Arquivo do mês: setembro 2013

José Feldman (Universo de Versos n. 118)

Uma Trova do Paraná

WALNEIDE F. S.GUEDES
 


Trova, essa doce magia,
faz o que o poeta quer,
levando sua alquimia
aonde o leitor estiver.
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Uma Trova sobre a Ecologia, de Belo Horizonte/MG

ARLINDO TADEU HAGEN


Pela imagem desolada
que, após o incêndio, nos resta,
as luzes de uma queimada
são as trevas da floresta!
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Uma Trova do Izo

IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS 1932 – 2013 São Paulo/SP


Perdoa, amor, o meu jeito
de te olhar quando te vejo,
teu olhar me diz… Respeito!,
meu olhar te diz… Desejo!…
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Uma Trova Lírica/ Filosófica de Porto Alegre/RS

DELCY CANALLES


 Há muita gente com fome
 e há tanta riqueza em mim!
 Amazônia   é  o  meu nome.
 Por favor, cuidem  de  mim!
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Uma Trova Humorística, de Juiz de Fora/MG

MESSIAS DA ROCHA


No boteco do Zé Galo
tanto a sujeira se agrupa
que servem bife à cavalo
com mosquito na garupa.
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Uma Trova do Ademar

ADEMAR MACEDO
Santana do Matos/RN 1951 – 2013 Natal/RN


Lágrimas, fuga das águas
por um riacho inclemente
que numa enchente de mágoas
inunda o rosto da gente!
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Uma Trova Hispânica, da Venezuela

HILDEBRANDO RODRÍGUEZ


Sigo llamando al amor
para que acabe su ausencia;
con su luz y resplandor
alumbrará mi presencia.
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Uma Trova sobre Respeito, de São Paulo/SP

         MARTA MARIA DE O. PAES DE BARROS

 –
Quem, gritando, impõe  respeito
e se julga um grão senhor,  
não vê  que impõe, deste jeito,
não respeito e sim, temor…
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Trovadores que deixaram Saudades

FAGUNDES VARELA
Rio Claro/RJ (1841 – 1875) Niterói/RJ


A mais tremenda das armas,
bem pior que a durindana,
atentai, meus bons amigos…
se apelida: – a língua humana!
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Uma Trova do Príncipe dos Trovadores

LUIZ OTÁVIO

(Gilson de Castro)
Rio de Janeiro/RJ 1916 -1977 Santos/SP


Não digo não: “minha” Trova
quando faço um verso novo:
– não é minha e nem é nova
quando cai na alma do povo…
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Um Haicai de São Paulo/SP

JEFFERSON HENRIQUE MODESTO


Vovô na varanda
Só tem um pensamento –
Mais uma geada!
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Uma Trova da Rainha dos Trovadores

LILINHA FERNANDES
(Maria das Dores Fernandes Ribeiro da Silva)
Rio de Janeiro 1891 – 1981


Meu amor foi acabando …
Mas a saudade chegou:
chuva boa refrescando
o chão que o sol causticou.
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O Universo de Leminski

PAULO LEMINSKI
Curitiba/PR (1944 – 1989)


madrugada     bar aberto
deve haver algum engano
por perto
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  O Universo das Glosas de Gislaine

GISLAINE CANALES
Porto Alegre/RS

Glosando Amália Max
   SE ME DEIXAS…

MOTE:
SE ME DEIXAS POR VONTADE…
SE VAIS PARA NÃO VOLTAR…
O QUE É QUE EU DIGO À SAUDADE
QUANDO AMANHÃ ACORDAR?

GLOSA
SE ME DEIXAS POR VONTADE…
se amar-me, não podes mais,
sofrerei muito, é verdade.
Não te perdoarei jamais!

Se vais pra longe de mim,
SE VAIS PARA NÃO VOLTAR…
eu já prevejo o meu fim:
chorar… chorar e chorar…

E nessa minha orfandade
de amor, carinho e ternura,
O QUE É QUE EU DIGO À SAUDADE
nesta minha desventura?

Poderei sobreviver
sem fitar teu lindo olhar,
ou sem ele vou morrer
QUANDO AMANHÃ ACORDAR?
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Uma Trova do Rei dos Trovadores

ADELMAR TAVARES
Recife/PE 1888 – 1963 Rio de Janeiro/RJ


A Ventura que hei buscado
pela Vida, sempre em vão,
que vezes não tem passado
à altura de minha mão! …
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O Universo do Haicai de Seabra

CARLOS SEABRA
(São Paulo/SP)


folhas no quintal
dançam ao vento
com as roupas do varal
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O Universo Poético de Emilio

EMÍLIO DE MENESES
(Emílio Nunes Correia de Meneses)
Curitiba/PR (1816– 1918)

Matina


Noite! Cesse o teu ar imoto e quedo!
Quero manhã! todos os sons que vazas!
Fujam do ninho ao lépido segredo
Todas as bulhas de reflantes asas.

Sol! tu que a terra fecundando a abrasas.
Desce da aurora em raio doce e a medo,
Todas as luzes travessando o enredo
Diáfano e leve das nevoentas gazas.

Telas festivas deslumbrai-me a vista!
Cantos alegres desferi-me em roda
Em toda a luz, em todo o som que exista.

