Arquivo do mês: maio 2009

XXII Jogos Florais de Ribeirão Preto 2009 (Classificação Final)

TEMA NACIONAL – CIGANO (LIRISMO)

Categoria: Vencedores (Troféu)

1º LUGAR
Sofredor desde menino
e tendo o sonho por meta,
quis saber qual seu destino,
diz-lhe o cigano:- Poeta!
Carolina Ramos
Santos (SP)

2º LUGAR
Cigano de olheiras fundas,
pele morena, crestada,
quantas tristezas profundas
já deixaste pela estrada?
Hermoclydes Siqueira Franco
Nova Friburgo (RJ)

3º LUGAR
Cigana e bela mulher…
desse romance eu me ufano!
Não vive um amor qualquer,
quem vive um amor cigano!
Éderson Cardoso de Lima
Niterói (RJ)

4º LUGAR
Amor cigano, utopia,
triste busca por alguém;
quem tem um amor por dia
não tem o amor de ninguém.
Olympio da Cruz Simões Coutinho
Belo Horizonte (MG)

5º LUGAR
Cigano eu vou pela vida,
e minha tenda é montada,
não com a lona estendida,
mas, com a noite estrelada…
Izo Goldman
São Paulo (SP)

Categoria: Menção Honrosa (Medalha Dourada)

1º LUGAR
Errei pela vida afora,
sou cigano sem destino…
te achei!… Não vou mais embora,
sigo o sonho de menino.
Renato Alves
Rio de Janeiro (RJ)

2º LUGAR
Tangendo brilhos e rastros,
como compete a um perito,
cigano é o “pastor dos astros”
no rebanho do Infinito!
José Ouverney
Pindamonhangaba (SP)

3º LUGAR
Qual pequenina carroça
de cigano sonhador,
leva a trova, a quantos possa,
carga máxima de amor.
Antônio Augusto de Assis
Maringá (PR)

4º LUGAR
Quando o cigano chegou
tocando seu violino,
no meu coração tocou,
entrando no meu destino.
Maria Apparecida S.Coquemala
Itararé (SP)

5º LUGAR
Sei que irá me causar dano.
o fascínio que me exerces,
pois teu amor é cigano
mas o meu quer alicerces…
Elbea Priscila de Sousa e Silva
Caçapava (SP)

Categoria: Menção Especial (Medalha Prateada)

1º LUGAR
O cigano ao ver-me em pranto,
na dor que cruel avança,
espantou meu desencanto,
despertou minha esperança!…
Marilúcia Resende
São Paulo (SP)

2º LUGAR
Deu-me, o cigano, uma rosa
e partiu sem dizer nada
e esta rosa, hoje saudosa,
vive a chorar…desfolhada…
Marina Bruna
São Paulo ( SP)

3º LUGAR
Cigano, da tua andança
por esse mundo sem fim,
traz-me um pouco da esperança
que a sorte roubou de mim…
Ercy Maria Marques de Faria
Bauru (SP)

4º LUGAR
Mulher olhando vitrine,
cigano vendo dinheiro,
Eis a pergunta:- Imagine
quem desistirá primeiro?
Miguel Russowsky
Joaçaba (SC)

5º LUGAR
Ante o teu vulto de fada
e esse lindo olhar arcano,
sinto a alma engalanada
por ter nascido cigano!
Hermoclydes Siqueira Franco
Nova Friburgo (RJ)

TEMA NACIONAL – EREMITA – ( Humorismo )

Categoria: Vencedores (Troféu)

1º LUGAR
Foi o bebum “muito esperto”
como eremita… e está crente
que, no calor do deserto,
o oásis é de água… ardente!!!
Therezinha Dieguez Brisolla
São Paulo (SP)

2º LUGAR
Já não há nenhum prazer
que em público a lei permita:
quem quer fumar ou beber
tem que virar eremita!
Renata Paccola
São Paulo (SP)

3º LUGAR
Diz o Zé, sem compaixão,
Vendo a vizinha esquisita:
“a casar com tal canhão,
melhor morrer eremita”.
Eduardo Domingos Bottallo
São Paulo (SP)

4º LUGAR
O coitado do eremita
vive esta dúvida eterna:
quando vê mulher bonita,
só pensa em… sua caverna…
Izo Goldman
São Paulo (SP)

5º LUGAR
De andar a pé, já cansado,
um eremita ameaça:
vou me eleger deputado
pra andar de avião de graça…
Marina Bruna
São Paulo (SP)

Categoria: Menção Honrosa (Medalha Dourada)

1º LUGAR
Adotei o isolamento,
feito um ermitão qualquer,
pra fugir do casamento
e das manhas de mulher!…
Ademar Macedo
Natal (RN)

2º LUGAR
Fugiu da cara-metade…
fingiu ser monge eremita…
e vem ao bar da cidade,
só quanto acaba a birita!
Therezinha Dieguez Brisolla
São Paulo (SP)

