendamento dos segredos envolvidos no crime, levado a cabo normalmente por um detetive profissionalizado ou de natureza amadora.
Este gênero literário deixa claro que não há atividade criminosa perfeita, e que não deve haver espaço para tolerância à criminalidade nem para carência de punição. Geralmente o indivíduo que comete o crime é descrito psicologicamente como uma criatura inusitada, à margem da racionalidade que move os mecanismos da vida social.
A ficção policial é povoada por ingredientes como o temor, o inexplicável, a pesquisa dos dados que cercam o crime, a inquietação intelectual diante dos fatos, a perplexidade, a sede de descobrir o criminoso e os motivos que o impulsionam a cometer o ato ilícito, todos convenientemente combinados nas devidas proporções, conforme o estilo de cada escritor e seu contexto. O modelo tradicional se apóia na total verossimilhança, o que leva investigadores como Sherlock Holmes a buscarem a contribuição da própria Ciência em sua obsessiva procura da verdade.
A história deste gênero tem início com a obra Assassinatos na Rua Morgue, do renomado Edgar Allan Poe, lançado há mais de um século; este clássico determinou as principais qualidades estéticas do romance policial. Poe praticamente dita as regras que serão seguidas por seus sucessores; quase todos adotam a figura do parceiro do detetive, que lhe vale como suporte. Também não faltam a aparência austera e a solidão que acompanha o investigador.
Muitas destas obras apostam igualmente na caracterização psicológica dos personagens; são seres normais, como qualquer um, mergulhados em seus dramas pessoais, repletos de aflições, tristezas, ansiedades, pavores e expectativas. Seu público-alvo devora todos os livros de seu escritor dileto, não estão enquadrados em gêneros ou faixas etárias definidas e geralmente navegam pelo romance de uma única vez.
Boa parte dos escritores deste gênero escreve em língua inglesa, confirmando a tradição desta ficção, nascida nos Estados Unidos; são nomes como Arthur Conan Doyle, Aghata Christie, Rex Stout, Raymond Chandler, Dashiell Hammett, Denis Lehanne, P.D. James, Patricia Cornwell, entre outros.
A galeria de detetives famosos também é vasta e conhecida; dificilmente alguém habituado a viajar pelas páginas de um livro irá desconhecer personagens como Sherlock Holmes, Hercule Poirot, Maigret, Sam Spade, e outros tantos. São figuras de destaque no imaginário de cada leitor.
No Brasil a ficção policial vem ganhando impulso com escritores como Luiz Alfredo Garcia-Roza, um mestre na arte de caracterizar psicologicamente seus personagens, e em retratar cenários cariocas, onde são ambientadas suas narrativas, protagonizadas pelo detetive Espinosa; e Patrícia Melo, autora, entre outros, de Inferno, vencedor do Prêmio Jabuti em 2001, especialista em mergulhar na mente dos criminosos. Em São Paulo o campo de ação é de Joaquim Nogueira e seu investigador Venício. É impossível deixar de lado a clássica obra de Rubem Fonseca, ex-policial que se vale da própria experiência na criação de suas tramas, nas quais desfilam os velhos colegas de profissão.

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Os Vampiros na Literatura



Histórias de vampiros existem desde sempre. Mesopotâmia, Roma, Grécia… Todas as culturas antigas já apresentavam contos sobre os seres sobrenaturais que se alimentavam de sangue e tinham vida eterna. Mas o primeiro registro literário relacionado às criaturas trata-se de um poema alemão escrito em 1748 por Heinrich August Ossenfelder: Der Vampir. A partir disso temos várias obras com pelo menos alguma menção ao mito vampírico, entre elas The Bride of Corinth (1797) de Goethe e Christabel de Samuel Taylor Coleridge.

