Arquivo do mês: novembro 2011

Trova Ecológica 55 – Prof. Garcia (RN)

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30 de novembro de 2011 · 19:45

A. A. de Assis (Lançamento da Revista Virtual Trovia n. 144 – dezembro de 2011)

Jogos Forais de Porto Alegre – 2011
Flávio Stefani e Maurício Friedrich

Trovadores de Balneário Camboriú

INESQUECÍVEIS

Na conquista de troféus,
um só quero merecer:
chegar às portas dos céus
e a mão de Deus me acolher.
Aurolina de Castro

Gostar de ti, quem não há de?
Inspiras tal simpatia,
que a gente sente saudade
se deixa de ver-te um dia.
Colombina

Meus irmãos, tenham piedade
do infeliz que, sem talento,
na muleta da vaidade
tem seu único sustento.
Ernesto Machado

Miséria de pão maltrata…
Mas quanta gente, Senhor,
sabeis que morre ou se mata
quando há miséria de amor!
Lilinha Fernandes

Nessas angústias que oprimem,
que trazem o medo e o pranto,
há gritos que nada exprimem,
silêncios que dizem tanto !…
Luiz Otávio

Senhor, escuta os cicios
dos excluídos, sem teto…
Troca seus ninhos vazios
por ninhos cheios de afeto!
Milton Nunes Loureiro

Parabéns, presidente Luiz Carlos Abritta.
A trova e os trovadores esperam muito de você.

BRINCANTES

Vendia colchões… vendia,
porque em nova “profissão”
ganha mais grana hoje dia
usando o mesmo colchão…
Darly O. Barros – SP

Eu vivo numa sinuca
por causa de uma vizinha:
ela desarma a arapuca
sempre que eu solto a rolinha…
Divenei Boseli – SP

O pobre do pipoqueiro
não escapa da fofoca:
faz pipoca o dia inteiro,
mas, de noite, só… “pipoca”…
Izo Goldman – SP

Ao homem muito ciumento
há um dilema que emperreia:
ou esquece o casamento,
ou casa com mulher feia!
Josa Jásper – RJ

– Preciso falar contigo…
E eu, que o conheço tão bem,
lhe disse: – Prezado amigo,
vamos falar mal de quem?…
José Fabiano – MG

Sobre o colo da visita
pula logo a cadelinha
e a visita, mesmo aflita,
tem que dizer: – Que gracinha!…
Marina Bruna – SP

Enquanto conta lorota
cantando as gatas na rua,
em casa vira chacota,
por não dar conta da sua…
Osvaldo Reis – PR

A pulga e o “pulgo” a brigar…
Foi enorme a confusão!
A pulga deixou o lar
e… foi morar noutro cão!
Renato Alves – RJ

LÍRICAS E FILOSÓFICAS

No meio da multidão,
pode ocorrer-lhe o imprevisto:
alguém, que lhe estenda a mão,
ser de novo Jesus Cristo.
A. A. de Assis – PR

Nossa cultura se entende
nas lições que eu mesmo tive;
o saber a gente aprende,
a cultura a gente vive.
Ademar Macedo – RN

Eu vi crianças brincando
junto de lindas roseiras
como aves cantarolando
nos ninhos todas faceiras
Agostinho Rodrigues – RJ

São Paulo tem tanta rua
bem difícil de encontrar,
mas sempre descubro a tua,
onde iremos nos amar!
Alberto Paco – PR

Este amor que é meu tormento
bate em casa abandonada;
responde, na voz do vento,
somente o eco – mais nada!
Amaryllis Schloenbach – SP

Sem fazer-me de rogada,
só persiste uma verdade:
a trova em mim fez pousada,
trazendo a felicidade.
Andréa Motta – PR

Tudo em ti pede carinho,
pela graça que tu és…
– Amo o teu corpo inteirinho,
beijável da testa aos pés!
Bruno Pedina Torres – RJ

No amor o tempo se gasta
com medidas desiguais:
se estás longe, ele se arrasta;
se perto, corre demais”
Carolina Ramos – SP

Eu queria ser feliz,
Deus me deu sabedoria;
era simples aprendiz,
virei mestre da alegria.
Carmem Pio – RS

Enganar que sou feliz
é coisa inútil, porque
meu sorriso triste diz
quanto sofro por você!
Conceição de Assis – MG