E a natureza toda em harmonia,
Iluminada a natureza toda,
Surja gloriosa no raiar do dia.
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O Universo Poético de Sardenberg

ANTONIO MANOEL ABREU SARDERNBERG
São Fidélis/RJ (1947)

Andarilho


Sou andarilho da vida!
Enfrentando chuva e vento,
Eu sempre estou de partida –
Não gosto de despedida,
Meu teto é o firmamento…

Minha bagagem é a esperança,
A paz o meu alimento,
No embornal levo a lembrança
Do meu tempo de criança
Que não sai do pensamento.

No peito levo a saudade
Daquele abraço apertado,
Daquele sonho dourado
Que virou realidade…

No coração a certeza
De ter trilhado o caminho
Que me ensinou a entender:
É só pisando em espinho
Que o homem aprende a viver.
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O Universo Poético de Cecília

CECÍLIA MEIRELES
(Cecília Benevides de Carvalho Meireles)
Rio de Janeiro/RJ (1901 – 1964) Rio de Janeiro/RJ

Retrato

 –
Eu não tinha este rosto de hoje,
                assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?
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O Universo Melódico de Assumpção

MARCOS ASSUMPÇÃO
(Marcos André Caridade de Assumpção)
Niterói/RJ


Eu sou o rei da floresta ,
Tenho a coragem nas mãos
Não temo trovão, trovoada,
Injeção, confusão,
Nem estouro da manada
Eu sou o rei da floresta
Amigo presta atenção,
Eu sou o rei leão
Eu sou o rei da floresta
Não tenho medo nem de avião
Sou mais valente que qualquer
Mocinho, ou herói
De filme de caubói
Agora lá no meio da floresta
Tá na hora da festa
da coroação.

Coragem é o que não me falta
Eu sou o mais valente dos animais
Enfrento o inimigo, não conheço o que é perigo
Todos me temem, eu sou demais
Eu sou o rei da floresta
Tenho a coragem nas mãos
Agora lá no meio da floresta
Tá na hora da festa
da coroação
============================
O Universo Haicaista de Guilherme

GUILHERME DE ALMEIDA
(Guilherme de Andrade de Almeida)
Campinas/SP 1890 – 1969 São Paulo/SP

Pacaembu


Chuva e sol. Repara
nas giestas atrás das frestas
das persianas claras.
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O Universo Sonetista de Alma

ALMA WELT
Novo Hamburgo/RS (1972 – 2007)

Viver, pensar


Viver é duro ao se pensar a Vida,
Melhor é não pensá-la e vivê-la.
Mas se não pensada é pura lida
É preciso parar para bem vê-la.

Mas se paramos começamos a pensar
E enxergamos pois o lado escuro
Que é a face da Morte a assombrar
Quanto mais do pensar se faz apuro.

Báh! Pensar e não pensar é impossível
Viver em plenitude é doloroso
Mas não querer sofrer é desprezível.

Pois se não vivemos, só pensamos,
Um gosto fica, assim, meio travoso
De não saber pra quê na Vida estamos…
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Uma Poesia de Belo Horizonte/MG

ANTONIO AGOSTINHO GOMES DE QUEIRÓS

Desenho


 Finda-se o dia.
 Linda! abre-se a noite estrelada.
 Brisa perfumada passeia pela prata;
 Profetisa a chegada da primavera.

 Homens jogam damas;
 Consomem o tempo desfiando tramas.
 Moles mulheres tricotam mazelas;
 Reles fiapos do dia.

 Vida tal qual tartaruga;
 Lida enfadonha, cansativa.
 Qual sentido tem essa vida;
 Tal não fosse acreditá -la?

 Cidade pequena… sem muitas ambições;
 Felicidade aqui ‚ um arco-íris.
 Desconhece as tramas dos grandes centros;
 Acontece, somente!
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O Universo de Francisca

FRANCISCA JÚLIA
1871, Xiririca (atual Eldorado Paulista)/SP – 1920, São Paulo/SP)

A um Artista

– 
Mergulha o teu olhar de fino colarista
No azul: medita um pouco, e escreve; um nada quase:
Um trecho só de prosa, uma estrofe, uma frase
Que patenteie a mão de um requintado artista.

Escreve! Molha a pena, o leve estilo enrista!
Pinta um canto do céu, uma nuvem de gaze
Solta, brilhante ao sol; e que a alma se te vaze
Na cópia dessa luz que nos deslumbra a vista.

Escreve!… Um céu ostenta o matiz da celagem
Onde erra o sol, moroso, entre vapores brancos,
Irisando, ao de leve, o verde da paisagem…

Uma ave banha ao sol o esplêndido plumacho…
Num recanto de bosque, a lamber os barrancos,
Espumeja em cachões uma cachoeira embaixo…
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Velhas Lengalengas e Rimas do Arco-da-Velha Portuguesas

À MORTE NINGUÉM ESCAPA

 –
 À morte ninguém escapa,
Nem o rei, nem o papa,
Mas escapo eu.

