Arquivo da categoria: poesias para crianças

Manuel Bandeira (Poesias Infanto-Juvenis)

Ilustração de Robson Corrêa de Araújo

COTOVIA

– Alô, cotovia! 
 Aonde voaste,
 Por onde andaste,
 Que saudades me deixaste?
 – Andei onde deu o vento.
 Onde foi meu pensamento
 Em sítios, que nunca viste,
 De um país que não existe . . .
 Voltei, te trouxe a alegria.
 – Muito contas, cotovia!
 E que outras terras distantes
 Visitaste? Dize ao triste.
 – Líbia ardente, Cítia fria,
 Europa, França, Bahia . . .

 – E esqueceste Pernambuco, 
 Distraída?

 – Voei ao Recife, no Cais
 Pousei na Rua da Aurora.

 – Aurora da minha vida
 Que os anos não trazem mais!

 – Os anos não, nem os dias,
 Que isso cabe às cotovias.
 Meu bico é bem pequenino
 Para o bem que é deste mundo:
 Se enche com uma gota de água.
 Mas sei torcer o destino,
 Sei no espaço de um segundo
 Limpar o pesar mais fundo.
 Voei ao Recife, e dos longes
 Das distâncias, aonde alcança
 Só a asa da cotovia, 
 – Do mais remoto e perempto
 Dos teus dias de criança
 Te trouxe a extinta esperança,
 Trouxe a perdida alegria. 

A ONDA

A onda
a onda anda
 aonde anda
 a onda?
 a onda ainda
 ainda onda
 ainda anda
 aonde?
 aonde?
 a onda a onda

BELO BELO

 Belo belo minha bela
 Tenho tudo que não quero
 Não tenho nada que quero
 Não quero óculos nem tosse
 Nem obrigação de voto
 Quero quero
 Quero a solidão dos píncaros
 A água da fonte escondida
 A rosa que floresceu
 Sobre a escarpa inacessível
 A luz da primeira estrela
 Piscando no lusco-fusco
 Quero quero
 Quero dar a volta ao mundo
 Só num navio de vela
 Quero rever Pernambuco
 Quero ver Bagdá e Cusco
 Quero quero
 Quero o moreno de Estela
 Quero a brancura de Elisa
 Quero a saliva de Bela
 Quero as sardas de Adalgisa
 Quero quero tanta coisa
 Belo belo
 Mas basta de lero-lero
 Vida noves fora zero. 

ORAÇÃO PARA AVIADORES

Santa Clara, clareai
 Estes ares.
 Dai-nos ventos regulares,
 de feição.
 Estes mares, estes ares
 Clareai.

Santa Clara, dai-nos sol.
 Se baixar a cerração,
 Alumiai
 Meus olhos na cerração.
 Estes montes e horizontes
 Clareai.

Santa Clara, no mau tempo
 Sustentai
 Nossas asas.
 A salvo de árvores, casas,
 E penedos, nossas asas
 Governai.

Santa Clara, clareai.
 Afastai
 Todo risco.
 Por amor de S. Francisco,
 Vosso mestre, nosso pai,
 Santa Clara, todo risco
 Dissipai.

Santa Clara, clareai.

A ESTRELA 

Vi uma estrela tão alta, 
 Vi uma estrela tão fria! 
 Vi uma estrela luzindo 
 Na minha vida vazia. 

 Era uma estrela tão alta! 
 Era uma estrela tão fria! 
 Era uma estrela sozinha 
 Luzindo no fim do dia. 

 Por que da sua distância 
 Para a minha companhia 
 Não baixava aquela estrela? 
 Por que tão alto luzia? 

 E ouvi-a na sombra funda 
 Responder que assim fazia 
 Para dar uma esperança 
 Mais triste ao fim do meu dia. 

D. JANAÍNA 

D. Janaína
 Sereia do mar
 D. Janaína
 De maiô encarnado
 D. Janaína
 Vai se banhar.

 D. Janaína
 Princesa do mar
 D. Janaína
 Tem muitos amores
 É o rei do Congo
 É o rei de Aloanda
 É o sultão-dos-matos
 É S. Salavá!

 Saravá saravá
 D. Janaína
 Rainha do mar.

