Arquivo da categoria: O poeta no papel

Mário Quintana (Arte Poética)

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29 de setembro de 2012 · 23:45

Mario Quintana (A Arte de Ler)

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29 de setembro de 2012 · 00:15

Mário Quintana (Destino Atroz)

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27 de setembro de 2012 · 18:17

Mário Quintana (A Voz)

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26 de setembro de 2012 · 20:59

Mário Quintana (A Coisa)

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25 de setembro de 2012 · 13:13

Wagner Marques Lopes/MG (As Multifaces da Saudade)

Sol poente, tela de Tarsila do Amaral
A saudade é tão ladina
que se retrata a valer:
em mil imagens me ensina
a recordar o viver.

Seja de andrajos vestida
ou trajada de princesa,
saudade é sempre garrida,
um encanto, uma surpresa!…

A saudade pequenina
tem certo preciosismo:
é casinha na colina –
lá morar o quanto cismo.

A saudade é, em verdade,
ação do mar, por que não?
Rolam seixos de saudade
nas praias do coração.

Moroso… De quando em quando,
ele passa… Mal avança…
Saudade – um trem transportando
todo o peso da lembrança.

Minha família seguia
buscando terras além…
A saudade, hoje em dia,
é viajora de trem.

Contadora de meus casos
dos bons tempos que vivi!…
Saudade não marca prazos
para me ver por aqui.

Saudade é clarão, lampejo
de um paraíso distante –
quem dera eu tivesse o ensejo
de vivê-lo, a todo instante.

Fim de tarde… Um sol mortiço
a cair lá no poente…
Saudade – não mais que isso –
tênue luz dentro da gente.

Trovadores e poetas
são seus admiradores:
a saudade – atriz completa,
em seus papéis vencedores.

Ao escrever estes versos,
uma tristeza me invade:
com retratos tão diversos,
eu começo a ter saudade…

Fonte:
O Autor

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Arquivado em Minas Gerais, O poeta no papel

Carlos Drummond de Andrade (Anúncio da Rosa)

Imenso trabalho nos custa a flor.
Por menos de oito contos vendê-la? Nunca.
Primavera não há mais doce, rosa tão meiga
onde abrirá? Não, cavalheiros, sede permeáveis.

Uma só pétala resume auroras e pontilhismos,
sugere estâncias, diz que te amam, beijai a rosa,
ela é sete flores, qual mais fragrante, todas exóticas,
todas histórias, todas catárticas, todas patéticas.

Vêde o caule,
traço indeciso.

Autor da rosa, não me revelo, sou eu, quem sou?
Deus me ajudara, mas ele é neutro, e mesmo duvido
que em outro mundo alguém se curve, filtre a paisagem,
pense uma rosa na pura ausência, no amplo vazio.

Vinde, vinde,
olhai o cálice.

Por preço tão vil mas peça, como direi, aurilavrada,
não, é cruel existir em tempo assim filaucioso,.
Injusto padecer exílio, pequenas cólicas cotidianas,
oferecer-vos alta mercância estelar e sofrer vossa irrisão.

Rosa na roda,
rosa na máquina,
apenas rósea.

Selarei, venda murcha, meu comércio incompreendido,
pois jamais virão pedir-me, eu sei, o que de melhor se compôs na noite,
e não há oito contos. Já não vejo amadores de rosa.
Ó fim do parnasiano, começo da era difícil, a burguesia apodrece.

Aproveitem. A última
rosa desfolha-se.

Fonte:
Carlos Drummond de Andrade. Nova Reunião. vol.1.

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