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José Marins (Lançamento da Coletânea de Haicais “A Lâmpada e as Estrelas”) 31 de agosto, em Curitiba

CONVITE
Lançamento da Coletânea de Haicais

A LÂMPADA E AS ESTRELAS

A LÂMPADA E AS ESTRELAS é uma coletânea de haicais organizada por José Marins, cujos  autores fazem uma homenagem ao Centenário De Nascimento da poeta Helena Kolody, criadora de haicais inesquecíveis. O livro reúne 200 poemas inéditos, classificados nas quatro estações, e escritos por dez poetas haicaístas paranaenses que contemplam a natureza e a  nossa geografia humana.

 O organizador convidou para esse projeto poetas que já  alcançaram qualidade haicaística  significativa, que prezam as características tradicionais do poema de  origem japonesa,  compondo com liberdade de estilo. Dessa rica experiência de cada um  resultou uma poética  de fina tecitura, que enriquecerá o acervo dos leitores do gênero e  poderá iniciar outros  tantos.

Apresentado à coletânea, o escritor Rodrigo Araujo, Mestre pela UFPR,  afirmou: Ao  escrever, você constrói um mundo e muda a visão que os leitores têm do  mundo empírico (a  boa literatura deve fazer isso!). No caso específico do haicai, ao recortar a gota de orvalho, o haicaísta está dando existência a essa cena, pois o leitor dificilmente a perceberia (e assim a cena não existiria para ele). Dessa forma, além de ler, registrar e recortar, o haicai ainda constrói um universo próprio. Creio que essa seja a dignidade da literatura, e não pode ser perdida.

LOCAL: MUSEU GUIDO VIARO – Rua XV de Novemrbo, 1348 – Curitiba/PR
(em frente à Reitoria).

DATA: dia 31 de agosto de 2012, sexta-feira, às 19 horas.

OS AUTORES:

A. A. de Assis
Alvaro Posselt
José Marins
Marilda Confortin
Rosalva Freitas Brüsch
Rosângela Jacinto
Sandra Benato,
Sérgio Francisco Pichorim,
Suzana Lyra Strapasson e
Vanice Ferreira

Fontes:
Álvaro Posselt
Ass. da Juv. Ucraíno-Brasileira

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Delores Pires (Livro de Haicais)

Ao amanhecer
 o coro de quero-queros
 anuncia o dia.

Ao amanhecer
 o sol desponta no morro
 colorindo o dia.

Ao sol causticante
 moça e abelha dividem
 o caldo de cana.

Bagas de suor
 nas alegrias da escola.
 Hora do recreio.

Céu varrido há pouco.
 Nenhum resquício de nuvem.
 Apenas o azul.

Com a chuva branda
 a goteira tamborila
 nas pautas do dia.

Com o sol a pino
 ando só, sem minha sombra,
 no quente verão.

Como atrás da bola
 o menino, pela vida,
 corre atrás do sonho.

Em cima da cesta
 cheiro do pêssego, à mesa,
 enche a boca d’água.

Em cima do morro
 araucária solitária
 pedindo socorro.

Em noite de breu
 grávida a lua no céu
 rebentos de prata.

Entre a paz do branco
 o riso da margarida.
 Ouro reluzindo.

Entre o bambual
 tímido raio de lua
 insiste em surgir.

Entre vagens secas
 os cachos de chuvas-de-ouro.
 Voa a mamangaba.

Espetada no ar
 borboleta colorida
 integra a paisagem.

Gotas de cristal
 despencando na calçada:
 a chuva com sol.

Iludindo o tempo
 só ao relógio se engana
 mas não a si mesmo.

Junto do jardim
 acena em gesto de paz
 o pé de jasmim.

Na grama cortada
 os sabiás, perfilados,
 procuram minhocas.

No escuro da noite
O vaga-lume orienta
O andante perdido!

Nos dias de sol
 preguiçosa borboleta
 à sombra descansa.

No verde do morro,
 pontilhada pelos bois
 a paisagem pasta.

Os cachos dourados
 reluzem à luz do sol.
 Trigal na colheita.

Os raios de sol
 por detrás dos edifícios
 dão adeus ao dia.

Paisagem fugaz.
 Pela janela do trem
 mundo viajante.

Pelos ramos verdes
 do abacateiro espreguiçam
 os raios de sol.