 D. Janaína
 Princesa do mar
 Dai-me licença
 Pra eu também brincar
 No vosso reinado.

BALÕEZINHOS

Na feira do arrabaldezinho 
 Um homem loquaz apregoa balõezinhos de cor: 
 – “O melhor divertimento para as crianças!” 
 Em redor dele há um ajuntamento de menininhos pobres, 
 Fitando com olhos muito redondos os grandes balõezinhos muito redondos.

No entanto a feira burburinha. 
 Vão chegando as burguesinhas pobres, 
 E as criadas das burguesinhas ricas, 
 E mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.

Nas bancas de peixe, 
 Nas barraquinhas de cereais, 
 Junto às cestas de hortaliças 
 O tostão é regateado com acrimônia.

Os meninos pobres não vêem as ervilhas tenras, 
 Os tomatinhos vermelhos, 
 Nem as frutas, 
 Nem nada.

Sente-se bem que para eles ali na feira os balõezinhos de cor são a 
 [única mercadoria útil e verdadeiramente indispensável.

O vendedor infatigável apregoa: 
 – “O melhor divertimento para as crianças!” 
 E em torno do homem loquaz os menininhos pobres fazem um 
 [círculo inamovível de desejo e espanto. .

TREM DE FERRO

Café com pão
 Café com pão
 Café com pão

 Virgem Maria que foi isto maquinista?

 Agora sim
 Café com pão

Agora sim
 Café com pão

 Voa, fumaça
 Corre, cerca
 Ai seu foguista
 Bota fogo
 Na fornalha
 Que eu preciso
 Muita força
 Muita força
 Muita força

 Oô..
 Foge, bicho
 Foge, povo
 Passa ponte
 Passa poste
 Passa pato
 Passa boi
 Passa boiada
 Passa galho
 De ingazeira
 Debruçada
 Que vontade
 De cantar!

 Oô…
 Quando me prendero
 No canaviá
 Cada pé de cana
 Era um oficia
 Ôo…
 Menina bonita
 Do vestido verde
 Me dá tua boca
 Pra matá minha sede
 Ôo…
 Vou mimbora voou mimbora
 Não gosto daqui
 Nasci no sertão
 Sou de Ouricuri
 Ôo…

 Vou depressa
 Vou correndo

Vou na toda
 Que só levo
 Pouca gente
 Pouca gente
 Pouca gente…

Fonte:

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em poesias para crianças, Recife, Rio de Janeiro

Caderno de Leitura (Poesias para Crianças 1)

OU ISTO OU AQUILO
CECÍLIA MEIRELES

Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

AS BORBOLETAS
VINÍCIUS DE MORAES

Brancas
azuis
amarelas
e pretas
brincam
na luz
as belas borboletas.

Borboletas brancas
são alegres e francas.

Borboletas azuis
gostam muito de luz.

As amarelinhas
são tão bonitinhas!

E as pretas, então…
oh, que escuridão!

LEILÃO DE JARDIM
CECÍLIA MEIRELES

Quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?
Um lagarto entre o muro e a era,
uma estátua da primavera?
Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?
E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?
(este é o meu leilão!)

A MINHOCA
ELIAS JOSÉ

A minhoca sai da toca
e se estica e se enrosca.

O pescador quer pegar
a pobre da minhoca.

A galinha quer comer
a saborosa minhoca.

O moleque quer espremer
pra separar terra e minhoca.

A minhoca, que não é tonta,
logo se estica e se enrosca.

A terra enterra a minhoca
e ninguém viu a sua toca.

Lá de sua toca, toda torta,
torce de rir a levada minhoca.

TOLAS PERGUNTAS
ELIAS JOSÉ

Onde estará o rato
que se escondeu no meu sapato?

Onde estará o meu sapato
que escondi perto do gato?

Onde estará o gato
que miava chamando o pato?

Onde estará o pato
que nadava feito um peixe?

Onde estará o peixe
que nadou no fundo do rio?

Onde estará o rio
que caminhava para o mar?

O rio virou mar
que deixou encantados
o rato, o gato, o pato e o peixe.

CRIANÇAS LINDAS
RUTH ROCHA

São duas crianças lindas
mas são muito diferentes!
Uma é toda desdentada,
a outra é cheia de dentes…
Uma anda descabelada,
a outra é cheia de pentes!
Uma delas usa óculos,
e a outra só usa lentes.
Uma gosta de gelados,
a outra gosta de quentes.
Uma tem cabelos longos,
a outra só corta rentes.
Não queiras que sejam iguais,
aliás, nem mesmo tentes!
São duas crianças lindas,
mas são muito diferentes!