Compro uma panela,
Custa-me um vintém,
Meto-me dentro dela
E tapo-me muito bem,
Então a morte passa e diz:
– Truz, truz! Quem está ali?
– Aqui, aqui não está ninguém.
– Adeus meus senhores,
Passem muito bem

http://luso-livros.net/
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O Universo Poético de Quintana

MARIO QUINTANA
Alegrete/RS (1906 – 1994)

Alma errada


Há coisas que a minha alma, já mortificada não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas
porque, sendo bom, a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há… e quem é que hoje faz questão de virgindades…
E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada
me deixará aqui,
ouvindo o que todos ouvem, bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.
A estes, a falta de alma não incomoda.
(Desconfio até que minha pobre alma fora destinada
ao habitante de outro mundo).
E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente, o desfilar das grandes paradas do Exército.
E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido…
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O Universo de Pessoa

FERNANDO PESSOA
(Fernando António Nogueira Pessoa)
Lisboa/Portugal   1888 – 1935


A terra é sem vida, e nada
Vive mais que o coração…
E envolve-te a terra fria
E a minha saudade não!
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O Universo Poético de Vinicius

VINICIUS DE MORAES
(Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes)
Rio de Janeiro (1913 – 1980)

Balada da Praia do Vidigal


A lua foi companheira
Na Praia do Vidigal
Não surgiu, mas mesmo oculta
Nos recordou seu luar
Teu ventre de maré cheia
Vinha em ondas me puxar
Eram-me os dedos de areia
Eram-te os lábios de sal.

Na sombra que ali se inclina
Do rochedo em miramar
Eu soube te amar, menina
Na praia do Vidigal…
Havia tanto silêncio
Que para o desencantar
Nem meus clamores de vento
Nem teus soluços de água.
Minhas mãos te confundiam
Com a fria areia molhada
Vencendo as mãos dos alísios
Nas ondas da tua saia.
Meus olhos baços de brumas
Junto aos teus olhos de alga
Viam-te envolta de espumas
Como a menina afogada.
E que doçura entregar-me
Àquela mole de peixes
Cegando-te o olhar vazio
Com meu cardume de beijos!
Muito lutamos, menina
Naquele pego selvagem
Entre areias assassinas
Junto ao rochedo da margem.
Três vezes submergiste
Três vezes voltaste à flor
E te afogaras não fossem
As redes do meu amor.
Quando voltamos, a noite
Parecia em tua face
Tinhas vento em teus cabelos
Gotas d’água em tua carne.
No verde lençol da areia
Um marco ficou cravado
Moldando a forma de um corpo
No meio da cruz de uns braços.
Talvez que o marco, criança
Já o tenha lavado o mar
Mas nunca leva a lembrança
Daquela noite de amores
Na Praia do Vidigal.
============================
Uma Poesia de Portugal

ANTERO DE QUENTAL

No turbilhão


A Jaime Batalha Reis
No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
arrebatado em vastos turbilhões…

Num espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições…

– Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turva do escarcéu,

Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!…
============================
O Universo de Auta

Auta de Souza
Macaíba/RN (1876 – 1901) Natal/RN

Prece


Ó Santa estremecida,
Formosa e Imaculada!
Estrela abençoada
Do Céu de minha vida!

Rainha casta e Santa
Das virgens do Senhor,
Eterno resplendor
Que o mundo inteiro encanta.

Tu és minha alegria.
Meu único sorriso,
Ó flor do Paraíso,
Angélica Maria!

Ai! quantas vezes, quantas!
A minha fronte inclina
Orando a ti divina,
Ó Santa entre as mais santas!

Ó virgem tão serena!
Tu és meu sonho doce,
Perfume que evolou-se
De um seio de Açucena!

Amada criatura,
Lança-me estremecido
O teu olhar ungido
De imaculada doçura!

Ó Arco da Aliança,
Celeste e branco lírio,
Salva-me do martírio,
Senhora da bonança!

Envolve no teu véu
A minha triste sorte,
E mostra-me na morte
A porta de teu Céu!
============================
O Universo Triverso de Millôr 

MILLÔR FERNANDES
(Milton Viola Fernandes)
Rio de Janeiro (1923 – 2012)


Passeio aflito;
Tantos amigos
Já granito.
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O Universo de J. G.

J.G. DE ARAÚJO JORGE
(Jorge Guilherme de Araújo Jorge)
Tarauacá/AC 1914 – 1987 Rio de Janeiro/RJ

Amor: Positivo


A gente sabe que é amor, quando de repente encontra
razões para perdoar o que nunca se perdoou,
quando os mais duros pensamentos são palavras de ternura
fora da boca
– a gente sente, sente
mas não pensa…

Que o diga o meu coração, que deseja ofender-te
e transforma em poesia a minha mágoa imensa.
============================
Um Soneto

HAROLDO SIQUEIRA

Sinto Saudade


 Sinto saudade de tomar-te aos braços
 E dizer-te palavras de carinho.
 Sinto saudade, agora que sozinho,
 Não tenho mais teus beijos, teus abraços.

 Sinto saudade de estar preso aos laços
 Dessa tua amizade e do “charminho”
 Com que mantinhas vivo o nosso ninho
 De amor… Do qual não restam nem os traços.

 Apesar de saber que não me amavas,
 O meu amor bastava: – Isso pensei…
 E, então mandei o pessimismo “às favas”

 E fui viver o sonho que sonhei.
 -Como redondamente me enganei !
 Era só a saudade, o que “plantavas”
============================
O Universo do Martelo Agalopado de Prof. Garcia

PROF. GARCIA
(Francisco Garcia de Araújo)
Caicó/RN (1946)


Quando escuto o bramido da procela
e os gemidos do mar, quando se alteia,
eu respeito o furor da maré cheia
e a bravura do mar que se encapela.
Fica mais perigoso o barco à vela
do que a nossa chalana pantaneira,
que é mais leve, mais dócil, mais faceira,
onde as ondas são todas pequeninas,
me lembrando as canoas nordestinas
sossegadas na paz da ribanceira!
============================
O Universo Poético de Lúcia Constantino

LÚCIA CONSTANTINO
(Maria Lúcia Siqueira)
Curitiba/PR

Quando Ainda Era Dia…


               (a minha mãe Hilda, in memoriam)

Quando ainda era dia
e as nuvens passeavam no céu,
eu ouvia tua palavra,
por mais cansada que estivesses.
Estavas ali com teu coração,
então minha angústia se calava
porque a tua palavra  era prece.

