Arquivo da categoria: Redação

Redação (Os 10 Mandamentos Para a Redação de um Bom Parágrafo)

Ao escrever, você emite opiniões, registra impressões, narra fatos: você se comunica. Para que essa comunicação seja clara, sugestiva, agradável, o que você escreve – especialmente o parágrafo – deve apresentar determinadas qualidades.

Com o mínimo de teoria e o máximo de prática, vamos sintetizar tudo o que você já aprendeu sobre o parágrafo.

1. Evite a generalização, definindo bem o assunto. Leia:
O fato mais destacado que se impõe a quem estude o Brasil – é o da esplêndida unidade do país. Unidade física afirmada na admirável continuidade do território. Unidade moral, demonstrada pela religião, pela língua, pelos costumes pelas relações materiais; objetivada no conjunto de elementos constitutivos da economia, da produção, do trabalho, indústria e comércio; e unidade intelectual expressa na identidade da formação e da cultura. Unidade política manifestada na comunidade de idéias, de sentimentos e de interesses de sua população.
(Gilberto Amado.)

O assunto está bem definido, claramente delimitado: a unidade do Brasil. O autor não se afasta dele por um momento sequer.

2. Formule, com uma idéia-chave clara, o objetivo do parágrafo.
No exemplo anterior: ao mesmo tempo em que delimita o assunto, o autor apresenta o objetivo do parágrafo nesta idéia-chave.

O fato mais destacado que se impõe a quem estuda o Brasil – é o da esplêndida unidade do país.

Atenção! Todo o texto deve ser bem elaborado, mas a idéia-chave merece cuidados especiais. Uma idéia-chave escrita com vigor, criatividade, bem expressiva, desperta a atenção do leitor e o estimula à leitura.

3. Esquematize o desenvolvimento, desdobrando em tópicos a idéia-chave, apenas ela.

No exemplo citado, de Gilberto Amado, a esquematização está bem clara:
Unidade física
Unidade moral
Unidade intelectual
Unidade política

4. Trate, no desenvolvimento, exclusivamente dos tópicos do esquema.
Isso está evidente no parágrafo de Gilberto Amado. Confronte o parágrafo todo com a esquematização que fizemos no tópico anterior:

Unidade física
afirmada na admirável do território.

Unidade moral
demonstrada pela religião, pela língua, pelos costumes, pelas relações materiais.

Unidade intelectual
expressa na identidade da formação e da cultura.

Unidade política
manifestada na comunidade de idéias, de sentimentos e de interesses da sua população.

Nem sempre essa relação desenvolvimento – esquema será tão bem definida. Mas é necessário que, de alguma forma, ela exista, para clareza do texto.

5. Observe, no desenvolvimento, uma ordem rigorosamente lógica.
Se o parágrafo for ordenado em função do tempo, use a seqüência cronológica adequada. Se em função do espaço, caminhe do geral para o particular, da direita para
a esquerda. Na exposição de idéias, observe a ordem dos valores.

Veja esta descrição que Euclides da Cunha faz de um vaqueiro:
O seu aspecto recorda, vagamente, à primeira vista, o de um guerreiro antigo exausto de refrega. As vestes são uma armadura. Envolto no gibão de couro curtido, de bode ou de vaqueta; apertado no colete também de couro; calçando as perneiras, de couro curtido ainda, muito justas, cosidas às pernas e subindo até às virilhas, articuladas em joelheiras de seda e resguardados os pés e as mãos pelas luvas e guarda-pés de pelo de veado – é como a forma grosseira de um campeador medieval desgarrado em nosso tempo.

É como se, com uma câmera de cinema, o autor, primeiro a distância, desse uma visão geral da personagem, a idéia de um guerreiro antigo, por causa das vestes; e depois, já bem próximo, começasse no gibão e fosse descendo, mostrando em close os diversos componente da vestimenta: o colete, as perneiras, as luvas e guarda-pés. No tópico final – é uma forma grosseira… – o retorno à idéia geral expressa no início do parágrafo.

6. Use palavras e expressões de transição, sempre que isso contribuir para a maior clareza da composição.
Veja, no parágrafo seguinte, como as palavras e expressões grifadas tornam o parágrafo agradável e fluente.
Todos os escritores, dignos deste nome, se esforçam por ser originais. A luta pela originalidade é, de há muito uma corrida vertiginosa aos assuntos novos, aos conceitos novos, às imagens novas. Nessa corrida, porém, quando os escritores julgam ter colhido o pomo de ouro, o que eles atingiram não foi quase nunca, a originalidade – ah, não! – mas a extravagância. Ainda hoje poucos profissionais das letras se convenceram de que há uma maneira extremamente fácil de ser original: é ser sincero.
(Júlio Dantas.)

7. Dê relevo à idéia principal.
a. Colocando-a no final do texto:
Por ela o meu sangue, toda a minha alma para resguardá-la: é o meu amor, é o meu ídolo, é o meu ideal – a Forma.
(Coelho Neto.)

b. Trazendo-a para o início:
Verdadeiramente, é do século XIX que podemos datar a existência de uma literatura brasileira, tanto quanto pode existir literatura sem língua própria.
(José Veríssimo.)

c. Reforçando a idéia principal:
Mas a coroa de espinhos, D. Raposo, essa não tornou a servir para mais nada.

8. Equilibre a extensão dos períodos, evitando trechos excessivamente longos ou exageradamente curtos.

Veja como um parágrafo só com períodos curtos é truncado, de difícil leitura:

Era ainda um trabalhador incansável. Produzia nos jornais. Escrevia livros. Estudava continuamente. Tinha ânsia inacabada de aprender. Tinha ainda deveres de funcionário público. E zelosamente os cumpria. Assim foi diretor da Repartição de Estatística do Diário Oficial. Foi também diretor da Biblioteca Nacional. Este último lugar perdeu-o num rasgo de independência. Floriano Peixoto tinha morrido. Prudente de Morais fora levar, pessoalmente, até a última morada, o Marechal de Ferro. Raul Pompéia foi o orador no cemitério. Proferiu um discurso sensacional. Fez, às faces do chefe da Nação, acusações tremendas à sua política e ao seu patriotismo. Foi demitido. Não se incomodou. Nunca teve o gênero acomodatício. E não tinha também esse jeito tão especial dos incensadores do poder.

Veja agora como o mesmo parágrafo, tratado de forma diferente, só com períodos longos, fica bastante confuso.

Era, ainda, um trabalhador incansável que produzia nos jornais, escrevia livros, estudava continuamente, numa ânsia incontida de aprender, e tinha ainda deveres de funcionário público, que ele zelosamente cumpria, pois foi diretor da Repartição de Estatística do Diário Oficial e diretor da Biblioteca Nacional, lugar este que perdeu num rasgo de independência. Floriano Peixoto tinha morrido e Prudente de Morais fora levar pessoalmente até a última morada o Marechal de Ferro, ocasião em que Raul Pompéia, como orador no cemitério, proferiu um discurso sensacional, fazendo às faces do chefe da Nação acusações tremendas à sua política e ao seu patriotismo, sendo por isso demitido, sem que se incomodasse, pois nunca teve o gênito acomodatício, nem esse jeito especial dos incensadores do poder.

Reescrevemos o parágrafo original, apresentando essas duas versões, onde foram acentuados os defeitos que se devem evitar.

Veja agora como foi realmente escrito por Heitor Muniz. Alternando frases curtas com trechos mais extensos, o parágrafo é fluente, agradável de ler:

Era, ainda, um trabalhador incansável. Produzindo nos jornais, escrevendo livros, estudando continuamente, numa ânsia incontida de aprender, tinha ainda deveres de funcionário público, que ele zelosamente cumpria. Assim foi diretor da Repartição de Estatística do Diário Oficial e da Biblioteca Nacional. Este último lugar perdeu-o num rasgo de independência. Floriano Peixoto tinha morrido, e Prudente de Morais fora levar, pessoalmente, até a última morada, o Marechal de Ferro. Raul Pompéia, orador no cemitério, proferiu um discurso sensacional, fazendo, às faces do chefe da Nação, acusações tremendas à sua política e ao seu patriotismo. Foi demitido. Não se incomodou. Não teve nunca gênero acomodatício, nem esse jeito tão especial dos incensadores do poder.

9. Escreva com naturalidade, simplicidade e objetividade.

Evite palavras e expressões rebuscadas, bem como o palavreado inútil, como neste caso:

O aviso dado pelo famoso escritor Mário de Andrade tem tudo para parecer excessivamente irônico. É fácil concluir que Macunaíma não poderia mesmo ter caráter, pois, como era ilimitado, não estava sujeito às contingências, fossem quais fossem. E é justamente essa ausência da qualidade moral conhecida como caráter que lhe dá, por paradoxal que pareça, um grande caráter realmente sobre-humano, onde podemos notar que se reflete, no tumulto da aparente indisciplina, um rol imenso de energias elementares.