VALSA DAS PULGAS
RUTH ROCHA

As pulgas dançando
no meio da rua
dão pulos e pulos
sob a luz da lua.

No baile das pulgas
o passo é assim:
Três passos pra um lado
e entra o cupim.

Cupim dá três passos
pra lá e pra cá
e a pulga contente
toma guaraná.

Quem toca a valsinha
é o sabiá
e as pulgas pulando
pra lá e pra cá.

O GATO
MARINA COLASANTI

No alto do muro
Pulando no escuro
Miando no mato
Entrando em apuro
É o gato, seguro.

De antigo passado
E jeito futuro
Movimento puro
Ar sofisticado
É o gato, de fato.

Só pode ser gato
Esse bicho exato
Acrobata nato
Que só cai de quatro.

GALINHA D’ANGOLA
ROSEANA MURRAY

A galinha d’angola acaricia
o dia com a sua cantoria:
Tô fraco’ tô fraco’ tô fraco’
O menino tira o milho da sacola
e dá de comer à galinha d’angola
Come tudo a angolinha,
mas continua a ladainha:
Tô fraco’ tô fraco’ tô fraco’
Na beira do lago suspiro o sapo:
Que galinha mais fominha!

BEIJA-FLOR
ROSEANA MURRAY

Beija-flor pequenininho
que beija a flor com carinho
me dá um pouco de amor,
que hoje estou tão sozinho…

Beija-flor pequenininho,
é certo que não sou flor,
mas eu quero um beijinho
que hoje estou tão sozinho…

BARCA BELA
ALMEIDA GARRET

Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela…
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador!

Pescador da barca bela,
Ainda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!

A BAILARINA
CECÍLIA MEIRELES

Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé
não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar,
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças
e também quer dormir
como as outras crianças.

TANTA TINTA
CECÍLIA MEIRELES

Ah! Menina tonta,
toda suja de tinta
mal o sol desponta!

(Sentou-se na ponte,
muito desatenta…
E agora se espanta:
Quem é que a ponte pinta
com tanta tinta?…)

A ponte aponta
e se desaponta.
A tontinha tenta
limpar a tinta,
ponto por ponto
e pinta por pinta.

Ah! Menina tonta!
Não viu a tinta da ponte!

A FOCA
VINÍCIUS DE MORAES

Quer ver a foca
ficar feliz
é por uma bola
no seu nariz.

Quer ver a foca
bater palminha
é dar a ela
uma sardinha.

Quer ver a foca
fazer uma briga
é espetar ela
bem na barriga.

Fonte:
Caderno de Leitura: textos e poesias.

Deixe um comentário

Arquivado em poesias para crianças

Evelyn Heine (Poesias Divertidas para Crianças )

DOENCITE

Às vezes a gente acorda
Achando tudo errado:
Nariz tapado,
Olho embaçado,
Braço cruzado.

Tontura, enxaqueca…
Tem nhaca de todo lado.
Quem será que me botou
Todo esse mau-olhado?
Dorzinha esquisita,
Será que é sério?
Ai, corpo humano…
Quanto mistério!
Depois, tudo passa!
Vai como veio!
E até acho graça
De tanto receio!

ÁGUA DOCE, DOCE ÁGUA

De mar é feita a terra,
De água é feita a gente.
Abaixo o desperdício!
Poupar água: coisa urgente!

Clara, doce ou gelada,
Verde, azul ou transparente,
Sem a água não há nada.
Nem floresta, nem semente.

Água doce mata a sede,
Água doce é a que lava.
Cachoeira, rio ou fonte…
Só não pode ser salgada.

Tanto bate até que fura,
Diz ditado popular…
Cuida dela! Você jura?
Vamos economizar!

BI, BI, FON, FON!

Carro cachorro louco
Late, buzina, avança!
Um rosnando para o outro
Feito briga de criança.
Pra que isso, minha gente?
Paz é mais inteligente!