Um coração que se isola
cava a própria solidão
e não há melhor escola
que o convívio com o irmão.
Dáguima de Oliveira – MG

Tua amizade é tão bela
que confrange o coração.
Por isso me lembro dela
no momento da oração!
Diamantino Ferreira – RJ

Poeta mantém acesa
a chama do amor fecundo,
minimizando a tristeza
e as dores cruéis do mundo.
Djalma Motta – RN

Procure espalhar, na vida,
alegria em sua estrada,
que a alegria dividida
é sempre multiplicada!
Domitilla B. Beltrame – SP

A saudade se embaraça
e a paixão se intensifica…
Não pelo instante que passa,
mas pelo instante que fica!
Eduardo A. O. Toledo – MG

Eu não preciso de ajuda!
Quem essa frase repisa,
meu amigo, não se iluda,
é o que dela mais precisa…
Élbea Priscila – SP

Abra a porta, deixe a luz
resgatar seu coração.
Vá sem medo, faça jus
a viver nova paixão.
Eliana Jimenez – SC

Quatro fases diferentes
tem a lua num mês só;
pois até os sorridentes
têm seus momentos-jiló.
Eliana Palma – PR

Feito internauta voraz,
tu clicas minha paixão,
e eu não sou sequer capaz
de deletar a intenção!
Elisabeth Souza Cruz – RJ

Gerador de paz e calma,
que dispensa cerimônia,
o livro é o jantar da alma
nas noites claras de insônia.
Flavio Stefani – RS

Ao longo deste ano distribuímos trovas à mão-cheia.
Ajudamos o mundo a sonhar, pensar, sorrir. Missão cumprida.

Toda tarde o passarinho
bate as asas, quando canta.
Quanto mais longe do ninho,
mais afinada a garganta!
Francisco Garcia – RN

Espremam o coração
deste vate trovador,
e vocês conhecerão
o doce suco do amor!
Francisco Macedo – RN

Os sonhos da mocidade
são diferentes dos meus…
O jovem quer liberdade
e eu quero estar preso a Deus!
Francisco José Pessoa – CE

Um mundo melhor… queria,
para deixar aos meus netos,
onde imperasse a alegria
numa transfusão de afetos!
Gislaine Canales – SC

Nesta terra que volteia
sob ditames divinos,
somos meros grãos de areia,
transitórios inquilinos.
Humberto Del Maestro – ES

A velhice, meu irmão,
não é uma questão de idade.
É quando vai-se a ilusão
e vem chegando a saudade.
Jaime Pina da Silveira – SP

A falsa humildade é feia,
raramente é uma façanha;
geralmente é um grão de areia
se dizendo uma montanha.
J.B. Xavier – SP

Transformou nosso destino
uma pequena criança,
pois junto a Jesus menino
nasceu no mundo a esperança!
Jeanette De Cnop – PR

Grato por sua amizade,
pelo incentivo e carinho;
ter amigo é, na verdade,
jamais caminhar sozinho.
Jessé Nascimento – RJ

Na saliência do seu ventre
quanta promessa…esperança…
Que a luz do amor se concentre
na vida dessa criança!
João B. X. Oliveira – SP

Os meus versos se calaram,
à saudade sucumbi;
minhas lágrimas secaram
de tanto chorar por ti…
João Costa – RJ

Ontem… florestas… encanto…
flores a desabrochar.
Hoje… pinheiros em pranto,
grito parado no ar!
José Feldman – PR

Depois que ela me deixou,
foi pra longe e não mais veio;
a saudade atravessou
meu coração pelo meio!
José Lucas de Barros – RN

O mar sempre nos ensina
o valor da pequenez;
na areia que se ilumina
deu ao grão a polidez.
José Marins – PR

Alma serena… e que abriga
velho sonho que vagueia…
parece varanda antiga,
onde a saudade passeia!
José Messias Braz – MG

A idade, a chegar de manso,
respeitando o meu cansaço,
põe cadeiras de balanço
nas tardes por onde eu passo!
José Ouverney – SP

Partiu, deixando o seu traço
no meu caminho dos sós…
A saudade é esse espaço
que existe sempre entre nós.
José Valdez – SP

Enquanto a chuva, lá fora,
escorre pela vidraça,
choro meu pranto que, embora
passando a chuva, não passa.
Laérson Quaresma – SP

Na pouca pressa que tens
de aliviar minha saudade,
enquanto espero e não vens,
transcorre uma eternidade!
Lucília Decarli – PR

Não foi perto, nem distante
o nosso amor ideal;
nasceu da luz de um instante
e se tornou imortal!
Luiz Carlos Abritta – MG

Um abraço a todos os divulgadores de trovas.
Graças a eles os nossos versos rodam mundo.