3º LUGAR
Indo armar uma arapuca,
encontrei um eremita
que, me vendo de peruca,
perguntou se eu era Chita…
Ruth Farah Nacif Lutterback
Cantagalo ( RJ)

4º LUGAR
Louras, morenas, mulatas,
cada qual, a mais bonita,
vive cercado de gatas
e ainda diz que é Eremita.
Argemira Fernandes Marcondes
Taubaté (SP)

5º LUGAR
O eremita se isolou…
até que morreu, zureta.
ao chegar ao céu, pensou
que um anjo era borboleta.
Vanda Fagundes Queirós
Curitiba (PR)

Categoria: Menção Especial (Medalha Prateada)

1º LUGAR
– Sou eremita, diz, ancho,
celibatário também,
mas, no fundo do seu rancho,
o “santo” esconde um harém…
Élbea Priscila de Sousa e Silva
Caçapava (SP)

2º LUGAR
O eremita, na entrevista,
Ao voltar faminto e roto:
-para ser um João Batista
tem que comer gafanhoto?!
Therezinha Dieguez Brisolla
São Paulo (SP)

3º LUGAR
Um eremita só quer
ser feliz com o que tem,
para ele, não há mulher,
e não tem sogra também.
António José Barradas Barroso
Parede (Portugal)

4º LUGAR
Um eremita perfeito
Eu encontrei certo dia…
era tão chato o sujeito
que de si mesmo fugia.
Olympio da Cruz Simões Coutinho
Belo Horizonte (MG)

5º LUGAR
Minha sogra é uma eremita,
mas não sei por que razão
em minha casa é visita
de mala, cuia e colchão!!!
Maria Lúcia Daloce
Bandeirantes (PR)

Fonte:
Nilto Manoel.
UBT/SP – Seção de Ribeirão Preto

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Classificação, Resultados de Concursos, Trovas

2º Jogos Florais do Século XXI da aBrace Editora

Em momentos de reativação dos caminhos de integração socioeconômica dos povos, empreendemos o nobre objetivo de revalorizar a palavra poética como forma de delinear ideias e construir realidades.

Propomos que o conceito seja uma resposta à impessoalidade da globalização, cimentado nas diferenças próprias de cada cultura, valorizando e fortalecendo identidades a partir do laço fundamental da linguagem, que é tronco e raiz pela qual floresce a humanidade.

Por esse motivo, a aBrace Editora e o Movimento Cultural aBrace convocam a um CONCURSO INTERNACIONAL LITERÁRIO DE POESIA em português com tema livre, sustentado no seguinte fundamento: Trânsito poético para a liberação definitiva.

OBJETIVO:
Este concurso terá por objetivo promover a atividade literária e o idioma português, bem como valorizar a criatividade e integrar poetas dos países de língua portuguesa.

PARTICIPAÇÃO:

1.- Poderão participar todas as pessoas de qualquer lugar de residência com um único trabalho de poesia ou prosa poética, em língua portuguesa, de caráter inédito, tema livre, com no máximo 25 linhas.

2.- Por razões de organização e confiança na solidariedade entre criadores, lema do Movimento Cultural aBrace, quando o verdadeiro valor desta convocação é a difusão da palavra poética. Considerando a internacionalização do concurso, os custos de realização e as técnicas atuais em material de comunicação, somente receberemos inscrições via e-mail: abracept@abracecultura.com , até 31 de agosto de 2009, com as seguintes características:

a) No campo assunto: 2º JOGOS FLORAIS DO SÉCULO XXI;

b) Os participantes deverão anexar 2 arquivos de Word 9 2003. O primeiro deve incluir arquivo em Word (anexo) com o poema digitado (fonte Arial ou Times New Roman, tamanho 12 — entre linhas 1,5), título e pseudônimo.

c) O segundo deve incluir arquivo em Word (anexo) com o título do trabalho com o mesmo pseudônimo, nome completo do participante, fotografia, pequeno curriculum (até 10 linhas), endereço residencial e e-mail.

d) A aBrace editora se compromete a enviar aos pré-selecionados e jurados somente os arquivos com poemas e pseudônimos, reservando os de documentação somente para identificar os selecionados e premiados. Não acusaremos recibo de e-mail. Sugerimos que cada participante solicite recibo de leitura automática.

O não cumprimento das orientações implicará na desclassificação do trabalho.

SELEÇÃO:

1- Trinta trabalhos serão pré-selecionados por uma comissão integrada por um representante da editora e dois representantes do Movimento Cultural aBrace. Serão critérios para o julgamento: criatividade, correção linguística, originalidade e relação direta com o fundamento do concurso.

2- Posteriormente os trabalhos serão entregues a uma comissão julgadora internacional composta por três destacados membros do meio literário, que procederá à seleção dos melhores trabalhos entre os pré-selecionados. Não caberá recurso às decisões da comissão julgadora. Os nomes dos integrantes do Corpo de Jurados serão divulgados juntamente com o resultado do concurso. É vetada a participação de membros das comissões organizadora e julgadora, de profissionais a serviço das entidades que dão apoio ao concurso ou nelas empregados, bem como de familiares até o terceiro grau de parentesco de todos os incluídos no veto à participação.