Na estrada ou na rua 
O caminho vai e volta. 
Passa a vida das pessoas, 
Passa o sol, passa a paisagem. 
Passam carros coloridos, 
O destino na bagagem. 
“Quem fica parado é poste”, 
Como diz José Simão. 
Para o trânsito dar certo, 
Tem a sinalização. 

Eu vou, tu vais, ele vai.
Nós vamos, vós ides, eles vão.
Cada um tem seu caminho,
Mas não vale contramão!

Se eu pego a contramão,
Passo no sinal fechado,
Está feita a confusão.
É encrenca pro meu lado.

Vai falar no celular, 
Ou mudar de estação? 
Então é melhor parar! 
Dirigir pede atenção. 

Pra que serve tanta placa?
Tem até uma com vaca.
Menino, montanha, “E” com “X”…
Tem flechinha pra cá e pra lá…
Eu pergunto e meu pai diz:
“Serve para organizar”.

MÃE… A MINHA É DIFERENTE!

Dizem que mãe é tudo igual.
Só muda o endereço.
Mas a minha é mais legal,
A melhor que eu conheço.

Minha mãe é diferente,
Com sotaque engraçado.
Ela faz tudo ao mesmo tempo,
Deixa o tempo até cansado.

Conversa com todo mundo de uma vez,
Faz pergunta e nem ouve a resposta.
Você fala, ela já está longe,
Mas é assim que a gente gosta.

Do seu jeitinho, nos conquistou
A todos os filhos, genros e netos.
Um favor nunca negou.
Dá conselhos sempre espertos.

Sua mãe também deve ser única, sem igual.
Aposto que é especial!
Porque mãe é feita de encomenda pra gente,
Só o amor é que é igual.

OLHA A CARETA!

Amanda era uma menina bonitinha.
Cheia de sardinha. Cabelo de trancinha.
Tão engraçadinha!
Mas foto dela, não tinha.
Na hora de tirar fotografia, só fazia estripulia.
Não ria.
Nem sorria.
Sabe o que é que aparecia?
Só careta! De todo jeito… Nariz torto, boca torta, só folia.
A cara mesmo, ninguém via.
O pai pedia:
– Risadinha, minha filha!
Aí ela estufava as bochechas o mais que podia. Ficava com cara de melancia.
A mãe dizia:
– Faz “X”, filhinha!
Mas não fazia. Nem pra vovó, nem pra titia.
“Ninguém me manda”, sacudia Amanda.
Mas um dia, um belo dia, a danadinha arranjou um namorado. E ele pediu uma foto. Pra guardar na carteira, com os adesivos de estimação, um chiclete e duas moedas.
– Xi… não tenho. – disse Amanda, desenxabida.
– Ora, então tira. – pediu o namorado.
– Não posso. – tristinha, disse ela…
– …Agora estou banguela!

QUER BRINCAR?

Alegria de criança
É tão fácil, tão gostosa!
Qualquer sonho se alcança.
E a vida é cor-de-rosa.

O brinquedo ou a caixa,
Tudo serve pra brincar.
Tudo sempre se encaixa
Nesta fase de inventar.

Pega-pega, esconde-esconde, mau-mau…
Gato mia, polícia e ladrão…
Brincadeira mais legal
Vem da imaginação.

Você brinca o dia todo
E com tudo que aparece.
Se adulto é quem brinca,
Dizem dele: “Este não cresce!”

Mas criança se diverte
De um jeito diferente.
Ela leva mais a sério
A missão de ser contente.

Qualquer coisa nessa vida
Pode virar brincadeira.
Chuva, rio, nuvem surgida…
Qualquer coisa que se queira.

Quando você for grande
Continue a diversão.
Com bola, pintura ou casinha…
Existe uma profissão!

Até mesmo com palavras
A gente pode brincar.
Está vendo esta poesia?
                     Eu brinco é de rimar!

Deixe um comentário

Arquivado em A Poetisa no Papel, Poesias, poesias para crianças

Rosangela Trajano (Poesias para Crianças)


A BICICLETA VELHA

Era uma velha bicicleta
Com placa de venda
Sua dona muito esperta
Queria uma boa renda.

Não tinha freios
Só um acento macio
Um pneu cheio
O outro vazio.

Vivia na garagem
Há muito abandonada
Atrapalhando a passagem
Não servia para nada.

Mas era lembrança do bisavô
Nesse caso a velha bicicleta
Foi colocada como escultura
No meio da sala de leitura.