Compare com o texto original de Ronald de Carvalho -este simples, enxuto, bem mais vigoroso:

O aviso de Mário de Andrade pode parecer irônico. Macunaíma não poderia ter caráter, pois, sendo ilimitado, não está sujeito às contingências. E é justamente essa ausência de caráter que lhe dá um caráter sobre-humano, onde se refletem, no tumulto da aparente indisciplina, as energias elementares.

10. Procure sempre dar uma conclusão ao parágrafo.

Lembre-se, também, de que a conclusão é o fecho do parágrafo. Deve ser bem cuidado. Uma conclusão redigida com vigor e elegância valoriza bastante o texto.

FONTE:
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/ednilsom-comunicacao/10-mandamentos-redacao.html

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Redação

Curso de Redação em Português (Parte Final)

Erros de construção

De acordo com Melo (1980, p.87), quando se redige cometem-se alguns erros que comprometem a qualidade do texto. Por exemplo: justificar-se por fazer uma má redação; pela pobreza de nosso vocabulário, por não conseguir dar conta da expressividade, por ter falsa simplicidade; dizer que vamos expor o próprio ponto de vista, por enfatizar o tema dizendo que é importante e muito polêmico. Outro problema é justificar o fato de que não sabe escrever, comunicar que na figura a ser exposta ou o objeto a ser descrito descrever é difícil apontar suas características. Ou para concluir a essência, fazer uma novela, história com início, meio e fim.

Segundo o autor, é necessário evitar “historinhas”; escolher e seguir um planejamento de “pergunta/resposta” de conversa geralmente sem propósito; dirigir a escrita para uma desgraça, com muito sangue, desespero, dor, lances de melodrama; não tomar posição, ficar em cima do muro, querer agradar a todos, e temer a desaprovação; aceitar como verdadeiro uma atitude de moral e palavras em geral, sentenciando a totalidade das coisas e a todas as pessoas, sem deixar espaço para pensar, respirar, digerir, escolher.

Apresentar esses problemas ao construir o texto não acrescenta nada à hora de desenvolver a redação, pelo contrário: atrapalha no desenvolvimento do texto.

Erros de argumentação

Muitas vezes o aluno começa bem o texto, porém comete erros de argumentação; isto é, erros de raciocínio ou provas empregadas para apoiar ou negar uma afirmação.

O discente tem que colocar atenção a cada momento de argumentar antes de passar seu texto a limpo. Os erros produzem-se por ignorância ou inexperiência da pessoa que argumenta. Em ocasiões, recorre-se a uma argumentação incorreta de forma consciente, com a intenção de convencer ao destinatário da mensagem por meios racionais.

No livro, Redação Inquieta, Bernardo (2000, p.95-103) menciona falhas de argumentação como: a confusão causa-efeito; o círculo vicioso; a estatística tendenciosa; a fuga do assunto.

A confusão causa/efeito consiste em estabelecer como causa de um fato que aconteceu imediatamente antes do tempo. Por exemplo: Meu pai encerrou o cachorro. Depois de poucos dias, tinha raiva o animal. Portanto, o encerramento é o que causou a raiva. Analisando a frase, a raiva é posta como efeito da causa “cachorro”. Ora, é ilógico afirmar que a conseqüência de encerrar o cachorro dê raiva.

O círculo vicioso consiste em fazer uma afirmação e defendê-la apresentando razões que significam o mesmo que a afirmação original, ou seja, duas proposições que carecem igualmente de prova. Por exemplo: o sal se dissolve porque é solúvel. Ou provar a origem do homem pelo intelecto divino e o intelecto divino pela origem do homem.

A estatística tendenciosa acontece quando um determinado tema é pesquisado sob a forma de tabela, apoiado num levantamento apressado de fatos. Com esse tipo de redação, o aluno quer terminar rápido e faz uma conclusão mal feita. Por exemplo: Carolina é medica e não fuma; os médicos não fumam.

Algumas cobras são venenosas, logo, todas o são.

O argumento autoritário é quando se apela para as palavras de uma pessoa famosa ou autoridade, ou seja, dá-se opinião e impressiona-se o opositor. Usam-se adjetivos violentos e covardes. Por exemplo: Como vais pôr em dúvida minhas palavras (diretora), se eu fui votada pela maioria dos professores?

A fuga do assunto é quando o discente faz uma frase e na seguinte se desvia da idéia.Por exemplo: a ciência é muito importante para humanidade, a história estuda o passado. Ou: o amor é a ferramenta do ser humano, a paixão é dolorosa.

A seguinte citação também pode ajudar:

Muitas vezes, distraídos, incorremos em erros imperdoáveis ao argumentar. Tais enganos podem anular o que tínhamos dito anteriormente. Uma frase infeliz pode derrubar um império!

Chamamos a atenção para as seguintes incorreções:
1. Confundir causa com conseqüência ou vice-versa;
2. Deduzir algo que não pode ser retirado daquele fato;
3. Atribuir uma frase a alguém que não seja o seu autor;
4. Fazer referência a um fato histórico de modo incorreto e/ou absurdo;
5. Deixar uma frase incompleta, interrompendo o raciocínio e introduzindo outro assunto (trate-se da figura denominada “Anacoluto”) (Melo, 1980, p.98).

Esta citação ajuda a reforçar as palavras de Bernardo; portanto, uma frase ou idéia mal elaborada pode acabar com o texto.

A gramática na redação

Sabe-se que quando se fala de redação estamos falando de uma combinação de frases, uma combinação de classes de palavras, por isso, é bom conversar com os alunos sobre o porquê eles têm que aprender gramática na hora de redigir.

O professor é referência no momento de explicar a gramática na redação, pois a gramática é o caminho para escrever certo. A citação de Bernardo nos mostra isso:

O que importa é ter sempre muito claro que faz parte do escrever bem fazê-lo respeitando escrupulosamente o código. Isto deve ser lembrado aos alunos, o tempo todo, de muitas maneiras e por todos os professores. Se todos ensinamos a ler, a escrever e a raciocinar, parece óbvio que todos devemos ensinar a língua portuguesa, preocupando-nos em mostrar o certo e corrigir o errado […]. (BERNARDO, 2000, p.36)

Para escrever um texto, o aluno precisa saber a gramática e isso deve ser lembrado por todos os educadores.

A escola deve preparar o aluno para a “vida”, e se o educando pergunta “para que me serve aprender língua portuguesa?”, a resposta está em Almeida (1984, p.10) “se você não souber falar e escrever direito, corretamente, você não arranja um bom emprego, não consegue passar num concurso, nem uma boa colocação…“. A gramática serve sim, para elevar a auto-estima do aluno, e ele se sentirá bem com essa resposta.

Porém, se pensarmos na prática da produção de texto como uma forma criativa, quem tem a resposta é Possenti:

[…] Para se ter uma idéia do que significaria escrever como trabalho, ou significativamente, ou como se escreve de fato “na vida”. Basta que verifiquemos como escrevem os que escrevem: escritores, jornalistas. Eles não fazem redações. Eles pesquisam, vão à rua, ouvem os outros, e lêem arquivos, lêem outros livros. Só depois escrevem, e lêem e relêem, e depois reescrevem, e mostram para colegas ou chefes, ouvem suas opiniões, e depois reescrevem de novo. A escola pode muito bem agir dessa forma… […] (POSSENTI, 1996, p. 49)

O professor deve ser criativo na sala de aula, porque se os escritores e jornalistas fazem isso, por que os alunos não podem?

O professor e os alunos escolhem um tema para redigir, depois o professor pede a eles que pesquisem em livros, Internet, pessoas que possam ajudar no assunto. Só depois o mestre corrige. Isso seria fantástico!

Porém, apesar de a gramática dar um rumo importante para o estudante, a triste realidade muitas vezes é outra, pois muitos alunos passam fome e o educador, sem se importar com essa realidade, ensinam classes de palavras ou análise sintática, assuntos que não chamam a atenção de uma criança ou jovem que passa por dificuldades. Por isso, o educador precisa ser sensível e conhecer a turma e sua realidade antes dos alunos estudarem a língua portuguesa.

Agora, como se sabe que a gramática é o “conjunto de regras”, e que é preciso segui-las, caso o aluno não aprenda e erre no momento de escrever, o educador terá paciência, já que erro é quando se sai de tais regras. Como expressa Possenti (1996, p. 78), “erro é tudo aquilo que foge à variedade que foi eleita como exemplo de boa linguagem“. Para que não haja equívocos, o educando deve estar consciente de como corrigir, para não deixar o aluno constrangido.