A cada dia que passa,
muda minha realidade,
meus sonhos viram fumaça,
amores viram saudade.
Luiz Hélio Friedrich – PR

Zune o vento – na janela…
Zumbe a abelha – no jardim…
Zarpa a nau – rumo à procela…
– Zomba a saudade… de mim!…
Ma. Madalena Ferreira – RJ

A saudade é um bem guardado
que nos volta, de repente,
num presente do passado,
quando o passado é presente.
Maria Nascimento – RJ

Não há fronteira na vida
que separe um grande amor,
quando a ponte foi erguida
pelas mãos do Criador.
Olga Agulhon – PR

Oferecendo a miragem
de uma vida sem escolta
o vício vende passagem
para a viagem sem volta.
Olympio Coutinho – MG

De que estranho ingrediente
será a saudade composta,
que maltrata tanto a gente
e assim mesmo a gente gosta!
Pedro Ornellas – SP

Dos instantes devotados
a cada luta vencida,
todos estão retratados
no painel da minha vida.
Roberto Acruche – RJ

Embora livre, sozinho,
não conheço liberdade…
– Fui presa do teu carinho,
hoje estou preso à saudade!
Rodolpho Abbud – RJ

Prestigie sempre os novos trovadores.
Deles depende muito a trova para ter futuro.

Minha infância – que linguagem!
Se no céu relampejava,
eu sentia, nessa imagem,
que Deus me fotografava!
Roza de Oliveira – PR

Se a realidade me abate,
jamais me dou por vencida:
vou à luta, entro em combate
e, com fé, enfrento a vida!
Thereza Costa Val – MG

Meu coração não se expande.
Chora sozinho e sem queixa…
Sabe quando o amor é grande
pela saudade que deixa.
Therezinha Brisolla – SP

É tão vazia a paisagem,
e nem um vulto se vê…
Mas, sem ver qualquer imagem,
consigo enxergar você!
Vanda Fagundes Queiroz – PR

Vence valores, de fato,
quando em meio à discussão,
se revolta de imediato,
mas, na ofensa… dá o perdão!!!
Vânia Ennes – PR

Palavras, rica mistura
que o livro sempre nos traz,
em direção à cultura,
com a leveza da paz.
Vidal Idony Stockler – PR

Somos velhos caminhantes…
a doçura nos invade;
namoricos vão distantes,
fica o flerte da saudade!
Wagner Lopes – MG

Sem outra opção que a rotina
de esperar-te sempre em vão,
minhas noites de neblina
só gotejam solidão…
Wanda Mourthé – MG

Nós, os trovadores, felizes somos, e a todos
queremos ver felizes também. Neste Natal e sempre.

Visite e participe da Trova-Legenda de Eliana Jimenez – http://poesiaemtrovas.blogspot.com

Faça uma visitinha aqui → http://aadeassis.blogspot.com/

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Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 411)

Uma Trova Nacional

Com essa boca molhada
e esse aroma de hortelã,
mal disfarças a noitada,
ao beijar-me de manhã…
–LOURDES PAIVA/SP–

Uma Trova Potiguar

A saudade é um trem alado
que transporta, inconsciente,
a bagagem do passado
para o vagão do presente.
–RENATO CALDAS/RN–

Uma Trova Premiada

2010 – Rio de Janeiro/RJ
Tema: CONVITE – M/E

O convite amarelado,
que o envelope resguardou,
traz lembranças do passado
que nem o tempo apagou.
–SÔNIA MARIA SOBREIRA/RJ–

Uma Trova de Ademar

Um sonho que me extasia
e me traz muita esperança,
é ver livros de poesia
nas mãos de toda criança.
–ADEMAR MACEDO/RN–

…E Suas Trovas Ficaram

Buscando a calma na vida,
nos meus roteiros tristonhos,
achei a calma perdida,
perdido em meus próprios sonhos!
–ALOÍSIO ALVES DA COSTA/CE–

Simplesmente Poesia

A Luz da Lua Branca.
–MIFORI/SP–

A luz da lua branca me fascina
espreitando nossos beijos.
Sua chuva de prata me alucina
aumentando meus desejos.
Amor! Quando a luz da Lua
em sua janela bater,
lembre-se de que sou só sua
e sua serei até morrer!