Anos e anos depois várias personagens desfilaram pela galeria dos vampiros literários, e mesmo atualmente o tema ainda rende obras variadas (e agora adaptações para o cinema também). E pensando justamente nessas obras que faço aqui uma lista de sugestões para você que gosta de histórias de vampiros, mas não quer ler Crepúsculo.

A hora do vampiro (Stephen King) – Publicado pela primeira vez em 1975, o livro conhecido como Salem’s Lot lá fora infelizmente foi traduzido desse jeito no Brasil. Uma pena, porque acaba estragando a surpresa da história, já que a pessoa que compra uma obra assim obviamente já sabe que trata-se de uma história de vampiros. A questão é que Salem’s Lot começa narrando a volta do escritor Ben para a cidade onde viveu na infância, decidido a escrever um livro sobre uma mansão horripilante que preencheu seus pesadelos desde a infância. É em um momento bem adiantado do livro que o leitor tem a revelação de que a cidade está sendo tomada por vampiros – e a partir daqui a história pega fogo, sendo uma daquelas que você até pensa em dormir de luz ligada “só para garantir”.

Eu sou a Lenda (Richard Matheson) – Publicado em 1954, esse livro chegava com a idéia do vampirismo com um vírus. Por favor, esqueçam do filme que saiu com Will Smith. Em nada ele conseguiu captar o clima claustrofóbico e assustador dessa novela de Richard Matheson. Neville é aparentemente o único sobrevivente da epidemia de “vampirismo”, até porque ele é imune ao vírus. À noite ele se esconde, pela manhã ele sai para matar vampiros. O final está entre um dos meus favoritos não só das histórias de vampiros (e eu não vou contar aqui, ainda mais de dar um puxão de orelha nos tradutores de Salem’s Lot, ehehe).

Entrevista com o Vampiro (Anne Rice) – A obra de 1976 conta com a tradução aqui no Brasil de ninguém mais, ninguém menos do que Clarice Lispector. Louis, o vampiro “entrevistado”, narra em sua história como tornou-se vampiro, sua vida com Lestat (o vampiro que o transformou) e com a pequena Claudia. Apesar de tender ao clichê do vampiro melancólico, o fato de apresentar Lestat como um predador que reconhece a abraça sua verdadeira natureza acaba equilibrando um pouco a história, que certamente vale a pena conferir. Sobre as continuações, considero todas de fracas para mais ou menos.

Prazeres Malditos (Laurell K. Hamilton) – em 1993 a escritora Laurell K. Hamilton deu um chega para lá na idéia do vampiro tristonho e da mocinha indefesa e criou Anita Blake, uma caçadora de vampiros bastante atípica. A narrativa toda é em primeira pessoa, e Anita tem um senso de humor ácido, o que diverte muito. A série fez tanto sucesso que já está no 17º livro (isso mesmo), embora aqui no Brasil por enquanto a editora Rocco só tenha lançado o primeiro título. O fato de Anita Blake também ser o que eles chamam de “animator” (levanta mortos e controla zumbis) faz com que as histórias não sejam só sobre vampiros, o que também é bem interessante.

Morto até o Anoitecer (Charlaine Harris) – o livro foi publicado em 2001, mas sete anos depois, com a adaptação para a TV feita pela HBO (True Blood, começa dia 18 de janeiro aqui no Brasil) o título ficou mais “conhecido” aqui no Brasil, inclusive com traduções dos outros títulos previstas ainda para esse ano (pelo menos o segundo e o terceiro livro). Bastante sexo e muita ação, não é a toa que escolheram esse livro para transformar em série de tv. Dos oito livros já publicados estou começando o sexto agora e dá para dizer que a série é até bem regular, não tem caso de um livro horrível e outro imperdível. São todos divertidos da mesma maneira.