Quando ainda era dia
mas a chuva desmanchava meus sonhos
sempre estavas ali
carregando em teu colo não os teus,
mas os meus abandonos.

Quando ainda era dia
e meu olhar parava nas distâncias
fitando o nada do horizonte
inocentemente me perguntavas
– O que estás vendo tão longe?

Depois a noite desceu
sobre os nossos jardins,
sobre os teus canteiros,
as tuas hortaliças.
O galo não mais cantou.
Os  espinhos sorriram  pra  mim.
A alegria me perdeu de vista.

Aninhou-se  no mais alto da árvore
um pássaro chorando na tarde.
E os anjos te envolveram no ocaso
de tua própria luz
como Verônica envolveu em seu braços
o lenço que roçou o rosto de Jesus.
============================
Uma Poesia Além Fronteiras

EMILY DICKINSON
Estados Unidos (1830 – 1886)


A Dor Tem um Elemento de Vazio

A Dor – tem um Elemento de Vazio –
Não se consegue lembrar
De quando começou – ou se houve
Um tempo em que não existiu –

Não tem Futuro – para lá de si própria –
O seu Infinito contém
O seu Passado – iluminado para aperceber
Novas Épocas – de Dor.

(Tradução de Nuno Júdice)
============================
O Universo de Adélia

ADÉLIA PRADO
(Adélia Luzia Prado Freitas)
Divinópolis/MG (1935)

Explicação de Poesia Sem Ninguém Pedir


Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.
============================
O Universo Poético de Bilac

Olavo Bilac
(Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac)
Rio de Janeiro/RJ (1865 – 1918)

Justiça


Chega à casa, chorando, o Oscar. Abraça
Em prantos a Mamãe.

“Que foi, meu filho?”

—“Sucedeu-me, Mamãe, uma desgraça!
Outros, no meu colégio, com mais brilho,
Tiveram prêmios, livros e medalhas…
Só eu não tive nada!”

—“Mas porque não trabalhas?

Porque é que, a uma existência dedicada
Ao trabalho e ao estudo,
Preferes os passeios ociosos?
Os outros, filho, mais estudiosos,
Pelas suas lições desprezam tudo…
Pois querias então que, vadiando,
Os outros humilhasses,
E que, os melhores prêmios conquistando,
Mais que os outros brilhasses?
Para outra vez, ao teu prazer prefere
O estudo! e o prêmio alcançarás sem custo:
E aprende: mesmo quando isso te fere,
É preciso ser justo!”
============================
O Universo de Carlos Drummond de Andrade

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Itabira/MG (1902 – 1987) Rio de Janeiro/RJ

Nomes


As bestas chamam-se Andorinha, Neblina
ou Baronesa, Marquesa, Princesa.
Esta é Sereia.
aquela. Pelintra,
e tem a bela Estrela.
Relógio, Soberbo e Lambari são burros.
O cavalo, simplesmente Majestade.
O boi Besouro.
outro. Beija-flor
e Pintassilgo, Camarão,
Tem mesmo o boi chamado Labirinto.
Ciganinha, esta vaca; outra. Redonda.
Assim pastam os nomes pelo campo,
ligados à criação. Todo animal
é mágico.
============================
UniVersos Melodicos

Alcir Pires Vermelho e Lamartine Babo

ALMA DOS VIOLINOS

(valsa, 1942)

Sinto n’alma um violino
Um violino que acompanha
O meu triste adeus
Que vai por trás de uma montanha
Montanha pequenina
Diante dos olhos meus
Meus olhos tão imensos
Oh! Perguntem aos lenços
Quando dizem adeus

Sinto n’alma um violino
Um violino tão sonoro
Que acompanha melodias
Quando eu canto e choro
Eu choro porque os risos
Dei ao meu amor
Meu grande amor
Nestas valsas que eu componho
Vive o meu sonho
============================
Uma Cantiga Infantil de Roda

ANDA À RODA


É uma roda de crianças e uma no meio. A menina do centro canta:

Anda à roda }
Porque quero }
Porque quero }
Me casar } bis

A roda responde:

Escolhei nesta roda
A quem mais vos agradar,
A quem mais vos agradar.

A criança do meio:

Não me serve, não me agrada,
Só a ti, a ti hei de querer,
Só a ti hei de querer.

A escolhida passa a ser a do centro na vez seguinte. E assim por diante.

Fonte:
Veríssimo de Melo. Rondas infantis brasileiras. São Paulo: Departamento de Cultura, 1953.

============================
O Universo Poético de Feitosa

SOARES FEITOSA
(Francisco José Soares Feitosa)
Ipu/CE (1944)

Adolescíamos


Esta névoa do chocolate
quente;
muito mais, Ela
do que a filha do circo,
bonita:

era um dia, domingo e suas vestes,
enquanto as nossas mães conversavam,
nós nos recostávamos à máquina de costura,

Singer, a velha máquina – se não tínhamos um piano;
quando me dei conta, suavemente eu lhe olhava os cabelos,
que também lhe olhava
rapidamente os olhos calmos.

Se algum gesto foi feito à tesoura
era apenas um disfarce:
nada haveria de nenhum corte.