A BONECA DE ALICE

Alice ganhou uma boneca
Era uma boneca bonita
Logo largou a peteca
Deu-lhe o nome de Anita.

Alice ganhou uma boneca
De laço e vestido vermelho
Presente da sua tia Rebeca
De fome matou seu coelho.

Alice só queria saber
Da sua boneca Anita
Nem pra mim, nem pra você
Ela desenharia uma fita

A CHUVA

Gosto de olhar a chuva
A escorregar pela rua
Na esquina fazer uma curva
Esconder o sol da lua.

Pingos de chuva caem
Pelas janelas de vidro
Curioso dou espiadas
Nas pessoas agasalhadas.

A chuva deixa mais verde
As árvores dos canteiros
Os açudes sem sede
Sorrisos nos lírios dos jardineiros.

A COELHINHA

À Branquinha, com carinho.

É branquinha
É peluda
É pequenina
É sortuda.

Ganhou uma cenoura
Ganhou uma casinha
Ganhou uma vassoura
Ganhou uma mesinha.

A coelhinha
É uma gracinha
Tolinha, tolinha
Fica vermelhinha!

A FLORZINHA

Vive quietinha
Num vaso pequeno
É bem bonitinha
Dorme no sereno.

Suas folhas bailam
À janelinha da sala
Suas pétalas exalam
Cheiro de bala.

Uma florzinha
Me cativou
Mora sozinha
E me dá seu amor.

BARQUINHOS DE PAPEL

Sou um nobre capitão
De um barquinho de papel
Que navega nas minhas mãos
Distante da terra e do céu.

Nesse primeiro cruzeiro
Levo papai e mamãe
Minha tripulação é pequena
Querem levar o guarda-roupa inteiro.

Serei um grande marinheiro
Quando mais tarde crescer
Meu barquinho de papel
No meu coração vai viver.

BOLINHAS DE SABÃO

Vejo minhas bolhinhas subindo
São bolhinhas de sabão
Que vou construindo
Canudo na boca e copo nas mãos.

Mamãe me dá sabão
Fico encantado e contente
Posso gastar de montão
Oba! Bolhinhas pra toda gente.

É fascinante brincar
Com bolhinhas de sabão
Elas são incolor
Dentro delas há amor.

CARROSSEL

Gosto de brincar no carrossel
Com botas e chapéu de couro
Só me falta o troféu
Para desfilar com o tesouro.

São cavalos de madeira
Em parques de diversões
Divertidas brincadeiras
Desperta em mim emoções.

Um dia, quando crescer
Quero um cavalo de verdade
Embora não queira esquecer
Meu carrossel na saudade.

CASTELOS DE AREIA

Sentado à beira-mar
Brinco com a areia clara
Não consigo encher a minha pá
Só quando o vento abrandar.

As ondas se vão
O vento cambaleia
Assim construo castelos de areia
O reino da minha imaginação.

Meus castelos de areia
Abrigam pessoas reais
De bondade verdadeira
Lá, todas são iguais.

EU QUERO UM GATO

Eu quero um gato
Para pegar um rato
Que roeu meu sapato.

Eu quero um gato
Para pegar um rato
Que se acha um pato.

Eu preciso de um gato
Que com um simples salto
Pegue este rato.

HORA DO BANHO

Embaixo do chuveiro
Com sabonete nas mãos
Esfrego o corpo inteiro
Faço festa no banheiro.

Na hora do banho
Jamais faço cara feia
Criança do meu tamanho
Já sabe o que é sujeira.

Seja a água fria ou quente
Uso xampu em meus cabelos
Depois passo o pente
Secar e prendê-los.

OS ANIMAIS

Gato, cachorro, macaco
Os animais precisam de amor
Vaca, elefante, leão
Coloque o reino animal em seu coração.

Beija-flores, bem-te-vis e andorinhas
Não os prenda em gaiolinhas
Precisam de liberdade para viver
São frágeis criaturinhas.

As tartarugas, as baleias,
Os tubarões e os peixinhos
Pedem respeito e carinho
Através do canto das sereias.
—-

Fontes:
Portal Sao Francisco
Imagem = http//versosdecrianca.blogspot.com

Deixe um comentário

Arquivado em poesias para crianças