Curiosidades sobre Vampiros

1 -Lord Ruthven, o primeiro dos vampiros na literatura foi criado por John Polidori, na mesma noite e na mesma casa em que Mary Shelley iniciava Frankeinstein, numa singela brincadeira na casa de Lord Byron;

2 -O ex vice-presidente da república Marco Maciel já foi vampiro, num dos livros pioneiros em terras brasileiras sobre vampiros, na obra O vampiro que descobriu o Brasil, de Ivan Jaf; [Aliás, já li o livro, e é bem legal]

3 -Drácula, só recebeu este nome quando o livro estava quase pronto. Até então, ele se chamaria Wampyr;

4 – O inglês Kim Newman escreveu um livro [Anno Dracula] sob uma ótica em que Dracula não foi derrotado, e que nesse mesmo livro estão Dr. Jekyll e o Inspetor Lestrade;

5 – Dacre Stocker, tatarassobrinho de Bram lançou em 2009 uma seqüencia para o romance do Conde Dracula;

6 – Paulo Coelho não pode sequer ouvir falar em vampiros, e ele mesmo autocensurou seu livro escrito com Nelson Liano Jr., o Manual Prático do Vampirismo fazendo recolher todos os exemplares

7 – Anne Rice foi a primeira autora a por os vampiros de frente aos espelhos, que por segundo a autora, se eles habitam o mundo dos homens, devem respeitar as leis da física deste mundo;

8 – Que muito provavelmente, sem os vampiros de Rice, como Lestat e Louis, não existiriam os “vampiros fofinhos” da saga Crepúsculo, já que foi na obra de Rice que os vampiros começaram a ser tratados como figuras poéticas e trágicas;

9 – A cidade de Forks, onde se passa a saga Crepúsculo realmente existe, e Stephenie Meyer a encontrou no google.

10 – O personagem Conde Drácula, é o segundo mais interpretado no cinema e na televisão, ficando atrás apenas de Sherlock Holmes, cuja unica vez que sai a cata de uma vampira, nada tem a ver com vampirismo;

DEZ DOS MAIS FAMOSOS VAMPIROS (AS) DA LITERATURA

1 – Drácula, de Bram Stoker:

É disparado de longe o mais famoso dentre os sugadores de sangue. Se não o pai de todos os vampiros, ele foi o responsável pela popularização do mito. A criação do Irlandês em 1897 ganhou diversas adaptações para teatro e cinema, numa época em que vampiros metiam medo, sem virar purpurina;

2 – Lestat de Lioncourt, criado por Anne Rice em Crônicas vampirescas:

Lestat, é uma das mais populares criações de Anne Rice, e no narrador de Crônicas vampirescas o vampiro revela seu lado sedutor, outra das qualidades desde seres eternos.

3 – Varney, o vampiro de James malcolm Rymer:

Criado antes mesmo de Drácula, a grande arma desta criatura era a feiúra, de face pálida e mórbidos olhos de lata e o poder de hipnotizar.

4 – Edward Cullen, em Crepúsculo de Stephenie Meyer:

Discussões a parte, não dá pra negar que o vampiro de Meyer é diferente de tudo que se construiu sobre estes seres, e é famoso pra caramba, entre a galera jovem que não esta nem aí se ele não morre com a luz do dia.

5 – Carmilla, criação de Joseph Sheridan Le Fanu:

Eita. Aqui está o vampirismo do bom. Carmilla precede o Conde Drácula, e esta deliciosa vampira cria de Le Fanu nos longínquos anos de 1872, com seus toques de lesbianismo sem dúvida era algo muito revolucionário para a época, e que até hoje mexe com a cabeça de marmanjos, como nós.

6 – Sétimo, de André Vianco:

Dentre os vampiros brazucas é o mais famoso, estando presente em Os Sete, obra que iniciou o autor nas sagas vampirescas, e no homônimo em que Sétimo acorda para gerar suas crias com o intuito de dominar o Brasil.

7 – Damon Salvatore, de Diários de um Vampiro de L. J. Smith:

Bem antes de Meyer, em 1991, surgia mais um vampiro que não tomava sangue humano,: Stefan Salvatore, irmão de Damon, este sim um clássico senhor das trevas venerador de sangue e sem pudores ao matar. A saga dos livros se tranformou na série de grande sucesso na TV americana.