Explicar para o estudante que errar é bom, mas acertar é melhor. Um exemplo de uma aula de português é a partir de uma frase, como escreve Possenti (1996, p.91), “uma aula de gramática seria partir de uma construção e dizer a mesma coisa de todas as formas que se puder obter, alterando o ponto de vista, ou seja, alterando a estrutura da frase sem alterar radicalmente seu sentido“. Essa é uma forma de como trabalhar a gramática através de estruturas de frases, da qual muitos alunos iriam gostar.

Para tanto, o mestre tem que ser criativo, por exemplo:

A noite, naquele fim de mundo, cai pesadamente.
Naquele fim de mundo, a noite cai pesadamente.
A noite, pesadamente, cai naquele fim de mundo.
Pesadamente, naquele fim de mundo, a noite cai.

O vento, em movimentos bruscos, assovia agressivamente.
Em movimentos bruscos, o vento assovia agressivamente.
O vento, agressivamente, assovia em movimentos bruscos.
Agressivamente, em movimentos bruscos, o vento assovia.

O guarda tratou o garoto com ironia.
O guarda tratou-o ironicamente.

Se Deus quiser, dará uma de suas bolas ao menino.
Se Deus quisesse, daria uma de suas bolas ao menino.

A mãe pensou: se eu o ameaçar, ele pára de chorar.
A mãe pensou que, se ela o ameaçasse, ele pararia de chorar.

Considerações Finais

Em virtude dos fatos mencionados, a construção de textos criativos e a pré-escrita ajudará o discente a ter confiança de que vai elaborar uma boa redação, pois o ato de escrever o fará pensar sobre si mesmo e também na construção de idéias.

É bom saber técnicas, mas o mais importante é elevar a auto-estima dos educandos, posto que se a pessoa se sente capaz de escrever, escreve.

O mestre precisa desenvolver um grau de motivação para despertar o interesse no gosto de redigir, explicando para o estudante todos os passos necessários para a construção de textos bem elaborados. Outro ponto a considerar é que para fazer uma produção textual não tem como escapar da gramática, porque ela torna compreensível o texto.

E se o aluno comete erros? Vimos que, segundo alguns lingüistas como Sírio Possenti e Gustavo Bernardo, que o papel do professor é ajudar a corrigir e reconstruir a expressão ou palavra em que o aluno se equivocou. Desse modo, o educando se sentirá realizado.

Se o aluno tem consciência de sua redação, ele faz uma revisão dos possíveis erros, o que auxiliará ao professor ter menos trabalho na hora de corrigir; o mestre se sentirá orgulhoso de seu aluno.

Espero que este trabalho sirva para os professores e estudantes, pois minha intenção foi colaborar com aqueles que se interessam pelo ensino da língua. Entretanto, deixo em aberto a possibilidade para novos questionamentos e propostas para novas pesquisas.

Fontes:
Autor: Gonzalo Pérez Publicação: 23/06/06
http://www.mailxmail.com/curso/idiomas/redaportugues/
http://gattors.blogspot.com/ (figura)

Deixe um comentário

Arquivado em Cursos, Redação

Curso de Redação em Português (Parte II)

Este curso está sendo postado em três partes para não ficar muito longo em um dia e possibilitar o acesso a outros artigos. A Parte I foi postada em 6 de abril de 2008.

A criatividade do parágrafo

A criatividade é muito importante para desenvolver qualquer atividade. No que diz respeito à escrita, para criar um parágrafo é necessário que os estudantes saibam o conceito de parágrafo, para depois começar a construir um texto. Eles se perguntarão como iniciar as unidades do texto, já que unidade é quando alguém escreve uma coisa de cada vez. Quem tem a resposta é Bernardo que disse que para começar a escrita, deve-se iniciar pelo tema, que servirá para compreender e refletir sobre o assunto, para depois perguntar à nossa consciência: por que o professor colocou esse tema? E também, que acho disso?

Então, já que o aluno resolveu sobre determinada idéia principal, ele tem que saber as diferentes combinações de como formar o parágrafo. Segundo Viana, et. al (1998, p.62-65), há dois tipos de estruturas: simples e mistas; estas fazem harmonizar a idéia principal de cada parágrafo. Isto nos ajudará a ter coerência e coesão.

A estrutura simples tem várias técnicas que são: retomada da palavra-chave; por encadeamento; por divisão; por recorte. A primeira, que é a retomada da palavra-chave, o aluno escolhe um vocábulo da idéia principal, através desta palavra é retomada na seguinte frase em relação à frase anterior e assim sucessivamente. Estas frases sempre estarão retomadas pelas seguintes sem repeti-las. Se não se encontra palavra para substituir, pode se colocar o mesmo vocábulo, mas sempre somando novas informações.

Mostrando num esquema:
Palavra-chave dentro do tema recuperar por coesão a cada frase

A segunda técnica seria por encadeamento. Encadear significa formar cadeia ou série, ou seja, é como se houvesse uma corrida de reversão, em que o segundo período leva para frente um vocábulo do primeiro, o terceiro do segundo; até chegar ao final do parágrafo. Este método é importante, porque se pode escrever à vontade até onde achar necessário. A escolha do vocábulo a ser escrito é pessoal, pois cada palavra escolhida do período é uma opção do autor que está escrevendo.

Mostrando um esquema:
Frase2 à frase1; frase3 à frase2; frase4 à frase3. E assim sucessivamente.

Outra técnica é por divisão. Divisão significa separar partes; isto funciona assim: para separar os vocábulos do primeiro parágrafo que se desenvolve o raciocínio em duas partes, para depois, explicá-las no seguinte parágrafo, seja no mesmo parágrafo ou diferentes. Pode colocar as expressões como: em primeiro lugar… em segundo…por último; por um lado…por outro lado. Na frase seguinte, explica os detalhes de cada um, e por último, finaliza o tema. Mostrando o esquema:

No final do primeiro parágrafo citar os dois vocábulos divisão das duas palavras em parágrafos diferentes ou frases Frase 3 escreve detalhes frase 4 finaliza o assunto.

Outra técnica é por recorte. Neste método tem uma palavra que nos leva a interpretar vários pontos de vista. Para isso, escolhe-se um ponto de vista para ser trabalhado; daí usam-se exemplos para confirmar o ângulo, para depois concluir.

Mostrando o esquema:
Palavra generalizada, na frase 1 recorte-se num ângulo, na frase 2 nas seguintes frases pôr exemplos na última frase se conclui.

Por último, a estrutura mista, que é uma combinação das anteriores: pode ser uma retomada da palavra-chave no primeiro, segundo, terceiro, para depois mudar para encadeamento ou por divisão depois mudar para recorte. O mais importante é não perder a seqüência do parágrafo.

Eis, em síntese, o que você deve observar para escrever um parágrafo:

Um parágrafo é formado por vários períodos. Dentro das orações deve haver unidade, para formar um todo, já que, em cada um, se colocará um tema e uma palavra-chave de peso. Se essa idéia principal fosse vaga, confundiria cada unidade de pensamento. Também se deve evitar palavras soltas, sem coesão com o assunto, pois quando se exploram vários pensamentos, a produção de textos fica incoerente.

Um exemplo do livro Redação Inquieta aclarará como autor montou o parágrafo. Segundo Bernardo (2000, p, 40),

“Escrever compromete mais ainda do que falar. Porque marca. Porque corre de boca em boca, de olho em olho, à revelia de quem escreveu. Escrever é um contrato com a verdade (ou com a mentira); um contrato com o outro e consigo mesmo. Escreveu, não leu, pau comeu – como dizem”.

Com este exemplo, responder as perguntas seguintes:
1. Quantos períodos se utilizou?
2. Todos eles referem-se ao tema?
3. Qual é a palavra de peso?
4. Qual dos períodos dá melhor sentido do parágrafo?
5. Os demais períodos referem-se ao tema? Como?