3- A comissão julgadora escolherá o 1º, o 2º e o 3º prêmios e as menções honrosas.

4- Os autores publicados na coletânea, produto final do concurso, cedem os respectivos direitos autorais, quanto à exposição e publicação, nos prazos e condições legais que passam a pertencer à aBrace Editora e concordam em permitir a utilização de seus nomes, fotografias ou filmagem, para a divulgação do prêmio, sem qualquer ônus para os promotores, exceto com declaração assinada.

5- Cada concorrente somente poderá participar com um trabalho e não haverá devolução do material inscrito.

6- Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela comissão julgadora e/ou pelos organizadores do concurso. A inscrição implicará, por parte do concorrente, a aceitação dos termos deste regulamento.

PRÊMIOS:

Caberá aos contemplados a seguinte premiação:

a) 1º, 2º e 3º colocados receberão: troféus, coleção de livros da aBrace Editora e certificado;

b) Menções : coleção de livros e certificado;

c) Restante dos selecionados: certificado.

d) Publicação a cargo da aBrace editora, sem ônus para os autores de todos os textos selecionados, encabeçados com os ganhadores e menções, de um poemário intitulado: 2º JOGOS FLORAIS DO SECULO XXI. Paralelamente a esta convocação se realiza a mesma em língua espanhola. O livro, motivo deste concurso, publicará também, de forma intercalada, os textos premiados e selecionados em espanhol, para efeito de uma maior integração.

e) O poemário 2º JOGOS FLORAIS DO SECULO XXI, será apresentado em ato a programar e exibido em todas as oportunidades em que aBrace em MOVIMENTO seja convidado a participar como expositor da cultura.
===========================
Informações:
Nina Reis
: abracept@abracecultura.com

———————————————–
DEZ ANOS DE aBrace. Dez anos promovendo a cultura nos habilitam a pensar nos êxitos obtidos, nos vínculos que foram feitos e na difusão dada à obra de centenas de autores.

Organizaram dez Encontros Literários: seis em Montevidéu (Uruguai); um em Brasília (Brasil); um em Montevidéu; o nono em Havana (Cuba) e o último em Porto Alegre (Brasil)

Iniciaram em 2007, no Uruguai, o ciclo Para que andes com os livros e criaram um site internacional, http://www.abracecultura.com/

Editaram durante dois anos, cinco números de um boletim informativo e oito edições da aBraceRevista INTERNACIONAL.

Em Brasília realizaram experiências extraordinárias com o Grupo Diálogo visitando escolas e cursos de espanhol, além dos encontros regionais. Paralelamente foram realizadas inúmeras atividades em nome do Movimento aBrace.

Chegou a hora de ampliar o intercâmbio para outras latitudes. Com esse fundamento, criaram aBrace em Movimento, cujo objetivo é manifestar-se em outras circunstâncias e, talvez, inúmeras vezes em cada ano, promovendo a cultura, portando livros e revistas aBrace, obras de arte para exposição, músicas gravadas e ao vivo, com a participação de artistas de todas as áreas, visitando feiras nacionais e internacionais, participando de encontros, congressos e conferências, nos espaços abertos ao Movimento Cultural aBrace e onde seja possível a integração.

Estão convidados a participar e acompanhar o aBrace em Movimento, todos que acreditam na solidariedade e que a arte pode modificar o comportamento humano.
Nina Reis e Roberto Bianchi (Diretore)
——————————–
Fonte:
Douglas Lara.

Deixe um comentário

Arquivado em Concursos em Andamento

João Guimarães Rosa (Sagarana) (Parte final)

Artigo do prof. Teotônio Marques Filho
Parte I = http://singrandohorizontes.blogspot.com/2009/05/joao-guimaraes-rosa-sagarana-parte-i.html
Parte II = http://singrandohorizontes.blogspot.com/2009/05/joao-guimaraes-rosa-sagarana-parte-ii.html
==============================================

6. São Marcos

Narrado também na primeira pessoa, “São Marcos” é outro conto de linha trágica e esta sob o signo da superstição:

Izé ou José, o narrador, era um homem que não acreditava em feiticeiro: “Naquele tempo eu morava no Calango-Frito e não acreditava em feiticeiros” (221). Vivia a fustigar João Mangalô, feiticeiro de fama e escama naqueles rincões. Nhã Rita, preta cozinheira dele, vivia a adverti-lo:

“- Se o senhor não aceita, é rei no seu; mas abusar não deve”. (224).

E relatava o caso da lavadeira que desfeiteara a velha Cesária e sofrera, de repente, agulhadas inexplicáveis “no pé (lá dela!)”.