8 – Kurt Barlow, em A hora do vampiro, de Stephen King:

Nem só de fantasmas e carros envenenados vive o mestre do terror. Em seu segundo livro King adentrou o mundo dos sanguessugas influenciado nas obras de Bram Stoker, Barlow não temia fazer o trabalho sujo, e pilhar novas vítimas aterrorizando para variar, o Maine.

9 – Lord Ruthven, de John Polidori:

Nasceu num desafio enre grandes mestres como Lord Byron e Mary Shelley e do próprio Polidori para escreverem uma história de terror. O enredo inclusive foi projetado e abandonado por Byron, no qual Polidori acabou dando continuidade, nascendo ao vampiro mais inglês de todos os sugadores de sangue;.

10 – Antonio Brás, o vampiro que descobriu o Brasil, de Ivan Jaf:

Impossível nominar este carismático vampiro – não tão cruel como deveria ser é verdade – que perdeu-se em Portugal ainda como Antonio Bras, e que na nova terra assumiu diferentes identidades, sempre muito próximo dos principais acontecimentos nacionais, entre ele, a descoberta, é claro.

Fontes:

Meia Palavra

LinkListas Literárias – curiosidades

Listas Literárias – os mais famosos

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Declaração Universal dos Direitos dos Poetas

Capítulo I

DISPOSIÇÃO PRELIMINAR
Art. 1º – Esta declaração estatui as normas que regerão o coração do poeta na esteira luminosa da vida.

Capítulo II

DOS POETAS

Art. 2º – Considerar-se-á poeta todo homem que tenha em seu peito a marca inefável do perdão e as cores matinais da liberdade.

Parágrafo Único – todo homem é capaz de ser poeta.

Art. 3º – São absolutamente incapazes de serem poetas:

I – os que roubam em nome de Deus.
II – os que exploram em nome da caridade.
III – os que matam em nome da justiça.
IV – os que colhem os frutos que não semearam.
V – os que não sabem amar.

Art. 4º – São símbolos mundiais do poeta:

I – o amor
II – a paz
III – a fé
IV – a justiça
V – a esperança
VI – a poesia
VII – o canto

Capítulo III
DA COMPETÊNCIA DOS POETAS

Art. 5º – Compete aos poetas:
divulgar a paz porque esta será uma bandeira assentada no firmamento da consciência do homem.

II. espalhar o perdão porque este será atado no coração, igual a um lenço branco no vaso do esquecimento.

proclamar o amor em forma de oração todos os dias de sua existência.

semear a esperança para que esta não pereça nos despenhadeiros das amarguras, adubando-a com a raiz da verdade.

propagar a fé porque esta é a eterna riqueza do homem nos caminhos que o conduz às glórias pela luta de novo amanhecer.

cantar seu canto indiferente ao sabre que o ameaça.

denunciar a tirania quando esta for vestida com a couraça da hipocrisia.

não servir a reis nem a rainhas para que seu canto não se torne prisioneiro dos favores.

Parágrafo Único – Compete aos poetas serem escravos de seu próprio amor.

Art. 6º – O poeta não intervirá no coração do homem, salvo para:

semear o amor
manter as esperanças

Capítulo IV

DOS DIREITOS E GARANTIAS DOS POETAS

Art. 7º – Esta declaração assegura aos poetas de todo o universo a inviolabilidade dos direitos concernentes à vida, à liberdade, ao amor, à igualdade, nos termos seguintes:

todo poeta tem direito de cantar seu amor ou a sua dor nas manhãs claras de domingo.

os poetas poderão entregar em sacrifício sua própria vida quando ela servir de luz por onde passará a liberdade para os oprimidos.

o poeta não terá Pátria; sua Pátria será o coração do homem.

o poeta poderá andar armado por todo o mundo e sua arma será sempre seu canto..