E se confundem todas as luzes
numa névoa fina
de xícara e cálice:
Mirtes,
adolescíamos.
=====================================
O Universo Poético de Du Bois

PEDRO DU BOIS
Itapema/SC (1947)

Esgotar


Esgotado em gestos
na imobilidade da tela repintada
em cenas: o modelo
imobilizado no olho
do pintor
na mão do escultor
no obturador fotográfico.

O gesto desnecessário
do corpo em aceno de adeuses
e até logo.
==========================
O Universo Acróstico de Motta

SILVIA MOTTA
(Silvia de Lourdes Araujo Motta)
Belo Horizonte/MG (1951)

Quando o Amor Apaga a Chama

Acróstico sob encomenda Nº 5116

Q-Quantas vezes fiquei a observar pares…
U-Um casal fica sempre agarradinho
A-Aos olhares estranhos nos bares;
N-Não se intimidam com o risinho!
D-De outras vezes, no Restaurante
O-O casal calado lê o cardápio;
 –
O-O garçon entende o tom sussurante:
 –
A-Às vezes nem se olham nos olhos…
M-Muitos pagam a conta,sem nada falar!
O-Outros jovens, em grupo flutuante
R-Religam e ligam celulares, sem parar!
 –
P-Palavras não falam, mas bebem!
E-Entre os casais, clássicos amantes,
R-Retribuem beijos, dançam e riem…
D-Dia seguinte, trocam seus pares,
E-E novos amores querem provar!

A-A chama do AMOR quando
 –
C-Consegue ser apagada, não
A-Há fósforo, nem guindaste,
 –
C-Capaz de avivar o amor ardente
H-Humano, nem isqueiro ou pranto,
A-Angústia ou reclamação:
M-Morta a chama, torna-se cinza,
A-As brasas com água tornam-se carvão.
========================
O Universo Poético de Ordones

RAQUEL ORDONES
Uberlândia/MG

É fato
 

E quando aparece o sol, logo me esquento
E na pele acendo o que o coração já sente
Num deleite de vida quase não me agüento
Tapo-me a visão, mas tudo ela compreende.

Deito junto às lembranças de mim, reprises
Minh’alma se espreguiça: presente, passado
Vejo saudade que me chama sob marquises
Fazendo com que o meu céu seja estrelado.

E o ato triste entra em cena, não convidado
Pois é condimento que vem o belo aquilatar
Inda deitada sinto um Deus tudo “aquarelar”.

Abro os olhos… E tudo ao meu redor é fato
Vejo uma felicidade que sobressai a tristeza
As oportunidades me instigam sobre a mesa.
===================
O Universo Poético de Ialmar

IALMAR PIO SCHNEIDER
Porto Alegre/RS

O Jogador de Bocha
 

Cancha do jogo de bocha
transformada em tradição,
onde encontro a diversão
para as horas de lazer,
eu não posso te esquecer
e te trago na lembrança
desde quando fui criança
e começava a entender.

Pois até sinto saudade
das façanhas que eu fazia,
quando no braço soerguia
uma bocha e arremessava
num estilo de tuxava
que desfere com certeza,
a boleadeira na presa
e uma clavada na tava.

E mesmo jogando a ponto
sempre fazia por mim,
pois colava no bolim
uma riga ou uma lisa
e como quem não precisa
de seguir por mão alheia,
não provocava peleia:
que briga não dá camisa.

Por estes pagos então,
neste jogo de campanha,
dono de muita façanha,
era muito respeitado,
porque dentro do tablado
que neste verso retrato
jogava até por barato,
nunca apostava fiado.

Outro princípio que trago
desde os tempos de piazote:
quem se atira de garrote
contra touro colmilhudo
e de chifre pontiagudo,
nunca consegue vantagem,
mesmo que tenha coragem
acaba perdendo tudo.

Mas até por passatempo
a bocha tem muita graça,
por um copo de cachaça
ou um maço de cigarro,
que o guasca feito de barro
nesta terra se apresilha
ao moirão de coronilha
do velho pago bizarro.

Hoje os recuerdos me trazem
grandes partidas de bocha
e como uma acesa tocha
certa doença me invade,
queimando barbaridade
no peito meu coração,
quero voltar ao rincão
onde me leva a saudade!

E numa sombra campeira
reviver meu jogo antigo;
e se outra coisa não digo
neste sentimento adverso,
para encerrar o meu verso
minh’alma xucra se plancha
junto ao mistério da cancha
que envolve todo o Universo!…

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Trova 264 – Roberto Pinheiro Acruche (São Francisco de Itabapoama/RJ)

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Clevane Pessoa de Araújo Lopes (Passagem)

A Gonçalves Dias

Poeta -saudoso, agônico, voltas à terra natal
Frágil, trêmulo, febricitante,
Mas com relembranças fortes
A plenificar-te a alma de energia
Embora estejam enfraquecidas as esperanças…
Queres chegar a São Luiz do Maranhão,
Chegar e andar pelas ruas estreitas,
Pelas calçadas de pedras,
Da ilha de praias singulares
Cujo areal extenso
É lambido pelo mar cor de rio,
Cuja extensão vai dar nas terras de Portugal…
Queres rever pessoas, ouvir os sons
Dos sinos das igrejas, da siringe dos sabiás festivos
Que não esqueceste em teu exílio.
A mulher amada acode-te em teu delírio,
a rememória faz-se musa e te inspira versos
que não mais escreverás…
Um piedoso anjo de cristal,que parece orvalho,
Cheirando a rosas e à maresia,
Faz com que olvides as razões de teu martírio
Pela separação cruel e indevida
Da mulher amada…
Que culpa tens por teu sangue a correr nas veias
Brasileiras, é mestiço,a gerar tantos preconceito .