Mas ele, sempre incrédulo:

Você deve conhecer os mandamentos do negro… Não sabe? “Primeiro: todo negro é cachaceiro...” “Segundo: todo negro é vagabundo”. “Terceiro: todo negro é feiticeiro…”

Ai, espetado em sua dor-de-dentes, ele passou do riso bobo à carranca de ódio, resmungou, se encolheu para dentro, como um caramujo à cocléia, e ainda bateu com a porta (228)

Depois disso, voltando da missa, encontra com Aurísio Manquitola que lhe narra o caso de Tião Tranjão, que era um sujeito um tanto tolo e burro, e acabou aprendendo a oração de São Marcos que é “sesga, milagrosa e proibida”, com que resolveu os seus problemas conjugais de ter mulher, e esta dormir com os outros.

O narrador vai andando. A natureza ao seu redor atrai as suas vistas. Escreve versos num tronco, e quando lhe faltou inspiração, certa vez, limitou-se a fazer um rol de reis caldeus.

Reconhece que “as palavras têm canto e plumagem

Perde-se em descrições e cenas que seus olhos vêem:

E, pois, foi aí que a coisa se deu, e foi de repente: como uma pancada preta, vertiginosa, mas batendo de grau em grau – um ponto, um grão, um besouro, um anu, um urubu, um golpe de noite… E escureceu tudo.” (pág. 244)

Uso acentuado da audição. Até os olhos cegos ouvem (“meus olhos o ouvem” – 248). Vaga, sem rumo, pela floresta, para depois defrontar-se com João Mangolô e as vistas que tinham sido amarradas por este:

“- Pelo amor de Deus, Sinhô… Foi brincadeira… Eu costurei o retrato, p’ra explicar ao Sinhô…” (250)

E o narrador conclui com um mundo de cores:

Na baixada, mato e campo eram concolores. No alto da colina, onde a luz andava à roda, debaixo do angelim verde, de vagens verdes, um boi branco, de cauda branca. E, ao longe, nas prateleiras dos morros cavalgavam-se três qualidades de azul.” (251)

“São Marcos” é de linha frenética, o que lembra a “Dama Pé-de-Cabra”, de Alexandre Herculano. Aqui está presente o mundo das superstições e feitiçarias que envolvem o homem interiorano.

Outra tese desenvolvida é a da “plumagem e canto das palavras”.

7. “Corpo Fechado”

A técnica narrativa de “Corpo Fechado” é em forma de entrevista. O “doutor”, no decorrer da história, vai entrevistando Manuel Fulô, “um valentão manso e decorativo, como mantença da tradição e para glória do arraial” (281)

O papo começou com o doutor passando em revista os principais nomes de valentões daquelas bandas: José Boi, Desidério Cabaça, Adejalma, “nome bobo, que nem é de santo…” Miligido, que já se aposentara, e o terrível Targino:

Esse-um é maligno e está até excomungado… Ele é de uma turma de gente sem-que-fazer, que comeram carne e beberam cachaça na frente da igreja, em sexta-feira da Paixão, só p’ra pirraçar o padre e experimentar a paciência de Deus…” (pág. 255)

Esses valentões todos já tinham sido castigados. Só faltava o Targino. Mas o seu fim havia de chegar como chegou para os outros:

Eles todos já foram castigados: o Roque se afogou numa água rasinha de enxurra­da… ele estava de chifre cheio… Gervásio sumiu no mundo, asem deixar rasto… Laurindo, a mulher mesma torou a cabeça dele com um machado, uma noite… foi em janeiro do ano passado… Camilo Matias acabou com mal-de-lázaro… Só quem está sobrando mesmo é o Targino. E o castigo demora, mas não falta…” (pág. 256)

E Manuel Fulô, o entrevistado, vai narrando as suas aventuras entre os ciganos; como os tapeou, uma vez; o seu desejo de possuir uma sela mexicana para a mulinha Beija-Fulô. E então chegamos ao casamento de Manuel da raça dos Peixoto, do que tinha honra e fazia alarde. A noiva era a das Dor.

E aqui é que começa a história propriamente. O Targino aparece e diz assim para o Manuel Fuló:

“- Escuta, Mané Fulô: a coisa é que eu gostei da das Dor, e venho visitar sua noiva. amanhã.. Já mandei recado, avisando a ela… É um dia só, depois vocês podem se casar… Se você ficar quieto, não te faço nada… Se não… (pág. 275)

Reboliço. Correrias. Movimentação do doutor. E então “a história começa mesmo é aqui”: Antonico das águas, “que tinha alma de pajé” e era “curandeiro-feiticeiro” agora entra na história para “fechar o corpo” de Manuel Fuló, “requisitando agulha-e-linha, um prato fundo, cachaça e uma lata com brasas” (279):

“- Fechei o corpo dele. Não careçam de ter medo, que para arma de fogo eu garanto!…” (280)

E o doutor conclui a história assim:

“E, quando espiei outra vez, vi exato: Targino, fixo, como um manequim, e Manu e Fulô pulando nele e o esfaqueando, pela altura do peito – tudo com rara elegância e suma precisão. Targino girou na perna esquerda, ceifando o ar com a direita; capotou; e desviveu, num átimo. Seu rosto guardou um ar de temor salutar.