Respostas:
1 (5); 2 (Sim); 3 (Escrever); 4 (O primeiro, que é o tema); 5 (Sim, o segundo, porque dá explicação da importância de escrever. O terceiro e quarto explica porque marca o que o autor quer expressar para os outros ou para si mesmo. No quinto, quem não se informa e não lê, na hora de escrever pode errar muita coisa. Este é um exemplo de como o escritor foi perfeito na idéia principal. Assim, outros autores podem orientar-se na estrutura no parágrafo, que depende do estilo)

Montando o texto

Para montar um texto, necessita-se ter uma idéia. Dessa idéia, forma-se uma palavra; dessa palavra, um parágrafo; esses parágrafos transformam-se num texto. Para criar um texto, precisa-se concordar com a idéia. Isso tece em unidades do começo ao final até chegar à produção da escrita. Na seguinte citação explica melhor:

Agora que você já domina as formas mais comuns de estruturação de um parágrafo, é preciso pensar na estrutura global do texto, ou seja, na sua macroestrutura. Veremos como se pode escrever uma redação coerente do princípio ao fim. O primeiro parágrafo (parágrafo-chave) é sempre o mais importante. Portanto, verifique se ele dá margem a uma boa expansão do tema. Nada sairá de um parágrafo-chave mal feito, em que se amontoam várias idéias ao mesmo tempo. Na organização de um texto, e fundamental a interligação entre os parágrafos. São eles que conduzem nosso processo reflexivo. Funcionam como partes de um todo e devem articular-se de forma perfeita para que a informação não se disperse. (VIANA, et. al, 1998, p.70)

É importante saber sobre a estrutura de um parágrafo, porém, também na estrutura de transição do texto. O discente não se perderá. Do momento que surge a idéia, essa é a primeira verdade, até chegar o último parágrafo com alegria, porém, se essa idéia é confusa ou primeiro parágrafo, então os parágrafos estarão confusos, e não vai ser feliz com a redação.

Segundo Viana, et. al (1998, p.70-72), há duas técnicas para montar um texto, que são: articulação por desmembramento do primeiro parágrafo; articulação por introdução de elementos novos a cada parágrafo.

A primeira técnica é baseada no primeiro parágrafo, que consiste escolher uma ou duas palavras-chave; ou seja, substantivos concretos ou abstratos; para depois se prolongar em outras palavras-chave de cada parágrafo. Eles transitam com naturalidade, até construir a produção de texto, que é costurada a partir do parágrafo-chave. Mostrando o esquema: parágrafo-chave é centrado num ou dois conceitos (palavras-chave), prolonga-se em outras palavras para formar cada um dos parágrafos na conclusão, resumir o texto iniciando com coesão.

A segunda técnica é baseada por encadeamento dos parágrafos, o parágrafo leva-se para um novo conceito que será o começo do seguinte, no entanto sem perder as palavras-chave do parágrafo principal. E, no final do texto, concluir, retomar o problema principal do parágrafo-chave.

Mostrando o esquema:
Texto encadeado redigir bem o primeiro parágrafo e nos outros parágrafos seguir uma nova palavra-chave, concluir com a retomada do parágrafo-chave.

Segundo Viana, et. al (1998, p, 74-75), para construir um texto, dá-se por parágrafos que levem a mesma unidade. Para que esta se cumpra, o primeiro parágrafo deve estar bem definido, para depois, ser desenvolvido nos seguintes transições. Cada um é retomado por uma palavra ou idéia que impressione na seguinte alínea. Se isso acontece, está-se elaborando um texto harmônico em torno de um mesmo assunto.

Os autores dizem que é importante ter a idéia mentalmente. Talvez seja bom um planejamento ou listar as palavras-chave com que vai introduzir o texto. É importante não perder de vista coerência e coesão; porém, o parágrafo final deve reconstruir toda a produção da escrita para finalizá-lo. Para que isso se realize, leia de novo a redação, a fim de ter uma seqüência lógica até o final.

Todo texto mostra o ponto de vista de quem o escreve. O autor tem sempre uma proposta a ser discutida para poder chegar a uma conclusão sobre o assunto. texto deve demonstrar uma seqüência lógica, que resulte um bom domínio de sua arquitetura e do conhecimento da realidade. Deve-se levar em conta o pensamento ordenado e a coesão na mente sentirá resultados satisfatórios. Desde que o tema seja de seu domínio e o estudante tenha conhecimento dos princípios de coesão e da estruturação dos parágrafos, as dificuldades de escrever serão bem menos.

É importante que se leia tudo o que for possível sobre o tema a ser desenvolvido para que sua posição seja firme e bem fundamentada.

Segundo a citação:

Transições são passagens de ligação – frases ou locuções, – que guiam o espírito do leitor de um pensamento ou de um desenvolvimento a outro, dando nexo à composição. Quando os pensamentos têm uma ligação necessária, são fáceis as transições, porque os primeiros são fontes dos segundos e estes o desenvolvimento daqueles. Mas, numa longa composição, são mais difíceis, porquanto as relações entre as idéias são longínquas e abrem-se intervalos na ordem dos pensamentos. Isto, por si só, é uma recomendação para que se evitem redações longas. Quando estas relações se tornam de tal modo remotas que há nelas incoerência e disparate, nada poderá ligar tais idéias. Quaisquer transições são, neste caso, esquisitas e ridículas. (BAÇAN, 1999, p.104)

Com certeza, uma coisa é um texto curto e outra é o texto longo, quando é uma redação curta é fácil levar uma seqüência dos parágrafos com os conectivos; agora, quando é um texto longo, se a pessoa que está escrevendo não leva em conta a coerência e coesão, as idéias podem se afastar. Então, a transição é importante para quem está preocupado em redigir bem.

Dessas duas técnicas, conclui-se que é importante o primeiro parágrafo-chave; então, há várias maneiras como iniciar e terminar uma produção escrita. O propósito deste parágrafo é chamar a atenção do leitor. Pode-se iniciar com uma definição, uma declaração afirmativa ou negação, uma pergunta, oposição (de um lado/de outro), citação, alusão histórica, etc. agora, para terminar ou fechar o texto há a conclusão-proposta (solução); conclusão-síntese (resumo); conclusão – surpresa (citação).

Segundo Lucília (2001, p.108), é importante, ao concluir, ficar claro para o leitor o encerramento da produção textual, tais como: em outras palavras; portanto; assim; em suma; concluindo; diante desse quadro; diante do que foi dito; em vista disso podemos concluir…

Textos criativos

Todo tipo de texto é importante para ajuda aos discentes, a fim de que eles tenham opção para redigir. Estes textos devem ser criativos e utilizam algumas técnicas: indução, dedução, maniqueísta, dialética. Estas técnicas serão de importância para elaborar uma produção diferente.

Escrever não será, também, uma questão apenas de técnica. Não se escreve sem alguma técnica, é certo. Mas, ninguém começa a escrever depois de “adquirir” a tal técnica. Começa-se a escrever porque se deseja fazê-lo, e então, enquanto se vai escrevendo, se vai organizando a própria técnica. (BERNARDO, 2000, p.20)

O estudante pode saber muitas técnicas, o interessante é estar motivado para escrever. Se ele não se interessa por escrever, de nada serve essa forma de organizar o texto.

De fato, é importante conhecê-las uma por uma. A indução é um método científico de referir, é dizer, contar ou narrar fielmente (o que se ouviu); citar; aludir (referencia indireta). Segundo Gustavo:

O procedimento indutivo, que coleciona os fatos para sustentar a hipótese definida a princípio, recorre à observação direta (com os próprios sentidos), à observação indireta (ou seja, à observação e à pesquisa dos outros, através de jornais, livros e outros meios de comunicação), e ao testemunho autorizado (ou seja, à observação e pesquisa de pessoas que se reconhecem como autoridades e especialistas no campo do argumento em questão). (BERNARDO, 2000, p.117)

A indução trabalha com hipóteses do tema escolhido, ou seja, do particular para o geral e do efeito para a causa, por isso ele é apoiado na observação. Do conhecido ao desconhecido. Muitas vezes, recorre-se a pessoas peritas no assunto que ajudaria o trabalho científico a concluir.

De acordo com Gustavo:
Observar é movimento humano e dinâmico, colhendo fatos, cozinhando-os no raciocínio e produzindo opiniões. Produzindo provisórias e necessárias regras de vida. […] o método indutivo parte da observação do efeito, ou dos efeitos, para chegar à causa ou às causas. […] (BERNARDO, 2000, p.49)

Quando o ser humano começa a pesquisar um determinado assunto, sua cabeça “voa”, pois, a observação é constante é ativa; coletando dados; analisando-os na lógica para depois concluí-los. A indução é temporária, ou seja, até que cheguem outras pessoas com hipóteses mais fortes, fazendo outras conclusões; em outras palavras, por mais que se pesquise um assunto, nunca se chegará às finalizações definitivas.

Então, como seria uma redação indutiva na sala de aula? Inicia-se a argumentação com fatos concretos para achar ou induzir uma norma geral que os explique. A idéia principal ou teses aparecerá ao final do texto, a modo de conclusão, Vai-se do particular ao geral.

Segundo Gustavo:
[…] O método indutivo tem os seus limites. Ao raciocinar a partir dos fatos, ele nos entrega conclusões provavelmente verdadeiras, mas não necessariamente verdadeiras. No mais das vezes, existem hipóteses alternativas àquelas com as quais nos apegamos, indicando caminhos diversos para a solução. (BERNARDO, 2000, p. 53)

O esquema seria:
Tema + hipóteses alternativas (várias opiniões podem ser possíveis) + comprovações + conclusão (es).