Súbito, a vida se esvai, a breve vida

As águas em movimento, frias ao teu corpo ardente
Sereias de prata conduzem-te ao Absoluto,
O desconhecido –assustador, por ignoto,
Até que se chegue aos portais dessa outra dimensão.
Teu anjo Estelas, que tantas vezes desceu à Terra
para consolar-te e enxugar-te as lágrimas,
ampara-te, e tomando-te pela mão,
leva-te ao gênese de tua essência,,
pelo túnel pleno de magnífica luminescência…
As asas angelicais, energia em movimento,
Criam mil arco-íris deslumbrantes, o que te encanta na passagem…

Percebes que enfim, estás livre
De qualquer sofrimento e provação
Não tens cor-de pele que te torne um rechaçado,
Carne alguma, cuja carnação de mulato
Marque tua destinação!
Nada que te faça um auto-exilado…
Súbito, ouves risos e canções.
Outros poetas estão à tua espera, Gonçalves Dias.
Ajudam-te, dizem-te teus próprios versos e os deles,
Convincentes de que todos os bardos são iguais de alma
Abraçam-te, cordifraternalmente.
Nem em todas as tuas fantasias,
Te imaginaste assim, igual entre iguais,
diferente entre diferentes,
quais o são todas as criaturas de um mesmo Criador…
Percebes que nesse mundo , não há preconceitos
E que aqui, experimentarás um espaço de estar para ser…
Leve, em pianíssimo, , sentindo uma felicidade inusitada
À tua vida antes atribulada, tributada
de preços que não podias pagar,
deixas-te conduzir ,em agonia agora.
Seria o fim, mas é um recomeço
Afinal, poetas não devem morrer
-não se sua Poesia permanecer
Após sua délivrance ao contrário.
Para sempre, teus versos serão lembrados,
Enquanto houver sabiás, enquanto a serpente dormitar
Enroscada no contorno da Ilha .
Teus poemas são o retrato de teu talento,
De teu perfil, de tua história…
O mar foi o derradeiro abrigo de teu corpo.
A alma…continua em expansão!

Fonte:
A autora

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Aparecido Raimundo de Souza (Meu Anjo)

Eu tenho um anjo.

Um ente espiritual que me guarda os passos, que me guia dia e noite onde quer que vá ou esteja. Esse anjo é minha luz sempre acesa, a estrela maior no infinito, o sol mavioso que aquece o meu frio e a água pura e cristalina que mata a minha sede.

Eu tenho um anjo.

Não um desses comuns que se compram nessas lojinhas de R$ 1.99, espalhadas pela cidade, mas um anjo de verdade, com asinhas nas costas, vestida de azul (embora brigue com ela pedindo que use o branco), os cabelos à Jennifer Garner (aquela da série “Aliás”).  Esse meu anjo anda numa carruagem de cristal com dois bonitos cavalos brancos — tão alvos como as nuvens de um céu de brigadeiro. É ela, meu anjo encantado, que todas as manhãs me acorda e toma café ao meu lado. É ela que me faz ajoelhar antes de sair para o trabalho e pedir com a mão direita posta sobre a Bíblia, proteção ao Pai numa oração silenciosa endereçada ao Altíssimo.

Eu tenho um anjo.

Da falange de Jesus, da legião que presta serviços constantes a Deus. Um anjo que lembra Viviane Araújo por causa da sua meiguice, da sua ternura e do seu sorriso constante. Um anjo inteligente como a Carol Trentini que entende de moda e chega a arriscar alguns palpites nas roupas que devo usar. Eu tenho um anjo, tenho sim, um anjo autônomo, perfeito, incansável, senhora de si, cabeça feita. Vive a proteger minha vida, quer seja na rua, no trânsito, no carro, dentro da condução. Um anjo que caminha lado a lado, que marcha ombro a ombro, que segue comigo, de mãos dadas, um anjo que me desvia da estrada ruim evitando que siga em frente e caia num precipício sem volta.

Pois é: eu tenho um anjo.

Um anjo, eu tenho, acreditem. Um anjo de luz intensa. É ela que enfrenta, em meu lugar, as balas perdidas, que se põe à frente dos malfeitores e dos assaltantes que tentam cruzar meu caminho. É ela que, igualmente, me orienta, protege, vigia, aconselha, ensina, governa e dirige os meus passos. É também esse meu anjo bom, essa criatura com poderes divinos, que me ampara nas viagens longas e não me perde de vista um minuto sequer — mesmo quanto baixinho, lhe implore, que me espere, do lado de fora, no corredor. Meu anjo é bonito. Seu rosto não me parece com ninguém conhecido, embora diga a ela, de vez em quando, ter uma leve aparência com a Sabrina Petraglia.

Quando isso acontece, ela se limita a sorrir e ralhar com ares maternais, observando que deixe de lado as bobagens, que amadureça e encare com mais seriedade o viço que me cerca. Foi com esse anjo que aprendi a comer a fondue de carne em garfos compridos, mergulhados na panela de óleo quente. Com ela conheci o verdadeiro sentido da paz, pois o meu anjo é todo feito de Paz!

O meu anjo tem os traços de Jesus, age como Ele, e, como tal, caminha comigo em direção à felicidade que procuro a cada nova manhã, para mudar de uma vez para sempre os destinos da minha vida.