– Conheceu, diabo, o que é raça de Peixoto?!” (pág. 281)

“Corpo Fechado” ainda continua a problemática apresentada em “São Marcos”: mundo de feitiçarias e bruxarias.

Além dessa temática, sobressai também a saga dos valentões das gerais, principal­mente com o temível Targino, e a saga dos ciganos, muito freqüente no interior.

8. “A Saga dos Bois”

Em “Conversa de Bois”, Guimarães Rosa, procura desenvolver a “psicologia” dos animais o que já se vislumbra em “O Burrinho Pedrês”, também aqui, e com largo uso, explorando “a plumagem e canto das palavras”.

A técnica narrativa é a terceira pessoa, narrado por Manuel Timborna, que é entrevistado pelo autor, que pede para recriar a história:

“- Só se eu tiver licença de recontar diferente, enfeitado e acrescentado ponto e pouco…

– Feito! Eu acho que assim até fica mais merecido, que não seja” (283)

E então Manuel Timborna começa a “contar um caso acontecido que se deu”, pro­curando demonstrar que “boi fala o tempo todo”.

Buscapé, Namorado, Capitão, Brabagato, Dansador, Brilhante, Realejo e Canindé são os protagonistas bovinos da história, que vão na sua marcha lenta, carregando “o peso pesado” do carro-de-bois, carregado de rapaduras e um defunto.

O guia é Tiãozinho, filho do defunto carregado. Vai triste e “babando água dos olhos” (313). Visto pelos bovinos é “o bezerro-de-homem-que-caminha-sempre-na-frente-dos-bois”. (313)

O carreiro, orgulhosão e perverso, é o Agenor Soronho: “o homem-do-pau-comprido-com-o-marimbondo-na-ponta” que vem “trepado no chifre do carro…” (313).

Na sua marcha, os oito bovinos vão conversando. Criticam o modo de vida dos homens, o animal pensante: “É ruim ser boi-de-carro. É ruim viver perto dos homens… As coisas ruins são do homem: tristeza, fome, calor – tudo pensado, é pior…” (290)

Brilhante conta a história do boi Rodapião – “o boi que pensava de homem, o-que-come-de-olho-aberto…” (296, que saiu certa vez, com esse raciocínio silogístico:

… “Cada dia o boi Rodapião falava uma coisa difícil p’ra nós bois. Deste jeito:

– Todo boi é bicho. Nós todos somos bois. Então, nós todos somos bichos!… Estúrdio…” (300)

E porque pensava muito-pensava como o homem – o boi Rodapião tem fim trágico:

“Escutei o barulho dele: boi Rodapião vinha lá de cima, rolando poeira feia e chão solto… Bateu aqui em baixo e berrou triste, porque não pôde se levantar mais do lugar das suas costas…” (308)

Tiãozinho vai relembrando a morte do pai. Tem uma raiva danada do Agenor Soronho que “bate em todos os meninos do mundo: Seu Agenor Soronho é o diabo grande” (314)

O fim é trágico. Deus e o Demo: Agenor Soronho é castigado pelos bois e por Tiãozinho que “pensa quase como nós bois” (314): “A roda esquerda do carro lhe colhera o pescoço.” (317)

Tiãozinho fica como um possesso diante daquela tragédia.

– “Conversa de Bois” procura interpretar a psiquê bovina. É uma história trágica também, e pode ser aproximada de “O Burrinho Pedrês” pela relevância que dá ao animal. Dentro dessa perspectiva está implícita uma crítica ao comportamento do homem, o animal pensante.

Outra temática que me pareceu também bastante nítida no conto é a da oposição entre o Bem e o Mal, onde os maus têm sempre fim trágico, como foi o caso de Seo Agenor Soronho.

9. “A Hora e Vez de Augusto Matraga”

Matraga não é Matraga, não é nada. Matraga é Esteves. Augusto Esteves, filho do Coronel Afonsão Esteves das Pindaíbas e do Saco-da-Embira. Ou Nhô Augusto” (319).

Nhô Augusto foi homem ruim, de muitos pecados e pouca água benta: maltratava a mulher e filha e vivia de pagode com outras, como a tal da Sariema que aparece no começo do conto, mulherzinha com “perna de Manuel-Fonseca, uma fina e outra seca!” (322)

Estourado e sem regra, estava ficando Nhô Augusto. E com dívidas enormes. política do lado que perde, falta de crédito, as terras no desmando” (324)

E então surge o pior: a mulher foge com outro levando também a filha e os capangas o abandonam, para servir ao Major Consilva, um antigo inimigo da família:

Assim, quase qualquer um capiau outro, sem ser Augusto Esteves, naqueles dois contratempos teria percebido a chegada do azar, da unhaca, e passaria umas rodadas sem jogar, fazendo umas férias na vida: viagem, mudanças, ou qualquer coisa ensossa, para esperar o cumprimento do ditado: “Cada um tem seus seis meses…” (328)

Mas Nhô Augusto era couro ainda por curtir” e, de imediato, foi tirar satisfação com o Major. Resultância: os capangas novos e antigos do Major saíram em cima do homem e o arrasaram de pancadas, lançando-o, depois, num despenhadeiro.