Estrofe do Dia

A poesia está na reta
da estrada, em cima da ponte,
está na luz das auroras
que nascem por trás do monte,
está no calor das fráguas
e no soluço das águas
que se despedem da fonte.
–JOSÉ LUCAS DE BARROS/RN–

Soneto do Dia

Realidade e Sonho
–CONCEIÇÃO A. C. DE ASSIS/MG–

Sonho contigo e penso em casamento,
pois sou “certinha” para uma aventura
e voa o sonho nesse encantamento
pensando num futuro de ternura.

E ponho endeusamento em tua figura,
querendo ser real meu sentimento,
mas esse meu desejo não perdura
se volto à realidade o pensamento.

A vida a dois… Amar … Mas que trabalho!
Fogão e pia; as mãos cheirando a alho…
Camisa limpa, com botões, passada…

Casa arrumada, tudo a tempo e hora…
E a liberdade, nela já não mora…
Melhor sonhar, sonhar não custa nada!

Fonte:
Textos e imagem enviados pelo Autor

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José Zokner (Constatações e Dúvidas)


CONSTATAÇÃO XV

De amor sedento,
Ele, com ar pachorrento,
Pediu ela em casamento.
E já se imaginou com um rebento
Corado, lindo, um portento,
Fruto de um amor puro, isento.
Ela pensou um momento.
Aí, ele, ficou atento
E tomou novo alento
Já que, antes, de tal intento,
Ele recebera um “não” meio lento,
Sob alegação de “palavras ao vento”.
Os minutos da resposta, um tormento
Como uns se sentem em dia cinzento.
E ela: “Sim, meu futuro sargento.
Só que haverá, de lugares, um aumento
Pois minha mãe terá direito a um assento”.
Ele, se sentiu pestilento,
Engulhento,
Enjoamento,
Sonolento,
O corpo todo, suarento,
Nunca sentira tanto sofrimento,
Tanto lamento.
E nunca se sentira tão espoliado,
Tão aviltado,
Desconsolado
Mas, com tanto amor, acabou conformado,
Resignado,
Acomodado.
Coitado!

CONSTATAÇÃO XXI (PARA QUE INIMIGA?)

Depois de fazer,
Com todo prazer,
Para desfazer
Um amorico,
Um namorico
Da melhor amiga
Bolou,
Criou
Um mexerico,
Um futrico,
Um fuxico,
Uma intriga,
Doída como urtiga,
E vibrou
Com a briga
Que disso resultou.

DÚVIDAS CRUCIAIS VIA PSEUDO-HAICAIS

Dúvida I
Foram os nubentes
Que de tanto se beijarem
Ficaram sem dentes ?

Dúvida II
Jogar com determinação
É inclusive segurar
O adversário pelo calção ?

Dúvida III
Linguajar sofisticado
Também é bom pra deixar
O cara enrolado ?

Dúvida IV
Não houve testemunha,
Na queima de arquivo
Como se supunha ?

Dúvida V
Dependendo do lugar,
Você até paga
Para não se incomodar ?

Dúvida VI
Em alto e bom som,
Era ela que dava,
Em casa, o tom ?

Dúvida VII
A gente, pra não ser assaltado,
Deve colocar grades no muro
E viver se sentindo aprisionado ?

Dúvida VIII
Foi um cardápio sofisticado,
No fim de ano, que o deixou,
Na hora do bem-bom, apurado ?

Dúvida IX
Pra ser oposição
Basta ser do contra
Quando der sua opinião ?

Dúvida X
Só porque apareceu um vulto
Estranho na escuridão
Se armou um tumulto ?

Dúvida XI
Por ter um rompante
Ela se pôs a bronquear
A todo instante ?

Dúvida XII
Foi no palanque armado
Que um eleitor gritou algo que
Deixou o político desarmado ?

Dúvida XIII
Ele armou o maior sarilho
Quando ela falou: “quando
Você faz a barba só sai cepilho” ?