é permitido ao poeta dormir nas manhãs ensolaradas de uma segunda-feira.

é plena a liberdade de criação e fica assegurado a todos, mesmo aos guerrilheiros, o exercício de criar, desde que não semeie a discórdia entre os homens.

ninguém será obrigado a amar ou deixar de amar, senão em virtude da lei do amor.

dar-se-á perdão e entendimento ao poeta que morrer por amor.

é permitido ao poeta vestir roupas brancas nos dias de chuva e declamar seus versos nas tribunas das Assembléias mesmo quando o assunto versar sobre economia internacional.

o poeta será eternamente livre como o vôo de uma garça amazonense.

Parágrafo Único – ninguém será punido por andar descalço nos corredores dos palácios.

Art. 8º – Fica decretado por todos os séculos que:

os homens viverão soltos nos campos de seu ideal e a liberdade é seu canto maior.

todos têm direito ao amor mesmo que não sejam amados, porque o amor é livre para nascer.

não é proibido colher flores nos jardins públicos para dedicar aos olhos da mulher amada, desde que elas sejam plantadas no jarro do coração.

todos se entregarão ao fogo da paixão iguais às crianças que se entregam aos braços da mãe,
só se falará de amor quando as ordens do coração ditarem a sentença definitiva.

todos serão livres como as espumas do mar e indevassáveis em seus segredos como o mistério da vida.

a verdade será servida na mesa do homem e nela buscar-se-á o alimento da alma para purificação do sentimento.

as mulheres casadas maiores de 18 anos, sem autorização do marido, poderão sair de suas casas nas tardes de março com um imenso sorriso nos lábios para que os poetas possam admirar sua beleza.

as canções de igualdade serão cantadas em todos os becos mesmo quando o gosto da aurora tiver sabor de repressão.

o mundo será um cordeiro e os homens os pastores.

Parágrafo Único – O poema cantado com amor poderá sair sujo de sangue.

Art. 9º – Será lembrado a todo instante que os homens nasceram despidos e por isso são iguais.

Art. 10º – Todo poeta é filho do povo e em nome deste elevará seu canto.

Título I

DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 11º – Somente Deus poderá pôr um selo na mão do homem para distingui-lo dos demais.

Art. 12º – A divisibilidade dos pães será respeitada e a balança será o coração do homem.

Art. 13º – Os homens, mesmo os incrédulos, acreditarão que um vestido branco pode se tornar vermelho e a corrosiva ferida do ódio se transformar em amor.

Art. 14º – A pira da verdade será alimentada com o fogo da justiça.

Art. 15º – A liberdade será a morada inviolável do homem e ninguém poderá nela penetrar senão para cultivá-la com as mãos da caridade.

Art. 16º – Deus não será visão utópica perdido em parábola, mas verdadeiramente razão da essência do viver.

Art. 17º – Será preservado o verde das matas, o azul do firmamento, o vôo dos pássaros e a pureza das crianças para que possam servir de estrela-guia na inspiração dos poetas.

Art. 18º – Não haverá cartas de apreço e apresentação entre poetas; todos, ao se encontrarem, tocarão em seu coração o hino da amizade e comerão da mesma aurora igual às crianças que se olham e se tocam num sorriso.

Art. 19º – As mãos dos homens semearão os grãos do amor da justiça, da caridade e do perdão para colherem os frutos da harmonia.

DISPOSIÇÃO FINAL

Mandamos, portanto a todos os homens a quem o conhecimento e execução da referida declaração pertencer que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como nela se contém.

Os editores das nações e os jornalistas façam imprimir, publicar e correr.