Morto, mas não sepultado, ressuscitou pela caridade de um par de pretos que habitava aquelas plagas inóspitas. Cuidam do semimorto: enfaixam-no, pensam-lhe as feridas e Nhô Augusto pede padre:

Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua” (336), conclui o batina, depois de tê-lo confessado e conversado.

Não morre. Regenera-se. E daquele lugar maldito “pegou chão, sem paixão”, junta­mente com o par de negros.

“- Eu vou p’ra o céu, e vou mesmo, por bem ou por mal” E a minha vez há de chegar. P’ra o céu eu vou, nem que seja a porrete!…” (pág. 337)

Afastado de tudo, isolado do seu antigo mundo procura penitenciar-se de seus pecados.

Aparece, o bando de Seo Joãozinho Bem-Bem, a quem Nhô Augusto dá pousada. Os anjos-da-guarda de ambos combinam-se. Desencontro. Encontro. Deus e Demo. Nhô Augusto encontra de novo com seu Joãozinho Bem-Bem, chefe do bando mais temido daquelas bandas. Um velho pede pelos filhos. Seo Bem-Bem quer vingança. Exterminação. E foi aí que aconteceu a hora e vez de Nhô Augusto, dito Matraga:

“- Êpa! Nomopadrofilhospritossantamêin! Avança, cambada de filhos-da-mãe, que chegou minha vez! (362).

Exterminação total. Mas seu Joãozinho Bem-Bem se sente honrado em ser exterminado por Matraga: “quero acabar sendo amigos…”

E Matraga:

“Feito, meu parente, seu Joãozinho Bem-Bem. Mas agora se arrepende dos pecados, e morre logo como um cristão, que é para gente poder ir juntos…” (pág. 363)

E “com sorriso intenso nos lábios lambuzados de sangue”, Augusto Mal ruga morre satisfeito porque teve a sua hora e vez:

Foi Deus quem mandou esse homem no jumento, por mór de salvar as famílias da gente” (pág. 364), comenta a turba agradecida.

“A Hora e Vez de Augusto Matraga” é, sem dúvida, o ápice da criação literária rosiana em Sagarana, dada a tragicidade e epicidade que o conto encerra.

Quatro temáticas me parece bem nítidas:

a) a oposição Deus e o Demo (Bem x Mal);
b) a saga dos cangaceiros e valentões (Joãozinho Bem-Bem);
c) misticismo (Augusto Matraga depois do encontro com o padre);
d) todos têm a sua vez e hora.

Não me parece sem lógica uma aproximação entre “A Hora e Vez de Augusto Ma­traga” e “O Burrinho Pedrês”: ambos, Augusto Matraga e Sete-de-Ouros, tiveram a sua hora e a sua vez, e dela saíram cobertos de glórias. Não é sem razão que já se disse que os extremos se tocam…

Fabulista? – Não. João é fantasticamente fabuloso!

Findo. Findo o fino fabulista fabuloso. Finririnfinfim…

NOTA: As páginas indicadas referem à nona edição de Sagarana (Rio. 1967)

Fonte:

Deixe um comentário

Arquivado em Estante de Livros, Estudos Literários

John Maxwell Coetzee (Diário de um Mau Ano)

Gênero: Ficção

«Diário de um Mau Ano» é um misto de romance e compilação de pequenos ensaios, com uma estrutura original em que cada página está dividida em três partes: a primeira com os ensaios propriamente ditos, a segunda com o diálogo entre o escritor dos ensaios e a sua datilógrafa, Anya, e a terceira com o diálogo entre esta e o seu marido, Alan.

O romance baseia-se na história da escrita dos ensaios, elaborados por um escritor em final de vida que assume que já não tem capacidade para escrever romances e que por isso aceitou um convite de uma editora para que participasse num livro que reune ensaios de vários escritores. Atraído por uma jovem que mora no mesmo prédio, convida-a para que seja sua datilógrafa, sob a suspeita do seu marido de que o escritor pretenda algo mais. No desenrolar da história, criam-se e acentuam-se as divergências entre Alan e os escritos de JC, algo ingênuos do ponto de vista de Anya e completamente ultrapassados segundo o ultra-liberal Alan. À medida que se estreita uma relação de amizade e compaixão entre Anya e JC, o radicalismo de Alan acentua-se conduzindo a narrativa a uma situação de ruptura entre as personagens, num desenlace onde os valores de JC são postos à prova.