Por exemplo:

Tema: As alegrias e as tristezas sempre estão presentes na forma de viver do homem curitibano. [particular, conhecido (concreto)]
Perguntar ao tema: por que as alegrias e as tristezas…?
Hipóteses alternativas: três argumentos (geral, desconhecido)
1. Se não tem a Deus a pessoa fica vazia
2. O homem sempre muda de caráter
3. A forma de viver depende do estado que se encontra a pessoa
Tema + hipóteses alternativas = um só parágrafo
Argumentos: três parágrafos diferentes
Conclusão (es).
As alegrias e as tristezas sempre estão presentes na forma de viver do homem curitibano. Se ele não tem a Deus como centro, a pessoa fica vazia; portanto o homem muda de caráter, porque a forma de viver depende do estado em que se encontra a pessoa.

Desenvolver as três hipóteses em parágrafos diferentes.

Depois que fez a pesquisa das hipóteses (comprovações), vem a conclusão.

Segundo: a dedução é um pensamento que vai do geral para o particular, da causa para o efeito, do desconhecido ao conhecido. Dedução é um método de inferir, ou seja, de conclusão. Há um raciocínio chamado de silogismo, que poderia nos ajudar a deduzir.

Desde Aristóteles, a forma nobre do raciocínio chama-se “silogismo”. Se tentássemos fazer a etimologia dessa palavra, mas sem consultar o dicionário apropriado, seríamos tentados a enxergar sob ela a expressão “se-é-lógico”, baseado na estrutura condicional “se à então”, que funda a lógica e o raciocínio. Entretanto, se consultarmos o dicionário adequado, veremos que a palavra vem de um termo grego que significa “juntar os feixes de feno”. O silogismo, portanto, é uma estrutura argumentativa que junta alfa com beta através de í, isto é, através de um termo médio. (BERNARDO, 2000, p. 109)

Na época de Aristóteles, havia o raciocínio dedutivo chamado de silogismo, que procura demonstrar a verdade na razão; com um significado profundo “juntar as opiniões para chegar à conclusão”. O silogismo está baseado nas hipóteses. Há três proposições: uma premissa geral, particular, e a conclusão, isto é, o termo maior; o termo menor; o termo médio.

Segundo Bernardo (2000, p. 56) “[…] Entre as duas premissas há um termo comum, levando a se colocar, na conclusão, o particular dentro do geral, para justamente confirma a hipóteses, ou seja, a própria premissa geral e inicial“.

Este termo médio é chamado assim, porque é o intermediário entre o termo maior e o menor.

Começa com -todo, qualquer, sempre- para o termo maior; com -ora- para o termo menor; com – logo, portanto, por isso – para o termo médio.

O esquema deste raciocínio:
Todo A é B;
Ora, C é A;
Logo, C é B.

Por exemplo:

Os professores curitibanos são muitos cultos;
Ora, Pedro é um professor curitibano;
Logo, Pedro é muito culto.

Na visão de Bernardo: (2000, p.106), “[…] Definimos um argumento como válido quando a sua conclusão segue necessariamente das premissas. No argumento válido, portanto, é impossível que, sendo verdadeiras as premissas, seja falsa a sua conclusão. […]

Este tipo de silogismo é válido quando as premissas gerais e particulares são válidas. Se cada uma delas é válida e impossível ser falsa a sua finalização.

Na visão de Gustavo, o silogismo munido de provas é baseado na indução e dedução. Apoiada em provas, certezas ou afirmações.

O esquema deste raciocínio:

Tese: indução = afirmações concretas, começando com todo.
Comprovação: dedução = hipóteses, começando com ora. Conclusão: dedução = hipóteses, começando com logo.

Por exemplo:

Razões econômicas obrigaram à maioria das nações baleeiras; incluso Grão Bretanha, Holanda e Estados Unidos suspenderam suas operações. Ora, cada ano o custo de caçar baleias aumenta à medida que decresce o número destes animais. Logo, dois países as perseguem tenazmente e aceleram a mortandade na luta contra o tempo: Japão e a União Soviética. Seus velhos barcos duraram poucos, e o gasto cada vez maior que implica sua reconstrução obrigam a substituí-los.

O que é a redação dedutiva? É uma redação que começa com a premissa geral, logicamente válida, para extrair uma lei particular que sua tese expõe. Isto é, nos parágrafos têm a idéia principal no começo. Isso é importante para o leitor, para não estar procurando as teses.

A terceira técnica para reconhecer o texto criativo é o maniqueísmo. De acordo a Bernardo (2000, p. 64-65) “Podemos começar a reconhecer, na dependência do sol à terra, e da terra ao sol, da luz (calor) à escuridão (o escuro subsolo onde germina a vida) e da escuridão à luz, do homem à mulher e da mulher ao homem. […]”

O maniqueísmo é o dualismo que significa dois princípios: um depende do outro para complementar-se. É o mundo dividido em dois: o bem e o mal. É o “duplo pensar” de certo ou errado, isso ou aquilo, é ou não é.

Os dogmas se espalham no cotidiano. À força de tanta repetição, eles vêm à cabeça no ato, no momento em que alguém toma de papel e caneta. São as sentenças emprestadas, as idéias que nos mandaram repetir e reproduzir, papagaios e marionetes dos outros. Estas sentenças chegam e bloqueiam o aparecimento de outras, das nossas, das idéias que poderiam ser próprias se não fossem bloqueadas pelas alheias. (BERNARDO, 2000, p. 69)

Os dogmas são pensamentos fixos, quando o emissor transmite-o para outras pessoas. Essas pessoas repetem dos outros, como se fosse a única idéia para concretizar; no entanto, cada indivíduo tem sua própria idéia e abandona as alheias…

De acordo a Bernardo, (2000, p, 75), a redação maniqueísta é uma redação duvidosa, ou seja, hipotética; Isto quer dizer, O escritor tem dificuldade de definir uma linha lógica de raciocínio. Esta forma de pensar leva a fechar o sentido das palavras, faz uma confusão na hora de escrever. É totalmente ilógico em suas idéias ou usa ingredientes já prontos para a argumentação.

O contexto é tenso, ou seja, tem muitas idéias ou informações sobre o tema e não se consegue encadeá-las; portanto não se expressa e tem preconceitos de pessoas, coisas, lugares, atitudes, palavras; baseado em mera crença ou antipatia.

Por conseguinte, não acrescenta nada o leitor e oculta a forma dinâmica dos assuntos, ou seja, não sabe muito sobre a questão, e escreve outras coisas não relacionadas com o tema, pois, a ignorância sobre a realidade é grande.

O escritor pensa que é difícil resolver um problema, e pensa nas opiniões não sujeitas a mudança.

A estrutura maniqueísta de pensar determina as coisas e as pessoas como “em si”, distribuindo-as em dois campos antagônicos de modo a um certamente eliminar o outro. […]… […] a característica da redação maniqueísta é a repetição, repetição que trava os processos, que volta sempre sobre os mesmos passos. […]…[…] uma palavra, quando se repete igual muitas vezes, é uma palavra que não se desenvolveu, que não se relacionou. Daí acaba por dizer o contrário do que parece dizer. […] (BERNARDO, 2000, p. 84-86)

Como ensinar o que é a redação maniqueísta na sala de aula?

Na cabeça dos estudantes, muitas vezes, o pensamento não está “ordenado”, e quando se faz alguma tarefa, o professor orientá-lo para que não se contradiga o que escreve; não repetir palavras porque pode sair das idéias. Então, ensinar o que é certo ou errado.

Conclusão
confusa

O esquema desse tipo de texto seria:
teses
antíteses

Por exemplo:

Assunto: O ser político e ser político
Teses: Muitos dos políticos são corruptos e não fazem nada pela nação.
Antíteses: se fossem honrados, pensariam no povo.
Conclusão: portanto, é impossível que os políticos resolvam à situação do povo, isso que eu acredito.