Eu tenho um anjo!

Fontes:
SOUZA, Aparecido Raimundo de. Havia uma ponte lá na fronteira. São Paulo: Ed. Sucesso, 2012.

Imagem = Gisele Santos da Silva

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Rita Rocha (À Chegada da Primavera)

Do ano, uma encantadora fração
no cenário nova vestimenta
a Primavera vem falar aos corações
e aos nossos sonhos… acalenta.

É o esvoaçar das aves, é a floração…
se estendendo em opulência.
É no milagre da renovação
alegrando a terra e nossa vivência.

É encantamento em profusão
no esbanjar d`um róseo colorido
num pôr-do-sol temos a sensação
de que o Pai está ali… refletido.

Primavera não é apenas mais uma estação
é o sentir da vida, é encanto, é magia,
é a natureza em perfeita comunhão
que ao ser humano só traz alegria.

Santo Antônio de Pádua, 24/09/2013


Fonte:
A autora

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Folclore dos Estados Unidos (Origem da Terra dos Haida)

O corvo saiu da Terra e escalou o céu, causando grande confusão entre o Povo Celestial. Por isso, eles acabaram jogando ele nas águas.

Antes dos dias de nossos avós não havia nada, além de água. Era tudo água, com exceção de um único recife. Lá viviam seres sobrenaturais.  Mas eles ficavam todos amontoados. O corvo voou tentando arrumar um lugar onde pudesse ficar de pé,  mas ele não podia imaginar aonde.

Então ele olhou para o céu. Era sólido. Era tão lindo e o corvo estava fascinado por ele. Ele disse: “vou até lá!”, então ele correu o bico pelo céu e o escalou.

Ele viu que a Cidade dos Céus era um lugar bem grande. O chefe vivia lá e na casa do chefe havia um bebê.  Quando a noite chegou,  o corvo pegou o bebê pelo calcanhar e balançou os ossos para fora. Então ele vestiu a pele e fingiu que era o bebê.  Porém, mais tarde ele saiu da pele do bebê e virou corvo novamente.  Ele voou de casa em casa e fez muita bagunça. Enfim uma mulher o viu e avisou para todos.

Então o chefe reuniu sua gente e eles cantaram uma canção para o corvo. Era uma canção mágica, e no meio da canção o corvo deixou de se segurar, e caiu do Cidade dos Céus até que atingiu as grandes águas;

Então o berço ficou a deriva nas águas por um bom tempo. O corvo chorou, então ele mandou a si mesmo que dormisse, mas quando o corvo dormiu, alguma coisa disse: “Seu poderoso pai manda você entrar”. O corvo se recobrou rápido. Ele olhou em direção ao som, mas não viu nada, não havia coisa alguma ali. Logo a voz repetiu as palavras.

Corvo olhou através do buraco em seu lençol de pele de marta. Então, através das águas veio um mergulhão dizendo, “Seu poderoso pai diz para você entrar!”.

O corvo desceu pelo totem até chegar a uma casa submersa, onde encontrou o Homem Gaivota, seu pai. Figura: Totem de uma casa Haida.

O corvo se levantou. Seu berço estava indo ao encontro de uma grande alga marinha. Ele caminhou sobre ela, e olhem! Na verdade era um totem de duas cabeças feito de pedra. Quando o corvo desceu, descobriu que ele podia respirar tão facilmente quando no ar acima.

Abaixo do totem havia uma  casa. Alguém disse, “venha, entre meu filho, eu ouvi falar que você quer emprestar algo de mim”. O corvo entrou. No fundo da casa estava sentado um velho Homem Gaivota (1). O ancião mandou ele até uma caixa que estava pendurada em um canto. O corvo a abriu e tirou de dentro dois grandes pedaços de alguma coisa. Uma era preta e a outra estava coberta com pontas brilhantes.

O Homem Gaivota pegou os dois pedaços e mostrou para o corvo. Ele disse. “coloque este pedra pontuda na água primeiro, e depois coloque a preta. Então tire um pedaço de cada e cuspa fora e os pedaços vão se reunir;” assim ele falou.

Quando o corvo saiu, ele colocou o pedaço preto na água primeiro. Quando ele bicou um pedaço da pedra com pontos brilhantes e jogou na água, as pontas se juntaram novamente. Ele não fez como tinha sido orientado. Então ele voltou para a pedra preta, bicou e cuspiu fora de novo. Os pedaços ficaram presos. Então eles começaram a se transformar em terra. Ele colocou isso na água, e isso se esticou até se tornar a terra dos Haida (2). Do outro pedaço ele fez o continente.
———————
Notas:
(1)
Para os haida, os animais são seres muito poderosos, que podem se transformar a seu bel-prazer, provavelmente o homem gaivota deveria ser uma gaivota que no momento estava assumindo a forma humana.

(2)
A tribo haida é um tribo norte-americana, cujos territórios se estendem desde os Estados Unidos até o Canadá. A nação é dividida em clã das Águias e clã dos Corvos. Eles são hábeis em construir canoas e outras tribos sempre tiveram medo de guerrear com eles no mar.
Fonte:
JUDSON, Katherine B. Myths and Legends of British America. 1917.
Texto em portugues obtido em http://casadecha.wordpress.com

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Arquivado em Estados Unidos, Folclore

Ciranda da Primavera (Seleção por Simone Borba Pinheiro) Parte 3

DETH HAAK
Ao tempo …

 Chegando Lírica a Primavera
 Bordando de Flores os sonhos
 Tramando corrimões pra chegar
 Ao mar que remexe risonho…

 Cortejando a janela um lindo
 Quadro suponho…
 Nas velas que sopram a brisa
 O olor das Açucenas vindo.