Os ensaios são pertinentes na forma como abordam as temáticas contemporâneas subjacentes (em 2007), assim como pertinentes são os comentários de Anya e Alan aos mesmos. Num jogo em que o leitor pode ser levado a pensar que as opiniões transmitidas nos ensaios equivalem às opiniões de Coetzee, os comentários das outras duas personagens a essas mesmas opiniões funcionam como um contraponto, que convidam a uma reflexão e a uma chamada de atenção sobre as várias formas de abordar cada temática e as sensibilidades que podem ser tomadas relativamente à mesma, prevalecendo, nas temáticas mais explosivas, o bom senso de quem menos sabe sobre as mesmas, Anya.
Os ensaios:

1. Sobre as Origens do Estado ; 2. Sobre o Anarquismo ; 3. Sobre a Democracia ; 4. Sobre Maquiavel ; 5. Sobre o Terrorismo ; 6. Sobre os Sistemas de Guiagem ; 7. Sobre a Al-Qaeda ; 8. Sobre as Universidades ; 9. Sobre a Baía de Guantanamo ; 10. Sobre a Vergonha Nacional ; 11. Sobre a Maldição ; 12. Sobre a Pedofilia ; 13. Sobre o Corpo ; 14. Sobre o Abate de Animais ; 15. Sobre a Gripe das Aves ; 16. Sobre a Competição ; 17. Sobre o Desígnio Inteligente ; 18. Sobre Zenão ; 19. Sobre as Probabilidades ; 20. Sobre os Assaltos ; 21. Sobre os Pedidos de Desculpa ; 22. Sobre o Asilo na Austrália ; 23. Sobre a Vida Política na Austrália ; 24. Sobre a Esquerda e a Direita ; 25. Sobre Tony Blair ; 26. Sobre Harold Pinter ; 27. Sobre a Música ; 28. Sobre o Turismo ; 29. Sobre o Uso do Inglês ; 30. Sobre a Autoridade na Ficção ; 31. Sobre a Outra Vida

1. Um Sonho ; 2. Sobre a Correspondência de Admiradores ; 3. O Meu Pai ; 4. Insh’allah ; 5. Sobre a Emoção das Massas ; 6. Sobre a Barafunda da Política ; 7. O Beijo ; 8. Sobre a Vida Erótica ; 9. Sobre o Envelhecimento ; 10. Ideia para uma História ; 11. La France Moins Belle ; 12. Os Clássicos ; 13. Sobre a Vida da Escrita ; 14. Sobre a Língua Materna ; 15. Sobre Antjie Krog ; 16. Sobre Ser Fotografado ; 17. Sobre Ter Pensamentos ; 18. Sobre os Pássaros do Ar ; 19. Sobre a Compaixão ; 20. Sobre as Crianças ; 21. Sobre a Água e o Fogo ; 22. Sobre o Enfado
23. Sobre J.S. Bach ; 24. Sobre Dostoievski

Excerto:

O Estado coloca um escudo à volta da economia. Além disso, por enquanto, por falta de melhor meio, toma as decisões macroeconomicas quando precisam de ser tomadas e fá-las cumprir; mas isso é outra história para outro dia. Escudar a economia não é banditismo, Anya. Pode degenerar em banditismo, mas estruturalmente não é banditismo. O problema do teu Señor C é que não é capaz de pensar estruturalmente. Para onde quer que olhe, vê motivos pessoais em ação. Quer ver crueldade. Quer ver ganância e exploração. Para ele é tudo um jogo de moralidade, o bem contra o mal. O que ele não consegue ver ou se recusa a ver é que os indivíduos são jogadores numa estrutura que transcende os motivos individuais, que transcende o bem e o mal. Até os tipos de Camberra e das capitais dos Estados, que podem realmente ser bandidos a nível pessoal – nesse ponto estou disposto a dar a mão à palmatória -, que podem andar a traficar influências e a roubar massa à sorrelfa e a juntá-la para o seu futuro pessoal, até esses tipos trabalham dentro do sistema, quer se apercebam disso, quer não.

Dentro do mercado, digo eu.

Dentro do mercado, se quiseres. O que está para além do bem e do mal, como disse Nietzsche. Bons motivos ou maus motivos, no fim de contas são apenas motivos, vetores da matriz, que a longo prazo acabam por se nivelar. Mas o teu fulano não vê isso. Ele vem de outro mundo, doutra era. O mundo moderno está para além dele.

Fonte:
Citador

Deixe um comentário

Arquivado em Estante de Livros

Herman Hesse (O Lobo das Estepes)

Gênero: Romance
Título Original do Alemão: Der Steppenwolf

Profundamente auto-biográfica, esta obra revela todo o pensamento tortuosamente poético de Hesse. Numa síntese perfeita do seu misticismo oriental e da sua dimensão poética, Hesse constrói uma narrativa angustiada mas sentida, poética mas real, complexa mas terrivelmente bela.

Harry Haller é o rosto da tristeza, o Lobo das Estepes, melancólico, perdido na vida, na busca permanente de um sentido que o faça compreender a existência. Sem destino definido, sem explicações a dar a si mesmo para a impossibilidade de compreender o mundo, Harry é um ser errante, dilacerado pela dúvida, pela desesperada necessidade de compreensão da alma e da busca da sua libertação. Recusa o mundo sem forças nem coragem para dele se demarcar. Anti-burguês, tortura-se porque não consegue demarcar-se de uma vivência burguesa, como que encarcerado no ambiente que o rodeia.