A quarta técnica para reconhecer texto criativo é a redação dialética que, segundo Gustavo, no início a dialética era a arte de dialogar, ou seja, perguntar e obter respostas. Depois Hegel definiu a dialética como: tese, antítese, síntese; isto é, afirmação- negação- negação da negação; ou seja, a sínteses dos opostos. Na visão de Bernardo (2000, p. 133), “[…] a dialética procura investigar os aspectos mais dinâmicos e instáveis da realidade […]”

A dialética é baseada nas pessoas que estão a favor e contra alguma idéia, e torna interessante o diálogo que pode mudar em qualquer momento dos fatos, porque o principal é provar algo, tanto para impugnar quanto para persuadir a simpatia do leitor ou ouvinte. Em outra citação de Bernardo:

A dialética continua a ser a arte do diálogo – mais complexa do que na Grécia, porém diálogo. Diálogo inclusive do homem com o objeto de sua investigação, diálogo também dos opostos para gerarem os seus contrários – num processo tendente a romper o maniqueísmo de escolher um dentre dois opostos, para combinar os dois opostos de forma a produzir uma terceira entidade: a síntese. (Bernardo, 2000, p, 130) A dialética tem início na Grécia, com o diálogo instaurado pelos filósofos. Na época antiga era o conhecimento que se baseava em perguntas e respostas. Depois o homem melhorou o diálogo dos opostos

Esquema dialético:

Como seria uma redação dialética na sala de aula?

Apresentação = colocação do problema
Tese = argumentos afirmativos
Antítese = argumentos negativos
Sínteses = dizer se é contra ou a favor da apresentação + observação final.

Por exemplo:

Tema: Religião e futebol

Apresentação: Na sala de aula é impossível falar sobre religião e futebol.
Tese: Muitos adolescentes, de várias salas gostam de religião e futebol.
Antíteses: no entanto, outras não gostam.
Sínteses: mesmo assim, todas as turmas concordarão que precisam acreditar em algo e o jogo torna-se divertido.

As noções básicas textuais

Se o professor quer que o estudante aprenda realmente, ele necessita ensinar, de uma maneira que todos estejam motivados a entender o processo da redação. Para isso, o professor possibilitará aos discentes as noções básicas de um texto, pois isso os ajudará a ter mais confiança em si mesmo. Esses primeiros passos são: o aspecto estético, gramatical, estilístico e estrutural do texto.

No aspecto estético, fala-se do belo e da harmonia na arte e natureza; no caso da redação, o professor orientará o discente a fazer com que escreva bonito, como: letra, margens, paragrafação, travessão, sem rasuras. Na visão de Soares (2002, p. 3), “No aspecto estético devemos considerar a legibilidade da letra, a paragrafação, se as margens estão regulares, o uso do travessão e a ausência de rasuras”. Por isso, é importante rascunho, porque pode corrigir antes de passar para a folha definitiva, e assim ter ordem. Portanto, o aluno deve ter consciência do aspecto da beleza.

No segundo aspecto, o gramatical, está-se falando de regras para falar e escrever numa dada língua; o aluno tem que verificar no final da redação se a ortografia, acentuação, concordância, pontuação, colocação pronominal e regência verbal estão adequadas:

No sentido mais comum, o termo gramática designa um conjunto de regras que devem ser seguidas por aqueles que querem “falar e escrever corretamente”. Neste sentido, pois, gramática é um conjunto de regras a serem seguidas. Usualmente, tais regras prescritivas são expostas, nos compêndios, misturadas com descrições de dados, em relação aos quais, no entanto, em vários capítulos das gramáticas, fica mais do que evidente que o que é descrito é, ao mesmo tempo, prescrito. Citem-se como exemplos mais evidentes os capítulos sobre concordância, regência e colocação dos pronomes átonos. (POSSENTI, 1984, p. 31).

O discente pode levar livros de gramática para consulta, porque são muitas as regras e não é necessário que decore todas; seria bom levar um dicionário para ajudá-lo no texto. Mas, se o aluno tem boa memória seria mais rápido revisar o texto.

No terceiro aspecto, o estilístico, que quer dizer – arte de bem escrever – segundo Bernardo (2000, p.114), são “os elementos de expressividade da linguagem, isto é, os elementos capazes de impressionar, emocionar, sugestionar, convencer“. Então, para que se cumpra tudo isso, deve-se escolher as palavras adequadas ou frases que motivem ao leitor a continuar lendo até o final do texto.

No tocante ao aspecto estilístico da redação devemos tomar cuidado com o uso de frases longas, a repetição desnecessária de palavras, o emprego de palavras desnecessárias, o uso inadequado do pronome “onde”, o emprego repetitivo das palavras “que”, “porque” e “mas”, a presença de conectivos da língua falada, e a prolixidade, a qual poderia tornar o texto demasiadamente longo e enfadonho. (SOARES, 2002, p. 3).

Isso comprova que falar e escrever são duas palavras diferentes. Quando a pessoa redige, tem que selecionar frases pensando no leitor, com o propósito de ser claro, para não confundir.

No quarto aspecto, o estrutural, entendemos ser a inter-relação de todas as partes de um todo, pois como escreve Bernardo (2000, p, 64), “cada texto sugere esquemas diferentes“. Cada estrutura textual é diferente, por exemplo: descrição, narrativa, dissertação.

Fonte:
Autor: Gonzalo Pérez Publicação: 23/06/06
http://www.mailxmail.com/curso/idiomas/redaportugues/
http://gattors.blogspot.com/ (figura)

Deixe um comentário

Arquivado em Cursos, Redação

Curso de Redação em português

Este curso será postado em três partes para não ficar muito longo em um dia e possibilitar o acesso a outros artigos.

Introdução

Durante o tempo de escola, os professores pouco se interessaram por ensinar a pré-escrita para depois escrever o texto, o que dificulta muito o domínio sobre o texto.

Portanto, o que se pretende com este trabalho é não só melhorar a escrita dos alunos, mas também ajudar a outros que estejam enfrentando o mesmo problema.

Muitos alunos têm de escrever redações sobre temas absurdos, e conseqüentemente, na maioria dos casos não conseguem a chance real, na escola, de escrever o que gostariam e da forma como gostariam.

A maneira como a escola trata o escrever leva facilmente muitos alunos a detestar a escrita e em conseqüência a leitura, o que é realmente um irreparável desastre educacional.

Este trabalho propõe-se a refletir sobre como formar discentes para escrever na sala de aula, elaborando textos criativos com o propósito de que o próprio educando, junto com o educador, analisem as várias técnicas para aprender a desenvolver o texto, começando pelo tema.

Há vários modos na produção de texto que podem ajudar a fazer uma boa redação, como: clareza na coerência e coesão; leitura e escrita; pré-escrita.

Em princípio, é necessário colaborar com a turma para que a elaboração da redação se torne clara desde o início até o final. O professor deve orientá-los sobre o que não se pode fazer, bem como sobre o que fazer para chegar a um texto com sucesso. Porém, os alunos devem ter iniciativa para escrever.

Todo discente tem capacidade de pensar, sentir, expressar-se na hora de escrever. No entanto, para saber escrever precisa ler, ou seja, uma leitura atenta que o oriente sobre como o escritor formou as idéias para que eles (estudantes) comecem a redigir e ter a habilidade de compreender expressões ou a capacidade de ler nas entrelinhas.

Este trabalho é baseado na fundamentação teórica, referente ao tema proposto, em que, cada livro comprova os fatos com leitura sistemática, ressaltando os pontos abordados pelos autores pertinentes ao assunto em questão.

Pensar, ler e escrever

Quando se escreve ou quando se fala, é com o fim de comunicar algo; portanto na construção de textos na sala de aula é necessário primeiro que os alunos aprendam a pensar.

Para iniciar nossa pesquisa, apresentaremos as definições de: – texto, redação, contexto, coerência, coesão, estrutura e a importância de saber gramática. Para ensinar tudo isso, é bom incentivar o aluno começando com esta frase Escrever é como jogar xadrez. Por quê? A pessoa que sabe jogar visualiza o tabuleiro para ganhar o adversário. Ela pensará cada peça movida. Portanto, o jogo de xadrez pode ajudar os alunos a desenvolver a lógica, do raciocínio e do problema; habilidade de memória, da concentração e da visualização; a confiança; a paciência; a determinação; o equilíbrio; a expressão de si mesmo, a atenção; a criatividade; a capacidade para aprender as intenções do outro.

Porém, qual é a relação de xadrez com o ato de escrever? Para escrever, precisa-se muito treinamento da memória para organizar as idéias.

Para ordená-las, precisa-se pensar. Como disse Bernardo (2000, p, 20), “enfrentar inclui pensar. Pensar que escrever certamente não será uma questão de dom“. No pensamento do autor, para pôr palavras no papel é necessário antes pensar, e depois transpirar. Na citação de Bernardo (2000, p, 54), “[…] Escrever para aprender significa descobrir relações entre idéias, selecionar e ordenar idéias e dados, ou ainda dar forma a experiências pelas quais passamos a fim de que possamos compreendê-las com mais clareza“. Para saber escrever, é necessário ordenar os pensamentos e pôr as palavras certas. Se isso acontecer, o texto ficará claro e o aluno acompanhará a leitura do autor, portanto saberá as idéias principais dos parágrafos, ou seja, se tem unidade global é porque a pré-escrita está bem elaborada e o aluno não se perderá na seqüência de idéias.