Pérolas brilhantes
 escorrendo pela face.
 Choro de criança.

Sob a luz da lua
 o sapo contando estrelas
 no escuro da rua.

Tardes de verão.
 A cigarra na fanfarra
 com ar brincalhão.

Terminam laranjas.
 No pomar, avermelhados,
 os limões se exibem.

Um clarão no céu
Brilham os olhos do menino
Fogos de artifício.

Um raio de sol
 pendurado no horizonte
 ao cair da tarde.

Vento que balouça
 leque verde da palmeira
 varrendo saudade…
––––
(ACENTUAÇÃO)
Em torno de si
o guarda-chuva coloca
o pingo nos ii.

(DISTRAÇÃO)
Distraída a lua
abraça o casal que passa
no canto da rua.

(CONDORISMO)
Ah, quem me dera
voar como a nuvem no ar,
ar de primavera!

(CREPÚSCULO)
Luz de fim do dia.
E a tua imagem flutua…
Vaga nostalgia!

(CURIOSIDADE)
O que vais buscar
barquinho, lento e sozinho
tão longe do mar?

(ESCOLTA)
Ao cair da noite
escoltando pirilampos
passeiam estrelas…

(FRAGMENTOS)
Fragmentos de estrelas…
Dançam os jogos de luz
no escuro da noite.

(ITINERÁRIO)
Baila a folha no ar.
Descreve um círculo leve
no chão vai pousar

(MARESIA)
O dia fugindo.
No ar um cheiro de mar.
A noite vem vindo!

(MEMÓRIA)
Na longíqua tarde
ledas conversas de seda
saudades saudades…

(MUDANÇA)
Cheia de neblina
a cidade, em verdade,
foge da rotina.

(SOLITUDE)
Silente, à tardinha,
desliza ao sabor da brisa
gaivota sozinha.

(SIMPLICIDADE)
Singela e formosa
Num torvelinho de espinho
Desabrocha a rosa.

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Benedita Azevedo (Livro de Haicais)


Gratinada ao forno
a couve-flor chega à mesa…
E ganha os olhares

Chega a frente-fria –
O cheiro de naftalina
Não saiu das camas.

Fotos sobre a cama –
No dia dos namorados
sozinha no quarto

Na manhã chuvosa
O canto do sabiá –
Saudade de quem?

Na estrada florida
os gritos do ganso branco –
Revoada de azulões.

Ao som da sanfona
Quadrilhas disputam prêmios –
Roupas sem remendos.

Frio da manhã –
Depois do despertador
continuo na cama.

Férias na fazenda –
Na colheita de morangos
Três netos se esbaldam.

Suave perfume
Na aragem vinda do mar –
Flores nos quintais.

À beira da trilha
Enroscado na palmeira –
Cipó-de-São-João

Ao romper da aurora
o sabiá dobra seu canto –
Só isso me basta.

Bois magros vagueiam
À procura de alimento
Relva seca no campo.

Calçada da escola –
As flores do ipê-roxo
na mão das crianças.

Céu azul profundo –
Nossa, minha mãe morreu
num dia assim.

Chega o Ano Novo –
Acenam do portão
os filhos e os netos.

Dia do Folclore –
Na dança de capoeira
Os velhos e os moços.

Domingo de páscoa –
Três netos adolescentes
querem chocolate.

Domingo outonal –
Rápido o céu fica cinza
e a chuva despenca.

Frescor da manhã
Com o xale sobre os ombros
Vovó faz café.

Início de julho –
somente o marulhar das ondas
na praia deserta.

Murmúrio das ondas,
no embate contra a murada …
Sobe a lua cheia.

O cheiro gostoso
se espalha pela casa –
Bolo de fubá.

Parque iluminado –
Cobre toda a enseada
luz da lua cheia.

Vala pluvial
De trás do muro aparece
Ninhada de marrecos

Fontes
Revista Haikai – com amor n. 4 – outubro 2006
Revista Haikai – com amor n. 11 – maio 2009
Antologia do Grêmio Haicai Sabiá – 2011
AZEVEDO, Benedita.Rumor das ondas.
AZEVEDO, Benedita.Silêncio da tarde.
AZEVEDO, Benedita.Canto de Sabiá.
AZEVEDO, Benedita.Praia do Anil.

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