 É mágico! O tempo de sonhar
 Estrelas ornamentadas
 Brilhando pro farol ofuscar
 No valsar das samambaias…

 A musica a se despedir do verão
 Que amarelou suas folhas,
 Que hoje destilam o verdejar
 No serenar da maresia o tom…

 Das Petúnias Cravíneas, a canção
 Que ao horizonte embala e matiza
 Dando vida as cores na emoção,
 Que esparge o Vento…

 As sementes que espocam ao ver
 O vergel enamorado a engalanar
 A Primavera que chega do mar
 Em guirlandas de conhas no SER;

 A arte pincela o terno entardecer
 Que abraça a noite saudando o dia
 Que explodirá em Flores ao amanhecer
 Orvalhado as pétalas da Poesia…
———————————
EFIGÊNIA COUTINHO
Festa das Flores

 Que alegria naquelas flores
 que perfume de juventude!
 Viva!…Viva!…Venha dançar
 nesta Festa das Flores…

 As Flores vêem anunciar a
 a ressurreição da natureza.
 E cantam a canção colorida
 e sorriem aos raios do astro sol.

 Cantam um dia, uma hora, e
 depois inclinam a cabeça,
 deixando que outras Flores
 se abrem á Luz da vida…

 Pra que nunca seja quebrada
 a grinalda das cores e dos
 Perfumes…Que Alegria nesta
 dança das Flores na vida!
————————–
ERMÍNIA (BEL-BA)
Primavera

 É quando a vida se abre como uma flor
 E em seus braços meu corpo inerte
 Deitado sobre a relva macia
 Numa manhã de setembro
 Vive sem pudor
 O amor….
————————
FAFFI (SÍLVIA GIOVATTO)
Amadurecer Florindo

 A maturidade no amor
 não é uma equação matemática,
 agindo racionalmente, ela chega… e
 fica no seu cantinho…
 Nem é preciso ser valente e forte,
 mas é bom tomar cuidado com o bichinho do ciúme,
 esquecer as desigualdades conjugais…
 e meter na cabeça que o amor não é só um sentimento,
 é uma escolha de vida a dois…
 Nunca confundir maturidade com comodidade,
 precisamos estar sempre investindo no amor..
 mudar hábitos, trocar carinhos,
 nunca deixar que o amor vire rotina…
 Só assim ele amadurece florindo,
 e fica durável por tempo indeterminado.
—————-
FAFFI (SÍLVIA GIOVATTO)
Primavera

 A estação do amor está chegando
 a primavera está no ar…
 No ar que passa
 No ar que respiro
 No ar que te vejo passar
 As árvores se enfeitam,
 as folhas ganham um verde de esperança,
 mais forte, mais brilhante, mais vibrante…
 A calmaria está no ar!
 é a primavera chegando,
 estação da paz, estação do amor,
 as flores vão começar a desabrochar a colorir a vida…
 O sol vai chegar mais cedo
 esquentando a terra, desabrochando a Rosa…
 é o amor chegando…
——————–
FERNANDO REIS COSTA
O Poeta e a Primavera

 Começa a Primavera… E que alegria!
 Abrem-se os corações, brotam as flores,
 E os poetas, nas canções da poesia,
 Mais inspirados estão com seus amores!…

 Cantam mais alto, em verso, os seus louvores!
 E aos seus amores, em grande apologia,
 Doam versos em forma de flores
 De toda a Primavera deste dia!

 Renasce a Primavera! E, na poesia,
 Os cânticos d’amor e de saudade!
 E quanta dor e pranto, e nostalgia…

 O poeta transforma em alegria
 Nos versos d’amor e d’amizade
 Da sua Primavera: – a Poesia!…
——————————
GISLAINE CANALES
 

Primavera
 Glosando P. de Petrus

 MOTE:
 A primavera vem vindo!…
 Há festas, risos e amores…
 é deus que chega sorrindo
 pelo sorriso das flores…

GLOSA:
 A primavera vem vindo,
 perfumada e colorida,
 e o inverno vai fugindo
 em sua louca corrida!

 Nessa gostosa estação,
 há festas, risos e amores,
 que servem de inspiração
 aos poetas trovadores!

 Tudo é mais que muito lindo
 na inigualável beleza…
 É Deus que chega sorrindo
 nas flores da natureza!

 A Primavera nos traz
 numa imensidão de cores,
 a felicidade e a paz
 pelo sorriso das flores…
——————–
GLADYS OVADILLA
Primavera

 La primavera sonriente
 Detrás de los árboles verdes,
 Mirando maravillada,
 La juventud para verte,
 Se acuesta con su hermosura,
 Llena de tules y flores,
 Danza como una diosa
 En el rincón de las rosas,
 El viento se envaneció
 Callo sus fuertes soplidos,
 Encontró la primavera
 Estaba sola en el camino,
 La miro muy suavemente,
 Ella no quiso confianza, y el
 Regreso por donde vino,
 Todos ocuparon sus lugares,
 El agua corrió por el rió,
 Los peces encandilaron el día,
 Se movía mi canoa de madera
 Sintiendo el perfume en el aire,
 Llego, llego, la primavera

Fonte:
Seleção por Simone Borba Pinheiro. in http://www.familiaborbapinheiro.com

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