Quando se pensa no tema, deve-se planejar o texto, pois surgirão muitas idéias desorganizadas que depois serão hierarquizadas e assim o escrito será compreensivo. As idéias e o pensamento são abstratos e só irão materializar-se com a linguagem escrita.

É importante que o aluno saiba o que é uma redação. Isso o ajudará o a ter consciência para desenvolver qualquer assunto. O professor deve estar consciente disso e colaborar com o educando até que ele consiga escrever qualquer tema. O educador deve incentivar o aluno a produzir sobre si mesmo antes de começar por outros escritos. Se não sabe como iniciar uma redação efetivamente não vai saber fazer o meio e o final. Como escreve Bernardo (2000, p, 20), “o ato de escrever é, primeiro e ante de tudo, a questão do desejo“. Desejo de se expressar, de dizer algo sobre o que pensa a respeito dos mais diversos assuntos.

Para que esse desejo de escrever possa aflorar, o professor precisa incentivar o aluno a escrever todos os dias e organizar as idéias, ter uma seqüência do raciocínio lógico para não se perder do assunto. Dentro de tudo isso é importante escolher palavras-chave e idéias principais de cada parágrafo.

Enquanto o educando não sabe redigir, o professor tem a responsabilidade de motivá-lo para a produção das idéias e temas que o levem a querer escrever.

O educador dá primeiro o exemplo de como escrever ou ler. Nesse estágio, a motivação é importante. Portanto, não é adequado falar para o aluno que é difícil o ato de escrever. Para isso, o docente deve deixá-lo à vontade para eleger leituras que vai ser seu primeiro espelho para poder produzir. De acordo com Bernardo (2000, p, 28), “[…] a idéia de que uma pessoa que leia muito necessariamente escreve bem é falsa“. Então quem lê muito não significa que vai redigir bem. Quando o aluno tem muita leitura, é importante analisar a leitura de como o autor planejou o texto. O educador precisa falar para turma qual é o objetivo de ler e escrever, pois ler e escrever são dois conceitos diferentes, visto que ler é vida e informação entendimento do significado das palavras escritas. A seguinte citação demonstra isso:

Pela leitura você ganha experiências, você observa como um escritor tratou habilmente uma situação difícil, como usou as palavras e as expressões, como descreveu, como gerou expectativa, como arrancou emoções. Leia e aprenda, leia observando, como quem observa a natureza. (BAÇAN, 1999, p.22)

Quem lê se informa do “mundo” e adquire experiências. Toda produção escrita deve ser analisada pelo aluno: por que o autor usou tais expressões? Por que escolheu essas palavras para dar emoção ao escrito? O educando tem que observar tudo sobre o texto para aprender cada vez mais.

É importante dar preferência a autores de qualidade. Então para escrever o aluno deve ter o hábito de ler constante. Segundo Baçan (1999, p. 23):
Comece lendo bons autores modernos, no gênero que você mais aprecia. Se gosta de histórias em quadrinhos, comece com elas. Leia os cronistas de jornal, os comentários e editoriais, que são pequenos e rápidos. Observe sempre como eles estruturam o texto, como usam as palavras e como constroem as imagens.

Ler um fragmento de um jornal por dia para analisar o conteúdo, uma revista por semana, um livro por mês. Isso ajudará a escrever melhor.

Quem escreve, tem a intenção de revelar-se para os outros e traçar um destino, ser lembrado como escritor, e colocar-se no campo de batalha de trabalho com outros escritores.

Cada escritor tem um estilo de produzir um texto, porque cada redator é único, e cada um quer conhecer outras maneiras de pensar. Quem escreve claro, expõe as idéias de tal modo a não permitir dúvidas quanto à interpretação.

Quando o discente aprende a escrever há duas alternativas: – uma de desejo e outra de medo – ou seja, aquela vontade de redigir ou aquele medo de errar. Quando o educando tem medo de pôr suas idéias no papel, por conseguinte o texto fica escuro. Para que não fique obscuro Bernardo orienta (2000, p, 37), “no ato da redação, acho que a luta se faz no rasgo“. Ou seja, na imitação. Como fazer isso? Lendo e pondo as idéias do autor como estavam no texto; com o tempo, o aprendiz constrói seu próprio texto, sendo a paráfrase, seu exercício mais eficiente, até superar a escrita do outro e chegar na escrita pessoal.

Paráfrase é uma redação escrita pelo autor, a partir de pensamentos de outra redação, sem sair de seu conteúdo, mas usando outras palavras. Para conseguir uma paráfrase é preciso entender todas as idéias que o autor do texto original quis transmitir, em todos seus detalhes. Na visão de Bernardo (2000, p. 71.) “[…] antes de fazer com que alunos redijam paráfrases é necessário fazê-los perceber a diferença entre aqueles que plagiam o original, aquelas que o alternam e aquelas bem redigidas“.

O professor tem muita responsabilidade com seus discentes de explicar o que é uma paráfrase. E o que é uma paráfrase, se não pôr com outras palavras o que se leu? Assim é mais produtivo para o aluno aprender a redigir.

Quando o estudante começa a escrever sem pensar, sem ler, isso o leva a uma redação sem rumo e não chega a nada, a algo concreto. Escrever é um trabalho árduo, enquanto um texto em desordem é um sintoma de um pensamento confuso. Ou seja, quem não pensa bem, não escreve bem. Agora quem planeja as idéias com um propósito chegará a um pensamento organizado.

Todo texto a ser redigido passa por uma fase de planejamento. “Esse planejamento é pessoal: há pessoas que se dão um tempo, organizam o texto mentalmente e começam a redigi-lo; quem observa, acha que as idéias escorrem do cérebro pela ponta da caneta“. ( BERNARDO, 2000, p.71).

O estudante que nunca escreveu ou que está tentando redigir pensa que o escritor fez sem planejar. Mas não é assim. Quem planeja vai construir um texto claro.

Planejamento do texto

Qualquer pessoa que quer chegar a uma meta deve planejar, pois Isso levará a resultados positivos. A pergunta é: por que é importante planejar? É importante para não se perder no trabalho a realizar, é preparar, um roteiro que nos ajude aprimorar nossas idéias. Essas não estão concretas, precisa-se plasmá-las no papel ou na mente, Pois para planejar um texto é preciso esquematizar o que você pretende dizer; essa é a base de todo o processo, aqui o estudante precisa maior colaboração; no entanto o professor de língua portuguesa deve dar ênfases à pré-escrita, porque é a fase que menos dá atenção para construir uma boa redação. O que é à pré-escrita? É o processo do autor para não se perder no caminho, antes de começar a redigir, isto traz segurança para o começo até o final do texto, porém cada autor age diferente. Como se expressa, Bernardo (2000, p, 64-65), “Se o escritor deixa claro logo no início do texto como ele está organizado, fica mais fácil para quem lê compreender qual a hipóteses a ser comprovada e como isto será feito“. Isto comprova que para realizar uma produção de texto, o autor deve mencionar o tipo de raciocínio, ou seja, silogístico, dedutivo, indutivo; se o escritor não revela como está trabalhando, cabe o leitor realizá-lo.

No livro técnica de redação, há um exemplo de como o autor tem em mente alguns detalhes de planejar o texto:
• Quais os objetivos do texto;
• Qual é o assunto em linhas gerais;
• Qual o gênero mais adequado aos objetivos;
• Quem provavelmente vai ler;
• Que nível de linguagem deve ser utilizado;
• Que grau de subjetividade ou de impessoalidade deve ser atingido;
• Quais as condições práticas de produção: tempo, apresentação, formato. (GARCEZ, 2001, p.15)

Isso que dizer que para planejar se precisa uma lista de idéias. Pode ser em forma de perguntas ou chuvas de idéias e mapa de idéias. Se, faz-se o discente não tem como errar, porque levará a seqüência de pensamento até o final.

Em outras palavras:
• O tema responde à pergunta o que quero comunicar? É a identificação da idéia central ou teses que vai a condicionar o desenvolvimento do texto;
• O propósito responde à pergunta por que vou a comunicar isso? Para isso tem que saber se vou informar, persuadir, explicar, instruir, descrever;
• A audiência responde à pergunta a quem vou comunicar? Para quem escrevo? ; Para crianças, adolescentes, adultos, e assim por adiante.
• O tipo de texto a selecionar, obviamente depende das respostas às três perguntas anteriores;
• Obtenção da informação-livros, revistas, Internet, jornais… O estudante deve saber essa informação do professor que quando chegue a escrever não tenha nenhuma dificuldade para redigir qualquer texto. O discente se sentirá contente por haver conseguido redigir seu texto.