Dúvida XIV
Do mineiro, a solidariedade
É só no câncer ou também
Em outra enfermidade ?

Dúvida XV
Diante da conquista
Fracassada, gorada,
Ele fez a pista ?

Dúvida XVI
Colete a prova de bala
Vai virar moda ou é
A necessidade que fala ?

Dúvida XVII
Tuas propostas, porventura,
São sérias, são lérias
Ou são mais uma aventura ?

Dúvida XVIII
A distorção salarial
Não deveria fazer parte
Do Código Penal ?

Dúvida XIX
Quem deu carta branca
Para o meu time do coração
Só jogar na retranca ?

Dúvida XX
Ela fez uma baita fofoca
Por ele não tê-la levado ao motel
E o chamou de nhambibororoca*?

*Nhambibororoca = veado (Mazama gouazoubira) encontrado do Panamá ao Uruguai, semelhante ao veado-mateiro, mas um pouco menor e de pelagem marrom-acinzentada (Houaiss).

Dúvida XXI
Já no começo da disputa foi premonitório
Que o Paraná iria cair pra Segundona regional
Ou foi apenas um maldoso falatório?

Dúvida XXII
Notícia chinfrim
É aquela que diz
Que a crise ta no fim?

Dúvida XXIII
Você acha uma lacuna
Esses políticos todos
Não entrarem numa borduna*?

*Borduna = porrete grosso e pesado (Houaiss).

Dúvida XXIV
Quem entra numa mumunha
Jamais poderia participar,
Em juízo, como testemunha?

Dúvida XXV
Foi o galante pica-pau
Que prometeu à namorada
Um bolo de macacacacau*?

*Macacacacau = substantivo masculino
Rubrica: angiospermas. Árvore de até 10 m (Theobroma microcarpa) da família das esterculiáceas, nativa da Amazônia, de boa madeira, de que se extraem fibras, folhas oblongas, lanceoladas, flores axilares e cápsulas elipsóides e escamosas, com sementes que substituem as do verdadeiro cacau (Houaiss).

Dúvida XXVI
Sentir um forte apego
Por si mesmo é uma solução
Ou um problema do ego?

Fonte:
http://rimasprimas.blogspot.com/
Imagem = Surreal Paradise, por Eclipsy

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Helena Kolody (Viagem no Espelho)


Viagem no Espelho é uma antologia da poetisa Helena Kolody. Talvez para justificar o título, os poemas aparecem em ordem inversa, em sentido anti-horário, iniciando-se pelos mais recentes até chegar aos primeiros. A identificação do estilo e da temática da autora vão sendo assim feitos dop mais depurado ao mais intuitivo inicial, embora se note desde o início a capacidade poética e o cuidado com o texto.

A produção literária da poeta paranaense é uma viagem ao contrário, como se fosse um espelho. Começa com “Reika”, de 1993, e vai até “Paisagem interior”, de 1941. Nessa viagem no tempo, por meio da produção de Helena Kolody, o leitor percebe a depuração do estilo, a constante adaptação da poeta ao momento literário presente, a evolução e o crescimento do ser humano que se revela o eu poético.

Nos poemas do livro Viagem no Espelho os sentimentos de fugacidade, transitoriedade, temporalidade e mutabilidade, bem como de esperança e procura, estão presentes em vários de seus poemas.

Estrutura

Reika – Compõe-se principalmente de haicais (3 versos) e tancas (5 versos), com forte presença da natureza.

Ontem Agora – Miscelânia de poemas curtos (haicais e epigramas) e outros mais longos. Em Nós, lembra Alphonsus de Guimaraens, demonstra ironia em Lição Moderna, Nunca e Sempre trabalha com antítese.

Poesia Mínima – Há muita metapoesia. Comenta a meta linguagem e o poeta inspirado (Dom), trabalha a aliteração (Noturno Urbano) e comenta a impotência da palavra para expressar a poesia. Predominam as formas poéticas breves.

Sempre Palavra – Predomina ideia de fugacidade e efemeridade (tema comum a muitos simbolistas e neo-simbolistas), como bem prova o poema Passado Presente.

Infinito Presente – Percebe-se a depressão pessoal, tristeza e nostalgia (Areia).

Saga – Poemas variados, muitos com versos brancos; linguagem bastante metafórica e impressões intimistas, como no poema título.