No meio da tortura da vida, vai descobrindo que a dualidade do seu ser: o lobo que de vez em quando se torna burguês ou o ser emotivo que por vezes assume a racionalidade; o lobo ou o homem. Mas a sua angústia não se resolve com a constatação destes antagonismos; a pouco e pouco, no entanto, vai descobrindo que o ser humano não é duo mas múltiplo: ele não é a soma de dois “eus”, duas forças mais ou menos antagônicas que o ser humano por vezes parece ser. A sua personalidade é um campo de batalha entre muitas forças que por vezes se complementam outras se digladiam. Mas na maior parte das vezes estas faces do caleidoscópio revelam-se incompatíveis, causando angústia e desespero. Só enfrentando esta multiplicidade e assumindo estas múltiplas dimensões, o ser humano pode encontrar a felicidade. Tornar-se-á louco aos olhos do mundo; no entanto, feliz!

A necessidade de auto-conhecimento, de compreensão profunda do ser e do sentido da vida avassala Harry até ao dia em que, no limiar da salutar e redentora loucura, descobre a verdadeira raiz da felicidade: o humor. Compreende o que consegues compreender e ri-te de tudo o resto, poderia ser uma espécie de lição a retirar deste livro. Daí a referência recorrente a Mozart: o exemplo da loucura saudável, do gênio que ri daquilo que não compreende.

Esta descoberta faz com que o final da obra seja surpreendente. A angústia, o medo, o desespero dão lugar ao hilariante mundo da loucura, das mil e uma faces da alma.

Fonte:
Citador

Deixe um comentário

Arquivado em Estante de Livros

Trova XII

Montagem sobre pintura a óleo da Toucan Art

Deixe um comentário

Arquivado em Rio de Janeiro em Trovas

André Masini (A Rocha e a Espuma)

ADEUS MEU PORTO, ADEUS

Se menos áspero este mundo fosse,
Do adeus a ti, menor a dor seria.
Se à frente te aguardassem só alegrias.
Se meu futuro parecesse doce.

Não choro nosso amor, pois acabou-se,
Nem qualquer esperança que haveria,
Mas cada noite ameaçadora e fria,
cada tormenta que’essa vida trouxe.

Qual caravelas rotas, desvalidas,
que pela proa têm medonho mar
lançando ao porto amarga despedida,

nos separamos. Ô, Desatracar!
Na lógica implacável desta vida,
também se morre de no porto estar.
============================

A CAMINHO DO VULCÃO EL REVENTADOR

I

Diante de mim se descortina o dia,
chegado no silêncio mais profundo.
Recordo, lá de baixo, os sons do mundo.
Absoluto contraste… Calmaria.

Tons violáceos se mesclam – tão bonito –
à névoa branca etérea – inconstante.
À distância vislumbro em breve instante
um rio, que serpenteia ao infinito.

De outros vulcões, os picos entre as nuvens.
Escarpas sóbrias, perfiladas linhas.
Beleza em que se mostra o próprio Deus.

Serenidade e paz imperturbáveis.
De humanas emoções, somente as minhas.
De humanos sentimentos, só os meus.

II

No breu da noite, avança a escalada,
à tênue luz, de pilhas – que se esvai,
que ao lado mostra líquens – sempre iguais,
e ao longe, o negro, impenetrável nada.

Visões do dia, que o cansaço traz:
– a lava: mar de rocha que soterra
a mata exuberante desta serra;
– a chuva; – a lama; – e escarpas abissais.

Porém, cá em cima, a terra é uniforme.
mundo de pedra e líquens, tão enorme…
que todo o mais que existe, eu quase esqueço.

A névoa então se abre e me revela,
como um buraco em meio ao céu de estrelas,
o imenso vulto negro… Estremeço!
==============================

Sinopse do Livro
“Pequena Coletânea de Poesias de Língua Inglesa” é uma coletânea de poesias de autores clássicos da língua inglesa em edição bilíngüe, que traz poemas originais de autores clássicos – Poe, Yeats, Keats, Wordsworth, Dickinson, Henley – apresentados lado a lado, verso a verso, com sua tradução literal.

Os poemas são mostrados e explicados ao leitor brasileiro através de grande quantidade de notas, que elucidam não apenas os significados de palavras e estruturas sintáticas, mas também os elementos sonoros, rítmicos, e outros recursos poéticos.

Cada autor é apresentado por meio de uma pequena biografia. Através de todos esses elementos o tradutor e organizador revela o caminho que percorreu para chegar à sua tradução final em verso.

Este livro é indicado não apenas a estudantes e professores de língua inglesa e tradução, mas a todos que desejam ter a experiência de vivenciar a poesia em outro idioma.
=========================
Fontes:
– Poesias e Capa do Livro: MASINI, André Carlos Salzano. Pequena Coletânea de Poesias de Língua Inglesa/ Poesias de André C.S. Masini. São Paulo: A.C.S. Masini, 2000.
– Sinopse do livro. Casa da Cultura.

Deixe um comentário

Arquivado em O poeta no papel