Cumpra-se

Manoel Santana Câmara Alves

Fonte:
http://www.dhnet.org.br/

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Alguns Pseudônimos e os respectivos escritores

Anatole France (Jacques Anatole François Thibault)
Artur da Távola (Paulo Alberto Monteiro de Barros)
Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira)
George Orwell (Eric Arthur Blair)
João das Regras (Machado de Assis)
João do Rio (João Paulo Emilio Cristovão dos Santos Coelho Barreto)
Johannes Clímacus/Johannes de Silentio/Victor Eremita (Soren Kierkegaard)
Lelio (Machado de Assis)
Lewis Carroll (Charles Lutwidge Dodson)
Malba Tahan (Júlio César de Melo e Sousa)
Manassés (Machado de Assis)
Marcos Rey (Edmundo Nonato)
Mark Twain (Samuel Langhorne Clemens)
Moliere (Jean-Baptiste Poquelin)
Pablo Neruda (Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto)
Pagu (Patricia Galvão)
Pedro Dantas (Prudente de Morais Neto)
Possidônio Cezimbra Machado (Marcelo Gama), poeta simbolista
Qorpo-Santo (José Joaquim de Campos Leão)
Richard Bachman (Stephen King)
Stanislaw Ponte-Preta (Sérgio Porto)
Stendhal (Henri-Marie Beyle)
Susana Flag (Nelson Rodrigues)
Tennessee Williams (Thomas Lanier Williams)
Tristão de Ataíde (Alceu Amoroso Lima)
Victor de Paula (Machado de Assis)
Voltaire (François Marie Arouet)

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Academias (Cadeiras)

As Academias definem por Cadeiras, os lugares a serem ocupados pelos membros aprovados nelas por seus trabalhos literários seja por meio de livros, de participações publicas ou algo que as coloque em evidencias. São cadeiras que sempre levaram o nome do literato. Isto é, são imortalizados nelas.E mesmo que elas venham a falecer, um novo mebro ocupa esta cadeira, mas o nome do falecido permanece imortalizado na Academia. Geralmente são em número de 40.

De acordo com as regras estabelecidas, desde a fundação da Academia francesa, no século XVIII, as Academias de Letras possuem um número fixo e vitalício de membros, ocupando cadeiras numeradas (via de regra, de 1 até 40), que são vitalícias. Ocorrendo o falecimento (e em casos muito raros, o afastamento ou a resignação), a cadeira vaga passa a ser objeto do ritual sucessório.

Considera-se ocupada a cadeira a partir do instante da eleição do novo membro – e não do momento em que tem assento na cadeira. Assim, casos há onde o “imortal” deixou de tomar posse, por haver falecido antes dela, como o paranaense Emílio de Meneses

Afrânio Peixoto, ex-presidente da Academia Brasileira, assim registrou a origem das Cadeiras nas Academias:

Ora, na Academia Francesa havia apenas uma poltrona, ou fauteuil, para o diretor. Em 1713, foi candidato um escritor amável, então muito querido, La Monnoye, e o acadêmico cardeal d’Estrées quisera dar-lhe o voto… mas lá, não iria, pois que, príncipe da Igreja, não se sentaria num banco, como a ralé, senão num fauteuil, como tinha direito no paço del-rei. Não haja dúvida, disse Luís XIV, sabendo do caso: «dêem-se quarenta poltronas aos senhores acadêmicos»…

Não sorriem: na época foi esta coisa imensa atestada por Saint-Simon e todos os memorialistas do tempo: todos os escritores, quase todos plebeus e pobres, petits-gens, promovidos, por isso, no Louvre, no palácio do rei, onde se reuniam, à situação de príncipes, duques, cardeais … assentarem-se em fauteuil … Daí vem o prestígio «objetivo» da poltrona, da cadeira acadêmica … Daí os lugares, as vagas acadêmicas, se declararem: tal ocupa o fauteil 27; está vaga a cadeira tal … O fauteuil, a poltrona, é, simbolicamente, um pequeno trono… O homem de letras nobilitado a alguém, não filho d’algo, fidalgo, porém, filho das próprias obras, algo…”

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/

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