Arquivo da categoria: Poesia

Clevane Pessoa (Encantamentos)

Imagem: Bia Tomaz
Tudo em torno parece feérico e extasiante:
a neblina
que desce num momento
de repente, qual um sonho de menina…
o canto da ave
que singra o espaço azul
qual se fosse bela nave
feita de imaginação…
a asa da borboleta
a fremir qual um pincel
cheio de tintas…
o riso do idoso que brincando
quer brincar ainda-e sempre…
a flor que sonolenta acorda
adulta e se abre inteira
ao beijo do sol…
a semente gorda
que sob a Mãe Terra, eclode
e vai romper seu ventre
em sinal verde…
Tudo é magia, encantamento
porque a ânsia criativa das criaturas
põe fiapos de luz
em cada nuance da Vida
e trabalhando o mundo
a cada instante,
o transmuta e recria…

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Arquivado em Minas Gerais, Poesia

Helena Kolody (Pássaros Libertos)

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9 de fevereiro de 2013 · 01:14

Carlos Drummond de Andrade (Adeus a Sete Quedas)

 Em 1982, às vésperas dos 80 anos, o poeta expressa sua inconformidade com a destruição do Salto de Sete Quedas, um patrimônio natural do Brasil e da humanidade.

 Na edição de 9 de setembro, quando afinal se anunciava o fechamento das comportas para a criação do lago da hidrelétrica de Itaipu, Drummond publicou este poema no Jornal do Brasil. Em letras grandes, os versos ocuparam uma página inteira, a capa do Caderno B.

 O sentimento ecológico do poeta reverberou em todo o país. Um mês depois, ele voltaria à carga, com a crônica “Sete Quedas poderia ser salva” (JB, 07/10/1982). Nesse texto, Drummond transcreve una carta do engenheiro Octavio Marcondes Ferraz — o projetista da hidrelétrica de Paulo Afonso. A carta fora enviada ao poeta exatamente a propósito do poema “Adeus a Sete Quedas”.

 No final, diz Drummond, que Sete Quedas vai passar às novas gerações apenas como uma pálida notícia, um cartão postal de longínquo passado. “Sete quedas por nós passaram,/ e não soubemos, ah, não soubemos amá-las”.   

Sete quedas por mim passaram,
 e todas sete se esvaíram.
 Cessa o estrondo das cachoeiras, e com ele
 a memória dos índios, pulverizada,
 já não desperta o mínimo arrepio.
 Aos mortos espanhóis, aos mortos bandeirantes,
 aos apagados fogos
 de Ciudad Real de Guaira vão juntar-se
 os sete fantasmas das águas assassinadas
 por mão do homem, dono do planeta.

 Aqui outrora retumbaram vozes
 da natureza imaginosa, fértil
 em teatrais encenações de sonhos
 aos homens ofertadas sem contrato.
 Uma beleza-em-si, fantástico desenho
 corporizado em cachões e bulcões de aéreo contorno
 mostrava-se, despia-se, doava-se
 em livre coito à humana vista extasiada.
 Toda a arquitetura, toda a engenharia
 de remotos egípcios e assírios
 em vão ousaria criar tal monumento.

 E desfaz-se
 por ingrata intervenção de tecnocratas.
 Aqui sete visões, sete esculturas
 de líquido perfil
 dissolvem-se entre cálculos computadorizados
 de um país que vai deixando de ser humano
 para tornar-se empresa gélida, mais nada.

 Faz-se do movimento uma represa,
 da agitação faz-se um silêncio
 empresarial, de hidrelétrico projeto.
 Vamos oferecer todo o conforto
 que luz e força tarifadas geram
 à custa de outro bem que não tem preço
 nem resgate, empobrecendo a vida
 na feroz ilusão de enriquecê-la.
 Sete boiadas de água, sete touros brancos,
 de bilhões de touros brancos integrados,
 afundam-se em lagoa, e no vazio
 que forma alguma ocupará, que resta
 senão da natureza a dor sem gesto,
 a calada censura
 e a maldição que o tempo irá trazendo?

 Vinde povos estranhos, vinde irmãos
 brasileiros de todos os semblantes,
 vinde ver e guardar
 não mais a obra de arte natural
 hoje cartão-postal a cores, melancólico,
 mas seu espectro ainda rorejante
 de irisadas pérolas de espuma e raiva,
 passando, circunvoando,
 entre pontes pênseis destruídas
 e o inútil pranto das coisas,
 sem acordar nenhum remorso,
 nenhuma culpa ardente e confessada.
 (“Assumimos a responsabilidade!
 Estamos construindo o Brasil grande!”)
 E patati patati patatá…

 Sete quedas por nós passaram,
 e não soubemos, ah, não soubemos amá-las,
 e todas sete foram mortas,
 e todas sete somem no ar,
 sete fantasmas, sete crimes
 dos vivos golpeando a vida
que nunca mais renascerá.

Fonte:
Carlos Drummond de Andrade. In Jornal do Brasil, Caderno B.  09/09/1982

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Helena Kolody (Cronos)

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7 de fevereiro de 2013 · 22:32

Helena Kolody (O Tesouro das Horas)

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7 de fevereiro de 2013 · 01:21

Nemésio Prata (Ao Poeta do Amanhecer!)

Bem cedo, ao quebrar da barra,
a nuvem tangida ao léu
fez lembrar-me de um alguém
que hoje só trova no céu:
nosso poeta potiguar,
dos Macedos, o Ademar,
nosso grande menestrel!

O Poeta do Amanhecer,
agora faz poesia
no meio dos querubins
levando muita alegria
através dos versos seus
ao coração do seu Deus;
como ele bem o queria!

Curta em paz grande poeta
sua nova moradia,
faça trovas e poemas
como aqui você fazia,
mas nos mande, via sonhos,
pois os dias são tristonhos
sem a sua poesia!

Fontes:
O Autor (Fortaleza/CE)

Foto de Ademar Macedo sobre foto de Marcos Estrella, Amanhecer no Rio, no jornal O Globo.

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Helena Kolody (Saldo)

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3 de fevereiro de 2013 · 19:52