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Roland Barthes (1915 – 1980)

Roland Barthes (Cherbourg, 12 de Novembro de 1915 — Paris, 26 de Março de 1980)
escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês.
Canhoto num mundo de destros, protestante num país católico como a França e órfão de pai – um oficial de marinha falecido na primeira guerra ­ foi sustentado pela mãe que trabalhava como encadernadora de livros.

Expatriado nos anos 50, seguiu firme na contramão da sociedade conservadora assumindo abertamente sua homossexualidade. Assim foi Roland Barthes – escritor, semiólogo, pensador, crítico literário – nascido em Cherbourg, Normandia, em 2/11/1915.

Com a morte do Comandante Barthes, Henriette e o filho mudaram-se para Bayonne e, em seguida, para Paris onde Roland se formou na Sorbonne (1939) em literatura clássica, gramática e filologia.

Ao mesmo tempo em que estudava linguística e lexologia, Barthes participou do grupo “Defesa Republicana Anti-Fascista”, reagindo aos movimentos de extrema direita que sacudiam a Europa.

A alma voa

A luta contra uma tuberculose renitente o obrigou entre 1934 a 1947, a ser internado em diversos sanatórios. Enquanto tinha que manter o corpo em repouso, a alma voava: lia as obras de Marx e produzia artigos para o “Combat” – importante jornal esquerdista na época da resistência aos nazistas. A partir de 1948, trabalhou como professor convidado e bibilotecário na Universidade de Bucarest (Romenia) e foi conselheiro literário na Universidade de Alexandria (Egito).

De 1952 a 1959, foi pesquisador de lexicologia e sociologia do Centre National de la Récherche Scientifique em Paris, participando do lançamento de revistas como “Argumentos” e “Quinzena Literária”.

Fez parte da escola estruturalista, influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure e Bloomfield animou o movimento da Nova Crítica e fundou a revista “Teatro Popular”.

Reconhecimento oficial

Dificuldades materiais e questões de saúde o fizeram perder o exame agrégation, que o direcionaria às carreiras ditas “ortodoxas”. No entanto, aos 44 anos, foi indicado – graças ao conjunto de sua obra – para ocupar um posto na École Pratique des Hautes Études. Aos sessenta, já consagrado mundialmente por mudar a forma de ver e entender os significados e significantes, passou a ensinar no prestigioso Collège de France.

Para Barthes, o significado seria a representação psíquica de uma “coisa” e não a “coisa” em si. O significado de uma imagem é sua representação gráfica. O significante materializaria a figura do significado (a figura propriamente dita) com seu significado segmentado e entendido de várias formas, segundo as diferenças culturais de cada leitor ou observador.

Publicou obras em linguagem acessível ao grande público, o que contribuiu para que suas idéias vanguardistas fossem divulgadas além da comunidade acadêmica, por exemplo: Mitologias, Ensaios Críticos, Roland Barthes por Roland Barthes (autobiografia irônica).

Foi figura de referência em semiologia, estruturalismo e crítica literária e é considerado por alguns estudiosos, baseados na vasta bibliografia sobre o assunto, um pensador e teórico do que se chama hoje “cultura gay”.

Em 1976, criou a cadeira de Semiologia Literária no Collège de France. Suas aulas e conferências eram freqüentadas por um público sempre perplexo e extasiado.

A Semiótica (do grego semeiotiké ou “a arte dos sinais”), é a ciência geral dos signos e da semiose, que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação. Ocupa-se do estudo do processo de significação ou representação, na natureza e na cultura, do conceito ou da idéia. Em oposição à lingüística, que se restringe ao estudo dos signos lingüísticos, ou seja, do sistema sígnico da linguagem verbal, esta ciência tem por objeto qualquer sistema sígnico – artes visuais, música, fotografia, cinema, culinária, vestuário, gestos, religião, ciência, etc.

Arquiintelectual

A gama dos temas abordados pelo semiólogo era imensa: moda, o império dos signos (título de um livro), música, fotografia, mitologia, diversões, cinema, arte em geral e arte japonesa em particular, culinária, discurso amoroso (outro título de livro, no qual Barthes explica o que deve ser dito e quando, para incrementar um relacionamento amoroso), imagens visuais, literatura, teatro, as mensagens da propaganda e a força do marketing.

Pintor, músico, erudito, professor, escritor, teórico social, crítico e amante da vida, chocou a burguesia francesa, abordando de seu ponto de vista privilegiado, a política, a sociologia e a teoria literária. Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas, destacando seu conteúdo político.

Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente, o primeiro tratava da percepção simples, superficial; e o segundo continha as mitologias, como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões. Segundo ele, esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente, o que possibilitava e tornava viável o uso de veículos de comunicação para a persuasão.

De acordo com seus textos autobiográficos percebe-se, muito discretamente, que teve uma vida amorosa infeliz.

Morte na Rue des Écoles

Henriette, mãe e companheira de toda vida, morreu em 25/10/1977 e Barthes sentiu, do ponto de vista de homem gay, a perda de uma permanente fonte feminina de amor. Barthes dizia que, sem a mãe, parecia “ter perdido a alma”.

O interesse de Barthes pela fotografia passa pelo parodoxo de possuir uma prova material do objeto para sempre perdido (a presença da mãe, no caso). Jacques Derrida, filósofo recentemente falecido, comentando esta obra disse que se trata de “uma forma de vigília e de encarar a morte jamais capturada em toda a história da literatura”

Ao sair de uma aula em 25/2/1980, foi atropelado por um carro de entregas de uma lavanderia, nas Rue des Écoles, em frente ao Collège de France.
Em 6 de março, nove dias depois, morreu em conseqüência dos ferimentos e lesões.

Entre seus vários livros podemos citar O grau zero da escrita (1953), Mitologias (1957), Elementos de semiologia (1964), Crítica e verdade (1966), O prazer do texto (1973), Fragmentos de um discurso amoroso (1977) e A câmara clara (1980).

Fontes:
PIRES, Thereza. Roland Barthes Hoje. 26/11/2004. Disponível em
http://mixbrasil.uol.com.br/cultura/biografias/bio5/bio5.asp

http://www.estacaoliberdade.com.br/autores/barthes.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Roland_Barthes

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