No livro técnica de redação, há algumas considerações sobre o ato de escrever. São elas:
• Fazer uma lista de palavras-chave;
• Anotar tudo o que vem à mente, desordenadamente, para depois cortar e ordenar;
• Escrever a idéia principal e as secundárias em frases isoladas para depois interligá-las;
• Construir um primeiro parágrafo para desbloquear e depois ir desenvolvendo as idéias ali expostas. (GARCEZ, 2001, p. 17)

Se o aluno souber o que é uma palavra-chave, uma idéia principal e secundária para depois colocá-las no primeiro parágrafo como um teste, ele conseguirá redigir.

Um exemplo:

Tema geral = assunto: Hotel
Delimitação do assunto: tema específico- Recebimento de turistas no hotel
1. Chegada de turistas;
2. Cumprimento do capitão ou mensageiro;
3. Mensageiro acompanha o turista e leva as malas ao balcão, e dirige-as na recepção;
4. Check-in e pagamento;
5. Mensageiro leva suas malas ao departamento;
6. Hóspede descansa;
7. Check-out.

Seguinte passo é ordenar as idéias, hierarquizando-as.
• Palavras-chave: mensageiro, hóspede, hotel, recepcionista, check-in, chek-out.
• Propósito: tratamento efetivo
• Audiência: pessoas que trabalham no hotel
• Tipo de texto: informativo

Idéias principais:
• Os turistas gostam do tratamento formal no hotel.
• Se receber bem, chegarão outros ao hotel.
• Dá-se calor, terá gorjeta para todos.

As idéias secundárias são conseqüências das idéias principais.

Escrever sem planejamento é ter um duplo trabalho.

Para redigir um parágrafo se precisa entender a definição.

Quando se fala de parágrafo, está-se interrelacionado de todas as partes de um tudo. Em outras palavras tem unidade com o tema e períodos, que desenvolve uma idéia de sentido completo e independente; para depois paragrafar.

Para fazer uma seqüência de palavras-chave, depois vem a hierarquização de idéias, ou seja, ordená-las e selecioná-las as melhores, e colocando-as em ordem de importância. A seguinte citação comprova isto:
[…] quando se trata de escrever um texto não-literário, há procedimentos comuns: geração, hierarquização e ordenação das idéias. Na seleção, escolhemos o que vamos dizer e o que não vamos dizer. Na hierarquização, decidimos a ênfase a ser dada a cada idéia e a submissão de uma idéia à outra. Na ordenação, estabelecemos como organizar a articulação entre as idéias. (GARCEZ, 2001, p.93)

Na hora de organizar essas informações, o redator terá em mente que pode mudar o plano de idéias, pois, quanto mais detalhado o plano, mais fácil a redação.

Coerência e coesão

Muitos estudantes se atormentam com essas duas palavras. Mas, para ser mais preciso é necessário defini-las, pois ajudaria na compreensão dos discentes para elaborar um bom texto. Quando se fala de texto, fala-se de unidade a qual tem relação com coerência e coesão.

Uma definição de coerência seria unidade de sentido; e coesão, “amarrar” as idéias. Já que a primeira depende da ordenação das idéias; ou seja, do plano do texto e o tema proposto; também dos argumentos, é dizer, da clareza. Clareza consiste em ler o texto, e compreender como está organizada a produção escrita. Quando ele vai redigir, deve planejar as idéias e a intenção comunicativa; portanto, ser claro é como ver o mar que está limpo e olhar os peixes. Então, ser claro é ser coerente com a ordem das palavras e vocábulos, e dizer, não se contradizer, não confundir o leitor; ou seja, não pôr enunciados desconexos. Segundo Massaud Moisés:

A lógica externa implica clareza unívoca das palavras, isto é, estas devem significar uma e uma só coisa; por sua vez, a clareza supõe o emprego da ordem direta: evitar-se-á a ordem indireta abstrusa, as violentas inversões (ou hipérbato) […] (MOISÉS, 1961, p.145).

Isso que dizer que o raciocínio nós levará a significados claros com emprego de sujeito e predicado; portanto se for o contrário, predicado e sujeito essa ordem levaria a confundir o leitor.

Ser claro é pensar para que tipo de leitor está escrevendo; ou seja, para crianças, adolescentes, adultos, advogados, arquiteto, filósofo, etc. isso quer dizer, ser empático, perceber como eles sentem e entendem.

Então, para escrever sobre coerência, o discente deve estar atento que não haja duas interpretações, se ele, como leitor entende o que lê, pode continuar escrevendo. Mas, se as informações não harmonizam umas com as outras, o texto é incoerente.

A incoerência é devido que o estudante sai da idéia principal ou palavras-chave, da organização lógica das idéias; e do conhecimento da realidade.

Em outra citação:
[…] um texto resulta incoerente quando há falhas na continuidade de suas partes, quando as palavras aparecem de forma gratuita. Não é raro ouvirmos alguém dizer que determinada palavra está imprecisa, não diz com exatidão aquilo que pretendíamos dizer. A imprecisão resulta da falta de motivação entre as palavras que se sucedem numa cadeia em que um elo foi rompido. Para evitar isso, elas devem manter entre si um vínculo muito estreito. (VIANA et. al, 1998, p.18)

Quando não se organizam as idéias e as palavras adequadas para o texto, a redação fica confusa; para isso o discente tem que ler bastante para memorizar as palavras e assuntos de outros autores para motivar-se a si mesmo e escrever coerentemente. Para o texto ser coerente, é necessário que haja uma ligação significativa entre diversas partes; portanto, tudo tem que se escrever logicamente. Então, as classes de palavras, como os substantivos e os verbos devem unidos não apenas para somar idéias, mas também para ter base para que haja sentido no texto.

Há um processo de expansão da palavra chamado de associação. Nesta, a partir da palavra-chave se expande o texto através de verbos na terceira pessoa do singular, por exemplo:

chegou
o recebem
o atendem levam sua mala ficou bravo vai embora elogia a equipe
Hóspede chegou
O recebem
O atendem Levam sua mala Ficou bravo Vai embora Elogia a equipe

Esta idéia e baseada no livro: Roteiro de redação, de Carlos Viana, et. al.

A segunda explicação é sobre coesão. Mas, como “amarrar” as idéias no texto, através das ligações entre frases e parágrafos? Segundo Garcez (2001, p, 115), “quando os mecanismos de coesão textual não são bem utilizados, seja dentro do período, seja entre os períodos ou parágrafos, o texto se prejudica“. Esses tecidos ajudam a ter relação na hora de dar significado ao ato de escrever. É complicado relacionar todos os problemas de coesão. Agora, para entender a coesão em profundidade:

A coesão, no entanto, não é só esse processo de olhar constantemente para trás. É também o de olhar para adiante. Um termo pode esclarecer-se somente na frase seguinte. Se minha frase inicial for Pedro tinha um grande desejo, estou criando um movimento para adiante. Só vamos saber de que desejo se trata na próxima frase: Ele queria ser médico. O importante é cada enunciado estabelecer relações estreitas com os outros a fim de tornar sólida a estrutura do texto. Mas não basta costurar uma frase a outra para dizer que estamos escrevendo bem. Além da coesão, é preciso pensar na coerência. Você pode escrever um texto coeso sem ser coerente. […] (VIANA, et. al, 1998, p.28).

Isso quer dizer que para fazer qualquer texto, deve-se estar atento à coesão e à coerência. A turma tem que saber como ligar a frase seguinte à anterior, ou seja, não perder o fio do pensamento; e ainda, na frase não ter duplo sentido; para não ter incoerência.

Segundo Garcez (2001, p, 112-114), os recursos mais importantes para coesão são: preposições, conjunções, os pronomes pessoais, os tempos verbais; e além dessas formas gramaticais, existem outras, como: referencial, lexical, por elipse, por substituição.

Então, a coesão referencial é quando faz referência a alguém ou coisa do próprio texto, e são utilizados pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos ou expressões adverbiais; a coesão lexical é quando tem certa carga de redundância, ou seja, repetição de idéias. Isso se faz, através dos sinônimos ou expressões equivalentes conhecidas pelo leitor; a coesão por elipse é, quando se omite como: pronomes, verbos, substantivos e frases inteiras e estão implícitos. Muitas vezes é marcada por vírgula; a coesão por substituição é quando substitui nomes, verbos, períodos ou largas parcelas de texto por conectivos. Alguns exemplos: tudo o que foi dito; diante do que foi exposto; em vista disso, a partir dessas considerações.

Fonte:
Autor: Gonzalo Pérez Publicação: 23/06/06
http://www.mailxmail.com/curso/idiomas/redaportugues/
http://gattors.blogspot.com (figura)

Deixe um comentário

Arquivado em Cursos, Redação