Tempo – A temática básica é o tempo, a efemeridade (A Esfera do Tempo). Há também a religiosidade, com temas bíblicos (Sarças Ardentes, Ensinamento) e lirismo intimista (Correnteza).

Trilha Sonora – Cenas da natureza em contraste com a vida urbana (Bucólica e Menino de Arranha-Céu).

Era Espacial – É o progresso tirando a beleza, a graça das coisas (Lua Profanada, Maquinomem).

Vida Breve – Retoma o tema da brevidade… (…somos todos estrangeiros nesta vida), do exílio e da espiritualidade (Eucaristia).

A Sombra no Rio – Sobressai a espiritualidade, o desejo de comunhão com Deus. Há referências a origens eslavas e aos imigrantes, bem como fortes lembranças bucólicas da infância. Dedica também um poema aos seus alunos.

Música Submersa – Muito forte a influência religiosa ucraniana nessa parte. Mais intimista e espiritualista, demonstra humildade e visão de Deus (Fio d’Água). parece crer numa predestinação para a dor (Elegia, Emblema). Presença de poemas mais longos, em contraste com alguns breves.

Paisagem Interior – Chegada ao início da carreira da poeta. Linguagem bem mais metafórica, simbólica. Há transcedentalismo, movimento de ascenção (Araucária), forte sentimento de humildade (Rio de Planície) e reconhecimento de um atavismo ancestral (Atavismo). Nesse livro, a autora ainda está com o temperamento oscilante entre soltar-se e reprimir-se (a natureza selvagem embate-se com a religião e a opressão). O anseio da libertar-se, de fugir é constante (Alma). Fala de amor, paixão, de forma lírica e sentimental. Poemas mais longos nos quais predominam as formas clássicas, de versos regulares.

Poemas retirados da obra:

RESSONÂNCIA
Bate breve o gongo.
Na amplidão do templo ecoa
o som lento e longo.

FLECHA DE SOL
A flecha de sol
pinta estrelas na vidraça.
Despede-se o dia.

NOITE
Luar nos cabelos.
Constelações na memória.
Orvalho no olhar.

SAUDADES
Um sabiá cantou.
Longe, dançou o arvoredo.
Choveram saudades.

REPUXO ILUMINADO
Em líquidos caules,
irisadas flores d’água
cintilam ao sol.

DEPOIS
Será sempre agora.
Viajarei pelas galáxias
universo afora.

ALQUIMIA
Nas mãos inspiradas
nascem antigas palavras
com novo matiz.

JORNADA
Tão longa a jornada!
E a gente cai, de repente,
No abismo do nada.

SEMPRE MADRUGADA
Para quem viaja ao encontro do sol,
é sempre madrugada.

RETRATO ANTIGO (1988 )
Quem é essa
que me olha
de tão longe,
com olhos que foram meus?

VOZ DA NOITE (1986)
O sol se apaga.
De mansinho,
a sombra cresce.

A voz da noite
diz, baixinho:
esquece… esquece…

A MIRAGEM NO CAMINHO (1978)
Perdeu-se em nada,
caminhou sozinho,
a perseguir um grande sonho louco.

(E a felicidade
era aquele pouco
que desprezou ao longo do caminho).

DOM
Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la.

POESIA MÍNIMA
Pintou estrelas no muro
e teve o céu
ao alcance das mãos.

INFINITO PRESENTE
No movimento veloz
de nossa viagem,
embala-nos a ilusão
da fuga do tempo. Poeira esparsa no vento,
apenas passamos nós.
O tempo é mar que se alarga
num infinito presente.

Fonte:
Colégio Guarulhos. Disponível em http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/v/viagem_no_espelho

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Paraná em Trovas Collection – 16 – Mafalda de Sotti Lopes (Irati/PR)

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30 de novembro de 2011 · 18:38

Emiliano Perneta (Ilusão) Parte 15


CORAÇÃO LIVRE

Ao Augusto Rocha

Ah que enfim se rompeu o ergástulo sombrio,
Onde estiveste preso, ó pássaro erradio!

Rompeu-se o espesso véu dessa brutal prisão,
Onde choraste, mas de dor, mas como um cão.

Livre agora, porém, de tudo, sim, de tudo,
A esse cárcere azul, cárcere de veludo,

Mas cárcere cruel, que te fez tanto mal,
Não tornes nunca mais, ó vagabundo ideal.

Não tornes nunca mais, e nunca mais te iludas,
Ao trágico furor dessas cóleras mudas,

A esse nojo, afinal, que tanto ódio te fez,
O incoercível horror banal da fixidez.

Livre. É poder fugir por esse mundo afora…
Quem mais feliz que tu, meu coração, agora?

Livre. O espaço é teu, é teu todo esse ar:
É somente bater as asas e voar…

Segue essa curva azul. É o caminho mais reto,
Ó nômade febril, ó trovador inquieto!

Livre por condição e por índole, tu
Nasceste para ser como um selvagem nu.

Um selvagem, porém, que tem paixão por astros,
Estátuas, capitéis, colunas e alabastros…

Quanto me sinto bem, e como é bom saber
Fugir assim, batendo as asas de prazer!

Ser livre para mim é tudo quanto eu amo:
Não há como poder saltar de ramo em ramo.

Não há gozo melhor, seja lá como for,
Do que esse de voar de uma para outra flor.

Nem orgulho maior e nem glória tamanha
Que o delírio de andar de montanha em montanha!

Olha. Não pares no teu caminho, a não ser
Só para olhar o que for digno de se ver.

O que tiver o dom soberbo de arrancar-te
Numa explosão sincera as lágrimas com arte.

Segue. Na fonte em que beber a ovelha, em paz,
Com as tuas próprias mãos, tu também beberás.

E a árvore sob a qual dormires o teu sono,
Há de dar-te abundante os seus frutos de outono.

E que perfume bom! Que embriaguez assim
Por esse vasto céu, por esse azul sem fim!

O dia é uma canção de luz maravilhosa,
Que se pudesse ouvir cantar por uma rosa…

Segue pois, segue pois, sem saber onde vais…
Nômade, o teu destino é esse e nada mais!

LIED

Ao Júlio Prestes

Num cavalo branco, vales e barrancos,
Caminha p’ras guerras em tempos de paz
Plumas todo verdes, lírios todo brancos…
– Cavaleiro, não vás!

Cavaleiro andante (fulgem armaduras!)
Galopa, galopa, sob estrelas más.
Vai correr o Mundo pelas aventuras…
– Cavaleiro, não vás!

Cavaleiro fino como um argueiro,
Com espada d’ouro, rico falbalás,
Cabelos ao vento – Palmas! – Cavaleiro!…
– Cavaleiro, não vás!

Cavaleiro triste (ceifa a lua nova)
– Que é da sua dama? Que é do seu gilvaz? –
Entra p’los salgueiros caminho da cova…
– Não direi que não vás!
1899

A FOME DE ERISÍCTON

Meu coração é como esse infeliz que um dia
Ceres, p’ra o castigar, deu-lhe fome voraz,
Deu-lhe uma fome tal que quanto mais comia,
Mais queria comer e não ficava em paz.

Era a fome canina, era o horror e a fúria,
De tal maneira que todos os bens vendeu,
E reduzido enfim a uma extrema penúria,
Vendeu o que era seu o que não era seu…

Desesperado até veio a vender a filha
Metra, que era, porém, uma estrela polar,
Tinha a virtude ideal, possuía a maravilha,
O dom de se poder metamorfosear…

Logo, logo que o pai conseguia vendê-la,
Mal se via nas mãos do seu possuidor,
Transformava-se em flor, ou então em cadela,
Em pássaro, em veado, em boi ou em pescador.

Mas a fome cruel daquele esfaimado
Uivava como os cães, os lobos e os chacais,
Nem bem tinha engolido o último bocado,
Sangrando de desejo, ela pedia mais…

Davam-lhe de comer, porém, doentia e louca,
Queria devorar o mundo de uma vez,
O olhar como um demônio, escancarada a boca,
Tomada de um furor bestial de embriaguez.

E tanto desejou, afinal, e tanto ela
Pediu, e soluçou, e ambicionou, e quis,
Que não havendo mais com que satisfazê-la,
Deu em se devorar a si próprio, o infeliz!
Março – 1906

Fonte:
Emiliano Perneta. Ilusão e outros poemas. Re-edição Virtual. Revista e atualizada por Ivan Justen Santana. Curitiba: 2011

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